SEMINÁRIO SOBRE A PAUTA
DEONTOLÓGICA DO SERVIÇO PÚBLICO
LUBANGO, [Link].23
OBRIGADO PELA ATENÇÃO
O PRELECTOR
PEDRO CAMBUTA – ADVOGADO
PEDROPAULONUNDA@[Link]
933246279
1
SUMÁRIO
• NOÇÕES GERAIS;
• A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E A ÉTICA;
• A PAUTA DEONTOLÓGICA DO SERVIÇO PÚBLICO;
• OFERTAS E GRATIFICAÇÕES;
• DIVULGAÇÃO DOS BENS E RENDIMENTOS;
• PRESSSUPOSTOS ÉTICOS NA GESTÃO PÚBLICA;
• CONFLITOS DE INTERESSES;
• A CORRUPÇÃO;
• CRIMES ESPECIAIS;
• CONCLUSÃO;
• BIBLIOGRAFIA
2
Noções Gerais :
Missão: Função
Pública.
Deontologia e Ética
© 2022. Todos os direitos reservados.
Noções Gerais
• É missão da função pública (artigo 3º, da LBFP):
a) Prestar o serviço público;
b) Considerar o utente como elemento central que
beneficia do serviço para a satisfação das suas
necessidades;
c) Obter maiores níveis de eficiência e eficácia na
prestação de serviços, otimizando os recursos
disponíveis;
d) Considerar o utente como parceiro dos funcionários e
agentes no desempenho das tarefas comunitárias;
e) Aplicar boas práticas de gestão;
Noções Gerais
QUAL É A DIRECÇÃO CERTA?
Noções Gerais
• A Deontologia pode ser conceituada como a ciência do
dever e da obrigação. É uma parte da Filosofia que
estuda a moral e as diversas consequências da acção
humana, sendo tida por muitos, ainda, como uma teoria
sobre as escolhas dos indivíduos, o que é moralmente
necessário e serve para nortear o que realmente deve
ser feito.
Noções Gerais
• A ética é referente a princípios pelos quais se avalia o
comportamento como certo ou errado, bom ou mau. A
ética é referente a normas bem fundamentadas (de
certo e de errado) e indica o que os seres humanos
deveriam fazer. A ética é um esforço contínuo de luta
para garantir que as pessoas, e as instituições às quais
dão forma, correspondem a normas com fundamentos
sólidos e razoáveis (Arne Wig, 2016, p.13).
Noções Gerais
• É proveitoso distinguir entre ética normativa e
descritiva: a ética normativa descreve as normas para
qualificar actos como certos ou errados, já a ética
descritiva é uma investigação empírica das crenças
morais das pessoas. A nossa abordagem refere-se, em
grande parte, à ética normativa.
• A legislação é um promotor básico do comportamento
ético. A legislação, no entanto, apenas estabelece um
padrão mínimo de conduta ética.
Noções Gerais
• Simplesmente por um determinado acto ser legal, tal
não implica automaticamente que seja ético (pense-se
nas Leis do Apartheid, por exemplo). Do mesmo modo,
um acto ilegal também não é necessariamente imoral
(por vezes, violar a Lei pode ser justificado).
Noções Gerais
• Ao desempenharem as suas funções, os gestores
públicos fazem exercício de poder discricionário
substancial (poder de tomar decisões) por si próprios, o
que afecta as vidas das pessoas directamente, de modo
duradouro e por vezes profundo, dai ocasionalmente
surgirem razões que levem a questionar a legitimidade
das regras e das decisões que os gestores públicos estão
a implementar.
Noções Gerais
• Os administradores e os gestores públicos não podem
evitar tomar decisões e, ao fazê-lo, deverão tentar tomar
decisões éticas.
• Os administradores têm poderes discricionários que vão
além dos manuais, ordens, descrições das funções e
enquadramento legal dos seus cargos e deveres, a ética
profissional terá de ser utilizada enquanto linhas de
orientação, para além dos regulamentos formais. Os
administradores deverão, portanto, procurar uma
compreensão sólida e abrangente das teorias e tradições
éticas e procurar métodos de pensamento acerca das
dimensões éticas das suas tomadas de decisão.
Noções Gerais
• A ética na função pública, trata-se, de um conjunto de
valores e princípios democráticos de respeito e
cumprimento obrigatório por parte daquele que ocupa
uma determinada função no sector público,
eventualmente o funcionário que age de forma contrária
desrespeita o princípio do interesse público. A ética vem
limitar o desejo deste funcionário de tudo fazer para
satisfazer o interesse pessoal em vez de satisfazer o
interesse do PÚBLICO.
Noções Gerais
• Ética jamais deve ser um atributo ou qualidade, mas
uma condição natural, algo que se espera de todos. É
uma obrigação não apenas do cidadão, em verdade, é
uma obrigação da nação, um princípio fundamental para
que se possa construir uma sociedade justa. Aos que
governam e representam a nação ter ética é um dever
básico, que indica a necessidade de ter-se respeito pelo
que é da nação. Ética é atitude, o que se espera, não do
amanhã, mas de hoje. Faz-se necessário ajudar a
construir um país melhor, é desejo da grande maioria
viver em um país mais coerente com o tamanho da sua
grandeza. (Mendonça & Bianchi, 2018, p. 876).
Noções Gerais
• Em Angola a ética encontra-se consagrada no serviço
público, através da resolução nº 27/94 de 26 de Agosto,
e demais leis, nas quais obriga que os trabalhadores da
função pública, no desempenho da sua insubstituível
função social devem pautar a sua conduta em princípios,
valores e regras alicerçadas na justiça, transparência e
ética profissional com vista a estabelecer a confiança
entre os serviços públicos e os cidadãos;
• A pauta deontológica do serviço público, o seu âmbito
abrange todos os trabalhadores da administração
pública,
A Administração Pública e a Ética
PRINCIPAL LEGISLAÇÃO-
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE ANGOLA;
CÓDIGO PENAL ANGOLANO, APROVADO PELA LEI 38/20 DE 11 DE NOVEMBRO;
LEI 26/22 DE 22 DE AGOSTO, LEI DE BASES DA FUNÇÃO PÚBLICA.
CÓDIGO DO PROCEDIMENTO E DA ACTIVIDADE ADMINISTRATIVA, APROVADO PELA LEI
31/22 DE 30 DE AGOSTO.
DECRETO 33/91 DE 26 DE JULHO – REGIME DISCIPLNAR DA FUNÇÃO PÚBLICA
LEI 18/10, DE 06 DE AGOSTO, LEI DO PATRIMÓNIO PÚBLICO.
Decreto nº 16/89, de 13 de Maio, Estatuto do Gestor Público.
Lei nº 10/89, de 30 de Dezembro, Regime Disciplinar do Gestor Público.
Lei nº 3/10, de 29 de Marco de 2010, Lei da Probidade Publica.
Resolução nº 26/94 de 26 de Agosto, Pauta Deontológica do Serviço público.
A Administração Pública e a Ética
• A pauta deontológica do serviço público estatui, de
forma genérica:
a) Os valores Essenciais da Administração Pública;
b) Deveres para com os cidadãos;
c) Deveres especiais para com a administração;
d) e Deveres para os órgãos de soberania;
A pauta deontológica do serviço
público
• A Luz da pauta deontológica do serviço constituem
valores essenciais da administração pública os seguintes:
a) O Interesse Público;
b) A Legalidade;
c) A Neutralidade;
d) A Integridade e Responsabilidade;
e) Competência.
A pauta deontológica do serviço
público
• O Interesse Público – os trabalhadores da administração
pública devem exercer as suas funções exclusivamente
ao serviço do interesse público, pois a satisfação dos
interesses fundamentais e da colectividade são a razão
de ser da sua actuação.
• Legalidade – O agente público deve, na sua actuação,
observar estritamente a constituição e a lei;
Com base nesse princípio, tudo o que a lei e a
constituição não prevê, não deve, a priori, ser praticado.
Por isso, deve o agente aumentar a sua consciência
jurídica.
A pauta deontológica do serviço
público
• Neutralidade – o agente deve observar a imparcialidade
e a objetividade no tratamento de matérias sob sua
responsabilidade, agindo com justiça, ponderação e
respeito pela igualdade jurídica, isentando-se de
quaisquer considerações ou interesses subjectivos de
natureza política, religiosa, económica ou outra.
• Integridade e Responsabilidade – os agentes devem
velar pelo aumento da confiança dos cidadãos nas
instituições públicas, visando o prestígio dos seus
serviços, através da verticalidade, descrição, legalidade e
transparência;
A pauta deontológica do serviço
público
• Competência – os trabalhadores da administração
pública devem assumir o brio, mérito e a eficiência como
critérios mais elevados do profissionalismo no
desempenho das suas funções, devendo aumentar cada
vez mais a sua capacidade técnica e profissional;
A pauta deontológica do serviço
público
• Deveres para com os Cidadãos:
a) Qualidade na Prestação do Serviço Público;
b) Isenção e Imparcialidade;
c) Competência e Proporcionalidade;
d) Cortesia e Informação;
e) Probidade;
A pauta deontológica do serviço
público
• Qualidade na Prestação de Serviço – os trabalhadores
devem ter a consciência e postura de bem servir, agindo
com eficiência e rigor, proporcionando aos
cidadãos/utentes uma actuação mais humana e
participativa;
• Isenção e Imparcialidade – deve existir igualdade no
tratamento dos utentes /cidadãos, promovendo a
resolução encaminhamento das suas pretensões ou
interesses legítimos;
A pauta deontológica do serviço
público
• Competência e Proporcionalidade – os agentes públicos
observar a tecnicidade e a cientificidade que se exige no
exercício das suas funções, de modos a que as soluções
que dele dependem sejam céleres, adequadas e idóneas
para o fim que se pretende;
• Cortesia e informação – os trabalhadores da
administração pública devem ser urbanos com os
cidadãos/ utentes, devem adoptar uma conduta cívica e
correcta, assegurando aos utentes todas as informações
ou esclarecimento sobre os processos do seu interesse;
A pauta deontológica do serviço
público
• Probidade – os agentes públicos não devem solicitar ou
aceitar para si ou terceiro, directa ou indirectamente
quaisquer presentes, empréstimos, facilidades, ou
ofertas que possam pôr em causa a liberdade da sua
acção, independência do seu juízo e a credibilidade da
autoridade da administração pública;
A pauta deontológica do serviço
público
• Deveres Especiais para Com A administração
a) Serviço Público;
b) Dedicação;
c) Autoformação, Aperfeiçoamento e Actualização;
d) Reserva e Discrição;
e) Parcimónia;
f) Solidariedade e Cooperação;
A pauta deontológica do serviço
público
• Serviço Público – a prossecução do interesse público
deve prevalecer sobre quaisquer outros. Os cargos e os
poderes funcionais dos agentes públicos não devem ser
usados para fins e interesses particulares;
• Dedicação – os agentes públicos devem cumprir a
missão que lhes está confiada, com prontidão
racionalidade e eficácia. Para o efeito deve procurar
maior colaboração entre os superiores e subalternos, ser
criativo na busca de soluções que melhor se ajustam;
A pauta deontológica do serviço
público
• Autoformação, Aperfeiçoamento e Actualização – os
agentes públicos devem actualizar os seus
conhecimentos e dinamizar os modo de actuação ao
contexto. Devendo os superiores hierárquicos incentivar
os subalternos para a formação permanente;
• Reserva e Discrição – o agente público deve ser sigiloso
e evitar divulgação de informações de não autorizadas
de que tenha conhecimento em função do cargo, em
proveito próprio ou de terceiros;
A pauta deontológica do serviço
público
• Parcimónia – os meios/bens que são facultados aos
agentes públicos devem ser usados de forma criteriosa,
evitando o desperdício ou danificação dos mesmos. Não
devem igualmente, tornar seu (proveito pessoal) o
património público;
• Solidariedade e Cooperação – deve existir um
relacionamento correcto e cordial entre os agentes
públicos, propiciando o espírito de equipa, colaboração,
auxílio entre os mais e menos experientes;
A pauta deontológica do serviço
público
• Deveres para com os órgãos de soberania:
a) Zelo e Dedicação – os trabalhadores da administração
pública devem agir com eficiência, objectividade e se
esforçar para dar resposta as exigências e solicitações
do serviço;
b) Lealdade – as missões e programas definidos pelos
superiormente devem ser cumpridas ou obedecidas,
na estrita observância à lei e as ordens legítimas dos
superiores hierárquicos;
Caso Prático
• A, técnico de Contabilidade da Administração Municipal
do Cuvelai, recebeu uma ordem verbal do Administrador
Municipal para que efectuasse o pagamento de 102 000
000,00 (cento e dois milhões de kwanzas) à empresa Só-
Factura, pertencente ao seu sobrinho, B, sem nenhum
procedimento de contratação, contrato e sem ter
prestado qualquer serviço ou fornecido qualquer bem.
• Sabendo que A, tem domínio do grau de parentesco
entre o Administrador e B, considerando que este está
adstrito ao cumprimento do dever de lealdade e
obediência, qual deve ser a sua posição?
• Art. [Link]
A Administração Pública e a Ética
• Obviamente todos os princípios são de extrema
importância para a preservação e o alcance dos fins
pelos quais visa prosseguir a administração pública,
portanto a sua interpretação deve ser conjunta por força
da unidade do sistema jurídico, sob pena da sua
inobservância comprometer a gestão pública bem como
causar sérios prejuízos ao erário público, em
consequência de uma gestão desprovida de quaisquer
critérios de ética e moralidade administrativa.
Ofertas e Gratificações
Ofertas e Gratificações
• É essencial a existência de regras e regulamentações
claras acerca do que os funcionários têm direito a
receber no decorrer das suas funções e sobre o modo
como estas ofertas deverão ser registadas. Num
contexto privado, as ofertas não são geralmente
solicitadas e destinam-se se a transmitir um sentimento,
como a gratidão, por parte de quem realiza a oferta. Não
existe a expectativa de retribuição. Tais ofertas são
geralmente feitas com a finalidade de criar um
sentimento de obrigação em quem as recebe. A
recepção de modo corrupto de uma oferta ou benefício
por parte de um funcionário público constitui um crime
em todos os países.
Ofertas e Gratificações
• Na qualidade de funcionários públicos, os funcionários
têm o dever de garantir que a actividade governamental
seja realizada com imparcialidade e integridade. Se
aceitarem ofertas e benefícios que lhes sejam oferecidos
no decorrer das suas funções, eles poderão nutrir um
sentimento de obrigação para com a pessoa que
ofereceu o benefício ou fez a oferta. Os sentimentos de
obrigação irão prejudicar a sua imparcialidade e, de
modo geral, ajudarão a minar a confiança no serviço
público. (Carla Amado Gomes, 2018, p. 182).
Ofertas e Gratificações
• Assim, o agente público, não deve pelo exercício das
suas funções beneficiar directamente ou por interposta
pessoa de ofertas por parte de entidades singulares ou
colectivas, de direito angolano ou estrangeiro. Dessas
proibições resultam a oferta de bens moveis, imóveis,
serviços, viaturas e outros meios de transportes,
mobílias e outros apetrechos do lar, abastecimento
regular de bens alimentares, ferias pagas e as demais
ofertas que pela sua natureza e valor possam afectar a
integridade e a postura exemplar do agente publico,
bem como as que sejam susceptíveis de comprometer o
exercício das suas funções, choquem com a lisura
requerida e sejam lesivas a boa imagem do Estado.
Ofertas e Gratificações
• Assim sendo são apenas permitidos aos agentes
públicos o recebimento de ofertas nas seguintes
situações: a) Tratando-se de bens que pela sua natureza
podem ser imediatamente integradas ao património do
estado e demais pessoas colectivas publicas ou
encaminhado pelo agente publico para o beneficio da
colectividade; b) As ofertas que se enquadram na prática
protocolar que não sejam lesivas a boa imagem do
estado; c) Os presentes por ocasiões de datas festivas,
nomeadamente aniversários, casamentos, ano novo e
outras.
Ofertas e Gratificações.
• As ofertas referentes na alínea a) tratam-se daquelas
adquiridas pelo gestor público, no âmbito de acordos de
financiamento ou apoio para desenvolvimento de
qualquer projecto público, ou quando as verbas
disponibilizadas pelo estado se mostram insuficientes.
Divulgação dos bens e dos
Rendimentos.
• Em vários lugares do planeta defendeu -se que um dos
instrumentos principais para a manutenção da
integridade no serviço público é a declaração de
rendimentos, ou seja, declarações que indicam os
activos e os passivos de todos os que se encontram em
cargos influentes, assim como dos seus familiares
imediatos. A finalidade da obtenção das declarações dos
funcionários públicos é identificar que parte da sua
riqueza não é justamente atribuível aos seus
rendimentos, a ofertas ou empréstimos.
Divulgação dos Bens e dos
Rendimentos.
• Apesar de os que estiverem a aceitar subornos não
realizarem uma divulgação rigorosa dos bens e dos
rendimentos, pensa -se que a exigência de que registem
formalmente as suas situações financeiras constitua um
alicerce para qualquer controlo subsequente, quer pelos
meios de comunicação social, quer pelo sistema judicial.
Impossibilitaria, por exemplo, os detentores de cargos
públicos de sugerirem que qualquer riqueza posterior
que não tenha sido revelada tenha, de facto, sido
adquirida legitimamente.
Divulgação dos Bens e dos
Rendimentos.
• Os activistas anti-corrupção, os meios de comunicação e
a polícia podem seguir de perto o desenvolvimento de
regimes eficazes e justos para a monitorização de
rendimentos, activos e passivos dos funcionários e
gestores públicos, se for possível colocá-los em
funcionamento. No contexto angolano a lei da
probidade pública no seu art. 26º, obriga a declaração
de bens, dispondo no nº 1, que “o exercício de funções
públicas está sujeito à declaração dos direitos,
rendimentos, títulos, acções, ou qualquer outra espécie
de bens e valores, localizados no país ou no estrangeiro.
Divulgação dos Bens e Rendimentos
• As declarações devem ainda ser actualizadas de dois em
dois anos, e todas as informações prestadas são tidas
como segredo de justiça, estando o seu desrespeito
sujeito a processos criminal e disciplinar.
Pressupostos Éticos na Gestão
pública.
• Na esfera jurídica Angolana existem vários diplomas que
de forma indirecta implementam a ética na forma de
agir dos gestores públicos, porém no que concerne a
gestão pública e indispensável abordar um pouco a cerca
do estatuto dos gestores públicos, aprovados por
Decreto nº 16/89, de 13 de Maio.
Pressupostos Éticos na Gestão
Pública.
• No art. 6º encontra-se regulamentado as incapacidades,
estando proibindo na
• al. a) que fossem admitidos como gestores públicos os
condenados por furto, burla, roubo, peculato,
sabotagem económica, abuso de confiança ou
falsificação; e na alínea
• b) sendo um pouco mais específicos, proíbe os
responsáveis por falência ou má gestão de empresas
públicas ou por sua comprovada má gestão.
Pressupostos Éticos na Gestão
Pública.
• A par da incapacidade a lei regula também a
incompatibilidade no seu art.º 7º, proibindo que sejam
nomeados como gestores:
a) Os sócios, administradores, gerentes ou outros
gestores de empresas concorrentes;
b) Os sócios, administradores ou gerentes da própria
empresa ou de sociedades que nele participem em
percentagem superior a 10%, nos casos das alíneas d)
e e) do art. 1º do mesmo Decreto;
c) Os gestores de outras empresas estatais.
Pressupostos Éticos na Gestão
Pública
• Claramente essas restrições têm como objectivo
principal preservar a ética na gestão pública evitando
inconvenientes como, conflito de interesse, corrupção,
gestão danosa, preservando assim o erário público.
• Além das restrições impostas no estatuto, o legislador
Angolano criou ainda um regime disciplinar diferente
dos trabalhadores normais, visando responsabilizar os
gestores que durante a sua gestão se desviem dos
preceitos legais, por força da Lei nº 10/89, de 30 de
Dezembro.
Pressupostos Éticos na Gestão
Pública
• Logo a partida encontramos disposto no art.º 2º da
mesma lei que “os gestores públicos são
disciplinarmente responsáveis pelas infracções que
cometeram no exercício das suas funções ou com ele
relacionadas, nos termos da presente lei”.
• Segundo a mesma lei constitui infracção disciplinar “ o
facto voluntario praticados pelo gestor publico que,
culposa ou dolosamente, por acção ou omissão, viole
alguns deveres decorrentes da função que exerce, ou os
deveres gerais dos cidadãos, desde que essa violação se
reflicta no corrente exercício das suas funções”.artº 3 nº
1. Essa responsabilidade disciplinar não exclui a
responsabilidade civil e criminal que haja lugar.
Conflitos de Interesses
• Um conflito de interesses é uma situação em que
alguém num cargo de confiança e responsabilidade
como, por exemplo, um político, um funcionário
público, um executivo, um director de uma empresa,
um cientista de investigação, um médico, um
advogado, tem interesses profissionais e pessoais
concorrentes (“Nenhum servo pode servir dois
senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou
se há de chegar a um e desprezar o outro) Não podeis
servir a Deus e a Mamom” (Carla Amado Gomes, 2018,
p. 116).
Conflito de Interesses
• Por outras palavras, um conflito de interesses coloca -se
quando um funcionário público ou um detentor de
cargo público é influenciado por considerações
pessoais na realização do seu trabalho.
• Tais interesses concorrentes podem tornar difícil o
cumprimento dos seus deveres de forma imparcial.
Algumas das formas mais comuns de conflitos de
interesses incluem o auto suprimento, em que os
interesses públicos e privados colidem, por exemplo,
quando um funcionário público detém interesses
empresariais privados. Inclui-se o segundo emprego, em
que os interesses do emprego “privado” possam
contradizer as funções de funcionário público
Conflito de Interesses
• Trata-se do caso da acumulação de cargos, em que os
funcionários governamentais ou os detentores de
cargos eleitos trabalham para as empresas que
deveriam regular. Também inclui interesses familiares,
quando, por exemplo, um cônjuge, um filho ou outro
familiar próximo é contratado (ou se candidata a um
emprego) ou quando bens ou serviços são adquiridos a
um tal familiar ou a uma empresa controlada por um
familiar. Além disso, inclui ofertas de amigos que
também se relacionam com o funcionário público que
recebe as ofertas. Um conflito de interesses pode criar
uma aparência de improbidade que pode prejudicar a
confiança na pessoa, profissão ou sistema judicial.
A Corrupção
• “A corrupção é um dos maiores desafios do mundo
contemporâneo. A corrupção prejudica o bom Governo,
distorce fundamentalmente a política pública, leva a
uma má atribuição de recursos, prejudica o sector
privado e o seu desenvolvimento e prejudica em
particular os mais necessitados.” Banco Mundial (1997),
World Development Report, Washington, World Bank
Press.
A Corrupção.
• Segundo compêndio de ética da universidade católica, p.
56. A corrupção encontra -se praticamente em todo o
lado, mas encontra -se teimosamente entrincheirada
nos países pobres da África Subsariana, está
amplamente difundida na América Latina, está
profundamente enraizada nos países recentemente
industrializados e está a alcançar proporções alarmantes
em vários países ex-comunistas.
A Corrupção
• A corrupção é compreendida como tudo aquilo que
inclui desde subornos pagos a funcionários públicos em
troca de algum favor e do desvio de fundos públicos, a
uma larga variedade de práticas económicas e políticas
dúbias em que políticos e burocratas enriquecem e a
qualquer utilização abusiva do poder público para fins
pessoais. Além disso, a corrupção é por si só um
fenómeno multifacetado e o conceito de corrupção
contém demasiadas conotações para ser analiticamente
funcional sem uma definição mais aproximada.
A Corrupção.
• A corrupção é convencionalmente entendida como, e
referida como, um comportamento de tentar obter
riqueza privada por parte de alguém que representa o
Estado e a autoridade pública, ou uma má utilização de
bens públicos por funcionários públicos para fins
privados.
A Corrupção
• Na definição clássica e mais amplamente utilizada de J.
S. Nye, a corrupção é: “o comportamento que se desvia
dos deveres formais do desempenho de um papel
público devido a ganhos pecuniários ou de status
privados (pessoais, família próxima, conventículo
privado); ou que viola as regras contra o exercício de
determinados tipos de influência no âmbito privado
(Nye, J. S. (1967), vol. 61, p. 417”).
A Corrupção
• A prática de corrupção tem sido avaliada tanto sob
perspectivas consequencialistas como deontológicas.
Alguns investigadores têm utilizado argumentações
consequencialistas para mostrar que a corrupção é
contrária à ética. Por exemplo, defendeu -se que a
corrupção leva à adjudicação de contratos públicos à
empresa que pagar os subornos mais elevados e não à
empresa que oferece a melhor relação entre qualidade
e preço (uma vez que os funcionários públicos irão
seleccionar projectos que geram os maiores
rendimentos privados e não os que apresentam
melhores resultados sociais).
A Corrupção.
• Defendeu -se que a corrupção atrai mão- de- obra
qualificada para fora de actividades produtivas para a
procura de rendimentos, exacerbando ainda mais as
ineficiências da atribuição de recursos. Também tem
sido defendido que a corrupção afecta
desproporcionalmente os mais desfavorecidos. Em
suma, a corrupção tem consequências prejudiciais e é,
por isso, considerada como contrária à ética sob uma
perspectiva consequencialista.
A Corrupção
• De igual modo o Estado Angolano encara o problema da
corrupção sob uma prespectiva consequencialista visto
que a lei da probidade pública no seu capitulo V,
nomeadamente os artigos 33º,34º, 35º, 36º, 38º, 39º e
40º, revogado pelo Código Penal, Aprovado pela lei
38/20, de 11 de Novembro, dispõe sobre os crimes
cometidos por agentes Públicos, e muitos deles são
crimes que consubstanciam-se em corrupção,
nomeadamente, a prevaricação art. 33.º, denegação do
poder disciplinar, art. 34.º, violação de normas de
execução do plano e orçamento art. 36º,enriquecimento
sem causa art. 37.º, emprego da força publica contra a
lei art. 38.º, e abuso de poder art. 39º.
Breve Resenha de Alguns Crimes
Especiais e suas Penalidades
• ARTIGO 30.º (Exclusão da ilicitude);
• 1. O facto não é punível quando a sua ilicitude for
excluída pela ordem jurídica considerada na sua
totalidade.
• 2. Não é ilícito o facto praticado nos seguintes casos:
• c) No cumprimento de um dever imposto por lei ou por
ordem legítima de autoridade;
Breve Resenha de Alguns Crimes
Especiais e suas Penalidades
• ARTIGO 38.º (Conflito de deveres desculpantes)
1. Age sem culpa quem, em caso de conflito de deveres,
cumprir um dever de menor valor e, em consequência
desse cumprimento, praticar um facto ilícito, sempre
que, face às circunstâncias do caso, não for razoável
exigir do agente outro comportamento.
2. 2. O disposto no número anterior aplica-se a quem
praticar um facto ilícito por ter cumprido uma ordem
do seu superior hierárquico, sempre que se verificar o
condicionalismo nele descrito.
Dos Crimes Cometidos pelos funcionários em
prejuízo de funções públicas.
• ARTIGO 357.º (Recebimento indevido de vantagem)
• 1. O funcionário público que, no exercício das suas funções ou por
causa delas, por si ou por interposta pessoa, com o seu consentimento
e ratificação, solicitar ou aceitar, para si ou para terceiro, vantagem
patrimonial ou não patrimonial que não lhe seja devida, é punido com
a pena de prisão de 1 a 5 anos.
• Excluem-se dos números anteriores as condutas socialmente
adequadas e conformes aos usos e costumes.
Dos Crimes Cometidos pelos funcionários
em prejuízo de funções públicas.
• ARTIGO 358.º (Corrupção activa de funcionário)
• 1. Quem, por si ou por interposta pessoa, com o seu consentimento
ou ratificação, oferecer, der ou prometer vantagem patrimonial ou não
patrimonial à funcionário ou à pessoa especialmente obrigada à
prestação de serviço público, ou à terceira pessoa com o
conhecimento deles, para realizar acto ou omissão inerentes aos
deveres do respectivo cargo ou função, é punido com pena de prisão
até 2 anos ou com a de multa até 240 dias.
• 2. Se, no caso do número anterior, o acto ou omissão for contrário aos
deveres do cargo ou função, a pena é de prisão até 3 anos ou de multa
até 360 dias.
• 3. Se a oferta, dádiva ou promessa de vantagem se destinar à prática
de um ilícito penal, a pena é de 3 a 7 anos de prisão.
Dos Crimes Cometidos pelos funcionários em prejuízo
de funções públicas.
• 4. Se o acto ilícito a que se refere o número anterior for
praticado, o agente é punido com prisão de 3 a 10 anos,
se pena mais grave não lhe couber por força de outro
preceito penal.
• 5. Não são relevantes, para efeitos do presente artigo, as
ofertas, dádivas ou promessas feitas a funcionário ou a
pessoa especialmente obrigada à prestação de serviço
público que forem socialmente adequadas e conforme
os usos e costumes.
Dos Crimes Cometidos pelos funcionários em prejuízo
de funções públicas.
ARTIGO 359.º (Corrupção passiva de funcionário)
1. O funcionário que, por si ou por interposta pessoa com
o seu consentimento, solicitar ou aceitar, para si ou
para terceiro, vantagem patrimonial ou não-
patrimonial, ou a sua promessa, para praticar acto ou
omissão inerente aos deveres do cargo ou função,
ainda que anteriores àquela solicitação ou aceitação, é
punido com pena de prisão até 2 anos ou com a de
multa até 240 dias.
Dos Crimes Cometidos pelos funcionários em prejuízo
de funções públicas.
• 2. Se, no caso do número anterior, o acto ou omissão for
contrário aos deveres do cargo ou função, a pena é de
prisão até 3 anos ou de multa até 360 dias.
• 3. Se a solicitação, aceitação ou promessa de vantagem
se destinar à prática de um ilícito penal, a pena é a de
prisão de 3 a 7 anos.
• 4. Se o ilícito a que se refere o número anterior for
praticado, o agente é punido com prisão de 3 a 10 anos,
se pena mais grave não lhe couber, por força de outro
preceito penal.
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de Funções Públicas.
• ARTIGO 362.º (Peculato)
1. O funcionário público que ilegitimamente se apropriar,
em proveito próprio ou alheio, de dinheiro ou coisa móvel
que lhe não pertença e lhe tenha sido entregue, esteja na
sua posse ou a que tenha acesso por virtude do seu cargo
ou das suas funções é punido, conforme o valor da coisa
móvel ou do dinheiro apropriados, com as seguintes
penas: a) Prisão de 1 a 5 anos, se o valor da coisa
apropriada não for elevado; b) Prisão de 3 a 10 anos, se o
valor da coisa apropriada for elevado; c) Prisão de 5 a 14
anos, se o valor da coisa apropriada for
consideravelmente elevado.
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de Funções Públicas.
• ARTIGO 363.º (Peculato de uso)
• 1. O funcionário público que usar ou deixar usar dinheiro
ou coisa móvel que lhe não pertençam e lhe tenham
sido entregues, estejam na sua posse ou a que tenha
acesso por virtude do seu cargo ou das suas funções,
para fins diferentes daqueles a que a coisa se destina é
punido com pena de prisão até 5 anos.
• 2. Se, tratando-se de dinheiro público, o agente lhe der
uso público diferente daquele a que estava destinado
sem que razões ponderosas o justifiquem, a pena é de
prisão até 3 anos ou de multa até 360 dias.
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• ARTIGO 364.º (Participação económica em negócio)
• 1. O funcionário que, com intenção de obter vantagem que não seja
devida, participar em negócio jurídico que envolva interesses
patrimoniais que, no todo ou em parte, lhe cumprir, em razão do seu
cargo ou das suas funções, administrar, fiscalizar, defender ou realizar
é punido com pena de prisão até 5 anos.
• 2. Na mesma pena incorre o titular do cargo público que, valendo-se
da sua qualidade e em violação do que estiver legalmente
estabelecido, decidir ou influenciar a decisão de afectação de um
negócio jurídico do Estado, de natureza patrimonial, a favor de
interesses próprios, de cônjuge, de parentes ou afins.
• 3. Se o facto descrito nos números anteriores lesar os interesses
patrimoniais aí mencionados, a pena é de prisão de 2 a 7 anos.
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• ARTIGO 365.º (Cobrança ilegal de contribuições)
1. O funcionário encarregado de arrecadar impostos,
taxas ou outras contribuições que os receber, sabendo
que não são devidos pelo contribuinte ou que são devidos
em quantidade menor, é punido com pena de prisão até 2
anos ou com a de multa até 240 dias.
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• ARTIGO 366.º (Tráfico de influência)
1. Quem, por si ou por interposta pessoa, exigir ou aceitar
vantagem ou promessa de vantagem para utilizar da sua
alegada influência junto de uma entidade pública e, dessa
forma, obter dela uma decisão ilícita favorável ao agente
do facto a que se refere o n.º 2 do presente artigo ou a
entidade que ele represente ou no interesse da qual actue,
é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos, se pena mais
grave lhe não couber por força de outra disposição penal.
2. Na mesma pena incorre quem, em seu nome ou no da
entidade que representa, der ou prometer a vantagem a
que se refere o número anterior.
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• ARTIGO 374.º (Abuso de poder)
• O funcionário que, fora dos casos previstos nos artigos
anteriores, abusar dos poderes inerentes ao cargo ou
função que desempenha, com a intenção de obter
benefício para si ou para terceiro ou causar dano a outra
pessoa, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com
a de multa até 240 dias.
Conclusão.
• Podemos então concluir que a deontologia é um
pressuposto de extrema importância para a prestação
do serviço público de qualidade e obriga que o
funcionário ou agente público durante a sua actuação,
paute sempre pelo principio da moralidade
Administrativa, bem como subordina a sua actuação a
critérios legais e de probidade cuja a sua inobservância
resulta responsabilidade civil, disciplinar e Criminal.
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OBRIGADO!
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