SECRETÁRIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DO CEARÁ
ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO PROFISSIONAL MÁRIO ALENCAR
SEGUNDO ANO DO CURSO TÉCNICO DE ENFERMAGEM
PROFESSORA: CÂNDIDA CLARA DE ARAÚJO BARBOSA
Debora Cristina Lima Duarte
Francisco Kennedy da Costa Grigório
Francisco Wendel Silva de Moura
Gleyce Kelly Xavier do Nascimento
Moisés Wagner Araújo de Assis
Tiago Bezerra da Cunha
ATIVIDADE PARCIAL DE HISTÓRIA
GUERRA DOS EMBOABAS
FORTALEZA, CEARÁ.
2022
1. CONTEXTO HISTÓRICO
Após a invasão e expulsão dos holandeses do Nordeste brasileiro, datada
entre 1630 a 1654, houve um declínio da venda do açúcar, pois os holandeses
transformaram sua experiência nas terras pernambucanas em lucro através de
seu próprio comércio de açúcar nas Antilhas, desbancando Portugal e se
tornando o principal polo açucareiro do mundo. Em consequência da crise
econômica no litoral causada por isso, houve uma migração para o interior da
colônia em busca de riquezas através das Entradas, expedições financiadas pela
coroa portuguesa que visavam a procura de metais e pedras preciosas. Em
contrapartida, os paulistas, que viviam de uma economia baseada em produção
interna, estavam necessitando de mão de obra em razão da falta de acesso ao
trabalho escravo africano, motivando assim o surgimento das Bandeiras,
expedições que saíam de São Paulo em direção ao sertão brasileiro em busca
de indígenas fugitivos do litoral e metais preciosos, sendo custeadas pelos
próprios paulistas que passaram a ser conhecidos como bandeirantes.
Foram descobertas as primeiras minas de ouro em Sabará, no final do
século XVII, pelos bandeirantes no interior do Brasil. A descoberta de metais
preciosos despertou o interesse de viajantes e uma corrida incessante pelo ouro
se iniciou, formando as cidades: Vila Rica, São João Del Rei e Mariana. Essas
terras não puderam ser apossadas pela Coroa Portuguesa, uma vez que foram
descobertas por expedições particulares, assim não havendo regras para a
organização do espaço e gerando conflitos pelo ouro, o que não demoraria muito
para se tornar um conflito armado, como realmente ocorreu entre 1707 a 1709,
quando se iniciou a Guerra dos Emboabas.
2. MOTIVAÇÃO DO CONFLITO
O conflito ocorreu devido a disputa das minas de ouro, uma vez que os
bandeirantes queriam exclusividade em explorar esse metal, porém como possuía
uma grande quantidade de brasileiros e portugueses na região isso impossibilitou
esse pedido de ser atendido pela Coroa Portuguesa. Tal fato ocasionou diversos
conflitos entre os bandeirantes e os emboabas, forma como eram chamados os
estrangeiros pelos bandeirantes, que anteriormente já haviam tido desavenças.
Atritos esses causados após o assassinato de dois chefes paulistas em seguida a
uma disputa territorial com os emboabas. Enquanto definiam repulsar os paulistas
da localidade, em uma investida pela região de Cachoeira do Campo, uma capitania
de Minas Gerais, expulsando os mesmos e tomando posse de duas das três
principais áreas de mineração da colônia, os emboabas elegiam Manuel Nunes
Viana como governador da região das minas, negligenciando a determinação de
Portugal.
3. DESENVOLVIMENTO E DESFECHO
Devido ao imenso contrabando de ouro na região, a Coroa Portuguesa tentou
infligir parâmetros para diminuí-lo, o que não surtiu efeito, dado que Nunes Viana
continuou a sua liderança sobre o comércio ilícito de ouro. Em função disso, Borba
Gato, líder paulista dos bandeirantes, liderou os paulistas em uma tentativa de
expulsar os emboabas das terras mineiras, entretanto, os bandeirantes estavam em
menor número e, por conta disso, acabaram sendo escorraçados. Após sofrerem
diversas derrotas, os paulistas foram forçados a abandonar suas minas e, em uma
dessas ocorrências, os paulistas foram perseguidos pelos emboabas até a região do
Rio das Mortes, onde os paulistas subiram nas árvores em uma tentativa de
emboscar seus inimigos, todavia o que houve foi que os bandeirantes foram
cercados por dias e noites até Amaral Coutinho enganá-los, instigando-os a entregar
suas armas com a promessa de poupar suas vidas. Contudo, o que aconteceu não
foi o esperado pelos paulistas, Amaral descumpriu sua promessa e promoveu uma
chacina contra a tropa bandeirante, o local ficou conhecido como Capão da Traição.
Posteriormente a vitória dos emboabas, os paulistas se mantiveram na busca
pelo ouro. Ao se dirigirem para a região de Goiás e Mato Grosso, foram descobertas
novas minas de ouro, fazendo com que se instalassem e fundassem novas vilas.
4. CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA
Em seguida ao fim da guerra, a realeza portuguesa interferiu diretamente no
domínio das minas, impedindo que se tornasse uma território livre. Diversas
providências foram tomadas, sendo a principal delas a criação do imposto sobre o
ouro extraído, chamado quinto, que exigia um quinto do metal extraído para o rei de
Portugal. Ademais, no mesmo período efetuou-se a separação das capitanias de
São Paulo e Rio de Janeiro e também a formação da Capitania das Minas de Ouro.
Devido a intensa busca pelas jazidas de ouro, foi criado uma necessidade de
instalação dos aventureiros que buscavam lucrar com os minérios. Isso fez com que
civilizações fossem criadas para satisfazer o carecimento de abrigos para esses
mineradores. Essas civilizações constituíram seu próprio comércio, descentralizando
a economia até então dependente das minas de ouro.
Subsequente a intensificação dos impostos sob o ouro, houve revolta por
parte dos mineradores, levando a população a iniciar um processo de
insubordinação contra as medidas absolutistas do rei português. Futuramente, isso
geraria a possibilidade do Brasil torna-se independente de Portugal, que se tornaria
um peso para a colônia.
BIBLIOGRAFIA