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Direito Constitucional

Profª. Dra. Melina Ferracini de Moraes


Direito Constitucional

• “Configura-se como Direito Público fundamental por referir-se


diretamente à organização e funcionamento do Estado, à articulação dos
elementos primários do mesmo e ao estabelecimento das bases da
estrutura política” (José Afonso da Silva).
▪ Superação da classificação dicotômica do Direito e unidade do ordenamento.
▪ Constitucionalização do sistema.
Direito Constitucional

• Trata-se do ramo do Direito Público que tem por objeto de estudo as


normas da Constituição de um Estado.
▪ Constituição é o documento que congrega as nomas que estabelecem princípios e
regras que organizam o funcionamento do Estado e delimitam as garantias e os
direitos dos indivíduos.
Estado e Constituição

• Toda sociedade pressupõe a existência de vínculos normativos (regras


que são criadas e impostas por algum poder social).
• O Estado, como a forma social mais complexa conhecida, somente
pode existir e permanecer existindo se possuir um conjunto de
normas que, em termos gerais, regula sua atividade e sua relação com
os cidadãos.
Estado e Constituição

O Estado Constitucional é uma criação moderna, tendo surgido


paralelamente ao Estado Democrático e, em parte, sob
influência dos mesmos princípios.
Constitucionalismo
Constitucionalismo

Teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado


indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da
organização político-social de uma comunidade (CANOTILHO).
• O primeiro movimento de caráter limitador do poder político
se deu entre os hebreus, que em seu Estado teocrático criaram
limites ao poder por meio da imposição da “Lei do Senhor”,
Constitucionalism
que, apesar de não escrita, restringia a atuação do Estado.
o durante a • Entre os gregos antigos, havia a distinção entre normas que
Antiguidade tratavam dos fundamentos da Cidade-Estado e de sua
organização política (politeía) e normas comuns (nómoi).
• Essa distinção também era verificada pelos romanos, sendo a
expressão rem publicam constituere a que designava a ideia de
constituição, a qual era uma ordem normativa fundamental e
responsável talvez pela utilização do termo até hoje.

Trata-se do conceito de constituição em sentido amplo, já que


tais normas hebraicas, gregas e romanas pouco se assemelham,
em termos formais, às constituições que temos hoje
• Em 1215 o Rei João Sem Terra assina a Magna Carta
Constitucionalism em virtude de pressões políticas e se compromete a
o durante a Idade obedecer a suas disposições que de alguma maneira
Média limitam seu poder.
• O absolutismo monárquico surge no século XIII e
termina no século XVIII, sendo precisamente durante
esse período que ganha forma a ideia de uma
Constituição escrita que terá como papel central a
proteção contra formas absolutas de poder.
▪ Ainda que tal diploma não tivesse os direitos do povo,
representou grande avanço por estabelecer normas de
organização e exercício do poder político.
• Petition of Rights (1628): petição do Parlamento ao Rei
Carlos I, na qual pleiteava-se o reconhecimento de direitos
Constitucionalism e liberdades dos súditos e de prerrogativas do Parlamento.
o durante a Idade • Habeas Corpus Act (1679): garantia da liberdade individual
Moderna contra prisão ilegal, abusiva e arbitrária.
• Bill of Rights (1689): limitação do poder do monarca e
ampliação do poder do Parlamento; regulava o lançamento
de impostos, liberdade nas eleições, porte de arma pelos
protestantes, imunidades parlamentares, relações entre o
trono e a Igreja e questões de sucessão, colocando fim à
teoria do direito divino dos reis na Inglaterra.
• Act os Settlement (1701): independência e autonomia aos
órgãos jurisdicionais.
• A Constituição dos Estados Unidos da América de
1787 foi a primeira Constituição escrita da história
em sentido moderno.
Constitucionalism ▪ Desde a Declaração de Independência (1776), os Estados
americanos já eram soberanos e a referida Constituição de
o norte-americano 1787, portanto, foi formada a partir de um processo
constituinte com características democráticas, algo que
seria aperfeiçoado ao longo dos séculos seguintes.
• O documento trazia conceitos provenientes do
direito natural moderno: a proteção da liberdade e
da propriedade, especialmente.
• Preocupava-se com a concentração do poder,
inaugurando o sistema de governo presidencialista,
em oposição ao modelo monárquico parlamentar
então vigente em parte dos Estados europeus.
• A França adota uma Constituição escrita em 1791,
decorrente de uma assembleia de representantes e
certamente sob influência do evento americano.
• Um pouco antes, a ideia de Constituição já era
Constitucionalism
prevista pelos franceses nos termos do artigo 16 da
o francês Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de
1789:
▪ “A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos
direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem
Constituição”.
• Visava o limite do governo e a garantia das
liberdades civis e relativas à propriedade que, em
linha com os demais diplomas do período, foi
elevada à categoria de um direito natural, sagrado e
inviolável, notadamente a partir das formulações
teóricas de John Locke.
• Predomínio das constituições escritas como
Constitucionalism
instrumentos para conter arbítrios decorrentes
o moderno
do poder.
(durante a Idade ▪ Constituição norte-americana (1787)
Contemporânea) ▪ Constituição francesa (1791).

• Na concepção do constitucionalismo liberal,


marcado pelo liberalismo clássico, destaca-se o
individualismo, absenteísmo estatal, valorização
da propriedade privada e proteção do indivíduo.
▪ Influenciou as Constituições brasileiras de 1824 e 1891.
Constitucionalism • A concepção liberal gerou concentração de
omoderno renda e exclusão social, fazendo com que o
(durante a Idade Estado passasse a ser chamado para evitar
Contemporânea) abusos e limitar o poder econômico.
• Evidencia-se, então, o que a doutrina chamou
de segunda geração (ou dimensão) de direitos
e que teve como documentos marcantes a
Constituição do México de 1917 e de Weimar
de 1919, influenciando a Constituição brasileira
de 1934 (Estado Social de Direito).
• Totalitarismo constitucional.
▪ Noção de constituição programática e dirigente.
Constitucionalism ▪ Os textos sedimentam um importante conteúdo social.
o contemporâneo • Evolução para um dirigismo comunitário e
Constitucionalismo globalizado.
▪ Proteção aos direitos humanos e propagação para todas as
nações.
• Direitos de segunda dimensão (igualdade –
direitos sociais, econômicos, culturais).
• Direitos de terceira dimensão (fraternidade e
solidariedade).
• Consolidação da terceira dimensão.
• Para Dromi, refere-se à consagração de diversos
Constitucionalism valores:
o do futuro ▪ Verdade: não gerar mais falsas expectativas.
▪ Solidariedade: dos povos, dignidade e justiça social.
▪ Consenso: fruto do consenso democrático.
▪ Continuidade: ao se reformar a Constituição, não se pode
deixar de considerar os avanços já conquistados.
▪ Participação: democracia participativa e Estado
Democrático de Direito.
▪ Integração: espiritual, moral, ética e institucional entre os
povos.
▪ Universalização: consagração dos direitos fundamentais
internacionais.
Afirmação da Necessidade de
Constitucionalism supremacia do limitação do poder
o indivíduo dos governantes

Racionalização do
poder
Neoconstitucionalismo

A doutrina passa a desenvolver, a partir do início do século


XXI, uma nova perspectiva em relação ao constitucionalismo,
denominada neoconstitucionalismo, constitucionalismo
pós-moderno ou pós-positivismo.
Neoconstitucionalismo

• Visa-se, dentro dessa nova realidade, não mais apenas atrelar o


constitucionalismo à ideia de limitação do poder político, mas, acima de
tudo, busca-se a eficácia da Constituição, deixando o texto de ter um
caráter meramente retórico e passando a ser mais efetivo, sobretudo
diante da expectativa de concretização dos direitos fundamentais.
Neoconstitucionalismo

• Reconhecimento da existência normativa dos princípios.


• Expansão da jurisdição constitucional.
• Desenvolvimento da hermenêutica constitucional.
• Maior protagonismo do Poder Judiciário.
• Concretização dos Direitos fundamentais.
Neoconstitucionalismo

• Estado constitucional de direito: supera-se a ideia de Estado Legislativo de


Direito, passando a Constituição a ser o centro do sistema, marcada por uma
intensa carga valorativa. A lei e, de modo geral, os Poderes Públicos, então,
devem não só observar a forma prescrita na Constituição, mas, acima de tudo,
estar em consonância com o seu espírito, o seu caráter axiológico e os seus
valores destacados.
▪ A Constituição, assim, adquire, de vez, o caráter de norma jurídica, dotada de
imperatividade, superioridade (dentro do sistema) e centralidade, vale dizer, tudo deve
ser interpretado a partir da Constituição.
Neoconstitucionalismo

• Conteúdo axiológico da Constituição: do ponto de vista material,


sobressai a incorporação explícita de valores e opções políticas nos
textos constitucionais, sobretudo no que diz respeito à promoção da
dignidade humana e dos direitos fundamentais.
▪ A partir do momento que os valores são constitucionalizados, o grande desafio do
neoconstitucionalismo passa a ser encontrar mecanismos para sua efetiva
concretização.
Neoconstitucionalismo

• Concretização dos valores constitucionais e garantia de condições


dignas mínimas: do ponto de vista material, destaca-se também a
expansão de conflitos específicos e gerais entre as opções normativas e
filosóficas existentes dentro do próprio sistema constitucional.
▪ Os valores constitucionalizados poderão entrar em choque (por exemplo, a
liberdade de informação e de expressão e a intimidade, honra e vida privada).
▪ Deverão ser resguardadas as condições de dignidade e dos direitos dentro, ao
menos, de patamares mínimos.
Constituição
Constituição

• Existem várias concepções ou acepções a serem tomadas para definir


o termo “Constituição”.
• Alguns autores preferem a ideia da expressão tipologia dos conceitos
de Constituição em várias acepções.
Constituição

•Acepção sociológica
•Acepção política
•Acepção jurídica
•Acepção culturalista
Constituição (acepção
sociológica)

• Ferdinand Lassale – ¿Qué es una Constitución?


• Soma dos fatores reais de poder de uma sociedade: poder político,
poder religioso, poder econômico, poder militar etc.
• O que se insere na Constituição deve ser verificado na prática.
• A Constituição não pode ser uma simples folha de papel.
Constituição (acepção
política)

• Carl Schmitt.
• Busca-se o fundamento da Constituição em uma decisão política fundamental,
que antecede a elaboração da Constituição.
▪ Forma de Estado; Regime de governo; Sistema de governo; direitos fundamentais etc.
• Diferencia Constituição (sentido material) e Lei Constitucional (sentido formal).
• Toda lei, como regulação normativa, e também a lei constitucional,
necessita para sua validade, em último termo, uma decisão política prévia.
▪ Essa decisão tomada pela autoridade existente (que pode ser o povo ou alguém que diz
representar o povo) é, segundo ele, a Constituição.
Constituição (acepção
jurídica)

• Hans Kelsen – Teoria Pura do Direito.


• Mundo do dever ser e decorrente da vontade humana.
• Em sentido jurídico-positivo: Constituição é a lei mais importante do
ordenamento jurídico de um país, sendo o pressuposto de validade de todas as
leis.
• Em sentido lógico-jurídico: uma norma supraconstitucional, pré-constituída,
não escrita e cujo mandamento é obedeça à Constituição – norma hipotética
fundamental.
Constituição (acepção
jurídica)
Sentido lógico-jurídico Sentido jurídico-positivo

Norma hipotética fundamental Norma posta, positivada

Plano do suposto Norma positivada

Fundamento lógico transcendental da


validade da Constituição jurídico-positiva
Norma suprema
Constituição (acepção
culturalista)

• A Constituição é produto de um fato cultural, produzido pela sociedade e


que nela pode influir.
• As são um conjunto de normas fundamentais, condicionadas pela
Cultura total, e ao mesmo tempo condicionantes desta, emanadas da
vontade existencial da unidade política, e reguladoras da existência,
estrutura e fins do Estado e do modo de exercício e limites do poder
político.
Constituiçã
o
Constituição

• Desde o século XIX é símbolo de afirmação da liberdade de povos e indivíduos.


• Teve, em quase todos os Estados Constitucionais, o sentido de expressão e
síntese dos direitos fundamentais.
• Operou e opera como limitadora dos poderes e garantia contra a violação de
direitos.
• Com a aprovação, pela ONU, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos
Humanos, iniciou-se uma nova fase na história do constitucionalismo.
▪ Direitos civis, políticos, sociais, econômicos e culturais.
Classificação das
Constituições
Quanto à forma
Classificação Quanto à origem
das
Quanto à estabilidade
Constituiçõe
s Quanto ao modo de elaboração

Quanto à extensão

Quanto ao conteúdo

Quanto à ideologia

Quanto à correspondência com a realidade


Quanto à forma

• Constituição escrita (instrumental): conjunto de regras sistematizadas e organizadas


em um único documento, estabelecendo as normas fundamentais de um Estado.
• Constituição não escrita (costumeira ou consuetudinária): não traz as regras em um
único texto solene e codificado. É formada por “textos” esparsos, reconhecidos pela
sociedade como fundamentais, e baseia-se nos usos, costumes, jurisprudência,
convenções.
▪ Para Paulo Bonavides, na época contemporânea inexistem Constituições totalmente
costumeiras, semelhantes àquela que teve a França no ancien régime, antes da Revolução
Francesa de 1789.
Quanto à origem

• Constituição outorgada: imposta, de maneira unilateral, pelo agente revolucionário


(grupo, ou governante), que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele
atuar.
▪ Constituições de 1824, de 1937 (Estado Novo, modelo fascista) e de 1967 (Ditadura Militar).
• Constituição promulgada: chamada de democrática, votada ou popular, é aquela
Constituição fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita
diretamente pelo povo, para, em nome dele, atuar, nascendo, portanto, da
deliberação da representação legítima popular.
▪ Constituições de 1891, 1934, 1946 e 1988.
Quanto à origem

• Constituição cesarista ou bonapartista: elaborada sem a participação


popular e que, posteriormente a sua produção, o povo é chamado para
referendar ou não a mesma.
• Constituição pactuada ou dualista: pacto firmado entre os detentores
do poder constituinte, em que este é centralizado em mais de um
indivíduo ou grupo social.
Quanto à estabilidade

• Constituição rígida: exigem, para a sua alteração, um processo


legislativo mais árduo, mais solene, mais dificultoso do que o processo
de alteração das normas não constitucionais.
▪ A rigidez constitucional da CF/88 está prevista no art. 60, §2º, que estabelece um quórum de
votação de 3/5 dos membros de cada Casa, em dois turnos de votação, para aprovação das
emendas constitucionais. Em contraposição, a votação das leis ordinárias e complementares
dá-se em um único turno de votação (art. 65), com quórum de maioria simples para lei
ordinária (art. 47) e absoluta para lei complementar (art. 69).
Quanto à estabilidade

• Constituição flexível: não possuem um processo legislativo de alteração


mais dificultoso do que o processo legislativo de alteração das normas
infraconstitucionais.
• Constituição semiflexível ou semirrígida: algumas matérias exigem um
processo de alteração mais dificultoso do que o exigido para alteração
das leis infraconstitucionais, enquanto outras não requerem tal
formalidade.
• Constituição imutável: permanente, intocável.
Quanto ao modo de
elaboração

• Constituição dogmática: sempre escritas, consubstanciam os dogmas


estruturais e fundamentais do estado; são elaboradas de um só jato,
reflexivamente, racionalmente, por uma Assembleia Constituinte.
• Constituição histórica: constituem-se através de um lento e contínuo
processo de formação, ao longo do tempo, reunindo a história e as
tradições de um povo. Aproximam-se, assim, da costumeira e têm como
exemplo a Constituição inglesa.
Quanto à extensão

• Sintéticas (concisas, breves, sumárias, sucintas, básicas): enxutas, veiculadoras apenas dos
princípios fundamentais e estruturais do Estado. Não descem a minúcias, motivo pelo qual
são mais duradouras, na medida em que os seus princípios estruturais são interpretados e
adequados aos novos anseios pela atividade da Suprema Corte.
• Analíticas (amplas, extensas, largas, prolixas, longas, desenvolvidas, volumosas, inchadas):
abordam todos os assuntos que os representantes do povo entenderem fundamentais.
Normalmente descem a minúcias, estabelecendo regras que deveriam estar em leis
infraconstitucionais, como o art. 242, §2.º, da CF/88, que dispõe que o Colégio Pedro II,
localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido na órbita federal.
Quanto ao conteúdo

• Material: aquele texto que contiver as normas fundamentais e


estruturais do Estado, a organização de seus órgãos, os direitos e
garantias fundamentais.
• Formal: elege como critério o processo de sua formação, e não o
conteúdo de suas normas. Assim, qualquer regra nela contida terá o
caráter de constitucional.
Quanto à ideologia ou
dogmática

• Ortodoxa: formada por uma só ideologia, por exemplo, a soviética de


1977, hoje extinta, e as diversas Constituições da China marxista.
• Eclética: formada por ideologias conciliatórias, como a CF/88.
Quanto à
correspondência com a
realidade
• Normativa: alinhada com a realidade política do país; tem efetividade
assegurada.
• Semântica: serve como mero instrumento dos detentores do poder,
conferindo-lhes legitimidade formal.
• Nominalista: embora juridicamente válida, a dinâmica do processo
político ainda não se adapta a suas normas, carecendo assim de
realidade existencial.
Constituições garantia,
balanço e dirigente

• Constituição garantia: busca garantir a liberdade, limitando o poder.


• Constituição balanço: reflete um degrau de evolução socialista.
• Constituição dirigente: estabelece um projeto de Estado.
▪ Esta Constituição-dirigente se caracterizaria em consequência de normas programáticas.
Constituição
da República • Promulgada
Federativa • Escrita (instrumental)
• Analítica (ampla, extensa, larga, prolixa, longa)
do Brasil de • Formal (tendência para um critério misto)
1988 • Dogmática (sistemática)
• Rígida
• Eclética
• Normativa
• Dirigente
Elementos das
Constituições

• Não obstante encontremos na Constituição um todo orgânico e


sistematizado, as normas constitucionais estão agrupadas em títulos,
capítulos e seções, com conteúdo, origem e finalidade diversos.
• A doutrina diverge em relação aos elementos da Constituição.
▪ Parece ser mais completa a identificação do Professor José Afonso da Silva, de cinco
categorias de elementos.
Elementos das
Constituições

• Elementos orgânicos: organizam a Estrutura do Estado. Exemplos: art.


2º (que trata da Separação dos Poderes); art. 18 (que trata da
Federação); art. 92 (que organiza o Poder Judiciário); art. 144 (que
organiza a Segurança Pública) etc.
• Elementos limitativos: manifestam-se nas normas que compõem o
elenco dos direitos e garantias fundamentais (direitos individuais e suas
garantias, direitos de nacionalidade e direitos políticos e democráticos),
limitando a atuação dos poderes estatais.
Elementos das
Constituições

• Elementos socioideológicos: revelam o compromisso da Constituição entre


o Estado individualista e o Estado social, intervencionista. Exemplos: “os
valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa” como fundamentos da
República (art. 1º), mostrando uma coexistência dos valores liberais e
sociais do constituinte originário; “propriedade privada”, “livre
concorrência” e “redução das desigualdades regionais e sociais”.
Elementos das
Constituições

• Elementos de estabilização constitucional: normas constitucionais


destinadas a assegurar a solução de conflitos constitucionais, a defesa da
Constituição, do Estado e das instituições democráticas. Constituem
instrumentos de defesa do Estado e buscam garantir a paz social.
Exemplos: intervenção federal; jurisdição constitucional; defesa do
Estado e das instituições democráticas.
Elementos das
Constituições

• Elementos formais de aplicabilidade: são os dispositivos constitucionais


que auxiliam na aplicação de outras normas constitucionais, ou seja, de
outros artigos. Exemplos: preâmbulo; ato das disposições constitucionais
transitórias; art. 5.º, § 1.º, quando estabelece que as normas definidoras
dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
Histórico
constitucional
brasileiro
• Constituição Política do Império do Brasil de 1824
• Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil
de 1891
• Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil
de 1934
• Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1937
• Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1946
• Constituição da República Federativa do Brasil de 1967
e EC nº 1 de 1969
• Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
Constituição Política
do Império do Brasil
de 1824

• Independência do Brasil (1822) Estado soberano.


• Instalação da Assembleia Constituinte do Brasil
(1823).
▪ Temendo a limitação de seus poderes, D. Pedro I dissolve a
Assembleia e convoca um Conselho de Estado, nomeando
dez membros para fazer o projeto da Constituição.
▪ Outorgada em 25 de março de 1824.
Constituição
• O Poder era centralizado em um único órgão (a
Política do Coroa), não havendo autonomia política das
Império do províncias (Estado unitário).
• Apesar de pregar a isonomia, manteve privilégios da
Brasil de nobreza, voto censitário e regime escravocrata.
1824 • Estado confessional: adoção de religião oficial
(Católica Apostólica Romana).
• A organização dos Poderes do Império abrangia um
quarto poder (o Poder Moderador), que assegurava
ao Imperador o controle sobre os demais Poderes
(Legislativo, Executivo e Judiciário).
Constituição
• O imperador exercia o Poder Moderador e era o
Política do chefe do Poder Executivo. Paralelamente, nomeava
Império do os integrantes do Poder Legislativo e Judiciário.
Brasil de Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organização (sic)
1824 Politica, e é delegado privativamente ao Imperador, como Chefe
Supremo da Nação, e seu Primeiro Representante, para que
incessantemente vele sobre a manutenção da Independencia (sic),
equilíbrio (sic), e harmonia dos mais Poderes Politicos (sic).

Art. 99. A Pessoa do Imperador é inviolável (sic), e Sagrada: Elle (sic)


não está sujeito a responsabilidade alguma.
Constituição da República dos
Estados Unidos do Brasil de 1891

• Ideais federalistas e decadência do


Império.
• Proclamação da República.
▪ Marechal Deodoro da Fonseca, 15 de novembro
de 1889.
• Foi promulgada.
Constituição
• A Constituição trouxe a forma de governo
da República republicana, sistema presidencialista e forma de
dos Estados Estado federalista.
Unidos do • Adoção da tripartição de poderes.
Brasil de • Abandono da religião oficial.
• Sistema da tripartição de poderes e
1891 constitucionalização do HC.
• Extinguiu penas cruéis, como a de galés
(trabalhos forçados), de banimento e de morte.
• Instituiu o sufrágio universal, mas não o
estendeu às mulheres e aos analfabetos.
Constituição
da República • Revolução de 1930, Golpe de Estado e Era Vargas.
dos Estados • Revolução Constitucional de 1932 exigência de
Unidos do Constituição.
• País passou cerca de quatro anos sem uma
Brasil de Constituição formal.
1934 • Promulgada em 1934, sofreu forte influência da
Constituição de Weimar da Alemanha de 1919 e a
perspectiva de um Estado social de Direito.
• Forma de Estado federativa, forma de governo
republicana e sistema presidencialista.
Constituição
da República • Sistema de tripartição de poderes.
dos Estados • Criação da Justiça Eleitoral como órgão do
Judiciário e voto feminino, com valor igual ao
Unidos do masculino.
Brasil de • Constitucionalização do voto secreto, que já
1934 havia sido previsto pelo Código Eleitoral de 1932.
• Ordem Econômica e Social.
• Instituição da Justiça do Trabalho.
• Previsão do mandado de segurança e da ação
popular.
Constituição • Contexto ideológico refletia o conflito entre
dos Estados comunistas e fascistas.
Unidos do • Getúlio Vargas Golpe (“ameaça de perigosas
ideologias”).
Brasil de • Ruptura institucional para se manter no poder
1937 Estado Novo.
• Foi outorgada (assim como a de 1824) e
autoritária.
• Apelidada de Carta Polaca, em razão da
influência sofrida pela Constituição polonesa
fascista de 1935.
• Forma de Estado federalista, forma de governo
Constituição republicana e sistema presidencialista.
dos Estados • Mantida a tripartição de poderes, mas com o
fortalecimento do Poder Executivo – controle do
Unidos do Judiciário e Legislativo.
Brasil de • Eleição indireta para Presidente da República que
cumpriria mandato de 6 anos.
1937 • Não houve previsão de mandado de segurança e
ação popular.
• Manifestação do pensamento restringida para
garantir a paz, ordem e segurança pública.
• Possibilidade de pena de morte para crimes políticos
e homicídios cometidos por motivo fútil e com
extremos de perversidade.
Constituição • Buscou retomar o norte democrático e conciliar a livre
iniciativa com a justiça social.
dos Estados • Estabeleceu eleições diretas para Presidente.
Unidos do • Trouxe Partidos Políticos para o texto constitucional.
• Baniu a pena de morte, trouxe o direito de greve e o
Brasil de controle de constitucionalidade com o Poder Judiciário.
• Renúncia de Jânio Quadros (1961) ativa-se um
1946 movimento golpista visando impedir a posse do vice, João
Goulart. Faz-se uma EC, transformando nosso sistema em
parlamentarista (para limitar os poderes do Presidente).
• Essa decisão é revertida em 1963, num plebiscito, e João
Goulart retoma o poder.
• Intensifica-se o movimento golpista e deflagra-se, em 31
de março de 1964, o Golpe Militar.
Constituição • Ato Institucional n.º 1 (1964) dispõe sobre a manutenção
da Constituição de 1964, substituída pela Carta de 1967.
da República • Estabelecimento de eleições indiretas para Presidente da
Federativa República e Vice, suspensão por seis meses das garantias
de vitaliciedade e estabilidade e possibilidade de
do Brasil de suspensão dos direitos políticos (AI-1).
1967 e EC nº • AI-4 Convocação do CN para a promulgação da
Constituição.
1 de 1969 • Caráter ditatorial, redução dos poderes do Legislativo e
Judiciário, suspensão e perda dos direitos políticos.
• AI-5 possibilidade do Presidente fechar o CN,
Assembleias Estaduais e Câmaras dos Vereadores;
exclusão da jurisdição do Judiciário para atos fundados no
AI-5.
• EC n.º 1/1969 manutenção do AI-5.
Constituição • A partir de 1978, veem-se movimentos
da República tendentes a diminuir o autoritarismo do regime.
Federativa • EC nº 11 de 1978 revogação dos AI.
• Restabelecimento do pluralismo político.
do Brasil de • Eleição direta para Governadores e Senadores.
1988 • “Diretas Já”.
• Ainda que visando à redemocratização, Tancredo
Neves é eleito em 1985 por meio de votação
indireta feita pelo Colégio Eleitoral, falece antes
de assumir e dá lugar a José Sarney, que convoca
uma nova Constituinte.
• Em 1º de fevereiro de 1987 reuniram-se os membros
Constituição da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, de
da República forma unicameral no Congresso Nacional e presididos
Federativa pelo Presidente do STF à época, o Ministro José Carlos
Moreira Sales, para dar início aos trabalhos da
do Brasil de Assembleia Nacional Constituinte, a qual seria presidida
1988 por Ulysses Guimarães.
▪ Os trabalhos se prolongam até 5 de outubro de 1988,
quando então é promulgada a Constituição da República
Federativa do Brasil.
• Instaurou um Estado democrático de Direito, sendo
conhecida como “Constituição Cidadã”, em virtude da
contribuição popular e da tentativa de implementação
do exercício de uma cidadania plena aos brasileiros.
Constituição
da República
Federativa • 8 Comissões Temáticas e 24 Subcomissões
do Brasil de • Incorporou 22 emendas populares
• 9 mil horas e 320 sessões
1988
https://www.camara.leg.br/internet/agencia/infog
raficos-html5/constituinte/index.html
Constituição • Restabeleceu eleições diretas para os chefes do
Executivo.
da República • Sistema pluripartidário.
Federativa • Fim da censura dos meios de comunicação.
do Brasil de • Direito ao voto para os analfabetos e voto
facultativo entre os 16 e 18 anos.
1988 • Racismo como crime inafiançável.
• Proibição da tortura.
• Igualdade de gênero.
• Diversos direitos trabalhistas: férias, 13º,
licença-maternidade, greve, FGTS jornada de 44
horas semanais etc.
Estrutura da Constituição
de 1988

Ato das disposições


Preâmbulo Parte permanente constitucionais
transitórias
Preâmbulo

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional


Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o
exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar,
o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e
comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das
controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO
DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
Preâmbulo

• Trata-se de uma espécie de carta de intenções do constituinte


originário.
• Expressa, em poucas palavras, quais os objetivos mais relevantes e os
valores principais que norteiam o novo texto constitucional.
Preâmbulo

O preâmbulo é uma norma constitucional?

• De acordo com o STF, o preâmbulo não é uma norma


constitucional, mas uma norma de natureza política

“Não contém o preâmbulo, portanto, relevância jurídica. O


preâmbulo não constitui norma central da Constituição, de
reprodução obrigatória na Constituição do Estado-membro”
(ADI 2.076; Relator Min. Carlos Velloso).
Preâmbulo

• Embora não seja considerado norma constitucional, não significa que o preâmbulo seja
totalmente desprovido de eficácia.
▪ Servirá como norte interpretativo, como elemento de auxílio na interpretação das normas
constitucionais como indicativo do pensamento do constituinte originário.

• O próprio STF, que outrora reconheceu a ausência de normatividade jurídica do


preâmbulo, já se utilizou de parte de seu conteúdo como fundamento de suas decisões.
▪ Exemplo: ADI 3.510, que tratou da constitucionalidade da Lei de Biossegurança um dos fundamentos
do Min. Relator, Carlos Ayres Brito, foi o “constitucionalismo fraternal” e o princípio da fraternidade,
decorrente do próprio preâmbulo constitucional.
Preâmbulo

Quais as consequências de o preâmbulo não ser uma norma constitucional?

• Não é norma de repetição obrigatória nas Constituições Estaduais.


• O preâmbulo não pode ser utilizado como paradigma ou parâmetro para o
controle de constitucionalidade.
• A palavra “Deus”, no preâmbulo, não fere a laicidade do Estado brasileiro,
pois, além de não definir qual a divindade, o STF entendeu que se trata de
manifestação política do poder constituinte originário, e não norma jurídica.
Parte permanente

• Corresponde aos dispositivos principais do texto constitucional.


• No caso da Constituição de 1988, os dispositivos vão do art. 1º ao 250,
e tratam da estrutura e organização do Estado, divisão dos Poderes,
direitos fundamentais etc.
• Título I – Dos princípios fundamentais
• Título II – Dos direitos e garantias fundamentais
Parte • Título III – Da organização do Estado
permanente • Título IV – Da organização dos Poderes
• Título V – Da defesa do Estado e das Instituições
Democráticas
• Título VI – Da tributação e do orçamento
• Título VII – Da Ordem Econômica e Financeira
• Título VIII – Da Ordem Social
• Título IX – Das disposições constitucionais gerais
Parte permanente

A parte permanente da Constituição é imutável?

• Não se confunde permanência com imutabilidade. A parte permanente


da Constituição pode ser alterada pelos meios regulares de reforma
constitucional (limites matérias e formais).
• O nome “parte permanente” deve-se ao fato de que as normas ali
presentes não possuem prazo determinado de vigência, de duração.
Ato das disposições
constitucionais transitórias
(ADCT)

• Depois da parte permanente (que termina atualmente no art. 250 da


Constituição), o constituinte originário estabeleceu um conjunto de
regras temporárias, transitórias, de cunho constitucional. Exemplos:
Art. 2º - No dia 7 de setembro de 1993 o eleitorado definirá, através de plebiscito, a forma (república ou
monarquia constitucional) e o sistema de governo (parlamentarismo ou presidencialismo) que devem
vigorar no País.
Art. 3º A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição,
pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral.
Ato das disposições
constitucionais transitórias
(ADCT)

O ADCT é uma norma constitucional?


• Na ADI 829, decidiu o STF: “contendo as normas constitucionais transitórias
exceções à parte permanente da Constituição, não tem sentido
pretender-se que o ato que as contém seja independente desta, até porque
é da natureza mesma das coisas que, para haver exceção, é necessário que
haja regra, de cuja existência aquela, como exceção, depende”.
▪ Pode ser alterado por emendas e pode ser parâmetro para controle de constitucionalidade.
Poder Constituinte
Poder Constituinte

• É o poder responsável pela elaboração ou alteração de uma


Constituição.
• Sua origem está diretamente ligada ao desenvolvimento de
Constituições escritas.
• Firmou-se entendimento de que o titular do poder constituinte é o povo.
Poder Constituinte

Histórico
Originário
Revolucionário
Poder Constituinte Decorrente
Derivado Reformador
Revisor
Poder Constituinte
originário
Poder constituinte
originário

• Também denominado inicial, inaugural, genuíno ou de 1º grau.


• Inaugura uma nova Constituição, rompendo com a ordem antecedente.
• O objetivo fundamental do Poder Constituinte originário é criar um novo
Estado.
▪ O Estado brasileiro de 1988 não é o de 1969, nem o de 1946, o de 1937, de 1934, de
1891, ou de 1824. Historicamente é o mesmo. Geograficamente pode ser o mesmo. Não
o é, porém, juridicamente.
Poder constituinte
originário

• Subdivide-se em Poder Constituinte histórico e revolucionário.


▪ Poder Constituinte originário histórico: estrutura, pela primeira vez, um
Estado.
▪ Poder Constituinte originário revolucionário: são posteriores ao histórico.
Rompem e criam uma nova ordem.
• Inicial: instaura uma nova ordem jurídica.
Característica • Autônomo: a estruturação da nova constituição
s do Poder será determinada por quem o exerce.
constituinte • Ilimitado juridicamente: a princípio, não tem de
originário respeitar os limites postos pelo direito anterior.
• Incondicionado e soberano: na tomada das
decisões.
• Poder de fato e poder político: a nova ordem
jurídica começa com sua manifestação.
• Permanente: não se esgota com a edição da
nova Constituição.
Formas de expressão do
Poder Constituinte originário

• Por outorga: caracteriza-se pela declaração unilateral do agente


revolucionário (movimento revolucionário, como ocorreu com as
Constituições de 1824, 1937, AI-64, 1967 e EC n. 1/69).
• Por Assembleia nacional constituinte ou convenção: nasce da
deliberação da representação popular, destacando-se os seguintes
exemplos: CF de 1891, 1934, 1946 e 1988.
Poder Constituinte derivado
Poder constituinte
derivado

• Também denominado instituído, constituído, remanescente, secundário ou


de segundo grau.
• Ele é criado e instituído pelo poder constituinte originário.
• É condicionado e limitado aos parâmetros impostos pelo poder originário.
• Trata-se de um poder jurídico.
• Adequação às transformações sociais, econômicas, políticas.
• Divide-se em decorrente, reformador e revisor.
Poder
constituinte
derivado • Estrutura a Constituição dos Estados-membros.
• E uma manifestação da capacidade de
decorrente auto-organização.
Art. 25, CF: Os Estados organizam-se e regem-se pelas
Constituições e leis que adotarem, observados os princípios
desta Constituição.
Poder • Trata-se do poder de modificar a Constituição
constituinte Federal por meio de um procedimento específico.
• Manifesta-se através das Emendas Constitucionais.
derivado • O Poder Constituinte originário permitiu a alteração
reformador de sua obra, mas obedecidos alguns limites.
▪ Quórum qualificado de 3/5, em cada Casa, em dois turnos
de votação para aprovação das emendas (art. 60, § 2.º);
▪ Proibição de alteração da Constituição na vigência de
estado de sítio, defesa, ou intervenção federal (art. 60, § 1.
º);
▪ Núcleo de matérias intangíveis: as cláusulas pétreas do art.
60, § 4.º, da CF/88.
Poder • A doutrina classifica as limitações em duas
constituinte grandes categorias:
derivado ▪ Limitações expressas ou explícitas
Formais ou procedimentais
reformador Materiais
Circunstanciais
▪ Limitações implícitas
Impossibilidade de alterar o titular do poder
constituinte originário e derivado reformador
Proibição de se violar as limitações expressas
Poder Limitações expressas ou explícitas
constituinte 1) Limitações formais ou procedimentais
derivado
a) Iniciativa (art. 60, I, II e III): iniciativa privativa e
reformador concorrente para a alteração da CF.
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos
Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das
unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela
maioria relativa de seus membros.
Poder
constituinte b) Quórum de aprovação (art. 60, §2º): a
proposta de emenda será discutida e votada em
derivado cada Casa do Congresso Nacional, em 2 turnos,
reformador considerando-se aprovada se obtiver, em ambos,
3/5 dos votos dos respectivos membros.
▪ Diferente é o processo legislativo de formação da lei
complementar e da lei ordinária, que deverá ser discutido e
votado em um único turno de votação (art. 65, caput),
tendo por quórum a maioria absoluta (art. 69) e a maioria
relativa (art. 47), respectivamente.
Poder
constituinte c) Promulgação (art. 60, §3º): a emenda à
derivado Constituição será promulgada pelas Mesas da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com
reformador o respectivo número de ordem.
▪ O número de ordem é o numeral indicativo da
quantidade de vezes que a Constituição foi alterada
(pelo poder constituinte derivado) desde a sua
promulgação.
Poder d) Proposta de emenda rejeitada ou havida por
constituinte prejudicada (art. 60, §5º): a matéria não pode ser
objeto de nova apresentação na mesma sessão
derivado legislativa.
reformador ▪ Sessão legislativa é o período de atividade do Congresso a
cada ano.
▪ Trata-se de regra diferente da prevista para as leis
complementares e ordinárias, em relação às quais é
permitido o oferecimento de novo projeto de lei (quando
rejeitado) na mesma sessão legislativa, mediante proposta
da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas
do Congresso (art. 67).
2) Limitações materiais

Poder Cláusulas pétreas (art. 60, §4º): trata-se de núcleo


intangível. Assim, não será objeto de deliberação a proposta
constituinte de emenda tendente a abolir:
derivado
reformador I - a forma
II - o voto
direto,
federativa de secreto,
Estado; universal e
periódico;

IV - os
III - a
direitos e
separação
garantias
dos Poderes;
individuais.
3) Limitações circunstanciais: em determinadas
Poder circunstâncias, o constituinte originário vedou a
constituinte alteração do texto original:
derivado
reformador Intervenção federal

Estado de defesa (art. 136, CF)

Estado de sítio (art. 137, CF)


Poder
constituinte
derivado • O art. 3º do ADCT determinou a revisão do texto
constitucional após cinco anos da promulgação:
revisor Art. 3º. A revisão constitucional será realizada após
cinco anos, contados da promulgação da Constituição,
pelo voto da maioria absoluta dos membros do
Congresso Nacional, em sessão unicameral.
Direito Constitucional
intertemporal
Nova Constituição e
ordem jurídica anterior

O que acontece com as normas que foram


produzidas na vigência da Constituição anterior com
o advento de uma nova Constituição, um novo
Estado? Elas são revogadas? Perdem a validade?
Devem ser novamente editadas?
A resposta a essas perguntas passa pela análise do
Direito intertemporal
Recepção

• Todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão


revogadas.
• A contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem
será recepcionada.
▪ Pode, inclusive, adquirir uma outra “roupagem”. Exemplo: CTN (Lei n. 5.172/66), que foi
elaborado com natureza jurídica de lei ordinária e foi recepcionado pela nova Constituição
como lei complementar.
Recepção

Nos casos de normas infraconstitucionais produzidas


antes da nova Constituição, incompatíveis com as
novas regras, não se observará qualquer situação de
inconstitucionalidade, mas, apenas de revogação da
lei anterior pela nova Constituição, por falta de
recepção.
Inconstitucionalidade
superveniente?

• O STF não admite o fenômeno da inconstitucionalidade superveniente


de ato normativo produzido antes da nova Constituição e perante o
novo paradigma.
▪ Nesse caso, ou se fala em compatibilidade e aí haverá recepção, ou em revogação
por inexistência de recepção.
Recepção

• Para uma lei ser recepcionada pelo novo ordenamento jurídico, deverá
preencher os seguintes requisitos:
estar em vigor no momento do advento da nova Constituição;
não ter sido declarada inconstitucional durante a sua vigência no ordenamento
anterior;
ter compatibilidade formal e material perante a Constituição sob cuja regência ela foi
editada (no ordenamento anterior);
ter compatibilidade somente material perante a nova Constituição, pouco importando a
compatibilidade formal.
Recepção
Repristinação

• Uma norma produzida na vigência da CF/46 não é recepcionada pela de 1967, pois
incompatível com ela. Promulgada a CF/88, verifica-se que aquela lei, produzida na
vigência da CF/46 (que fora revogada — não recepcionada — pela de 1967), em tese
poderia ser recepcionada pela CF/88, visto que totalmente compatível com ela. Nessa
situação, poderia aquela lei, produzida durante a CF/46, voltar a produzir efeitos?

Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinação, salvo


se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar.
Desconstitucionalização

• Trata-se do fenômeno pelo qual as normas da Constituição anterior, desde


que compatíveis com a nova ordem, permanecem em vigor, mas com o status
de lei infraconstitucional. Ou seja, as normas da Constituição anterior são
recepcionadas com o status de norma infraconstitucional pela nova ordem.
Como regra, esse fenômeno não ocorre no Brasil. No entanto, poderá ser
percebido quando a nova Constituição, expressamente, assim o requerer,
tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo do
ponto de vista jurídico.
Hermenêutica
Constitucional
Hermenêutica
constitucional

• As Constituições devem ser interpretadas, função essa atribuída ao


exegeta, que buscará o real significado dos termos constitucionais.
• O hermeneuta, levando em consideração a história, as ideologias, as
realidades sociais, econômicas e políticas do Estado, definirá o
verdadeiro significado do texto constitucional.
▪ A interpretação deverá levar em consideração todo o sistema.
▪ Em caso de antinomia de normas, buscar-se-á a solução do aparente conflito através de uma
interpretação sistemática, orientada pelos princípios constitucionais.
Hermenêutica
constitucional

• Por vezes, o sentido da Constituição interpretada pode mostrar-se


inadequado.
• Nessas circunstâncias, dentro dos limites colocados pelo Constituinte
originário, poderão ser observadas alterações tanto do ponto de vista
formal (reforma constitucional) como do informal (mutações
constitucionais).
Reforma constitucional

• Trata-se da modificação do texto constitucional mediante mecanismos


definidos pelo poder constituinte originário (emendas), alterando,
suprimindo ou acrescentando artigos ao texto original.
▪ Por exemplo, a EC n.º 115/2022 incluiu o direito a proteção de dados pessoais,
inclusive nos meios digitais, como direito fundamental (art. 5º, LXXIX).
Mutação constitucional

• Trata-se de alterações no significado e sentido interpretativo de um texto


constitucional, ou seja, a transformação não está no texto em si, mas na
interpretação daquela regra enunciada.
▪ O texto permanece inalterado.
▪ Exterioriza o caráter dinâmico e de prospecção das normas jurídicas.
• Art. 5º, XI, CF: “A casa é asilo inviolável do indivíduo,
ninguém nela podendo penetrar sem consentimento
do morador, salvo em caso de flagrante delito ou
Mutação desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia,
constitucion por determinação judicial”.
▪ O STF ampliou o conceito de casa para abranger, também,
al o local de trabalho.

• Art. 226, §3º, CF: “Para efeito da proteção do Estado,


é reconhecida a união estável entre o homem e a
mulher como entidade familiar, devendo a lei
facilitar sua conversão em casamento”.
▪ Em 2011, por meio da ADI nº 4277 e a ADPF nº 132, o STF
reconheceu o direito ao estabelecimento de união estável
por casais homoafetivos.
Mutação • FETO ANENCÉFALO. INTERRUPÇÃO DA
constitucion GRAVIDEZ. MULHER. LIBERDADE SEXUAL E
REPRODUTIVA. SAÚDE. DIGNIDADE.
al AUTODETERMINAÇÃO. DIREITOS
FUNDAMENTAIS. CRIME. INEXISTÊNCIA.
Mostra-se inconstitucional interpretação de a
interrupção da gravidez de feto anencéfalo ser
conduta tipificada nos artigos 124, 126 e 128,
incisos I e II, do Código Penal (ADPF 54/DF).
Regras e Princípios

Regras
Norma jurídica
Princípios
Regras e Princípios

• As regras são descritivas e mais concretas, contendo grau menor


de abstração e grau maior de concretização prática, servindo para
definir condutas.
• Os princípios têm maior abstração. São normas vagas, abertas e
não definem condutas, mas, sim, diretrizes.
Regras e Princípios

• As regras não admitem cumprimento parcial, estando norteadas pela


aplicação do “tudo ou nada”.
▪ Quando em conflito, caberá ao aplicador do Direito determinar qual será a
norma a ser aplicada ao caso concreto – subsunção.
• Os princípios podem ser cumpridos parcialmente e admitem a
ponderação, o sopesamento, diante dos conflitos principiológicos.
Método jurídico
Métodos de
Método tópico-problemático
interpretaçã
o Método hermenêutico-concretizador

Método científico-espiritual

Método normativo-estruturante

Método da comparação constitucional


Método jurídico ou
hermenêutico clássico

• A Constituição deve ser encarada como uma lei e, assim, todos os


métodos tradicionais de hermenêutica deverão ser utilizados na tarefa
interpretativa.
• O papel do intérprete resume-se a descobrir o verdadeiro significado da
norma, o seu sentido e, assim, atribui-se grande importância ao texto da
norma.
Método tópico-problemático
ou método da tópica

• Parte-se de um problema concreto para a norma, atribuindo-se à


interpretação um caráter prático na busca da solução dos problemas
concretizados.
• A Constituição é, assim, um sistema aberto de regras e princípios.
Método
hermenêutico-concretiza
dor
• Parte da Constituição para o problema, destacando-se os seguintes
pressupostos interpretativos:
▪ Pressupostos subjetivos: o intérprete vale-se de suas pré-compreensões sobre o
tema para obter o sentido da norma;
▪ Pressupostos objetivos: o intérprete atua como mediador entre a norma e a
situação concreta, tendo como “pano de fundo” a realidade social;
▪ Círculo hermenêutico: é o “movimento de ir e vir” do subjetivo para o objetivo,
até que o intérprete chegue a uma compreensão da norma.
Método
científico-espiritual

• A análise da norma constitucional não se fixa na literalidade da norma,


mas parte da realidade social e dos valores subjacentes do texto da
Constituição.
• Assim, a Constituição deve ser interpretada como algo dinâmico e que
se renova constantemente, no compasso das modificações da vida em
sociedade.
Método
normativo-estruturante

• O teor literal da norma (elemento literal da doutrina clássica), que será


considerado pelo intérprete, deve ser analisado à luz da concretização
da norma em sua realidade social.
▪ A norma terá de ser concretizada não só pela atividade do legislador, mas,
também, pela atividade do Judiciário, da administração, do governo etc.
Método da comparação
constitucional

• A interpretação dos institutos se implementa mediante comparação nos


vários ordenamentos.
▪ Estabelece-se, assim, uma comunicação entre as várias Constituições.
Princípio da unidade da Constituição
Princípios da
interpretaçã Princípio do efeito integrador
o
Princípio da máxima efetividade
constitucion
al Princípio da justeza ou conformidade funcional

Princípio da concordância prática

Princípio da força normativa

Princípio da interpretação conforme a Constituição


Princípio da unidade da
Constituição

• A Constituição deve ser sempre interpretada em sua globalidade, como


um todo, e, assim, as aparentes antinomias deverão ser afastadas.
• De acordo com Canotilho, o princípio da unidade obriga o intérprete a
considerar a Constituição na sua globalidade e a procurar harmonizar os
espaços de tensão.
Princípio do efeito
integrador

• O intérprete deverá sempre que possível buscar soluções que propiciem


a integração social e a unidade política na aplicação da norma jurídica,
com respeito ao pluralismo existente na sociedade.
▪ Decorre do princípio da unidade da Constituição.
Princípio da máxima
efetividade

• Também chamado de princípio da eficiência ou da interpretação


efetiva, o princípio da máxima efetividade das normas constitucionais
deve ser entendido no sentido de a norma constitucional ter a mais
ampla efetividade social.
▪ No caso de dúvidas deve preferir-se a interpretação que reconheça maior
eficácia aos direitos fundamentais
Princípio da justeza ou
da conformidade
funcional

• O intérprete máximo da Constituição, no caso brasileiro o STF, ao


concretizar a norma constitucional, será responsável por estabelecer a
força normativa da Constituição, não podendo alterar a repartição de
funções constitucionalmente estabelecidas pelo constituinte originário,
como é o caso da separação de poderes, no sentido de preservação do
Estado de Direito.
Princípio da
concordância prática ou
harmonização

• Os bens jurídicos constitucionalizados deverão coexistir de forma


harmônica na hipótese de eventual conflito ou concorrência entre eles,
buscando, assim, evitar o sacrifício (total) de um princípio em relação a
outro em choque.
▪ O fundamento da ideia de concordância decorre da unidade da Constituição e da
inexistência de hierarquia entre os princípios.
Princípio da força
normativa

• Os aplicadores da Constituição, ao solucionar conflitos, devem conferir a


máxima efetividade às normas constitucionais.
▪ Tal princípio foi vislumbrado por Konrad Hesse, que afirmava que toda
norma Constitucional deve ser revestida de um mínimo de eficácia, sob pena de figurar “letra
morta em papel”.
Princípio da
interpretação conforme
a Constituição
• Diante de normas plurissignificativas ou polissêmicas (que possuem mais de
uma interpretação), deve-se preferir a que mais se aproxime da Constituição e
que não seja contrária ao seu texto.
▪ Prevalência da Constituição
▪ Conservação das normas
▪ Exclusão da interpretação contra legem
▪ Rejeição ou não aplicação de normas inconstitucionais
▪ Intérprete não pode atuar como legislador positivo
Princípio da
proporcionalidade e
razoabilidade

• Necessidade: a adoção da medida que possa restringir direitos só se legitima se


indispensável para o caso concreto e não se puder substituí-la por outra menos
gravosa.
• Adequação: o meio escolhido deve atingir o objetivo perquirido.
• Proporcionalidade em sentido estrito: sendo a medida necessária e adequada,
deve-se investigar se o ato praticado, em termos de realização do objetivo
pretendido, supera a restrição a outros valores constitucionalizados. Podemos falar
em máxima efetividade e mínima restrição.
Eficácia e aplicabilidade das
normas constitucionais
Eficácia jurídica e eficácia
social

• Eficácia jurídica: aptidão da norma de produzir efeitos jurídicos quando


invocada sua aplicação perante a autoridade competente.
• Eficácia social: espontaneidade dos indivíduos em agir conforme o disposto
na norma.
▪ Todas as normas constitucionais apresentam eficácia, algumas jurídica e social e outras apenas jurídica.
▪ As normas constitucionais, segundo José Afonso da Silva, podem ser de eficácia: plena, contida e
limitada.
Eficácia das normas
constitucionais

Eficácia plena

Normas Eficácia
constitucionais contida

Eficácia
limitada
Normas constitucionais
de eficácia plena

• Possuem aplicabilidade direta, imediata e integral.


▪ São aquelas normas da Constituição que, no momento que esta entra em vigor,
estão aptas a produzir todos os seus efeitos.
• Em regra, criam órgãos ou atribuem aos entes federativos competências.
• Aproximam-se do que a doutrina clássica norte-americana chamou de
normas autoaplicáveis (self-executing, self-enforcing ou self-acting).
são aptas a produzir efeitos com a
Normas simples promulgação da Constituição
Imediata
constitucionai
s de eficácia
plena independem de norma
regulamentadora para produção de Direta
efeitos

produzem efeitos plenos, sem sofrer


qualquer limitação ou restrição Integral
• Art. 2º: São Poderes da União, independentes e
Normas harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
constitucionai Judiciário.
• Art. 5º, III: Ninguém será submetido a tortura nem a
s de eficácia tratamento desumano ou degradante.
plena • Art. 14, § 2º: Não podem alistar-se como eleitores os
estrangeiros e, durante o período do serviço militar
obrigatório, os conscritos.
• Art. 18, §1º: Brasília é a capital federal.
• Arts. 19 (vedações aos entes federados), 20 (bens da
União), 21 e 22 (competências da União), 24
(competências concorrentes), 30 (competências dos
Municípios) etc.
Normas constitucionais
de eficácia contida

• As normas constitucionais de eficácia contida ou prospectiva têm


aplicabilidade direta e imediata, mas possivelmente não integral.
• Embora tenham condições de, quando da promulgação da nova
Constituição, ou da entrada em vigor, produzir todos os seus efeitos,
poderá haver a redução de sua abrangência.
▪ Enquanto não materializado o fator de restrição, a norma tem eficácia plena.
Normas
constitucionai são aptas a produzir efeitos
com a simples promulgação Imediata
s de eficácia da Constituição
contida

independem de norma
regulamentadora para Direta
produção de efeitos
• Art. 5º, XIII: é livre o exercício de qualquer
trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
Normas qualificações profissionais que a lei estabelecer.
constitucionai ▪ Por exemplo, o Estatuto da OAB exige a aprovação no Exame da
Ordem.
s de eficácia
contida “O exame de suficiência discutido seria compatível com o juízo
de proporcionalidade e não alcançaria o núcleo essencial da
liberdade de ofício. No concernente à adequação do exame à
finalidade prevista na Constituição — assegurar que as
atividades de risco sejam desempenhadas por pessoas com
conhecimento técnico suficiente, de modo a evitar danos à
coletividade — aduziu-se que a aprovação do candidato seria
elemento a qualificá-lo para o exercício profissional” (RE
603.583, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 26.10.2011, Plenário, Inf.
646/STF).
Normas • Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo
constitucionai aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de
s de eficácia exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio
dele defender. § 1º A lei definirá os serviços ou
contida atividades essenciais e disporá sobre o atendimento
das necessidades inadiáveis da comunidade.
▪ A garantia está materializada em norma de eficácia contida,
já que o § 1.º do art. 9.º prescreve que a lei definirá os
serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o
atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade,
reduzindo, assim, a sua amplitude.
• Art. 5º, VII: é assegurada, nos termos da lei, a prestação de
assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação
Normas coletiva.
• Art. 5º, VIII: Ninguém será privado de direitos por motivo de crença
constitucionai religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar
s de eficácia para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a
cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
contida • Art. 5º, XV: É livre a locomoção no território nacional em tempo de
paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar,
permanecer ou dele sair com seus bens.
• Art. 5º, XXIV: A lei estabelecerá o procedimento para
desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro,
ressalvados os casos previstos nesta Constituição.
• Art. 170, p. único: É assegurado a todos o livre exercício de
qualquer atividade econômica, independentemente de autorização
de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.
Normas constitucionais
de eficácia limitada

• São aquelas normas que, de imediato, no momento em que a


Constituição é promulgada ou entra em vigor, não têm o condão de
produzir todos os seus efeitos, precisando de norma regulamentadora
infraconstitucional.
• Possuem aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, ou, segundo
alguns autores, aplicabilidade diferida.
• Art. 37, VII: O direito de greve será exercido nos
termos e nos limites definidos em lei específica.
Normas • Art. 196: A saúde é direito de todos e dever do
constitucionai Estado, garantido mediante políticas sociais e
s de eficácia econômicas que visem à redução do risco de doença
e de outros agravos e ao acesso universal e
limitada igualitário às ações e serviços para sua promoção,
proteção e recuperação.
• Art. 205. A educação, direito de todos e dever do
Estado e da família, será promovida e incentivada
com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho.
Normas constitucionais de
eficácia exaurida e
aplicabilidade esgotada

• Classificação sugerida por Uadi Bulos, são aquelas que já extinguiram a


produção de seus efeitos. Estão esgotadas, dissipadas, ou desvanecidas.
▪ São próprias do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias), notadamente
aquelas normas que já cumpriram o papel, encargo ou tarefa para o qual foram propostas.
Exemplos: arts. 1.º, 2.º, 3.º, 14, 20, 25, 48 e vários outros do ADCT.

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