RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO
1 INTRODUÇÃO
O presente relatório refere-se às atividades realizadas pelo estudante
Vinícius Prado de Oliveira, para a conclusão do curso em Medicina Veterinária
pela Universidade Estadual do Norte do Paraná – Campus Luiz Meneghel, sob
orientação da Professora Doutora Francielle Gibson da Silva Zacarias. O
estágio curricular supervisionado obrigatório foi realizado na área de Patologia
Veterinária durante o período de 14 de julho a 30 de setembro de 2014 em dois
locais distintos, totalizando 496 horas.
No período de 14 de julho a 29 de agosto de 2014, o estágio curricular
foi realizado no laboratório de Patologia Veterinária situado no Hospital
Veterinário da Universidade Federal do Paraná – UFPR, que se localiza na Rua
dos Funcionários, Juvevê – 1540, CEP 80035-050, Curitiba – PR, sob
orientação do Professor Mestre Renato Silva de Sousa, totalizando 280 horas.
O segundo estágio foi realizado no período de 1 de setembro a 3 de
outubro de 2014 no departamento de Patologia Veterinária, sob orientação do
Professor Dr. Alessandre Hataka, totalizando 216 horas. O hospital veterinário
está localizado no Distrito de Rubião Junior s/n em Botucatu, no estado de São
Paulo.
2 DESCRIÇÃO DOS LOCAIS DE ESTÁGIO E ATIVIDADES REALIZADAS
2.1 LABORATÓRIO DE PATOLOGIA VETERINÁRIA UFPR
O laboratório de Patologia Veterinária faz parte do complexo do Hospital
Veterinário da UFPR (figura 1), o horário de funcionamento do hospital é de
segunda-feira a sexta-feira durante todo o dia.
Figura 1 – Entrada do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná.
Fonte: Oliveira (2014).
O setor de Patologia veterinária conta com um laboratório para
processamento dos materiais para posterior análise microscópica e um
laboratório para realização das necropsias localizada no setor de grandes
animais, o horário de funcionamento é de segunda à sexta-feira das 7:30 às
19:30 horas, diferente dos outros setores, plantões aos finais de semana não
são realizados somente no setor de Patologia.
No laboratório há com dois professores, dois residentes (um R1 e um
R2), um técnico de laboratório e dois auxiliares de laboratório que ajudam nas
necropsias de grandes animais e mantém a organização do laboratório e dos
blocos de parafina.
Os serviços realizados pelo setor englobam as citopatologias,
histopatologias e as necropsias de animais de companhia, de produção e
silvestres.
Para a realização da leitura microscópica há uma sala localizada no
laboratório, contendo uma mesa, uma bancada com um microscópio para cada
um, sendo um dos microscópios de duas cabeças, um computador para cada
residente e um para o professor. Para processamento dos materiais o
laboratório possui duas estufas, uma balança analítica, uma balança de
precisão, um micrótomo, uma histotécnica, um micro-ondas, um destilador, um
barrete para armazenagem do formol, vidrarias e um armário para guardar os
diferentes tipos de químicos para realização de diferentes colorações.
Não há divisão das funções entre os residentes, ambos realizam as
atividades que são direcionadas ao setor, eles dividem os exames citológicos e
histopatológicos de forma que cada um fique com a metade dos casos. Nas
necropsias enquanto um realiza a técnica o outro tira as fotos e ajuda na
análise in situ dos órgãos, eles também auxiliam o técnico de laboratório com a
inclusão dos materiais e montagem das lâminas. Os residentes tem autonomia
para liberar laudos dos exames citológicos, exceto quando há suspeita de
linfoma, nesse caso o professor avalia a lâmina junto com eles, porém sempre
solicitam a confirmação do professor quando estão em dúvida. Nos exames
histopatológicos o professor sempre confere o laudo antes de liberar. Os
estagiários seguem a rotina junto com os residentes, inclusive na leitura das
lâminas e descrição microscópica com posterior correção do residente ou
professor, ajudam na clivagem do material e na realização das necropsias.
Os exames são realizados conforme a ordem de chegada, todos os
exames devem apresentar uma requisição devidamente preenchida que
contenha a espécie animal, sexo, raça, suspeita clínica e principalmente o tipo
de exame solicitado e o histórico clínico.
Nas tabelas 1, 2 e 3 estão representadas as espécies atendidas, e sua
freqüência, bem como o sexo dos animais atendidos e frequência dos serviços
acompanhados oferecidos.
Tabela 1 - Frequência das espécies atendidas e necropsias realizadas durante
o Estágio Curricular realizado na Universidade Federal do Paraná
(UFPR/Curitiba) de 14 de julho a 29 de agosto de 2014.
Espécie Número %
Canina 112 77,77
Felina 18 12,5
Equina 6 4,16
Ruminantes 1 0,69
Silvestres 7 4,86
Total 144 100
Tabela 2 - Frequência do sexo dos animais atendidos e necropsias realizadas
durante o Estágio Curricular realizado na Universidade Federal do
Paraná (UFPR/Curitiba) de 14 de julho a 29 de agosto de 2014.
Sexo Número %
Fêmea 99 68,75
Macho 45 31,25
Total 144 100
Tabela 3 - Frequência dos serviços acompanhados oferecidos no setor de
Patologia Veterinária durante o Estágio Curricular realizado na
Universidade Federal do Paraná (UFPR/Curitiba) de 14 de julho a
29 de agosto de 2014.
Serviços Número %
Citopatologia 86 59,72
Histopatologia 29 20,13
Necropsia 29 20,13
Total 144 100
2.1.1 DESCRIÇÃO DA ROTINA DE CITOLOGIA
A técnica citológica é normalmente feita pelos residentes dos setores de
clinica médica, cirúrgica e oncologia, ocasionalmente os residentes da
Patologia Veterinária são solicitados para a coleta. O método citologia
aspirativa por agulha fina (CAAF) é rotineiramente feito, utilizando agulha 30 x
0.7mm e seringa de 10 ml. Não há quantidade mínima estipulada de lâminas
por lesão, após a coleta espalha-se o material sobre as lâminas e
posteriormente após a sobreposição do material por outra lâmina, faz se uma
leve pressão, deslizando-a (squash), as lâminas são devidamente identificadas
e destinadas ao Laboratório de Patologia Veterinária. A coloração utilizada na
rotina é Wright. A avaliação das lâminas é feita no mesmo dia pelos residentes
e estagiários, o laudo é liberado no dia seguinte à avaliação das lâminas.
Os diagnósticos citológicos não neoplásicos e neoplásicos
acompanhados durante o estágio estão representados nas tabelas 4 e 5
respectivamente. Cisto folicular (figura 2) foi o diagnóstico não neoplásico que
apresentou maior incidência, sendo 18,64% dos casos. Em relação aos
diagnósticos neoplásicos o lipoma (figura 3) teve maior incidência
representando 30,76% dos casos, seguido pela neoplasia epitelial benigna
(figura 4) com 23,07%. Com a incidência de 10,25% e 7,69% está o tumor
venéreo transmissível (figura 5) e o mastocitoma (figura 6) respectivamente.
Casos com diagnóstico de neoplasia mesenquimal benigna e o linfoma (figura
7) apresentaram o mesmo número representando 5,12% dos diagnósticos
neoplásicos.
Tabela 4 - Frequência dos diagnósticos citológicos caninos, felinos e silvestres
não neoplásicos atendidos durante o Estágio Curricular realizado na
Universidade Federal do Paraná (UFPR/Curitiba).
Cães Gatos Silvestres
Não neoplásico Número Número Número %
Cisto folicular 10 - 1 18,64
Hiperplasia linfóide 1 1 - 3,38
Inflamação histiocitária - 1 - 1,69
Inflamação linfoplasmocitária - 1 - 1,69
Inflamação neutrofílica 7 1 - 13,55
Inflamação neutrofílica e 1 1 1 5,08
histiocitária
Inflamação neutrofílica e 1 1 - 3,38
linfocítica
Inflamação piogranulomatosa e 1 - - 1,69
eosinofílica
Linfonodo reativo 2 - - 3,38
Não foi possível determinar um 24 4 - 47,45
diagnóstico
Total 47 10 2 100
Tabela 5 - Frequência dos diagnósticos citológicos caninos e felinos
neoplásicos atendidos durante o Estágio Curricular realizado na
Universidade Federal do Paraná (UFPR/Curitiba).
Cães Gatos
Neoplásico Número Número %
Linfoma 1 1 5,12
Lipoma 12 - 30,76
Mastocitoma 3 - 7,69
Neoplasia de células redondas 1 - 2,56
Neoplasia epitelial benigna 7 2 23,07
Neoplasia epitelial maligna 5 1 15,38
Neoplasia mesenquimal benigna 2 - 5,12
Tumor venéreo transmissível 4 - 10,25
Total 35 4 100
Figura 2 – Citologia Hamster, fêmea, 1,5 anos. Cisto folicular em objetiva de
10x. Observa-se células de descamação anucleadas (seta verde),
fragmentos de queratina (seta fina) e moderada quantidade de
cristais de colesterol (setas pretas grossas).
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 3 – Citologia, cão Labrador, fêmea, 10 anos. Lipoma em objetiva de
10x. Há moderada quantidade de células poligonais agrupadas
apresentando moderada anisocitose e anisocariose. O citoplasma
é amplo, vazio e pouco delimitado; o núcleo é excêntrico e
hipercromático. O fundo é composto por material amorfo róseo.
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 4 – Citologia cão, Golden retriever, fêmea, 11 anos. Neoplasia epitelial
benigna em objetiva de 40x. Observa-se acentuada quantidade de
células poligonais a arredondadas, apresentando leve anisocitose e
anisocariose (seta preta). O citoplasma destas células é azul claro,
pouco delimitado e o núcleo é arredondado a oval com 1 nucléolo
evidente. O fundo é composto por grande quantidade de hemácias.
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 5 – Citologia cão, Dachshund, fêmea. Tumor Venéreo Transmissível em
objetiva de 40x. Há moderada quantidade de células arredondadas
apresentando moderada anisocitose e anisocariose. O citoplasma
é bem delimitado e apresenta moderada quantidade de
vacuolização perinuclear (seta verde); o núcleo é arredondado a
oval. Raras figuras de mitose podem ser observadas (seta preta).
Há ainda moderada quantidade de neutrófilos e pequena
quantidade de linfócitos. O fundo da amostra é composto por
grande quantidade de hemácias.
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 6 – Citologia cão, Pit bull, fêmea, 5 anos. Mastocitoma em objetiva de
40x. Observa-se moderada quantidade de células redondas
isoladas apresentando moderada anisocitose e anisocariose (setas
pretas). O citoplasma contém grande quantidade de grânulos
metacromáticos. O núcleo é arredondado a oval com nucléolos
indistintos. Fundo é composto por substância amorfa rósea
contendo moderada quantidade de granulação enegrecida dispersa
sobre a lâmina (setas de duas pontas).
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 7 – Citologia cão, sem raça definida, macho, 9 anos. Linfoma em
objetiva de 40x. Há acentuada quantidade de células
arredondadas apresentado acentuada anisocitose e anisocariose.
O citoplasma é azul, bem limitado, o núcleo é arredondado a oval,
central. Observa-se figuras de mitose (seta preta). O fundo é
composto por pouca quantidade de hemácias.
Fonte: Oliveira (2014).
2.1.2 DESCRIÇÃO DA ROTINA DE HISTOPATOLOGIA
O laboratório recebe com maior frequência para exame histopalógico
peças enviadas pelos residentes da clínica cirúrgica do Hospital da UFPR e
em menor freqüência material externo proveniente de clínicas da cidade. A
peça enviada para o exame deve estar identificada e contida em um recipiente
com formol a 10%, o qual permanece fixando por no mínimo 48 horas, após a
fixação é feita a macroscopia do material, este procedimento consiste em
descrição do material enviado e secção em pequenos fragmentos que são
postos em cassetes para posterior processamento histopatológico. Neste
processamento estando os cassetes prontos e identificados, estes são
novamente colocados em formol a 10% permanecendo mais 24 horas. A
próxima etapa é realizada por um equipamento mecanizado, o histotécnico que
fará a desidratação e o clareamento, terminada esta etapa é feito a inclusão do
material (impregnação do tecido com parafina), e posteriormente a confecção
dos cortes no micrótomo. A coloração utilizada de rotina é a hematoxilina-
eosina, também é feito colorações especiais quando necessário (PAS, azul da
Prússia, azul de toluidina, fite-faraco entre outras).
Todas as etapas do processamento do material para histopatológico é
feito pelos residentes e estagiários, entretanto os cortes no micrótomo somente
são feitos pelo técnico de laboratório.
A leitura das lâminas é feita pelos residentes juntamente com os
estagiários, posteriormente o professor faz a correção do laudo que fica pronto
em média após sete dias desde a chegada do material.
Os diagnósticos dos exames histopatológicos acompanhados durante o
estágio estão representados na tabela 6. Adenocarcinoma cístico a papilífero
foi o diagnóstico histológico com maior ocorrência com 10,86% dos casos,
seguido pelo adenocarcinoma papilífero com 8,69% e representando 6,52%
dos casos está o adenoma simples (figura 8), o carcinoma de células
escamosas e o mastocitoma (figura 9).
Tabela 6 - Frequência dos diagnósticos histopatológicos caninos felinos e
equinos atendidos durante o estágio curricular realizado na
Universidade Federal do Paraná (UFPR/Curitiba).
Cães Gatos Equinos
Histopatológico Número Número Número %
Adenocarcinoma cístico a 5 - - 10,86
papilífero
Adenocarcinoma complexo 1 - - 2,17
Adenocarcinoma 1 - - 2,17
metastático
Adenocarcinoma papilífero 4 - - 8,69
Adenocarcinoma simples 2 - - 4,34
Adenocarcinoma sólido 1 - - 2,17
Adenoma adanal 2 - - 4,34
Adenoma cístico 1 - - 2,17
Adenoma complexo 1 - - 2,17
Adenoma simples 3 - - 6,52
Ameloblastoma 1 - - 2,17
acantomatoso
Atrofia testicular 2 - - 4,34
Carcinoma de células 3 - - 6,52
escamosas
Cisto folicular 1 - - 2,17
Dermatite granulomatosa - 1 - 2,17
Gengivite hiperplásica 1 - - 2,17
linfoplasmocitária
Hiperplasia acinar 2 - - 4,34
Hiperplasia endometrial 1 - - 2,17
Hiperplasia irregular de 1 - - 2,17
mucosa oral
Leiomioma 1 - - 2,17
Linfonodo reativo 2 - - 4,34
Mastocitoma 3 - - 6,52
Necrose de coagulação em - - 1 2,17
pele
Peritonite supurativa e 1 - - 2,17
necrótica
Sarcóide equino - - 1 2,17
Sarcoma pouco 2 - - 4,34
diferenciado
Tumor de células de leydig 1 - - 2,17
Total 43 1 2 100
Figura 8 – Histopatologia cão, Pit Bull, fêmea, 5 anos. Adenoma simples
(glândula mamária) em objetiva de 40x. Há uma proliferação
neoplásica, não encapsulada. Observam-se ácinos
acentuadamente dilatados e preenchidos por material amorfo
róseo, constituídos por células poligonais a arredondadas
apresentando moderada anisocitose e anisocariose. O citoplasma
destas células é eosinofílico, pouco delimitado. O núcleo é
arredondado a oval e periférico.
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 9 – Histopatologia cão, sem raça definida, fêmea, 6 anos. Mastocitoma
em derme em objetiva de 40x. Em derme há uma proliferação
neoplásica não encapsulada organizada em cordões de células
arredondadas apresentando moderada anisocitose e anisocariose
(setas pretas). O citoplasma destas células é levemente basofílico
e repleto de grânulos basofílicos; o núcleo é arredondado a oval.
Em meio à proliferação neoplásica observa-se infiltração
eosinofílica difusa, acentuada (setas finas).
Fonte: Oliveira (2014).
2.1.3 DESCRIÇÃO DA ROTINA DE NECROSCOPIA
As necropsias são feitas pelos estagiários e residentes, e eventualmente
com ajuda do professor. A maior parte das solicitações de necropsia é de
dentro da universidade, sendo algumas vezes solicitado pelo zoológico
municipal de Curitiba ou médicos veterinários externos. O procedimento é
realizado no mesmo dia que os cadáveres chegam, permanecendo na câmara
fria até o momento da necropsia. O material para a realização da técnica
permanece em uma caixa e é composto por faca magarefe, faca de órgãos,
pinça dente de rato, pinça anatômica, costótomo, tesoura reta ou curva romba-
romba, tesoura reta ou curva romba-fina e machado para abertura do crânio.
Antes de iniciar a necropsia fotografa-se a requisição do exame e em seguida o
animal, dando enfoque em áreas externas que apresentam lesão. Cães, gatos
e animais silvestres de pequeno porte são posicionados em decúbito dorsal, no
caso de ruminantes, equinos e animais silvestres de grande porte em decúbito
lateral esquerdo. Após abertura do tórax e abdômen é feita a análise
macroscópica in situ e individual de cada conjunto e órgãos, os órgãos são
fotografados individualmente, e para posterior exame histopatológico é feito a
coleta de um fragmento de cada órgão, mantido em formol a 10%. O laudo da
necropsia sai em média em 30 dias, sendo composto pela avaliação
macroscópica, histopatológica e comentários.
A descrição dos exames necroscópicos acompanhados durante o
estágio consta no quadro 1.
Quadro 1 - Achados macroscópicos e avaliação histológica das necropsias
realizadas durante o estágio curricular na Universidade Federal do
Paraná (UFPR/Curitiba).
Espécie/Raça Processo principal Histopatologia
*Canário belga Fígado e rins congestos. -
*Cão/Golden Liquido em cavidade -
retriever abdominal. Espessamento de
válvula mitral com nódulos
aderidos. Fígado estava friável
e amarelado. Múltiplas úlceras
em mucosa gástrica.
*Cão/Lulu da Áreas brancas por toda a -
Pomerânia superfície do pulmão esquerdo
e lobos médio e caudal direito.
Múltiplas úlceras em corpo e
fundo de estômago.
*Cão/Pinscher Grande massa em mandíbula -
que se estendia até a fossa
pterigóide. Fígado em noz
moscada e nódulo subcapsular
em lobo medial esquerdo.
*Cão/Pinscher Mucosa oral com úlcera. -
Extensa área de sutura em
membro pélvico que se
estendia do fêmur a porção
média da tíbia (luxação de
patela).
*Cão/Pit bull Penectomia total devido -
neoplasia. Conteúdo branco e
espumoso em traqueia.
Líquido serosanguinolento no
pericárdio. Múltiplos focos de
erosão no estômago.
*Cão/Poodle Pulmão com áreas -
esbranquiçadas no lobo médio
direito. Fígado friável. Baço
tinha um nódulo pequeno que
se estendia da capsula ao
parênquima.
*Cão/Sem raça Massa não infiltrativa com -
definida aspecto de gordura em região
subcutânea de tórax. Pulmões
congestos com pontos
enegrecidos. Fígado com
discreto amarelamento.
*Cão/Yorkshire Animal com bexiga sondada. -
Líquido serosanguinolento em
abdômen. Lobos pulmonares
hipocrepitante. Múltiplas
úlceras em mucosa gástrica.
Fígado recoberto por
moderada quantidade de
fibrina.
*Chinchila Intensa área hiperêmica que -
se estendia do saco dorsal ao
saco ventral do rúmen.
*Equino/Crioulo Moderada quantidade de -
liquido serosanguinolento em
tórax. Torção de alças em
porção de jejuno, segmentos
seguintes a torção estavam
difusamente vermelhos, severa
congestão da veia cava.
*Equino/Mangalarga Petéquias e equimose na -
musculatura e subcutâneo,
sufusões em ventrículo
esquerdo. No estomago
erosões em porção aglandular
e úlceras em margus plicatus.
Petéquias em serosa intestinal.
*Equino/Sem raça Grande quantidade de -
definida conteúdo mucopurulento em
ambas as narinas e fístulas
perilabiais. Seios e fossas
nasais com conteúdo
mucopurulento. Liquido
esverdeado viscoso em terço
final de traqueia até as
ramificações da arvore
brônquica.
*Felino/Sem raça Na cavidade torácica havia -
definida extensa área de hematoma em
pleura parietal.
*Felino/Sem raça Pulmão difusamente vermelho, -
definida hipocrepitante e drenava
moderada quantidade de
liquido serosanguinolento à
abertura da arvore brônquica.
*Mico leão da cara Pulmão com áreas -
dourada esbranquiçadas restritas aos
bordos lobulares sobre a
pleura visceral. Fígado com
pontos esbranquiçados
difusamente.
*Tartaruga Moderada quantidade de -
liquido seroso no parênquima
pulmonar. Rins e fígado
estavam friáveis.
*Veado catingueiro Fratura exposta de mandíbula. -
Áreas de laceração no
pescoço. Fígado levemente
amarelo. Útero com conteúdo
purulento e fétido (realizado
cesária).
Cão/Boxer Paciente com histórico de Pulmão: Histiocitoma
histiocitoma fibroso maligno fibroso maligno
(amputação membro torácico (metástase);
esquerdo). Grande quantidade Coração: Endocardiose;
de liquido serosanguinolento Rim: Glomerulonefrite
em tórax, múltiplas nodulações membranosa;
brancacentas em pleura Próstata: Hiperplasia,
visceral e parietal e fibrose.
parênquima pulmonar. Massas
de mesmo aspecto em capsula
e parênquima renal. Trichuris
vulpis em ceco.
**Cão/Dálmata Pulmão estava firme, -Pulmão:
arroxeado e padrão lobular Broncopneumonia
discreto. Liquido em cavidade supurativa e
torácica e abdominal. Uma linfoplasmocitária;
massa amarela, macia e -Coração: Fibrose de
discretamente friável estava
envolvida e aderida ao miocárdio;
pâncreas. -Pâncreas: Pancreatite
fibrinosupurativa e
necrótica;
-Omento: Necrose de
gordura;
-Fígado: Moderada
vacuolização
hepatocelular e
retenção biliar.
Cão/Golden retriever Pulmões estavam vermelhos -Pulmão: Congestão e
com os bordos edema difuso,
esbranquiçados. O coração macrófagos
estava dilatado. intraaveolares contendo
hemossiderina (células
da falha cardíaca);
-Coração:
Cardiomiopatia dilatada.
**Cão/Maltês Acentuada icterícia por toda a -Pulmão:
pele. A superfície hepática era Broncopneumonia
irregular com inúmeras supurativa;
depressões, aspecto de noz -Fígado: Vacuolização
moscada, parênquima hepatocelular, fibrose;
acentuadamente amarelo. -Rim: Glomerulonefrite
Havia uma úlcera gástrica. membranosa.
Petéquias em vesícula
urinária.
Cão/Rottweiller Fratura em membro torácico -Rim: Glomerulonefrite
esquerdo com intensa lise linfoplasmocitária e
óssea (feito eutanásia). necrose tubular;
-Esôfago: Esofagite
linfoplasmocitária.
**Cão/Sem raça Múltiplos nódulos em pulmão, -Pulmão, coração e
definida coração e baço. O coração baço: Adenocarcinoma
estava moderadamente complexo (metástase);
dilatado. O fígado estava -Fígado: Vacuolização
friável. hepatocelular difusa;
-Rim: Glomerulonefrite
membranosa
moderada.
Cão/Sem raça 1 litro de liquido sanguinolento -Pulmão: Congestão e
definida em tórax e 600 ml em edema difuso;
abdômen. Úteros e ovários -Útero: Hermorragia
ausentes (OSH), área de circunferencial em
reparação cirúrgica com cinta serosa, focalmente
de nylon frouxa em região extensa e acentuada;
distal de cérvix extravasando -Glândula mamária:
grande quantidade de sangue. Hiperplasia acinar, com
material proteico no
interior dos ácinos.
Equino/Brasileiro de Múltiplas nodulações macias e -Baço: congestão;
hipismo enegrecidas ao corte dispostas -Pele: Melanoma;
em musculatura intercostal -Musculatura
interna, região parotidea e esquelética adjacente a
perianal. Cérebro paratireoide: Melanoma;
moderadamente congesto. -Cérebro: Encefalite
linfoplasmocitária;
-Fígado: Vacuolização
difusa;
-Rim: Congestão difusa.
Felino/Sem raça Hemorragia na calota -Hemorragia focalmente
definida craniana, focos hemorrágicos extensa calota craniana
leve na dura-máter da medula decorrente ao tombo
espinhal (região de C1). (macroscopia);
Grande quantidade de liquido -Pulmão: Congestão e
espumoso em traqueia. No edema difuso;
coração havia espessamento -Coração:
do ventrículo esquerdo. Cardiomiopatia
hipertrófica;
-Fígado: Vacuolização
hepatocelular portal a
mediozonal;
-Rins: Congesão
Felino/Sem raça Lesão em membro torácico, -Histopatológico das
definida em terço final de cauda e em lesões: Sporothrix
focinho. Pulmão laranja com schenckii
pontos vermelhos por toda
superfície.
**Ovelha/Dorper Pulmão levemente pálido. -Pulmão: Pneumonia
Parasitos brancos de corpo intersticial mononuclear;
chato em alças intestinais -Encéfalo:
(Moniezia sp). Discretos Meningoencefalite
abscessos em tronco supurativa e
encefálico. linfoplasmocitária.
*Lâminas para o histopatológico não processadas até o fim do estágio.
**Laudo elaborado pelo estagiário com ajuda do professor.
O laudo da ovelha da raça Dorper (figuras 10, 11 e 12), do cão sem raça
definida (figura 13), do cão dálmata (figuras 14 e 15) e do cão da raça maltês
(figura 16) foi feito pelo estagiário com posterior correção do professor.
Figura 10 – Exame histopatológico realizado a partir de Necropsia. Ovelha,
Dorper, 1 ano. Microabscesso (Listeriose) em substância branca
de tronco cerebral em objetiva de 10x. Microabscessos (setas
pretas). Manguito perivascular (setas azuis). Tumefação de
axônios (setas vermelhas). (UFPR)
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 11 – Exame histopatológico realizado a partir de Necropsia. Ovelha,
Dorper, 1 ano. Pneumonia intersticial mononuclear em objetiva
de 40x. (UFPR)
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 12 – Exame histopatológico realizado a partir de Necropsia. Ovelha,
Dorper, 1 ano. Moniezia sp. em objetiva de 40x. (UFPR)
Fonte: Brandão (2014).
Figura 13 – Exame histopatológico realizado a partir de Necropsia. Cão, sem
raça definida, fêmea, 10 anos. Helicobater sp em criptas
estomacais em objetiva de 40x. Bactérias helicoidais (Helicobacter
sp.) (seta preta). (UFPR)
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 14 – Exame histopatológico realizado a partir de Necropsia. Cão,
Dálmata, macho, 2,5 anos. Fibrose de miocárdio em objetiva de
40x. Proliferação de tecido conjuntivo (seta preta) entremeado por
fibras musculares contendo múltiplos vacúolos no sarcoplasma
(setas finas). (UFPR)
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 15 – Exame histopatológico realizado a partir de Necropsia. Cão,
Dálmata, macho, 2,5 anos. Moderada vacuolização hepatocelular,
retenção biliar em objetiva de 40x. Vacuolização hepatocelular
(seta fina). Retenção biliar (setas pretas). (UFPR)
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 16 – Exame histopatológico realizado a partir de Necropsia. Cão,
Maltês, fêmea, 7 anos. Broncopneumonia supurativa em
objetiva de 40x. Acentuada quantidade de neutrófilos nos
alvéolos pulmonares (setas pretas). (UFPR)
Fonte: Oliveira (2014).
2.2 LABORATÓRIO DE PATOLOGIA VETERINÁRIA UNESP
O horário de funcionamento do Serviço de Patologia Veterinária (figura
17) é das 8:00 às 12:00 horas e das 14:00 as 18:00 horas, havendo plantões
aos fins de semana das 8:00 às 12:00 horas e das 14:00 as 19:00 horas
também com duas horas de almoço.
O setor conta a recepção, biorrespiratorio, laboratório de ornitopatologia,
imunohistoquimica, laboratório de pesquisa, laboratório de rotina no qual são
realizadas as diferentes colorações e montagens das lâminas para
histopatologia ou citopatologia. A sala de necropsia possui duas capelas para
processamento dos materiais para histopatologia e para a realização de
necropsia de grandes animais há uma área de desnível. Há cinco salas
destinadas para os professores, uma sala de aula, duas salas para os pós-
graduandos, uma sala onde são arquivadas as lâminas, uma sala com um
microscópio de oito cabeças (figura 18) o qual é utilizado para confirmação dos
diagnósticos com os professores e discussão dos casos e uma sala com
microscópio que possibilita fotografar as lâminas.
A sala dos residentes contém um microscópio e um computador para
cada residente e um microscópio de duas cabeças. O setor de Patologia ainda
conta com o ambulatório de citologia no Hospital Veterinário, onde os animais
que passaram por outros setores são encaminhados e atendidos para coleta de
material para o exame citológico.
Figura 17 – Departamento de Patologia Veterinária.
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 18 – Microscópio de 8 cabeças onde é feito a discussão dos casos com
os professores.
Fonte: Oliveira (2014).
Há quatro técnicos que auxiliam nas atividades. Dois técnicos ajudam
nas necropsias e nas aulas e organizam os materiais da sala de necropsia.
Uma técnica é responsável pela organização das lâminas e os blocos de
parafina, a outra técnica faz todo o serviço do laboratório de rotina.
No departamento de patologia há três residentes (um R1 e dois R2) e
quatro professores. A divisão das funções (histopatologia, citopatologia e
necropsia) é feita por escalas semanais de forma que cada residente fique
responsável por uma função, assim como um professor é escalado por semana
para ficar responsável pelo acompanhamento nas necropsias, verificação dos
diagnósticos cito e histopatológicos e dos laudos dos residentes. Em relação
aos estagiários há a mesma divisão das funções por escala, exceto para a
histopatologia na qual eventualmente os estagiários acompanham a leitura das
lâminas. A requisição pelos serviços da patologia é feita por meio de
informática interna do hospital veterinário, englobando todos os dados do
prontuário do animal. Durante o período de estágio o aproveitamento foi de
duas semanas na necropsia e três na citologia.
Nas tabelas 7, 8 e 9 estão representadas a frequência das espécies
atendidas, frequência do sexo dos animais atendidos e frequência dos serviços
acompanhados oferecidos.
Tabela 7 - Frequência das espécies atendidas e necropsias realizadas durante
o Estágio Curricular realizado na Universidade Estadual de São
Paulo (UNESP/Botucatu) de 1 de setembro a 3 de outubro de 2014.
Espécie Número %
Canina 42 80,76
Felina 2 3,84
Equina 2 3,84
Ruminantes 6 11,53
Total 52 100
Tabela 8 - Frequência do sexo dos animais atendidos e necropsias realizadas
durante o Estágio Curricular realizado na Universidade Estadual de
São Paulo (UNESP/Botucatu) de 1 de setembro a 3 de outubro de
2014.
Sexo Número %
Fêmea 26 50
Macho 26 50
Total 52 100
Tabela 9 - Frequência dos serviços acompanhados oferecidos no setor de
Patologia Veterinária durante o Estágio Curricular realizado na
Universidade Estadual de São Paulo (UNESP/Botucatu) de 1 de
setembro a 3 de outubro de 2014.
Serviços Número %
Citopatologia 33 63,46
Histopatologia 9 17,30
Necropsia 10 19,23
Total 52 100
2.2.1 DESCRIÇÃO DA ROTINA DE CITOLOGIA
No ambulatório de citologia há um microscópio, uma centrífuga e para
coloração o kit de coloração rápida (Panótico) os animais são encaminhados
das 14:00 as 17:30 horas, caso o paciente esteja sedado em algum outro setor
(clínica médica/cirúrgica de pequenos ou grandes animais, reprodução,
moléstias infecciosas) o residente responsável pela citologia vai até o local
onde foi requisitado.
Após o atendimento inicial do paciente nos demais setores, o animal é
então encaminhado para a coleta para o exame citológico. No ambulatório de
citologia o residente faz anamnese sucinta voltada para lesão, sendo
fotografada e feita avaliação macroscópica. Todos esses dados são digitados
no prontuário.
A coleta do material se dá por capilaridade (fazendo movimentos em
leque) ou aspiração com o citoaspirador acoplado a uma seringa de 10 ml
(lesões mais firmes), utiliza-se agulha 13 x 0.45mm (agulha de insulina), 30 x
0.7mm ou 30 x 0.8mm, a agulha 30 x 0.7mm e o método por capilaridade são
os mais utilizados. São feitas no mínimo três lâminas por lesão, sendo
destinada uma para a coloração Panótico outra para o Giemsa e outra para o
Papanicolau, após a coleta o material é espalhado pelas lâminas pelo método
“squash”. Antes de liberar o paciente a lâmina destinada ao Panótico é corada
(coloração de triagem) e analisada em seguida para ver se tem material
suficiente para dar o diagnóstico, caso a quantidade de células não seja
suficiente todo o procedimento é repetido. A coloração Giemsa e Papanicolau é
feita no dia seguinte, assim como a descrição microscópica do material
presente na lâmina e o diagnóstico. Para a liberação do laudo o professor
responsável da semana avalia a descrição realizada pelo residente, faz as
correções necessárias e posteriormente o laudo é liberado. O prazo para a
entrega do laudo para o proprietário e para o médico veterinário requisitante é
de sete dias.
Os diagnósticos citológicos não neoplásicos e neoplásicos
acompanhados durante o estágio estão representados nas tabelas 10 e 11
respectivamente. Cisto folicular, linfonodo reacional, processo inflamatório
crônico e processo inflamatório supurativo foram os diagnósticos não
neoplásicos que apresentaram maior incidência, sendo 12,5% dos casos cada.
Em relação aos diagnósticos neoplásicos o lipoma teve maior incidência
representando 16,66% dos casos, seguido pelo carcinoma mamário,
Hemangioma e tumor venéreo transmissível plasmocitoide com 12,5%.
Tabela 10 - Frequência dos diagnósticos citológicos caninos, felinos e
silvestres não neoplásicos atendidos durante o Estágio Curricular
realizado na Universidade Estadual de São Paulo
(UNESP/Botucatu).
Cães Ruminantes
Não neoplásico Número Número %
Cisto dermoide 1 - 6,25
Cisto folicular 2 - 12,5
Cisto sebáceo 1 - 6,66
Linfadenite neutrofílica 1 - 6,25
Linfonodo reacional 2 - 12,5
Processo inflamatório crônico 2 - 12,5
Processo inflamatório crônico 1 - 6,25
associado a reação fibroelastica
compatível com paniculite
Processo inflamatório crônico 1 - 6,25
ativo associado a reação alérgica
Processo inflamatório crônico de 1 - 6,25
origem infecciosa
Processo inflamatório 1 - 6,25
piogranulomatoso compatível
com reação a corpo estranho
Processo inflamatório supurativo 1 1 12,5
Processo inflamatório supurativo 1 - 6,25
de origem bacteriana
Total 14 1 100
Tabela 11 - Frequência dos diagnósticos citológicos caninos e felinos
neoplásicos atendidos durante o Estágio Curricular realizado na
Universidade Estadual de São Paulo (UNESP/Botucatu).
Cães Gatos
Neoplásico Número Número %
Adenoma mamário 1 - 4,16
Adenoma sebáceo 1 - 4,16
Carcinoma de alto grau 1 - 4,16
Carcinoma mamário 3 - 12,5
Hemangioma 3 - 12,5
Hemangiossarcoma 1 - 4,16
Linfoma 1 - 4,16
Lipoma 4 - 16,66
Mastocitoma alto grau pouco 1 - 4,16
diferenciado
Neoplasia maligna de células 2 1 12,5
redondas
Neoplasia mesenquimal 1 - 4,16
benigna
Seminoma 1 - 4,16
Tumor venéreo transmissível 3 - 12,5
plasmocitoide (TVT)
Total 23 1 100
2.2.2 DESCRIÇÃO DA ROTINA DE HISTOPATOLOGIA
As peças são encaminhadas para o exame histopatológico pelos
residentes dos demais setores ou externos da UNESP. A peça é mantida em
formol 10% por no mínimo 24 horas para posteriormente ser feito a descrição
macroscópica pelo residente ou estagiário, e cortes em pequenos fragmentos
que são postos em cassetes para o processamento (figura 19), a macroscopia
é feita nas capelas localizadas na sala de necropsia (figura 20). Em casos que
o diagnóstico é uma neoplasia de difícil identificação utiliza-se a técnica de
imunohistoquímica para esclarecimento do diagnóstico.
Os diagnósticos dos exames histopatológicos acompanhados durante o
estágio estão representados na tabela 12.
Figura 19 – Material clivado e posto no cassete para posterior processamento.
Fonte: Oliveira (2014).
Figura 20 – Capelas no laboratório de necroscopia, onde são clivadas as
peças para o histopatológico.
Fonte: Oliveira (2014).
Tabela 12 - Frequência dos diagnósticos histopatológicos caninos, felinos e
equinos atendidos durante o Estágio Curricular realizado na
Universidade Estadual de São Paulo (UNESP/Botucatu).
Cães Gatos Equinos Ruminantes
Histopatológico Número Número Número Número %
Adenocarcinoma misto 1 - - - 11,11
de baixo grau
Adenocarcinoma 1 - - - 11,11
papilifero de baixo grau
Carcinoma de células 1 - - - 11,11
escamosas
Carcinoma de glândula - - - 1 11,11
sebácea de alto grau
Desmielinização e - - 1 - 11,11
focos de hemorragia
cerebral
Hemangiossarcoma 1 - - - 11,11
Melanoma amelanótico 1 - - - 11,11
Reação cicatricial da - 1 - - 11,11
epiderme
Sarcoma de nervo 1 - - - 11,11
periférico
Total 6 1 1 1 100
2.2.3 DESCRIÇÃO DA ROTINA DE NECROSCOPIA
O serviço de necroscopia é realizado pelo residente e estagiários
escalados da semana, sendo acompanhados pelo professor responsável da
semana. O exame é feito nos cadáveres que foram enviados pelo Hospital
Veterinário ou proprietários e médicos veterinários externos. Animais que são
enviados de fora da Universidade é feita uma anamnese completa (histórico de
vacinas, vermífugo, contactantes, saúde do animal, se fez tratamento para algo
etc). Ao chegarem os cadáveres são postos na câmara fria onde ficam até a
realização da necropsia, a qual normalmente ocorre no mesmo dia ou no dia
seguinte, grandes animais são postos na área de desnível (figura 21) em
decúbito lateral direito e feito à necropsia no mesmo dia.
Antes de começar a técnica de necropsia todo o material necessário
para o procedimento é preparado e posicionado na mesa (uma faca magarefe,
uma faca de órgãos, uma pinça dente de rato, uma pinça anatômica,
costótomo, uma tesoura reta ou curva romba-romba, uma tesoura reta ou curva
romba-fina e uma serra). O animal é fotografado e em seguida posicionado em
decúbito dorsal amarrando os membros na mesa, ao abrir a cavidade torácica
e abdominal os órgãos são avaliados in situ e fotografados, posteriormente são
retirados os conjuntos e avaliados e fotografados separadamente. Fragmentos
dos órgãos são colhidos para o exame histopatológico quando não há lesões
macroscópicas evidentes ou estas sejam insuficientes para o diagnóstico.
O laudo é descrito no sistema interno de informática, sendo possível ter
acesso de todos os setores. No laudo consta causa mortis, exame externo,
processo principal, processo secundário e outros achados, quando o animal é
de origem externa da faculdade o laudo não é digitado no sistema de
informática interno da faculdade, nestes casos o laudo é composto pela
descrição dos órgãos que apresentaram alterações, descrição do exame
externo, interno, microscópico e conclusão.
A descrição dos exames necroscópicos acompanhados durante o
estágio consta no quadro 2.
Figura 21 – Área de desnível para a necropsia de grandes animais.
Fonte: Oliveira (2014).
Quadro 2 - Frequência das necropsias realizadas durante o estágio curricular
realizado na Universidade Estadual de São Paulo (UNESP/
Botucatu) e seus achados macroscópicos e causa mortis.
Espécie/Raça Processo principal Causa mortis
Bovino/HPB Abomasite aguda; enterite Eutanásia
hemorrágica; esplenomegalia;
hepatomegalia com retração
capsular; estomatite necrosante
desde língua se estendendo
até região do esôfago.
Cão/Pinscher Moderado hidroperitônio de Insuficiência respiratória
aspecto fibrinosanguinolento; aguda decorrente de
na abertura da traqueia falsa via
observa-se edema pulmonar
associado a conteúdo alimentar
preenchendo todo segmento
até os brônquios.
Cão/Poodle Metástase pulmonar difusa Eutanásia
nódulos variando de 2,0 a 6,0
cm de aspecto esbranquiçado
entremeado por áreas
enegrecidas.
Cão/Sem raça Piometra de coto associada a Choque séptico
definida acentuada peritonite purulenta.
Cão/Sem raça Discoespondilose; edema Eutanásia
definida pulmonar.
Cão/Yorkshire Processo degenerativo do Eutanásia
disco intervertebral na região
cervicotorácica, no nível de C7
o qual se prolapsa em direção
ao canal medular; entre C5 e
C6 extenso foco hemorrágico
associado a presença de
coágulo.
Equino/Mangalarga Nenhuma alteração digna de Eutanásia
nota; coleta de material para
diagnóstico de raiva e para
histopatológico.
Ovino/Bergamácia Broncopneumonia supurativa Broncopneumonia
drenando conteúdo purulento supurativa
em região de lobo cranial
ventral.
Ovino/Ile de France Hidropericárdio; pneumonia Insuficiência cardíaca
multifocal discreta com áreas
de enfisema, além de focos
avermelhados.
Ovino/Sulffok Hipoproteinemia associado a Eutanásia
um quadro severo de
desnutrição.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estágio curricular permitiu o aprimoramento teórico prático dos
conhecimentos adquiridos durante a faculdade, além da interação com
professores, residentes e alunos, o que possibilitou acompanhar diferentes
condutas profissionais.
Na UFPR o professor e os residentes eram acessíveis, sempre
auxiliando e ensinando os estagiários, proporcionando um ambiente amigável.
O laboratório apresentou uma alta casuística, e os estagiários tinham total
liberdade para a realização dos serviços.
Na UNESP os professores eram acompanhados somente na hora em
que o diagnóstico era checado com os residentes, porém os residentes sempre
estavam à disposição, muito acessíveis, auxiliando no que fosse necessário. O
Serviço de Patologia da UNESP apresentou uma casuística menor, porém se
destaca pela extrema organização quanto à divisão das funções.
4 REFERÊNCIAS
GOLDSCHMIDT, M. H.; HENDRICK, M. J. Tumors of the Skin and Soft Tissues. In:
MEUTEN, D. J. Tumors in Domestic Animals. 4 ed., Iowa: Blackwell, 2002. p. 45-118.
JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia e seus métodos de estudo. In: ___________.
Histologia Básica. 10 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 1-22.
MISDORP, W. Tumors of the Mammary Gland. In: MEUTEN, D. J. Tumors in Domestic
Animals. 4 ed., Iowa: Blackwell, 2002. p. 575-606.
RADIN, M. J.; WELLMAN, M. L. Skin and Connective Tissue – Case studies.
In:________________. Interpretation of Canine and Feline Cytology. 1 ed., Gloyd
Group Inc, 2001. P. 33-50.