Diagnóstico e Cuidados na Gravidez
Diagnóstico e Cuidados na Gravidez
ALTERAÇÕES MATERNAS
Osteoarticular: acentuação da lordose, marcha anserina (10 pras 2), frouxidão ligamentar (progesterona)
Cardiovascular: ↓↓RVP / ↑DC /↓PA (maior queda no 2º tri; PA cai pois DC não sobe o suficiente)
o Edema MMII fisiológico no 3º trimestre
Hiperaldo 2º (reabsorção H20: manter volume), ↓pressão coloidosmótica e compressão VCI
Urinárias: ↑TFG em 50% (filtra por 2); ↓ureia/creatinina, glicosúria fisiológica
o Dilatação pielocalicinal discreta à direita é fisiológica (cuidado)
Respiratória: hiperventilação (↑expansão torácica e tempo de expiração: evitar acidose)
o Alcalose respiratória compensada fisiológica
Hematológicas: aumenta volume plasmático em 50% → anemia fisiológica da gravidez
o ↑ Plasma, hemácias, leucócitos; tendência pró-coagulante
Metabólicas: hipoglicemia de jejum/hiperglicemia pós-prandial (resistência à insulina → glicose para bb)
Gastrointestinais: relaxamento de m. liso (progesterona)
o EEI (refluxo), estômago (↑aspiração), intestino (↓peristalse = constipação)
o Relaxa vesícula (aumenta risco de cálculo) → se possível, realizar CVL no segundo trimestre
o Reduz secreção gástrica (diminui úlcera péptica)
PRÉ-NATAL
MECANISMO DO PARTO E
ASSISTÊNCIA
PREMATURIDADE
FR: HP RNPT, anemia, desnutrição, polidramnia/gemelar (distensão uterina), infecção, drogas, tabagismo
Predição: US morfológico (20-24sem) → colo curto (<20mm)
Prevenção: repouso (indicação universal, mas não há evidência), tto vaginose, cerclagem se indicado
o Progesterona vaginal/IM: se HP prematuridade ou colo curto ao US
TP prematuro: 2-3 contrações em 10min, dilatação progressiva >3cm, apagamento >80%
o Tocólise: parar contrações por 2-7d, permitindo corticoterapia → CI: sof fetal agudo, corioamnionite
Salbutamol, terbutralina: muitos efeitos adversos (evitar se cardiopata ou DM)
Indometacina: risco de fechamento precoce do ducto arterioso (não realizar após 32sem)
Nifedipina: primeira escolha (evitar se cardiopata)
Atosiban: antagonista da ocitocina → comorbidades ou >32sem (melhor, porém caro)
o Sulfato de magnésio (<32sem): neuroproteção
o Corticoterapia (24-34sem): beta ou dexa (ultrapassam placenta)
Reduz DMH, hemorragia intraventricular, enterocolite necrotizante e mortalidade neonatal
24-34 sem: 2x corticoide IM 24/24h + tocólise + ATBprofilaxia (penicilina cristalina)
> 34 sem: PARTO + avaliar profilaxia para GBS
AMNIORREXE PREMATURA
Ruptura antes do início de TP → diagnóstico: exame especular (padrão ouro: LA saindo por canal cervical)
Outros: pH aumentado, teste de cristalização positivo, USG (oligodramnia: se dúvida diagnóstica)
CD → sinais infecciosos: febre + 2 (leucocitose, taquicardia materna ou fetal, dor uterina ou líquido fétido)
o ATB (ampi+genta) + PARTO VAGINAL (cesárea: maior risco de sepse)
CD → sem sinais infecciosos
o >34sem: indução + profilaxia GBS
o <34sem: internação + corticoide + ATB (aumenta tempo de latência de TP) → não induzir
INDUÇÃO DE PARTO
ESTÁTICA
TRAJETO
Estreito superior → conjugata obstétrica: borda interna da sínfise púbica até promontório
o Conjugata diagonal + 1,5cm = obstétrica
Estreito médio → espinhas isquiáticas (plano zero de De Lee)
Estreito inferior → conjugata exitus: aumenta (retropulsão do cóccix); ângulo subpúbico > 90º
Dilatação
o Inicia com TP→ 3/4cm de dilatação progressiva + contrações: 2-3 em 10min, rítmicas e regulares
o Termina com dilatação total (10cm)
o Dieta: líquido claro (baixo risco); deambulação livre; evitar decúbito dorsal (lateral esquerdo ok)
BR com feto alto: evitar deambulação (risco de prolapso de cordão)
Criança insinuou ou bolsa íntegra: andar bastante
o Tricotomia s/ n na hora (↑infecção de sítio); não realizar enteróclise, amniotomia não é rotina
o Toques: a cada 1-2 horas
o BCF: 30-30min (baixo risco) ou 15-15min (PNAR) ao longo de todo trabalho de parto
Período expulsivo
o Inicia com dilatação total e termina após expulsão completa do feto
o Posição: semiverticalizada
o Água morna: analgesia não farmacológica (mas não há evidência que facilita expulsão)
o Ausculta: antes, durante e após contração → baixo risco: 15-15min / alto risco: 5-5 min
o Episiotomia (não é proteção de períneo): feto grande, fórceps (indicação relativa)
Episio mediana: menos dor, menos sangramento; risco de lesão do reto
Médio-lateral: mais dor, mais sangramento e mais lesão muscular; menos lesão de reto
o Proteção de períneo: manobra de Ritgen modificada
Secundamento (saída da placenta): até 30min → CD ativa: ocitocina + tração controlada de cordão
o 10ui ocitocina IM pós expulsão + manobra de Fabre (pescador: avalia se já descolou)
4º período: primeira hora do puerpério
o Hemostasia da ferida placentária
Miotamponagem (contração muscular)
Trombotamponagem
o Maior risco de hemorragia puerperal
Uma das 2 principais causas de morte materna, juntamente com os distúrbios hipertensivos)
PARTOGRAMA
Linha de alerta: diagonal no quadrado seguinte a abertura → não deve ser ultrapassada (mínimo 1cm/hora)
Linha de alarme: 4 quadrados depois
Anormalidades
o Fase ativa prolongada: dilatação progressiva <1cm/hora em 2 horas → ocitocina
o Parada secundária da dilatação: 2h sem dilatação → avaliar contrações
Contrações eficientes → desproporção céfalo-pélvica (cabeça não força colo e ele não abre)
Parada da dilatação + contrações boas → cesárea (não adianta ocitocina)
Contrações ineficientes → melhorar dinâmica: romper bolsa, ocitocina
o Parada secundária da descida: altura mantida por 1h após início de período expulsivo
o Período pélvico prolongado: descida lenta (mas não parou) → ideal: período expulsivo < 1h
Paciente com dilatação total e bb descendo devagar (não nasceu em 1h)
Parto vaginal instrumentalizado (fórceps) para diminuir período expulsivo OU cesárea
o Parto taquitócito: dilatação e expulsão < 4h → alto risco de laceração
HEMORRAGIAS DE 1ª METADE DA
GESTAÇÃO
Abortamento: cólica + sangramento abaixo de 20 semanas
Doença trofoblástica: útero maior que o esperado, imagem ao US, hiperêmese, hipertireoidismo
Gravidez ectópica: altos valores de beta-HCG sem saco gestacional ao US ou abdômen agudo
ABORTAMENTO
GRAVIDEZ ECTÓPICA
Implantação fora da cavidade uterina: trompa (+ comum região ampular), colo, corno uterino
FR: alterações de forma/função da trompa → HP cirurgia trompa, ectópica prévia, DIP, endometriose, fumo
Clínica → ectópica íntegra: atraso menstrual, dor abdominal e sangramento
o Ectópica rota: choque, sinal de Blumberg e Proust (abaulamento e dor no fundo de saco de Douglas)
USG: útero vazio + Beta-HCG acima de 1500 → beta-HCG >1500 ou atraso >6sem tem que ter bb no USG
o Beta-HCG de gestação normal duplica a cada 48h
Tratamento
o Expectante: ectópica íntegra/assintomática com HCG em queda → seguimento: queda semanal
o Medicamentoso: ectópica íntegra sem BCF + massa <4cm + beta-HCG < 5000
Metotrexate IM + acompanhar beta-HCG: dias 4 e dias 7 (queda de pelo menos 15%)
o Cirúrgico conservador (mantém trompa): ectópica íntegra + desejo reprodutivo
Salpingostomia/salpingoplastia videolaparoscópica
o Cirúrgico radical (salpingectomia): íntegra sem desejo reprodutivo, ectópica rota
Laparoscopia (paciente estável) ou laparotomia (instável)
SANGRAMENTOS DE SEGUNDA
METADE
Após 20 semanas: DPP, placenta prévia, roturas, trauma (DPP, trabalho de parto, rotura)
PLACENTA PRÉVIA
Placenta entre bb e colo (próxima ou sobre orifício: marginal, parcial, total) → confirmação: 3º tri (>28 sem)
Fatores de risco: idade > 35 anos, tabagismo, gemelar, multiparidade, cicatriz uterina (cesárea/curetagem)
Clínica: SANGRAMENTO → Progressivo, Repetição, Espontâneo, Vermelho-vivo, Indolor, Ausência de
hipertonia e sofrimento fetal agudo (P R E V I A)
Diagnóstico: exame especular + sangramento saindo do colo → USTV (confirma e classifica)
o Gestante + sangramento: jamais tocar sem passar espéculo
Conduta no sangramento → termo: interrupção
o Prematuro + sangramento intenso: interrupção
Sangramento moderado: corticoide (próximo sangramento pode indicar interrupção)
Via de parto → total: sempre cesárea / parcial: maioria cesárea / marginal: depende do sangramento
Complicações: RNPT, apresentação anômala, hemorragia pós-parto (restos/atonia), infecção puerperal
o Acretismo placentário: Mulher + cesárea de repetição (2+) + USG placenta prévia
USG placenta prévia: confirmar acretismo por RESSONÂNCIA (ainda no pré-natal)
CD Placenta acreta: invasão de esponjosa (endométrio) → tentar tto conservador, histerecto
CD Placenta increta (até miométrio) ou percreta (serosa): cesárea + histerectomia total
ROTURAS
DOENÇA HEMOLÍTICA:
INCOMPATIBILIDADE RH
Sensibilização: 1º contato de mãe Rh neg com Rh+ (geralmente parto) → imunoglobulina evita sensibilização
o MÃE Rh neg com variante DU neg + PAI Rh positivo e FETO Rh positivo
Seguimento (PNRH) → Coombs indireto (se negativo: mãe não sensibilizada)
o Mãe Coombs indireto negativo: repetir com 28, 32, 36 e 40 semanas
o Mãe Coombs indireto positivo: avaliar titulação mensalmente
Se < 1:16 (1:8, 1:4, etc) → acompanhar
Se maior ou igual 1:16 → risco significativo de hemólise →investigar anemia fetal
HP doença hemolítica grave: investigar anemia fetal direto
Coombs positivo: mãe naturalmente sensibilizada (não há indicação de imunoglobulina)
Lembrar que imunoglobulina positiva Coombs temporariamente
o Investigação de anemia fetal → doppler a. cerebral média (avaliar Vmáx do pico sistólico)
Vmáx >1,5 → cordocentese (padrão ouro: diagnóstico e tto) - hematimetria e transfusão s/n
Imunoglobulina anti-D: Coombs negativo + situações de risco OU rotina (28ª semana se mãe Rh-)
o Risco de sensibilização: todo sangramento na gravidez, exame invasivo fetal
Após parto de RN Rh+(ainda que aplicada com 28sem e Coombs temporariamente positivo)
o Na próxima gravidez, repetir avaliação (imunoglobulina de anterior não vale)
PRÉ-ECLÂMPSIA
Após 20sem: >140x90 + proteinúria >300mg/24h OU > 1+ na fita OU ptn/Cr urinária > 0,3 (amostra isolada)
o Proteinúria até 300mg tolerada na gestação
Fisiopatologia: ausência das ondas de invasão trofoblástica
o A. uterina (não gestante): ramo da ilíaca interna; emite a.espiraladas (que são pequenas e fechadas)
o Invasão trofoblástica: destruição da muscular das espiraladas → ↓resistência e ↑fluxo → ↓PA
1ª onda (1º tri) / 2ª onda (até 20sem) → normal: queda de PA no 2º trimestre
o Ausência da 2ª onda: ↑resistência placentária → insuficiência placentária → ↓fluxo fetal→ CIUR
o Lesão endotelial: ↑agregação plaquetária + inversão da relação tromboxano/prostaciclina
Liberação de vasoconstritores: ↑tromboxano → piora RVP ainda mais: doença progressiva
↓Prostaciclina (vasodilatador); plaquetopenia (marca gravidade: ↑agregação + consumo)
Lesões de órgão-alvo → RIM: endoteliose capilar glomerular (lesão característica, mas não patognomônica)
o Responsável pela proteinúria (não seletiva) da PE → edema (↓ pressão oncótica)
Proteinúria não seletiva, oscila ao longo do dia (pode não estar na amostra)
Pode ser evento tardio: HAS abre quadro→ endoteliose/proteinúria após semanas
o PE SEM PROTEINÚRIA: HAS >20sem + plaquetas <100000 OU Cr > 1,1 OU ↑2x TGO ou TGP
Sintomas cerebrais ou visuais (diplopia, escotoma, cefaleia), EAP
o Cr e ureia na gestante: metade do valor de não gestantes (↑TFG sobre em torno de 50%)
o Outras: necrose periportal (fígado)
FR: PE prévia (HP ou HF: fator imunológico associado)
o HP: AAS (1º tri até 12-16 semanas: antes de invasões) → melhora relação tromboxano/prostaciclina
o Exposição à placenta pela primeira vez (primigesta) ou excessiva (placenta grande: gemelar, mola)
o Vasculopatia: HAS, DM com vasculopatia, doença renal, LES → AAS
o Pacientes de alto risco + baixa ingesta de Ca: suplementar cálcio (previne PE nesse caso específico)
Classificação
o Leve (acompanhamento ambulatorial) → PA < 160x110 sem sinais de gravidade
o Grave (internação) → PAS ≥ 160 ou PAD ≥ 110
EAP / oligúria / Cr > 1,3
HELLP: hemólise + ↑enzimas hepáticas + plaquetopenia; pode ocorrer sem PE (raro)
LDH > 600 / esquizócitos / BT ≥ 1,2 / AST >70 / plaquetopenia <10000
Iminência de eclampsia: cefaleia, escotomas, hiperreflexia, epigastralgia (distensão da
cápsula hepática) → ruptura hepática pode ocorrer (raro)
Proteinúria: critério de gravidade questionável (má correlação prognóstica)
PRÉ-ECLÂMPSIA: MANEJO
Estabilização: internar + avaliar anti-hipertensivo (apenas PE + CRISE hipertensiva)
o Anti-hipertensivo: apenas se PA >160X110 / alvo: manter PAS 140-155 e PAD 90-100
Crise hipertensiva: hidralazina IV, labetalol IV, nifedipina VO
Manutenção: metildopa VO, hidralazina VO, pindolol VO
Nem toda PE grave recebe anti-hipertensivo (não confundir PE com HAS crônica)
Evitar: diurético, iECA; propranolol (risco de CIUR)
o Magnésio: toda PE grave (prevenção de eclampsia) ou eclampsia
Pritchard: ataque 4g IV + 10g IM + manutenção 5g IM 4/4h → dose IM dói; não demanda BIC
Esquemas IV (BIC): ataque 4g + manutenção: 1-2g/h OU ataque 6g + manutenção: 2-3g/h
Risco de intoxicação: reflexo patelar, FR (>16), diurese (sonda ou comadre: >25ml/h)
Oligúria < 25ml → risco de intoxicação: não suspender; apenas diminuir dose
Reflexo ausente ou FR <16 = intoxicação → suspender Mg + gluconato de Ca
Nunca realizar Mg IV sem bomba infusora (risco de intoxicação)
Tratamento: interrupção da gestação
o PE leve → conduta expectante até termo, conforme condições maternas e fetais
o PE grave → >34sem = PARTO
<34 sem: avaliar bem-estar fetal (internar: cardiotoco, doppler), corticoide → piora: PARTO
o Via: avaliar condições maternas (gravidade, BISHOP) e fetais (sofrimento) → pode ser vaginal
Parto apenas após estabilização (realizar Mg antes): nem a cesárea é imediata
Pré-eclâmpsia/eclâmpsia puerperal: corpo ainda está sujeito às modificações da gestação
o PE grave/eclampsia: internação + sulfato de magnésio (mesmo tto e dose)
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS
Eclâmpsia: PE + convulsão
HAS crônica: PA >140X90 antes de 20 sem → exceção: doença trofoblástica pode fazer PE antes de 20 sem
o Gestante + HAS crônica (na HAS crônica, não esperar até 160x110 para medicar)
Se droga única/dose baixa (ex: captopril 25mg): suspender e avaliar curva pressórica
Múltiplas drogas: suspender e iniciar metildopa; hidralazina VO se controle inadequado
PE sobreposta: HAS + PE → HAS prévia, DM, LES: avaliar proteinúria 24h no 1º tri (avaliar lesão renal prévia)
Hipertensão gestacional: PA > 140X90 após 20 semanas sem critério para PE + com melhora no puerpério
DIABETES GESTACIONAL
2ª metade da gestação: aumento na resistência periférica à insulina para priorizar glicose para feto
o Placenta secreta hormônios contrainsulínicos (principal: lactogênio placentário)
o Induz aumento da secreção de insulina → alguns pâncreas não conseguem compensar
o Glicose: atravessa placenta por difusão facilitada
Diagnóstico: único valor alterado
o 1º trimestre: glicemia jejum
GJ <92 → TOTG 75g (24-28 semanas)
GJ 92 a 125 → DMG
GJ >126 / glicemia aleatória >200 / A1C > 6,5 → DM prévio
o 2º trimestre: TOTG para gestantes com GJ <92
GJ >92 / após 1h >180 / após 2h >153 → DMG (apenas 1 valor alterado)
MS: GJ 92-125 / após 1h >180 / após 2h 153-199
GJ > 126 ou após 2h > 200 → DM PRÉVIO (A1C não permite diagnóstico)
Rastreio depende da situação social → viabilidade parcial: nova GJ ao invés de TOTG
Classificação Priscilla White → A: adquirido na gestação (A1: sem insulina / A2: com insulina)
o >B: DM prévio (D = doença vascular)
Conduta: DMG → dieta fracionada + atividade física (trata maioria); insulina se refratário
Conduta: DM prévio → INSULINA (escolha: gliburida e metformina parecem seguras, mas MS não libera)
o Se insulina prévia
1ª trimestre/pós parto: diminuir dose prévia
2º e 3º trimestre: aumentar dose prévia (↑hormônios contrainsulínicos)
Parto: avaliar condições → feto bem/mãe bem: indicação obstétrica
o Macrossomia, sofrimento fetal agudo → avaliar antecipação/cesárea
Complicações
o Macrossomia (hiperglicemia materna → hiperinsulinemia fetal)
o Distócia de espáduas (atenção para lesão de plexo/asfixia) → mesmo se <4kg: bb troncudo
Manobras: McRoberts, pressão suprapúbica; Kristeller nunca (violência obstétrica)
o Polidramnia (hiperglicemia materna → hiperglicemia fetal → diurese hiperosmolar)
o Neonatais: hipoglicemia (hiperinsulinemia fetal), policitemia (hipoxemia placentária relativa),
hiperbilirrubinemia (maior degradação de hemácias), hipocalcemia (causa obscura)
o Malformação: DM prévio (DMG não aumenta risco) → regressão caudal: típica (não a mais comum)
Prevenção: engravidar com A1C <6%
GESTAÇÃO GEMELAR
DOENÇAS DA TIREOIDE
Queda do TSH no início da gravidez (TSH é parecido com HCG = quando HCG sobe, produção de TSH diminui)
o Volta a subir no 2º tri (placenta assume sua função → suspensão do HCG)
↑Tireoglobulina, T4 e T3 totais (formas livres continuam normais)
Doenças da tireoide na gravidez
o TSH: aumentado (hipotireoidismo), diminuído (hipertireoidismo)
o T4 livre: diminuído (hipotireoidismo), aumentado (hipertireoidismo) ← T4 livre é mais fidedigno
o T4 total: diminuído/normal (hipotireoidismo), aumentado (hipertireoidismo)
Hipotireoidismo (causa mais comum: Hashimoto)
o Complicações: abortamento, PE, CIUR, DPP, prematuridade, déficit cognitivo
o Diagnóstico: TSH, T4 livre, anti-TPO (sinais e sintomas sugestivos ou FR: não é rastreio)
Nódulo da tireoide, idade materna avançada, HF, doença autoimune associada
o Tratamento: levotiroxina (TSH < 2,5) + TSH 2 meses após parto (ajuste de dose: quadro não some)
Hipertireoidismo (Graves): abortamento, PE, CIUR, prematuridade, crise tireotóxica, hipertireoidismo fetal
o Tratamento: propiltiouracil (escolha); metimazol (2º e 3ºtrimestre); betabloq (sintomáticos)
Tireoidectomia (contraindicação ao uso de antitireoidianos); iodo radioativo NÃO
DOENÇAS REUMATOLÓGICAS
CARDIOPATIAS
HEPATITE B
o HbEAG (replicação) positivo aumenta muito transmissão vertical
o Anti-HBS neg, HbSAg neg: vacinar + imunoglobulina se exposição
o HbSAg positivo: tenofovir entre 28-32 semanas se
HBeAG positivo + CV > 200000 ou ALT 2x limite superior
o Parto: via obstétrica; amamentação liberada
o RN: vacinar na sala de parto (0-2-4-6)
Mãe HBsAg positivo: bb recebe imunoglobulina na sala de parto
HEPATITE C
o Não possui profilaxia para transmissão vertical (rara)
o Não há tratamento materno (todos são teratogênicos)
o Parto obstétrico, sem contraindicação à amamentação
COLELITÍASE
o Aumento da produção de lama biliar (estrogênio) + esvaziamento biliar lento (progesterona)
o Tratamento: colecistectomia para casos sintomáticos → videolaparoscopia; preferência 2º trimestre
ESTEATOSE HEPÁTICA AGUDA DA GESTAÇÃO
o Náuseas e vômitos, icterícia com prurido, dor em hipocôndrio direito, PE (50%)
o Ddx HELLP: na esteatose, há hiperbilirrubinemia direta, hipoglicemia GRAVE (destruição do
glicogênio hepático), coagulopatia sem hemólise e sem plaquetopenia
SOFRIMENTO FETAL
Sofrimento fetal crônico: queda progressiva na oxigenação fetal → adaptação
o Geralmente durante pré-natal (PNAR): mãe alto risco (HAS prévia, DM prévia com vasculopatia, etc)
DMG e DM prévio sem vasculopatia → polidramnia e macrossomia
o Manifestações: CIUR, alterações no doppler, oligodramnia
o Oligodramnia: insuficiência placentária, CIUR, HAS; nefrotoxicidade fetal (iECA, AINEs), obstrução
TGU fetal (urina fetal: principal fonte de LA)
Agenesia de esôfago: feto não deglute → polidramnia
Sofrimento fetal agudo: queda abrupta na oxigenação fetal → não há adaptação (interrupção do parto)
o Geralmente pcte em PA ou em trabalho de parto (emergência)
o Hipertonia uterina, taquissistolia, alterações no BCF, no perfil biofísico fetal e cardiotoco
CIUR
FÓRCEPS
PUERPÉRIO
Mamas → colostro: 1º dia (até 48h: cesárea demora mais): ↓gordura; RN quer mamar o tempo todo
o Apojadura (descida): até 3º dia; risco de empedrar (bb não mama direito); pode haver hipertermia
Ovários: ovulação em 6-8 semanas
o Progesterona (pílula) pode ser iniciada logo no pós-parto, mesmo se aleitamento; não dar estrógeno
o DIU: pode ser inserido nas primeiras 48h
Útero: na cicatriz umbilical após o parto, intrapélvico em 2 semanas (não palpável por via abdominal)
Colo: fechado em 1 semana
Vagina: “crise vaginal” → atrofia + ressecamento no primeiro mês (prolactina)
Lóquios: até 4º dia avermelhados; 4-10 dias acastanhados; >10 dias esbranquiçados
o Vermelho após 2ª semana = restos? / odor fétido, febre, pus = infecção?
INFECÇÕES PUERPERAIS