NOVAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA: a descaracterização da educação
integrada.
Diana Sousa Silva Correa1
Renata dos Santos Ferreira2
Helis Augusto Oliveira da Silva3
Eliane Maria Pinto Pedrosa4
RESUMO
O presente artigo é fruto de uma pesquisa realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação
Pós
em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT) e tem como objetivo analisar em que medida
CNE/CP Nº 1/2021 para a
as Novas Diretrizes Curriculares Nacionais, definidas pela Resolução CNE/CP
educação profissional e tecnológica, desca racterizam a educação integrada. A pesquisa foi
descaracterizam
realizada através de uma pesquisa bibliográfica e análise dos documentos normativos que
orientam a educação profissional, especialmente as Diretrizes Curriculares Nacionais. Nesse
sentido, este trabalho, tendo como paradigma o materialismo dialético, busca responderesponder às
seguintes questões: Qual o contexto de instituição das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN
1999, DCN 2012 e DCNEPT 2021) que orientam a educação profissional? Quais os valores e
princípios das novas diretrizes instituídas em 2021 e em que medida es essas diretrizes
descaracterizam a educação integrada? Para tanto, recorremos aos postulados dos autores do
campo trabalho e educação, dentre os quais se destacam: Ramos (2005, 2008, 2012, 2014),
Frigotto (2007), Ciavatta (2021) e Saviani (2007). Na análise empreendida, evidenciamos que as
novas diretrizes da Educação Profissional e Tecnológica, aprovadas em 2021, descaracterizam a
educação integrada na medida em que constituem como princípio básico a formação fragmentada
e alinhada com os interesses do capit al e não com os interesses da classe trabalhadora, priorizam
capital
a concomitância em detrimento da educação integrada a partir dos itinerários formativos, além de
defenderem incondicionalmente o notório saber, culminando numa educação fragilizada, aligeirada
e precarizada.
Palavras-chave:: Diretrizes. Educação Profissional. Descaracterização. Educação Integrada.
ABSTRACT
This article is the result of a research conducted in the Conceptual Basis Subject of the
Postgraduate Program in Professional and Technological Education (ProfEPT) and aims to analyze
to what extent the New National Curriculum Guidelines for Professional Education mischaracterize
the integrated education, through a bibliographic research and normative documents analysis that
ofessional Education, especially the National Curriculum Guidelines. In this regard, this
guide Professional
study which is based on the dialectical materialism paradigm, aimed to answer the following
Guidelines (DCNs
questions: What is the context of institution of the National Curricular Guidelines (DCN 1999,
DCNs 2012 and DCNEPTs 2021) that guide professional education? What are the values and
principles of the new guidelines instituted in 2021 and to what extent do these guidelines
1
mail: [Link]@[Link].
Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica – e-mail:
2
mail: [Link]@[Link].
Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica – e-mail:
3
mail: [Link]@[Link].
Mestrando em Educação Profissional e Tecnológica – e-mail:
4
Pós Graduação em Educação Profissional e Tecnológica – e-
Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação
mail: elianempedrosa@[Link].
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 203
mischaracterize integrated education? For this purpose, we resorted to the postulates of the
authors in the labor and education field among who we stand out: Ramos (2005, 2008, 2012, 2014),
Frigotto (2007), (Ciavatta) (2021) and Saviani (2007). In the analysis performed, we show that the
essional and technological education approved in 2021, mischaracterize
new guidelines for professional
integrated education to the extent that they constitute as a basic principle the fragmented education
and aligned with the labor market interests and not with the working class interest interests, prioritize
concomitance to the detriment of integrated education from the training routes in addition to
unconditionally defending the notorious knowledge culminating in a weakened, unreliable, and
precarious education.
Keywords: Guidelines. Professional Education. Mischaracterization Integrated Education.
INTRODUÇÃO
No contexto da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil, há pelo
menos três diretrizes curriculares nacionais que foram implementadas com o
sistematização desta modalidade: as Diretrizes Curriculares
objetivo de definir a sistematização
Nacionais de 1999, que orientam a Educação Profissional sem nenhum vínculo
com as demais modalidades de ensino; as Diretrizes Curriculares Nacionais para
2012, que tiveram como
a Educação Profissional Técnica de Nível Médio de 2012, c
Médio à educação profissional; e as Diretrizes
finalidade a integração do Ensino Médio
Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Profissional e Tecnológica, que
trouxeram profundas mudanças nas orientações para a Educação Profissional no
que tange aos princípios norteadores, itinerários formativos e formação docente.
Nesse sentido, este estudo tem como objetivo analisar em que medida as
Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional e
formação integrada na Educação Profissional.
Tecnológica descaracterizam a formação
Através de uma pesquisa bibliográfica e documental, este trabalho tem
como finalidade responder às seguintes questões: Qual o contexto de instituição
(DCNs 1999, DCNs 2012 e DCNEPTs
das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN D 2021)
que orientam a educação profissional? Quais os valores e princípios das novas
diretrizes instituídas em 2021? E em que medida essas diretrizes descaracterizam
a educação integrada?
Para tanto, recorre-se
recorre aos postulados dos autores do campo tra
trabalho e
educação, dentre os quais se destacam: Ramos (2005, 2008, 2012, 2014),
201
Frigotto (2007), Ciavatta (2021) e Saviani (2007), com base nos seguintes
documentos: Nota de Repúdio do Grupo de Trabalho do campo - Trabalho e
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 204
Educação - da Anped, (2021) e o documento do Grupo de Trabalho do Fórum de
Dirigentes de Ensino integrado ao Conif (2021).
apresenta se o recorte histórico da Educação
Assim, na primeira seção, apresenta-se
Profissional a partir da promulgação do Decreto nº 5.154/2004. Na segunda,
discute-se sobre o conceito de formação integral e educação integrada. E, por fim,
se em que medida as novas diretrizes da Educação Profissional
analisa-se
descaracterizam a formação integrada na Educação Profissional.
REFERENCIAL TEÓRICO
A reforma da Educação Profissional e Tecnológica obteve um forte avanço
a partir do Decreto 5.154/2004, promulgado em 23 de julho de 2004. Tal
documento defende um ensino técnico que integra educação geral e educação
profissional na perspectiva da politecnia e omnilateralidade. Essa ideia de
formação integrada sugere superar o ser humano dividido historicamente pela
divisão social e técnica do trabalho, entre a ação de executar e a ação de pensar,
dirigir ou planejar (Ciavatta, 2005).
O decreto aponta que a Educação Profissional técnica de nível
ní médio deve
ser desenvolvida mantendo uma articulação com o ensino médio, atendendo aos
objetivos estabelecidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais, às normas dos
sistemas de ensino e aos princípios estabelecidos no Projeto Pedagógico de cada
instituição de ensino.
De acordo com o art. 4º do Decreto 5.154/2004, a articulação citada ocorre
de três maneiras: I – Integrada, ofertada a quem concluiu o ensino fundamental,
sendo que a habilitação profissional é técnica de nível médio, com matrícula única,
fundamental, está cursando
II – Concomitante, ofertada a quem concluiu o ensino fundamental,
édio e fazendo a complementaridade na educação profissional técnica
o Ensino Médio
édio, pressupondo matrículas distintas, III – Subsequente, ofertada a
de Nível Médio,
quem concluiu o Ensino
no M
Médio (Brasil, 2004).
O referido Decreto, apesar de estabelecer articulação com as Diretrizes
Curriculares Nacionais vigentes definidas pelo Conselho Nacional de Educação,
gerou algumas inquietações entre os técnicos do Ministério da Educação, através
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 205
de
e uma nítida desarticulação governamental. Isso ocorreu porque houve
articulação entre as secretarias do Ensino Médio e da Educação Profissional,
as em espaços distintos, o que distanciou a possibilidade da formação
mantendo-as
integrada se tornar uma realidade.
realidade. Apesar dos avanços do ponto de vista da lei,
foram "mantidas tanto as bases da educação produtivista quanto as bases de uma
educação que pretende superar este viés, buscando minimamente devolver ao
organização taylorista/fordista
trabalhador o saber que lhe fora parcelarizado pela organização
do trabalho" (Oliveira, 2005, pp. 94
94-95).
Por outro lado, Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005) apontam que esse
decreto deve ser interpretado como um ganho político e como a sinalização de
deixar que seja manipulado pelo
mudanças, exigindo cuidado para não deixar
conservadorismo ou pelos interesses determinados pelo mercado. Assim, o
Ensino Médio defendido pelos autores corresponde à formação integrada que tem
base nos conhecimentos histórico-sociais,
histórico tecnológicos e como horizonte
científico-tecnológicos horiz
promover uma educação que permita aos estudantes a compreensão dos
fundamentos técnicos, culturais, sociais e políticos que envolvem o sistema
produtivo.
Em 2005, impulsionado pelo Decreto 5.154/2004, através da Secretaria de
Tecnológica (Setec/MEC), foi criado o Plano de Expansão
Educação Profissional e Tecnológica
da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica a fim de ampliar a
existência dos institutos em todo o Brasil, revogando a Lei nº 8.848/94, que proibia
a criação de novas unidades de ensino prof
profissional.
Com 144 unidades e com a eminência de uma expansão, buscou
buscou-se
através de muitos diálogos a melhor maneira de organizar e distribuir a rede
federal de ensino. Nesse sentido, um novo paradigma foi idealizado através da Lei
objetivo de atingir 366 unidades até 2010, permitindo que
11.892/2008 com o objetivo
fazer a “travessia” a partir de um Ensino Médio
estudantes possam fazer M integrado ao
ensino técnico em conformidade com realidades concretas (B rasil, 2015).
(Brasil
foram idealizados e
Nesse novo cenário, diversos itinerários formativos foram
alinhados por eixos tecnológicos o que pode possibilitar ao discente uma
caminhada que valoriza a diversidade e os movimentos sociais, organizados a
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 206
partir de metodologias trazidas com as alterações do § 1º do artigo 39 da LDB nº
9.394/1996.
A criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
ocorreu por meio da Lei 11.892, em dezembro de 2008. Estes institutos foram
concebidos com a missão de promover uma educação alinhada aos princípios da
crítico, integrando ciência, tecnologia, cultura e
educação e do pensamento crítico,
conhecimentos essenciais para a autonomia dos indivíduos. Organizados de
forma pluricurricular e multicampi, essas instituições têm como objetivo fortalecer a
inserção dos brasileiros no mercado de trabalho, fomentar
fomentar a inovação tecnológica
e promover uma educação comprometida com a preservação do meio ambiente.
A formação inicial e continuada é outro ponto importante estabelecido pela
lei de criação dos institutos. Seu objetivo é proporcionar aos estudantes uma
ormação baseada em habilidades que aumentem suas chances de inserção e
formação
permanência no mercado de trabalho, reduzindo os índices de exclusão e
aumentando a geração de renda. Considerando que a formação é um processo
contínuo, a verticalização ocorre por meio
meio dos diversos níveis e modalidades da
educação profissional e tecnológica, abrangendo desde o ensino básico até o
ensino superior. Esse processo leva em consideração atividades de ensino,
pesquisa e extensão, com o intuito de incentivar os alunos a prosseguirem
prosse seus
se em um projeto pedagógico com currículos flexíveis e
estudos, baseando-se
oferecendo diversas áreas do conhecimento.
O artigo 7º da lei de criação dos institutos federais estabelece os objetivos
Estess incluem a oferta prioritária do
que orientam o funcionamento da rede federal. Este
Ensino Médio na forma de cursos integrados, a ministração de cursos de formação
inicial e continuada em áreas profissionais e tecnológicas, a realização de
pesquisas voltadas para o benefício e soluções da comunidade, o
senvolvimento de atividades de extensão em articulação com o mundo do
desenvolvimento
trabalho e os segmentos sociais, a oferta de cursos superiores abrangendo
tecnologias, licenciaturas e bacharelados, e a formação de especialistas em
diversas áreas do conhecimento por m graduação lato sensu
meio de cursos de pós-graduação
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 207
e stricto sensu,, como mestrado e doutorado, considerando a geração e inovação
tecnológica (Brasil, 2008).
FORMAÇÃO INTEGRAL NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
istoricamente, a educação é marcada por uma dualidade estrutural que
Historicamente,
está intrinsecamente ligada às lutas de classe no âmbito do capitalismo. Nessa
dinâmica, enquanto os filhos da classe dirigente têm acesso privilegiado a uma
educação propedêutica abrangente, os filhos da classe trabalhadora muitas vezes
são relegados a uma formação puramente operacional, adquirida no próprio
processo de trabalho (Ramos, 2005).
Segundo os autores Ramos, Frigotto e Ciavatta (2005), a educação
integrada se baseia em dois princípios fundamentais. Primeiramente, busca-se
busca
uma escola que não seja dual, ou seja, que proporcione a todos os estudantes
acesso aos conhecimentos de forma abrangente. Além disso, a integração visa
promover uma educação politécnica, na qual o aluno, por meio da educação
profissional, desenvolva uma compreensão ampla da cultura, da ciência e do
mundo do trabalho. Isso inclui a capacidade de pensar criticamente e fazer
escolhas diversas em seu cotidiano.
Quanto à educação politécnica, é importante ressaltar que ela não deve ser
confundida com uma escola que possua apenas uma variedade de técnicas ou
escola
habilidades, mas sim associada a uma educação que integre o desenvolvimento
integral do sujeito, tanto intelectual, tecnológico, científico quanto cultural,
formando-o
o como um todo, sem fragmentação, viabilizando
viabilizando um inter
inter-
relacionamento da sociedade com a educação.
DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL
A organização do currículo da Educação Profissional se dá por meio das
diretrizes emanadas pelo Conselho Nacional de Educação, que trazem os
princípios, formas de organização, estruturação e funcionamento das etapas e que
têm um papel de grande relevância no contexto educacional, pois são elas que
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 208
orientam o currículo nas diferentes modalidades de ensino, tais como Educação
ducação Profissional, Educação de Jovens e Adultos e Ensino superior
Básica, Educação
(Pimentel, 2022).
Desde a incorporação da educação profissional como um processo
educacional na LDB, Lei 9.394/96, foram promulgadas pelo Ministério da
Educação três diretrizes curriculares: as Diretrizes Curriculares Nacionais para a
Educação Profissional de Nível Técnico, mediante a Resolução CNE/CEB N.º 4,
de 8 de dezembro de 1999; as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Profissional Técnica de Nível Médio, por meio
meio da Resolução CNE/CEB Nº 6, de 20
de setembro de 2012; e as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a
Educação Profissional e Tecnológica, definidas pela Resolução CNE/CP Nº 1, de
5 de janeiro de 2021.
DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO
EDUC
PROFISSIONAL DE NÍVEL TÉCNICO – 1999
A Lei nº 9.394/1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, congregou nos artigos 39 a 42 a educação profissional como um
processo educacional, porém, sem vinculação com as diferentes etapas de
escolaridade, o que favoreceu a reforma da educação profissional por meio do
Decreto nº 2.208/1997.
Segundo Ramos (2014) Decreto regulamentou a Educação Profissional em
três níveis: básico, técnico e tecnológico. O nível técnico destinava-se
destinava a
proporcionarr habilitação profissional a alunos matriculados ou egressos do Ensino
Médio, devendo ter organização curricular própria e independente do primeiro,
podendo ser oferecida de forma concomitante ou sequencial a este.
Ainda conforme a autora, a promulgação do Decreto se justifica sob a ótica
do governo pelo custo da formação profissional de nível médio e à suposta
elitização deste tipo de ensino, que estariam ocorrendo principalmente em escolas
federais. Sob o mesmo prisma, o Banco Mundial defendia que os recursos
recu
deveriam ser revertidos, então, para aqueles com menor expectativa social,
principalmente por meio de cursos profissionalizantes básicos que requerem
pouca escolaridade (Ramos, 2014).
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 209
Neste contexto de separação entre formação geral e formação profis
profissional,
foram instituídas as primeiras Diretrizes para orientar o currículo da educação
profissional de nível técnico mediante a Resolução CNE/CEB nº 4, de 8 de
dezembro de 1999 que tem como fundamento uma concepção de educação
fragmentada, voltada para o os interesses do mercado.
Segundo Pimentel (2022), esse documento foi duramente criticado pelos
intelectuais progressistas por apresentar fragmentação entre a área básica e a
técnica, decorrente do Decreto nº. 2.208/1997. Trata
Trata-se
se de uma diretriz que
promove
ove uma visão mercadológica da educação, sendo elaborada sem discussão
com a sociedade.
Nesse sentido, houve um embate ideológico entre duas concepções de
Educação Profissional: de um lado, a defesa por uma formação fragmentada sem
básica, articulada estritamente com o mercado de
vínculo com a educação básica,
trabalho e, do outro lado, a luta por uma formação que integra os fundamentos da
formação humana, tais como trabalho, ciência e cultura.
A autora destaca que esse conflito em torno da Educação Profissional
sultou na revogação do Decreto nº 2.208/97 pelo Decreto nº 5.154/04. A esse
resultou
respeito, Ramos (2014, p. 66) argumenta que a finalidade desse documento
consistiu em restabelecer “os princípios norteadores de uma política de educação
com a educação básica, tanto como um direito das pessoas
profissional articulada com
quanto como uma necessidade do país”, a partir da integração entre Ensino Médio
e Educação Profissional.
Dessa forma, o novo decreto, apesar de ainda permitir a concomitância e o
ensino subsequente, configurou se como uma mudança de paradigma da para a
configurou-se
modalidade, uma vez que permitiu aos filhos da classe trabalhadora cursar o
formação geral e profissional em um único curso, numa
Ensino Médio que integra formação
mesma instituição. Portanto, esse novo contexto exigiu novas diretrizes para
orientar a Educação Profissional.
se a necessidade de se reconstruírem princípios e
[...] Mantinha-se
fundamentos da formação dos trabalhadores para uma concepção
Acreditava se que a mobilização
emancipatória dessa classe. Acreditava-se mobilizaç da
Médio unitário e politécnico que,
sociedade pela defesa do Ensino Médio
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 210
conquanto admitisse a profissionalização, integrassem em si os princípios
trabalho e da cultura, promoveria um fortalecimento das
da ciência, do trabalho
forças progressistas para a disputa por uma transformação mais
estrutural da educação brasileira. (Ramos,
( , 2014. 74).
Não obstante isso, não houve preocupação por parte do Ministério da
zar a sociedade civil para a organização de novas diretrizes.
Educação em mobilizar
Dessa forma, mesmo após o Decreto de 2004 prever a integração entre Educação
Profissional e Educação Geral, continua em vigência a DCN de 1999.
iculares Nacionais para
[...] A manutenção da validade das Diretrizes Curriculares
o Ensino Médio e para a Educação Profissional após a edição do novo
decreto deu continuidade à política curricular do governo anterior,
marcada pela ênfase no individualismo e na formação por competências
voltadas para a empregabili dade. O relator, por conhecer bem o
empregabilidade.
pensamento do governo passado e dos empresários, acomodou o
Decreto n. 5.154/2004 aos interesses conservadores, anulando o
potencial que estava em sua origem. Sob as diretrizes curriculares
Parecer que sedimentou a separação, as
nacionais vigentes e um Parecer
perspectivas de mudanças substanciais de ordem conceptual, ética,
política e pedagógica, que poderiam ser impulsionadas pelo governo
ficaram adiadas, (Ramos,
(R 2014. 74).
Somente em 2007, foi publicado o Documento Base da Educação
Ed
Profissional Técnica de nível médio ((Brasil, 2007, p. 55) tendo como finalidade a
concretização dessa oferta, suas concepções, princípios e alguns pressupostos
político-pedagógico integrado que se propõe a:
para a construção de um projeto político
Não reduzir a educação às necessidades do mercado de trabalho, mas
também não ignorar as exigências da produção econômica, visto como o
campo de onde os sujeitos sociais retiram os meios de vida.
Construir e contar com a adesão de gestores e educadores respons
responsáveis
pela formação geral e pela formação específica, bem como da comunidade
em geral.
Articular a instituição com familiares dos estudantes e a sociedade em
geral.
Considerar as necessidades materiais dos estudantes, bem como
didáti pedagógicas às escolas e aos professores.
proporcionar condições didático-pedagógicas
Transformar o projeto de formação integrada em uma experiência de
democracia participativa e de recriação permanente.
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 211
Resgatar a escola como um lugar de memória.
realizada em 2012, após muitos
A instituição de novas diretrizes só foi realizada
embates entre os grupos que defendiam a manutenção da fragmentação da
lei e aqueles que defendiam a educação como uma totalidade social.
AS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO – 2012
Diferentemente das diretrizes anteriores, as Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Educação Profissional instituídas em 2012 são resultado de um
amplo debate realizado em audiências públicas, seminários da Educação
Profissional e grupos de trabalho.
Participaram do debate diversos atores da sociedade civil e do Estado, tais
como servidores de instituições públicas e privadas, representantes do Conselho
Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica (Conif),, representantes da Associação Nacional de Pós-graduação
Pós e
Pesquisa em Educação (Anped), bem como a colaboração de intelectuais da
educação profissional (Pacheco, 2012).
As DCN de 2012 foram forjadas mediante muitas disputas, mas configuram-
configuram
se como um avanço
ço para a educação profissional, que tem como fundamento a
concepção de formação humana integrada. Neste sentido, Ramos (2008) ressalta
que a integração não se resume apenas na articulação entre educação básica e
integração de todas as dimensões da
educação profissional, mas compreende a integração
vida, como trabalho, ciência, tecnologia e cultura; a indissociabilidade entre
educação profissional e educação básica; e a integração de conhecimentos gerais
e específicos como totalidade.
DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAI
NACIONAISS GERAIS PARA A EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – 2021
As Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional e
Tecnológica (DCNEPT), aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE)
por meio da Resolução nº 1, de 5 de janeiro de 2021, estão inseridas em uma
2021,
conjuntura de política pública orientada por uma visão neoliberal.
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 212
O principal marco em que se engendrou essa contrarreforma é o
processo de golpe em curso contra a sociedade brasileira iniciado em
Estado brasileiro ainda “mais mínimo” para a
2016, que objetiva tornar o Estado
garantia dos direitos sociais e “mais máximo” na regulação dos interesses
do grande capital nacional e internacional e que teve como primeiro ato o
impedimento da presidenta Dilma Rousseff (Conif,
(C , 2021, p.7).
Segundo Oliveira (2022),
(202 a partir do impeachment da presidente Dilma
Rousseff, o cenário da política pública brasileira se alinha mais explicitamente aos
interesses do capital. O novo governo de Michel Temer adotou três medidas que
caminham nessa direção marcadas pelo esvaziamento de direitos sociais: a
Emenda Constitucional n.º 95 de 2016, que congelou os gastos em educação e
saúde por 20 anos, a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência, o que
neoliberalismo.
reforça, segundo Moura (2021), o recrudescimento do neoliberalismo.
No âmbito educacional, o primeiro instrumento normativo a ser instituído
nesse cenário é a Medida Provisória nº 746/2016 (MP 746/2016), que se
converteu na Lei n° 13.415/2017, trazendo profundas mudanças às instituições de
ensino que ofertam a última etapa da educação básica e impactando diretamente
na educação profissional de nível médio.
Portanto, entender o contexto da reforma do ensino médio é fundamental
para a compreensão dos princípios, valores e visões de educação das novas
DCNGEPT 2021.
Para atender às exigências do novo Ensino Médio, foram instituídas novas
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM – Resolução
CNE/CEB nº 03/2018), uma nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC),
04/2018,, novas Diretrizes Curriculares
mediante a Resolução CNE/CEB nº 04/2018
Nacionais para a formação inicial de professores para a Educação Básica (BNCC
Formação), por meio da Resolução CNE/CP nº 02/2019, e um novo Catálogo
Nacional de Cursos Técnicos (CNCT), a partir da Resolução CNE/CEB nº
0, desencadeando também Novas Diretrizes Curriculares para a educação
02/2020,
profissional e tecnológica (DCNEPT), mediante a Resolução nº 01, de 5 de janeiro
torna se fundamental "compreender que as novas
de 2021. Nesse contexto, torna-se
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 213
DCNEPT vêm a completar o conjunto de instrumentos legais e normativos que
instituem a contrarreforma do Ensino Médio" (Conif 2021, p.12).
Neste sentido, os pesquisadores do campo "trabalho e educação"
vinculados à Associação Nacional de Pós-Graduação
Pós Graduação e Pesquisa (Anped) ao
repudiar a aprovação
ação das novas DCNEPT, destacam que todo esse conjunto de
instrumentos legais tem uma única finalidade: "atacar os direitos sociais
arduamente conquistados ao longo do tempo pela classe trabalhadora mais
empobrecida deste país e, ao mesmo tempo, regular os interesses do capital"
(Anped, 2021).
METODOLOGIA
Trata-se
se de uma pesquisa de abordagem qualitativa de natureza descritivo-
descritivo
exploratória, realizada a partir de revisão bibliográfica e documental (Gil, 2021).
utiliza-se a análise textual discursiva com vistas a
Para a análise dos dados, utiliza
desvelar os sentidos dos enunciados e dos discursos oriundos das DCNs, sem
desconsiderar os contextos histórico-sociais
histórico sociais de sua manifestação. O processo de
análise se deu em três etapas: a unitarização, que separa o texto em unidades de
significados; a categorização, que articula essas unidades de sentido por
similaridade; e o metatexto, que trata da interpretação dos dados (Moraes;
Galiazzi, 2007).
RESULTADOS E DISCUSSÕES
As Diretrizes aprovadas em 2021 trazem alterações conceituais e
estruturais para a Educação Profissional, que afetam a concepção de educação
integrada.
As primeiras mudanças já são evidentes desde o título dos documentos.
Enquanto as DCN de 2012 têm o objetivo de estabelecer as “Diretrizes
cionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio”, as
Curriculares Nacionais
DCNEPT de 2021 têm a finalidade de definir as “Diretrizes Curriculares Nacionais
Gerais para a Educação Profissional e Tecnológica”.
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 214
De acordo com o Dicionário Michaelis de Língua Portuguesa, a palavra
'descaracterizar' deriva do termo grego 'kharaktēr', que denota uma particularidade
de algo ou alguém, ou seja, um traço distintivo. No contexto da educação
profissional, o traço que caracteriza a educação integrada é a formação
omnilateral, que busca a emancipação.
[...] A ideia de formação integrada sugere superar o ser humano dividido
historicamente pela divisão social do trabalho entre a ação de executar e
a ação de pensar, dirigir ou planejar. Trata se de superar a redução da
Trata-se
preparação para o trabalho ao seu aspecto operacional, simplificado,
escoimado dos conhecimentos que estão na sua gênese científico- científico
histórico social. (Ramos,
tecnológica e na sua apropriação histórico-social. (R 2014, p. 86).
Portanto, investigou-se
investigou como essas novas diretrizes afetam a visão de
educação integrada expressa no Documento Base da educação profissional e nas
DCN de 2012, defendida por profissionais comprometidos com a formação integral
dos alunos. A análise focou em três aspectos principais:
principais: os princípios das novas
diretrizes em contraste com os das DCN de 2012; os itinerários formativos,
apresentados como possibilidade nas DCN de 2012, enquanto nas DCNEPT se
tornam obrigatórios e, por último; a defesa do notório saber.
Princípios Norteadores
dores da Educação Profissional
Os princípios são fundamentos que guiam as ações e refletem a concepção
de educação, os valores e o tipo de profissional a ser formado. Tanto as DCN de
2012 quanto as DCNEPT de 2021 partem desses princípios. Neste estudo,
alisaremos dois deles: o trabalho como princípio educativo e a empregabilidade.
analisaremos
Os princípios são concepções fundamentais que regem e balizam as ações.
No âmbito da educação profissional, são os princípios que revelam a concepção
ertada,, os valores a serem defendidos e que tipo de
de educação a ser ofertada
profissional será formado. Tanto as DCN de 2012 quanto as DCNEPT de 2021
têm como ponto de partida esses princípios orientadores. Neste estudo,
analisaremos dois deles: o trabalho como princípio educativo e a empregabilidade.
e
Trabalho como Princípio Educativo
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 215
Uma das divergências identificadas refere-se
refere se à própria concepção do termo
'trabalho', que nas DCN de 2012 o trabalho é concebido como princípio educativo,
tendo sua integração entre todas as dimensões da vida humana (trabalho, ciência,
tecnologia e cultura). Já nas DCNEPT de 2021, usa
usa-se
se a expressão 'trabalho
como princípio educativo', forjando uma nova concepção reduzida de trabalho com
enfoque nas competências profissionais.
mo princípio educativo, tendo sua integração
III - trabalho assumido como
com a ciência, a tecnologia e a cultura como base da proposta político-
político
pedagógica e do desenvolvimento curricular, (Brasil, 2012, grifo nosso).
IV - centralidade do trabalho assumido como princípio educativo e base
para a organização curricular, visando à construção de competências
profissionais, em seus objetivos, conteúdos e estratégias de ensino e
profissionais,
aprendizagem, na perspectiva de sua integração com a ciência, a cultura
e a tecnologia, (Brasil, 2021, grifos nossos).
nos
observa se a concepção do trabalho como princípio
Nas DCN de 2012, observa-se
pedagógico, uma vez que compreender a relação entre trabalho, cultura e
compreendê lo como princípio educativo. O objetivo da
tecnologia significa compreendê-lo
formação é a inclusão social, laboral e política dos sujeitos, dentro de uma
perspectiva integrada (Medeiros, Assis; Lima, 2016). Isso porque existe a
preocupação em superar a condição comum de formação de uma parte da
sociedade, a dos trabalhadores, que é voltada para a execução de um
uma tarefa
específica ou para a formação de um emprego.
As bases da Educação Profissional estão relacionadas à premissa do
faz se necessário compreender
trabalho como princípio educativo. No entanto, faz-se
inicialmente a relação entre trabalho e educação. Para Saviani (2007) trabalhar e
Saviani
educar são duas atividades essencialmente humanas. Nas comunidades
primitivas, os homens educavam seus companheiros, seus descendentes e a si
mesmos através da apropriação dos meios de produção (Ribeiro, 2009). No
o dos meios de produção provocou uma ruptura na relação
entanto, a evolução
entre trabalho e educação.
A ideia de trabalho como princípio educativo resulta das teorias de Karl
Marx, que defendem a ideia de trabalho como o meio para a emancipação
humana, mas cuja efetivação oc orre somente com a compreensão da dimensão e
ocorre
relevância que o trabalho ocupa na sociedade (Xavier, 2013). Sobre esta questão,
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 216
Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005) argumentam que o trabalho compreendido
natureza ontológica e ético-
como princípio educativo deve ser entendido em sua natureza ético
política, ou seja, deve ser visto como inerente ao ser humano e como um direito
desse mesmo ser humano.
Essa ideia é ratificada por Ramos (2005), ao destacar que é preciso
resgatar seus dois sentidos: ontológico e histórico, por meio de uma ampla visão
do conceito de educação relacionado ao trabalho e suas dimensões, tornando-se
tornando
fundamental para a formação do trabalhador.
"Considerar o sentido ontológico do trabalho implica conceber a relação
intrínseca que o ser humano mantém com a natureza, buscando meios de
subsistência e dando sentido ao processo educativo. Frigotto, Ciavatta e Ramos
(2005, p. 3) explicam que '[...] a questão da ontologia tem uma história antiga na
metafísica clássica e está ligada à identidade do ser”.
Quanto ao seu sentido histórico, o trabalho é entendido como prática
econômica para produzir bens que são apropriados privadamente por aqueles que
detêm os meios de produção. O trabalhador, que detém apenas a força de
criatividade, se reduz a trabalhar para
trabalho, subtraído de sua liberdade e criatividade,
satisfazer os interesses do capital e as suas necessidades mais imediatas. Sob
esse modo de produção, o trabalho, ao invés de produzir humanidade, produz a
sua negação.
Ramos (2017) faz um alerta ao senso comum que considera trabalho como
sinônimo de emprego. Em outra investigação, Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005)
relacionam três aspectos que dificultam a compreensão do trabalho como princípio
educativo: a presença da cultura escravocrata no pensamento empresarial das
elites dominantes, as diferentes visões moralizantes discutidas nas diversas
religiões, que apresentam o trabalho como castigo, sofrimento e/ou remissão dos
pecados, e a redução do trabalho à função instrumental da prática pedagógica.
das DCNEPT de 2021 reafirma a formação
Neste sentido, a concepção das
fragmentada, com vistas a uma forma histórica específica do trabalho, resultante
das mudanças sociais ocorridas com o advento da propriedade privada, que por
dualidade educacional.
consequência levou à divisão de classes, resultando na dualidade
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 217
A expressão “visando o desenvolvimento das competências profissionais”
enfatiza a separação entre o trabalho manual e o trabalho intelectual, sendo este
direcionado à classe trabalhadora e aquele destinado à elite. Sendo assim, o
princípio
io pedagógico pressupõe a existência de uma consciência dessa dualidade
e, principalmente, quais as consequências que isso acarreta.
Empregabilidade
Outro aspecto divergente entre as DCNEPT de 2021 e as DCN de 2012
refere-se
se à empregabilidade. As DCN de 2012 têm como enfoque o fortalecimento
do regime de colaboração entre os entes federados visando à melhoria dos
indicadores educacionais nos territórios. Já nas DCNEPT de 2021, o foco é o
fortalecimento da parceria entre o sistema de educação público e o privado,
p
contribuindo dessa forma para a empregabilidade dos egressos, como podemos
observar a seguir:
XVI - fortalecimento do regime de colaboração entre os entes federados,
incluindo, por exemplo, os arranjos de desenvolvimento da educação,
melhoria dos indicadores educacionais dos territórios em
visando à melhoria
que os cursos e programas de Educação Profissional Técnica de Nível
Médio forem realizados. (Brasil, 2012, grifo nosso).
XVIII - fortalecimento das estratégias de colaboração entre os ofertantes
de Educação Profissional e Tecnológica, visando ao maior alcance e à
efetividade dos processos de ensinoaprendizagem, contribuindo para a
egressos. (Brasil, 2021, grifo nosso).
empregabilidade dos egressos
se observar que as DCNEPT de 2021 retomam o mesmo discurso
Pode-se
neoliberal das DCN de 1999 ao relacionar a educação profissional com a
empregabilidade. Esse discurso falacioso é uma estratégia de convencimento para
desemprego à classe trabalhadora, eximindo, dessa forma, o
atribuir a culpa pelo desemprego
capital, que é o verdadeiro responsável pelo desemprego e pelas desigualdades
sociais. Essas condições afetam de forma bárbara aqueles que vivem da sua força
de trabalho.
s que condicionam o desenvolvimento
[...] As teorias economicistas
econômico ao processo educativo, frequentemente, produzem o
mascaramento do mundo real. De acordo com os defensores do
economicismo neoliberal, a educação dos indivíduos garante a
diminuição das desigualdades sociais, a partir da mobilidade social e,
finalmente, o desenvolvimento das nações. Na verdade, o capital
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 218
concentra riqueza exclui pessoas, numa interminável exploração do
homem pelo homem. (C
(Cardoso, 2021, p. 73).
Nesse sentido, pode-se
pode dizer que, de acordo com a lógica
gica do capital, a
empregabilidade é entendida como a solução para o desemprego, sem levar em
consideração as contradições do sistema capitalista, tais como o processo de
reestruturação produtiva, a substituição da mão-de-obra
mão obra pelas máquinas e o
crescente desemprego estrutural. Nessa perspectiva, a educação é considerada
como a chave para garantir a empregabilidade de seus egressos, argumento que
contraria os princípios da educação profissional que visa à integração educacional.
Contrariando essa perspectiva,
perspectiv é preciso:
[...] Adotar uma concepção educacional que não considere a educação
como a única variável de salvação do país e a Educação Profissional e
Tecnológica como a porta estreita da empregabilidade, até mesmo
porque nunca houve e nem haverá congruência direta entre curso
realizado e emprego obtido ou trabalho garantido. É bastante evidente
que a Educação Profissional e Tecnológica não é uma condição
individual necessária para o ingresso e a permanência do trabalhador no
mercado de trabalho, q ue não pode ser considerada como de
que
responsabilidade única e exclusiva dos trabalhadores, como se houvesse
relação causal direta entre a Educação Profissional e Tecnológica e nível
de empregabilidade
empregabili do trabalhador certificado,, (Brasil, 2007, p. 55):
Em consonância com os pressupostos do Documento Base da educação
se verificar que a visão de educação desvinculada da educação
profissional, pode-se
emancipatória e alinhada à lógica do capital, proposta pelas DCNEPT de 2021,
descaracteriza o poder transformador da educação integrada, ao mesmo tempo
em que vende a ilusão de que a educação sozinha poderá resolver os problemas
do mundo provocados pelas contradições do capital. Sobre essa questão, Ramos
assinala:
[...] Desenhar perfil com base em competências e habilidades
habi leva-se a
formações pragmáticas e tecnicistas, portanto incompatível com a
formação integrada. Adequação ao mercado de trabalho é também
contrário ao que defendemos, pois o compromisso do processo educativo
deve ser com os sujeitos, para que sejam formados para enfrentarem as
contradições do mercado de trabalho. A escola e os sistemas de ensino
precisam ter uma visão crítica do mercado de trabalho e construir o
processo formativo no qual, ao tempo em que proporcionam acesso aos
conhecimentos, contri buam para que o sujeito se insira no mundo do
contribuam
trabalho e também questione a lógica desse mesmo mercado. (R (Ramos,
2008, p. 20).
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 219
As proposições da autora sobre o mito da empregabilidade evidenciam que
a educação profissional e tecnológica não são características fundamentais para o
ingresso e a permanência do trabalhador no mercado de trabalho, mas podem
permitir que seus estudantes se apropriem de uma visão crítica do mundo do
trabalho e de suas contradições.
Para isso, é preciso desmitificar essa relação entre educação e
empregabilidade. É fundamental compreender que a educação é relevante para a
melhoria das condições sociais do trabalhador, mas não garante sua
empregabilidade. Infelizmente, há muitos trabalhadores qualificados fora do
mercado de trabalho, pois, como aponta Cardoso (2021, p. 90), "[...] No mundo
real, o mercado de trabalho requer cada vez menos gente para trabalhar".
Essa concepção de empregabilidade é herdeira dos pressupostos da teoria
do capital humano, pois atribui à educação e à qualificação profissional o papel
principal para enfrentar os desafios decorrentes da reestruturação produtiva.
Assim, no contexto que funde a modernização tecnológica com ganhos crescentes
e com redução dos postos de trabalho, a empregabilidade entra em cena como a
Cardoso, 2021).
solução para os problemas atuais do mundo do trabalho (Cardoso,
Itinerários Formativos
A constituição de itinerários formativos compõe o cerne não apenas da
reforma do Ensino Médio, mas também da nova BNCC aprovada em 2018. Nesse
sentido, as DCNEPT de 2021 trazem muitas alterações em relação às DCN de
2012, que apesar de já preverem a possibilidade de oferta por meio dos itinerários,
são as novas diretrizes que forjam a obrigatoriedade de sua oferta. Os itinerários
em a formação técnica e profissional no Ensino Médio, conforme
formativos compõem
prevê o artigo 36 da LDB alterado pela Lei n° 13.415/2017. Apresentam-se
Apresentam como
um conjunto de unidades curriculares, etapas ou módulos que compõem a sua
organização, podendo ser:
I - propiciado internamente em um mesmo curso, mediante sucessão de
unidades curriculares, etapas ou módulos com terminalidade
ocupacional;
II - propiciado pela instituição educacional, mas construído
horizontalmente pelo estudante, mediante unidades curriculares, etapas
etapa
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 220
ou módulos de cursos diferentes de um mesmo eixo tecnológico e
respectiva área tecnológica; e
III - construído verticalmente pelo estudante, propiciado ou não por
instituição educacional, mediante sucessão progressiva de cursos ou
certificações obtidas por por avaliação e por reconhecimento de
competências, desde a formação inicial até a pós-graduação
pós
tecnológica, (B
(Brasil, 2021, grifo nosso).
se observar que a proposta das DCNEPT, ao se alinhar com as
Pode-se
prerrogativas do novo Ensino Médio, visa à concomitância
concomitância por meio dos itinerários
formativos, em detrimento da integração entre formação geral e formação
destina se à oferta dos quatro itinerários
profissional. Enquanto a primeira destina-se
previstos na BNCC, a saber: linguagens e suas tecnologias, matemática e suas
tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, ciências humanas e sociais
aplicadas, à formação profissional cabe ofertar o quinto itinerário formativo
denominado formação técnica e profissional.
Isso evidencia a prioridade na forma da concomitância,
concomitância o que
descaracteriza a educação integrada defendida neste texto, uma vez que a
qualificação pode ser realizada por um conjunto de cursos rápidos, ou nem precisa
ser ofertada por uma instituição educacional, já que a prática laborativa pode
possibilitar o reconhecimento de competências (Brasil, 1996, Art. 35-A).
35
concorda-se com os autores Piolli e Sala,
Neste contexto, concorda Sala (2021, p.11)
quando argumentam que:
que
[...] Temos que ter claro que o itinerário técnico e profissional não se
confunde com o oferecimento de cursos técnicos, ou de Habilitação
Profissional Técnica de Nível Médio, mas que poderá ser oferecido por
diferentes arranjos e saídas intermediárias que significarão um
aligeiramento da formação profissional de parte dos nossos jovens.
Nesta perspectiva, os estudantes da formação técnica, em vez de
desenvolverem a capacidade de aprender e empregar novas técnicas e
tecnologias no trabalho e compreenderem os processos de melhoria contínua nos
setores de produção e serviços, conforme propõem os cursos técnic
técnicos integrados,
desenvolverão apenas competências profissionais ligadas ao mercado de trabalho
e não ao mundo do trabalho. Ainda sobre os itinerários, Ciavatta (2021, p.14)
argumenta que:
[...] Eles são um golpe sem remissão para os filhos das classes
trabalhadoras que, jovens e desconhecedores das artimanhas do
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 221
capital,, acreditam na oferta do itinerário técnico e profissional como uma
capital
saída mais fácil para o mercado de trabalho, sem saber avaliar a perda
de qualidade da formação que ue lhes é oferecida com a redução de
(grifo da autora).
tempo de estudos e simplificação curricular, (grifo
Diante disso, constata se que enquanto as DCN de 2012 tem como
constata-se
prioridade a oferta do Ensino Médio integrado, as DCNEPT de 2021 têm como
cupação a prioridade da concomitância e da precarização do
horizonte de preocupação
Ensino Médio, resgatando, dessa forma, os mesmos ideais neoliberais das
Diretrizes de 1999 já apontados nesta discussão, só que no atual contexto do
coloca Moura (2021), se apresenta
recrudescimento do neoliberalismo, conforme coloca
de forma muito mais agressiva ao fortalecer a dualidade histórica da educação
educação.
Formação Docente
As novas diretrizes, além de reduzir a Educação Profissional e Tecnológica
(EPT) a um itinerário formativo, trazem uma novidade em relação à formação
docente, como a possibilidade de um profissional com notório saber ministrar aula
no quinto itinerário formativo.
Art. 54. Para atender ao disposto no inciso V do art. 36 da Lei nº
9.394/1996, podem também ser admitidos para docência profissionais
com notório saber [...] atestados por titulação específica ou prática de
ensino em unidades educacionais da rede pública ou privada ou que
tenham atuado profissionalmente em instituições públicas ou privadas,
demonstrando níveis de excelênci
excelênciaa profissional, em processo específico
de avaliação de competências profissionais pela instituição ou rede de
ensino ofertante. (Brasil, 2021, grifos nossos).
A defesa do notório se justifica no Parecer CNE/CP nº 17/2020, que
fundamenta as DCNEPT de 2021. Segundo o documento, diante da suposta falta
de professores formados, para que um profissional possa ministrar aulas no
itinerário de formação profissional, não há necessidade de formação acadêmica;
basta que esse profissional disponha das competências necessárias
ne para
capacitar os estudantes para um determinado perfil profissional. Nessa
perspectiva,
[...] Ao admitir a possibilidade de reconhecimento o do notório saber aos
docentes que atuam na formação técnica e profissional, para atender ao
disposto no inciso V do art. 36 (incluído pela Lei nº 13.415/2017), a LDB
sana uma dívida histórica em relação à Educação Profissional e
Tecnológica, ao reconhecer que a formação profissional se baseia em
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 222
saberes que não estão necessariamente vinculados aos respectivos
respectivo
níveis de ensino. Para ensinar a fazer móveis de madeira, por exemplo,
não se há de buscar engenheiros florestais especializados no
reconhecimento de todos os tipos de madeiras existentes na Floresta
Amazônica, há que buscar um bom marceneiro que saiba e efetivamente
ensinar a fazer móveis. (B
(Brasil, 2020, p. 16-17).
O grupo de trabalho do campo 'Educação e Trabalho', da Anped (2021), faz
um alerta sobre esse quadro ao destacarem que a defesa do notório saber não só
desvaloriza a carreira docente, como prec ariza suas condições de trabalho, o que
precariza
impacta diretamente na formação do estudante.
O professor com 'notório saber' não tem responsabilidade no que se refere
à formação humana, mas apenas com a preparação instrumental desse estudante
eresses do mercado de trabalho e não às necessidades
para atender aos interesses
daqueles que vivem da força de trabalho. Isso evidencia uma descaracterização
da formação integrada, uma vez que não há integração entre a formação no
Ensino Médio e a educação profissional.
Sob esse mesmo (2022, p. 219) argumenta que essa
mo prisma, Oliveira (2022,
proposição do notório saber está intrinsecamente ligada '[...] à ideologia do capital
humano e da pedagogia das competências', aspectos valorizados e difundidos nas
DCN de 1999.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo se que as novas Diretrizes
cordo com a análise empreendida, conclui-se
Curriculares Nacionais descaracterizam a concepção de educação integrada e
se aos ditames do capital. O texto teve como ponto de partida um breve
alinham-se
contexto histórico a partir do Decreto 5.154/2004, acerca da Formação Integral na
Educação Profissional e Tecnológica alinhada à Concepção de Formação
Integrada.
apresentou se os contextos, valores e princípios das Diretrizes
Em seguida, apresentou-se
Curriculares para a EPT desde 1999, em que constatamos uma disputa entre
concepções de educação. As DCN de 1999 apresentam uma concepção de
educação fragmentada. Inversamente, as DCN de 2012, que foram constituídas a
partir de debates entre várias instâncias educativas e políticas, são concebidas
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 223
como um avanço para a educação profissional uma vez que têm como horizonte
de preocupação a formação humana e integral.
As DCNEPT de 2021 são orientadas por políticas neoliberais, oferecendo o
mínimo para a garantia dos direitos sociais e o máximo para ajustar os interesses
do capital, instituindo assim a contrarreforma do Ensino Médio e, por conseguinte,
o da educação integrada, impedindo os avanços educacionais,
a descaracterização
tecnológicos e culturais esperados.
Para analisar em que medida as novas diretrizes descaracterizam a
educação integrada, foi realizada uma análise comparativa entre as DCN de 2012
e as DCNEPT de 2021 com base na análise textual discursiva proposta por
Moraes e Galiazzi (2007).
Na análise, ficou nítido que as novas DCNEPT implicam mudanças não só
conceituais quanto estruturais para a educação profissional de nível médio em
comparação com as DCN de 2012, dentre os quais se destacam: os princípios
norteadores da educação profissional, itinerários formativos e formação docente.
Quanto aos princípios educativos, destacam
destacam-se
se os seguintes aspectos:
finalidade da educação profissional. Enquanto as DCN de 2012 focam na
formação integrada, as DCNEPT de 2021 focam na formação fragmentada;
trabalho como princípio educativo. Enquanto a DCN de 2012 entende o trabalho
como princípio educativo, compreendendo o trabalho em todas as suas
2021 o trabalho é reduzido à empregabilidade.
dimensões, nas DCNEPT de 2021
Enquanto a DCN de 2012 visa à melhoria dos indicadores educacionais da classe
trabalhadora, as DCNEPT visam à empregabilidade.
constatou se que, enquanto as
No que se refere aos itinerários formativos, constatou-se
DCN de 2012 têm como enfoque a formação integrada a partir da
indissociabilidade entre formação geral e formação profissional, nas DCNEPT de
2021 restringem a Educação Profissional aos Itinerários Formativos, priorizando,
dessa forma, a concomitância, o que favorece a possibilidade de parceria entre o
setor público e o privado.
evidenciou-se que a defesa
Por fim, no que tange à formação docente, evidenciou-
incondicional do notório saber em detrimento da qualificação docente deixa muito
Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 224
claro as reais intenções neoliberais que moldam
moldam o caráter das DCNEPT de 2021.
Nesse sentido, as novas diretrizes descaracterizam a educação integrada ao
reafirmarem claramente e propositadamente uma visão de educação que se alinha
aos ditames do capital, retornando de forma mais agressiva aos princ
princípios
neoliberais das diretrizes de 1999.
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Revista Estudos IAT – Vol. 12.1 | 227