Roteiro - Romeu e Julieta
Roteiro - Romeu e Julieta
NARRADOR – Olá! Eu sabia que vcs vinham… Prazer, meu nome é Domenico. A história
de Romeu e Julieta, contada há séculos, com certeza vocês já conhecem, mas hoje eu vou
lhes contar a história que EU ví, a história que EU viví. E na minha história esse romance
pode ter acontecido em qualquer tempo, outro século, ou hoje, ou quem sabe daqui a 10
mil anos…O local? Onde sua imaginação permitir. Agora o final vocês já sabem, não é?!
(Saindo)
(Volta)
Será! Que sabem mesmo? Ah! Vocês poderão me ver o tempo todo, mas eles…só me
veem quando eu deixo. Agora vamos, que o espetáculo precisa começar!
(Descongela as pessoas)
BELA – Parai, idiotas! Guardai vossas espadas. Não sabeis o que estais fazendo!
TEOBALDO – Volta-te, Bela! Encara tua morte.
BELA – Eu só quero a paz. Guarda tua espada.
TEOBALDO – Como, com a espada na mão me falas de paz? Eu odeio a palavra paz como
odeio o inferno, todos os Montéquios e tu. Luta, covarde!
(Bela não tem alternativa a não ser lutar com Teobaldo. Forma-se uma grande multidão,
incluindo os Senhores Capuleto e Senhores Montéquio. Quando a luta se torna mais
violenta, o príncipe de Verona entra com seus seguidores. Está furioso com ambas
famílias.)
PRÍNCIPE – Parai, inimigos da paz! Sob pena de tortura, atirai vossas armas ao chão E
ouvi a sentença de vosso príncipe. Três lutas entre os Capuletos e os Montéquios.
Quebraram o silêncio de nossas ruas. Se perturbardes nossas ruas novamente, Pagareis
com vossas vidas! Tu, Capuleto, vem comigo. E tu, Montéquio, vem a mim esta tarde. Sob
pena de morte, dispersai.
(Todos saem, menos Bela. Ela pega Romeu, da família Montéquio, se vestindo de mulher)
BELA – Fique tranquilo, eu acho que também sou um tanto esquisita assim.
ROMEU – Eu só coloquei esse vestido pra me sentir mais perto do meu amor. É um amor
tão delicado à primeira vista , tinha que se mostrar tirano e duro?!
BELA – Quem se apaixona pelos amigos de seus inimigos não ama a si mesmo. Segue
meu conselho, aprende a esquecê-la. E tira logo isso antes que te vejam assim. (Tira o
vestido dele)
ROMEU – Ensina-me como poderia esquecer de pensar! Amor é uma fumaça que se eleva
com o vapor dos suspiros. E o que mais é o amor? A mais discreta das loucuras.
BELA – Isso se faz dando liberdade aos olhos: examina outras belezas.
ROMEU – Mesmo aquele que fica cego de repente não consegue esquecer o tesouro
precioso que já avistara outrora . Não podes me ensinar a esquecer. Adeus prima.
(Eles saem.)
CENA 2
CENA 3
O cenário é um cômodo na casa dos Capuletos. A mãe de Julieta está conversando com a
velha ama que cuidou de Julieta desde o nascimento.
SRA CAPULETO – Ama, onde está minha filha? Chama-a aqui. AMA – Mas, por minha
virgindade, já lhe disse que viesse… Deus me perdoe! Onde está essa pequena? Julieta!
SRA CAPULETO – O assunto é este... Ama, deixa-nos sós um momento; precisamos falar
em segredo... Volta de novo, ama! Pensei melhor; deves ouvir nossa conversa. Dize-me,
Julieta minha filha, o que pensas do casamento?
SRA CAPULETO – Bem, pensa no casamento agora. O bravo Páris deseja-te para sua
esposa. O que me dizes? Podes amar este fidalgo?
AMA – Que homem, minha filha!
CAPULETO – Esta noite darei uma grande festa à fantasia. Aproveite o disfarce e
experimente seu futuro marido.
JULIETA –
AMA –
JULIETA –
CENA 4
NARRADOR – A cena que se segue é no salão da casa dos Capuletos. Presentes estão a
Sra. e a Mãe Capuleto, Julieta, Teobalda e os convidados fantasiados e com máscaras. A
música começa e todos dançam. Romeu, Mercúcio e Bela estão lá disfarçados.
ROMEU – Acreditai-me! Estais usando sapatos de baile de solas leves. Eu estou com uma
alma de chumbo, que me deixa preso ao solo sem poder mover-me.
MERCÚCIO – Está apaixonado! Pede emprestadas as asas de Cupido e sobe com elas
além dos limites comuns.
ROMEU – Por demais ferido estou pela flecha dele, para que possa voar com suas leves
asas.
MERCÚCIO – Se o amor é áspero contigo, sê áspero com ele. Dá-me uma máscara para
outra máscara. Que me importa se algum olhar curioso advirta agora minhas deformidades?
Eis aqui estas face grosseiras que se ruborizarão por mim!
CENA 5
ROMEU – (Para um criado) Que dama é aquela que enaltece a mão daquele fidalgo?
CRIADO – Não sei, senhor.
ROMEU – Oh, ela ensina as tochas a brilhar! Será que meu coração realmente tinha amado
até agora? Pois eu nunca vi beleza tão pura até esta noite.
(Teobaldo está próximo, com o Sr. Capuleto. Ele reconhece a voz de Romeu.)
TEOBALDO – Esta voz pertence a um Montéquio! (Para um criado) Trazê-me minha
espada rapaz! Agora, pela honra da minha família, matá-lo não será nenhum pecado.
CAPULETO – Qual é o problema, sobrinho? Porque estás tão perturbado?
CAPULETO – Diverte-te, gentil sobrinho, deixa-o em paz. E, para falar a verdade, Verona o
tem como um bom e educado jovem. Então, sê paciente, não lhe prestas atenção.
CAPULETO – Ele deve ser suportado! Quem é o dono da casa, tu ou eu? Vai! Vai! Tu te
zangas muito fácil. Esta brincadeira pode custar-te caro.
TEOBALDO – A paciência imposta, em união com minha cólera tenaz, fazem tremer minha
carne. Retirar-me-ei, mas esta intrusão que agora parece doce, ainda se tornará amarga.
(Romeu continua observando Julieta, do outro lado do salão. Seus olhares se cruzam.
Ambos são atingidos pelo amor. Romeu vai em sua direção. Alegremente, ela aceita dançar
com ele num canto sossegado.)
ROMEU – (Tocando a mão de Julieta) Se eu profanar, com minhas mãos indignas, este
santuário, esta será minha pena: meus lábios estarão prontos. Para amainar esse rude
toque com um terno beijo.
JULIETA – Bom peregrino, tu culpa demais tua mão, Que demonstra devoção e boas
maneiras. Pois os santos têm mãos que são tocadas por mãos de peregrinos. E palma com
palma é o beijo do peregrino.
ROMEU – Oh, então, adorada santa, deixemos os lábios fazerem o que as mãos fazem!
(Se beijam)
AMA – Senhora, sua mãe quer falar-vos.
ROMEU – (Para a Ama, depois que Julieta se vai) Quem é a mãe dela?
AMA - Ora, senhor, sua mãe é a dona da casa.
ROMEU – Ela é uma Capuleto? Oh, meu Deus!
(A festa termina, o Sr. Capuleto despede-se dos convidados. Quando eles saem, Julieta
chama a ama de lado e aponta para Romeu.)
JULIETA – Vem cá, ama. Quem é aquele cavalheiro?
AMA – Seu nome é Romeu, um Montéquio, o único filho do vosso maior inimigo.
JULIETA – Meu único amor! Que amor monstruoso é esse que me faz amar o inimigo?
AMA – O que é isto? O que é isto?
JULIETA – Um verso que aprendi com alguém com quem dancei.
AMA – Vem, vamos embora, todos os estranhos se foram.
(Elas saem)
ATO II
CORO – Agora, jaz o antigo desejo em seu seio de morte e uma nova paixão aspira a ser
herdeira. A beleza por quem suspirava e queria morrer o amante, perdeu o seu encanto,
comparada com a terna Julieta. Agora, Romeu é amado e ama, igualmente encantados
ambos pelo feitiço dos [Link] inimigo, não pode dela aproximar-se para alentá-la
com aquelas promessas que os amantes trocam entre si. Ela, do mesmo modo apaixonada,
conta ainda com menos meios para encontrar-se em algum lugar com seu novo amor. Mas
a paixão lhes dá força e meios, o tempo para se encontrarem, temperando tais
extremidades com extrema doçura.
CENA 1
BENVÓLIO – Romeu! Romeu! Cego é seu amor e a obscuridade lhe convém mais.
MERCÚCIO – Vamos, porque é inútil procurar quem não quer ser encontrado.
JULIETA – Romeu, Romeu! Onde estás meu Romeu? Renega o teu pai e abdica o teu
nome;
E, se não tiveres coragem; jura que me amas, E eu deixarei de ser Capuleto.
JULIETA – Como chegaste até aqui, dize-me, e por quê? As paredes do pomar são altas e
difíceis de escalar.
ROMEU – Com as leves asas do amor trampus estes muros, porque os limites de pedra não
servem de empecilho para o amor.
JULIETA – Não jures por nada. Embora em ti esteja minha alegria, não me alegra o
juramento desta noite.
É muito audacioso, muito repentino.
Boa noite, boa noite! Que os sentimentos que aparecerem em teu coração sejam como
esses do meu peito!
ROMEU – Oh, partirás assim, deixando-me tão insatisfeito? JULIETA – Que satisfação
JULIETA – Se este teu amor é verdadeiro, com a finalidade de casamento, manda-me uma
mensagem amanhã.
E, aos teus pés, toda a minha ventura depositarei. E te seguirei, meu senhor, pelo mundo
afora.
JULIETA – Boa noite, Boa noite! Partir é uma dor tão doce, que ficarei dizendo “Boa noite”
até amanhã.
ROMEU – Bendita noite! Quanto temo, sendo agora noite, que tudo isto não passe de um
sonho por demais encantador e doce.
CENA 2
FREI – Oh! Imensa é a graça poderosa que reside nas ervas, plantas, pedras e em suas
raras qualidades, porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum
benefício especial; nem há nada tão bom que desviado de seu verdadeiro uso, não
transtorne sua verdadeira origem caindo no abuso. A própria virtude se converte em vício
mal aplicada.
NARRADOR – A cena é no aposento de Frei Lourenço. Frei Lourenço é um velho amigo e
mestre de Romeu. Romeu contou ao Frei sobre seu amor por Julieta, e o santo homem
concordou em casá-los. Ele espera que este casamento possa terminar, de uma vez por
todas, com a briga entre as duas famílias. Romeu, mandou um recado a Julieta, através de
sua ama, para que ela o encontrasse no aposento do frei. Romeu e frei Lourenço entram.
(Eles saem)
CENA 3
(Entram Mercúcio, Benvólio, Romeu, a ama de Julieta e seu criado, Pedro. Mercúcio
atormentando a ama.)
MERCÚCIO – Bondoso, Pedro, para esconder-lhe o rosto; pois o mais belo dois dois é o
leque.
ROMEU – Minha senhora, um homem que Deus criou para perder-se a sim mesmo.
AMA - Muito bem falado! Cavalheiros, algum de vó pode dizer- me onde posso encontrar o
jovem Romeu?
MERCÚCIO – Nenhuma lebre rapaz, a não ser uma dessas que são servidas em empadas
na Quaresma, ficam passadas e mofadas antes de serem consumidas. (Saem Benvólio e
Mercúcio.)
ROMEU – Dize-lhe que descubra algum pretexto para ir eta tarde confessar-se e lá, na cela
de Frei Lourenço, ele nos confessará e casará.
A cena é uma rua em Verona, mais tarde, no dia do casamento de Romeu e Julieta.
Benvólio e Mercúcio entram. Do outro lado vem Teobaldo com seus amigos.
importo...
MERCÚCIO – Não poderíeis achar uma ocasião sem que ela vos fosse dada?
(Entra Romeu)
ROMEU – Teobaldo, patife eu não sou. A razão que tenho para estimar-e desculpa o ódio
de semelhante saudaçã[Link] tanto adeus. Vejo que não me conheces.
MERCÚCIO – (Zangado por Romeu estar recebendo tais insultos de Teobaldo.) Teobaldo
seu cachorro!
MERCÚCIO – Bom Rei dos Gatos, nada, a não ser uma de tuas nove vidas.
(Romeu tenta parar a briga, ele se coloca entre os dois homens, porém, fica na frente só de
Mercúcio. Teobaldo vê uma oportunidade e passa sua espada sob o braço de Romeu,
atingindo Mercúcio. Quando Mercúcio cai, Teobaldo volta-se e foge.)
MERCÚCIO – Estou ferido. BENVÓLIO – O que? Estás ferido? MERCÚCIO – Ai, ai, é só
um arranhão.
MERCÚCIO – Não, não é tão profundo como o poço, nem tão grande como uma porta de
igreja; mas é o suficiente. Que caia uma praga sobre as vossas famílias! Com mil demônios,
um cachorro, um rato, um gato, arranhando um homem até a morte. Porque diabos tinhas
que ficar entre nós, Romeu? Fui ferido sob o teu braço.
MERCÚCIO – Ajuda-me a entrar em alguma casa, Benvólio, Senão, vou desmaiar. Que caia
uma praga sobre ambas as famílias!
(Benvólio ajuda Mercúcio a sair, Romeu fica e culpa-se por ter sido um covarde.)
BENVÓLIO – Oh, Romeu, Romeu, o bravo Mercúcio está morto! E aí vem o furioso
Teobaldo novamente.
ROMEU – Agora, Teobaldo, Devolvo-te o “Patife” Que há pouco me deste; pois a alma de
Mercúcio Está um pouco acima de nossas cabeças, Esperando pela tua, para lhe fazer
companhia. Ou tu ou eu, ou nós dois, deverá ir com ele.
(Os dois homens começas a lutar. Romeu atravessa Teobaldo com sua espada, e Teobaldo
cai morto.)
CENA 2
A cena é o pomar dos Capuletos. Julieta está lá, esperando por notícias de Romeu.
JULIETA – Para celebrarem seus amorosos ritos, basta aos amantes a luz de seus próprio
atrativos. E como o amor é cego, combina melhor com a noite. O amor, como a morte, não
precisa de muito espaço para acontecer.
AMA – Ah, meu Deus! Ele está morto! Ele está morto! Ele está morto!
Estamos arruinados, senhora! Estamos arruinados!
Que dia infeliz! Ele se foi, ele foi assassinado, ele está morto! Oh, Romeu, Romeu!
Quem poderia imaginar? Romeu!
AMA – Eu vi o ferimento, vi com meus próprios olhos! Aqui, bem no meio do peito.
Um cadáver, um terrível cadáver ensanguentado; Pálido, pálido como as cinzas, todo
coberto de sangue, Desmaiei com a visão.
AMA – Oh, Teobaldo, Teobaldo, o meu melhor amigo! Oh, Teobaldo! Honesto cavalheiro!
Que eu tinha de viver para ver tua morte!
JULIETA – Romeu foi assassinado e Teobaldo morto? Meu prezado primo, e meu adorado
senhor?
AMA – Teobaldo está morto, e Romeu banido; Romeu, que o matou, foi banido.
JULIETA – Oh, Deus! A mão de Romeu matou Teobaldo? AMA – Sim, foi, foi! Que dia
infeliz, foi isso mesmo!
Que a desgraça caia sobre Romeu!
JULIETA – Amaldiçoada seja a tua língua
Por tal desejo! Ele não nasceu para a desgraça. A desgraça jamai pousará sobre Romeu.
AMA – Como pode falar bem daquele que matou vosso primo?
JULIETA – Devo falar mal daquele que é meu marido? Meu marido vive, a quem Teobaldo
teria matado;
E Teobaldo está morto, que teria matado meu marido.
“Teobaldo está morto, e Romeu banido.”
Romeu está banido – isto quer dizes que Pai, Mãe, Teobaldo, Romeu, Julieta, todos estão
mortos. – “Romeu está banido.”
Nestas palavras está a morte!
Onde estão meu pai e minha mãe, ama?
JULIETA – Eles lavam seus ferimentos com suas lágrimas. Minhas lágrimas devem cair
Quando as deles secarem – pelo exílio de Romeu!
AMA – Ide para o quarto. Eu encontrarei Romeu Para confortar- vos. Sei muito bem onde
ele está. Vosso Romeu estará aqui esta noite.
Irei até ele; está escondido no aposento de Frei Lourenço.
JULIETA – Oh, encontra-o! Dá este anel ao meu verdadeiro senhor. E pede-lhe para vir dar
se último adeus.
A cena é o aposento do Frei Lourenço, Romeu está esperando o frei retornar com notícias
do julgamento do príncipe. O frei entra.
FREI – Trago-te notícias da sentença do príncipe. Não tua morte, mas teu exílio.
ROMEU – Oh, tu vais falas em exílio novamente. Chega, não fales mais!
Se fosses jovem como eu, Julieta teu amor,
Casado há apenas uma hora, Teobaldo assassinado, E, como eu, banido,
Então, poderias falar, poderias descabelar-te, E cair ao chão, como eu agora.
FREI – Vejo bem agora que os loucos não têm ouvido. (A ama bate na porta)
AMA – Deixai-me entrar e sabereis da minha missão. Venho a mando da Senhora Julieta.
FREI – Sê bem vinda então.
AMA – Oh! Santo frei, dize-me, onde está o fidalgo de minha senhora? Onde está Romeu?
FREI – Lá no chão, bêbado com suas próprias lágrimas. AMA – Da mesma forma está
Julieta.
Berrando e chorando, chorando e berrando. Levantai-vos, levantai-vos! Ficai de pé, sede
homem. Pelo amor de Julieta, por ela, levantai-vos!
ROMEU – Ama, disseste Julieta? Como está ela? Ela pensa que eu sou um assassino?
Onde está ela? E como está ela? E o que ela disse?
AMA – Oh! Ela não diz nada, senhor, apenas chora e chora; E então, cai na cama e começa
tudo de novo,
Chama por Teobaldo, e então, chora por Romeu. E cai na cama novamente.
(A notícia faz com que Romeu fique tão triste que ele tenta se matar com uma faca, mas a
ama impede-o)
AMA – (Para Romeu) Meu senhor, direi a minha senhora que ireis.
ROMEU – Adeus. (Eles saem) CENA 4
A cena é um cômodo na casa dos Capuletos. O Sr. E a Sra. Capuleto entram com o Conde
Páris.
CAPULETO – Ocorreram coisas tão lamentáveis, rapaz, que não tivemos tempo de
convencer nossa filha.
Senhor Páris, acredito que minha filha me atenderá. Esposa, vai até ela, antes de ir dormir;
Dize-lhe sobre o amor de Páris. Qunta-feira, dize-lhe, Ela deverá se casar com este nobre
Conde.
CENA 5
NARRADOR: O que se passou ali –digo ao público auditor- É impossível descrever, tal foi a
cena de amor!
Imagine, quem já tenha vivido um igual ardor. (A ama entra.)
AMA – A senhora sua mãe está vindo para o vosso quarto! (A ama sai.)
JULIETA – Então, janela, deixa o dia entrar e a vida sair. ROMEU – Adeus, adeus! Um beijo
e partirei.
NARRADOR -
Beijaram-se os dois amantes, se abraçaram docemente. Juraram que haveriam de se amar
eternamente.
E afinal se separaram, chorando o amor inocente.
SRA CAPULETO – Ainda chorando pela morte do primo? Será que conseguirás tirá-lo do
túmulo com suas lágrimas?
Estou te compreendendo, minha filha: choras não só a morte dele, como porque ainda está
vivo o que o assassinou, o infame Romeu.
JULIETA – Sim, senhora. Porque vive longe do alcance destas minhas mãos! Quisera que
só eu vingasse a morte de meu primo!
SRA CAPULETO - Controla-te. Um pouco de tristeza demonstra muito amor; Mas muita
tristeza demonstra alguma falta de inteligência. Agora vou te dar notícias muito agradáveis,
menina.
SRA CAPULETO - Minha filha, bem cedo, na próxima quinta- feira de manhã, o bravo,
jovem e nobre cavalheiro, o Conde Páris – na igreja de São Pedro – fará de ti uma alegre
noiva.
JULIETA – Pela igreja de São Pedro, e São Pedro também, Ele não fará de mim uma alegre
noiva!
Imagino que é muita precipitação ter que casar
Com aquele que será meu marido, antes de conhecê-lo. Rogo-te para que diga ao meu
senhor e pai, mamãe.
Eu não quero casar ainda!
SRA CAPULETO – Aí vem teu pai. Dize-lhe tu mesma E vê como ele reage.
SRA CAPULETO – Sim, meu senhor; mas ela não concorda com nada disto!
CAPULETO – Como? Ela não concorda? Ela nem nos agradece?
Ela não está orgulhosa? Ela não vê que queremos o melhor para ela, que lhe arranjamos
tão valioso cavalheiro para ser seu noivo?
CAPULETO – Cala-te, sua tola resmungona! Isto me deixa maluco! Tê-la criado; e agora
conseguido um cavalheiro de família nobre, rico, jovem, e bem-educado, e, então, receber a
estúpida resposta: “Não casarei, eu não posso amar;
Sou muito jovem, rogo-te que me perdoes!” Pensa bem mulher; eu não estou brincando.
Quinta-feira está próxima; eu te darei ao Conde Páris, Ou, então, pedirás, passarás fome,
morrerás nas ruas, e, Pela minha alma, jamais te chamarei de filha novamente.
(Ele sai.)
JULIETA – Oh, minha mãe, não me abandones! Retarda este casamento por um mês, uma
semana!
SRA CAPULETO – Eu não direi uma palavra. Faça como quiseres, pois já fiz o que tinha
que ser feito contigo!
JULIETA – Oh, Deus! Como poderei impedir isto?
Meu marido está na terra; meu casamento, selado nos céus.
Ama, vai e dize a minha mãe que, por ter desagradado a meu pai, eu fui confessar-me com
Frei Lourenço.
Pedirei ajuda ao frei.
Se tudo o mais falhar, que eu tenha a coragem de morrer. ATO IV
CENA I
A cena é no aposento de Frei Lourenço. Conde Páris acaba de agendar o casamento com o
Frei. Julieta veio para pedir sua ajuda.
ameaça matar-se.)
JULIETA – E eu tomarei sem medo ou dúvida, Para ser uma pura esposa para o meu doce
amor.
FREI – Vai para casa, então. Fica contente e concorda Em casar com Páris. Amanhã é
quarta-feira.
Toma este frasco. Quando estiveres na cama, Bebe o seu conteúdo.
Quando ele passar por tuas veias,
Nenhum calor, nenhuma respiração indicará que tu vives; O rosado de teus lábios e de teu
rosto empalidecerá.
Dura e gelada, parecerás morta Por quarenta e duas horas,
E, então, acordarás como se estivesse num sono profundo. Agora, quando o noivo chegar
de manhã
Para tirar-te da cama, lá estarás, morta. Com tuas melhores vestes, descoberta, Deverás
ser colocada na velha tumba Onde jazem todos os Capuletos.
Neste ínterim, antes que acordes, Escreverei nosso plano para Romeu, E ele virá aqui; e
nós
Observaremos o teu despertar, e nessa mesma noite Romeu deverá levá-la embora para
Mântua.
E isto te livrará de tua tristeza.
(Julieta estende a mão e pega o frasco com a droga.) JULIETA – Dá-me, dá-me! Oh, não
tenho medo!
O amor me dá forças. Adeus, querido frei.
CENA 2
A cena é o quarto de Julieta. Anoiteceu. Ela disse a seu pai e a sua mãe que casará com
Páris na manhã seguinte. A ama e a senhora Capuleto ajudaram-na a escolher o vestido de
casamento e, agora, deixaram-na sozinha.
(Ela ergue o fresco e bebe a droga e, então, cai sobre a cama como se estivesse morta.)
CENA 3
A cena é no quarto de Julieta na manhã seguinte. Todos os preparativos foram feito para o
casamento. A ama entra para aprontar Julieta.
SRA CAPULETO – Oh, não, não! Minha filha, minha vida! Socorro, socorro! Pede ajuda!
SRA CAPULETO – Oh, meu Deus, ela está morta, ela está morta, morta!
CAPULETO – Ah! Deixe-me vê-la. Meu Deus ela está gelada, e seus músculos estão rijos;
A morte repousa sobre ela como a geada, Sobre a mais doce flor de todo o campo.
CAPULETO – Pronta rara ir, mas para nunca mais voltar. Oh! Filho, na noite antes do dia do
teu casamento,
A morte esteve com tua esposa. Ei-la.
PÁRIS – Eu pensava, meu amor, em ver a luz desta manhã, E esta é a visão que tenho?
FREI – Enxugai vossas lágrimas e, no vosso melhor traje, trazei-a para a igreja.
CAPULETO – Tudo o que preparamos para a cerimônia nupcial Torna-se agora em negro
funeral. Nossas flores nupciais, Agora cobrem um corpo desfalecido.
FREI – Senhor, entra e, senhora, vai com ele; Vai também, senhor Páris. Preparar-vos todos
Para seguir este nobre cadáver até sua tumba.
ATO V
CENA 1
A cena é uma rua em Mântua. Romeu está lá, esperando o mensageiro voltar de Verona,
com notícias de Julieta. O criado chega.
ROMEU – (Para o criado) Notícias de Verona! Muito bem, Trouxeste-me as catas do frei?
Como vai minha senhora? Meu pai está bem? Como passa a minha Julieta?
CRIADO – Seu corpo dorme na tumba dos Capuletos, E sua alma imortal vive com os anjos.
Eu vi seu corpo estendido na catacumba de sua família E vim de lá para avisar-vos.
Oh, perdoai-me por trazer essa terrível notícia, senhor.
(Romeu está estonteado pela notícia de que Julieta está supostamente morta.)
ROMEU – É assim, então? Pois eu vos desafio, estrelas! Trazei-me tinta e papel e
consegue cavalos.
(Sai criado.)
Bem, Julieta, estarei contigo esta noite. Vejamos de que jeito.
NARRADOR –
Romeu ficou como louco com a notícia que foi dada! Comprou então um veneno, cingiu ao
cinto a espada E partiu com o projeto de morrer junto da amada.
Selou depressa o cavalo, e, como um raio, partiu, Em galope cego e doido, como ninguém
nunca viu. E, a caminho de Verona, num momento se sumiu!
CENA 2
A cena é o pátio da igreja e a cripta pertencente aos Capuletos. Frei Lourenço descobriu
que a carta que ele enviou a Romeu, dizendo-lhe sobre a falsa morte de Julieta, não chegou
a seu destino. Ele também ficou sabendo que Romeu está vindo para Verona. Corre até o
pátio da igreja, mas outras pessoas já chegaram lá, antes dele. O Conde Páris foi colocar
flores no
túmulo de Julieta. Páris ouve passos e se esconde, quando Romeu entra com seu criado.
ROMEU – (Para o criado) Toma esta carta. Logo de manhã Entrega-a para o meu pai e
senhor. (Tira a tocha dele.)
Dá-me a luz. Pela tua vida eu te peço, Não tentes impedir-me em minha tarefa.
Se tentares, pelos céus, eu te arrancarei pedaço por pedaço E atirarei teus membros sobre
este pátio faminto.
(O criado sai. Romeu abre a porta da catacumba e está prestes a entrar quando Páris sai do
ser esconderijo.)
PÁRIS – Então este é o Montéquio banido que assassinou o primo do meu amor. Para, vil
Montéquio! Obedece, e vem comigo; pois tu deves morrer.
ROMEU – Eu devo realmente; pois pela morte aqui eu vim. Bom e gentil jovem, vá embora e
deixa-me.
Eu te rogo, jovem, não ponhas outro pecado sobre minha cabeça. Oh, vá embora!
(Ambos desembainham suas espadas e começam a lutar. Romeu atinge Páris. Ele cai.)
PÁRIS – Oh, fui morto! Sê misericordioso, Abre o túmulo e põe-me junto à Julieta.
(Ele morre.)
ROMEU – Deixa-me ver este rosto. Parente de Mercúcio, o nobre Conde Páris!
O que disse meu criado enquanto cavalgávamos? Acho que Ele me disse que Páris deveria
ter-se casado com Julieta.
Eu o enterrarei aqui, ao lado de Julieta. Sua beleza
Faz desse túmulo um lugar cheio de luz.
(Coloca o corpo de Páris na cripta; então vira-se para sua amada Julieta.)
Oh meu amor, minha esposa!
A morte, que sugou o mel do teu hálito, Ainda não teve poder sobre tua beleza. Olhos, olhai
pela última vez!
Braços, dá-lhe o último abraço! (Ele ergue a taça com o veneno.) Pelo meu amor!
(Bebe o veneno e beija Julieta pela última vez.) Oh, grande farmacêutico!
Tua droga é rápida. Então, com um beijo morrerei.
(Ele cai morto. Frei Lourenço entra no Pátio da igreja e se encaminha para a tumba, quando
Julieta começa a acordar.)
FREI – Romeu!
Oh, meu Deus que sangue é esse que mancha a entrada da tumba? Romeu! Quem mais?
Oh, Páris também? E coberto com sangue? A senhora se move.
JULIETA – Oh, frei! Onde está meu senhor?
Eu me lembro muito bem onde eu deveria estar, E aqui estou eu. Onde está meu Romeu?
FREI – Eu ouço barulho. Senhora, sai deste ninho de morte. Vamos, sai! Teu marido está aí,
morto; e Páris também.
Não pares para perguntar, pois o guarda está vindo.
Vamos, sai boa Julieta. Eu não ouso ficar nem mais um instante.
NARRADOR –
Aí, algumas pessoas que foram ao cemitério
Ficaram muito espantadas com todo aquele mistério: Morto o casal, morto Páris, na entrada
do presbitério.
Depois, soube-se de tudo, porque o Frei contou. Capuleto muito triste, um túmulo preparou,
E os amantes, abraçados, dentro deles sepultou.
Somente depois da morte foi que puderam se unir, Tendo, os dois jovens corpos, já deixado
de existir, E nada mais, neste mundo, lhes sendo dado fruir.
(Ao longo da narração encaminha-se o enterro do casal, até chegar à imagem final.)
FIM