Atenção Nutricional Nos Ciclos Da Vida: Grupo Hospitalar Conceição
Atenção Nutricional Nos Ciclos Da Vida: Grupo Hospitalar Conceição
Atenção Nutricional
nos Ciclos da Vida
Guia para profissionais
da Atenção Primária à Saúde
2021
Grupo Hospitalar Conceição
Residência Multiprofissional em Saúde
Gerência de Saúde Comunitária
Porto Alegre
2021
Permitida a reprodução parcial ou total da obra, desde que citada a fonte e que não envolva
fins comerciais.
Organização
Luiza Arregui Igarsaba
Natália Miranda Jung
ISBN 978-65-87505-07-7
CDU 614(81):613.21
Sumário
Apresentação 5
Introdução 7
CAPÍTULO 1. GESTANTES
Avaliação Nutricional 9
História global 10
Avaliação dietética 10
Avaliação antropométrica 11
Avaliação laboratorial 16
Necessidades Nutricionais 17
Energia 17
Macronutrientes 18
Micronutrientes 19
Orientações Nutricionais 25
Alimentação saudável 25
Fracionamento 26
Composição da alimentação 26
Sintomas gastrointestinais 29
Ganho de peso inadequado 30
Amamentação 31
CAPÍTULO 2. NUTRIZES E AMAMENTAÇÃO
Avaliação Nutricional 33
Nutrizes 33
Aleitamento materno 34
Necessidades Nutricionais 35
Energia 35
Macronutrientes 36
Micronutrientes 37
Orientações Nutricionais 41
Nutrizes 41
Aleitamento materno 42
Necessidades Nutricionais 56
Energia 56
Macronutrientes 59
Micronutrientes 61
Orientações Nutricionais 69
Lactentes 69
Introdução alimentar 71
Composição da alimentação 77
Orientações nutricionais gerais 81
Recusa alimentar 85
Fome e saciedade 86
Alergia à proteína do leite de vaca 86
Obesidade 87
CAPÍTULO 4. ADULTOS E IDOSOS
Avaliação Nutricional 89
História global 89
Avaliação dietética 91
Avaliação do estágio de motivação 92
Avaliação antropométrica 93
Exame físico 100
Avaliação laboratorial 101
Rastreamento e avaliação nutricional 101
Necessidades Nutricionais 104
Energia 104
Macronutrientes 105
Micronutrientes 107
Orientações Nutricionais 114
Alimentação saudável 114
Categorizando os alimentos 116
Composição da alimentação 118
Alimentação cardioprotetora brasileira 121
Hipertensão arterial 123
Diabetes mellitus 123
Aspectos do envelhecimento 124
Fome e saciedade 125
Referências 127
Anexos 139
5
Apresentação
Este guia foi elaborado com o objetivo de otimizar e qualificar os processos de
trabalho em nutrição no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS). A sua finali-
dade é ser utilizado nos mais variados espaços e atividades, tais como: atendimen-
tos com abordagem familiar ou individual, visitas domiciliares, discussões de casos
nas equipes, grupos, oficinas e atividades de educação permanente.
Considerando que os indivíduos apresentam características específicas, conforme
a fase do curso da vida em que se encontram, o conteúdo deste material foi dividido
em quatro capítulos: “Gestantes”, “Nutrizes e Amamentação”, “Crianças e Adoles-
centes” e “Adultos e Idosos”. Cada um destes capítulos aborda os seguintes tópicos:
“Avaliação Nutricional”, “Necessidades Nutricionais” e “Orientações Nutricionais”.
O seu conteúdo foi elaborado através da revisão de literatura nos bancos de
dados, documentos do Ministério da Saúde, protocolos clínicos e diretrizes, com fins
de buscar evidências atualizadas. Nele encontram-se diversas fórmulas, curvas de
crescimento, tabelas de recomendações nutricionais, orientações nutricionais, entre
outros. Destaca-se que o seu foco principal é a prevenção de doenças crônicas não
transmissíveis (DCNT) e de carências nutricionais.
O presente guia não tem a pretensão de ser um manual normativo e prescritivo
sobre as práticas do cuidado nutricional, não devendo ser compreendido e nem uti-
lizado desta forma. O seu objetivo é ser um material de cunho prático e fácil acesso
para consulta rápida. Faz-se necessário esclarecer que, segundo o Conselho Fede-
ral de Nutricionistas (CFN), a prescrição dietética (envolve necessidades calóricas e
nutricionais, consistência e fracionamento das refeições, alimentos proibidos, etc.)
é considerada atividade privativa do (a) nutricionista.1
Introdução
Segundo as diretrizes da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN),
a Atenção Nutricional deve fazer parte do cuidado integral na Rede de Atenção à
Saúde (RAS), tendo a Atenção Básica como coordenadora do cuidado e ordenado-
ra da rede. A Atenção Nutricional compreende os cuidados relativos à alimentação
e nutrição voltados à promoção e proteção da saúde, prevenção, diagnóstico e
tratamento de agravos, devendo estar associados às demais ações de atenção à
saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para a conformação de uma
rede integrada, resolutiva e humanizada de cuidados.1
De acordo com a PNAN, são prioritárias na agenda de saúde pública as ações
de prevenção e de tratamento da obesidade, da desnutrição, das carências nutri-
cionais específicas e das doenças crônicas não transmissíveis, relacionadas à ali-
mentação e nutrição. Ainda no tocante às demandas para a Atenção Nutricional,
a PNAN identifica a necessidade de garantir atenção às pessoas com necessidades
alimentares especiais.1 Além disso, fortalecer e qualificar o cuidado nutricional no
âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) é uma forma mais econômica, ágil, sus-
tentável e eficiente de prevenir a ocorrência de novos casos de doenças associadas
à má alimentação do que referenciá-los para o atendimento hospitalar, num futuro
próximo, em decorrência de suas complicações.2
A alimentação e nutrição constituem-se em requisitos básicos para a promoção
e a proteção da saúde, possibilitando a afirmação plena do potencial de cresci-
mento e desenvolvimento humano, com qualidade de vida e cidadania.1 A alimen-
tação adequada e saudável é fundamental para a manutenção da vida com bem-
-estar e qualidade. Ela deve atender às necessidades de cada pessoa de acordo
com a fase da vida em que se encontra, suas preferências e especificidades, como
ter alguma doença ou restrição alimentar.3
Sabendo que a situação alimentar e nutricional exerce influência direta na saú-
de e no adoecimento dos indivíduos, famílias e comunidades, espera-se que este
guia contribua na qualificação do cuidado nutricional na APS, na promoção da
saúde e na prevenção das doenças crônicas não transmissíveis, respeitando as
especificidades de cada fase do ciclo da vida.
8 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Capítulo 1
Gestantes
Capítulo 1 - Gestantes 9
Avaliação Nutricional
O acompanhamento pré-natal é crucial para monitorar o desenvolvimento da
gestação, com vistas à preparação para o parto de um recém nascido saudável
sem quaisquer impactos negativos à saúde materna.1 Realizar uma anamnese nu-
tricional bem detalhada é essencial, pois ela nos fornece dados dietéticos, antro-
pométricos e bioquímicos, informações fundamentais na definição do diagnóstico
nutricional da mulher gestante.
__________________________
História Global __________________________
Este tópico aborda os aspectos específicos da gravidez, como a história obs-
tétrica e os fatores de risco associados à gestação. Durante a anamnese, procure
abordar a mulher na sua integralidade, considerando a sua história de vida, os
seus sentimentos, a sua família, o ambiente em que vive e sua rede de apoio social
e emocional, estabelecendo uma relação próxima e valorizando a sua singularida-
de, contexto e situação.1
Busque compreender os múltiplos significados da gestação para essa mulher e
sua família. Procure identificar se a gestante desejou conscientemente engravidar
e se planejou a gravidez, enfim, o contexto em que a gravidez ocorre e suas reper-
cussões na vida da gestante, na sua família e no seu entorno.1
História clínica
É importante investigar a sua história clínica através da anamnese e da leitura
do prontuário, com fins de identificar situações de saúde que podem complicar
a gravidez, como: diabetes pré-gestacional, hipertensão arterial, cardiopatias,
distúrbios da tireoide e processos infecciosos, incluindo as doenças sexualmente
transmissíveis (DST). Verifique se ela usa algum tipo de medicamento, se tem hábito
de fumar e/ou usa álcool e drogas ilícitas. Além disso, é importante questionar pre-
sença de sintomas como pirose, vômitos, refluxo, gases ou constipação intestinal e
sua possível associação com os hábitos alimentares.2,3
História obstétrica
Conheça a sua história obstétrica, identificando o número de gestações ante-
riores, a ocorrência de partos prematuros, tipo de parto, peso do bebê ao nascer,
abortos, hemorragias, diabetes, pré-eclâmpsia, eclâmpsia e outras situações rela-
cionadas a um maior risco à saúde da mãe e do bebê.2,3
Rede de apoio
Avalie a rede familiar e social da gestante, a presença de companheiro (a) e o
relacionamento familiar e conjugal, identificando se há conflitos e/ou algum tipo
de violência.2,3
10 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Condições socioeconômicas
Busque identificar o nível educacional dela, o tipo de moradia, saneamento,
renda familiar, benefícios recebidos (por exemplo: Bolsa Família), atividades rea-
lizadas no trabalho e exposições ambientais, tais como: demasiado esforço físico,
estresse, jornada de trabalho, exposição a agentes nocivos.2,3
Amamentação
Em relação à amamentação, procure identificar os conhecimentos e as crenças
que a gestante possui, se já vivenciou alguma vez e como foi a experiência.1
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Avaliação Dietética ________________________
Ao atender uma mulher gestante, é essencial que você avalie e adeque os hábitos
alimentares dela, pois a alimentação saudável e a adequada nutrição são fatores
fundamentais para a saúde do binômio mãe-bebê.4 A avaliação dietética deve ser
bem detalhada, se atentando para o número de refeições, composição das refeições
e grupos de alimentos presentes. Para avaliar a ingestão alimentar da mulher gestante
você pode usar inquéritos dietéticos, como o recordatório 24h ou o diário alimentar.
Investigue crenças, hábitos alimentares, alergia e/ou intolerância alimentar e
modificações alimentares (inclusão/exclusão) em função da gestação ou dos si-
nais e sintomas gastrointestinais. É importante observar presença de picamalácia,
questionando desejo e/ou ingestão de substâncias sem caráter alimentar (barro,
sabão, terra, tijolo, gelo, etc.).4
Avalie o consumo de refrigerantes, bebidas alcoólicas, bebidas com cafeína
(café, chás, mate), alimentos gordurosos, frituras, doces, produtos dietéticos e edul-
corantes. O quadro abaixo ilustra algumas perguntas que você pode direcionar à
gestante, facilitando a avaliação dietética do seu consumo alimentar habitual.
_____________________
Avaliação Antropométrica _____________________
A avaliação antropométrica é um recurso importante para a devida avaliação do
estado nutricional da mulher gestante e ainda possibilita oferecer dados para o seu
acompanhamento nutricional. O estado nutricional pré-gestacional define qual será
a recomendação de ganho de peso a ser adotada durante a gestação.6
Para avaliar o estado nutricional, é necessário que na consulta seja realizada a
aferição do peso e da estatura da mulher, além do cálculo da semana gestacional.6
Observe a seguir o passo a passo:
Peso (kg)
IMC (kg/ m²) =
Altura² (m)
Tabela 2. Avaliação do estado nutricional da gestante segundo IMC, por semana gestacional.
Semana Baixo Peso (BP) Adequado (A) Sobrepeso (S) Obesidade (O)
gestacional IMC ≤ IMC entre IMC entre IMC ≥
6 19,9 20,0 – 24,9 25,0 – 30,0 30,1
7 20,0 20,1 – 25,0 25,1 – 30,1 30,2
8 20,1 20,2 – 25,0 25,1 – 30,1 30,2
9 20,2 20,3 – 25,2 25,3 – 30,2 30,3
10 20,2 20,3 – 25,2 25,3 – 30,2 30,3
11 20,3 20,4 – 25,3 25,4 – 30,3 30,4
12 20,4 20,5 – 25,4 25,5 – 30,3 30,4
13 20,6 20,7 – 25,6 25,7 – 30,4 30,5
14 20,7 20,8 – 25,7 25,8 – 30,5 30,6
15 20,8 20,9 – 25,8 25,9 – 30,6 30,7
16 21,0 21,1 – 25,9 26,0 – 30,7 30,8
17 21,1 21,2 – 26,0 26,1 – 30,8 30,9
18 21,2 21,3 – 26,1 26,2 – 30,9 31,0
19 21,4 21,5 – 26,2 26,3 – 30,9 31,0
20 21,5 21,6 – 26,3 26,4 – 31,0 31,1
21 21,7 21,8 – 26,4 26,5 – 31,1 31,2
22 21,8 21,9 – 26,6 26,7 – 31,2 31,3
23 22,0 22,1 – 26,8 26,9 – 31,3 31,4
24 22,2 22,3 – 26,9 27,0 – 31,5 31,6
25 22,4 22,5 – 27,0 27,1 – 31,6 31,7
26 22,6 22,7 – 27,2 27,3 – 31,7 31,8
27 22,7 22,8 – 27,3 27,4 – 31,8 31,9
28 22,9 23,0 – 27,5 27,6 – 31,9 32,0
29 23,1 23,2 – 27,6 27,7 – 32,0 32,1
30 23,3 23,4 – 27,8 27,9 – 32,1 32,2
31 23,4 23,5 – 27,9 28,0 – 32,2 32,3
32 23,6 23,7 – 28,0 28,1 – 32,3 32,4
33 23,8 23,9 – 28,1 28,2 – 32,4 32,5
34 23,9 24,0 – 28,3 28,4 – 32,5 32,6
35 24,1 24,2 – 28,4 28,5 – 32,6 32,7
36 24,2 24,3 – 28,5 28,6 – 32,7 32,8
37 24,4 24,5 – 28,7 28,8 – 32,8 32,9
38 24,5 24,6 – 28,8 28,9 – 32,9 33,0
39 24,7 24,8 – 28,9 29,0 – 33,0 33,1
40 24,9 25,0 – 29,1 29,2 – 33,1 33,2
41 25,0 25,1 – 29,2 29,3 – 33,2 33,3
42 25,0 25,1 – 29,2 29,3 – 33,2 33,3
Fonte: Atalah et al. (1997).8
Capítulo 1 - Gestantes 13
Tabela 4. Ganho de peso semanal e total para gestação gemelar segundo IMC pré-gestacional.
Estado nutricional Ganho de peso semanal médio (g/semana) Ganho de peso
pré-gestacional 0 a 20 semanas 20 a 28 semanas > 28 semanas total (kg)
Caso a gestante esteja com ganho de peso inadequado, veja no tópico “Orien-
tações Nutricionais” deste capítulo as possíveis intervenções nutricionais a serem
realizadas no atendimento.
Figura 1. Estado nutricional da gestante segundo o IMC, por semana gestacional.
ATENÇÃO: Para adolescentes que engravidaram dois ou mais anos após a menarca
(em geral maiores de 15 anos), a interpretação dos achados é equivalente a das adul-
tas. Para as que engravidaram menos de dois anos após a menarca, é provável que se
observe que muitas serão classificadas como de baixo peso. O mais importante é acom-
panhar o traçado da curva de ganho de peso, que deverá ser ascendente.6
Capítulo 1 - Gestantes 15
*Observação: As linhas em azul foram desenhadas aleatoriamente apenas para exemplificar as possíveis tendências
de inclinação das curvas. Fonte: Ministério da Saúde (2011).6
16 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
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Avaliação Laboratorial _______________________
Os exames complementares mínimos a serem solicitados no acompanhamento
pré-natal buscam avaliar fundamentalmente as condições hematológicas, possível
incompatibilidade Rh e ABO, doenças infecciosas e afecções que possam interferir
diretamente na saúde da gestante e da criança, tais como: malformações fetais,
diabetes e transtornos hipertensivos.2 O quadro abaixo apresenta valores de refe-
rência de alguns exames solicitados na Unidade Básica de Saúde (UBS).
Quadro 3. Exames laboratoriais solicitados no pré-natal e valores de referência.
Exame Interpretação
Normal: ≥ 11g/dL.
Hemoglobina Anemia leve a moderada: 8 a 11 g/dL.
Anemia grave: < 8 g/dL.
< 92 mg/dL: Normoglicêmica (seguir rastreamento com TOTG entre 24 e 28 semanas).
Glicemia
92 a 125 mg/dL: Diabetes mellitus gestacional.
(jejum)
≥ 126 mg/dL: Diabetes mellitus na gestação.
DMG caso houver um dos seguintes valores:
Jejum: 92 a 125 mg/dL.
1 hora: ≥ 180 mg/dL.
Teste de tole- 2 horas: 153 a 199 mg/dL.
rância à glicose
DM na gestação caso houver um dos seguintes valores:
Jejum: ≥ 126 mg/dL.
2 horas: ≥ 200 mg/dL.
DM = Diabetes mellitus. DMG = Diabetes mellitus gestacional. TOTG = Teste oral de tolerância à glicose.
Fonte: BH (2019).11 SBD (2019).12 OPAS (2017).13 MS (2019).14
Necessidades Nutricionais
A gestação é caracterizada por mudanças fisiológicas desde o momento da
concepção até o nascimento do bebê. Durante este período há um processo intenso
de desenvolvimento e crescimento do feto.1 Desta forma, é importante avaliar e ade-
quar a ingestão alimentar materna de acordo com as recomendações nutricionais
específicas para gestantes, com fins de prevenir ou tratar deficiências nutricionais e
evitar desfechos desfavoráveis na saúde materna e neonatal.
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Energia _____________________________
Durante a gravidez, a dieta materna deve fornecer energia adequada para
apoiar os requisitos habituais da mãe e do feto que está em desenvolvimento.
As necessidades energéticas de cada mulher variam amplamente durante a gra-
videz, dependendo do seu nível de atividade física, do índice de massa corporal
(IMC) pré-gestacional e da taxa metabólica, portanto, a recomendação de energia
deve ser adaptada individualmente.2
A fórmula empregada para mulheres não gestantes também é aplicada para
gestantes (tabela 1), porém são acrescentados valores que correspondem à quan-
tidade adicional de energia despendida na gestação e à quantidade de energia
necessária para deposição3, conforme indicado na tabela 2.
Tabela 1. Fórmulas para calcular EER ou GET para mulher não gestante, segundo o estado nutricional.
Idade Eutrofia
9 a 18 anos EER = 135,3 – (30,8 x idade [anos]) + AF x {(10,0 x peso [kg]) + (934 x altura [m])} + 25
≥ 19 anos EER = 354 – (6,91 x idade [anos]) + AF x {(9,36 x peso [kg]) + (726 x altura [m])}
Idade Manutenção do peso no sobrepeso e obesidade
9 a 18 anos GET = 389 – (41,2 × idade [anos]) + AF × (15,0 × peso [kg] + 701,6 × altura [m])
≥ 19 anos GET = 448 – (7,95 × idade [anos]) + AF × (11.4 × peso [kg] + 619 × altura [m])
EER = Necessidade estimada de energia. AF = Atividade física. GET = Gasto energético total. Fonte: IOM (2005)3.
Para saber qual coeficiente de atividade física a ser utilizado na fórmula citada
acima, você pode consultar o quadro 1.
Quadro 1. Coeficiente de atividade física, segundo o nível de atividade física.
Coeficiente de atividade física (AF)
AF = 1,0 se o NAF for estimado em ≥ 1,0 < 1,4 (Sedentária)
AF = 1,12 se NAF for estimado em ≥ 1,4 < 1,6 (Pouco ativa)
AF = 1,27 se NAF for estimado em ≥ 1,6 < 1,9 (Ativa)
AF = 1,45 se NAF for estimado em ≥ 1,9 < 2,5 (Muito ativa)
AF = Atividade física. NAF = Nível de atividade física. Fonte: IOM (2005).3
18 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
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Macronutrientes _________________________
Para atingir as necessidades nutricionais diárias, é importante que a alimen-
tação seja equilibrada e variada, sendo composta por proteínas, carboidratos e
gorduras. Veja na tabela abaixo os intervalos aceitáveis de cada macronutriente.
Tabela 3. Distribuição de macronutrientes, segundo faixa etária.
Macronutriente Adolescentes Adultas
Carboidratos 45 a 65% do VET 45 a 65% do VET
Proteínas 10 a 30% do VET 10 a 35% do VET
Lipídios 25 a 35% do VET 20 a 35% do VET
VET = Valor energético total. Fonte: IOM (2005).3
Proteínas
As proteínas adicionais são necessárias para suportar a síntese de tecidos mater-
nos e fetais. Esta demanda aumenta ao longo da gestação e é maximizada durante o
terceiro trimestre.4 Na primeira metade da gestação, a recomendação proteica para
gestantes adultas é de 0,8 g/kg/dia, a mesma descrita àquelas não grávidas. Na
segunda metade da gestação, as necessidades aumentam para 1,1 g/kg/dia. Faz-se
necessário avaliar caso a caso, pois a exigência de proteínas pode ser maior. Um
exemplo é a gestação gemelar, recomenda-se que a gestante aumente a sua ingestão
de proteínas por um adicional de 50 g/dia a partir do segundo trimestre.5
Gorduras
A quantidade de lipídeos na alimentação depende das exigências energéticas
para o ganho de massa corporal adequado.4 A qualidade da gordura consumida
durante a gravidez possui impacto, especialmente no desenvolvimento fetal e no
crescimento infantil.2 Por essa razão, é importante focar na melhora da proporção
de gorduras poli-insaturadas.4 De acordo com as DRI (do inglês dietary referen-
ce intakes - ingestão dietética de referência), as recomendações para ômega-6 e
ômega-3 aumentam ligeiramente para 13g/dia e 1,4g/dia, respectivamente.3
Capítulo 1 - Gestantes 19
Carboidratos
Durante a gravidez, a ingestão diária recomendada para carboidratos au-
menta ligeiramente, de 130g/dia para 175g/dia, ajudando a manter a glicose no
sangue em nível adequado e a prevenir a cetose.3 Deve-se priorizar os alimentos
com carboidratos complexos (grãos integrais, frutas e legumes), ao invés daqueles
com carboidratos simples.
Para mulheres gestantes recomenda-se uma ingestão de 28g/dia de fibras.3 O
consumo adequado de fibras, junto com a ingestão hídrica adequada e a atividade
física, auxilia na prevenção e no manejo da constipação (comum na gravidez).4
________________________________
Água ______________________________
A hidratação ideal reduz os riscos de infecções do sistema urinário e pedras nos
rins. Além disso, a ingestão hídrica adequada é fundamental no manejo da consti-
pação intestinal (comum na gestação).4 Segundo a DRI, a ingestão adequada (AI)
de água para gestantes totaliza 3 L/dia (toda a água contida na água em si, nas
outras bebidas e nos alimentos), sendo 2,3 L/dia de bebidas (incluindo água potá-
vel).5 Porém, o tamanho corporal da mulher e as condições climáticas são alguns
pontos importantes a serem considerados.4
__________________________
Micronutrientes __________________________
Algumas recomendações para vitaminas e minerais aumentam com a gravidez,
mas a magnitude do aumento varia de acordo com o nutriente.4 É importante
verificar se a gestante está atingindo as suas necessidades nutricionais através de
uma alimentação variada e balanceada e/ou suplementos alimentares. Consulte as
tabelas 4 e 5, para saber quais são os valores da ingestão dietética recomendada
(RDA) e do nível máximo de ingestão tolerável (UL) de cada nutriente.5
Tabela 4. Recomendação de ingestão diária de algumas vitaminas para gestantes.
Vitamina A Vitamina C Vitamina D Vitamina B9 Vitamina B12
Faixa etária (µg/dia) (mg/dia) (µg/dia) (µg/dia) (µg/dia)
RDA UL RDA UL RDA UL RDA UL RDA UL
Vitamina A
A vitamina A é essencial na visão, na expressão gênica, na reprodução, no desen-
volvimento embrionário, no crescimento e na imunidade.5 Apesar de seus benefícios,
devemos nos atentar para não extrapolar muito o valor do nível máximo de ingestão
tolerável (UL - do inglês torelable upper intake level), pois doses excessivas de vitamina
A podem ter efeitos teratogênicos.7 Não recomenda-se suplementar vitamina A para
todas as gestantes, devido ao seu risco de teratogenicidade e porque a recomenda-
ção dessa vitamina é facilmente atingida através da alimentação2,4 (tabela 6).
Um exemplo para fornecer um bom aporte dessa vitamina é consumir no mí-
nimo uma vez na semana, em dias alternados, os seguintes alimentos: 1 bife de
fígado, 1 unidade de cenoura, 1 unidade de manga e 3 colheres de sopa de batata
doce.9 A vitamina A contida nos alimentos é expressa em termos de equivalentes de
retinol (ER), ou seja, a soma das vitaminas provenientes do retinol pré-formado e
dos carotenoides. 1 ER equivale a 1 µg de retinol.4
Tabela 6. Conteúdo de vitamina A por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina A (ER)
Fígado de boi cozido 1 bife pequeno (50g) 5.160
Cenoura crua 4 colheres de sopa cheias (50g) 1.406
Batata doce cozida 1 fatia média (70g) 1.193
Espinafre cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 819
Manga picada 1 xícara de chá (150g) 587
Couve refogada 1 colher de servir (42g) 311
Ovo cozido 1 unidade média (50g) 95
Mamão formosa 1 fatia média (170g) 63
ER = equivalente de retinol. Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).10
Vitamina C
A vitamina C, também conhecida como ácido ascórbico, atua como antioxi-
dante e cofator em processos enzimáticos e hormonais. Ela também tem papel na
modulação da absorção, transporte e armazenamento de ferro. A recomendação
de ingestão diária de vitamina C é de 80 mg para gestantes com ≤ 18 anos e
de 85 mg àquelas com 19 a 50 anos de idade.6. Consulte a tabela 7 para saber
como atingir essa necessidade através da alimentação. Atente-se às gestantes que
fumam, usam drogas, consomem álcool e/ou tomam regularmente aspirina, pois
essas podem ter suas exigências de vitamina C aumentadas.6
Capítulo 1 - Gestantes 21
Vitamina D
Sabe-se que a vitamina D exerce papel importante na homeostase do cálcio
e do fósforo e na integridade óssea. A deficiência materna desta vitamina pode
estar associada a múltiplos desfechos adversos à gravidez, como pré-eclâmpsia,
nascimento prematuro e diabetes mellitus gestacional.2 Desta forma, é essencial
investigar, prevenir e tratar essa carência nutricional, mesmo que a recomendação
de vitamina D não aumente durante a gestação (15 µg/dia para mulheres gestantes
e não gestantes).8
A vitamina D é sintetizada na pele por via não enzimática, por ação dos raios
ultravioleta-radiação B (UV-B). É importante que esta vitamina também seja for-
necida por fontes alimentares (tabela 8), principalmente nos casos de exposição
insuficiente da gestante à luz solar.4
Tabela 8. Conteúdo de vitamina D por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina D (µg)
Salmão cozido 1 filé médio (100g) 7
Sardinha escabeche 4 colheres de sopa (100g) 2,6
Ovo de galinha cozido 1 unidade (50g) 0,6
Frango grelhado 1 filé médio (100g) 0,3
Carne bovina grelhada 1 bife médio (100g) 0,3
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).10
Vitamina B9
Antes de falar sobre a necessidade de vitamina B9, é importante diferenciar bre-
vemente os termos “ácido fólico” e “folato”: o primeiro é a forma sintética do folato
encontrado nos suplementos e nos alimentos enriquecidos; enquanto o segundo é
encontrado naturalmente nos alimentos.
Para reduzir o risco de defeitos do tubo neural, recomenda-se que as mulheres
em idade fértil utilizem 400 µg (0,4 mg) de ácido fólico diariamente através de suple-
mentos e/ou alimentos fortificados, além de consumir folato por meio de uma dieta
variada.11 Veja os alimentos fontes na tabela 9. Lembre-se que a ingestão dietética
recomendada (RDA) para essa vitamina, durante a gestação, é de 600 µg (0,6 mg).5
22 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
O tubo neural fecha com cerca de 28 dias de gestação, muitas vezes antes
da gravidez ser detectada. Dessa forma, recomenda-se suplementar ácido fólico
rotineiramente pelo menos 30 dias antes da concepção até o final da gestação.12 A
suplementação com ácido fólico após o primeiro mês da gestação eventualmente
não impedirá a ocorrência de defeitos do tubo neural, porém ela pode contribuir
para outros aspectos da saúde materna e fetal.11
Tabela 9. Conteúdo de folato por alimento.
Alimento Quantidade Folato (µg)
Lentilha cozida 1 concha média rasa (100g) 181
Grão de bico cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 172
Espinafre cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 146
Beterraba crua ralada 4 colheres de sopa (65g) 70
Semente de girassol 3 colheres de sopa (25g) 56
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).10
Vitamina B12
Quantidades inadequadas de vitamina B9 e de vitamina B12 (cobalamina) po-
dem afetar negativamente o desenvolvimento cognitivo e motor da criança, bem
como aumentar o risco de defeitos do tubo neural e de crescimento fetal inadequa-
do.4 A RDA de vitamina B12 para gestantes é de 2,6 µg/dia (tabela 4).
Lembre-se que a vitamina B12 na sua forma natural é encontrada nos alimentos de
origem animal (tabela 10). Portanto, atente-se às gestantes vegetarianas ou veganas,
pois elas têm maior risco de deficiência de vitamina B12, devendo orientar o consumo
de alimentos fortificados e avaliar a necessidade de suplementar.4
Tabela 10. Conteúdo de vitamina B12 por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina B12 (µg)
Salmão cozido 1 filé médio (100g) 3,05
Carne bovina grelhada 1 bife médio (100g) 2,52
Iogurte desnatado natural 1 unidade (170g) 0,95
Ovo de galinha cozido 1 unidade (50g) 0,50
Frango grelhado 1 bife médio (100g) 0,33
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).10
Cálcio
O cálcio é transportado para o feto através da placenta da mãe, uma atividade
essencial para mineralizar o esqueleto fetal. A necessidade de cálcio é atendida por
meio das alterações fisiológicas maternas, principalmente pelo aumento da absor-
ção intestinal de cálcio durante a gestação.5 Dessa forma, as exigências de cálcio
durante a gestação não aumentam, mantendo 1000 mg/dia para mulheres adultas
e 1300 mg/dia para adolescentes entre 14 e 18 anos de idade.8 Porém, muitas
mulheres já iniciam a gestação com baixa ingestão, sendo necessário estimular o
aumento do consumo de alimentos ricos em cálcio4 (tabela 11).
Capítulo 1 - Gestantes 23
Ferro
Caso a gestante esteja com ingestão insuficiente de ferro e essa inadequação não
for corrigida o mais breve possível, ela pode desenvolver anemia por deficiência de
ferro. Na gestação, a anemia está associada a um maior risco de morte da mãe e da
criança, além de parto prematuro, baixo peso e surgimento de infecções.12
Para prevenir essa anemia, é importante orientar o consumo diário de alimentos
que são fontes de ferro (tabela 12). O consumo de alguma fonte de vitamina C (ta-
bela 7), durante ou logo após a refeição, melhora a absorção do ferro não heme
(presente nos alimentos vegetais).12
Além da adequação na alimentação, a suplementação profilática com este mi-
neral é fundamental. A recomendação do Ministério da Saúde é de 40 mg/dia de
ferro elementar (200 mg de sulfato ferroso) durante a gestação até 3 meses depois
do parto ou aborto.12-14
Tabela 12. Conteúdo de ferro por alimento.
Alimento Quantidade Ferro (mg)
Lentilha cozida 1 concha média rasa (100g) 3,3
Carne bovina grelhada 1 bife médio (100g) 3
Grão de bico cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 2,9
Sementes de girassol 3 colheres de sopa (25g) 1,7
Sardinha escabeche 4 colheres de sopa (100g) 1,4
Feijão preto cozido 1 concha média cheia (140g) 1,4
Vagem cozida 1 escumadeira (85g) 1,1
Frango grelhado 1 bife médio (100g) 1,0
Ovo de galinha cozido 1 unidade (50g) 0,7
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016)10.
24 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Zinco
O zinco atua no crescimento e na replicação celular, na proliferação e dife-
renciação celular, na transmissão de impulsos nervosos, na formação de ossos e
dentes e na função imune. A sua carência no período gestacional está relacionada
com aborto espontâneo, retardo do crescimento intra-uterino, nascimento pré-ter-
mo, anormalidades congênitas, pré-eclampsia, etc.15
A recomendação de ingestão diária desse mineral é de 12 mg para gestantes
com ≤ 18 anos e de 11 mg àquelas com 19 a 50 anos de idade. Embora o zinco
esteja abundantemente difundido nos alimentos (tabela 13), alguns fatores podem
interferir na sua biodisponibilidade. Uma alimentação rica em alimentos integrais
e fitatos, a suplementação elevada de ferro, o fumo, o abuso do álcool e o estres-
se causado por infecção ou trauma podem diminuir a concentração plasmática
materna de zinco, reduzindo sua disponibilidade para o feto.15 Portanto, além de
orientar os alimentos fontes de zinco, é importante observar e orientar esses fatores
que podem atrapalhar a absorção de zinco.
Tabela 13. Conteúdo de zinco por alimento.
Alimento Quantidade Zinco (mg)
Carne bovina grelhada 1 bife médio (100g) 5,5
Sobrecoxa assada (sem pele) 2 unidades (100g) 2,5
Sementes de abóbora 3 colheres de sopa (25g) 2,6
Grão de bico cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 1,5
Gergelim (semente) 2 colheres de sopa (25g) 1,9
Lentilha cozida 1 concha média rasa (100g) 1,3
Queijo prato 1 fatia grande (20g) 0,7
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).10
Capítulo 1 - Gestantes 25
Orientações Nutricionais
Este tópico apresenta algumas sugestões de orientações nutricionais, no entan-
to, elas devem ser individualizadas conforme as particularidades da mulher gestante
que está sendo atendida. Alguns temas presentes neste tópico (como alimentação
saudável na gestação e amamentação) também podem ser usados em grupos e
oficinas com as gestantes que frequentam a unidade de saúde. Essas modalidades
coletivas, principalmente quando multidisciplinares, são extremamente potentes,
pois criam a oportunidade de as mulheres gestantes compartilharem seus saberes,
crenças e sentimentos entre elas.
_______________________
Alimentação saudável _______________________
Durante a gravidez, as escolhas alimentares saudáveis e o ganho de peso
adequado impactam positivamente na saúde da mulher e da criança, enquanto
o contrário está associado a desfechos desfavoráveis.1 Veja no quadro abaixo os
Dez Passos da Gestante, elaborados pelo Ministério da Saúde, que resumem as
orientações nutricionais para mulheres gestantes, com fins de promover uma ali-
mentação mais saudável.
Quadro 1. Dez passos para uma alimentação saudável para gestantes.
Dez passos para uma alimentação saudável
1. Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e duas refeições menores por
dia, evitando ficar muitas horas sem comer. Entre as refeições beba água.
2. Faça as refeições em horários semelhantes e, sempre que possível, acompanhada de familiares
ou amigos. Evite “beliscar” nos intervalos e coma devagar, desfrutando o que come.
3. Alimentos mais naturais de origem vegetal devem ser a maior parte de sua alimentação. Feijões,
cereais, legumes, verduras, frutas, castanhas, leites, carnes e ovos tornam a refeição balanceada e
saborosa. Prefira os cereais integrais.
4. Ao comer carnes, retire a pele e a gordura aparente. Evite o consumo excessivo de carnes verme-
lhas, alternando, sempre que possível, com pescados, aves, ovos, feijões ou legumes.
5. Utilize óleos, gorduras e açúcares em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos.
Evite frituras e evite adicionar açúcar nas bebidas. Retire o saleiro da mesa. Fique atenta aos rótulos
dos alimentos e prefira aqueles livres de gorduras trans.
6. Coma todos os dias legumes, verduras e frutas. São ricos em várias vitaminas, minerais e fibras e têm
quantidade pequena de calorias, contribuindo para a prevenção da obesidade e de doenças crônicas.
7. Alimentos industrializados, como vegetais e peixes enlatados, extrato de tomate, frutas em calda ou
cristalizadas, queijos e pães feitos com farinha e fermento, devem ser consumidos com moderação.
8. Evite refrigerantes e sucos artificiais, macarrão instantâneo, chocolates, doces, biscoitos rechea-
dos e outras guloseimas em seu dia a dia.
9. Para evitar a anemia (falta de ferro no sangue), consuma diariamente alimentos ricos em ferro,
principalmente carnes, miúdos, feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, folhas verde-escuras, grãos inte-
grais, castanhas e outros. Junto com esses alimentos, consuma frutas que sejam fontes de vitamina
C, como acerola, goiaba, laranja, caju, limão e outras.
10. Todos esses cuidados ajudarão você a manter a saúde e o ganho de peso dentro de limites sau-
dáveis. Pratique alguma atividade física e evite as bebidas alcoólicas e o fumo.
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (2016).2
26 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
__________________________
Fracionamento __________________________
Você pode orientar a gestante a realizar pelo menos três refeições (café da ma-
nhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia, evitando ficar muitas horas
sem comer. É importante explicar que o aumento do fracionamento da dieta evita
que o estômago fique vazio por muito tempo, diminuindo o risco de sentir náuseas,
vômitos, fraquezas ou desmaios.3 Além disso, contribui para controlar a fome e não
exagerar na próxima refeição, evitando desconfortos abdominais, principalmente nos
últimos meses de gestação, quando o útero está maior e comprime o estômago.
____________________
Composição da alimentação ____________________
Para atingir as recomendações nutricionais abordadas no tópico “Necessida-
des Nutricionais” deste capítulo, é fundamental variar a composição da alimenta-
ção da mulher gestante. Veja a seguir os diversos grupos alimentares que devem
ser incluídos na rotina da gestante, suas características, seus benefícios e algumas
sugestões de orientações nutricionais.
Leguminosas
Este grupo é composto por feijão, lentilha, ervilha seca, soja e grão de bico. In-
centive a gestante a comer algum tipo de leguminosa todos os dias ou, pelo menos,
cinco vezes na semana. Além disso, é importante orientar o preparo e restringir o uso
de carnes gordas e salgadas e embutidos, pois elevam a quantidade de gorduras e sal
na alimentação. Caso a gestante não goste de leguminosa na sua forma tradicional,
incentive ela a experimentar sua inclusão em outros tipos de preparações culinárias,
como salada com grão de bico, sopa de ervilha e hambúrguer caseiro de lentilha.3
Capítulo 1 - Gestantes 27
Cereais
Os cereais são fontes importantes de energia e devem estar presentes na ali-
mentação das gestantes. Estimule o consumo de cereais na sua forma mais natural
(integral), pois oferecem maior quantidade de fibras, que ajudam a regularizar o
funcionamento intestinal. Alguns exemplos de alimentos integrais são preparações
com farinha integral, pão integral, aveia e linhaça.3
Incentive a gestante a distribuir as porções de cereais em todas as refeições e
lanches do dia. Se ela for adolescente, é importante se atentar ao seu consumo
de cereais, pois ela precisa de mais energia e nutrientes para garantir o próprio
crescimento físico e o seu desenvolvimento, além de preparar o seu organismo
para a amamentação.3
Leite e derivados
Recomenda-se o consumo diário de três porções de leite e derivados, como
iogurte, queijos, ricota e requeijão, pois esses alimentos são ricos em cálcio. Caso
necessário, consulte o tópico “Necessidades Nutricionais” deste capítulo para ver
a recomendação de ingestão de cálcio e a quantidade de cálcio presente nos ali-
mentos fontes. Oriente evitar o acréscimo de café ou chocolate em pó no leite, pois
tais alimentos reduzem o aproveitamento do cálcio do leite.3
Oleaginosas
Outra orientação nutricional importante é em relação ao consumo de sementes
de girassol e de abóbora, gergelim, castanha do Brasil, castanha de caju, nozes,
amendoim, amêndoas e outras oleaginosas. Tais alimentos são fontes de proteínas
e de gorduras de boa qualidade. Porém, é preciso consumir com moderação, pois
são muito calóricas quando ingeridas em grande quantidade. O ideal é consumir
as sementes sem sal e, quando necessário, assadas.3
28 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Gorduras
O consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras está associado ao surgimen-
to de obesidade, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Portanto, deve-se
estimular a redução de alimentos ricos em gorduras, como carnes gordas, embutidos
(salsicha, linguiça, salame, presunto, mortadela), queijos amarelos, salgadinhos, cho-
colates, sorvetes, etc. Além disso, a gestante deve ficar atenta aos rótulos dos alimen-
tos e preferir aqueles com menos gorduras e livres de gorduras trans.3
No lugar das frituras, deve-se preferir preparações assadas, cozidas, ensopadas
e grelhadas. Incentive o uso de azeites e óleos vegetais (oliva, canola, girassol,
milho, soja) ao invés de margarina, gordura vegetal, manteiga ou banha para co-
zinhar. É importante se atentar à quantidade: uma lata de óleo por mês é suficiente
para uma família de quatro pessoas. Para temperar a salada, preferir o azeite de
oliva ao invés dos outros óleos, sem exagerar na quantidade.3
Açúcar
O consumo frequente e excessivo de alimentos ricos em açúcar aumenta o risco de
complicações na gestação, como: excesso de peso, obesidade, diabetes gestacional
e hipertensão arterial, que prejudicam o adequado crescimento do feto. Além disso, o
excesso de açúcar está relacionado ao surgimento de cárie dentária. Desta forma, é
importante recomendar a redução desses alimentos e sugerir opções mais saudáveis.3
Oriente a gestante a evitar refrigerantes, sucos industrializados, biscoitos reche-
ados, balas, sorvetes, etc; explicando os malefícios do seu consumo excessivo. O
uso de adoçantes durante a gestação deve ser reservado às gestantes com diabe-
tes e ainda assim, deve ser usado com bastante cautela.3
Sal
O consumo excessivo de sódio (presente no sal de cozinha e em alimentos indus-
trializados) aumenta o risco de hipertensão arterial e de doenças cardiovasculares e
renais, além de causar ou agravar edemas. Oriente evitar o consumo de alimentos
ricos em sódio, como hambúrguer, charque, salsicha, linguiça, presunto, salgadinhos,
molhos e temperos prontos. Incentive a leitura do rótulo e a escolher aqueles com
menos sódio. Explique que o sal também pode estar com o nome “cloreto de sódio”.3
Caso a gestante esteja com consumo excessivo, oriente a redução da quantidade
de sal na comida e a retirada do saleiro da mesa. Estimule o uso de temperos natu-
rais, como cheiro verde, alho, cebola, ervas frescas ou secas e limão, para temperar
e ressaltar o sabor e, com isso, reduzir o sal. Oriente a usar sal iodado, pois a falta
do iodo durante a gestação está associada a uma série de riscos, como aborto, baixo
peso da criança ao nascer, risco de apresentar dificuldades de aprendizado, etc.3
Líquidos
Incentive a gestante a manter uma ingestão hídrica adequada. Caso necessá-
rio, veja a recomendação no tópico “Necessidades Nutricionais”. Oriente a sempre
dar preferência para água pura, evitando consumo de bebidas açucaradas, como
suco em pó, refrigerantes, sucos de caixinha, etc. Se ela não gosta de tomar água,
Capítulo 1 - Gestantes 29
____________________
Sintomas gastrointestinais ______________________
As orientações a seguir são válidas para os casos em que os sintomas são ma-
nifestações ocasionais e transitórias, não refletindo, geralmente, patologias clínicas
mais complexas. A maioria das queixas diminui ou desaparece sem o uso de medi-
camentos, que devem ser evitados ao máximo.3
Leve em consideração que muitos dos sintomas físicos manifestados pela gestante
podem estar encobrindo questões emocionais, ansiedades e medos que muitas vezes
não são percebidos pela mulher. Dessa forma, permita que a gestante expresse suas
preocupações e suas angústias, garantindo a atenção resolutiva e a articulação com
os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência e, quando necessário,
possibilitando a criação de vínculo da gestante com a equipe de saúde.3
Quadro 4. Sugestões de orientações nutricionais para alguns sintomas gastrointestinais.
Pirose (azia)
• Fracionar a dieta (6 refeições ao dia), com menor volume.
• Elevar a cabeceira da cama e evitar deitar-se após as refeições principais.
• Evitar frituras, doces e bebidas com muita cafeína (café, chá preto, mates, etc.).
• Excluir/substituir alimentos que causem desconforto e/ou intolerância.
• Avaliar em alguns casos, a critério médico, se a gestante deve utilizar antiácidos.
• Evitar álcool e tabagismo.
Flatulência (gases) e/ou constipação intestinal
• Aumentar a ingestão de frutas e vegetais, de preferência na forma crua.
• Aumentar o consumo de produtos integrais (cereais, pães, biscoitos e farinhas integrais).
• Incluir aveia ou farelo de trigo na alimentação. Iniciar com 1 colher de chá e aumentar conforme
tolerância, chegando até a 2 colheres de sopa/dia.
• Incentive o aumento da ingestão de líquidos.
• Avalie a necessidade de evitar alimentos que tendem a causar flatulência (repolho, couve, ovo,
feijão, brócolis, batata doce, cebola, etc.), conforme tolerância.
• Deixar o feijão de molho ajuda a manejar as flatulências.
• Oriente a comer devagar, mastigar bem e evitar falar durante as refeições.
• Estimule regularização do hábito intestinal, caminhadas e movimentações.
• Explique a importância de procurar evacuar logo que tiver vontade.
30 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
(continuação)
Náuseas e vômitos
• Explique à gestante que tais sintomas são comuns no início da gravidez.
• Evitar frituras, alimentos gordurosos e alimentos com odor forte ou desagradável.
• Evitar aqueles alimentos que causam desconforto ou intolerância.
• Modificar o tempero das preparações e preferir os temperos suaves.
• Evitar o uso de condimentos picantes.
• Ingerir alimentos sólidos antes de se levantar pela manhã, como bolacha água e sal.
• Ingerir bastante líquidos nos intervalos das refeições, para evitar a desidratação.
• Ingerir alimentos gelados.
ATENÇÃO: No caso de hiperêmese gravídica, referenciar ao pré-natal de alto risco, pois pode
provocar distúrbios metabólicos, desidratação, perda de peso, tontura, sonolência e desmaio.
Sensação de plenitude
• Ajustar a alimentação e aumentar o fracionamento, conforme a tolerância.
• Diminuir o volume das refeições e aumentar a densidade calórica através de ingredientes mais
calóricos nas preparações, como o óleo vegetal.
• Evitar deitar após a refeição.
Fonte: Adaptado de Accioly et al. (2009).6
Picamalácia
Esta condição é caracterizada pela ingestão persistente e compulsiva de subs-
tâncias consideradas inadequadas, tais como: tijolo, terra, barro, sabão, etc. Caso
a gestante afirmar tal prática, converse com ela, investigando aspectos que possam
estar associados.6
Oriente a gestante a substituir essa prática pela ingestão de alimentos de sua
preferência e a evitar contato com a substância que tiver vontade de ingerir. Es-
clareça que a ingestão de substâncias não alimentares pode interferir no aporte
adequado de nutrientes, há risco de contaminação por substâncias tóxicas e pode
acarretar doenças, como parasitoses.6
____________________
Ganho de peso inadequado ____________________
O baixo Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional e/ou o ganho de peso
insuficiente durante a gestação aumentam o risco de mortalidade fetal e infantil,
de baixo peso ao nascer e de retardo do crescimento intrauterino. Já o excesso de
peso pré-gestacional e/ou ganho excessivo de peso durante a gestação aumentam
o risco de diabetes gestacional, hipertensão induzida pela gestação, cesarianas,
prematuridades, macrossomia fetal, etc.3
Veja no quadro 5 algumas sugestões de orientações nutricionais que você pode
abordar durante o atendimento, com fins de ajudar a gestante a adequar o seu ga-
nho de peso. Caso você ainda não avaliou o ganho de peso gestacional, consulte
o tópico “Avaliação Nutricional” deste capítulo.
Capítulo 1 - Gestantes 31
__________________________
Amamentação ___________________________
Durante os cuidados no pré-natal, é importante já começar a conversar com a
família sobre as vantagens da amamentação à mulher e à criança, além de garantir
orientações sobre o manejo da amamentação. Você pode orientar sobre os cuida-
dos com as mamas, pega adequada, opções de posições para amamentar, tempo e
periodicidade das mamadas, possíveis dificuldades e intercorrências durante a ama-
mentação e estratégias para enfrentar as barreiras e os desafios do cotidiano.3
Caso necessário, consulte o capítulo “Nutrizes e Amamentação” para ver mais
orientações relacionadas à amamentação. Se a gestante que você está atendendo
é adolescente, a abordagem deve ser sistemática e diferenciada, considerando que
ela está em etapa evolutiva de grandes modificações corporais, acrescidas daque-
las referentes à gravidez e que podem dificultar a aceitação da amamentação.3
32 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Capítulo 2
Nutrizes
Amamentação
Capítulo 2 - Nutrizes e Amamentação 33
Avaliação Nutricional
A lactação possui grande impacto na saúde do lactente e da mulher lactante
e é essencial que o (a) profissional da saúde reconheça a importância do incen-
tivo da amamentação, visando a redução do desmame precoce e dos níveis de
morbimortalidade infantil.1 Neste tópico, abordam-se dois pontos brevemente: o
primeiro se refere às especificidades da avaliação nutricional da mulher nutriz e
o segundo à avaliação da técnica da amamentação. A avaliação nutricional do
lactente se encontra no capítulo “Crianças e Adolescentes”.
_____________________________
Nutrizes ______________________________
Você pode consultar o tópico “Avaliação Nutricional” do capítulo “Adultos e Ido-
sos” ou do capítulo “Crianças e Adolescentes” (caso a lactante for adolescente), para
realizar a avaliação antropométrica e dietética e para investigar a história clínica e nu-
tricional da mulher nutriz que está sendo atendida. A seguir, serão destacados alguns
pontos adicionais e específicos da lactação.
Avaliação antropométrica
Devemos levar em consideração que os indicadores antropométricos sofrem mu-
danças durante a lactação e o retorno ao peso pré-gestacional após o parto é afe-
tado por vários fatores, dentre eles: edema durante a gestação, peso pré-gestacio-
nal, peso pós-parto, paridade, idade materna e ganho de peso durante a gestação.1
Aspectos psicossociais
É importante lembrar que a chegada de uma criança na casa geralmente traz
preocupações à rotina da família, provocando mudanças súbitas e radicais. Tantas
novidades e incertezas podem gerar sentimentos negativos na mãe, tais como: soli-
dão, insegurança, tristeza e muito cansaço; muitas vezes devido à grande demanda
de mamadas frequentes (dia e noite).2
Muitas mulheres passam por alterações de humor após o parto e por modifi-
cações na imagem corporal, na sexualidade e nas relações conjugais e familiares.
Coexistem, muitas vezes, preocupações financeiras, educacionais e em relação
ao trabalho. Portanto, procure acolher essa mulher, através da escuta qualificada,
para além do aspecto nutricional.3
O baby blues pós-parto ou tristeza materna é uma condição comum e pas-
sageira, que pode ser causada em parte por alterações hormonais e, também,
pela necessidade de adaptação emocional à nova condição materna e todas as
mudanças relacionadas.2 Já a depressão pós-parto é caracterizada por sintomas
mais intensos e duradouros.3
Geralmente, o quadro de depressão inicia-se entre 2 semanas e 3 meses após o
parto, sendo observados os seguintes sintomas: humor deprimido, perda de prazer e
interesse nas atividades, alteração de peso e/ ou apetite, alteração do sono, agitação
ou retardo psicomotor, fadiga, sentimento de inutilidade ou culpa, dificuldade para
concentrar-se ou tomar decisões e pensamentos de morte e suicídio.3
34 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
________________________
Aleitamento Materno ______________________
Avaliando a técnica
Caso a mãe relatar ou você suspeitar dificuldades na técnica, pergunte se ela pode
amamentar na sua frente, para que você possa observar a mamada e auxiliá-la da
melhor forma possível. Se ela não se sentir confortável, não insista e converse sobre
suas crenças e receios, procurando desmistificá-los. No quadro abaixo estão descritos
alguns sinais que podemos observar, para avaliar se a técnica está adequada ou não.
Quadro 1. Principais sinais de que a amamentação vai bem e principais sinais de possível dificuldade.
SINAIS Sinais de que a amamentação vai bem Sinais de possível dificuldade
Mãe parece estar saudável Mãe parece estar mal e deprimida
Mãe Mãe relaxada e confortável Mãe parece tensa ou desconfortável
Sinais de vínculo entre a mãe e o bebê Sem contato visual com o bebê
Bebê parece saudável Bebê parece sonolento ou doente
Bebê Bebê calmo e relaxado Bebê está impaciente ou chorando
Bebê procura o peito, se com fome Bebê não procura o peito
Mama parece saudável Mama vermelha, inchada ou ferida
Mama Sem dor ou desconforto Mama ou mamilo dolorosos
Mama apoiada com dedos longe do mamilo Mama apoiada com os dedos na aréola
Cabeça e tronco do bebê alinhados Bebê com pescoço ou tronco torcidos
Posição Corpo do bebê bem perto do corpo da mãe Bebê longe da mãe
do Bebê Nádegas do bebê apoiadas Bebê apoiado pela cabeça ou costas apenas
Nariz do bebê na altura do mamilo Nariz do bebê acima ou abaixo do mamilo
Mais aréola acima da boca do bebê Mais aréola abaixo da boca do bebê
Pega do Boca do bebê bem aberta Bebê com boca pouco aberta
Bebê Lábio inferior virado para fora Lábios para frente ou para dentro
Queixo do bebê toca a mama Queixo do bebê não toca a mama
Sugadas lentas e profundas, com pausas Sugadas rápidas
Bochecha redonda durante a mamada Esforço da bochecha durante a mamada
Sucção
Bebê solta o peito quando termina mamada Mãe tira o bebê do peito
Mãe apresenta sinais do reflexo da ocitocina Mãe sem sinais do reflexo da ocitocina
Fonte: WHO (2004)4.
Capítulo 2 - Nutrizes e Amamentação 35
Necessidades Nutricionais
As necessidades nutricionais durante a lactação dependem do volume e com-
posição do leite produzido, além do estado nutricional materno.1 Este tópico des-
creverá as necessidades nutricionais da mulher no período de lactação. Em relação
às necessidades nutricionais do bebê lactente, consulte o tópico “Necessidades
Nutricionais” do capítulo “Crianças e Adolescentes”.
______________________________
Energia ______________________________
Há um aumento da taxa de metabolismo basal durante a lactação, consistente
com a energia necessária para a síntese de leite. Parte dessa demanda é suprida pela
mobilização da energia proveniente do tecido adiposo da mãe, podendo causar per-
da de peso (embora essa perda não ocorra em todas nutrizes, muitas vezes em razão
de uma ingestão energética mais elevada), e outra parte por meio da alimentação.2
A fórmula empregada para mulheres não lactantes também é aplicada para
lactantes (tabela 1). No entanto, para mulheres lactantes, além do gasto energé-
tico total, considera-se: o conteúdo de energia do leite, a produção total do leite
por dia e a mobilização das reservas de tecido adiposo.3 Sendo necessário, dessa
forma, um acréscimo energético, conforme ilustrado na tabela 2.
Tabela 1. Fórmulas para calcular EER ou GET para mulheres, segundo estado nutricional.
Idade Eutrofia
9 a 18 anos EER = 135,3 – (30.8 x idade [anos]) + AF x {(10,0 x peso [kg]) + (934 x altura [m])} + 25
≥ 19 anos EER = 354 – (6,91 x idade [anos]) + AF x {(9,36 x peso [kg]) + (726 x altura [m])}
Idade Manutenção do peso no sobrepeso e obesidade
9 a 18 anos GET = 389 – (41,2 × idade [anos]) + AF × (15,0 × peso [kg] + 701,6 × altura [m])
≥ 19 anos GET = 448 – (7,95 × idade [anos]) + AF × (11.4 × peso [kg] + 619 × altura [m])
EER = Necessidade estimada de energia. AF = Atividade física. GET = Gasto energético total. Fonte: IOM (2005).3
Nos primeiros seis meses após o parto, as taxas de produção de leite são
bastante elevadas (quando a criança está em aleitamento materno exclusivo), exi-
gindo mais energia (tabela 2).2
36 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
__________________________
Macronutrientes _________________________
Para atingir as necessidades nutricionais diárias, é importante que a alimen-
tação seja equilibrada e variada, sendo composta por proteínas, carboidratos e
gorduras. Veja na tabela abaixo os intervalos aceitáveis de cada macronutriente.
Proteínas
A DRI (do inglês dietary reference intakes - ingestão dietética de referência) sugere
um consumo de 1,3 g/kg/dia (71 g/dia) ou um adicional de 25 g de proteína por dia
durante a lactação.3 A avaliação clínica é necessária, pois as exigências proteicas
podem variar de acordo com o estado nutricional e condição clínica da nutriz.
Lipídios
Não há referência de ingestão dietética recomendada (RDA) para o total de lipí-
deos durante a lactação, porque isso depende da quantidade de energia requerida
pela mãe para manter a produção de leite. Dessa forma, podemos adotar a seguinte
recomendação: 20 a 35% do valor energético total (VET) provenientes de lipídios. As
escolhas do tipo de gordura na alimentação materna podem aumentar ou diminuir os
ácidos graxos específicos no leite materno, mas não a quantidade total de gordura.4
O consumo exagerado de gordura trans, presente em maior quantidade nos
alimentos industrializados, aumenta a concentração desse tipo de gordura no leite
materno. O ômega-6 e o ômega-3 são cruciais para o desenvolvimento do cérebro
fetal e suas quantidades recomendadas são 13 g/dia e 1,3 g/dia, respectivamente.4
Carboidratos
Segundo a DRI, as exigências de carboidratos aumentam para 210 g/dia duran-
te a lactação. Pode ser necessário ajustar a quantidade de carboidratos em função
da atividade da mãe e da intensidade da amamentação.4
Capítulo 2 - Nutrizes e Amamentação 37
_______________________________
Água _______________________________
A hidratação é fundamental para a mulher nutriz e para a produção de leite
materno. Segundo a DRI, a ingestão adequada (AI) de água para nutrizes totaliza
3,8 L/dia (toda a água contida na água em si, nas outras bebidas e nos alimentos),
sendo 3,1 L/dia de bebidas (incluindo água potável).3
___________________________
Micronutrientes ________________________
As exigências de alguns micronutrientes são maiores para as nutrizes, inclusive
quando comparadas com aquelas para gestantes. Além disso, a concentração de
alguns micronutrientes no leite materno depende da dieta consumida pela mãe.
Porém, a concentração de alguns minerais (cálcio, ferro, fósforo, zinco, cobre,
magnésio, sódio e potássio) no leite não sofre influência da alimentação materna.2
Consulte as tabelas 4 e 5, caso você queira saber os valores de RDA (do in-
glês recommended dietary allowance - ingestão dietética recomendada) de alguns
micronutrientes. Faz-se necessário esclarecer que o fato de não abordar aqui os
demais micronutrientes não significa que sejam menos relevantes.
Tabela 4. Recomendação de ingestão diária das principais vitaminas para nutrizes.
Vitamina A Vitamina C Vitamina B9 Vitamina B12 Vitamina B6
Faixa etária (µg/dia) (mg/dia) (µg/dia) (µg/dia) (mg/dia)
(anos)
RDA UL RDA UL RDA UL RDA UL RDA UL
≤ 18 1.200 2.800 115 1.800 500 800 2,8 ND 2 80
19 a 30 1.300 3.000 120 2.000 500 1.000 2,8 ND 2 100
31 a 50 1.300 3.000 120 2.000 500 1.000 2,8 ND 2 100
ND = Não determinado. RDA = Ingestão dietética recomendada. UL = Níveis máximos de ingestão toleráveis. Fontes:
IOM (1998)5, (2000)6, (2001)7 e (2011)8.
Vitamina A
O consumo adequado de vitamina A pela mãe durante a lactação é funda-
mental, uma vez que a dieta materna afeta a concentração dessa vitamina no leite
materno, além disso, os bebês nascem com pequenas reservas hepáticas desse
nutriente.1 Com isso, a ingestão recomendada de vitamina A aumenta significati-
vamente durante a lactação, sendo 1.200 µg/dia àquelas com ≤ 18 anos e 1.300
µg/dia àquelas com 19 a 50 anos de idade.7
38 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Vitamina C
A vitamina C é outro micronutriente que possui a sua exigência aumentada, sen-
do 115 mg/dia àquelas com ≤ 18 anos e 120 mg/dia àquelas com 19 a 50 anos
de idade.6 Essa vitamina é facilmente atingida através da alimentação, conforme
ilustrado na tabela 7. Essa vitamina traz benefícios ao nosso corpo, devido à sua atu-
ação como antioxidante e por ser um cofator em processos enzimáticos e hormonais.
Tabela 7. Conteúdo de vitamina C por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina C (mg)
Acerola 3 unidades (25g) 419
Goiaba 1 unidade média (170g) 312
Laranja 1 unidade média (180g) 95
Mamão formosa 1 fatia média (170g) 78
Kiwi 1 unidade média (76g) 74
Manga picada 1 xícara de chá (150g) 42
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).9
Vitamina B9
É comum as mulheres terem deficiência dessa vitamina durante a gestação e,
dessa forma, já iniciarem a lactação com as suas reservas exauridas.1 A exigência
nutricional de vitamina B9 para nutrizes (500 µg/dia) é menor do que para gestantes
(600 µg/dia), porém é maior do que para mulheres que não estão grávidas e nem
amamentando (400 µg/dia).5 Veja na tabela 8 os alimentos ricos em folato.
Capítulo 2 - Nutrizes e Amamentação 39
Vitamina B12
Um suprimento adequado de vitamina B12 é essencial na formação do sangue
e na função neurológica.5 A recomendação de ingestão diária para essa vitamina
é de 2,8 µg/dia. As principais fontes de vitamina B12 são de origem animal, con-
forme ilustrado na tabela 9. As mães lactantes que seguem uma dieta vegetariana
estrita, sem quaisquer produtos de origem animal, deve-se avaliar as concentra-
ções de vitamina B12 da mãe e do bebê e suplementação de B12.
O leite materno de uma mãe vegana que não utiliza suplemento tem maior
risco de ser deficiente em vitamina B12. Consequentemente, a criança pode ter
deficiência de B12 e se ela não for tratada, pode levar à deficiência de crescimento
e danos permanentes ao sistema nervoso.4
Tabela 9. Conteúdo de vitamina B12 por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina B12 (µg)
Fígado de boi cozido 1 bife médio (100g) 108
Salmão cozido 1 filé médio (100g) 3,05
Carne bovina grelhada 1 bife médio (100g) 2,52
Iogurte desnatado natural 1 unidade (170g) 0,95
Ovo de galinha cozido 1 unidade (50g) 0,50
Frango grelhado 1 bife médio (100g) 0,33
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).9
Iodo
Os teores adequados de iodo no leite materno são fundamentais no desenvol-
vimento neurológico adequado dos lactentes4 e exigem uma ingestão (290 µg/dia)
que é quase o dobro do recomendado para uma mulher não lactante.7 O iodo é
encontrado naturalmente em alguns alimentos, principalmente os de origem mari-
nha, e adicionado a outros alimentos (como o sal iodado).
40 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Cálcio
Apesar de o teor de cálcio do leite materno não estar relacionado com a in-
gestão materna, as mães devem ser encorajadas a cumprir a sua RDA de cálcio
na dieta.4 Com isso, as exigências de cálcio não se diferem das mulheres gestantes
e nem daquelas mulheres que não são gestantes e nem nutrizes (1.300 mg/dia
àquelas com ≤ 18 anos e 1.000 mg/dia àquelas com 19 a 50 anos de idade).8
Tabela 10. Conteúdo de cálcio por alimento.
Alimento Quantidade Cálcio (mg)
Iogurte desnatado natural 1 unidade (170g) 311
Leite 1 copo (200ml) 210
Gergelim (sementes) 2 colheres de sopa (25g) 244
Sardinha escabeche 4 colheres de sopa (100g) 159
Queijo prato 1 fatia grande(20g) 146
Couve refogada 5 colheres de sopa cheias (100g) 112
Requeijão 1 colher de sopa cheia (30g) 86
Ricota 1 fatia média (35g) 72
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).9
Capítulo 2 - Nutrizes e Amamentação 41
Orientações Nutricionais
A lactação, assim como a gravidez, constitui uma janela de oportunidades para
encorajar a mulher a ter uma alimentação saudável, que pode repercutir, a curto
e longo prazo, na saúde dela.1 Além disso, é fundamental cuidar da saúde física
e mental da mulher que está amamentando e a sua alimentação, hidratação e
descanso devem ter atenção redobrada.2 Veja a seguir algumas orientações nutri-
cionais específicas da lactação. Elas estão divididas em dois tópicos: o primeiro é
específico para mães nutrizes e o segundo se refere à amamentação.
_____________________________
Nutrizes ______________________________
Considera-se insuficiente apenas repassar orientações nutricionais à mãe nu-
triz, também é preciso fortalecer a sua rede de apoio. Ninguém pode amamentar
pela mãe, mas isso não impede a participação de outras pessoas na amamenta-
ção. Dessa forma, procure fazer uma abordagem familiar, responsabilizando toda
a família e estabelecendo uma divisão de tarefas, inclusive aquelas relacionadas
com a alimentação: organizar o cardápio, planejar e fazer as compras, preparar e,
se for o caso, congelar comida caseira, visando facilitar a rotina da família.2
Alimentação saudável
As orientações para adquirir uma alimentação saudável durante a lactação são as
mesmas àquelas não lactantes, portanto, caso necessário, consulte o tópico “Orien-
tações Nutricionais” do capítulo “Adultos e Idosos”. De forma geral, orienta-se: fazer
dos alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação; usar
óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades; limitar o uso de alimentos
processados; evitar o consumo de alimentos ultraprocessados; comer com regularida-
de, devagar e em ambientes apropriados; e comer, quando possível, acompanhada
de familiares e amigos.3 O quadro 1 ilustra orientações gerais para mulheres nutrizes.
Quadro 1. Orientações nutricionais gerais para mulheres nutrizes.
Orientações nutricionais gerais
• Esclareça à nutriz em relação à perda de peso adequada e inadequada.
• Desencoraje dietas restritivas e com poucas calorias, pois podem diminuir a produção de leite.
• Oriente quanto a escolha e preparação dos alimentos, conforme condição sócio-econômica da nutriz.
• Enfatize o consumo dos grupos de alimentos fontes dos principais nutrientes.
• Incentive o consumo de frutas, verduras, legumes e cereais integrais.
• Oriente evitar o consumo de alimentos ultraprocessados (embutidos, salgadinhos, sorvetes, etc.).
• Estimule a ingestão hídrica. Caso não goste de água pura, incentive a experimentar água saborizada.
• Oriente evitar refrigerantes, sucos industrializados e demais bebidas açucaradas.2
• Desencoraje o consumo de bebidas alcoólicas.
• Desencoraje o consumo de alimentos contendo muita cafeína (café, chimarrão, refrigerantes, chá
preto, etc.). Esse consumo pode estar associado com cólicas do lactente.
• Incentive a fazer atividade física, sob supervisão de um profissional.
Fonte: Adaptado de Accioly (2009).4
42 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
______________________
Aleitamento Materno ________________________
O aleitamento materno deve ser protegido, promovido e apoiado, em virtude
de seus benefícios fisiológicos, imunológicos, socioeconômicos, afetivos e nutri-
cionais. Além dos benefícios para o bebê, citados no capítulo “Crianças e Ado-
lescentes”, o aleitamento materno promove saúde materna e diminui o risco de
desenvolver câncer de mama e de ovário.1
A prática bem-sucedida do aleitamento materno depende, em grande parte, do
apoio e das orientações recebidas pelas mães durante a gestação, nos primeiros
momentos após o nascimento e na alta hospitalar. A seguir, serão descritas algu-
mas sugestões de orientações referentes à amamentação, para abordar com a mãe
nutriz e com os familiares.
Orientando a técnica
Em relação à posição, você pode orientar a mulher a amamentar sentada,
recostada, deitada ou em qualquer outra posição que seja agradável, familiar e
mais adequada no momento. A mulher e o bebê devem se sentir confortáveis, com
o corpo da criança virado para o corpo da mulher, com a cabeça e o corpo da
criança alinhado e nunca com o pescoço torcido.2
Oriente a pega, nome dado para o encaixe da boca da criança ao peito da mu-
lher. Para ter uma pega adequada não pode haver obstáculos entre a boca da criança
e a parte da mama a ser abocanhada, como roupas, panos e mãos de quem ama-
menta. O braço da criança não deve ficar entre o seu corpo e o corpo da mulher.2
Instrua a mulher a apoiar a mama com a mão em forma de “C” em vez de
usar os dedos em forma de tesoura, para que os dedos não atrapalhem a pega. O
nariz do bebê deve ficar bem na frente do mamilo. Quando a criança abrir bem a
boca, é hora de colocá-la no peito para sugar. Recomenda-se que a mãe inicie a
mamada pela mama oferecida por último, caso tenha ofertado as duas, ou pela
mama que não tenha sido dada na mamada anterior.2
Perguntas frequentes
Comumente surgem dúvidas sobre amamentação durante o atendimento e nos
grupos. O quadro a seguir ilustra perguntas que são frequentes e sugestões de
respostas para as mesmas. Porém, antes de responder, faz-se necessário avaliar
individualmente o contexto e as particularidades da nutriz que está perguntando.
Quadro 4. Perguntas e respostas relacionadas à amamentação.
Existe leite fraco?
Nenhum leite materno é fraco. A natureza garante que as mulheres, sejam elas magras, obesas,
negras, pardas, brancas, indígenas, caboclas, pobres ou ricas, mesmo sem alimentação adequada,
produzam leite com calorias, nutrientes, anticorpos e água em quantidades adequadas.
O leite produzido é suficiente para a criança?
A maioria das mulheres tem capacidade de produzir leite suficiente para alimentar o seu bebê.
No entanto, por diversas razões, a produção de leite pode diminuir. Na maioria das vezes, essa
situação pode ser revertida se manejada adequadamente - veja o item “pouco leite” no quadro 3.
Como saber se o bebê está recebendo leite materno suficiente?
Para saber se o bebê está recebendo leite materno o suficiente, observe alguns sinais: se o bebê é
ativo e responde aos estímulos; se faz xixi várias vezes ao dia, no mínimo 6 vezes nas 24 horas, uri-
na de cor clara; e, principalmente, se está crescendo e se desenvolvendo adequadamente. O nú-
mero de vezes que a criança faz cocô em um dia pode variar muito, logo, não é um bom indicador.
Como saber se o choro do bebê é de fome?
O bebê chora por várias razões: sono, frio, calor, dor, cólicas, fraldas sujas, necessidade de cari-
nho, aconchego, quer sugar e quando está com fome. Com o tempo, a família aprende a interpre-
tar o comportamento do bebê, identificando o que ele está precisando no momento do choro.
Uma mulher pode amamentar filhos de idades diferentes?
Se a mulher deseja amamentar seu bebê recém-nascido junto com outro filho (a), ela poderá fazê-
-lo, desde que não prejudique o bebê mais jovem, que deve ter sempre a preferência para mamar.
Uma criança pode ter alergia se estiver mamando só no peito?
A criança em amamentação exclusiva pode ter alergia à alguns alimentos, pois ela entra em con-
tato com eles por meio do leite materno. O alimento ingerido pela mãe que mais causa alergia
na criança é o leite de vaca, mas outros alimentos também podem causar alergia. Presença de
sangue nas fezes, refluxo e irritabilidade são alguns dos sinais de alergia na criança. Se a alergia for
confirmada, a mulher não precisa suspender a amamentação. O tratamento consiste em retirar da
dieta da mãe o alimento que supostamente está causando a alergia.
Mamas pequenas produzem pouco leite?
O que determina o tamanho das mamas é a gordura acumulada nesse local. A quantidade de leite
produzida por uma mulher não depende do tamanho das mamas, pois o leite é produzido pelas
glândulas mamárias e não pela gordura acumulada nas mamas.
É seguro amamentar durante uma nova gestação?
A princípio, a gestação de uma nova criança não é motivo para interromper o aleitamento mater-
no, exceto quando há risco de abortamento ou trabalho de parto prematuro. É importante orien-
tar a mulher que durante uma gestação, se ela estiver amamentando, a produção do leite costuma
diminuir e o seu sabor pode ficar diferente; por isso, algumas crianças estranham.
A alimentação da mulher que amamenta pode causar cólicas na criança?
A cólica usualmente ocorre a partir de 6 semanas de vida. Habitualmente, ela costuma ser resolvi-
da espontaneamente entre 3 e 6 meses. Como prática geral, não se recomenda excluir alimentos
consumidos pela mãe durante o período de amamentação. Entretanto, oriente ela a ficar atenta
para perceber se a cólica aparece ou piora nos dias em que ela consome um determinado alimento.
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (2019).2
46 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Capítulo 3
Crianças
Adolescentes
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 47
Avaliação Nutricional
A avaliação do estado nutricional tem se tornado cada vez mais importante no
estabelecimento de situações de risco, no diagnóstico nutricional e no planejamento
de ações de promoção à saúde e de prevenção de doenças. Sua importância é re-
conhecida tanto na atenção primária, para acompanhar o crescimento e a saúde da
criança e do adolescente, quanto na detecção precoce de distúrbios nutricionais.1
Você verá com frequência os termos “lactentes”, “pré-escolares”, “escolares” e
“adolescentes”. Os lactentes são aqueles com até 2 anos de idade e a partir dos
2 anos são chamados de pré-escolares. A idade escolar caracteriza uma fase de
transição entre infância e adolescência (7 a 10 anos de idade). Por último, mas não
menos importante, há a adolescência (10 a 20 anos incompletos), um período com
intensas transformações físicas, psicológicas e comportamentais.2
___________________________
História Global _________________________
Este tópico compreende a história clínica, história alimentar, antecedentes pes-
soais e familiares, avaliação socioeconômica e cultural e avaliação do estilo de vida
e da rotina diária.1 O quadro abaixo ilustra questões que você pode abordar com
os familiares durante a anamnese, com objetivo de avaliar a condição nutricional do
indivíduo atendido. Não há necessidade de esgotar todas elas.
Quadro 1. Sugestões de questões a serem abordadas durante o atendimento.
Período gestacional da mãe
• Qual foi o estado nutricional prévio e o ganho de peso durante a gestação?
• Houve doenças associadas (hipertensão, diabetes, hemorragias, anemia e infecções)?
• Usou medicamentos e/ou suplementos vitamínicos e de minerais? Quais?
• Houve tabagismo, etilismo ou uso de drogas ilícitas durante a gestação?
Período neonatal
• Qual foi o peso, o comprimento e o perímetro cefálico ao nascer?
• Houve intercorrências e/ou doenças no primeiro mês de vida?
Fase de lactente
• Tem ou teve alguma doença? Possui histórico de internações e/ou cirurgias?
• Utiliza ou já utilizou suplementos vitamínicos e minerais (ferro, flúor, vitamina D)?
• Quais atividades fazem parte da rotina da criança (lúdicas e sedentárias)?
• Como é o desenvolvimento neuro psicomotor, cognitivo e social?
• A família possui condições de habitação e saneamento?
Fase pré-escolar e escolar
• Realiza atividade física curricular (escola) e extracurricular (lazer)?
• Tem ou teve alguma doença (infecciosas, anemia, desnutrição)? Quais?
• Possui histórico de internações e/ou cirurgias?
• Alguém na família tem doença crônica (obesidade, diabetes, doença cardiovascular, etc.)?
Adolescência
• Avaliar estadiamento puberal.
• Avaliar percepção da imagem corporal.
• Tem ou teve alguma doença (infecciosas, anemia, desnutrição)? Quais?
• Realiza atividade física curricular e/ou extracurricular?
• Consome álcool, anabolizantes e suplementos? É tabagista e/ou usa drogas ilícitas?
Fonte: Adaptado de Sociedade Brasileira de Pediatria (2009).1
48 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
_______________________ ________________________
Avaliação Dietética
A avaliação dietética é fundamental para que possamos realizar intervenções
nutricionais na adequação e na qualidade da alimentação da criança ou ado-
lescente. Ela deve abranger a alimentação habitual, o tipo e a frequência das
refeições diárias e avaliar se houve alguma alteração nessa dinâmica nos dias
anteriores à consulta e o que se atribui à essa mudança.1
Quando você avaliar o consumo alimentar da criança, aproveite para verificar
os hábitos e padrões alimentares da família também, uma vez que esses exercem
um papel fundamental no comportamento alimentar da mesma. Ao avaliar a quan-
tidade de alimentos consumidos, a melhor maneira de saber se ela está adequada
é avaliando o crescimento dessa criança ou adolescente.1 Caso necessário, consul-
te o tópico “Avaliação Antropométrica” presente neste mesmo capítulo.
Aleitamento materno
Caso o indivíduo atendido seja um lactente, é importante avaliar e identificar o
tipo de aleitamento materno adotado nessa fase. O quadro abaixo ilustra as defi-
nições de aleitamento, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Quadro 2. Definição do tipo de aleitamento materno.
Tipo Descrição
A criança recebe leite materno, direto do seio ou dele extraído, independen-
Aleitamento materno
temente de estar recebendo qualquer outro alimento, incluindo outro leite.
A criança recebe apenas leite materno, direto da mama ou dele extraído, e
Aleitamento materno
nenhum outro alimento líquido ou sólido, com possível exceção para medica-
exclusivo
mentos; ou seja, toda energia e nutrientes são fornecidos pelo leite materno.
Aleitamento materno O lactente recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água,
predominante como sucos de frutas ou chás, mas não recebe outro tipo de leite.
A criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou semis-
Aleitamento materno sólido, com fim de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria
complementado a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este
não é considerado alimento complementar.
Aleitamento materno
A criança recebe leite materno e outros tipos de leite.
misto ou parcial
Fonte: Organização Mundial da Saúde (2007).3
Fórmula infantil
Caso o lactente receba fórmula infantil, é fundamental perguntar sobre a di-
luição, oferta hídrica, modo de armazenamento da lata e se há adição de outros
ingredientes, como açúcar, farinha láctea e leite.
Ingestão alimentar
Na avaliação nutricional é crucial realizar o levantamento do que a criança ou
adolescente comeu nas últimas 24 horas. Se o dia anterior ao da entrevista foi um
dia atípico (por exemplo, final de semana ou feriado), você pode investigar o dia
alimentar habitual. Veja como realizar este levantamento de dados:
Quadro 3. Como avaliar a ingestão alimentar de uma criança ou adolescente.
Ingestão alimentar
• Pergunte, inicialmente, o horário em que a criança ou adolescente acorda e peça para que vá
recordando a alimentação do dia anterior. Esse processo é facilitado se a alimentação for questio-
nada junto às atividades cotidianas.
• Anote o horário, os alimentos ingeridos, o modo de preparo e por fim, a quantidade consumida
(em medidas caseiras). Não esqueça dos líquidos (suco, leite, bebida láctea, refrigerante, chá, etc.) e
pergunte sobre a adição de açúcar ou sal.
• Questione sobre o modo de administração e utensílios usados (garfo, faca, colher, copo, mamadeira).
• Reporte com que frequência os principais alimentos, divididos em grupos alimentares, são consu-
midos em um determinado período de tempo.
Dinâmica alimentar
O quadro 4 mostra algumas sugestões de perguntas sobre a dinâmica alimentar.
Quadro 4. Como avaliar a dinâmica alimentar da criança ou adolescente.
Dinâmica alimentar
• Qual o grau de autonomia da criança para se alimentar?
• Onde realiza as refeições (na mesa, na sala vendo televisão, no quarto, etc.)?
_____________________
Avaliação Antropométrica _____________________
É importante realizarmos o acompanhamento sistemático do crescimento e do
desenvolvimento de crianças e adolescentes, pois corresponde ao monitoramento
das condições de saúde e nutrição do indivíduo assistido.4 As principais medidas
antropométricas realizadas nesta fase são peso, estatura e perímetro cefálico.1
Estatura
Na faixa etária de 0 a 23 meses, a aferição do comprimento deve ser realizada
com a criança deitada e com o auxílio da régua antropométrica sobre uma super-
fície plana. Para medir a altura daqueles com mais de 2 anos de idade, deve-se
mantê-lo em pé e fazer a aferição preferencialmente com estadiômetro de parede.1
Caso não seja possível aferir a estatura da criança ou adolescente, há fórmulas
para estimá-la (quadro 5).
Quadro 5. Estimativa de estatura para crianças e adolescentes (6 a 18 anos), segundo sexo e raça.
Raça Meninos Meninas
Negra A (cm) = (AJ x 2,18) + 39,60 A (cm) = (AJ x 2,02) + 46,59
Branca A (cm) = (AJ x 2,22) + 40,54 A (cm) = (AJ x 2,15) + 43,21
A = Altura (cm). AJ = Altura do joelho (cm). Fonte: Chumlea (1994).5
Peso
O peso de crianças de 0 a 23 meses deve ser aferido com balança do tipo pesa-
-bebê, mecânica ou eletrônica, que possui grande precisão, com divisões de 10 g e
capacidade de até 16 kg. Àqueles com idade superior a 24 meses usar balanças do
tipo plataforma para adultos, com divisões de no mínimo 100 g.1 Você pode usar as
fórmulas abaixo, caso não for possível aferir o peso da criança ou adolescente.
Quadro 6. Estimativa de peso para crianças e adolescentes (6 a 18 anos), segundo sexo e raça.
Raça Meninos Meninas
Negra Peso = (AJ x 0,59) + (CB x 2,73) - 48,32 Peso = (AJ x 0,71) + (CB x 2,59) - 50,43
Branca Peso = (AJ x 0,68) + (CB x 2,64) - 50,08 Peso = (AJ x 0,77) + (CB x 2,47) - 50,16
AJ = Altura do joelho (cm). CB = Circunferência do braço (cm). Fonte: Chumlea (1994).5
Peso ao nascer
A avaliação do peso ao nascer é realizada imediatamente após o nascimento.
Para classificar o peso ao nascer, use a tabela abaixo.
Tabela 1. Classificação do estado nutricional de crianças ao nascer.
Peso da criança Classificação
≥ 2.500 g Peso adequado
< 2.500 g Baixo peso ao nascer
< 1.500 g Muito baixo peso ao nascer
Fonte: Ministério da Saúde (2004).4
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 51
Ganho de peso
Em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida, a avaliação do incre-
mento de peso (gramas/dia) é importante não apenas para a avaliação nutricional,
como também para estabelecer condutas em relação à alimentação.1 Veja abaixo a
recomendação de ganho de peso, conforme o trimestre que a criança se encontra.
Tabela 2. Valores médios de ganho de peso mensal e diário.
Trimestre Ganho de peso mensal Ganho de peso diário
1° trimestre 700 g/mês 25 a 30 g/dia
2° trimestre 600 g/mês 20 g/dia
3° trimestre 500 g/mês 15 g/dia
4° trimestre 300 g/mês 10 g/dia
Fonte: SBP (2009).1
Peso (kg)
IMC (kg/ m²) =
Altura² (m)
Curvas de crescimento
O referencial para classificar o estado nutricional de crianças e adolescen-
tes são as curvas de crescimento propostas pela Organização Mundial da Saúde
(OMS).6-7 As curvas de crescimento para meninas se encontram nos anexos 1-8 e
para meninos nos anexos 10-17.
Os índices antropométricos adotados pelo Ministério da Saúde e mais utilizados
na avaliação do estado nutricional de crianças são: peso por idade (P/I), estatura
por idade (E/I), peso por estatura (P/E) e IMC por idade (IMC/I). Para adolescen-
tes são apenas dois índices antropométricos: IMC/I e E/I.7 O quadro 7 ilustra os
pontos de corte para avaliar o estado antropométrico de crianças e adolescentes,
segundo o índice antropométrico.8
ATENÇÃO: Para avaliar os índices antropométricos P/I, E/I e IMC/I é necessário saber
com precisão a idade em dias ou meses de vida. Observe que as informações disponíveis
nas curvas de crescimento são em meses. Dessa forma, siga a regra de aproximação
para as idades não exatas: Fração de idade até 15 dias - aproxima-se a idade para baixo,
isto é, o último mês completado (por exemplo, 3 anos, 6 meses e 13 dias = 3 anos e 6
meses). Fração de idade igual ou superior a 16 dias - aproxima-se a idade para cima, isto
é, para o próximo mês a ser completado (por exemplo: 2 meses e 16 dias = 3 meses).1
Quadro 7. Critérios para classificar o estado nutricional, de acordo com os índices antropométricos.
ÍNDICES ANTROPOMÉTRICOS
CRIANÇAS DE 0 A 5 ANOS INCOMPLETOS CRIANÇAS DE 5 A 10 ANOS INCOMPLETOS ADOLESCENTES
VALORES CRÍTICOS
Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Peso para Peso para IMC para Estatura Peso para IMC para Estatura IMC para Estatura
idade estatura idade para idade idade idade para idade idade para idade
Muito baixo Muito baixa Muito baixo Muito baixa Muito baixa
Magreza Magreza Magreza Magreza
< Percentil 0,1 < Escore-z -3 peso para estatura para peso para estatura para estatura
acentuada acentuada acentuada acentuada
a idade a idade a idade a idade para a idade
Baixa Baixa Baixa
≥ Percentil 0,1 ≥ Escore-z -3 e Baixo peso Baixo peso
Magreza Magreza estatura para Magreza estatura para Magreza estatura
e < Percentil 3 < Escore-z 2 para a idade para a idade
a idade a idade para a idade
≥ Percentil 3 ≥ Escore-z -2 e
e < Percentil 15 < Escore-z -1
Eutrofia Eutrofia Eutrofia Eutrofia
Peso Peso
≥ Percentil 15 ≥ Escore-z -1 e
Pré-termos
No caso do RNPT, recomenda-se usar a curva específica até 64 semanas pós-
-concepcionais (Anexos 19 a 22). Após este período, calcule a idade corrigida da
criança e continue o acompanhamento nas curvas da OMS (Anexos 1 a 18). Este
ajuste deve ser feito para avaliar peso, estatura e perímetro cefálico8. Veja como
calcular a idade corrigida no quadro abaixo:
Quadro 8. Como calcular a idade corrigida de RNPT.
Cálculo para corrigir a idade
PASSO 1. Calcular: 40 semanas - IG do nascimento (semanas) = tempo que faltou para a IG de termo.
Exemplo: 40 semanas - 28 semanas = 12 semanas (corresponde a 3 meses)
Paralisia cerebral
As curvas de crescimento para crianças e adolescentes com paralisia cerebral
(Anexos 23 a 58) são estratificadas segundo o sistema de classificação da função
motora de crescimento, conforme ilustrado no quadro 9.
Quadro 9. Classificação da função motora de indivíduos com paralisia cerebral.
Grupo Descrição
Grupo 1 Caminham sem limitações.
Grupo 2 Caminham com limitações.
Grupo 3 Caminham usando auxílio de muletas.
Grupo 4 Movem-se com limitações, talvez usem aparelhos motorizados.
Grupo 5* Transportadas em uma cadeira de rodas manual.
*Adicionalmente dividido em aqueles que necessitam de sonda e aqueles que alimentam-se por via oral.
Fonte: Brooks (2011).9
Síndrome de down
Ainda há carência de informações sobre as formas de diagnóstico e os pontos
de corte para a definição do estado nutricional de pessoas brasileiras com síndro-
me de down (SD).10 Curvas de crescimento têm sido desenvolvidas em vários países,
no entanto, faz-se necessário verificar a sua elegibilidade.11 Um dos instrumentos
comumente utilizados na prática clínica são as curvas elaboradas por Cronk et al.12,
que se encontram nos anexos 59 a 62.
54 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Circunferências
Circunferência craniana
A circunferência craniana reflete de forma indireta o crescimento cerebral nos
dois primeiros anos de vida. Nesse período, a circunferência craniana sofre influência
também da condição nutricional e deve ser avaliada de forma conjunta com o desen-
volvimento neuropsicomotor.1 Para avaliar essa medida, consulte as curvas presentes
nos anexos 9 e 18. O perímetro cefálico com medidas acima ou abaixo de dois
desvios-padrão (< -2 ou > +2 escores “z”) pode estar relacionado com doenças
neurológicas, como microcefalia (de causa genética ou ambiental) e hidrocefalia.13
Circunferência braquial
Usar essa medida de forma isolada é desvantajoso, pois a medida de apenas
um segmento corporal limita a obtenção de um diagnóstico mais global.1 No en-
tanto, a circunferência do braço pode ser utilizada de forma complementar à avalia-
ção nutricional ou para estimar o peso de crianças e adolescentes, conforme citado
no item “Peso” deste tópico.
Antes de aferir essa medida, observe se não há presença de edema generalizado,
pois nessa condição a circunferência do braço tem aplicabilidade limitada. Realize a
medida preferencialmente no braço direito, que deve estar relaxado e flexionado em
direção ao tórax, formando ângulo de 90º. Marque o ponto médio entre o acrômio
e o olécrano. Após marcado, estenda o braço ao longo do corpo, com a palma da
mão voltada para a coxa. Com auxílio de uma fita métrica, contorne o braço no
ponto marcado, de forma ajustada, evitando compressão da pele ou folga.1
______________________
Avaliação Laboratorial _______________________
Exames complementares são como o próprio nome diz, complementares à ava-
liação, visando o estabelecimento de diagnósticos que a anamnese e o exame
físico não são capazes de estabelecer isoladamente. Durante o acompanhamento,
podem surgir intercorrências que demandem a solicitação destes exames com-
plementares.14 A seguir, serão descritos alguns exames comumente solicitados em
consultas de puericultura e que têm relação com o cuidado nutricional.14
Hemograma
O Ministério da Saúde não orienta diagnóstico laboratorial de rotina para to-
das as crianças assintomáticas, desde que ocorra a suplementação de ferro para a
prevenção de anemia.14,15 Já a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda
a investigação laboratorial de deficiência de ferro, com ou sem anemia, aos 12
meses de vida; e no caso de suspeita baseada na presença de fatores de risco, a
SBP recomenda que a investigação seja realizada precocemente, especialmente na
ausência de profilaxia adequada com ferro.16
A tabela 3 ilustra valores de referência de hemograma, porém lembre-se que
os valores podem variar conforme o laboratório de análises clínicas. No caso de
suspeita de anemia, discuta com alguém da medicina sobre o diagnóstico e a ne-
cessidade de tratamento medicamentoso.
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 55
Tabela 3. Pontos de corte usados para definir a anemia em pessoas que vivem no nível do mar.
Idade e sexo Hemoglobina abaixo de (g/dL) Hematócrito abaixo de (%)
Crianças 6 a 59 meses 11,0 33
Crianças 5 a 11 anos 11,5 34
Crianças 12 a 14 anos 12,0 36
Mulheres não grávidas ≥ 15 anos 12,0 36
Mulheres grávidas 11,0 33
Homens ≥ 15 anos 13,0 39
Fonte: World Healt Organization (2001).15
Perfil lipídico
Caso você precise avaliar o perfil lipídico de crianças e adolescentes, veja a ta-
bela 4. Recomenda-se avaliar a dosagem sérica do perfil lipídico de crianças apenas
a partir dos 2 anos de idade. Antes disso, os casos devem ser analisados individual-
mente, segundo doenças concomitantes, terapêuticas e história familiar.17
Preconiza-se triar o perfil lipídico em crianças entre 2 e 10 anos quando elas:
têm pais ou avós com história de doença arterial isquêmica precoce, têm pais
com colesterol total superior a 240 mg/dL, apresentam outras doenças ou fatores
de risco para aterosclerose, são portadoras de doenças que cursam com dislipi-
demia, usam medicamentos que alteram o perfil lipídico, possuem manifestações
clínicas de dislipidemias (xantomas, xantelasma, arco corneal, dores abdominais
recorrentes e pancreatite).17
Tabela 4. Valores de referência para lípides e lipoproteínas em crianças e adolescentes.
Lípides Com jejum (mg/dL) Sem jejum (mg/dL)
Colesterol Total < 170 < 170
HDL-c > 45 > 45
LDL-c < 110 < 110
Triglicérides (0 - 9 anos) < 75 < 85
Triglicérides (10 - 19 anos) < 90 < 100
HDL-c: colesterol da lipoproteína de alta densidade; LDL-c: colesterol da lipoproteína de baixa densidade.
Fonte: Faludi et al. (2017).17
Exame de urina
O Ministério da Saúde não recomenda exame comum de urina para crianças as-
sintomáticas, porém, deve-se ficar atento para manifestações inespecíficas em crian-
ças pequenas, tais como febre, irritabilidade, vômitos, diarreia e desaceleração do
crescimento pôndero-estatural, que podem estar relacionadas à infecção urinária).13
56 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Necessidades Nutricionais
A deficiência de macronutrientes e micronutrientes pode retardar o crescimento
e a maturação sexual e favorecer o surgimento das anemias carenciais, por defici-
ência de ferro, folato ou vitamina B12.1 Por outro lado, uma alimentação rica em
gorduras, sal e açúcares levam à distúrbios nutricionais a curto, médio e longo
prazo (da infância à idade adulta) como: anemia, desnutrição, hipertensão arterial
sistêmica, doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes tipo 2, osteoporose entre
outras. Desta forma, considera-se importante estar atento às recomendações de
energia, macronutrientes e micronutrientes de acordo com o estágio de vida, con-
forme detalhado neste tópico.
_____________________________
Energia _______________________________
As necessidades energéticas de crianças e adolescentes saudáveis são de-
terminadas pelo metabolismo basal, taxa de crescimento e gasto energético de
atividades. A oferta de nutrientes deve ser suficiente para permitir o crescimento
adequado e para suprir o gasto energético decorrente da sua rotina de atividades.2
A seguir, serão descritas diversas formas de calcular a necessidade energética de
crianças e adolescentes.
Uma delas é através da equação denominada EER (do inglês estimated energy
requirement - necessidade estimada de energia), proposta pela DRI (do inglês die-
tary reference intakes - ingestão dietética de referência).3 As fórmulas para calcular
a EER de crianças com até 3 anos de idade se encontram na tabela 1 e para maio-
res de 3 anos na tabela 2.
Tabela 1. Fórmulas para calcular EER para crianças de 0 a 35 meses.
Idade EER (Kcal/dia)
0 a 3 meses EER = (89 x Peso [kg] –100) + 175
Tabela 2. Fórmulas para calcular EER (kcal/dia) para crianças e adolescentes (3 a 18 anos).
Idade Meninos
3 a 8 anos EER = 88,5 – (61,9 x Idade [anos]) + AF x [(26,7 x Peso [kg]) + (903 x Estatura [m])] + 20
9 a 18 anos EER = 88,5 – (61,9 x Idade [anos]) + AF x [(26,7 x Peso [kg]) + (903 x Estatura [m])] + 25
Idade Meninas
3 a 8 anos EER = 135,3 – (30,8 x Idade [anos]) + AF x [(10,0 x Peso [kg]) + (934 x Estatura [m])] + 20
9 a 18 anos EER = 135,3 – (30,8 x Idade [anos]) + AF x [(10,0 x Peso [kg]) + (934 x Estatura [m])] + 25
EER = Necessidade estimada de energia. AF = Atividade Física. Fonte: IOM (2005).3
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 57
Veja na tabela 3 qual coeficiente de atividade física a ser utilizada na fórmula des-
crita anteriormente, segundo o nível de atividade física da criança ou adolescente.
Tabela 3. Coeficiente de atividade física, segundo o nível de atividade física.
Nível de atividade física Meninos (3 a 18 anos) Meninas (3 a 18 anos)
Sedentário (NAF ≥ 1,0 e < 1,4) AF = 1,0 AF = 1,0
Pouco ativo (NAF ≥ 1,4 e < 1,6) AF = 1,13 AF = 1,16
Ativo (NAF ≥ 1,6 e < 1,9) AF = 1,26 AF = 1,31
Muito ativo (NAF ≥ 1,9 e < 2,5) AF = 1,42 AF = 1,56
AF = Atividade física. NAF = Nível de atividade física. Fonte: Adaptado de IOM (2005).3
_________________________
Macronutrientes __________________________
Considera-se fundamental se atentar à distribuição de macronutrientes na alimen-
tação da criança ou adolescente, pois a oferta excessiva de carboidratos (especial-
mente os simples) e de lipídios predispõe para doenças crônicas como obesidade e
diabetes. Outra preocupação diz respeito ao consumo excessivo de proteína, principal-
mente em fases precoces da vida.2 A tabela 7 ilustra a recomendação de distribuição
de macronutrientes em relação ao valor energético total (VET), segundo a faixa etária.
Tabela 7. Faixa de distribuição aceitável de macronutrientes por idade.
Idade Proteínas Carboidratos Lipídios
0 a 6 meses 9,1g (AI) 60g (AI) 31g (AI)
7 a 12 meses 13,5g (RDA) 95g (AI) 30g (RDA)
1 a 3 anos 5 a 20% do VET 45 a 65% do VET 30 a 40% do VET
4 a 18 anos 10 a 30% do VET 45 a 65% do VET 25 a 35% do VET
AI = Ingestão adequada. RDA = Ingestão dietética recomendada. VET = Valor energético total. Fonte: IOM (2005).3
Proteínas
As proteínas exercem funções fundamentais em todos os processos biológicos.
O primeiro ano de vida é caracterizado por maior velocidade de crescimento,
sobretudo nos primeiros seis meses, a qual se reduz a partir do segundo ano. O
aporte proteico adequado é essencial durante esse rápido crescimento inicial.2
O estirão pubertário também exige maior atenção no consumo proteico do in-
divíduo.6 Veja na tabela abaixo os valores de RDA (do inglês recommended dietary
allowance - ingestão dietética recomendada) ou de AI (do inglês adequate intake
- ingestão adequada) para proteínas, eles são estimados para permitir um cresci-
mento adequado e um balanço de nitrogênio positivo.3
Tabela 8. Necessidades proteicas em indivíduos saudáveis.
Idade Proteína (g/kg/dia)
0 - 6 meses 1,52*
7 - 12 meses 1,2
1 - 3 anos 1,05
4 - 8 anos 0,95
9 - 13 anos 0,95
14 - 18 anos 0,85
AI = ingestão adequada*. RDA = ingestão dietética recomendada. Fonte: IOM (2005).3
Gorduras
A proporção de gordura da alimentação deve ser suficiente para permitir o
crescimento e desenvolvimento adequado e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de
doença aterosclerótica.7 A preocupação não deve ser apenas com a quantidade,
mas também com a qualidade, conforme ilustrado na tabela 9. A gordura trans não
deve ultrapassar 1% do valor energético total.3
60 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Carboidratos
Os carboidratos são a principal fonte de energia para a maioria das células do
organismo. A recomendação de carboidratos segundo a faixa etária está ilustrada
na tabela 7. Ela deve ser ajustada de acordo com a condição da criança ou ado-
lescente: aqueles que são muito ativos ou em crescimento ativo precisam de mais
carboidratos para manter a ingestão de energia adequada, enquanto aqueles que
são inativos ou têm uma condição crônica que limita a mobilidade, podem precisar
de menos carboidratos.2
Fibras
Os valores de ingestão adequada (AI) de fibras para menores de 1 ano de ida-
de não foram determinados e os valores àqueles maiores de 1 ano estão ilustrados
na tabela 10.
Tabela 10. Ingestão adequada (AI) de fibras para maiores de 1 ano.
Idade Fibras (g/dia)
1 - 3 anos 19
4 - 8 anos 25
9 - 13 anos (meninos) 31
14 - 18 anos (meninos) 38
9 - 18 anos (meninas) 26
AI = ingestão adequada. Fonte: IOM (2005).3
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 61
_________________________
Micronutrientes ___________________________
As vitaminas e os minerais são essenciais no crescimento e no desenvolvimento
adequado das crianças e dos adolescentes.2 As tabelas 11 e 12 ilustram os valores
de referência de algumas vitaminas e minerais, segundo o sexo e a faixa etária. O
fato de não descrever todos os micronutrientes não quer dizer que sejam irrelevantes.
Tabela 11. Recomendação de ingestão diária das principais vitaminas para crianças e adolescentes.
Vitamina A Vitamina C Vitamina Vitamina Vitamina B9 Vitamina B12
Estágio de (µg/dia) (mg/dia) D (µg/dia) K (µg/dia) (µg/dia) (µg/dia)
vida AI* e AI* e AI* e AI* e AI* e AI* e
UL UL UL UL UL UL
RDA RDA RDA RDA RDA RDA
0 - 6 meses 400* 600 40* ND 10* 25 2* ND 65* ND 0,4* ND
7 - 12 meses 500* 600 50* ND 10* 38 2,5* ND 80* ND 0,5* ND
1 - 3 anos 300 600 15 400 15 63 30* ND 150 300 0,9 ND
4 - 8 anos 400 900 25 650 15 75 55* ND 200 400 1,2 ND
Masculino
9 - 13 anos 600 1.700 45 1.200 15 100 60* ND 300 600 1,8 ND
14 - 18 anos 900 2.800 75 1.800 15 100 75* ND 400 800 2,4 ND
19 -30 anos 900 3.000 90 2.000 15 100 120* ND 400 1.000 2,4 ND
Feminino
9 - 13 anos 600 1.700 45 1.200 15 100 60* ND 300 600 1,8 ND
14 - 18 anos 700 2.800 65 1.800 15 100 75* ND 400 800 2,4 ND
19 - 30 anos 700 3.000 75 2.000 15 100 90* ND 400 1.000 2,4 ND
AI = Ingestão adequada. RDA = Ingestão dietética recomendada. UL = Níveis máximos de ingestão toleráveis. ND
= Não determinado. Observação: os valores com aterisco (*) são AI e os valores sem aterisco são RDA. Fonte: IOM
(1998)8, (2000)9, (2001)10 e (2011)11.
Tabela 12. Recomendação de ingestão diária dos principais minerais para crianças e adolescentes.
Cálcio (mg/dia) Ferro (mg/dia) Zinco (mg/dia)
Estágio de vida AI* e AI* e AI* e
UL UL UL
RDA RDA RDA
0 - 6 meses 200* 1.000 0,27* 40 2* 4
7 - 12 meses 260* 1.500 11 40 3 5
1 - 3 anos 700 2.500 7 40 3 7
4 - 8 anos 1.000 2.500 10 40 5 12
Masculino
9 - 13 anos 1.300 3.000 8 40 8 23
14 - 18 anos 1.300 3.000 11 45 11 34
19 - 30 anos 1.000 2.500 8 45 11 40
Feminino
9 - 13 anos 1.300 3.000 8 40 8 23
14 - 18 anos 1.300 3.000 15 45 9 34
19 - 30 anos 1.000 2.500 18 45 8 40
AI = Ingestão adequada. RDA = Ingestão dietética recomendada. UL = Níveis máximos de ingestão toleráveis. Obser-
vação: os valores com aterisco (*) são AI e os valores sem aterisco são RDA. Fonte: IOM (2001)10 e (2011)11.
62 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Vitamina A
Entre as vitaminas lipossolúveis, as necessidades de vitamina A aumentam con-
sideravelmente nos períodos de crescimento acelerado, principalmente durante a
adolescência. A vitamina A inclui um grupo de compostos que interferem na visão,
no crescimento ósseo, na reprodução, na divisão celular, na imunidade e nos reves-
timentos de superfície saudáveis do sistema respiratório e das membranas.2
A sua deficiência aumenta o risco de infecções e provoca problemas visuais, po-
dendo levar à cegueira. Para prevenir esses problemas na infância, é muito importante
a criança ser amamentada até os 2 anos de idade ou mais, sendo de forma exclusiva
até os 6 meses de idade. A concentração de vitamina A no leite materno varia de
acordo com a dieta da mãe. Dessa forma, no caso de crianças amamentadas, in-
centive a mãe lactante a adequar o seu consumo de alimentos fontes de vitamina A.
A partir dos 6 meses, apesar de o leite materno continuar fornecendo quase
metade da vitamina A que a criança precisa, é necessário oferecer diariamente
outros alimentos que contenham esse nutriente.12 Veja os alimentos fontes dessa
vitamina na tabela 13. Lembrando que a vitamina A contida nos alimentos é expres-
sa em termos de equivalentes de retinol (ER), ou seja, a soma das vitaminas prove-
nientes do retinol pré-formado e dos carotenoides. 1 ER equivale a 1 µg de retinol.2
Tabela 13. Conteúdo de vitamina A por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina A (ER)
Fígado de boi cozido 1 bife pequeno (50g) 5.160
Batata doce cozida 1 fatia média (70g) 1.193
Cenoura crua 2 colheres de sopa cheias (25g) 703
Manga picada 1 xícara pequena (150g) 587
Espinafre cozido 2 colheres de sopa cheias (50g) 410
Couve refogada 2 colheres de sopa (40g) 296
Ovo cozido 1 unidade média (50g) 95
Mamão formosa 1 fatia média (170g) 63
ER = equivalente de retinol. Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).13
Vitamina C
A vitamina C (ácido ascórbico) é bem conhecida pela sua função antioxidante,
prevenindo os efeitos nocivos dos radicais livres e regenerando outros antioxidan-
tes no corpo. Ela também melhora a absorção de ferro não heme, presente nos
alimentos de origem vegetal.2 A sua exigência é facilmente atingida através da
alimentação, conforme ilustrado na tabela 14.
O escorbuto, doença clássica da deficiência grave de vitamina C, é conside-
rada uma doença rara. Quando ocorre em crianças, essa doença pode compro-
meter o crescimento ósseo e promover hemorragia e anemia. Adolescentes que
fumam têm suas exigências de vitamina C aumentadas e têm maior risco para
deficiência dessa vitamina.14
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 63
Vitamina D
A vitamina D (calciferol) é essencial para a absorção de cálcio e deposição de
cálcio nos ossos. A sua deficiência durante períodos de crescimento leva ao desenvol-
vimento de raquitismo.2 As exigências de vitamina D para crianças menores de 1 ano
de idade é de 10 µg por dia e àquelas acima de 1 ano é de 15 µg por dia.11 Como a
vitamina D também é formado a partir da exposição da pele à luz solar, a quantida-
de necessária de fontes dietéticas depende de alguns fatores, tais como: localização
geográfica e tempo que se passa ao ar livre.2 Porém, são poucos alimentos fontes de
vitamina D e a quantidade deste nutriente nos alimentos é pequena (tabela 15).
O Ministério da Saúde recomenda administrar 400 UI/dia de vitamina D nas
crianças com risco aumentado, ou seja: prematuros, crianças com exposição ina-
dequada à luz solar (por hábitos culturais ou porque usa filtro solar em todos os
passeios ao ar livre), principalmente se tiver pele escura, e filhos de mães vegeta-
rianas estritas que são amamentados.15-16 Já a Sociedade Brasileira de Pediatria
(SBP) recomenda a suplementação diária de 400 UI (Unidades Internacionais) para
todas as crianças de 0 a 12 meses de idade de vida, independente de seu modo de
alimentação; e de 600 UI às crianças de 12 a 24 meses de idade.6 Caso precise
converter para UI: 1 µg de calciferol equivale a 40 UI de vitamina D.
Tabela 15. Conteúdo de vitamina D por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina D (µg)
Salmão cozido 1 filé médio (100g) 7
Sardinha escabeche 4 colheres de sopa (100g) 2,6
Ovo de galinha cozido 1 unidade (50g) 0,6
Carne de gado ou frango 1 bife médio (100g) 0,3
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).13
Vitamina K
A vitamina K funciona como coenzima nas reações biológicas envolvidas na
coagulação sanguínea e no metabolismo ósseo.2 Em crianças, a hemorragia por
deficiência de vitamina K, conhecida como Doença Hemorrágica em Recém-Nas-
cido, ocorre por: transporte placentário deficiente, estoques hepáticos limitados,
baixa produção por imaturidade ou alteração da microbiota e baixo conteúdo de
vitamina K no leite materno.17 Dessa forma, recomendam a administração injetável
de vitamina K ao nascimento, como profilaxia dessa doença.15
64 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Vitamina B9
Essa vitamina está envolvida na produção e na manutenção de novas células,
o que é especialmente importante em períodos de rápida divisão celular e cresci-
mento.2 A concentração de ácido fólico do leite materno depende do estado de
folato da mãe e da duração da lactação.14 Dessa forma, é fundamental abordar e
orientar sobre a ingestão alimentar da mãe também, não apenas do lactente. Caso
necessário, consulte o capítulo “Nutrizes e Amamentação”.
Vale salientar que há um aumento na quantidade recomendada para adoles-
centes em idade reprodutiva, em ambos sexos - 300 µg/dia de vitamina B9 àqueles
com 9 a 13 anos e 400 µg/dia e àqueles com 14 a 18 anos de idade.8 Veja na
tabela 16 os alimentos fontes dessa vitamina.
Tabela 16. Conteúdo de folato por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina B9 (µg)
Fígado de boi cozido 1 bife médio (100g) 211
Lentilha cozida 1 concha média rasa (100g) 181
Grão de bico cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 172
Espinafre cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 146
Beterraba crua ralada 4 colheres de sopa (65g) 70
Semente de girassol 2 colheres de sopa (25g) 56
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).13
Vitamina B12
A vitamina B12 é necessária para síntese de eritrócitos, manutenção do sistema
nervoso, síntese de DNA e crescimento. Sua deficiência pode causar anemia mega-
loblástica e além disso, pode causar neuropatia, que envolve a degeneração das
fibras nervosas e danos neurológicos irreversíveis.2 Crianças e adolescentes que
são vegetarianas ou veganas devem ter atenção especial, pois a vitamina B12 está
presente nos alimentos de origem animal2 (tabela 17).
Tabela 17. Conteúdo de vitamina B12 por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina B12 (µg)
Fígado de boi cozido 1 bife médio (100g) 108
Salmão cozido 1 filé médio (100g) 3,05
Carne bovina grelhada 1 bife médio (100g) 2,52
Iogurte natural 1 unidade (170g) 0,95
Ovo de galinha cozido 1 unidade (50g) 0,50
Frango grelhado 1 bife médio (100g) 0,33
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).13
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 65
Zinco
O zinco é fundamental no crescimento e a sua deficiência resulta em falha de
crescimento, falta de apetite, diminuição da acuidade do paladar e má cicatrização
de feridas.2 As recomendações diárias são de 8 a 11 mg/dia3 (tabela 11). Veja na
tabela 18 os alimentos ricos em zinco.
Tabela 18. Conteúdo de zinco por alimento.
Alimento Quantidade Zinco (mg)
Carne bovina grelhada 1 bife médio (100g) 5,5
Fígado de boi cozido 1 bife médio (100g) 5,2
Sementes de abóbora 3 colheres de sopa (25g) 2,6
Gergelim (semente) 2 colheres de sopa (25g) 1,9
Grão de bico cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 1,5
Lentilha cozida 1 concha média rasa (100g) 1,3
Sobrecoxa assada (sem pele) 1 unidade (50g) 1,1
Queijo prato 1 fatia grande (20g) 0,7
Ovo de galinha cozido 1 unidade (50g) 0,6
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).13
Cálcio
O cálcio é necessário na mineralização adequada e na manutenção do osso
em crescimento. Devido ao rápido desenvolvimento (muscular, esquelético e endó-
crino), as necessidades de cálcio são maiores na puberdade e na adolescência do
que na infância ou fase adulta.2 Caso necessário, consulte a tabela 12 para ver a
recomendação de cálcio segundo a idade.
Lembrando que a necessidade real de cálcio depende também da taxa de ab-
sorção individual e dos fatores dietéticos, tais como: quantidades de proteínas,
vitamina D e fósforo.2 Consulte a tabela abaixo para ver os alimentos ricos em
cálcio. Não se esqueça que é contraindicado o consumo de leite e derivados para
crianças menores de doze meses de idade.
Tabela 19. Conteúdo de cálcio por alimento.
Alimento Quantidade Cálcio (mg)
Iogurte natural 1 unidade (170g) 311
Leite 1 copo (200ml) 210
Queijo prato 1 fatia grande(20g) 146
Gergelim (sementes) 1 colher de sopa (12g) 117
Couve refogada 5 colheres de sopa cheias (100g) 112
Requeijão 1 colher de sopa cheia (30g) 86
Ricota 1 fatia média (35g) 72
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).13
66 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Ferro
Como medida profilática para anemia ferropriva, o Ministério da Saúde reco-
menda suplementação com dose de 1mg/kg/dia de ferro para todas as crianças de
6 a 24 meses de idade (a partir dos 4 meses àquelas que não estão em aleitamento
materno exclusivo).18 Para recém nascido pré-termo (< 37 semanas) ou com baixo
peso (< 2.500g), o Ministério da Saúde segue as recomendações da Sociedade
Brasileira de Pediatria (SBP).18
O novo consenso publicado pela SBP, em agosto de 2021, recomenda a suple-
mentação profilática de ferro para lactentes em aleitamento materno exclusivo, sem
fatores de risco, a partir de 180 dias de vida, até o final do segundo ano (quadro 2).
Quando há presença de fatores de risco (quadro 1), a SBP recomenda iniciar a suple-
mentação aos 90 dias, independentemente do tipo da alimentação (quadro 3). Para
os recém-nascidos prematuros (idade gestacional inferior a 37 semanas) ou com peso
inferior a 2.500g, orientam iniciar aos 30 dias de vida.19,20
Quadro 1. Principais fatores de risco de anemia ferropriva para crianças e adolescentes, segundo a SBP.
Fatores de risco
1. Baixa reserva materna:
• Gestações múltiplas com pouco intervalo entre elas.
• Dieta materna deficiente em ferro.
• Perdas sanguíneas.
• Não suplementação de ferro na gravidez e lactação.
2. Aumento da demanda metabólica:
• Prematuridade e baixo peso ao nascer (< 2.500g)
• Lactentes em crescimento rápido (velocidade de crescimento > p90)
• Grandes perdas menstruais
• Atletas de competição
3. Diminuição do fornecimento:
• Clampeamento do cordão umbilical antes de um minuto de vida.
• Aleitamento materno exclusivo prolongado (superior a seis meses).
• Alimentação complementar com alimentos pobres em ferro ou de baixa biodisponibilidade.
• Consumo de leite de vaca antes de um ano de vida.
• Consumo de fórmula infantil com baixo teor de ferro ou quantidade insuficiente.
• Dietas vegetarianas sem orientação de médico/nutricionista.
• Ausência ou baixa adesão à suplementação profilática com ferro, quando recomendada.
4. Perda sanguínea:
• Traumática ou cirúrgica.
• Hemorragia gastrintestinal (ex: doença inflamatória intestinal, polipose colônica, drogas anti-in-
flamatórias não esteroides, infecção por Helicobacter pylori, verminose – estrongiloides, necatur,
ancilostoma – enteropatias/colites alérgicas, esquistossomose).
• Hemorragia ginecológica (menorragia, dispositivos intrauterinos).
• Hemorragia urológica (esquistossomose, glomerulonefrite, trauma renal).
• Hemorragia pulmonar (tuberculose, mal formação pulmonar, hemossiderose pulmonar idiopática,
síndrome Goodpasture, etc.).
• Discrasias sanguíneas.
• Malária.
5. Má absorção do ferro:
• Síndromes de má-absorção (doença celíaca, doença inflamatória intestinal).
• Gastrite atrófica, cirurgia gástrica (bariátrica, ressecção gástrica),
• Redução da acidez gástrica (antiácidos, bloqueadores H2, inibidores de bomba de prótons)
P = Percentil. Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (2021)19 e (2018)20.
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 67
Recém-nascidos a termo, peso adequado para a idade ges- 1 mg de ferro elementar/kg/dia, iniciando
tacional, em aleitamento materno exclusivo até o 6º mês. aos 180 dias de vida até o 24º mês de vida.
Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (2021)19 e (2018)20.
_______________________________ ______________________________
Água
A água é essencial para a homeostase celular e para manter o volume vascular.
Além disso, serve como meio de transporte dentro do corpo, fornecendo nutrientes
e removendo resíduos. Para calcular a quantidade de água a ser ofertada, você
pode usar a regra descrita na tabela 21.
Tabela 21. Oferta hídrica na faixa etária pediátrica (Regra de Holiday-Segar).
Peso ml/kg/dia
Até 10 kg 100 ml/kg/dia
10 - 20 kg 1000 ml + 50 ml/kg/dia acima de 10kg
> 20 kg 1500 ml + 20 ml/kg/dia acima de 20kg
Fonte: SBP (2018).6
Orientações Nutricionais
A alimentação tem papel fundamental nos primeiros anos de vida. Esses anos
são considerados decisivos para o crescimento e desenvolvimento, para a forma-
ção de hábitos e para a manutenção da saúde do indivíduo. Neste tópico, algumas
intervenções e orientações nutricionais serão descritas, porém, é importante res-
saltar que elas devem ser individualizadas de acordo com as particularidades da
criança ou adolescente que está sendo atendido (a).
Crianças amamentadas
O aleitamento materno deve ser protegido, promovido e apoiado; em virtude
de seus benefícios fisiológicos, imunológicos, socioeconômicos, afetivos e nutricio-
nais. Além disso, ele é considerado uma intervenção de extrema relevância para
a redução de morbimortalidade infantil.1 A recomendação é amamentar até dois
anos de idade ou mais, porém, não há tempo máximo estabelecido para o fim da
amamentação. Ela pode durar enquanto for desejada pela mulher e pela criança,
desde que não haja nenhum prejuízo para ambas.2
Nos primeiros seis meses de idade, a criança deve receber somente leite materno,
ou seja, estar em amamentação exclusiva.2 O bebê deve mamar sob livre demanda,
todas as vezes que quiser e sem horários fixos. O tempo de esvaziamento da mama é
variável para cada criança. Após a mamada, colocá-lo de pé no colo, para arrotar.3
Nenhum outro tipo de alimento necessita ser dado ao bebê enquanto estiver
em aleitamento exclusivo, nem líquidos (como água, água de coco, chá, suco ou
outros leites) e nem qualquer outro alimento (como papinha e mingau).2 Apenas
a partir dos seis meses de idade que é indicada a introdução da alimentação
complementar e deve-se estimular a manutenção do aleitamento materno até os
dois anos de idade ou mais.3 Caso necessário, consulte o capítulo 2, “Nutrizes e
Amamentação”, para saber mais orientações referentes ao aleitamento materno.
Fórmula infantil
Se a criança estiver sendo amamentada, avalie com bastante cautela a real
necessidade de prescrever fórmula infantil, pois o seu consumo pode desestimular
a criança a mamar no peito. Caso for pela necessidade de a mãe se ausentar,
incentive ela a retirar e armazenar o leite do peito para que outra pessoa ofereça
à criança, ao invés de fórmula infantil. Veja no capítulo 2, “Nutrizes e Amamenta-
ção”, para saber como orientar a retirada e o armazenamento do leite materno.
No caso de prescrição de fórmula infantil, instrua a quantidade de pó e água
para a reconstituição correta (com base no rótulo do produto), evitando prejuí-
zos ao crescimento da criança: pouco ganho de peso, caso seja oferecida menor
quantidade de fórmula do que o necessário; ou ganho de peso excessivo, caso seja
oferecida uma quantidade de pó maior do que a recomendada. Lembre-se que
antes do sexto mês é utilizada a fórmula infantil para lactentes (primeiro semestre)
e a partir do sexto mês é utilizada a fórmula de seguimento (segundo semestre).2
Oriente como preparar a fórmula infantil: ferver a água tratada por 5 minu-
tos, na quantidade necessária para o horário. Lembrando que água engarrafadas
(minerais) também deve ser fervida. A água deve ficar bem quente para evitar con-
taminação. Após a fervura da água, deve-se esperar no máximo 15 minutos para
colocar o pó. Não misturar o pó na água enquanto ela estiver fervendo, para evitar
que ocorram mudanças na composição da fórmula.2
Leite de vaca
O leite de vaca não fornece à criança todos os nutrientes que ela precisa. Além
disso, as quantidades excessivas de proteínas, sódio, potássio e cloro presentes
neste alimento podem sobrecarregar os rins da criança nos primeiros meses de
vida.2 Apesar de o leite de vaca (fluído ou em pó) não ser a melhor opção para
crianças menores de 12 meses, esse alimento possui baixo custo quando compara-
do às formulas infantis disponíveis no mercado.4
Procure orientar quanto à utilização mais adequada e segura deste alimento,
quando esgotadas todas as possibilidade de relactação para manter o aleitamento
materno e na impossibilidade financeira de adquirir a fórmula infantil.4 Lembre-se
de avaliar e abordar sobre a necessidade de a criança alimentada com leite de
vaca modificado receber suplementação de vitaminas e minerais.2
Recomenda-se a diluição do leite de vaca em 2/3 ou 10% até os quatro meses
de idade da criança, devido ao excesso de proteínas e eletrólitos na sua composi-
ção. Caso necessário, consulte a tabela 1 para instruir a diluição conforme o volume
indicado à criança. Com a diluição há redução de energia e ácido linoléico, sendo
necessário orientar o acréscimo de 1 colher de chá de óleo para cada 100 ml de leite
diluído.5 É importante esclarecer aos cuidadores que não deve-se adicionar açúcares
e farinhas, alimentos não recomendados para crianças menores de dois anos.2
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 71
Tabela 1. Diluição e reconstituição do leite de vaca para crianças menores de quatro meses.
Volume Reconstituição do leite integral em pó Diluição do leite integral fluído
100 ml 1 colher de sobremesa rasa para 100ml de água 70ml de leite + 30ml de água = 100ml
150 ml 1 ½ colher de sobremesa rasa para 150ml de água 100ml de leite + 50ml de água = 150ml
200 ml 2 colheres de sobremesa rasas para 200ml de água 130ml de leite + 70ml de água = 200ml
A partir dos quatro meses de vida, a criança que recebe leite de vaca deve co-
meçar a receber frutas e refeições principais (almoço e jantar) além do leite integral
(tabela 7), com fins de suprir as suas necessidades nutricionais. Após completar
quatro meses de idade, o leite não deve ser diluído e nem acrescido do óleo, já que
nessa idade a criança receberá outros alimentos.2
_______________________
Introdução alimentar ________________________
Para a criança crescer e se desenvolver de forma plena, ela necessita de uma
alimentação adequada e saudável. A recomendação para crianças amamentadas ou
em uso de fórmula infantil é oferecer novos alimentos a partir dos 6 meses, além do
leite materno e/ou fórmula infantil. Àquelas que recebem leite modificado, recomen-
da-se iniciar a oferta de novos alimentos aos 4 meses, se a criança der sinais de que
está pronta para receber novos alimentos.2 A seguir, serão abordadas algumas orien-
tações referentes à introdução alimentar, com fins de auxiliar a família nesse processo.
Almoço e jantar
A diversidade da alimentação é essencial na construção de uma alimentação
adequada e saudável, ofertando diferentes nutrientes, e contribui para a prevenção
de deficiências nutricionais. Para garantir a variedade de nutrientes, oriente os cui-
dadores a montarem o prato combinando um alimento de cada grupo alimentar:
feijões; cereais, raízes e tubérculos; carnes e ovos; e legumes e verduras.2 Esses
grupos serão detalhados mais adiante.
No caso de legumes e verduras, quando possível, pode-se colocar mais de um ali-
mento desse grupo. Se em algum dia houver um alimento do grupo de cereais, (como
o arroz) e um alimento do grupo de raízes e tubérculos (como a batata), pode-se co-
locar um pouco de cada.2 Caso necessário, consulte o quadro abaixo para identificar
os grupos alimentares que devem compor as refeições principais da criança.
Quadro 1. Grupos de alimentos que devem compor o almoço e o jantar da criança.
Grupos Exemplos de alimentos
Cerais, raízes e tubérculos Arroz, aipim/mandioca, milho, batata inglesa, batata doce, inhame, etc.
Textura
A consistência dos alimentos deve ser progressivamente aumentada, respeitando
o desenvolvimento da criança. Esclareça que os alimentos não devem ser liquidifica-
dos. No início, a criança deve receber a comida amassada com garfo (quadro 2). Em
seguida, deve-se evoluir para alimentos picados em pedaços pequenos, raspados ou
desfiados, para que a criança aprenda a mastigá-los. Podem ser oferecidos alimentos
macios em pedaços grandes, para que ela pegue com a mão e leve à boca.2
Quadro 2. Recomendações de textura dos alimentos.
Idade Textura
A partir dos 6 meses Amassados
A partir dos 7 meses Amassados
9 a 11 meses Cortados ou levemente amassados
12 a 24 meses Cortados
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (2015).4
Horários
No início da introdução alimentar, deve-se permitir uma pequena liberdade quan-
to às ofertas e horários, com fins de manter a percepção correta das sensações de
fome e saciedade, característica imprescindível para a nutrição adequada e para evi-
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 73
Esquemas alimentares
Caso necessário, consulte os respectivos esquemas alimentares: quadro 4 - crian-
ças amamentadas com leite materno, quadro 5 - crianças que recebem fórmula
infantil e quadro 6 - crianças que recebem leite de vaca.2 Esses esquemas ilustram as
refeições que devem estar presentes na rotina da criança e uma média de quantidade
de comida nas refeições principais, de acordo com a faixa etária. Porém, lembre-se
que devemos respeitar a autoregulação (fome e saciedade) do lactente.
74
IDADE Café da manhã Lanche da manhã Almoço Lanche da tarde Jantar Antes de dormir
Refeição com os 4
grupos alimentares.
Fruta e leite Fruta e leite
Aos 6 meses Leite materno Aproximadamente Leite materno Leite materno
materno materno
2 a 3 colheres de
sopa no total.
Refeição com os 4
grupos alimentares.
Fruta e fórmula
Aos 6 meses Fórmula infantil Fruta Aproximadamente Fórmula infantil Fórmula infantil
infantil
2 a 3 colheres de
sopa no total.
IDADE Café da manhã Lanche da manhã Almoço Lanche da tarde Jantar Ceia
Refeição com os 4
grupos alimentares.
Fruta e leite
Aos 4 meses Leite de vaca Fruta Aproximadamente Leite de vaca Leite de vaca
de vaca
2 a 3 colheres de
sopa no total.
Quadro 6. Esquema alimentar para crianças não amamentadas e que recebem leite de vaca.
Entre 1 e 2 anos Fruta ou cereal ou Fruta Aproximadamente Fruta ou cereal ou Aproximadamente Leite de vaca
tubérculos e raízes 5 a 6 colheres de tubérculos e raízes 5 a 6 colheres de
sopa no total. sopa no total.
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 77
___________________
Composição da alimentação _____________________
Para evitar deficiências nutricionais, devemos reforçar a importância do consu-
mo alimentar adequado com todos os grupos de alimentos, buscando atingir as
exigências nutricionais, conforme apresentado no tópico “Necessidades Nutricio-
nais”. Dessa forma, a seguir serão destacados brevemente os benefícios de cada
grupo e algumas sugestões de orientações a serem abordadas com a família da
criança e/ou do (a) adolescente.
Leguminosas
São boas fontes de proteínas, fibras, ferro, zinco e vitaminas do complexo B.
Este grupo é composto por todos os tipos de feijões e também por ervilha, grão
de bico, soja e lentilha. Reforce a importância de consumir os grãos também e
não apenas o caldo. Para evitar estufamento abdominal/gases e para melhorar a
absorção dos nutrientes presentes nesses alimentos, você pode orientar a deixar a
leguminosa de molho por 8 a 12 horas antes de cozinhar.2
Cereais
Cereais inclui o arroz, aveia, centeio, milho, trigo, triguilho e os diferentes tipos
de farinha nas mais diversas texturas e refinos, como: fubá, amido de milho, fari-
nha de trigo, entre outros. Esses alimentos contêm carboidratos, nutriente que dá
energia para a criança e o (a) adolescente crescer e se desenvolver. Além disso, têm
fibras, minerais e vitaminas, especialmente os cereais integrais.2
Por ser mais prático e rápido, é bem comum o consumo de macarrão instan-
tâneo. Oriente a evitar esse alimento ultraprocessado e a substituir por macarrão
comum. Instrua o (a) responsável pelas compras a realizar a leitura do rótulo nutri-
cional, para saber diferenciar os dois tipos de macarrão.2
Em relação aos pães, estimule os familiares a fazerem pão caseiro, que é a
melhor opção de pão para as crianças e adolescentes consumirem. Recomenda-
-se evitar a compra de pães ultraprocessados, que são aqueles que contêm mais
de cinco ingredientes, como: gordura vegetal hidrogenada, amido, soro de leite,
emulsificantes e/ou outros aditivos.2
Raízes e tubérculos
Este grupo é composto por: batatas baroa, doce e inglesa, entre outras; cará;
inhame e mandioca (aipim ou macaxeira). Também fazem parte a farinha de man-
dioca, a fécula de batata, o polvilho e outras farinhas feitas de raízes e tubérculos.
Os alimentos desse grupo apresentam composição nutricional parecida com a dos
cereais: contêm carboidratos, fibras, algumas vitaminas e minerais. Você pode orien-
tar o consumo de raízes e tubérculos substituindo ou complementando os cereais no
almoço e jantar. Além disso, podem ser consumidos no café da manhã e nos lanches.2
Esclareça que as batatas são usadas como ingredientes de vários alimentos ul-
traprocessados, como: batatas tipo chips, batata palha, batata palito pronta para
fritar ou assar e preparados de purê de batata em formato de carinhas ou bolinhas
prontos para fritar ou assar. Deve-se evitar a oferta desses produtos às crianças e
adolescentes, pois eles têm muitos aditivos e são nutricionalmente desbalanceados.2
78 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Legumes e verduras
Alguns exemplos de legumes são: abóbora, abobrinha, berinjela, beterraba,
cenoura, chuchu, maxixe, pepino, pimentão, quiabo e vagem. Entre as verduras po-
demos citar: acelga, agrião, alface, brócolis, couve, couve-flor, espinafre, repolho,
etc. Estimule os familiares a consumirem legumes e verduras, pois a aceitação pela
criança tem relação direta com o consumo desses alimentos pela família.2
Legumes e verduras contêm fibras, que ajudam a prevenir constipação intestinal
(prisão de ventre ou intestino preso) e algumas doenças. Além disso, esses alimen-
tos são ricos em diversas vitaminas e minerais. Os vegetais de cor alaranjada e os
folhosos de cor verde-escura, por exemplo, são ricos em vitamina A. Outro exem-
plo é o ferro presente nesses folhosos, um mineral que previne a anemia.2 Caso ne-
cessário, consulte o tópico “Necessidades Nutricionais” para ver a recomendação
de cada nutriente e os seus respectivos alimentos fontes.
Frutas
Existem muitas opções de frutas: abacate, abacaxi, acerola, ameixa, amora,
banana, caju, caqui, figo, goiaba, laranja, maçã, manga, mamão, maracujá, me-
lancia, melão, morango, pêra, pêssego, pitanga, etc. São alimentos com muitas
fibras, vitaminas e minerais, além de possuírem substâncias que protegem contra
doenças. Oriente a variar as frutas, pois a quantidade e a variedade das vitaminas
e minerais são diferentes de uma fruta para outra.2 Veja os alimentos fontes de
cada nutriente no tópico “Necessidades Nutricionais”.
Você pode sugerir ao responsável pelas compras a dar preferência às frutas da
região e comprar as da estação (da época), quando estão mais saborosas e bara-
tas. Para conservar e aproveitar as frutas, evitando desperdícios, você pode orientar
a cozinhar ou assá-las (sem adicionar açúcar ou adoçante). Por exemplo: maçãs
podem ser fatiadas e cozidas com um pouco de suco de laranja no lugar do açúcar.2
Caso você estiver atendendo uma criança em processo de introdução alimen-
tar, você pode orientar os cuidadores a oferecerem as frutas em pedaços para
que a criança possa segurar com suas próprias mãos. Além disso, peça para se
atentarem às frutas pequenas ou com caroços, como a uva e a acerola, pois po-
dem provocar engasgo. Nesses casos, oriente a retirar as sementes e a cortar em
pedaços bem pequenos (dividir cada fruta em 2 a 4 pedaços).2
Oriente a oferecer a fruta em si ao invés de sucos de frutas. Essa recomendação
se justifica por vários motivos: ao mastigar a fruta, exercita a musculatura da boca;
se o suco for coado, há redução das fibras da fruta (as fibras previnem a constipação
intestinal); e caso adição de açúcar nos sucos, seu consumo está relacionado com
o desenvolvimento de cárie e excesso de peso. Além disso, oriente a não adicionar
açúcar ou leite condensado nas frutas, para não habituar ao sabor muito doce.2
Carnes e ovos
Este grupo inclui carnes bovina, suína (porco) e de cordeiro, aves, pescados,
frutos do mar, ovos de galinha e de outras aves, entre outros. Também inclui vísce-
ras ou miúdos de animais (fígado bovino e de aves, tripa, moela de frango) e outras
partes internas de animais. Esses alimentos contêm proteína, gordura, ferro, zinco
e vitamina B12 e, no caso do fígado, muita vitamina A. Todos esses nutrientes são
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 79
Leites e queijos
Fazem parte do grupo: leite, coalhadas, iogurtes naturais sem açúcar e queijos.
São ricos em proteína, gordura, cálcio e vitamina A. Oriente aos familiares que o
leite materno é um alimento completo, não sendo necessário oferecer leite de vaca
ou de outros animais ou fórmulas infantis para crianças que são amamentadas.2
Esclareça à família que muitos produtos vendidos como “alimento infantil” usam
leite como ingrediente, mas são ricos em açúcar e aditivos. Exemplos são: leites
aromatizados, achocolatado de caixinha, bebidas lácteas adoçadas, iogurtes tipo
petit suisse, queijos tipo cheddar e iogurtes adoçados, com sabor e coloridos artifi-
cialmente. Oriente a não comprarem esses alimentos ultraprocessados.2
Oleaginosas
Este grupo é composto por alimentos como: amêndoas, amendoim, avelã, cas-
tanhas de caju, castanha do Pará/do Brasil, noz-pecã, pistache. Oleaginosas são
alimentos ricos em minerais, vitaminas, fibras, gorduras saudáveis e substâncias
antioxidantes que ajudam a prevenir doenças. Oriente a não comprar esses ali-
mentos com coberturas açucaradas ou salgadas. Em relação às crianças menores
de 2 anos, oriente a triturar ou picar bem ao invés de oferecer inteiros, pois podem
causar engasgo e sufocamento, devido à sua consistência dura.2
Sal
O consumo excessivo de sal está relacionado com o aumento dos níveis pressó-
ricos e hipertensão. O excesso de sal em preparações caseiras ou industrializadas
e o sal de adição devem ser evitados pela família. Oriente a retirada do saleiro
da mesa durante as refeições. Explique os malefícios do uso de caldos, tabletes ou
quaisquer outros condimentos industrializados.2
Líquidos
Em relação aos lactentes em aleitamento exclusivo, a necessidade de água da
criança é atendida exclusivamente pelo leite materno. Os lactentes que recebem
apenas fórmula infantil também não precisam receber água, desde que a fórmula
seja preparada de forma adequada e a criança não apresente dificuldades para
evacuar. Recomenda-se oferecer água nos intervalos das refeições quando oferecem
leite de vaca modificado ou outros alimentos além do leite materno e da fórmula.2
80 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
___________________
Orientações nutricionais gerais ___________________
Esse item apresenta algumas orientações nutricionais de forma resumida, en-
globando os aspectos abordados nesse capítulo. Elas estão divididas de acordo
com cada fase da vida: menores de 2 anos de idade, pré-escolares (2 a 6 anos) e
escolares (7 a 10 anos) e adolescentes (10 a 20 anos incompletos).
Menores de 2 anos
Caso você esteja atendendo uma criança menor de dois anos, você pode se ba-
sear no Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, documento do
Ministério da Saúde. Ele traz recomendações e informações sobre a alimentação de
crianças nos dois primeiros anos de vida. O objetivo dele é promover saúde, cresci-
mento e desenvolvimento adequados, para que essas crianças alcancem todo o seu
potencial. Veja a seguir os doze passos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.2
Quadro 7. Doze passos do guia alimentar para crianças brasileiras menores de dois anos.
Doze passos para uma alimentação saudável
1. AMAMENTAR ATÉ 2 ANOS OU MAIS, OFERECENDO SOMENTE LEITE MATERNO ATÉ 6 MESES. O
leite materno é muito importante para a criança até 2 anos ou mais, sendo o único alimento que
a criança deve receber até 6 meses, sem necessidade de água, chá ou qualquer outro alimento.
Começar a amamentação logo após o nascimento, na primeira hora de vida, traz benefícios para
a criança e para a mãe. A rede de apoio é fundamental na amamentação.
(continuação)
6. NÃO OFERECER ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS PARA A CRIANÇA. Esses alimentos, geral-
mente, são pobres em nutrientes e podem conter muito sal, gordura e açúcar, além de aditivos,
como adoçantes, corantes e conservantes. O consumo desses alimentos pode levar a problemas
como hipertensão, doenças do coração, diabetes, obesidade, cáries e câncer. Além disso, esses ali-
mentos também geram impactos no meio ambiente e na cultura alimentar (restringe as práticas ali-
mentares das famílias). A família deve se atentar, pois alguns alimentos ultraprocessados são vistos
como alimentos infantis e saudáveis, sendo frequentemente oferecidos às crianças.
12. PROTEGER A CRIANÇA DA PUBLICIDADE DE ALIMENTOS. É crucial que a criança seja prote-
gida, evitando ao máximo a sua exposição à publicidade. Ela está presente nos programas de TV
e nas propagandas nos seus intervalos, na internet, em jogos eletrônicos, entre outros. Crianças
menores de 2 anos não devem usar televisão, celular, computador e tablet.
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (2019).2
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 83
Pré-escolares
A fase pré-escolar é um período crítico na vida da criança, onde se torna
necessária a sedimentação de hábitos. Há redução da velocidade de ganho de
peso e de estatura, condicionando à uma redução do apetite da criança, com
flutuações diárias.3 Veja no quadro 8 algumas orientações e observações a serem
consideradas nesta fase.
Quadro 8. Orientações nutricionais para pré-escolares.
Orientações nutricionais para pré-escolares
1. Estabelecer horários para as refeições, com intervalos suficientes (2 a 3 horas) para que a
criança sinta fome na próxima refeição. Deve-se evitar de oferecer alimentos fora das refeições.
2. Na fase pré-escolar, o esquema alimentar deve ser composto por cinco ou seis refeições diárias,
com horários regulares, por exemplo: café da manhã (8h), lanche da manhã (10h), almoço (12h),
lanche da tarde (15h), jantar (19h) e, caso necessário, ceia antes de dormir.
3. O tamanho das porções dos alimentos nos pratos deve estar de acordo com o grau de aceitação
da criança. O ideal é oferecer uma determinada quantidade de alimentos e perguntar se a criança
deseja mais. Ela não deve ser obrigada a comer tudo que está no prato.
4. Oriente a oferta de alimentos ricos em ferro, cálcio, vitaminas A e D, zinco e fibras. Caso necessá-
rio, consulte o tópico “Necessidades Nutricionais” para ver os alimentos fontes desses nutrientes.
5. A alimentação deve ser composta por refeições coloridas, com diferentes texturas e formas,
tornando o prato atrativo para a criança.
6. A criança deve ser confortavelmente acomodada à mesa com a família. A aceitação dos alimen-
tos não se dá apenas pela repetição à exposição, mas também, pelo condicionamento social e a
família é o modelo para o desenvolvimento de preferências e hábitos alimentares.
7. Estabelecer um tempo definido e suficiente para cada refeição. Se após esse período a criança
não aceitar os alimentos, a refeição deve ser encerrada e oferecer apenas na próxima.
8. A oferta de líquidos nos horários das refeições deve ser evitada, porque essa oferta distende o
estômago, promovendo saciedade precoce. O ideal é oferecer água após a refeição.
10. Bebidas e produtos à base de soja não devem ser oferecidos de forma indiscriminada, pois o
seu consumo exagerado pode levar à oferta excessiva de proteínas. Além disso, não se sabe quais
são as consequências da ingestão de fitoestrógenos (presentes na soja) a longo prazo.
11. A “sobremesa” não deve ser oferecida como recompensa pelo consumo dos demais alimen-
tos, e sim, como mais uma preparação da refeição. Preferir oferecer uma fruta.
12. Recomenda-se limitar a ingestão de alimentos com excesso de gordura, sal e açúcar, pois são
fatores de risco para as doenças crônicas.
13. Se atente à qualidade da gordura consumida, limite o uso de gorduras tipo trans e saturadas
e estimule o consumo de gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas, principalmente ômega-3.
14. Salgadinhos, refrigerantes, sucos artificiais, balas e doces devem ser evitados. Porém, uma ati-
tude radical de proibição pode levar à um maior interesse da criança por esses alimentos, portanto,
é necessário que os pais expliquem os prejuízos desse consumo inadequado. Além disso, a família
deve ter hábitos saudáveis para desenvolver uma aprendizagem por imitação.
16. Incentive os pais a envolver a criança nas tarefas da alimentação, tais como: participar da es-
colha dos alimentos, das compras no mercado ou feira e da preparação dos alimentos.
17. Evitar a oferta de alimentos que podem provocar engasgos (balas duras, uva inteira, pipoca, etc.).
Fonte: Adaptado de Sociedade Brasileira de Pediatria (2018).3
84 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Escolares e adolescentes
A alimentação inadequada na infância e na adolescência está associada com o
desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis na fase adulta, tais como:
hipertensão, doença arterial coronariana, dislipidemias, obesidade, diabetes e os-
teoporose. Entretanto, o risco e a evolução dessas doenças podem ser modificados
pela adoção de estilo de vida e hábitos alimentares mais saudáveis, incluindo o
aumento do consumo de leguminosas, cereais integrais, legumes, verduras e frutas,
paralelamente à limitação da ingestão de gorduras, colesterol e açúcares.3
Quadro 9. Orientações nutricionais para escolares e adolescentes.
Orientações Nutricionais
1. Deve-se evitar a substituição de refeições por lanches. Na maioria das vezes, esses lanches são
compostos por alimentos ultraprocessados (ricos em açúcar, gordura e sal).
2. Incentive a dar preferência à uma alimentação variada, incluindo todos os grupos alimentares e
evitando o consumo de alimentos ultraprocessados.
3. Incentive o consumo diário e variado de frutas, verduras e legumes.
4. Estimule o consumo de peixes duas vezes por semana.
5. Oriente evitar o consumo de refrigerantes e sucos artificiais.
6. Adeque o consumo de cálcio, para permitir a formação adequada da massa óssea e para preve-
nir a osteoporose na vida adulta.
7. Incentive o consumo de alimentos ricos em zinco e ferro. Caso necessário, consulte o tópico
“Necessidades nutricionais” para ver seus alimentos fonte.
8. A ingestão de sal deve ser controlada, para prevenir a hipertensão arterial.
9. Oriente a família sobre a importância de ler e interpretar o rótulo dos alimentos industrializados.
10. Incentive hábitos alimentares e estilo de vida adequados para toda a família
11. Aborde, principalmente com adolescentes, sobre os fatores de risco de distúrbios nutricionais,
tais como: fumo, poucas horas de sono, ingestão de álcool e energéticos.
12. Deve-se evitar de fazer as refeições assistindo televisão/computador/celular/tablet.
13. Estimule a prática de atividade física e a reduzir o tempo nos dispositivos eletrônicos, como
computador, TV e celular.
Fonte: Adaptado de Sociedade Brasileira de Pediatria (2018)2 e de Ministério da Saúde (2018)7.
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 85
__________________________
Recusa alimentar ________________________
A queixa de recusa alimentar é frequente, principalmente no segundo ano de
vida, quando a velocidade de crescimento diminui bastante em relação ao pri-
meiro ano e, consequentemente diminuem também as necessidades nutricionais e
o seu apetite.3 Acolha as angústias e os receios dos responsáveis pelos cuidados
da criança. Explique que essa rejeição aos alimentos pode ser modificada com o
auxílio de algumas estratégias nutricionais. A oferta frequente de um determinado
alimento e a criatividade na preparação e na apresentação ajudam na aceitação
alimentar da criança. Em média, são necessárias de 8 a 10 exposições ao alimento
para que ele seja plenamente aceito pela criança.3
Outro ponto que você pode destacar aos familiares é que a criança presta
atenção em tudo na sua volta e ela tende a imitar o que os outros fazem. Se ela
percebe que a família gosta de comer alimentos saudáveis, terá mais facilidade em
aceitá-los.2 Portanto, é importante que você estimule a família a ter hábitos alimen-
tares saudáveis. Veja a seguir outras orientações que você pode dar à família, com
fins de aumentar a aceitação alimentar da criança.
Quadro 10. Orientações de incentivo à aceitação alimentar.
O que fazer
Dê o exemplo, coma o mesmo que é oferecido às crianças.
Disponibilize frutas, verduras, legumes e/ou outros alimentos menos aceitos nas refeições e lan-
ches junto com os alimentos preferidos.
Torne a comida acessível. Por exemplo: deixe as frutas e hortaliças lavadas, descascadas e picadas
na mesa da cozinha ou na geladeira.
Leve os menores a feiras, sacolões e mercados para ampliarem o contato com os alimentos.
Envolva as crianças na preparação de pratos (de forma segura).
Inclua os alimentos menos aceitos em momentos agradáveis (festas, passeios e viagens).
Realize refeições em família o máximo de dias possível.
Ofereça o mesmo alimento mais vezes e em momentos diferentes.
Oriente a criança a ser neutra e ter curiosidade antes de provar o novo alimento.
Procure entender que às vezes a criança pode estar sem fome ou indisposta para comer, e a aceitar
variações na quantidade de costume.
Em restaurantes, ofereça à criança o mesmo cardápio dos adultos.
O que não fazer
Não obrigue e nem force a criança a comer e/ou criar um grande conflito.
Não chantageie a criança, como por exemplo: “se não comer a comida, não vai ganhar sorvete”.
Não substitua o alimento recusado por outro que a criança prefere após poucas tentativas.
Não desista de oferecer o alimento após poucas tentativas. Tente novas formas de apresentá-lo
(por exemplo, a cenoura pode ser ralada, em rodelas, em palitos, crua, cozida, etc.)
Não escolha sempre o menu kids no restaurante por achar que terá mais aceitação. Em geral, eles
são repetitivos e impedem a criança de experimentar novos alimentos.
Não tome as rejeições como algo pessoal. Você pode se dedicar a preparar uma nova receita e a
criança nem experimentar, mas não desanime.
Caso esteja inapetente, não compense com itens que não caracterizem uma refeição.
Não categorize os alimentos em saudáveis/não saudáveis, bons/ruins, proibidos/permitidos.
Fonte: Adaptado de Alvarenga et al. (2016).9
86 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
_________________________
Fome e saciedade _________________________
Os sinais de fome e de saciedade variam de acordo com a idade. As crianças
nascem capazes de comer intuitivamente e de regular a sua necessidade energéti-
ca, entretanto, quando seus mecanismos de fome e saciedade não são respeitados
ou quando a alimentação cumpre outros papéis, como a oferta de comida para
acalmar um choro de medo, por exemplo, essa capacidade pode ser prejudicada.
No quadro 11 estão descritas algumas estratégias que você pode trabalhar com a
família, com o objetivo de fortalecer ou resgatar as sensações de fome e saciedade
entre as crianças e os adolescentes.9
Quadro 11. Orientações relacionadas à fome e à saciedade.
O que fazer
Auxilie os seus filhos na percepção de suas motivações para comer (diferenciando fome física de
outras sensações, tais como: medo, tristeza, solidão, ansiedade etc.).
Quando maiores, permita que façam o seu próprio prato.
Estimule comportamentos alimentares adequados: comer com calma, orientando que preste
atenção nos aspectos sensoriais da comida (gosto, cheiro e textura) e os sinais produzidos pelo
corpo que indicam a hora de começar e parar de comer.
Enquanto os filhos estiverem comendo, peça para que soltem os talheres cada vez que a comida
for à boca e sugerir que terminem de engolir antes de preparar outra garfada.
Sugira uma pausa no meio da refeição e peça para que identifique como se sente em relação à
fome e à satisfação (ainda com fome, satisfeito ou cheio/estufado).
Garanta que a alimentação faça parte de uma rotina organizada com horários regulares.
O que não fazer
Não restrinja a quantidade ou o tipo dos alimentos.
Não classifique os alimentos em “saudáveis” e “não saudáveis”, “proibidos” e “permitidos”.
Não substitua alimentos por suas versões diet/light.
Evite ter elementos que distraem (televisão, computador, celular) na hora das refeições.
Não obrigue a criança a terminar o prato quando ela não quer mais e nem a proíba de repetir o
prato quando ela pedir mais.
Fonte: Adaptado de Alvarenga et al. (2016)9.
_________________
Alergia à proteína do leite de vaca __________________
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é bastante comum entre as crianças,
devido ao seu alto poder alergênico e pelo seu consumo precoce. O tratamento da
APLV consiste em retirar totalmente o leite de vaca e todos os seus derivados da dieta
do indivíduo (quadro 12). É importante ler sempre os rótulos dos alimentos para certi-
ficar que eles não contêm leite ou traços de leite.4
As dietas de exclusão podem ser usadas por curtos ou longos períodos de
tempo, contudo, devem ser adotadas com cautela principalmente se um número
significativo de alimentos ou grupos de alimentos são proibidos, podendo implicar
na inadequação da ingestão alimentar e déficit no estado nutricional.4
Os alimentos a serem oferecidos devem proporcionar oferta adequada de nutrien-
tes e segurança quanto à ausência do alérgeno alimentar. No caso de lactentes sob
aleitamento materno exclusivo, não é necessário interromper a amamentação e sim
excluir da dieta materna os alimentos alergênicos. Em relação às crianças não ama-
mentadas, deve-se avaliar e utilizar fórmulas a base de soja (não recomendado para
menores de 6 meses de idade), proteínas hidrolisadas e a base de aminoácidos.4
Capítulo 3 - Crianças e Adolescentes 87
Quadro 12. Alimentos e ingredientes que devem ser evitados no tratamento da APLV.
Alimentos que devem ser evitados
Bebida láctea Leite Manteiga
Biscoitos com leite Leite condensado Margarina / creme vegetal com leite
Chantilly Leite em pó Molhos cremosos
Chocolate Leite achocolatado Petit suisse
Creme azedo Leite de cabra Queijos;Sorvete com leite;
Creme de leite Leite evaporado Salames / presuntos com leite.
Farinha láctea Leite fermentado
Iogurtes Leite maltado
Ingredientes no rótulo que devem ser evitados
Aroma de queijo Lactose Sabor açúcar queimado
Caramelo Lactulose Sabor artificial de manteiga
Caseína Leitelho Sabor caramelo
Caseinato Manteiga Sabor creme de Bavaria
Composto lácteo Milk Sabor de leite
Creme Nata Sabor creme de coco
Derivados do leite Proteínas do leite Sabor iogurte
Estabilizante Proteínas do soro Sabor leite condensado
Galactose Proteína láctea do soro do Sabor queijo
Iogurte leite microparticulada Soro ou soro do leite
Lactoalbumina Wheyprotein
Lactoglobulina
Lactoferrina
Fonte: Dolci e Cury.10
_____________________________
Obesidade ____________________________
O acompanhamento nutricional no tratamento e na prevenção da obesidade
é fundamental. O estigma com relação à obesidade pode ser bastante prejudicial,
especialmente se acontecer nos primeiros anos de vida, e deve ser desencorajado.9
O tratamento nutricional deve contemplar uma alimentação balanceada, com dis-
tribuição adequada de macro e micronutrientes.11
A indicação de dietas restritivas pode impactar negativamente no crescimento da
criança ou adolescente, além de perturbar seriamente sua satisfação corporal, auto-
estima e comportamento alimentar. O foco da orientação não deve ser o peso, e sim
os hábitos, comportamentos e atitudes alimentares.9 O quadro abaixo ilustra algumas
estratégias para mudanças de hábitos alimentares de crianças e adolescentes.
Quadro 13. Estratégias comportamentais para o tratamento da obesidade na infância e adolescência.
Estratégias
Incentivar consumo de cinco porções de frutas e vegetais diariamente.
Diminuir o consumo de alimentos com alta densidade calórica como gorduras saturadas, salgadi-
nhos e alimentos com alto índice glicêmico, como doces.
Diminuir o consumo de bebidas açucaradas e/ou com aromatizantes.
Diminuir o consumo de alimentos fora de casa, em particular fast-foods.
Fazer o desjejum todos os dias.
Não pular refeições.
Diminuir atividades sedentárias (como ver televisão, internet e jogar vídeo game) para 2 horas por dia.
Participar de exercícios divertidos e adequados para a idade.
Fonte: Kumar e Kelly (2017).12
88 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Capítulo 4
Adultos
Idosos
Capítulo 4 - Adultos e Idosos 89
Avaliação Nutricional
A avaliação nutricional é a análise de dados diretos (fisiológicos, clínicos, bio-
químicos, antropométricos, doenças preexistentes, entre outros) e indiretos (con-
sumo alimentar, condições socioeconômicas e disponibilidade de alimentos, entre
outros) que têm como conclusão o diagnóstico de nutrição do indivíduo ou de uma
população.1 Lembrando que nenhum dado deve ser usado de forma isolada para
determinar ou monitorar o estado nutricional.
O objetivo do conteúdo deste tópico é apenas dar suporte durante a avaliação
nutricional. As respostas serão mais ricas quando o (a) usuário (a) perceber que, de
fato, está tendo uma conversa e não um interrogatório. Dessa forma, é importante
que as perguntas sejam feitas de forma mais aberta e interativa possível, para que
se sintam à vontade para falar da sua realidade.
___________________________
História Global __________________________
Conhecer a história de vida da pessoa é essencial na interpretação e compreensão
de como ela se relaciona com a alimentação. A história nutricional inclui informações
sobre condições nutricionais atuais e passadas e sobre todos os aspectos envolvidos
com o problema; além disso, é usada para detectar alterações no estado nutricional
e metabólico.2 Durante a anamnese, também é importante obter informações sobre
a história de doenças atuais, história de doenças pregressas, risco cardiovascular,
história familiar, uso de medicamentos, internações, cirurgias realizadas, etc.3
O quadro 1 apresenta algumas sugestões de questões a serem abordadas
durante o atendimento, com fins de investigar aspectos clínicos, fisiológicos, ge-
néticos, psicológicos, sociais, culturais e econômicos do indivíduo. Não deve-se
esgotar todas essas perguntas. Não se esqueça de coletar os dados demográficos
(nome, idade, sexo, data de nascimento, ocupação, etc.).2
• Possui alguma doença ou desordem genética e familiar que possa afetar o seu estado nutricional
(doença cardiovascular, doença de Crohn, diabetes, distúrbios gastrintestinais, câncer, demência, oste-
oporose, anemia falciforme, alergias, intolerâncias alimentares, obesidade)?
90 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
(continuação)
Peso e apetite
• Houve perda ou ganho de peso recente, intencional ou não intencional (quantidade, tempo, razão)?
• Ocorreu perda ou aumento de apetite (quanto tempo, razão)?
• Teve diminuição ou aumento da ingestão alimentar?
Saúde oral e sistema gastrintestinal
• Há ausência de dentes ou próteses mal fixadas?
• Possui alguma dificuldade de mastigação, salivação e/ou deglutição?
• Há alguma inflamação e/ou feridas na cavidade oral e/ou lábios?
• Como é a sua saciedade (precoce, adequada, tardia)?
• Possui náuseas, vômitos, azia, refluxo, dor e/ou distensão abdominal?
• Qual a frequência e consistência das evacuações? Qual a quantidade e a cor das fezes?
• Possui diarreia, esteatorreia, flatulência ou obstipação?
Atividade e capacidade física
• Qual o seu nível de atividade física diária (sedentário, moderadamente ativo, muito ativo)?
• É limitado (a) ao leito/casa ou instituição?
• Quais os tipos de exercícios e capacidade de execução de atividades da sua vida diária?
• Qual a sua ocupação (tipo e quantas horas por semana)?
• Possui algum tipo de limitação física ou mental para adquirir, preparar, mastigar ou deglutir os ali-
mentos e/ou para realizar atividades?
Estado socioeconômico
• Qual a sua condição de emprego (renda, frequência e duração)?
• Como é a sua condição financeira para adquirir alimentos?
• Onde você reside (residência de grupo, cuidado especializado, prisão, sem teto)?
• O local de moradia é região urbana ou rural?
• Com quem você mora (sozinho, membros da família, cuidador, outros)?
• Como é a sua rede de apoio (membros da família, amigos, etc.)?
• Como é o seu acesso ao cuidado de saúde (SUS, convênios de saúde)?
• É tabagista e/ou consome álcool/drogas?
Condição psicológica/psiquiátrica
• Possui algum transtorno mental (depressão, ansiedade, esquizofrenia, psicose, etc.)?
• Há algum trauma recente não usual (dificuldades familiares, luto, perda de emprego, etc.)?
• Há história de distúrbios alimentares (bulimia ou anorexia nervosa)?
Medicamentos atuais prescritos ou não
• Qual o tipo, dose, horários, tempo de início e razão para uso?
• Usa ou usou recentemente esteroides, imunossupressores, quimioterápicos, contraceptivos orais,
anticonvulsivantes e/ou outros?
• Usa ervas, medicamentos homeopáticos, suplementos vitamínicos, minerais ou outros?
Fonte: Adaptado de ASBRAN (2014).2
Capítulo 4 - Adultos e Idosos 91
_________________________
Avaliação Dietética ________________________
Para realizar o diagnóstico nutricional e para auxiliar no planejamento da inter-
venção nutricional, é importante avaliar a ingestão alimentar do indivíduo. Isso inclui
identificar os hábitos alimentares e as características da alimentação e das técnicas
dietéticas e culinárias. O quadro 2 demonstra exemplos de questões que você pode
abordar com o indivíduo e/ou a família, para obter maiores informações sobre hábitos
e ingestão atuais e usuais, incluindo mudanças sazonais, de alimentos e nutrientes.2
Quadro 2. Sugestões de questões a serem abordadas durante a anamnese alimentar.
Anamnese alimentar
• Quem compra e prepara os alimentos?
• Onde costuma adquirir os alimentos (mercearia, supermercado, restaurante, feira, etc.)?
• Onde você costuma realizar as refeições?
• Há condições de armazenar, refrigerar e preparar os alimentos (geladeira, fogão, gás, etc.)?
• Quantas refeições realiza no dia? Qual a composição, quantidade e qualidade das refeições?
• Como você prepara os alimentos (crus, cozidos, fritos, refogados, assados, etc.)?
• Você tem hábito de realizar lanches? Quais tipos e qual a frequência (dias da semana e horários)?
• Você faz ou já fez dietas da moda? Qual tipo de dieta e há quanto tempo?
• Quais são as suas preferências e não preferências alimentares?
• Você tem alguma intolerância, alergia e/ou aversão alimentar?
• Possui alguma influência étnica, cultural ou religiosa na alimentação?
• Quanto de água você bebe por dia? Quais tipos de bebidas você ingere habitualmente?
• Você usa algum tipo de suplemento alimentar?
• Você tem hábito de consumir cafeína? Qual a quantidade?
Consumo alimentar
Na avaliação do consumo alimentar, você pode usar algumas ferramentas:
uma delas é o diário alimentar, no qual o indivíduo preenche por alguns dias tudo
o que foi consumido, com horário, local, companhia e descrição das refeições e
lanches. O período de dias para preencher esse instrumento deve ser acordado
com a pessoa. O recordatório alimentar 24h é outra opção, podendo ser usado
durante o atendimento, ele engloba os tipos e a quantidade de alimentos consu-
midos, a sua forma de preparação e as diferentes refeições e horários respectivos,
nas últimas 24 horas ou no dia anterior.3
Com fins de prevenir e manejar as doenças crônicas, é essencial investigar o
consumo de alimentos com alto teor de açúcar e de gordura saturada e o baixo
consumo de alimentos ricos em fibras (cereais integrais, frutas, vegetais, legumino-
sas). O quadro 3 ilustra algumas perguntas sugeridas pelo Ministério da Saúde,
que podem auxiliar na identificação de algumas inadequações alimentares.4
92 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
__________________
Avaliação do estágio de mudança _________________
Durante todo o acompanhamento nutricional, é importante avaliar qual o estágio
de mudança que o indivíduo se encontra, para poder definir a estratégia de mudança
mais adequada no momento. A tabela abaixo sumariza os cinco estágios, seus signifi-
cados e as estratégias para solução de problemas, conforme cada estágio.
Quadro 4. Estágios e estratégias de mudança.
Estágio e significado Estratégia de mudança
PRÉ-CONTEMPLAÇÃO Construir uma base, estabelecer um relacionamento e
Não pensa em mudar agora, não há mo- limitar confrontos. Investigar e estimular a motivação.
tivação para mudança (“não está pronto, Incentivar maior consciência sobre a decisão de mudar.
apresenta resistência”). Aumentar a percepção do paciente sobre os riscos e pro-
blemas do comportamento atual.
CONTEMPLAÇÃO Identificar os problemas e orientar com base no encoraja-
Pensa a respeito, mas é ambivalente, mento e nas vantagens e desvantagens de mudar. Reduzir
pois tem motivos para mudar e para não os “contras” da mudança e começar a pensar em metas.
mudar (fase de preparo e consciência).
DECISÃO Estruturar um plano para mudança. Oferecer ajuda para
Pretende fazer mudanças (estado de que a pessoa encontre uma estratégia de mudança ou um
prontidão, antecipação e preparação). objetivo que seja aceitável, apropriado e realizável. Identifi-
car passos e habilidades necessárias para mudança gradual.
AÇÃO Provocar uma mudança na área do problema. Desenvolver
Tem alterações de comportamento (es- plano de ação e compromisso de mudança: assistir, refor-
tado de entusiasmo e mudança). çar, encorajar, trabalhar a solução de problemas.
MANUTENÇÃO Evitar recaídas e consolidar ganhos obtidos durante a fase
Mantém e sustenta as mudanças. de ação. Reforçar o novo comportamento. Esclarecer que
lapsos e recaídas são normais e aproveitar para identificar o
que o fez retomar os comportamentos de risco. Propor um
plano de seguimento, suporte e fortalecimento. Explorar
estratégias de superação.
Fonte: Alvarenga et. al (2015).5
Capítulo 4 - Adultos e Idosos 93
_____________________
Avaliação Antropométrica _____________________
A avaliação antropométrica faz parte da definição e do monitoramento do es-
tado nutricional dos indivíduos.6 A seguir, serão abordados alguns métodos antro-
pométricos, como peso, altura, dobras cutâneas e circunferências.
Altura
Realize a medida da altura com o indivíduo em pé, descalço, com os calcanhares
juntos, costas retas e braços estendidos ao lado do corpo, utilizando-se o estadiô-
metro. Quando não for possível aferir essa medida, como em casos de pessoas aca-
madas ou com curvatura espinhal, podemos obter a altura estimada pela medida da
altura do joelho.6 Para o seu cálculo, você pode usar as seguintes fórmulas:
Tabela 1. Estimativa de altura para adultos (até 60 anos), segundo sexo e raça.
Raça Homens Mulheres
Negra A (cm) = 73,42+ (1,79 x AJ) A (cm) = 68,1+ (1,87 x AJ) – (0,06 x idade)
Branca A (cm) = 71,85 + (1,88 x AJ) A (cm) = 70,25 + (1,87 x AJ) – (0,06 x idade)
A = Altura (cm). AJ = Altura do joelho (cm). Fonte: Chumlea (1985).7
Peso
A sua avaliação reflete mudanças no equilíbrio proteico-energético da pessoa. O
indivíduo deve ficar no centro da base da balança, em pé, descalço e com roupas
leves.6 Caso não for possível aferir o peso corporal em uma balança, você pode
realizar a sua estimativa por meio de fórmulas a seguir:
Adequação de peso
O percentual de adequação do peso atual em relação ao ideal é calculado
através da fórmula abaixo.6 A classificação do estado nutricional de acordo com a
adequação de peso está ilustrada na tabela 5.
Mudança de peso
O percentual de alteração de peso é um importante preditor de risco nutri-
cional e pode ser obtido através da fórmula abaixo. O valor encontrado pode ser
classificado em perda ponderal moderada e grave de acordo com o tempo e a
quantidade de peso perdido, como apresenta a tabela 6.6
(PU - PA)
%PP = x 100
PU
Circunferência da cintura
A medida da circunferência da cintura (CC) é realizada no ponto médio entre a
última costela e crista ilíaca, utilizando uma fita métrica. O acúmulo de gordura na
região abdominal tem sido associado ao desenvolvimento de alterações metabó-
licas, resultando em distúrbios potencialmente aterogênicos, como hiperglicemia,
hiperlipidemia e hiperinsulinemia.6 A tabela 11 ilustra os valores de circunferência
abdominal e o risco de complicações metabólicas.
Tabela 11. Circunferência da cintura e risco de complicações metabólicas associadas à obesidade.
Gênero Elevado Muito elevado
Homens ≥ 94 cm ≥ 102 cm
Mulheres ≥ 80 cm ≥ 88 cm
Fonte: WHO (1998).19
Razão cintura-quadril
A relação da cintura para o quadril (RCQ) é calculada dividindo-se a medida
da circunferência da cintura (cm) pela do quadril (cm). O RCQ superior a 1 para
homens e a 0,85 para mulheres pode indicar obesidade androide e risco aumenta-
do de doenças associadas com a obesidade. Valores inferiores a 0,75 em mulheres
e a 0,85 em homens indicam que a distribuição da gordura é ginoide.20,21
Circunferência da panturrilha
A circunferência da panturrilha indica modificações da massa magra provo-
cadas pelo envelhecimento e pela diminuição de atividade física.6 A medida é
realizada com fita métrica na maior proeminência da musculatura da panturrilha.22
Valores inferiores a 31 cm podem ser considerados marcadores de depleção de
massa muscular em idosos.19
Circunferência do braço
A circunferência do braço (CB) é medida em centímetros no ponto médio entre
a ponta do processo acromial da escápula e o olécrano da ulna. A fórmula para
calcular a adequação da CB se encontra a seguir.10,23
Para saber o valor referente ao percentil 50 da fórmula acima, você pode con-
sultar as referências da tabela 12 ou da tabela 13. Por fim, veja a tabela 14 para
classificar a adequação de CB.
98 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Tabela 13. Percentis de CB, PCT e CMB para indivíduos de 60 anos ou mais.
Sexo Parâmetro Idade P10 P15 P25 P50 P75 P85 P90
60 - 69 anos 28,4 29,2 30,6 32,7 35,2 36,2 37,0
CB (cm) 70 - 79 anos 27,5 28,2 29,3 31,3 33,4 35,1 36,1
≥ 80 anos 25,5 26,2 27,3 29,5 31,5 32,6 33,3
60 - 69 anos 7,7 8,5 10,1 12,7 17,1 20,2 23,1
HOMENS
PCT (mm) 70 - 79 anos 7,3 7,8 9,0 12,4 16,0 18,8 20,6
≥ 80 anos 6,6 7,6 8,7 11,2 13,8 16,2 18,0
60 - 69 anos 24,9 25,6 26,7 28,4 30,0 30,9 31,4
CMB (cm) 70 - 79 anos 24,4 24,8 25,6 27,2 28,9 30,0 30,5
≥ 80 anos 22,6 23,2 24,0 25,7 27,5 28,2 28,8
60 - 69 anos 26,2 26,9 28,3 31,2 34,3 36,5 38,3
CB (cm) 70 - 79 anos 25,4 26,1 27,4 30,1 33,1 35,1 36,7
≥ 80 anos 23,0 23,8 25,5 28,4 31,5 33,2 34,0
MULHERES
Tabela 15. Percentis - Dobra cutânea tricipital (mm), segundo idade e gênero.
Idade HOMENS MULHERES
(anos) P5 P10 P25 P50 P75 P90 P95 P5 P10 P25 P50 P75 P90 P95
18 - 24,9 4,0 5,0 6,5 10,0 14,5 20,0 23,5 9,0 11,0 14,0 18,5 24,5 31,0 36,0
25 - 29,9 4,0 5,0 7,0 11,0 15,5 21,5 25,0 10,0 12,0 15,0 20,0 26,5 34,0 38,0
30 - 34,9 4,5 6,0 8,0 12,0 16,5 22,0 25,0 10,5 13,0 17,0 22,5 29,5 35,5 41,5
35 - 39,9 4,5 6,0 8,5 12,0 16,0 20,5 24,5 11,0 13,0 18,0 23,5 30,0 37,0 41,0
40 - 44,9 5,0 6,0 8,0 12,0 16,0 21,5 26,0 12,0 14,0 19,0 24,5 30,5 37,0 41,0
45 - 49,9 5,0 6,0 8,0 12,0 16,0 21,0 25,0 12,0 14,5 19,5 25,5 32,0 38,0 42,5
50 - 54,9 5,0 6,0 8,0 11,5 15,0 20,8 25,0 12,0 15,0 20,5 25,5 32,0 38,5 42,0
55 - 59,9 5,0 6,0 8,0 11,5 15,0 20,5 25,0 12,0 15,0 20,5 26,0 32,0 39,0 42,5
60 - 64,9 5,0 6,0 8,0 11,5 15,5 20,5 24,0 12,5 16,0 20,5 26,0 32,0 38,0 42,5
65 - 69,9 4,5 5,0 8,0 11,0 15,0 20,0 23,5 12,0 14,5 19,0 25,0 30,0 36,0 40,0
70 - 74,9 4,5 6,0 8,0 11,0 15,0 19,0 23,0 11,0 13,5 18,0 24,0 29,5 35,0 38,5
P = Percentil. Fonte: Frisancho AR (1990)23
Tabela 16. Percentis - Circunferência muscular do braço (cm), segundo idade e gênero.
Idade HOMENS MULHERES
(anos) P5 P10 P25 P50 P75 P90 P95 P5 P10 P25 P50 P75 P90 P95
18 - 18,9 22,6 23,7 25,2 26,4 28,3 29,8 32,4 17,4 17,9 19,1 20,2 21,5 23,7 24,5
19 - 24,9 23,8 24,5 25,7 27,3 28,9 30,9 32,1 17,9 18,5 19,5 20,7 22,1 23,6 24,9
25 - 34,9 24,3 25,0 26,4 27,9 29,0 31,4 32,6 13,3 18,8 19,9 21,2 22,8 24,6 26,4
35 - 44,9 24,7 25,5 26,9 28,6 30,2 31,8 32,7 18,6 19,2 20,5 21,8 23,6 25,7 27,2
45 - 54,9 23,9 24,9 26,5 28,1 30,0 31,5 32,6 18,7 19,3 20,6 22,0 23,8 26,0 27,4
55 - 64,9 23,6 24,5 26,0 27,8 29,5 31,0 32,0 18,7 19,6 20,9 22,5 24,4 26,6 26,0
65 - 74,9 22,3 23,5 25,1 26,8 28,4 29,8 30,6 18,5 19,5 20,8 22,5 24,4 26,4 27,9
P = Percentil. Fonte: Frisancho AR (1990).23
____________________________
Exame Físico __________________________
O exame físico, combinado com outros componentes da avaliação nutricional,
oferece informações importantes sobre o estado nutricional do indivíduo. Ele deve
ser realizado da cabeça aos pés, com fins de investigar sinais clínicos associados
às deficiências nutricionais (quadro 6).6
Quadro 6. Sinais físicos sugestivos de carências nutricionais.
Local Achados clínicos Deficiência suspeitada
Cabelo Seco, sem brilho, fácil de arrancar, quebradiço Proteína, zinco, biotina
Face Edema de face, seborreia nasolabial Ferro, riboflavina, proteína
Olhos Palidez conjuntival, xerose Vitamina A, ferro, riboflavina
Lábios Estomatite angular, queilose (secos e rachados) Riboflavina, piridoxina
Gengivas Edemaciadas, retraídas, sangrantes Vitamina C
Glossite, língua magenta, papila lingual atrófica Riboflavina, niacina, folato,
Língua
(língua lisa) vitamina B12, ferro
Rugosas, quebradiças, coiloníquia (unha em forma
Unhas Proteína, ferro
de colher, côncavas)
Xerose, petéquias, púrpura, hiperqueratose folicu- Vitamina C, zinco, vitamina A,
Pele
lar, descamação vitamina K
Tecido subcutâneo Edema, gordura abaixo ou acima do normal Proteínas, calorias
Atrofia da musculatura, perda bilateral da bola gor-
Tecido musculoes- Vitamina D, tiamina, vitamina
durosa de Bichart, sinal de “asa quebrada”, flacidez
quelético C, cálcio
nas panturrilhas
Desorientação, depressão, formigamento nas ex-
Sistema nervoso Vitamina B12, tiamina, niacina
tremidades, fraqueza, alterações psicomotoras
Fonte: Waitzberg (2017).6
Capítulo 4 - Adultos e Idosos 101
_______________________
Avaliação Laboratorial _______________________
A avaliação de exames laboratoriais na prática clínica é fundamental, pois ela pos-
sibilita a detecção de deficiências e distúrbios nutricionais que possam comprometer
o estado nutricional. O quadro abaixo apresenta alguns exames relacionados direta
ou indiretamente com a nutrição. Os valores de referência não devem ser analisados
de forma isolada, além disso, eles variam conforme o laboratório de análises clínicas.
Quadro 7. Valores de referência de exames laboratoriais.
Exame Valores de referência
Mulheres: 12 a 16 g/dL
Hemoglobina
Homens: 13,5 a 18 g/dL
Mulheres: 35 a 47%
Hematócrito
Homens: 40 a 54%
VCM (volume corpuscular médio) 82 a 98 fL
HCM (hemoglobina corpuscular média) 27 a 34 pg
Mulheres: 10 a 200 ng/ml
Ferritina Homens: 30 a 300 ng/ml
Deficientes: < 20 ng/ml
Normais para a população geral: 20-60 ng/ml
Vitamina D
Ideais para população de risco*: 30-60 ng/ml
Risco de intoxicação: > 100 ng/ml
Sódio sérico 135 a 145 mEq/L
Normoglicemia: < 5,7%
Hemoglobina glicada Pré-diabetes: ≥ 5,7 e < 6,5%
Diabetes: ≥ 6,5%
Normal: < 100 mg/dL
Glicose em jejum Pré-diabetes: ≥ 100 e < 126 mg/dL
Diabetes: ≥ 126 mg/dL
Mulheres: 0,6 a 1,1 mg/dL
Creatinina sérica
Homens: 0,7 a 1,3 mg/dL
Bilirrubina total: até 1,2 mg/dL
Bilirrubinas séricas Bilirrubina direta: até 0,4 mg/dL
Bilirrubina indireta: 0,8 mg/dL
Colesterol total Desejável: < 190 mg/dL
LDL-c (lipoproteína de baixa densidade) Desejável: < 130 mg/dL
HDL-c (lipoproteína de alta densidade) > 40 mg/dL
< 150 mg/dL (com jejum)
Triglicérides
< 175 mg/dL (sem jejum)
*População de risco: idosos (acima de 65 anos), gestantes, indivíduos com fraturas e quedas frequentes, pós-cirurgia
bariátrica, em uso de fármacos que interferem no metabolismo da vitamina D, doenças osteometabólicas osteoporo-
se, osteomalácia, osteogênese imperfeita, hiperparatireoidismo primário e secundário), sarcopenia, diabetes mellitus
tipo 1, doença renal crônica, insuficiência hepática, anorexia nervosa, síndrome de má-absorção e câncer.28
Fonte: Faludi et al. (2017)26 , SBD (2019-2020)27, Mahan (2018)28, Calixto-Lima (2012)29 e Moreira et al. (2020)30.
_________________
Rastreamento e avaliação nutricional _______________
A triagem ou rastreamento nutricional identifica o risco nutricional com o objetivo
de realizar intervenção precoce. A aplicação é indicada em até 24h da admissão do
paciente em nível hospitalar e na primeira consulta em nível ambulatorial e domici-
liar.2 Uma vez que a triagem tenha identificado o risco nutricional, o próximo passo
é realizar a avaliação nutricional detalhada.31 Lembrando que triagem e avaliação
nutricional são métodos diferentes, além disso, o primeiro possui questões e procedi-
mentos de fácil e rápida coleta, enquanto o segundo é mais detalhado.6
102 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Necessidades Nutricionais
A falta de nutrientes facilita o aparecimento de doenças carenciais, como a
anemia ferropriva e a hipovitaminose A. Enquanto o excesso de alguns nutrientes
contribui para a hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, diabetes e obesidade.
Para prevenir essas doenças, é fundamental avaliar o consumo de nutrientes e,
caso necessário, adequá-lo através de uma alimentação balanceada e variada.
Faz-se necessário esclarecer que a maioria das recomendações apresentadas a
seguir são referentes à população saudável. Lembrando que o foco principal deste
material é a prevenção das doenças crônicas não transmissíveis e das deficiências
nutricionais e não o tratamento das doenças já instaladas.
______________________________
Energia ______________________________
A energia é necessária para sustentar as várias funções do corpo, incluindo
respiração, circulação, metabolismo, trabalho físico e síntese de proteínas. Estabe-
lecer a necessidade energética é importante, pois para manter o estado nutricio-
nal adequado, a pessoa precisa ingerir determinada quantidade de energia. Essa
necessidade varia de acordo com idade, sexo, peso, altura, composição corporal,
atividade física e condições fisiológicas.1
Caso necessário, consulte as fórmulas ilustradas na tabela 1, com fins de obter
uma estimativa de energia que o indivíduo necessita. Se a pessoa tem excesso de
peso ou obesidade, há uma equação específica para estimativa do GET (Gasto
Energético Total), com propósito de promover a perda lenta e gradual de gordura
corporal. Consulte a tabela 2 para saber qual coeficiente de atividade física usar.
Tabela 1. Fórmulas para calcular EER ou GET para adultos e idosos, segundo o estado nutricional.
IMC entre 18,5 e 25 kg/m²
Homens EER = 662 – 9,53 x Idade (anos) + AF x (15,91 x Peso [kg] + 539,6 x Altura [m])
Mulheres EER = 354 – 6,91 x Idade (anos) + AF x (9,36 x Peso [kg] + 726 x Altura [m])
IMC ≥ 25 kg/m²
Homens GET = 1.086 – 10,1 x Idade (anos) + AF x (13,7 x Peso [kg] + 416 x Altura [m])
Mulheres GET = 448 – 7,95 x Idade (anos) + AF x (11,4 x Peso [kg] + 619 x Altura [m])
IMC = Índice de massa corporal. EER = Necessidade estimada de energia. GET = Gasto energético total. AF = Ativi-
dade física. Fonte: IOM (2005).1
__________________________
Macronutrientes _________________________
Carboidratos, gorduras e proteínas fornecem a energia necessária ao nosso
corpo. A tabela abaixo ilustra os intervalos aceitáveis de macronutrientes que o
indivíduo deve consumir, com fins de atingir as necessidades nutricionais diárias,
minimizando o risco para doenças crônicas.1
Tabela 3. Distribuição de macronutrientes.
Macronutriente % do VET
Carboidratos 45 a 65%
Proteínas 10 a 35%
Lipídios 20 a 35%
Ômega 6 5 a 10%
Ômega 3 0,6 a 1,2%
VET = Valor energético total. Fonte: IOM (2005)1.
Proteínas
As proteínas formam os principais componentes estruturais de todas as células
do corpo. Os aminoácidos, constituintes da proteína, agem como precursores de
ácidos nucleicos, hormônios, vitaminas e outras moléculas importantes. Portanto,
o consumo adequado de proteína é essencial para manter a integridade e função
celular, e para a saúde e reprodução.2
A DRI (do inglês dietary reference intakes - ingestão dietética de referência) reco-
menda que 10 a 35% do valor energético total (VET) seja proveniente de proteínas1
(tabela 3). É fundamental avaliar caso a caso, pois a exigência proteica pode ser
maior ou menor, dependendo da condição clínica e estado nutricional do paciente.
Lipídios
Os lipídios, ou gorduras, atuam na síntese de hormônios, estruturas celulares,
no transporte de vitaminas lipossolúveis e na sinalização intra e extracelular e for-
necem ácidos graxos essenciais. Apesar da sua grande importância no organismo,
não se esqueça que o lipídio fornece em torno de 9 kcal/g, mais que o dobro
fornecido pelo carboidrato ou pela proteína (4 kcal/g).2 Adeque a quantidade de
gorduras no caso de consumo excessivo, pois esse excesso contribui à obesidade, à
elevação do colesterol total e suas frações e à resistência à insulina.2 Além da quanti-
dade, é importante observar e adequar os tipos de gorduras.
Carboidratos
Os carboidratos são a principal fonte de energia para a maioria das células
do organismo.2 A recomendação, segundo a DRI, é que 45 a 65% do valor ener-
gético total (VET) seja proveniente de carboidratos1 (tabela 3). Além de analisar a
quantidade de carboidratos na alimentação, é importante observar quais os tipos
de carboidratos que esse indivíduo está consumindo.
106 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Fibras
As fibras alimentares possuem diversos benefícios: elas atuam no trânsito intesti-
nal, na promoção da saciedade, no controle da glicemia, na redução dos triglicérides
e no colesterol sanguíneo. As fibras têm efeito benéfico na prevenção e tratamento de
várias condições clínicas, como diabetes mellitus, aterosclerose e câncer de cólon.2
A ingestão adequada (AI) de fibras para mulheres com 19 a 50 anos de idade é
de 25g/dia e àquelas com mais de 50 anos é de 21g/dia. Enquanto para homens com
19 a 50 anos de idade é de 38g/dia e àqueles com mais de 50 anos é de 30g/dia.1
_______________________________ ______________________________
Água
Como qualquer alimento, a quantidade de água que precisamos ingerir por
dia é muito variável e depende de vários fatores. Alguns desses fatores são a ida-
de e o peso da pessoa, a atividade física que realiza e o clima e a temperatura
do ambiente onde vive.3 Veja na tabela 4 os valores de referência para estimar a
quantidade de água que o adulto ou idoso deve ingerir por dia. O total inclui toda
a água contida nos alimentos, bebidas e água potável.3 Outro método de estimar
as necessidades hídricas diárias é calculando 30 a 40 ml por kg de peso corporal,
variando conforme a idade e as condições clínicas e ambientais.2
Lembrando que a desidratação é comum entre os idosos e pode ser atribuída
à redução do estado funcional e da mobilidade, restrição hídrica voluntária para
minimizar incontinência, déficit da habilidade de concentração renal, efeitos de
medicamentos, entre outros. Além disso, a desidratação nesta faixa etária está
associada ao aumento do risco de quedas, infecções do trato urinário, alterações
pulmonares, nefrolitíase e constipação. Com isso, é fundamental que ela seja pre-
venida, prontamente reconhecida e tratada.2
Tabela 4. Valores de referência de ingestão adequada (AI) de água.
Sexo (faixa etária) Total (bebidas + alimentos) Bebidas
Homens (≥ 19 anos) 3,7 L/dia 3,0 L/dia
Mulheres (≥ 19 anos) 2,7 L/dia 2,2 L/dia
Fonte: IOM (2006).3
Capítulo 4 - Adultos e Idosos 107
___________________________
Micronutrientes _________________________
As vitaminas e os minerais são essenciais para a manutenção do metabolismo
normal, desempenhando funções fisiológicas específicas.2 Consulte as tabelas 5 e
6 para ver os valores de referência de cada vitamina e mineral, segundo o sexo e a
faixa etária. Faz-se necessário esclarecer que o presente material não leva em con-
sideração as especificidades de doenças com alta complexidade. Além disso, vários
micronutrientes não estão descritos aqui, porém não significa que sejam irrelevantes.
Tabela 5. Recomendação de ingestão diária das principais vitaminas para adultos e idosos.
Vitamina A Vitamina C Vitamina D Vitamina B9 Vitamina B12
Estágio de vida (µg/dia) (mg/dia) (µg/dia) (µg/dia) (µg/dia)
RDA UL RDA UL RDA UL RDA UL RDA UL
Tabela 6. Recomendação de ingestão diária dos principais minerais para adultos e idosos.
Cálcio Ferro Zinco Potássio Sódio
Estágio de vida (mg/dia) (mg/dia) (mg/dia) (mg/dia) (mg/dia)
RDA UL RDA UL RDA UL AI UL AI UL
19 - 50 anos 1.000 2.500 8 45 11 40 3.400 ND 1.500 ND
Homens
Vitamina A
A vitamina A é um termo genérico usado para descrever qualquer composto
que tenha atividade biológica de retinol. As suas funções incluem manutenção
da visão, diferenciação celular, desenvolvimento embrionário, função antioxidante,
espermatogênese e resposta imune.2 A recomendação de ingestão dessa vitamina
para homens é de 900 µg/dia e para mulheres é de 700 µg/dia.5
108 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Vitamina C
A vitamina C (ácido ascórbico) atua como antioxidante e é um cofator em pro-
cessos enzimáticos e hormonais. As mulheres tendem a ter níveis mais elevados
de vitamina C no sangue do que os homens da mesma idade, mesmo quando os
níveis de ingestão são os mesmos. Dessa forma, as exigências de vitamina C para
mulheres (75 mg/dia) são mais baixas do que para homens (90 mg/dia).3
As baixas concentrações de vitamina C no sangue em populações idosas po-
dem ser devido à ingestão inadequada de alimentos, doença crônica, debilitação,
entre outros fatores, em vez de apenas um efeito do envelhecimento.3 Caso houver
deficiência de vitamina C, investigue as possíveis causas e avalie como está o con-
sumo de alimentos fontes de vitamina C (tabela 8).
Entre os adultos, a deficiência tem sido associada ao alcoolismo e à restrição
alimentar na presença de enfermidades. Se a pessoa que você está atendendo for
idosa, avalie se ela não está tendo dificuldades em mastigar verduras e frutas fres-
cas (principais fontes de vitamina C). Além disso, verifique se a pessoa é tabagista,
caso ela for, recomenda-se um adicional de 35 mg/dia para manter a mesma
reserva corporal dos não fumantes.3
Tabela 8. Conteúdo de vitamina C por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina C (mg)
Acerola 3 unidades (25g) 419
Goiaba 1 unidade média (170g) 312
Laranja 1 unidade média (180g) 95
Mamão formosa 1 fatia média (170g) 78
Kiwi 1 unidade média (76g) 74
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016)9.
Capítulo 4 - Adultos e Idosos 109
Vitamina D
A vitamina D (calciferol) tem como principal ação a manutenção da homeostase
de cálcio e fósforo e está envolvida na diferenciação celular e na mineralização ós-
sea.10 Ela está naturalmente presente em pouquíssimos alimentos (tabela 9), é adicio-
nada em alguns alimentos, está disponível como suplemento e é produzida quando a
radiação ultravioleta B do sol entra em contato com a pele e estimula a sua síntese.8
A RDA (do inglês recommended dietary allowance - ingestão dietética reco-
mendada) dessa vitamina aumenta para idosos com idade superior a 70 anos em
ambos os sexos (tabela 5). Caso você precise converter em Unidades Internacionais
(UI): 1 µg de calciferol equivale a 40 UI de vitamina D.8
Tabela 9. Conteúdo de vitamina D por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina D (µg)
Salmão cozido 1 filé médio (100g) 7
Sardinha escabeche 4 colheres de sopa (100g) 2,6
Ovo de galinha cozido 1 unidade (50g) 0,6
Frango grelhado 1 filé médio (100g) 0,3
Carne bovina grelhada 1 bife médio (100g) 0,3
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).9
Folato
O folato é uma vitamina do complexo B, solúvel em água e funciona como
uma coenzima no metabolismo de nucleicos e aminoácidos. Essa vitamina pode
ser encontrada de duas formas: como folato, presente naturalmente nos alimentos,
e como ácido fólico, usado artificialmente como suplementos alimentares e nos
alimentos fortificados.3 A RDA desse nutriente para adultos e idosos é de 400 µg/
dia.3 Veja na tabela 10 algumas sugestões de alimentos fontes de folato.
As possíveis causas de deficiência de folato são: ingestão inadequada (perda no
cozimento excessivo dos alimentos, desnutrição e baixa ingestão de alimentos fontes),
absorção inadequada (síndromes de má absorção, doença celíaca, etc.), uso inade-
quado de antagonistas do ácido fólico e fármacos anticonvulsivantes, aumento das
necessidades (alcoolismo, lactação, etc.), aumento da destruição (anemias hemolíti-
cas) e aumento da excreção.10 Com essa variedade de causas, é fundamental realizar
uma anamnese bem detalhada, com fins de prevenir ou tratar a deficiência de folato.
Tabela 10. Conteúdo de folato por alimento.
Alimento Quantidade Folato (µg)
Fígado de boi cozido 1 bife médio (100g) 211
Lentilha cozida 1 concha média rasa (100g) 181
Grão de bico cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 172
Espinafre cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 146
Beterraba crua ralada 4 colheres de sopa (65g) 70
Semente de girassol 2 colheres de sopa (25g) 56
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).9
110 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Vitamina B12
Um suprimento adequado de vitamina B12 é essencial para a formação san-
guínea normal e função neurológica. A sua deficiência leva a duas grandes com-
plicações: anemia megaloblástica e neuropatia.8 Sintomas neurológicos incluem
dormência e formigamento de braços e pernas, dificuldade de caminhar, perda de
memória, desorientação e depressão.10
O estado da vitamina B12 tende a diminuir com a idade, talvez devido à redução
da ingestão de alimentos fontes desta vitamina e à diminuição na acidez gástrica (fa-
cilita a absorção de vitamina B12). Aqueles indivíduos com alguma síndrome de má
absorção, diarreia crônica, doença de Crohn envolvendo o íleo terminal e aqueles
que fizeram gastrectomia, cirurgia de bypass gástrico ou ressecção ileal requerem
maior atenção, pois podem exigir quantidades aumentadas de vitamina B12.3
Como a vitamina B12 é encontrada naturalmente somente em alimentos de ori-
gem animal (tabela 11), os vegetarianos e veganos são mais propensos em desen-
volver a deficiência dessa vitamina. Alcoolistas também possui maior risco, uma vez
que, além da ingestão e absorção reduzidas, há um aumento na sua excreção.10
Tabela 11. Conteúdo de vitamina B12 por alimento.
Alimento Quantidade Vitamina B12 (µg)
Fígado de boi cozido 1 bife médio (100g) 108
Salmão cozido 1 filé médio (100g) 3,05
Carne bovina grelhada 1 bife médio (100g) 2,52
Iogurte desnatado natural 1 unidade (170g) 0,95
Ovo de galinha cozido 1 unidade (50g) 0,50
Frango grelhado 1 bife médio (100g) 0,33
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).9
Cálcio
Menos de 1% do total de cálcio do corpo apoia funções metabólicas essenciais
e necessárias para a contração vascular e vasodilatação, função muscular, trans-
missão nervosa, sinalização intracelular e secreção hormonal. Os 99% restantes
do suprimento de cálcio do corpo estão armazenados nos ossos e nos dentes,
apoiando sua estrutura e função.8
A deficiência de cálcio (hipocalcemia) pode ter os seguintes fatores causais: dimi-
nuição da atividade de vitamina D; diminuição da atividade do paratormônio; quadros
de má absorção, como na síndrome do intestino curto, bypass jejuno-ileal e nas gas-
trectomias; consumo excessivo de álcool; uso de alguns medicamentos; e aumento do
nível sérico de fósforo.2 Portanto, além de avaliar e adequar a ingestão de alimentos
fontes de cálcio, é necessário investigar outras possíveis causas desta deficiência.
Os alimentos ricos em cálcio estão ilustrados na tabela 12. Lembre-se que o
cálcio pode ter baixa absorção em alimentos ricos em ácido oxálico (um dos ini-
bidores da absorção do cálcio), como espinafre, batata-doce e feijão. Os alimen-
tos ricos em ácido fítico (feijão, lentilha, sementes, castanhas, cereais e isolados
Capítulo 4 - Adultos e Idosos 111
Ferro
O ferro é o elemento-traço mais abundante no organismo, cuja função principal é
carrear oxigênio. Ele também é necessário para o crescimento, desenvolvimento, fun-
cionamento celular e síntese de alguns hormônios e tecidos conectivos.2 A RDA para
homens acima de 19 anos de idade é sempre a mesma (8mg/dia). Para mulheres, ela
diminui a partir dos 51 anos (de 18mg/dia para 8mg/dia), uma vez que as mulheres
em fase de menopausa não menstruam, não tendo perda desse mineral.5
Os sintomas de anemia incluem: taquicardia, fadiga, palidez, redução da função
leucocitária, alteração da função cognitiva, cefaleia, parestesia, glossite, dificuldade
de manter a temperatura corpórea no inverno e redução da resistência à infecção.2
Caso precisar investigar anemia, você pode consultar os valores de referências de
exames bioquímicos no tópico “Avaliação laboratorial” presente neste capítulo.
O ferro encontra-se nos alimentos sob duas formas: ferro heme, presente nos ali-
mentos de origem animal; e ferro não heme, presente principalmente nos de origem
vegetal. Alimentos ricos em vitamina C, carnes vermelhas, aves e frutos do mar são
alguns alimentos que aumentam a absorção do ferro não heme. Algumas substâncias
que diminuem essa absorção são: ácido oxálico (presente no espinafre cru e cho-
colate), ácido fítico (presente no farelo de trigo e leguminosas), cálcio (presente nos
laticínios), taninos (presente no chá preto) e polifenóis (presente no café).8
Tabela 13. Conteúdo de ferro por alimento.
Alimento Quantidade Ferro (mg)
Fígado de boi cozido 1 bife médio (100g) 6
Lentilha cozida 1 concha média rasa (100g) 3,3
Carne moída cozida (patinho) 4 colheres de sopa cheias (100g) 3
Grão de bico cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 2,9
112 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Zinco
O zinco possui três importantes papéis funcionais: catalítico, estrutural e regu-
latório. Esse mineral facilita vários processos enzimáticos relacionados ao metabo-
lismo de proteínas, carboidratos e gorduras. O zinco ajuda a formar a estrutura
de proteínas e enzimas e está envolvido na regulação da expressão gênica.3 Além
disso, ele tem função antioxidante, auxilia na resposta imune, tem papel importante
na cicatrização de feridas e ajuda a manter o paladar e o olfato.8
Alguns sinais e sintomas de deficiência desse mineral são: alterações de com-
portamento, apatia, diminuição do paladar, falta de apetite, diarreia, alopecia,
imunidade reduzida, lesões na pele e olhos, etc.3,11 A RDA de zinco para homens é
de 11 mg/dia e para mulheres é de 8 mg/dia.3 A tabela abaixo apresenta a ampla
variedade de alimentos fontes desse nutriente.
Tabela 14. Conteúdo de zinco por alimento.
Alimento Quantidade Zinco (mg)
Carne bovina grelhada 1 bife médio (100g) 5,5
Fígado de boi cozido 1 bife médio (100g) 5,2
Sobrecoxa assada (sem pele) 2 unidades (100g) 2,5
Sementes de abóbora 3 colheres de sopa (25g) 2,6
Gergelim (semente) 2 colheres de sopa (25g) 1,9
Grão de bico cozido 4 colheres de sopa cheias (100g) 1,5
Lentilha cozida 1 concha média rasa (100g) 1,3
Queijo prato 1 fatia grande (20g) 0,7
Ovo de galinha cozido 1 unidade (50g) 0,6
Fonte: Valores calculados a partir de Philippi (2016).9
Potássio
O potássio é essencial para o metabolismo celular participando da síntese de
proteínas e do glicogênio. Também participa da transmissão nervosa e da con-
tratilidade muscular cardíaca e está envolvido na tonicidade intracelular.2 Ele é
encontrado em uma grande variedade de alimentos, como carnes, frutas, verduras,
legumes, leite e oleaginosas (tabela 15).
Capítulo 4 - Adultos e Idosos 113
Sódio
Além da manutenção do equilíbrio hídrico e ácido básico, o sódio é necessário
para transmitir os impulsos nervosos e estimular a ação muscular, sendo o cátion
mais abundante no líquido extracelular do corpo humano.2 Porém, o seu consumo
excessivo é um dos principais fatores de risco modificáveis para a prevenção e o
controle da hipertensão arterial e das doenças cardiovasculares. Barroso et al.
recomendam, como prevenção primária, que a ingestão de sódio seja limitada a
aproximadamente 2 g/dia (equivalente a cerca de 5 g de sal por dia) na popula-
ção em geral.12
114 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Orientações Nutricionais
Aqui você encontrará algumas intervenções e orientações nutricionais para serem
abordadas com o (a) usuário (a) e com a família. Porém, é importante ressaltar que
elas devem ser individualizadas conforme as particularidades e as necessidades de
saúde de cada um, além de considerar a sua capacidade de implementá-las. Para
melhorar a adesão às orientações é fundamental se atentar aos aspectos socioeconô-
micos, culturais e familiares e à motivação para mudanças no estilo de vida.1
Propor mudanças simples na rotina de vida da pessoa pode causar grande im-
pacto positivo na qualidade de vida dela. Essas mudanças podem ser propostas por
qualquer profissional da saúde e podem ser abordadas em consultas individuais ou
em grupos. Elas são melhores realizadas com o apoio de amigos e familiares, portan-
to, procure incentivar a participação dessas pessoas. Lembrando que não devemos
apenas repassar informações, mas também estimular a problematização, tornando o
paciente sujeito da ação e promovendo autonomia e auto cuidado.1
Considera-se fundamental pactuar metas com o (a) usuário (a), pois elas aju-
dam a regular o comportamento, guiando e selecionando informações relevantes
que aumentem a probabilidade de se engajar em uma mudança. Estabelecer tare-
fas graduais consiste em desenvolver uma lista de atividades com nível crescente de
dificuldade, para que cada uma delas seja colocada em prática e avaliada, assim,
pouco a pouco, é possível atingir a meta.2
______________________
Alimentação saudável _______________________
Faz-se necessário esclarecer que esse material busca promover hábitos saudá-
veis através de escolhas alimentares e desestimula o uso de dietas restritivas. Você
pode orientar o (a) usuário (a) com base nas recomendações presentes no “Guia
Alimentar para a População Brasileira”, documento elaborado pelo Ministério da
Saúde, que aborda os princípios e as recomendações de uma alimentação ade-
quada e saudável para a população brasileira. Esse documento citado ilustra os
“Dez Passos para uma Alimentação Adequada e Saudável”3, resumindo todas as
recomendações (Quadro 1).
Quadro 1. Dez passos do guia alimentar para a população brasileira.
Dez passos para uma alimentação adequada e saudável
1. FAZER DE ALIMENTOS IN NATURA OU MINIMAMENTE PROCESSADOS A BASE DA SUA ALI-
MENTAÇÃO. Em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, alimentos in natura
ou minimamente processados são a base ideal para uma alimentação nutricionalmente balanceada,
saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambien-
talmente sustentável. Variedade significa alimentos de todos os tipos (grãos, raízes, tubérculos,
farinhas, legumes, verduras, frutas, castanhas, leite, ovos e carnes) e variedade dentro de cada tipo
(feijão, arroz, batata, mandioca, tomate, abóbora, laranja, banana, frango, peixe, etc).
2. UTILIZAR ÓLEOS, GORDURAS, SAL E AÇÚCAR EM PEQUENAS QUANTIDADES AO TEMPERAR
E COZINHAR ALIMENTOS E CRIAR PREPARAÇÕES CULINÁRIAS. Utilizados com moderação em
preparações culinárias com base em alimentos in natura ou minimamente processados, óleos,
gorduras, sal e açúcar contribuem para diversificar e tornar mais saborosa a alimentação sem
torná-la nutricionalmente desbalanceada.
Capítulo 4 - Adultos e Idosos 115
(continuação)
3. LIMITAR O CONSUMO DE ALIMENTOS PROCESSADOS. Os ingredientes e métodos usados na
fabricação de alimentos processados (como conservas de legumes, compota de frutas, pães e quei-
jos) alteram de modo desfavorável a composição nutricional dos alimentos dos quais derivam. Em
pequenas quantidades, podem ser consumidos como ingredientes de preparações culinárias ou
parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados.
4. EVITAR O CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS. Devido a seus ingredientes, alimen-
tos ultraprocessados (como biscoitos recheados, “salgadinhos de pacote”, refrigerantes e “macar-
rão instantâneo”) são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresen-
tação, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente
processados. Suas formas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam de modo
desfavorável a cultura, a vida social e o meio ambiente.
5. COMER COM REGULARIDADE E ATENÇÃO, EM AMBIENTES APROPRIADOS E, SEMPRE QUE POS-
SÍVEL, COM COMPANHIA. Procure fazer suas refeições em horários semelhantes todos os dias e evite
“beliscar” nos intervalos entre as refeições. Coma devagar e desfrute o que está comendo, sem se
envolver em outra atividade. Procure comer em locais limpos, confortáveis e tranquilos e onde não
haja estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimentos. Sempre que possível, coma
em companhia, com familiares, amigos ou colegas de trabalho. A companhia nas refeições favorece
o comer com regularidade e atenção e amplia o desfrute da alimentação. Compartilhe as atividades
domésticas que antecedem ou sucedem o consumo das refeições.
6. FAZER COMPRAS EM LOCAIS QUE OFERTEM VARIEDADES DE ALIMENTOS IN NATURA OU MI-
NIMAMENTE PROCESSADOS. Procure comprar em mercados, feiras livres e feiras de produtores e
outros locais que comercializam variedades de alimentos in natura ou minimamente processados.
Prefira legumes, verduras e frutas da estação e cultivados localmente. Sempre que possível, adquira
alimentos orgânicos e de base agroecológica, de preferência direto dos produtores.
7. DESENVOLVER, EXERCITAR E PARTILHAR HABILIDADES CULINÁRIAS. Se você tem habilidades
culinárias, procure desenvolvê-las e partilhá-las, principalmente com crianças e jovens, sem dis-
tinção de gênero. Se você não tem habilidades culinárias, procure adquiri-las. Para isso, converse
com as pessoas que sabem cozinhar, peça receitas a familiares, amigos e colegas, leia livros,
consulte a internet, eventualmente faça cursos e... comece a cozinhar!
8. PLANEJAR O USO DO TEMPO PARA DAR À ALIMENTAÇÃO O ESPAÇO QUE ELA MERECE. Pla-
neje as compras de alimentos, organize a despensa e defina com antecedência o cardápio da se-
mana. Divida com os membros de sua família a responsabilidade por todas as atividades domés-
ticas relacionadas ao preparo de refeições. Faça da preparação de refeições e do ato de comer
momentos privilegiados de convivência e prazer. Reavalie como você tem usado o seu tempo e
identifique quais atividades poderiam ceder espaço para a alimentação.
9. DAR PREFERÊNCIA, QUANDO FORA DE CASA, A LOCAIS QUE SERVEM REFEIÇÕES FEITAS NA
HORA. No dia a dia, procure locais que servem refeições feitas na hora e a preço justo. Restauran-
tes de comida a quilo podem ser boas opções, assim como refeitórios que servem comida caseira
em escolas ou no local de trabalho. Evite redes de fast-food.
10. SER CRÍTICO QUANTO A INFORMAÇÕES, ORIENTAÇÕES E MENSAGENS SOBRE ALIMENTA-
ÇÃO VEICULADAS EM PROPAGANDAS COMERCIAIS. Lembre-se de que a função essencial da
publicidade é aumentar a venda de produtos, e não informar ou, menos ainda, educar as pessoas.
Avalie com crítica o que você lê, vê e ouve sobre alimentação em propagandas comerciais e esti-
mule outras pessoas, particularmente crianças e jovens, a fazerem o mesmo.
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (2014)3.
116 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Categorizando os alimentos
Para o (a) usuário (a) compreender melhor os dez passos citados anteriormente,
é fundamental apresentar as quatro categorias de alimentos, definidas de acordo
com o tipo de processamento: alimentos in natura ou minimamente processados;
óleos, gorduras, sal e açúcar; alimentos processados e alimentos ultraprocessa-
dos.3 Para isso, você pode se basear nos quadros 2 a 5.
Quadro 2. Orientações nutricionais referentes aos alimentos in natura ou minimamente processados.
ALIMENTOS IN NATURA OU MINIMAMENTE PROCESSADOS
Alimentos in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais
(como folhas e frutos ou ovos e leite) e adquiridos para consumo sem terem sofrido
qualquer alteração. Enquanto alimentos minimamente processados são os alimen-
O que são? tos in natura que, antes de sua aquisição, foram submetidos a alterações mínimas.
Exemplos de alimentos minimamente processados incluem grãos secos, polidos e
empacotados ou moídos na forma de farinhas, raízes e tubérculos lavados, cortes
de carne resfriados ou congelados e leite pasteurizado.
Oriente a pessoa a fazer os alimentos in natura ou minimamente processados a
Incentive
base de sua alimentação.
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (2014).3
Composição da alimentação
Para atingir as recomendações nutricionais abordadas no tópico “Necessida-
des Nutricionais” deste capítulo, é fundamental que o indivíduo varie a composição
da sua alimentação. Os quadros a seguir abordam os diferentes grupos alimenta-
res que fazem parte de uma alimentação saudável, variada e equilibrada. Todos os
grupos fornecem nutrientes que são fundamentais para uma boa manutenção do
organismo, nenhum grupo é mais importante do que o outro.
Quadro 6. Orientações nutricionais referentes ao grupo de legumes e verduras.
LEGUMES E VERDURAS
Abóbora, abobrinha, acelga, agrião, alface, berinjela, beterraba, brócolis, cebola,
O que são? cenoura, chuchu, couve, espinafre, maxixe, mostarda, ora-pro-nóbis, pepino, pi-
mentão, quiabo, repolho, tomate, etc.
Explique que são excelentes fontes de vitaminas e minerais, sendo fundamentais na
prevenção de deficiências de micronutrientes. Além de serem fontes de fibras, eles
fornecem, de modo geral, muitos nutrientes em uma quantidade relativamente
Benefícios
pequena de calorias. Dessa forma, são ideais para a prevenção do consumo exces-
sivo de calorias e da obesidade e das doenças crônicas associadas à esta condição
(como diabetes e doenças cardiovasculares).
Mostre as diversas alternativas de preparar os legumes e as verduras: em saladas,
Dica culinária em preparações quentes (cozidos, refogados, assados, gratinados, empanados, en-
sopados), em sopas, recheados ou na forma de purês.
Explique a importância de reduzir a quantidade de sal e óleo e do uso generoso de
De olho no
temperos naturais nos legumes e nas verduras. Incentive o uso do limão em sala-
óleo e sal
das, para ajudar a reduzir a necessidade de adição de sal e óleo.
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (2014.)3
______________
Alimentação Cardioprotetora Brasileira _______________
A Alimentação Cardioprotetora Brasileira (documento do Ministério da Saúde)
é baseada nas recomendações de diretrizes brasileiras (direcionadas para o trata-
mento e controle de doenças cardiovasculares e seus fatores de risco) e no Guia Ali-
mentar para a População Brasileira3, com fins de promover a alimentação saudável
e adequada e prevenir agravos relacionados às doenças crônicas.
Ela é indicada especialmente para indivíduos com: excesso de peso ou obesi-
dade, pressão alta, diabetes, colesterol alto, triglicérides alto, histórico de infarto e
cirurgia do coração (pontes safena ou mamária) e/ou histórico de derrame cerebral
(AVC).4 Como a Alimentação Cardioprotetora Brasileira foi baseada na alimenta-
ção do brasileiro, ela é simbolizada pela bandeira do Brasil e dividida em grupos
alimentares de acordo com as cores da bandeira, como ilustra a figura abaixo.4
A bandeira do Brasil tem sua maior área representada pela cor verde, seguida
pela amarela e pela azul. Assim, o consumo dos grupos alimentares deve seguir a
mesma lógica destas cores. Além dos grupos alimentares recomendados, existe o
grupo vermelho, que não é recomendado para uma alimentação saudável.4 Veja
no quadro 14 os alimentos que compõem cada grupo e o consumo recomendado:
122 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Quadro 14. Descrição dos quatro grupos componentes da Alimentação Cardioprotetora Brasileira.
Grupo Quantidade Exemplos de alimentos
• Verduras (alface, repolho, couve, espinafre)
• Frutas (banana, mamão, maçã, laranja, etc.)
Consumir em maior
Verde • Legumes (cenoura, chuchu, abóbora, etc.)
quantidade
• Leguminosas (feijão, soja, ervilha, lentilha)
• Leite e iogurtes desnatados ou semidesnatados
• Macarrão e farinhas (mandioca, tapioca, milho, rosca);
• Pães (francês, caseiro, de cará, integral);
• Cereais (arroz branco e integral, aveia, linhaça, granola);
Consumir com
Amarelo • Tubérculos (batata, mandioca, inhame, etc.);
moderação
• Oleaginosas (castanhas, nozes, etc.);
• Óleos vegetais (soja, milho, etc.);
• Mel, goiabada, doce de abóbora, geleia de fruta.
• Ovos, manteiga, leite condensado e creme de leite;
Consumir em menor • Carnes (de boi, porco, frango e peixe);
Azul
quantidade • Queijos brancos e amarelos;
• Doces caseiros (pudim, bolos, tortas, mousses).
• Macarrão instantâneo;
• Salgadinhos e biscoitos de pacote;
• Refrigerantes e sucos industrializados (pó ou caixinha);
Vermelho Evitar consumir • Achocolatado em pó, farinha láctea e sorvete;
• Embutidos (presunto, mortadela, salame);
• Nuggets, hambúrguer congelado e salsicha;
• Refeições congeladas industrializadas (ex.: lasanha).
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (2018).4
_______________________
Hipertensão Arterial ________________________
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial ca-
racterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). A HAS asso-
cia-se, frequentemente, às alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo
(coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e às alterações metabólicas, com au-
mento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais.5 É fundamental que
o (a) usuário (a) com HAS seja acompanhado com o devido cuidado nutricional.
O quadro abaixo ilustra os dez passos para uma alimentação saudável para
pessoas com HAS, elaborados pelo Ministério da Saúde.5 Porém, não se esqueça
que essas orientações não devem ser apenas repassadas ou abordadas de forma
prescritiva. É fundamental estabelecer metas de mudanças de hábitos alimentares
com base nos dados adquiridos durante a avaliação nutricional (dietéticos, antro-
pométricos, bioquímicos, clínicos, etc.), tendo como objetivo o controle da HAS.
Quadro 16. Dez passos para uma alimentação saudável para pessoas com HAS.
Dez passos para uma alimentação saudável para pessoas com HAS.
1. Procure usar o mínimo de sal no preparo dos alimentos.
2. Para não exagerar no consumo de sal, evite deixar o saleiro na mesa.
3. Leia sempre o rótulo dos alimentos verificando a quantidade de sódio presente.
4. Prefira temperos naturais como alho, cebola, limão, cebolinha, salsinha, açafrão, orégano, manjeri-
cão, coentro, cominho, páprica, sálvia, entre outros. Evite temperos prontos, como caldos de carnes
e de legumes, e sopas industrializadas. Atenção para o aditivo glutamato monossódico, usado em
alguns condimentos e nas sopas industrializadas, pois esses alimentos, em geral, contêm muito sódio.
5. Alimentos industrializados como embutidos (salsicha, salame, presunto, linguiça e bife de hambúr-
guer), enlatados (milho, palmito, ervilha), molhos (ketchup, mostarda, maionese) e carnes salgadas
(bacalhau, charque, carne seca e defumados) devem ser evitados, pois são ricos em gordura e sal.
6. Diminua o consumo de gordura. Use óleo vegetal com moderação e dê preferência aos alimentos
cozidos, assados e/ou grelhados.
7. Procure evitar a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e o uso de cigarros, pois eles contribuem
para a elevação da pressão arterial.
8. Consuma diariamente pelo menos três porções de frutas e hortaliças (uma porção = 1 laranja
média, 1 maçã média ou 1 fatia média de abacaxi). Dê preferência aos alimentos integrais como
pães, cereais e massas integrais, pois são ricos em fibras, vitaminas e minerais.
9. Procure fazer atividade física com orientação de um profissional capacitado.
10.. Mantenha o seu peso saudável. O excesso de peso contribui para o desenvolvimento de HAS.
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (2014).5
_________________________
Diabetes Mellitus _________________________
A pessoa com diabetes deve ter atenção redobrada, pois ela tem mais riscos de
desenvolver outras condições clínicas. O diabetes mellitus (DM) tipo 2 refere-se à um
transtorno metabólico de etiologias heterogêneas, caracterizado por hiperglicemia e
distúrbios no metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras, resultantes de defei-
tos da secreção e/ou da ação da insulina.6 A seguir, algumas orientações nutricionais
específicas para pessoas com DM, estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
124 Atenção Nutricional nos Ciclos da Vida
Quadro 17. Dez passos para uma alimentação saudável para pessoas com DM.
Dez passos para uma alimentação saudável para pessoas com DM
1. Realize 5 a 6 refeições diárias, evitando “beliscar” alimentos entre as refeições e evitando perma-
necer longos períodos sem se alimentar.
2. Evite o consumo de alimentos ricos em açúcar, como doces, sorvetes, biscoitos recheados, sucos
em pó e balas. Caso necessário, use adoçante em substituição ao açúcar, em quantidades modera-
das. Leia os rótulos dos alimentos para verificar se eles possuem açúcar.
[Link] o consumo excessivo de alimentos ricos em carboidratos como pães, bolos, biscoitos, arroz,
macarrão, mandioca e farinhas. O ideal é consumir seis porções diárias (uma porção = 1 pão francês
ou 2 fatias de pão de forma ou 4 colheres de sopa de arroz). Dê preferência aos integrais.
4. Consuma diariamente verduras (alface, almeirão, couve etc.) e legumes (cenoura, pepino, toma-
te, abobrinha etc.), preferencialmente crus. Recomenda-se ingerir, pelo menos, três porções diárias
(uma porção de verduras = 3 colheres de sopa; e de legumes = 2 colheres de sopa).
5. Consuma frutas diariamente. O ideal são três porções diárias (uma porção = 1 maçã média ou 1
banana ou 1 fatia média de mamão ou 1 laranja média). Para evitar o aumento da glicemia, prefira
consumir as frutas acompanhadas com leite, aveia, linhaça, granola sem açúcar ou após as refei-
ções, de preferência com casca ou bagaço, por possuírem maiores quantidades de fibras.
6. Evite consumir alimentos ricos em sódio como embutidos (presunto, salame e salsicha), temperos
prontos (caldos de carnes e de legumes) e alimentos industrializados (azeitonas, enlatados, sopas, mo-
lhos prontos). Prefira temperos naturais como alho e ervas aromáticas. Use pouco sal para cozinhar.
7. Diminua o consumo de alimentos ricos em gordura (frituras; carnes como pernil, picanha, costela,
linguiça, etc.; leite integral; queijos amarelos; salgados e manteiga). Prefira leite semi-desnatado ou
desnatado e carnes magras (músculo, acém, lombo etc.).
8. Procure comer peixe, assado ou cozido, pelo menos uma vez por semana.
9. Reduza a quantidade de óleo utilizado na preparação dos alimentos e evite usar banha de porco.
Prefira alimentos cozidos, assados e preparados com pouco óleo.
10. Pratique atividade física regularmente, sob a supervisão de um profissional capacitado. Realize
um lanche 30 minutos antes para ter energia suficiente para realizar o exercício.
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (2013).6
___________________
Aspectos do envelhecimento ____________________
Entende-se que o envelhecimento é um processo biológico natural, mas que en-
volve algum declínio nas funções fisiológicas. Fatores extrínsecos, como tabagismo,
alimentação, prática de atividade física e condições socioeconômicas e ambientais,
influenciam o decorrer desse processo. Devemos nos atentar a essas questões fi-
siológicas.7 A seguir serão abordados brevemente alguns principais aspectos que
podem atrapalhar a ingestão alimentar e afetar a qualidade de vida dos idosos.
Paladar e olfato
A diminuição do paladar e do olfato podem levar à inapetência e à ingestão
alimentar inadequada ou insuficiente. Além disso, essa diminuição pode fazer com
que o (a) idoso (a) use sal e temperos industrializados (ricos em sódio) em excesso.
Para reduzir o consumo de sódio, incentive o uso de temperos naturais, como ervas
(orégano, manjericão, alecrim, cheiro verde, etc.), cebola, alho, gengibre, etc.7
Capítulo 4 - Adultos e Idosos 125
Mastigação
Alguns idosos apresentam perdas dentárias, xerostomia (boca seca) e próteses
e dentaduras mal ajustadas, o que pode dificultar a mastigação.7 Caso o (a) idoso
(a) que você está atendendo tem alguma dessas condições, discuta com o (a) den-
tista ou técnico (a) de saúde bucal, para abordagem multidisciplinar. Além disso,
avalie se a pessoa se beneficiará com preparações mais umedecidas e consistência
mais pastosa (como purês, picadinhos e sopas)7, porém se atente para que essas
preparações não sejam pobres em nutrientes e calorias.
Disfagia
A disfagia (dificuldade para engolir) é outra questão fisiológica comum nos
idosos. Além de dificultar o processo da alimentação, a disfagia aumenta o risco de
pneumonia por aspiração. A avaliação de um (a) fonoaudiólogo (a) é fundamental
para avaliar essa condição. Nesse caso, é necessário avaliar e adequar a consis-
tência dos alimentos e dos líquidos.7
________________________
Fome e saciedade __________________________
Trabalhar as sensações de fome e saciedade com o (a) usuário (a) é funda-
mental. Veja no quadro abaixo os 10 passos sugeridos pela nutricionista Sophie
Deram, para auxiliar no resgate dessas sensações.8
Quadro 18. Estratégias para comer com atenção plena.
10 passos para comer com atenção plena
1. Coma conscientemente. Escute e respeite sua fome, sua saciedade, seu apetite e suas vontades
em função do momento que está vivendo.
2. Tenha horários de rotina para comer e procure segui-los.
3. Coma devagar. Pare de comer durante cinco minutos no meio da refeição ou após ter comido
metade do prato de comida; pergunte-se se está saciado ou se ainda está com fome. Coloque o
garfo na mesa após cada garfada.
4. Sirva-se de porções menores. Assim você se dá o direito de se servir novamente se ainda estiver
com fome ou vontade. Use pratos, copos e talheres pequenos.
5. Mastigue os alimentos por mais tempo. Volte a colocar comida na boca somente depois de termi-
nar de mastigar e engolir o bocado anterior.
6. Aproveite o momento e arrume a mesa antes de comer.
7. Respire bem e relaxe antes de comer. Sente-se com o corpo levemente afastado da mesa, para
não se “debruçar” sobre o prato.
8. Converse, tome golinhos de água, limpe os lábios, para aumentar sua percepção na hora de comer.
9. Deguste os alimentos como se estivesse descobrindo-os pela primeira vez.
10. Se possível, coloque uma música ambiente com um ritmo mais lento e coma ao som dessa mú-
sica; seu ritmo se tornará naturalmente mais calmo.
Fonte: Deram (2018).8
127
REFERÊNCIAS
APRESENTAÇÃO
1. CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS. Resolução CFN nº 599, de 25 de fevereiro de
2018. Aprova o código de ética e de conduta do nutricionista e dá outras providências.
Brasília, DF: CFN, 2018.
INTRODUÇÃO
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Básica. Política Nacional de Alimentação e Nutrição / Ministério da Saúde, Secretaria de
Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Básica. – 1. ed., 1. reimpr. – Brasília:
Ministério da Saúde, 2013.
2. JUNQUEIRA, Túlio da Silva; COTTA, Rosângela Minardi Mitre. Matriz de ações de alimen-
tação e nutrição na Atenção Básica de Saúde: referencial para a formação do nutricionista
no contexto da educação por competências. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 19,
n. 5, p. 1459-1474, May 2014 . Available from <[Link]
t=sci_arttext&pid=S1413-81232014000501459&lng=en&nrm=iso>. access on 02 Jan. 2021
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primaria à Saúde. Departamento de
Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos / Minis-
tério da Saúde, Secretaria de Atenção Primaria à Saúde, Departamento de Promoção da
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13. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Ministério da Saúde. Federação
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14. SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA ALBERT EINSTEIN. Nota técnica para
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ANEXOS
139
ANEXO 1. Peso por idade para meninas (do nascimento aos 5 anos).
140
ANEXO 2. Comprimento/estatura por idade para meninas (do nascimento aos 5 anos).
141
ANEXO 3. Peso por comprimento para meninas (do nascimento aos 2 anos).
142
ANEXO 5. IMC por idade para meninas (do nascimento aos 5 anos).
144
ANEXO 10. Peso por idade para meninos (do nascimento aos 5 anos).
149
ANEXO 11. Peso por comprimento para meninos (do nascimento aos 2 anos).
150
ANEXO 12. Comprimento/estatura por idade para meninos (do nascimento aos 5 anos).
151
ANEXO 13. Peso por estatura para meninos (dos 2 aos 5 anos).
152
ANEXO 14. Peso por idade para meninos (dos 5 aos 10 anos).
153
ANEXO 15. Estatura por idade para meninos (dos 5 aos 19 anos).
154
ANEXO 16. IMC por idade para meninos (dos 5 aos 19 anos).
155
ANEXO 17. IMC por idade para meninos (do nascimento aos 5 anos).
156
ANEXO 18. Circunferência craniana para meninos (do nascimento aos 5 anos);
157
ANEXO 19. Curva para recém nascidos pré termo, sexo feminino.
158
ANEXO 20. Curva para recém nascidos pré termo, sexo feminino.
159
ANEXO 21. Curva para recém nascidos pré termo, sexo masculino.
160
ANEXO 22. Curva para recém nascidos pré termo, sexo masculino.
161
ANEXO 23. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 1.
162
ANEXO 24. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 1.
163
ANEXO 25. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 1.
164
ANEXO 26. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 2.
165
ANEXO 27. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 2.
166
ANEXO 28. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 2.
167
ANEXO 29. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 3.
168
ANEXO 30. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 3.
169
ANEXO 31. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 3.
170
ANEXO 32. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 4.
171
ANEXO 33. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 4.
172
ANEXO 34. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 4.
173
ANEXO 35. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 5 (SNE).
174
ANEXO 36. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 5 (SNE).
175
ANEXO 37. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 5 (SNE).
176
ANEXO 38. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 5 (VO).
177
ANEXO 39. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 5 (VO).
178
ANEXO 40. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo feminino - Grupo 5 (VO).
179
ANEXO 41. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 1.
180
ANEXO 42. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 1.
181
ANEXO 43. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 1.
182
ANEXO 44. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 2.
183
ANEXO 45. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 2.
184
ANEXO 46. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 2.
185
ANEXO 47. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 3.
186
ANEXO 48. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 3.
187
ANEXO 49. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 3.
188
ANEXO 50. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 4.
189
ANEXO 51. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 4.
190
ANEXO 52. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 4.
191
ANEXO 53. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 5 (SNE).
192
ANEXO 54. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 5 (SNE).
193
ANEXO 55. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 5 (SNE).
194
ANEXO 56. Peso por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 5 (VO).
195
ANEXO 57. Estatura por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 5 (VO).
196
ANEXO 58. Índice de massa corporal por idade. Paralisia cerebral, sexo masculino - Grupo 5 (SNE).
197
ANEXO 59. Comprimento ou estatura por idade. Síndrome de down, sexo masculino.
Idade (anos)
Idade (meses)
198
Idade (anos)
Idade (meses)
199
Idade (anos)
Idade (meses)
200
Idade (anos)
Idade (meses)