MODELO DE CARGA FRIA DO FEA - UHP - 50 T1
Fernando Souza Cândido 2
Servio Romulo Medeiros Passos 3
Breno Tiago de Souza Albuquerque 4
Noraldo Hipólito Guimarães Gomes 5
Eduardo Sergio Coelho 6
Resumo
A carga metálica e a energia elétrica constituem os principais itens de custo da
operação de um Forno Elétrico a Arco. Por este motivo, torna-se essencial introduzir
no processo uma ferramenta de supervisão capaz de calcular e aperfeiçoar o mix de
sucata em relação a custo, contaminantes, impurezas e densidade. Baseado no
modelo de energia e na ferramenta Solver do Excel a equipe técnica e operacional
desenvolveu e avaliou um modelo, que otimiza a escolha do mix de sucata,
permitindo realizar os cálculos necessários para os operadores produzir a corrida
com parâmetros de processo controlados. Além disso, permite a gestão econômica
do estoque de metálicos na Aciaria. O trabalho mostra o caminho percorrido para
atingir estes objetivos, bem como, os resultados das simulações de diferentes graus
de aços.
Palavras-chave: Otimizador de sucata; Energia; Oxigênio; Custo.
EAF COLD CHARGE MODEL
Abstract
Scrap and electric energy are both the major cost items of the EAF operation.
Because of this becomes essential to introduce in process a supervision tool able to
calculate and optimize the scrap mix in relation to cost, contaminants, impurities and
density. Based in a thermal model and using Excel Solver tool the technical and
operational team, developed and evaluated, one adapted model version that solves
the question of choosing the best the scrap mix, allowing the EAF operators to
performer the calculation requirements to produce a heat in the EAF with process
parameters controlled. Besides it allows the economic metallic management in
Melting Shop. This paper shows the way to achieve those goals and the results
obtained with the programmed simulations of heats with different metallic charge
requirements.
Key words: Scrap optimizer; Energy; Oxygen; Cost.
1
Contribuição técnica ao 42º Seminário de Aciaria – Internacional, 15 a 18 de maio de 2011,
Salvador, BA, Brasil.
2
Membro da ABM – Eng. Mecânico pelo ICMG, MSc. em Engenharia de Materiais pelo IME –
Gerente Geral de Aços Longos CSN
3
Engenheiro Especialista da Gerência Técnica da CSN Aços Longos
4
Supervisor de Forno de Forno Elétrico e Forno Panela da CSN Aços Longos
5
Engenheiro Especialista da Gerência Técnica da CSN Aços Longos
6
Especialista em Siderurgia da Aciaria da CSN Aços Longo
8
1 INTRODUÇÃO
Atualmente, as Aciarias Elétricas modernas são concebidas para operar de forma
automática, através de um modelo de balanço energia, que fornece os dados de
entradas de processo: matérias-primas, gases e energia elétrica, necessários para
produção de determinado grau de aço. No limiar da escala tecnológica, algumas
optam por adquirir modelos que selecionam a carga metálica mais econômica com
boa precisão de consumo de energia elétrica. No topo da sofisticação, poucas
operam utilizando Controle Dinâmico.(1-3)
No caso da CSN Aços Longos, por não ser ainda conhecido o modelo de
energia, adquirido para o sistema de automação do Forno Elétrico a Arco (FEA), a
equipe técnica/operacional elaborou um plano B, denominado Projeto Carga Fria,
com a finalidade de suprir as eventuais necessidades.
O projeto Carga Fria da CSN Longos tem por objetivos:
dotar a supervisão da Aciaria de uma ferramenta capaz de selecionar o mix
de sucata de mais baixo custo, compatível com os requisitos do processo de
densidade, impurezas, consumo de energia elétrica e rendimento metálico;
permitir, à semelhança dos Conversores LD, que o operador conheça os
valores das principais variáveis operacionais, antes de iniciar a corrida;
verificar se os cálculos das variáveis obtidas são compatíveis com uma boa
prática de escória espumante e com o nível de oxidação da corrida no final de
fusão.
O modelo desenvolvido, além de fornecer parâmetros de processo para
elaboração da corrida, ele conjuga as variáveis principais do processo para calcular
o consumo de energia, produtividade e custos de produção. O seu desenvolvimento
no Excel foi feito com base nas planilhas: Balanço Térmico do Forno Elétrico,
Balanço de O2, Solver. Esta última foi projetada para resolver a questão do mix de
sucata de mais baixo custo, respeitando as restrições impostas pelo processo de
produção.
2 DESENVOLVIMENTO DO MODELO DE CARGA FRIA
2.1 Fluxograma do Modelo
O modelo desenvolvido utiliza o Balanço de Energia(4) e a ferramenta Solver,
que juntas apresentam um potencial de ganhos de processo substancial, podendo
ser empregado para atuar como um verdadeiro Modelo Estático, a exemplo do que
ocorre nas aciarias LD.
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Parâmetros de Projeto do Forno
Dados Conhecidos da Corrida
Ajuste de Dados
Valores Objetivados: C e T
Restrições de Processo
Taxas de Adição de Cales
Taxas de Adição de Coque
Ajuste sobre o MgO
Cálculo Mix de Sucata e do Rendimento.
Cálculo do Peso e Composição da Escória
Aumento do Fe da escória
Cálculo do Peso e Composição da Escória
Cálculo da Composição do Aço
Check do P
Não Aumento da Basicidade
Cálculo do Volume de O2 a Ser Injetado
Cálculo do Volume de GN a Ser Injetado
Não
Check do Input de “C”
Cálculo do Consumo Total de Energia
Cálculo Potência Ativa e Consumo de Energia
Cálculo do Tempo de Power on, Aumento do Tap to Tap
≥ Limite Transformador
Verificação da Potência Ativa
Cálc Taxa Descarburação e Tempo Sopro de
Vazão de O2 ≥ Limite lança
Check Cons. O2 Modo Lança
Previsão Nível Oxidação Banho (PPM de O2)
Visualização dos Resultados
Registro dos Resultados
Figura 1. Fluxograma do modelo estático.
A Figura 1 apresenta o fluxograma do Modelo de Carga Fria. A Figura 2
mostra como Modelo de Carga Fria se insere no processo do FEA.
10
Figura 2- Posição do modelo de carga fria no fluxo do processo do FEA.
2.2 Melhorias Realizadas no Modelo de Energia.
As seguintes melhorias foram introduzidas no modelo de Energia:
introdução no modelo das características dimensionais, áreas dos painéis
refrigeradas, vazões de água de refrigeração, etc.
adaptação do modelo para operar juntamente com o Solver do Excel,
invertendo a situação de algumas entradas do modelo, por exemplo:
Power on, produtividade, % FeO na escória, passaram a ser calculado e
não imputados.
ampliação dos tipos de sucata, possibilitando as entradas de qualquer
tipo, com suas características físicas e químicas.
introdução de fórmulas de previsão do nível de oxidação do aço líquido.
os requisitos de injeção de O2 tanto da lança como dos queimadores
foram destacados num modelo próprio denominado Modelo de Injeção de
O 2.
Para permitir um controle adequado do nível de oxidação do banho e da capacidade
de espumação da escória foram introduzidas no modelo a fórmula de cálculo da
concentração de Oxigênio no aço líquido(5-7) e a fórmula de cálculo do FeO, em
função da basicidade da escória,(6) conforme apresentado nas Figuras 3 e 4.
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Figura 3. Fórmula de cálculo do nível de oxidação do banho.
Figura 4 - Cálculo do FeO da Escória.
2.3 Modelo de Injeção de O2
O modelo de injeção de oxigênio é constituído de duas planilhas: uma de
cálculo e outra de resumo dos requisitos de O2 para elaboração da corrida. Os
cálculos de previsão de consumo de Oxigênio, para combustão dos elementos C, Si,
Mn, P e queima de gases, são realizados na primeira planilha. A Figura 5 mostra a
planilha Resumo do Modelo de Injeção. Observa-se que, além de apresentar o mix
de sucata e consumos de O2, ela apresenta na forma de gráfico a evolução do
carbono e do oxigênio do aço líquido, bem como uma previsão do tempo de injeção
de O2.
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Figura 5. Planilha resumo do modelo de injeção.
2.4 Configurações Solver para a Carga Fria
Uma planilha utilizando o Solver foi construída para resolver a questão do mix de
sucata de mais baixo custo. Ela possui a seguinte arquitetura:
Uma tabela com seis colunas, contendo: tipos de sucata, participações
percentuais no mix, pesos, preços, limites inferiores e superiores de
participação desejados no mix de sucata, parâmetros de processo e os
respectivos valores das restrições de processo. A coluna participação no mix,
que é a solução encontrada pelo Solver é preenchida após ser rodado o
programa com as restrições estabelecidas. Todos os valores estão
associados ao Modelo de Energia.
O Solver foi, então, configurado tomando-se como célula de destino a célula
correspondente à soma dos produtos das colunas participação percentual dos
tipos de sucata versus preços correspondentes. As células variáveis foram
definidas, exatamente, como as que deverão ser preenchidas pela solução
encontrada pelo Solver, ou seja, as células correspondentes às da coluna do
mix de sucata. A função objetivo representa justamente aquilo que se
procura, isto é, a minimização da soma dos produtos dos tipos de sucata
versus preços. A Figura 6 mostra a configuração do Solver.
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Figura 6 - Configuração do Solver.
Ainda compondo o modelo, há uma tabela dedicada ao plano de simulações,
que permite programar até cinco simulações em função das restrições
impostas estabelecidas na planilha Solver, e Modelo de Energia, relativas ao
processo de fabricação do aço. Este mesmo espaço do modelo é dedicado à
previsão de espumação da escória, de forma gráfica, em função dos teores
de FeO e do MgO da escória. Por ser um aspecto fundamental do processo,
foi dado um destaque especial à capacidade de espumação da escória,
possibilitando corrigir os dados de entrada do processo para se atingir
formulações adequadas de escória. A Figura 7 mostra as áreas reservadas
para o programa de simulações e para o gráfico de capacidade de
espumação da escória.
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Figura 7- Programa de simulação e capacidade de espumação da escória.
A última parte contém as tabelas onde são registrados os valores encontrados
pelo Solver e Modelo de Energia, conforme mostra a Figura 8.
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Figura 8 - Registros dos resultados produzidos pelo modelo.
Foi reservada uma planilha para construção de gráficos de simulação,
conforme apresentado na Figura 9.
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Figura 9 - Efeito do ferro-gusa sólida no custo, produtividade e tempo tap to tap.
3 RESULTADOS OBTIDOS
Foram realizadas cinco simulações considerando as seguintes proporções de
ferro-gusa na carga: 0, 10, 20 30 e 40%, de acordo com o programa de simulação
da Figura 7, cujos resultados estão registrados na Figura 8. O aço escolhido foi o
aço CA 50, grau 1024 D, com carbono objetivado de fim de fusão de 0,06% e
temperatura de 1620 °C. A figura 9 mostra as tendências de evolução do custo, tap-
to-tap e produtividade.
4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os resultados do Modelo da Carga Fria indicam custos crescentes com a
utilização de ferro-gusa sólidos na carga, devido aos preços atuais praticados no
mercado. O ganho de produtividade (1,2 t/h), decorrente da sua utilização se
verifica ao nível de 20 %, e permanece estável neste patamar para porcentagens
maiores de ferro-gusa na carga. A razão é que o “power on”, tempo de forno ligado,
depende da potência elétrica e da vazão de oxigênio injetado, que no projeto do
forno está limitada à 4.100 Nm3/h.
O modelo de Carga Fria permite avaliar o benefício econômico que pode ser atingido
pelo ganho de produtividade com a tecnologia que o Sistema de Injeção de O2 por
Jatos Coerentes possibilita.
A Figura 10 mostra os resultados da simulação feita pelo Modelo de Carga
Fria, simulando a utilização de Jatos Coerentes na vazão de 5000 Nm3/h. Observa-
se, que o ganho de produtividade em relação ao sistema de lança supersônica pela
porta do FEA é atingido já no nível zero de gusa, e atinge valores de 2,5 t/h e 3,8 t/h
respectivamente para valores de 30% e 40% de gusa.
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Figura 10. Previsão de aumento da produtividade do FEA com a Implantação do Sistema de Jatos
Coerentes (vazão de O2 5000 Nm3).
A Figura 11 mostra uma avaliação econômica preliminar do benefício de se
implantar este sistema.
Os resultados confirmam as experiências de outras Usinas de ser altamente
vantajosa a implantação do Sistema Jatos Coerentes Forno Elétrico a Arco.
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5 CONCLUSÃO
Desta forma, além de estar preparado para cumprir com a função principal de
supervisionar o processo de operação do FEA, possibilitando a utilização mais
econômicas dos metálicos na elaboração das corridas, o Modelo de Carga Fria está
potencialmente estruturado para:
auxiliar a partida da Planta de Aços Longos da UPV, definindo a carga fria,
a quantidade restrita de oxigênio e o perfil de potencia ideal, para não
comprometer a vida do refratário e dos painéis refrigerados nas primeiras
corridas;
atuar como ferramenta de avaliação de planos de redução de custos,
estabilização e capacitação do processo do Forno Elétrico a Arco; e
apoiar nas estratégias de aquisição e controle do estoque de metálicos.
REFERÊNCIA
1 Nyssen P., Colin R. - CRM, Liège, Belgium; knoops S. - Arcelor Group, Belgium;
Junque JL- Arcelor Group, G.D. of Luxemburg; On-line EAF control with a
dynamic metallurgical model.
2 Nyssen P; Marique C. CRM- Contrôle Du Four életrique Grace à um nouveau
modele metallurgique - Revue de Metallurgie - CIE Avril 1999.
3 Clerice P. Tenova’s intelligent arc furnace ‘iEAF’ – Concept and technical
overview Steel Times International - May/Jun 2008.
4 Raposo, S, Balanço Térmico do Forno Elétrico, GGNP. CSN 2009
5 Landa S., Rodríguez T, Muños , J.L. Laraudogoitia - Dynamic Controlo of Slag
Foaming at Sidenor Basauri Meltshop; Archives of Metallurgy and Materials - Vol
53, 2008.
6 Ecil Met Téc Ltda; Oxilab , Controle da Atividade de Oxigênio no Metal Líquido ,
Piedade, São Paulo.
7 Meraikib M. Effect of Direct Reduced Iron on Oxygen Distribution between Slag
and Bath in Electric Arc Furnaces, steel research int. 79 (2008) No. 5
19