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Contestação em Ação de Posse Judicial

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CICLO FORMATIVO INICIAL OBRIGATÓRIO/2024

CONTESTAÇÃO

TRABALHO EM GRUPO ELABORADO NO ÂMBITO DA


DISCIPLINA DE: PRÁTICA PROCESSUAL CIVIL

Grupo n.º 2

Sob orientação de: Prof. Belchior

Lubango, 2024
AO
MERITÍSSIMO JUIZ DE DIEREITO DA
SALA DO CÍVEL DO TRIBUNAL DA
COMARCA DO LUBANGO

=LUBANGO=

MARIA VENTURA, solteira de 72 anos de idade, titular do B.I. nº 0000000000, residente no


Município de Caxito, Província do Bengo (Doc. 1), podendo ser contactada por intermédio dos
seus mandatários com procuração forense que se junta em anexo, (Doc. 2), doravante designada
por Ré, vem, ao abrigo dos art. 486.º e 487.º todos do Código de Processo Civil, apresentar:

CONTESTAÇÃO

CONTRA: SIMÃO SIMÃO, solteiro titular do B.I. n.º 00013584888834, residente no bairro
MAV-Lubango, podendo ser contactado por intermedio dos seus mandatários judiciários, com
mais sinais de identificação em anexo (Doc. 3), doravante designado por Autor.

Pelo que o faz nos seguintes fundamentos de facto e de direito

DOS FACTOS:
I. POR EXCEPÇÃO

1.º

A Ré, com objectivo de apresentar factos que obstam a apreciação do mérito da acção, se
servindo de causa impeditiva, modificativa e extintiva do direito invocado pelo Autor;

Para se determinar a improcedência parcial ou total do pedido:

O Autor, nos presentes autos, intenta contra a Ré uma Acção Especial de Posse ou Entrega
Judicial. Em primeiro lugar, importa realçar que o Autor não se socorreu dos meios
possessórios normais, ou seja, sempre que a posse é violada, o seu titular defende-a mediante
a Acção de Prevenção (nos casos em que o possuidor tenha justo receio de ser perturbado ou
esbulhado por outrem), Manutenção (quando a posse é perturbada) e Restituição (nas situações
de esbulho), sendo cabível para o competente processo a Acção de Reivindicação, prevista nos
termos do artigo 1311.º do CC.
2.º

A par dos meios possessórios frisados para a defesa da posse, é de se destacar também o meio
apresentado pelo Autor (Acção de Posse ou Entrega Judicial), sendo esta uma acção especial
com requisitos específicos.

3.º

Em virtude do disposto no artigo 1044.º do CPC, conjugado com na alínea a) do n.º 1 do artigo
2.º do Código de Registo Predial (Decreto-Lei n.º 47 611, de 28 de Março de 1967), o imóvel,
objecto da lide, está sujeito a registo, logo, são requisitos para a procedência da acção:

- Ter o Autor a seu favor um título translativo de propriedade;


- Juntar documento comprovativo de que o registo definitivo se ache feito ou em condições
de o ser.

3.º

Quanto ao primeiro requisito, verificamos que foi junto aos autos, conforme o articulado 14.º
da P.I., pois, é possível concluir-se que o Autor tem, a seu favor, o título em causa.

4.º

No que toca ao segundo requisito, a lei impõe ao Autor a junção do documento comprovativo
de que o registo definitivo se ache feito ou em condições de o ser, no articulado 13.º da P.I.,
atesta-se apenas que o Autor localizou toda a documentação referente à celebração do contrato,
que certifica, efectivamente, a legitimidade da propriedade do imóvel a favor de Francisco
Francisco, em nenhum momento fala-se de registo do imóvel, a favor do comprador.

5.º

Acresce-se ainda o facto de que o Autor juntou aos autos, conforme já referenciado, a
declaração de compra e venda, que consta do livro 283, com o Processo n.º 1878, no Cartório
Notarial da Comarca do Lubango (vide articulado 14.º da P.I), demonstrando apenas a compra
e venda do imóvel, porém, não se verifica a função do documento comprovativo (o registo
definitivo se ache feito ou em condições de o ser) de certidão do registo predial do imóvel e a
matriz predial a favor do pai do Autor, que justifique a procedência da acção, ou seja, segundo
o articulado 5.º da P.I., o de cujus faleceu, quando os documentos do apartamento encontravam-
se na fase final de regularização, diferente de regularizado.

6.º

Dito de outro modo, pela falta do cumprimento do segundo requisito não será suficiente para
o êxito da acção, porquanto, o que se pretende é aferir se o requerente tem alguma prova que
demonstre ser titular do direito de propriedade do imóvel, para além do compra e venda, os
autos é omisso quanto a isso.

7.º

Ademais, dispõe o artigo 8.º do Código de Registo Predial que “o registo definitivo constitui
presunção não só de que o direito registado existe, mas de que pertence à pessoa cujo nome
esteja inscrito, nos precisos termos em que o registo o define”.

8.º

Da norma acima citada conseguimos extrair dois aspectos importantes para a improcedência
da presente acção, que se prende com o facto de que o registo definitivo constitui presunção
para a existência do direito, por um lado, e, por outro, que o direito pertence a pessoa cujo
nome esteja inscrito.

9.º

Outrossim, não cabe ao filho do de cujus, intentar a competente acção por falta de legitimidade,
na medida em que o mesmo, apesar de ser filho e herdeiro putativo, entretanto não tem ainda
legitimidade para o efeito, porque nos autos não existem documentos que o legitimam o Autor
a instaurar o competente processo com vista a efectivar a propriedade para a sua esfera jurídica.

10.º

Ou seja, antes de meter mão a herança deveria o Autor ter em atenção o disposto no artigo 2030
do CC, bem como ter seguido o procedimento próprio como seja, fazer o processo de
habilitação de herdeiros e ou processo de inventário orfanológico facultativo, conclusos, feito
isto, estaria sim em condições de revindicar de forma legal os bens deixados pelo seu falecido
pai.
11.º

Ora, como é sabido, o erro na forma do processo (art. 199.º CPC), “in extremis” dá lugar ao
indeferimento liminar, em conformidade com o disposto na parte final do n.º 3, do artigo 474º,
do CPC.

12.º

E quanto à ilegitimidade (art. 494, n.º1, al. b) do CPC), pode igualmente levar ao indeferimento
liminar, em conformidade com o disposto na parte final do n.º 1, al. b), in fine do artigo 474.º,
do CPC.

13.º

Finalmente, observa-se ininteligibilidade entre o pedido e a causa de pedir, na medida em que,


o Autor fundamenta que, o imóvel estava avaliado, por um lado, em USD 12.000,00,
posteriormente apresenta o valor de 22.000,00 dólares e o valor da acção é de 10.000.000,00
de kwanzas, conforme o art.º 193.º do CPC.

II. POR IMPUGNAÇÃO

A Ré com objectivo de contradizer os factos articulados pelo Autor e não aceitando os mesmos
pelo pretende sejam dados sem efeitos jurídicos:

14.º

Quantos aos articulados 1.º, 3, 4, 5 e 6.º nada contra.

15.º

O Autor alegou, no articulado 7.º, da sua P.I. que foi a Ré quem procurou por ele para o
informar em relação ao prédio deixado pelo seu pai, na cidade do Lubango, portanto não
conseguimos vislumbrar a má-fé, referida no articulado 12.º.

16.º
Antes pelo contrário, foi o próprio Autor quem se recusou a ir até a cidade do Lubango para a
verificação do imóvel.

17.º

Volvidos 8 anos, não restam dúvidas de que a Ré é possuidora legítima, pois, estabelece o
artigo 1251.º do Código Civil, doravante CC, que “posse é o poder que se manifesta quando
alguém actua da mesma forma ao exercício do direito de propriedade ou de outro direito real”;

18.º

Da norma supra, extrai-se que a Ré está na posse do imóvel, independentemente da existência


do direito de propriedade, nos casos em que actua de forma correspondente ao referido direito,
valendo, por sua vez, a conduta da Ré, na prática de determinados acto sobre o imóvel,
conforme faz constar nos articulado 12.º in fine e 23.º da P.I;

DO DIREITO

19.º

Conforme foi dito já, é manifestamente visível que o erro sobre a forma do processo, alheias o
articulado 19.º, é categórico ao descrever qual seria a verdadeira acção a ser interposta pelo
Autor.

20.º

Já o articulado 20.º da P.I. demostra uma clara litigância de má-fé por parte do Autor, ou seja,
entendemos que o Autor agiu de má-fé, engendrando um conjunto de argumentos falaciosos,
com o fim de obter um direito que não lhe cabe (artigo 456.º do CPC). Melhor dizendo, em
circunstância alguma o Autor tem legitimidade para interpor a competente P.I., pelos factos
retro mencionados.
21.º

Relativamente aos articulados 21.º, 22.º, 23.º, 24.º, 25.º e 26.º, não faz qualquer sentido discutir-
se sobre os factos alegados pelo Autor, por não terem sido analisadas questões sobre o processo
de habilitação de herdeiros e ou processo de inventário orfanológico facultativo conclusos, que
dão legitimidade ao Autor em relação aos direitos alegados nos articulados supra.

22.º

Relativamente ao pedido de procuradoria condigna, não faz nenhum sentido ser aqui chamado,
porque não consta dos autos o contrato de honorários, muito menos a factura de pagamento,
comprativo de impostos advocatórios na AGT.

Nestes termos e nos melhores de direito, com o Douto Suprimento deste Tribunal, que seja a
referida contestação recebida e autuada, deferida procedente e que:

a) Seja a P.I. indeferida liminarmente, por ilegitimidade activa e


erro na forma do processo;
b) Seja a Ré absolvida da instância;
c) Seja a Ré isentada das custas judiciais.

Junta: Procuração forense, documentos ( ) e duplicados legais.

Lubango, 18 de Outubro de 2024

ADVOGADOS
1. Abrão Guilherme, Cédula n.° 13.178
2. Abel Maldine Carruagem, Cédula n.° 13.093
3. Abiude Sapalalo, Cédula n.° 13.095
4. Adriano Fausto, Cédula n.° 13.118
5. Adriano Bunga
6. Adélia Filomena Kamassunu, Cédula n.° 13.162
7. Aiken Renkel, Cédula n.º 11.632
8. Avelino Tchimbungo, Cédula n.° 13.078
9. Bernardino dos Santos, Cédula n.° 11.279
10. Bernadino Huamba, Cédula n.° 13.130
11. Catarina Neto
12. Daniel Adriano, Cédula n.° 13.144
13. Edilson Ndaindila, Cédula n.° 13.119
14. Félix Bambi
15. Gelma Fernandes, Cédula n.° 13.083
16. Helena Nguelengue
17. Karol Aulik José de Assunção, Cédula n.° 13.200
18. Lídia Suzana Gonzanga de Faria, Cédula n.° 9.929
19. Miguel Canuco, Cédula n.° 13.136
20. Natilcia Miguel, Cédula n.° 13.207
21. Nelson de Jesus Macala, Cédula n.° 13.100
22. Rogério Rodrigues

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