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Inconstitucionalidade em Normas Estaduais

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Informativo comentado:

Informativo 1159-STF
Márcio André Lopes Cavalcante

ÍNDICE
DIREITO CONSTITUCIONAL
COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
▪ É inconstitucional norma estadual que fixa o percentual dos honorários de sucumbência devidos aos Procuradores
estaduais em razão do parcelamento realizado pelos contribuintes nas ações tributárias e execuções fiscais
ajuizadas.

PODER LEGISLATIVO
▪ Norma estadual previu que as eleições da Mesa Diretora para o segundo biênio poderiam ser realizadas bem antes
do início da segunda legislatura; essa previsão é inconstitucional; a eleição deve ser realizada a partir do mês de
outubro do ano precedente ao biênio relativo ao pleito.

MINISTÉRIO PÚBLICO
▪ É constitucional o art. 156 da LC 75/1993, que prevê que o Procurador-Geral do MPDFT é nomeado pelo Presidente
da República (e não pelo Governador do DF).

DIREITO ADMINISTRATIVO
SERVIDORES PÚBLICOS (REGIME DE PREVIDÊNCIA)
▪ Não viola a Constituição Federal norma estadual que estabelece o termo inicial para o pagamento dos benefícios
de aposentadoria do Regime Próprio de Previdência Social local a partir do mês seguinte ao da publicação do ato
concessivo de aposentadoria.

DIREITO CONSTITUCIONAL

COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
É inconstitucional norma estadual que fixa o percentual dos honorários de sucumbência devidos
aos Procuradores estaduais em razão do parcelamento realizado pelos contribuintes nas ações
tributárias e execuções fiscais ajuizadas

ODS 16

Caso concreto: o art. 8º da Lei 9.167/2023 do Estado de Sergipe estabelecia percentuais de


honorários de sucumbência para Procuradores do Estado em execuções fiscais de créditos
tributários. A lei previa um escalonamento de 1% a 10%, variando conforme o número de
parcelas escolhido pelo contribuinte para pagamento.
O STF declarou inconstitucional esse dispositivo.
A regulamentação do percentual devido como verba honorária é matéria processual e a
competência para legislar sobre direito processual é privativa da União (art. 22, I, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 7.341/SE, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 19/11/2024 (Info 1159).

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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O caso concreto foi o seguinte:


O art. 8º da Lei nº 9.167/2023, do Estado de Sergipe, previa o percentual de honorários de sucumbência
que os Procuradores do Estado iriam receber nas execuções fiscais de créditos tributários. Veja:
Art. 8º Devem ser devidos pelo contribuinte honorários advocatícios de sucumbência fixados nos
percentuais a seguir indicados, calculados sobre o valor do crédito tributário executado apurado
com as reduções previstas nesta Lei, observados o mesmo número de parcelas e datas de
vencimento:
I – 1% (um por cento) para pagamento à vista;
II – 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) para pagamento em até 12 (doze) parcelas;
III – 10% (dez por cento) mediante parcelamento superior a 12 (doze) parcelas.

ADI
A Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape) ajuizou ADI contra esse
artigo alegando que:
• a norma estadual violou a competência privativa da União para legislar sobre direito processual (art. 22,
I, da CF/88).
• o dispositivo excede os limites da competência legislativa suplementar dos estados (art. 24, XI e §§ 1º a
4º).

A autora argumentou que a fixação de honorários advocatícios é matéria processual, e não procedimental.
Alegou que a norma prevê escalonamento de honorários sucumbenciais entre 1% e 10%, conforme o
número de parcelas, o que reduziria a remuneração dos procuradores e impactaria o recebimento integral
da verba honorária.
Apontou a inexistência de lei complementar que autorize estados a legislar sobre percentuais de
honorários em contraste com os parâmetros previstos no art. 85, § 19 do CPC.

O STF concordou com os argumentos da autora?


SIM.
O texto constitucional atribui à União a competência privativa para legislar sobre direito processual, com
a finalidade de garantir a uniformidade do tratamento da matéria em âmbito nacional e,
consequentemente, a regulamentação dos honorários sucumbenciais, no que diz respeito à preservação
da sua natureza remuneratória. Veja:
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e
do trabalho;

Conforme jurisprudência do STF, incorre em vício de inconstitucionalidade formal a legislação estadual


que — embora estabeleça um programa de incentivo à quitação dos débitos tributários por meio do
parcelamento — modifique os critérios de fixação dos honorários sucumbenciais previstos na legislação
federal e institua uma redução no percentual da verba honorária devida aos advogados públicos.
Na espécie, a norma estadual impugnada, com o intuito de estimular a regularização da situação fiscal de
contribuintes inadimplentes com o erário estadual, a partir do parcelamento de débitos relativos ao ICMS,
estabeleceu o escalonamento de honorários sucumbenciais devidos aos procuradores do estado de
acordo com a extensão do parcelamento do crédito tributário acordado.

Em suma:
É inconstitucional — por violar a competência privativa da União para legislar sobre direito processual
(art. 22, I, CF/88) — norma estadual que fixa o percentual dos honorários de sucumbência devidos aos

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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procuradores estaduais em razão do parcelamento realizado pelos contribuintes nas ações tributárias e
execuções fiscais ajuizadas.
STF. Plenário. ADI 7.341/SE, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 19/11/2024 (Info 1159).

Com base nesses e em outros entendimentos, o Plenário, por maioria, julgou procedente o pedido para
declarar a inconstitucionalidade do art. 8º, caput, e incisos I a III, da Lei nº 9.137/2023 do Estado de
Sergipe.

DOD PLUS – JULGADOS CORRELATOS


É inconstitucional lei estadual que reduz os honorários advocatícios decorrentes da cobrança de dívida
ativa para cinco por cento
Caso concreto: a ANAPE ajuizou ADI contra o art. 6º da Lei nº 5.621/2023, do Estado de Rondônia, que
reduziu os honorários advocatícios decorrentes da cobrança de dívida ativa para 5% do valor consolidado.
O STF, ao apreciar a medida cautelar, suspendeu a eficácia desse dispositivo.
A disciplina jurídica de honorários de sucumbência constitui matéria de direito processual sujeita à
competência legislativa privativa da União (art. 22, I, da CF/88).
Os Estados não podem estabelecer regras nesta matéria em desconformidade com o CPC.
Vale ressaltar, ainda, que o Estado não pode renunciar a parcela da remuneração da carreira dos
Procuradores do Estado, relativa aos honorários devidos pela atuação extrajudicial desses
profissionais, sob pena de ofensa ao princípio da irredutibilidade, previsto no art. 37, XV, da Constituição
da República.
STF. Plenário. ADI 7.694 MC-Ref/RO, Rel. Min. Flávio Dino, redator para acórdão Min. Cristiano Zanin,
julgado em 23/09/2024 (Info 1151).

É inconstitucional lei estadual que concede desconto sobre honorários de sucumbência devidos em ações
tributárias e execuções fiscais ajuizadas.
Essa norma viola a competência privativa da União para legislar sobre direito processual (art. 22, I, CF/88).
STF. Plenário. ADI 7.615 MC-Ref/GO, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 05/06/2024 (Info 1139).

PODER LEGISLATIVO
Norma estadual previu que as eleições da Mesa Diretora para o segundo biênio poderiam ser
realizadas bem antes do início da segunda legislatura; essa previsão é inconstitucional; a eleição
deve ser realizada a partir do mês de outubro do ano precedente ao biênio relativo ao pleito
ODS 16

O art. 11 do Regimento Interno da ALE/RN permitia a realização antecipada das eleições para
a Mesa Diretora do segundo biênio da legislatura.
O STF declarou inconstitucional esse dispositivo.
A eleição para os cargos da Mesa Diretora deve ocorrer próxima ao início do mandato,
garantindo que os eleitos representem os anseios e forças políticas do momento.
Embora os estados tenham autonomia para organizar suas Casas Legislativas, essa liberdade
está limitada pelos princípios constitucionais.
Diante disso, o STF declarou a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do art. 11, com a
finalidade de excluir qualquer interpretação que permita a realização de eleições, para

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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composição da Mesa Diretora para o segundo biênio da legislatura, antes do mês de outubro
que antecede o início do referido biênio.
Em suma: as eleições dos integrantes da Mesa Diretora do Poder Legislativo para o segundo
biênio da legislatura devem ser realizadas a partir do mês de outubro do ano anterior ao início
do mandato pertinente, em respeito à legitimidade do processo legislativo e à expressão
política da atual composição da Casa Legislativa.
STF. Plenário. ADI 7.733/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/11/2024 (Info 1159).

Legislatura
A legislatura é definida como um período de quatro anos, que coincide com o mandato de cargos como o
de Deputados Estaduais.
A legislatura atual dos Deputados Estaduais vai de 2023 até 2027.
Os Deputados Estaduais atuais tomaram posse em 01/02/2023.

Quantas eleições ocorrem para a Mesa Diretora da ALE?


Na maioria dos casos são duas eleições.
O mandato dos Deputados Estaduais é de 4 anos.
O mandato da Mesa Diretora é de aproximadamente 2 anos.
A eleição da Mesa Diretora da ALE ocorre no início da legislatura (01/02) para um mandato de 2 anos.
Terminado esse mandato, normalmente é feita uma nova eleição para a Mesa Diretora.
Ex: em 01/02/2023, os Deputados Estaduais tomaram posse para um mandato de 4 anos. Essa é a
legislatura (2023-2027). No mesmo dia 01/02/2023, os Deputados fizeram a eleição para a Mesa Diretora.
Assim, foi escolhida a Mesa Diretora para o primeiro biênio da legislatura.
Em 01/02/2025, será feita uma nova eleição da Mesa Diretora. Serão, então, escolhidos os integrantes da
Mesa Diretora para o segundo biênio da legislatura.

Feita essa explicação prévia, vejamos o caso concreto enfrentado pelo STF:
O art. 11 do Regimento Interno da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte (ALE/RN)
permitia a realização das eleições para composição da Mesa Diretora do segundo biênio a qualquer
momento, até o terceiro ano da legislatura. Na prática, isso possibilitava uma antecipação excessiva das
eleições. Veja a redação do dispositivo:
Art. 11. Até o terceiro ano de cada legislatura, em data e hora previamente designadas pelo
Presidente, antes de inaugurada a sessão legislativa e sob a direção da Mesa da sessão anterior,
realizar-se-á a eleição do Presidente e dos demais membros da Mesa

Vou explicar de forma didática como funcionava esse art. 11:


- uma legislatura dura 4 anos;
- dentro de cada legislatura, a Mesa Diretora tem mandato de 2 anos (biênio);
- assim, em cada legislatura há dois biênios diferentes;
- para o segundo biênio, a eleição poderia acontecer a qualquer momento. O único limite temporal era
que deveria ocorrer “até o terceiro ano da legislatura”;
- na prática, isso significava que a Assembleia poderia, por exemplo, já no primeiro dia do primeiro biênio
eleger a Mesa Diretora que só iria assumir 2 anos depois. Ou seja, era possível fazer uma eleição com
muita antecedência para um mandato que só começaria muito tempo depois.

Exemplo concreto do que aconteceu:


Em fevereiro de 2023, a ALE/RN realizou eleição para a Mesa Diretora. Ocorre que essa Mesa só iria
assumir em 2025 (biênio 2025-2026). Isso significa que foi feita uma eleição com 2 anos de antecedência.

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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ADI
A Procuradoria-Geral da República (PGR) ajuizou ADI contra o art. 11 do Regimento Interno alegando que:
• eleições antecipadas subvertem os princípios da alternância de poder e do controle democrático, uma
vez que eliminam a contemporaneidade entre o mandato e o contexto político da escolha;
• essa prática compromete o pluralismo político, pois impede que as escolhas reflitam a atual composição
política da Casa Legislativa.

Diante disso, a parte autora pediu que o art. 11 do Regimento Interno da Assembleia Legislativa fosse
interpretado de forma que permita eleições para o segundo biênio da legislatura somente a partir de
outubro do ano anterior ao início do mandato, garantindo respeito à contemporaneidade e periodicidade.

O STF concordou com os argumentos invocados pelo Procurador-Geral da República?


A antecipação desarrazoada das referidas eleições tende a favorecer os grupos políticos majoritários e
influentes no momento da votação, que não refletirá, necessariamente, o anseio predominante ao início
do novo biênio, em clara violação aos princípios republicano e democrático.
A periodicidade eleitoral permite que se avalie o desempenho dos ocupantes atuais dos cargos antes da
realização do novo pleito.
O tema já foi enfrentado pelo STF na ADI 7.350/TO. Nessa ação, a Assembleia Legislativa de Tocantins, por
meio de emenda constitucional, estabeleceu que, no início da legislatura seria realizada a eleição da Mesa
Diretora para os biênios subsequentes.
Naquela oportunidade, o Plenário do STF, com base no voto do Ministro Dias Toffoli, destacou que a
autonomia atribuída aos entes federados é delimitada pela própria Constituição Federal. Ressaltou-se que
uma interpretação sistemática e coerente do texto constitucional conduz à conclusão de que “o voto
acompanha o mandato ao qual se refere”, já que a periodicidade do voto é um instrumento essencial para
a alternância do poder político. Assim, a realização de eleições simultâneas para os dois biênios de uma
legislatura “enfraquece ou até mesmo compromete a possibilidade de renovação política”, pois elimina o
momento de renovação previsto para ocorrer ao final de cada mandato.
Na mesma ocasião, o Tribunal destacou que o princípio representativo exige que “o poder político seja
exercido por representantes que reflitam as forças políticas majoritárias na sociedade”. Nesse sentido,
enfatizou-se que, para cada mandato, deve ser realizada uma nova eleição “em momento próximo ao
início do respectivo mandato, como forma de assegurar que os eleitos representem a conjuntura atual e
os anseios da maioria”. Isso se justifica, segundo o entendimento da Corte, porque as eleições permitem
o controle e a fiscalização do exercício do mandato. Assim, a “antecipação desproporcional das eleições
para os cargos da mesa diretora retira dos parlamentares a possibilidade de exercer o controle sobre a
direção da assembleia legislativa”. Relembre o que foi decidido:
É inconstitucional norma de Constituição estadual que prevê eleições concomitantes (no início de cada
legislatura) da Mesa Diretora de Assembleia Legislativa para os dois biênios subsequentes.
Essa previsão subverte os princípios republicano e democrático em seus aspectos basilares: periodicidade
dos pleitos, alternância do poder, controle e fiscalização do poder, promoção do pluralismo,
representação e soberania popular (arts. 1º, caput, V e parágrafo único; e 60, § 4º, II, CF/88).
STF. Plenário ADI 7.350/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/03/2024 (Info 1128).

Logo, ficou claro que, conforme a jurisprudência do STF, a realização de eleições, para os órgãos de direção
do Poder Legislativo, próximas ao início do respectivo mandato configura não só uma ferramenta
democrática, mas também um mecanismo de concretização do princípio representativo, da periodicidade
do pleito e da contemporaneidade.

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A Constituição de 1988 qualifica o voto periódico como cláusula pétrea enquanto mecanismo de
alternância do poder e de promoção do pluralismo político, evitando a perpetuação de determinado grupo
por período indeterminado.
O princípio representativo impõe que o poder político seja exercido por representantes que espelhem as
forças políticas majoritárias na sociedade. Por isso, para cada novo mandato, deve haver uma nova
manifestação de vontade pelos eleitores, em momento próximo ao início do respectivo mandato.
Ademais, as disposições acerca das eleições diretas para os cargos de Prefeito, Governador e Presidente
da República, sempre fazem referência ao mês de outubro do ano anterior ao término do mandato,
conforme art. 77, caput, da CF/88:
Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultaneamente,
no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em
segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente.

Nesse contexto, depreende-se, de uma leitura sistemática da Constituição Federal, que as eleições
previstas na norma impugnada devam ser realizadas a partir do mês de outubro do ano precedente ao
biênio relativo ao pleito.

Em suma:
As eleições dos integrantes da Mesa Diretora do Poder Legislativo para o segundo biênio da legislatura
devem ser realizadas a partir do mês de outubro do ano anterior ao início do mandato pertinente, em
respeito à legitimidade do processo legislativo e à expressão política da atual composição da Casa
Legislativa.
STF. Plenário. ADI 7.733/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/11/2024 (Info 1159).

Com base nesses entendimentos, o Plenário, por unanimidade, converteu o exame de medida cautelar
em análise de mérito e julgou procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade, sem redução de
texto, do art. 11 do Regimento Interno da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte, com
a finalidade de excluir qualquer interpretação que permita a realização de eleições, para composição da
Mesa Diretora para o segundo biênio da legislatura, antes do mês de outubro que antecede o início do
referido biênio.

Modulação dos efeitos


O Tribunal modulou os efeitos da presente decisão para preservar a validade dos atos já praticados até a
data de publicação da ata do presente julgado, à exceção das eleições já realizadas, em 01/02/2023, para
o biênio 2025-2026; e determinou a realização de nova eleição para composição da Mesa Diretora da
Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte para o biênio 2025-2026.

DOD PLUS – JULGADO CORRELATO


A Constituição do Estado estabeleceu que, no começo de cada legislatura, deveria ser realizada uma
única eleição para escolher duas Mesas Diretoras distintas; uma delas ocuparia os cargos durante o
primeiro biênio e a outra, durante o segundo; essa previsão é inconstitucional
É inconstitucional norma de Constituição estadual que prevê eleições concomitantes (no início de cada
legislatura) da Mesa Diretora de Assembleia Legislativa para os dois biênios subsequentes.
Essa previsão subverte os princípios republicano e democrático em seus aspectos basilares: periodicidade
dos pleitos, alternância do poder, controle e fiscalização do poder, promoção do pluralismo,
representação e soberania popular (arts. 1º, caput, V e parágrafo único; e 60, § 4º, II, CF/88).
STF. Plenário ADI 7.350/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/03/2024 (Info 1128).

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MINISTÉRIO PÚBLICO
É constitucional o art. 156 da LC 75/1993, que prevê que o Procurador-Geral do MPDFT é
nomeado pelo Presidente da República (e não pelo Governador do DF)
ODS 16

O MPDFT foi concebido pelo constituinte como um dos quatro ramos do Ministério Público da
União, sendo de natureza federal, conforme previsto no art. 128 da CF/88. Sua organização,
manutenção e regulamentação competem à União, nos termos dos arts. 21, XIII e 22, XVIII da
CF/88.
Não há que se falar em paralelismo entre a sistemática de nomeação dos Procuradores-Gerais
de Justiça dos Ministérios Públicos estaduais e a do Procurador-Geral de Justiça do MPDFT,
pois este último é órgão federal pertencente à estrutura orgânica do MPU, sendo
completamente estranho à esfera político-administrativa do ente distrital.
O art. 156, caput, da LC 75/93, ao estabelecer a prerrogativa do Presidente da República de
nomear o chefe do MPDFT, está em perfeita sintonia com a Constituição Federal.
STF. Plenário. ADI 6.247/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/11/2024 (Info 1159).

Ramos do Ministério Público


A CF/88 organiza o Ministério Público brasileiro em dois segmentos:

Ministério Público da União (MPU) Ministérios Públicos dos Estados (MPE)


O chefe do Ministério Público da União é o O chefe de cada Ministério Público estadual é o
Procurador-Geral da República (art. 128, § 1º, da seu Procurador-Geral de Justiça (art. 128, § 3º).
CF/88). Existem 26 MPEs, um em cada Estado-membro.
O MPU é regido pela LC 75/93. O MPE é regido pela Lei nº 8.625/93 e por Leis
complementares estaduais (art. 128, § 5º, da CF/88).

Desse modo, o Ministério Público é dividido em dois ramos distintos (MPE e MPU), não havendo qualquer
relação de hierarquia ou subordinação entre eles.

Divisão do MPU
O Ministério Público da União subdivide-se nos seguintes ramos:
a) Ministério Público Federal (MPF);
b) Ministério Público do Trabalho (MPT);
c) Ministério Público Militar (MPM);
d) Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

A CF/88 estabelece ser competência da União a organização do MPDFT:


Art. 21. Compete à União:
(...)
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos
Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios;

Feitas essas considerações, vejamos o caso concreto enfrentado pelo STF:


A Lei Complementar nº 73/1993 dispõe sobre a organização, as atribuições e o estatuto do Ministério
Público da União.

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7


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O art. 156, caput, da referida lei complementar estabelece que o Procurador-Geral de Justiça do Ministério
Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) será nomeado pelo Presidente da República.
Veja a redação do dispositivo:
Art. 156. O Procurador-Geral de Justiça será nomeado pelo Presidente da República dentre
integrantes de lista tríplice elaborada pelo Colégio de Procuradores e Promotores de Justiça, para
mandato de dois anos, permitida uma recondução, precedida de nova lista tríplice.

O Governador do Distrito Federal propôs ADI para questionar a constitucionalidade desse artigo.
Na petição inicial, o Governador sustentou os seguintes argumentos jurídicos:
• Violação à autonomia do Distrito Federal: alegou que, ao prever que o Presidente da República nomeie
o chefe do MPDFT, o dispositivo impugnado interfere na autonomia político-administrativa do DF. O
Governador defendeu que o MPDFT deveria se alinhar, em termos de escolha de seu chefe, às regras
aplicáveis aos Ministérios Públicos estaduais, cujos Procuradores-Gerais são nomeados pelos
governadores.
• Paralelismo das formas: argumentou que o art. 128, § 3º, da Constituição Federal estabelece que os
Procuradores-Gerais de Justiça dos Ministérios Públicos estaduais são nomeados pelos chefes do Poder
Executivo dos respectivos entes federativos:
Art. 128 (...)
§ 3º Os Ministérios Públicos dos Estados e o do Distrito Federal e Territórios formarão lista tríplice
dentre integrantes da carreira, na forma da lei respectiva, para escolha de seu Procurador-Geral,
que será nomeado pelo Chefe do Poder Executivo, para mandato de dois anos, permitida uma
recondução.

Assim, por paralelismo, o Governador do DF deveria ser o responsável pela nomeação do chefe do MPDFT,
dado o caráter autônomo do DF.

• Necessidade de alinhamento político-ideológico: enfatizou que a nomeação pelo Governador garantiria


maior legitimidade democrática, assegurando alinhamento político-ideológico entre o chefe do Executivo
distrital, eleito pela população, e o chefe do MPDFT, que atua como fiscal da ordem jurídica local.

O STF concordou com os argumentos do Governador do DF? O art. 156 da LC 75/1993 é inconstitucional?
NÃO.

Natureza Jurídica do Distrito Federal


O Distrito Federal, embora possua autonomia, não é equiparado aos Estados-membros. Ele apresenta
competências e restrições específicas que o caracterizam como um ente singular (STF ADI 3.756/DF, Rel.
Min. Ayres Britto, DJe de 19/10/2007).
O DF é uma unidade híbrida, que exerce competências próprias dos estados e dos municípios, mas sua
autonomia é limitada em áreas estratégicas, como a organização do Poder Judiciário, do Ministério
Público, das forças policiais e dos bombeiros militares, todos organizados e mantidos pela União.
Essa peculiaridade decorre do papel do DF como sede da capital do país, conforme o art. 18, § 1º, da
Constituição.
José Afonso da Silva afirma que o Distrito Federal é uma unidade federada com “autonomia parcialmente
tutelada”.

Alguns aspectos peculiares do Distrito Federal:


• possui competências tanto de estado quanto de município.
• não pode ser equiparado nem a estado nem a município.

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 8


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• tem como função primordial servir de sede ao governo federal.


• sua autonomia é mais limitada que a dos demais entes federativos.

Limitações constitucionais impostas ao Distrito Federal


• Não pode instituir e manter Poder Judiciário próprio;
• Não pode instituir Ministério Público próprio;
• Não possui estrutura própria de polícia civil, polícia penal, polícia militar e corpo de bombeiros;
• Todos esses órgãos são organizados e mantidos pela União.

Art. 21. Compete à União:


(...)
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos
Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios;
(...)
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia penal, a polícia militar e o corpo de bombeiros
militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a
execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio;

Art. 32 (...)
§ 4º Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, da polícia civil, da
polícia penal, da polícia militar e do corpo de bombeiros militar.

Status Constitucional do MPDFT


Conforme vimos acima, o MPDFT foi concebido pela Constituição como um dos quatro ramos do
Ministério Público da União (MPU). Veja o texto constitucional:
Art. 128. O Ministério Público abrange:
I - o Ministério Público da União, que compreende:
a) o Ministério Público Federal;
b) o Ministério Público do Trabalho;
c) o Ministério Público Militar;
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;
II - os Ministérios Públicos dos Estados.

A Constituição estabelece expressamente que compete à União:


• Organizar e manter o MPDFT (art. 21, XIII);
• Legislar privativamente sobre sua organização (art. 22, XVII).

A norma constitucional (art. 21, XIII e art. 22, XVII) deixa claro que o DF não possui competência para
organizar ou legislar sobre o Ministério Público Distrital, função essa que é privativa da União.
A organização e manutenção do MPDFT, bem como a escolha de seu Procurador-Geral, foram atribuídas
à União, de forma semelhante à organização do Judiciário e das forças policiais no DF.

Não se aplica o paralelismo das formas ao MPDFT


Ao contrário do alegado pelo Governador do DF, o STF entendeu que o princípio do paralelismo das formas
não se aplica à nomeação do Procurador-Geral do MPDFT.
Nos Estados, os Ministérios Públicos são instituições estaduais, razão pela qual os Governadores realizam
a nomeação de seus Procuradores-Gerais.

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 9


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No entanto, o MPDFT é um órgão federal, integrante do MPU. Por essa razão, é constitucional que a
nomeação de seu Procurador-Geral seja feita pelo Presidente da República, e não pelo Governador do DF.

Independência do Ministério Público


O MP é instituição permanente, essencial ao regime democrático.
É autônomo e independente dos demais Poderes.
Seus membros devem respeito apenas à Constituição.
Assim, a nomeação do Procurador-Geral do MPDFT não implica subordinação à autoridade que o nomeia
(Presidente da República).

Em suma:
É constitucional — à luz da peculiar natureza jurídica do Distrito Federal e da estrutura orgânica do
Ministério Público da União (MPU) — norma que autoriza o Presidente da República a nomear o
procurador-geral do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
STF. Plenário. ADI 6.247/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/11/2024 (Info 1159).

Com base nesses entendimentos, o Plenário, por unanimidade, julgou improcedente o pedido e declarou
a constitucionalidade do art. 156, caput, da Lei Complementar nº 75/1993.

DIREITO ADMINISTRATIVO

SERVIDORES PÚBLICOS (REGIME DE PREVIDÊNCIA)


Não viola a Constituição Federal norma estadual que estabelece o termo inicial para o
pagamento dos benefícios de aposentadoria do Regime Próprio de Previdência Social local a
partir do mês seguinte ao da publicação do ato concessivo de aposentadoria
ODS 16

É constitucional lei estadual que fixe o mês subsequente ao da publicação do ato concessivo
de aposentadoria como o termo inicial para o pagamento do respectivo benefício do regime
próprio de previdência.
STF. Plenário. ADI 6.849/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/11/2024 (Info 1159).

O caso concreto foi o seguinte:


O art. 52 da Lei estadual nº 12.398/98 e o art. 48 da Lei Complementar estadual nº 233/2021, ambas do
Estado do Paraná, preveem que os benefícios de aposentadoria do regime próprio de previdência do
estado são pagos a partir do mês subsequente à publicação do ato concessivo. Veja:
Art. 52. As aposentadorias de que tratam os Arts. 50 e 51 serão devidas a partir do mês
subsequente ao da publicação do ato concessivo, e só serão deferidas aos servidores que tiverem
contribuído para os fundos de natureza previdenciária, durante os 60 (sessenta) meses
imediatamente anteriores à protocolização do requerimento de aposentadoria.

Art. 48. As aposentadorias por idade e pelas regras de transição serão devidas a partir do mês
subsequente ao da publicação do ato concessivo.

ADI

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 10


Informativo
comentado

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ingressou com ADI contra esses artigos.
O autor entendeu que os dispositivos prejudicavam os servidores por dois motivos:
1) Demora injustificada no recebimento:
O servidor que pede aposentadoria teria que esperar dois momentos:
Primeiro: todo o tempo de análise do processo administrativo de aposentadoria;
Segundo: após a análise e publicação da aposentadoria, ainda teria que esperar até o mês seguinte para
começar a receber.

2) Perda financeira:
Segundo o partido, o servidor deveria ter direito a receber os valores retroativamente, desde a data em
que fez o pedido de aposentadoria (chamada de DER - Data de Entrada do Requerimento).
Como as leis estabelecem que ele só vai receber a partir do mês seguinte à publicação, o servidor perderia
todos os valores entre:
• a data em que pediu a aposentadoria;
• a data em que efetivamente começou a receber.

O partido argumentou que isso permitiria ao Estado se “locupletar” (enriquecer indevidamente) às custas
do servidor, pois quanto mais demorasse para analisar o pedido, mais tempo ficaria sem pagar os valores
da aposentadoria.

O STF concordou com os argumentos do autor? Os dispositivos impugnados foram declarados


inconstitucionais?
NÃO.

Competência legislativa
Inicialmente, é importante esclarecer que a competência para legislar sobre previdência social é
concorrente, nos termos do art. 24, XII, da CF/88:
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
(...)
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;

Vale lembrar que, no âmbito da competência concorrente:


• a União estabelece as normas gerais (art. 24, § 1º);
• os Estados podem suplementar as normas gerais da União (art. 24, § 2º);
• se não houver normas gerais, os Estados poderão exercer a competência legislativa plena, para atender
a suas peculiaridades (art. 24, § 3º).

Regime Próprio de Previdência Social


A Constituição Federal trata sobre o regime próprio de previdência social dos servidores públicos em seu
art. 40.
Em nível infraconstitucional, a Lei nº 9.717/98 dispõe sobre regras gerais para a organização e o
funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos.
Nem o art. 40 da CF/88 nem a Lei nº 9.717/98 estabelecem regra específica para o termo inicial do
pagamento de proventos.
Não existe, portanto, uma norma geral editada pela União prevendo o termo inicial do pagamento de
aposentadorias do regime próprio de previdência social. Logo, a situação se enquadra no § 2º do art. 24
da CF/88, que autoriza os Estados a definirem tais parâmetros.

Impossibilidade de aplicação da regra da Lei nº 8.213/91

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 11


Informativo
comentado

O § 5º do art. 41-A da Lei nº 8.213/91 estabelece prazo de 45 dias para o pagamento do benefício
previdenciário:
Art. 41-A (...)
§ 5º O primeiro pagamento do benefício será efetuado até quarenta e cinco dias após a data da
apresentação, pelo segurado, da documentação necessária a sua concessão.

Esse dispositivo, contudo, não se aplica automaticamente aos regimes próprios. Isso porque o art. 40, §
12 da Constituição determina que as regras do RGPS só se aplicam aos regimes próprios quando não
houver regulamentação específica:
Art. 40 (...)
§ 12. Além do disposto neste artigo, serão observados, em regime próprio de previdência social,
no que couber, os requisitos e critérios fixados para o Regime Geral de Previdência Social.

Ausência de violação a direito adquirido


O STF entendeu que o direito à aposentadoria se consolida quando preenchidos os requisitos legais, mas
isso não implica pagamento imediato. Vale ressaltar que até a implementação do benefício, o servidor
permanece recebendo vencimentos da ativa. Logo, não haveria prejuízo.

Ausência de violação à proibição de vedação ao retrocesso social


A norma estadual impugnada não reduz ou restringe direitos fundamentais. Apenas organiza o pagamento
dos benefícios em conformidade com o equilíbrio financeiro do regime previdenciário.
Logo, não houve violação à proibição de vedação ao retrocesso social.

Acumulação de proventos
Conforme já explicado, o servidor continua recebendo seus vencimentos da ativa até o efetivo pagamento
da aposentadoria. Assim, se os proventos fossem pagos desde a data do requerimento, como postulou o
autor, haveria violação ao art. 37, § 10 da Constituição, que veda a percepção simultânea de proventos de
aposentadoria com remuneração do cargo:
Art. 37 (...)
§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou
dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos
acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados
em lei de livre nomeação e exoneração.

Abono de permanência e licença remunerada


Por fim, é importante salientar que a percepção de abono de permanência e licença remunerada para fins
de aposentadoria, nos termos da Lei nº 14.502/04 do Estado do Paraná, afastam as alegações de prejuízo
ao servidor decorrente de eventual mora na apreciação dos requerimentos de aposentadoria:
Art. 1º. Na Lei nº 6.174, de 16 de novembro de 1970, fica instituída a Licença Especial
Remuneratória para Fins de Aposentadoria.
Art. 2º. O servidor público estadual somente fará jus à Licença Remuneratória para Fins de
Aposentadoria decorridos sessenta dias ininterruptos de paralisação do pedido no setor da
PARANAPREVIDÊNCIA responsável pela análise de benefícios.
(...)
§2º A concessão da Licença Remuneratória para Fins de Aposentadoria dependerá de
requerimento expresso do servidor.

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 12


Informativo
comentado

Em suma:
Não viola a Constituição Federal norma estadual que estabelece o termo inicial para o pagamento dos
benefícios de aposentadoria do Regime Próprio de Previdência Social local a partir do mês seguinte ao
da publicação do ato concessivo de aposentadoria.
Tese fixada pelo STF: É constitucional lei estadual que fixe o mês subsequente ao da publicação do ato
concessivo de aposentadoria como o termo inicial para o pagamento do respectivo benefício do regime
próprio de previdência.
STF. Plenário. ADI 6.849/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/11/2024 (Info 1159).

Com base nesses e em outros entendimentos, o Plenário, por unanimidade, conheceu em parte da ação
e, nessa extensão, a julgou improcedente para assentar a constitucionalidade do art. 48 da Lei
Complementar nº 233/2021 do Estado do Paraná, com a fixação da tese anteriormente citada.

EXERCÍCIOS
Julgue os itens a seguir:
1) É constitucional norma estadual que fixa o percentual dos honorários de sucumbência devidos aos
procuradores estaduais em razão do parcelamento realizado pelos contribuintes nas ações tributárias e
execuções fiscais ajuizadas. ( )
2) As eleições dos integrantes da Mesa Diretora do Poder Legislativo para o segundo biênio da legislatura
devem ser realizadas a partir do mês de outubro do ano anterior ao início do mandato pertinente, em
respeito à legitimidade do processo legislativo e à expressão política da atual composição da Casa
Legislativa. ( )
3) É constitucional — à luz da peculiar natureza jurídica do Distrito Federal e da estrutura orgânica do
Ministério Público da União (MPU) — norma que autoriza o Presidente da República a nomear o
procurador-geral do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). ( )
4) É inconstitucional lei estadual que fixe o mês subsequente ao da publicação do ato concessivo de
aposentadoria como o termo inicial para o pagamento do respectivo benefício do regime próprio de
previdência. ( )
Gabarito
1. E 2. C 3. C 4. E

OUTRAS INFORMAÇÕES
Citação da fonte:
O Informativo original do STF é uma publicação elaborada Secretaria de Altos Estudos, Pesquisas e Gestão
da Informação da Corte na qual são divulgados resumos das teses e conclusões dos principais julgamentos
realizados pelo STF.
O Informativo comentado do Dizer o Direito tem por objetivo apenas explicar e sistematizar esses julgados.
Vale ressaltar que os argumentos expostos foram construídos nos votos e debates decorrentes dos julgados.
Portanto, a autoria das teses e das razões de convencimento são dos Ministros do STJ e do STF, bem como
de sua competente equipe de assessores.
INFORMATIVO STF. Brasília: Supremo Tribunal Federal, Secretaria de Altos Estudos, Pesquisas e Gestão da
Informação. Disponível em: http://portal.stf.jus.br/textos/verTexto.asp? servico=informativoSTF.

Informativo 1159-STF (27/11/2024) – Márcio André Lopes Cavalcante | 13

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