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1 - Rinites e Rinossinusites

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AFECÇÕES NASOSSINUSAIS - RINITES

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: MANUAL DE RESIDÊNCIA EM OTORRINOLARINGOLOGIA

• A Rinite compreende a inflamação da mucosa de revestimento das cavidades nasais,


caracterizada pela presença de PELO MENOS UM OU MAIS DOS SEGUINTES SINTOMAS
➢ Obstrução nasal
➢ Rinorreia
➢ Espirros
➢ Prurido (nasal, ocular, faríngeo e/ou palatal)
➢ Hiposmia
➢ Outros sintomas incluem: Tosse, Cefaleia...
➢ Os sintomas nas rinites também podem ser desencadeados por fatores inespecíficos,
como irritantes, ar frio, ar seco, fumaça de cigarro, cheiros fortes...
• Ao exame físico do paciente com Rinite pode-se observar:
➢ Linhas de Dennie-Morgan: São as olheiras clássicas do alérgico, as quais se apresentam
como círculos escuros abaixo dos olhos, secundários à deposição de hemossiderina
resultante de obstrução venosa.
➢ Outro achado clássico é a “saudação do alérgico”, um prurido intenso sobre o nariz o
qual pode levar a uma depressão sobre a pele do dorso nasal
➢ À rinoscopia anterior, observa-se uma mucosa nasal pálida ou azulada, podendo haver
hipertrofia das conchas nasais inferiores e presença de secreção hialina.

• A classificação etiológica das rinites podem ser dividias em alérgicas e não alérgicas
• A classificação das rinites também são feitas de acordo com a intensidade e duração dos
sintomas para orientar o tratamento, sendo separadas em:
➢ Intermitente ou Persistente
▪ Intermitente quando os sintomas estão presentes em menos de
4 dias/semana ou em menos de 4 semanas.
▪ Caso estejam presentes por mais de 4 dias/ semana ou por mais de 4 semanas, é
considerada persistente.
➢ Leve ou Moderada/Severa
▪ É considerada leve quando os sintomas não interferem no sono, trabalho,
escola, esporte, lazer e atividades diárias e, além disso, quando não incomodam.
▪ Caso os sintomas sejam perturbadores ou atrapalhem as atividades ou o sono,
classifica-se como rinite alérgica moderada/severa

• O diagnóstico das rinites é clínico (Anamnese + Exame físico), sendo os exames subsidiários
utilizados apenas em casos de dúvida diagnóstica
• O tratamento das rinites compreendem duas vertentes:
➢ Tratamento farmacológico
➢ Medidas de controle ambiental
• Apesar de ser uma doença crônica e sem cura a rinite é tratável de modo a permitir maior
qualidade de vida ao paciente.
➢ Além disso, o tratamento deve ser feito em todos os casos uma vez que podem evoluir
para uma rinossinusite devido a proliferação de patógenos nas secreções acumuladas.
• Tratamento medicamentoso das rinites: O padrão ouro é CORTICOIDE TÓPICO NASAL DIÁRIO
+ ANTI-HISTAMÍNICOS ORAIS NAS CRISES (manter por 7 dias) + LAVAGEM NASAL DIÁRIA
➢ Corticoides nasais tópicos: Os principais são Beclometasona (Clenil©), Budesonida
(Busonid©), Fluticasona (Avamis©) e Mometasona (Nasonex©)
▪ A Budesonida/Beclometasona estão PROSCRITOS para pacientes com Glaucoma
➢ Anti-histamínicos orais de segunda geração: Atuam principalmente no controle de
prurido nasal, espirros e sintomas oculares. Os principais utilizados são a Bilastina
(Alektos/Hisbila) e Cetirizina (Levocetirizina)
➢ Obs: Os corticoides nasais DEVEM ser utilizados TODOS OS DIAS para prevenção de
novas crises, sendo confirmado que seu uso contínuo não possui riscos significativos
de absorção sistêmica do medicamento
➢ Obs: Está PROSCRITO o uso de vasoconstritores tópicos, como a Nafazolina (Naridrin©,
Neosoro©), pois eles VICIAM e CAUSAM rinite alérgica induzida por drogas, além do
risco de arritmias cardíacas pela absorção sistêmica
• Medidas de controle ambiental nas rinites: O primeiro ponto para um resultado satisfatório
no tratamento das rinites é afastar ou reduzir o contato com os fatores desencadeantes.
➢ As medidas de higiene ambiental são aplicáveis tanto para os pacientes com rinite
alérgica quanto para os portadores de outras rinites
• A Imunoterapia só está indicada para pacientes que não se adequaram com o tratamento
padrão, mas só funcionam para as rinites alérgicas
➢ Suas desvantagens são: Custo elevado, dor para aplicação e durabilidade (“vacina” que
dura cerca de 2 anos contra os antígenos em questão)
• As medidas de controle ambiental são inúmeras, como:
➢ Combater o mofo, evitar carpetes, tapetes, preferir panos úmidos a varrer a casa
➢ Evitar animais de pelo no quarto e cama do paciente
➢ Evitar produtos de odor forte
➢ Não fumar e não fumar dentro de casa
AFECÇÕES RINOSSINUSAIS- RINOSSINUSITES AGUDAS

• A rinossinusite aguda compreende a inflamação da mucosa da cavidade nasal e dos seios


paranasais que TEM DURAÇÃO <12 semanas e completa resolução dos sintomas. É
caracterizada pelo início súbito de dois ou mais sintomas, sendo PELO MENOS UM deles a
OBSTRUÇÃO NASAL OU RINORREIA, que podem ser acompanhados ou não de:
➢ Dor/pressão facial
➢ Redução/perda de olfato
➢ Outros sintomas: Febre, Tosse, Halitose, Irritação em faringe (“Sinal da vela”), Dor na
arcada dentária superior, Mal-estar, fadiga
• A maior parte é viral, sendo aproximadamente 2% apenas bacterianas
• As rinossinusites agudas podem ser classificadas em:
➢ Rinossinusite aguda viral: Menos de 10 dias “gripe” (melhora dia pós-dia)
➢ Rinossinusite aguda pós viral: Caracteriza-se pela piora dos sintomas após o 5° dia ou
persistência dos sintomas por mais de 10 dias com duração menor do que 12 semanas
“gripe mal curada, estava melhorando mas voltou a piorar”, é uma infecção secundária
➢ Rinossinusite aguda bacteriana: Uma pequena parcela dos pacientes com rinossinusite
aguda pós-viral pode evoluir para a bacteriana, apresentando como principais sintomas
a rinorreia unilateral ou GOTEJAMENTO PÓS-NASAL PURULENTO, DOR LOCAL SEVERA
(com predominância unilateral), FEBRE (> 38°C) e elevação de VHS/PCR. Também se
deve suspeitar de em caso de piora dos sintomas após o 5° dia de evolução (DUPLA
PIORA “começou ruim depois piorou”).
➢ Rinossinusite recorrente: É definida pela ocorrência de mais de 4 episódios de
rinossinusite aguda por ano com completa resolução entre os episódios (Algumas
alterações anatômicas como desvio septal predispõem à recorrência da infecção)
➢ Obs: Rinorreia unilateral de repetição em criança cuidado com corpo estranho !!!!
• Diagnóstico das Rinossinusites agudas: CLÍNICO
➢ O diagnóstico é CLÍNICO!
➢ Está PROSCRITO o uso de Raio-X para diagnosticar rinossinusites
➢ Em casos crônicos, de dúvida diagnóstica ou avaliação de complicações, a TC é o
exame de escolha
➢ Para diferenciação entre viral e bacteriana deve-se atentar principalmente se há sinais
sistêmicos e dupla-piora (sugere fortemente infecção bacteriana)
• Tratamento das rinossinusites agudas: Sintomáticos (Analgésicos, Antitérmicos, Lavagem
nasal e corticoides tópicos nasais)
➢ CONSIDERAR ANTIBIÓTICO SE NÃO MELHORAR, SE FOR IMUNOSSUPRIMIDO OU SE
SINTOMAS MAIS INTENSOS (FEBRE >37,8°C E DOR INTENSA EM FACE)
▪ Para os pacientes em terapia inicial e que não fizeram uso de antibióticos nas
últimas 4 a 6 semanas, opta-se pela AMOXICILINA por 10-14 dias como primeira
escolha, podendo dobrar a dose caso não funcione, e se ainda assim não
funcionar pode-se optar em seguida por trocar pela Amoxicilina + Clavulanato
em caso de falha terapêutica
• Complicações de rinossinusites agudas: Representam eventos potencialmente graves, apesar
de infrequentes, e não têm seus índices reduzidos pelo uso de antibioticoterapia. São
classificadas em orbitárias, intracranianas e ósseas e necessitam de exame de imagem (TC)
para sua avaliação completa
➢ Complicações orbitárias: Celulite orbitária, Abcesso orbitário e Trombose de seio
cavernoso
➢ Complicações ósseas: Ostemioelite, Meningite
➢ Complicações intracranianas: Déficits neurológicos focais, aumento da PIC
AFECÇÕES RINOSSINUSAIS- RINOSSINUSITES CRÔNICAS

• As rinossinusites crônicas são definidas como uma RINOSSINUSITE COM DURAÇÃO MAIOR
QUE 12 SEMANAS SEM RESOLUÇÃO COMPLETA DOS SINTOMAS.
➢ Devem ser realizados diagnóstico por imagem (TC e endoscopia nasal)
➢ Os outros achados e quadros clínicos assemelham-se aos da rinossinusite aguda
• A etiologia da rinossinusite crônica é multifatorial, e existem vários fatores que podem atuar
em cada paciente contribuindo para desencadear e manter os sintomas dessa síndrome clínica.
➢ Alterações genéticas, influências ambientais, agentes ocupacionais, alergias, FUNGOS,
BIOFILMES, imunodeficiência, doenças sistêmicas (Asma/DRGE...), variações
anatômicas, deficiência de vitamina D, imunodeficiências primárias, erros na
imunidade inata, clearance mucociliar inadequado e uso inapropriado de AINE’s
compõem alguns dos múltiplos agentes atualmente conhecidos para desenvolver
rinossinusites crônicas
• As rinossinusites crônicas podem ser classificadas em:
➢ Rinossinusite crônica sem polipose nasal
➢ Rinossinusite crônica com polipose nasal

• Tratamento das Rinossinusites crônicas:


➢ Sem polipose nasal: Recomenda-se lavagem nasal e corticoide tópico nasal
➢ Com polipose nasal: Recomenda-se lavagem nasal, corticoide tópico nasal e cirurgia
• Outros tratamentos para as rinossinusites crônicas: “off-label”
➢ Lavagem nasal com Xilitol: Existe uma associação com a possível melhora na
degeneração (lise) do biofilme bacteriano

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