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República de Angola

Ministério da Educação/Saúde
Instituto Técnico de Saúde do Sequele nº 4105 - Cacuaco
Coordenação do Curso de Farmácia

TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO MÉDIO TÉCNICO DE


FARMACIA

AUTOMEDICAÇÃO:

NIVÉIS DE CONHECIMENTO DOS PAIS SOBRE


AUTOMEDICAÇÃO EM CRIANÇAS DOS 5 AOS 10 ANOS DE
IDADE ATENDIDAS NO CENTRO DE REFERÊNCIAS DA FUNDA
DE MAIO A JULHO DE 2022.
Trabalho de Fim do Curso, apresentado ao
Instituto Técnico de Saúde do Sequele
(I.T.S.S), como um dos requisitos para
obtenção do grau de Técnico Médio de
Farmácia. Orientado pelo Professor: Ernesto
Paciência.

Luanda, 2023
AUTOMEDICAÇÃO:

NIVEIS DE CONHECIMENTO DOS PAIS SOBRE AUTOMEDICAÇÃO EM


CRIANÇAS DOS 5 AOS 10 ANOS DE IDADE ATENDIDAS NO CENTRO DE
REFERÊNCIAS DA FUNDA DE MAIO A JULHO DE 2022.
Trabalho de Fim do Curso, apresentado ao
Instituto Técnico de Saúde do Sequele, como
um dos requisitos para obtenção do grau de
Técnico Médio de Farmácia. Orientado pelo
Professor: Ernesto Paciência.
GRUPO Nº 10:
ELISA VILEMBA
HELENA AGOSTINHO CAPINGANO
IGRAÇA MORENA PEDRO JOAQUIM
INDIRA ANTÓNIO GERÓNIMO GARCIA
IVÁNIA CALUMBI MARIA
JANUARIO C. CORREIA CHITANDULA
JOÃO FERNANDO NEVES
JOB MANUEL C. GONÇALVES
JOIA ALEXANDRE PEDRO
PAULINA ANTÓNIO QUIONQUE

Luanda, 2023

II
FOLHA DE APROVAÇÃO

AUTOMEDICAÇÃO:
NIVÉIS DE CONHECIMENTO DOS PAIS SOBRE AUTOMEDICAÇÃO EM
CRIANÇAS DOS 5 AOS 10 ANOS DE IDADE ATENDIDAS NO CENTRO DE
REFERÊNCIAS DA FUNDA DE MAIO A JULHO DE 2022.
Aprovado / 2023

Trabalho de Fim do Curso, apresentado ao


Instituto Técnico de Saúde do Sequele
(I.T.S.S), como um dos requisitos para
obtenção do grau de Técnico Médio de
Farmácia. Orientado pelo Professor: Ernesto
Paciência.

BANCA EXAMINADORA

Presidente ____________________________Assinatura_______________

1º Vogal:_____________________________Assinatura________________

2º Vogal:_____________________________Assinatura________________

Secretário:_____________________________Assinatura________________

Luanda/2023

III
DEDICATORIA

Dedicamos este Trabalho de Conclusão de Curso aos nossos pais porque sempre foram
e sempre serão uma grande inspiração em nossas vidas. Pela força, determinação e
coragem que sempre tiveram ante a vida. Pelos valiosos conselhos que sempre nos
deram para que nós fossemos pessoas melhores a cada dia. Por isso e mais dedicamos a
eles este trabalho de conclusão de curso.

IV
AGRADECIMENTOS

A Deus pai todo-poderoso, pelo dom da vida a nós concebido, por nos amparar nos
momentos difíceis, e por nos conceder a graça de estarmos aqui.

Ao nosso caríssimo orientador Ernesto Paciência ensinou-nos a pelos nossos sonhos


com felicidade fidelidade e honestidade. Por transmitir-nos o seu conhecimento e
experiência com finalidade de tornar-nos profissionais embasados e humanos.

Aos nossos amigos e colegas por ensinarem-nos o valor da verdadeira amizade

V
EPIGRÁFE

“Inicialmente, quando a religião era forte e a


ciência fraca, os homens trocavam magia por
medicina; agora, quando a ciência é forte e a magia
fraca, os homens trocam a medicina pela magia”
Thomas Szasz

VI
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

FIP - International Pharmaceutical Federation


OMS- Organização Mundial da Saúde
ITSS – Instituto Técnico de Saúde do Sequele

VII
RESUMO

O presente trabalho aborda sobre “a automedicação em crianças dos 5 aos 10 anos de


idade atendidas no Centro de Referência da Funda de Maio a Julho de 2022. Esta
prática pode decorrer da aquisição de medicamentos não sujeitos a receita médica, da
partilha de medicamentos por elementos da família ou do círculo social, da reutilização
de medicamentos de tratamentos anteriores ou pela utilização de prescrições antigas.
Trata-se de um hábito comum em Angola e sempre foi um assunto muito discutido e
controverso, além de uma prática nociva à saúde da população, sobretudo em crianças.
O uso indevido de medicamentos considerados comuns pode acarretar diversas
consequências, como resistência bacteriana, no caso dos antimicrobianos, reações de
hipersensibilidade, dependência, reações adversas, interações medicamentosas e
intoxicação. Objectivo Geral: Identificar as causas da automedicação em crianças dos 5
aos 10 anos de idade atendidas no Centro de Referência da Funda de Maio a Julho de
2022. O presente estudo caracteriza-se ainda como uma pesquisa mista de cunho
bibliográfico, explicativa-quantitativa que faz um levantamento do conhecimento actual
veiculado na literatura que podem trazer contribuições para o tema pesquisado. Quanto
a amostragem está composta por 39 indivíduos selecionados de forma aleatória por
meio de questões elaboradas com a técnica de questionário. Entretanto com base nisso
podemos concluir que: Relativamente ao género os dados da tabela nº 1 mostram que
dos 39 pais inquiridos no Centro de Referência da Funda, a maioria 20 (51%) são do
género masculino, já a minoria 19 (49%) são do género feminino. Com base nestes
dados nota-se que a nossa amostra está constituída maioritariamente por homens. De
acordo com os dados da tabela nº 7, é possível verificar que dos 39 pais inquiridos no
Centro de Referência da Funda, quando questionados se já ouviram falar sobre a
automedicação, a maioria 31 (79%) responderam SIM, ao passo que a minoria 8 (21%)
responderam NÃO.

Palavras-Chave: Automedicação, Conhecimento.

VIII
ÍNDICE
FOLHA DE APROVAÇÃO........................................................................................................III
DEDICATORIA..........................................................................................................................IV
AGRADECIMENTOS..................................................................................................................V
EPIGRÁFE...................................................................................................................................VI
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS................................................................................VII
RESUMO..................................................................................................................................VIII
INTRODUÇÃO..........................................................................................................................11
CAPÍTULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEORICA.................................................................14
1.1 Definição de termos e conceitos.............................................................................................14
1.2 Breve história sobre a automedicação....................................................................................15
1.3 Motivação da automedicação.................................................................................................15
1.4 Influência da Publicidade na Prática de Automedicação.......................................................18
1.5 A Automedicação Segundo a Perspetiva Farmacêutica.........................................................20
1.6 Riscos e Benefícios da Prática de Automedicação em crianças dos 5 aos 10 anos...............21
1.6.1 Riscos da Prática de Automedicação...................................................................................21
1.6.2 Benefícios da Prática de Automedicação............................................................................23
1.7 O Papel do Farmacêutico na Automedicação.........................................................................24
CAPÍTULO II: METODOLOGIA...........................................................................................27
2.1 Tipo de estudo e técnicas de coleta de dados.........................................................................27
2.2 Local e período de realização.................................................................................................27
2.3 População e amostragem........................................................................................................27
2.4 Critérios de inclusão e de exclusão........................................................................................27
2.5 Processamento e análise de dados..........................................................................................28
2.6 Variáveis do estudo................................................................................................................28
2.7 Aspectos éticos.......................................................................................................................28
CAPÍTULO III- APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS
RESULTADOS REFERENTES Á AUTOMEDICAÇÃO EM CRIANÇAS DOS 5 AOS 10
ANOS DE IDADE ATENDIDAS NO CENTRO DE REFERÊNCIA DA FUNDA DE
MAIO A JULHO DE 2022........................................................................................................29
3.1 Caracterização sociodemográfica dos inquiridos...................................................................29
3.2 Percepção dos inquiridos sobre á automedicação em crianças dos 5 aos 10 anos de idade...31
CONCLUSÃO..............................................................................................................................36
BIBLIOGRAFIA........................................................................................................................39
ANEXOS......................................................................................................................................41
APENDICES................................................................................................................................42

IX
LISTA DE TABELAS
Tabela nº1 Distribuição da amostra em relação ao Género 29

Tabela nº2- Distribuição da amostra em relação a Idade29

Tabela nº3- Distribuição da amostra em relação a Zona de residência 30

Tabela nº4- Distribuição da amostra em relação a Habilitações literárias 30

Tabela nº5- Já ouviste falar sobre a automedicação 31


Tabela nº 6- Já usou ou comprou medicamento sem receita médica 31

Tabela nº 7. O medicamento era para uso 32

Tabela nº 8- Já medicou o seu filho (a) com algum tipo de medicamento no último mês 32

Tabela nº 9- Você costuma medicar seu filho (a) sem prescrição médica? Se SIM Quais 33

Tabela nº 10- Quando automedicou o seu filho (a) surgiu algum problema com a medicação a
qual deu? Caso responda SIM, qual o medicamento e qual o problema 33

Tabela nº 11-Qual o motivo que justificou a automedicação no seu filho (a) em vez de consulta
médica 34

Tabela nº 12- O que você acha da prática da automedicação 34

Tabela nº 13- Já aconselhou-se com o farmacêutico ou balconista para comprar medicação


37

X
INTRODUÇÃO

O presente trabalho aborda sobre “a automedicação em crianças dos 5 aos 10


anos de idade atendidas no Centro de Referência da Funda de Maio a Julho de 2022.
Esta prática pode decorrer da aquisição de medicamentos não sujeitos a receita médica,
da partilha de medicamentos por elementos da família ou do círculo social, da
reutilização de medicamentos de tratamentos anteriores ou pela utilização de prescrições
antigas.

Trata-se de um hábito comum em Angola e sempre foi um assunto muito


discutido e controverso, além de uma prática nociva à saúde da população, sobretudo
em crianças. O uso indevido de medicamentos considerados comuns pode acarretar
diversas consequências, como resistência bacteriana, no caso dos antimicrobianos,
reações de hipersensibilidade, dependência, reações adversas, interações
medicamentosas e intoxicação.

A Automedicação é uma cultura que atravessou gerações, onde acontece a


ingestão de medicamentos por conta própria sem indicação por um profissional, ato
este, induzido principalmente por experiências passadas, por indicação de alguém.

A automedicação, geralmente está relacionado à intenção do paciente em aliviar


algum sintoma, principalmente a dor, o que torna os analgésicos e os relaxantes
musculares os medicamentos mais consumidos.

Porém, o alívio dos sintomas após a automedicação nem sempre significa que
houve um tratamento adequado. E muito menos que o problema foi resolvido, pois a
prática pode estar mascarando problemas mais sérios, principalmente os problemas
relacionados a doenças infectocontagiosas.

Para entender o contexto da automedicação e seu valor para a sociedade, faz-se


oportuno retroceder na história, a fim de conceber alguns factores que determinam à
dicotomia do efeito benéfico e maléfico desta prática terapêutica. Na antiguidade, as
técnicas manuseadas para debelar os males do corpo eram baseadas no misticismo, por
meio de exorcismo e do uso de amuletos, e na utilização de drogas de origem vegetal e
animal como terapia, com isso, fica visto, que a automedicação é uma cultura que
atravessou décadas, e não será tão simples remove-la dos costumes actuais.

11
A Organização Mundial da Saúde e a Federação Internacional dos
Farmacêuticos apontam a automedicação como a acção pela qual os indivíduos elegem
e usam medicamentos para tratar sintomas ou pequenos problemas de saúde assim
reconhecidos pelos mesmos. A automedicação feita de forma certa pode trazer
benefícios para a saúde e de acordo com a OMS sendo a mesma entendida como parte
das ações de autocuidado (SAÚDE, 2005).

Formulação do problema e Hipóteses

Tendo em conta a nossa temática acima exposta para este trabalho pretendemos
responder a seguinte pergunta de partida: Quais são as causas da automedicação em
crianças dos 5 aos 10 anos de idade atendidas no Centro de Referência da Funda de
Maio a Julho de 2022?

Hipóteses

Para o nosso trabalho traçaremos as seguintes hipóteses:

H1: A falta de programas educativos sobre os efeitos muitas vezes irreparáveis da


automedicação;

H2: O desespero e a angústia desencadeados por sintomas ou pela possibilidade de se


adquirir uma doença;

H3: A automedicação deve-se por causa da negligência dos pais;

H4: Próprio hábito de tentar solucionar os problemas de saúde corriqueiros tomando por
base a opinião de algum conhecido mais próximo ou mesmo de si próprio.

Definição dos objectivos

a) Geral: Apontar as causas da automedicação em crianças dos 5 aos 10 anos de


idade atendidas no Centro de Referência da Funda de Maio a Julho de 2022
b) Específicos:
 Descrever os factores que contribuem para essa prática.
 Descrever o perfil de automedicação em crianças dos 5 aos 10 anos de idade
atendidas na instituição em estudo;
 Caracterizar o perfil sociodemográficos dos utentes atendidos no Centro de
Referência da Funda de Maio a Julho de 2022;

12
Justificativa

A escolha desse tema deve-se pelo facto de termos observado na nossa


sociedade um elevado índice de casos de crianças com intoxicação medicamentosa por
via da automedicação sem prescrição médica. Portanto considera-se um problema de
saúde pública, uma vez que põe em risco a condição de saúde das crianças, podendo
gerar não só a deturpação de sinais e sintomas de diferentes doenças, como, dificulta
assim o diagnóstico e pode prejudicar o tratamento.

A prática acaba por ser reforçada porque muitos medicamentos podem ser
adquiridos sem prescrição médica, ainda assim, o uso destes produtos não deve ser feito
de maneira indiscriminada, já que para a sua ingestão é necessária uma dose certa
respeitando ainda o tempo para que seja eficaz.

No âmbito social pode-se dizer que se justifica a partir da finalidade de


contribuir para o aprimoramento acadêmico e pessoal, assim como visa também
acrescentar à comunidade acadêmica com o fomento da discussão do tema e de somar
com novas perspectivas.

Além disso, pretendemos trazer contribuições para a sociedade, já que é um


tema que levanta questões de saúde e que afetam a sociedade no geral, uma vez que esta
é uma prática comum no dia-a-dia.

No âmbito cientifico, justifica-se pelo facto de sermos futuros técnicos de


farmácia hospitalar por termos observado um índice elevado de automedicação no dia-
a-dia, sendo um problema frequente que tem prejudicado a saúde de várias crianças,
com isto pretendemos despertar a sociedade sobre a perigosidade que esta problemática
acarreta consigo e quiçá ajudar na redução da automedicação em crianças dos 5 aos 10
anos.

Delimitação do tema

Como sabemos, todo o trabalho de investigação científica reveste-se de


limitações e delimitações. E não sendo possível abordar tudo sobre a automedicação em
crianças dos 5 aos 10 anos de idades, delimitamos o nosso estudo no Centro de
Referência da Funda de Maio a Julho de 2022, justifica-se esse período ser o período em

13
que se verificou um número elevado de casos de intoxicação medicamentosa em
crianças devido à automedicação.

CAPÍTULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEORICA

1.1 Definição de termos e conceitos


Conceito de Automedicação

É um acontecimento bastante polemizado e preocupante na cultura médico-


farmacêutica, é a automedicação. Esta é uma execução comum, lavrada por civilizações
de todos os tempos, com atributos peculiares a cada época e a cada região. (ARRAIS,
1997, p. 71). Já para (VILARINO, 1998, p. 43) a automedicação é um fenómeno
nefasto à saúde individual e coletiva, pois nenhum medicamento é inócuo ao organismo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a automedicação é definida


como a seleção e uso de medicamentos por pessoas para tratar sintomas ou doenças
autodiagnosticadas, sem prescrição médica.

Esta prática pode decorrer da aquisição de medicamentos não sujeitos a receita


médica, da partilha de medicamentos por elementos da família ou do círculo social, da
reutilização de medicamentos de tratamentos anteriores ou pela utilização de prescrições
antigas.

A OMS define ainda o conceito de automedicação responsável como aquela


em que os indivíduos utilizam medicamentos aprovados e disponíveis sem prescrição
médica, sendo seguros e eficazes quando usados como indicado.

Se nos apoiarmos no que acima ficou transcrito podemos definir a


automedicação como sendo a utilização de medicamentos por conta própria ou por
indicação de pessoas não habilitadas para tratamento de doenças, com o objetivo de
tratar ou aliviar sintomas mesmo de promover a saúde, independente da prescrição.

Medicamentos

É medicamento toda a substancia ou composição que possua propriedades


curativas ou preventivas das doenças e seus sintomas, do homem e do animal, com vista
a estabelecer um diagnostico médico ou a instaurar, corrigir ou modificar as suas
funções orgânicas. (Silva A. , 1999)

14
1.2 Breve história sobre a automedicação
A automedicação não é um fenómeno da actualidade, pois já no início do
século XIX, era uma prática usual, inicialmente na forma de plantas medicinais,
remédios caseiros e preparações galénicas (Lopes, 2003).

Segundo (Aquino, 2007, p. 735), “o uso de drogas pela humanidade, para os


mais diversos fins é antiquíssimo e permanece como um acto, ainda hoje, cheio de
conteúdos simbólicos nas mais diversas culturas”.

1.3 Motivação da automedicação


As motivações que conduzem à automedicação são de várias ordens. No
entanto, para a presente pesquisa fizemos menção de cinco grandes motivos que podem
exercer influência ou conduzir à automedicação na sociedade actual, relativamente à
saúde. Na base do problema, aparece assim a perspectiva do consumidor (doente), do
prescritor (médico), do vendedor (farmácia), do fabricante indústria farmacêutica) e, por
último a publicidade (televisão, rádio, etc.).

A sociedade vigente vê os medicamentos como a resolução de todas as


sintomatologias. Com a globalização é possível ter acesso a uma enorme quantidade de
informação, que permite o conhecimento e a compra de diversos produtos
farmacêuticos, na qual a comercialização dos mesmos, corresponde exclusivamente
com os desejos da sociedade, que é o alívio dos sintomas (SANTELLO, 2013, p. 32).

A maioria das situações de automedicação ocorre porque o indivíduo já


possuiu uma experiência anterior com o medicamento. Hoje em dia a automedicação
continua a ser uma prática bastante comum na vida de qualquer cidadão, existindo
vários factores que contribuem ativamente para o desenvolvimento, cada vez mais
acentuado, desta prática.

Segundo (Lopes, N, 2001), a automedicação é um fenómeno em crescimento


nas sociedades e representa cerca de 30% dos medicamentos consumidos.

Em Angola esse aumento também é notório. Actualmente o uso de


medicamentos sem receita médica é geralmente aceite como parte integrante do sistema
de saúde.

15
A prática de automedicação é vista como uma maneira de reduzir os custos
com o sistema de saúde, no entanto é necessário avaliar cuidadosamente a relação
risco/benefício dessa prática, e os medicamentos passíveis de ser utilizados sem
prescrição, objetivando a promoção e a proteção à saúde individual e comunitária
(Silva, 2007).

É necessário que a sociedade se consciencialize e entenda que a mesmo


medicamento que cura, pode matar ou provocar danos irreversíveis.

A prática inadequada da automedicação, tal como a prescrição errónea, podem


ter consequências graves e por vezes irreversíveis. Desse modo o uso incorreto dos
medicamentos representa um problema que pode e deve ser prevenido. (Sousa, 2008).

Os cinco pilares por nós referidos, apesar de todos eles exercerem influência na
automedicação, a sua responsabilidade não se reparte equitativamente, verificando-se
por isso um comprometimento diferente entre eles.

Estas partes envolvidas não têm tido a orientação necessária no sentido da


saúde pública, devido aos vários interesses corporativos e económicos implicados e
também no caso próprio doente de uma consciencialização, informação e reflexão
necessárias.

É consensual que a automedicação está relacionada com sintomas e não com


patologias e que, o período para o qual se considera a automedicação como adequada,
não deve exceder 3-7 dias, e deve apenas reportar-se aos medicamentos não sujeitos a
receita médica (Ministério da Saúde, 1999).

a) Consumidor – doente

Certamente que um dos factores determinantes do elevado grau de


automedicação é o baixo nível de organização da assistência médica disponível na
população e, principalmente em famílias de baixa renda.

A automedicação ocorre também nas camadas privilegiadas, que dispõem de


todos os serviços médicos desejáveis, sendo assim prática corrente em países do
primeiro mundo, com elevado grau de organização nos seus sistemas de saúde. Outro
aspecto não menos importante que imputa responsabilidades ao consumidor (utente)
deve-se ao facto de prolongar o tratamento indefinidamente sem retornar ao médico
para uma reavaliação dos resultados.
16
Hoje em dia, com muita facilidade o utente tem acesso a medicamentos e, com
a mesma facilidade, os consome. Se alguns têm consciência do seu acto, mais são
aqueles que não pensam sequer nos riscos a que estão sujeitos.

b) O prescritor: médico

Uma das vias que contribuem nitidamente para a automedicação é a prescrição


médica. Num primeiro momento o médico apresenta o medicamento ao paciente,
conferindo a determinado produto até então desconhecido pelo paciente, um
significado: o de resolver o problema apresentado ou fazer desaparecer os sinais e
sintomas.

A automedicação com medicamentos de venda sob prescrição médica é mais


frequente nos casos de doenças cronicas como hipertensão, diabetes ou angina. Tais
casos, a partir da orientação médica inicial, o paciente por si próprio passa a utilizar o
recurso terapêutico aprendido e desenvolve conhecimentos sobre os sintomas de
agravamento do seu distúrbio. É o caso de pacientes diabéticos, que controlam
diariamente o seu uso de insulina. Com o conhecimento adquirido cria-se muito o
conceito de que isto cura aquilo. E na medida em que os tratamentos apresentam
resultados, as pessoas vão aprendendo como as doenças são tratadas (Matos, 2005, p. 7).

Por outro lado, outra forma de influência da prescrição médica é o uso cronico
do medicamento prescrito: o paciente prolonga o tratamento indefinidamente, sem
retornar ao médico para uma reavaliação dos resultados. Este procedimento, que pode
ser definido como sobrevida da prescrição, denota a insuficiência de informações
fornecidas ao paciente pelo médico que executa a prescrição. Nesta caso importa
ressaltar que a receita não é conselho. Conselhos são instruções que podem ser seguidas
por toda a vida como orientação de conduta. A receita médica é algo episódico,
constituindo a orientação para uma situação específica e só para ela.

c) Vendedor: a farmácia

No balção da farmácia as pessoas são orientadas ao consumo de medicamentos


como a solução mais rápida e eficaz para os seus problemas. Para o consumidor é
importante a desconfiança de que nos estabelecimentos farmacêuticos (farmácias,
drogarias, etc.,), com algumas excepções, preponderam os interesses comerciais, sendo
correntes as práticas já comprovadas de empurroterapia. Como resultado, ao

17
consumidor que busca um analgésico é sugerido também o uso de vitaminas, um
antitussigeno ou um fortificante.

Para (Silva A. , 1999, p. 70)o maior protagonismo do farmacêutico como


conselheiro do doente é também um factor que poderá ter importância, associado muitas
vezes à pressão dos consumidores que pretendem uma maior acessibilidade aos
medicamentos em face ao ritmo de vida actual.

Entretanto a actividade farmacêutica deverá nortear pelos mais exigentes


padrões de precisão e correcção e pelo apoio à função dos prestadores de serviços de
saúde. Com isso aos farmacêuticos compete prestar assistência, conselho e informação
sobre os produtos de automedicação e as circunstâncias em que o médico deve ser
consultado. Aos cabe também alertar o público para os riscos de um consumo
inadequado de medicamentos e, ainda que indirectamente, sensibiliza-lo para os
esforços de contenção de gastos na saúde.

d) Fabricante: a indústria farmacêutica

A indústria farmacêutica na sua comercialização através de publicidade,


delegados de propaganda médica e políticas de vendas colocam os seus interesses por
vezes acima da saúde pública (Matos, 2005).

Portanto é necessário a criação de regras transparentes que evitem a


automedicação ou desvirtuem a terapêutica médica.

1.4 Influência da Publicidade na Prática de Automedicação


Um dos factores que contribui para a motivação do uso irracional dos
medicamentos é o efeito poderoso do marketing e da publicidade.

A propaganda de medicamentos nos meios de comunicação tem sido um


estímulo frequente para a automedicação, podendo, de certo modo, contribuir para o uso
inadequado dos medicamentos, principalmente porque tende a ressaltar os benefícios e a
omitir ou minimizar os riscos e os possíveis efeitos adversos, dando a impressão,
especialmente ao público leigo, que são produtos inócuos, influenciando-os a consumir
como qualquer outra substância (Aquino, 2007).

Os Anúncios publicitários tem potencializados a automedicação. Como a


comercialização de medicamentos é um mercado muito lucrativo, a publicidade está
muito difundida e é muito eficaz em persuadir a pessoa a ingerirem determinada
18
medicação, pois, geralmente salientam que os medicamentos irão aliviar os incômodos,
como a obstipação, a dor e a insónia. Porém, não alertam que se estes produtos
(laxantes, analgésicos, hipnóticos, medicamentos para constipação e a gripe) se
consumidos de formas inadequadas podem gerar os efeitos secundários possíveis de
qualquer produto farmacêutico (LUZ, LIMA, & MONTEIRO, 2013, p. 17).

Entretanto, como se pode perceber a propagando exerce um papel importante


na automedicação, a qual indica a procura do médico em caso de persistência dos
sintomas, o que leva a uma sensação de comodidade e a impressão de que os
medicamentos não iram-lhes causar efeitos secundários.

Outro aspecto interessante relatado por um estudo, como sendo indutor da


prática de automedicação, é a padronização actual de prescrições, o que faz com que a
população adote critérios próprios para solucionar problemas de saúde de menor
gravidade (BECKHAUSER, 2010, p. 262).

Soma-se à propaganda medicamentosa a perceção de grande parte da


população, que vê o medicamento a ocupar um papel central na solução dos problemas
de saúde, acreditando que todas as doenças ou mesmo condições de vida exigem um
tratamento farmacológico (SILVA.C., 2012)

A medicalização diz respeito ao progressivo alargamento da esfera médica à


esfera social, sendo trazidas para a área de atuação da medicina áreas que anteriormente
não lhe pertenciam. Este processo resulta da crescente expansão da medicina e de toda a
indústria médica, indústria farmacêutica incluída, mas também de uma solicitação nesse
sentido, por parte das pessoas.

De facto, cada vez mais pessoas procuram respostas médicas para situações
que podem resultar de processos biológicos normais ou mesmo de problemas sociais,
apelando a uma intervenção médica para a sua solução. A uma crescente medicalização
corresponde o também crescente processo de farmacologização, no sentido em que há
um crescente número se situações e problemas do quotidiano a entrar no domínio
médico, e consequentemente as formas primárias de intervenção médica caraterizam-se
pelo recurso aos fármacos (LOPOES, N, 2021)

19
Entretanto, devido à forte influência da publicidade no incentivo ao consumo
de medicamentos, aplicada pela indústria, foi abolida a capacidade de os utentes lidarem
com a dor e com a doença, substituindo-as por fármacos.

A prescrição médica e o consumo de medicamentos é extremamente


influenciada pela publicidade e promoção comercial, devido à existência de várias
opções terapêuticas para o mesmo fim, desse modo, a publicidade torna-se o elemento
essencial para a diferenciação entre os produtos farmacêuticos. (MELO, 2006)

Pensamos nós que a utilização crescente da internet tem vindo a contribuir para
a disseminação da propaganda medicamentosa junto dos consumidores, de uma forma
menos explícita, já que tende a dar a impressão de que são instrumentos educativos ou
de informação, que têm como objectivo promover a saúde.

1.5 A Automedicação Segundo a Perspetiva Farmacêutica


A automedicação é caracterizada pela iniciativa de um doente, ou de seu
responsável, em obter ou produzir e utilizar um produto que acredita lhe trará benefícios
no tratamento de doenças ou alívio de sintomas, sem a orientação de um profissional de
saúde qualificado. Mesmo representando um risco para a saúde das pessoas, o uso de
medicamentos sem prescrição médica é em hábito bastante frequente da população
angolana.

Um estudo realizado por (Sousa, 2008), evidenciou que o tempo de atividade


no sector farmacêutico e o grau de formação do profissional, são factores que podem
contribuir para o aumento da automedicação, tendo sido demonstrado que quanto maior
o tempo de trabalho na área e menor a qualificação profissional, maior a percentagem
de dispensa de medicamentos sem prescrição.

Para tal, o farmacêutico deverá reunir o máximo de conhecimentos em áreas da


sua competência, que o permitam atuar, correta e eficazmente em situações de
automedicação ou de sintomatologia simples. (ZIBIOLI, 2000).

No processo de aconselhamento, o farmacêutico deve reunir o máximo de


informação possível no que no que diz respeito ao utente e à sua sintomatologia.
Admitindo que o utente, muitas vezes, não transmite toda a informação necessária à
elaboração de um diagnóstico e seleção adequada do medicamento, é de toda a

20
conveniência aplicar algumas questões de forma a obter informação no que diz respeito
a:

a) Início da sintomatologia;
b) Duração da sintomatologia;
c) Severidade da sintomatologia;
d) Descrição da sintomatologia;
e) Presença de doenças crónicas;
f) Existência de factores agravantes ou de alívio;
g) Presença ou não de tratamentos anteriores. (ZIBIOLI, 2000).

O farmacêutico deve ainda considerar se o utente é lactente, criança, adulto ou


idoso, o sexo, antecedentes medicamentosos, alérgicos e a existência de reações
adversas a determinados fármacos.

Depois de reunir a avaliar toda a informação, o farmacêutico encontra-se em


posição para direcionar o utente à prática de uma automedicação responsável.
(ZIBIOLI, 2000).

Contudo, faz também parte da consciência profissional do farmacêutico o


reconhecimento dos seus limites de atuação, pelo que deverá usar o seu juízo
profissional para analisar quais são as situações que estão, ou não, ao alcance da sua
intervenção.

1.6 Riscos e Benefícios da Prática de Automedicação em crianças dos 5 aos 10 anos


1.6.1 Riscos da Prática de Automedicação
É do nosso conhecimento que a maioria das crianças usaram medicamentos,
parte das mães praticaram a automedicação.

A automedicação realizada na população infantil é algo muito comum e


preocupante, situações desconfortáveis, como dor, cólica e febre, desencadeiam choro,
incitando os pais a realizar este ato, baseando-se na interpretação subjetiva dos sintomas
dos seus filhos, no entanto a falta de orientação de um profissional de saúde, acarreta
risco a saúde da criança (BORNOLON, 2007, p. 200).

Mesmo que a automedicação seja considerada com um evento de praxe do


quotidiano, ela é muito mais ampla e complicada do que se pode prever. Por um lado,
existe a problemática da indicação de medicamentos por atendentes de farmácia, os

21
quais não estão aptos a este procedimento. Paralelamente a isso, há uma grande
abundância de produtos farmacêuticos no mercado, o que por si só contribui para o
aumento na utilização/procura desses produtos, e uma total falta de controlo da
automedicação por parte do sistema de saúde (LOYOLA, 2005, p. 545).

A automedicação apresenta inúmeras desvantagens: como autodiagnostico


incorreto, escolha incorreta da terapêutica, incapacidade de reconhecer interações
medicamentosas e precauções, esconder ou mascarar doenças graves levando assim a
um diagnóstico tardio, dosagem inadequada e uso excessivamente prolongado de
drogas, alergias (SOUSA, SILVA, & SANTOS NETO, 2008).

Além do que, os casos mais usuais de dependência estão concernentes com o


uso de tranquilizante e de anfetaminas, que são as substâncias existentes em
moderadores de apetites. O uso de medicamentos por conta própria pode camuflar uma
doença, isso porque quando uma pessoa fica doente, ela passa a ter sintomas, como uma
forma de alertar que possui alterações no sistema, e ao ingerir um medicamento, esses
sintomas podem ser paleados e assim a doença poderá ser mascarada e evoluir com o
tempo, principalmente quando se trata de doenças infectocontagiosas. A dose dos
medicamentos para população pediátrica é calculada de acordo com o peso ou superfície
corporal, idade e quadro clínico. Portanto, na automedicação existe probabilidade de ser
administrada dose incorreta.

Quando inadequadamente praticada a automedicação pode ter consequências


que incluem as interações medicamentosas, efeitos adversos, risco acrescido de
intoxicação ou interpretação incorreta dos sintomas, com consequente acréscimo de
custos de saúde, atrasando ou dificultando o diagnóstico e a abordagem terapêutica
correta da doença. (VAJ., 2000, p. 11). A prática da automedicação não está isenta de
riscos, particularmente no que se refere a determinados grupos terapêuticos” (Maria,
2000, p. 12).

Dado o potencial aumento da automedicação e o facto de permitir uma


participação cada vez mais ativa do utente na sua saúde, considera-se que só é livre de
riscos se for bem orientada, uma vez que todos os medicamentos possuem efeitos
indesejáveis.

Em primeiro lugar, existe a possibilidade de o recurso à automedicação poder


mascarar doenças graves, podendo atrasar o diagnóstico ou levar mesmo a um

22
diagnóstico errado, fazendo com que o utente sofra mais e por mais tempo. Existe ainda
a possibilidade de utilização inadequada dos medicamentos por parte de alguns utentes,
nomeadamente, utentes idosos ou com défices cognitivos significativos. Também a
interação entre medicamentos prescritos e não prescritos é uma possibilidade que não
pode ser esquecida (Soares, 2002).

Para além dos riscos já mencionados, pode ainda acrescentar-se que o uso
indevido de medicamentos pode contribuir para a dependência de determinados
fármacos (por exemplo, o uso de benzodiazepinas), resistência bacteriana (por uso
indevido de antibióticos), ou propiciar processos inflamatórios crónicos e degenerativos,
por uso desregrado de anti-inflamatórios não esteroides (AINES) (Vicente, 2000).

Em idade pediátrica a medicação é habitualmente administrada pelos pais. No


entanto em crianças maiores ou adolescentes há que considerar o risco de
automedicação. Resumidamente os principais riscos que podem advir da automedicação
são:

 Diagnostico incorreto do distúrbio;


 Retardamento do reconhecimento do distúrbio com possível agravamento;
 Escolha de terapia inadequada;
 Administração incorreta do medicamento;
 Dosagem inadequada ou excessiva;
 Uso excessivamente curto ou prolongado;
 Risco de dependência;
 Possibilidade de efeitos indesejados sérios; incapacidade de reconhecer riscos
farmacológicos especiais;~
 Desconhecimento de possíveis interações com outros medicamentos;
 Possibilidades de reacções alérgicas e;
 Armazenamento incorrecto ou por tempo excessivamente longo do
medicamento. (Matos, 2005, pp. 11-12)

1.6.2 Benefícios da Prática de Automedicação


Quando praticada de forma responsável, a automedicação poderá ter
benefícios: reduz a duração dos sintomas, o recurso aos cuidados de saúde e
consequente decréscimo do custo de tratamento de doenças de menor gravidade ou
sintomas ligeiros, permitindo aos profissionais de saúde maior disponibilidade para

23
situações clínicas mais graves. Possibilita também a diminuição das despesas do Estado
com os medicamentos, na medida em que estes são suportados na totalidade pelos
doentes.

A automedicação, embora apresente riscos, não pode ser considerado um ato


estritamente reprovável, uma vez que que também pode apresentar vantagens para o
utente e para o sistema de saúde. Se os profissionais de saúde apostarem numa
estratégia que contemple a informação, a educação e o controlo da comercialização dos
medicamentos, podem vir a obter-se resultados mais favoráveis e úteis a médio e longo
prazo.

Estes benefícios refletem-se quer no individuo quer na sociedade. Para o


indivíduo torna-se vantajoso recorrer à automedicação, uma vez que permite a resolução
de problemas de saúde menores, de forma mais rápida e com menor gasto de recursos
financeiros, já que evita o tempo de espera da consulta médica e os respetivos encargos
financeiros, que com a crise do Estado-Providência têm aumentado bastante nos últimos
anos. Para a sociedade, porque permite aliviar a pressão sobre o SNS, libertando
recursos que podem ser aplicados em situações de carência e contribuir para o aumento
da consciência cívica dos cidadãos que estão dispostos a participar na gestão da sua
própria saúde (Soares, 2002).

A automedicação é portanto uma atividade que apresenta vários pontos


positivos, não só para os utentes, mas também para todas as entidades envolvidas,
principalmente quando é praticada de forma responsável, recorrendo a profissionais de
saúde competentes.

1.7 O Papel do Farmacêutico na Automedicação


Uma vez que considera-se um problema de saúde pública, uma vez que põe em
risco a condição de saúde dos usuários, podendo gerar não só a deturpação de sinais e
sintomas de diferentes doenças, como, dificulta assim o diagnóstico e pode prejudicar o
tratamento.

Tendo em vista como profissional da saúde, o farmacêutico tem papel


fundamental na assistência, no aconselhamento e orientação para garantir a segurança
do cliente na dispensação e no manejo dos fármacos. Uma vez que a sociedade tem a
farmácia como escolha principal para cuidados médicos, necessitando de comprovação

24
de que a utilização de forma errada de fármacos pode trazer danos graves a saúde
(ROCHA,2011).

Diante dos expostos, torna-se essencial viabilizar a utilização racional dos


medicamentos junto aos consumidores, para isso se faz necessário o desenvolvimento
de um sistema eficiente de informação e de comunicação entre médico, farmacêutico e
paciente, com o objetivo de aumentar os benefícios e reduzir a um mínimo aceitável os
riscos inerentes à utilização dos medicamentos (MARIA, 2000, p. 11)

Sabendo que a automedicação envolve cultura e que será dificilmente


abandonada, o caminho mais viável é se atentar para os seus aspectos positivos e
procurar maximiza-los, portanto, todos os países, isento do seu grau de
desenvolvimento, devem filiar meios que garantam o uso racional dos medicamentos,
sendo o farmacêutico o profissional indispensável para atender às necessidades dos
indivíduos e da sociedade. Esses profissionais são incumbidos de converter
automedicação como fator inconsciente para um factor consciente e positivo.

O profissional farmacêutico deve ser visto como um agente da saúde,


incumbido por fornecer orientações técnicas de confiança sobre medicamentos, baseado
no amplo conhecimento dessa classe de profissionais (FERNANDES &
CEMBRANELLI, 2015, p. 5). A presença do farmacêutico tem impactos respeitáveis e
positivas na adesão ao tratamento e na minimização de erros quanto à administração dos
medicamentos, já que esse profissional reafirma as orientações quanto ao uso suscitado
pelos prescritores e avalia os aspectos farmacêuticos e farmacológicos que possam
representar um dano em potencial para o idoso, e ainda permitem com sejam resolvidas
pequenas ocorrências, que os causem sofrimento (DOMINGUES, 2014)

O farmacêutico é visto como o profissional que tem como dever guiar, a forma
mais conveniente para que o enfermo se sinta confortável com o tratamento, o que
requer deste profissional conhecimento sobre as indicações e contraindicações, as
interações medicamentosas dos fármacos.

Frente as regulamentações instituídas, o Farmacêutico emerge como agentes


capazes de organização e executar as ações previstas nas diretrizes. Ao assumir o papel
de profissional da saúde o Farmacêutico pode assegurar o uso correto de medicamentos
e contribuir para o alcance satisfatório da farmacoterapia a partir da dispensação (REIS,
2013, p. 55).

25
O farmacêutico deve encaminhar o paciente ao médico sempre que necessário,
atuando com complementaridade, sendo assim a automedicação quando orientada por
um farmacêutico é considerada como um ato responsável, o que leva os líderes em
saúde no mundo considerarem a otimização da Atenção Primária a Saúde, com a
máxima atuação dos farmacêuticos.

Mais recente, a FIP (International Pharmaceutical Federation) divulgou que o


órgão criou um programa que visa a qualificação dos farmacêuticos que que trabalham
em farmácias comerciais, tendo como objetivo principal apurar as habilidades e
conhecimento para detectar enfermidades. Anteriormente, as doenças que o
farmacêutico prestará informações serão a Diabetes e a Hipertensão, desde que tenham
realizados cursos de capacitação. Doenças as quais foram selecionados por serem
consideradas as doenças mais comuns da população (MARIA, 2000, p. 14)

Essa demanda pelo aumento da atenção primária possui o intuito de preservar


as pessoas do adoecimento ou que aqueles já são portadores de uma doença agravem o
estado de saúde. Além desses benefícios, está uma prática com menores custos,
eficiente e rápida, e proporciona nivelamento a saúde dos países, reduzindo as
discrepâncias presente entre aqueles que têm acesso e os que não têm nenhum acesso à
saúde (CHIAROT, REBELLO, & RESTINI, 2010).

Podemos dizer que faz parte das obrigações do farmacêutico a ação de orientar
com o objetivo de combater a automedicação. Desse modo, deve se preparar para atuar
na atenção farmacêutica como estratégia para diminuir o uso indiscriminado de
medicamentos.

Segundo (MERHY, 1993, p. 46), é possível afirmar que o papel social deste
profissional na promoção de saúde inclui ações relacionadas a medicamentos. Deve ser
especialista em informações sobre medicamentos, deve orientar o paciente quanto ao
uso dos medicamentos, deve acompanhar os resultados do tratamento ou ainda orientar
ao paciente para que este não interrompa o tratamento advertindo-o em relação aos
danos que o mesmo pode causar a saúde do paciente; etc.

26
CAPÍTULO II: METODOLOGIA

Numa investigação científica, a metodologia é o meio prático que vai dar


resposta às questões e aos objectivos do estudo. A seleção da técnica de recolha de
informação depende, em qualquer tipo de investigação, da especificidade e do tipo de
informação que se pretende obter. É neste sentido que o presente capítulo aparece com o
intuito de dar enfase aos aspectos ligados as técnicas metodológicas.

2.1 Tipo de estudo e técnicas de coleta de dados


O presente estudo caracteriza-se ainda como uma pesquisa mista de cunho
bibliográfico, explicativa-quantitativa que faz um levantamento do conhecimento actual
veiculado na literatura que podem trazer contribuições para o tema pesquisado.
Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao
pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto (FONSECA, 2002, p.32).

Quanto a técnica de coleta de dados utilizamos a ficha de inquérito com


perguntas fechadas.

2.2 Local e período de realização


O nosso estudo foi realizado no Centro de Referência da Funda e o processo de
recolha dos dados decorreu de Maio a Julho de 2022.

2.3 População e amostragem


A população do nosso estudo é composta 80 (responsáveis de crianças) por
crianças dos 5 aos 10 anos de idades automedicadas atendidas no Centro de Referência
da Funda.
Quanto a amostragem está composta por 39 indivíduos selecionados de forma
aleatória por meio de questões elaboradas com a técnica de questionário.

2.4 Critérios de inclusão e de exclusão


 Possuir idade ≤ 18 anos, obrigatória com os responsáveis legais;
 Ter consumido pelo menos um medicamento nos últimos 15 dias em relação à
data do preenchimento da ficha de inquérito.

Foram excluídos do trabalho

27
 Possuir idade ≤ 18 anos, sem presença dos responsáveis legais;
 Não ter-se automedicado pelo menos com um medicamento nos últimos 15 dias
em relação à data do preenchimento da ficha de inquérito.

2.5 Processamento e análise de dados


Para o processamento e análise de frequência dos dados utilizou-se o Programa
Microsoft Office Excel versão 2013.

2.6 Variáveis do estudo


 Independente: níveis de conhecimento dos pais sobre a automedicação;
 Dependente: sexo, idade.

2.7 Aspectos éticos


O presente estudo para a sua realização contou com aprovação do tema pela
Coordenação do Curso de Farmácia e pela Coordenação Pedagógica do Instituto
Técnico de Saúde do Sequele nº 4105.

O estudo respeitou as normas e orientações estabelecidas para realização de


trabalhos de fim de curso. Os preceitos éticos estabelecidos no que se refere a zelar pela
legitimidade das informações, privacidade e sigilo das informações e serão considerados
em todo o processo de construção do trabalho, tornando os resultados, posteriormente
públicos.

28
CAPÍTULO III- APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS
RESULTADOS REFERENTES Á AUTOMEDICAÇÃO EM CRIANÇAS DOS 5 AOS
10 ANOS DE IDADE ATENDIDAS NO CENTRO DE REFERÊNCIA DA FUNDA
DE MAIO A JULHO DE 2022

3.1 Caracterização sociodemográfica dos inquiridos


Tabela nº1 Distribuição da amostra em relação ao Género

Género Fr %
M 20 51
F 19 49
Total Ʃ=39 100%
Fonte: Ficha de Inquérito
Elaboração: Autores
Relativamente ao género os dados da tabela nº 1 mostram que dos 39 pais
inquiridos no Centro de Referência da Funda, a maioria 20 (51%) são do género
masculino, já a minoria 19 (49%) são do género feminino. Com base nestes dados nota-
se que a nossa amostra está constituída maioritariamente por homens.

Tabela nº2- Distribuição da amostra em relação a Idade

Idades fr %
20-23 12 31
32-40 14 36
51-60 13 33
Total Ʃ=39

Fonte: Ficha de Inquérito


Elaboração: Autores
Relativamente as idades, os dados da tabela nº 2 mostram que dos 39 pais
inquiridos no Centro de Referência da Funda, a maioria 14 (36%) têm as suas idades
compreendidas entre 32-40 anos, 13 (33%) têm as suas idades compreendidas entre 51-
60 anos já a minoria 12 (31%)

29
Tabela nº3- Distribuição da amostra em relação a Zona de residência

Zona de residência fr %
Funda 39 100%
Fonte: Ficha de Inquérito
Elaboração: Autores
Através dos dados da tabela nº 3, é possível verificar que dos 39 pais inquiridos
100% da nossa amostra residem na Funda.

Tabela nº4- Distribuição da amostra em relação a Habilitações literárias:

Habilitações Fr %
Técnico Médio 19 49
Ensino Técnico 3 8
Bacharel 5 12
Licenciatura 0 0
Mestrado 0 0
Outro, (básico) 12 31
Total Ʃ39 100%
Fonte: Ficha de Inquérito
Elaboração: Autores
No que se refere as habilitações literárias, dos 39 pais inquiridos no Centro de
Referência da Funda (100% da nossa amostra), a maioria 19 (49%) são Técnicos
médios, seguidos 12 (31%) possuem o Ensino Básico, 5 (12%) são Bacharéis, já a
minoria 3 (8%). De acordo com os dados descritos nota-se que a nossa amostra é
constituída maioritariamente por Técnicos médio.

30
3.2 Percepção dos inquiridos sobre á automedicação em crianças dos 5 aos 10 anos
de idade
Tabela nº5- Já ouviste falar sobre a automedicação, Se sim o que é?

Conhecimento Fr %
SIM 31 79
NÃO 8 21
TOTAL Ʃ=39 100%

Fonte: Ficha de Inquérito


Elaboração: Autores

De acordo com os dados da tabela nº 7, é possível verificar que dos 39 pais


inquiridos no Centro de Referência da Funda, quando questionados se já ouviram falar
sobre a automedicação, a maioria 31 (79%) responderam SIM, afirmando que é a
prática do uso de medicamento sem receita, ao passo que a minoria 8 (21%)
responderam NÃO.
Tabela nº 6- Já usou ou comprou medicamento sem receita médica?

Conhecimento Fr %
SIM 36 92
NÃO 3 8
TOTAL Ʃ=39 100%
Fonte: Ficha de Inquérito
Elaboração: Autores

Conforme a tabela nº 6, verifica-se que dos 39 pais inquiridos no Centro de


Referência da Funda, quando questionados se já usaram ou compraram medicamentos
para as crianças sem receita médica, 36 (92%) a maioria responderam SIM, ao passo
que a minoria 3 (8%) responderam NÃO. Com base as respostas acima verifica-se que a
maioria da nossa amostra já usaram ou compraram medicamentos sem receita médica.

31
Tabela nº 7. O medicamento era para uso?

Variáveis Fr %
Próprio 22 56
Outro membro da família 17 44
TOTAL Ʃ=39 100%
Fonte: Ficha de Inquérito
Elaboração: Autores

Relativamente a questão acima, os dados mostram que dos 39 pais inquiridos


no Centro de Referência da Funda, quando questionados se o medicamento comprado
era para o uso de quem, a maioria 22 (56%) responderam que era de uso próprio, já a
minoria 17 (44%) era para outro membro da família.

Tabela nº 8- Já medicou o seu filho (a) com algum tipo de medicamento no último
mês?

Variáveis Fr %
SIM 17 44
NÃO 12 31
NÃO LEMBRO 10 25
TOTAL Ʃ=39 100%

Fonte: Ficha de Inquérito


Elaboração: Autores

Conforme a tabela nº 8, verifica-se que dos 39 pais inquiridos no Centro de


Referência da Funda, quando questionados se Já medicou o seu filho (a) com algum tipo
de medicamento no último mês, a maioria 17 (44%) responderam SIM, seguidos de 12
(31%) responderam NÃO, já a minoria 10 (25%) responderam NÃO LEMBRO. Diante
disso, é possível verificar que a automedicação é uma prática presente nos pais
inquiridos na Funda. Com base nos resultados acima em que se constata que a maioria
tem automedicado os seus filhos assim com a eles mesmo, desencorajamos estes pais a
continuarem com essas práticas que são prejudiciais a saúde e que devem sempre
procurar um centro de saúde a fim de lhes ser prescrito medicamentos de acordo a
patologia que apresentarem.

32
Tabela nº 9- Você costuma medicar seu filho (a) sem prescrição médica? se SIM
Quais?

Variáveis Fr %
SIM 25 64
NÃO 14 36
Total Ʃ=39 100%
Fonte: Ficha de Inquérito
Elaboração: Autores

Os dados da tabela nº 9 revelam que dos 39 pais inquiridos no Centro de


Referência da Funda, quando questionados se costuma medicar seu filho (a) sem
prescrição médica, a maioria 25 (64%) responderam SIM, ao passo que a minoria 14
(36%) responderam NÃO. Diante destes resultados, desencorajamos os pais para não
mais automedicarem os seus filhos, porque a automedicação é uma prática negativa que
acarreta consigo vários riscos.

Tabela nº 10- Quando automedicou o seu filho (a) surgiu algum problema com a
medicação a qual deu? Caso responda SIM, qual o medicamento e qual o problema?

Variáveis Fr %
SIM 11 28
NÃO 28 72
Total Ʃ=39 100
Fonte: Ficha de Inquérito
Elaboração: Autores

Os dados da tabela nº 10 revelam que dos 39 pais inquiridos no Centro de


Referência da Funda, quando questionados se quando automedicou o seu filho (a)
surgiu algum problema com a medicação a qual deu, a maioria 28 (72%) responderam
NÃO, já a minoria 11 (28%) responderam SIM.

33
Tabela nº 11-Qual o motivo que justificou a automedicação no seu filho (a) em vez de
consulta médica?

Variáveis Fr %
Dificuldade no atendimento médico 12 30
Já conhecia o medicamento certo para os sintomas 17 44
Outros 10 26
Total Ʃ=39 100%
Fonte: Ficha de Inquérito
Elaboração: Autores

Observados os dados da tabela nº 11, nota-se que dos 39 pais inquiridos no


Centro de Referência da Funda, quando questionados se qual o motivo que justificou a
automedicação no seu filho (a) em vez de consulta médica, 17 (44%) responderam que
Já conhecia o medicamento certo para os sintomas, seguidos 12 (30%) responderam
Dificuldade no atendimento médico, a minoria 10 (26%) responderam Outros.

Tabela nº 12- O que você acha da prática da automedicação?


Variáveis Fr %
Boa 4 10
Negativa 31 80
Facultativa 4 10
Total Ʃ=39 100%
Fonte: Ficha de Inquérito
Elaboração: Autores

Conforme a tabela nº 12, verifica-se que dos 39 pais inquiridos no Centro de


Referência da Funda, quando questionados se o que você acha da prática da
automedicação, a maioria 31 (80%) responderam Negativa, seguidos de 4 (10%)
responderam Boa e 4 (10%) responderam facultativa.

34
Tabela nº 13- Quais são medicamentos que usou para automedicar o seu filho (a)
Variáveis Fr %
Paracetamol 13 33
Metronidazol 10 26
Analgésicos 7 18
Relaxantes musculares 9 23
Total Ʃ=39 100%
Fonte: Ficha de Inquérito
Elaboração: Autores

Relativamente a questão acima, os dados da tabela mostram que, 39 pais


inqueridos no centro de referência da Funda (100% da nossa amostra), a maioria 13
(33%) responderam que os medicamentos que usaram para automedicar os seus filhos
foi o Paracetamol; já 10 (26%) responderam que os medicamentos que usaram para
automedicar os seus filhos foi Metronidazol, 9 (23%), responderam que os
medicamentos que usaram para automedicar os seus filhos foi os Relaxantes
musculares, ao passo que a minoria 7 (18%) responderam que os medicamentos que
usaram para automedicar os seus filhos foi Analgésicos.

35
CONCLUSÃO

Observou-se que a automedicação é tanto um termo quanto um ato conhecido


da população em geral. As motivações e as formas de contacto aos medicamentos
variam, mas é uma constante a ideia de que alguns simples usos de remédios sem a
devida prescrição médica não poderiam resultar em problemas de saúde. Além disso,
quando há condições e possibilidades de consulta aos médicos, destaca-se que os
pacientes geralmente respeitam às formas de uso prescritas pelo médico. Entretanto com
base nisso podemos concluir que:

 Dos 39 pais inquiridos no Centro de Referência da Funda, a maioria 20 (51%)


são do género masculino, já a minoria 19 (49%) são do género feminino. Com
base nestes dados nota-se que a nossa amostra está constituída maioritariamente
por homens. A maioria 14 (36%) têm as suas idades compreendidas entre 32-40
anos, 13 (33%) têm as suas idades compreendidas entre 51-60 anos já a minoria
12 (31%); É possível verificar que dos 39 pais inquiridos no Centro de
Referência da Funda, quando questionados se já ouviram falar sobre a
automedicação, a maioria 31 (79%) responderam SIM, afirmando que é a prática
do uso de medicamento sem receita, ao passo que a minoria 8 (21%)
responderam NÃO.
 Quando questionados se já usaram ou compraram medicamentos para as
crianças sem receita médica, 36 (92%) a maioria responderam SIM, ao passo
que a minoria 3 (8%) responderam NÃO. Com base as respostas acima verifica-
se que a maioria da nossa amostra já usaram ou compraram medicamentos sem
receita médica, quando questionados se costuma medicar seu filho (a) sem
prescrição médica, a maioria 25 (64%) responderam SIM, ao passo que a
minoria 14 (36%) responderam NÃO;
 Nota-se que dos 39 pais inquiridos no Centro de Referência da Funda, quando
questionados se qual o motivo que justificou a automedicação no seu filho (a)
em vez de consulta médica, 17 (44%) responderam que Já conhecia o
medicamento certo para os sintomas, seguidos 12 (30%) responderam
Dificuldade no atendimento médico, a minoria 10 (26%) responderam Outros. A
maioria 13 (33%) responderam que os medicamentos que usaram para
automedicar os seus filhos foi o Paracetamol; já 10 (26%) responderam que os

36
medicamentos que usaram para automedicar os seus filhos foi Metronidazol, 9
(23%), responderam que os medicamentos que usaram para automedicar os seus
filhos foi os Relaxantes musculares, ao passo que a minoria 7 (18%)
responderam que os medicamentos que usaram para automedicar os seus filhos
foi Analgésicos.

Mesmo cientes dos perigos da automedicação, percebe-se até hoje atitudes que
acabam por encorajar a automedicação e um exemplo disso são as próprias propagandas
de medicamentos veiculadas nas mídias como TV, rádio, jornais, sites, redes sociais,
etc. Trata-se de um costume tão enraizado em nossa cultura que às vezes nem se
percebe que os incentivos para os actos de automedicação sobrepõem-se às medidas de
conscientização e de combate.

37
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabendo que a automedicação envolve cultura e que será dificilmente
abandonada, o caminho mais viável é se atentar para os seus aspectos positivos e
procurar maximiza-los, portanto, todos os países, isento do seu grau de
desenvolvimento, devem filiar meios que garantam o uso racional dos medicamentos.
Por tudo quanto constatamos com a pesquisa ora levada acabo sugerimos:

Ao Centro de Referência da Funda


Que continue a sensibilizar as populações através de palestras sobre os riscos da
automedicação;
Aos farmacêuticos da Funda

Por serem profissionais que estão sempre mais próximo da população, devem
desencorajar a população sobre a prática da automedicação;

Ao Instituo Técnico de Saúde do Sequele

Que disponibilize este trabalho aos demais estudantes para que o mesmo sirva de
instrumento de pesquisa.

38
BIBLIOGRAFIA
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40
ANEXOS

41
APENDICES

República de Angola
Ministério da Educação/Saúde
Instituto Técnico de Saúde do Sequele nº 4105
Coordenação do curso de Farmácia
FICHA DE INQUERITO
Você está sendo convidado(a) como voluntário(a) a participar da pesquisa, para efeito
garantimos que o presente inquerito é de carácter anónimo e confidencial, visa recolher
informações sobre: A Automedicação em Crianças dos 5 aos 10 Anos de idade
atendidas no Centro de Referência de Cacuaco de Maio a Julho de 2022.
Agradecemos que responda às questoes com sinceridade marcando um com X na alinha
da resposta que te convém. Por favor, leia cuidadosamente cada uma das afirmaçoes
abaixo antes de assinalar.
I. PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO
Género: M_____;F_____
Idade______
Zona de residência:___________________________________________________
Habilitações literárias: Técnico Médio______ Ensino Técnico_____Bacharel______
Licenciatura______Mestrado______Outro_____Qual___________________
II. INDIQUE O GRAU DE CONCORDÂNCIA QUE MELHOR EVIDENCIA A
SUA OPINIÃO TENDO EM CONTA AS QUESTÕES SOBRE A
AUTOMEDICAÇÃO

1. Já ouviste falar sobre a automedicação, Se sim o que é? SIM____NÃO___


______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
2. Já usou ou comprou medicamento sem receita médica? SIM___ NÃO____
3. O medicamento era para uso? Próprio_____ outro membro da família____
4. Já medicou o seu filho (a) com algum tipo de medicamento no último mês?
SIM____NÃO____;NÃO LEMBRO____
5. Você costuma medicar seu filho (a) sem prescrição médica? se SIM Quais?

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______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
6. Quando automedicou o seu filho (a) surgiu algum problema com a
medicação a qual deu? Caso responda SIM, qual o medicamento e qual o
problema? SIM____ NÃO____ Caso responda SIM, qual o medicamento e
qual o problema?
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
_______________________________________________________
7. Qual o motivo que justificou a automedicação no seu filho (a) em vez de
consulta médica?
a) Dificuldade no atendimento médico____
b) Já conhecia o medicamento certo para os sintomas____
c) Outros_____
8. O que você acha da prática da automedicação?
a) BOA ____
b) NEGATIVA_____
c) FACULTATIVA______
9. Quais são medicamentos que usou para automedicar o seu filho (a)
a) Paracetamol_____
b) Metronidazol _____
c) Analgésicos_______
d) Relaxantes musculares_____
MUITO OBRIGADO PELA SUA PARTICIPAÇÃO!

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