UNIVERSIDADE LICUNGO
FACULDADE DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO
CURSO DE LICENCIATURA EM ENSINO DE MATEMÁTICA,
HABILITAÇÕES EM FISICA
ANASTÁCIO CÉSAR ALBERTO
DIFICULDADES ENFRENTADAS PELOS ALUNOS DA 8a CLASSE NA
APRENDIZAGEM DA POTENCIAÇÃO NA ESCOLA BASICA DE OCONE-
INHASSUNGE
Quelimane
2024
2
ANASTÁCIO CÉSAR ALBERTO
DIFICULDADES ENFRENTADAS PELOS ALUNOS DA 8a CLASSE NA
APRENDIZAGEM DA POTENCIAÇÃO NA ESCOLA BASICA DE OCONE-
INHASSUNGE
Projecto de pesquisa de carácter avaliativo a ser
entregue no Departamento de Ciências e
Tecnologia na cadeira de TCC, sob a orientação
do: Emílio S.G. Alfândega
Quelimane
2024
3
Índice
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO.........................................................................4
1.1 Introdução....................................................................................................4
1.2 Problematização...........................................................................................5
1.3 Objectivos....................................................................................................7
1.3.1 Objectivo geral..........................................................................................7
1.3.2 Objectivos específicos..............................................................................7
1.4 Justificativa..................................................................................................7
1.5 Delimitação da Pesquisa..............................................................................8
CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...........................................9
2.1 Revisão da literatura teórica.........................................................................9
2.2 A aprendizagem do conceito de potência....................................................9
2.3 Breve Historial da potência.......................................................................11
2.4 A análise de dificuldades em potenciação.................................................11
2.2 Revisão da literatura (discussão de trabalhos feitos).................................12
CAPITULO III: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS..........................14
3.1Tipo de Pesquisa.........................................................................................14
3.1.1 Quanto a Natureza..................................................................................14
3.1.4 Quanto aos objectivos.............................................................................14
3.2 População e amostra..................................................................................15
3.3 Técnicas e instrumentos de colecta de dados.............................................15
3.3.1 Questionário............................................................................................15
3.4 Técnicas de Análise de Dados...................................................................15
3.5 Aspectos Éticos..........................................................................................16
3.6 Cronograma de Actividade........................................................................17
3.7 Referências Bibliográficas.........................................................................18
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CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
1.1 Introdução
Este capítulo visa fazer um retrato da problemática sobre as dificuldades
enfrentadas pelos alunos da 8a classe na aprendizagem da potenciação na escola básica
de Ocone-Inhassunge. E encontra-se dividido em cinco secções onde são apresentados,
a problematização, objectivos, justificativa, as perguntas da pesquisa e delimitação do
tema.
Este projecto de pesquisa apresenta uma reflexão sobre factos das dificuldades
enfrentadas pelos alunos da 8a classe na aprendizagem da potenciação do ensino de
Matemática baseada no quotidiano do aluno. Há também um grande questionamento
sobre o que é leccionado na sala de aula, a forma como vem sendo conduzido o ensino
da matemática e o que é necessário conhecer para viver em sociedade. Infelizmente
muitas vezes os alunos não conseguem relacionar os conteúdos aprendidos na escola
com o seu quotidiano e desta forma, não vêem a importância deste aprendizado. (Abreu,
2024, p. 2)
Isto resulta em alunos que em grande parte acreditam que os conteúdos
aprendidos nas aulas de matemática estão desvinculados do seu dia-a-dia, não
reconhecem a sua importância e sentem-se desmotivados e desinteressados pela
disciplina, tornando-se estes factores impeditivos a uma aprendizagem significativa.
Cabe ao professor levar a estes alunos a aplicabilidade da matemática no dia-a-dia e a
sua importância para a formação de um cidadão consciente e crítico, sempre que for
possível.
Cabe destacar que essas reflexões sobre a prática são necessárias, a fim de torna-
la mais eficiente nesse processo. Sabe-se que o ensino de Matemática, muitas vezes,
apresenta-se de maneira descontextualizada (Fernandes, 2006), o que pode não
favorecer a aprendizagem do aluno, dificultando o estabelecimento de relações com o
objecto do conhecimento.
Barbosa (2009), Peroso (2006) e Macheri (2004) mostram que o ser humano
durante toda a sua vida tem sido influenciado pelo meio em que vive, factores sociais,
económicos e culturais tem contribuído para o desenvolvimento, desta forma, entende-
se que assim como o desenvolvimento, o aprendizado em matemática acontece sobre a
influência de muitos factores entre eles, ambientais, familiares, psicológicas, culturais,
entre outros.
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1.2 Problematização
A Matemática está inserida em todas as actividades humanas e deve ser
compreendida como parte da vida do aluno. Seu aprendizado é primordial para uma
riqueza de conhecimentos, desenvolvendo o raciocínio lógico, despertando habilidades
e competências no aluno, que o ajudarão a ser um grande profissional no futuro. A visão
das dificuldades enfrentadas na aprendizagem da potenciação da matemática elenca para
problemas matemáticos certamente terá uma parcela de grande importância desse
processo educativo. (Lima, 2011, p. 82).
Raciocínio lógico é um processo de estruturação do pensamento de acordo com
as normas da lógica que permite chegar a uma determinada conclusão ou resolver um
problema.
O conceito de potenciação é datado do século V a.C. devido ao matemático
Hipócrates de Chios. Hipócrates estudava problemas clássicos de Geometria, dentre os
quais podemos destacar a quadratura do círculo (PITOMBEIRA, 2012).
A potenciação surgiu da necessidade de escrever grandes números, os quais são
obtidos por produtos de factores iguais.
De acordo com Van de Walle (2009, p. 527) ”A notação exponencial é um
caminho poderoso para expressar produtos repetidos do mesmo número.
Especificamente, potências de 10 expressam números muito grandes e muito pequenos
de uma maneira muito económica”. No entanto, durante as práticas pedagógicas,
observou-se que os alunos enfrentavam dificuldades na compreensão dos problemas
matemáticos. Tais problemas retratavam contextos puramente matemáticos, isto é,
associado aa realidade do aluo. Portanto, este facto cativou ao desenvolvimento deste
projecto de pesquisa.
Ora, o ensino de Matemática quando parte do conhecimento que o aluno já
dispõe pode possibilitar ao mesmo tempo conhecer e investigar com mais profundidade
e amplitude os conhecimentos que fazem parte da sua realidade. A construção de
conhecimentos Matemáticos não pode ser um simples repasse de informações contidas
nos livros didácticos, tal como acontece em muitas situações de sala de aulas no
contexto Moçambicano. Nesta direcção, Deixa, Passos e Salvi (2013) identificam que
no programa e nos livros escolares de matemática da 8ª classe de Moçambique
predomina contextos puramente matemáticos. Desta forma, é notável a importância do
6
estudo das dificuldades dos alunos em relação ao ensino de potenciação na matemática
n face a aprendizagem dos conceitos a leccionar.
A Matemática, não se deve resumir apenas aos conteúdos leccionados na sala de
aula e à posterior resolução de exercícios para os alunos reproduzirem aquilo que
aprenderam, ou era suposto aprenderem. A Matemática pode ser levada muito para além
da sala de aula pois na vida real, somos confrontados com problemas de que não
conhecemos antecipadamente a solução, sendo este tipo de situações que deveriam
inspirar actividades de aprendizagem no âmbito da Matemática escolar (Abrantes,
1989).
Deste modo, entende-se que ao revelar algo que condiz com a realidade em que
os alunos estão inseridos, passa a ser fundamental um entendimento de construção do
saber matemático, pois apresenta um papel primordial no desenvolvimento cultural e
social dos educandos, nesta busca por novas maneiras de ensinar emergem modismos
nos processos metodológicos, entre essas formas de ensinar os professores ficam
confusos de modo geral.
Segundo Pais (2011, p.28) “ a educação escolar deve iniciar pela vivência do
aluno, mais isso não significa que ela deva ser reduzida ao saber quotidiano”. Assim, o
saber escolar serve, em particular, para modificar o estatuto dos saberes que o aluno já
aprendeu nas situações do mundo-da-vida, é a partir do saber escolar que o aluno sabe
como integrar o conhecimento aprendido no meio social. Por isso, é necessário partir do
conhecimento dos números, das medidas e da geometria, contextualizadas em situações
próximas dos alunos.
Portanto, diante dessas constatações, coloca-se a seguinte questão: Quais são as
principais dificuldades enfrentadas pelos alunos da 8a classe sobre a potenciação no
ensino e aprendizagem da matemática?
Para responder a questão anterior, são estabelecidas três questões de partida a
que se propõe dar resposta:
1. Que dificuldades os alunos enfrentam na aprendizagem da matemática
Sobre a potenciação relativo a resolução de problemas matemáticos?
2. Que estratégias os professores utilizam para a resolução de problemas do seu
dia-a-dia aplicando os conhecimentos matemáticos?
3. Quais são os principais métodos aplicados pelos professores quando aplicam
os seus conhecimentos do dia-a-dia para a resolução de problemas matemáticos?
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1.3 Objectivos
1.3.1 Objectivo geral
Analisar as dificuldades enfrentadas pelos alunos da 8a classe na aprendizagem
da potenciação no ensino de matemática.
1.3.2 Objectivos específicos
Identificar a problemática a que os professores possuem sobre a dificuldades
enfrentadas pelos alunos da 8a classe na aprendizagem da potenciação no ensino
de matemática face a resolução de problemas matemáticos;
Explicar o efeito de resolução de problemas que envolvem situações do
contexto real no aprendizado do aluno;
Verificar as estratégias que os professores utilizam para a resolução de
problemas do seu dia-a-dia aplicando os conhecimentos matemáticos;
1.4 Justificativa
A necessidade desta pesquisa explica-se pelo facto de que uma articulação entre
a matemática e a realidade do aluno, pode servir de mote para estimular a iniciativa,
criatividade e sociabilidade, ao mesmo tempo desenvolver o senso de responsabilidade e
objectividade do educador bem como do educando.
Tendo em conta que, o estudo poderá ajudar na compreensão das principais
dificuldades enfrentadas pelos alunos da 8a classe na aprendizagem da potenciação. Essa
conexão possibilita na melhor percepção e integração dos conteúdos no meio social, não
só, no entendimento do quanto esta, é importante na transmissão do conhecimento
englobando os factos vivenciados pelo próprio aluno.
É importante que a presença do conhecimento matemático seja percebida, e
claro, analisada e aplicada às inúmeras situações que circundam o mundo, visto que a
matemática desenvolve o raciocínio, garante uma forma de pensamento, possibilita a
criação e amadurecimento de ideias o que traduz uma liberdade.
É de notar que, a Matemática também é uma ciência que ajuda a formar os
alunos enquanto homens e cidadãos, uma vez que esta ciência faz parte de um dos
direitos da cidadania.
Nesse contexto, surge a relevância ao proponente em querer compreender as
razões que predominam no não domínio das potências no processo de ensino e
8
aprendizagem de matemática, face na resolução de problemas matemáticos baseadas no
quotidiano do aluno, sem deixar de lado, o conhecimento prévio que o aluno trás e o
quanto pode contribuir no processo de aprendizagem da Matemática, com a finalidade
de haver uma boa qualidade de compreensão e aprendizagem. Por outro lado, o tema em
estudo é relevante pois, contribui para a aquisição de mais conhecimentos relativos a
articulação da matemática com situações contextuais do quotidiano dos alunos.
Ao nível social, dá-se referência ao desenvolvimento da sociedade pela melhoria
na qualidade do aprendizado.
Espera-se que esta pesquisa possa contribuir para que as escolas em geral
possam influenciar e motivar positivamente os professores a se espelharem nos
conhecimentos que os alunos trazem consigo, de modo a obterem um processo de
ensino e aprendizagem eficaz face as dificuldades que eles enfrentam. No que concerne,
um bom aproveitamento da parte dos alunos.
Neste caso, como futuro professor de Matemática deve saber como conduzir o
ensino, prevendo as dificuldades que os alunos têm com o seu quotidiano. As noções
Matemáticas são construídas a partir de experiências proporcionadas pelas interacções
com o meio, pelo intercâmbio com outras pessoas que possuam interesses,
conhecimentos e necessidades que podem ser compartilhadas.
1.5 Delimitação da Pesquisa
Este projecto de pesquisa, intituladas dificuldades enfrentadas pelos alunos da 8a
classe na aprendizagem da potenciação no ensino de Matemática: caso da Escola Básica
de Ocone, tem o seu campo de estudo, a da Escola Básica de Ocone . A mesma, situa-
se no bairro de mesmo nome, no posto administrativo número 4, localizando-se ao lado
direito da Av. Amílcar Cabral e dista-se cerca de 7.5km da vila de Inhassunge.
A pesquisa envolverá a participação de professores de Matemática e alunos das
turma, onde serão aplicados testes, entrevistas e observação em sala de aula para avaliar
as reais dificuldades que os alunos enfrentam.
O período de análise será limitado ao 3º trimestre do ano letivo de 2024, com
uma amostra representativa de turmas para garantir a validade e a profundidade dos
resultados obtidos.
9
CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Neste capítulo, aparecem os principais conceitos e pontos de vistas de diferentes
autores, não só, compreende duas partes. A primeira parte é a revisão da literatura
teórica que trata das teorias referentes aos assuntos temáticos da pesquisa. A segunda
parte é a de revisão da literatura que trata da discussão de trabalhos feitos referentes a
contextualização no ensino de matemática, descritos por diversos autores.
A apreensão plena do significado introdutório de potenciação é competência
fundamental para que os alunos consigam avançar em seus estudos matemáticos ao
longo dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, de forma que possam
compreender suas propriedades operatórias, estendendo o conceito para bases e
expoentes, inicialmente, inteiros negativos e posteriormente, racionais e reais, com as
condições de existência adequadas. Sem uma base inicial sólida, nenhum destes estudos
pode ser feito nos anos escolares posteriores, comprometendo além do exposto acima a
apreensão de conceitos como raiz quadrada e raíze sem geral, notação científica, função
exponencial, função logarítmica e progressões geométricas, dentre outros.
2.1 Revisão da literatura teórica
A nível mundial verifica-se uma enorme preocupação em relacionar o
conhecimento escolar com o conhecimento quotidiano e, muitas são as perspectivas de
diversos pensadores relativamente à Matemática e às suas conexões com o dia-a-dia.
(Camacho, 2011, p.21).
2.2 A aprendizagem do conceito de potência
A escrita simbólica da potência de um número ou de uma variável é,
actualmente, um assunto introduzido no 2.º ciclo. No entanto, a apropriação por parte
dos alunos de alguns conceitos matemáticos é algo de bastante complexo (Damazio,
s/d).
A potenciação representa um conceito novo para os alunos, depois do estudo
das operações de adição, subtracção, multiplicação e divisão. O conceito de potência de
um número está intimamente relacionado com o próprio conceito de número e com as
operações elementares, embora de modo não linear.
Damazio (s/d) aponta como possível justificação para as dificuldades dos alunos
na potenciação, a forte ligação entre esta operação e a multiplicação, que por seu turno
se apoia na adição. A potenciação tem as suas noções básicas assentes na multiplicação
e esta, por sua vez, já foi construída como a adição de parcelas iguais.
10
Adição Multiplicação Potenciação
No estudo apresentado por Damazio foram propostas várias actividades para a
construção do conceito de potência de um número. Este autor afirma que “…quando
pensávamos que os alunos já haviam apropriado a ideia multiplicativa da potenciação,
algunsdeles ainda manifestavam o pensamento aditivo” (p. 18).
Adição Potencia
Para além do conceito de potência, os problemas aqui analisados envolviam
outros Conceitos, como o de sequência de números e padrões com números.
De acordo Ponte (2006) refere que o estudo das dificuldades dos alunos nos
conceitos numéricos, assim como nas operações, tem vindo a ser alvo de reflexão nos
últimos anos, embora ainda sejam insuficientes os estudos realizados. Estes estudos
mostram que muitos alunos têm dificuldades nos Números e Operações, ao mesmo
tempo que outros mostram um desempenho razoável neste campo mas deparam-se com
bastantes dificuldades na Álgebra.
Brocardo et al. (2006) referem um estudo no âmbito do ensino e da
aprendizagem dos Números e Operações que procurou caracterizar o sentido do número
de alunos do 8.º ano de escolaridade, tentando conhecer e perceber o modo como os
alunos aprendem os números e as operações e de que forma se pode contribuir para um
desenvolvimento significativo do sentido do número. Nesse estudo, concluiu-se que os
alunos apresentam uma grande falta de compreensão do significado dos números,
referindo-se também que, globalmente, a capacidade de escolher e aplicar uma
estratégia adequada aos problemas propostos está relacionada com o nível de
desenvolvimento do sentido do número, o grau de confiança em fazer matemática e com
as experiências neste âmbito.
Os Princípios e Normas para a Matemática Escolar (APM, 2007) referem que os
alunos, ao melhorarem a sua compreensão dos números e das formas de os representar,
adquirem bases para a compreensão das relações numéricas, salientando que se deve
11
explorar e consolidar a compreensão do conceito de número através da resolução de
problemas. A resolução de problemas deve constituir uma prática fortemente associada
à compreensão e solidificação dos conceitos matemáticos.
A Matemática está presente em diversos campos de actividade humana, pelo que
o seu ensino deve estar inscrito numa política de modernização económica, social e
cultural no país.
2.3 Breve Historial da potência
O moderno conceito de potência Em 1591, Viète forneceu uma contribuição
importante com uma nova notação que permitia a inclusão, sem ambiguidades, de
variáveis diferentes na mesma equação. Escreveu as potências da variável A como A
quadrado, A cubo método este que se mostrava, ainda, pouco prático (Ball, 1960).
A notação actualmente usada surge, finalmente, com o livro Géometrie (1637)
de René Descartes (1596- 1650). Ali escreveu: "aa ou a para multiplicar a por si mesmo
e a³ para multiplicar ainda mais uma vez por a e deste modo até ao infinito" (Smith,
1958). Descartes, todavia, limitou-se a trabalhar com expoentes inteiros positivos. Antes
dele, já Hume em 1636) e Hérigone em 1634 tinham escrito representações bastante
próximas da actual: por exemplo, designavam, respectivamente, 5 a 4 por 5 a IV e 5 a 4.
O conceito de potência viria a receber os seus retoques finais quando foi feita
uma construção rigorosa do conjunto dos números reais, já no final do século XIX.
Nessa altura, colocou- se finalmente a questão de saber em que casos faz sentido definir
potência. Através deste breve resumo histórico podemos observar como tanto o
desenvolvimento dos conceitos como a construção da linguagem simbólica da
Matemática representam muitas vezes um processo moroso e comple-xo. Nas suas
formas mais primitivas.
2.4 A análise de dificuldades em potenciação
Neste projecto trabalharei com a análise de dificuldades na operação de
potenciação. O conceito de dificuldades de um modo geral em meio a nossa sociedade é
a de que a dificuldade é algo inaceitável ou que deve ser evitado por estar relacionado
com aspectos negativos (PAIAS, 2009). Tendo como foco o contexto escolar e o
processo de ensino aprendizagem essa concepção na maioria das vezes não é diferente.
Para Silva et al. (2015) na educação, a dificuldade tida pelos alunos é vista como
algo ruim e sem tanta importância, porém essa é uma concepção equivocada, pois a
dificuldade pode ser visto como um indicador de que o processo de ensino
12
aprendizagem precisa ser revisto ou não está sendo satisfatório. Além disso, a dificulade
pode mostrar que o aluno não apresenta necessariamente dificuldades no conteúdo
trabalhado no momento, mas, em outros conteúdos que já foram trabalhados em séries
anteriores e que não houve por parte do aluno um entendimento necessário do mesmo.
Rodrigues, Vitelli e Vogado (2013, p.6) confirmam os argumentos anteriores ao
declararem em seu estudo de análise de dificuldades em questões de potenciação, "um
fato interessante é que o conteúdo que aparenta ser maior obstáculo não é sequer a parte
de potenciação (nosso objeto de estudo), mas operações com frações, em especial a
divisão." Essa deficiência acaba por prejudicar o aprendizado de vários conteúdos
necessários a serem aprendidos em séries posteriores, visto que o conhecimento
matemático é de caráter hierárquico.
Desse modo, o aluno com dificuldades em potenciação, cujos fatores sejam ou
não deficiência em conteúdos básicos estudados anteriormente terão consequentemente
maiores dificuldades ao estudarem assuntos como: radiciação, funções quadráticas,
exponenciais, afins, logaritmicas, entre outros. As dificuldades dos alunos em
potenciação podem ser identificadas através dos erros cometidos por eles em questões
que envolvam este conteúdo.
Em conformidade com Paias (2009) muitas vezes a dificuldade está na própria
concepção que o aluno tem sobre potenciação.
2.2 Revisão da literatura (discussão de trabalhos feitos)
Diversos trabalhos foram desenvolvidos relativamente a contextualização em
matemática e destes muitos convergindo na mesma metodologia, dos quais, o projecto
destaca:
O trabalho intitulado “uso de materiais concretos para o ensino de
potenciação”, sob autoria Carlos Adriano da Costa Gomes (2016), aponta que, ao se
privilegiar o ensino aprendizagem de potenciação por meio de materiais concretos.
Mesmo em se considerando a existência de variados obstáculos didácticos e
epistemológicos (PAIS, 2001) de aprendizagem do conteúdo de potenciação, como se
verá mais adiante, não temos a pretensão de apresentar um estudo crítico que faça uma
descrição completa de todas as dificuldades de compreensão do conteúdo em uma
amostra particular de alunos. Antes, porém, temos o desejo de apresentar nossas
impressões, de natureza subjectiva, a respeito dessa situação didáctica (PAIS, op. cit.) e
a
13
forma como nossa criatividade possibilitou enfrentar a questão junto aos alunos. Neste
sentido, parafraseando Bondia (2002), ele intenciona exibir notas a respeito de nossa
experiência de ensino e o saber de natureza qualitativa e subjectiva, ou ainda, nossas
impressões geradas por essa experiência.
14
CAPITULO III: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1Tipo de Pesquisa
3.1.1 Quanto a Natureza
Se trata da pesquisa Básica, pois ela não tem como objectivo implementar certa
metodologia de forma imediata.
Segundo Apolinário (2011,p.146), a pesquisa básica tem como objectivo
principal“ o avanço do conhecimento científico sem nenhuma preocupação coma
aplicabilidade imediata dos resultados a serem colhidos”
3.1.2 Quanto aos procedimentos
A pesquisa é classificada como levantamento de caso, uma vez que, de acordo
com Prodanov e Freitas (2013, p. 57-58) "[...] procedi à solicitação de informações a
um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida,
mediante análise quantitativa, obter as conclusões correspondentes aos dados
colectados.
3.1.3 Quanto à abordagem
Foi utilizada a pesquisa qualitativa, pois segundo Prodanov e Freitas (2013,
p.70) Considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um
vinculo indissociável entre o mundo objectivo e a subjectividade do sujeito que não
pode ser traduzido em números.
A interpretação dos fenómenos e a atribuição de significados são básicas no
processo de pesquisa qualitativa. Esta não requer o uso de métodos e técnicas
estatísticas. O ambiente natural é a fonte directa para colecta de dados e o pesquisador é
o instrumento-chave. Tal pesquisa é descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus
dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de
abordagem.
3.1.4 Quanto aos objectivos
Já se tratando dos objectivos foi utilizada a pesquisa descritiva, pois como
declara Gil (1991, apud SILVA, 2005, p. 21) "Visa descrever as características de
determinada população ou fenómeno [...] Envolve o uso de técnicas padronizadas de
colectas de dados: questionário e observação sistemática." Neste tipo de pesquisa "os
15
fatos são observados, registados, analisados, classificados e interpretados", não havendo
interferência do pesquisador sobre eles. (PRODANOV; FREITAS, 2013, p. 52).
3.2 População e amostra
A pesquisa será realizada em uma turma do 8a do Ensino Básico da escola
básica de Ocone que conta com um total de 90 alunos matriculados da turma A, para
amostra usarei 40 alunos para a realização desta pesquisa.
3.3 Técnicas e instrumentos de colecta de dados
Para o desenvolvimento desta pesquisa foi realizado inicialmente um estudo
mais aprofundado sobre o tema, baseado na leitura e análise de artigos científicos e livro
e posteriormente foi elaborado um questionário diagnóstico. A colecta de dados será
dada por meio deste questionário diagnóstico aplicado na turma alvo da pesquisa com o
objectivo de conhecer as características dos alunos participantes e analisar as
dificuldades na resolução de questões de potenciação
3.3.1 Questionário
O questionário é uma técnica de pesquisa contendo questões que são
apresentadas por escrito aos participantes do estudo, sem a presença do pesquisador,
visando conhecer opiniões, sentimentos, interesses e expectativas entre outros aspectos.
Para Gil (1999), o questionário possibilita que o pesquisador alcance grande
número de pessoas, sem a necessidade de treinamento ou gastos com entrevistadores. A
entrevista garante o respeito à disponibilidade de tempo e anonimato dos respondentes.
3.4 Técnicas de Análise de Dados.
A análise tem como objectivo organizar e sumariar os dados de tal forma que
possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para investigação. Já a
interpretação tem como objectivo a procura do sentido mais amplo das respostas, o que
é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos (Gil, 1999).
Desta forma, usar-se-á a técnica de triangulação de dados. Segundo Lakatos e
Marconi (2009), a técnica da triangulação de dados, é uma técnica de investigação
social complementar á técnica da entrevista, análise bibliográfica e consulta
bibliográfica.
16
Entretanto, com esta técnica o pesquisador fará uma análise minuciosa dos
documentos usados no campo, para posterior interpretar os mesmos, de modo a espelhar
a verdadeira situação das causas das dificuldades dos alunos da 8ªclasse da EBO, na
compreensão dos motivos que levam aos alunos enfrentar dificuldades em potenciação
3.5 Aspectos Éticos
Para questões éticas, será considerado o termo de consentimento livre, realçando
que a participação será voluntária. Para o efeito, usar-se-á uma codificação, para cada
participante que for entrevistado.
Desta forma, não será exposta a identificação pessoal nas informações colhidas e
será protegida a integridade dos participantes, tendo em conta que se deve manter o
sigilo profissional, de modo a preservar a boa imagem dos mesmos.
Portanto, as informações recolhidas no campo serão mantidas em
confidencialidade durante e após o término do trabalho, sendo que apenas a parte final
do trabalho poderá vir a ser tornada pública
17
3.6 Cronograma de Actividade
Actividades Meses/ Ano 2024
M A M J J A Set
arco bril aio unho ulho gosto embro
Escolha do
tema e pesquisa X
bibliográfica
Estrutura do
projecto X
Colecta de X X
dados
Tratamento
de dados X X
Relatório X
final
Revisão
/Correcção do texto X
Entrega do
projecto de X
pesquisa
18
3.7 Referências Bibliográficas
Carreguer, Terezinha Nunes. (2001). Na vida dez, na escola zero. São Paulo: Cortes.
Cury, Carlos R. Jamil. (2000.). Educação e Contradição. (7ª ed.). São Paulo: Cortes.
D’Ambrósio, B. S. (1989). Como Ensinar Matemática hoje? Temas e Debates. SBEM.
2(2), 15-19.
Falzeta, Ricardo. (2002). A matemática pulsa no dia-a-dia. Nova escola, São Paulo:
Fundação Victor Civita.
Ferreira, A. de H. (2004). Minuaurélio: O Mini-dicionário da língua portuguesa. (6ª
ed.). Curitiba: Positivo.
Gil, António Carlos (1999) Métodos e técnicas de pesquisa social. (5ª ed.). São Paulo:
Atlas S.A.
Gil, António Carlos (2002). Como elaborar Projecto de pesquisa. (4ª ed.). São Paulo.
INDE/MINED- Moçambique. (2010). Matemática, Programas de ensino secundário.
Moçambique.
Leite, Lúcia Helena Álvares. (2003).Criança fazendo matemática. Porto Alegre: Artes
Medicas.
Pais, L. C. (2011). Didáctica da Matemática: uma análise da influência Francesa.
(3ªed.). Belo Horizonte: Autêntica editora.
Piletti, Claudino. (2004). Didáctica Geral. (23ª ed.). São Paulo: Ática.
Sousa, M. J. & Baptista, C. S. (2011). Como fazer investigação, dissertação, teses e 76
relatórios. Segundo Bolonha. Lisboa: Lidel – edições técnicas, lda.
Tufano, W. Contextualização. (2001). ln: FAZENDA, I. C. (Org.).
19
Anexos
20
Guia de Entrevista destinado aos Alunos e Professores da Escola Básica de Ocone-
Inhassunge.
O presente guião de entrevista tem como objectivo recolher dados para fins académicos,
no âmbito da pesquisa intitulada "Dificuldades enfrentadas pelos alunos da 8ª classe na
aprendizagem da potenciação na Escola Básica de Ocone-Inhassunge". Todas as
informações recolhidas serão tratadas com estrita confidencialidade e usadas
exclusivamente para subsidiar este estudo. O propósito final é a elaboração de uma
monografia científica, e assegura-se o sigilo das respostas, que serão utilizadas apenas
para este efeito. Desde já, agradecemos a sua colaboração.
Questionário destinado aos Alunos da 8ª classe
1. Você acha que a potenciação é difícil de entender?
( ) Sim
( ) Não
( ) Às vezes
2. O professor costuma usar exemplos práticos do dia-a-dia para explicar a potenciação?
( ) Sim
( ) Não
( ) Raramente
3. Quando você encontra um problema envolvendo potenciação, como geralmente tenta
resolvê-lo?
( ) Uso as regras que aprendi na aula
( ) Faço uma estimativa e tento adivinhar
( ) Não sei como resolver
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4. Com que frequência você utiliza a potenciação fora das aulas de matemática, em
situações do seu quotidiano?
( ) Frequentemente
( ) Às vezes
( ) Nunca
5. Os exemplos dados pelo professor ajudam a entender melhor a potenciação?
( ) Sim
( ) Não
( ) Só alguns exemplos
6. Explique, com suas próprias palavras, o que é potenciação.
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
7. Quais são as maiores dificuldades que encontra ao trabalhar com potenciação?
Explique.
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
8. Descreva uma situação em que você aplicou o conceito de potenciação fora da sala de
aula, mesmo que tenha sido algo simples.
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
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9. O que você faz quando não entende um problema de potenciação? Você pede ajuda?
Explique como lida com isso.
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10. Na sua opinião, como o ensino da potenciação poderia ser mais interessante e mais
fácil de aprender?
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Muito Obrigado!