Licitações e Contratos na Administração Pública
Licitações e Contratos na Administração Pública
► Lei Federal nº 8.666/93 - LF nº 8.666/93 → 1) regulamentou a norma do art. 37, inciso XXI, da
Constituição Federal de 1988 – CF/881, ao instituir normas gerais para “licitações e contratos
administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e
locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”2,
ou seja, no âmbito da Administração Pública Direta ou Indireta (autarquias, fundações públicas,
empresas públicas, sociedades de economia mista), e “demais entidades controladas diretamente
ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios”3; 2) constitui a legislação
básica sobre licitações e contratos da Administração Pública.
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Esta norma constitucional dispôs o seguinte: “ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços,
compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a
todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da
proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis
à garantia do cumprimento das obrigações.”
Ademais, a CF/88, em seu art. 22, inciso XXVII, estabeleceu a competência legislativa privativa da União em
estabelecer normas gerais de licitação e contratos administrativos.
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Caput, do art. 1º, da LF 8.666/93.
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Parágrafo único, do art. 1º, da LF 8.666/93.
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Esta norma preceitua o seguinte: “A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da
isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração e será processada e julgada em estrita
conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade,
da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são
correlatos.”
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1) Princípio da Legalidade → tal princípio vincula os licitantes e a Administração Pública,
em todos os atos e fases da licitação, às regras estabelecidas nas normas e princípios em
vigor no ordenamento jurídico vigente;
2) Princípio da Isonomia → significa dar tratamento igual a todos os interessados, em todos
os atos e fases da licitação, impedindo, assim, a discriminação entre os licitantes;
3) Princípio da Impessoalidade → compreende àquele que obriga a Administração Pública a
observar, nas suas decisões, critérios objetivos previamente estabelecidos, afastando a
discricionariedade e o subjetivismo na condução dos procedimentos licitatórios;
4) Princípio da Moralidade e da Probidade Administrativa → corresponde àquele em que a
conduta dos licitantes e dos agentes (gestores) públicos tem de ser, além de lícita,
compatível com a moral, a ética, os bons costumes e as regras da boa administração;
5) Princípio da publicidade → segundo tal princípio, todos os atos praticados pelos
administradores (gestores) públicos, em todas as fases da licitação, são públicos, e devem
ser divulgados e acessíveis à toda a coletividade;
6) Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório → obriga a Administração
Pública e os licitantes a observarem as normas e condições estabelecidas no ato
convocatório (edital ou convite), não podendo ser criado ou feito nada sem que haja
previsão no ato convocatório;
7) Princípio do sigilo na apresentação das propostas → impede que determinado licitante
proponente conheça a proposta e o preço de outro;
8) Princípio do Julgamento Objetivo → significa que o administrador (gestor) público deve
obedecer, para julgamento das propostas, os critérios objetivos definidos no ato
convocatório, afastando a possibilidade do administrador-julgador utilizar-se de fatores
subjetivos ou de critérios não previstos no ato convocatório, mesmo que em benefício da
própria Administração.
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Esta norma preceitua o seguinte: “As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações,
concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamente
precedidas de licitação, ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei.”
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fator para a escolha da modalidade de licitação, exceto quando se tratar de pregão, o qual
não está limitado a valores.
1) Concorrência → “modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial
de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação
exigidos no edital para execução de seu objeto.” (§ 1° do art. 22 da LF n° 8.666/93).
Hipóteses de incidência:
Obras e serviços de engenharia acima de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos
mil reais) (alínea “c”, do inciso I, do art. 23, da LF n° 8.666/93);
Compras e outros serviços acima de R$ 650.000,00 (seiscentos e cinqüenta mil reais)
(alínea “c”, do inciso II, do art. 23, da LF n° 8.666/93);
Qualquer valor, nos casos de alienação e compra de imóveis;
Licitações internacionais;
Alienação de bens móveis com valor superior a R$ 650.000,00 (seiscentos e
cinqüenta mil reais), por determinação do § 6º, do art. 17, da LF n° 8.666/93;
2) Tomada de Preços → “modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados
ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia
anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.” (§ 2° do
art. 22 da LF n° 8.666/93).
Hipóteses de incidência:
Obras e serviços de engenharia acima de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais)
até R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) (alínea “b”, do inciso I, do
art. 23, da LF n° 8.666/93);
Compras e outros serviços acima de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) até R$
650.000,00 (seiscentos e cinqüenta mil reais) (alínea “b”, do inciso II, do art. 23, da
LF n° 8.666/93);
3) Convite → “modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto,
cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade
administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o
estenderá aos demais cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu
interesse com antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas.”
(§ 3° do art. 22 da LF n° 8.666/93).
Hipóteses de incidência:
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Obras e serviços de engenharia acima de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) ou R$
30.000,00 (trinta mil reais)6 até R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) (alínea
“a”, do inciso I, do art. 23, da LF n° 8.666/93);
Compras e outros serviços acima de R$ 8.000,00 (oito mil reais) ou R$ 16.000,00
(dezesseis mil reais)7 até R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) (alínea “a”, do inciso II, do
art. 23, da LF n° 8.666/93).
4) Concurso → “modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho
técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos
vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com
antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias.” (§ 4° do art. 22 da LF n° 8.666/93). Ex:
concursos de monografias.
5) Leilão → “modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens
móveis inservíveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou
penhorados, ou para a alienação de bens imóveis prevista no art. 198, a quem oferecer o
maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação.” (§ 5° do art. 22 da LF n° 8.666/93).
Ex: leilão de carros usados da CEMIG.
6) Pregão → modalidade de licitação instituída pela Lei Federal n° 10.520/2002, alternativa ao
convite, tomada de preços e concorrência, para fornecimento e contratação, em sessão
pública, de bens e serviços comuns, independentemente do valor. Consideram-se bens e
serviços comuns aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser
objetivamente definidos no edital, por meio de especificações usuais praticadas no mercado.
Destaca-se que o pregão não se aplica à contratação de obras e serviços de engenharia,
alienações e locações imobiliárias.
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Aos órgãos da Administração Pública Indireta (Sociedades de Economia Mista, Empresas Públicas, Autarquias
e Fundações Públicas).
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Aos órgãos da Administração Pública Indireta (Sociedades de Economia Mista, Empresas Públicas, Autarquias
e Fundações Públicas).
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Ou seja, alienação de bens imóveis adquiridos em procedimento judicial ou de dação em pagamento.
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Esta norma dispõe o seguinte: “É vedada a utilização da modalidade "convite" ou "tomada de preços",
conforme o caso, para parcelas de uma mesma obra ou serviço, ou ainda para obras e serviços da mesma natureza e no
mesmo local que possam ser realizadas conjunta e concomitantemente, sempre que o somatório de seus valores
caracterizar o caso de "tomada de preços" ou "concorrência", respectivamente, nos termos deste artigo, exceto para as
parcelas de natureza específica que possam ser executadas por pessoas ou empresas de especialidade diversa daquela do
executor da obra ou serviço.”
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licitações ao longo do exercício financeiro (ano), para um mesmo objeto ou finalidade,
deverá preservar sempre a modalidade de licitação pertinente ao todo que deveria ser
contratado. Vale dizer, ilustrativamente: se a Administração Pública Direta ou Indireta tem
conhecimento de que, no exercício, precisará substituir 1.000 (mil) cadeiras de um auditório,
cujo preço total demandaria a realização de tomada de preços, não é lícita a realização de
vários convites para a compra das mesmas cadeiras, fracionando a despesa total prevista em
várias despesas menores que conduzem à modalidade de licitação inferior à exigida da lei.
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Segundo a norma do art. 13, da LF nº 8.666/93, “consideram-se serviços técnicos profissionais especializados
os trabalhos relativos a: I - estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou executivos; II - pareceres, perícias e
avaliações em geral; III - assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou tributárias; IV - fiscalização,
supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços; V - patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas; VI -
treinamento e aperfeiçoamento de pessoal; VII - restauração de obras de arte e bens de valor histórico.”
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Segundo o § 1º, do art. 25, da LF nº 8.666/93, “considera-se de notória especialização o profissional ou
empresa cujo conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências,
publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica, ou de outros requisitos relacionados com suas atividades,
permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do
contrato.”
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EXEMPLO 4: Determinado órgão da Administração Pública necessita contratar um artista
para animar os seus 100 (cem) anos de fundação. Opta por contratar o cantor
ABC. Configura-se inexigibilidade em razão da pessoa, pois ABC é
consagrado pela crítica especializada e pela opinião pública, como melhor
cantor do País.
→ Tanto na dispensa, como na inexigibilidade, há a necessidade de um processo formal,
justificando tais atos.
► Fases da licitação:
Fase interna ou preparatória;
Fase externa ou executória.
1) Fase interna (preparatória) da licitação
→ Tal fase delimita e determina as condições do ato convocatório (edital ou convite), antes
de trazê-las ao conhecimento público.
→ Seqüência lógica dos atos da fase interna do procedimento licitatório:
solicitação expressa do setor requisitante da Administração Pública, com indicação
de sua necessidade;
aprovação da autoridade competente para início do processo licitatório, devidamente
motivada e analisada sob a ótica da oportunidade, conveniência e relevância para o
interesse público;
autuação do processo correspondente, que deverá ser protocolizado e numerado;
elaboração da especificação do objeto, de forma precisa, clara e mais detalhada
possível;
estimativa do valor da contratação, mediante comprovada pesquisa de mercado;
indicação dos recursos orçamentários para fazer face à despesa;
elaboração do projeto básico, obrigatório em caso de obras e serviços;
definição da modalidade e do tipo de licitação a serem adotados;
elaboração do ato convocatório (edital ou convite), que deve ser claro, preciso, o
mais detalhado possível e fácil de ser consultado, com a finalidade de fixar todas as
condições necessárias à participação dos licitantes, ao desenvolvimento da licitação e
à futura contratação, além de estabelecer um elo entre a Administração e os
licitantes, competindo ao ato convocatório disciplinar prazos, atos, instruções
relativas a recursos e impugnações, informações pertinentes ao objeto e aos
procedimentos, como modalidade de licitação (convite, tomada de preços,
concorrência ou pregão), tipo de licitação (menor preço, melhor técnica, ou técnica e
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preço), etc.; bem como conter, como anexos: projeto básico e/ou executivo, com
todas as suas partes, desenhos, especificações e outros complementos; a minuta do
contrato a ser firmado entre a Administração e o licitante vencedor, as especificações
complementares e as normas pertinentes à licitação, etc.
→ As minutas de editais de licitação e dos contratos devem ser, previamente, examinadas e
aprovada pela assessoria jurídica da Administração.
→ Como o ato convocatório (edital ou convite) corresponde à lei interna das licitações, deve
haver cuidado com as exigências a serem estabelecidas, pois, uma vez instituídas,
deverão ser cumpridas, em observância ao princípio da vinculação ao instrumento
convocatório12 (caput do art. 3° da LF n° 8.666/93). Então, pode-se afirmar que o
sucesso da licitação depende da boa elaboração do ato convocatório (edital ou convite) e
de seus anexos.
→ Nessa fase interna do procedimento licitatório, é, também, de fundamental importância a
especificação do objeto, de forma precisa, clara e mais detalhada possível, vez que tais
especificações claras e precisas é que definem o padrão de qualidade do produto a ser
adquirido. Se não for assim, corre-se o risco do licitante ofertar o que tem de mais barato
e não o que pode oferecer de melhor. Com efeito, quem compra mal, compra mais de
uma vez e, pior, com dinheiro público. Alguns exemplos podem ser citados, como de
compras que se fazem, rotineiramente, pelo menor preço, mas que trazem resultados
insatisfatórios:
canetas cuja tinta resseca, vaza ou falha ao ser usada;
cola que tem mais água do que componente colante;
lápis de grafite duro, que fura o papel ao escrever;
borracha que, ao apagar, se desfaz e às vezes não apaga;
copinhos para café de plástico excessivamente finos, que o obrigam a pegar dois ou
mais, para se servir;
cadeiras em que, com pouco uso, os rodízios emperram e soltam da base, o
poliuretano dos braços racha, os tecidos desbotam entre tantos outros defeitos.
→ A indicação da marca como parâmetro de qualidade pode ser admitida para facilitar a
descrição do objeto a ser licitado, desde que seguidas das expressões “ou equivalente”,
“ou similar” e “ou de melhor qualidade”. O que a Lei de Licitações veda e os Tribunais
de Contas condenam, em especial o TCU – Tribunal de Contas da União, é a preferência
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Tal princípio obriga a Administração Pública Direta ou Indireta e os licitantes a observarem as normas e
condições estabelecidas no ato convocatório (edital ou convite), não podendo ser criado ou feito nada sem que haja
previsão no ato convocatório
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por determinada marca e sua indicação sem a devida justificativa técnica. (vide decisões
do TCU – Plenário nºs 130/2002, 664/2001 e 1476/2002)
2) Fase externa (executória) da licitação
→ Tal fase inicia-se com a publicação do edital ou com a entrega do convite e termina com
a contratação do fornecimento do bem, da execução da obra ou da prestação do serviço.
→ Nesta fase:
analisa-se a observância dos requisitos para participação na licitação13;
verifica-se a questão da habilitação dos licitantes14, que envolve a análise da
documentação necessária à habilitação jurídica15, à regularidade fiscal16, à
qualificação técnica17, à qualificação econômico-financeira18, e ao cumprimento do
disposto no inciso XXXIII19, do art. 7º, da Constituição Federal;
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Quanto à participação na licitação, não poderão participar da licitação, licitantes que estejam: 1) suspensos para
licitar e contratar com o órgão ou entidade da Administração Pública Direta ou Indireta; 2) declarados inidôneos para
licitar ou contratar com a Administração Pública Direta ou Indireta, enquanto perdurarem os motivos da punição.
Quanto à participação na licitação, salvo se estiver permitido no ato convocatório (edital ou convite), não
poderão participar da licitação: 1) consórcio de licitantes, qualquer que seja a sua forma de constituição; 2) licitantes
que se encontrem em regime de concordata.
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Segundo o art. 27, da LF nº 8.666/93, “para a habilitação nas licitações exigir-se-á dos interessados,
exclusivamente, documentação relativa a: I - habilitação jurídica; II - qualificação técnica; III - qualificação econômico-
financeira; IV - regularidade fiscal; V – cumprimento do disposto no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal.”
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Segundo o art. 28, da LF nº 8.666/93, “a documentação relativa à habilitação jurídica, conforme o caso,
consistirá em: I - cédula de identidade; II - registro comercial, no caso de empresa individual; III - ato constitutivo,
estatuto ou contrato social em vigor, devidamente registrado, em se tratando de sociedades comerciais, e, no caso de
sociedades por ações, acompanhado de documentos de eleição de seus administradores; IV - inscrição do ato
constitutivo, no caso de sociedades civis, acompanhada de prova de diretoria em exercício; V - decreto de autorização,
em se tratando de empresa ou sociedade estrangeira em funcionamento no País, e ato de registro ou autorização para
funcionamento expedido pelo órgão competente, quando a atividade assim o exigir.”
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Segundo o art. 29, da LF nº 8.666/93, “a documentação relativa à regularidade fiscal, conforme o caso,
consistirá em: I - prova de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Geral de Contribuintes
(CGC); II - prova de inscrição no cadastro de contribuintes estadual ou municipal, se houver, relativo ao domicílio ou
sede do licitante, pertinente ao seu ramo de atividade e compatível com o objeto contratual; III - prova de regularidade
para com a Fazenda Federal, Estadual e Municipal do domicílio ou sede do licitante, ou outra equivalente, na forma da
lei; IV - prova de regularidade relativa à Seguridade Social e ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS),
demonstrando situação regular no cumprimento dos encargos sociais instituídos por lei.”
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Segundo o art. 30, da LF nº 8.666/93, “a documentação relativa à qualificação técnica limitar-se-á a: I - registro
ou inscrição na entidade profissional competente; II - comprovação de aptidão para desempenho de atividade pertinente
e compatível em características, quantidades e prazos com o objeto da licitação, e indicação das instalações e do
aparelhamento e do pessoal técnico adequados e disponíveis para a realização do objeto da licitação, bem como da
qualificação de cada um dos membros da equipe técnica que se responsabilizará pelos trabalhos; III - comprovação,
fornecida pelo órgão licitante, de que recebeu os documentos, e, quando exigido, de que tomou conhecimento de todas
as informações e das condições locais para o cumprimento das obrigações objeto da licitação; IV - prova de
atendimento de requisitos previstos em lei especial, quando for o caso.”
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Segundo o art. 31, da LF nº 8.666/93, “a documentação relativa à qualificação econômico-financeira limitar-se-
á a: I - balanço patrimonial e demonstrações contábeis do último exercício social, já exigíveis e apresentados na forma
da lei, que comprovem a boa situação financeira da empresa, vedada a sua substituição por balancetes ou balanços
provisórios, podendo ser atualizados por índices oficiais quando encerrado há mais de 3 (três) meses da data de
apresentação da proposta; II - certidão negativa de falência ou concordata expedida pelo distribuidor da sede da pessoa
jurídica, ou de execução patrimonial, expedida no domicílio da pessoa física; III - garantia, nas mesmas modalidades e
critérios previstos no caput e § 1º do art. 56 desta Lei, limitada a 1% (um por cento) do valor estimado do objeto da
contratação.”
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Tal norma constitucional dispõe o seguinte: “proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de
dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezoito anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.”
10
analisa-se a forma de apresentação dos documentos;
deve-se informar com clareza os prazos mínimos para o licitante vencedor executar a
obra, prestar o serviço ou fornecer o bem, objeto da licitação;
devem ser cotados os preços, incluindo nestes os impostos, taxas, fretes e as despesas
decorrentes da execução da obra, da prestação do serviço ou do fornecimento do
bem;
deve-se estabelecer a forma de apresentação das propostas;
deve haver a publicação do resumo do ato convocatório (edital ou convite), no Diário
Oficial do Estado (“Minas Gerais”);
deve haver o recebimento dos envelopes com a documentação e as propostas;
há a abertura dos envelopes com classificação ou desclassificação das propostas;
há o julgamento das propostas;
há a declaração do licitante vencedor;
há a homologação20/aprovação dos atos praticados no procedimento;
há a adjudicação30 do objeto à licitante vencedora;
há a assinatura do contrato.
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Homologação # adjudicação. A Adjudicação é o ato pelo qual a Administração atribui ao licitante vencedor o
objeto da licitação. Homologação é o ato pelo qual é ratificado todo o procedimento licitatório e conferido aos atos
licitatórios aprovação para que produzam os efeitos jurídicos necessários.
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A expressão contrato administrativo, como espécie de contrato latu sensu, designa tão-somente os ajustes
(acordo de vontades), que a Administração Pública, seja a Indireta ou Direta, celebra com as pessoas físicas ou
jurídicas, públicas ou privadas, à consecução de fins públicos, segundo regime jurídico de direito público.
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Estes dispositivos abordam sobre as garantias contratuais, a alteração contratual, a execução, inexecução e
rescisão dos contratos, etc.
11
► Modalidades de Contratos Administrativos
→ Em nosso ordenamento jurídico, existem várias modalidades de contratos administrativos: 1)
contrato de compra23; 2) contrato de fornecimento24; 3) contrato de prestação de serviço25; 4)
contrato de obra pública26; 5) contrato de concessão27; 6) contrato de gestão28; etc.
23
O contrato de compra corresponde ao ajuste administrativo, por meio do qual a Administração Pública, seja a
Indireta ou Direta, adquire o domínio de bens, para a realização de suas obras ou para dar continuidade aos seus
serviços.
24
O contrato de fornecimento compreende a uma variação do contrato de compra, como é o caso, por exemplo,
do fornecimento de combustível aos veículos de determinado órgão da Administração Pública.
25
O contrato de prestação de serviço é o ajuste que tem por fim uma atividade prestada à Administração Pública,
e vale destacar que, segundo o inciso II, do art. 6º, da LF nº 8.666/93, serviço, para os fins daquela Lei, é “toda
atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, tais como: demolição, conserto,
instalação, montagem, operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção, transporte, locação de bens,
publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais.”
26
É o contrato pelo qual a Administração Pública realiza, por execução direta ou indireta, uma construção, uma
reforma, uma recuperação ou uma ampliação de imóvel público ou destinado ao serviço público.
A mencionada execução direta e indireta estão delimitadas, respectivamente, nos incisos VII e VIII, do art. 6º,
da LF nº 8.666/93, os quais dispõem: “VII - Execução direta - a que é feita pelos órgãos e entidades da Administração,
pelos próprios meios; VIII - Execução indireta - a que o órgão ou entidade contrata com terceiros sob qualquer dos
seguintes regimes: a) empreitada por preço global - quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo
e total; b) empreitada por preço unitário - quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo de
unidades determinadas; c) (vetado); d) tarefa - quando se ajusta mão-de-obra para pequenos trabalhos por preço certo,
com ou sem fornecimento de materiais; e) empreitada integral - quando se contrata um empreendimento em sua
integralidade, compreendendo todas as etapas das obras, serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade
da contratada até a sua entrega ao contratante em condições de entrada em operação, atendidos os requisitos técnicos e
legais para sua utilização em condições de segurança estrutural e operacional e com as características adequadas às
finalidades para que foi contratada.”
27
“Contrato administrativo, por meio do qual a Administração Pública confere ao particular a execução
remunerada de serviço público ou de obra pública, ou lhe cede o uso de bem público, para que explore por sua conta e
risco, pelo prazo e nas condições regulamentares e contratuais.” (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito
Administrativo. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2004, p. 275.)
28
Segundo definição do art. 5º, da Lei Federal nº 9.637/98, contrato de gestão corresponde ao instrumento
firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como organização social, com vistas à formação de parceria
entre as partes, para o fomento e execução de atividades relativas às áreas de ensino, pesquisa científica,
desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura e saúde.
12
Zanella di Pietro, “define-se o convênio como forma de ajuste entre o Poder Público e
entidades públicas ou privadas para a realização de objetivos de interesse comum, mediante
mútua colaboração.”29
→ Como os convênios tratam de mútua colaboração, sob variadas formas, como repasse de
verbas, uso de equipamentos, recursos humanos, imóveis, etc., em que não há viabilidade de
competição, para tais convênios não se exige licitação. Contudo, há controvérsia doutrinária
sobre a necessidade ou não de realização de licitação à celebração de convênios. A jurista
Odete Medauar entende que, se existirem várias entidades particulares interessadas no
objeto de determinado convênio, faz-se necessário o processo licitatório. Em posição
contrária, Marcos Juruema Villela Souto e Maria Sylvia Zanella di Pietro sustentam a
desnecessidade de licitação, vez que, sendo o convênio uma cooperação de esforços, de livre
adesão, à consecução de interesses comuns, isso singularizaria o objeto, impedindo, assim, a
competição.
→ Resumidamente, têm-se as seguintes diferenças entre convênio e contrato administrativo:
no contrato administrativo, os interesses são opostos e contraditórios, enquanto, no
convênio, são recíprocos, ou seja, nos contratos, as vontades são antagônicas, ao
passo que, nos convênios, as vontades se somam, são paralelas, com intuito de
alcançar interesses e objetivos comuns, por exemplo, em um contrato administrativo
de prestação de serviço, o adquirente do serviço quer o melhor e menor preço com
uma qualidade excepcional, enquanto o prestador do serviço almeja receber o maior
preço possível, visando maior lucratividade; no convênio, todos os participantes –
partes – querem a mesma coisa;
no convênio, as partes, designadas de partícipes, têm objetivos institucionais comuns
e se reúnem, almejando alcançá-los, por exemplo, é o que se vislumbra com os
convênios firmados entre Estados, Municípios e União em matéria tributária para
coordenação dos programas de investimentos e serviços públicos e mútua assistência
para fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações;
no convênio, está presente a mútua colaboração, podendo esta assumir várias formas,
como repasse de verbas, uso de equipamentos, de recursos humanos e materiais, de
imóveis, e outros;
no convênio, não é cogitado preço ou remuneração, que constitui cláusula inerente
aos contratos administrativos; etc.
29
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2004, p. 292.
13
► O contrato administrativo deve ser formalizado por escrito, sendo “nulo e de nenhum efeito o
contrato verbal com a Administração, salvo o de pequenas compras de pronto pagamento, assim
entendidas aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento)32 do limite estabelecido no art.
23, inciso II, alínea "a" desta Lei33, feitas em regime de adiantamento.” (parágrafo único, do art.
60, da LF nº 8.666/93)
30
Esta súmula do STF preconiza o designado princípio da autotutela da Administração Pública, seja Direta ou
Indireta, ao dispor o seguinte: “a Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem
ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados
os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.”
31
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2004, p. 261.
32
Tal percentual corresponde a R$ 4.000,00 (quatro mil reais)
33
Tal valor corresponde a R$ 80.000,00 (oitenta mil reais)
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os direitos, as obrigações e as responsabilidades das partes, e as peculiaridades da execução do
objeto.
► Apesar de não haver exigência legal, no final de qualquer contrato deve constar espaço próprio
para duas testemunhas, preenchido com nome legível, assinatura e nº do CPF das respectivas
testemunhas, com o intuito de conceder conotação de título executivo extrajudicial – documento
particular assinado por duas testemunhas – art. 585, inciso II, bem como servirem como provas
ratificadoras em um processo judicial que questione aquele contrato.
TUTELA PENAL
► Segundo o previsto na norma do art. 83, os crimes definidos na LF nº 8.666/93, “ainda que
simplesmente tentados, sujeitam os seus autores, quando servidores públicos, além das sanções
penais, à perda do cargo, emprego, função ou mandato eletivo.” Para os fins daquele Diploma
Legal, o art. 84 conceitua o servidor público como sendo “aquele que exerce, mesmo que
transitoriamente ou sem remuneração, cargo, função ou emprego público”, equiparando-se a tal
conceito, consoante dispõe seu § 1º, aquele que “exerce cargo, emprego ou função em entidade
paraestatal, assim consideradas, além das fundações, empresas públicas e sociedades de
economia mista, as demais entidades sob controle, direto ou indireto, do Poder Público.”
Ademais, o § 2º, do art. 84, prescreve que “ a pena imposta será acrescida da terça parte, quando
os autores dos crimes previstos nesta Lei forem ocupantes de cargo em comissão ou de função
de confiança em órgão da Administração direta, autarquia, empresa pública, sociedade de
economia mista, fundação pública, ou outra entidade controlada direta ou indiretamente pelo
Poder Público.”