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EDUCAÇÃO

INFANTIL: JOGOS,
BRINQUEDOS E
BRINCADEIRAS
UNIDADE III
A Construção da
Dimensão Lúdica na
Infância
Yasmin Augaitis
A Construção da Dimensão Lúdica
na Infância

Introdução
Nesta obra, sistematizaremos conhecimentos teóricos e práticos em relação a
ludicidade, uma vez que o conceito é considerado como ferramenta pedagógica
central na prática docente.

Brincadeira com blocos

Fonte: Freepik (2023).


#pratodosverem: duas crianças brincando com blocos.

Para isso, utilizaremos autores e concepções de grande expressão na área educacional,


visando significar, ampliar e dialogar com a construção de conhecimento, com base
no universo infantil, via ensino aprendizagem.

3
Objetivos da Aprendizagem
Ao final do conteúdo, esperamos que você seja capaz de:’

• identificar a importância da dimensão lúdica na infância;


• reconhecer o brincar como sendo uma das mais potentes linguagens da criança.

4
O Lúdico na Educação
Aqueles que atuam na área educacional estão, em diferentes momentos, fazendo
uso do lúdico como instrumento pedagógico, já que brincadeiras e jogos auxiliam a
transposição de conteúdos sociais, culturais, linguísticos e cognitivos para o universo
infantil. Portanto, as instituições voltadas à educação devem trabalhar concepções
pragmáticas (de desenvolvimento infantil), visando sua aplicabilidade de forma
dialética. Santos, nessa premissa, defende que o profissional, ao compartilhar desse
elemento lúdico, tem o potencial de trabalhar com a criança de maneira prazerosa!

Reflita
Você se lembra de última vez que você brincou? Quais pessoas
estavam envolvidas? Em que lugar foi? Você se divertiu?

Ao refletir, você provavelmente irá perceber que a experiência evocada foi significativa,
pois o brincar pressupõe o aparecimento de sentimentos e emoções de prazer e de
desprazer (KISHIMOTO, 1993). Por esse fato, o lúdico pode ser entendido como uma
possibilidade pedagógica. E, dentro desse leque de escolhas, há infinitas alternativas,
como: música, arte, escultura, pintura, dramatização, entre outros.

Além disso, o brincar não pode ser visto como uma ação pronta, acabada, pois é algo
que se constrói na relação com o outro, seja um sujeito ou objeto. Porém, seus objetivos,
organização e seleção (brinquedos e/ou objetos) devem ser pensados e planejados
minuciosamente, levando em consideração os interesses e as necessidades das
crianças.

A aprendizagem requer a significação de informações, dados, para ser internalizado e


se transformar em um conhecimento (ABERASTURY, 1992). Ou seja, ao aprendermos
algo novo, nos deparamos com um universo repleto de novas significações que
perpassam pelas áreas motora, cognitiva, social e emocional/efetiva. Nessas
condições, é importante ressaltar que, ao jogar, ocorrerão conflitos de ordem cognitiva
e emocional. Com a condução adequada, as dificuldades poderão transformar-se em
aprendizado, visando À formação crítica e criativa dos sujeitos.

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A ludicidade auxilia no desenvolvimento e aprimoramento das diferentes áreas:
social, psicomotora e afetiva (ABERASTURY, 1992). Segundo Ferreira (2001), há cinco
características básicas relacionadas ao desenvolvimento das áreas, sendo elas:

Características das Áreas do Desenvolvimento

1) Não ocorre de maneira automática ou aleatoriamente, precisa que estímulos específicos para
se desenvolver.

2) As áreas desenvolvem-se concomitantemente.

3) É favorecido pela interação entre o indivíduo, no caso, a criança, e o meio com o qual ela
interage.

4) Se uma área fica prejudicada, isso pode ter reflexo nas demais, há interligação;

5) Precisa de um mediador, porém a criança é autora de seu próprio desenvolvimento.

Fonte: elaborado pela autora (2023).

Seguindo essa mesma linha de pensamento, o ato do jogo pode ser compreendido
como uma forma de desafio.

Diversão

Fonte: Freepik (2023).


#pratodosverem: na figura, temos três crianças brincando de subir em uma
rede vertical.

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As crianças, ao jogarem, constroem hipóteses para atingir seus objetivos, superando
obstáculos, consolidando conhecimento e desenvolvendo de maneira integral as
áreas cognitiva, afetiva, social e psicomotora.

O Lúdico e a Linguagem Simbólica

Segundo Kishimoto (2008), nem sempre a brincadeira satisfaz a criança, visto que
o desprazer muitas vezes se faz presente no ato, o prazer por si só, nesse contexto,
não pode definir a brincadeira. Para ele, a criança é capaz de reproduzir, de forma
imagética, uma situação do real: representação. Nesse processo, o ato de brincar é
mais uma lembrança do que uma invenção, já que a criança simula de forma lúdica a
realidade, por meio de brincadeiras.

Durante a ação, o sujeito pode externalizar seus sentimentos, sofrimentos, bloqueios


e frustrações, elaborando, pouco a pouco, seu desprazer. Adquirindo, através da
socialização, autonomia e consciência das suas limitações enquanto ser humano.
O processo é individual, contudo, dentro da escola, as vivências irão se misturar,
apontando diversidades culturais, religiosas, sociais e linguísticas.

Reflita
Como agir quando há elementos díspares nos espaços destinados
à educação? Como a ludicidade pode ajudar?

A brincadeira, muitas vezes, contempla a representação de papéis, principalmente as


que envolvem o faz-de-conta, colocando em ação pensamentos, valores e crenças
dos sujeitos e de seu núcleo familiar. Por esse fato, coloca à disposição do educador
questões que envolvem contextos e relações sociais, impelindo-o a agir através do
faz-de-conta, na ampliação do repertório das crianças. Possibilitando a reconstrução
e construção de paradigmas sociais.

Piaget (1976), em seus estudos sobre o desenvolvimento e a aprendizagem, destacou


a importância do caráter constitutivo do jogo. Segundo o autor, a criança é tomada,
nos seus primeiros meses de vida, por um impulso para o lúdico, e isso se manifesta
através da realização de exercícios sensório-motores; já no período entre o segundo e

7
o sexto ano de vida, esse mesmo impulso para a ludicidade assume um formato que
se manifesta por meio do jogo simbólico (PIAGET, 1976. p.76).

Saiba mais
Piaget, em sua obra, não diferencia as ações de brincar e jogar,
para ele as palavras são usadas como sinônimas. Para saber mais,
clique aqui e leia a matéria disponível da revista Nova Escola.

Existem quatro “formas básicas de atividades lúdicas” (PIAGET, 1976), sendo elas:
jogo de exercício que estimula atividades do tipo sensório-motor; o jogo que atua no
campo do simbólico; o jogo que envolve regras; e jogo de construção. Veremos a
seguir um resumo de cada um deles.

Jogo de exercício sensório-motor (0 a 2 anos)

Consiste na exploração e repetição de movimentos motores simples. Na ação


a criança explora e movimenta o próprio corpo, a fim de encontrar um ritmo,
cadência ou, até mesmo, um desembaraço, descobrindo as ações e os efeitos
de seus próprios gestos.

Jogo simbólico (2 a 6 anos)

Manifesta-se sobre a forma de ficção, imaginação e imitação. É quando a


criança assume papéis dentro do brincar e modifica os significados dos objetos,
por exemplo, uma toalha utilizada como uma espécie de capa de super-herói.
Esse tipo de jogo tem função de assimilação da realidade, liquidando conflitos
e sanado necessidades infantis que não foram atingidas.

Jogo de regras (7 aos 12 anos)

São jogos de combinações “sensório-motoras (corridas, jogos com bola)


ou intelectuais (cartas, xadrez), em que há competição de indivíduos [...]
regulamentada por um código transmitido de geração em geração” (PIAGET,
1976, p. 81). Na ação, desenvolve-se a construção de limite e os sentimentos
relacionado à frustração.

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Jogo de construção (a partir dos 12 anos)

Refletem os aspectos da vida social relacionados ao trabalho, que servirão


como base para a criança lidar, no futuro, com o mundo adulto.

Para Wallon (1978), o jogo é voluntário, uma vez que a atividade infantil é considerada
lúdica por natureza.

Jogo de construção

Fonte: Freepik (2023).


#pratodosverem: jogo de construção. Duas crianças, uma de frente para a
outra, jogando xadrez.

Nesse contexto, se o jogo é imposto, deixa de ser jogo. Isso ocorre porque, o jogo em
si não deve ter uma finalidade, ou um propósito de realização (WALLON, 1978, p. 77).
Ele pode ser compreendido como a arte que, a partir do momento em que se torna
utilitária, deixa de ser arte. Assim, muito do desafio do jogo está em sua capacidade
inventiva, desafiadora e, principalmente, seu princípio de liberdade.

Classificações do jogo

Movimentos simples de exploração do corpo, denominando-se “lei do


Funcionais efeito”, já que à criança ao descobrir os efeitos de seus atos, procura repeti-
los, buscando o prazer.

9
Ficção Faz-de-conta, situação imaginária.

Compreensão através da imitação de canções, de gestos, de sons. Aqui, o


Aquisição lúdico está em todas as possibilidades do corpo da criança.

Fabricação Atividades sensoriais, como: montar, combinar, juntar e criar objetos.

Fonte: adaptado de Wallon (1978).

Por isso, as relações e interações findadas no âmbito escolar têm influência na imagem
que a criança cria de si e do mundo. É importante que os sujeitos sejam vistos em sua
integralidade. Ter como foco só o desenvolvimento cognitivo, não é a solução!

A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu artigo 29, destaca que a
criança, no período da primeira etapa da EB (educação básica – educação infantil),
deve receber uma educação que possibilite que ela se desenvolva integralmente até
a idade de 5 anos; e essa educação deve privilegiar não apenas o aspecto intelectual,
mas também o psicológico, físico e social (BRASIL, 1996).

Uma educação que integra diferentes fases de desenvolvimento é direito assegurado


por lei. Nesse sentido, os docentes devem ter como princípio que as crianças aprendem
por meio da sua interação com o meio através da expressão de possibilidades do uso
da linguagem – seja a corporal, a oral e/ou a escrita. Contudo, para isso é necessário
que haja um tempo e espaço adequados, a brinquedoteca é um espaço que (como
veremos no próximo tópico) auxilia no processo de desenvolvimento integral dos
sujeitos.

Os espaços destinados à brincadeira, aos brinquedos e aos jogos devem ser adequados,
possibilitando às crianças expressão e liberdade. A exploração sensorial e topográfica
dos espaços externos também é profícua em objetos e elementos que possibilitam as
várias formas do brincar.

O momento de brincadeira livre faz parte da infância e deve ser pensado dentro do
contexto escolar, a flexibilidade e sensibilidade são imprescindíveis no fazer docente.
Encerrar o momento lúdico no momento em que a criança está desenvolvendo
plenamente seu processo produtivo não propicia desenvolvimento, minando, desse
modo, as possibilidades de desenvolvimento integral.

10
Brinquedoteca: Uma Possibilidade
A criança em idade escolar tem direito à interação, ao movimento e à exploração
por meio da imaginação. Neste sentido, o lúdico dentro do processo educativo, para
Kishimoto (2008), justifica-se pois:

• possui componentes do cotidiano;


• é um recurso pedagógico; e
• desperta o envolvimento das crianças, tornando-os sujeitos ativos no processo.

A brinquedoteca aliada ao lúdico é promotora de saúde física, intelectual e emocional,


tendo em vista que é um espaço que estimula o brincar, contendo incontáveis tipos e
formas de brinquedos.

Segundo Friedman (1996), a brinquedoteca tem como principais objetivos:

Valorizar

Os brinquedos e as atividades lúdicas e criativas.

Possibilitar

Criar situações de acesso a brinquedos diferentes, muitos deles incomuns para


o contexto socio formativo da criança.

Emprestar

Criar momentos de interseção, de modo a promover diferentes forma de


sociabilização da criança.

Dar orientação

Abordar as diferentes formas de se utilizar os brinquedos.

Dar condições

Para promover a ludicidade criativa do uso livre dos brinquedos, sem imposições.

Construir

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Espaços para a convivência e que promovam a oportunidade de interação,
independente do contexto sociocultural de origem da criança.

O espaço foi criado para atender às necessidades das crianças que não tinham acesso
ao brincar em outros contextos, por isso, não existem brinquedotecas somente nos
espaços escolares, mas também em hospitais, bibliotecas, parques, universidades,
centros culturais, entre outros.

Brinquedoteca

Fonte: Freepik (2023).


#pratodosverem: fotografia de brinquedoteca com móveis adequado para a
estatura de crianças.

Portanto, é espaço de interação entre famílias, profissionais e crianças, sendo elemento


constitutivo do trabalho pedagógico, uma vez que os docentes ao observarem as
crianças se desenvolvem e objetivam seu fazer, propiciando a tão sonhada práxis.

A montagem e organização da brinquedoteca deve seguir algumas regras e alguns


preceitos específicos (FRIEDMAN, 1996). O lugar deve ser amplo, arejado e iluminado,
já que será organizado por temáticas: artes, música, casinha, mercado, consultório,
escritório etc. Seguindo a lógica, os materiais e brinquedos devem ser eleitos de
acordo com o tema proposto – o espaço do mercado, por exemplo, poderá possuir
produtos e alimentos dispostos em prateleiras.

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Vale ressaltar que os profissionais que forem atuar dentro de uma brinquedoteca,
não devem intervir diretamente nas brincadeiras das crianças, pois não há um intuito
pedagógico específico, estruturado para o brincar nesse espaço. O papel do educador
gira em torno da organização dos objetos, mediando, sem muita interferência, as
ações das crianças quando isso se fizer necessário.

A espontaneidade do ato deve sempre estar presente, uma vez que é necessário que
o sujeito escolha: como, quando, onde, com quem, o que, porque e quanto tempo irá
brincar.

Quando as brincadeiras são espontâneas, elas trazem diversos conteúdos


significativos em relação à característica do grupo, de maneira que o educador poderá
planejar suas próximas ações com base no que foi apresentado pelas crianças nos
momentos “livres”. A escolha assertiva de jogos dirigidos atende às necessidades de
desenvolvimento emocional, cognitivo, social e motor.

Saiba mais
Para saber mais sobre esse tema e explorar o potencial da
brinquedoteca, clique aqui e assista ao vídeo “você sabe o que é
brinquedoteca?”

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Conclusão
Esta obra teve como intuito desenvolver e ampliar o conceito do que vem a ser o
lúdico como instrumento pedagógico direcionado às áreas do desenvolvimento e da
aprendizagem infantil.

Pensar a ludicidade como ferramenta pedagógica requer estudo e criticidade acerca


dos temas trabalhados nas disciplinas acadêmicas, já que, se atreladas, possibilitam
a articulação entre teoria e prática, práxis. Portanto, cabe ao educador conhecer as
possibilidades de utilização dos recursos pedagógicos, bem como articulá-los em
consonância com aspectos metodológicos intrínsecos ao seu trabalho.

A utilização da brincadeira em sua forma espontânea serve como ponto de partida


para alicerçar o trabalho lúdico do docente no processo de ensino-aprendizagem.
As observações têm caráter diagnóstico e possibilitam entender as preferências,
dificuldades e potencialidades do grupo.

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Referências
ABERASTURY, A. A criança e seus jogos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

ALMEIDA, P. N de. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola,
1998.

BRASIL. Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases


da Educação Nacional. Brasília: MEC, 1996. BRASIL.

BROUGÈRE, G. Brinquedo e Cultura. São Paulo: Cortez, 1997.

FERREIRA, M. A ação psicopedagógica na sala de aula: uma questão de inclusão. São


Paulo, Paulus, 2001.

FRIEDMANN, A. Brincar: crescer e aprender – o resgate do jogo infantil. São Paulo:


Moderna, 1996.

KISHIMOTO, M. Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. São Paulo: Cortez, 2008.

WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 1968.

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