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Os Impactos Da Drenagem Superficial de Águas Pluviais Na Infraestrutura de Trechos de Vias Do Perímetro Urbano Do Município de Santarém, Pará, Brasil

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OS IMPACTOS DA DRENAGEM SUPERFICIAL DE

ÁGUAS PLUVIAIS NA INFRAESTRUTURA DE


TRECHOS DE VIAS DO PERÍMETRO URBANO DO
MUNICÍPIO DE SANTARÉM, PARÁ, BRASIL

OS IMPACTOS DA DRENAGEM SUPERFICIAL DE ÁGUAS PLUVIAIS


NA INFRAESTRUTURA DE TRECHOS DE VIAS DO PERÍMETRO
URBANO DO MUNICÍPIO DE SANTARÉM, PARÁ, BRASIL

The impacts of rainfall water surface drainage in the infraestructure of urban


streets segments at municipality of Santarém, Pará, Brazil
Rodolfo Maduro Almeida
Universidade Federal do Oeste do Pará
[Link]@[Link]
Aceito: 03/07/2020
Recebido: 11/04/2020

RESUMO: Este artigo apresenta os resultados de um estudo de caso que investiga a influência da
drenagem superficial de águas pluviais na infraestrutura das vias do perímetro urbano do município de
Santarém, estado do Pará, Brasil. Assim como muitas cidades brasileiras, Santarém vem sofrendo forte
urbanização e crescimento desordenado, com o surgimento de bairros periféricos desprovidos de
infraestrutura. Considerável proporção da malha viária urbana do município é carente de infraestrutura
de drenagem de águas pluviais, com a prevalência da drenagem superficial, com surgimento de
diversos pontos de alagamentos e fortes enxurradas, causando prejuízos e transtornos aos moradores
das áreas afetadas, e comprometendo a infraestrutura das vias, com o surgimento de buracos, valas e
crateras. A metodologia utiliza um índice de análise hidrológica, denominado Índice Topográfico de
Umidade (ITU), que indica áreas propensas a ocorrência de intensos de escoamento superficial. Dados
de ocorrência de enxurradas e alagamentos do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres do
Ministério das Cidades foram utilizados juntamente com o ITU para fazer um zoneamento de áreas
propensas a eventos de escoamento superficial das águas pluviais. Este zoneamento foi utilizado para
delimitar trechos da malha viária potencialmente impactados. Registros fotográficos desses trechos
confirmam o principal resultado dessa pesquisa que é a aplicabilidade do ITU para identificar trechos
de malha viária com infraestrutura impactada por consequência da drenagem superficial. A partir destes
resultados, como direcionamentos futuros, apontamos o potencial uso desse estudo para planejamento
estratégico e zoneamento de infraestrutura de drenagem e manejo de águas pluviais no município.
Palavras-chave: Análise hidrológica; Drenagem Superficial de águas pluviais; Índice topográfico de
umidade.

ABSTRACT: This article is a case study that investigates the influence of surface rainwater drainage
on the infrastructure of the urban perimeter roads in the municipality of Santarém, state of Pará, Brazil.
Like many Brazilian cities, Santarém has been undergoing strong urbanization and disorderly growth,
with the emergence of peripheral neighborhoods very lacking in urban infrastructure. The majority of the
municipality's urban road network lacks rainwater drainage infrastructure, with the prevalence of surface
drainage, with the emergence of several points of flooding and heavy runoff, causing damage and
inconvenience to the residents of the affected areas, and compromising the infrastructure of the roads,
with the appearance of holes, ditches and craters. The methodology uses a hydrological analysis index,
called Topographic Wetness Index (TWI), which indicates propitious areas to the occurrence of intense
surface runoff. Flood and runoff data from the Ministry of Cities Integrated Disaster Information System
were used together with the TWI to delineate propitious areas to flood events. This delimiting was used
to identify potentially impacted perimeters of the road network. Photographic records of these perimeters
confirm the main result of this research, which is the applicability of the TWI to identify the coverage of
runoff and floods impacts under the urban road network infrastructure. This study points the future work
is the use of this study for strategic planning and zoning of drainage infrastructure and rainwater
management in the municipality.
Keywords: Hidrological analysis; Rainfall water surface drainage; Topographic wetness index.
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INTRODUÇÃO

No Brasil, a série histórica dos censos demográficos registrada nos últimos 70 anos
mostra que vivenciamos um gradativo e intenso processo de urbanização. Conforme
apresentado em IBGE (2019), na década de 1940 a população urbana era de 31,24%.
Entre os anos 1960 e 1970 a população urbana ultrapassou a rural, e conforme o
Censo de 2010, a população urbana já é de 84,38%. Esse processo de urbanização
não foi acompanhado com a devida atenção pelos gestores dos centros urbanos,
ocasionando uma série de problemas sociais, econômicos e ambientais, como
surgimento de periferias, aumento da violência, congestionamentos, escassez e
precarização de serviços públicos básicos, insuficiência ou ausência de saneamento
básico, alagamentos, inundações, enchentes, desmatamento, contaminação de
mananciais, habitações em áreas de risco, entre outros problemas.
Para evitar, combater e mitigar esses problemas, o Congresso Nacional aprovou a Lei
Federal n° 10.257/01, que fundamenta a Política Nacional de Desenvolvimento
Urbano e o Plano Diretor, e estabelece as competências e atribuições dos poderes
executivos e legislativos municipais para lidar com intervenções e propor soluções
(CARVALHO, 2001). Para que haja planejamento urbano, torna-se imprescindível que
se tenha um plano diretor, que é um mecanismo fundamentado em lei municipal que
orienta o uso e a ocupação do solo urbano, ponderando interesses coletivos e difusos,
com as questões ambientais, culturais, históricas e de econômicas.
Além do Plano Diretor, enfatiza-se também aqui o Plano Municipal de Saneamento
Básico. Regulamentado pela Lei nº 11.445/2007, também se trata de uma lei
municipal, e contempla diretrizes e ações envolvendo as quatro questões básicas de
saneamento, que são, o abastecimento de água potável, o esgotamento sanitário, o
manejo de resíduos sólidos, e a drenagem e manejo de águas pluviais urbanas.
Destas quatro questões básicas abordadas no Plano Municipal de Saneamento
Básico, o tratamento dado às águas advindas das chuvas é o tema central deste
artigo. Durante eventos de chuva, as águas pluviais devem ser captadas por sistemas
de coletas de galerias ou esgotos, e direcionadas para serem lançadas em cursos
d'água, lagos, lagoas, baías ou no mar. Lidar com águas pluviais é um dos grandes
desafios na gestão pública, pois requerem grandes investimentos em obras de
captação e canalização que aproveitem o sistema de drenagem natural de
microbacias urbanas (DE SOUZA, 2013).
Quando a cidade não lida adequadamente com essa questão, somado ao predomínio
do crescimento urbano desordenado, uma ausente ou inapropriada política de uso e
cobertura do solo, tendo como consequência principal uma alta taxa de
impermeabilização do solo, surgem problemas como enxurradas, alagamentos e
inundações, cujas definições, conforme MINC/IPT (2007), são apresentadas a seguir.
A enxurrada é o transporte superficial de águas pluviais com alta quantidade de
energia. O alagamento é o acúmulo momentâneo de águas pluviais em determinados
locais por conta da deficiência no sistema de drenagem. A inundação ocorre quando

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ocorre o transbordamento das águas de um curso d'água. Nos centros urbanos, estes
eventos põem em risco vidas das pessoas que ali residem e causam muitos prejuízos
nas áreas onde ocorrem. Neste trabalho vamos lidar com eventos de enxurrada e
alagamento, que são consequência de um intenso processo de escoamento
superficial.
Mesmo diante dessa realidade problemática, o planejamento urbano surge como uma
ferramenta essencial para se realizar um diagnóstico da realidade dos centros
urbanos, e junto com as condicionantes legais, sociais, econômicas, históricas e
culturais da realidade do espaço urbano, projetar o futuro em relação ao uso e
ocupação do espaço urbano (Souza e Rodrigues, 2004). As geotecnologias são um
grande aliado nessas ações, com destaque ao uso dos Sistemas de Informações
Geográficas, que são recursos computacionais que permitem produzir, organizar,
manipular e disseminar informações sobre o espaço urbano, permitindo inúmeras
aplicações relacionadas com a gestão e o planejamento do espaço urbano (SILVA et
al., 2017).
O espaço urbano é uma estrutura complexa que depende de condicionantes
históricas, culturais, sociais, econômicos e ambientais. Planejar e gerir o espaço
urbano é uma tarefa dispendiosa e que requer muita atenção. De acordo com Souza
e Rodrigues (2004), a principal diferença entre os termos "gestão urbana" e
"planejamento urbano" é o horizonte temporal, mas os dois se complementam. O
planejamento urbano se foca no futuro, e se propõe a prever o espaço urbano, dado
um prognóstico do cenário atual, considerando as condicionantes mencionadas
anteriormente. A gestão urbana se foca no presente e é relacionada a ações
administrativas rotineiras que demandam resultado imediato. Os dois termos se
complementam, pois, o planejamento é uma ferramenta de gestão que permite
estruturar um caminho de ações de maneira racional.
Teoricamente, as ações de gestão e planejamento urbano devem se estruturar no
levantamento, no processamento e na análise informações, permitindo compreender
o espaço urbano. No atual estágio tecnológico, o ambiente informatizado é essencial
para o cumprimento dessas tarefas, e as geotecnologias têm colocado o cidadão
comum frente a frente com a realidade do espaço onde vive, com o uso do computador
e de dispositivos móveis. O amplo acesso à informação geográfica, por meio do uso
da Internet, tem trazido à tona discussões relevantes sobre o papel das
geotecnologias ante a gestão do espaço urbano.
De uma maneira geral, as geotecnologias compreendem um conjunto de ferramentas
que possibilitam tratar informações referenciadas geograficamente. Dentre estas
ferramentas, mencionamos aqui o Sistema de Informações Geográficas (SIG).
Conforme Burrough e McDonnell (1998), um SIG é um ambiente computacional usado
para coletar, armazenar, manipular, produzir e disseminar informações geográficas.
Um banco de dados geográfico armazena as informações geográficas provenientes
de diferentes fontes (levantamentos cartográficos, dados censitários, imagens de
sensoriamento remoto, dados de sistema global de navegação por satélite etc.), e
permite o uso integrado destas informações, onde a localização geográfica é utilizada
como fator de análise integração para a análise das informações. O

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geoprocessamento apresenta-se como a materialização do conceito de SIG, e


consiste no processamento computacional de informações georreferenciadas. Com
esses recursos, os gestores garantem um papel fundamental como agentes
construtores, fiscalizadores e provedores de informação sobre o espaço urbano
(FARINA, 2006; SILVA et al., 2017). Inúmeras são as aplicações do SIG em
planejamento urbano, onde podemos citar levantamento cartográfico, cadastro de
moradias, planejamento de infraestrutura de serviços públicos, segurança pública,
entre outros.
É nesse contexto que esse trabalho se insere. Como objeto de estudo, foi escolhida a
cidade de Santarém, uma cidade de médio porte situada na região oeste do estado
do Pará, o principal centro financeiro, urbano, comercial e cultural da região. Assim
como muitas cidades brasileiras, a cidade de Santarém vem sofrendo forte
urbanização e crescimento desordenado, com o surgimento de bairros periféricos
desprovidos de infraestrutura. Durante o período chuvoso, dada a carência de
infraestrutura de drenagem de águas pluviais na maioria das vias urbanas, a
drenagem superficial predomina, favorecendo a ocorrência de inúmeros pontos com
intenso escoamento superficial e alagamento. O trânsito é momentaneamente
interrompido nesses pontos. Estes eventos também causam prejuízos, pois a água
invade estabelecimentos comerciais e residências, colocando inclusive em risco a vida
das pessoas atingidas. Além disso, o escoamento superficial causa impactos sobre a
infraestrutura das vias. Vias não pavimentadas ficam com o leito comprometido, pois
a drenagem superficial favorece o surgimento de buracos e crateras, tornando-as
inclusive intrafegáveis. Vias pavimentadas também tem sua infraestrutura
prejudicada, pois a drenagem superficial induz patologias no revestimento asfáltico.
Neste trabalho, vamos nos ater a abordar sobre a temática do geoprocessamento
aplicado no planejamento urbano para identificação de áreas propensas a incidência
de forte escoamento superficial, e como estas impactam sobre a estrutura malha
viária. O objetivo geral é aplicar ferramentas de análise espacial e análise hidrológica
para identificar trechos da malha viária com infraestrutura potencialmente impacta
pela drenagem superficial de águas pluviais. Para alcançar o objetivo geral, os
objetivos específicos são: utilizar ferramentas de análise hidrológica para o
zoneamento de áreas do perímetro urbano que são propensas a intensos processos
de escoamentos superficiais de águas pluviais; partindo do zoneamento, identificar
trechos da malha viária propensos a sofrer impactos na infraestrutura; e, por fim,
utilizar registros fotográficos para verificar a eficácia da delimitação.
Este texto está estruturado em quatro seções. Além dessa introdução, a seção 2
apresenta a fundamentação teórica desse trabalho, onde são discutidos conceitos e
definições sobre planejamento urbano, geoprocessamento e análise hidrológica. A
seção 3 apresenta a metodologia desta pesquisa, apresentando a localização da área
de estudo e destacando as ferramentas, softwares e procedimentos utilizados nessa
pesquisa. Os resultados são apresentados na seção 4, e as conclusões na seção 5.

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MATERIAIS E MÉTODOS

Este trabalho apresenta os resultados de um estudo de caso, onde uma análise


espacial é proposta, juntamente com o uso do ITU, para verificar os impactos da
drenagem superficial sobre trechos da malha viária urbana do município de Santarém.
Para isto, os procedimentos metodológicos foram realizados em três etapas: pré-
processamento, processamento, e delimitação e verificação. Foi utilizado o software
QGIS Desktop, versão 3.10.0. Nesta seção, apresentaremos inicialmente a área de
estudo e, descrevemos o cálculo do ITU e sua aplicação e, por fim, detalhamos o
fluxograma das etapas realizadas no desenvolvimento desse trabalho.

Área de estudo
Neste trabalho, o ambiente geográfico de estudo é a área urbana do município de
Santarém, estado do Pará, conforme o mapa apresentado na Figura 1. A cidade de
Santarém é uma cidade ribeirinha, situada na foz do rio Tapajós, na confluência com
o rio Amazonas. De acordo com os dados da estimativa populacional fornecidos pelo
IBGE (IBGE,2019), em 2019 a população do município de Santarém é de 304.589
habitantes, sendo então o terceiro município mais populoso do estado do Pará, e o
sétimo mais populoso da Região Norte. Ainda conforme IBGE (2019), o município
ocupa uma área de 22.887,080 km², sendo que 97 km² estão no perímetro urbano.
Apenas 38,1% da área urbana apresenta esgotamento sanitário adequado e 7,8% das
vias apresenta urbanização, o que mostra a precarização dominante na infraestrutura
da malha viária urbana.
Uma característica da malha viária urbana de Santarém é que a drenagem de águas
pluviais se dá predominantemente por escoamento superficial. A maioria das vias
asfaltadas não possuem sistema de galerias para escoamento de águas pluviais.
Existem muitas vias ainda não asfaltadas, com revestimento laterítico ou de leito
natural. Durante o período chuvoso, o chamado “inverno amazônico”, que ocorre de
dezembro a maio, carência de infraestrutura de drenagem de águas pluviais
favorecendo a ocorrência de diversos pontos de alagamentos e fortes enxurradas,
atingindo muitas residências e interrompendo momentaneamente o trânsito em
trechos da malha viária. As vias sem revestimento asfáltico tornam-se intrafegáveis,
pois a forte enxurrada provoca erosão, com o surgimento de crateras.

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Figura 1. Localização da área de estudo. Fonte: O autor.

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Análise hidrológica para identificação de áreas de intenso escoamento


superficial

Quando lidamos com o uso de métodos quantitativos para o mapeamento de áreas


propensas a intenso escoamento superficial, com a consequente ocorrência de
alagamentos e enxurradas, e impactos sobre a infraestrutura urbana, é essencial o
levantamento e o uso de informações hidrológicas e geomorfométricas da área de
estudo. Estas informações permitem descrever o relevo e, por consequência, como
este favorece o escoamento superficial da água durante um evento de chuva. Aqui,
daremos destaque a duas informações, que são, a área de contribuição, que é uma
variável hidrológica, e a declividade, que é uma variável geomorfométrica. Ambas são
utilizadas para o cálculo do chamado Índice Topográfico de Umidade (ITU), conforme
proposto por Beven e Kirkny (1979).

A fórmula utilizada no cálculo do ITU é:

Equação:
𝑎
𝐼𝑇𝑈 = ln ( )
tan 𝑑
Onde:

𝑎 é a área de contribuição, e
𝑑 é a declividade (em radianos).
A área de contribuição é um valor calculado para um ponto na superfície, e quantifica
a área total que favorece o escoamento superficial para esse ponto, e fornece uma
medida da quantidade de água que escoa até chegar a esse ponto. A declividade
fornece, para um dado ponto na superfície, o ângulo de inclinação da superfície em
relação ao plano horizontal, e permite quantificar a força com que o escoamento
superficial flui pela superfície. Quanto maior a declividade, mais força tem o
escoamento, devido a ação da gravidade. O ITU faz referência à distribuição espacial
das zonas mais propícias a saturação hídrica, ao passo que, quanto maior for o valor,
maior será a tendência do local à saturação hídrica, isto é, são regiões de escoamento
superficial com grande área de contribuição, baixa declividade e relevos mais planos.

A interpretação da fórmula mostra que o ITU é diretamente proporcional à área de


contribuição e inversamente proporcional à tangente da declividade. Quando maior for
o valor da área de contribuição, maior o valor do ITU. Quando o valor da declividade
tende a zero, temos áreas quase planas, a tangente da declividade tende a zero, o
valor do quociente a/tan⁡d tende a um valor muito grande, e por essa razão temos o
logaritmo natural na fórmula, para limitar grandes flutuações nos valores do quociente.
Conforme Mattivi et al. (2019), o ITU estima um balanço entre acúmulo de água e
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condições de drenagem em escala local. A área de contribuição é uma variável que


fornece a tendência de receber água, enquanto a declividade descreve a tendência
em escoar a água. A Figura 2 ilustra as variáveis utilizadas no cálculo do ITU, para
uma área hipotética representada na ilustração 2(a). Ainda na Figura 2(a), a área de
contribuição para o ponto identificado pela circunferência vermelha, corresponde à
área delimitada em amarelo. A declividade para esse ponto é indicada pelo ângulo de
inclinação da seta em relação ao plano horizontal, conforme exibido em 2(c). O valor
calculado do ITU é adimensional. Todo o cálculo do ITU é realizado sobre um modelo
numérico de terreno, uma representação computacional discreta da superfície,
estruturada em uma grade regular, onde cada elemento dessa grade representa uma
região homogênea, e possui um valor de altitude associado. A Figura 2(b) representa
a direção do escoamento para o ponto da grade regular. A Figura 2(c) ilustra a
declividade, correspondente ao ângulo de inclinação da seta, em radianos, em relação
a horizontal.

Figura 2. Ilustração da área de contribuição e da declividade para um ponto hipotético. Fonte:


Mattivi et al. (2019).
O ITU tem sido empregado em diversos estudos hidrológicos e geoquímicos, onde
podemos citar identificação de riqueza de espécies de plantas, pH do solo, nível das
águas subterrâneas, teor de umidade do solo, entre outros (Soerensen e Seibert,
2006; Hung et al., 2017). Neste trabalho, o ITU é aplicado para quantificar a propensão
a uma rápida saturação durante precipitações e locais onde o processo de
escoamento superficial é mais atuante (Santos et al., 2018). Áreas que possuem altos
valores de ITU são recomendadas para conservação ambiental, dada a sua

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importância hidrológica. Se estas áreas forem ocupadas, são propensas a ocorrência


de alagamentos e intenso escoamento superficial.

Etapas do desenvolvimento da pesquisa

Os procedimentos metodológicos desta pesquisa foram realizados em quatro etapas,


que são, o pré-processamento, o processamento, a delimitação e a verificação. Na
etapa do pré-processamento, foi realizada a coleta e a preparação dos dados
georreferenciados. Os dados coletados para essa pesquisa abrangem o modelo digital
de elevação da missão SRTM com resolução espacial de 1 arco-segundo, dados
pontuais de ocorrência de enxurrada e alagamento referentes aos períodos chuvosos
dos anos de 2018 e 2019, obtidos no S2ID (Sistema Integrado de Informações sobre
Desastres) junto a Defesa Civil, e a malha viária urbana do projeto OpenStreetMap
(OSM, 2019). Também foram utilizados dados da Base Cartográfica Contínua do
Brasil ao Milionésimo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A preparação
dos dados compreende o recorte espacial para a área de estudo e reprojeção dos
dados para projeção UTM (Zona 21 Sul).

Na etapa de processamento, foi realizada a quantificação e a análise espacial. Na


quantificação, foram calculadas a área de contribuição e a declividade, para posterior
cálculo do ITU. Precedendo o cálculo da área acumulada, foi calculada a direção de
fluxo, que é uma variável hidrológica necessária para o cálculo da área de
contribuição. Para que seja calculado como a água flui na superfície, e, assim, calcular
a área de contribuição, é usado um algoritmo de direção (roteamento) de fluxo, que
estabelece a direção do fluxo para cada ponto da malha regular do modelo digital de
elevação. Todos esses cálculos foram realizados utilizando ferramentas de análise
hidrológica no ambiente do software QGIS. A Figura 3 apresenta o fluxograma de
procedimentos para o cálculo do ITU. Na análise espacial, a relação entre o ITU e as
ocorrências do S2ID foi investigada. O valor do ITU em cada ocorrência foi obtido. Em
seguida, foi realizada uma análise estatística dos valores, que serviram para subsidiar
a obtenção do mapa que identifique regiões propensas a intenso escoamento
superficial e alagamentos.

Na etapa de delimitação, trechos da malha viária que coincidem com as regiões


propensas são delimitados. Em seguida, alguns desses trechos foram selecionados
para a verificação. Com o uso de fotografias e matérias publicadas pela mídia foi
verificado o impacto da drenagem superficial sobre a infraestrutura desses trechos de
vias. A Figura 4 resume as etapas realizadas na pesquisa.

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Figura 3. Fluxograma para o cálculo do ITU na etapa de processamento. Fonte: O autor.

Figura 4. Resumo das etapas do desenvolvimento da pesquisa. Fonte: O autor.

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RESULTADOS E DISCUSSÕES
A principal fonte de informação para o cálculo do ITU é o modelo digital de elevação.
A Figura 5 apresenta os valores de altitude do modelo digital de elevação para a área
de estudo. Podemos observar que a amplitude total de variação dos valores de
elevação para a área de estudo varia de 0 a 180 metros, sendo que para o perímetro
urbano a amplitude varia de 0 a 60 metros. A Figura 6 apresenta os valores de
declividade, em graus, para a área de estudo. O mapa contendo os valores calculados
para o ITU para a área de estudo são apresentados na Figura 7. Os valores de ITU
são representados em uma paleta de cores cujos valores variam da cor verde
(menores valores) à cor rosa (maiores valores). Os valores menores de ITU estão
associados a áreas de maior altitude e com maior declividade. Já os valores maiores
de ITU são associados a regiões com menores altitudes e menores valores de
declividade.
O ITU é uma importante informação que indicar o potencial de geração de escoamento
superficial. Altos valores de ITU significam alto potencial de geração de escoamento
superficial, e vice-versa. Adicionalmente, seus altos valores também indicam áreas
propensas ao acúmulo de água, logo, com chances de alagamentos, devido à alta
concentração de escoamento superficial. Os trechos de malha viária que se
sobrepõem a altos valores de ITU têm essas características. Podemos observar no
mapa que muitos trechos da malha viária coincidem com áreas com alto valor de ITU.

Figura 5. Modelo digital de elevação da área de estudo. Fonte: O autor.

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Figura 6. Declividade da área de estudo. Fonte: O autor.

Figura 7. Índice topográfico de umidade da área de estudo. Fonte: O autor.

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A Figura 8 apresenta o mapa com áreas propensas a intenso escoamento superficial


e alagamentos. A localização das ocorrências obtidas no S2ID é apresentada em
círculos vermelhos. Sobrepondo os dados de ocorrência de enxurradas e
alagamentos obtidos no sistema S2ID, foi possível identificar que eles coincidem com
áreas com alto valor de ITU.
Foram registradas 58 ocorrências. Realizando uma análise estatística descritiva dos
valores de ITU para os pontos, temos valor mínimo de 6,639, valor máximo de 19,388,
mediana de 10,906, valor médio de 11,232, desvio padrão de 3,152, primeiro quartil
de 8,464 e terceiro quartil de 13,186. Não foram identificados outliers utilizando a
análise de amplitude interquartil (Pinheiro et. al, 2012).
Para realizar a identificação das áreas propensas a intenso escoamento superficial e
alagamentos, utilizamos a média como referência, e geramos uma camada que
delimita as áreas cujo valor do ITU está acima da média dos valores correspondentes
aos pontos das ocorrências. Foi verificado que 48,3% dos pontos caíram sobre a
região delimitada. Foi verificado ainda que todos os demais estão a menos de 100
metros dessa região. Logo, utilizou-se como critério para delimitação para áreas
propensas a alagamento e enxurrada as áreas cujo valor de ITU é menor que 11,323
e as áreas cuja distância é menor igual a 100 metros destas.
O mapa com a identificação das áreas propensas a forte escoamento superficial e
alagamentos é apresentado na Figura 8. Temos duas regiões indicadas no mapa, as
áreas onde o ITU é maior ou igual a 11,323, representadas em azul escuro, e as áreas
com distância menor ou igual a estas, representadas em azul celeste. O cruzamento
dessas regiões com a malha viária permitiu selecionar alguns trechos de vias para
verificação da infraestrutura. Os trechos de vias selecionados foram identificados no
mapa da Figura 8 por estrelas amarelas, identificadas pela numeração de 1 a 6.

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Figura 8. Mapa mostrando as áreas propensas a intenso escoamento superficial e


alagamentos, localização das ocorrências do S2ID e com a delimitação dos trechos de vias para
verificação. Fonte: Autor.

O trecho 1 é a Rua São João, no bairro do Diamantino. É um trecho de via com


revestimento laterítico, situado uma região que sofre bastante impacto com a
drenagem superficial de águas pluviais, com forte erosão e o consequente surgimento
de valas e crateras, conforme podemos observar na Figura 9.

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Figura 9. Trecho de verificação 1, localizado na Rua São João, no bairro do Diamantino. Fonte:
O autor/Publicação em redes sociais.
O trecho 2 selecionado para verificação é localizado na Rua Edvaldo Leite, no bairro
do Santo André. É um trecho de uma via importante do bairro, com revestimento
asfáltico e grande fluxo de veículos. Os impactos verificados sobre a infraestrutura da
malha viária, conforme podemos observar na Figura 10, são o acúmulo de areia sobre
o asfalto, que é conduzida pela enxurrada, e o surgimento de fissuras e panelas
(buracos) no asfalto.

Figura 10. Trecho de verificação 2, localizado na Rua Edvaldo Leite, no bairro do Santo André.
Fonte: O autor.

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O trecho 3 selecionado para verificação fica localizado na rua Angelim, no bairro do


Maracanã. É um trecho de via pavimentado, muito importante para o fluxo de veículos
no bairro, que se encontra com infraestrutura comprometida, conforme podemos
observar na Figura 11. É possível notar o acúmulo de areia e a remoção de parte do
revestimento asfáltico, devido a ação da drenagem fluvial.

Figura 11. Trecho de verificação 3, localizado na Rua Angelim, no bairro do Maracanã. Fonte:
O autor.
Os trechos 4 e 5 selecionados para verificação estão localizados da Travessa
Rouxinol, no bairro da Floresta. A Travessa Rouxinol é uma via pavimentada, que
cruza o bairro da Floresta, muito importante para o fluxo local de veículos. A via
apresenta trechos em que o asfalto que se mantém em boas condições e trechos em
que há patologias por conta da drenagem superficial. O trecho 4, coincide com uma
área de alta propensão a escoamento superficial e alagamento. Porém, o asfalto
apresenta-se em boas condições. A justificativa encontrada pela ausência de
patologias é pelo fato de a região dispor de um sistema de galerias para escoamento
das águas pluviais, conforme observado na Figura 12. Já o trecho 5, não há sistema
de drenagem de águas pluviais, predomina o escoamento superficial, e podemos
observar o revestimento asfáltico danificado pelo acúmulo de areia e de água.

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Figura 12. Trecho de verificação 4, localizado na Travessa Rouxinol, no bairro da Floresta.


Fonte: O autor.

Figura 13. Trecho de verificação 5, localizado na Travessa Rouxinol, no bairro da Floresta.


Fonte: O autor.
O trecho 6 selecionado para verificação é localizado na Rua Tomé de Sousa, no bairro
do Santarenzinho. É uma via pavimentada, de extrema importância para o
deslocamento do fluxo local de veículos. O trecho selecionado tem o revestimento
asfáltico bastante danificado por causa da drenagem superficial de águas pluviais. É
um trecho de via que a população local já interditou em protesto a favor de melhoria
das condições do revestimento.
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Figura 14. Trecho de verificação 6, localizado na Rua Tomé de Sousa, no bairro do


Santarenzinho. Fonte: O autor.

CONCLUSÃO

O espaço urbano é um ambiente de constante transformação. Embora o relevo


apresente uma forma bem definida, as alterações no espaço urbano favorecem o
escoamento superficial de águas pluviais ao longo das vias. Embora o relevo se
apresente com uma forma bem definida, as transformações presentes no espaço
urbano favorecem que drenagem de águas pluviais flua ao longo das vias.
Neste estudo de caso, a aplicação do Índice Topográfico de Umidade como indicativo
de propensão à ocorrência de escoamento superficial de águas pluviais mostrou-se
satisfatória, uma vez que foi possível verificar que os dados de ocorrência destes
eventos localizam-se ou próximos ou sobre áreas onde há um alto valor deste índice.
Foi possível identificar as áreas propensas a intenso escoamento superficial e
alagamentos a partir de um valor limiar para o ITU (valor médio de ITU da localização
das ocorrências) e com o critério adicional de distância de até 100 metros a estas
áreas.
Comparado a outros índices de análise espacial presentes na literatura, é possível
verificar que não existe uma padronização em torno da interpretação dos valores do
ITU. Os valores dependem da forma do relevo e da escala (tamanho das bacias
hidrográficas). Por essa razão, justifica-se a identificação das áreas a partir de um
valor limiar para o ITU, utilizando como referência a média dos pontos em que já
ocorreram alagamentos e enxurradas.

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Os trechos de vias delimitados a partir das áreas de propensão a intenso escoamento


superficial puderam ser verificados a partir de registros fotográficos, matérias
publicadas pela mídia, e ida a campo. O principal resultado dessa pesquisa é a
aplicabilidade do ITU, combinado com uso de dados de ocorrência de enxurradas e
alagamentos, para identificar trechos de malha viária com infraestrutura impactada por
consequência da drenagem superficial. Conforme verificamos nos resultados, os
trechos selecionados para verificação sofreram impactos na sua infraestrutura. Avalia-
se também que outra contribuição desta pesquisa se dá pelo uso do ITU em conjunto
com dados de registros de ocorrências obtidos no S2ID junto a Defesa Civil.
A partir destes resultados, como direcionamentos futuros, apontamos o potencial uso
desse estudo para planejamento estratégico e zoneamento de infraestrutura de
drenagem e manejo de águas pluviais no município. Os trechos delimitados podem
servir de base para definição de ações de planejamento urbano que visem mitigar o
impacto da drenagem superficial sobre a infraestrutura da malha viária. Conforme
discutido anteriormente, em Santarém-PA, a drenagem superficial de águas pluviais
ocorre tanto nas vias asfaltadas, que no geral são desprovidas de sistemas de
galerias, quanto nas ruas sem pavimentação, onde predominam forte erosão e muitos
buracos, tornando essas vias intrafegáveis durante o inverno amazônico.

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