0% acharam este documento útil (0 voto)
32 visualizações3 páginas

Alegações Finais em Processo Criminal

Enviado por

ikaro
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
32 visualizações3 páginas

Alegações Finais em Processo Criminal

Enviado por

ikaro
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1º VARA CRIMINAL

DA COMARCA DE PORTO SEGURO-BA

Nº DO PROCESSO XXXXX

Jerry, qualificado nos autos do processo, vem através de seu advogado,


perante a Vossa Excelência, apresentar as ALEGAÇÕES FINAIS POR
MEMORIAIS, com fundamentos no art. 403, § 3, do CPP, perante motivos de fato e
de direito a seguir:

DOS FATOS

O Sr. Tom, morador de Porto Seguro/BA, furioso e chateado, abre sua


câmera e grava um vídeo, onde afirma que o Sr. Jerry na calada da madrugada,
matou sua patroa Gertrudes, pois a mesma negou dar-lhe um pedaço de queijo
suíco. Finaliza a gravação e entrega o vídeo ao Sr. Pica-Pau, que sabendo da
inocência de Jerry (é de seu conhecimento que a patroa de Tom está de férias em
Paris), faz o upload do arquivo e disponibiliza, divulgando-o para milhares de
internautas.
O Sr. Jerry, quando soube que seu vídeo estava "bombando", ficou triste e
muito abalado ao ver as centenas de comentários, a exemplo de: "Isso é um rato";
"Assassino do Queijo"; "Cadeia é pouco pra esse rato imundo".
E mais, teve o seu contrato de trabalho suspenso em razão da notícia, o que lhe
vem causando inúmeros prejuízos financeiros.
Em 04 de fevereiro de 2020 a Queixa-Crime foi recebida pelo juízo
competente, qual seja 1ª Vara Criminal da Comarca de Porto Seguro, sendo-lhe
imputados o crime do artigo 138 c/c parágrafo primeiro, do Código Penal, os fatos
descritos foram devidamente comprovados com o vídeo e também com algumas
fotos da quantidade de visualizações, "mais de 5 milhões".
Apresentada resposta à acusação com base no artigo 396 e 396-A do CPP,
onde foi alegado em preliminar a causa do artigo 397, III do CPP, e mais, alegando
que o fato é insignificante, e que foi uma mera brincadeira entre velhos amigos. E
por fim, alegou nulidade do artigo 564, III, 'd' do CPP.
DA PRELIMINAR

Não houve intervenção do Ministério Público e, por esse motivo, é


demonstrado a ocorrência da violação do direito constitucional ao contraditório e à
ampla defesa. É requerida a nulidade absoluta, conforme o presente texto no artigo
564, Inciso IV, do CPP, e artigo 5, do LV, da CF:

Art. 564 do CPP. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:


III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:
d) a intervenção do Ministério Público em todos os termos da
ação por ele intentada e nos da intentada pela parte ofendida,
quando se tratar de crime de ação pública;

Art. 5º da CF. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos
termos seguintes:
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.

DO MÉRITO
O réu foi denunciado pelo artigo 138 c/c parágrafo primeiro, do Código Penal
que diz:
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato
definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a
imputação, a propala ou divulga.
Depois de ler os fatos, o Sr. Pica-pau soube que Jerry era inocente, pois
sabia que a amante de Tom estava de férias em Paris, e era óbvio que o réu não
cometeu nenhum crime.
A prova fornecida ao arguido foi um vídeo do Sr. Pica-Pau baixado e o
disponibilizado a milhares de utilizadores da Internet, embora soubesse que o
arguido não cometeu um crime. O atual réu não deve ser punido, então é
necessário absolvê-lo, com fundamentos no artigo 386 do CPP, inciso III:

Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte


dispositiva, desde que reconheça:
III - estar provada a inexistência do fato;

DO PEDIDO
Mediante o apresentado, requer :
1 - A nulidade dos atos praticados conforme art. 564, Inciso IV, do CPP.
2 - A absolvição do réu, conforme o artigo 386, inciso I, do CPP.

Termos em que,
Pede Deferimento.
Porto Seguro- Ba, 26 de julho de 2021.
Advogado -OAB

Você também pode gostar