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Eventos Extremos de Precipitação E Sua Relação Com A Erosão Na Bacia Hidrográfica Do Rio Santa Maria (RS)

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EVENTOS EXTREMOS DE PRECIPITAÇÃO E SUA RELAÇÃO

COM A EROSÃO NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO SANTA


MARIA (RS)

Extreme precipitation events and erosion in the Santa Maria


river hydrographic basin (RS)

Eventos de precipitación extrema y erosion en la cuenca


hidrografica del río Santa Maria (RS)

Carina Petsch
Programa de Pós-graduação em Geografia – Universidade Federal de Santa Maria
[email protected]

Eduardo Cunha do Amaral


Departamento de Geociências – Universidade Federal de Santa Maria
[email protected]

Fábio de Oliveira Sanches


Programa de Pós-graduação em Geografia – Universidade Federal de Juiz de Fora
[email protected]

Resumo: Os eventos extremos de precipitação (EEP) se apresentam como deflagradores de diversos


desastres naturais, podendo desencadear, por exemplo, processos erosivos com a desagregação e
transporte de material sedimentar. Os estudos para a bacia hidrográfica do rio Santa Maria (BHRSM),
localizada no sudoeste gaúcho, indicam que as feições erosivas lineares (FEL) ocorrem principalmente
em rochas friáveis e porções com alta erosividade da precipitação. Assim, o objetivo deste estudo foi
identificar e caracterizar os EEP da BHRSM e avaliar sua relação com os processos erosivos. Os EEP
foram obtidos a partir da aplicação do percentil 99 com dados de sete estações meteorológicas (EM),
entre 1986-2020. A espacialização e cruzamento dos dados foram realizados no QGIS. A BHRSM teve
um total de 695 EEP. Verificou-se que, anualmente, os anos com mais EEP são aqueles com ONI
(Oceanic Niño Index) positivo. Sazonalmente, primavera e outono são as estações com mais EEP, o que
está ligado aos Complexos Convectivos de Mesoescala. Os meses com mais eventos extremos
coincidem com os de plantio e colheita de soja. Devido ao manejo da terra, o solo pode ficar exposto
e, consequentemente, desencadear processos erosivos. Espacialmente, observou-se que a
predominância de FEL ocorre na área de influência da EM Ponte Toropi II, que concentra 50% dos

Revista Brasileira de Climatologia, Dourados, MS, v. 33, Jul. / Dez. 2023, ISSN 2237-8642 1
eventos extremos da BHRSM. Este estudo aponta que pode ocorrer o desenvolvimento das FEL em
função dos EEP, além do contexto de substrato arenoso pouco consolidado, que já configura um
cenário de fragilidade ambiental para a BHRSM.
Palavras-chave: Percentil 99. Chuva. SIG.

Abstract: The extreme precipitation events (EEP) are presented as triggers of several natural disasters,
being able to trigger, for example, erosion processes with the disaggregation and transport of
sedimentary material. Studies for the Santa Maria river basin (BHRSM), located in the southwest of Rio
Grande do Sul, indicate that linear erosion features (FEL) occur mainly in friable rocks and portions
with high erosivity of precipitation. The objective of this study is to identify and characterize the EEP
of the BHRSM and evaluate its relationship with erosion processes. The EEP were obtained from the
application of the 99th percentile with data from seven meteorological stations (EM), between 1986-
2020. The spatialization and crossing of the data were performed in QGIS. BHRSM had a total of 695
EEP. It is verified that annually the years with more EEP are those with positive ONI (Oceanic Niño
Index). Seasonally, spring and autumn are the seasons with more EEP, which is linked to Mesoscale
Convective Complexes. The months with the most extreme events coincide with the planting and
harvesting of soybeans, due to land management, the soil can be exposed and consequently trigger
erosion processes. Spatially, it was observed that the predominance of FEL occurs in the EM Ponte
Toropi II area of influence, which concentrates 50% of the extreme events of the BHRSM. This study
pointed out that there may be a development of FEL due to the EEP - in addition to the context of
poorly consolidated sandy substrate that already configure a scenario of environmental fragility for
the BHRSM.
Keywords: 99th percentile. rain. GIS.

Resumen: Los eventos de precipitación extrema (EEP) se presentan como desencadenantes de varios
desastres naturales, pudiendo desencadenar, por ejemplo, procesos de erosión con la desagregación
y transporte de material sedimentario. Estudios para la cuenca del río Santa Maria (BHRSM), ubicada
en el suroeste de Rio Grande do Sul, indican que las características de erosión lineal (FEL) ocurren
principalmente en rocas friables y porciones con alta erosividad de precipitación. El objetivo de este
estudio es identificar y caracterizar la EEP de la BHRSM y evaluar su relación con los procesos de
erosión. Los EEP se obtuvieron a partir de la aplicación del percentil 99 con datos de siete estaciones
meteorológicas (EM), entre 1986-2020. La espacialización y cruce de los datos se realizó en QGIS.
BHRSM tuvo un total de 695 EEP. Se comprueba que anualmente los años con más EEP son aquellos
con ONI (Índice Oceánico del Niño) positivo. Estacionalmente, la primavera y el otoño son las
estaciones con más EEP, lo que está relacionado con los Complejos Convectivos de Mesoescala. Los
meses con los eventos más extremos coinciden con la siembra y cosecha de la soja, debido al manejo
de la tierra, el suelo puede quedar expuesto y consecuentemente desencadenar procesos de erosión.
Espacialmente, se observó que el predominio de FEL ocurre en el área de influencia de la EM Ponte
Toropi II, que concentra el 50% de los eventos extremos de la BHRSM. Este estudio señaló que puede
haber un desarrollo de FEL debido a la EEP, además del contexto de sustrato arenoso poco consolidado
que ya un escenario de fragilidad ambiental para el BHRSM.

Submetido em: 31/10/2022


Aceito para publicação em: 28/06/2022
Publicado em: 15/07/2022

Revista Brasileira de Climatologia, Dourados, MS, v. 33, Jul. / Dez. 2023, ISSN 2237-8642 2
1 INTRODUÇÃO
A análise de padrões espaciais e temporais de eventos climáticos extremos têm
recebido maior atenção desde o final da década de 1990, visto que intensificam o risco social
e ambiental em diversas regiões do planeta (LEONARD et al., 2014; SANCHES et al., 2015;
OHBA; SUGIMOTO, 2019; SANTOS; GALVANI, 2019; OLMO et al., 2020; SILVEIRA et al., 2021;
THOMASSEN et al., 2021; ROJPRATAK e SUPHARATID, 2022). Isto posto, destaca-se que os
eventos extremos de precipitação (EEP) consistem em elevados ou reduzidos totais de chuva,
em geral acima ou abaixo dos limiares definidos como médios (ARMOND; SANT’ANNA NETO,
2017), e estão entre os desastres naturais mais graves, frequentes e generalizados que podem
provocar danos importantes aos ambientes ecológicos e às produções agrícolas (LANDRUM;
HOLLAND, 2020).

Dessa forma, os EEP têm se tornado frequentes em todo o planeta devido à


combinação entre as mudanças climáticas e a circulação atmosférica (DONAT et al., 2016). É
por ser necessário aumentar a compreensão sobre os EEP, visando diminuir os impactos
sociais, econômicos e ambientais causados por eles (KUNKEL et al., 1999; ZSCHEISCHLER et
al., 2018), que esses eventos vêm sendo o foco de diversos estudos (SANCHES et al., 2014;
WANDERLEY et al., 2020; OHBA; SUGIMOTO, 2019; SANTOS; GALVANI, 2019; PRIYA; AGILAN
2022; ROJPRATAK; SUPHARATID, 2022; WANG et al., 2022). Ademais, a análise da precipitação
é fundamental para o entendimento de processos hidrossedimentológicos, modelagem
climática e produção agrícola em bacias hidrográficas (BADOR et al., 2020; XU, 2021),
sobretudo porque a chuva apresenta variabilidade significativa, tanto espacial quanto
temporalmente, devido à circulação atmosférica, ciclo da água e balanço energético (HEROLD
et al., 2016; RUHI et al., 2018; WANDERLEY et al., 2020; ZHANG et al., 2020). Dessa maneira,
a análise da precipitação e de eventos extremos fornece um banco de dados essencial para o
desenvolvimento de outras pesquisas associadas à temática ambiental, como a avaliação de
processos erosivos, por exemplo.

Por sua vez, a degradação da terra pela erosão se destaca como um dos maiores
problemas ambientais da atualidade (PHUONG et al., 2017; MIHI et al., 2019; MASROOR et al.,
2022). No que se refere à erosão hídrica, ela é causada pela complexa interação entre relevo,
clima e atividades humanas que provocam alterações no uso e na cobertura do solo, como

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desmatamento, sobrepastoreio e intensificação da agricultura (PANAGOS et al., 2017). Por
conseguinte, mudanças nas condições hidroclimatológicas podem provocar aumento nas
taxas de erosão (MIHI et al., 2020), já que as gotas de chuva atuam no desprendimento do
material do solo e pela força de arrasto da água (VRIELING, 2006).

Para relacionar a questão dos EEP com os processos erosivos, é necessário recorrer às
geotecnologias, principalmente em se tratando de grandes áreas. Em vista disto, os Sistemas
de Informação Geográfica (SIG) oferecem suporte a análises espaciais no campo da
Climatologia (DABRAL et al., 2008), e no caso do mapeamento dos EEP, proporcionam a
análise para fins de gestão agrícola, ecológica e de recursos hídricos (MMBANDO; KLEYER,
2020). Ainda nesse sentido, um dos principais problemas em análises de EEP é a falta de acesso
a dados climáticos de alta qualidade (ROJPRATAK; SUPHARATID, 2022), portanto, para o uso
de dados de estações meteorológicas (EM) é fundamental o uso de interpoladores de dados
dos SIG para as porções que não possuem medições.

Sanches et al. (2015) já apontaram que os dias com EEP possuem estreita relação com
o processo de arenização no Rio Grande do Sul (RS), uma vez que o escoamento superficial
atua fortemente na dinâmica erosiva desse processo. Petsch et al. (2022a) indicaram a
possibilidade de haver uma relação entre os EEP e a erosão da bacia hidrográfica do rio Santa
Maria (BHRSM) e sugeriram maior aprofundamento na análise. Dessa forma, como área de
estudo desta pesquisa, foi escolhida a BHRSM, que possui intensos processos erosivos lineares
documentados (ROBAINA et al., 2015; RADEMANN et al., 2018; CABRAL et al., 2020; PETSCH
et al., 2022b; ROBAINA et al., 2022; PETSCH et al., 2023).

Por conseguinte, o objetivo deste estudo é identificar e caracterizar os EEP da BHRSM


e avaliar sua relação com os processos erosivos. Os objetivos específicos deste artigo
consistem em: (i) avaliar a incidência anual, sazonal, mensal e por EM dos EEP (percentil 99 de
acumulados diários), entre 1986 e 2020; (ii) identificar a frequência relativa e o tempo de
retorno dos EEP; (iii) relacionar os EEP com valores anuais de ONI (Oceanic Niño Index); e (iv)
espacializar os valores de EEP para a BHRSM e relacioná-los com a presença dos processos
erosivos em cabeceiras de drenagem.

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2 ÁREA DE ESTUDO
A BHRSM abrange uma área de 15.740 km² e está localizada no sudoeste do RS, entre
as coordenadas geográficas 29°47' a 31°36' de latitude Sul e 54°00' a 55°32' de longitude Oeste
(Figura 1). A BHRSM drena em parte ou a totalidade dos territórios de seis municípios, sendo
eles: Cacequi, Dom Pedrito, Rosário do Sul, Sant’ana do Livramento, São Gabriel e Lavras do
Sul.

Figura 1 - Localização da área de estudo na porção sudoeste do RS

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

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A área de estudo abrange três províncias geomorfológicas: Planalto da Campanha,
Depressão Central Gaúcha e Planalto Sul-Rio-Grandense (IBGE, 1986). O mapa hipsométrico
(Figura 1) indica que as altitudes na BHRSM variam entre 55 m e 460 m. No que se refere à
declividade, predominam valores entre 2 e 5% (PETSCH et al., 2022b).

Quanto à geologia, destacam-se as sequências sedimentares da Bacia do Paraná


(WILDNER et al., 2006). Os processos erosivos ocorrem principalmente nas Formações
Pirambóia e Sanga do Cabral, devido às rochas serem friáveis (ROBAINA et al., 2015;
RADEMANN et al., 2018; PETSCH et al., 2022b). Predominam solos bem desenvolvidos,
arenosos e espessos, porém com baixo teor de argila, o que contribui para a desagregação de
sua estrutura (ROBAINA et al., 2015; SCCOTI, 2017).

No que se refere ao uso do solo, Petsch et al. (2022c) destacam que a formação
campestre predomina, apresentando, porém, diminuição, visto que em 1990 ocupava 66% da
BHRSM e, em 2020, ocupava 49%. A cultura da soja foi o uso do solo que mais apresentou
crescimento na área, sendo que em 1990 ocupava 78 km² e em 2020 atingiu 2.199 km². Uma
área de 1.492 km² de formação campestre foi transformada em lavoura de soja (PETSCH et
al., 2022c).

De acordo com a atualização da classificação climática de Köppen desenvolvida por


Alvares et al. (2013), o tipo climático da área de estudo é o Cfa – mesotérmico, sem estação
seca e com verões quentes. A Figura 2 demonstra o comportamento das Normais
Climatológicas de chuvas e temperaturas (1991-2020) para Santa Maria (RS).

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Figura 2 - Normais Climatológicas (1991-2020) para Santa Maria (RS)
250 30,0

25,0
200

Tempreaturas (ºC)
20,0
Chuvas (mm)

150

15,0

100
10,0

50
5,0

0 0,0
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Fonte: INMET (https://clima.inmet.gov.br/)

Para Rossato (2011), as condições climáticas regionais estão associadas às


participações das massas de ar Tropical Atlântica (mTa) - em torno de 25% a 28% do ano - e
Polar Atlântica (mPa) - entre 45% e 48% do ano. Os Sistemas Frontais também possuem uma
participação efetiva na dinâmica das chuvas da região, com volumes anuais em torno dos
1.700 mm. As tipologias climáticas encontradas na BHRSM são a Subtropical I - pouco úmida,
com precipitação entre 1.200 e 1.500 mm anuais - e a Subtropical II - medianamente úmida,
com 1.500 e 1.700 mm anuais (ROSSATO, 2011). A média de precipitação anual da BHRSM é
1.496,5 mm no período de análise (Figura 3), sendo que o ano de 2002 foi o de maior média
anual de precipitação, com 2.496,8 mm, e o ano de 1989 foi o de menor valor, com 874,6 mm.

Revista Brasileira de Climatologia, Dourados, MS, v. 33, Jul. / Dez. 2023, ISSN 2237-8642 7
Figura 3 - Média pluviométrica anual para a BHRSM
3000

2500

2000
Chuvas (mm)

1500

1000

500

0
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

3 METODOLOGIA
Os dados utilizados nesta pesquisa foram obtidos no site Hidroweb, da Agência
Nacional das Águas1, referente a sete EM (Quadro 1) para o período de 1986 a 2020. Além
disso, é necessário destacar que as EM que se localizam nas imediações dos limites da BHRSM
foram inseridas no estudo, visto a importância de se realizar a interpolação de dados de
precipitação, conforme recomendado por Renard et al. (1997). Os estudos sobre a seleção das
EM e preparação dos dados pluviométricos - preenchimento de falhas, tratamento estatístico
e avaliação de consistência - estão descritos no trabalho de Petsch et al. (2022a).

1 Disponível em: http://www.snirh.gov.br/hidroweb/serieshistoricas

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Quadro 1 - Informações sobre as sete EM consideradas para o estudo

Código Nome Latitude (°) Longitude (°) Altitude (m)

3155001 Três Vendas -31,28 -55,04 210

2954032 Ponte Toropi II -29,65 -54,43 128

3054002 Dom Pedrito -30,98 -54,68 136

3054016 Granja Umbu -30,51 -54,77 115

3055003 Fazenda Encerra -30,70 -55,84 268

3055007 São Carlos -30,20 -55,49 141

3153003 Paraíso -31,23 -53,90 331


Fonte: Hidroweb

3.1 Identificação dos eventos extremos, frequência e estimativa do


tempo de retorno
Estudos sobre eventos de precipitação intensa/extrema recomendam a
adoção/identificação de parâmetros estatísticos, como os percentis 95 e 99, a partir de suas
séries temporais (PRISTO et al., 2018; PAZ et al., 2020; SANCHES et al., 2019; OGASSAWARA
et al., 2021, entre outros). Para este trabalho, adotou-se o valor extremo de precipitação diária
a partir da aplicação do percentil 99 (P99), seguindo as recomendações do Expert Team of
Climate Change Detection Indices (ETCCDI) 2 . Em seguida, identificou-se os valores de
frequência relativa dos eventos extremos, conforme recomendam os trabalhos de Galvani
(2011), Sanches et al. (2019) e Paz et al. (2020).

(1) Fr = 𝑛𝑖
∑𝑖 𝑛𝑖

A frequência relativa (Fr) consiste no número de ocorrência do evento (ni ) em relação


ao número total de elementos na série (∑i ).

O Tempo de Retorno (TR) para cada evento extremo de precipitação foi definido como
o inverso da probabilidade (TUCCI, 1997):

2
Disponível em: http://etccdi.pacificclimate.org/list_27_indices.shtml.

Revista Brasileira de Climatologia, Dourados, MS, v. 33, Jul. / Dez. 2023, ISSN 2237-8642 9
(2) TR = 1
𝐹𝑟

O cálculo dos eventos extremos por ano, por estação sazonal, por mês e por EM foi
desenvolvido no software Excel. A incidência dos eventos extremos foi relacionada aos valores
médios anuais de ONI (Oceanic Niño Index3), que considera as condições do El Niño quando o
ONI é +0,5 ou superior, e as condições da La Niña com valores iguais ou menores que -0,5.

3.2 Elaboração dos mapas e relação com as feições erosivas lineares


(FEL)
Para a interpolação dos dados de EEP foi utilizado o IDW (Inverse Distance Weighting),
usado com êxito em outros estudos (COSTA et al., 2021; TAVARES; SANTOS, 2022), e a
espacialização das informações ocorreu no SIG QGIS 3.4. As feições erosivas lineares (FEL)
foram identificadas manualmente, utilizando imagens Google Earth disponíveis no plugin
Quick Map Services do QGIS 3.4 (PETSCH et al., 2022b). Elas estão representadas nesta
pesquisa pelos pontos que demarcam a cabeceira de drenagem. As imagens de satélite
utilizadas para o mapeamento das FEL são de um mosaico com diferentes datas, de acordo
com a disponibilidade do Google Earth. Desta forma, foi possível relacionar espacialmente a
ocorrência de FEL na BHRSM com o número total de eventos extremos.

4 DESENVOLVIMENTO
A partir da aplicação do P99, os valores de chuvas diárias de 66,8 mm, 58 mm, 70,4
mm, 67,1 mm, 67,3 mm, 59,2 mm e 64,2 mm foram considerados como limiares para os
episódios de EEP para as EM Três Vendas, Paraíso, Ponte Toropi II, São Carlos, Fazenda
Encerra, Granja Umbu e Dom Pedrito, respectivamente. Assim sendo, optou-se por avaliar
todos os eventos extremos de precipitação acima do volume de 70 mm, uniformizando,
portanto, o parâmetro adotado para as séries de todas as EM utilizadas, bem como tornando
a análise mais criteriosa. Os valores extremos de precipitação foram categorizados em classes:

3
https://origin.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/ensostuff/ONI_v5.php

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≥70 mm, ≥80 mm, ≥90 mm, ≥100 mm, ≥110 mm, ≥120 mm e ≥130 mm. Dessa forma, a BHRSM
registrou 695 EEP no período de análise.

4.1 Distribuição anual dos EEP na BHRSM


Temporalmente, há um padrão quanto ao número de EEP em todas as classes
avaliadas. Destaca-se que os anos de 2002, 2015 e 2017 são os que concentraram mais
eventos extremos, enquanto em 1989 não houve eventos (Figura 4). Em relação ao ONI, os
eventos extremos ocorreram de forma mais frequente durante modulações do ENOS positivo,
como por exemplo em 1987, 1997, 2002, 2015 e 2019, enquanto os valores negativos de ONI
em 1988, 1999, 2010 e 2011 configuram menor número de eventos extremos ou a ausência
deles.

De acordo com Grimm (2022), em anos de El Niño fortes anomalias positivas (aumento
nas precipitações) ocorrem no sul do Brasil, sobretudo nos meses de novembro, março e abril.
Essas condições se dão em virtude de alterações nos padrões circulatórios da atmosfera sobre
a porção norte da América do Sul (subsidência da alta atmosfera), direcionando e
intensificando a ação dos Jatos de Baixos Níveis (JBN), promovendo a formação dos Complexos
Convectivos de Mesoescala (CCM) sobre o sudeste da América do Sul.

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Figura 4 - Distribuição anual dos EEP na BHRSM e relação com o ONI (Oceanic Niño Index)

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

4.2 Distribuição sazonal e mensal dos eventos extremos na BHRSM


Os eventos extremos apresentam maior ocorrência na primavera, seguida pelo
outono, verão e inverno até a classe de eventos ≥110 mm (Figura 5). Após a classe dos EEP ≥
110 mm a ordem se altera, sendo que o outono passa a figurar como a estação com maior
quantidade de eventos extremos, seguido pela primavera, verão e inverno. A ocorrência dos

Revista Brasileira de Climatologia, Dourados, MS, v. 33, Jul. / Dez. 2023, ISSN 2237-8642 12
EEP, principalmente no outono e na primavera, acontece também em função dos CCM. Esse
é o período de maior atuação dos JBN associados à formação dos CCM, promovendo episódios
de precipitação extrema na região de estudo, sobretudo na primavera e no outono (VIANA et
al., 2009; LIMA et al., 2018; SANCHES et al., 2019; MARENGO, 2022).

Figura 5 - Distribuição sazonal dos eventos extremos

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

Revista Brasileira de Climatologia, Dourados, MS, v. 33, Jul. / Dez. 2023, ISSN 2237-8642 13
Trabalhos desenvolvidos por Viana et al. (2009), Sanches et al. (2015), Lima et al.
(2018) e Sanches et al. (2019) demonstram que a maioria dos EEP estão associados à
participação dos JBN – ventos quentes e úmidos que escoam da Amazônia em níveis de 850
hPa a 700 hPa. Quando esses ventos modulam sobre a região, formam CCM. Nesse viés,
Sanches et al. (2019) ressaltam que ocorreu um aumento na frequência dos CCM relacionado
às mudanças ambientais ocorridas na Amazônia e manifestadas na porção sudeste da América
do Sul nas últimas três décadas. Para Machado et al., (1998), Carvalho e Jones (2001), Sanches
et al. (2019) e Marengo (2022), a formação dos CCM na porção central da América do Sul faz
parte de uma complexa relação entre o escoamento atmosférico dos JBN da região Amazônica
que, influenciados pela Cordilheira dos Andes, transportam calor e umidade da região
equatorial para as regiões Sul e Sudeste do Brasil, gerando grandes sistemas convectivos na
Bacia do Prata (centro da América do Sul).
A ocorrência de EEP e sua disposição ao longo do ano possuem um comportamento
similar em todas as classes (Figura 6). No que se refere aos meses com maior concentração de
EEP, observa-se que ocorrem entre setembro/outubro até abril/maio. O mês de abril se
destaca como o de maior número de ocorrências, sendo um total de 358 EEP distribuídos da
seguinte forma: 101, 72, 60, 45, 35, 26 e 19 eventos para as classes de ≥70 mm, ≥80 mm, ≥90
mm, ≥100 mm, ≥110 mm, ≥120 mm e ≥130 mm respectivamente. Na classe de ≥ 130 mm, que
concentra os eventos de maior intensidade, houve um total de 69 EEP, sendo que 27% deles
ocorreram no mês de abril.

Além do mês de abril, outros se destacaram. Nas classes de ≥70 mm, ≥80 mm e ≥90
mm, destaca-se o mês de outubro, com 78, 51 e 40 EEP respectivamente. Nas classes de ≥100
mm, ≥110 mm e ≥120 mm, o mês de dezembro é o que se destaca, com 26, 18 e 15 EEP
respectivamente. Na classe ≥130 mm, o mês de maio se sobressaiu com 11 EEP, além dos
meses de novembro, dezembro e janeiro, com 9, 7 e 6 eventos cada.

Os resultados obtidos nesta pesquisa corroboram os dados de Sanches et al. (2019)


para a área de Alegrete (RS), sendo que os autores observaram um padrão similar para os EEP
superiores a 150 mm, com cinco EEP nos meses de maio, dois eventos em abril e um EEP em
novembro, dezembro, fevereiro, março e junho. Petsch et al. (2022a), para a BHRSM,

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apontaram que 65% da erosividade anual se concentra entre outubro e abril e 73% no período
de outubro a maio.

Figura 6 - Número de EEP por mês e por classe avaliada

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

As maiores quantidades de EEP ocorrem em meses atrelados ao ciclo de produção da


cultura temporária de soja, com plantio durante a primavera e colheita durante o outono,
fases em que o solo se encontra com menor cobertura vegetal ou exposto. Dessa forma,
alguns autores destacam que o risco de erosão pode ser altamente variável durante o ano,
dependendo dos efeitos sazonais e do manejo da terra. Sendo assim, é necessário buscar

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alternativas de manejo e técnicas ligadas à manutenção da cobertura de palha seca para a
proteção do solo (VRIELING et al., 2006; ZHANG et al., 2022). Nesse viés, Terassi et al. (2019)
afirmam que é importante avaliar as chuvas extremas diárias para planejar as atividades
agrícolas e refletir sobre práticas de manejo para reduzir a erosão. Sobretudo para a BHRSM,
que apresentou a conversão de formações naturais campestres para a cultura temporária de
soja, em muitas áreas (PETSCH et al., 2022c).

4.3 Frequências e tempo de retorno de eventos extremos por EM


Nas classes de ≥70 mm, ≥80 mm e ≥100 mm, a maior Fr ocorre na EM Ponte Toropi II,
enquanto na classe de ≥90 mm a EM Ponte Toropi II e a EM Fazenda Encerra apresentam o Fr
de 0,39 e a EM Três Vendas atinge o valor máximo de Fr de 0,40. A EM Dom Pedrito apresenta
o maior Fr na classe de ≥110 mm e a EM Três Vendas é a que possui o maior valor nas classes
de ≥120 mm e ≥130 mm. Quanto ao tempo de retorno, a EM Ponte Toropi II se destaca com
os menores valores, sendo de 0,27 anos, 0,40 anos, 0,69 anos e 0,90 anos para as classes de
≥70 mm, ≥80 mm, ≥90 mm e ≥100 mm, respectivamente, novamente com exceção da classe
de ≥90 mm, onde a EM Três Vendas apresenta RT de 0,68 anos. A EM Três Vendas é a que
possui menor RT nas classes de ≥120 mm e ≥130 mm, com 1,7 e 2,13 anos respectivamente
(Tabela 1). Os resultados de frequência relativa e de tempo de retorno mostram-se similares
aos resultados encontrados por Sanches et al. (2016) para a região de Alegrete, também no
sudoeste do Rio Grande do Sul, em um estudo de tendência ao longo do século XX.

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Tabela 1 - Frequência e tempo de retorno dos eventos extremos por EM
Ponte Toropi Dom Granja Fazenda São Carlos Três Vendas Paraíso
II Pedrito Umbu Encerra

Fr (%) TR Fr TR Fr TR Fr TR Fr TR Fr TR Fr TR
(%) (%) (%) (%) (%) (%)

≥70 mm 1,03 0,27 0,77 0,35 0,66 0,41 0,86 0,31 0,82 0,33 0,81 0,34 0,60 0,45

≥80 mm 0,68 0,40 0,47 0,58 0,40 0,68 0,57 0,48 0,51 0,53 0,58 0,47 0,40 0,68

≥90 mm 0,39 0,69 0,35 0,77 0,28 0,97 0,39 0,69 0,37 0,72 0,40 0,68 0,29 0,92

≥100 mm 0,30 0,90 0,28 0,94 0,16 1,70 0,26 1,03 0,16 1,62 0,27 1,00 0,23 1,17

≥110 mm 0,16 1,70 0,21 1,26 0,09 2,83 0,20 1,36 0,12 2,13 0,20 1,31 0,16 1,62

≥120 mm 0,14 1,89 0,14 1,89 0,06 4,25 0,13 2,00 0,08 3,09 0,16 1,70 0,08 3,09

≥130 mm 0,05 4,86 0,09 2,83 0,03 8,50 0,09 2,83 0,07 3,78 0,12 2,13 0,07 3,78

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

4.4 Distribuição dos EEP por EM


Para as classes de ≥70 mm e ≥80 mm, a EM Ponte Toropi II predomina, totalizando 128
e 85 EEP respectivamente. Na classe de ≥90 mm, a EM Três Vendas predomina com 50 EEP,
seguida pelas EM Ponte Toropi II e Fazenda Encerra, com 49 EEP cada uma. Na classe de ≥100
mm a EM Ponte Toropi II predomina novamente, com 38 EEP; em seguida as EM Dom Pedrito
e Três Vendas possuem, respectivamente, 36 e 34 EEP. Na classe de ≥110 mm a EM Dom
Pedrito predomina com 27 EEP, seguida pelas EM Três Vendas e Fazenda Encerra, com 26 e
25 EEP cada. Na classe de ≥120 mm, a EM Três Vendas predomina com 20 eventos, seguida
pela EM Ponte Toropi II e Dom Pedrito, com 18 EEP. Na classe de ≥130 mm, a EM Três Vendas
predomina com 16 EEP, seguida pelas EM Dom Pedrito e Fazenda Encerra, com 12 EEP (Figura
7).

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Figura 7 - EEP por classe e por EM

EVENTOS EXTREMOS NA SÉRIE HISTÓRICA POR EM


>=70mm >=80mm >=90mm >=100mm >=110mm >=120mm >=130mm

140
128

120

108

102

101
96

100
85

83

75
73
80

71

64
59

60
50

50

50
49

49

47
44
38

37
36

35

34
33
40

29
27

26
25

21

21
20

20

20
18

18

17

16

16
12

12

12
20

11

11
9

9
8
7

0
PTE TOROPI II DOM PEDRITO GRANJA UMBU FAZ. ENCERRA SÃO CARLOS TRÊS VENDAS PARAÍSO

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

4.5 Espacialização dos EEP na BHRSM e relação com as FEL

Espacialmente, observa-se a predominância de EEP de ≥70 mm e de ≥80 mm na porção


nordeste da BHRSM (Figura 8), referente a EM Ponte Toropi II. Tem-se a predominância da
classe de ≥90 mm nas porções norte, oeste e sul, enquanto a classe de ≥100 mm predomina
em nordeste e sul. Nas classes de ≥110 mm, ≥120 mm e ≥130 mm, têm-se a predominância
dos EEP na porção sul da BHRSM (Figura 8). Destaca-se que a BHRSM possui como declividade
predominante valores abaixo de 5%, com uma variação de altitude de aproximadamente 400
m, portanto, fatores fisiográficos não foram considerados como significativos na distribuição
dos eventos extremos na BHRSM.

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Figura 8 - Espacialização dos EEP por classe.

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

A espacialização das FEL da BHRSM demonstra que a concentração ocorre nas


proximidades da estação Ponte Toropi II (Figura 9), que também soma o maior número de EEP
no período de análise (345 eventos). As fotografias 8A e 8B ilustram feições erosivas do tipo
voçorocas, comuns na proximidade da EM Ponte Toropi II, que têm seu início em cabeceiras

Revista Brasileira de Climatologia, Dourados, MS, v. 33, Jul. / Dez. 2023, ISSN 2237-8642 19
de drenagem e se desenvolvem a partir da erosão remontante. As EM Três Vendas e Fazenda
Encerra apresentam 320 e 315 EEP, respectivamente, enquanto a EM Dom Pedrito concentra
292 EEP. Estas três EM localizadas na porção sudoeste da BHRSM também possuem relação
com a concentração de FEL.

Figura 9 - Espacialização do número total de EEP na BHRSM e concentração dos processos erosivos
lineares. O quadro em amarelo mostra a porção com maior concentração de FEL e EEP

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

Segundo alguns autores (NEARING et al., 1990; PIACENTINI et al., 2018), a intensidade
das chuvas é um dos principais fatores que desencadeiam a erosão do solo. Espacialmente,

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observa-se que ocorre a concentração de FEL justamente na porção nordeste, coincidindo
com a presença da EM Ponte Toropi II. Sendo assim, até o presente momento a erosão nessa
porção da BHRSM foi amplamente associada ao relevo, a rochas friáveis (RADEMANN et al.,
2018; PETSCH et al., 2022b; ROBAINA et al., 2022) e à erosividade (PETSCH et al., 2022a).
Contudo, nesta pesquisa infere-se que os EEP também podem estar atuando nesse processo
de desagregação e carreamento de sedimentos, formando sulcos, ravinas e voçorocas. Por
sua vez, a presença de feições erosivas dificulta o crescimento da vegetação devido à perda
de solo superficial e de matéria orgânica do solo (PHUONG et al., 2017). Dessa forma, essas
áreas degradadas estarão mais suscetíveis à erosão quando ocorrer o EEP.

Por conseguinte, é importante considerar todo o conjunto de fatores atuantes no


processo erosivo. Sendo assim, o fator antrópico também é um item fundamental a ser
avaliado. Por um lado, a área de estudo sofre com a degradação que ocorre em função do
excesso de carga animal, que é um fator de degradação para os campos sulinos (OVERBECK et
al., 2009); por outro lado, Petsch et al. (2022c) destacam que houve um aumento significativo
da inserção da cultura de soja na BHRSM e que há potencial de expansão para outras porções
dessa mesma área. Alinhando-se esse quadro a um cenário de recorrentes EEP nos 34 anos
avaliados, infere-se que a BHRSM estará sujeita a cenários de degradação do solo mais
intensos no futuro.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O método empregado de P99 permitiu identificar 695 EEP na BHRSM. O uso de análises
em diferentes escalas temporais possibilitou compreender o comportamento anual, sazonal
e mensal dos eventos. Assim sendo, os EEP mostraram-se recorrentes na área de estudo. Os
resultados sugerem que eles ocorrem a cada 3 meses aproximadamente, sendo que a cada 2
anos a BHRSM tem registro de um EEP de ≥130 mm.

Observou-se alguns padrões em função do ONI, sobretudo nas fases positivas (El Niño),
condicionando as formações de CCM no sudeste da América do Sul. Por conseguinte, os anos
com maior número de EEP, como 1997, 2002 e 2015 tiveram o registro positivo do ONI. A
primavera e o outono concentram os EEP da BHRSM, justamente no período de atuação dos
CCM. Evidentemente, destaca-se a necessidade de aprofundar o estudo no que diz respeito a

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padrões temporais, visando descobrir se alguns dos meses ou estações sazonais
demonstraram tendências de aumento ou redução de EEP.

A ocorrência sazonal e mensal dos EEP apontou para o fato de que eles podem
contribuir para a degradação dos solos, já que se concentram em períodos nos quais há o
plantio ou a colheita das culturas temporárias, quando o solo estará, portanto, com menor
cobertura vegetal ou exposto. Como resultado, a chuva pode causar a desagregação e
carreamento de material sedimentar em forma de erosão laminar e/ou linear. Outros estudos
indicam que as lavouras de soja são o tipo de uso do solo que mais se expandiu nas últimas
décadas na BHRSM, sendo importante, assim, estabelecer um monitoramento contínuo de
perda de solos e fomentar técnicas de plantio direto com a proteção do solo usando a palha
seca.

A EM Ponte Toropi II foi a que mais se destacou ao longo do estudo pelo alto número
de EEP. Essa EM concentra 50% dos EEP de toda a BHRSM. Além disso, foi a que apresentou
maior frequência relativa de EEP nas classes de ≥70 mm, ≥80 mm e ≥100 mm. Quanto ao
tempo de retorno, a cada 3 meses, em média, há EEP de ≥70 mm, a cada 5 meses um evento
de ≥80 mm e a cada 11 meses um EEP de ≥100 mm.

Espacialmente, observou-se que as FEL possuem uma relação com a EM Ponte Toropi
II. Assim, pode haver o desenvolvimento da erosão em função dos eventos extremos de
precipitação - além do contexto formado pelo substrato arenoso pouco consolidado, pela
atuação antrópica e relevo, que já configuram um cenário de fragilidade ambiental para a
BHRSM. Considerando os resultados obtidos, julga-se fundamental aprofundar a pesquisa
para a porção nordeste da BHRSM, buscando realizar monitoramentos regulares com a
instalação de estações meteorológicas e avaliação da erosão in loco.

AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul
(processo 19/2551-0001234-9). O terceiro autor agradece ao CNPq pela concessão da bolsa
de produtividade e pesquisa (Processo: 308228/2021-9).

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