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Entendendo o Stalker na Psiquiatria

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machadoph82
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Olá! Você assistiu ou tem ouvido falar da minisérie Bebê Rena?

Pois é,
Bebê Rena está dando o que falar, impressionou muita gente, saiu até
no Fantástico e trouxe à tona um fenômeno social muito conhecido,
mas até então meio que colocado num plano cinematográfico, mas
que sim, existe, e é muito real. Estou falando do Stalker. O tema é
sério, porque, como a série bem retratou, a coisa pode virar caso de
polícia! E como a série trabalhou muito bem as questões psicológicas
dos envolvidos, as pessoas tem ficado curiosas para saber o que nós,
estudiosos da mente humana, temos a falar sobre isso. Meu nome é
Philipe Diniz, sou psiquiatra, e hoje quero conversar com vocês sobre
o que a psiquiatria até agora sabe sobre esse comportamento tão
intrigante e potencialmente perigoso.

Em primeiro lugar, eu preciso que vocês entendam que stalkear ou


assediar é um crime. Existem condições médicas que pela sua
natureza podem atenuar imputabilidade penal da pessoa que chega a
esse ponto, mas na maioria das vezes, as questões que levam uma
pessoa a se tornar um assediador não são de matéria médica, mas
sim psicológica. Só que independente da origem, pelo fato da coisa
poder ultrapassar o limite da segurança do objeto (objeto no sentido
psicológico mesmo, objeto de amor), todas elas exigem intervenções
muitas vezes legais, que acabam sendo terapêuticas. Na psiquiatria,
existe um grupo de transtornos chamados de transtorno delitantes
persistentes. Estes quadros tendem a começar na vida adulta, depois
dos 40 normalmente, e se caracterizam por delírios puros, sem outros
sintomas da Esquizofrenia, como alucinações (tipo, tipo ouvir vozes) e
mantem o sujeito preservado, funcional e muitas vezes imperceptível
para quem não convive com ele. Cada um deles recebe uma
denominação de acordo com o tema do Delírio. Mas antes de explicar
o transtorno, é preciso que vocês entendem o que é um delírio. Delírio
é um sintoma psicótico que se caracteriza por uma convicção
extraordinária (ou seja, uma certeza subjetiva), irremovível mesmo
que a realidade mostre o contrário, de conteúdo impossível. Ou seja,
a experiência de delirar é tão real para o delirante quanto o que você
acha que é real para você agora. Dito isto, temos a chamada
Erotomania ou Delírio Passional. Esse delírio ocorre da seguinte
forma: normalmente de forma súbita, por algum evento
aparentemente ordinário, o delirante passa a estar convicta de que o
objeto (objeto aqui é a outra pessoa, ok?) se apaixonou por ela. Isso é
importante, para ele a iniciativa é do objeto, ele que se apaixonou
primeiro, ele que manda tenta se comunicar por meios que só o
erotomaníaco entende, ele que está tentando fazer esse amor
acontecer. Normalmente o objeto tem uma posição superior, no
sentido de classe, posição ou fama, como uma celebridade, um
diretor, um médico (engraçado, isso ocorre muito com médicos, eu
conheço várias histórias, nem te conto). Ou seja, parece que existe
um patamar de admiração na cabeça da pessoa, necessário para criar
esse delírio. Pq isso não sabemos ainda, mas isso pode ser um bom
caminho de estudos pra gente entender a gênese desse tipo de
delírio. A pessoa começa a identificar sinais de comunicação em tudo
que a pessoa fala. Exemplo, eu tive um paciente erotomaniaco e o
objeto dele era o Mik Jagger. Toda entrevista que o Mik Jagger dava
ele interpretava as falas como sendo direcionadas a ele. Ele chegou a
comprar uma passagem um ir num determinado dia num bar em
Londres, pq o Mik Jagger falou que estava louco para acabar uma
turnê (que acabava na tal data) e poder tomar uma pinte sossegado
no tal pub. O interessante é que o erotomaniaco tende racionalizar a
conduta paradoxal do objeto. Tipo, vamos supor q essa pessoa q falei
tivesse ido num show e comprado um ingresso vip q daria a
oportunidade de conhecer o ídolo. Mesmo o ídolo sendo indiferente a
ela, ela iria criar uma razão para ele ter feito isso. E pior, em caso de
confrontação, elas exibem uma conduta paradoxal. O que é isso? É o
fenômeno de interpretar todas as negações de amor, não importa o
quão claras sejam, como afirmações secretas de amor. A coisa pode
crescer, chegando ao ressentimento e a raiva e acabar ficando
violenta. Estatisticamente o perfil de pessoas que desenvolvem tal
quadro é normalmente de uma mulher, solteira, pouco atraente, com
empregos de nível baixo, solitárias, retraídas, sexualmente pouco
ativas e que, para os amigos, tem um amante secreto bastante
diferente delas. Antigamente a gente chamava de namorado
Lombardi (o pessoal das antigas vai entender). Estas pessoas são
doentes, medicação não ajuda muito e a melhor alternativa para
ajuda-las é separá-las mesmo do contato com o objeto, quando isso é
possível.

Agora, voltando ao Bebê Rena, não é bem isso que observamos.


Havia ali um comportamento repetitivo, de uma pessoa claramente
perturbada, que se tornava obsecada amorosamente por qualquer um
que lhe desse atenção. Ela se apaixonava. Ela perseguia. Ela ficava
atras. Ela buscava tudo sobre a pessoa e agia. Obvio que também
sentia ciúmes, raiva, assediava não só o Beby Rena como ela
chamava, mas as pessoa do convívio dele. Ela tinha consciência da
ilegalidade do que fazia, mentia, criava coisas, manipulava. Ou seja,
temos aí situação mais ampla que, sim envolve a saúde mental, mas
permeia os limites sociais, com consciência. Havia uma angústia de
ser ou não amada. Não era um delírio. Até pq, na série mesmo,
vemos que o cara, por questões dele, alimentou aquilo. Ali foi chave e
fechadura. Estas pessoas até podem ter outros transtornos mentais
que necessitem der ajuda médica, mas a princípio precisamos evitar
que o pior aconteça. Bom, espero que tenham gostado. Caso esteja
vivendo isso ou conheçam alguém que esteja sendo assediado por
um stalker, não deixe isso crescer. Temos pessoas que precisam de
ajuda, outras que precisam de limites. Se proteja por meios legais e
deixe que as autoridades tomem medidas cabíveis, incluído
encaminhando os doentes para tratamento. O objetivo é que ninguém
saia ferido e que o assediador receba ajuda.

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