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Sheila Arlinda Lucas parruque
Educação não formal, projecto sócio educativo e ação sócio educativo
Licenciatura em Ciências da Educação (L)
3° ano
Universidade Pedagógica de Maputo
Maputo
2024
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Sheila Arlinda Lucas parruque
Educação não formal, projecto sócio educativo e ação sócio educativo
Universidade Pedagógica de Maputo
Maputo
2024
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Índice
INTRODUÇÃO........................................................................................4
1. Objectivos.........................................................................................4
1.1. Objectivo Geral.............................................................................4
1.2. Objectivos Específicos....................................................................5
2. Metodologia.......................................................................................5
I. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...............................................................5
1. Educação Não Formal...........................................................................5
1.1. Dimensões da Educação não Formal...................................................6
1.2. Articulação entre a Educação Formal e Não Formal................................7
2. Projecto Sócio Educativo.......................................................................7
2.1. Importância do Projecto Socioeducativo...............................................7
2.2. Diferenças entre Projecto Social e Projecto Sócio Educativo......................8
2.3. Finalidade do Projecto Sócio Educativo...............................................9
3. Ação Sócio Educativa.........................................................................10
3.1. Importância da Ação Socioeducativa.................................................10
3.2. Finalidade da Ação Socioeducativa...................................................10
3.3. Estrutura da Ação Sócio Educativa...................................................11
II. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................13
III. BIBLIOGRAFIA................................................................................14
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INTRODUÇÃO
A educação, em suas diversas formas e abordagens, tem se mostrado um dos
pilares fundamentais para o desenvolvimento humano e social. Dentro desse amplo
campo, a educação não formal se destaca como uma alternativa cada vez mais relevante
para suprir lacunas deixadas pela educação formal, especialmente em contextos de
vulnerabilidade social e em áreas onde as demandas educacionais são mais urgentes e
dinâmicas. Este tipo de educação, como pontuado por autores como Coombs (1973) e
La Belle (1982), é caracterizado pela flexibilidade em termos de metodologia, tempo e
espaço, adaptando-se às necessidades específicas das comunidades. A educação não
formal desempenha um papel crucial ao possibilitar que grupos marginalizados ou com
acesso limitado à educação formal desenvolvam habilidades e conhecimentos práticos
que podem impactar suas realidades de maneira significativa. Além disso, ela oferece
um espaço de resistência e emancipação social, conforme destacado por Brandão
(2002), tornando-se um meio de capacitação e transformação, tanto individual quanto
colectiva.
Neste trabalho, busca-se explorar os conceitos de educação não formal e sua
articulação com a educação formal, apresentando suas inter-relações e
complementaridades. A relevância dos projectos sócio-educativos como instrumentos
de transformação social também será analisada, destacando sua estrutura e finalidade.
Ao longo da análise, será abordada a importância da ação sócio-educativa,
especialmente em contextos onde a educação formal se mostra insuficiente para atender
às demandas sociais e culturais locais. Autores como Freire (2005), Gadotti (2008) e
Gohn (2006) serão fundamentais para fundamentar essa discussão, oferecendo
perspectivas críticas sobre o impacto dessas formas de educação na sociedade. Assim, o
presente estudo visa contribuir para uma compreensão mais profunda da educação não
formal e de suas possibilidades de integração com a educação formal, ressaltando o
papel transformador que ambas podem exercer na promoção do desenvolvimento
humano e social.
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1. Objectivos
1.1. Objectivo Geral
Compreender a educação não formal e o seu impacto na promoção do
desenvolvimento social e pessoal de indivíduos em contextos onde o sistema
formal de ensino é insuficiente.
1.2. Objectivos Específicos
Conhecer as principais características da educação não formal e sua flexibilidade
em termos de metodologia, tempo e espaço;
Entender como a articulação entre a educação formal e a educação não formal
pode promover uma aprendizagem integral e contínua;
Conhecer o papel dos projectos sócio-educativos como ferramentas de inclusão
social e emancipação dos sujeitos marginalizados;
Explicar como as ações sócio-educativas são estruturadas para atender às
necessidades específicas das comunidades.
2. Metodologia
O presente trabalho é de natureza qualitativa, com uma abordagem descritiva e
exploratória para investigar o papel da educação não formal no desenvolvimento social
e pessoal. A colecta de dados foi feita por meio de revisão bibliográfica e análise
documental de estudos e autores relevantes, como Coombs, Gohn, Freire e outros que
abordam a educação não formal, projectos sócio-educativos e ações sócio-educativas.
A revisão bibliográfica incluiu livros, artigos acadêmicos e relatórios de
organizações que actuam na área de educação e desenvolvimento social. Os dados
colectados foram analisados por meio de análise de conteúdo, identificando padrões e
temáticas principais que respondam aos objectivos propostos.
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I. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1. Educação Não Formal
A educação não formal é um processo organizado que ocorre fora dos sistemas
educacionais formais, como escolas e universidades. Segundo Coombs (1973), a
educação não formal abrange actividades educativas realizadas de forma deliberada,
mas que não necessariamente seguem currículos rígidos, tendo como principal
característica a flexibilidade de tempo, espaço e metodologia. De acordo com La Belle
(1982), este tipo de educação visa atender necessidades específicas de um grupo ou
comunidade, oferecendo oportunidades de aprendizagem voltadas para o
desenvolvimento pessoal e social dos indivíduos. Além disso, Fordham (1993) afirma
que a educação não formal geralmente ocorre em espaços comunitários, organizações
não governamentais, e associações civis, com foco na resolução de problemas práticos.
Para Brandão (2002), a educação não formal representa um espaço de resistência e
emancipação social, especialmente em contextos onde a educação formal falha em
responder às demandas locais.
Segundo Gohn apud Melim e Rodrigues (2022) descreve o conceito de educação
não-formal como “um processo sociopolítico, cultural e pedagógico de formação para a
cidadania, entendendo o sociopolítico como a formação do indivíduo para interagir com
o outro em sociedade.”(MELIM E RODRIGUES, 2022).
Dessa forma, a educação não-formal tem carácter institucional e intencional,
compreende processos de socialização, mas não segue a estrutura rígida de organização
do conhecimento da educação formal segundo o currículo oficial. Podemos também
diferenciar as duas pelos espaços em que actuam, limitando a educação formal ao
edifício escola e a educação não-formal aos espaços já mencionados que ultrapassam os
muros das instituições educativas formais.
1.1. Dimensões da Educação não Formal
A educação não formal tem dimensões distintas a serem levadas em consideração,
pois elas ressaltam os campos de actuação desta educação no indivíduo. Tem como base
o Programa Nacional de Educação em Direitos Humanos do Ministério da Educação, e
tem campos ou dimensões que correspondem a muitas áreas de abrangência (GONH,
1999).
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Uma das dimensões da educação não formal envolve a aprendizagem política dos
direitos dos sujeitos, enquanto cidadãos, num processo grupal participativo, gerador de
conscientização voltada à compreensão de interesses individuais, do meio social e da
natureza circundante. Uma outra refere-se à capacitação para o trabalho, por meio da
aprendizagem de habilidades ou desenvolvimento de potencialidades. A terceira, refere-
se à aprendizagem para o exercício de práticas que capacitem os sujeitos a se organizar
com objectivos comunitários, voltados para a solução de problemas do cotidiano. A
quarta, esta voltada à aprendizagem dos conteúdos da escolarização formal escolar, em
formas e espaços diferenciados. A quinta, é à educação desenvolvida na e pela mídia,
em especial a eletrônica. E a sexta, a da educação para a vida ou para a arte de viver
bem, utilizada como estratégia de resistência ao estresse (GOHN apud DE OLIVEIRA
et al. 2007).
1.2. Articulação entre a Educação Formal e Não Formal
A articulação entre educação formal e não formal é essencial para uma educação
integral que considere todas as dimensões do desenvolvimento humano. Para Torres
(2001), a educação formal e a não formal não são opostas, mas complementares,
oferecendo uma rede de aprendizagem contínua e abrangente. Coombs (1989) explica
que a educação formal fornece as bases acadêmicas e estruturais para o indivíduo,
enquanto a não formal oferece contextos de aprendizagem mais práticos, orientados pela
necessidade imediata da sociedade. Segundo Gohn (2006), a articulação entre ambas
pode potencializar o impacto educacional, pois a educação não formal permite que os
conhecimentos adquiridos na escola sejam aplicados em contextos reais, enquanto as
instituições formais podem incorporar metodologias mais flexíveis da educação não
formal. Para Gadotti (2008), essa relação é ainda mais necessária em países em
desenvolvimento, onde as lacunas deixadas pela educação formal precisam ser supridas
por iniciativas educacionais não formais que abordem questões sociais e culturais locais.
2. Projecto Sócio Educativo
Um projecto sócio-educativo é uma iniciativa estruturada voltada para a promoção
da educação e do desenvolvimento social de grupos ou comunidades específicas.
Segundo Gohn (2003), esses projectos têm como objectivo proporcionar espaços de
aprendizagem que não apenas transmitam conhecimento, mas que também transformem
a realidade social dos participantes. Para Mészáros (1999), os projectos sócio-
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educativos se caracterizam por integrar educação e ação social, visando tanto o
desenvolvimento individual quanto a melhoria das condições colectivas. Freire (2005)
afirma que esses projectos devem ser fundamentados em uma pedagogia crítica, onde o
educando é agente activo na construção do conhecimento e na transformação da sua
realidade. Além disso, Paro (2011) observa que os projectos sócio-educativos buscam,
de maneira geral, responder às demandas de populações marginalizadas, promovendo a
inclusão social por meio de práticas educativas contextualizadas.
2.1. Importância do Projecto Socioeducativo
A importância de um projecto socioeducativo está directamente relacionada à sua
capacidade de transformar o ambiente e a vida das pessoas envolvidas. O foco está em
garantir o acesso a oportunidades educacionais, culturais e sociais, especialmente para
populações marginalizadas. De acordo com Freire (1996), "a educação deve ser um acto
de libertação", e os projectos socioeducativos cumprem esse papel ao capacitar
indivíduos a se tornarem agentes activos em suas comunidades, promovendo o
desenvolvimento pessoal e social.
Combate às Desigualdades: Um dos principais benefícios de projectos
socioeducativos é a capacidade de reduzir as desigualdades sociais, oferecendo acesso a
recursos e serviços que de outra forma estariam fora do alcance de grupos vulneráveis.
Segundo Bourdieu (1999), a educação tem um papel crucial na quebra de ciclos de
exclusão, e os projectos socioeducativos são ferramentas importantes nessa luta.
Inclusão Social: Através da criação de ambientes inclusivos, esses projectos
permitem que os participantes se envolvam em actividades que desenvolvem tanto
habilidades sociais quanto acadêmicas, favorecendo a reintegração social. Libâneo
(2002) argumenta que práticas educativas que promovem a inclusão contribuem para a
construção de uma sociedade mais equitativa, onde todos têm acesso aos mesmos
direitos e oportunidades.
Desenvolvimento Integral: Esses projectos visam o desenvolvimento completo do
indivíduo, não apenas no aspecto cognitivo, mas também nos âmbitos emocional, ético
e social. Vigotski (1984) destaca que o desenvolvimento humano é um processo social,
e os projectos socioeducativos ajudam a nutrir esse crescimento, promovendo
habilidades como empatia, cooperação e responsabilidade social.
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2.2. Diferenças entre Projecto Social e Projecto Sócio Educativo
Há diferenças significativas entre um projecto social e um projecto sócio-
educativo, embora ambos possam se complementar. Segundo Gohn (2010), um projecto
social é mais abrangente e visa atender a necessidades básicas, como saúde, moradia e
alimentação, buscando melhorar a qualidade de vida de uma comunidade. Já os
projectos sócio-educativos, como apontado por Trilla (1996), têm um foco específico na
educação, utilizando-a como uma ferramenta para o desenvolvimento social e
transformação das condições de vida dos participantes. Para Freire (2005), enquanto o
projecto social pode actuar directamente em questões emergenciais, o sócio-educativo
foca na conscientização e capacitação dos indivíduos para que se tornem agentes de
mudança em sua própria comunidade. Dessa forma, Gohn (2006) conclui que, apesar de
ambos terem finalidades sociais, o projecto sócio-educativo tem uma ênfase maior na
formação educacional como meio de transformação social.
2.3. Finalidade do Projecto Sócio Educativo
A principal finalidade de um projecto sócio-educativo é promover a inclusão social
e o desenvolvimento humano por meio da educação. Segundo Gadotti (2000), esses
projectos visam capacitar indivíduos marginalizados, oferecendo-lhes as ferramentas
necessárias para a superação das desigualdades sociais. Freire (2005) destaca que a
finalidade última de qualquer projecto sócio-educativo deve ser a emancipação dos
sujeitos, permitindo que eles se tornem protagonistas de suas próprias histórias e da
transformação de sua realidade social. Além disso, Trilla (2002) aponta que esses
projectos buscam não apenas o aprendizado de conteúdos formais, mas também o
desenvolvimento de competências sociais, como a convivência em grupo, a resolução
de conflitos e a tomada de decisões colectivas.
As finalidades de um projecto socioeducativo podem variar de acordo com o
contexto e as necessidades da população-alvo, mas geralmente incluem:
Formação Cidadã: Uma das principais finalidades é a promoção da cidadania
activa. Os projectos socioeducativos buscam capacitar os participantes para que
compreendam seus direitos e deveres, além de desenvolverem uma consciência crítica
sobre seu papel na sociedade. Segundo Gadotti (2000), a educação para a cidadania é
fundamental para a construção de uma sociedade democrática e participativa.
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Integração Comunitária: Outra finalidade importante é fortalecer os laços
comunitários, promovendo o envolvimento dos indivíduos em suas comunidades. Isso
ajuda a criar redes de apoio e cooperação que são essenciais para o desenvolvimento
sustentável de qualquer grupo social. Projectos desse tipo promovem a solidariedade e a
coesão social, como destaca Patto (2004).
Desenvolvimento de Competências: Muitos projectos socioeducativos têm como
finalidade capacitar os indivíduos para o mercado de trabalho, através de actividades de
formação profissional, oficinas e cursos. Além disso, buscam desenvolver habilidades
interpessoais e comportamentais que aumentam as chances de sucesso pessoal e
profissional dos envolvidos.
Prevenção da Marginalização: Através de intervenções educativas e sociais, esses
projectos actuam na prevenção de comportamentos de risco e na protecção de
indivíduos em situações de vulnerabilidade. A educação, nesse sentido, é uma
ferramenta poderosa para combater a marginalização e a exclusão social.
3. Ação Sócio Educativa
A ação sócio-educativa é um conjunto de práticas e intervenções voltadas para o
desenvolvimento educacional e social de indivíduos ou comunidades. Segundo
Mészáros (1999), essas ações ocorrem em espaços não formais de educação, como
centros comunitários, organizações não governamentais (ONGs) e grupos de apoio, e
têm como objectivo principal a promoção do bem-estar e do desenvolvimento integral
dos participantes. Para Gohn (2006), as ações sócio-educativas buscam transformar a
realidade social por meio da educação, utilizando metodologias participativas que
incentivem o protagonismo dos educandos. Freire (2005) ressalta que essas ações
devem sempre partir das necessidades e demandas das comunidades envolvidas,
valorizando o conhecimento local e promovendo uma educação libertadora.
3.1. Importância da Ação Socioeducativa
A ação socioeducativa desempenha um papel fundamental na promoção da justiça
social e no combate às desigualdades. Segundo Paulo Freire (1996), a educação deve ser
um acto de liberdade, onde o educando e o educador se tornam sujeitos de sua própria
aprendizagem e de transformação social. Nesse sentido, a ação socioeducativa contribui
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para o empoderamento dos indivíduos, possibilitando que eles sejam agentes de
mudança em suas comunidades e em suas vidas.
Para Patto (2004), a ação socioeducativa é essencial para criar condições que
permitam às pessoas em situação de risco social superarem a exclusão, oferecendo-lhes
ferramentas que possibilitem o desenvolvimento de habilidades sociais, emocionais e
cognitivas. Libâneo (2002) destaca que as ações educativas voltadas para o social têm o
potencial de reduzir as lacunas educacionais e sociais, contribuindo para uma sociedade
mais equitativa e solidária.
3.2. Finalidade da Ação Socioeducativa
A finalidade da ação socioeducativa é múltipla, mas pode ser resumida em alguns
pontos principais:
Inclusão Social: Promover a integração dos indivíduos marginalizados no tecido
social, oferecendo-lhes oportunidades de participação e desenvolvimento.
Formação Integral: Desenvolver não apenas aspectos cognitivos, mas também
emocionais, éticos e sociais dos indivíduos, como proposto por Vigotski (1984), que
enfatiza a importância do desenvolvimento completo do ser humano.
Cidadania Activa: Capacitar os indivíduos para que se tornem cidadãos críticos,
conscientes de seus direitos e deveres, capazes de atuar de forma ativa e responsável em
sua comunidade, como salientado por Gadotti (2000).
Redução das Desigualdades: Combater as desigualdades educacionais e sociais,
especialmente entre os grupos mais vulneráveis, através de práticas inclusivas e
transformadoras, como sugerido por Bourdieu (1999), que discute o papel da educação
na reprodução e transformação social.
3.3. Estrutura da Ação Sócio Educativa
A ação sócio-educativa deve ser estruturada com base em uma análise contextual
da realidade social dos participantes. Segundo Paro (2011), o primeiro passo na
estruturação de uma ação sócio-educativa é o diagnóstico das necessidades da
comunidade, seguido pela definição de objectivos claros e específicos. Gohn (2006)
destaca que essas ações devem ser desenvolvidas de forma participativa, envolvendo
todos os actores sociais na planificação e execução das actividades. Freire (2005)
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defende que a estruturação dessas ações deve ter como base a pedagogia da autonomia,
onde os educandos são incentivados a tomar decisões e a participar activamente no
processo educativo. Para Gadotti (2008), é fundamental que as ações sócio-educativas
incluam momentos de avaliação e reflexão, permitindo ajustes ao longo do processo e
garantindo a efectividade dos resultados. Assim sendo, uma acção sócio educativo pode
ter a seguinte estrutura:
3.3.1. Diagnóstico das Necessidades
O diagnóstico das necessidades é o ponto de partida para qualquer ação sócio-
educativa bem-sucedida. Segundo (FREIRE apud LIBÂNEO, 1998) o educador deve
ser capaz de "ler o mundo" e compreender as reais necessidades da comunidade, para
que o processo educativo faça sentido e tenha impacto significativo. Este diagnóstico
permite identificar as condições sociais, culturais e educacionais dos envolvidos,
permitindo uma intervenção mais eficaz.
3.3.2. Planificação da Intervenção
Após o diagnóstico, a planificação da intervenção é essencial. Como afirma
(FREIRE apud LIBÂNEO, 1998), "não há prática educativa sem reflexão crítica", ou
seja, a planificação deve ser cuidadosamente pensada, considerando tanto os recursos
disponíveis quanto as metodologias que melhor se adequam às necessidades do público-
alvo. A flexibilidade na planificação também é fundamental, como pontua (LIBÂNIO
apud LUCKESI, 2005), para que o projecto possa ser ajustado conforme as mudanças
no contexto social.
3.3.3. Desenvolvimento de Actividades
As actividades dentro da ação sócio-educativa devem ser planificada com o
objectivo de promover o desenvolvimento integral do indivíduo. (FREIRE apud
LUCKESI, 2005) ressalta que "a educação deve ser uma prática de liberdade", e,
portanto, as actividades devem incentivar a participação activa dos envolvidos,
promovendo o diálogo e a construção colectiva do conhecimento. A autonomia dos
participantes deve ser uma das principais metas de qualquer ação sócio-educativa.
3.3.4. Avaliação e Monitoramento
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A avaliação e o monitoramento das ações são passos cruciais para garantir que os
objectivos estejam sendo atingidos. Como (LIBÂNEO apud FREIRE, 1987) destaca
que, a avaliação deve ser contínua e dialógica, permitindo uma revisão constante das
práticas para ajustá-las às necessidades emergentes. A avaliação não deve ser
meramente quantitativa, mas também qualitativa, refletindo sobre o impacto da ação na
transformação dos participantes.
3.3.5. Sustentabilidade e Continuidade
A sustentabilidade da ação sócio-educativa é um fator determinante para seu
sucesso a longo prazo. Como aponta (LUCKESI apud LIBÂNEO, 1998), "a educação
deve ser um processo contínuo", e para isso, é necessário criar mecanismos que
garantam a continuidade das ações, mesmo após o término dos projectos iniciais.
Parcerias e a capacitação de agentes locais são formas de assegurar que os benefícios da
ação perpectuem.
II. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A educação não formal desempenha um papel crucial no desenvolvimento social e
pessoal de indivíduos, especialmente em contextos onde o sistema formal de ensino é
insuficiente para atender às necessidades específicas de determinadas populações. Ao
oferecer uma abordagem flexível e contextualizada, ela complementa a educação
formal, criando uma rede mais ampla de oportunidades educativas. A articulação entre
esses dois tipos de educação é fundamental para proporcionar uma formação integral,
conforme defendido por diversos teóricos.
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Os projectos sócio-educativos emergem como instrumentos poderosos de
transformação social, promovendo inclusão e capacitação de indivíduos e comunidades
marginalizadas. Ao aliar educação e ação social, esses projectos não apenas transmitem
conhecimento, mas também visam à conscientização e à emancipação dos sujeitos.
Nesse sentido, a educação é vista como um meio de transformação, possibilitando que
os participantes se tornem protagonistas de suas realidades.
As ações sócio-educativas, quando bem estruturadas, promovem um impacto
positivo nas comunidades, especialmente quando baseadas em uma análise cuidadosa
das necessidades locais e no envolvimento activo dos educandos. Ao focar na
autonomia e no protagonismo dos indivíduos, essas iniciativas garantem que o processo
educativo esteja em sintonia com os desafios e aspirações da comunidade, gerando
resultados efectivos e duradouros. Assim, a educação não formal e os projectos e ações
sócio-educativos se consolidam como ferramentas essenciais para o desenvolvimento
humano e social.
III. BIBLIOGRAFIA
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