Pedro Erber
Pedro Erber
Performance, c. 1963
(sem título)
Políticas da abstração: pintura e crítica no Brasil e
Japão, anos 1950
Pedro Erber*
arte, política, década de 1950, vanguarda, Brasil, Japão, construtivismo, Concretismo, abst-
ração, pintura informal, expressionismo abstrato, Mário Pedrosa
Ao longo da década de 1950, os conflitos culturais e batalhas políticas em torno da arte de van-
guarda foram travados, em grande parte, no âmbito da pintura abstrata. Formas geométricas,
manchas ou gotas de tinta sobre a tela carregavam o peso de intervenções políticas. Porém,
o sentido associado à política visual da arte abstrata variava amplamente de acordo com a
diversidade de contextos sociais e políticos. Sob tais circunstâncias, a crítica de arte ocupava
posição estratégica de mediadora entre os âmbitos visual e verbal; era tarefa do crítico traduzir
a aparente universalidade do visual para os diversos dialetos da política cultural. Críticos de
arte politicamente atuantes encontraram em meio à ostensiva autonomia da pintura abstrata
um modo poderoso de intervenção política pela arte. E, de fato, não fosse pelo papel decisivo
da crítica em prover um arcabouço estético, filosófico e político para a pintura abstrata do pós-
guerra, jamais teria o expressionismo abstrato atingido seu status internacional de símbolo
da liberdade e do novo american way of life, assim como, no Brasil, a arte concreta não teria
chegado a representar a contrapartida estética das ideologias desenvolvimentistas.
*Pedro Erber é professor do Departamento de Literaturas Clássicas e Modernas da Rutgers University. Doutor em literatura japonesa
pela Cornell University, mestre em filosofia pela PUC-Rio e bacharel em filosofia pela UFRJ. Pedro é autor de Política e verdade no
pensamento de Martin Heidegger (Loyola, 2003).
Em meio ao panorama cultural brasileiro dos anos 1950, ninguém mais influente na formação
de um discurso sobre o significado político da pintura abstrata que o crítico de arte e militante
trotskista Mário Pedrosa. Como escreveu certa vez Ronaldo Brito,
Para qualquer pessoa ligada ao meio de arte brasileiro, especialmente para alguém que esteja
investido de uma função crítica nessa área, parece impossível falar sobre Mário Pedrosa sem
46 - Revista Poiésis, n 14, p. 46-59, Dez. de 2009
Mais ainda, o legado de Mário Pedrosa como crítico e ativista político e cultural permanece,
em mais de um sentido, sem paralelos. Talvez porque sua lúcida visão histórica jamais se
prestou à construção de mitos de excepcionalismo nacional, sua figura aguarda ainda o devido
reconhecimento, para além das esferas da crítica de arte e história do marxismo, como um
momento importante do pensamento político do século XX.
Este artigo toma como ponto de partida um momento sui generis na trajetória do crítico
brasileiro. Na segunda metade de 1958, Pedrosa foi, por seis meses, pesquisador visitante
no Museu Nacional de Arte Moderna de Tóquio. Além de se dedicar à pesquisa sobre as in-
fluências da caligrafia sino-japonesa na pintura abstrata europeia contemporânea, ele realizou
palestras, organizou uma exposição sobre a construção de Brasília no próprio Museu Nacional
de Arte Moderna, interagiu com artistas e críticos japoneses e escreveu frequentemente em
sua coluna no Jornal do Brasil sobre a cena artística local. O breve período de interação direta
entre um crítico vindo da América Latina e o meio artístico japonês constitui ponto de acesso
privilegiado à dinâmica transnacional da arte no século XX. Em setembro de 1958, Pedrosa as-
sistiu a uma exposição de pinturas do grupo de vanguarda japonês Gutai, organizada por seu
OÊGHU<RVKLKDUD-LU HSHORFUÊWLFRIUDQFÇV0LFKHO7DSLÆ$SDUWLUGHVXDVVHYHUDVREVHUYDÄÒHV
sobre as pinturas do Grupo Gutai, as páginas que seguem tecem algumas considerações so-
bre o panorama transnacional da pintura abstrata nos anos 1950 e a importância fundamental
da crítica de arte no contexto do que denomino as políticas da abstração.1
Antes de prosseguir, vale mencionar que dentre os diversos movimentos de vanguarda
do pós-guerra no Japão, o Gutai é o que até hoje alcançou maior projeção internacional.
Juntamente com o concretismo brasileiro, são os únicos movimentos fora da Europa e dos
Estados Unidos discutidos no recente compêndio Art since 1900, organizado pelos teóricos
do grupo October – Hal Foster, Rosalind Krauss, Yve-Alain Bois e Benjamin Buchloh.2 Além
disso, dado que o termo gutai pode ser traduzido como “concreto”, os dois movimentos com-
partilham o mesmo nome. Tal afinidade terminológica, que vem despertando a curiosidade
de historiadores da arte, bem como o desenvolvimento quase sincrônico dos dois grupos
levaram alguns à conclusão de que uma importante afinidade conceitual deveria existir entre
eles.3 No entanto, examinando as bases teóricas do Gutai e do concretismo, é, sobretudo, o
Se, por um lado, a atitude de Pedrosa frente às pinturas do grupo Gutai é abertamente par-
cial, seu julgamento reflete um amplo projeto estético e político, muito mais que uma mera
opinião pessoal. Trata-se, em primeiro plano, de uma posição que se compreende em meio
ao antagonismo entre a abstração geométrica e a arte informal que marcou a cena artística
brasileira durante os anos 1950. Fernando Cocchiarale e Anna Bella Geiger observam que
A fratura histórica entre Construtivismo e Informalismo, cuja gênese encontra-se por um
lado em Malevitch e Mondrian, e, por outro em Kandinsky, ocorre no Brasil talvez de modo
mais evidente do que no exterior (Cocchiarale e Geiger, 1987, p. 19). Para aqueles que, como
48 - Revista Poiésis, n 14, p. 46-59, Dez. de 2009
Antônio Bandeira
Paisagem atormentada,
1953
Óleo s/tela, 54 x 65 cm
Pontual, R. (1987).
Entre dois séculos.
Rio de Janeiro : Jornal
do Brasil.
M.P. — Sim, havia esse compromisso, a arte é uma coisa otimista. O Brasil é um país de con-
strução nova e eu achava que a arte concreta foi que deu essa disciplina no nível da forma. Já o
informalismo era uma arte pessimista, muito pessimista e refletiu o que se passava no mundo.
Uma arte de posição filosófica toda subjetiva, introjetiva. Era uma posição que não implicava
uma mensagem, uma atitude de quem vê mais longe. Era um grito do artista, uma interjeição
permanente. Eu acho que era simpática, mas uma arte moderna como essa não carregava
uma mensagem mundial. Mundial sim, mas perdidamente, sem uma diretriz. A arte moderna
foi uma arte que trouxe a esperança de uma civilização mundial e teve essa esperança negada
(Pedrosa, 1987, p. 107)
Além de prover um arcabouço teórico para a prática e crítica de arte, o construtivismo articulou
a base ideológica para o estabelecimento das grandes instituições da arte moderna do país.
Na São Paulo do pós-guerra, uma aliança entre o governo, a burguesia industrial ascendente
e a vanguarda construtiva internacional (destituída de suas tendências socialistas) foi o que
possibilitou a institucionalização da arte moderna. O empreendedor ítalo-brasileiro Francisco
(Ciccillo) Matarazzo Sobrinho fundou o Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1948, e a
Bienal de São Paulo, em 1951, convidando o crítico de arte belga Léon Degand para dirigir o
novo museu e organizar sua exposição inaugural. A obra fundamental da curadoria de Degand,
a exposição Do figurativismo ao abstracionismo (1949), apresentava o curso histórico da arte
moderna como um desenvolvimento progressivo, no qual a geometria abstrata ocupava o
estágio mais avançado como a forma acabada e absolutamente moderna da arte.
Não é que não houvesse, no Brasil do pós-guerra, artistas trabalhando com as técnicas da ab-
stração informal e gestual. Ao contrário, especialmente em fins da década de 1950, o informal-
ismo tornara-se extremamente popular entre os pintores brasileiros. Ferreira Gullar, que não
esconde sua antipatia pela pintura informal, comenta que, em certo ponto, quando o Tachismo
se impôs aqui você não encontrava em nenhuma galeria exposição de arte figurativa – era só
Tachismo (Gullar, 1987, p. 90). A 5a Bienal, em 1959, foi palco do ápice do que Mário Pedrosa
chamou a “ofensiva tachista” na cena artística local. Naquela ocasião, o primeiro prêmio para
artista nacional consagrou justamente o imigrante japonês Manabu Mabe como o mais influ-
ente pintor informal brasileiro. Em novembro de 1959, a revista americana Time celebrou a
50 - Revista Poiésis, n 14, p. 46-59, Dez. de 2009
vida e carreira do pintor nascido no Japão, em um artigo intitulado O ano de Manabu Mabe.4
Ainda assim, a abstração informal foi incapaz de se livrar do estigma de moda importada,
sem relevância para a realidade local e, acima de tudo, de articular sua produção visual com
um discurso teórico consistente. A gravadora Fayga Ostrower expressou esse sentimento de
exclusão dos informalistas do discurso da crítica de arte da época:
Sei que os concretistas tiveram seus expoentes em alguns críticos de arte que realmente con-
struíram toda uma série de teorias em torno desta posição, enquanto o mesmo não aconteceu
com a arte informal. Não houve realmente nenhum crítico que teorizasse sobre a arte informal
(Ostrower, 1987, p. 173).
Iberê Camargo, que também se dedicou à abstração informal desde o final dos anos 1950,
justifica tal situação, argumentando que quando o crítico é engajado, como foi o caso do mo-
vimento concretista – sem desmerecer obviamente o movimento dos artistas –, se dava uma
prevalência da crítica (Camargo, 1987, p. 181). Resumindo uma opinião amplamente aceita,
Cocchiarale e Geiger argumentam que essa falta de um discurso teórico era intrínseca à
própria abstração informal, que resistia a toda tentativa de sistematização conceitual: O in-
formalismo não produziu discursos de grupo porque a questão da liberdade ocupa um lugar
central em sua ação. Sistematizá-las em princípios seria portanto profundamente contraditório
(Cocchiarale e Geiger, 1987, p. 20). Contudo, mais que uma característica intrínseca ao próprio
informalismo e à abstração gestual, tal visão reflete o modo em que tanto o informel francês
como o expressionismo abstrato, de origem norte-americana, foram traduzidos no contexto
da arte brasileira da época.
Matéria e liberdade
O crítico japonês Miyakawa Atsushi expressa juízo semelhante ao de Iberê Camargo sobre
o papel da crítica no Japão dos anos 1950, observando que naquele tempo, dava-se mais
51 - Políticas da abstração: pintura e crítica...
Ivan serpa
(sem título), 1958
Guache s/papel
30 x 21 cm
Pontual, R. (1987). Entre dois séculos.
Rio de Janeiro: Jornal do Brasil.
importância à palavra dos críticos do que à realidade crua (Atsushi, 1980, p. 48). No entanto,
ao contrário do âmbito brasileiro, desde 1956, pelo menos, foi, sobretudo, o informal que
ditou o tom da crítica de arte no Japão. A exposição de 1958, Arte Internacional de uma Nova
Era – Informal e Gutai (Atarashii Kaiga Sekai-ten: Anforumeru to Gutai), que provocou os duros
comentários de Pedrosa, não foi um evento isolado e sim o resultado de uma longa e decisiva
colaboração entre o crítico parisiense Michel Tapié e o líder do Gutai, Yoshihara Jirǀ. No mais,
a exposição ficou conhecida como um dos ícones do assim chamado “Tufão informal” (anfo-
rumeru senpnj),5 que varreu o mundo artístico japonês em meados dos anos 1950.
Desde 1952, após o Tratado de São Francisco e a decorrente regularização do direito de viagem
internacional para cidadãos japoneses, numerosos jovens artistas deixaram o país para seguir
seus estudos na França. Dentre os primeiros a firmar residência em Paris estava o pintor Imai
Toshimitsu, que foi logo apresentado a Tapié, e alguns anos mais tarde se juntou ao grupo
de pintores informais. 1952 foi também o ano em que Tapié organizou a histórica exposição
Significante do informal (Signifiant de l’informel) e da publicação de seu ensaio Uma arte outra
(Un art autre), que delineia as bases teóricas das obras de Jean Fautrier, Jean Dubuffet, Wols e
outros, cujos trabalhos Tapié acompanhara e promovera desde o início dos anos 1940. Quase
52 - Revista Poiésis, n 14, p. 46-59, Dez. de 2009
trinta anos mais velho que Imai, e conhecedor do meio artístico francês desde os anos 1930,
RSLQWRU2NDPRWR7DU YROWRXD3DULVQRPHVPRDQRSDUDXPDH[SRVLÄÀRLQGLYLGXDO7ÀRHQWX-
siasmado quanto seus jovens colegas com as novas tendências da pintura abstrata francesa,
e ativamente engajado na criação de uma vanguarda artística no Japão, Okamoto tomou para
si a tarefa de trazer os expoentes da arte informal para uma exposição em Tóquio.
Em novembro de 1956, a exposição Arte do Mundo de Hoje (Sekai konnnichi no bijutsu) foi
inaugurada na moderna loja de departamento Takashimaya, em Nihonbashi, zona central de
Tóquio. Ainda que a exposição compreendesse ampla seleção de tendências da pintura con-
temporânea, foram as obras do grupo Informal, coordenado por Tapié, exibidas então pela
primeira vez no Japão, que causaram o maior impacto e sacudiram as bases da cena artística
ORFDO2FUÊWLFR+DU\ ,FKLU UHFRUGDTXHSobretudo o carvão dissolvido, como carne despeda-
çada sobre a delicada camada de verde profundo, os caroços protuberantes de gesso e as
linhas de aquarela na superfície, sugerindo vagamente os contornos de uma face na série de
Reféns de Fautrier são algo de que nunca me esquecerei ,FKLU , 1979, p. 102). As telas infor-
mais do período da Segunda Guerra e dos primeiros anos do pós-guerra carregavam o peso
do testemunho das atrocidades de um passado por demais recente, imbuído de um grito ca-
tártico de libertação. Pode-se imaginar a ressonância de tais obras em meio a uma geração de
artistas e críticos japoneses que lutava ainda com a memória nacional de uma guerra recente
e, simultaneamente, com os desafios impostos pelo esforço de reconstrução do pós-guerra e
pela liberdade de expressão artística recém-adquirida.
Ainda que o próprio Tapié tenha promovido, desde cedo, sua arte informal como a autêntica
expressão da resistência francesa contra a ocupação nazista, foi provavelmente no Japão
que a associação da dolorosa expressividade da abstração informal à experiência da Segunda
Guerra Mundial foi mais determinante. O pintor Kusuno Tomoshige, que imigrou para São
Paulo em 1960, referiu-se certa vez a um elemento “infantil” (yǀchi) nas obras de pintores
abstratos brasileiros em comparação com seus pares no Japão — qualidade que ele atribuía
justamente à falta de experiência da guerra. Kusuno argumenta que o contraste era ainda
mais claro ao se justapor as obras de pintores japoneses que imigraram para o Brasil antes
da guerra, como Manabu Mabe e Tomie Ohtake, com pinturas daqueles que permanece-
ram no Japão: As pinturas de Mabe, como seus próprios títulos o dizem, são românticas e
líricas. Comparadas a nós, elas não perderam uma certa serenidade (ooraka-na mono wo
ushinateinai).6 Percebe-se aí mais uma vez a importância da relação catártica com a experiên-
Contemporaneidade
O curador Daniel Abadie, que em 1984 organizou uma exposição reunindo justamente os
repertórios de Michel Tapié e Léon Degand, observou sobre a fundamental oposição entre os
dois críticos:
Apresentar em conjunto as escolhas críticas de Léon Degand e Michel Tapié em uma exposição
representativa da arte do pós-guerra pode parecer paradoxal, visto que quase tudo parece
separá-los. O pensamento rigoroso de Léon Degand, sua visão exógena da arte abstrata, sua
parcialidade por uma arte de rigor e construção são o oposto do temperamento anárquico de
Michel Tapié, de sua visão de uma arte para além de todos os estilos, de seu gosto pela magia
e pelo fantasmático. Porém, entre esses dois extremos, como escreveu Francis Ponge, “toda
a lira se tensiona” (Abadie, 1984, p. 3).
Enquanto a arte informal de Tapié tomava de assalto o meio artístico japonês em meados dos
anos 1950, transformando profundamente suas práticas e teorias, ela era categoricamente
rejeitada no Brasil, onde as rigorosas formas do concretismo moldavam o discurso da crítica
de arte.
Justapostos, os contextos artísticos do pós-guerra no Brasil e no Japão iluminam a natureza
transnacional dessa tensão fundamental da arte do século XX, frequentemente concebida
como fenômeno fundamentalmente europeu ou “ocidental”. Apesar das recentes tentativas
de comparação e aproximação do concretismo brasileiro ao grupo Gutai, o ponto de con-
vergência entre ambos não se encontra na superfície dos fatos e discursos. O que conecta
os dois grupos, e mais ainda os contextos em que ambos emergem, não está nas próprias
obras, em suas características de estilo, nem tampouco nas ideologias a elas atribuídas. É
antes no conjunto de pressuposições comuns a ambos sobre o potencial político da arte, em
um certo modo de conceber a relação entre arte e sociedade, que esses dois contextos artís-
ticos aparentemente tão distantes convergem. Sua contemporaneidade fundamental reside,
56 - Revista Poiésis, n 14, p. 46-59, Dez. de 2009
Notas
1 Esta discussão é parte de minha tese de doutoramento pela Universidade de Cornell e de um manuscrito em preparação para pub-
licação, provisoriamente intitulado Após as políticas da abstração: vanguarda e crítica no Brasil e no Japão em torno a 1960.
3 Marc Dachy escreve em seu livro Dada au Japon sobre a relação entre o Gutai e o concretismo brasileiro: O mesmo momento na
cronologia artística da época, e acima de tudo a acuidade teórica de seus protagonistas, Yoshihara, o mais velho e fundador do Gutai
e Haroldo de Campos, na origem da poesia Concreta brasileira, não nos permitem permanecer no registro da pura coincidência. ...
Inúmeros paralelos, tanto no nível da teoria como no das obras poder-se-iam revelar entre o Gutai e a concreção brasileira, se quisés-
semos examiná-los de perto (Marc Dachy, 2002, p. 120).
6 Nikkei bijutsu-shi gaisetsu. In: Burajiru News. Nikkei Shimbun Mail Magazine, no. 25 (4 de janeiro, 2004).
7 Cf. Harynj Sengo bijutsu seisuishi, pp. 35-9; Mark H. Sandler, The living artist: Matsumoto Shunsuke’s reply to the State. In: Art
Journal, vol. 55, 1996, pp. 74-82.
9 O crítico e historiador Hirai Shǀichi especula que o próprio Manifesto Gutai, publicado mais de dois anos após a fundação do grupo,
foi produzido em resposta a uma sugestão do editor da revista Geijutsu Shinchȅ, que convidou Yoshihara a expressar a posição do
grupo em relação aos debates sobre a materialidade da arte que animavam a cena artística da época. Cf. Hirai Shǀichi, Entrevista pes-
soal. 15 de junho de 2007.
10 Em um artigo celebrando os dez anos do Grupo Gutai, Yoshihara escreve sobre a reação inicial dos críticos de arte em Tóquio aos
trabalhos do grupo: Minha intenção era oferecer uma fruta fresca, ainda amadurecendo. No entanto, os críticos japoneses não pare-
ciam interessados em morder um pedaço de nada que eles já não houvessem provado antes (Yoshihara Jirǀ, Gutai Bijutsu no ju-nen.
In: Bijutsu Jaanaru, no. 40). Harynj comenta sobre o episódio em Ascenção e queda da arte do pós-guerra e reconhece sua parcela de
culpa. Cf. Harynj Ichirǀ, Sengo bijutsu seisuishi, pp. 98-9.
ABADIE, D. (1984).Un art autre / un autre art. Les années 50. Paris: Artcurial, 1984.
ATSUSHI, M. (1963, 1980). Henbǀ no suii: Montaju-fu ni. In: Bijutsu techǀ, no. 227 (outubro, 1963); republicado em Miyakawa Atsushi
chosakushǀ, vol. II. Tóquio: Bijutsu Shuppan-sha.
BRITO, R. (1999). Lições avançadas do mestre Pedrosa. In: Experiência crítica. São Paulo: Cosac & Naify.
COCCHIARALE, F. e GEIGER, A. B. Abstracionismo geométrico e informal: a vanguarda brasileira nos anos 50. Rio de Janeiro:
Funarte.
FOSTER, H. et al. (2004). Art since 1900: modernism, antimodernism, postmodernism. New York: Thames and Hudson, v. II, pp. 373-
78.
GULLAR, F. (1987) Entrevista. In: COCCHIARALE, F. e GEIGER, A. B. Abstracionismo geométrico e informal: a vanguarda brasileira
nos anos 50 . Rio de Janeiro: Funarte.
,&+,5 + Sengo bijutsu seisuishi . Tóquio: TǀkyǀShoseki, pp. 100-10.
OSTROWER, F. (1987). Entrevista. In: COCCHIARALE, F. e GEIGER, A. B. Abstracionismo geométrico e informal: a vanguarda brasileira
nos anos 50 . Rio de Janeiro: Funarte.
PEDROSA, M. Arte – Japão e Ocidente. In: Jornal do Brasil, 09/17/1958; republicado em ARANTES, O. (2000). (org.). Modernidade cá
e lá: textos escolhidos. 4. ed. São Paulo: EDUSP.
SANDLER, M. H. (1996). The living artist: Matsumoto Shunsuke’s reply to the State. In: Art Journal, vol. 55, pp. 74-82.
YOSHIHARA. (1956, 2004). Gutai bijutsu sengen. In: Geijutsu shinchǀ (dezembro, 1956); republicado em Hirai Shǀichi, Gutai tte nanda?
Tóquio: Bijutsu Shuppansha.