Universidade de São Paulo: Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"
Universidade de São Paulo: Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"
Piracicaba
2020
1
Orientador:
Prof. Dr. FELIPE GUSTAVO PILAU
Piracicaba
2020
2
DEDICATÓRIA
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais, Cleber e Sonia, por todo o suporte e amor para que eu pudesse finalizar
mais uma etapa da minha vida.
À minha companheira Raissa Tandara, por aventurar-se ao meu lado por todos esses
anos, com carinho e amizade.
Ao meu orientador Prof. Dr. Felipe Gustavo Pilau, pelos ensinamentos, oportunidades
e orientação durante essa etapa.
Aos integrantes do Grupo GEPEMA-AGRIMET, por todo o apredizado e pela amizade,
em especial a Brena, amiga de viagens marcantes, pelo companherismo e por todas as risadas.
Ao Departamento de Biossistemas e ao Programa de Pós Graduação em Engenharia de
Sistemas Agrícolas, por permitir me desenvolver como pesquisador e possibilitar tanto
crescimento como pessoa e como profissional.
À SMARTAGRI e seus funcionários, em especial ao Fernando e ao Mateus, pelo
apredizado e parceria durante a realização desse projeto.
SUMÁRIO
RESUMO ................................................................................................................................... 7
ABSTRACT ............................................................................................................................... 8
1. INTRODUÇÃO GERAL ....................................................................................................... 9
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 10
2. ESTIMATIVA DA PRECIPITAÇÃO POR SATÉLITES PARA REGIÕES
PLUVIOMÉTRICAS HOMOGÊNEAS NO ESTADO DO MATO GROSSO ...................... 15
RESUMO ................................................................................................................................. 15
ABSTRACT ............................................................................................................................. 15
2.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 16
2.2. MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................................... 18
2.2.1. Área de estudo ......................................................................................................... 18
2.2.2. Dados de precipitação medidos e estimados para o Mato Grosso ........................... 18
2.2.3. Regiões pluviométricas homogêneas do Mato Grosso ............................................ 21
2.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................... 22
2.3.1. Análise dos dados de precipitação estimados pelo CHIRPS ................................... 22
2.3.2. Regiões pluviométricas homogênas no estado do Mato Grosso .............................. 25
2.4. CONCLUSÃO ............................................................................................................... 30
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 31
3. ANÁLISES TEMPORAIS DOS DADOS DE PRECIPITAÇÃO ESTIMADOS POR
SATÉLITES PARA O ESTADO DO MATO GROSSO......................................................... 41
RESUMO ................................................................................................................................. 41
ABSTRACT ............................................................................................................................. 41
3.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 42
3.2. MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................................... 43
3.2.1. Área de estudo ......................................................................................................... 43
3.2.2. Aquisição dos dados meteorológicos ....................................................................... 44
3.2.3. Produto GPM ........................................................................................................... 45
3.2.4. Produto GSMaP ....................................................................................................... 45
3.2.5. Produto PERSIANN ................................................................................................ 46
3.2.6. Produto CHIRPS ...................................................................................................... 46
3.2.7. Informações dos bancos de dados e das escalas temporais ..................................... 47
3.2.8. Análise estatística dos dados.................................................................................... 47
6
RESUMO
ABSTRACT
Studies of the use of satellite products for the execution of planning and monitoring
related to rainfall estimates have increased in recent years, seeking to assess the differences in
local rainfall dynamics. However, depending on the existence of a low number of rainfall
stations in some regions of Brazil, advancing these analyses may provide improvements in the
spatialized seasonal understanding of rainfall as an agricultural management tool. The objective
of this work was to analyze a long series of remote sensing rainfall estimation data in order to
identify homogeneous rainfall regions in the state of Mato Grosso. Estimated monthly rainfall
data from the CHIRPS satellite were used for 170 locations that have automatic and
pluviometric stations distributed in the territory of the state. Subsequently, these regions were
defined, using different rainfall estimation products, and their different performances were
evaluated at different time scales. In the first stage, data was obtained on a daily scale by the
National Institute of Meteorology and the National Water Agency, corresponding to the time
series from April 2014 to May 2018. After identifying the performance of the satellites in
relation to the stations, a second stage was performed, using the same locations, but dividing
the stations into four homogeneous rain regions. The results are presented as rainfall variations
of the established regions on a daily, monthly and annual basis and by alternating dry and wet
stations. It is concluded that, for the state of Mato Grosso, the use of CHIRPS and GPM
products provide different proposals for use, and can be used in both climatological and regional
monitoring.
1 INTRODUÇÃO GERAL
Devido à grande extensão territorial do Brasil, com suas divergentes regiões, biomas e
relevos, analisar as condições atmosféricas, principalmente o ciclo hídrico, não é uma tarefa
simples. Um número reduzido de estações meteorológicas, situação observada em diversas
regiões do país, aumenta ainda mais essa dificuldade (KUCERA et al., 2013).
A análise de dados coletados por estações distantes entre si pode não retratar a plena
condição meteorológica e climática de uma região. Por isso, quanto maior o número de estações
operantes em um espaço, melhor será o retrato das mudanças e das condições meteorológicas
atuais da região, principalmente com relação às variáveis ambientais que normalmente
apresentam maior variação no espaço e no tempo, como a precipitação pluvial, com grande
dinâmica, sobretudo, na escala diária (SALIO et al., 2015).
No Brasil, a distribuição espacial desses pontos de medição é desuniforme, e o número
ou densidade de estações por unidade da federação é heterogêneo (ADAMI et al., 2006;
INMET, 2020). Nem todos os munícipios possuem registros locais e, muitas vezes, faz-se
necessário o uso dos dados de uma estação próxima para qualquer análise agrometeorológica.
Essa é a característica dos estados da região Centro-Oeste do Brasil (SABINO, 2018;
SIQUEIRA et al., 2012).
Mesmo que haja estações meteorológicas em uma região, quando o objetivo é avaliar
ou utilizar dados de precipitação, pode-se recorrer às alternativas remotas, radares e satélites
meteorológicos, capazes de fornecer informação em maior resolução espacial. No Brasil, onde
a distribuição e organização de dados de radares meteorológicos ainda são deficitárias, o uso
de imagem de satélites é a melhor alternativa (COSTA et al., 2019)
A utilização do sensoriamento remoto permite observar mudanças espaciais e temporais
em nível de paisagem e seus efeitos decorrentes à atmosfera, resultando em um crescente
número de estudos, a partir da diversidade de produtos provenientes do sensoriamento remoto
orbital para o monitoramento e planejamento dos recursos hídricos em bacias hidrográficas
(SATGÉ et al., 2020; SILVA et al., 2018), previsões climáticas (SHARIFI et al., 2016;
SPRACKLEN et al., 2012), planejamento agrícola e florestal (SILVA-FUZZO et al., 2015),
além de dar suporte a estudos climatológicos e meteorológicos (FEITOSA, 2016; GUARIENTI,
2018).
As estimativas de precipitação pluvial por satélite foram e prosseguem sendo
desenvolvidas e validadas para as diferentes regiões e condições do globo terrestre. As
informações são fontes auxiliares de dados de precipitação (SENAY et al., 2016), aplicadas em
10
REFERÊNCIAS
ADAMI, M.; GIAROLLA, A.; MOREIRA, M.A.; DEPPE, F. Avaliação de diferentes escalas
temporais de chuva obtidas por modelos matemáticos e por sensoriamento remoto
11
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2019.
14
15
RESUMO
ABSTRACT
With the development of numerous satellite products, with both spatial and temporal
resolutions of rainfall estimates with greater accuracy, more studies should be conducted to
analyze their performance in regions of great economic interest, which can support both
climatological and meteorological monitoring. The objective of this work was to analyze a long
series of remotely sensed rainfall estimation data in order to identify homogeneous rainfall
regions in the state of Mato Grosso. We used estimated monthly rainfall data from the CHIRPS
satellite for 170 locations that have automatic and pluviometric stations distributed in the
territory of the state. In the first stage, data were obtained on a daily scale by the National
Institute of Meteorology and the National Water Agency, corresponding to the time series from
2014 to 2018. After identifying the satellite's performance in relation to the stations, a second
stage was carried out, using the same locations, and estimating the monthly rainfall for the years
from 1981 to 2019. Hierarchical grouping analysis was used to define the optimal number of
homogeneous regions that would fit the spatialized rainfall data set. As results, the climatic
discrepancies of the regions established on a monthly and annual basis are presented. It is
concluded that, for the state of Mato Grosso, the use of the product CHIRPS can help in the
climatological monitoring of regions with lagged distribution of observation points of the
atmosphere.
16
2.1. INTRODUÇÃO
sensoriamento remoto (ALEXANDER et al., 2006; KUNKEL et al., 2015; RAJAH et al., 2014;
SUN et al., 2014).
Uma série de estudos comparando conjuntos de dados climáticos apareceu nos últimos
anos (DERIN e YILMAZ, 2014; DONAT et al., 2014; GEHNE et al., 2016; JIANG et al., 2012;
KIDD et al., 2012; MIAO et al., 2015; SUN et al., 2014; WANG e ZENG, 2015). Por conta do
seu longo período de informações disponível, estudos demonstram a eficiência do produto
CHIRPS para análises climáticas (CAVALCANTE et al., 2020; CÉRON et al., 2020; RIVERA
et al., 2018).
Dentre inúmeras pesquisas que abordam a variabilidade climática, destaca-se a
identificação de regiões hidrologicamente homogêneas por intermédio da análise de
agrupamentos, do inglês cluster analysis (CA) (SHIRIN e THOMAS, 2016; GONÇALVES et
al., 2016; FARSADNIA et.al., 2013; HASSAN e PING, 2012; SANTOS et al., 2015) que,
quando realizada de forma integrada a dados de sensoriamento remoto, pode suprir a ausência
de informações de um determinado local. Dentre as diversas metodologias disponíveis, o
algoritmo proposto por Ward (WARD, 1963) tem sido amplamente utilizado em estudos
climatológicos no país, definindo as áreas homogêneas (MACEDO et al. 2010; OLIVEIRA et
al. 2010).
Em particular, a análise de agrupamentos é uma técnica capaz de transformar séries
históricas de dados pluviais em zonas pluviométricas homogêneas. Cada posto meteorológico
corresponde a uma série temporal de dados de um local, enquanto uma região homogênea é
formada pelo agrupamento das séries temporais mais similares (COMUNELLO et al., 2013;
CORREA et al, 2014; SEIDEL et al., 2008; LYRA et al., 2014; OLIVEIRA-JÚNIOR et al.,
2017). Muitos trabalhos nas áreas de agrometeorologia e climatologia enfatizam a aplicação de
técnicas de agrupamentos para a definição de regiões climáticas homogêneas para diversos
estados do Brasil, como Rio de Janeiro (ANDRÉ et al., 2008), Pernambuco (FECHINE E
GALVINCIO, 2008) e Rio Grande do Sul (BOSCHI et al., 2011).
Integrar medições de precipitação via satélite com observações terrestres pode colaborar
no monitoramento hidrológico em áreas de produção agrícola que possuam características
similares (SILVA et al., 2018). A partir de tais características, o objetivo deste trabalho foi o de
identificar regiões homogêneas de precipitação pluvial no estado do Mato Grosso, utilizando
produtos de estimativas provenientes de satélites meteorológicos.
18
Os dados de precipitação estimados por satélite para o Estado do Mato Grosso foram
obtidos a partir de coleções de cenas do satélite Climate Hazards Group Infra-Red Precipitation
with Station (CHIRPS), desenvolvido pela agência United States Geological Survey (USGS)
(FUNK et al., 2015). Esta base de dados tem uma cobertura espacial que se estende entre 50S
a 50N, incluindo todas as longitudes. O CHIRPS incorpora imagens de satélite com resolução
de 0,05° com dados de estações no local para criar séries temporais (FUNK et al., 2015). Os
dados geoespaciais foram obtidos pela plataforma do Google Earth Engine (GEE)
(GORELICK et al., 2017). Esse produto foi utilizado devido ao seu longo tempo de
informações (desde do ano 1981 ao presente) e por ter a maior resolução espacial entre os
produtos que serão testados no Capítulo 2.
Na interface do GEE, o processo de extração das informações de uma série temporal de
imagens pode ser representada por uma ImageCollection, uma coleção de cenas de cada produto
(GORELICK et al., 2017), necessitando-se criar uma função que tenha propriedades espaciais
e temporais para cada produto para, posteriormente, realizar a extração pixel a pixel de uma ou
múltiplas bandas do produto geoespacial em conjunto de cenas. Esse processo foi efetuado para
todos os produtos utilizados nessa pesquisa.
Para a primeira análise da precipitação pluvial do estado do Mato Grosso foram usados
dados de precipitação pluvial, medidos em 30 estações meteorológicas automáticas
pertencentes ao Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), e 140 postos pluviométricos
pertencentes a Agência Nacional das Águas (ANA), denominando-se esse conjunto de ESM
(Figura 1). Para a análise do conjunto de dados de precipitação estimados pelo produto do
satélite CHIRPS, em relação aos observados (ESM), foi utilizada a série de dados diários
19
coletados entre 1º de abril de 2014 e 31 de maio de 2018. O período foi definido com base na
disponibilidade máxima de dados mensurados em superfície pelas ESM.
As informações provenientes do sensoriamento remoto foram comparadas
pontualmente com as localizações das ESM, com a intenção de identificar o desempenho das
estimativas de precipitação pluvial do produto CHIRPS para o estado do Mato Grosso, por meio
da correlação dos dados geoespaciais às ESM. Em função das falhas do banco de ESM, buscou-
se o intervalo de tempo com menor quantidade de dados faltantes, delimitando-se por utilizar
todas as estações e pluviômetros com integridade dos seus dados diários, em um ano, acima de
80%. Por isso, o conjunto de dados utilizados abrange o período de abril de 2014 a maio de
2018, totalizando 50 meses de informações.
Para uma segunda análise dos dados geoespaciais do produto CHIRPS, foi extraído nas
mesmas localizações das ESM, informações das estimativas de precipitação histórica do satélite
para o período de 1º de janeiro de 1981 a 31 de dezembro de 2019, formando-se 6.290 séries
temporais (37 anos x 170 ESM), sendo essas informações usadas na análise de agrupamentos
20
com a intenção de obter regiões pluviométricas homogêneas para o estado do Mato Grosso.
No processamento dos dados, foram eliminados dados “outlier” ou seja, observações que
desviaram significativamente do restante da amostra, para melhor assertividade e padronização
de escala dos dados (FÁVERO et al., 2009; HAIR et al., 2009).
A avaliação da assertividade dos dados geoespaciais foi realizada a partir do coeficiente
de determinação (R²) (Equação 1), pela raiz do erro quadrático médio (RMSE, do inglês root
mean square error) (Equação 2), erro médio ou viés aditivo (BIAS, do inglês additive bias)
(Equação 3) e probabilidade de BIAS (PBIAS) (Equação 4). O R² foi usado para determinar o
ajuste entre os dados de precipitação das RMSE e dos dados estimados pelos satélites (EST). O
Bias, por outro lado, é uma medida de como um valor estimado se desvia do valor observado
(referência) e indica se há sub ou superestimação, enquanto o PBIAS é uma porcentagem do
Bias relativo à média observada.
2
∑𝑛
𝑖=1(𝐸𝑆𝑇−𝐸𝑆𝑇𝑚)(𝐸𝑆𝑀−𝐸𝑆𝑀𝑚)
𝑅2 = [ ] (1)
√∑𝑛
𝑖=1(𝐸𝑆𝑇−𝐸𝑆𝑇𝑚)(𝐸𝑆𝑀−𝐸𝑆𝑀𝑚)
2
∑n
i=1(ESM – EST)
2
RMSE = √ (2)
N
∑𝑛
𝑖=1(𝐸𝑆𝑇−𝐸𝑆𝑀)
𝐵𝑖𝑎𝑠 = (3)
𝑁
𝐵𝑖𝑎𝑠
𝑃𝐵𝐼𝐴𝑆 = 1 𝑥 100 (4)
( ) ∑𝑛
𝑖=1 𝐸𝑆𝑀
𝑁
Em que ESM são os dados observados pelas estações meteorológicas automáticas pertencentes
ao INMET e dos postos pluviométricos da ANA, ESMm é a média dos valores observados,
EST são os dados das estimativas por satélite (CHI), ESTm é a média dos valores estimados e
N número de medições. Utilizou-se o programa estatístico R versão 3.6.1 (R CORE TEAM,
2019) para manipulação do banco de dados e de programas de sistema de informação geográfica
(GIS - Geographic Information System, na sigla em inglês) para elaboração dos mapas dessa
dissertação.
21
(5)
O método WRD, o qual obteve o maior CCC, foi utilizado nas análises, sendo
descartado os outros métodos. Para validar o número de agrupamentos, empregou-se o índice
de Silhouette, desenvolvido por Rousseeuw (1987). No método, a largura da silhueta avalia se
a qualidade de uma solução do agrupamento, podendo ser considerado, tanto a compacidade
(distância entre os pontos de dados dentro do mesmo grupo) quanto a separação (distância entre
os pontos de dados em dois grupos vizinhos). Esse método possibilita determinar o número
ideal de grupos, tal que o valor de k é escolhido de maneira que forneça o melhor valor médio
do Silhouette (GIL et al., 2015; SANTOS et al., 2015; SILVA et al., 2018). O índice sinaliza a
boa qualidade na formação dos grupos quando o seu valor for mais próximo de 1, sendo esse o
seu valor máximo.
Ao final, foi gerado um dendrograma a partir da combinação das ESM e do método mais
representativo aos dados geoespaciais. Os procedimentos estatísticos executados neste trabalho
foram realizados no programa R versão 3.6.1 (R CORE TEAM, 2019), assim como as funções
utilizadas foram scale, dist e hclust, e os pacotes factoextra (KASSAMBARA e MUNDT,
2019), ggplot2 (WICKHAM, 2016) e vegan (OKSANEN et al., 2019), do mesmo programa,
para realizar os agrupamentos hierárquicos, dendrograma e gráficos. Para a manipulação do
banco de dados geoespaciais, foi utilizada a própria plataforma do GEE e de programas de
22
Produtos que estimam a precipitação por satélite, em regiões tropicais, podem ter
resultados diferentes ao longo de um ano, devido as variações sazonais dos volumes de chuva,
a exemplo da climatologia do estado do Mato Grosso, interferindo e intensificando tais
diferenças nos meses úmidos e secos (Figura 3). Conforme resultados de Fetter et al. (2018), o
Mato Grosso apresenta alta variabilidade espaço-temporal da chuva ao longo do ano. Destacam-
se os meses de setembro e outubro, que marcam o início da estação chuvosa no estado, com
volumes acumulados mensais elevados, e os meses de abril, maio e junho, na estação seca, com
pouca chuva acumulada. Todos esses períodos apresentaram o Índice de Proporção de Escalas
(IPE) mais próximos a zero, indicando que a variação na quantidade de chuva deve-se em maior
parte à heterogeneidade espacial. Para os demais meses do ano, apesar dos maiores valores de
IPE, caracterizam algumas das áreas com maior variabilidade espaço-temporal.
24
Figura 3. Gráfico de box-plot da precipitação mensal média das estações de superfície (ESM)
e do produto CHIRPS (CHI) no estado do Mato Grosso.
subestimar os dados nas estações mais úmidas do ano, principalmente de setembro a março,
onde a ocorrência de chuvas convectivas é acentuada. A mesma conclusão foi apresentada por
Cavalcante et al. (2020) que analisaram o mesmo produto na região Norte do Brasil.
A partir dos dados de precipitação média mensal (CHI) da série de anos de 1981 a 2019,
considerando-se o bom ajuste obtido para entre dados estimados e medidos em escala mensal
(Figura 3) para um período parcial, 2014 a 2018, foram realizadas as análises para a formação
dos agrupamentos hierárquicos das regiões pluviométricas homogêneas no estado do Mato
Grosso.
A análise dos resultados dos quatro métodos de agrupamentos usados indicaram valores
de CCC de 0,495, 0,713, 0,612 e 0,792, respectivamente, para os métodos SPS, MED, CPT e
WARD. Dessa forma, o melhor resultado obtido foi a partir do método de Ward. Com a escolha
do método de Ward, foi aplicado o índice Silhouette para validar os agrupamentos formados.
Os grupos formados de acordo com os valores do índice de Silhoeutte, s(i), foram
definidos por 4 regiões pluviométricas homogêneas de precipitação do estado do Mato Grosso
(Figura 4). Nele, cada grupo pode ser identificado pela quantidade de elementos incluídos em
seu respectivo agrupamento (n), o valor da largura média da silhueta, 𝑠̅(k), tanto por grupo
26
quanto médio aos 4 grupos formados, demostrando valor médio de 0,59. Em estudo realizado
por Santos et al. (2015), foram encontrados valores menores do que 0,5 para o índice, o que
pode ser provocado pelas grandes diferenças entre os regimes de chuvas para todo o estado do
Mato Grosso e pela dificuldade de agregação dos grupos conforme os dados analisados.
Figura 4. Valores do índice de Silhouette para cada um dos 4 agrupamentos (grupos) formados
para o estado do Mato Grosso.
Figura 6. Localização dos grupos pluviométricos homogêneos no estado do Mato Grosso, com
base na média distância euclidiana e no método de agrupamento de Ward.
a extremidade sul (divisa com a Bolívia e estados de Goiás e Mato Grosso do Sul) e a porção
norte do estado (Região Amazônica) (Figura 7).
Os totais acumulados médios de chuva variaram entre 900 e 1500 mm para o Grupo 1
(região sul do estado), entre 950 e 1750 mm para o Grupo 2 (região médio-sul), entre 950 e
1880 mm para o Grupo 3 (região centro-norte) e entre 1000 e 2000 para o Grupo 4 (região
norte).
Situado no subtrópico, o estado do Mato Grosso sofre influências dos sistemas
atmosféricos de origem tropical e extratropical, ocasionando diferenças nas características
climáticas ao estado, principalmente, nas variações regionais e temporais de grande escala do
clima, devido a intensa circulação da atmosfera sobre a região (ALVES, 2009; DINIZ et al.,
2018). A seção norte recebe influências dos sistemas que atuam na região amazônica e a seção
sul sofre a ação dos sistemas extratropicais, tais como os sistemas frontais (ALVES, 2009).
O norte do estado insere-se no bioma Amazônia, cujas florestas apresentam elevada taxa
de retorno de água a atmosfera pelo processo de evapotranspiração (SALATI e VOSE, 1984;
SPRACKLEN et al., 2012; NOBRE, 2014); logo, nessa região, haverá uma maior devolução
por parte da evapotranspiração como precipitação pluvial. Quando se avança ao sul, tem-se um
arco transicional para o bioma Cerrado. A partir dessa região há uma mudança da vegetação,
onde a densidade florestal é menor e aumentam-se os campos de cultivo agrícolas. Nesse
sentido, altera-se o clima em função dos mecanismos água/energia, acarretando a diminuição
dos volumes acumulados de chuva (BONAN, 2008; BRÜMMER et al., 2012).
As diferenças de precipitação anual média entre agrupamentos (G1, G2, G3 e G4) e suas
distribuições (Figura 7) evidenciam que o G1 apresenta a menor variabilidade de precipitação
pluvial anual histórica, quando comparado aos outros grupo. Já o G3 foi caracterizado de forma
contrária, com maior variabilidade, diferenciando-se em relação aos outros agrupamentos.
Valores extremos (mínimo e máximo) seguem um padrão de acréscimo com redução da latitude
local.
29
Figura 7. Box-Plot dos dados de precipitação pluvial média anual dos agrupamentos do estado
do Mato Grosso (1981-2019).
2.4. CONCLUSÃO
O estudo demonstrou que, para locais como o Mato Grosso, onde o número de estações
meteorológicas de superfície é pequeno, e as séries de dados ainda recentes, o uso de dados
estimados de forma remota, isolados ou associados a dados das estações meteorológicas,
possibilita encontrar uma estratificação adequada da distribuição da precipitação no estado.
31
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40
41
RESUMO
A utilização de técnicas computacionais mais refinadas e de tecnologias embarcadas em
satélites com múltiplos sensores, permeou a aceleração da criação de produtos de satélite que
que atuem com performances variadas em diferentes regiões geográficas com condições
climáticas e físicas diversas. O objetivo deste trabalho foi analisar diferentes produtos de
estimativa de precipitação pluvial por sensoriamento remoto no estado do Mato Grosso. Foram
utilizados dados estimados de precipitação pluvial diária média dos satélites CHIRPS, GPM,
GSMaP e PERSIANN para 170 localidades que possuem estações automáticas e pluviométricas
distribuídas no território do estado. Na primeira etapa obteve-se os dados na escala diária pelo
Instituto Nacional de Meteorologia e pela Agência Nacional de Águas, correspondendo à série
temporal de abril de 2014 a maio de 2018. Depois de identificada a performance dos satélites
em relação as estações, executou-se uma segunda etapa, usando as mesmas localidades, só que
dividindo-se as estações em quatro regiões pluviométricas homogêneas conforme estipuladas
no Capítulo 1. Como resultados são apresentadas as variações da precipitação pluvial das
regiões estabelecidas de forma diária, mensal, anual e pela alternância entre estações secas
e úmidas. Conclui-se que, para o estado do Mato Grosso, a utilização dos produtos CHIRPS e
GPM providenciam diferentes propostas de utilização, podendo ser usados tanto no
monitoramento climatológico como no meteorológico local.
ABSTRACT
The use of more refined computing techniques and technologies embedded in satellites
with multiple sensors, permeated the acceleration of the creation of satellite products that act
with varied performances in different geographic regions with diverse climatic and physical
conditions. The objective of this work was to analyze different products for rainfall estimation
by remote sensing in the state of Mato Grosso. We used estimated daily average rainfall data
from CHIRPS, GPM, GSMaP and PERSIANN satellites for 170 locations that have automatic
and pluviometric stations distributed throughout the state. In the first stage, the data were
obtained on a daily scale by the National Institute of Meteorology and the National Water
Agency, corresponding to the time series from April 2014 to May 2018. After identifying the
performance of the satellites in relation to the stations, a second stage was performed, using the
same locations, only dividing the stations into four homogeneous rainfall regions as stipulated
in Chapter 1. As results are presented the rainfall variations of the established regions on a daily,
monthly, annual basis and by alternating between dry and wet stations. It is concluded that for
the state of Mato Grosso, the use of CHIRPS and GPM products provide different proposals for
use, and can be used both in local climate and in meteorological monitoring.
3.1. INTRODUÇÃO
Conhecer o regime pluviométrico de uma região é necessário, devido as consequências
que períodos de excassez ou excesso podem ter sobre as atividades humanas, como agricultura,
abastecimento hídrico, geração de energia elétrica e serviços urbanos diversos (COURAULT
et al., 2016; DAHRIA et al., 2016; PEREIRA et al., 2002).
A mensuração da precipitação é comumente feita em estações meteorológicas de
superfície, as quais não estão regularmente distribuídas nos estados brasileiros, havendo assim
lacunas de informação meteorológica para diversas localidades. Tal condição, associada às
recorrentes falhas de registros representam uma situação problemática quanto ao conhecimento
das ocorrências e variabilidades espaciais da precipitação (TSUKAHARA et al., 2010;
VENTURA, 2012).
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), especificamente trantando-se
da variável precipitação pluvial, a recomendação quanto a disposição de estações
meteorológicas está atrelada a diversas características devido a variação da distribuição espacial
e temporal desse elemento (WMO, 1982; WMO, 2018). Porém, o recomendado é que uma rede
pluviométrica possua uma distância entre os postos, em média, de 25 a 30 km em terreno plano,
e aproximamente a metade dessa distância em áreas montanhosas (WMO, 1970). Por conta
disso uma maior quantidade de pontos de observação seria necessária, o que normalmente
esbarra em custo de instalação e manutenção. Desse modo, uma alternativa para a obtenção
dessas informações tanto meteorológicas como climatológicas, é o uso de produtos de satélites.
Certos algoritmos desenvoldidos por sensoriamento remoto têm sido utilizados para
observar a variabilidade da precipitação de forma temporal e espacial em diversos lugares do
mundo. Também vem sendo desenvolvidos para estudos relacionados à agricultura,
meteorologia e climatologia, utilizando modelos estatísticos e computacionais para apurar
previsões meteorológicas das estruturas hidrológicas em uma localidade (LI et al., 2013;
WANG et al., 2017; XUE et al., 2013).
Contudo, as fontes de erro associadas a esses produtos ainda não foram bem
compreendidas. Como resultado, esses erros devem ser caracterizados pela utilidade da sua
aplicação (VARIKODEN et al., 2010; XUE et al., 2013). Dessa forma, quantificar as incertezas
e erros inerentes aos dados de precipitação dos satélites continua sendo um desafio
(AGHAKOUCHAKet al., 2012; MEHRAN e AGHAKOUCHAK, 2014)
A natureza dos erros pode mudar com a atualização dos algoritmos ou mudança das
fontes de dados (HIRPA et al., 2010; JIANG et al., 2012). Para um mesmo produto, o
43
desempenho pode variar significativamente entre diferentes estações do ano, regiões e tipos de
precipitação (EBERT et al., 2007; GEBREGIORGIS e HOSSAIN, 2011).
Portanto, muitos produtos que estimam a precipitação têm sido avaliados para obter
medições confiáveis e que capturem as variações espaço-temporais desse elemento (BECK et
al., 2019; DULIÈRE et al., 2011; TRENBERTH, 2011). Além disso, há também diferença entre
a qualidade e a resolução espaço-temporal dos produtos (SOROOSHIAN et al., 2011). Portanto,
a quantificação dos erros é necessária para a assimilação dos dados, atualização do algoritmo e
uso adequado em diversas aplicações.
Por conta do exposto, inúmeros trabalhos buscam intercomparar produtos de
precipitação baseados em satélites em relação a observações pluviométricas pontuais ou
produtos de pluviometria pós-investigação em escala global ou regional (HABIB et al., 2012;
TANIGUCHI et al., 2013; VEERAKACHEN et al., 2014). Essas informações podem ser úteis,
também, para o zoneamento agroclimático de uma região e definição do planejamento, tanto
hídrico quanto agrícola, podendo caracterizar períodos de seca e seus efeitos na agricultura
(AGUILAR et al., 1986).
Poucos esforços, porém, têm sido executados na avaliação e quantificação da
confiabilidade e precisão desses produtos de precipitação por satélite para o Centro-Oeste
brasileiro. Portanto, o objetivo dessa pesquisa foi analisar quatro produtos de sensoriamento
remoto com diferentes características espaço-temporais vinculados às estimativas de
precipitação pluvial, efetuando esse estudo em diferentes escalas de tempo para o estado do
Mato Grosso.
A partir das imagens dos satélites GPM, GSMaP, CHIRPS e PERSIANN (Tabela 1)
foram obtidos os produtos estimados de precipitação na escala diária. Para o processamento das
imagens foi usada a plataforma Google Earth Engine (GEE), na qual ocorreu toda a obtenção
dos dados geoespaciais (GORELICK et al., 2017). Na interface do GEE, o processo de extração
das informações de uma série temporal de imagens pode ser representada por uma
ImageCollection, uma coleção de cenas de cada produto (GORELICK et al., 2017),
necessitando criar uma função que tenha propriedades tanto espaciais quanto temporais para
cada produto. Para a execução da metodologia, extrairam-se os valores pixel a pixel de uma ou
45
com resolução temporal horária e espacial de 0,10º x 0,10º. O algoritmo combina observações
de micro-ondas passivas (TRMM TMI, Aqua AMSR-E, DMSP SSM/I e SSMIS, NOAA-19
AMSU-B e MetOp-A MHS), micro-ondas ativas (TRMM PR) e infravermelho (GEO IR),
sendo o infravermelho utilizado para propagar no tempo e no espaço as estimativas dos sensores
de micro-ondas. O algoritmo GSMAP utiliza tabelas de correspondência (LUTs, do inglês look-
up-tables), para estabelecer uma relação entre as taxas de chuva e o vetor de temperatura de
brilho (Tbs) calculado a partir de um modelo de transferência radiativa (RTM, do inglês
radiative transfer model). A recuperação das taxas de precipitação é realizada a partir das Tbs
observadas utilizando as LUTs mencionadas anteriormente (OKAMOTO et al., 2015). Estudos
abordam a sua utilização vinculada a modelos integrados de sensoriamento remoto para
monitoramentos de bacias hidrográficas e estimativas de evapotranspiração, tanto no Brasil
quanto no mundo (SATGÉ et al., 2020; FALCK, 2015)
Devido ao banco de dados de ESM possuir falhas, buscou-se o intervalo de tempo com
menor quantidade de dados faltantes, delimitando-se por utilizar todas as estações e
pluviômetros com integridade dos seus dados diários, em um ano, acima de 80%. Dessa forma,
selecionaram-se 170 ESM (Figura 1). Por essa razão, nas duas análises realizadas nesse
capítulo, o mesmo conjunto de dados utilizado abrange o período de abril de 2014 a maio de
2018, totalizando 50 meses de informações.
Para avaliar o desempenho de diferentes produtos geoespaciais, selecionaram-se quatro
algoritmos de estimativa de precipitação por satélite (EST) (Tabela 1). As informações foram
extraídas de suas cenas utilizando o mesmo período de dados das ESM, pelas suas coordenadas
geográficas.
Com o propósito de comparar os produtos geoespaciais e as ESM, primeiramente
efetuaram-se comparações entre as ESM e as EST nas escalas temporais diária, mensal, anual,
escala estacional (sendo estabelecido, verão, entre 20 de dezembro até 20 de março, outono, de
21 de março até 21 de junho, inverno, de 22 de junho até 22 de setembro e primavera, entre 23
de setembro até 19 de dezembro) e pelas estações secas e úmidas (respectivamente, 01 de maio
a 30 de setembro e 01 de outubro a 30 de abril entre os anos analisados).
Posteriormente, optou-se por utilizar a divisão formulada no Capítulo 2, a partir da
aglomeração hierárquica das ESM selecionadas no estado do Mato Grosso, realizando-se as
análises diárias, mensais e por estações secas e úmidas. O intuito de repetir as análises dos
produtos geoespaciais em grupos foi identificar se, devido as suas diferentes resoluções
espaciais, esses apresentam diferenças entre si e entre as ESM, mesmo em regiões
pluviométricas homogêneas.
2
∑𝑛
𝑖=1(𝐸𝑆𝑀−𝐸𝑆𝑀𝑚)(𝐸𝑆𝑇−𝐸𝑆𝑇𝑚)
𝑅2 = [ ] (1)
√∑𝑛
𝑖=1(𝐸𝑆𝑀−𝐸𝑆𝑀𝑚)²(𝐸𝑆𝑇−𝐸𝑆𝑇𝑚)
2
48
∑n
i=1(EST – ESM)
2
RMSE = √ (2)
N
∑𝑛
𝑖=1(𝐸𝑆𝑇−𝐸𝑆𝑀)
𝐵𝑖𝑎𝑠 = (3)
𝑁
𝐵𝑖𝑎𝑠
𝑃𝐵𝐼𝐴𝑆 = 1 𝑥 100 (4)
( ) ∑𝑛
𝑖=1 𝐸𝑆𝑀
𝑁
O que pode ser indicado nessa análise é que a resolução espacial, sendo ela maior, como
ao produto CHI, nessas localidades estudadas, não mostrou melhorias em seu desempenho
quando comparado aos outros produtos que possuem resoluções espaciais menores. Uma das
causas pode ser a diferença de captura das informações que os algoritmos dos produtos
possuem, porém esse aspecto não será abordado nessa pesquisa.
Figura 2.Correlações entre dados diários de precipitação medidos nas estações de superfície
(ESM) e estimados pelos produtos de satélite (CHI, GPM, GSM e PER) para o estado do Mato
Grosso.
Camparotto et al. (2013) avaliaram dados obtidos via satélites TRMM e MODIS para o
estado de São Paulo, validando as estimativas com dados observados de 30 estações
meteorológicas, coletados entre os anos de 2003 a 2010. Os resultados encontrados estão
próximos às estimativas obtidas na escala diária nesse trabalho pelo produto CHIRPS.
Diferenças em capacidade preditiva dos produtos de satélites para diferentes regiões devem-se,
sobretudo, à topografia, às variações regionais de formação de nuvens e, especialmente, à forma
como o satélite responde a essas estruturas e à resolução espacial do produto utilizado
(CASTELHANO et al.,2017; MA et al., 2016; NOGUEIRA et al., 2018; XU et al., 2017).
Quando analisados os produtos na escala mensal (Figura 3), identifica-se a manutenção
dos padrões dos produtos de satélite. Com melhor ajuste aos dados de precipitação, o produto
GPM obteve coeficiente de determinação de 0,98 e RMSE com valor de 17,67 mm mês-1, sendo
considerado adequado para análises regionais de precipitação, mesmo apresentando maiores
50
valores de erro do que foi exposto na escala diária (RMSE de 2,95 mm dia-1). Fazendo a mesma
comparação, diferente do GPM, quando analisamos as performances dos outros produtos,
maiores diferenças entre os valores de RMSE e PBIAS são encontradas.
O produto PER, apresentou alguns valores extremos em suas estimativas, e por isso
obteve o maior RMSE dos produtos, com valor de 59,63 mm mês-1, sendo um erro muito alto,
principalmente se tratando da região do Centro-Oeste, que possui períodos chuvosos bem
definidos durante o ano mas que tem a presença de chuvas convectivas no verão. Assim, em
períodos mais secos, essa constelação pode provocar maiores incertezas em suas estimativas.
Essa análise será realizada posteriormente nessa pesquisa.
Algo que pode ser identificado é a semelhança da performance entre os produtos CHI e
GPM que superestimaram as chuvas tanto nas estimativas diárias quanto mensais de
precipitação. Esse resultado apresentou-se diferente nos outros produtos, como o GSM e o PER
que além de possuírem elevados erros, respectivamente, RMSE de 43,14 e 59,63 mm mês-1,
subestimaram da mesma forma nas duas escalas de tempo analisadas.
Figura 3. Correlações entre dados mensais de precipitação medidos nas estações de superfície
(ESM) e estimados pelos produtos de satélite (CHI, GPM, GSM e PER) para o estado do Mato
Grosso.
O padrão sazonal de precipitação do estado do Mato Grosso, descrito a partir dos dados
das ESM, foi seguido pelas estimativas dos satélites (Figura 4). Para os meses chuvosos (de
outubro a março), as estimativas de precipitação apresentaram maiores erros e desvios entre os
51
produtos analisados, em comparação com os resultados relativos aos meses mais secosdas
estações do outono-inverno (de abril a setembro).
Os melhores resultados foram obtidos para os produtos de satélites CHI e GPM, tanto
nos meses chuvosos como naqueles mais secos. Diferente desses produtos, o GSM subestimou
os dados medidos para todos os meses analisados, não sendo satisfatória sua utilização para o
estado do Mato Grosso na escala mensal.
Por outro lado, o produto PER teve uma performance variada, superestimando os
valores de precipitação nos períodos mais secos e subestimando nos chuvosos. Essa é uma
característica normal dos satélites meteorológicos com baixas resoluções espaciais. Devido à
sua grande área de cobertura, costuma computar falsos alertas de precipitação em regiões onde
ocorre a formação de nuvens, mas que não são precipitadas naquele momento. Porém, poucos
trabalhos relatam tais análises no território nacional, ainda mais utilizando um produto de
satélite como PER.
Figura 4. Gráfico de box-plot da série de precipitação pluvial média na escala mensal dos dados
de ESM em relação aos produtos (CHI, GPM, GSM e PER) para o estado do Mato Grosso.
Os produtos CHI, PER e GSM, possuiram diferenças médias entre os valores estimados
e os observados pelas ESM, respectivamente, de 133 mm, 141 mm e 305 mm por ano. Em todos
os anos analisados, o produto GSM subestimou os volumes de precipitação, da mesma forma
que nas escalas diária (Figura 2) e mensal (Figura 3).
O produto PER demonstrou um comportamento satisfatório para os anos de 2015 e
2017, subestimando somente para o ano de 2016. Os resultados indicam a possibilidade de
utilizá-lo em escalas de tempo maiores, como a anual, devido apresentar uma longa série
temporal de dados geoespaciais e ,assim, possibilitar a calibração ou validação desse para
análises regionais de precipitação histórica.
Figura 5. Distribuição da precipitação acumulada anual para cada produto de satélite (CHI,
GPM, GSM e PER) comparado à estações de superfícies (ESM).
Algo que explica alguns desempenhos dos satélites, são as suas diferenças nas estruturas
dos seus algoritmos para coleta de dados. No caso do GPM, ele foi desenvolvido para captar
precipitações com elevada amplitude, tanto light quanto heavy rain, e ter melhores estimativas
em regiões mais planas, possibilitando resultados mais satisfatórios do que os outros satélites
utilizados (HUFFMAN et al., 2014; SHARIFI et al., 2016).
Em outros estudos, a utilização do satélite CHI trouxe resultados bons quando executado
em regiões montanhosas e ou acidentadas (RIVERA et al, 2018). Devido ser o produto com
maior resolução espacial nessas análises (0,01º), o CHI tem valores próximos às estimativas do
GPM. Segundo Gadelha et al. (2019), ao analisar a performance do GPM para diferentes
localidades do Brasil, esses autores justificaram o melhor desempenho nas diferentes regiões,
53
Figura 12. Gráfico de box-plot da precipitação pluvial média na escala mensal em relação aos dados de ESM e os produtos (CHI, GPM, GSM e
PER) para os agrupamentos (G1, G2, G3 e G4) do estado do Mato Grosso.
57
3.4. CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
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