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Equações Diferenciais de Segunda Ordem

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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

Equações Diferenciais Ordinárias


Equações Diferenciais Ordinárias

MAPUTO, Abril 2020

Universidade Eduardo Mondlane Sansão Pedro, PhD 2


Equações Diferenciais Ordinárias

Universidade Eduardo Mondlane Sansão Pedro, PhD i


Sumário

I Equações Diferenciais de Ordem Superior 1


1.1 Equações Diferenciais de Ordem Superior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.1.1 Actividades Formativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
UNIDADE TEMÁTICA I

Equações Diferenciais de Ordem


Superior

1.1 Equações Diferenciais de Segunda Ordem

Aula 8: Equações Diferenciais de Segunda Ordem

Objectivo geral da aula


Esta aula tem como objectivo principal abordar técnicas de resolução de equações dife-
renciais de segunda ordem

Objectivos específicos da aula


• Saber resolver equações diferenciais de ordem com coeficientes constantes;

Nosso interesse aqui é estudar as equações que têm soluções analíticas o que reduz
drasticamente nosso estudo às equações lineares ou àquelas que podem ser transformadas
em lineares.
Uma equação diferencial linear de ordem n é da forma

dn y dn−1 y
an (x) + a n−1 (x) + · · · + a0 (x)y = f (x) (1.1.1)
dxn dxn−1
com an (x) ̸= 0 no intervalo de interesse. Os zeros de an (x) são denominados pontos
singulares da equação .
Se definirmos o operador L por:
 
dn dn−1
L[y] = an (x) n + an−1 (x) n−1 + · · · + a0 (x) [y] = f (x).
dx dx

1
Equações Diferenciais Ordinárias

Temos que L é um operador diferencial

X
n
dk
L= ak (x)
k=0
dxk

e portanto, é linear, isto é, L[λy1 + y2 ] = λL[y1 ] + L[y2 ].


Os argumentos utilizados para estudar as equações diferenciais lineares de ordem n são os
mesmos, independentemente da ordem n. Assim, por simplicidade analisamos somente
as equações de segunda ordem, apenas de forma introdutória, ou seja,

d2 y dy
a2 (x) 2
+ a1 (x) + a0 (x)y = f (x) (1.1.2)
dx dx
onde as funções coeficientes ak (x) e f (x) serão supostamente contínuas e de valores reais,
a menos que outra hipótese seja explicitada. Observamos mais uma vez que a redução
na ordem das equações lineares não atrapalha sua generalidade. Nosso ojectivo é estudar
equações diferenciais lineares de segunda ordem com coeficientes constantes.

Equações diferenciais lineares com coeficientes constantes

Dentre as equações diferenciais lineares, as mais simples são as homogênias com coefici-
entes constantes
d2 y dy
2
+ a + by = 0. (1.1.3)
dx dx
Uma base de soluções de (??) é um par de funções y1 e y2 , soluções de (??) que são LI
em I .

Teorema 1.1.1. Se y1 e y2 são soluções de (??) LI em I então toda solução y = φ(x)


de (??) é uma combinação linear de y1 e y2 , isto é

y = φ(x) = C1 y1 + C2 y2 . (1.1.4)

Demonstração 1.1.1. Queremos mostrar que (??) é a forma geral de qualquer solução
de (??).
Seja y = ψ(x) uma solução de (??) e seja x = x0 um ponto do intervalo I para o qual o
W (y1 , y2 )(x0 ) ̸= 0. Suponhamos ainda que

ψ(x0 ) = ψ0 ; ψ ′ (x0 ) = ψ0′ . (1.1.5)

Vamos provar que existem cosntantes C1 e C2 tais que a solução y = ϕ(x) = C1 y1 + C2 y2


satisfaz as mesmas condições inicias (??) de ψ e assim ψ =φ pelo Teorema 1.1.3. Para

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que isto aconteça devemos ter



C y (x ) + C y (x ) = µ
1 1 0 2 2 0 0
C1 y1 (x0 ) + C2 y2 (x0 ) = µ0

nas incógnitas C1 e C2 , e tem solução desde que

y1 y2
dy1 dy2 (x0 ) = W (y1 , y2 )(x0 ) ̸= 0
dx dx
.

Solução geral da equação diferencial linear homogênea com coe-


ficientes constantes
Vimos nas secções anteriores que y = eax é solução da equação linear de primeira ordem
dy
= ay . Pelo que para as equações de segunda ordem vamos procurar também soluções
dx
do tipo y = eλx , λ ∈ . R
Suponhamos que y = eλx seja um solução da equação (??)

d2 y dy
+ a + by = 0,
dx2 dx

ou seja, λ2 eλx + aλeλx + beλx = 0 =⇒ λ2 + aλ + b = 0.

O polinômio p(y) = λ2 + aλ + b é denominado polinômio caraterístico e suas raízes


são dadas por

−a ± a2 − 4b
λ=
2

Depedendo do valor do discriminante ∆ = a2 − 4b as raízes do polinômio carateristico


podem ser:

• reais distintas se ∆ = a2 − 4b > 0

• reais iguais se ∆ = a2 − 4b = 0

• Complexas conjugadas se ∆ = a2 − 4b < 0



−a + a2 − 4b
Caso 1: ∆ = a2 − 4b > 0 =⇒ as raizes são reais e distintas λ1 = ̸=
2

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−a − a2 − 4b
λ2 = .
2
 
eλ1 x
Neste caso as soluções y1 = e λ1 x
e y2 = e λ2 x
são LI = e(λ1 −λ2 )x ̸= C . Logo a
eλ2 x
solução geral de (??) é
y = C1 eλ1 x + C2 eλ2 x

Exemplo 1.1.1. a) Encontrar a solução geral da equação

d2 y dy
2
− 5 + 6y = 0
dx dx
.
b) Encontrar a solução particular que satisfaz a condição inicial y(1) = 0; y(1) = 1.

Solução:
a) O polinômio caraterístico da equação é

p(λ) = λ2 − 5λ + 6

λ = 3
1
e λ − 5λ + 6 = 0 =⇒
2
Logo a solução geral é
λ2 = 2

y = φ(x) = C1 e3x + C2 e2x

b) Como y(1) = 0 =⇒ 0 = C1 e3 + C2 e3 ; como y(1) = 1 =⇒ 1 = 3C1 e3 + 2C2 e2 .


1
Resolvendo o sistema, encontramos os valores C1 = −3 e C2 = −e−2 . Portanto a
e
solução particular que satisfaz as condições inicias é dada por :

yp = e−3 e3x − e−2 e2x

Caso 2: ∆ = a2 − 4b = 0 =⇒ as raizes são reais e iguais λ1 =λ2 =- a2 . Assim


ax

obtivemos somente uma solução. Para encontrar outra solução y2 LI de y1 = e 2 ,
vamos supor que y2 = u(x)y1 . Substituindo na equação (??), obtemos

[u′′ y1 + 2u′ y1′ + uy1′′ ] + a[uy1′ + u′ y1 ] + buy1 = 0

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. Separamos os termos desta equação, temos

u[y1′′ + ay1′ + by1 ] + [u′′ y1 + 2u′ y1′ + au′ y1 ] = 0

Como y1 é solução da EDO, o primeiro termo é nulo, logo resta

u′′ y1 + 2u′ y1′ + au′ y1 = 0

du R
. Considerando agora função g(x) = =⇒ u(x) = g(x)dx, reduzimos a ordem da
dx
equação anterior, ou seja ,
dg dy1
y1 + 2g + agy1 = 0
dx dx
Substituindo o valor de y1 = e− 2 nesta equação vem :
a

dg  a a dg
e− 2 + 2g − e− 2 + age− 2 =⇒
a a
=0
dx 2 dx
du
portanto g(x) = = C (constante arbitrária). Tomando pois C = 1, obtemos u(x) = x.
dx

Desta forma obtivemos a solução y2 = xy1 = xe− 2 x LI de y1 .


a

a
Portanto a solução geral da EDO (??), quando λ1 = λ2 = 2
é

y = φ(x) = C1 e− 2 x + C2 e− 2 x = e− 2 x (C1 + C2 x)
a a a

Exemplo 1.1.2. Resolver a equação

y ′′ − 6y ′ + 9y = 0

Solução: as raízes po polinômio caraterístico são obtidos da equação

λ2 − 6λ + 9 = 0

. Neste caso, as raízes são iguais: λ1 = λ2 = λ = 3, e portanto, a solução geral será:

y = φ(x) = e3x (C1 + xC2 )

.

Caso 3 ∆√= a2 − 4b < 0 =⇒ as raízes são complexas conjugadas, λ1 = − a2 + 4b−a2
i
√ 2
e λ1 = − a2 − 4b−a i; (i = −1).
2
2

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√ λ = α + βi
1
Considerando os valores α = − a2 e β = 4b−a
2
, teremos .
2 λ2 = α − βi

Formalmente, teríamos a solução geral dada por uma função complexa


 
y = φ(x) = C1 e(α+βi)x + C2 e(α−βi)x = eαx C1 eβix + C2 eβ−ix (1.1.6)

Na prática é preferível trabalhar com soluções reais e , neste caso para obtê-las devemos
utilizar a fórmula de Euler:

eθi = cosθ + isinθ, θ ∈ R.


Aplicando a formula de Euler na expressão (??) obtemos :
y = φ(x) = eαx [(C1 + C2 )cosβ + i(C1 − C2 )sinβx] = eαx [K1 cosβx + iK2 sinβx] conside-
remos as funções reais (parte real e parte imaginária de φ(x))

u(x) = K1 cosβx
v(x) = K2 sinβx

Proposição 1.1.1. u(x), v(x) são soluções de (??), linearmente independentes.

De facto: Como y = u(x) + iv(x) é solução de (??), então

u′′ + au′ + bu + i(y ′′ + av ′ + bv) = 0

. Portanto u′′ + au′ + bu = 0 e v ′′ + av ′ + bv = 0 pois um número complexo é zero se,


e somente se, suas partes real e imaginarias são nulas. Logo u(x) e v(x) satisfazem a
equação (??). Ainda é facil verificar que u(x) e v(x) são LI em . R
Desta forma podemos afirmar que a solução geral real de (??), quando λ1,2 = α + / − βi
é dada por:

y = eαx [K1 cosβx + K2 sinβx] .

Exemplo 1.1.3. Encotrar a solução geral (real) da equação

d2 y dy
+ + 3y = 0
dx2 dx

Solução: o polinômio caraterístico p(λ) = λ2 + λ + 3 tem raízes complexas λ1 =


√ √
1
2
+ 2i e λ2 = − 12 − 2i.

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As soluções complexas são


√ √ √
= e− 2 [cos 2x + isin 2x]
1 x
y1 = e(− 2 + 2i)

√ √ √
y1 = e(− 2 − = e− 2 [cos 2x − isin 2x]
1 x
2i)

por outro lado


√ √
u(x) = e(− 2 −
1
2i)
cos 2x
√ √
v(x) = e(− 2 − 2i) sin 2x
1

são soluções LI em R , e então podemos considerar a solução geral real dada por:
√ √
y(x) = e− 2 x [C1 cos 2x + C2 sin 2x]
1

Leituras obrigatórias
A leitura dos textos obrigatórios constitui a base de consolidação da aprendizagem dos
conteúdos desta unidade temática, daí que sejam indispensáveis, sendo igualmente de
suma importância a resolução dos exercícios que complementarão as leituras.

[1 ] Willian E. Boyce; Richard C. DiPrima Equações Diferenciais Elementares e Proble-


mas de Valores de Contorno, Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora.

[2 ] B. Demidovitch, Problemas e Exercícios de Análise Matemática, Editora Mir Mos-


cou, 4 Edição , 1984.

1.1.1 Actividades Formativas


As actividades que se seguem complementam o estudo desta unidade temática. Resolva-as
e verifique se estão certas.

Actividade Formativa
1. Achar a solução geral das equações homogêneas.

a) y ′′ − 5y ′ + 6y = 0.
b) y ′′ − 9y = 0.
c) y ′′ − 4y ′ + 5y = 0.

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d) y ′′ + 2y ′ + y = 0.
e) y ′′ + 4y ′ + 13y = 0
f) y ′′′ − 3y ′′ + 3y ′ − y = 0.
g) y IV + 2y ′′ + y = 0.
h) y IV + 2y ′′′ + y ′′ = 0.
i) y ′′′ − y ′′ − y ′ + y = 0.
j) y V + 8y ′′′ + 16y ′ .
k) y IV + 4y ′′ + 3y = 0.
l) y V − 10y ′′′ + 9y ′ = 0
m) y IV + 4y = 0
n) y IV − 3y ′ + 2y = 0.

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