Engenharia Mecânica
DEMEC
Módulo 3
Materiais Piezoelétricos – Equação constitutiva
Disciplina: Introdução aos Materiais Inteligentes
Prof. Dr. Vinícius Carvalho Teles
Efeito piezoelétrico Direto
1
𝑆= 𝑇 = 𝑠. 𝑇
𝑌
T – tensão aplicada (N/m2)
S – deformação (m/m)
Y – módulo de elasticidade(N/m2)
s – é o recíproco do Y chamado de complacência mecânica
(m2/N)
Na mecânica nós conhecemos essa eq.
como sendo 𝜎 = 𝐸𝜀
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Para cargas muito altas o
material satura
Além de alongar como um material elástico, um material
piezoelétrico produzirá um fluxo de carga nos eletrodos
colocados nas duas extremidades da amostra.
Este fluxo de carga é causado pelo movimento de dipolos
elétricos dentro do material. A carga produzida dividida pela
área dos eletrodos é o deslocamento dielétrico (elétrico), D ,
com unidade (C/m2).
D – C/m2
𝐷 = 𝐴𝑞 q – C (coulomb)
A - m2
A aplicação de um nível de tensão crescente produzirá
um aumento na rotação dos dipolos elétricos e um
A carga q e a tensão V gerada nos eletrodos são relacionadas aumento no deslocamento dielétrico.
pela capacitância do material, C como:
V – V (volts) 𝐷 = 𝑑. 𝑇
q – C (coulomb)
𝑉 = 𝐶𝑞 C - F (farad)
coeficiente de deformação piezelétrico (C/N)
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Efeito piezoelétrico Inverso
Os materiais piezelétricos também exibem um efeito
recíproco no qual um campo elétrico aplicado produzirá
uma resposta mecânica.
Sob a suposição de que o material piezoelétrico é um
isolante perfeito, o potencial aplicado produz um campo
elétrico no material, E, que é igual ao potencial aplicado
dividido pela distância entre os eletrodos.
E – V/m
V – V (volts)
𝐸 = 𝑉𝑙 L – distância entre os
permissividade relativa
eletrodos
𝜀
A aplicação de um campo elétrico ao material produzirá 𝜀𝑟 =
𝜀0 permissividade dielétrica no vácuo (F/m)
uma rotação dos dipolos elétricos e, assim, um
deslocamento dielétrico, D. 𝜀0 = 8,85 ∗ 10−12 𝐹/𝑚
𝐷 = 𝜀𝐸
permissividade dielétrica (F/m)
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O efeito piezoelétrico inverso é quantificado pela relação
entre o campo aplicado e a deformação mecânica.
Curiosamente, a inclinação da relação campo-
deformação seria igual ao coeficiente de deformação
piezelétrico.
Deformação Campo elétrico
(m/m) 𝑆 = 𝑑. 𝐸 (V/m)
coeficiente de deformação piezelétrico (m/V)
(C/N)
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Constante de piezoeletricidade
Tensão
Efeito direto Campo Elétrico
mecânica
𝑑 𝑐𝑎𝑚𝑝𝑜 𝑒𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑜 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑎 𝑑𝑖𝑟𝑒çã𝑜 𝑑𝑒 𝑘
𝑑𝑘𝑖 =
𝑡𝑒𝑛𝑠ã𝑜 𝑚𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑎 𝑎𝑝𝑙𝑖𝑐𝑎𝑑𝑎 𝑛𝑎 𝑑𝑖𝑟𝑒çã𝑜 𝑖
Tensão
Campo Elétrico Efeito inverso
mecânica
𝑐 𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑛𝑎 𝑑𝑖𝑟𝑒çã𝑜 𝑖
𝑑𝑖𝑘 =
𝑐𝑎𝑚𝑝𝑜 𝑒𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑜 𝑎𝑝𝑙𝑖𝑐𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑎 𝑑𝑖𝑟𝑒çã𝑜 𝑘
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Exercício
Considere um material piezoelétrico com um coeficiente de deformação piezelétrico de 550 × 10−12 m/V e uma
complacência mecânica de 20 ×10−12 m2/N. O material tem uma geometria quadrada com um comprimento lateral de 7
mm. Calcule:
(a) a deformação produzida por uma força de 100 N aplicada à face do material quando o campo elétrico aplicado é
zero.
(b) o campo elétrico necessário para produzir uma quantidade equivalente de deformação quando a tensão aplicada é
igual a zero.
𝐹 100𝑁 𝑆 = 𝑑. 𝐸
𝑇= = = 2,04𝑀𝑃𝑎
𝐴 7.10−3 𝑚 𝑥 7.10−3 𝑚 40,8 × 10−6 mΤm
𝐸= −12 = 74,2 𝑘 𝑉 Τ𝑚
550 × 10 Τ
m V
S = s.T
S = (20 × 10−12 m2/N)(2.04 × 106 Pa) = 40,8 × 10−6 m/m ou 40,8 µ m/m.
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Equação constitutiva
• As propriedades básicas de um material piezoelétrico são expressas matematicamente como uma relação entre duas
variáveis mecânicas, tensão e deformação, e duas variáveis elétricas, campo elétrico e deslocamento elétrico.
• As expressões para o efeito piezoelétrico direto e inverso podem ser combinadas em uma expressão de matriz,
escrevendo a relação entre deformação e deslocamento elétrico em função da tensão aplicada e do campo aplicado:
𝑆 𝑠𝑑 𝑇
=
𝐷 𝑑𝜀 𝐸
• A partição superior da equação (representa uma equação para o efeito piezoelétrico inverso, enquanto a partição
inferior representa uma expressão do efeito direto.
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Equação constitutiva
• A equação pode ser invertida para escrever as expressões com tensão e campo como variáveis dependentes e
deformação e deslocamento elétrico como variáveis independentes.
𝑇 1 𝜀 −𝑑 𝑆
=
𝐸 𝑠𝜀 − 𝑑 2 −𝑑 𝜀 𝐷
1 1 𝑑Τ𝑠 𝜀
𝑇 𝑠 1 − 𝑑 2 Τ𝑠 𝜀 − 𝑆
1 − 𝑑 2 Τ𝑠 𝜀
=
𝐸 𝑑Τ𝑠 𝜀 1 1 𝐷
−
1 − 𝑑 2 Τ𝑠 𝜀 𝜀 1 − 𝑑 2 Τ𝑠 𝜀
𝑑
𝑘= coeficiente de acoplamento piezoelétrico
𝑠𝜀
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Coeficiente de acoplamento piezoelétrico
coeficiente de deformação piezelétrico (C/N)
𝑑
𝑘= permissividade dielétrica (F/m)
𝑠𝜀
complacência mecânica (m2/N)
• Uma propriedade importante do coeficiente de acoplamento piezoelétrico é que ele é sempre positivo e limitado
entre 0 e 1.
• Os limites do coeficiente de acoplamento estão
relacionados às propriedades de conversão de
energia no material piezoelétrico, e os limites de 0
e 1 representam o fato de que apenas uma fração
da energia é convertida entre os domínios
mecânico e elétrico.
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Efeito das condições de contorno
mecânicas e elétricas
• O acoplamento eletromecânico em dispositivos piezoelétricos dá origem ao fato de que as propriedades do material
também são uma função das condições de contorno mecânicas e elétricas.
• Um parâmetro importante na configuração do teste é a condição de contorno elétrico que existe entre as faces
opostas. Suponha por um momento que temos uma condição de curto-circuito na qual as faces do cubo
piezoelétrico estão conectadas diretamente
• Essa condição de contorno elétrico resulta em um campo
zero nas faces do material, mas permite que a carga flua
do terminal positivo para o terminal negativo.
• Substituir E = 0 na equação constitutiva resulta em:
𝑆 = 𝑠. 𝑇
𝐷 = 𝑑. 𝑇
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Efeito das condições de contorno
mecânicas e elétricas
• Agora considere realizar o mesmo experimento quando os terminais elétricos estão abertos de forma que nenhuma
carga possa fluir entre as faces do material. Neste experimento, o deslocamento dielétrico D = 0 e a relação
constitutiva na equação
1
𝑇= 𝑆
𝑠 1 − 𝑘2
𝑘2
𝐸= 𝑆
𝑑 1 − 𝑘2
Assim,
𝑠𝑇 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑖𝑡𝑜
𝑆=ቊ
𝑠 1 − 𝑘2 𝑇 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑖𝑡𝑜 𝑎𝑏𝑒𝑟𝑡𝑜
• O resultado demonstra que a complacência mecânica muda quando a condição de contorno elétrico é alterada.
• O fato de k2 > 0 indica que a complacência mecânica diminui quando a condição de contorno elétrico é alterada de
um curto-circuito para uma condição de circuito aberto.
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Efeito das condições de contorno
mecânicas e elétricas
• É convenção adotar um sobrescrito para denotar a condição de contorno associada à medição de uma determinada
propriedade mecânica ou elétrica.
• O sobrescrito E ou D denota um campo elétrico constante e um deslocamento dielétrico constante, respetivamente,
para uma propriedade mecânica.
𝑠𝐸 𝑇 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑖𝑡𝑜
𝑆=൝ 𝐸
𝑠 1 − 𝑘2 𝑇 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑖𝑡𝑜 𝑎𝑏𝑒𝑟𝑡𝑜
• Relação entre a complacência mecânica de curto-circuito e a complacência mecânica de circuito aberto como:
𝑠𝐷 = 𝑠𝐸 1 − 𝑘2
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Equação constitutiva
• Matriz tridimensional de material piezoelétrico.
• Definimos um sistema de coordenadas no qual três direções são especificadas numericamente e usamos a
convenção comum de que a direção 3 está alinhada ao longo do eixo de polarização do material
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Equação constitutiva
• Vemos na figura que existem três direções nas quais podemos aplicar um campo elétrico. Rotulamos essas
direções Ei , onde i = 1, 2, 3, e expressamos esses campos em termos do vetor campo elétrico:
𝐸1
𝐸 = 𝐸2
𝐸3
• Da mesma forma, notamos que existem três direções nas quais podemos produzir deslocamento elétrico dentro
do material. Essas direções são expressas em termos do vetor
𝐷1
𝐷 = 𝐷2
𝐷3
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Equação constitutiva
• O fato de existirem três direções associadas ao campo elétrico e três associadas ao deslocamento elétrico significa
que a relação geral entre as variáveis assume a forma
• Essas expressões podem ser declaradas concisamente em notação inicial:
𝑇 𝐸
𝐷𝑚 = 𝜀𝑚𝑛 𝑛
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Equação constitutiva
• As equações que relacionam a deformação com a tensão no caso tridimensional podem ser derivadas de maneira
semelhante.
• No caso de um estado geral de tensão e deformação para o cubo de material, vemos que nove termos são
necessários para uma especificação completa.
• Os componentes de tensão e deformação que são normais às superfícies do cubo são denotados T11, T22, T33 e
S11, S22, S33, respetivamente.
• Existem seis componentes de cisalhamento, T12, T13, T23, T21, T32, T31 e S12, S13, S23, S21, S32, S31.
Equação geral dos materiais piezoelétricos
𝐸
𝑆𝑖 = 𝑠𝑖𝑗 𝑇𝑗 + 𝑑𝑖𝑘 𝐸𝑘 atuadores ij – 1 a 6
mnkl – 1 a 3
𝑇 sensores
𝐷𝑚 = 𝑑𝑚𝑗 𝑇𝑗 + 𝜀𝑚𝑘 𝐸𝑛
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Equação constitutiva
• Matriz de tensores tensão normal
Deformação normal
Deformação cisalhante
tensão cisalhante
𝐸
𝑆𝑖 = 𝑠𝑖𝑗 𝑇𝑗 + 𝑑𝑖𝑘 𝐸𝑘
𝑇
𝐷𝑚 = 𝑑𝑚𝑗 𝑇𝑗 + 𝜀𝑚𝑘 𝐸𝑛
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Equação constitutiva
• Muitos piezoelétricos comuns são materiais ortotrópicos, ou seja, nas direções 1 e 2 as propriedades são iguais,
porém na direção 3 é diferente.
• Neste caso podemos simplificar a equação para: Coeficiente de acoplamento piezoelétrico
atuadores
sensores
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Exercícios
Uma chapa piezoelétrica de comprimento 0,0508 m, largura de 0,0254 m e
espessura de 0,000254 m, conforme mostrado na Fig, é submetida a uma
força F ao longo da direção '1'. Suponha que um circuito eletrônico mova
toda a carga gerada pela folha piezoelétrica para um capacitor C. Como
resultado, podemos assumir que E = 0 para a folha. Calcule a tensão V
desenvolvida devido a uma força F = 25N, para uma capacitância C = 100nF.
Use as propriedades do material para PZT-5H.
F
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A equação do ao longo da direção '1', para uma folha
com eletrodos normais à direção '3' pode ser escrita
como
𝐸
𝑆𝑖 = 𝑠𝑖𝑗 𝑇𝑗 + 𝑑𝑖𝑘 𝐸𝑘 𝑇
𝐷3 = 𝑑31 𝑇1 + 𝜀33 𝐸3
𝑇
𝐷𝑚 = 𝑑𝑚𝑗 𝑇𝑗 + 𝜀𝑚𝑘 𝐸𝑛
𝑉. 𝐶 𝐹
Para uma folha de comprimento lc, largura bc e = 𝑑31
𝑏𝑐 𝑙𝑐 𝑏𝑐 𝑡𝑐
espessura tc, assumindo que toda a carga q gerada pela
tensão aplicada é transferida para o capacitor C. 𝐹. 𝑏𝑐 . 𝑙𝑐
𝑉 = 𝑑31
𝑏𝑐 . 𝑡𝑐 . 𝐶
𝑞 𝑞 𝑇
𝐷3 = = = 𝑑31 𝑇1 + 𝜀33 .0
𝐴 𝑏𝑐 𝑙𝑐 𝐹. 𝑙𝑐
𝑉 = 𝑑31
𝑞 𝐹 𝑡𝑐 . 𝐶
𝐷3 = = 𝑑31 25 x 0,0508
𝑏𝑐 𝑙𝑐 𝑏𝑐 𝑡𝑐 −12
𝑉 = −274. 10 .
0,000254 𝑥 100.10−9
𝑞
𝑉=
𝐶 𝑉 = −13,7 𝑉
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Modo de operação
• Um dos modos de operação mais comuns de um dispositivo piezoelétrico é a direção ao
longo do eixo de polarização.
• Conforme discutido anteriormente, a convenção com materiais piezoelétricos é alinhar
os 3 eixos do material na direção do vetor de polarização do material.
Assumindo: Temos:
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Modo de operação
• As expressões na equação anteriores podem ser usadas de várias maneiras para resolver problemas
relacionados a materiais e dispositivos piezoelétricos.
• A deformação e o deslocamento elétrico podem ser resolvidos definindo o estado de tensão, T3, e o
campo elétrico, E3.
• Na maioria dos casos, para um dispositivo piezoelétrico 33, estamos interessados em analisar o estado do
material piezoelétrico na direção 3.
• Neste caso, prescrevemos condições de contorno elétricas e mecânicas especificando S3 e D3 e
resolvemos a tensão e o campo elétrico, ou simplesmente prescrevemos a tensão e o campo elétrico e
resolvemos a deformação e o deslocamento elétrico em todas as direções
atuadores
sensores
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Modo de operação
• Deformação livre -> é a deformação quando não resistência a movimentação do
material.
• T3 = 0
• Tensão bloqueada - > é a tensão produzida quando a expansão do material é impedida
• S3 = 0
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Modo de operação
• Essa relação pode ser plotada para produzir uma curva de projeto que indica a quantidade de tensões
que podem ser produzidas pelo material em função da deformação e campo.
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PZT-5H
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Modo de operação
• A área sob a curva T x S igual à energia máxima por unidade de volume que pode ser produzida pelo
dispositivo.
1 2
• Para campos elétricos equivalentes o produto 𝑌 𝐸 𝑑33 indica a capacidade de diferentes materiais de
2
realizar trabalho mecânico.
1 2
• Um valor mais alto de 𝑌 𝐸 𝑑33 indica que um material pode realizar mais trabalho mecânico no mesmo
2
campo elétrico.
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Exercícios
Uma chapa piezoelétrica de comprimento 0,0508 m, largura 0,0254 m e
espessura 0,000254 m é submetida a uma força F ao longo da direção '1' , e
uma voltagem V = 100 Volts é aplicada aos eletrodos. Calcule a deformação
livre e a força bloqueada da chapa e plote a variação da deformação ao
longo da direção '1' com a força aplicada. Use as propriedades do material
para PZT-5H.
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A equação do atuador ao longo da direção '1', com um A força bloqueada Fb é obtida ajustando a
campo ao longo da direção '3' pode ser escrito como deformação l = 0.
𝐸 𝐸
𝐹 𝑉 𝑑31 . 𝑉. 𝑏𝑐
𝑆𝑖 = 𝑠𝑖𝑗 𝑇𝑗 + 𝑑𝑖𝑘 𝐸𝑘 𝐸 0 = 𝑠11 + 𝑑31 ⇒ 𝐹 = − 𝐸
𝑆1 = 𝑠11 𝑇1 + 𝑑31 𝐸3 𝑏𝑐 𝑡𝑐 𝑡𝑐 𝑠11
𝑇
𝐷𝑚 = 𝑑𝑚𝑗 𝑇𝑗 + 𝜀𝑚𝑘 𝐸𝑛
Para uma folha de comprimento lc, largura bc e espessura tc, −274. 10−12 . 100.0,0254
a equação acima torna-se 𝐹=− = 42,18 𝑁
16,5. 10−12
𝐸
𝐹 𝑉
𝑆1 = 𝑠11 + 𝑑31
𝑏𝑐 𝑡𝑐 𝑡𝑐
Observe que devido ao sinal negativo de d31, a
deformação livre é compressiva e a força
A deformação livre é obtida quando não há força atuando bloqueada é de tração. Isso significa que a folha
na chapa, F = 0 produz tende a se contrair na direção '1’, quando um
campo positivo é aplicado nos eletrodos, e uma
força de tração na direção '1' é necessária para
0 100 conter a folha.
𝐸
𝑆1 = 𝑠11 − 274. 10−12 . = −107,87μ m/m
𝑏𝑐 𝑡𝑐 0,000254
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Exercício
Dois materiais piezoelétricos estão sendo considerados para uma dispositivo de
acionamento. O primeiro material considerado tem um módulo de curto-circuito de 𝑌 𝐸 =
55 𝐺𝑃𝑎 e um coeficiente de deformação piezelétrico de 𝑑33 = 425 𝑝𝑚/𝑉. O segundo
material considerado é um material mais macio que possui um módulo de curto-circuito
de 43 GPa, mas um coeficiente de deformação de 450 pm/V. O campo elétrico máximo
que pode ser aplicado ao primeiro material é de 1,5 MV/m, enquanto o segundo material
é estável até valores de campo elétrico de 3 MV/m.
• (a) Trace a relação entre tensão e deformação induzida para ambos os materiais no
campo elétrico máximo aplicado.
1 𝐸 2
• (b) Calcule a 𝑌 𝑑33 para ambos os materiais.
2
• (c) Calcule a densidade de energia no campo máximo.
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(a) Traçar a relação entre a tensão induzida e a deformação requer o cálculo
da tensão bloqueada e da deformação livre em ambos os conjuntos de
materiais.
𝑚 𝑉
Material 1 𝑆3 = 425.10−12 𝑥 1,5.106 = 637,5𝜇𝑚/𝑚 𝑝/𝑇3 = 0
𝑉 𝑚
Material 2 𝑚 𝑉
𝑆3 = 450.10−12 𝑥 3.10 6
= 1350𝜇𝑚/𝑚 𝑝/𝑇3 = 0
𝑉 𝑚
𝑁
Material 1 𝑇3 = 55.10−9 𝑥 637,5.10−6 𝑚/𝑚 = 35,1 𝑀𝑃𝑎 𝑝/𝑆3 = 0
𝑚 2
𝑁
Material 2 𝑇3 = 43.10−9 2 𝑥 1350.10−6 𝑚/𝑚 = 58,1 𝑀𝑃𝑎 𝑝/𝑆3 = 0
𝑚
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1 𝐸 2
(b) Calcule a 𝑌 𝑑33 para ambos os materiais.
2
Material 1 1 𝐸 2 1 −9
𝑁 −12
𝑚 2
𝑌 𝑑33 = 55.10 2 (425.10 ) = 4,97.10−9 [𝑁/𝑉 2 ]
2 2 𝑚 𝑉
1 𝐸 2 1 −9
𝑁 −12
𝑚 2
Material 2 𝑌 𝑑33 = 43.10 2
(450.10 ) = 4,35.10−9 [𝑁/𝑉 2 ]
2 2 𝑚 𝑉
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(c) Calcule a densidade de energia no campo máximo.
A densidade de energia máxima é o resultado do cálculo da parte (b) multiplicado pelo
campo elétrico máximo aplicado ao material:
1 𝐸 2 2 𝐽
Material 1 𝐸𝑣 = 𝑌 𝑑33 𝐸3 = 4,97.10−9 2 x(1,5.106 [𝑚/𝑉])2 = 11,18 [𝑘𝐽/𝑚3 ]
2 𝑉
1 𝐸 2 2 𝐽
Material 2 𝐸𝑣 = 𝑌 𝑑33 𝐸3 = 4,35.10 −9 x(3.106 [𝑚/𝑉])2 = 39,2 [𝑘𝐽/𝑚3 ]
2 𝑉 2
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Equações do transdutor para um
dispositivo piezoelétrico 33
• Muitas vezes, ao projetar um dispositivo que usa um transdutor piezoelétrico no modo 33, não queremos
trabalhar a partir das relações constitutivas, mas a partir de um conjunto de relações que relacionam
diretamente força, deslocamento, tensão e carga.
• Para obter uma relação entre força, deslocamento, voltagem e carga, primeiro relacione essas variáveis
com as variáveis de campo do material.
S = deformação (m/m)
Equação constitutiva
u3 = deslocamento (m)
𝐸
𝑆3 = 𝑠33 𝑇3 + 𝑑33 𝐸3 q = tensão gerada (V)
tp = espessura do material (m)
𝑇 f = força (N)
𝐷3 = 𝑑33 𝑇3 + 𝜀33 𝐸3
v = potencial aplicado (V)
Ap = área do material (m2)
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Equações do transdutor para um
dispositivo piezoelétrico 33
• Informações importantes de projeto podem ser derivadas das equações anteriores.
• O deslocamento livre, δo, do transdutor é igual a
• Força bloqueada, fbl
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Equações do transdutor para um
dispositivo piezoelétrico 33
• As relações também podem ser determinadas para o projeto de sensores
piezoelétricos. A carga produzida por uma força aplicada é igual a
A tensão gerada é diretamente proporcional a força aplicada
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Exercícios
• Calcule a força bloqueada e o deslocamento livre produzidos por um
dispositivo piezoelétrico com comprimento e largura de 2 mm e espessura
de 0,25 mm. A tensão aplicada é de 50 V. Para o cálculo, use as
propriedades piezoelétricas para APC 856.
Para calcular a força bloqueada, precisamos conhecer a complacência mecânica com
campo zero e o coeficiente de deformação piezelétrico na direção 33
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Exercícios
• Força bloqueada
• Deslocamento livre
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Atuadores piezoelétricos empilhados
• A necessidade de aumentar o deslocamento de um dispositivo piezoelétrico levou ao desenvolvimento de atuadores
de pilha piezoelétricos.
• Como o nome indica, uma pilha piezoelétrica consiste em várias camadas de placas piezoelétricas colocadas umas
sobre as outras.
• As conexões elétricas do dispositivo são feitas de forma que a mesma voltagem (e campo elétrico) seja colocada em
cada camada.
• A geometria da pilha produz uma amplificação do
deslocamento, pois cada camada (idealmente)
deslocará a mesma quantidade. Também é importante o
fato de que a força associada à pilha será equivalente à
força de uma única camada (novamente no caso ideal).
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Atuadores piezoelétricos empilhados
• O deslocamento total é a soma dos deslocamentos de cada placa.
Se houver n placas
Se definirmos o comprimento total da pilha
como Ls = [Link], então
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Atuadores piezoelétricos empilhados
• Examinando as conexões elétricas, vemos que as camadas estão conectadas em
paralelo.
• Da teoria elétrica básica, sabemos que a conexão paralela de capacitores produz um
somatório da saída de carga de cada camada, portanto, a saída de carga total da pilha
piezoelétrica é
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Atuadores piezoelétricos empilhados
• As equações anteriores representam as equações do transdutor para uma pilha piezoelétrica.
• Essas equações foram derivadas com várias suposições:
• propriedades mecânicas e elétricas do material interfacial são desprezíveis;
• propriedades do material de cada camada são idênticas.
• Definir a força e o deslocamento iguais a zero, respectivamente, nos permite derivar as expressões para o
deslocamento livre da pilha e a força bloqueada:
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Pilha Piezoelétrica Atuando sobre Carga
Elástica Linear
• Uma aplicação comum de uma pilha piezoelétrica é o controle de movimento no qual uma pilha
piezoelétrica está aplicando uma força contra um objeto que pode ser modelado como uma carga
elástica.
Se,
f = −klu us = u
Então,
Onde,
𝐸
𝐸
𝑌3 𝐴 𝑑33 𝐿𝑠
𝑘𝑠 = 𝑢0 =
𝐿𝑠 𝑡𝑝
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Pilha Piezoelétrica Atuando uma Carga
Elástica Linear
• Se a rigidez da carga for muito menor que a rigidez do
piezoelétrico, kl/ks << 1 o deslocamento é aproximadamente
igual ao deslocamento livre da pilha.
• Se a rigidez da pilha for muito menor que a rigidez da carga,
kl/ks >> 1 o deslocamento da pilha e muito menor que o
deslocamento livre.
• No gráfico, vemos que o deslocamento se torna 0,5.δo
quando a rigidez da carga é igual à rigidez do atuador. Isso é
chamado de ponto de correspondência de rigidez devido ao
fato de que a rigidez da carga e do atuador são iguais.
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Pilha Piezoelétrica Atuando uma Carga
Elástica Linear
• O ponto de correspondência de rigidez também é importante na análise da força e do trabalho
transferidos do piezoelétrico para a carga.
A força de bloqueio
𝑊 = 𝑓. 𝑢
A força aplicada pelo atuador à carga é
𝑊𝑚𝑎𝑥 = 𝑓𝑏𝑙 . 𝛿0
• Quando a rigidez da carga é muito menor que a
atuador, kl/ks << 1, a força de saída é muito menor que
a força bloqueada.
• No extremo oposto, vemos que a força é quase
equivalente à força bloqueada da pilha.
Dr. Vinicius Carvalho Teles Slide 50
• Esses resultados enfatizam que existem três regimes de operação:
• No regime em que a rigidez do atuador é muito maior que a rigidez da carga, kl/ks << 1, vemos que ocorre
muito pouca transferência de carga entre o transdutor e a carga.
• Isso geralmente é desejável ao usar o material como sensor porque indica que muito pouca força é transferida do transdutor
para a carga. Assim, a carga não pode “sentir” a presença do material inteligente e seu movimento não será afetado pela
presença do transdutor.
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• Esses resultados enfatizam que existem três regimes de operação:
• No extremo oposto vemos que o movimento do transdutor não é afetado pela presença da carga;
portanto, muitas vezes é desejável para ks >> kl para aplicações em controle de movimento onde o
objetivo é atingir o deslocamento máximo no atuador piezoelétrico e na carga.
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• Esses resultados enfatizam que existem três regimes de operação:
• O regime em que kl ≈ ks é normalmente desejável quando a aplicação requer a maximização da
transferência de energia entre o transdutor e a carga.
• Dissipadores de energia
• Acelerômetros
• Geradores de energia
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Exercícios
• Uma aplicação em controle de movimento requer que um atuador piezoelétrico
produza 90 μm de deslocamento em um elemento estrutural que tenha uma rigidez de
3 N/μm. O engenheiro de aplicações escolheu uma pilha piezoelétrica que produz um
deslocamento livre de 100 μm. Determine:
• (a) a rigidez necessária para atingir 90 μm de deslocamento na carga e
• (b) a quantidade de força produzida na carga para esse deslocamento valor de rigidez.
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Exercícios
• Da equação
• podemos calcular a razão de rigidez em função do deslocamento livre,
𝑘𝑙 100 𝜇𝑚
𝐸 = 90 𝜇𝑚 − 1 = 0,11
𝑘𝑠
3 𝑁/𝜇𝑚
𝑘𝑠𝐸 = = 27,3 𝑁/𝜇𝑚
0,11
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Exercícios
• Para calcular a força bloqueada
𝑁
𝑓𝑏𝑙 = 100 𝜇𝑚 𝑥 27,3 = 2730 𝑁
𝜇𝑚
A quantidade de força aplicada à carga pode ser calculada a partir da equação
0,11
𝑓 = 2730 𝑁 𝑥 = 270,5 𝑁
1 + 0,11
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Construção de um atuador piezoelétrico
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Bibliografia
•Chopra, I.; Sirohi, J. Smart Structures Theory. 1st Edition. Cambridge. 2013. ISBN 978-0-521-86657-6
•Donald J. Leo. Engineering Analysis of Smart Material Systems. JOHN WILEY & SONS. 2007. ISBN 978-0-471-68477-0
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