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Título do Documento DENGUE
06/12/2022 06/12/2023
DENGUE - DIAGNÓSTICO E MANEJO CLÍNICO
O QUE É
A infecção pelo vírus da dengue causa uma doença de amplo espectro clínico, desde formas pouco
sintomáticas até quadros graves, podendo evoluir para o óbito.
Considera-se caso suspeito de dengue o paciente que apresente doença febril aguda, com duração
máxima de 7 dias, acompanhada de pelo menos dois dos seguintes: cefaleia, adinamia, mialgia, artralgia, dor
retro orbitaria, náusea, vomito, exantema ou petéquias.
Também se considera caso suspeito a criança que apresente quadro febril, sem sinais de localização
da doença ou na ausência de sintomas respiratórios. Nos menores de dois anos de idade, sintomas como
cefaleia, dor retro orbitária, mialgia e artralgia podem manifestar-se por choro persistente, adinamia e
irritabilidade.
Todo caso suspeito de dengue deve ser notificado à Vigilância Epidemiológica.
COMO ESTRATIFICAR
A estratificação da gravidade é baseada na presença de:
1. Condições clínicas especiais e/ou de risco social:
a. lactentes (menores de 2 anos)
b. gestantes
c. adultos com idade acima de 65 anos
2. Comorbidades:
a. hipertensão arterial ou outras doenças cardiovasculares graves
b. diabetes mellitus
c. DPOC
d. doenças hematológicas crônicas (principalmente anemia falciforme e púrpuras)
e. doença renal crônica
f. doença ácido péptica
g. hepatopatias
h. doenças autoimunes
3. Sinais de alarme:
a. dor abdominal intensa e contínua
b. vômitos persistentes
c. hipotensão postural e/ou lipotimia
d. hepatomegalia dolorosa
e. sangramento de mucosa
f. hemorragias importantes (hematêmese ou melena)
g. sonolência e/ou irritabilidade
h. diminuição da diurese
i. hipotermia
j. aumento repentino do hematócrito
k. queda abrupta de plaquetas
l. desconforto respiratório
4. Sinais de choque:
a. pressão arterial convergente (PA sistólica – PA diastólica < 20 mmHg)
b. extremidades frias
c. cianose
d. pulso rápido e fino
e. enchimento capilar maior que 2 segundos
f. hipotensão arterial
CLASSIFICAÇÃO DE RISCO
A classificação de risco será realizada de acordo com os critérios da Política Nacional de Humanização
do Ministério da Saúde e o estadiamento da doença:
Azul: Grupo A.
Verde: Grupo B.
Amarelo: Grupo C.
Vermelho: Grupo D.
FLUXO DE ATENDIMENTO
1. Triagem: definição se caso é suspeita de dengue pela presença de FEBRE + DOIS dos seguintes
sintomas (cefaleia, adinamia, mialgia, artralgia, dor retro orbitaria, náusea, vomito, exantema ou
petéquias).
2. Casos suspeitos serão encaminhados para Sala de Triagem Dengue, para realização de:
a. Prova do laço
b. Medida da pressão deitado e de pé.
c. Preenchimento da Ficha de Notificação/Investigação da dengue - SINAN. Fig. 1.
d. Preenchimento do Cartão de Acompanhamento da Dengue. Fig. 2.
3. Após, paciente retornará para Consultório de Triagem, para realização da consulta de triagem e
classificação de risco.
4. Consulta Médica.
Fig. 1. Parte da Ficha de Notificação de Dengue (SINAN) a ser preenchida pela Triagem.
Fig. 2. Cartão de Acompanhamento Dengue a ser preenchido pela Triagem.
COMO REALIZAR PROVA DO LAÇO (PL) E MEDIDA DA PRESSÃO ARTERIAL
A medida da pressão arterial deitado e de pé deverá ser realizada na triagem, obrigatoriamente, em
todo paciente com suspeita de dengue.
A prova do laço deve ser realizada na triagem, obrigatoriamente, em todo paciente com suspeita de
dengue e que não apresente sangramento espontâneo. A prova deverá ser repetida no acompanhamento
clínico do paciente apenas se previamente negativa.
Como realizar:
1. Verificar a pressão arterial com o paciente deitado. Levantar o paciente e medir imediatamente a
pressão arterial. Anotar os valores no Cartão de Acompanhamento.
2. Calcular o valor médio da pressão arterial pela fórmula: (PAS + PAD) /2. Sentar o paciente.
3. Insuflar o manguito até o valor médio e manter durante cinco minutos nos adultos e três minutos
em crianças.
5. Desenhar um quadrado com 2,5 cm de lado no antebraço e contar o número de petéquias formadas
dentro dele.
6. PROVA POSITIVA: 20 ou mais petéquias em adultos e 10 ou mais petéquias em crianças.
7. Se a prova do laço positivar antes do tempo, a mesma pode ser interrompida.
8. Anotar resultado da prova do laço no Cartão de Acompanhamento Dengue.
ATENDIMENTO MÉDICO
Os seguintes pontos devem ser obrigatoriamente avaliados durante exame físico no atendimento
médico ao paciente com suspeita de dengue.
1. Estado de consciência: irritabilidade, sonolência, torpor, sinais meníngeos.
2. Mucosas: pálida ou corada, seca ou úmida.
3. Pele: sudorese, exantema, tempo de enchimento capilar.
4. Pulso periférico: amplitude.
5. Manifestações hemorrágicas: pesquisar petéquias, sufusões hemorrágicas em locais de punção
venosa, equimoses, examinar conjuntivas e cavidade oral (palato, gengiva e orofaringe).
6. Edema: face, parede torácica e abdominal, membros, saco escrotal.
7. Abdome: dor abdominal a palpação, hepatomegalia dolorosa, sinais de ascite.
8. Frequência cardíaca:
Quadro 1. Frequência cardíaca por faixa etária
idade FC acordado Média FC dormindo
0-2 m 85-205 140 80-160
3-23 m 100-190 130 75-160
2-10 a 60-140 80 60-90
>10 a 60-100 75 50-90
9. Frequência respiratória:
a. < 2 meses = até 60 rpm
b. 2 meses – 1 ano = até 50 rpm
c. 1-5 anos = até 40 rpm
d. 5-8 anos = até 30 rpm
e. Adultos = 12 a 20 rpm
ESTADIAMENTO CLÍNICO E CONDUTA
1. GRUPO A: ausência de sinais de alarme; ausência de manifestações hemorrágicas espontâneas ou
induzida (PL -); sem comorbidades, grupo de risco ou condições clínicas especiais.
a. Acompanhamento ambulatorial: alta com encaminhamento para Unidade Básica de Saúde
mais próxima da residência do paciente em 48 horas.
b. Prescrição com hidratação via oral: 80 ml/kg por dia, sendo 1/3 do volume com soro de
reidratação oral ou soro caseiro e 2/3 com líquidos caseiros (água, suco de frutas, chás, água
de coco etc.).
c. Prescrição com sintomáticos:
i. Analgésico: dipirona ou paracetamol.
ii. Antiemético: bromoprida ou metoclopramida.
iii. Antipruriginosos: dexclorfeniramina ou loratadina.
2. GRUPO B: ausência de sinais de alarme; com sangramento de pele espontânea (petéquias) ou
induzida (PL+); com comorbidades; grupo de risco ou condições clínicas especiais.
a. Hemograma completo OBRIGATÓRIO.
b. Hidratação na Unidade enquanto aguarda resultado com SRO conforme Grupo A.
c. Sintomáticos. Preferência por administração via oral. Não fazer injeção intramuscular.
d. Reavaliação após resultado de exame:
i. Hematócrito normal: acompanhamento ambulatorial, com encaminhamento para
Unidade Básica de Saúde mais próxima da residência do paciente em 24 horas.
ii. Hematócrito aumentado (criança > 42%, mulheres > 44%, homens > 50%):
tratamento em observação com soro fisiológico 40 ml/kg em 4 horas. Após
hidratação, reavaliar clínica e colher novo hematócrito: se normal, tratamento
ambulatorial com reavaliação no dia seguinte; se aumentado, seguir conduta do
Grupo C.
3. GRUPO C: presença de algum sinal de alarme, manifestações hemorrágicas presentes ou ausentes.
a. Casos devem ser conduzidos inicialmente em Sala de Emergência.
b. Coleta de exames: hemograma completo, ureia, creatinina, sódio, potássio, transaminases,
albumina, dextro, TAP, TTPA, RX tórax.
c. Solicitar internação via CROSS.
d. Realizar hidratação endovenosa rápida (soro fisiológico 20 ml/kg em 2 horas, repetir até 3
vezes. Colher hematócrito após. Se houver melhora clínica e laboratorial, iniciar fase de
manutenção: 25 ml/kg em 6 horas. Se não houver melhora, conduzir como Grupo D.
e. Em crianças: hidratação endovenosa rápida (soro fisiológico 20 ml/kg em 2 horas, repetir até
3 vezes. Colher hematócrito após. Se não houver melhora, conduzir como Grupo D. Se
houver melhora clínica e laboratorial, iniciar fase de manutenção:
i. Até 10kg: 100 ml/kg/dia
ii. 10 a 20kg: 1.000 ml + 50 ml/kg/dia para cada kg acima de 10 kg
iii. Acima de 20 kg: 1.500 ml + 20 ml/kg/dia para cada kg acima de 20 kg
iv. Sódio: 2 a 3 mEq/kg/dia
v. Potássio: 2 a 5 mEq/kg/dia
4. GRUPO D: Presença de sinais de choque, desconforto respiratório ou disfunção grave de órgãos.
Manifestações hemorrágicas presentes ou ausentes.
a. Casos devem ser conduzidos em Sala de Emergência.
b. Coleta de exames: hemograma completo, ureia, creatinina, sódio, potássio, transaminases,
albumina, dextro, TAP, TTPA, RX tórax.
c. Solicitar internação via CROSS para Unidade de Terapia Intensiva com extrema urgência.
d. Realizar reposição volêmica rápida em adultos e crianças (soro fisiológico 20 ml/kg em até
20 minutos), repetir até 3 vezes. Colher hematócrito após. Se houver melhora, conduzir
como Grupo C. Se não houver melhora hemodinâmica, estabilização com drogas vasoativas.
RECEITUÁRIO
O receituário padronizado para dengue estará no sistema Wareline. Acessar Módulo Receitas, clicar
Novo, Clicar F5, selecionar Receita Dengue.
Calcular o volume diário de hidratação e preencher na receita. 1/3 desse volume deverá ser ingerido
na forma de soro de reidratação oral ou soro caseiro, 2/3 deverá ser ingerido na forma de suco, chás,
isotônicos ou água de coco.
USO ORAL:
1. SORO DE REIDRATAÇÃO ORAL -------------------------------------------------
DILUIR 01 COLHER DE CAFÉ DE SAL + 01 COLHER DE SOPA DE AÇUCAR EM 1 LITRO DE ÁGUA FILTRADA.
TOMAR AO LONGO DO DIA ______ ML DE SORO DE REIDRATAÇÃO ORAL
TOMAR AO LONGO DO DIA ______ ML DE SUCO, ISOTÔNICO, ÁGUA DE CÔCO
2. DIPIRONA 500 MG ----------------------------------------------------------------- 1 CAIXA
TOMAR 01 COMPRIMIDO DE 6 EM 6 HORAS, SE DOR NO CORPO.
3. BROMOPRIDA 10 MG -------------------------------------------------------------- 1 CAIXA
TOMAR 01 COMPRIMIDO DE 6 EM 6 HORAS, SE NÁUSEA OU VÔMITO.
4. LORATADINA 10 MG -------------------------------------------------------------- 1 CAIXA
TOMAR 01 COMPRIMIDO A NOITE, SE COCEIRA NO CORPO.
ORIENTAÇÕES GERAIS:
• NÃO USAR ANTI INFLAMATÓRIOS (IBUPROFENO, NIMESULIDE, DICLOFENACO etc.)
• PERMANEÇA EM REPOUSO ATÉ SE SENTIR MELHOR.
• RETORNE IMEDIATAMENTE À UPA SE APRESENTAR ALGUM DOS SEGUINTES SINTOMAS:
o DOR ABDOMINAL FORTE QUE NÃO MELHORA COM REMÉDIO.
o VÔMITOS PERSISTENTES SEM MELHORA COM REMÉDIO, QUE IMPEDE DE SE ALIMENTAR OU TOMAR
LÍQUIDOS.
o TONTURA AO SE LEVANTAR OU DESMAIO.
o SANGRAMENTOS, SONOLÊNCIA OU IRRITABILIDADE.
o DIMINUIÇÃO DA QUANTIDADE DE URINA (POUCO XIXI) OU FALTA DE AR.
BIBLIOGRAFIA:
1. Dengue. Diagnóstico e manejo clínico. Ministério da Saúde. 2013.
2. Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde. 2013.
3. AAP-AHA. Suporte Avançado de Vida em Pediatria, 2003.
4. Manual de Atenção integrada as doenças prevalentes da infância, 2003. Ministério da Saúde.
Elaboração: Dr. Leonardo Menegon (Diretor Técnico – UPA Assis)
Revisão: Dr. Gustavo Navarro (Diretor Clínico – UPA Assis)
Aprovado por: Dr. Wilson Luís de Oliveira (CCI – UPA Assis)