0% acharam este documento útil (0 voto)
35 visualizações13 páginas

Derivadas Parciais e EDOs Exatas

Enviado por

ribeiroelizer1
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
35 visualizações13 páginas

Derivadas Parciais e EDOs Exatas

Enviado por

ribeiroelizer1
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Derivadas Parciais (Procedi-

mento Prático)
Cálculo II - 2024-2 Equações Diferenciais Exatas
Equações Redutı́veis às Exatas

AULAS 9 e 10

EQUAÇÕES DIFERENCIAS EXATAS


Esta aula está baseada no Capı́tulo 21 da Apostila Cálculo IIA da Profa. Cristiane Argento e do Prof.
Freddy Hernàndez.

Nesta aula, estudaremos as EDOs chamadas Exatas, isto é, equações de primeira ordem que, quando
escritas na forma diferencial, coincidem com a diferencial total de uma função de duas variáveis. O
conceito de diferencial total de uma função de duas variáveis será estudado na segunda parte do curso.

Para introduzirmos as EDOs exatas, vamos precisar conhecer as derivadas parciais de funções de
duas variáveis. Na segunda parte do curso, definiremos as derivadas parciais e as estudaremos com o
cuidado devido. Nosso propósito na próxima seção será fornecer um procedimento bem objetivo para o
cálculo das derivadas parciais das funções não-partidas com as quais estamos acostumados a trabalhar.

1 Procedimento Prático para o Cálculo das Derivadas Parci-


ais de Funções de Duas Variáveis Não-Partidas Usuais
Fazendo n = 2 na Definição 2.1 da Aula 1, temos que, dado um conjunto D(f ) ⊆ R2 , uma função
real f de duas variáveis reais é uma correspondência que a cada ponto (x, y) ∈ D(f ), associa um
e apenas um z ∈ R. De forma simbólica, escrevemos
f : D(f ) ⊆ R2 → R
(x, y) 7→ z = f (x, y).
Veremos na segunda parte do curso, que existe um conceito chamado de derivada parcial, no qual
olhamos para uma função de mais de uma variável, como se fosse apenas função de uma variável, con-
siderando as outras variáveis como se fossem constantes. Por exemplo, para uma função f = f (x, y),
cujas variáveis independentes são as variáveis x e y, podemos determinar a derivada parcial de f com
∂f
respeito à variável x, cuja notação é ou fx , olhando esta função como função apenas da variável
∂x
∂f
x e podemos determinar a derivada parcial de f com respeito à variável y, cuja notação é ou fy ,
∂y
olhando esta função como função apenas da variável y. O efeito prático desta forma de olhar a função
cada vez como função de apenas uma variável é que, para funções não-partidas como as que estamos
acostumados a trabalhar, no cálculo de uma derivada parcial aplicamos todas as regras de derivação
conhecidas de funções reais de UMA variável real, aprendidas em Cálculo I, considerando apenas uma
∂f
variável por vez. Isto é, no cálculo de , aplicamos as regras de derivação à função f olhando-a como
∂x
se fosse apenas função da variável x, considerando y como uma constante qualquer. De forma análoga,
∂f
no cálculo de , aplicamos as regras de derivação à função f olhando-a como se fosse apenas função
∂y
da variável y, considerando x como uma constante qualquer.

1
Exemplo 1.1 Seja f (x, y) = x3 y 2 + 2xy + x. Determine as derivadas parciais de f .

Solução: De acordo com o que foi observado anteriormente, vamos aplicar as regras de derivação
∂f
normalmente, considerando apenas uma variável por vez. Vamos começar calculando . Desta forma,
∂x
consideramos que a única variável de f é a variável x e tudo o que não depender de x é considerado
como uma constante qualquer. Olhando f sob este prisma, temos que derivar o polinômio de terceiro
grau
g(x) = ax3 + bx + x,
onde a e b são constantes. Assim sendo, temos que
g 0 (x) = 3ax2 + b + 1.
Substituindo agora a por y 2 e b por 2y concluı́mos que
∂f
(x, y) = 3x2 y 2 + 2y + 1.
∂x
∂f
Da mesma forma, para calcular , consideramos que a única variável de f é a variável y e tudo o que
∂y
não depender de y é considerado uma constante qualquer. Olhando f sob este outro prisma, temos
que derivar o polinômio de segundo grau
h(y) = cy 2 + dy + e,
onde c, d e e são constantes. Assim sendo, temos que
g 0 (y) = 2cy + d.
Substituindo agora c por x3 e d por 2x, concluı́mos que
∂f
(x, y) = 2x2 y + 2x.
∂y


Exemplo 1.2 Seja f (x, y) = arctan(x2 + y 2 ). Determine as derivadas parciais de f .

Solução: De acordo com o que foi observado anteriormente, vamos considerar apenas uma variável
por vez. Pela simetria da função, vamos considerar que temos que derivar a função
g(t) = arctan(t2 + C),
onde C é uma constante. Desta forma, pela regra da cadeia, segue que
(t2 + C)0 2t
g 0 (t) = = .
1 + (t2 + C)2 1 + (t2 + C)2
Portanto, fazendo as adaptações devidas, temos que
∂f 2x
(x, y) = ,
∂x 1 + (x2 + y 2 )2
∂f 2y
(x, y) = .
∂y 1 + (x2 + y 2 )2


2
Exemplo 1.3 Seja f (x, y) = xy 2 sen(x2 y + x). Determine as derivadas parciais de f .

Solução: Aplicando as regras de derivação normalmente, considerando apenas uma variável por vez,
olhando para a outra como se fosse uma constante, temos que
∂f ∂ ∂
xy 2 sen(x2 y + x) + xy 2 sen(x2 y + x)
 
(x, y) =
∂x ∂x ∂x

= y 2 sen(x2 y + x) + xy 2 cos(x2 y + x) x2 y + x

∂x
= y 2 sen(x2 y + x) + xy 2 cos(x2 y + x)(2xy + 1)
= y 2 sen(x2 y + x) + xy 2 (2xy + 1) cos(x2 y + x)
∂f ∂ ∂
xy 2 sen(x2 y + x) + xy 2 sen(x2 y + x)
 
(x, y) =
∂y ∂y ∂y

= 2xy sen(x2 y + x) + xy 2 cos(x2 y + x) x2 y + x

∂y
= 2xy sen(x y + x) + xy cos(x y + x) x2
2 2 2

= 2xy sen(x2 y + x) + x3 y 2 cos(x2 y + x).

ln(x3 y)
Exemplo 1.4 Seja f (x, y) = , x > 0, y > 0. Determine as derivadas parciais de f .
y2

Solução: Aplicando as regras de derivação normalmente, considerando apenas uma variável por vez,
olhando para a outra como se fosse uma constante, temos que
∂ 3
∂f 1 ∂x (x y) 1 3x2 y 3
(x, y) = 2 3
= 2 3
= 2,
∂x y xy y xy xy

(x3 y)
∂y 2 3 ∂ 2
y − ln(x y) (y )
∂f x3 y ∂y
(x, y) =
∂y y4
x3 2
y − ln(x3 y)2y
x3 y y − 2y ln(x3 y)
= =
y4 y4
1 − 2 ln(x3 y)
= .
y3


Na próxima seção, nos referiremos a funções “n vezes bem comportadas”. Você já deve ter intuı́do que
este não é um conceito matemático muito bem definido. Mais tarde, na segunda parte do curso, após
aprender sobre funções de várias variáveis, você poderá voltar a esta aula e substituir a expressão “n
vezes bem comportada” por “de classe C n ”. O que é importante você saber agora é que as funções
usuais com as quais trabalhamos (por exemplo, as quatro funções dos exemplos anteriores) são todas
funções “n vezes bem comportadas”.

3
2 Equações Diferenciais Exatas
Considere uma EDO escrita na forma

M (x, y)dx + N (x, y)dy = 0. (1)

Definição 2.1 Dizemos que a EDO (1) é exata se existe uma função f = f (x, y) “duas vezes bem
comportada” (*) na região I1 × I2 ⊂ R2 , onde I1 e I2 são intervalos abertos na reta, tal que
∂f ∂f
M (x, y) = (x, y) e N (x, y) = (x, y). (2)
∂x ∂y
(*) Mais tarde, com mais conhecimento, você substituirá a expressão “duas vezes bem comportada” por
“de classe C 2 ”.

Proposição 2.1 Se a EDO (1) é uma EDO exata, então sua solução geral y = y(x) é dada na forma
implı́cita pela equação

f (x, y(x)) = C, C ∈ R, (3)

onde f é a função citada na Definição 2.1.

Realmente, se (1) é uma EDO exata, ela pode ser reescrita na forma
∂f ∂f dy
+ = 0.
∂x ∂y dx
Pela Regra da Cadeia para funções de várias variáveis, que será estudada na segunda parte do curso,
temos que que
d ∂f ∂f dy
(f (x, y(x))) = (x, y(x)) + (x, y(x)) (x) = 0.
dx ∂x ∂y dx
Portanto, a equação f (x, y(x)) = C é a solução geral de (1), pois
d d
(f (x, y(x))) = (C) = 0
dx dx
∂f ∂f dy
⇒ (x, y(x)) + (x, y(x)) (x) = 0.
∂x ∂y dx
Após o estudo de funções de várias variáveis, você verá que uma outra forma de interpretar a afirmação
“a equação f (x, y(x)) = C é a solução geral de (1)”, é que solução geral de (1) é formada pelas curvas
de nı́vel da função f (x, y).

Pela Proposição 2.1, se identificarmos que uma EDO é exata, basta conhecermos uma função f nas
condições dadas na Definição 2.1 para que tenhamos as soluções da EDO dadas na forma implı́cita por
f (x, y) = C.

Diante do que vimos, convém então fazermos a seguintes perguntas:

1) Como identificar uma EDO exata?

2) Sabendo que a EDO é exata, como determinar uma função f ?

A primeira pergunta será respondida pela proposição a seguir, conhecida como Condição de Euler.

4
Proposição 2.2 Sejam M, N : I1 × I2 → R funções “uma vez bem comportada” (*) , onde I1 , I2 são
intervalos abertos. A EDO (1) é exata se e somente se:
∂ ∂
M (x, y) = N (x, y) (4)
∂y ∂x
∀(x, y) ∈ I1 × I2 . (*) Mais tarde, com mais conhecimento, você substituirá a expressão “uma vez bem
comportada” por “de classe C 1 ’.

Observação 2.1
• Na segunda parte do curso, você será capaz de identificar que a condição (4), conhecida como condição
de Euler, está associada ao Teorema de Schwarz, o qual trata da igualdade entre as derivadas mistas
de uma função f de classe C 2 . Ou seja, do Teorema de Schwarz, segue que se (1) for exata, então a
condição de Euler (4) é verdadeira.
• A recı́proca da proposição anterior nos dá a condição algébrica (4), que usaremos para verificar
se a EDO em questão é exata. Assim, sabendo que uma dada EDO é exata, o passo seguinte será
encontrar uma função f (x, y) que satisfaça (2). Para determinarmos uma tal função f , utilizamos (2)
e, se escolhermos começar pela primeira igualdade, integramo-la em relação a x, ou, se escolhermos
começar pela segunda igualdade, integramo-la em relação a y. Observe os exemplos a seguir.

3 Exemplos
Exemplo 3.1 Considere a equação

4x3 ydx + (x4 + 2y)dy = 0, (5)

em R2 .
a) Mostre que a EDO é exata.

b) Resolva a EDO.

Solução:
a) Para mostrar que a EDO é exata, basta verificar a condição de Euler (4), onde M (x, y) = 4x3 y e
N (x, y) = x4 + 2y. Então,
∂M ∂N
(x, y) = 4x3 e (x, y) = 4x3 .
∂y ∂x
∂M ∂N
Como (x, y) = (x, y), a condição de Euler (4) é satisfeita em R2 e, portanto, a EDO é
∂y ∂x
exata.

b) Já sabemos, pelo item a, que a EDO é exata, então vamos determinar uma função f que satisfaça
a condição (2), isto é, a condição
∂f ∂f
M (x, y) = 4x3 y = (x, y) e N (x, y) = x4 + 2y = (x, y). (6)
∂x ∂y
Integrando a primeira igualdade em (6) em relação a x, obtemos
Z Z
∂f
(x, y)dx = 4x3 y dx. (7)
∂x

5
Z
∂f
Sabemos que (x, y)dx = f (x, y) + C, onde C não depende de x. Observe que C pode ser
∂x
escrita como g(y), uma vez que qualquer função puramente dependente da variável y é tal que
∂g(y)
= 0, de modo que funciona como uma “constante mais geral” na integração com respeito
∂x
à variável x. Desta forma, de (7), segue que
Z Z
f (x, y) = 4x y dx + g(y) = 4y x3 dx + g(y) = x4 y + g(y).
3
(8)

Agora, derivando (8) em relação a y e comparando o resultado com a segunda igualdade em (6),
temos
∂f
(x, y) = x4 + g 0 (y) = x4 + 2y, (9)
∂y
donde g 0 (y) = 2y, e, portanto, integrando g 0 , obtemos

g(y) = y 2 + k, (10)

onde k é uma constante arbitrária. Logo, de (8) e (10), temos

f (x, y) = x4 y + y 2 + k, k ∈ R.

Assim, as soluções da EDO estão implı́citas em f (x, y) = x4 y + y 2 + k = C1 . Agrupando as


constantes em apenas uma, i.e., fazendo C = C1 − k, temos que as soluções da EDO estão
implı́citas em x4 y + y 2 = C, para C ∈ R. 

Exemplo 3.2 Resolva a equação :

(e3y − y cos(xy))dx + (3xe3y − x cos(xy) + y 3 )dy = 0, (11)

em R2

Solução: Nesse exemplo, M (x, y) = e3y − y cos(xy) e N (x, y) = 3xe3y − x cos(xy) + y 3 . Portanto,
∂M ∂N
(x, y) = 3e3y − cos(xy) + xy sen(xy) e (x, y) = 3e3y − cos(xy) + xy sen(xy).
∂y ∂x
∂M ∂N
Como (x, y) = (x, y), a condição de Euler (4) é satisfeita em R2 e, portanto, a EDO é exata.
∂y ∂x
Vamos determinar uma função f que satisfaça a condição (2), isto é, a condição
∂f ∂f
M (x, y) = e3y − y cos(xy) = (x, y) e N (x, y) = 3xe3y − x cos(xy) + y 3 = (x, y). (12)
∂x ∂y
Integrando a primeira igualdade em (12), em relação a x, obtemos:
Z
e3y − y cos(xy) dx + g(y) = xe3y − sen(xy) + g(y).

f (x, y) = (13)

∂g
Lembre-se que qualquer função g puramente dependente da variável y é tal que = 0, de modo
∂x
que funciona como uma “constante mais geral” na integração em x. Derivando (13) em relação a y e
comparando o resultado com a segunda igualdade em (12), segue que
∂f
(x, y) = 3xe3y − x cos(xy) + g 0 (y) = 3xe3y − x cos(xy) + y 3 , (14)
∂y

6
donde g 0 (y) = y 3 , e, portanto, integrando g 0 , obtemos

y4
g(y) = + k, (15)
4
onde k é uma constante arbitrária. Logo, de (13) e (15), temos que

y4
f (x, y) = xe3y − senxy + + k, k ∈ R.
4
y4
Assim, as soluções da EDO estão implı́citas em f (x, y) = xe3y − sen(xy) + + k = C1 . Agrupando as
4
constantes em apenas uma, i.e., fazendo C = C1 − k, temos que as soluções da EDO estão implı́citas
3y y4
na equação xe − sen(xy) + = C, para C ∈ R. 
4
Exemplo 3.3 Resolva o PVI :

(x + y)2
y0 = ;

1 − x2 − 2xy (16)
y(1) = 1.

Solução: Primeiro, vamos reescrever a equação na forma diferencial:

dy (x + y)2
= ⇒ (x + y)2 dx + (x2 + 2xy − 1)dy = 0.
dx 1 − x2 − 2xy

Neste caso, M (x, y) = (x + y)2 e N (x, y) = x2 + 2xy − 1. Portanto,


∂M ∂N
(x, y) = 2(x + y) e (x, y) = 2x + 2y.
∂y ∂x
∂M ∂N
Como (x, y) = (x, y), a condição de Euler (4) é satisfeita em R2 e, portanto, a EDO é exata.
∂y ∂x
Vamos determinar uma função f que satisfaça a condição (2), isto é, a condição
∂f ∂f
M (x, y) = (x + y)2 = (x, y) e N (x, y) = x2 + 2xy − 1 = (x, y). (17)
∂x ∂y
Integrando a primeira igualdade em (17), em relação a x, obtemos:

(x + y)3
Z
f (x, y) = (x + y)2 dx + g(y) = + g(y). (18)
3
∂g
Lembre-se que qualquer função g puramente dependente da variável y é tal que = 0, de modo
∂x
que funciona como uma “constante mais geral” na integração em x. Derivando (18) em relação a y e
comparando o resultado com a segunda igualdade em (17), segue que
∂f
(x, y) = (x + y)2 + g 0 (y) = x2 + 2xy − 1, (19)
∂y

donde g 0 (y) = (x + y)2 − (x2 + 2xy − 1) = −1 − y 2 . Portanto, integrando g 0 , obtemos

y3
g(y) = −y − + k, (20)
3
7
onde k é uma constante arbitrária. Logo, de (18) e (20), temos que
(x + y)3 y3
f (x, y) = −y− + k, k ∈ R.
3 3
(x + y)3 y3
Assim, as soluções da EDO estão implı́citas em f (x, y) = −y− + k = C1 . Agrupando as
3 3
constantes em apenas uma, i.e., fazendo C = C1 − k, temos que as soluções da EDO estão implı́citas
na equação
(x + y)3 y3
−y− = C, C ∈ R.
3 3
Impondo a condição inicial y(1) = 1, temos
(1 + 1)3 13 8 1 4
−1− =C ⇒C = −1− = .
3 3 3 3 3
Portanto, a solução do PVI está implı́cita em
(x + y)3 y3 4
−y− = .
3 3 3


4 Equações Redutı́veis às Exatas


Considere a EDO a seguir:
(x + y)dx + (x ln(x))dy = 0, x > 0, y ∈ R. (21)
Observe que ela não é exata, pois não satisfaz a condição de Euler (4), já que, como M (x, y) = x + y
e N (x, y) = x ln(x),
∂M ∂N
= 1 6= = ln(x) + 1.
∂y ∂x
1
Porém, multiplicando a equação (21) pela função I(x) = , obtemos como resultado a EDO:
x
 y 
1+ dx + ln(x)dy = 0, x > 0, y ∈ R, (22)
x
y
que é exata. De fato, como agora M (x, y) = 1 + e N (x, y) = ln(x), segue que
x
∂M 1 ∂N
= = .
∂y x ∂x
Podemos, então, usar o procedimento da seção anterior para resolvê-la. A função I utilizada é dita um
fator integrante.

Dada uma EDO do tipo:


M (x, y)dx + N (x, y)dy = 0; (23)
queremos encontrar uma função I(x, y) que seja um fator integrante para (23), isto é, uma função
que, tendo-se multiplicado a EDO (23) por I, resulte em uma equação exata. Isto significa, segundo a
condição de Euler, que
∂ (IM ) ∂ (IN )
= , (24)
∂y ∂x

8
a qual equivale a
∂I ∂M ∂I ∂N
M +I = N +I , (25)
∂y ∂y ∂x ∂x
que é uma Equação Diferencial Parcial (envolve derivadas parciais). Assim, no caso geral, a deter-
minação de um fator integrante pode ser um problema tão ou mais difı́cil do que resolver a EDO
original! Porém, como o objetivo é simplificar para resolver a EDO dada, vamos trabalhar somente
com fatores integrantes que dependam de uma única variável. É claro que nem sempre é possı́vel en-
contrar um fator integrante com essa caracterı́stica, portanto, essa hipótese deixará algumas equações
de fora do nosso estudo. No entanto, vamos poder resolver as mais simples. Assim, vamos começar
supondo que I só dependa de x para chegarmos a uma expressão para o fator. Nesse caso, (25) se
reduz a
 
∂M 0 ∂N 0 ∂M ∂N
I =I N +I ⇒ NI = I − , (26)
∂y ∂x ∂y ∂x
e, portanto, se o quociente
∂M ∂N

∂y ∂x
(27)
N
só depender de x, poderemos obter I como solução da EDO de variáveis separáveis (28)
∂M ∂N
0 −
I ∂y ∂x My − Nx
= = . (28)
I N N
Observe que o fato da função (27) só depender de x já representa uma condição de compatibilidade,
pois estamos supondo I = I(x).

Resolvendo a EDO (28), obtemos, para o fator integrante I(x), a expressão


R My −Nx
dx
I(x) = e N . (29)

Resumindo o que acabamos de fazer: Se o quociente (27) só depender de x, a EDO (23) poderá ser
multiplicada pelo fator integrante (29) a fim de tornar-se exata.

Vamos agora supor que I só dependa de y e chegar a uma expressão para o fator. Nesse caso, (25) se
reduz a
∂I ∂M ∂N
M +I =I , (30)
∂y ∂y ∂x
e, portanto, se o quociente
∂N ∂M

∂x ∂y
(31)
M
só depender de y, poderemos obter I como solução da EDO de variáveis separáveis (32)
∂N ∂M
0 −
I ∂x ∂y Nx − My
= = . (32)
I M N
9
Observe que o fato da função (31) só depender de y já representa uma condição de compatibilidade,
pois estamos supondo I = I(y).

Resolvendo a EDO (32), obtemos, para o fator integrante I(y), a expressão


R Nx −My
dy
I(y) = e M . (33)

Observação 4.1 Observe que existem vários fatores integrantes, pois na prática desprezamos a cons-
tante arbitrária no processo de integração envolvido. Porém, os fatores são iguais a menos de uma
constante multiplicativa.

Exemplo 4.1 Resolva a equação:


(xy + x2 + 1)dx + x2 dy = 0, x > 0. (34)

Solução: Observe que esta EDO não é exata, pois não satisfaz a condição de Euler (4), já que, como
M (x, y) = xy + x2 + 1 e N (x, y) = x2 , segue que
∂M ∂N
= x 6= = 2x.
∂y ∂x
My − Nx x − 2x 1
Mas, como = = − e, portanto, depende somente de x, segue que a EDO admite
N x2 x
um fator integrante que só depende da variável x e é dado por (29), ou seja,
R My −Nx R dx 1
I(x) = e N
dx
= e− x = e− ln x = eln(1/x) = . (35)
x
Multiplicando a EDO (34) por (35), obtemos a EDO exata:
 
1
y+x+ dx + xdy = 0, x > 0. (36)
x
1
De fato, agora M (x, y) = y + x + e N (x, y) = x, de modo que
x
∂M ∂N
=1= .
∂y ∂x
O próximo passo é calcularmos uma função f (x, y) que satisfaça a condição (2), isto é, a condição
1 ∂f ∂f
M (x, y) = y + x + = (x, y) e N (x, y) = x = (x, y). (37)
x ∂x ∂y
Integrando a primeira igualdade em (37), em relação a x, obtemos:
x2
Z  
1
f (x, y) = y+x+ dx + g(y) = xy + + ln |x| + g(y)
x 2
x>0 x2
= xy + + ln(x) + g(y). (38)
2
∂g
Lembre-se que qualquer função g puramente dependente da variável y é tal que = 0, de modo
∂x
que funciona como uma “constante mais geral” na integração em x. Derivando (38) em relação a y e
comparando o resultado com a segunda igualdade em (37), segue que
∂f
(x, y) = x + g 0 (y) = x, (39)
∂y

10
donde g 0 (y) = 0. Portanto, integrando g 0 , obtemos

g(y) = k, (40)

onde k é uma constante arbitrária. Logo, substituindo (40) em (38), temos que

x2
f (x, y) = xy + + ln(x) + k, k ∈ R.
2
x2
Assim, as soluções da EDO estão implı́citas em f (x, y) = xy + + ln(x) + k = C1 . Agrupando as
2
constantes em apenas uma, fazendo C = C1 − k, temos que as soluções da EDO estão implı́citas na
equação
x2
xy + + ln(x) = C, C ∈ R.
2
Nesse caso, as soluções podem ser facilmente explicitadas como

x2
 
1
y= C− − ln x , x > 0.
x 2

Exemplo 4.2 Resolva a equação:


 
x + sen(x)
(cos(x) + 1)dx + − 2 dy = 0, y > 0. (41)
y

Solução: Observe que esta EDO não é exata, pois não satisfaz a condição de Euler (4), já que, como
x + sen(x)
M (x, y) = cos(x) + 1 e N (x, y) = − 2, segue que
y

∂M ∂N 1 + cos(x)
= 0 6= = .
∂y ∂x y
Nx − My 1
Mas, como Como = e, portanto, depende somente de y, segue que a EDO (41) admite um
M y
fator integrante que só depende da variável y e é dado por (33), ou seja,
R Nx −My R 1 y>0
dy dy
I(y) = e M =e y = eln|y| = |y| = y. (42)

Multiplicando a EDO dada (41) por (42), obtemos a EDO exata:

(y cos(x) + y)dx + (x + sen(x) − 2y)dy = 0. (43)

De fato, agora M (x, y) = y cos(x) + y e N (x, y) = x + sen(x) − 2y, de modo que

∂M ∂N
= cos(x) + 1 = .
∂y ∂x

O próximo passo é calcularmos uma função f (x, y) que satisfaça a condição (2), isto é, a condição

∂f ∂f
M (x, y) = y cos(x) + y = (x, y) e N (x, y) = x + sen(x) − 2y = (x, y). (44)
∂x ∂y

11
Integrando a primeira igualdade em (44), em relação a x, obtemos:
Z
f (x, y) = (y cos(x) + y) dx + g(y) = y sen(x) + xy + g(y). (45)

∂g
Lembre-se que qualquer função g puramente dependente da variável y é tal que = 0, de modo
∂x
que funciona como uma “constante mais geral” na integração em x. Derivando (45) em relação a y e
comparando o resultado com a segunda igualdade em (44), segue que
∂f
(x, y) = sen(x) + x + g 0 (y) = x + sen(x) − 2y, (46)
∂y
donde g 0 (y) = −2y, e, portanto, integrando g 0 , obtemos
g(y) = −y 2 + k, (47)
onde k é uma constante arbitrária. Logo, substituindo (47) em (45), temos que
f (x, y) = y sen(x) + xy − y 2 + k, k ∈ R.
Assim, as soluções da EDO estão implı́citas em f (x, y) = y sen(x) + xy − y 2 + k = C1 . Agrupando as
constantes em apenas uma, fazendo C = C1 − k, temos que as soluções da EDO estão implı́citas na
equação
y sen(x) + xy − y 2 = C, C ∈ R,
onde y > 0.

Observação 4.2
• Quando multiplicamos uma EDO por um fator integrante obtemos uma segunda EDO, que pode
possuir soluções que não satisfazem à primeira EDO. E, reciprocamente, a EDO original pode possuir
soluções que não satisfaçam à EDO multiplicada pelo fator integrante. Isso se deve ao fato de que os
domı́nios dessas EDOs podem ser diferentes. No Exemplo 4.2 anterior, a solução trivial y = 0 satisfaz
(43), mas não (41), pois o domı́nio de (41) exclui y = 0.
• Na Aula 3, vimos como resolver EDOs de 1ª ordem lineares através da multiplicação pelo fator
integrante. O fator integrante descrito na Aula 5 é o mesmo fator I(x) que podemos encontrar se
usarmos o método dessa aula e transformarmos a EDO linear de 1ª ordem do tipo
 
0 dy
y + P (x)y = Q(x) ⇔ + P (x)y − Q(x) = 0
dx
na EDO exata (P (x)y − Q(x))dx + dy = 0, onde M (x, y) = P (x)y − Q(x) e N (x, y) = 1.
• O caso geral de cálculo de fatores integrantes do tipo I(x, y) não foi tratado. No entanto, em algumas
situações, conseguimos determinar I(x, y) por inspeção.

5 Exercı́cios de revisão
1) Identifique as equações exatas e resolva-as.
a) (2x − 1)dx + (7y + 4)dy = 0.
b) (4x3 + 4xy)dx + (2x2 + 2y − 1)dy = 0.
c) (4x − 8y 3 )dy + (5x + 4y)dx = 0.
d) (y 2 x + x)dx − (yx2 )dy = 0.
e) cos(x) cos(y)y0 + (tan(x) − sen(x) sen(y)) = 0 .
 y
f) 1 + ln x + dx = (1 − ln x)dy, x > 0
x
dy y
g) = (ln y − ln x), x > 0, y > 0.
dx x
12
Nos exercı́cios de 1 a 7 anteriores, encontre fatores integrantes apropriados e resolva as EDOs não exatas.

8) Resolva o PVI (ex − y)dx + (2 − x + yey )dy = 0, y(0) = 1;

9) Resolva o PVI (x + y)dx + (x ln x)dy = 0, x > 0, y(e) = 1;

10) Resolva a EDO (x2 + 2xy − y 2 )dx + (y 2 + 2xy − x2 )dy = 0, usando I(x, y) = (x + y)−2 como fator
integrante;

11) Determine uma função M (x, y) que torna a seguinte EDO exata:
 
xy 1
M (x, y)dx + xe + 2xy + dy = 0;
x

12) Mostre que qualquer EDO separável de 1ª ordem, na forma h(y)dy − g(x)dx = 0, onde h e g são
deriváveis, também é exata.

13

Você também pode gostar