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Relatorio Final Psi Social

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Ynara Ottolia
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Franciele Silva Souza Vilas Boas

Ivaneide da Silva Santos


João Danilo Leite da Silva
Luiza do Rosário Reis
Simone Oliveira de Araújo
Wellington Rosa Alves
Ynara Braga Ottolia

RELATÓRIO DE ESTÁGIO BÁSICO EM PSICOLOGIA SOCIAL

Salvador
2023.2
Franciele Silva Souza Vilas Boas
Ivaneide da Silva Santos
João Danilo Leite da Silva
Luiza do Rosário Reis
Simone Oliveira de Araújo
Wellington Rosa Alves
Ynara Braga Ottolia

RELATÓRIO DE ESTÁGIO BÁSICO EM PSICOLOGIA SOCIAL

Relatório final desenvolvido resultante da


experiência no Estágio Supervisionado
Estágio Básico em Psicologia Social,
proposto por graduandos em Psicologia
como pré-requisito de finalização e
avaliação da disciplina.
Supervisor(a): Dora Diamantino

Salvador
2023.2
RELATÓRIO DE ESTÁGIO BÁSICO EM PSICOLOGIA SOCIAL

Relatório Final apresentado ao Curso de Psicologia do Centro Universitário Jorge Amado


(UNIJORGE), como requisito para conclusão das atividades relativas à disciplina Estágio
Básico em Psicologia Social

27 de novembro de 2023.

Franciele Vilas Boas Simone Oliveira de Araújo


Matricula: 2190233241 Matrícula: 2310279927

Ivaneide da Silva Santos Wellington Rosa Alves


Matricula - 2180221500 Matrícula: 2310279940

João Danilo Leite da Silva Ynara Braga Ottolia


Matrícula: 2190131318 Matrícula: 2190232688

Luiza do Rosário Reis


Matrícula: 2200273205

_______________________________________________________________
Dora Teixeira Diamantino
Doutora em Psicologia
Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE)

__________________________________________________________
Kátia Jane Chaves Bernardo
Coordenadora do Curso de Psicologia
Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE)
1. INTRODUÇÃO.

Segundo a Resolução do Conselho Federal de Psicologia de Nº 05/2003, art. 3, a


Psicologia Social, “I- Atua fundamentada na compreensão da dimensão subjetiva dos
fenômenos sociais e coletivos, sob diferentes enfoques teóricos e metodológicos, com o
objetivo de problematizar e propor ações no âmbito social. O psicólogo, nesse campo,
desenvolve atividades em diferentes espaços institucionais e comunitários, no âmbito da
Saúde, Educação, trabalho, lazer, meio ambiente, comunicação social, justiça, segurança
e assistência social. Seu trabalho envolve proposições de políticas e ações relacionadas à
comunidade em geral e aos movimentos sociais de grupos étnico-raciais, religiosos, de
gênero, geracionais, de orientação sexual, de classes sociais e de outros segmentos
socioculturais, com vistas à realização de projetos da área social e/ou definição de
políticas públicas. Realiza estudo, pesquisa e supervisão sobre temas pertinentes à relação
do indivíduo com a sociedade, com o intuito de promover a problematização e a
construção de proposições que qualifiquem o trabalho e a formação no campo da
Psicologia Social”.

Já para Lane e Codó (2010), o psicólogo social enxerga o homem como um ser que
vive em grupos, sociedades, culturas e organiza sua vida em relação a outros seres
humanos, influencia e é influenciado pela história, pelas instituições e pelos
comportamentos.

Assim, entende-se que a atuação do psicólogo social está relacionada ao entendimento


do comportamento, no que tange a forma com que as pessoas influenciam umas às outras
no contexto da sociedade, ou seja, entender suas atitudes, tais como preconceito e saber
por que pessoas se comportam diferente quando estão em grupo ou sozinhas, dentre tantas
outras questões.

Nesse sentido, o Estágio Básico em Psicologia Social, tem como principal objetivo
levar o estudante a ter um contato prático nessa área de atuação. Dessa forma, o estagiário
de psicologia deverá colocar-se no lugar daquele que escuta, estando comprometido com
a manutenção do sigilo a respeito do que pode observar durante as visitas técnicas e, por
conta disso, é fortemente recomendada a leitura do código de ética do psicólogo,
especialmente em relação à compreensão da responsabilidade do psicólogo, no que tange
ao sigilo e confiabilidade, itens imprescindíveis na observação e prática profissional.
No decorrer dos conteúdos tratados durante esse semestre na matéria, a violência
contra a mulher foi um deles. Vimos que existe alguns obstáculos que os psicólogos lidam
em seu trabalho cotidiano frente a Atenção às Mulheres em Situação de Violência: A
dificuldade em presenciar o encaminhamento de mulheres a um tratamento adequado e
completo, inclusive, quando deixam os abrigos; o lidar com as representações tradicionais
de gênero, os preconceitos e os tabus nas próprias instituições, estabelecer uma parceria
eficaz com a delegacia da mulher e o sistema judiciário, os quais privam as mulheres de
receberem apoio e acompanhamento especializado.

2. REFERENCIAL TEÓRICO.

A violência contra a mulher deve ser entendida como um problema social


complexo, cujas características possuem dinâmicas específicas, e que pode se expressar
de diferentes maneiras de acordo com os contextos socioculturais nos quais ocorre.

Além da Lei Maria da Penha (11.340/2006), que cria mecanismos para coibir a
violência doméstica e familiar contra a mulher e estabelece medidas de assistência e
proteção, existem outros mecanismos também para proteção à vida de mulheres, que
sofrem violências - “são um conjunto articulado dentro da sociedade, que servem como
portas de entrada, acompanhamento e auxílio na reinserção das vítimas de violência ao
cotidiano” (BRASIL, 2006).

A formação da rede se constitui com os Serviços de Saúde específicos para


atendimento de emergência às mulheres, como as unidades básicas de saúde, plantões em
hospitais, maternidades, prestando acolhimento, orientação e acompanhamento, temos
também os Centros e Núcleos de Referência para a Mulher - que age em situação de
Violência, com variações de estrutura e atendimento entre as diferentes localidades,
oferecendo acolhimento e acompanhamento interdisciplinar social, psicológico,
pedagógico e de orientação jurídica. Podemos tomar como exemplo, o CRAM, os
Ministérios Públicos estaduais, responsável por mover ação penal pública, solicitar
investigações à Polícia Civil e demandar ao judiciário medidas protetivas de urgência, e
as Defensorias Públicas estaduais, que oferecem orientação jurídica, promoção dos
direitos humanos e defesa dos direitos individuais e coletivos.
As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), também são
imprescindíveis pois, elas contam com profissionais preparados e capacitados, que
realizam ações de prevenção, proteção e investigação dos crimes de violência doméstica
e violência sexual. Conta-se também com os abrigos a mulheres em situação de violência
com risco iminente de perda de integridade e de vida, o CREAS - Centros de Referência
Especializados de Assistência Social e o CRAS - Centros de Referência de Assistência
Social, responsáveis por prestar atendimentos e encaminhamentos de casos de violência
contra a mulher, crianças e adolescentes.

Não podemos esquecer dos serviços educacionais, como escolas, onde existe um
espaço de articulação intersetorial - espaço frequente de denúncias de diversas violências,
a Coordenadoria da Mulher, que está diretamente ligada ao Poder Executivo, tendo como
seu papel a implementação das políticas públicas para as mulheres.

Os Conselhos Tutelares e Conselhos Municipais de Crianças e Adolescentes, no


sentido da proteção a crianças e adolescentes, assim como, atendimentos do Poder
Judiciário existentes na localidade, como por exemplo, o Juizado Especial de Violência
contra Mulher, Varas de Família, Varas de Infância, Juventude e Idoso, Defensorias,
Ministério Público, onde, muitas vezes, ocorre acolhimento a partir de procura
espontânea.

As Parcerias entre universidades e centros de referência também são um ponto


importante a acrescentar, são eles que cuidam do acolhimento, do acompanhamento, da
avaliação e da intervenção em rede de famílias encaminhadas.

As Organizações não governamentais (ONG) que desenvolvem atividades


voltadas para públicos diversos, como as mulheres, crianças e adolescentes, visando à
promoção social, cidadania e inclusão produtiva, também fazem parte da rede.

A rede de atendimento às mulheres em situação de violência é parte da rede de


enfrentamento à violência contra as mulheres. Segundo o previsto na Política Nacional
de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, objetiva:

(...) garantir o atendimento humanizado e qualificado às mulheres em situação


de violência por meio da formação continuada de agentes públicos e
comunitários; da criação de serviços especializados (Casas-Abrigo/Serviços de
Abrigamento, Centros de Referência de Atendimento à Mulher, Serviços de
Responsabilização e Educação do Agressor, Juizados de Violência Doméstica
e Familiar contra a Mulher, Defensorias da Mulher, Delegacias Especializadas
de Atendimento à Mulher); e da constituição/fortalecimento da Rede de
Atendimento (articulação dos governos – Federal, Estadual, Municipal,
Distrital- e da sociedade civil para o estabelecimento de uma rede de parcerias
para o enfrentamento da violência contra as mulheres, no sentido de garantir a
integralidade do atendimento (SPM, 2007, p. 8)

3. CARACTERIZAÇÃO DA ATUAÇÃO DO ESTAGIÁRIO.

Objetivo Geral
● Analisar e compreender a aplicação prática dos conceitos da psicologia social em
um ambiente propício ao debate de conhecimento, e experiência ao pesquisar um
dado fenômeno psicossocial, violência contra a mulher.

Objetivos Específicos
● Observar, questionar e descrever as dinâmicas presentes no Fórum de Família –
2ª Vara de Violência contra a Mulher, como também, uma visita técnica a uma
instituição de cuidados à mulher em situação de violência e vulnerabilidade social.
● Investigar a percepção e interação dos indivíduos no ambiente analisado,
considerando violência contra mulher, vulnerabilidade social, fatores
psicossociais que influenciam no bem-estar deste grupo social.
● Avaliar a eficácia das ações e dinâmica de funcionamento do espaço, dialogar
possibilidades e sugerir intervenções psicossociais que relacionem a teoria e
prática da psicologia social.

a. Metodologia de trabalho.

O estágio teve início em 09 de agosto de 2023, sendo concluído em 28 de


novembro de 2023. A metodologia adotada para o estágio básico em psicologia social
incluiu, encontros semanais com a supervisora e colegas para aprofundar nossos
conhecimentos teóricos acerca das áreas de atuação do psicólogo social, buscando
compreender sua complexidade, bem como através da visita técnica à Instituição em que
se elaborou um Projeto de Intervenção e a visita a Visita ao Fórum de Família – 2ª Vara
de Violência contra a Mulher, como uma oportunidade de ter contato com a práticas de
atuação do psicólogo social.
b. Articulação teórico-prática.

A psicologia desempenha um papel fundamental no processo de empoderamento


feminino, contribuindo para a compreensão e superação de desafios relacionados à
igualdade de gênero. Diversos estudos e teorias psicológicas abordam questões relevantes
para o empoderamento das mulheres, destacando-se como uma disciplina crucial para
promover a autonomia, autoestima e igualdade de oportunidades.

A teoria do desenvolvimento psicossocial de Erikson, por exemplo, ressalta a


importância da identidade e autonomia como fatores essenciais para o crescimento
pessoal. No contexto feminino, essa teoria pode ser aplicada à busca das mulheres por
identidade e independência em uma sociedade que historicamente limita suas opções.

A psicologia feminista, representada por autoras como Carol Gilligan, critica


paradigmas psicológicos tradicionais que muitas vezes negligenciam as experiências e
perspectivas das mulheres. Ao considerar as vozes femininas e suas narrativas, a
psicologia feminista busca ampliar a compreensão das complexidades psicológicas das
mulheres, promovendo a valorização de suas experiências individuais.

O conceito de "empowerment" está intrinsecamente relacionado à psicologia, pois


se refere ao fortalecimento individual e coletivo. A psicologia positiva, desenvolvida por
Martin Seligman, destaca a importância do florescimento humano, focando o
desenvolvimento de forças pessoais e o bem-estar subjetivo. No contexto feminino, essa
abordagem pode ser aplicada para promover a resiliência, a autoeficácia e a
autorregulação emocional das mulheres.

Além disso, a psicologia contribui para a compreensão dos impactos da


socialização de gênero e estereótipos culturais nas experiências das mulheres. A obra de
Sandra Bem sobre papéis de gênero e a teoria da conformidade de gênero de Janet Shibley
Hyde destacam como as expectativas sociais podem influenciar a autoimagem e as
escolhas das mulheres, fornecendo insights importantes para intervenções psicológicas
que visam desconstruir esses padrões.
Durante a visita técnica ao Instituto Força Feminina, conhecemos o trabalho feito
através do acolhimento de mulheres na prostituição em situação de vulnerabilidade social.
Qualquer mulher que precise pode usufruir do espaço, o objetivo não é tira-las da
prostituição, mas prestar acolhimento e cuidado. Dentre os profissionais, eles contam com
uma psicóloga que está presente em dias específicos no instituto, onde o foco não é o
atendimento individualizado. Lá é feito encaminhamento para demanda jurídica, área de
saúde (preventivos, clínico, ginecologista e etc.), e o SUAS.

Em suma, o instituto Força Feminina precisa fazer mais que um acolhimento se


realmente quiser promover um empoderamento dessas mulheres em situação de
prostituição. A psicologia desempenha um papel crucial no empoderamento feminino,
fornecendo ferramentas conceituais e práticas para compreender e superar desafios
ligados à igualdade de gênero. Ao integrar teorias do desenvolvimento, psicologia
feminista, psicologia positiva e análise crítica das influências socioculturais, a disciplina
contribui para promover a autonomia, autoestima e igualdade de oportunidades para as
mulheres.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Esse estágio teve como ênfase o recorte social “violência contra a mulher”, o que
nos permitiu conhecer o funcionamento da 2ª Vara de Violência contra a Mulher, bem
como o Projeto Força Feminina, onde tivemos a oportunidade de elaborar um Projeto de
Intervenção nesse local.

A experiência que tivemos na 2ª Vara de Violência contra a Mulher foi muito rica,
nos ajudou a compreender, tirar dúvidas e ter uma noção mais ampliada da rede de
enfrentamento que existe para as mulheres disponíveis hoje em dia, e de como nós
enquanto psicólogos devemos exercer e contribuir dentro de um papel a nós concedido
dentro da instituição, ou em qualquer outro lugar que formos atender. Pois é essencial
termos conhecimentos sobre as redes de apoio para saber direcionar e encaminhar os
pacientes que sofrem com os diversos tipos de violências.

Seja nas discussões nos encontros de supervisão, seja por meio da pesquisa de
instrumentos legais e locais de atendimento à mulheres em situação de violência, tais
como Órgãos públicos, privados, além das visitas supracitadas, pudemos conhecer como
funciona o atendimento à essa mulher e os recursos que ela dispõe caso necessite.

Por fim, com base no tema proposto, pudemos exercitar a escuta sem julgamento,
entendendo que o psicólogo social deve buscar o rompimento de preconceitos, estigmas
e estereótipos atuando no combate à violência contra a mulher, levando-a, em especial no
caso das mulheres atendidas no Projeto Força Feminina (exclusivamente que vivem da
prostituição), a refletir sobre sua situação, seu papel enquanto sujeito de identidade, que
interagindo no meio social, independente da profissão que exercem, precisa lutar pelos
seus direitos.

REFERÊNCIAS

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução nº. 5/2003, de 14 de junho de


2003. Acessado em 27 de Novembro de 2023 >>https://site.cfp.org.br/wp-
content/uploads/2006/01/resolucao2003_5.pdf#:~:text=Art.3o.%20A%20especialidade
%20de%20Psicologia%20Social%20fica%20instituída,de%20problematizar%20e%20p
ropor%20ações%20no%20âmbito%20social.<<.

LANE, S. e CODO, W. (orgs). Psicologia Social: o homem em movimento. 4.ed. São


Paulo: Brasiliense, 2010.

UNFPA BRASIL. Conheça as leis e os serviços que protegem as mulheres vitimas de violência de
gênero. Acessado em 27 de Novembro de 2023 >>https://brazil.unfpa.org/pt-
br/news/conheca-leis-e-os-servicos-que-protegem-mulheres-vitimas-de-violencia-de-
genero<<

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