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Índice:
Atenção.........................................................................................................................................................2
O porquê do roteiro .....................................................................................................................................3
Material necessário......................................................................................................................................3
Descrição geral da geologia da Bacia Algarvia.........................................................................................4
Localização geográfica do local da saída de campo ................................................................................7
Descrição geológica do local......................................................................................................................8
Breve descrição há cerca das pistas de Zoophycos: .............................................................................10
Mapa de Localização das Paragens a efectuar .......................................................................................11
Descrição das paragens............................................................................................................................12
Paragem I: A Oeste da entrada da praia ..............................................................................................12
Paragem II: Região centro-ocidental da praia (cerca de 150m do restaurante) ...............................14
Paragem III: Junto à rocha existente no centro da praia....................................................................19
Paragem IV: Zona de “slumping” e filões eruptivos ..........................................................................26
Património Geológico/Paleontológico .....................................................................................................31
Actividade Antrópica .................................................................................................................................32
Notas...........................................................................................................................................................33
Referências Bibliográficas ........................................................................................................................35
Glossário ....................................................................................................................................................37
Atenção
As paragens propostas neste guião localizam-se na praia e junto às falésias logo todo este percurso
deve ser feito com o máximo cuidado e atenção para evitar quedas ou acidentes de maior gravidade. Em
determinadas alturas do ano a praia da Mareta não apresenta areia e o piso fica irregular pelo que se deve
ter atenção redobrada.
Aconselha-se a consulta prévia da tabela de marés no site do Instituto Hidrográfico Português
(www.hidrografico.pt) uma vez que esta saída deverá ser realizada durante a maré-baixa, para que se
possa ter acesso a todas as paragens indicadas no guia.
O porquê do roteiro
Este roteiro foi elaborado no âmbito da realização da dissertação de mestrado em Biologia e Geologia
Especialização em Educação da Universidade do Algarve – Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente.
A escolha desta praia deve-se não só ao facto de ser de fácil acesso, mas também devido à presença
de estruturas geológicos e paleontológicos de grande interesse situadas em locais facilmente acessíveis à
população. Deste modo, toda a população interessada poderá visitar e compreender as estruturas
presentes neste local.
Material necessário
- Roteiro de apoio;
- Material de escrita (lápis, borracha);
- Vestuário e calçado adequados, em função da época do ano em que se realize a visita;
- Fita métrica;
- Máquina fotográfica.
No caso de querer efectuar um registo fotográfico, não se esqueça de utilizar uma escala.
A geologia de Portugal aparece, de uma forma muito simplificada, representada na carta geológica de
Portugal continental (figura 1).
Esta carta apresenta a variabilidade geológica de que o nosso País é composto. As diferentes cores
representadas na carta geológica da figura 1 significam as diferentes idades das rochas. Assim pode
dividir-se o continente português nas seguintes unidades geológicas (figura 2):
- Zona Centro Ibérica;
- Orla Ocidental;
- Zona de Ossa Morena,
- Zona Sul Portuguesa;
- Orla Algarvia
Figura 3: Mapa geológico simplificado da bacia Algarvia. Adaptado de Ribeiro e Terrinha (2006).
bacias distintas sobrepostas (Lopes et al., 2000). Este registo estratigráfico apresenta importantes lacunas
o que é interpretado como tendo sido causado pela variação eustática do nível do mar ou fenómenos de
rifting ou ainda subsidência da margem Sul da bacia (Terrinha et al, 2002).
Esta bacia contemporânea da Bacia Lusitânica (Orla Ocidental) ter-se-á formado durante a abertura
do oceano de Tethys e Atlântico, sofrendo uma inversão, fenómeno este induzido pela colisão das placas
Africana e Euro-asiática no Cretácico superior (Terrinha, 1998).
A praia da Mareta localiza-se na baía de Sagres, entre o promontório de Sagres e a Ponta da Atalaia,
concelho de Vila do Bispo, distrito de Faro.
in http://snig.igeo.pt/
A praia da Mareta deve a sua importância a um conjunto de formações geológicas que resultaram de
uma sedimentação carbonatada em plataforma com transgressões e regressões.
Aluvião
Figura 5: Mapa geológico da região de Sagres – Praia da Mareta. (Adaptado de Manuppella, 1992)
Na praia da Mareta encontram-se expostas duas séries de rochas diferentes: a série sedimentar
quase completa do Jurássico médio e parte da série sedimentar do Jurássico superior.
Estas duas séries encontram-se separadas por uma discordância erosiva.
As pistas de Zoophycos apresentam uma grande distribuição estratigráfica, sendo muito frequentes,
nas sequências calciturbiditicas do Toarciano ao Caloviano das bacias Lusitânica e Algarvia (Carvalho e
Rodrigues, 2003).
Os Zoophycos encontram-se na unidade “ Margas e Cálcarios detríticos com Zoophycos da praia da
Mareta”, numa sequência, com 25 metros de espessura, de idade Bajociano superior- Batoniano inferior
(Rocha, 1976).
As pistas de Zoophycos representam túneis escavados por seres vivos que habitavam o fundo do
oceano e que se alimentavam de sedimentos. Os túneis eram escavados à medida que o animal ingeria os
sedimentos, mais tarde o animal voltava ao centro e recomeçava um novo túnel sendo assim possível
obter a forma característica das pistas de Zoophycos.
Eixo de enrolamento
Lâminas
Lamelas
Figura 6: Modelo de construção dos Zoophycos da praia da Mareta. As setas indicam os vectores de
crescimento e a rotação refere-se ao sentido de enrolamento (Carvalho e Rodrigues, 2003).
2 IV
V
III
II
Figura 7: Mapa representativo da localização das paragens a efectuar durante a saída de campo.
in http://geo.algarvedigital.pt/Default.aspx 1-Estacionamento; 2- Entrada para a praia
Acesso pedonal à praia
I, II, III, IV e V correspondem à localização das paragens a efectuar neste local
Esta paragem pode englobar toda a zona final da praia da Mareta uma vez que, aqui se encontram
várias estruturas geológicas importantes para a compreensão da geologia desta praia bem como da
geologia da Bacia Algarvia.
Nesta zona é já visível a inclinação de algumas camadas rochosas, no entanto devido à erosão das
camadas superiores e à queda de alguns sedimentos, nem sempre se pode acompanhar a sequência das
camadas. Para além disso a presença de alguma vegetação também impede uma melhor observação.
Nesta zona da praia da Mareta é possível observar a existência de dunas fósseis o que se pode
observar na figura anterior (figura 8) e observar com mais pormenor na figura 9. Estas dunas de idade
quaternária (provavelmente Oleistocénico terminal) (Terrinha e Santos, 2001), representam uma altura em
que o mar estaria mais recuado. É ainda possível observar o contacto da duna com a rocha que lhe serviu
de suporte.
Figura 9: Aspecto dunas fósseis. Estas emergem do mar até culminarem na plataforma de abrasão quaternária.
Esta fotografia foi captada da Fortaleza de Sagres
Nestas bancadas que apresentam bioturbação são também visíveis as pistas de Zoophycos, sendo
algumas destas particularmente ricas na quantidade destas pistas (figura13).
Figura 13: Aspecto de uma bancada onde são visíveis várias pistas de Zoophycos na praia da Mareta.
Nesta paragem é ainda possível observar a existência de fósseis de amonites (figura 14) e inúmeras
falhas (figura 15).
Actividade:
Lembre-se que as arribas são instáveis e que podem desprender-se pedaços das mesmas a qualquer momento
deve, por isso, ter muito cuidado!
Figura 15: Falhas que provocam o deslocamento das camadas na praia da Mareta
Actividade
Nesta paragem pode observar-se a existência de uma rocha no centro da praia que corresponde a um
antigo recife de coral fossilizado (figura 16).
A observação deste recife por vezes é dificultada pela presença de areia, na praia, uma vez que as
correntes oceânicas podem proceder à deposição de sedimentos na praia ou retirar uma grande parte dos
mesmos. Assim por vezes só se observa o topo do recife de coral e outras vezes o recife apresenta uma
altura visível de cerca de 2 metros.
Segundo a notícia explicativa da folha 51-B da Vila do Bispo, esta praia apresenta o único corte
geológico do conjunto das formações Bajocianas-Calovianas de fácies transrecifal.
O corpo recifal é formado por numerosos polipeiros, ramificados ou maciços, em posição de vida
(Rocha, 1979) (figura 17 e 18).
Figura 18: Secções de corais em pormenor. Figura 19: Aspecto do recife de coral carsificado
Este recife encontra-se in situ, ou seja, está na posição de vida dos corais e quando se formou, o
clima era quente e as águas pouco profundas. Esta formação recifal foi erodida o que é indicador de uma
descida do nível do mar e exposição sub-aérea responsável pela sua erosão, figura 19.
A idade do recife é seguramente anterior ao Bajociano superior, idade dos calcarenitos com
Zoophycos que os recobrem (figura 20), admitindo-se que possa ser do Toarciano e a carsificação
contemporânea do Aaleniano, período durante o qual se verificou emersão generalizada da área
deposicional (Rocha e Marques, 1979).
As rochas que cobrem o recife apresentam estratificação (Oliveira e Manuppella, 2000) (figura 21).
Figura 21: Aspecto da estratificação da camada superior que cobre o recife de coral fossilizado na praia da
Mareta.
Actividade:
Aqui nesta paragem é visível a ocupação antrópica que apesar de não ser demasiado intensa, nesta
praia, pode ser por vezes inconsequente, tal como se pode verificar na seguinte figura que ilustra uma
construção, junto à areia, em cima de uma falha (figura 22).
A falha da figura 22, visível em pormenor na figura 23, apresenta um grande deslocamento das
camadas.
a'
b
a
f
Figura 23: Falha existente na praia da Mareta. Falha (f). a e a’ representam o topo da mesma camada que foi
deslocada pela falha, b- local onde deverá ser medido o rejeito da falha
O rejeito de uma falha obtêm-se medindo a distância entre o topo de uma mesma camada (a e a’) de
sedimentos deslocada pela falha. Esta medição não deve ser feita ao longo da falha, deve ser feita na
vertical tal como exemplificado na figura 23.
Actividade:
Desde o local da paragem anterior, e em direcção à ponta da Atalaia (Zona Este), pode observar-se uma
sucessão constituída por argilas e margas cinzento amareladas, com intercalações de bancadas de
sedimentos carbonatados (figura 24).
Na parte mais alta da sucessão anterior, pode observar-se, na base da arriba, um pequeno filão de
rocha básica (figura 25). Estes filões instalaram-se entre as camadas que aqui se observam quando
materiais provenientes do interior da Terra ascenderam à superfície.
Actividade:
9. Tente encontrar, nesta zona da praia, mais estruturas semelhantes à representada na figura 25.
Neste local observam-se alternâncias de calcários claros e níveis margosos acinzentados (figura 26).
As bancadas de carbonatos vão-se tornando sucessivamente mais espessas para a parte superior da
sucessão.
Y
X
Figura 26: Alternância entre os níveis margosos acinzentados (X) e os calcários claros (Y) na praia da
Mareta
Na arriba estão expostos vários horizontes evidenciando materiais deslocados, exibindo dobras e
falhas sin-sedimentares isto é que afectaram os sedimentos quando estes ainda se estavam a depositar
(figura 27).
Na Ponta da Atalaia observa-se, de longe, um nível irregular separando bancadas claras de calcários,
de bancadas mais acastanhadas. Este contacto corresponde à discordância Caloviano-Oxfordiano.
Y
X
Figura 28: Discordância Caloviano (X)-Oxfordiano (Y) na zona Este da praia da Mareta
Património Geológico/Paleontológico
A praia da Mareta, devido à sua importância geológica e paleontológica já foi designada um geossítio,
estando por isso inventariada no site do INETI (Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação).
Devido à presença das seguintes estruturas:
1 – Recife de coral fossilizado.
2 - Numerosos níveis com Zoophycos, bem conservados.
4 - Nível com belas dobras sin-sedimentares ("slumps").
5- Discordância Caloviano-Oxfordiano
Tendo sido considerada de importância regional, mas muito vulnerável.
Actividade Antrópica
A ocupação humana das zonas de risco, designadamente de risco muito elevado, está, infelizmente,
vulgarizada, não existindo, na maior parte dos casos, estruturas que permitam actuar com eficácia caso
esses riscos se concretizem (Dias, 2003).
Na análise desta problemática deve ter-se sempre presente que a erosão costeira só constitui um
verdadeiro problema quando existe ocupação da faixa costeira (Dias 1993).
Efectivamente, quando um troço costeiro não está ocupado intensamente, o recuo da linha de costa
induzido pela natural erosão costeira não afecta significativamente núcleos urbanos que eventualmente
existam na região
A praia da Mareta apresenta, tal como se pode observar na figura 29 apresenta três construções na
areia, que servem de apoio aos utentes desta da praia. Como está localizada numa área pertencente ao
Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina a edificação de construções está limitada.
Notas
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Referências Bibliográficas
CARVALHO, C. N., RODRIGUES, N. P. C. (2003) – Los zoophycos del Bajociense – Bathoniense de la Praia da
Mareta (Algarve Portugal): Arquitectura y finalidades em régimen de dominância ecológica. XVIII Jornadas
de Paleontologia y II Congreso Ibérico de Paleontologia Universidade de Salamanca. 24-29 13 pp
DIAS, J. A. (2003) – Portugal e o Mar. Importância da Oceanografia para Portugal. Apresentação proferida, na
Abertura da 1ª Semana de Ciências do Mar e do Ambiente.
DIAS, J. A. (1993) – Estudo de Avaliação da Situação Ambiental e Propostas de Medidas de Salvaguarda para a
Faixa Costeira Portuguesa (Parte de Geologia Costeira). Liga para a Protecção da Natureza /Ministério do
Ambiente, relatório não publicado, 137 p., Lisboa.
LOPES, C., MIRANDA, J. M., ROCHA, R.B. e KULLBERG, J. C. (2000) – Análise de Subsidência da Bacia do
Algarve – Resultados preliminares do estudo da sondagem Ruivo-1. Assembleia Luso Espanhola de
Geodesia e Geofísica. pp. 651-652.
MANUPELLA, G., MARQUES, B e ROCHA, R.B. (1988) – Évolucion Tectono-Sédimentaire du Basin de L’Algarve
Pendant le Jurassique. 2nd International Symposium on Jurassic Stratigraphy. Lisboa, pp.1031-1046.
MANUPELLA, G. (1992) – Carta Geológica da Região do Algarve, Escala 1:100 000 e Notícia Explicativa. Serviços
Geológicos de Portugal, Lisboa.
Glossário
EROSÃO Remoção dos materiais da crusta terrestre por acção dos agentes da geodinâmica externa.
Ocorrência de um ou mais elementos da geodiversidade (aflorantes quer em resultado da acção
GEOSSÍTIO de processos naturais quer devido à intervenção humana), bem delimitado geograficamente e que
apresente valor singular do ponto de vista científico, pedagógico, cultural, turístico, ou outro.
Os filões são corpos magmáticos, de forma tabular, resultantes do preenchimento de fracturas
existentes nas rochas. A sua direcção e dimensões são variáveis, podendo apresentar
FILÃO espessuras que variam entre poucos milímetros (filonetes) a alguns metros ou mesmo
quilómetros e extensões desde alguns metros até quilómetros. A sua espessura nem sempre é
constante e por vezes ramificam-se.
Vestígios ou marcas deixadas pela actividade dos seres vivos passados. Do grego ichnós, traço,
marca. São icnofósseis as pegadas e outras pistas próprias da locomoção de animais
ICNOFÓSSEIS (vertebrados e invertebrados), os ovos fósseis, os coprólitos (excrementos fossilizados) e os
gastrólitos (pedras, no geral, boleadas, que o animal ingeria para ajudar para ajudar a trituração
dos alimentação, à semelhança do que se passa com a moela das aves).
O termo litologia refere-se ao tipo de rocha. Consiste na descrição de rochas em afloramento ou
LITOLOGIA
amostra de mão.
PATRIMÓNIO Conjunto de geossítios inventariados e caracterizados numa dada região.
GEOLÓGICO