JOSIANE DA SILVA VIEIRA
KAMILI VITÓRIA SILVA CLAUDINO
LUCAS DOS SANTOS ROLIM
VANESSA PAULO PORTO
VILMA SILVA DO NASCIMENTO
SAÚDE DA MULHER – HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO
Sombrio
2024
JOSIANE DA SILVA VIEIRA
KAMILI VITÓRIA SILVA CLAUDINO
LUCAS DOS SANTOS ROLIM
VANESSA PAULO PORTO
VILMA SILVA DO NASCIMENTO
SAÚDE DA MULHER – HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO
Trabalho apresentado como
Avaliação Parcial da disciplina
de SAÚDE DA MULHER
no Curso Técnico de
Enfermagem,
do Centro Integrado de
Ensino Joana Schmitt.
Professora: ENFª MARCIA REGINA
Sombrio
2024
INTRODUÇÃO
A hipertensão na gestação está entre as principais causas de mortalidade
materna e perinatal no mundo, sendo responsável por cerca de 20% da
mortalidade materna no Brasil. A prevalência estimada é de cerca de 6-22%
das gestantes com alteração pressórica.
A hipertensão crônica está presente em 0,9 – 1,5% das grávidas e a pré-
eclâmpsia complica entre 2 a 8% das gestações globalmente.
A hipertensão gestacional é uma condição que afeta um número significativo
de gestantes e se caracteriza pelo aumento da pressão arterial após a 20ª
semana de gestação, sem a presença de proteinúria. Essa condição pode levar
a complicações sérias tanto para a mãe quanto para o feto, incluindo o
desenvolvimento de pré-eclâmpsia e restrição do crescimento fetal. De acordo
com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças hipertensivas na
gravidez são uma das principais causas de morbidade e mortalidade materna e
neonatal em todo o mundo.
O manejo adequado da hipertensão gestacional é crucial para garantir um
desfecho favorável. A equipe de enfermagem desempenha um papel
fundamental nesse processo, realizando monitoramento contínuo da pressão
arterial, fornecendo orientações sobre estilo de vida e medicamentos, além de
oferecer suporte emocional às gestantes. A educação em saúde é um
componente-chave, pois permite que as mulheres compreendam sua condição
e adotem medidas preventivas.
Este trabalho tem como objetivo explorar os cuidados de enfermagem
necessários para o manejo da hipertensão gestacional, destacando a
importância da detecção precoce, intervenções adequadas e o suporte integral
à saúde da gestante. Ao abordar essa temática, espera-se contribuir para uma
melhor compreensão do impacto da hipertensão gestacional na gravidez e a
importância dos cuidados especializados na promoção da saúde materno-
infantil.
DIAGNÓSTICO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL
➢ PA maior ou igual a 140x90mmHg em pelo menos duas medidas (intervalo
de 4 horas).
A paciente deve estar sentada e em repouso por pelo menos 20 minutos antes
da aferição.
CLASSIFICAÇÃO E DEFINIÇÕES:
Hipertensão arterial crônica
Hipertensão gestacional
Hipertensão do avental branco
Hipertensão crônica sobreposta pré-eclâmpsia
Pré-eclâmpsia
Eclampsia
HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA
➢ Ocorrência de HAS (Hipertensão Arterial Sistêmica) (PA>=140x90mmHg)
precedendo a gestação. Quando não há registros pressóricos anteriores,
considera-se HAS crônica quando constatada hipertensão arterial até a 20ª
semana. Tem como causa Primária (essencial) ou secundária (quadro
subjacente). Pode ser também por uma hipertensão arterial (HA) que é
diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez e não se normaliza no
período pós-parto.
HIPERTENSÃO GESTACIONAL
➢ Hipertensão arterial (PAS >= 140 e ou PAD >=90mmHg) com 4 horas de
intervalo que surge após as 20 semanas de gestação, sem estar acompanhada
de nenhum sinal, sintoma ou alteração laboratorial que caracterize a pré-
eclâmpsia. Pode evoluir para pré-eclâmpsia em até 25% dos casos.
➢ Hipertensão gestacional Grave: PAS >=160 e ou PAD >= 110mmHg sem
outras disfunções materno-fetais.
HIPERTENSÃO DO AVENTAL BRANCO
➢ Até 25% das pacientes com PA aumentada no consultório tem hipertensão
do avental branco. Diagnóstico confirmado por medidas seriadas ou MAPA
(Monitorização ambulatorial da pressão arterial). Até 50% desses casos podem
evoluir para hipertensão gestacional ou eventualmente Pré-Eclâmpsia.
HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA SOBREPOSTA POR PRÉ-
ECLÂMPSIA
➢ Gestante hipertensa crônica sem proteinúria antes da 20ª semana que
manifesta proteinúria na segunda metade da gestação.
➢ Gestante hipertensa crônica com proteinúria antes da 20ª semana e nota-se
aumento repentino no valor da proteinúria (3x valor inicial).
EXAMES LABORATORIAIS
➢ Hemograma, Transaminases, Bilirrubinas totais e frações, LDH, ácido úrico,
coagulograma, ureia, creatinina, quantificação da excreção de proteína (Parcial
de urina, relação albumina-creatinina e proteinúria de 24hs).
ACOMPANHAMENTO PRÉ-NATAL – HIPERTENSÃO GESTACIONAL
➢ Hipertensão gestacional sem elevação importante da pressão arterial
(PAS >= 160 e ou PAD >=110)
➢ Acompanhamento pré-natal ambulatorial com retornos frequentes para
avaliação materno-fetal e de exames laboratoriais.
➢ Não iniciar aspirina após 20 semanas de gestação (sem evidência de
eficácia).
➢ Orientar sinais de alarme para paciente: Cefaleia intensa, dor epigástrica,
dor em hipocôndrio direito. Diminuição de movimentos fetais, sangramento
vaginal e sinaisde trabalho de parto prematuro.
➢ Atividade física: Repouso não altera progressão para pré-eclâmpsia ou
melhora desfecho materno-fetal, porém pode diminuir frequência de picos
pressóricos.
Individualização dos exercícios, evitando exercícios puramente isométricos
(levantar peso) ou aeróbicos intensos.
➢ Avaliação Fetal: Mobilograma diário a partir das 32 semanas.
Ultrassonografia para avaliação de crescimento fetal a cada 3-4 semanas
devido ao risco de insuficiência placentária.
➢ Alvo do tratamento pressórico: Tratamento de pacientes que tiveram picos
pressóricos (PAS >= 160 e/ou PAD >=110mmHg). O alvo da terapia anti-
hipertensiva nessas pacientes é de PAS 130-150 e PAD 80-100mmHg.
INTERRUPÇÃO DA GESTAÇÃO NA HIPERTENSÃO GESTACIONAL
➢ Em gestações não-complicadas, com pressão arterial ocasional entre
>=140x90 e
<160x110 mmHg, interromper a gestação entre 38 e 39 semanas, pelo risco
neonatal menor do que entre 37 e 38 semanas.
➢ Em gestações com pressões arteriais frequentes entre >= 140x90 e
<160x110mmHg, presença de comorbidades ou outros fatores de risco,
considerar interromper a gestação a partir de 37 semanas.
➢ Pacientes com pressão arterial persistente >= 160x110, avaliar interrupção
se gestação
>=34 semanas. A conduta expectante até >= 37 semanas não é recomendada
devido ao risco materno-fetal dos picos hipertensivos.
➢ Interrupção por via obstétrica.
PRÉ-ECLÂMPSIA - INTRODUÇÃO
➢ Desordem progressiva multissistêmica caracterizado por disfunção
placentária e vascular materna que se resolve após o nascimento.
➢ Cerca de 90% se apresenta em idades gestacionais >=34 semanas e/ou
puerpério. 10% tem uma apresentação precoce < 34 semanas, levando ao
risco de nascimento prematuro/prematuridade extrema.
➢ Afeta cerca de 4-5% das gestações globais.
PRÉ-ECLÂMPSIA – FISIOPATOLOGIA
➢ Desenvolvimento anormal da placenta: Células trofoblásticas infiltram a
porção decidual das artérias espiraladas mas falham em penetrar o segmento
miometrial.
Portanto, os vasos permanecem estreitos levando a hipoperfusão placentária
crônica.
➢ Consequências da hipoperfusão placentária: Diminuição do fluxo
uteroplacentário, hipóxia e isquemia. Liberação de proteínas antiangiogênicas,
citocinas inflamatórias que alteram a função endotelial materna e levam aos
sintomas sistêmicos da préeclâmpsia. Para a parte fetal – restrição de
crescimento e oligodramnia.
➢ Fatores antiangiogênicos - sFlt-1 e PlGF: Liberação pela placenta doente
que levam a disfunção endotelial sistêmica materna.
PRÉ-ECLÂMPSIA – FATORES DE RISCO
Pré-eclâmpsia Hipertensão Diabetes Doenças
Prévia Arterial crônica Pré-gestacional Autoimunes
(Tipo 1 ou 2) SAAF/LES
Doença renal Gestação gemelar
Crônica
➢ Fatores de risco (Moderado Risco) – Múltiplos fatores de risco moderados
podem levar a alto risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia.
Reprodução Irmã com PE Nuliparedade Obesidade
Assistida (IMC>30)
Idade <18 anos Hipertireoidismo Raça negra Hidropisia fetal
ou >40 anos descompensado
RCIU/descolamento Apneia obstrutiva
de placenta/Óbito do sono
fetal em gestação
anterior
PREVENÇÃO DE PRÉ-ECLÂMPSIA
➢ CONDUTA:
- AAS (Aspirina) entre 81-162 mg/dia (dose ideal 100-150mg/dia) idealmente
entre 11 e 16 semanas de gestação, mas pode ser realizado até as 20
semanas.
- Reduz frequência de pré-eclâmpsia, eventos adversos (parto prematuro e
restrição de crescimento) em torno de 10-20% nas pacientes com risco
moderado.
- Se ingestão baixa de cálcio (<600mg/dia) - usar de 1,2 a 2,5g/dia.
- Atividade física pelo menos 3x/semana por 50 minutos. Perda de peso pré-
gestacional contribui também.
➢ Intervenções sem eficácia comprovada para prevenção de pré-eclâmpsia:
Estatinas, suplementação de vitamina C/D/E, acido fólico e óleo de peixe.
➢ Outros exames: Doppler de artérias uterinas e relação s-Flt-1/PIGF.
➢ Doppler das artérias uterinas: Incisuras protodiastólicas persistentes além
das 23ª semana de gestação. Positivo se IP (Índice de Pulsatilidade) > p95
para idade gestacional. Em pacientes com risco clínico de PE, aumenta chance
de terem pré-eclâmpsia e/ou RCF na gestação atual.
PRÉ-ECLÂMPSIA – CARACTERÍSTICAS CLÍNICO-LABORATORIAIS
➢ Hipertensão após a 20ª semana de gestação acompanhada de proteinúria,
mas na ausência de proteinúria a presença de pelo menos um sinal clínico,
laboratorial ou hemodinâmico de hiperatividade endotelial vascular como:
PROTEINÚRIA DISFUNÇÕES ORGÂNICAS DISFUNÇÃO
SIGNIFICATIVA MATERNAS ÚTEROPLACENTÁRIA
Relação Renal Restrição de crescimento
Proteínúria/creatininúria Creatinina >= 1,1 mg/dL fetal assimétrico
amostra isolada >= 0,3
Proteinúria 24hs >= 300mg Hepática USG Doppler A. umbilical
>2x LSN transaminases alterada, principalmente
com alteração nas duas
artérias uterinas maternas
Fita reagente >= 1+ / >=1g/L Neurológicas
Estado mental alterado
Cegueira, escotomas,
turvamento visual
OBS: PROTEINÚRIA NÃO É Hematológicas
OBRIGATÓRIO PARA O Plaquetopenia (<100.000)
DIAGNÓSTICO CIVD e Hemólise
Antiangiogênese
PIGF < 36pg/mL
Relação sFlt-1/PIGF>85
Pulmonar
Edema pulmonar agudo
➢ Gestantes que se tornam hipertensas após a primeira metade da gestação,
mesmo sem proteinúria significativa, devem realizar investigação subsidiária
para excluir outras disfunções maternas e placentários. Sem isso é impossível
excluir o diagnóstico de pré-eclâmpsia.
PRÉ-ECLÂMPSIA COM SINAIS DE GRAVIDADE
➢ Pré-eclâmpsia associada a complicações materno-fetais graves com risco
iminente de comprometimento materno-fetal.
➢ PAS persistente igual ou superior a 160 ou PAD igual ou superior a 110mmg,
ou a presença de qualquer um dos critérios abaixo caracterizam PE Grave.
SNC SNC Cardiorrespiratório Cardiorrespiratório
(Condições Término da (Condições Término da
adversas) Gestação adversas) Gestação
Cefaleia intensa e Eclâmpsia, cegueira Dor torácica HAS grave não
refratária -frontal, cortical controlada (12hs de
occipital, difusa dose máxima de
hipotensores)
Sintomas visuais Descolamento de Dispneia ou SO2 SO2 <90% com
(escotomas) retina <97% necessidade
O2>50%
Hiperreflexia Escala de Glasgow Edema pulmonar,
<13 / AIT / AVE infarto
Hematológico Hematológico Renal Renal
(condições adversas) Término da Gestação (condições Término da Gestação
adversas)
Leucocitose Plaq. <50.000 Creatinina elevada IRA (Cr > 1,5) sem
doença renal prévia
Plaquetopenia Necessidade de Ácido úrico Necessidade de
<100.000 Transfusão de elevado diálise (sem IRC
RNI / TTPA elevados qualquer Prévia)
hemoderivado
Hepático Hepático Feto-placentário Feto-placentário
(condições adversas) Término da Gestação (condições Término da
adversas) Gestação
Epigastralgia, dor RNI > 2 na ausência CTG não reativa Descolamento
HCD de CID premat. de placenta
TGO, TGP >2x limite Hematoma hepático RCF, oligodramnia Onda A reversa no
superior e LDH com ou sem ruptura ducto venoso
elevados
Bilirrubinas elevadas USG de A. umb. com Óbito fetal
e albumina baixa fluxo diastólico
ausente ou reverso
MONITORIZAÇÃO FETAL
➢ Ultrassonografia com biometria fetal, avaliação de líquido amniótico e
dopplervelocimetria devem ser realizados após o diagnóstico de pré-eclâmpsia.
➢ Se pré-eclâmpsia ou restrição do crescimento fetal (RCF), deve-se reavaliar
com ultrassonografia pelo menos a cada 3 semanas, a partir das 24 semanas
até o nascimento. Reavaliação do peso (biometria), volume do líquido
amniótico e doppler da artéria umbilical.
➢ Se há Restrição do crescimento fetal (<p10 com doppler alterado ou <p3),
avaliação fetal deve ser feita pelo menos a cada 2 semanas conforme protocolo
de Restrição de Crescimento Intrauterino associados a volume do líquido
amniótico e doppler de artéria umbilical.
CONDUTA NA PRÉ-ECLÂMPSIA
➢ Independente da gravidade do quadro clínico, toda paciente com diagnóstico
de préeclâmpsia deve ser observada em ambiente hospitalar inicialmente, pois
mesmo que aparentemente com quadro benigno, pode evoluir subitamente
com complicações graves o suficiente para resultar em óbito materno e/ou
fetal.
➢ Acompanhamento pré-natal com exames laboratoriais semanais,
minimamente composto de contagem plaquetária, creatinina e enzimas
hepáticas. Exames de proteinúria não são necessários serem repetidos uma
vez feito o diagnóstico.
➢ Corticoterapia para maturidade pulmonar até 34 semanas se pré-eclampsia
com progressão severa da doença levando a risco de parto prematuro.
MANEJO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL AMBULATORIAL
➢ Alvo da pressão arterial – PAS entre 110-140 e PAD <= 85mmHg.
➢ Quando tratar ou aumentar dose? PAS >=150 e/ou PAD >=100mmHg
persistindo > 15 minutos.
➢ Considerações importantes: Tratamento anti-hipertensivo não reduz
recorrência de pré-eclampsia, morte perinatal, parto prematuro, descolamento
placentário. Porém, reduz picos pressóricos.
➢ PRIMEIRA ESCOLHA: METILDOPA: 750mg a 2g/dia. De preferência de 8/8
horas, pelo seu tempo de meia vida. Primeira escolha.
➢ SEGUNDA ESCOLHA: Bloqueador de canal de cálcio:
• Nifedipino: Dose de 30 a 120mg/dia. Se comprimido simples - 10mg 8/8hs. Se
comprimido retard, 20mg 12/12hs. Se associação com metildopa, pode-se
associar comprimido 10mg VO 12/12hs.
• Anlodipino: Dose inicial de 5mg/dia. Dose máxima de 5mg de 12/12h.
➢ HIDRALAZINA: Dose inicial de 25mg 2x/dia. Máximo de 100mg/dia.
MANEJO INICIAL DA PACIENTE COM PRÉ-ECLÂMPSIA COM SINAIS DE
GRAVIDADE:
➢ Admissão no Centro Obstétrico para monitorização contínua e realização de
exames para avaliação de bem estar materno-fetal.
➢ Transferência para Enfermaria caso:
• Assintomática;
• Pressão arterial estável e sem novos picos pressóricos;
• Exames laboratoriais em curva importante de melhora e/ou normais;
• Vitalidade fetal preservada.
INTERRUPÇÃO DA GESTAÇÃO NA PRÉ-ECLÂMPSIA
Critérios para interrupção da gestação depende da idade gestacional
➢ Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade >= 37 semanas: Interrupção da
gestação com 37 semanas ou ao diagnóstico se >= 37 semanas.
➢ Pré-eclâmpsia entre 34 e 36+6 semanas = conduta expectante, se condição
materno-fetal estável, paciente bem informada e vigilância contínua.
➢ Pré-eclâmpsia em IG entre 24 e 33+6 semanas = Se condição materno-fetal
estável, pode-se optar por conduta conservadora. Ficar atento a qualquer sinal
de descompensação clínica e orientar paciente. Avaliar corticoterapia.
➢ Pré-eclâmpsia em IG menor que 24 semanas = Avaliação materno-fetal
diária + individualização de cada caso.
➢ Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade: Interrupção da gestação >= 34
semanas. Se <34 semanas, individualizar caso-a-caso.
ECLÂMPSIA
DEFINIÇÃO
➢ Surgimento de convulsões tônico-clônicas generalizadas, de coma ou de
ambas, durante a gravidez ou o puerpério em gestantes com pré-eclâmpsia
(PE) e que não estão relacionadas com outras doenças do SNC.
➢ Acontece em 2-3% das pacientes com pré-eclâmpsia com sinais de
gravidade e até 0,6% das pacientes com pré-eclâmpsia sem sinais de
gravidade.
➢ Sintomas de iminência: Hipertensão (75%), Cefaleia persistente (66%),
Alterações visuais – escotomas, cegueira, diplopia, alteração do campo visual,
fotofobia (27%), dor epigástrica/HCD (25%) e assintomáticas (25%).
➢ Exame clínico: Hiperreflexia, alteração dos nervos cranianos, alteração do
nível de consciência e déficit de memória.
FASES DA CONVULSÂO TÔNICO-CLÔNICA GENERALIZADA
➢ FASE TÔNICA: Perda súbita de consciência, flexão dos braços e olhar
desviado para cima seguido de extensão dos membros superiores e inferiores.
Cianose.
➢ FASE CLÔNICA: Múltiplas contrações flexoras breves e violentas
progredindo para relaxamento muscular. Cianose, salivação, mordedura da
língua. Perda de controle esfincteriano.
➢ FASE PÓS-ICTAL: Cefaleia, confusão mental, dor muscular e fadiga.
➢ ALTERAÇÃO FETAL: Pode ocorrer por 3-5 minutos bradicardia, diminuição
da variabilidade fetal e melhora com instituição do tratamento materno.
CONDUTA NA ECLÂMPSIA
1. Aspirar as secreções e proteger vias aéreas
2. Monitorizar + acesso venoso e O2 8-10 L/min
3. Recolher amostra de sangue e urina para avaliação laboratorial
4. Manter paciente em decúbito lateral esquerdo
5. Admnistrar Sulfato de Magnésio
6. Admnistrar nifedipina VO ou hidralazina EV se PA >= 160x110mmHg
7. Inserir cateter vesical de demora
8. Aguardar a recuperação do sensório
[Link] a interrupção da gestação
SÍNDROME HELLP
DEFINIÇÃO
➢ Hemólise, Enzimas hepáticas elevadas e Plaquetopenia.
➢ Ocorre entre 0,1 – 1% de todas as gestações
➢ Fator de risco: Histórico de pré-eclâmpsia
DIAGNÓSTICO:
➢ Sinais e sintomas: Proteinúria (86-100%), hipertensão (82-88%), cefaleia
(33-61%), náuseas e vômitos (29-84%), dor epigástrica (40-90%), dor em
hipocôndrio direito (40-90%), alterações visuais (10-20%) e icterícia (1%).
COMPLICAÇÕES:
➢ Eclâmpsia (6-50%), Descolamento prematuro de placenta (5-26%), CIVD
(8%),Hematoma hepático, Edema agudo pulmonar ou ascite, Condição fetal
não tranquilizadora e Insuficiência renal aguda.
CONDUTA NA SÍNDROME HELLP
1. Avaliar as condições materno-fetais
2. Controlar a pressão arterial
3. Estabilizar o quadro com Sulfato de Magnésio
4. Considerar uso de corticoide para maturação pulmonar fetal
5. Verificar se há necessidade de imagem hepática
6. Fazer avaliação laboratorial a cada 6 a 24 horas, dependendo da
gravidade do quadro até sua estabilização
7. Planejar interrupção da gestação. Se estável - corticoterapia e interrução
após 48h.
8. Manter uso de anti-hipertensivos e sulfato de magnésio no puerpério
SEGUIMENTO A CURTO-PRAZO (PUERPÉRIO)
➢ As pacientes devem retornar em 1 semana após o término da gestação,
caso tenha sido necessário usar anti-hipertensivos na alta hospitalar
➢ As pacientes devem retornar em 3 meses. Período em que a pressão arterial
e exames laboratoriais e de urina devem estar normalizados.
➢ Evitar uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) no puerpério.
➢ Pacientes com hipertensão gestacional normalmente tem sua pressão
arterial normalizada em até 12 semanas.
SEGUIMENTO A LONGO PRAZO
➢ Orientar as pacientes a fazer acompanhamento nas unidades básicas de
saúde, pelo risco aumentado de doenças cardiovasculares, diabetes, trombose
venosa e doença renal crônica em relação as pacientes normotensas.
➢ Orientar as pacientes sobre o risco aumentado de pré-eclâmpsia ou
hipertensão gestacional em próxima gestação e que devem receber AAS em
baixa dose nas próximas gestações
➢ Recorrência de 22% em síndrome hipertensiva numa próxima gravidez –
15% com hipertensão gestacional e 7% de pré-eclâmpsia.
CONCLUSÃO
A hipertensão na gestação é uma condição que requer atenção cuidadosa e
monitoramento constante, dada sua relevância para a saúde materno-infantil.
Ao longo deste trabalho, discutimos as diferentes formas de hipertensão que
podem surgir durante a gravidez, incluindo a hipertensão gestacional e a pré-
eclâmpsia, ressaltando suas causas, sintomas e complicações potenciais.
Identificamos que o diagnóstico precoce e o manejo adequado são
fundamentais para prevenir complicações graves tanto para a mãe quanto para
o bebê. A adoção de um acompanhamento pré-natal rigoroso, aliado a
orientações sobre estilo de vida saudável, pode contribuir significativamente
para o controle da pressão arterial e a redução dos riscos associados.
Entretanto, também enfrentamos desafios no manejo da hipertensão
gestacional, como a falta de acesso a serviços de saúde adequados em
algumas regiões e a necessidade de conscientização das gestantes sobre os
sinais de alerta. A educação em saúde é crucial para empoderar as mulheres e
suas famílias na identificação precoce dos sintomas e na busca por
atendimento médico.
Em suma, a hipertensão na gestação é uma condição complexa que demanda
um enfoque multidisciplinar. As colaborações entre profissionais de saúde,
assim como o envolvimento das gestantes em seu próprio cuidado, são
essenciais para garantir uma gestação saudável e minimizar os riscos à saúde
materna e fetal.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Brown, M., The hypertensive disorders of pregnancy: ISSHP classification,
diagnosis & management recommendations for international practice,
Pregnancy Hypertension, 2018.
2.[Link]
+Diretrizes+Brasileiras+de+Hipertens%C3%A3o+Arterial+
%E2%80%93+2020.+Arq+Bras+Cardiol,+2020&hl=pt-
BR&as_sdt=0&as_vis=1&oi=scholart
3. [Link]
#:~:text=A hipertensão na gravidez pode,condutas recomendadas para pré-
eclâmpsia.