GESTÃO ESCOLAR
LÍGIA DIAS
AULA 1
INTRODUÇÃO A GESTÃO
ESCOLAR
DIRETORES X GESTORES
Um diretor de escola não é síndico de estabelecimento de ensino. E
escolas, apesar de serem prédios, seu objetivo não é apenas oferecer
abrigo, moradia. Escola é um templo para o desenvolvimento
intelectual, inclusão social e cultural, perspectiva pessoal de futuro
com família, trabalho e alguma dignidade. Para a sociedade ao redor,
leva a promessa de melhores condições de vida, de progresso
coletivo, de ser, enfim, um lugar mais decente para todos viverem
(MONTEIRO [Link], 2013).
DIRETORES X GESTORES
A verdadeira gestão escolar requer visões alternativas e inovadoras
sobre o significado da escola para a sociedade: a finalidade e o objeto
de seu trabalho, os processos que o constituem e as formas e
instrumentos como são geridos. Até bem pouco tempo, administrador
escolar, em tese, era quem cuidava de coisas como os recursos e
verbas, as instalações físicas e – com os auspícios do secretário
escolar – dos processos e encaminhamentos junto aos órgãos oficiais
de ensino (MONTEIRO, [Link], 2013)
DIRETORES X GESTORES
Muitas vezes, o diretor acabou assumindo funções menores que
acabavam o impedindo de realmente gerir a sua escola. Em alguns
momento ele apenas administrava e as coisas até funcionavam, mas a
sua missão é mais ampla e a instituição precisa de que ele realmente
traga inovações e inspirações para todos aqueles de que dele
necessitam.
Contudo para que se compreende este tipo de gestão é necessário
estudá-la.
GESTÃO ESCOLAR: CONTEXTO HISTÓRICO
Comecemos este estudo com a origem da palavra gestão. Gestão é
um termo de origem latina, gerentia, gerere, que significa fazer,
executar, gerir e gerenciar. Todo sistema organizacional é posto em
atividade a partir de uma gestão e se apresenta como um processo
político permeado por relações de poder (GUIMARÃES, 2017, p.22)
Os primeiros estudos sobre a organização de um trabalho educacional
surgem em meados de 1930.
GESTÃO ESCOLAR: CONTEXTO HISTÓRICO
Joelma Guimarães (2017) explica que a partir da década de 1980 os
estudos referentes à organização educacional assumem uma
abordagem mais crítica, pois até então eram burocráticos e tecnicistas.
Com essa organização a escola apresenta as suas ações permeadas
por relações socioculturais e políticas. Além da abordagem burocrática
e crítica outras que marcam a história da organização e gestão seriam:
a técnico-científica (tradicional), a autogestionária, a interpretativa, e a
democrática-participativa.
GESTÃO ESCOLAR: CONTEXTO HISTÓRICO
É importante reforçar a diferença entre a administração e gestão: a
primeira está relacionada ao planejamento e ao controle em dirigir os
recursos que podem ser humanos, materiais e/ou financeiros. Já a
segunda: está relacionada ao incentivo e à participação dos sujeitos na
busca da sua autonomia, bem como, na responsabilidade de todos os
envolvidos em um processo coletivo, na escola (GUIMARÃES, 2017,
p.22).
GESTÃO ESCOLAR: CONTEXTO HISTÓRICO
Fonte: GUIMARÃES, 2017, p.23
GESTÃO
Se uma tem o seu enfoque na efetividade e a outra na eficiência é
imperativo distinguir os dois termos.:
Eficiência: virtude ou característica de (alguém ou algo) ser
competente, produtivo, de conseguir o melhor rendimento com o
mínimo de erros e/ou dispêndios.
GESTÃO
Eficácia: utilizar todos os recursos disponíveis para apresentar o
melhor trabalho possível e, consequentemente, gerar resultados
positivos para a sua empresa — ou seja, fazer o que deve ser feito.
Efetividade: efetividade é a habilidade de ser eficiente e eficaz ao
mesmo tempo, ou seja, de atingir as metas definidas no prazo e
orçamento estabelecidos e conseguir apresentar um resultado final
satisfatório para a empresa.
GESTÃO
Portanto gerir é a habilidade de fazer com que todos os processos
sejam eficientes e eficazes. Mas quais são os tipos de gestão
escolar? Como funcionam?
Técnico-científica - Princípios: racionalização e hierarquização.
Segundo Libâneo (2001) a gestão técnico-científica também pode ser
chamada de tradicional. Esse tipo de gestão é fundamentado na
hierarquia dos cargos e das funções, valorizando a racionalização, o
trabalho e a visão conservadora de uma administração tradicional,
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clássica, burocrática e conservadora. Muito próxima das ideias de uma
gestão administrativa empresarial. Na contemporaneidade a gestão da
“Qualidade Total” apresenta uma versão atual da concepção técnico-
científica (GUIMARÃES, 2017, p.23)
Joelma elenca as característica desta gestão:
• A divisão técnica das funções do trabalho.
• O poder está centralizado nas mãos do diretor da escola.
• A comunicação é realizada de forma verticalizada.
GESTÃO
• Mais importante do que as interações pessoais são o cumprimento
das tarefas burocráticas.
Autogestionária - Princípios: autogestão e descentralização.
Esta gestão escolar traz como característica a responsabilidade
coletiva, desprovida de uma direção centralizadora. Rejeita a
autoridade e/ou a sistematização de organização e gestão da escola.
As regras são instituídas pelo próprio grupo que é o seu gestor.
Características:
GESTÃO
• Autogestão.
• As funções não são exercidas unicamente por uma pessoa, mas sim
alternadas entre os sujeitos.
• Valoriza mais as relações pessoais do que as tarefas burocráticas.
(GUIMARÃES, 2017, p.24)
Gestão interpretativa
Libâneo (op. cit. p. 237) diz que a gestão interpretativa “considera
como elemento prioritário na análise dos processos de organização e
gestão os significados subjetivos, as intenções e a interação das
pessoas”. Neste sentido, este tipo de gestão prioriza mais a “ação
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organizadora” e menos o “ato de organizar”. Ou seja, a ação
organizadora é reflexo das interpretações, das percepções, das
experiências, dos valores e do fazer de todos os participantes do
processo, tornando mínimo os aspectos normativos, formais e
estruturais e, priorizando os valores e as práticas vivenciadas. Deste
modo, a gestão interpretativa opõe-se à gestão técnico-científica.
GESTÃO
Democrática-participativa
A gestão democrático-participativa busca articular, através do diretor, a
proatividade e a participação dos agentes educacionais que se
relacionam com ele. Ela, segundo Libâneo, “busca objetividade no
trato das questões da organização e da gestão, mediante coleta de
informações reais” ([Link]. p. 237), ou seja, baseia-se na relação da
direção e dos membros da equipe, priorizando os objetivos assumidos
por todos e tomadas de decisões coletivas (BARTNIK, 2012).
GESTÃO
Bartnik enfatiza que, nos sistemas de ensino, a concepção de
administração ou gestão seria muito mais do que apenas intenção ou
proposta; mas sim a concretização dos objetivos definidos na organização
do trabalho escolar.
A gestão escolar visa a melhoria na qualidade do ensino, buscando o
desenvolvimento pessoal de cada participante do processo, seja ele
educador , aluno ou mesmo a família.
GESTÃO
Na escola, o foco é a produção critica do saber, a inserção do aluno no
processo de formação de ideias, na construção de conhecimento, no
desenvolvimento de competências e na formação de atitudes. Já na
empresa, o foco na gestão é o lucro e a produtividade (BARTNIK, 2012, p.
48).
Existem ainda outros elementos que reforçam esta dicotomia:
racionalidade, subjetividade e vantagens pessoais são alguns deles.
GESTÃO
GESTÃO
A gestão escolar, mais do que a administração que viabiliza recursos e
processos, busca gerir amplamente a instituição escolar: discutindo,
como mostra a imagem anterior: ética, cultura, política, recursos etc.
Portanto, é uma forma de administrar a escola como um todo. Para um
completo desenvolvimento educacional, o profissional responsável
pela área deve observar as necessidades e particularidades de cada
setor, promovendo uma melhor relação e desenvolvimento das
atividades.
GESTÃO
Ademais, é preciso ter habilidades de gerenciamento em aspectos que vão
do plano pedagógico às questões financeiras, ou seja, dar atenção à
instituição como um todo, não apenas no foco de negócio, que é o ensino
(Disponível em: <[Link]
entenda-o-que-e-e-como-desenvolver/> Acesso em: 16 nov. 2019)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Saviani defende que um diretor precisa entender o bom funcionamento da
escola e ter clareza da razão central da instituição que dirige. Ele ainda
ressalta a necessidade de este agente estar sempre comprometido com a
qualidade do ensino e, que antes de ser um administrador, ele deve
lembrar-se de ser um educador.
REFERÊNCIAS
GUIMARÃES, Joelma. Gestão educacional. Curitiba: Intersaberes, 2017.
LIBÂNEO, José Carlos et. al. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização.
Coleção Docência em Formação. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2007.
MONTEIRO, Eduardo; MOTTA, Artur. Gestão escolar : perspectivas, desafios e função
social; organização Andrea Ramal. - 1. ed. - Rio de Janeiro: LTC, 2013