0% acharam este documento útil (0 voto)
380 visualizações28 páginas

Roteiro - Romeu e Julieta

Enviado por

Max Oliveira
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
380 visualizações28 páginas

Roteiro - Romeu e Julieta

Enviado por

Max Oliveira
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

ROMEU E JULIETA?

CP2 NOITE 2022

Toda História É Uma História de Amor

Toda História, todo conto


Toda Saga ou musical
Seja simples, complicada

Seja falsa ou real


Seja história que comece
Muitos séculos atrás
Seja curta, resumida
Meia-hora e nada mais

Seja triste ou alegre


Com requintes ou nenhum
Sejam mil os personagens
Ou então talvez só um

Toda história nova ou velha


Obra -prima ou sem valor
Todas contam nossas falhas
Todas vão falar de amor

Esta é a história de um amor de um tempo próprio para odiar


De amantes que ninguém pôde separar
À beira do Nilo tudo começou
E foi de uma guerra que o amor brotou

NARRADOR – Olá! Eu sabia que vcs vinham… Prazer, meu nome é Domenico. A história
de Romeu e Julieta, contada há séculos, com certeza vocês já conhecem, mas hoje eu vou
lhes contar a história que EU ví, a história que EU viví. E na minha história esse romance
pode ter acontecido em qualquer tempo, outro século, ou hoje, ou quem sabe daqui a 10
mil anos…O local? Onde sua imaginação permitir. Agora o final vocês já sabem, não é?!
(Saindo)
(Volta)
Será! Que sabem mesmo? Ah! Vocês poderão me ver o tempo todo, mas eles…só me
veem quando eu deixo. Agora vamos, que o espetáculo precisa começar!

(Descongela as pessoas)

BELA – Parai, idiotas! Guardai vossas espadas. Não sabeis o que estais fazendo!
TEOBALDO – Volta-te, Bela! Encara tua morte.
BELA – Eu só quero a paz. Guarda tua espada.
TEOBALDO – Como, com a espada na mão me falas de paz? Eu odeio a palavra paz como
odeio o inferno, todos os Montéquios e tu. Luta, covarde!
(Bela não tem alternativa a não ser lutar com Teobaldo. Forma-se uma grande multidão,
incluindo os Senhores Capuleto e Senhores Montéquio. Quando a luta se torna mais
violenta, o príncipe de Verona entra com seus seguidores. Está furioso com ambas
famílias.)
PRÍNCIPE – Parai, inimigos da paz! Sob pena de tortura, atirai vossas armas ao chão E
ouvi a sentença de vosso príncipe. Três lutas entre os Capuletos e os Montéquios.
Quebraram o silêncio de nossas ruas. Se perturbardes nossas ruas novamente, Pagareis
com vossas vidas! Tu, Capuleto, vem comigo. E tu, Montéquio, vem a mim esta tarde. Sob
pena de morte, dispersai.

(Todos saem, menos Bela. Ela pega Romeu, da família Montéquio, se vestindo de mulher)

BELA – Mas o que isso significa, primo?

ROMEU – Não é o que pensas…

BELA – Fique tranquilo, eu acho que também sou um tanto esquisita assim.

ROMEU – Eu só coloquei esse vestido pra me sentir mais perto do meu amor. É um amor
tão delicado à primeira vista , tinha que se mostrar tirano e duro?!

BELA – E por quem estás apaixonado?

ROMEU – Por…(procurando um nome) Rosalina, mas ela não sabe.

BELA – Quem se apaixona pelos amigos de seus inimigos não ama a si mesmo. Segue
meu conselho, aprende a esquecê-la. E tira logo isso antes que te vejam assim. (Tira o
vestido dele)

ROMEU – Ensina-me como poderia esquecer de pensar! Amor é uma fumaça que se eleva
com o vapor dos suspiros. E o que mais é o amor? A mais discreta das loucuras.

BELA – Isso se faz dando liberdade aos olhos: examina outras belezas.

ROMEU – Mesmo aquele que fica cego de repente não consegue esquecer o tesouro
precioso que já avistara outrora . Não podes me ensinar a esquecer. Adeus prima.

(Eles saem.)

CENA 2

NARRADOR – Eis que se aproximam as senhoras Capuleto, respectivamente avó e mãe de


Julieta Capuleto.
SRA CAPULETO – Não podemos deixar Julieta solta no mundo. Precisamos encontrar um
parceiro que a proteja durante toda vida.
MÃE CAPULETO – Fique tranquila, sogra. Já tenho tudo armado. O jovem Páris já me
pediu a mão da jovem Julieta em casamento. A propósito, eis que ele vem se aproximando,
mas não a entreguei de bandeja. Façamos um charme.
PÁRIS – Mas que belo encontro. Estava mesmo procurando as senhoras. Pois então, o que
me dizes? Conceder-me a mão da adorável Julieta?
SRA CAPULETO – Minha neta ainda não viu o fim dos quatorze anos.
PÁRIS – Outras mais moças do que ela já são mães felizes.
SRA CAPULETO – E muito cedo murcham aquelas que se casam cedo demais. Ela é a
dona e a esperança do meu mundo. Deixa mais dois verões passarem.
MÃE CAPULETO – Antes de acharmos que ela está pronta para ser uma esposa, namora-a
gentil Páris, conquiste teu coração. Eu pensei em dar uma festa esta noite. Convidei muitas
pessoas e tu está entre elas. Venha à festa. Será uma ótima oportunidade para ganhar o
coração de Julieta.
(Capuleto chama Ama e dá-lhe um papel com o nome das pessoas a serem convidadas
para a festa daquela noite.)
CAPULETO – Vai, Ama; encontra as pessoas cujos nomes estão escritos aí.
(Capuletos sai com Páris. Ama olha o papel, mas não pode ler. Ela vê Bela e Romeu
entrando e vai até eles pedir ajuda.)
BELA – Cala-te, homem! Um fogo apaga outro fogo.
AMA – Que Deus vos dê boa tarde, senhor. Por obséquio, sabeis ler?
ROMEU – Sim, meu próprio destino em minha desgraça.
AMA – Isso aprendestes sem livro; mas, por favor, sabeis ler qualquer coisa que vejais?
ROMEU – (Depois de ler a lista) Quanta gente! Onde estes convidados devem ir?
AMA – À nossa casa.
ROMEU – Casa de quem?
AMA – Do meu senhor. Meu senhor é o grande e rico Capuleto: e, se não fordes da casa de
Montéquio, eu vos peço para vir e beber uma taça de vinho esta noite.
(Quando o criado sai, Bela tem uma ideia. Ela e Romeu irão à festa dos Capuletos. Então,
Romeu poderá comparar seu amor com todas as outras belas garotas. Talvez isto cure sua
paixão.)
BELA – (Para Romeu) A esta mesma festa dos Capuletos irá a adorável Rosalina que tu
tanto amas. Vai e compara seu rosto com alguns que lhe mostrarei.
ROMEU – Eu irei, não para ver tais belezas. Mas para regozijar-me na beleza da minha
adorada.
(Eles saem)

CENA 3
O cenário é um cômodo na casa dos Capuletos. A mãe de Julieta está conversando com a
velha ama que cuidou de Julieta desde o nascimento.

SRA CAPULETO – Ama, onde está minha filha? Chama-a aqui. AMA – Mas, por minha
virgindade, já lhe disse que viesse… Deus me perdoe! Onde está essa pequena? Julieta!

JULIETA – (Entrando) Olá? Quem me chama?


AMA – Vossa mãe.

JULIETA – Mamãe, estou aqui. O que desejas?

SRA CAPULETO – O assunto é este... Ama, deixa-nos sós um momento; precisamos falar
em segredo... Volta de novo, ama! Pensei melhor; deves ouvir nossa conversa. Dize-me,
Julieta minha filha, o que pensas do casamento?

JULIETA – É uma honra com a qual ainda não sonho.

SRA CAPULETO – Bem, pensa no casamento agora. O bravo Páris deseja-te para sua
esposa. O que me dizes? Podes amar este fidalgo?
AMA – Que homem, minha filha!
CAPULETO – Esta noite darei uma grande festa à fantasia. Aproveite o disfarce e
experimente seu futuro marido.
JULIETA –
AMA –
JULIETA –

CENA 4

NARRADOR – A cena que se segue é no salão da casa dos Capuletos. Presentes estão a
Sra. e a Mãe Capuleto, Julieta, Teobalda e os convidados fantasiados e com máscaras. A
música começa e todos dançam. Romeu, Mercúcio e Bela estão lá disfarçados.
ROMEU – Acreditai-me! Estais usando sapatos de baile de solas leves. Eu estou com uma
alma de chumbo, que me deixa preso ao solo sem poder mover-me.
MERCÚCIO – Está apaixonado! Pede emprestadas as asas de Cupido e sobe com elas
além dos limites comuns.
ROMEU – Por demais ferido estou pela flecha dele, para que possa voar com suas leves
asas.

MERCÚCIO – Se o amor é áspero contigo, sê áspero com ele. Dá-me uma máscara para
outra máscara. Que me importa se algum olhar curioso advirta agora minhas deformidades?
Eis aqui estas face grosseiras que se ruborizarão por mim!

CENA 5

ROMEU – (Para um criado) Que dama é aquela que enaltece a mão daquele fidalgo?
CRIADO – Não sei, senhor.
ROMEU – Oh, ela ensina as tochas a brilhar! Será que meu coração realmente tinha amado
até agora? Pois eu nunca vi beleza tão pura até esta noite.
(Teobaldo está próximo, com o Sr. Capuleto. Ele reconhece a voz de Romeu.)
TEOBALDO – Esta voz pertence a um Montéquio! (Para um criado) Trazê-me minha
espada rapaz! Agora, pela honra da minha família, matá-lo não será nenhum pecado.
CAPULETO – Qual é o problema, sobrinho? Porque estás tão perturbado?

TEOBALDO – Tio, este é um Montéquio, nosso inimigo.

CAPULETO – É o jovem Romeu, não é?

TEOBALDO – Ele mesmo, Romeu, aquele vilão.

CAPULETO – Diverte-te, gentil sobrinho, deixa-o em paz. E, para falar a verdade, Verona o
tem como um bom e educado jovem. Então, sê paciente, não lhe prestas atenção.

TEOBALDO – Não o suportarei aqui!

CAPULETO – Ele deve ser suportado! Quem é o dono da casa, tu ou eu? Vai! Vai! Tu te
zangas muito fácil. Esta brincadeira pode custar-te caro.

TEOBALDO – A paciência imposta, em união com minha cólera tenaz, fazem tremer minha
carne. Retirar-me-ei, mas esta intrusão que agora parece doce, ainda se tornará amarga.

(Romeu continua observando Julieta, do outro lado do salão. Seus olhares se cruzam.
Ambos são atingidos pelo amor. Romeu vai em sua direção. Alegremente, ela aceita dançar
com ele num canto sossegado.)

ROMEU – (Tocando a mão de Julieta) Se eu profanar, com minhas mãos indignas, este
santuário, esta será minha pena: meus lábios estarão prontos. Para amainar esse rude
toque com um terno beijo.

JULIETA – Bom peregrino, tu culpa demais tua mão, Que demonstra devoção e boas
maneiras. Pois os santos têm mãos que são tocadas por mãos de peregrinos. E palma com
palma é o beijo do peregrino.

ROMEU – Oh, então, adorada santa, deixemos os lábios fazerem o que as mãos fazem!
(Se beijam)
AMA – Senhora, sua mãe quer falar-vos.
ROMEU – (Para a Ama, depois que Julieta se vai) Quem é a mãe dela?
AMA - Ora, senhor, sua mãe é a dona da casa.
ROMEU – Ela é uma Capuleto? Oh, meu Deus!
(A festa termina, o Sr. Capuleto despede-se dos convidados. Quando eles saem, Julieta
chama a ama de lado e aponta para Romeu.)
JULIETA – Vem cá, ama. Quem é aquele cavalheiro?
AMA – Seu nome é Romeu, um Montéquio, o único filho do vosso maior inimigo.
JULIETA – Meu único amor! Que amor monstruoso é esse que me faz amar o inimigo?
AMA – O que é isto? O que é isto?
JULIETA – Um verso que aprendi com alguém com quem dancei.
AMA – Vem, vamos embora, todos os estranhos se foram.
(Elas saem)

ATO II

CORO – Agora, jaz o antigo desejo em seu seio de morte e uma nova paixão aspira a ser
herdeira. A beleza por quem suspirava e queria morrer o amante, perdeu o seu encanto,
comparada com a terna Julieta. Agora, Romeu é amado e ama, igualmente encantados
ambos pelo feitiço dos [Link] inimigo, não pode dela aproximar-se para alentá-la
com aquelas promessas que os amantes trocam entre si. Ela, do mesmo modo apaixonada,
conta ainda com menos meios para encontrar-se em algum lugar com seu novo amor. Mas
a paixão lhes dá força e meios, o tempo para se encontrarem, temperando tais
extremidades com extrema doçura.

CENA 1

BENVÓLIO – Romeu! Romeu! Cego é seu amor e a obscuridade lhe convém mais.

MERCÚCIO – Vamos, porque é inútil procurar quem não quer ser encontrado.

(Saem. Romeu sai do esconderijo.)

ROMEU – Ri das chagas quem jamais foi ferido!


Mas silêncio! Que luz será aquela que brilha na moldura da janela?
É o nascente, e Julieta é o Sol!
Surge, formoso sol, e mata a invejosa lua, já doente e pálida de desgosto, vendo que tu, sua
serva, és bem mais linda do que ela.
É a minha amada! Oh, é o meu amor! Se ela soubesse o que ela é para mim!
Que modo de apoiar o rosto sobre a mão! Oh, quem me dera ser a luva dessa mão, Para
poder tocar aquele rosto!

JULIETA – Oh, Deus!

ROMEU – Ela fala! Fala mais, anjo luminoso!

JULIETA – Romeu, Romeu! Onde estás meu Romeu? Renega o teu pai e abdica o teu
nome;
E, se não tiveres coragem; jura que me amas, E eu deixarei de ser Capuleto.

ROMEU – (Consigo mesmo) Devo ouvir mais ou devo responder?

JULIETA – Apenas teu nome é meu inimigo! Embora sejas um Montéquio.


O que é um nome? Aquilo que chamamos de rosa, Terá o mesmo aroma doce com
qualquer outro nome. Romeu, livra-te do teu nome,
E, pelo teu nome, apodera-te de mim.

ROMEU – Serei teu à tua ordem!


Apenas chama-me de amor e terei novo nome; Então, jamais serei Romeu.

JULIETA – Como chegaste até aqui, dize-me, e por quê? As paredes do pomar são altas e
difíceis de escalar.
ROMEU – Com as leves asas do amor trampus estes muros, porque os limites de pedra não
servem de empecilho para o amor.

JULIETA - Poderás morrer, considerando quem tu és, Se algum de meus parentes te


encontrar aqui.
ROMEU - Há mais perigo em teus olhos, Do que em vinte espadas de teus parente!
Sê apenas doce e eu estarei protegido da ira deles.

JULIETA – Oh, gentil Romeu!


Se realmente amas, dize-o com fervor. ROMEU – Devo jurar?

JULIETA – Não jures por nada. Embora em ti esteja minha alegria, não me alegra o
juramento desta noite.
É muito audacioso, muito repentino.
Boa noite, boa noite! Que os sentimentos que aparecerem em teu coração sejam como
esses do meu peito!

ROMEU – Oh, partirás assim, deixando-me tão insatisfeito? JULIETA – Que satisfação

podes ter esta noite?

ROMEU – A troca das nossas juras de amor.

JULIETA – Se este teu amor é verdadeiro, com a finalidade de casamento, manda-me uma
mensagem amanhã.
E, aos teus pés, toda a minha ventura depositarei. E te seguirei, meu senhor, pelo mundo
afora.

ROMEU – Meu amor!

JULIETA – Boa noite, Boa noite! Partir é uma dor tão doce, que ficarei dizendo “Boa noite”
até amanhã.

ROMEU – Bendita noite! Quanto temo, sendo agora noite, que tudo isto não passe de um
sonho por demais encantador e doce.

CENA 2

FREI – Oh! Imensa é a graça poderosa que reside nas ervas, plantas, pedras e em suas
raras qualidades, porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum
benefício especial; nem há nada tão bom que desviado de seu verdadeiro uso, não
transtorne sua verdadeira origem caindo no abuso. A própria virtude se converte em vício
mal aplicada.
NARRADOR – A cena é no aposento de Frei Lourenço. Frei Lourenço é um velho amigo e
mestre de Romeu. Romeu contou ao Frei sobre seu amor por Julieta, e o santo homem
concordou em casá-los. Ele espera que este casamento possa terminar, de uma vez por
todas, com a briga entre as duas famílias. Romeu, mandou um recado a Julieta, através de
sua ama, para que ela o encontrasse no aposento do frei. Romeu e frei Lourenço entram.

FREI – Que os céus abençoem este casamento!


E que mais tarde não sejamos repreendidos com a dor! ROMEU – Amém, amém! Mas
nenhuma dor
Poderá superar a alegria
Que um instante me dá, ao lado dela.
Oh! Partamos! Importa-me agir depressa.

FREI – Sábia e calmamente, pois quem muito corre mais tropeça.

(Eles saem)

CENA 3

(Entram Mercúcio, Benvólio, Romeu, a ama de Julieta e seu criado, Pedro. Mercúcio
atormentando a ama.)

AMA – Pedro! Meu leque Pedro!

MERCÚCIO – Bondoso, Pedro, para esconder-lhe o rosto; pois o mais belo dois dois é o
leque.

AMA – Que é isto?

ROMEU – Minha senhora, um homem que Deus criou para perder-se a sim mesmo.

AMA - Muito bem falado! Cavalheiros, algum de vó pode dizer- me onde posso encontrar o
jovem Romeu?

ROMEU – Eu sou o mais jovem deste nome, em falta de outro pior.

AMA – Se vós sois ele, senhor, desejo fazer-vos uma confidência.


MERCÚCIO – Alcoviteira! Alcoviteira! Alcoviteira! Olá! (Mercúcio levanta a saia da ama.)

ROMEU – Que encontraste?

MERCÚCIO – Nenhuma lebre rapaz, a não ser uma dessas que são servidas em empadas
na Quaresma, ficam passadas e mofadas antes de serem consumidas. (Saem Benvólio e
Mercúcio.)

ROMEU – Dize-lhe que descubra algum pretexto para ir eta tarde confessar-se e lá, na cela
de Frei Lourenço, ele nos confessará e casará.

AMA – Lá estará! CENA 4

NARRADOR – Assim, Romeu, na capela, Com Julieta se casou!


Debaixo dos pé de Cristo Foi que ele se ajoelhou
E, diante de Deus, por ela, Amor eterno jurou!

(Simultaneamente à narração acontece o casamento)

ATO III CENA 1

A cena é uma rua em Verona, mais tarde, no dia do casamento de Romeu e Julieta.
Benvólio e Mercúcio entram. Do outro lado vem Teobaldo com seus amigos.

BENVÓLIO – Pelos céus, eis os Capuletos! MERCÚCIO – Pelos infernos. Eu não me

importo...

TEOBALDO – Cavalheiros, bom dia. Uma palavra com um de vós.


MERCÚCIO – Só uma palavra com um de nós? Juntai-s com alguma outra coisa, para que
sejam uma palavra e uma estocada!

TEOBALDO – Bastante disposto me acharei para isto, senhor, se me derdes ocasião.

MERCÚCIO – Não poderíeis achar uma ocasião sem que ela vos fosse dada?

(Entra Romeu)

TEOBALDO – Ficai em paz, senhor, está chegando o meu homem.


Romeu, o sentimento que tenho por ti não pode ter Termo melhor do que este: Tu és um
Patife!

ROMEU – Teobaldo, patife eu não sou. A razão que tenho para estimar-e desculpa o ódio
de semelhante saudaçã[Link] tanto adeus. Vejo que não me conheces.

TEOBALDO – Rapaz, isto não desculpa as ofensas


Que tu me fizeste, portanto, vira-te e desembainha a espada!

ROMEU – Eu afirmo que jamais te ofendi,


E, então, bom Capuleto – Cujo nome eu prezo tanto quanto o meu próprio – fica satisfeito.

MERCÚCIO – (Zangado por Romeu estar recebendo tais insultos de Teobaldo.) Teobaldo
seu cachorro!

TEOBALDO – Que queres comigo?

MERCÚCIO – Bom Rei dos Gatos, nada, a não ser uma de tuas nove vidas.

(Teobaldo e Mercúcio desembainham suas espadas e começam a lutar.)


ROMEU – Bom Mercúcio, guarda tua espada. Ajuda, Benvólio; desarma-os.
Cavalheiros, que vergonha! Parai com este ultraje! Teobaldo, Mercúcio, o Príncipe
Proibiu as brigas nas ruas de Verona. Para, Teobaldo! Bom Mercúcio!

(Romeu tenta parar a briga, ele se coloca entre os dois homens, porém, fica na frente só de
Mercúcio. Teobaldo vê uma oportunidade e passa sua espada sob o braço de Romeu,
atingindo Mercúcio. Quando Mercúcio cai, Teobaldo volta-se e foge.)

MERCÚCIO – Estou ferido. BENVÓLIO – O que? Estás ferido? MERCÚCIO – Ai, ai, é só

um arranhão.

ROMEU – Coragem, homem! O ferimento não deve ser sério.

MERCÚCIO – Não, não é tão profundo como o poço, nem tão grande como uma porta de
igreja; mas é o suficiente. Que caia uma praga sobre as vossas famílias! Com mil demônios,
um cachorro, um rato, um gato, arranhando um homem até a morte. Porque diabos tinhas
que ficar entre nós, Romeu? Fui ferido sob o teu braço.

ROMEU – Eu só pensei no melhor.

MERCÚCIO – Ajuda-me a entrar em alguma casa, Benvólio, Senão, vou desmaiar. Que caia
uma praga sobre ambas as famílias!

(Benvólio ajuda Mercúcio a sair, Romeu fica e culpa-se por ter sido um covarde.)

ROMEU – Meu amigo foi ferido mortalmente


Por minha causa – Minha reputação foi manchada com a maldade de Teobaldo – Teobaldo
que há pouco tornara-se meu parente. Oh doce Julieta, tua beleza enfraqueceu-me!

(Benvólio volta da casa.)

BENVÓLIO – Oh, Romeu, Romeu, o bravo Mercúcio está morto! E aí vem o furioso
Teobaldo novamente.

ROMEU – Teobaldo vitorioso e vivo, e Mercúcio morto?


(Teobaldo entra.)

ROMEU – Agora, Teobaldo, Devolvo-te o “Patife” Que há pouco me deste; pois a alma de
Mercúcio Está um pouco acima de nossas cabeças, Esperando pela tua, para lhe fazer
companhia. Ou tu ou eu, ou nós dois, deverá ir com ele.

(Os dois homens começas a lutar. Romeu atravessa Teobaldo com sua espada, e Teobaldo
cai morto.)

BENVÓLIO – Romeu, foge, foge!


Os cidadãos estão acordados, e Teobaldo morto.
O príncipe te condenará à morte se fores apanhado. Rápido, foge!

(Romeu desaparece e o príncipe entra com os Capuletos, os Montéquios e os cidadãos.)

PRÉNCIPE – Benvólio, quem começou esta luta sangrenta?

BENVÓLIO – Teobaldo, que aqui está, morto pela mão de Romeu.


Depois que Teobaldo tirou a vida do vigoroso Mercúcio.

SRA CAPULETO – Ele é parente dos Montéquios;


Sua lealdade faz com que ele seja falso, ele não fala a verdade. Teobaldo, meu querido! Oh,
filho do meu irmão!
Príncipe, eu imploro por justiça, a qual Vossa majestade deve fazer.
Romeu matou Teobaldo; Romeu não deve viver

PRÍNCIPE – Teobaldo matou Mercúcio; Romeu o matou. E por esse crime


Ele será imediatamente exilado deste lugar. Deixai Romeu partir depressa,
Mais uma coisa: quando ele for encontrado, sua hora terminou. A clemência seria
assassina, se perdoasse aos que matam. (Todos saem)

CENA 2
A cena é o pomar dos Capuletos. Julieta está lá, esperando por notícias de Romeu.

JULIETA – Para celebrarem seus amorosos ritos, basta aos amantes a luz de seus próprio
atrativos. E como o amor é cego, combina melhor com a noite. O amor, como a morte, não
precisa de muito espaço para acontecer.

(A ama – mensageira dos namorados – chega em lágrimas.)

AMA – Ah, meu Deus! Ele está morto! Ele está morto! Ele está morto!
Estamos arruinados, senhora! Estamos arruinados!
Que dia infeliz! Ele se foi, ele foi assassinado, ele está morto! Oh, Romeu, Romeu!
Quem poderia imaginar? Romeu!

JULIETA – Por que diabos atormenta-me assim? Romeu se matou?

AMA – Eu vi o ferimento, vi com meus próprios olhos! Aqui, bem no meio do peito.
Um cadáver, um terrível cadáver ensanguentado; Pálido, pálido como as cinzas, todo
coberto de sangue, Desmaiei com a visão.

JULIETA – Oh meu coração, para! Para de uma vez!

AMA – Oh, Teobaldo, Teobaldo, o meu melhor amigo! Oh, Teobaldo! Honesto cavalheiro!
Que eu tinha de viver para ver tua morte!

JULIETA – Romeu foi assassinado e Teobaldo morto? Meu prezado primo, e meu adorado
senhor?

AMA – Teobaldo está morto, e Romeu banido; Romeu, que o matou, foi banido.
JULIETA – Oh, Deus! A mão de Romeu matou Teobaldo? AMA – Sim, foi, foi! Que dia
infeliz, foi isso mesmo!
Que a desgraça caia sobre Romeu!
JULIETA – Amaldiçoada seja a tua língua
Por tal desejo! Ele não nasceu para a desgraça. A desgraça jamai pousará sobre Romeu.

AMA – Como pode falar bem daquele que matou vosso primo?

JULIETA – Devo falar mal daquele que é meu marido? Meu marido vive, a quem Teobaldo
teria matado;
E Teobaldo está morto, que teria matado meu marido.
“Teobaldo está morto, e Romeu banido.”
Romeu está banido – isto quer dizes que Pai, Mãe, Teobaldo, Romeu, Julieta, todos estão
mortos. – “Romeu está banido.”
Nestas palavras está a morte!
Onde estão meu pai e minha mãe, ama?

AMA – Chorando e gemendo sobre o cadáver de Teobaldo. Ireis até eles?

JULIETA – Eles lavam seus ferimentos com suas lágrimas. Minhas lágrimas devem cair
Quando as deles secarem – pelo exílio de Romeu!

AMA – Ide para o quarto. Eu encontrarei Romeu Para confortar- vos. Sei muito bem onde
ele está. Vosso Romeu estará aqui esta noite.
Irei até ele; está escondido no aposento de Frei Lourenço.

JULIETA – Oh, encontra-o! Dá este anel ao meu verdadeiro senhor. E pede-lhe para vir dar
se último adeus.

(Elas saem) CENA 3

A cena é o aposento do Frei Lourenço, Romeu está esperando o frei retornar com notícias
do julgamento do príncipe. O frei entra.

FREI – Romeu, vem cá, vamos, vem cá, homem.


ROMEU – Padre, quais são as notícias?

FREI – Trago-te notícias da sentença do príncipe. Não tua morte, mas teu exílio.

ROMEU – Ah! Exílio? Tem misericórdia, dize “morte”,


Não há vida fora dos muros de Verona, exilado daqui é ser exilado do mundo e o exílio do
mundo á a morte! Logo, exílio é morte sob um falso nome.

FREI – Mas o bom príncipe colocou a lei de lado,


E transformou a trágica palavra “morte” em “exílio”.
Isto é muita misericórdia.

ROMEU – Isto é tortura e não misericórdia. O paraíso esta aqui,


Onde vive Julieta; e cada gato, cachorro, camundongo, Cada coisa, por mais insignificante
que seja,
Vive aqui, no paraíso, e pode olhar para ela; Só Romeu não pode.

FREI – Seu tolo, ouve-me!

ROMEU – Oh, tu vais falas em exílio novamente. Chega, não fales mais!
Se fosses jovem como eu, Julieta teu amor,
Casado há apenas uma hora, Teobaldo assassinado, E, como eu, banido,
Então, poderias falar, poderias descabelar-te, E cair ao chão, como eu agora.

FREI – Vejo bem agora que os loucos não têm ouvido. (A ama bate na porta)

FREI – Levanta-te! Alguém está batendo! Bom Romeu, esconda-te!


Quem bate tão forte?

AMA – Deixai-me entrar e sabereis da minha missão. Venho a mando da Senhora Julieta.
FREI – Sê bem vinda então.

AMA – Oh! Santo frei, dize-me, onde está o fidalgo de minha senhora? Onde está Romeu?
FREI – Lá no chão, bêbado com suas próprias lágrimas. AMA – Da mesma forma está
Julieta.
Berrando e chorando, chorando e berrando. Levantai-vos, levantai-vos! Ficai de pé, sede
homem. Pelo amor de Julieta, por ela, levantai-vos!

ROMEU – Ama, disseste Julieta? Como está ela? Ela pensa que eu sou um assassino?
Onde está ela? E como está ela? E o que ela disse?

AMA – Oh! Ela não diz nada, senhor, apenas chora e chora; E então, cai na cama e começa
tudo de novo,
Chama por Teobaldo, e então, chora por Romeu. E cai na cama novamente.

(A notícia faz com que Romeu fique tão triste que ele tenta se matar com uma faca, mas a
ama impede-o)

FREI – És tu um homem? Tuas formas dizem que sim;


Tuas lágrimas são próprias de mulher , teus atos selvagens mostram
A fúria irracional de uma besta. Reage, homem! Tua Julieta está viva.
A lei que ameaçava com a morte tornou-se sua amiga, E transformou-se em exílio. Ouve-
me!
Vai até teu amor e conforta-a.
De manhã, deverás partir para Mântua, Onde deverás viver até que chegue a hora
De revelarmos teu casamento e pedir perdão ao Príncipe. Vai primeiro, ama. Dize a tua
senhora para fazer com que Toda a família vá dormir. Romeu está indo.

AMA – (Para Romeu) Meu senhor, direi a minha senhora que ireis.
ROMEU – Adeus. (Eles saem) CENA 4

A cena é um cômodo na casa dos Capuletos. O Sr. E a Sra. Capuleto entram com o Conde
Páris.

CAPULETO – Ocorreram coisas tão lamentáveis, rapaz, que não tivemos tempo de
convencer nossa filha.
Senhor Páris, acredito que minha filha me atenderá. Esposa, vai até ela, antes de ir dormir;
Dize-lhe sobre o amor de Páris. Qunta-feira, dize-lhe, Ela deverá se casar com este nobre
Conde.

PÁRIS – Meu senhor, quisera que quinta-feira fosse amanhã.

CAPULETO - Quinta-feira então.


Prepara-a, esposa, para esse dia de festa. Adeus, meu senhor.

CENA 5

(Romeu e Julieta começam, simbolicamente, a noite de Núpcias, a cena é interrompida pelo


narrador)

NARRADOR: O que se passou ali –digo ao público auditor- É impossível descrever, tal foi a
cena de amor!
Imagine, quem já tenha vivido um igual ardor. (A ama entra.)

AMA – Senhora! JULIETA – Ama?

AMA – A senhora sua mãe está vindo para o vosso quarto! (A ama sai.)
JULIETA – Então, janela, deixa o dia entrar e a vida sair. ROMEU – Adeus, adeus! Um beijo

e partirei.

NARRADOR -
Beijaram-se os dois amantes, se abraçaram docemente. Juraram que haveriam de se amar
eternamente.
E afinal se separaram, chorando o amor inocente.

SRA CAPULETO – Ainda chorando pela morte do primo? Será que conseguirás tirá-lo do
túmulo com suas lágrimas?
Estou te compreendendo, minha filha: choras não só a morte dele, como porque ainda está
vivo o que o assassinou, o infame Romeu.

JULIETA – Sim, senhora. Porque vive longe do alcance destas minhas mãos! Quisera que
só eu vingasse a morte de meu primo!

SRA CAPULETO - Controla-te. Um pouco de tristeza demonstra muito amor; Mas muita
tristeza demonstra alguma falta de inteligência. Agora vou te dar notícias muito agradáveis,
menina.

JULIETA – Que notícias, minha mãe?

SRA CAPULETO - Minha filha, bem cedo, na próxima quinta- feira de manhã, o bravo,
jovem e nobre cavalheiro, o Conde Páris – na igreja de São Pedro – fará de ti uma alegre
noiva.

JULIETA – Pela igreja de São Pedro, e São Pedro também, Ele não fará de mim uma alegre
noiva!
Imagino que é muita precipitação ter que casar
Com aquele que será meu marido, antes de conhecê-lo. Rogo-te para que diga ao meu
senhor e pai, mamãe.
Eu não quero casar ainda!

SRA CAPULETO – Aí vem teu pai. Dize-lhe tu mesma E vê como ele reage.

(O Sr. Capuleto entra com a ama.)


CAPULETO – Então, esposa? Contou a ela o nosso plano?

SRA CAPULETO – Sim, meu senhor; mas ela não concorda com nada disto!
CAPULETO – Como? Ela não concorda? Ela nem nos agradece?
Ela não está orgulhosa? Ela não vê que queremos o melhor para ela, que lhe arranjamos
tão valioso cavalheiro para ser seu noivo?

JULIETA – Bom pai, eu te peço de joelhos, Ouve-me com paciência.

CAPULETO – Cala-te, jovem espevitada! Presta atenção – está na igreja na quinta-feira Ou


nunca mais me olha na cara.

AMA – Deus a proteja!


Meu senhor, por favor, não a xingue tanto assim.

CAPULETO – Cala-te, sua tola resmungona! Isto me deixa maluco! Tê-la criado; e agora
conseguido um cavalheiro de família nobre, rico, jovem, e bem-educado, e, então, receber a
estúpida resposta: “Não casarei, eu não posso amar;
Sou muito jovem, rogo-te que me perdoes!” Pensa bem mulher; eu não estou brincando.
Quinta-feira está próxima; eu te darei ao Conde Páris, Ou, então, pedirás, passarás fome,
morrerás nas ruas, e, Pela minha alma, jamais te chamarei de filha novamente.

(Ele sai.)
JULIETA – Oh, minha mãe, não me abandones! Retarda este casamento por um mês, uma
semana!

SRA CAPULETO – Eu não direi uma palavra. Faça como quiseres, pois já fiz o que tinha
que ser feito contigo!
JULIETA – Oh, Deus! Como poderei impedir isto?
Meu marido está na terra; meu casamento, selado nos céus.
Ama, vai e dize a minha mãe que, por ter desagradado a meu pai, eu fui confessar-me com
Frei Lourenço.
Pedirei ajuda ao frei.
Se tudo o mais falhar, que eu tenha a coragem de morrer. ATO IV
CENA I

A cena é no aposento de Frei Lourenço. Conde Páris acaba de agendar o casamento com o
Frei. Julieta veio para pedir sua ajuda.

PÁRIS – Feliz encontro minha senhora e minha esposa!


JULIETA – Poderá ser, cavalheiro, quando for vossa esposa. PÁRIS – Esse “poderá ser” há
de ser, meu amor, na próxima
quinta-feira.

JULIETA – O que deve ser será. FREI – Verdade indiscutível.

PÁRIS – Vindes confessar com este padre?


JULIETA – Para responder, teria que confessar-me convosco. FREI – Cavalheiro,

precisamos ficar sozinhos.

(Sai Conde Páris)


Oh! Julieta, já sei da tua tristeza;

JULIETA – Dize-me, frei, como posso impedir isto?


Fala depressa. Prefiro morrer se não puderes ajudar-me. (Ela tira uma adaga do seu cinto e

ameaça matar-se.)

FREI – Para, filha. Eu vejo uma saída.


Se tiveres coragem, eu te darei um remédio.

JULIETA – E eu tomarei sem medo ou dúvida, Para ser uma pura esposa para o meu doce
amor.

FREI – Vai para casa, então. Fica contente e concorda Em casar com Páris. Amanhã é
quarta-feira.
Toma este frasco. Quando estiveres na cama, Bebe o seu conteúdo.
Quando ele passar por tuas veias,
Nenhum calor, nenhuma respiração indicará que tu vives; O rosado de teus lábios e de teu
rosto empalidecerá.
Dura e gelada, parecerás morta Por quarenta e duas horas,
E, então, acordarás como se estivesse num sono profundo. Agora, quando o noivo chegar
de manhã
Para tirar-te da cama, lá estarás, morta. Com tuas melhores vestes, descoberta, Deverás
ser colocada na velha tumba Onde jazem todos os Capuletos.
Neste ínterim, antes que acordes, Escreverei nosso plano para Romeu, E ele virá aqui; e
nós
Observaremos o teu despertar, e nessa mesma noite Romeu deverá levá-la embora para
Mântua.
E isto te livrará de tua tristeza.
(Julieta estende a mão e pega o frasco com a droga.) JULIETA – Dá-me, dá-me! Oh, não
tenho medo!
O amor me dá forças. Adeus, querido frei.

CENA 2

A cena é o quarto de Julieta. Anoiteceu. Ela disse a seu pai e a sua mãe que casará com
Páris na manhã seguinte. A ama e a senhora Capuleto ajudaram-na a escolher o vestido de
casamento e, agora, deixaram-na sozinha.

JULIETA – (Para sua mãe e a ama quando elas saem.) Adeus!


(Consigo mesma) Só Deus sabe quando nos encontraremos novamente.
Um gélido temor passa pelas minhas veias E quase congela o calor da vida.
Vem, frasco.
(Ela segura a droga nas mãos, porém sente medo.) E se esta mistura não funcionar?
Então estarei casada amanhã de manhã?
(Ela sente cada vez mais medo de tomar a droga.)
E se isto for um veneno que o frei
Me deu para que eu morresse mesmo, Pois poderiam culpá-lo
De ter me casado antes com Romeu? E se, quando eu estiver na tumba,
Acordar antes da hora de Romeu chegar
E, ali, morrer sufocada? É uma questão terrível! Ou, e se, ao acordar, não ficarei louca?
(Enquanto sua mente imagina todos os terrores da tumba, ela pensa que o fantasma de
Teobaldo apareceu para assustá-la.)
Oh, vê! Acho que vi o fantasma de meu primo Procurando por Romeu. Para, Teobaldo,
para! Romeu, Romeu, Romeu, eu bebo por ti!

(Ela ergue o fresco e bebe a droga e, então, cai sobre a cama como se estivesse morta.)

CENA 3

A cena é no quarto de Julieta na manhã seguinte. Todos os preparativos foram feito para o
casamento. A ama entra para aprontar Julieta.

AMA – Senhora! Senhora! Julieta!


Dorme uma semana seguida, porque na noite que vem o Conde Páris não vos deixará
descansar muito... Ficai certa. Deus me perdoe.
Como, vestida, e com as roupas do casamento, e dormindo de novo? Eu preciso acordar-
vos. Senhora! Senhora! Senhora!
(A ama sacode-a e tenta acordá-la, mas a droga já fez efeito e Julieta parece morta.)
Meu Deus, meu Deus! Socorro! Minha senhora está morta!

(A Sra. Capuleto entra.)


SRA CAPULETO – Que barulho é esse? O que houve? AMA – Olhai, olhai! Oh, dia infeliz!

SRA CAPULETO – Oh, não, não! Minha filha, minha vida! Socorro, socorro! Pede ajuda!

(O Sr. Capuleto entra.)


CAPULETO – Ora, que demora, trazei Julieta; seu noivo já chegou.

SRA CAPULETO – Oh, meu Deus, ela está morta, ela está morta, morta!

CAPULETO – Ah! Deixe-me vê-la. Meu Deus ela está gelada, e seus músculos estão rijos;
A morte repousa sobre ela como a geada, Sobre a mais doce flor de todo o campo.

(O frei entra com o Conde Páris.)

FREI – Então, a noiva está pronta para ir para a igreja?

CAPULETO – Pronta rara ir, mas para nunca mais voltar. Oh! Filho, na noite antes do dia do
teu casamento,
A morte esteve com tua esposa. Ei-la.

PÁRIS – Eu pensava, meu amor, em ver a luz desta manhã, E esta é a visão que tenho?

SRA CAPULETO – Infeliz, terrível dia!

CAPULETO – Oh, filha, filha!


Tu estás morta – e com minha filha, minhas alegrias serão enterradas!

FREI – Enxugai vossas lágrimas e, no vosso melhor traje, trazei-a para a igreja.

CAPULETO – Tudo o que preparamos para a cerimônia nupcial Torna-se agora em negro
funeral. Nossas flores nupciais, Agora cobrem um corpo desfalecido.

FREI – Senhor, entra e, senhora, vai com ele; Vai também, senhor Páris. Preparar-vos todos
Para seguir este nobre cadáver até sua tumba.

ATO V
CENA 1

A cena é uma rua em Mântua. Romeu está lá, esperando o mensageiro voltar de Verona,
com notícias de Julieta. O criado chega.

ROMEU – (Para o criado) Notícias de Verona! Muito bem, Trouxeste-me as catas do frei?
Como vai minha senhora? Meu pai está bem? Como passa a minha Julieta?

CRIADO – Seu corpo dorme na tumba dos Capuletos, E sua alma imortal vive com os anjos.
Eu vi seu corpo estendido na catacumba de sua família E vim de lá para avisar-vos.
Oh, perdoai-me por trazer essa terrível notícia, senhor.

(Romeu está estonteado pela notícia de que Julieta está supostamente morta.)

ROMEU – É assim, então? Pois eu vos desafio, estrelas! Trazei-me tinta e papel e
consegue cavalos.
(Sai criado.)
Bem, Julieta, estarei contigo esta noite. Vejamos de que jeito.

NARRADOR –
Romeu ficou como louco com a notícia que foi dada! Comprou então um veneno, cingiu ao
cinto a espada E partiu com o projeto de morrer junto da amada.
Selou depressa o cavalo, e, como um raio, partiu, Em galope cego e doido, como ninguém
nunca viu. E, a caminho de Verona, num momento se sumiu!

CENA 2

A cena é o pátio da igreja e a cripta pertencente aos Capuletos. Frei Lourenço descobriu
que a carta que ele enviou a Romeu, dizendo-lhe sobre a falsa morte de Julieta, não chegou
a seu destino. Ele também ficou sabendo que Romeu está vindo para Verona. Corre até o
pátio da igreja, mas outras pessoas já chegaram lá, antes dele. O Conde Páris foi colocar
flores no
túmulo de Julieta. Páris ouve passos e se esconde, quando Romeu entra com seu criado.

ROMEU – (Para o criado) Toma esta carta. Logo de manhã Entrega-a para o meu pai e
senhor. (Tira a tocha dele.)
Dá-me a luz. Pela tua vida eu te peço, Não tentes impedir-me em minha tarefa.
Se tentares, pelos céus, eu te arrancarei pedaço por pedaço E atirarei teus membros sobre
este pátio faminto.

CRIADO – Eu partirei, senhor, e não vos importunarei.

(O criado sai. Romeu abre a porta da catacumba e está prestes a entrar quando Páris sai do
ser esconderijo.)

PÁRIS – Então este é o Montéquio banido que assassinou o primo do meu amor. Para, vil
Montéquio! Obedece, e vem comigo; pois tu deves morrer.

ROMEU – Eu devo realmente; pois pela morte aqui eu vim. Bom e gentil jovem, vá embora e
deixa-me.
Eu te rogo, jovem, não ponhas outro pecado sobre minha cabeça. Oh, vá embora!

PÁRIS – Eu te desafio e te tomo como meu prisioneiro.

ROMEU – Queres enfurecer-me? Então, desembainha tua espada, rapaz!

(Ambos desembainham suas espadas e começam a lutar. Romeu atinge Páris. Ele cai.)

PÁRIS – Oh, fui morto! Sê misericordioso, Abre o túmulo e põe-me junto à Julieta.

(Ele morre.)

ROMEU – Deixa-me ver este rosto. Parente de Mercúcio, o nobre Conde Páris!
O que disse meu criado enquanto cavalgávamos? Acho que Ele me disse que Páris deveria
ter-se casado com Julieta.
Eu o enterrarei aqui, ao lado de Julieta. Sua beleza
Faz desse túmulo um lugar cheio de luz.
(Coloca o corpo de Páris na cripta; então vira-se para sua amada Julieta.)
Oh meu amor, minha esposa!
A morte, que sugou o mel do teu hálito, Ainda não teve poder sobre tua beleza. Olhos, olhai
pela última vez!
Braços, dá-lhe o último abraço! (Ele ergue a taça com o veneno.) Pelo meu amor!
(Bebe o veneno e beija Julieta pela última vez.) Oh, grande farmacêutico!
Tua droga é rápida. Então, com um beijo morrerei.
(Ele cai morto. Frei Lourenço entra no Pátio da igreja e se encaminha para a tumba, quando
Julieta começa a acordar.)

FREI – Romeu!
Oh, meu Deus que sangue é esse que mancha a entrada da tumba? Romeu! Quem mais?
Oh, Páris também? E coberto com sangue? A senhora se move.
JULIETA – Oh, frei! Onde está meu senhor?
Eu me lembro muito bem onde eu deveria estar, E aqui estou eu. Onde está meu Romeu?

FREI – Eu ouço barulho. Senhora, sai deste ninho de morte. Vamos, sai! Teu marido está aí,
morto; e Páris também.
Não pares para perguntar, pois o guarda está vindo.
Vamos, sai boa Julieta. Eu não ouso ficar nem mais um instante.

JULIETA – Vai, vai-te embora, porque eu não irei.


(O frei sai. Julieta vai para o lado do corpo de Romeu.)
O que é isto? Uma taça, nas mãos do meu verdadeiro amor? Compreendo, é veneno e
causou-lhe a morte.
Oh, Romeu! Bebeste tudo, sem me deixar nem mesmo uma gota. Para ajudar-me depois?
Beijarei teus lábios.
Talvez ainda reste um pouco de veneno neles Para matar-me também.
(Ela o beija.)
Teus lábios estão quentes!
(Ela ouve o barulho dos guardas vindo. Pega a adaga de Romeu e pressiona-a contra o
próprio peito.)
Que barulho é esse? Terei que ser rápida, oh feliz adaga! Descansa aqui, e deixa-me
morrer.
(Ela se apunhala e cai.)

NARRADOR –
Aí, algumas pessoas que foram ao cemitério
Ficaram muito espantadas com todo aquele mistério: Morto o casal, morto Páris, na entrada
do presbitério.

Depois, soube-se de tudo, porque o Frei contou. Capuleto muito triste, um túmulo preparou,
E os amantes, abraçados, dentro deles sepultou.

Somente depois da morte foi que puderam se unir, Tendo, os dois jovens corpos, já deixado
de existir, E nada mais, neste mundo, lhes sendo dado fruir.

(Ao longo da narração encaminha-se o enterro do casal, até chegar à imagem final.)

FIM

Você também pode gostar