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FACULDADE SETE LAGOAS – FACSETE
Ms. Priscilla Chaves Bandeira Veríssimo de Souza
REMOÇÃO DE SOBRETRATAMENTO DE FACETAS EM RESINAS COMPOSTAS
– RELATO DE CASO
RECIFE
2022
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FACULDADE SETE LAGOAS – FACSETE
Ms. Priscilla Chaves Bandeira Veríssimo de Souza
REMOÇÃO DE SOBRETRATAMENTO DE FACETAS EM RESINAS COMPOSTAS
– RELATO DE CASO
Artigo Científico apresentado ao Curso de
Especialização Lato Sensu da Faculdade
Sete Lagoas – FACSETE / CPGO, como
requisito parcial para conclusão do Curso
de Especialização em Dentística.
Orientador: Prof. Etevaldo Laureano
Gonçalves Vasconcelos
RECIFE
2022
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FACULDADE SETE LAGOAS – FACSETE
Artigo intitulado “REMOÇÃO DE SOBRETRATAMENTO DE FACETAS EM
RESINAS COMPOSTAS – RELATO DE CASO” de autoria da aluna Ms. Priscilla
Chaves Bandeira Veríssimo de Souza, aprovada pela banca examinadora
constituída pelos seguintes professores:
__________________________________________
Profa. Ms. Ana Luisa Mariz
___________________________________________
Profa. Ms. Eloiza Leonardo de Melo
_________________________________________
Profa. Ms. Michelle Cauas
Recife, 27 de outubro de 2022
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“Para conseguir o que quer, você deve olhar
além do que você vê”
(Rafiki, 1994)
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Agradecimentos
Primeiramente agradeço a Deus por tudo, por cada passo da minha vida, por
cada curso, por cada título.
Agradeço também a todos os professores da especialização. Todos, cada um
da sua forma, contribuíram para o meu crescimento e conhecimento.
Agradeço ao meu orientador, Etevaldo Laureano Gonçalves Vasconcelos,
pela paciência, conhecimento e risadas.
Agradeço à minha dupla, Ydma Illeana, por todos os nossos momentos, bons,
ruins, estressantes, engraçados, tudo foi melhor por ter sido compartilhado com
você.
Agradeço à minha mãe, Zélia Maria Ferreira Chaves, por todos os seus
esforços e por me ajudar em cada momento da minha vida.
Agradeço ao meu pai, Milson José Silva de Souza, minha irmã Patricia
Chaves Bandeira Veríssimo de Souza, e ao meu cunhado, Lucas Alves d’Almeida
Lins, por me darem força e apoio.
Agradeço ao meu namorado, Alysson de Azevedo Santiago, que me ajuda e
me apoia em cada passo e em cada surto, sem você, tudo seria extremamente mais
difícil.
Agradeço à minha filha, Nala Veríssimo, que fica “acordada” até tarde comigo
sempre que preciso estudar ou fazer trabalhos, me dando apoio e carinho.
Agradeço aos meus amigos que estiveram comigo em cada momento da
minha trajetória profissional e acadêmica.
E, por fim, agradeço aos meus colegas de turma que tornaram tudo mais leve
com risadas e aprendizados. Toda nossa experiência juntos valeu a pena.
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REMOÇÃO DE SOBRETRATAMENTO DE FACETAS EM RESINAS COMPOSTAS
– RELATO DE CASO
Priscilla Chaves Bandeira Veríssimo de Souza
RESUMO
A transformação estética do sorriso se constitui em uma intervenção com um caráter
eminentemente subjetivo e é um dos maiores desejos dos pacientes ao buscarem
tratamento odontológico, principalmente devido ao impacto das mídias sociais.
Entretanto, o tratamento desnecessário, malsucedido, excessivo e invasivo pode ter
consequências prejudiciais graves sobre a atratividade e o bem-estar do paciente. O
objetivo desse trabalho foi relatar a reversão de um caso clínico no qual procedimentos
restauradores diretos, do tipo facetas, apresentando sobrecontornos generalizados e
inadequação estética haviam sido realizados em um paciente de 18 anos de idade
portador de diabetes mellitus. As facetas foram removidas e foi realizado clareamento
de consultório, que se mostrou um tratamento efetivo, agradando esteticamente o
paciente, sem causar injúrias.
Palavras-chaves: Facetas dentárias, estética dentária, periodonto, resina composta,
clareamento dental.
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1 INTRODUÇÃO
A transformação estética dos sorrisos, incluindo uma dentição saudável
e harmoniosa é um dos maiores desejos dos pacientes ao buscarem um tratamento
odontológico (MORITA et al., 2016). As pessoas estão tentando se enquadrar em um
alto padrão estético do sorriso, que interfere diretamente na autoestima de muitos
(CRUZ et al., 2021). Nos tempos atuais, essa busca é ainda maior e específica,
principalmente devido ao enorme impacto das mídias sociais na forma e velocidade
de como as pessoas compartilham ideias e informações (SALIM et al., 2021).
Essa transformação do sorriso é capaz de melhorar a autoestima e qualidade
de vida do paciente, propiciando saúde mental, física e social. Nesse sentido, a
odontologia restauradora está sendo aprimorada de uma forma mais conservadora
para preservar estrutura dentária ao mesmo tempo que permite restaurações mais
naturais (MORAES et al., 2018).
A odontologia estética engloba como elementos interdependentes a estética
vermelha (tecidos moles, gengiva e próteses) e a branca (dentes e materiais
restauradores), não sendo possível alcançar uma boa estética sem que essas
múltiplas estruturas sejam consideradas em conjunto (HIRATA et al., 2021). Sendo
assim, o objetivo não é apenas recriar a forma, função e estética normais do dente
natural, mas também estar em harmonia com os tecidos duros e moles na cavidade
oral (TIWARI et al., 2016).
O uso de facetas é indicado quando o paciente apresenta anormalidades como
deficiências estéticas e alterações de cor. Facetas de porcelana possuem excelentes
resultados estéticos, previsíveis e longevidade de tratamento, enquanto as facetas
diretas de resina composta são uma boa opção conservadora, porém com menor
durabilidade (ALOTHMAN; BAMASOUD, 2018; GUARNIERI et al., 2021).
Já foi cogitado que as restaurações em resinas compostas na região anterior
seriam substituídas por facetas de porcelana devido ao seu sucesso (GARBER,
1989). Entretanto, houve uma notável melhora nas propriedades físicas e mecânicas
da resina composta nos últimos anos. A principal vantagem da faceta em resina
composta é que pode ser usada diretamente, resultando em menos tempo de
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execução clínica com estética satisfatória e maior conservação dos tecidos dentários.
Todavia, são mais propensas à descoloração e desgaste, e a habilidade do clínico na
realização, acabamento e polimento do compósito desempenha um fator importante
no resultado estético (ALOTHMAN, BAMASOUD, 2018; GUARNIERI et al., 2021;
MORAES, et. al. 2018; WAKIAGA et al., 2004). Um grande desafio é que cada pessoa
é diferente, assim como seu sorriso, necessidades estéticas e percepção de harmonia
e beleza (BLATZ et al., 2019).
Quando as facetas diretas de resina composta são executadas seguindo
princípios anatômicos, adequada adesão, contornos e contatos oclusais corretos,
seguindo uma estratégia de acabamento e polimento eficiente, elas podem ter boa
estética e longevidade, melhorando a autoestima dos pacientes (ARAUJO;
PERDIGÃO, 2021).
As vantagens podem se transformar em desvantagens por falta de
planejamento e indicação, visto que a falta de preparo dentário, quando este é
necessário, pode ocasionar sobrecontornos, gerando problemas periodontais pelo
acúmulo de biofilme ou pela invasão da distância supracrestal (MOURA et al., 2022).
O tratamento desnecessário, malsucedido, excessivo e invasivo pode ter
consequências prejudiciais graves sobre a atratividade e o bem-estar do paciente
(BLATZ et al., 2019). Restaurações com sobrecontorno têm sido vistas como um fator
contribuinte para a gengivite, devido à sua capacidade de retenção de placa
bacteriana, podendo levar à perda da inserção periodontal e perda óssea (PADBURY;
EBER; WANG, 2003).
Casos de tratamentos inadequados apontam para a necessidade de uma
abordagem precisa do dentista, visando minimizar os danos inerentes ao
retratamento, muitas vezes sendo necessária a remoção das restaurações. Quando a
reintervenção é necessária, é importante ressaltar a dificuldade de remoção da resina
composta, devido à dificuldade de diferenciar a resina da própria estrutura dentária,
por sua semelhança com o tecido dentário remanescente (ROCHA et al., 2017).
O presente trabalho teve o objetivo apresentar um caso de remoção de facetas
em resina com contornos e estéticas desfavoráveis, que colocaram em risco a saúde
periodontal e geral do paciente.
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2 RELATO DO CASO CLÍNICO
Caso Clínico
Paciente, A.P.R.M., sexo masculino, 18 anos, procurou atendimento em
consultório particular, sendo posteriormente encaminhado para o Centro de Pós-
Graduação em Odontologia do Recife (CPGO) com intuito de trocar as facetas em
resinas compostas realizadas em outro consultório. Relatou preocupações estéticas
e desconforto, com dificuldade de higienização e sangramento excessivo da gengiva.
O paciente relatou que procurou atendimento, junto a alguns amigos, em uma
clínica cujo dentista se denominava “especialista em facetas sem desgastes”, pois ele
se queixava da coloração amarelada dos dentes e que o suposto dentista fez 20
facetas em menos de 2 horas. Descobriu-se que na verdade a pessoa que realizou as
facetas era um estudante de odontologia e estava no exercício ilegal da profissão.
O paciente já havia realizado a raspagem e profilaxia no consultório particular
e, durante a raspagem, foi possível a remoção das facetas dos dentes 25, 35, 34 e 45
com o aparelho de ultrassom. Também foi solicitado o levantamento radiográfico
periapical completo para melhor avaliação (Figura 1).
9
Figura 1: levantamento radiográfico periapical completo após o primeiro
atendimento em consultório particular.
Na anamnese, o paciente relatou ser portador de diabetes mellitus tipo 1.
Foram realizadas as fotografias iniciais (Figura 2).
A B
10
C D
Figura 2. Fotos iniciais com e sem afastador labial. A- aspecto inicial do sorriso figura
B- foto intraoral frontal da ausência de anatomia, polimento, coloração
monocromática, aspecto da gengival avermelhada indicando a presença de
inflamação em decorrência do sobrecontorno; C e D- fotos intraorais laterais,
mostrando o volume acentuado dos acréscimos.
Ao exame clínico, foram achados erros de execução das facetas, com anatomia
incorreta, coloração monocromática, acabamento e polimento inadequados e invasão
do espaço biológico com sobrecontornos e muitos excessos de resina invadindo a
inserção conjuntiva supracrestal, causando inflamação e sangramento gengivais, sem
bolsas periodontais.
Ao avaliar o levantamento radiográfico, não foram observadas reabsorções
ósseas, apesar de mostrar os sobrecontornos das facetas presentes.
Foi realizada a remoção das facetas utilizando broca carbide multilaminada
FG9214 com 30 lâminas (American Burrs, Palhoça, Santa Catarina, Brasil), fazendo
uma canaleta inicial vertical no centro dos dentes, e usando uma cureta McCall 01-10
Millenium (Golgran, São Caetano do Sul, São Paulo, Brasil) para fazer alavanca. As
facetas eram compostas por camadas, foram utilizadas as brocas multilaminadas para
ir removendo todos os excessos de resina composta (Figura 3).
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A B
C D
Figura 3: A- confecção da canaleta central com broca multilaminada; B- Canaleta
central; C e D- cureta para fazer movimentos de alavanca.
A parte final foi removida com a ajuda de discos de lixa Sof-Lex™ Pop-On (3M,
Sumaré, São Paulo, Brasil) de granulações grossa e média, e as interproximais com
tiras de lixa abrasivas de aço TDV (Pomerode, Santa Catarina, Brasil). Após a
remoção completa das resinas compostas, foram utilizadas borrachas polidoras
diamantadas CA Twist Gloss espirais (American Burrs, Palhoça, Santa Catarina,
Brasil) (Figura 4).
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A B
C D
=
C
Figura 4: A e B – remoção de resina composta com discos de lixa; C - remoção de
resina da interproximal com tira de lixa abrasiva de aço; D – polimento do disco de
borracha.
Após um mês, foi iniciado o clareamento de consultório utilizando o gel
clareador HP Whiteness (FGM, Joinville, Santa Catarina, Brasil), com barreira
gengival da mesma marca, que mostrou ótimos resultados já na primeira aplicação
(Figura 5).
A B
z
13
C D
=
C
E F
= =
C C
Figura 5: A – antes do procedimento clareador; B- barreira gengival posicionada; C e
D – gel clareador em funcionamento; E e F – após a primeira sessão de clareamento
dental.
Na figura 6 vemos o resultado imediato após o clareamento. O paciente ficou
bastante satisfeito com o que foi realizado até o momento mas, para melhores
resultados, será realizada mais uma sessão de clareamento dental.
14
Figura 6: paciente após a primeira sessão de clareamento dental.
15
3 DISCUSSÃO
Nos últimos anos, houve uma mudança no perfil dos tratamentos
odontológicos. O declínio na taxa de cárie, o impacto da fluoretação e o melhor
controle de doenças periodontais ajudaram a prolongar a vida útil dos dentes. Apesar
da doença cárie ainda ser um problema global, hoje em dia tem crescido a quantidade
de pacientes que procuram o cirurgião-dentista para satisfazer a estética
(NALBANDIAN; MILLAR, 2009). Atualmente, a busca por padrões de beleza e
felicidade tem sido influenciada pelas redes e mídia sociais, dificultando a
autoconfiança dos pacientes, causando transtornos dismórficos corporais, que podem
levar a buscas consumistas por tratamentos estéticos e retratamentos (JEFFERYS;
CASTLE, 2003). Essa busca tem aumentado e se intensificado devido às mídias
sociais, sendo também afetada pelo nível de educação, status social e diferenças
culturais (HEBBAL;HELABY; ALHEFDHI, 2022).
A satisfação de estética, função e biologia representa um desafio para os
dentistas visto que, embora qualquer cirurgião-dentista possa “colar” a resina nos
dentes, é complicado para o paciente procurar e encontrar um profissional de saúde
que está realmente preparado com conhecimento e ética para realizar o tratamento
de maneira correta, sem comprometer a saúde periodontal, pulpar, função e estética
a curto e longo prazo. Nos últimos anos, o assunto da “odontologia malfeita” tem sido
bastante retratado pela mídia. Muitas vezes esses tratamentos são casos que foram
concluídos por dentistas que tentaram tratamentos acima e além de suas
capacidades, e podem incluir margens abertas, defeituosas e/ou oclusões
inadequadas, podendo levar à desconfortos e problemas de saúde adicionais. Embora
nunca se saiba quais as condições que o dentista anterior encontrou durante o
procedimento, um tratamento extremamente malfeito, como o presente caso clínico,
poderia ser definido como aquele em que o dentista fosse tão incompetente que o
resultado beirasse a negligência (GOLDSTEIN, RONALD, 2007; HIRATA et al., 2021).
De acordo com Greengeg (2010), competência inclui conhecimento,
experiência, pensamento crítico, resolução de problemas, profissionalismo, valores
éticos e habilidades processuais, que se tornam um todo integrado durante o cuidado
do paciente. Desta forma, dentistas sem essa competência, podem influenciar os
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pacientes a acreditarem que um tratamento proposto é “conservador”, dizendo que é
um “tratamento totalmente reversível”, porém, quantos dos procedimentos atualmente
realizados na odontologia restauradora realmente são reversíveis? Quantos são
realmente conservadores?
Os tratamentos restauradores, sejam por estética, doença cárie ou fraturas,
muitas vezes encobrem os problemas a curto prazo criando um novo problema, o da
manutenção e retratamento de dentes restaurados (ELDERTON, 2003). Ressalta-se
que restaurações malsucedidas ou desnecessárias podem levar a perdas dentárias
em idades mais avançadas, porque ocorre um ciclo repetitivo de restaurações (espiral
da morte do dente), principalmente porque alguns dentistas seguem uma filosofia de
“na dúvida, intervém”, ao invés de pensar em acompanhar e proservar, como seria o
adequado na odontologia minimamente invasiva baseada nos princípios da adesão
dentária. (ELDERTON, 1990; CALDAS JUNIOR; SILVEIRA; MARCENES, 2003).
O paciente tratado no presente artigo é portador diabetes mellitus, e indivíduos
diabéticos apresentam uma prevalência aumentada para doenças periodontais,
principalmente pacientes com diabetes não controlada, elevando o risco de perda
óssea alveolar, assim como a periodontite pode agravar a diabetes, dificultando o
controle da doença, sendo uma associação bidirecional. As facetas com
sobrecontorno são um fator de risco para gengivite e periodontite, então o
procedimento realizado poderia ter agravado a situação de saúde geral do paciente,
com complicações e progressão da diabetes mellitus, com riscos inclusive de
endocardite bacteriana (VERHULST et al., 2019; STOHR et al., 2021; SILVA et al.,
2022).
A autopercepção estética e o impacto psicossocial do clareamento é pouco
explorado na literatura, assim como sua influência na psicologia e relações sociais
dos pacientes. Em sua pesquisa, Bersezio et al. (2018), mostrou que avaliar o sucesso
do tratamento clareador dental tem muito mais a ver com a eficácia do tratamento aos
olhos do paciente, pois será um determinante essencial saber se ele gostou ou se
sentiu bem com a mudança. Além disto, este efeito não será imediato, pois será
alimentado pelas opiniões de pessoas próximas e o quanto elas acreditarão que o
clareamento funcionou. Sendo assim, as opiniões podem mudar e influenciar na
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percepção, confiança e impacto psicossocial do paciente em relação ao tratamento
clareador.
O paciente do presente estudo não chegou a tentar um clareamento antes
justamente pelo conceito pré adquirido, através das redes sociais e de amigos
próximos, de que o clareamento não funcionaria de forma tão eficiente quanto as
facetas, e que apenas elas teriam o sucesso esperado. O “dentista” que fez os
procedimentos não deu outras opções ou esclareceu a respeito das consequências e
prejuízos causados pela realização de facetas diretas em resinas em um paciente de
apenas 18 anos e portador de diabetes mellitus. Tudo isso nos leva a questionar para
onde a odontologia estética está caminhando, quando vemos claramente o dinheiro,
o status e a ambição andando juntos em primeira linha. Quando a odontologia passou
a ser uma mercadoria que o paciente, sem noção dos riscos, entra, escolhe o que
quer, paga e o procedimento é realizado sem questionamentos ou reflexões?
Nos tempos atuais, um aspecto importante que diz respeito à ética odontológica
é: Até que ponto os dentistas devem atender aos desejos dos pacientes? Com as
redes sociais cada vez mais ativas, servindo como plataforma de “ensino”,
propaganda, autopromoção e marketing, um dos cuidados que se deve tomar é se
aquele profissional que está postando realmente tem capacidade e ética para por em
prática os tratamentos propostos, e isso, infelizmente, os pacientes e muitas vezes os
próprios dentistas, não conseguem distinguir.
18
5 CONCLUSÃO
Restaurações e tratamentos desnecessários realizados em pacientes jovens
podem levar a um ciclo repetitivo de retratamentos que danifica de forma progressiva
a estrutura de um dente antes hígido. Neste sentido, os procedimentos subsequentes,
de uma maneira geral, se caracterizam por serem cada vez mais invasivos. Sob o
pretexto da odontologia minimamente invasiva, “facetas em sessão única sem
desgaste” estão cada vez mais frequentes, muitas vezes com sobrecontornos que
prejudicam a saúde gengival. Sendo assim, é de suma importância que os
profissionais da odontologia estabeleçam critérios claros, técnicos e éticos para
embasar a sua abordagem, pensando em saúde, não apenas em estética, status e
dinheiro.
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REMOVAL OF OVERTREATMENT OF COMPOSITE RESINS VENEERS –
CLINICAL CASE
Ms. Priscilla Chaves Bandeira Veríssimo de Souza
ABSTRACT
The aesthetic transformation of the smile constitutes an intervention with an eminently
subjective character and is one of the greatest desires of patients when seeking dental
treatment, mainly due to the impact of social media. However, unnecessary,
unsuccessful, excessive and invasive treatment can have serious detrimental
consequences on the attractiveness and well-being of the patient. The objective of this
study was to report the reversal of a clinical case in which direct restorative procedures,
of the veneer type, with generalized overcontours and aesthetic inadequacy had been
performed in an 18-year-old patient with diabetes mellitus. The veneers were removed
and in-office bleaching was performed, which proved to be an effective treatment,
aesthetically pleasing the patient, without causing injuries.
Key-words: dental veneers, esthetics dental, periodontium, composite resins, tooth
bleaching.
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