2429 Empregador - Código
2429 Empregador - Código
Apresentação
O empregador, conhecido por várias designações, tais como patrão, chefe ou empresário, encontra
sua definição no artigo 2o da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na qual é descrito como “a
empresa, seja ela individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite,
assalaria e direciona a prestação pessoal de serviços”. Além disso, outras associações e instituições
sem fins lucrativos, que empregam trabalhadores, também são consideradas entidades
empregadoras.
Bons estudos.
Neste Infográfico, você vai descobrir os principais conceitos das cinco categorias conhecendo a
principal diferença entre cada uma delas.
Aponte a câmera para o
código e acesse o link do
conteúdo ou clique no
código para acessar.
Conteúdo do livro
Entender o papel do empregador abrange reconhecer as múltiplas questões que permeiam essa
figura. Por que o artigo 2o da CLT opta pelo termo “empresa” em detrimento de “empregador”?
Quais desdobramentos se manifestam diante da mudança de titularidade em uma empresa? E em
relação à sucessão de empregadores, quais são os desafios e as implicações? Essas questões não
apenas suscitam reflexões fundamentais, mas também instigam uma investigação dos principais
conceitos e da legislação que envolvem a matéria.
No capítulo Empregador, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai poder revisar os
principais conceitos, incluindo a definição de empresa e suas implicações. Também vai conhecer os
diversos tipos de empregadores, suas principais categorias, além de explorar o poder de direção do
empregador e a regulamentação, evidenciando a organização das atividades dos empregados.
Boa leitura!
DIREITO DO
TRABALHO E
LEGISLAÇÃO
SOCIAL
Bibliografia
Todos os direitos em relação ao design deste material didático são reservados à SAGAH.
Todos os direitos quanto ao conteúdo deste material didático são reservados ao autor.
MÓDULO 02
Fique atento!
No dia a dia trata-se de “Empregador” o patrão, o empresário, ou seja, aquele
que tem sobre seu comando empregado (trabalhadores) por conta e risco.
24 UNIDADE 1
Não pense que a conceituação de estabelecimento é o lugar onde o
empresa é tarefa fácil, ainda hoje não empresário exerce suas atividades. Ou
há consenso entre os doutrinadores. seja, é o local onde a empresa exerce
Mas, ajuda a entender o conceito de suas atividades. Segundo Martins
empregador na definição legal contida (2009) estabelecimento inclui as coisas
no artigo segundo da CLT. corpóreas ou incorpóreas tais como:
instalações, máquinas, equipamentos,
Empresa segundo o artigo 2º da CLT marca, patentes etc. em um determinado
lugar da empresa. Ainda, segundo o
Obviamente empregador não é empresa. mesmo autor existe regras tuteladas
Também, é difícil imaginar a figura do pelo direito do trabalho que levam em
“empregador” sem visualizar a figura consideração o estabelecimento, tais
do empregado, sem a existência de um como: medicina e segurança do trabalho.
contrato bilateral. Existindo a figura do
empregado no vínculo laboral pactuado Equiparados ao empregador:
com um tomador de serviços surge aí a parágrafo primeiro do artigo 2º da
CLT
figura do empregador.
UNIDADE 1 25
Direito do Trabalho e Legislação Social
26 UNIDADE 1
mas, no que se refere ao empregador o relação jurídica, porém os sujeitos são
requisito da pessoalidade não é exigido. outros. Assim, a sucessão ocorre quando
Isto significa que o empregador pode ser a titularidade do negócio é transferida de
substituído, mas, o empregado não. um titular para o outro, transmitindo-se
todos os créditos e débitos trabalhistas
Alterações na empresa do sucedido para o sucessor.
UNIDADE 1 27
Direito do Trabalho e Legislação Social
28 UNIDADE 1
de sociedades ou participar de atividades de formar o grupo por coordenação e
ou empreendimentos comuns. Em seu não somente por subordinação como
artigo 266 traz que a administração, previsto na CLT.
coordenação etc. serão estabelecidas na
convenção do grupo, mas cada sociedade O grupo econômico, para o Direito do
conservará personalidade e patrimônios Trabalho, difere do enfoque dado pelo
distintos. Sendo, ainda, que o artigo 267 Código Comercial/Empresarial e Direito
determina que o grupo de sociedades terá Econômico.
designação de que constarão as palavras
“grupo de sociedades” ou “grupo”. Infere que o objetivo primordial do Direito
do trabalho ao instituir a figura do “Grupo
Já os consórcios estão disciplinados Econômico” foi estender a garantia do
pelos artigos 278 e 279 da referida Lei crédito trabalhista, responsabilizando
6.404/76. O artigo 278 e seu parágrafo as distintas empresas componentes do
1º traz que as companhias e quaisquer mesmo grupo econômico pelos referidos
outras sociedades, sob o mesmo controle créditos. A responsabilidade do grupo
ou não, podem constituir consórcio para econômico é solidária.
executar determinado empreendimento,
não tem personalidade jurídica e as O grupo econômico é solidariamente
consorciadas somente se obrigam responsável, podendo o empregado ter
nas condições previstas no respectivo a carteira profissional assinada por uma
contrato, respondendo cada uma por sociedade no momento da admissão e a
suas obrigações, sem presunção de baixa ser dada por outra sociedade do
solidariedade. mesmo grupo.
Vale trazer à baila o artigo 3º, § 2º da Lei No que se refere ao vínculo empregatício
5.889/73 que dispõe sobre o Trabalho poderá ser com uma empresa, duas ou
Rural: “Sempre que uma ou mais mais, depende, portanto, do contrato
empresas, embora tendo cada uma delas assinado com uma empresa, ou dos
personalidade jurídica própria, estiverem contratos assinados pelo empregado com
sob direção, controle ou administração duas ou mais sociedades. Concomitante,
de outra, ou ainda quando, mesmo um mesmo trabalhador pode celebrar
guardando cada uma sua autonomia, único contrato e prestar serviços às
integrem grupo econômico ou financeiro diversas sociedades que componham
rural, serão responsáveis solidariamente o grupo econômico, recebendo único
nas obrigações decorrentes da relação salário e todos os direitos dele decor-
de emprego”. Verifica-se a possibilidade rentes, desde que na mesma jornada de
UNIDADE 1 29
Direito do Trabalho e Legislação Social
30 UNIDADE 1
O consorcio de empregadores rurais O artigo 16 da referida Lei 6.019/74 traz:
é uma forma de contratação de “No caso de falência da empresa de
empregados para atender necessidade trabalho temporário, a empresa tomadora
variável de mão de obra para um grupo ou cliente é solidariamente responsável
de empregadores. Devem-se reunir pelo recolhimento das contribuições
os proprietários rurais interessados previdenciárias, no tocante ao tempo
que farão a celebração de um “Pacto em que o trabalhador esteve sob suas
de Solidariedade” entre si, deixando ordens, assim como em referência ao
claro que todos são responsáveis mesmo período, pela remuneração e
pelo cumprimento das obrigações indenização previstas nesta Lei”. Assim,
trabalhistas. Este pacto tem que ser por verifica-se que a solidariedade da
escrito, contendo a qualificação completa empresa tomadora de serviço é apenas
de todos os participantes, ou seja: nome parcial, somente no caso de falência da
completo, estado civil, CPF, documento empresa de trabalho temporário.
de identidade, matricula Cadastro
Especifico do INSS-CEI (individual), Empregador doméstico
inscrição no INCRA, endereço domiciliar
e endereço da propriedade vinculada ao Não há uma definição expressa de quem
grupo. Lembrando, ainda que este “Pacto é o empregador doméstico. Entretanto,
de Solidariedade” deverá ser registrado observando a definição do empregado
em Cartório de Título e Documento. doméstico, podemos inferir que
empregador doméstico é toda pessoa
Empresa de trabalho temporário física ou família que admite trabalhador
doméstico, para exercer serviços de
Empresas de Trabalho Temporário natureza não lucrativa e contínua, em seu
segundo o disposto no artigo 4º da Lei n. âmbito residencial.
6019/74 é a pessoa física ou jurídica
urbana, cuja atividade consiste em colocar à Assim, não é possível um empregador
disposição de outras empresas, tempo- doméstico pessoa jurídica. Sendo
rariamente, trabalhadores, devidamente vedada, também, a natureza lucrativa
qualificados, por elas remunerados e da atividade. Podemos citar como
assistidos. exemplo o empregador perdendo seu
emprego, resolve fornecer “marmita” a
terceiros com a ajuda de sua empregada
no âmbito de sua residência. Verifica-se
neste caso que a natureza da atividade
é lucrativa, assim, a empregada poderá
UNIDADE 1 31
Direito do Trabalho e Legislação Social
32 UNIDADE 1
Poder de Direção do Empregador e
Constituição vigente que traz: “os valores
Regulamento
sociais do trabalho e da livre iniciativa”.
Verifica-se ainda, que o artigo 170 do Poder de organização
mesmo diploma Constitucional, que trata
da ordem econômica. Vejamos o contido O poder de organização consiste na
no referido artigo: “A ordem econômica, ordenação das atividades do empregado,
fundada na valorização do trabalho implantando-as no conjunto das
humano e na livre iniciativa, tem por atividades de produção, determinando
fim assegurar a todos existência digna, o número de empregados necessários, a
conforme os ditames da justiça social, função de cada um, local e horário para a
observados os seguintes princípios: (...)”. realização do trabalho etc. Propiciando,
assim, a obtenção dos objetivos
Assim, embora não exista uma econômicos e sociais da empresa.
regulamentação específica para o Neste sentido, os empregadores podem
Consórcio de Empregadores Urbano, desenvolver regulamentos e políticas
também, inexiste lei que o proíba. internas às quais os trabalhadores
Ao contrário, existem fundamentos deverão aderir, de sorte a que, todos
constitucionais e preceitos trabalhistas caminhem na mesma direção e em busca
que justificam a aplicação analógica e dos já referidos melhores resultados.
equitativa da legislação rural.
Poder de controle
Contudo, vale lembrar que o consorcio
O poder de controle é o direito de
de Empregador Urbano, assim como
o empregador de fiscalizar as
o rural difere do consorcio do Direito
atividades profissionais dos seus
Comercial, haja vista sua formação ser
empregados. Verifica-se claramente
por pessoas físicas e não jurídicas. Não
tal poder na marcação do cartão
há formação de uma empresa, mas, tão
ponto, pois decorre do poder de
somente a união de pessoas físicas para
fiscalizar o horário de seus
um fim comum.
empregados. O artigo 74, § 2º, da
CLT prevê inclusive a obrigatoriedade
para os estabelecimentos de mais
de vinte trabalhadores a anotação
da hora de entrada e de saída, em
registro manual, mecânico ou
eletrônico, devendo, ainda, a marcação
do período de repouso. Outro controle
diz respeito às revistas
UNIDADE 1 33
Direito do Trabalho e Legislação Social
dos funcionários. Haja vista ser a revista assim como a utilização de material e as
uma forma de salvaguarda do patrimônio ferramentas de trabalho.
da empresa ou até mesmo sua segurança
e de terceiros no caso de empresas que Poder disciplinar
trabalhem com produtos perigosos.
Sendo oportuno lembrar que as revistas O poder disciplinar é o direito de o
não podem violar a intimidade do empregador impor sanções disciplinares
empregado e não pode ser vexatória ao empregado, ou seja, é a prerrogativa
segundo dispõe o artigo 5º, III e X, da da qual o empregador pode lançar
Constituição Federal. mão para impor sanções disciplinares
aos seus empregados diante da prática
Doutro, um controle bem polêmico de atos faltosos. Tais sanções podem
na atualidade é o monitoramento do ser tanto previstas nas convenções ou
empregado no computador. Lembrando acordos coletivos de trabalho ou nos
que o equipamento é de propriedade do regulamentos da empresa.
empregador e que o empregado durante
o horário de trabalho está à disposição do Na verdade o poder disciplinar decorre
empregador. Assim, o entendimento tem do poder diretivo do empregador.
sido no sentido de que o empregador Trata-se do poder do empregador
pode sim fiscalizar o envio de e-mails de determinar ordens na empresa e acaso
seus funcionários para certificar-se de não sejam cumpridas podem gerar pena-
que os mesmos não estão fazendo uso lidade para o empregado descumpridor.
do computador ou telefone no horário Oportuno esclarecer que no poder disci-
de serviço para assuntos pessoais, plinar pode o empregador normalmente
especialmente, quando há proibição do adverte verbalmente o funcionário, caso
uso pessoal do equipamento, previstas o funcionário reincida na falta será adver-
em clausula contratual. tido por escrito e na próxima falta será
suspenso. Entretanto, não é necessária
Também, considera lícito o controle essa sequência nas punições do empre-
exercido pelo empregador através da gado, exceção feita quando prevista em
instalação de câmeras e microfones, norma coletiva ou regulamentar.
vedado o uso destes equipamentos em
locais de intimidade do empregado. Regulamento
34 UNIDADE 1
a menção em alguns artigos ou súmulas uso de crachás; uniformes; prêmios; uso
do TST. Entretanto, como vimos no item dos equipamentos para fins particulares;
anterior ao falar sobre o “poder disci- vestiários; proibições; gratificações etc.
plinar” percebemos que o regulamento Assim, o regulamento pode contemplar
da empresa é algo importante, pois, esta- melhores condições de trabalho do que
belece normas que deverão ser seguidas as asseguradas por lei ou normas cole-
pelo empregador e empregado. tivas, aderindo, assim, ao contrato de
trabalho.
Os regulamentos podem ser elaborados
unilateralmente pelo empregador ou Assim, as cláusulas regulamentares da
bilateralmente com a participação dos empresa integram o contrato de trabalho.
empregados, de uma comissão repre- Encontrando óbice na alteração ainda
sentativa destes ou com a participação que bilateralmente quando prejudiciais
do sindicato. A modernidade pede ao empregado. O empregador pode
que os regulamentos sejam elaborados alterar unilateralmente o regulamento no
bilateralmente. que diz respeito a questões técnicas e as
cláusulas que modifiquem ou suprimam
Valendo observar o conteúdo dos direitos só é válida para os funcionários
regulamentos, haja vista que irão esta- que forem admitidos após a alteração ou
belecer direitos e deveres tanto para o revogação do regulamento. Para os
empregado como para o empregador, funcionários contratados antes das
dentre outros podemos citar: regras que alterações ou revogação ainda que haja a
complementam o contrato de trabalho; concordância do empregado, mas
regras disciplinares e penalidades; prejudicial aos seus direitos não será
horários de funcionamento da empresa; considerada lícita.
UNIDADE 1 35
Dica do professor
O mundo do trabalho é uma teia complexa de relações e atores, com o empregador ocupando um
papel central nessa dinâmica. O empregador é aquele que contrata e orienta os trabalhadores em
suas funções. Uma característica fundamental do empregador é a assunção de riscos nos negócios.
Isso significa que o empregador enfrenta as incertezas e os desafios inerentes à atividade
econômica.
Além disso, dentro desta temática, uma dúvida comum é a diferença entre empresa e empresário.
Uma empresa é uma organização formal que pode ser uma entidade legal separada, com
personalidade jurídica própria. Um empresário, por outro lado, é uma pessoa física que assume os
riscos do negócio de forma individual.
Nesta Dica do Professor, você vai explorar três aspectos cruciais relacionados ao empregador: o
conceito legal, as características que envolvem a assunção de riscos nos negócios e as diferenças
fundamentais entre empresa e empresário.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Exercícios
2) Em um cenário empresarial cada vez mais complexo, é comum ver empresas trabalhando em
conjunto para alcançar objetivos comuns, compartilhando recursos e estratégias. Esse
modelo de colaboração pode levar à formação do que é conhecido como “grupo de
empresas”. Dentro desse contexto, as empresas que fazem parte desse grupo podem ser
consideradas, nos termos da CLT, como “empregadores”.
Entre os elementos que caracterizam um grupo de empresas, que também pode ser
considerado “empregador”, nos termos da CLT, está o seguinte:
A) A identidade de sócios entre uma ou mais empresas, mesmo que não haja comunhão de
interesses.
B) Os consórcios urbanos são estritamente regulamentados por lei, tornando sua aplicação
analógica inviável.
E) Os consórcios urbanos e rurais não têm qualquer respaldo legal, tornando-se inviável a sua
aplicação analógica.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Desafios do teletrabalho
O presente artigo examina uma temática pertinente atual, que é o teletrabalho, destacando sua
regulamentação legal após a reforma trabalhista de 2017, especialmente as mudanças no Art. 6o da
CLT. Além disso, busca analisar as políticas de emprego no Brasil, focando a inclusão de pessoas
com deficiência ou mobilidade reduzida por meio do teletrabalho. Fica o convite para que você leia
o texto e explore outros desafios relacionais aos empregadores.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.