CAPITULO 4
4.1 I TRODUÇÃO
Neste capítulo serão mostrados os aspectos construtivos e técnicos de uma subestação de
energia elétrica.
4.2 SUBESTAÇÕES DE E ERGIA
As subestações de energia elétrica constituem-se em um conjunto de condutores, aparelhos e
equipamentos destinados a modificar as características de tensão e corrente, permitindo a sua
transmissão ou distribuição a diversos pontos de consumo em níveis adequados de utilização.
Dependendo das condições técnicas e econômicas, as subestações podem apresentar
diversas características específicas, tais como potência instalada, função no sistema e
configuração construtiva adotada para receber os equipamentos. Quanto à configuração
construtiva têm-se subestações convencionais (ao tempo), aéreas (acopladas em postes) ou
abrigadas. A SE pode ter as seguintes funções: transformação (eleva ou abaixa o nível de
tensão), inversão (transforma c.c. em c.a.), retificação (transforma c.a. em c.c.) e interligação
entre sistemas elétricos diferentes (geração ou estrutura aéreo/subterrânea).
4.2.1 SE ELEVADORA
As subestações instaladas próximas às usinas geradoras elevam o nível de tensão, visando à
transmissão de energia elétrica de modo econômico e eficiente através de linhas de
transmissão até outras subestações. Geralmente o nível de tensão gerado é até 20 kV e é
transformado pela SE para 230 kV ou 500 kV.
4.2.2 SE ABAIXADORA
Essas SE’s são instaladas próximas dos centros de cargas e tem como objetivo baixar o nível
de tensão para ser usado pelo consumidor. Os níveis de tensão de saída dessas SE’s são os
seguintes:
• Subtransmissão: 138 kV e 69 kV; • Distribuição em alta tensão: 34.5 kV e 13.8 kV;
• Distribuição em baixa tensão: 110 V e 220 V.
4.2.3 SE INVERSORA
As subestações inversoras transformam tensões c.c. em c.a. usando pontes inversoras.
Geralmente interligam sistemas com transmissão em c.c. com sistemas com transmissão em
c.a.
4.2.4 SE RETIFICADORA
As subestações retificadoras transformam tensões c.a. em c.c. usando pontes retificadoras.
Geralmente interligam sistemas com transmissão em c.a. com sistemas com transmissão em
c.c.
4.2.5 SE DE INTERLIGAÇÃO
Interligam sistemas de transmissão de diferentes gerações ou conectam linhas aéreas a linhas
subterrâneas, especialmente em áreas urbanas, onde restrições de espaço inviabilizam o
estabelecimento de linhas convencionais. Também podem redirecionar a energia para outras
linhas e subestações quando necessário.
Essas subestações podem estar suspensas em postes ou em plataforma entre dois postes.
São utilizadas na distribuição para consumidores residenciais e pequenos comércios, tendo
como tensão primária 13,8 kV e potencias até 300 kVA. Em redes urbanas são utilizados
transformadores trifásicos e em redes rurais podem-se encontrar transformadores monofásicos.
Na entrada do transformador se tem pára-raios de linha para proteger contra sobretensões e
chaves fusíveis para proteger contra curtos circuitos.
Figura 4.1 – Subestação aérea.
4.2.7 SE ABRIAGADAS
Subestação cujos equipamentos são instalados inteiramente abrigados das intempéries,
situados em edificações de alvenaria ou concreto armado utilizando materiais não inflamáveis.
Ela se localiza dentro da propriedade particular do consumidor. O nível de tensão para esse
tipo de SE é a partir de 13.8 kV. A proteção nessas subestações é feita com chaves fusíveis,
relés, disjuntores e pára raios. As seguintes considerações devem ser levadas em conta na
construção de uma SE abrigada:
a) A área ocupada pela subestação não deve ser inundável e deve conter dreno para
escoamento de água e óleo nos casos exigíveis; b) Se a atividade da Unidade Consumidora for
caracterizada por grande fluxo de pessoas, tais como lojas, cinemas, bancos, restaurantes,
estádios, clubes, supermercados
e outros, a subestação deverá ser construída observando-se os aspectos de segurança contra
incêndio e explosão; c) As subestações deverão possuir abertura de ventilação conforme
indicado nos desenhos construtivos. O compartimento de cada transformador deverá possuir
janelas para ventilação com características conforme Figura 4.2. d) As subestações deverão
possuir sistemas de iluminação natural e artificial. As janelas e vidraças utilizadas para esta
finalidade deverão ser fixas e protegidas por telas metálicas; e) Sugere-se a instalação de
iluminação de emergência no caso de falta de energia; f) As portas das subestações deverão
ser metálicas ou inteiramente revestida de chapa metálica; g) As subestações deverão ser
providas com bacia de contenção de óleo. Poderão ser construídas caixas de captação de óleo
individuais para cada transformador e/ou gerador existente na instalação, com capacidade
mínima igual ao volume de óleo do transformador a que se destina, ou ainda, uma única caixa
para todos os transformadores. Neste caso, a capacidade da caixa de captação de óleo,
deverá ser compatível com o volume de óleo do maior dos transformadores; h) Será obrigatória
a instalação de proteção contra incêndio, constante de extintor de incêndio, instalado do lado
de fora da subestação, junto à porta e com proteção contra intempéries, e ser adequado para
uso em eletricidade (CO2 ou pó químico); i) As subestações abrigadas devem ter área livre
interna mínima de 3,50 x 3,0 metros e pé direito mínimo de 3,0 metros quando a entrada for
subterrânea. Quando a entrada for aérea, a altura do encabeçamento deve ser tal que permita
uma distância mínima de 6,0 metros entre os condutores no seu ponto de flecha máxima e o
solo. A altura do pé direito é mínima e o projetista deve verificar a facilidade para a operação da
chave a ser instalada; j) As paredes, o teto e o piso das subestações deverão ser construídos
com materiais incombustíveis; l) Deverá existir impermeabilidade total contra infiltração de água
no prédio da subestação.
[Link] SE Abrigada Convencional
Na SE abrigada convencional algumas partes energizadas estão expostas ao contato direto
(Figura 4.2). Essa subestação geralmente se localiza junto ao alinhamento da propriedade
particular com a via pública. Ela deverá possuir cadeado ou fechadura, dotada de chave
mestra, e ter afixadas placas com a indicação : “PERIGO DE MORTE – ALTA TENSÃO “ , bem
como nas grades de proteção do interior da subestação. A SE abrigada convencional é dividida
nas seguintes partes:
a) Cabine de medição
É o local reservado à instalação dos equipamentos e acessórios utilizados na medição de um
determinado consumidor. È composto de Tp e Tc e o medidor de energia b) Cabine de
transformação
É o local destinado à instalação dos equipamentos e acessórios destinados a transformar
tensão, corrente ou freqüência.
Figura 4.2 – Subestação abrigada.
Na SE abrigada em cubículos os equipamentos de manobra e proteção são instalados dentro
de cubículos pré-fabricados. Os cubículos pré-fabricados são caixas
metálicas aterradas podendo ter vários compartimentos (Figura 4.3). Os materiais de
blindagens, estruturas e bases, são tratados contra corrosão. As vantagens dessa SE em
comparação com a convencional são:
• Maior segurança de operação devido á proteção contra manobras indevidas;
• Pouco espaço ocupado;
• Redução do tempo de montagem;
• Proteção contra contatos acidentais;
• Construção protegida contra poeira e entrada de animais;
Os equipamentos utilizados dentro dos cubículos são os disjuntores, geralmente de gaveta
extraível ou com carrinho para ser possível a extração do disjuntor para manutenção,
transformadores de corrente (TC), transformadores de potencial (TP) e relés de proteção. Na
instalação da dos cubículos os seguintes cuidados devem ser tomados:
• Ao redor dos cubículos blindados, deve ser mantido espaço livre suficiente para facilitar a
operação, manutenção e remoção dos equipamentos;
• O local onde tiver instalado o conjunto blindado deve ter aberturas com dimensões suficientes
para iluminação e ventilação natural adequada;
• Quando forem utilizados equipamentos com líquidos isolantes inflamáveis, em cubículos
blindados, estes devem ser instalados em recinto isolado por paredes de alvenaria (norma
CEMAR);
• O cubículo blindado deve ser sempre instalado sobre base de concreto;
• Todas as partes metálicas do cubículo blindado, bem como suportes e carcaças dos
equipamentos, devem ser interligados e devidamente aterrados;
• A porta de acesso ao compartimento dos equipamentos, deve possuir cadeado ou fechadura
tipo mestra e dispositivo tipo lacre para os TC’s e TP’s de medição.
Os cubículos possuem as seguintes propriedades para proteger o equipamento e o operador:
• Contra a entrada de objeto estranho: no mínimo proteção IP 3X (Anexo) que seria contra
objetos sólidos de 2,5 m de diâmetro;
• Contra gotas de água como condensação no teto.
• Proteção que Impeça a entrada de animais dentro do cubículo.
• Abertura das portas ou tampas com ferramentas apropriadas.
• Intertravamento que impeça a abertura das portas com o circuito energizado.
• Os cubículos também poderão ter telecomandos inclusive com a inserção e retirada da
gaveta.
Figura 4.3 – Vista frontal de um cubículo.
As SEs blindadas são isoladas do ambiente exterior por uma carcaça completamente vedada.
O ambiente interno é artificial e preenchido com o gás SF6. As principais vantagens da
utilização desse gás são as seguintes:
• Dielétrico de capacidade resistiva muito alta; • Extingue efetivamente arcos elétricos em
circuito de alta tensão;
• Equipamentos compactos pois a utilização desse gás permite que a distancia entre as partes
vivas e entre as partes vivas e não vivas seja
relativamente menor ocupando cerca de 10% do espaço físico das subestações convencionais
equivalentes.
• Equipamentos quase livres de manutenção, pois os arcos são rapidamente eliminados, além
dos mesmos não estarem sujeitos a poluição, poeira, oxidação, etc.;
• Reduz o efeito do campo magnético e removem completamente o campo elétrico nas
imediações da SE.
A principal desvantagem da utilização de SEs blindadas é o custo que é em torno de 20 vezes
maior do que a SE convencional.
Figura 4.4 – SE a SF6 de 138 kV, Duque de Caxias -Rj. 4.2.8 SE AO TEMPO
Subestação cujos equipamentos são instalados ao ar livre e estão diretamente sujeitas as
intempéries do clima. Esse tipo de SE é a que exige maior área construída para conter os
equipamentos bem como para delimitar a área de segurança (através de cercas) para proteção
da comunidade que vive ao redor da construção. Ela se localiza dentro da propriedade
particular do consumidor. O nível de tensão para esse tipo de SE
é a partir de 13.8 kV. As seguintes considerações devem ser levadas em conta na construção
de uma SE ao tempo:
• Os portões de acesso das subestações deverão ser metálicos, com dobradiças e abrir para
dentro;
• Nos portões de acesso e nas cercas de proteção, deverão ser afixadas placas com a
indicação: “PERIGO DE MORTE - ALTA TENSÃO“.
• As subestações deverão possuir sistema de drenagem adequado a fim de evitar o acúmulo
de águas pluviais;
• As instalações que contenham 100 L ou mais de líquido isolante devem ser providas de
tanque de contenção de Óleo.
• Poderão ser construídas caixas de captação de óleo individuais para cada transformador
existente na instalação, com capacidade mínima igual ao volume de óleo do transformador a
que se destina, ou ainda, uma única caixa para todos os transformadores. Neste caso, a
capacidade da caixa de captação de óleo, deverá ser compatível com o volume de óleo do
maior dos transformadores;
• Colocar uma camada mínima de 0,10 m de pedra britada nº. 2, dentro da área demarcada
pela cerca, caso o piso não seja inteiramente concretado;
Figura 4.5 – SE ao tempo.
4.3 PARTES DA SE
A subestação é um ponto do sistema de potência, concentrada em um dado local
compreendendo primordialmente as extremidades de linhas de transmissão e/ou distribuição.
Ela é composta de transformador de potência, seu principal equipamento, de dispositivos de
manobra, controle e proteção, incluindo as obras civis e estruturas de montagem, podendo
incluir também equipamentos conversores e outros equipamentos.
Figura 4.6 – Equipamentos de uma SE: (a) diagrama unifilar, (b) vista superior.
Os equipamentos básicos principais de uma subestação estão relacionados à função da
subestação no sistema de potência e podem sofrer variações de modelo, tipo, acionamento,
etc., dependendo do seu nível de tensão e fabricante. As principais partes são detalhadas a
seguir.
4.3.1 TRANSFORMADOR DE POTENCIA
O transformador é um componente de extrema importância em redes de energia elétrica pelo
fato de poder adaptar suas variáveis de acordo com as necessidades. O transformador
transfere energia elétrica de um sistema em corrente alternada, a uma determinada tensão e
determinada corrente para um outro sistema, em uma outra tensão
e outra corrente, sem alterar a freqüência da onda fundamental. Eles são utilizados para
elevação/redução da tensão de transmissão, distribuição e de consumo em redes de energia
elétrica. Seus principais parâmetros são:
• Potência aparente nominal: Define o valor nominal da potência em kVA que o transformador
pode fornecer à carga;
• Rendimento: É a razão em percentual da potência de saída pela potência de entrada;
• Tensão e correntes nominais nos enrolamentos.
Para transformadores de potência podemos ter três categorias de transformadores:
• Transformador elevador: número de espiras maior no primário que no secundário. O condutor
no primário tem menor diâmetro que no secundário quando não se trata de um
autotransformador;
• Transformador abaixador: número de espiras menor no primário que no secundário. O
condutor no primário tem maior diâmetro que no secundário quando não se trata de um
autotransformador;
• Transformador regulador: geralmente pode inserir pequenas variações na tensão e corrente
(variação de taps) com o objetivo de ajustes finos e ajusta a defasagem entre a tensão de
entrada e saída
O principio de funcionamento do transformador é relativamente simples.
Considerando um transformador ideal, aplica-se uma tensão alternada VP ao enrolamento
primário, esta tensão VP produz fluxo magnético (φm) que é direcionado para o secundário
através do núcleo ferromagnético, e induz uma tensão (VS) nos terminais deste enrolamento.
Figura 4.8 – Desenho esquemático de um transformador.
Quando se trata de transformadores reais, as seguintes perdas são consideradas:
• Perdas ôhmicas nos enrolamentos; • Perdas no núcleo (histerese e correntes parasitas);
• Dispersão de fluxo;
• Corrente de magnetização.
O circuito equivalente de um transformador monofásico é mostrado abaixo.
Figura 4.9 – Circuito Magnético de um transformador.
r1, r2 resistências que representam as perdas ôhmicas nos enrolamentos; x1, x2 reatâncias
que representam a dispersão de fluxo rc resistência que representa as perdas no núcleo
(perdas ferro) xm reatância que representa a magnetização do núcleo A relação de espiras é
valida para V1’ e V2’ e para I1’ e I2’.
[Link] Partes Construtivas
As principais partes do transformador são descritas a seguir (ver Figura 4.8).
Material Ferromagnético (
úcleo)
Alguns tipos de materiais, como por exemplo, o ferro, o níquel e o cobalto, apresentam a
propriedade de que seus momentos magnéticos se alinham fortemente na direção de um
campo magnético externo, oferecendo assim um caminho preferencial para as linhas de fluxo.
Esse tipo de material é utilizado no transformador para
concentrar as linhas de fluxo produzidas no enrolamento primário e conduzi-las até o
enrolamento secundário com a menor perda possível.
Enrolamento Primário e Secundário
Conjunto de condutores enrolados em torno do núcleo do transformador. Os terminais do
enrolamento primário são representados pela letra H e do enrolamento secundário pela letra X.
A relação de transformação depende do número de espiras de cada enrolamento e o seu valor
para um transformador ideal é dado por
211221
iiv vn===. Quando o número de espiras do secundário é maio que do primário se tem um
transformador elevador, caso contrário se tem um transformador abaixador. Carcaça
È a parte externa do transformador e geralmente é feito de aço. Dentro dela se coloca o núcleo,
os enrolamentos e os materiais isolantes.
Radiador
São canaletas que ficam na carcaça que tem como objetivo transferir o calor interno ao
transformador para o ambiente. Essa transferência pode ocorrer através de ventilação natural
(vento) ou ventilação forçada (através de ventiladores).
Material Isolante
Materiais que isolam as partes vivas entre si e as partes desenergizadas. O papel isolante é
utilizado para isolar os enrolamentos do núcleo. Os condutores das bobinas são banhados em
verniz isolante. Geralmente o tanque do transformador é preenchido com óleo isolante e as
buchas de entrada e de saída são isoladas da carcaça por material cerâmico.
[Link] Formas de Ligação
No transformador trifásico as ligações entre as fases são internas, não podendo ser
modificadas. No banco trifásico as ligações entre as fases são externas, podendo assim ser
modificadas. No banco trifásico pode-se fazer manutenção em uma unidade, mantendo as
outras em funcionamento.
Ligação Y - ∆
Esse tipo de ligação é utilizado em transformadores elevadores de tensão. Se considerarmos:
a=N1/N2 temos que sua relação de transformação é a√3 e uma defasagem de 30º entre as
tensões de linha do primário e secundário.
Ligação ∆ -Y
Esse tipo de ligação é utilizado em transformadores abaixadores de tensão. Se considerarmos:
a=N1/N2 temos que sua relação de transformação é a/√3 e uma defasagem de 30º entre as
tensões de linha do primário e secundário.
[Link] Ensaios e inspeções em transformadores
Sempre que possível o transformador deve ser transportados com o bobinado imerso em óleo,
para evitar absorção de umidade. No entanto quando os trafos são muito grandes, devido ao
peso, são transportados com os acessórios desmontados e sem óleo. Para evitar a presença
de umidade, o tanque é embarcado totalmente lacrado e pressurizado com um gás inerte
(nitrogênio superseco). Para garantir que não existiu penetração de umidade, a pressão deve
ser controlada desde o embarque, até a montagem final com óleo. Trafos a partir de 230 kV
pode sair da fábrica com um sensor de umidade nos bobinados. Grandes trafos são
embarcados com registrador de impacto, que medirá indistintamente todas as oscilações as
quais foi submetido o equipamento. Os valores máximos permitidos são especificados por
norma. Na entrega deve ser feito inspeção visual, para detectar ranhuras, empenos,
vazamentos, parafuso frouxos, além de verificar se o radiador, ventilação forçada, instrumentos
de proteção e medição estão de acordo com as especificações de compra. Antes de se tocar o
trafo deve-se aterrar o tanque, pois o gás a pressão gera tensões estáticas que poderão ser
perigosas.
Na inspeção interna deve-se despressurizar o tanque e substituir o gás por ar seco ou entrar no
tanque com máscara de respiração artificial. Evitar levar pequenos objetos para não correr o
risco de cair dentro do tanque e todas as ferramentas que forem utilizadas devem estar
amarradas pelo mesmo motivo. A umidade do ar não deve ser superior a 70% e o bobinado é
aquecido a pelo menos 10º acima da temperatura ambiente. No transformador com óleo,
reduze-se o volume de óleo até 4 ou 5 cm acima
do núcleo e faz-se a inspeção.
No condicionamento e nas inspeções preventivas periódicas são feitos vários ensaios,
descritos abaixo.
Teste de isolamento com corrente contínua (MEGGER).
A Resistência de Isolamento é variável no tempo. Costuma estabilizar antes de 10 minutos em
isolações mais comuns, como papel-óleo. A Resistência de Isolamento, RI, depende da
temperatura da isolação. No caso de transformadores, considera-se que seu valor cai para a
metade a cada 10° de aumento na temperatura. Os valores costumam ser referidos para 75°C
através da fórmula R75=RT/FC (Os valores de FC para uma da temperatura são mostrados na
Tabela 4.2).
Tabela 4.1 – Fatores de correção de temperatura para 75ºC (NBR –7037)
Nos ensaios são medidas as isolações entre os bobinados e entre o bobinado e a carcaça.
Esses valores são influenciados pelo estado da superfície do dielétrico, por isso ele deve estar
perfeitamente limpo, antes dos testes. A umidade superficial também influencia visto que ela
será absorvida devido a higroscopia dos mesmos, reduzindo a resistência de isolamento.
Geralmente utiliza-se o instrumento MEGGER.
Figura 4.1 – Vista externa de um MEGGER manual
O procedimento do ensaio é o seguinte:
• Desconecta-se os cabos das buchas; • Ajusta-se o MEGGER de acordo com o manual de
fabricante;
• Curto-circuita-se os terminais das buchas do mesmo enrolamento, para evitar sobretensões;
• Selecionar a tensão de teste de acordo com a Tabela 4.2;
• Conectar o MEGGER de acordo com a Tabela 4.3 (figura 4.12);
• Aplica-se a tensão de teste de 100% e inicia-se a contagem de tempo, registra-se valores aos
15’’, 30’’, 1’, 2’ e assim sucessivamente até 10’. Se o índice de polaridade for menor que 1,5
refazer o ensaio com a coluna de 25% e comparar os resultados;
• Anotar a temperatura do indicador de óleo do trafo.
Tabela 4.2 – Tensões recomendadas para testes de isolamento de transformadores
Tensão de teste Tensão do Trafo
Tabela 4.3 – Conexões do MEGGER para testes de isolamento de dois e três enrolamentos
Conexão dos terminais do MEGGER Teste
Line Earth Guard Curto-circuitar Parte medida
1 Alta Terra Baixa Alta-terra
2 Alta Baixa Terra Alta-baixa Trafo de dois bobinados 3 Baixa Terra Alta Baixa-terra
4 Alta Terra Média Média-baixa Alta-terra 5 Alta Média Baixa Baixa-terra Alta-média 6 Alta
Baixa Média Média-terra Alta-baixa 7 Média Terra Alta Alta-baixa Média-terra 8 Média Baixa
Alta Alta-terra Média-baixa
Trafo de três bobinados
9 Baixa Terra Alta Alta-média Baixa-terra
Figura 4.12 – Ligações do MEGGER com o trafo.
Com base nessas medições são calculados os índices de absorção e polarização.
Quando um dielétrico é submetido a campo elétrico externo as suas moléculas tendem a se
alinhar com esse campo por meio de dipolos elétricos, criando um campo elétrico interno
contrário ao externo. Na prática considera-se que o tempo necessário para polarizar
completamente um dielétrico é de 10 min. Baseado nisto, define-se índice de polarização de
um equipamento elétrico a razão das resistências de isolamento lidas com 10 min e com 1 min.
Um outro índice importante é o índice de absorção, definido como a razão entre as resistências
de isolamento com 1 min e 30 s, e que também quantifica a umidade encontrada no dielétrico.
Verifica-se experimentalmente que esses índices alcançam o máximo valor quando o dielétrico
está completamente seco, logo esses índices são um eficiente método para avaliação do grau
de umidade dos equipamentos elétricos.
Os dados medidos no ensaio devem ser comparados com dados de outras medições (histórico)
ou com os dados de fábrica. Um decréscimo superior a 50% nos últimos 2 ou 3 anos é um sinal
claro que alguma anormalidade está acontecendo.
O isolamento mínimo para trafos a seco é R(MΩ)=kV+1 em 75ºC. Por exemplo, um trafo de
13.8 kV deve possuir um isolamento mínimo de 14.8 MΩ a 75ºC. Os índices de absorção e
polarização serão comparados com a Tabela 4.4. O trafo só deverá ser energizado se pelo
menos uma das condições mínimas, isolamento ou os índices de polarização forem satisfeitos.
Tabela 4.4 – Índices de polarização e absorção para trfo a seco.
O isolamento desses trafos é a combinação de isolantes líquidos e sólidos. Neste caso os
índices calculados devem ser analisados juntamente com a umidade encontrada no óleo. Por
exemplo, baixos índices (com base na Tabela 4.4) em trafos com óleo em
boas condições de umidade, acidez e filtragem, indica deficiência no isolamento sólido do
enrolamento. Este mesmo índice em um óleo com umidade de 25 ppm ou maior, indica que o
enrolamento está úmido, neste caso o bobinado deverá ser secado.
O cálculo da resistência de isolamento mínimo desses trafos é dado pela seguinte fórmula
(NBR7037):
Trafo monofásico -
Trafo trifásico -
Onde R – resistência mínima de isolamento a 75ºC;
P – Potência do trafo em kVA; F – Freqüência em Hz; E – Classe de tensão em kV.
Exemplo: Calcular a resistência de isolamento mínima necessária para energizar um trafo
trifásico de 69/13,8 kV, 10 MVA, sabendo que o óleo se encontra a 27ºC.
Teste de fator de potência dos enrolamentos (DOBLE).
Em tensões alternadas as moléculas do dielétrico ficam submetidas a uma série de esforços e
deslocamentos proporcionais à freqüência. Como os materiais não são perfeitamente elásticos,
devido a viscosidade ou fricção intermolecular, a energia
aplicada ao dielétrico na expansão não corresponde a energia devolvida na compressão; a
diferença dessa energia é transformada em calor e é chamado de histerese dielétrica ou perda
dielétrica. Para modelar essas perdas o dielétrico pode ser representado através de um
capacitor em paralelo com uma resistência.
Figura 4.10 – Modelo das perdas dielétricas no isolante submetido a tensões alternadas. Da
figura 4.10b podemos obter a seguinte relação,
CRI Itg=δ
Nos testes práticos de campo, o ângulo δ resulta muito pequeno pois IR << IC , de tal forma
que podemos dizer que IC ≈ I, logo:
I Itg RC
Pela equação acima podemos dizer que tg δ representa o fator de potência do dielétrico. O
fator de potencia é muito sensível a variações da umidade e sujeira no dielétrico, isto converte
essa medida, num ótimo índice para avaliar a presença de materiais estranhos no dielétrico,
tais como água, pó, graxa, etc.
O instrumento DOBLE e similares são equipamentos próprios para medição de
fator de potencia. O DOBLE possui uma chave seletora que permite colocar o medidor em três
posições: ground (terra), guard (guarda) e UST ( equipamento não aterrado). A depender do
tipo de medição, a chave seletora estará em uma posição determinada.
Figura 4.13 – Vista externa de um DOBLE
O procedimento do ensaio é o seguinte:
• Desconecta-se os cabos das buchas, inclusive o neutro;
• Curto-circuita-se os terminais das buchas do mesmo enrolamento, e aterrase o tanque;
• Conectar o DOBLE de acordo com a Tabela 4.5 ou 4.6. As ligações são as mesmas para
trafos monofásicos e trifásicos;
• Selecionar a tensão de 2,5 kV para trafos até 69 kV, e 10 kV para tensões superiores
• Com os valores de potência ativa e aparente calcular o FP pelas fórmulas o mVA mWFP 100*
%= para medidor tipo MEU 2500.
mAkV WFP *
100* %= para medidor tipo M2H 10 kV.
Tabela 4.5 – Ligações do medidor de PF para trafos de 2 enrolamentos.
Conexões Teste
HV (alta) LV (baixa)
Posição da chave
Parte aterrada Parte medida
1 Alta Baixa Ground CA+CAB 2 Alta Baixa Guard CA
3 Baixa Alta Ground CB+CAB 4 Baixa Alta Guard
Tanque
CB CAB=Teste 1 – Teste 2; CAB= Teste 3 – Teste 4
Tabela 4.6 – Ligações do medidor de PF para trafos de 3 enrolamentos.
Conexões Teste HV (alta) LV (baixa)
Posição da chave
Parte aterrada Parte medida
1 Alta Baixa Guard Média CA+CAM 2 Alta Média+Baixa Guard CA 3 Média Alta Guard Baixa
CBM+CM 4 Média Alta+Baixa Guard CM 5 Baixa Mdia Guard Alta CB+CAB 6 Baixa Média+Alta
Guard CB 7 Todos Terra Ground Cabo LV CA+CB+CM
CAM=Teste 1 – Teste 2; CBM=Teste 3 – Teste 4; CAB= Teste 5 – Teste 6; Teste 7 = Teste 2 +
Teste 4 + Teste 6
Para poder comparar o valor do FP nos diferentes testes ao longo da vida útil dos
equipamentos, e dessa forma detectar alterações no dielétrico, é necessário que os mesmos
sejam relativos a uma mesma temperatura. Existem tabelas de correção para 20ºC para os
equipamentos mais importantes. A tabela 4.7 é relativa aos trafos.
Tabela 4.7 – Fatores de correção do FP em função da temperatura. Livre: trafo com óleo;
Selado: trafo com gás.
Exemplo 1: O ensaio do FP em um trafo de 13,8 kV blindado, pressurizado internamente com
nitrogênio a 35ºC foi 0,6%. Nesta temperatura utiliza-se FC=0,71,
Exemplo 2: A tabela abaixo mostra os resultados num trafo a óleo 13,8/0,48 k, dois
enrolamentos, temperatura do óleo de 50º C. Neste caso FC=0,28.
Interpretação dos resultados
Se o FP aumentar com relação aos anos anteriores mais de 25%, as causas deverão ser
investigadas; De forma geral os trafos modernos em óleo deverão ter um FP<0,5%. Se não
existirem registros históricos convicentes do FP, os seguintes valores serão considerados:
• FP<2%, o trafo está em condição de operação
• 3%<FP<5%, se o óleo estiver em boas condições indicará deficiência dos isolantes sólidos ou
algum tipo de contaminação e u ma inspeção interna deverá se programada. Por outro lado, se
óleo estiver em condições desfavoráveis, programar na primeira oportunidade um tratamento
de óleo e realizar novos testes.
• FP>5%, fazer uma investigação imediata. Antes de condenar o equipamento, tenha certeza
que o instrumento foi bem conectado e que está bem calibrado. Compare os valores de FP
com os de isolamento e do óleo; se o equipamento estiver realmente com problemas, todos os
testes similares deverão dar resultados coerentes. Constatar a existência de falha, procure
localizar, testando separadamente os diferentes componentes, buchas, óleo e isolantes sólidos.
Resistência ôhmica dos bobinados.
A temperatura do bobinado é tomada como igual à temperatura do óleo, desde que o trafo
tenha sido desligado por um período superior a 6 horas.
Método da diferença de tensão (Figura 4.14a)
Bastante utilizado em trafos onde não sejam necessários valores extremamente precisos.
Utilizado em bobinados com corrente nominal superior a 1 A. Utilizar as ligações abaixo e
ajustar o potenciômetro de tal forma que percorra o bobinado uma corrente menor que 15% da
corrente nominal. Calcular R pela lei de Ohm.
Método da ponte de Wheatstone (Figura 4.14b)
Utiliza um potenciômetro até que a corrente lida no amperímetro seja nula. Em circuitos
indutivos, o tempo de medição pode ser demorado, se a constante de tempo for muito grande
(L/R), para reduzir esse tempo pode-se introduzir uma resistência em série com o bobinado no
valor de até duas vezes a grandeza da sua resistência (Figura 4.14c).
Método da ponte de Kelvin (Figura 4.14d)
Método utilizado para medir resistências baixas (<10Ω). Utiliza medidor próprio.
Teste de relação de transformação (TTR)
Método do Voltímetro
Utiliza-se dois voltímetros e medir a tensão no primário e no secundário ao mesmo tempo.
Método Comparativo (Figura 4.15)
Comparação com outro trafo de relação conhecida. Excita-los em paralelo com seus
secundários ligados em oposição através de um voltímetro de precisão, que mostrará a
diferença de tensão entre os dois trafos (e%=V1*100/V2).
Método do potenciômetro (Figura 4.16)
Um dos instrumentos mais práticos de medida de relação é o TTR (Transformer
Turn Radio Test). Utilizado conforme a figura abaixo. Ele possui ajustes nas espiras do
secundário, de forma a poder igualar a relação de transformação de ambos os trafos, neste
caso quando o galvanômetro indicar valor nulo. A relação de transformação é lida
diretamente no instrumento.
Figura 4.14 – Métodos de medição da resistência do bobinado de um trafo.
Figura 4.15 – Medida do erro de transformação pelo método comparativo. Figura 4.16 –
Diagrama simplificado do medidor de relação de espiras.
[Link] Manutenção em transformadores Manutenção no óleo mineral isolante (OMI)
Durante o funcionamento dos transformadores de potência e de disjuntores a óleo vários
processos de desgaste e de envelhecimento ocorrem no sistema de isolamento. Os efeitos de
fadiga térmica, química, elétrica e mecânica, tais como, pontos quentes, sobre-aquecimentos,
sobre-tensões e vibração são responsáveis por alterações do sistema isolante e devem ser
monitorados para garantir a eficiência do equipamento, permitindo intervenções de manutenção
preditiva, a fim de evitar paradas de máquina e, conseqüentemente, aumento de custos. Dessa
forma, a diminuição da vida útil dos transformadores está relacionada com a qualidade dos
materiais dielétricos utilizados durante o processo de fabricação. O estabelecimento de um
programa de supervisão e manutenção preditiva e preventiva, pelo conhecimento dos materiais
dielétricos envolvidos, proporcionará um aumento na vida útil do equipamento em serviço.
A determinação das propriedades físico-químicas do OMI é de suma importância para garantir
as condições operacionais dos transformadores e para manter ou ampliar a vida útil desses
equipamentos. Os vários ensaios realizados no OMI em uso permitem diagnosticar alguns
problemas, como pontos quentes, sobre-aquecimento e vazamentos, além de informar sobre a
qualidade isolante e térmica do próprio OMI.
Os líquidos utilizados em equipamentos elétricos têm como principais funções o isolamento e a
refrigeração. Para um líquido cumprir a função de isolamento, este deve atuar como um
dielétrico ou extintor de arco entre as partes que apresentaram diferenças de potenciais
elétricos. O parâmetro físico-químico para verificar esta característica é a rigidez dielétrica.
Para cumprir a função de refrigeração, é necessário que o fluido possua viscosidade adequada,
permitindo que o calor gerado pela parte ativa seja trocado com o meio ambiente por
convecção natural e, ainda, tenha uma alta condutividade térmica. Na seqüência serão
descritos os principais ensaios físicoquímicos realizados no OMI para monitorar sua qualidade.
Índice de Neutralização
O índice de neutralização, expresso em mg KOH/g de óleo, é a medida da quantidade de base
(KOH) necessária para neutralizar os constituintes ácidos presentes
em 1g de óleo. Durante a utilização no equipamento, o OMI está submetido a um processo de
oxidação, formando ácidos como produtos finais da sua degradação. Estes compostos, a partir
de uma certa concentração, são indesejáveis por reagirem com materiais de construção do
equipamento, principalmente, com o papel do isolamento sólido, diminuindo a vida útil dos
mesmos. Podem, ainda, polimerizar-se e formar borra, que ao se depositar na parte ativa ou
nos trocadores de calor, irá dificultar a transferência de calor para o meio ambiente. Portanto,
para óleo em uso, o índice de neutralização é uma medida indireta do grau de oxidação do
mesmo. O limite máximo permitido no recebimento é de 0,03 mg KOH/g.
Teor de Água
O teor de água, expresso em mg/kg, é a medida direta da quantidade de água presente no
OMI. A umidade normalmente estará presente nos líquidos isolantes em quantidades que
variam com a estrutura química dos mesmos, isto é, fluidos polares (exemplo: silicone)
apresentam maior afinidade com a água do que os apolares (exemplo: OMI), e variam,
também, com as condições de manipulação às quais os fluidos foram submetidos. Para óleos
em serviço, teores elevados relativos ao histórico de monitoramento, podem ser indicativos de
problemas de vedação nos equipamentos.
A umidade, mesmo em pequenas concentrações (em torno de 35 mg/kg), pode prejudicar as
características isolantes dos óleos, diminuindo sua rigidez dielétrica. Atua, ainda, como agente
catalisador na degradação do papel isolante, diminuindo, conseqüentemente, a vida útil do
equipamento elétrico. O limite máximo permitido para o teor de água no recebimento é de 35
mg/kg.
Perdas Dielétricas
As perdas dielétricas, expressas em %, correspondem as medidas das perdas elétricas em um
líquido isolante quando este é submetido a um campo elétrico alternado e estão relacionadas
com a quantidade de energia dissipada pelo material sob a forma de calor. Sob o ponto de vista
químico, as perdas dielétricas correspondem diretamente à corrente dissipada no óleo e,
indiretamente, aos produtos polares e polarizáveis, partículas metálicas ou não-metálicas. Para
óleos em serviço, os valores obtidos têm um acréscimo gradativo ao longo do tempo,
acompanhando a sua deterioração e a dos
demais materiais. Assim, valores elevados (10 ou 12% a 100 °C, por exemplo), para
equipamentos com muitos anos de operação não indicam, necessariamente, condições
operacionais inadequadas. Os limites máximos permitidos para este parâmetro no recebimento
correspondem a 0,05% a 25 °C e 0,50% a 100 °C.
Rigidez Dielétrica
A rigidez dielétrica, expressa em kV, mede a capacidade de um líquido isolante resistir ao
impacto elétrico (diferença de tensão entre dois condutores) sem falhar. É expressa pela
máxima tensão aplicável, sem geração de descargas desruptivas, por exemplo, descarga
franca do tipo arco, entre eletrodos que se acham submersos no óleo. O valor da rigidez
dielétrica não é uma característica intrínseca do material, mas é uma medida indireta das
impurezas contidas no líquido (água, fibras celulósicas, partículas), e o seu valor depende,
ainda, do método de medida, isto é, da geometria e do afastamento dos eletrodos, da taxa de
elevação de tensão, etc . Para óleos em serviço, é um indicativo da presença de água e de
partículas sólidas, refletindo as condições de operação do equipamento. Seu monitoramento é
muito importante para avaliar a função isolante do líquido. Os limites mínimos permitidos para
este parâmetro na etapa de recebimento são de 30 kV para eletrodo em disco e de 42 kV para
eletrodo em calota.
Tensão Interfacial
A tensão interfacial, expressa em mN/m ou dina/cm, é a força necessária para que um anel de
platina rompa a interface água-óleo, sendo uma medida indireta da concentração de compostos
polares presentes no óleo. Durante a utilização do óleo no equipamento, este passa por um
processo de oxidação, formando compostos polares como aldeídos, cetonas e ácidos, os quais
apresentam grande interação com a água, diminuindo assim a tensão na interface água-óleo. O
OMI novo apresenta, normalmente, valores de tensão entre 45 e 50 dina/cm antes da
transferência para o equipamento. Após a transferência, observa-se uma queda aproximada de
5% nesse valor, devido ao contato do OMI com materiais de construção do transformador,
como borrachas e tintas, os quais, podem liberar plastificantes e resinas. Estes, solubilizam-se
no OMI devido a suas características polares. Durante o funcionamento do equipamento é
esperada, normalmente, uma queda mais lenta nos valores de tensão interfacial,
levando em torno de 20 anos ou mais para que esta propriedade atinja valores representativos
para que o OMI seja substituído ou regenerado. Os valores limites para esta propriedade são,
de maneira geral abaixo de 17 dina/cm para substituição do OMI, ou entre 20 e 18 dina/cm
para sua regeneração.
Tratamentos Empregados na Recuperação do OMI em Uso
O tratamento termo-vácuo é uma ação corretiva aplicada quando o óleo apresenta elevado teor
de água e/ou de partículas que causam diminuição de sua rigidez dielétrica. Com este
tratamento, há elevação na rigidez dielétrica, uma vez que os contaminantes (água e
partículas), são reduzidos a valores adequados (aproximadamente 40 kV ou acima), e também,
redução no teor de gases dissolvidos.
A substituição do óleo é uma ação corretiva que se aplica quando o óleo apresenta baixa
tensão interfacial (igual ou abaixo de 18 mN/m) e/ou elevado índice de acidez (0,15 mg
KOH/g). Estes ensaios determinam se o óleo está oxidado (envelhecido) ou contaminado por
compostos polares. Neste caso, o óleo envelhecido ou contaminado pode ser substituído por
óleo novo ou regenerado, desde que este último apresente as características físico-químicas
de óleo novo.
Da mesma forma, a regeneração do óleo é uma ação corretiva que se aplica quando o óleo
apresenta baixa tensão interfacial (acima de 18 mN/m) e/ou elevado índice de acidez (0,15 mg
KOH/g). Um OMI regenerado apresenta, normalmente, tensão interfacial próxima ou igual a 40
mN/m e índice de acidez próximo ou igual a 0,03 mg KOH/g. Ou seja, após a regeneração o
OMI recompõe as características de óleo novo. Neste processo, o óleo é percolado através de
um agente adsorvente (bauxita, atapungita ou terra Füller), no qual ficam retidos a maioria dos
compostos polares, gerando, ao final, um óleo com características físico-químicas próximas
das de um óleo novo, porém com um decréscimo na sua estabilidade à oxidação. Para
aumentar a estabilidade à oxidação é adicionado o antioxidante sintético di-terc-butil-p-cresol
(DBPC), normalmente na concentração de 0,3% (m/m). Após esta etapa o OMI é submetido ao
recondicionamento por termo-vácuo, para retirada de umidade e de gases. Em geral, o custo
do OMI regenerado, comparativamente ao do OMI novo, é cerca de 50% inferior.
Além da regeneração do OMI, pode ser realizado o tratamento do núcleo do transformador, que
contém basicamente cobre e papel. A secagem do núcleo (Hot Oil Spray) é uma ação corretiva
que se aplica quando o papel do isolamento sólido do transformador está contaminado com
elevado teor de água. Este tratamento é indicado para os casos nos quais o equipamento
elétrico não pode ser deslocado para manutenção em fábrica.
Manutenção no Papel Isolante
O envelhecimento do isolamento sólido depende das solicitações às quais o mesmo está
submetido no transformador. O processo é acelerado pelos efeitos combinados de
temperatura, umidade e oxigênio. São três os mecanismos predominantes que promovem sua
deterioração em transformadores em operação:
• Envelhecimento térmico – Sob ação do calor, a cadeia da celulose passa por modificações
nas suas ligações produzindo cadeias menores que a original (diminuição da massa molar). Os
produtos finais provenientes do envelhecimento térmico incluem água (H2O), óxidos de
carbono (CO e CO2), hidrogênio (H2) e compostos furânicos;
• Envelhecimento oxidativo – Na presença de oxigênio as ligações intermoleculares (ligações
de hidrogênio), que mantém as cadeias poliméricas unidas tornam-se mais fracas. Os grupos
hidroxila reagem convertendo-se em grupos carbonila (aldeídos e cetonas) e carboxila (ácidos).
O enfraquecimento das ligações glucosídicas pode levar à cisão da cadeia polimérica. No
processo de oxidação são produzidos CO, CO2 e H2O, que contribui numa reação secundária
de hidrólise;
• Envelhecimento hidrolítico – A água e os ácidos afetam a ligação glucosídica, causando
ruptura da cadeia. O resultado é o encurtamento da cadeia polimérica (diminuição da massa
molar) com o conseqüente enfraquecimento das fibras, desidratação e formação de compostos
furânicos.
A secagem de transformadores pode ser feita por vários métodos. A seguir, são listadas as
secagens mais utilizadas:
i. com ar quente: provoca danos à isolação sólida; i. com aquecimento e vácuo: o vácuo
permite a redução da temperatura e do tempo de aquecimento com conseqüente alívio para a
isolação sólida; i. com diferença de pressão de vapor (Vapour phase): constitui o mais moderno
e o menos agressivo para a isolação sólida; iv. com aquecimento e passagem de corrente
elétrica nos enrolamentos: habitualmente utilizado como coadjuvante; v. com circulação de óleo
aquecido: largamente utilizado, devido à facilidade de execução.
Em todos os casos, o nível aceitável de decréscimo no grau de polimerização (GP) da celulose
é de 5 a 10% do seu valor inicial.
4.3.2 TRANSFORMADOR PARA INSTRUMENTO (Tp e TC)
Os relés e medidores de grandezas elétricas, geralmente são conectados ao sistema de
potência através de transformadores de corrente (TCs) e/ou potencial (TPs). Dispositivos de
acoplamento capacitivo, atuando como divisores de tensão (divisores capacitivos ou TPCs), e
acopladores lineares, são também usados (TCs óticos).
Embora todos os TCs tenham o mesmo princípio de funcionamento, há de se considerar as
características de projeto que diferenciam os TCs de proteção dos de medição. As diferenças
básicas, são:
• Nos TPs não há distinção entre medição e proteção visto que quando ocorre sobretensões no
primário a corrente tende a afundar, não trazendo problemas quanto à saturação que ocorre
para valores de corrente elevados. Os TP’s têm classe de exatidão 0,3 , 0,6 e 1,2 % ,
determinadas de acordo com os paralelogramos de exatidão, onde são levados em conta os
erros de relação e fase;
• TCs de medição têm classe de exatidão 0,3 , 0,6 e 1,2 % , determinadas de acordo com os
paralelogramos de exatidão, onde são levados em conta os erros de relação e fase;
• TCs de proteção têm classe de exatidão 10% , onde é levado em consideração somente o
erro de relação. De acordo com a ABNT, considera-se que um TC de proteção está dentro de
sua classe de exatidão, em condições especificadas, quando o seu erro se mantém dentro dos
10%, para valores de corrente ou tensão até 20 vezes a corrente ou tensão nominal do mesmo;
• Os núcleos dos TCs de medição são feitos de materiais de alta permeabilidade magnética
(pequena corrente de magnetização, consequentemente pequenas perdas e pequenos erros),
entretanto entram em saturação rapidamente quando uma corrente no enrolamento primário
atinge um valor próximo de 4 vezes corrente nominal primária;
• Os núcleos dos TCs de proteção são feitos de materiais que não têm a mesma
permeabilidade magnética dos TCs de medição, no entanto só irão saturar para correntes
primárias muito superiores ao seu valor nominal ( da ordem de 20 vezes), refletindo
consequentemente em seu secundário uma corrente cerca de 20 vezes o valor nominal desta
(Fig. 4.17).
Figura 4.17 – Curvas de saturação de TCs de proteção e medição
[Link] Transformadores de Corrente (TCs)
Os enrolamentos primários têm geralmente poucas espiras, às vezes, uma única (sendo o
própio alimentador). Os enrolamentos secundários, ao contrário, têm muitas espiras. A eles são
ligados os circuitos de corrente de medidores e/ou relés. Segundo a ABNT, os valores nominais
que caracterizam os TCs, são:
a) Corrente nominal e relação nominal;
As relações nominais são indicadas da seguinte forma (exemplo): 120:1 , se o TC é 600-5 A.
Se há vários enrolamentos primários (série, série-paralelo e paralelo), indicase assim: 150 x
300 x 600 /5 A.
b) Classe de tensão de isolamento;
É definida pela tensão do circuito ao qual o TC vai ser ligado (tensão máxima de serviço). Os
TCs usados em circuitos de 13,8kV , por exemplo, têm classe 15 kV.
c) Freqüência nominal: 50 e/ou 60 Hz.; d) Carga nominal;
De acordo com a ABNT, as cargas padronizadas ensaio de classe de exatidão de
TCs , são: C2,5 ; C5,0 ; C7,5 ; C12,5 ; C25 ; C50 ; C75 ; C100 e C200 . A letra “C” se refere a
TC e o valor após, corresponde a potência aparente (VA) da carga do TC. Por exemplo, 5VA,
7,5VA, 12,5VA, etc. Todas as considerações sobre exatidão de TC está condicionada ao
conhecimento da carga secundária do mesmo. Os catálogos dos fabricantes de relés e
medidores fornecem as cargas que os mesmos solicitam aos TCs .
e) Fator de sobrecorrente (FS);
Expressa a relação entre a máxima corrente com a qual o TC mantém a sua classe de exatidão
e a corrente nominal. Segundo a ABNT e normas internacionais, o valor
máximo desse fator é igual a 20 vezes a corrente primária nominal. O FS é muito importante
para dimensionar os TCs de proteção, tendo em vista que os mesmos devem responder, de
acordo com sua classe de exatidão (±10%), a valores de corrente bastante severos nos seus
primários (correntes de curtos-circuitos).
f) Classe de exatidão;
A classe de exatidão empregada depende da aplicação (medição, controle e proteção):
1) TCs de medição – Por norma (ABNT), têm as seguintes classes de exatidão: 0,3, 0,6 e 1,2%
. A classe 0,3% é obrigatória em medição de energia para faturamento. As outras, são usadas
nas medições de corrente, potência, ângulo, etc..
Em geral, a indicação da classe de exatidão precede o valor correspondente à carga nominal
padronizada, por exemplo: 0,6-C2,5. Isto é, índice de classe = 0,6% , para uma carga
padronizada de 2,5 VA.
2) TCs de proteção - É importante que os TCs retratem com fidelidade as correntes de defeito,
sofrendo, o mínimo possível, os efeitos da saturação. Neste caso a característica mais
importante é que a saturação do seu núcleo só ocorra para valores em torno de 20 vezes o
valor da corrente nominal. A classe de exatidão para TCs de proteção é de 10%.
g) Fator térmico nominal (FT);
É o valor numérico que se deve multiplicar a corrente primária nominal de um
TC, para se obter a corrente primária máxima, que poderá suportar, em regime permanente,
operando em condições normais, sem exceder os limites de temperatura especificados para a
sua classe de isolamento. Segundo a ABNT, esses fatores são: 1,0, 1,3, 1,5 ou 2,0.
h) Limites de corrente de curta-duração para efeitos térmico e dinâmico.
É o valor eficaz da corrente primária simétrica que o TC pode suportar por um tempo
determinado (normalmente 1 s), com o enrolamento secundário curto-circuitado,
sem exceder os limites de temperatura especificados para sua classe de isolamento. Em geral,
é maior ou igual à corrente de interrupção máxima do disjuntor associado.
i) Limite de corrente de curta-duração para efeito dinâmico
É o maior valor eficaz de corrente primária assimétrica que o TC deve suportar durante
determinado tempo (normalmente 0,1 s), com o enrolamento secundário curtocircuitado, sem
se danificar mecanicamente, devido às forças eletromagnéticas resultantes. Segundo a norma
VDE, vale 2,5 vezes o limite para efeito térmico, nas classes entre 10kV e 30 kV ; e 3 vezes,
nas classes entre 60kV e 220 kV.
São classificados de acordo com o modelo do enrolamento primário, já que o enrolamento
secundário é constituído por uma bobina com derivações (taps) ou múltiplas bobinas ligadas
em série e/ou paralelo, para se obter diferentes relações de transformação.
Quanto aos tipos construtivos, os TCs mais comuns, são:
• Tipo primário enrolado: Este tipo é usado quando são requeridas relações de transformações
inferiores a 200/5. Possui isolação limitada e portanto, se aplica em circuitos até 15kV.
• Tipo bucha: Consiste de um núcleo em forma de anel (núcleo toroidal), com enrolamentos
secundários. O núcleo fica situado ao redor de uma “bucha” de isolamento, através da qual
passa um condutor, que substituirá o enrolamento primário. Este tipo de TC, é comumente
encontrado no interior das “buchas” de disjuntores, transformadores, religadores, etc..
• Tipo janela: Tem construção similar ao tipo bucha, sendo que o meio isolante entre o primário
e o secundário é o ar. O enrolamento primário é o próprio condutor do circuito, que passa por
dentro da janela.
[Link].2 Ligações Delta e Estrela
Os TCs são monofásicos e suas conexões mais usuais são em estrela (Figura 4.18)
ou delta (Figura 4.19). Para a adequada conexão de TCs , é indispensável a identificação
correta das polaridades dos mesmos.
Figura 4.18 – Conexão em estrela aterrada
Na ligação estrela, quando em condições normais de cargas balanceadas, apenas deverão
existir correntes de fase, porém na presença de desbalanços, a corrente residual
(Ires = IA + IB + IC), existirá e corresponderá a 3I0 (Figura 4.10 ), desde que haja caminho para
ela circular no sistema primário.
Fig. 4.19 – Conexão em delta
A ligação delta é utilizada, quando se requer correntes compostas ou a eliminação da corrente
de seqüência zero (I0). Quando adicionalmente for necessário a detecção de
I0 , utiliza-se um TC tipo janela, que alimentará unicamente o circuito de neutro (Figura 4.19).
[Link] Transformadores de Potencial (TPs)
O TP tem como principal função isolar os equipamentos ligados ao secundário de altas
tensões, fornecendo no secundário uma tensão proporcional à tensão primária, com certo grau
de precisão, dentro de uma faixa especificada para a tensão primária. A sua construção é
similar aos transformadores de potência e sua tensão nominal é Vpn ≤ 138 kV, sendo que os
mais comuns têm Vpn ≤ 15 kV. Podem ser divididos em:
TPI : Transformador de potencial indutivo usado até tensões de 138 kV;
TPC: Transformador de potencial capacitivo usado para tensões de 138 kV.
Esses transformadores têm os enrolamentos primários com mais espiras que o secundário,
mas são construídos com condutores mais finos. Do ponto de vista construtivo isto significa
maiores custos pela dificuldade de execução da tarefa (a chance de romper o fio fica muito
grande), sem esquecer a natural necessidade de maiores quantidades de isolamentos, para
tensões maiores. Desta forma é praticamente impossível bons projetos de TPs com tensão
primária nominais acima de 138 kV. Desta forma, é usual construir-se TPs indutivos até a
classe de tensão de 138 kV e para aplicações em sistemas com tensões superiores a 138 kV
utilizam-se TPs de 13,8 kV acoplados a um divisor de potencial capacitivo, denominados TPCs
(transformadores de potencial capacitivos).
Nos enrolamentos secundários são ligados em paralelo os circuitos de tensão de medidores
e/ou relés. Segundo a ABNT, os valores nominais que caracterizam os TPs, são:
a) Tensão nominal e relação nominal;
A tensão nominal secundária é normalizada em 115 V (F-F) ou 115/√3 (F-N), as
tensões nominais primárias mais comuns são 13.8 kV, 34.5 kV, 69 kV e 138 kV.
Como os TPs são empregados para alimentar instrumentos de alta impedância (voltímetro,
wattímetro, medidores de energia, relés de tensão, etc.) a corrente secundária é muito pequena
e por isto se diz que são transformadores de potência que funcionam quase em vazio.
São definidas três relações para o TP
• Relação de Transformação Nominal : sn pn n V
V k=
• Relação de Transformação Real : s p r V
V k=
É relação exata entre uma tensão qualquer aplicada ao primário do TP e o correspondente
valor exato verificado no secundário. Essa relação depende da curva de histerese (proporcional
na parte linear) e da carga do secundário.
• Fator de Correção de Relação: nrk kFCR=
È o fator pela qual deve ser multiplicada a relação nominal para se obter a relação real. Como
kr varia o valor de FCR também varia, por isso determina-se o valor inferior e superior de FCR
para cada TP, sob condições específicas, partindo-se daí o estabelecimento da sua classe de
exatidão. Na prática mede-se o valor da tensão no secundário e multiplica por kn obtendo-se o
valor ideal (transformador sem perdas) que será diferente do valor exato. Para se achar o valor
exato é necessário construir o diagrama fasorial do TP. As relações nominais são indicadas da
seguinte forma (exemplo): 120:1 , se o TP é 13.8 kV-115 V. Se há vários enrolamentos
primários, indica-se assim: 34.5 kV x 13.8 kV /115 V.
b) Classe de tensão de isolamento;
É definida pela tensão máxima de operação em qu e o TP pode ser submetido. Em circuitos de
13,8kV , por exemplo, têm classe 15 kV.
c) Freqüência nominal: 50 e/ou 60 Hz.; d) Carga nominal;
De acordo com a ABNT, as cargas padronizadas ensaio de classe de exatidão de
TPs , são: P12,5 ; P25, P75 ; P200 e P400 . A letra “P” se refere a TP e o valor após,
corresponde a potência aparente (VA) da carga do TP. Todas as considerações sobre exatidão
de TP estão condicionadas ao conhecimento da carga secundária do mesmo. Os catálogos dos
fabricantes de relés e medidores fornecem as cargas que os mesmos solicitam aos TPs .
e) Classe de exatidão;
A classe de exatidão empregada é dada por norma (ABNT) que são 0,3, 0,6 e 1,2% . A classe
0,3% é obrigatória em medição de energia para faturamento. As outras, são usadas nas
medições de tensão, potência, ângulo, etc. Não se tem TPs para proteção visto que na sobre
tensão as correntes não são elevadas não entrando em saturação, visto que a saturação é
influenciada pelas altas correntes.
f) Fator térmico nominal (FT);
Os TPs são projetados para suportarem uma sobre-tensão de até 10% em regime permanente,
sem que nenhum dano lhes seja causado.
[Link].1 Ligações dos TPs A ligação usual em TPs é a ligação estrela aterrada-estrela
aterrada.
Fig. 4.20 – Conexão em estrela aterrada
[Link] Erros dos TPs e TCs
Como qualquer outro equipamento, os transformadores para instrumento (TI) TPs e TCs
também não são perfeitos e apresentam erros. Estes erros ocorrem devido aos fluxos de
dispersão e perdas no núcleo e cobre dos circuitos primário e secundário. As normas NBR
6855 e NBR 6856 classificam os TI’s quanto à exatidão em três categorias, chamadas de
classe de exatidão.
[Link].1 Transformador de Potencial
Os TP’s utilizados com finalidade de medição são classificados em três classes de exatidão:
0,3 - 0,6 e 1,2. Considera-se que um TP está dentro da sua classe de exatidão, quando nas
condições especificadas, os pontos determinados pelos fatores de correção da relação (FCR) e
pelos ângulos de fase (γ) estiverem dentro do paralelogramo de exatidão.
[Link].2 Transformador de Corrente
Os TC’s utilizados com finalidade de medição são classificados em três classes de exatidão:
0,3 - 0,6 - 1,2. Considera-se que um TC está dentro da sua classe de exatidão, quando nas
condições especificadas, os pontos determinados pelos fatores de correção da relação (FCR) e
pelos ângulos de fase (β) estiverem dentro do paralelogramo de
exatidão. Para a verificação de um TI de medição quanto à sua exatidão, devem se utilizar os
paralelogramos de exatidão apresentados nas Figuras 4.21 e 4.2.
Figura 4.21 – Classe de exatidão 0,3 e 0,6 de Tcs.
Figura 4.2 – Classe de exatidão de Tcs e Tps de medição.
As coordenadas dos pontos a serem plotados nos paralelogramos são: eixo x =
Erro de Fase; eixo y = Erro de Relação ou Fator de Correção de Relação (FCR), cujos termos
são definidos como:
[Link].2 Erro de Fase (γ ou β) em Minuto
Devido aos fatores já citados, ocorre um defasamento entre a tensão/corrente do primário para
a tensão/corrente do secundário, o qual é chamado de erro de defasamento.
[Link].3 Erro de Relação e Fator de Correção de Relação
Além do erro de fase, ocorre que a relação nominal de um TI (relação entre o valor nominal da
grandeza primária e o valor nominal da grandeza secundária), não é exatamente igual à
relação real. Esta diferença é chamada de erro de relação. O erro de relação é geralmente
apresentado em % ou FCR, definido como o fator que multiplica a relação nominal (Kn), para
se obter a relação real (Kr). A relação entre o erro de relação e o FCR é dada por: Ep(%)=100-
FCR(%). Nos paralelogramos de exatidão apresentados, do lado direito são apresentados os
erros e do lado esquerdo os correspondentes FCR’s.
[Link].4 Fatores que Influenciam nos Erros dos TIs
Além dos erros intrínsecos já mencionados, existem alguns fatores de ordem externa que são
importantes considerar:
1) carga secundária (burden) dos TI’s
Cada TI é projetado e especificado para trabalhar com cargas secundárias padronizadas pela
ABNT, que pode ser consultada nas normas NBR 6855 e NBR 6856. Cargas ligadas ao
secundário maiores que as nominais podem causar erros acima das classes de exatidão
especificadas, além de influir na saturação dos núcleos.
2) Tensão/corrente primária
Os erros do TP ou TC dependem também dos valores aplicados no primário. Os erros são, em
geral, menores nos valores próximos aos nominais.
4.3.3 CHAVES SECCIONADORAS
As seccionadoras são equipamentos que seccionam um circuito e são chamadas de
equipamentos de manobra passivos, pois não podem ser manobradas em carga. As
seccionadoras podem ser classificadas conforme seu tipo construtivo (abertura horizontal e
vertical) e conforme sua posição na subestação (pantográficas, “by-pass”, chave de
aterramento, etc.). As chaves seccionadoras têm as seguintes funções:
• Isolar equipamentos ou linhas para a execução de manutenção;
• Manobrar circuitos (transferência de circuitos entre os barramentos de uma subestação);
• “Bypassar” equipamentos (p. ex. disjuntores ou capacitores série) para execução de
manutenção ou por necessidade operativa;
Os seccionadores somente podem operar quando houver uma variação de tensão
insignificante entre os seus terminais ou nos casos de interrupção ou restabelecimento de
correntes insignificantes. Também são fabricadas chaves seccionadoras interruptoras (baixa
tensão), do tipo manual ou automático, que são capazes de desconectar um circuito operando
a plena carga. As chaves seccionadoras podem ser construídas com um só pólo (unipolares)
ou com três pólos (tripolares). As primeiras são próprias para utilização em redes aéreas de
distribuição; o segundo tipo, normalmente, é utilizado em subestações de energia. Sobre os
dispositivos de seccionamento pode-se estabelecer:
• A posição dos contatos ou dos outros meios de seccionamento deve ser visível do exterior ou
indicada de forma clara e segura;
• Os dispositivos de seccionamento devem ser projetados e/ou instalados de forma a impedir
qualquer restabelecimento involuntário. Esse restabelecimento poderia ser causado, por
exemplo, por choque ou vibrações;
• Devem ser tomadas medidas para impedir a abertura inadvertida ou desautorizada dos
dispositivos de seccionamento, apropriados à abertura sem carga.
É necessário que sejam definidos os seguintes elementos para se poder especificar uma chave
seccionadora tripolar primária:
• Corrente e tensão nominal; • Tensão suportável a seco e sob chuva;
• Tensão suportável de impulso (TSI);
• Uso (interno ou externo);
• Corrente de curta duração para efeito térmico, valor eficaz;
• Corrente de curta duração para efeito dinâmico, valor de pico;
• Tipo de acionamento (manual, ou motorizada).
Figura. 4.23 – Chave seccionadora tripolar de baixa tensão. [Link] Chave Seccionadora
Tripolar de Baixa Tensão
É um equipamento capaz de permitir a abertura de todos os condutores não aterrados de um
circuito, de tal modo que nenhum pólo possa ser operado independentemente (Figura 4.23). Os
seccionadoras podem ser classificados em dois tipos:
a) Seccionados com abertura sem carga
É aquele que somente deve operar com o circuito desenergizado ou sob tensão. É o caso das
chaves seccionadoras com abertura sem carga.
b) Seccionados sob carga ou interruptor
É aquele que é capaz de operar com o circuito desde a condição de carga nula até a de carga
plena. Os seccionadoras de atuação em carga são providos de câmaras de
extinção de arco e de um conjunto de molas capaz de imprimir uma velocidade de operação
elevada.
[Link] Chave Seccionadora Tripolar de Alta Tensão
As partes principais de uma chave seccionada de alta tensão são mostradas na
Figura 4.24. Na Figura 4.25 estão apresentados os diversos tipos construtivos de
seccionadores normalmente utilizados em subestações de EAT/UAT. São muitos os fatores
que influem na escolha do tipo de seccionador a ser utilizado: nível de tensão e esquema de
manobra da subestação, limitações de área ou de afastamentos elétricos, função
desempenhada, tipo padrão já utilizado pela empresa, etc. Torna-se difícil, portanto,
estabelecer critérios para a escolha do tipo de seccionador a ser usado em determinada
situação. De qualquer forma, é possível fornecer determinadas características de alguns
seccionadores que podem influenciar na escolha do tipo a ser utilizado:
a) Os seccionadores de abertura lateral e de abertura central (1 e 7 na figura 4.25) acarretam
espaçamentos entre eixos de fases maiores que os demais, para manter o espaçamento fase-
fase especificado. Este fato torna-se mais crítico quanto maior for a tensão da subestação; b) O
seccionador de dupla abertura (4 da figura 4.25) é crítico para tensões maiores que 345kV. As
lâminas tornam-se muito longas e tendem a sofrer deformações principalmente nos esquemas
de manobra em que determinados seccionadores operam normalmente abertos; c) Os
seccionadores pantográficos, semi-pantográficos e verticais reversos (9, 6, 8 e 3) apresentam a
vantagem de economia de área, os três pólos não precisam necessariamente estar alinhados
como nos tipos de seccionadores com acionamento conjunto dos pólos e as fundações são
menores. Eventualmente os seccionadores pantográficos podem apresentar maior freqüência
de manutenção para o ajuste das articulações. Estes tipos de seccionadores apresentam maior
utilização como seccionadores de “by-pass” e como seccionadores seletores de barras.
1. Base ou estrutura 9Terminal da articulação
2. Mecanismo de operação 10. Terminal de espera 3. Coluna de porcelana 1. Mecanismo de
comando manual da lâmina principal 4. Coluna de porcelana rotativa 12. Mecanismo de
comando manual das lâminas de terra 5. Terminal de conexão 13. Haste de acionamento
conjunto das lâminas principais 6. Articulação de comando 14. Haste de acionamento conjunto
das lâminas de terra 7. Haste inferior da articulação principal 15. Lâmina principal 8. Haste
superior da articulação principal 16. Lâmina de terra
Figura. 4.24 - Componentes principais das chaves seccionadoras.
Seccionadores de EAT (242 a 550kV) e de UAT ( maior ou igual a 800kV), se tiverem lâminas
de terra, estas devem ficar localizadas no terminal da articulação a fim de se evitar formação de
efeito Corona nos contatos das lâminas principais quando o seccionador está aberto com um
terminal energizado e o outro aterrado. Da mesma forma, os seccionadores isoladores dos
disjuntores devem ter o terminal da articulação localizado do lado do disjuntor (Figura 4.18a)
Observar que no caso da figura 4.18b, onde o aterramento da linha é feito por um dos
seccionadores adjacentes ao disjuntor, a lâmina de terra está localizada do lado do terminal de
espera destes seccionadores.
Figura. 4.25 – Tipos construtivos de chaves seccionadoras.
Figura 4.26 – Posicionamento dos seccionadores de abertura vertical e localização das lâminas
de terra
Os acessórios normalmente solicitados em especificações de seccionadores e chaves de terra
são os seguintes:
• Conectores para fixação de tubos ou cabos aos terminais dos seccionadores;
• Conectores de aterramento para fixação dos cabos de aterramento à base dos
seccionadores;
• Indicador de posição das lâminas (aberta ou fechada);
• Dispositivos de intertravamento entre os mecanismos da comando manual e motorizados das
lâminas dos seccionadores;
• Dispositivos de intertravamento entre as lâminas principais e as de terra., etc.;
• Botoeiras, termostatos, lâmpadas indicadoras, contadores de operação, etc. para os
mecanismos de operação motorizados.
O mecanismo de operação dos seccionadores pode ser manual ou motorizado. A operação
manual dos seccionadores pode ser feita por uma simples vara isolante (p. ex. chaves-fusível
em redes de distribuição) ou por uma manivela (ou volante) localizada na base do seccionador.
A operação motorizada pode ser feita por um único mecanismo que, através de hastes,
comanda a operação conjunta de dos três pólos ou por mecanismos independentes para cada
pólo do seccionador (pantográficos e semipantográficos). Os seccionadores motorizados,
geralmente, também têm mecanismos de operação manual usados em caso de defeito do
mecanismo motorizado ou no caso de ajuste das lâminas durante os serviços de manutenção.
Figura 4.27 – Corte transversal de um disjuntor a vácuo