ECONOMIA POLÍTICA
O que é economia? E qual a sua relação com o Direito?
❖ A economia é composta pelo mercado de certo país, que é composto de índices e
variações estipuladas por empresas relevantes a cada semana. O Direito se
relaciona com a economia em diversas formas, seja em questão de taxas
imobiliárias, problemas trabalhistas, entre outros.
❖ A economia está sempre mudando, e essas mudanças influenciam em diversos
fatores, incluindo o próprio papel do Estado.
Análise Econômica do Direito (AED) x Economia Política
❖ A AED traz a economia nas decisões jurídicas, como por exemplo, o custo e lucro do
crime cometido pelo delinquente.
❖ A Economia Política traz o estudo da evolução e transformação da economia e a
compreensão de seus aspectos. Ou seja, aborda de forma mais analítica e histórica
o tópico da economia.
Conceitos iniciais da E.P.
❖ Segundo Sandroni, em sua obra Dicionário de Economia, 2005, p. 273: “A
economia política é uma ciência que estuda as relações sociais de produção,
circulação e distribuição de bens materiais, definindo as leis que regem tais
relações. Procura também analisar o caráter das leis econômicas, sua
especificidade, sua natureza e suas relações mútuas. Nesse sentido, é uma ciência
fundamentalmente teórica, valendo-se de dados fornecidos pela economia descritiva
e pela história econômica. (...)”
❖ Mesmo com a questão de problemas econômicos tendo sido objeto de preocupação
de pensadores da Antiguidade clássica e da Idade Média, foi somente na era
moderna que surgiu o estudo científico desta questão.
❖ Ou seja, a economia é uma ciência social, que estuda a administração de recursos
escassos e como o indivíduo e sociedade decidem empregá-los, tendo o objetivo da
produção de bens e serviços e distribuí-los para seu consumo e satisfação de
necessidades.
➔ Microeconomia: Estuda o comportamento das unidades, tais como os
consumidores, as indústrias e empresas, e suas inter-relações.
➔ Macroeconomia: Estuda o funcionamento da economia em seu conjunto,
com o propósito de obter uma visão simplificada da economia. Quando
tratamos sobre Economia Política, estamos falando da macroeconomia.
➔ Necessidade: As necessidades de um indivíduo ou da sociedade em um todo
podem ser naturais (ex: comer, dormir) ou sociais (ex: festas). As
necessidades sociais ou coletivas partem de um indivíduo mas se tornam de
todos (ex: saúde, segurança, transporte).
1. Essas necessidades se caracterizam em primárias (vitais) ou
secundárias (civilizadas), e em materiais (comida, roupa, casa) e não
materiais (educação, justiça).
➔ Escassez: Representada pelos recursos econômicos limitados, que suprem
as necessidades humanas ilimitadas. A escassez se aplica para
necessidades primárias ou secundárias.
➔ Bens livres: Ilimitados, ninguém tem a sua posse e não são objetos de
estudo da economia (ex: sol, ar).
➔ Bens econômicos: Atendem as necessidades humanas, sendo elas materiais
ou não.
1. Os bens econômicos podem ser de caráter intermediário (ainda serão
transformados); final (prontos para consumo e uso); de capital
(auxiliam no processo de produção, como as máquinas); ou de
consumo (destinados para as necessidades).
2. Os bens de consumo podem ser duráveis (uso prolongado, como
carros, móveis e eletrodomésticos) ou não duráveis (produtos
perecíveis e moda).
Sistema Econômico
❖ A sociedade se organiza para realizar e desenvolver as atividades econômicas.
Assim, o sistema econômico se dá mediante a relação estabelecida entre os
agentes econômicos (empresas, setor público e famílias), e a forma que as forças
produtivas articulam-se e as relações sociais da produção.
❖ Informalidade: É importante ressaltar que a informalidade faz parte da economia e
do sistema econômico de um país. No Brasil, a informalidade é comum, e o governo
tenta auxiliar com a formalização por meio de programas e projetos como o MEI.
❖ Custo de oportunidade: O custo de oportunidade de um bem ou serviço é a
quantidade de outros bens ou serviços a que se deve renunciar para obtê-lo.
❖ Taxa SELIC: A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia, que influencia outras
taxas de juros do país, como taxas de empréstimos, financiamentos e aplicações
financeiras. A definição da taxa Selic é o principal instrumento de política monetária
utilizado pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação.
(fonte: [Link] Acesso em 11/09/2024.)
Organização de Mercados
❖ Concorrência perfeita: Estrutura de mercado em que há um grande número de
vendedores (empresas) e um grande número de consumidores, de tal forma que
uma empresa, isoladamente, por ser insignificante, não afeta os níveis de oferta do
mercado e, consequentemente, o preço de equilíbrio. Suas principais
características são:
➔ Mercado atomizado: Mercado com infinitos vendedores e compradores (não
há monopólio/monopsônio), de forma que um agente individual não consiga
afetar o preço de mercado. Este preço é um dado fixado para empresas e
consumidores (tomadores de preço). As empresas podem ser grandes, mas
não podem ter poder de mercado.
➔ Produtos homogêneos: Todas as firmas oferecem um produto conciso e
semelhante. Não há diferenças de qualidade neste mercado.
➔ Mobilidade de firmas: Não há barreiras para o ingresso de empresas no
mercado.
➔ Racionalidade: Empresários sempre maximizam lucro e os consumidores a
satisfação ou utilidade vinda do consumo de um bem, ou seja, os agentes
agem racionalmente.
➔ Transparência do mercado: Consumidores e vendedores têm acesso a toda
informação relevante sem custos, ou seja, conhecem os preços, qualidade,
custos, receitas e lucros dos concorrentes.
➔ Mobilidade de fatores: Trabalhadores são livres para trocar de trabalho, as
habilidades podem ser aprendidas facilmente, não há monopólio de matérias
primas/outros fatores de produção, não há sindicalização e não há
interferência governamental.
Monopólio
❖ Um monopólio é representado por uma única empresa produtora do bem/serviço
que forma preços, onde não há produtos substitutos próximos, e onde existem
barreiras à entrada de firmas concorrentes.
➔ Monopólio puro ou natural: Por conta da alta escala de produção requerida, é
exigido um elevado nível e quantia de investimento. Empresas
monopolísticas já estão estabelecidas em grandes dimensões e possuem a
condição de operar com baixos custos. Torna-se muito difícil alguma
empresa conseguir oferecer a um preço equivalente à firma monopolista.
Exemplo: CPFL; DAEM (únicas empresas que fornecem o serviço).
➔ Monopólio estatal ou institucional: Protegido pela legislação, normalmente
em setores estratégicos ou de infraestrutura. Exemplo: Correios (possuem
monopólio legal sobre a entrega de cartas e correspondências no Brasil).
➔ Patentes: Direito único de produzir certo bem, permitindo que ao investir em
pesquisa, a empresa usufrua de lucros extraordinários por um período de
tempo. Exemplo: Petrobrás (possui o maior portfólio de patentes ativas, com
mais de 1200 ativas, todas em torno da produção petroleira e
sustentabilidade).
➔ Controle de matérias-primas chaves: Nome autoexplicativo. Um dos
exemplos é o controle das minas de bauxita pelas empresas produtoras de
alumínio.
❖ Políticas públicas para monopólios: Alguns métodos abordados são o impedimento
de fusões e obrigação de divisões para tornar indústrias monopolizadas mais
competitivas (CADE), regulamentação dos monopólios e preços, transformar
monopólios privados em empresas públicas/estatais para sua regulamentação, etc.
E obviamente, uma das alternativas mais simples: não fazer nada.
❖ Concorrência imperfeita: É caracterizada pelas estruturas de mercado que se
apresentam entre a concorrência perfeita e o monopólio, onde existe mais de um
vendedor, porém, não é o suficiente para criar um mercado perfeitamente
competitivo.
➔ O Oligopólio é um bom exemplo de concorrência imperfeita, sendo um
mercado de poucos vendedores que oferecem produtos similares aos
demais. Neste mercado, existe a possibilidade de “cooperação”, agindo como
se fossem um monopólio, ou de agirem individualmente. Exemplo: Indústria
automobilística (GM, Fiat, Ford, Honda…). Existem alguns motivos para
oligopólios, como:
1. Economia de escala - oligopólios naturais: A economia de escala
ocorre quando o custo médio de produção diminui à medida que a
quantidade produzida aumenta, ou seja, quanto maior a produção,
menores são os custos por unidade. Oligopólios naturais surgem em
mercados onde as economias de escala são tão significativas que
apenas algumas empresas conseguem operar de forma eficiente.
Isso geralmente ocorre em setores que exigem grandes investimentos
iniciais e altos custos fixos, como infraestrutura, telecomunicações e
transportes.
2. Reputação da empresa como barreira para entrada no mercado.
3. Barreiras criadas pelo governo: Requisitos exigidos do governo para
empresas podem impedir que novas adentrem no mercado, como por
exemplo a obtenção de licenças ou registros, patentes, restrições de
importação, padrões de qualidade, impostos e taxações altas, etc.
❖ Cartel: É uma prática de combinação em prol de prejudicar terceiros explícita (ilegal),
muitas vezes chamada de conluio. Empresas se juntam e montam, como estratégia,
uma alta ou baixa de preços para derrubar os concorrentes e permanecerem
exclusivos no mercado (preços predatórios). É difícil provar a existência de cartéis,
porém, muitos citam como exemplo os postos de gasolina.
Mercado e Defesa da concorrência
❖ O CADE - Conselho Administrativo de Defesa Econômica: É considerado uma última
instância na esfera administrativa, responsável sobre a decisão final sobre a matéria
concorrencial. Ele desempenha, a princípio, três papéis importantes:
1. Preventivo (análise dos atos de concentração);
2. Repressivo (reprimir cartéis, vendas casadas, preços predatórios, acordos de
exclusividade, etc);
3. Educativo (difundir a cultura da concorrência).
❖ Princípio da livre concorrência: Previsto no inciso IV do art. 170 da Constituição
Federal de 1988, estabelece que a concorrência deve ser livre e não pode ser
limitada por empresas com poder de mercado. Cabe ao Estado garantir que essas
empresas não abusem de seu poder para prejudicar a concorrência.
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho
humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência
digna, conforme os ditames da justiça social, observados os
seguintes princípios :IV - livre concorrência;
❖ Mercado Relevante: Ele é constituído pelo menor espaço econômico onde uma
empresa atuando de forma isolada, ou grupo de empresas agindo de forma
coordenada, pode exercer o poder de mercado. Esse espaço é delimitado de forma
a identificar a área onde a concorrência é efetiva e onde os consumidores podem
encontrar substitutos próximos para os produtos ou serviços oferecidos. O mercado
relevante tem duas dimensões, sendo uma do produto e outra geográfica.
➔ Poder de mercado: Quando uma empresa tem capacidade de,
unilateralmente ou em coordenação com outras, aumentar seu lucro fixando
um preço acima do custo de forma não transitória.
❖ Quando um ato de concentração deve ser submetido ao julgamento do CADE?:
Segundo o art. 88 da Lei 12.529/2011, devem ser notificados atos de concentração
de qualquer setor da economia em que pelo menos um dos grupos envolvidos tenha
tido faturamento bruto equivalente ou acima de R$ 750 milhões, e pelo menos um
outro grupo com faturamento bruto equivalente ou acima de R$ 75 milhões. Os atos
de concentração econômica que precisam ser aprovados pelo Cade devem ser
analisados antes de serem realizados. Até a decisão final, as empresas envolvidas
devem manter a concorrência entre elas. Existem dois principais casos que
exemplificam bem os atos de concentração, sendo estes os seguintes:
➔ Caso AMBEV: A AMBEV é uma sociedade anônima que foi criada após uma
Fundação e duas empresas se reunirem sob o mesmo controle acionário das
respectivas companhias: Cia. Antarctica Paulista e Cia. Cervejaria Brahma.
Observou-se o problema de que a AMBEV possuia cerca de 73,5% do
mercado de cervejas do país após a sua integração.
A análise concluiu que a criação da Ambev aumentaria a produtividade,
melhoraria a qualidade dos produtos e geraria eficiências tecnológicas,
compensando os possíveis prejuízos à concorrência. Apesar da redução
significativa da concorrência no mercado de cervejas, o CADE aprovou a
operação em 29 de março de 2000, condicionada à assinatura de um Termo
de Compromisso de Desempenho (TCD) com vigência de 5 anos.
O TCD exigiu a venda da marca Bavária, a alienação de cinco fábricas, o
compartilhamento da rede de distribuição, a manutenção do nível de
emprego com programas de retreinamento e recolocação, a não imposição
de exclusividade aos pontos de venda e a adoção de medidas para alcançar
as eficiências da fusão.
➔ Caso Nestlé/Garoto: A Nestlé Brasil, subsidiária do grupo suíço Nestlé,
adquiriu a Chocolates Garoto com totalidade de seu capital social em
fevereiro de 2002, por conta da possível falência que a Garoto iria sofrer. No
entanto, observou-se que a junção de ambas as empresas tomava grande
porcentagem de grande parte do mercado nacional da época, com 88,5%
das coberturas de chocolate e cerca de 58,4% dos chocolates em geral.
O CADE concluiu, em 2005, que a Nestlé vendesse a Garoto a um
concorrente com participação inferior a 20% do mercado, por conta de sua
grande dominação. Porém, a Nestlé recorreu à justiça e conseguiu
suspender a decisão do Conselho no mesmo ano, que retornou em 2009
para ser julgado novamente.
Após anos e acordos que falharam, foi decidida a aprovação com restrições
da compra da Garoto em 2023, por conta do tempo decorrido e a alteração
profunda que foi sofrida no mercado.