Direito Processual Civil:
Procedimento Comum
Prof. João Paulo Rossi Paschoal
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Aula 05
• As nulidades processuais (arts. 276 a 283 do CPC);
• Da distribuição e do registro (arts. 284 a 290 do CPC);
• Do valor da causa (arts. 291 a 293 do CPC);
• Formação, suspensão e extinção do processo (arts. 312
a 317 do CPC)
As nulidades processuais
(arts. 276 a 283 do CPC)
Existência
• Planos dos atos
processuais segundo Validade
a escada Ponteana Eficácia
• Existência: requisitos mínimos para a própria constituição da
relação jurídica processual, sem as quais essa não existirá;
• Validade: requisitos mínimos para que a relação jurídico-
processual seja válida;
• Eficácia: consequências ou efeitos jurídicos.
Pressupostos de existência e de validade
• Pressupostos de existência: procedimento, citação,
jurisdição e capacidade postulatória;
• Pressupostos de validade:
Positivos: citação válida, procedimento adequado,
jurisdição competente e capacidade processual;
Negativos: litispendência e coisa julgada.
O saneamento dos atos viciados
• No atual CPC o saneamento dos defeitos é a regra;
• O não aproveitamento do ato e do que ele representa
para o processo, bem como seus efeitos, é a exceção;
• “O dever-poder geral de saneamento” (art. 139, IX, do
CPC), segundo Cassio Scarpinella Bueno.
Modalidades de saneamento dos atos viciados
• Convalidação: quando o ato não for objeto de impugnação;
• Irrelevância: quando o defeito não tiver importância prática,
não ocasionando qualquer prejuízo;
• Suprimento: quando for preciso repetir o ato praticado ou
mesmo substituí-lo por outro ato, caso não possa ser
aproveitado.
Classificação das espécies de
nulidade segundo sua gravidade
• Meras irregularidades: quando o defeito é irrelevante. Exemplo; advogado deixa de
usar a veste talar ao fazer sustentação oral;
• Nulidades relativas: quando há ofensa às normas que digam respeito ao direito privado,
disponíveis. Exemplo: descumprimento do foro de eleição. Alegação da incompetência
relativa do juízo;
• Nulidades absolutas: ofensa à norma cogente, de ordem pública. Pode ser decretada de
ofício e alegada a qualquer tempo;
• Ato inexistente: é o não ato, dada a ausência dos seus elementos constitutivos básicos.
É um simulacro de ato. Segundo Wambier e Talamini, é a “aparência vazia do ato”.
Pode ser decretada de ofício, a qualquer tempo.
Toda invalidade processual tem que ser decretada
“O ato processual defeituoso produz efeitos até a decretação da sua
invalidade. Não há invalidade processual de pleno direito. Toda
invalidade processual precisa ser decretada – como se viu, toda
invalidade precisa ser decretada, a invalidade processual apenas
confirma essa regra. Trata-se de lição aceita com bastante
tranquilidade na doutrina nacional”. DIDIER JR., Fredie. Curso de
direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte
geral e processo de conhecimento. 21ª ed. Salvador: Ed. Jus Podivm,
2019, p. 474.
Observação: A decretação de ofício pressupõe, porém, o respeito ao
contraditório.
Dispositivos no atual CPC que
regem as nulidade processuais
• Sendo eu o causador da nulidade, poderei alegá-la?
CPC. Art. 276. Quando a lei prescrever determinada
forma sob pena de nulidade, a decretação desta não
pode ser requerida pela parte que lhe deu causa.
• A ninguém é dado beneficiar-se da própria torpeza
(nemo auditur propriam turpitudinem allegans).
Continuação
• Princípio da instrumentalidade das formas;
CPC. Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o
juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe
alcançar a finalidade.
• Não há nulidade processual sem prejuízo (pas de nullité sans
grief);
• O processo é um instrumento e não deve ser um fim em si
mesmo.
Continuação
• Qual é o momento para a alegação das nulidades?
CPC. Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada
na primeira oportunidade em que couber à parte
falar nos autos, sob pena de preclusão.
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput
às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem
prevalece a preclusão provando a parte legítimo
impedimento.
Continuação
• Falta de participação do MP como nulidade do processo:
CPC. Art. 279. É nulo o processo quando o membro do Ministério Público
não for intimado a acompanhar o feito em que deva intervir.
§ 1º Se o processo tiver tramitado sem conhecimento do membro do
Ministério Público, o juiz invalidará os atos praticados a partir do
momento em que ele deveria ter sido intimado.
§ 2º A nulidade só pode ser decretada após a intimação do Ministério
Público, que se manifestará sobre a existência ou a inexistência de
prejuízo.
Continuação
• Nulidade das citações e intimações:
CPC. Art. 280. As citações e as intimações serão
nulas quando feitas sem observância das
prescrições legais.
Continuação
• Aproveitamento dos atos realizados:
CPC. Art. 281. Anulado o ato, consideram-se de nenhum efeito todos os subsequentes que
dele dependam, todavia, a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras que
dela sejam independentes.
CPC. Art. 282. Ao pronunciar a nulidade, o juiz declarará que atos são atingidos e ordenará
as providências necessárias a fim de que sejam repetidos ou retificados.
§ 1º O ato não será repetido nem sua falta será suprida quando não prejudicar a parte.
§ 2º Quando puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação da
nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
CPC. Art. 283. O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que
não possam ser aproveitados, devendo ser praticados os que forem necessários a fim de se
observarem as prescrições legais.
Parágrafo único. Dar-se-á o aproveitamento dos atos praticados desde que não resulte
prejuízo à defesa de qualquer parte.
O regime das nulidades processuais após o término do processo
“Neste caso – e diferentemente do que se dá com relação ao ‘processo em curso’
(durante a ‘litispendência’, como se costuma referir) –, é importante distinguir os
planos da existência jurídica e os da validade. Aceitando-se esta distinção,
embora ela não encontre unanimidade na doutrina, os casos de inexistência
jurídica devem ser extirpados do ordenamento jurídico por mero reconhecimento
jurisdicional. São as denominadas ‘ações declaratórias de inexistência de ato
processual’ ou ‘ações declaratórias de inexistência de relação jurídica
processual’, usualmente identificadas (e confundidas) com a expressão latina
querela nullitatis. Os casos de nulidade, assim entendidas eventuais ofensas ao
plano da validade do processo e dos atos processuais em geral, desafiam sua
retirada do ordenamento jurídico pela chamada ‘ação rescisória’... destaco, aqui,
que há nulidades que sobrevivem ao trânsito em julgado, dando ensejo à sua
retirada do ordenamento jurídico por aquela especial técnica, observando-se o
disposto nos arts. 966 a 975”. BUENO, Cassio Scarpinella. Manual de direito
processual civil - volume único. 6ª ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020, pág.
427.
Da distribuição e do registro
(arts. 284 a 290 do CPC)
• Todos os processos estão sujeitos a registro, devendo ser
distribuídos onde houver mais de um juiz (art. 284 do CPC);
• E o processos que tramitam em segredo de justiça?
• A distribuição, que poderá ser eletrônica, será alternada e
aleatória, obedecendo-se rigorosa igualdade, devendo a lista de
distribuição de publicada no Diário da Justiça (art. 285 do CPC);
• Livre distribuição x distribuição por dependência: ocorrerá a
distribuição por dependência nos casos previstos no artigo 286 do
CPC, tramitando paralelamente aos autos em que há alguma
relação ou interesse, com a devida anotação no distribuidor, como
também ocorre nos casos de intervenção de terceiro, reconvenção,
dentre outras.
NERY JÚNIOR, Nelson, NERY, Rosa Maria de Andrade. Ob. Cit., p. 882.
• A procuração do advogado deverá ser juntada com a petição
inicial, salvo nos casos previstos em lei (art. 287 do CPC);
• O juiz, de ofício ou a requerimento do interessado, corrigirá
o erro ou compensará a falta de distribuição;
• Qualquer interessado poderá fiscalizar a distribuição do
feito;
• Será cancelada a distribuição do feito se a parte, intimada na
pessoa de seu advogado, não realizar o pagamento das
custas e despesas de ingresso em 15 (quinze) dias (art. 290
do CPC).
Notas finais sobre o assunto
NERY JÚNIOR, Nelson, NERY, Rosa Maria de Andrade. Ob. Cit., p. 885.
Do valor da causa (arts. 291 a 293 do CPC)
• A toda causa cível deve ser atribuído um valor certo, ainda
que não tenha ela conteúdo econômico imediatamente
aferível (art. 291 do CPC):
“Valor da causa. A atribuição do valor da causa é obrigatória,
configurando-se como requisito essencial da petição inicial
(CPC 291 e CPC 319 V). Sua falta enseja determinação de
emenda da inicial (CPC 321), sob pena de indeferimento. Ainda
que a causa não tenha valor patrimonial aferível, deverá ser
indicado valor ainda que para outros efeitos”. NERY JÚNIOR,
Nelson, NERY, Rosa Maria de Andrade. Ob. Cit. p. 886.
• O valor da causa, que será necessariamente indicado na
petição inicial ou na reconvenção (art. 292 do CPC) deverá
corresponder ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao
proveito econômico perseguido pelo demandante (art. 292,
§ 3º, do CPC);
• Quando a causa, porém, versar sobre algum bem jurídico
sem conteúdo econômico imediato (ex.: investigação de
paternidade), o demandante deverá atribuir o valor da
causa por estimativa.
• O valor da causa é base para cálculo das taxas e custas
judiciárias devidas pelas partes;
• O valor da causa é relevante para a incidência de algumas
regras processuais:
A competência pode ser determinada pelo valor da
causa (art. 63 do CPC e art. 3º, da Lei nº 9.099/95*);
O valor da causa pode ser utilizado como base de cálculo
de honorários advocatícios (art. 85, § 2º, do CPC);
Algumas sanções processuais são estabelecidas usando-
se o valor da causa como base de cálculo (como, por
exemplo, as multas previstas nos arts. 77, § 2º, 81, 334, §
8º e 468, § 1º, todos no CPC).
Lei nº 9.099/95
Art. 3º O Juizado Especial Cível tem
competência para conciliação, processo e
julgamento das causas cíveis de menor
complexidade, assim consideradas:
I - as causas cujo valor não exceda a quarenta
vezes o salário mínimo;
• Em alguns casos, a lei estabelece critérios objetivos para a
determinação do valor da causa:
Cobrança de dívida: o valor da causa será a soma do valor
principal da dívida atualizado monetariamente, dos juros
de mora vencidos e de outras sanções eventualmente
incidentes, como multas, até a data da propositura da
demanda (art. 292, I, do CPC);
Existência, a validade, o cumprimento, a modificação, a
resolução, a resilição ou a rescisão de ato jurídico: seu
valor corresponderá ao valor do ato (ou de sua parte
controvertida, se a causa não versar sobre a integralidade
do ato - art. 292, II, do CPC).
Alimentos: o valor da causa corresponderá à soma de doze
prestações mensais pretendidas pelo demandante (art. 292,
III, do CPC);
Divisão, demarcação ou reivindicação de imóveis: o valor da
causa corresponderá ao valor de avaliação da área ou bem
objeto do pedido (art. 292, IV, do CPC),
Posse (ações possessórias): os embargos de terceiro e a
“ação de oposição”: o valor da causa deve considerar a
expressão econômica da posse, que nem sempre coincide
com o valor da propriedade;
Existência, a validade, o cumprimento, a modificação, a
resolução, a resilição ou a rescisão de ato jurídico: seu valor
corresponderá ao valor do ato (ou de sua parte
controvertida, se a causa não versar sobre a integralidade do
ato - art. 292, II, do CPC).
Ação indenizatória de dano material ou dano moral: o
valor da causa corresponderá ao valor pretendido pelo
demandante (art. 292, V, do CPC);
Cumulação de pedidos: o valor da causa corresponderá à
soma dos valores de todos eles (art. 292, VI, do CPC);
Cumulação eventual de pedidos: o valor da causa será o
valor do pedido principal (art. 292, VIII, do CPC);
Pedido alternativo: o valor da causa deve corresponder
ao do bem jurídico de maior valor dentre os
alternativamente pretendidos (art. 292, VII, do CPC).
Prestações vencidas e vincendas: devem ser tomados em
consideração os valores de ambas (art. 292, § 1º, do CPC).
O valor das prestações vincendas será o correspondente a
uma prestação anual, se a obrigação for por prazo
indeterminado ou por tempo determinado superior a um ano;
se por tempo inferior, será igual à soma de todas as prestações
ainda não vencidas no momento da propositura da demanda
(art. 292, § 2º, do CPC);
Ações locatícias (despejo, consignação de aluguel e acessórios,
revisional de aluguel e renovatória de locação): o valor da
causa corresponderá a 12 meses de aluguel. No caso, porém,
de retomada de imóvel ocupado pelo locatário em razão de
contrato de trabalho, o valor será equivalente a três salários
vigentes por ocasião do ajuizamento da causa (Lei 8.245, art.
58, III).
Valor Da Causa – Meios De Controle
• O valor da causa pode ser controlado de ofício ou por provocação do
demandado;
• Haverá correção de ofício do valor da causa sempre que o juiz
verificar que o indicado pelo demandante não corresponde ao
conteúdo patrimonial em discussão ou ao proveito econômico
perseguido pelo demandante (art. 292, § 3º, do CPC);
• Ao demandado também é lícito suscitar o controle do valor da
causa, o que deverá ser feito através da alegação da matéria em
preliminar de contestação (impugnação ao valor da causa), sob pena
de preclusão (art. 293 do CPC).
• Deve-se considerar que ao juiz só é dado controlar de ofício o valor
da causa, corrigindo-o, antes do oferecimento da contestação.
Oferecida esta e não tendo havido correção de ofício pelo juiz nem
tendo o demandado impugnado, em preliminar, o valor da causa
indicado pelo demandante, ter-se-á por correto o valor da causa, o
qual não poderá mais ser alterado.
Formação, suspensão e extinção do processo
(arts. 312 a 317 do CPC)
• Princípio dispositivo: art. 2º do CPC: “o processo começa por
iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo
exceções previstas em lei”;
“O processo civil começa por iniciativa da parte (art. 2º), em
razão da inércia característica da jurisdição. Daí por que, para
ter início o processo, é preciso que alguém proponha uma
demanda, ato de exercício inicial do direito de ação. A lei
processual (art. 312) estabelece, então, o momento em que se
considera iniciado o processo, e este momento é o do
protocolo da petição inicial... A partir daí já existe processo”.
CÂMARA, Alexandre Freitas. Ob. Cit. p. 158.
Art. 312 do CPC
• Considera proposta a ação quando a petição inicial
for protocolada;
• O réu só é parte da relação processual depois de
regularmente citado (art. 239 e 240 do CPC).
Estabilização
• Antes da citação: 329 do CPC;
• Após a citação, até o saneamento do processo, o
demandante somente poderá aditar ou alterar o pedido e
a causa de pedir com o consentimento do réu (art. 329,
II, do CPC).
Alterações Subjetivas
As partes se estabilizam após a citação, salvo nos casos previstos em lei
(art. 109 do CPC).
Suspensão do Processo
• Suspensão: inibe o andamento do feito, não elimina o
vínculo jurídico;
• Leitura dos arts. 221 e 313 do CPC;
• Atos urgentes (art. 314 do CPC).
Prejudicialidade externa de caráter criminal
• Art. 315 do CPC;
Extinção do Processo
• Haverá resolução do mérito (art. 487 do CPC);
• Não haverá resolução do mérito (art. 485 do CPC);
• Extinção do processo dar-se-á por sentença (art. 316);
• Antes de proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz
deverá conceder à parte oportunidade para, se possível,
corrigir o vício (art. 317 do CPC).
Agradeço a atenção de
todos e
até a próxima.