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Teoria Geral do Processo e Princípios Jurídicos

Resumo

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Teoria Geral do Processo

1- Conceito de Processo:
O Processo traduz uma cadeia de atos impulsionados por uma petição inicial (art.319 e 320
CPC/15) em que o demandante ou autor, impulsionado por um conflito de interesses e sua
decorrente insatisfação bate às portas do judiciário requerendo pedidos que entende serem
procedentes e visando uma sentença definitiva favorável, permitindo ao demandado ou réu
a oportunidade de se defender a luz do princípio do contraditório e ampla defesa

2- Direito Material e Processo- Teoria Circular do Direito Material e Processo

O direito material é o fundamento jurídico necessário que vai alimentar a petição inicial,
dando embasamento técnico para os pedidos que serão formulados para com o julgamento
do juiz. O direito processual revela-se como um fio condutor do direito material revelado
através de regras que protegem todo o tramite processual.
O direito material sem o processual traduz mera recomendação, pois nunca será submetido
à apreciação jurisdicional. Em contrapartida, o direito processual sem o material representa
uma demanda completamente vazia de fundamentos jurídicos que está fadado ao
indeferimento com extinção do processo sem julgamento do mérito.
A instrumentalidade do processo pauta-se na premissa de que o direito material se coloca
como o valor que deve presidir a criação, a interpretação e a aplicação das regras processuais.

3- Princípios Constitucionais Processuais:


a) Devido Processo Legal: Tradução da expressão inglesa "due process of law". O inciso LIV
do art. so da Constituição Federal prevê que "ninguém será privado da liberdade ou de
seus bens sem o devido processo legal". O devido processo legal é uma garantia contra o
exercício abusivo do poder, qualquer poder.
Desse princípio constitucional extraem-se, então, outras normas (princípios e regras),
além de direitos fundamentais ainda sem o respectivo texto constitucional. Um processo,
para ser devido, precisa ser adequado, leal e efetivo.
b) Princípio da efetividade: Visa transportar as decisões judiciais fruto do processo de
conhecimento para o mundo real, dando concretude e eficácia à decisão definitiva
transitada em julgado. Decisões judiciais com execuções mal sucedidas não cumprem com
a finalidade típica do devido processo legal, tornando a decisão judicial em mera
recomendação despida da coercitividade necessária de uma decisão justa.
c) Princípio da razoável duração do processo: A EC n. 45/2004, que reformou
constitucionalmente o Poder judiciário, incluiu o inciso LXXVIII no art. 5o da CF/1988: "a
todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do
processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação".
Devem ser observados três critérios para que se determine se a duração do processo é,
ou não, razoável: a) a complexidade do assunto; b) o comportamento dos litigantes e de
seus procuradores ou da acusação e da defesa no processo; c) a atuação do órgão
jurisdicional. No Brasil, podemos acrescentar como critério a análise da estrutura do órgão
judiciário.
d) Princípio da adequação: É possível dizer, com Galeno de Lacerda, que o princípio da
adequação é o que justifica a existência de uma Teoria Geral do Processo: sabendo-se que
as regras processuais devem ser adequadas àquilo a que servirão de meio de tutela, será
possível aceitar a existência de uma série de conceitos que devem ser utilizados para a
compreensão de qualquer fenômeno processual (seja ele jurisdicional, legislativo,
administrativo ou privado). Critérios da adequação:
1. Adequação subjetiva: Analisa o perfil dos envolvidos no processo, concedendo-lhes
benefícios e indicando qual o juízo competente que aquela LIDE deve ser
direcionada. Neste sentido, temos a prioridade de tramitação no processo de um
autor que é idoso por força do Estatuto do Idoso, isenção de custos processuais para
hipossuficientes, proteção a mulher em caso de violência doméstica por força da lei
maria da penha, etc.
2. Adequação objetiva: Impõe o estudo da causa de pedir o objeto central do LIDE, ou
seja, o que irá direcionar a adequação ou não do processo é o perfil dos fatos e
fundamentos jurídicos que irão compor a discussão. Em outras palavras, o bem da
vida, objeto dos pedidos do autor, poderá direcionar qual o juiz competente para
julgá-lo.
3. Adequação teleológica: Conduz ao estudo dos procedimentos comum e especial,
devendo determinada LIDE tramitar em varas especializadas, definidas pelo próprio
legislador, como acontece na vara do tribunal do júri em seu procedimento especial.
Da mesma forma, os procedimentos especiais trazem sequência de atos processuais
específicos que importam em adequação teleológica a depender da causa de pedir e
da estrutura do procedimento definido em lei.
e) Princípio do contraditório e da ampla defesa: O princípio do contraditório “lato sensu”
traduz a ideia do direito constitucional de defesa do acusado ou demandado, sendo que o
contraditório em sentido estrito reflete o direito de manifestação processual ao passo que
a ampla defesa alcance o patamar substancial de que o magistrado deve apreciar todos os
argumentos trazidos na contestação, valorando-os efetivamente em sua decisão.
O contraditório em sentido estrito possui aptidão processual, ou seja, ocorre quando o
magistrado possibilita a oportunidade para que as partes possam se manifestar de forma
equiparada a luz do princípio da igualdade ou da paridade de armas e princípio da
imparcialidade. Em relação a ampla defesa a análise dos argumentos é substancial, ou
seja, o magistrado deve enfrentar materialmente todos os argumentos trazidos pelas
partes, para que o contraditório em sentido amplo seja realmente privilegiado.
f) Princípio da cooperação e o princípio da boa-fé processual: Os sujeitos processuais devem
comportar-se de acordo com a boa-fé, que, nesse caso, deve ser entendida como uma
norma de conduta ("boa-fé objetiva"). Esse é o princípio da boa-fé processual, que se
extrai do art. so do CPC: "Aquele que de qualquer forma participa do processo deve
comportar-se de acordo com a boa-fé".
O princípio da cooperação atua diretamente, imputando aos sujeitos do processo
deveres. Assim, são ilícitas as condutas contrárias à obtenção do "estado de coisas"
(comunidade processual de trabalho) que o princípio da cooperação busca promover.
Esses princípios estão intimamente ligados com base no art.5° CPC/2015, tendo como
objetivo estimular o entendimento espontâneo entre os litigantes, rechaçando a ideia de
duas partes no processo um eterno combate, sem qualquer sentimento de cooperação e
fazendo com que os processos tenham duração muito além do razoável.
Neste contexto, o juiz deve se manifestar dentro de três deveres:
I) Dever de consulta: deve o magistrado solicitar as partes envolvidas que esclareçam
determinados pontos do processo que não foram enfrentadas, mas que deveriam,
para que possa sentenciar descrito de qualquer dúvida.
II) Dever de prevenção: O juiz deve alertar o autor toda vez que percebe um defeito
processual passivo de nulidade evitando assim qualquer nulidade futura.
III) Dever de esclarecimento: O magistrado tem a obrigação de esclarecer pontos de sua
sentença que estejam obscuros, ou foram ignorados ou que caminharam em sentido
contrário à sua fundamentação na decisão. Em outras palavras, o juiz deve satisfação
as partes sobre suas decisões.
g) Princípio da preclusão: A Preclusão baseia-se na perda da oportunidade de se praticar um
ato processual, assim consiste na impossibilidade de impugnar um ato por já terem
decorridos os respectivos prazos, ou por se terem esgotados os recursos que a lei admitia
ou por outros motivos que serão analisados adiante.
Esse princípio funciona como uma fronteira para que não haja o exercício abusivo das
situações processuais, impede que questões já finalizadas possam ser abertas analisadas
novamente.
I) Preclusão Temporal: verifica-se quando é dada a umas das partes a oportunidade de
realizar determinado ato processual e a parte não o realiza ou realiza tardiamente.
Exemplo: Revelia.
II) Preclusão Lógica: consiste na extinção da faculdade de praticar um determinado ato
processual em virtude da não compatibilidade de um ato com outro já realizado. Exemplo:
a sentença é julgada totalmente procedente e o autor, logicamente, aceita aquela decisão.
Em seguida, o mesmo interpõe recurso de apelação. A lógica seria a não interposição de tal
recurso pelo autor, mas sim pela parte vencida.
III) Preclusão Definitiva: a impossibilidade de certo sujeito praticar determinado ato decorre
de uma sanção a ele aplicada. Enquanto as demais espécies de preclusão são decorrentes
de situações em que não houve prática de ilicitude, na preclusão punitiva a ilicitude é o
seu registro. Exemplo: perda da situação jurídica de inventariante, em razão da ocorrência
dos atos ilícitos apontados no art. 622 do CPC
IV) Preclusão Consumativa: extinção da faculdade de manifestar determinado ato processual
em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tal ato, não sendo possível corrigi-lo,
melhorá-lo ou repeti-lo. Exemplo: o réu apresenta a contestação no décimo dia. No dia
seguinte, viu que se esqueceu de mencionar um fato e tenta apresentar novamente a
contestação. Porém, tal ato não poderá ser praticado em virtude da já apresentada
contestação anterior. Uma vez praticado o ato processual, não poderá ser mais uma vez
oferecido
h) Princípio da Publicidade: Possui fundamentação do art.5°, LX da CF, sendo característica
marcante do devido processo legal e dos atos processuais em si que em regra são de
natureza pública. No entanto, existem exceções que tornam protegido por segredo de
justiça, como nos casos em ações de família.
i)Princípio da Imparcialidade: Acontece com o juiz no processo, podendo concretizar seu juízo
de valor já nas primeiras linhas da petição inicial ou da contestação, mas deve conservar
sua decisão para si sem externa-la até o devido processo legal percorrido, justamente para
não agredir direitos assegurados em lei pelos litigantes.
j)Princípio do juiz natural: É aquele investido devidamente de jurisdição o que enseja o
raciocínio de juiz formalmente competente. O princípio do juiz natural também se verifica
no processo de distribuição processual em que o estado através de cartório distribuidor
físico ou virtual promove uma espécie de sorteio para que o processo seja enviado para
uma vara competente.
Trata-se de garantia fundamental não prevista expressamente, mas que resulta da
conjugação de dois dispositivos constitucionais: o que proíbe juízo ou tribunal de exceção
e o que determina que ninguém será processado senão pela autoridade competente
(incisos XXXVII e Llll do art. 5o da CF/88).
k) Princípio da verdade real e formal: O princípio da verdade formal configura a ideia da
verdade do processo a luz do raciocínio do que “ Não está nos autos, não está no
mundo...”. Ele se apoia na ideia de não deixar espaço para verdades estabelecidas pelas
partes, os fatos devem ser comprovados. No contexto do processo civil, a verdade real se
configura com os fatos trazidos pelas partes, o juiz deve partir sua decisão levando em
consideração as alegações das partes, através do poder de convencimento dos fatos
apresentados.
No processo civil, após 2 anos a coisa julgada converte-se em soberanamente julgada,
passando a ser totalmente indiscutível. No intervalo destes 2 anos pode a parte
insatisfeita com a decisão transitada em julgado, apresentar recurso chamado ação
rescisória, desde que preenchidos seus requisitos de admissibilidade.
Já a verdade real típica do processo penal, sustenta que a decisão transitada em julgado
pode ser reaberta a qualquer tempo desde que seus requisitos sejam preenchidos. O
Estado não se satisfaz apenas com as alegações dos fatos apresentados pelas partes, é
preciso demonstrar verdade em torno das investigações, pois se prevalece a supremacia
do interesse público o que já é justificativa para a necessidade de veracidade, sob pena de
ocorrer injustiças.
L) Princípio da Paridade de Armas: Traduz desdobramento da obrigação de tratamento
isonômico aos litigantes do processo, sendo o raciocínio básico do princípio do contraditório
e da ampla defesa.
M) Princípio do Duplo Grau de Jurisdição: O Princípio do Duplo Grau de Jurisdição nos revela
a possibilidade de revisão, mediante o recurso cabível, das causas já julgadas pelo juiz de
primeiro grau (ou primeira instância). Dessa forma, esse princípio nos garante a
possibilidade de revisão por uma instância superior.
Via de regra, o juiz de 1° grau (também chamado de monocrático ou de juiz “ad quo”),
possui competência originária, ou seja, é aquele que primeiro decide a LIDE, sendo sua
decisão submetida a revisão por força de recurso. Este recurso, por sua vez, em regra é
direcionado ao TJ que é composto por desembargadores que são juízes togados que
evoluíram na carreira por merecimento ou antiguidade, bem como representante do MP
indicado e advogado indicado pela OAB. É também chamado de juízo de 2° grau ou juízo de
“ad quem” ou juízo colegiado/plural, sendo competência derivada.
N) Princípio da presunção de inocência: é um princípio jurídico de ordem constitucional,
aplicado ao direito penal, que estabelece o estado de inocência como regra em relação ao
acusado da prática de infração penal. Está previsto expressamente pelo artigo 5º, inciso LVII,
da Constituição Federal, que preceitua que "ninguém será considerado culpado até
o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Isso significa dizer que somente
após um processo concluído (aquele de cuja decisão condenatória não mais caiba recurso)
em que se demonstre a culpabilidade do réu é que o Estado poderá aplicar uma pena ou
sanção ao indivíduo condenado.

 Princípio do favor rei


Consagra o chamado in dubio pro reo, ou seja, em caso de menor dúvida do juiz em relação
ao acusado no processo penal, deverá prevalecer a decisão que privilegie a parte mais fraca.
Com efeito, diante da relação de verticalidade típica do órgão acusador do Estado em
relação ao acusado ou pessoa física, deverá a decisão pender para a parte mais fraca, como
forma de compensar o desnivelamento técnico típico de uma persecução penal.

 Extinção ao processo com julgamento de mérito/ sem julgamento de mérito


Os processos de natureza cível podem ser extintos com ou sem julgamento de mérito,
sendo o mérito a discussão substancial da causa, ou seja, a análise de quem tem razão ou
não dentro da LIDE. Em contrapartida, o processo extinto sem julgamento de mérito não
alcança discussão substancial convencionada, se perdendo em defeitos processuais
formais.
O processo extinto sem julgamento de mérito não amadurece o suficiente a ponto de o
juiz proferir sentença definitiva (Típica dos processos extintos com julgamento com
mérito), mas apenas alcança as sentenças terminativas que são típicas de decisões que
extinguem o processo sem julgamento do mérito. Neste último, o autor pode repropor o
mesmo pedido com petição inicial idêntica da que foi arquivada, mas com as retificações
que impuseram a extinção prematura por no máximo 3 vezes, sob pena de conversão da
extinção sem julgamento do mérito para com julgamento do mérito, para evitar que o
autor possa repropor os mesmos pedidos eternamente.
 Precedentes Judiciais
Tem como característica a uniformização das decisões através da imposição do
entendimento de tribunais superiores sobre os inferiores. As súmulas (vinculantes ou
não), Jurisprudências e outros posicionamentos proferidos através de sentença, a luz
do entendimento do novo CPC deverá irradiar efeitos vinculativos para os juízes de
instância inferior.
Neste sentido, o STJ e o STF que tratam de matéria infraconstitucional e
constitucional, respectivamente, firmarão o entendimento que influenciará os
demais órgãos. Este raciocínio visa dar celeridade, economicidade e tratamento igual
a todos os casos que possuem os mesmos pedidos. Em contrapartida, o magistrado
não perde sua liberdade criativa, mas deverá fundamentar muito bem quais quer
decisões que desafia o precedente. Ocorre em duas situações:
a) DISTINGUISHING: quando ocorre a distinção específica e peculiar no caso
padrão dominado pelo precedente, o que pode influenciar uma decisão em
sentido diverso.
b) OVERRULING: quando há o enfrentamento do precedente, devendo ser
muito bem fundamentado para que o tribunal superior mude de ideia.
 Audiência de conciliação e mediação
O conciliador tem uma participação mais ativa no processo de negociação,
podendo, inclusive, sugerir soluções para o litígio. A técnica da conciliação é mais
indicada para os casos em que não havia vínculo anterior entre os envolvidos.
O mediador exerce um papel um tanto diverso. Cabe a ele servir como veículo de
comunicação entre os interessados, um facilitador do diálogo entre eles, auxiliando-
os a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam
identificar, por si mesmos, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. Na
técnica da mediação, o mediador não propõe soluções aos interessados. Ela é por
isso mais indicada nos casos em que exista uma relação anterior e permanente entre
os interessados, como nos casos de conflitos societários e familiares. A mediação
será exitosa quando os envolvidos conseguirem construir a solução negociada do
conflito.
A audiência de conciliação e mediação foi antecipada para antes da contestação do
processo civil e com base no art.34 CPC/2015, objetivando que as partes busquem
um entendimento com base no princípio da cooperação, antes que o réu rebata os
argumentos art.335 CPC/2015. A medida busca a celeridade na solução dos
processos e o esvaziamento do judiciário.
 Princípio do Impulso oficial
Uma vez instaurado o processo por iniciativa da parte ou interessado (princípio da
inércia), este se desenvolve por iniciativa do juiz, independente de nova
manifestação de vontade da parte. O juiz, que representa o Estado (poder
jurisdicional do Estado) promove e determina que se promovam atos processuais de
forma que o processo siga sua marcha em direção à solução do sistema jurídico para
aquela determinada lide.
O juiz só age se for provocado. EXCEÇÃO: Age de ofício (Ex ofício) prevista em
lei.
 Jurisdição
A jurisdição é a função atribuída a terceiro imparcial (a) de realizar o Direito de modo
imperativo (b) e criativo (reconstrutivo) (c), reconhecendo/efetivando/protegendo
situações jurídicas (d) concretamente deduzidas (e), em decisão insuscetível de
controle externo (f) e com aptidão para tornar-se indiscutível (g).
a) O juiz representa a figura do Estado nas demandas judiciais, tendo a
responsabilidade de dirimir conflitos de forma imparcial, evitando que a sua
conduta possa recair em atos de impedimento ou suspeição.
b) As decisões judiciais possuem caráter imperativo haja visto que, a ordem
proferida pelo juiz de direito está revestida de coercitividade, ou seja, o
descumprimento da decisão ou da ordem proferida pelo magistrado fatalmente
acarretará em consequências punitivas, ou previstas em lei, ou definidas em
notificação.
c) A criatividade judicial traduz em elemento inerente à própria atividade do juiz
que tem entre outras obrigações funcionais a dar solução a todo e qualquer caso
que lhe seja encaminhado, mesmo que o caso seja inédito e que possua
precedente algum para nortear sua decisão.
É imperioso destacar que o juiz conserva sua liberdade para proferir a decisão
que entende ser a mais justa possível, mesmo que contrarie o entendimento
dominante, justamente por conta de ser um órgão dotado de criatividade
Perceba, então, que a criatividade jurisdicional se revela em duas dimensões:
cria-se a regra jurídica do caso concreto (extraível da conclusão da decisão) e a
regra jurídica que servirá como modelo normativo para a solução de casos
futuros semelhantes àquele (que se extrai da fundamentação da decisão).
d) A jurisdição é uma das mais importantes técnicas de tutela de direitos. Todas as
situações jurídicas ativas (direitos em sentido amplo) merecem proteção
jurisdicional. A tutela dos direitos dá-se ou pelo seu reconhecimento judicial
(tutela de conhecimento), ou pela sua efetivação (tutela executiva) ou pela sua
proteção (tutela de segurança, cautelar ou inibitória). A tutela jurisdicional dos
direitos ainda pode ocorrer pela integração da vontade para a obtenção de certos
efeitos jurídicos, como ocorre na jurisdição voluntária.
e) O magistrado deve se ocupar somente com casos concretos não sendo cabível a
apreciação de situações hipotéticas ou abstratas, justamente por conta do
acúmulo de demandas que já sufoca o judiciário.
f) A função jurisdicional tem por característica marcante produzir a última decisão
sobre a situação concreta deduzida em juízo: aplica-se o Direito a essa situação,
sem que se possa submeter essa decisão ao controle de nenhum outro poder. A
jurisdição somente é controlada pela própria jurisdição. Salvo nas modalidades
atípicas, previstas em lei.
g) A coisa julgada é situação jurídica que diz respeito exclusivamente às decisões
jurisdicionais. Somente uma decisão judicial pode tornar-se indiscutível e
imutável pela coisa julgada. Salvo na situação de ação rescisória no prazo de 2
anos.
 Equivalentes Jurisdicionais
Equivalentes jurisdicionais são as formas não-jurisdicionais de solução de conflitos.
São chamados de equivalentes exatamente porque, não sendo jurisdição,
funcionam como técnica de tutela dos direitos, resolvendo conflitos ou certificando
situações jurídicas.
Todas essas formas de solução de conflitos não são definitivas, pois podem ser
submetidas ao controle jurisdicional.
1. Autotutela: Trata-se de solução do conflito de interesses que se dá pela
imposição da vontade de um deles, com o sacrifício do interesse do outro.
Trata-se da “justiça com as próprias mãos”, sendo vedada pelo Estado, pois
a estrutura jurídica do Estado definiu este poder como competência natural
dele, evitando desta forma comportamentos vingativos e bárbaros
No entanto, alguns comportamentos são tolerados e positivados, como por
exemplo, as excludentes de ilicitude (art.23 CP), o direito de greve (art.9,
CF).
2. Autocomposição: É a forma de solução do conflito pelo consentimento
espontâneo de um dos contendores em sacrificar o interesse próprio, no
todo ou em parte, em favor do interesse alheio. É a solução altruísta do
litígio. Considerada, atualmente, como legítimo meio alternativo de
pacificação social. Avança-se no sentido de acabar com o dogma da
exclusividade estatal para a solução dos conflitos de interesses. Pode
ocorrer fora ou dentro do processo jurisdicional.
Na transação, ambas as partes abdicam de parte de seus direitos para que haja
um consenso e o conflito seja pacificado. Na submissão, um dos sujeitos se
submete à pretensão contrária, mesmo podendo ter resistido. Na renúncia, o
sujeito abdica de seu direito para pôr fim à lide. A negociação, a mediação e a
conciliação são os métodos pelo qual se dá a autocomposição.
3. Tribunais administrativos: Tem como característica o conhecimento
específico e técnico da matéria que é objeto da LIDE (A causa de pedir).
Apesar da grande importância, as decisões proferidas por esses tribunais
não têm o condão de fazer coisa julgada.
Alguns tribunais enviam suas punições para que o condenado os cumpra
espontaneamente, evitando que a pretensão ainda relegada a via
administrativa ou pré-processual se judicialize.
4. Arbitragem: Caracteriza-se como equivalente jurisdicional em que as partes
envolvidas na LIDE escolhem, de forma espontânea, um terceiro imparcial
dotado de notório saber jurídico para julgar todo e qualquer LIDE que
porventura nasça dessa relação.
A grande característica da arbitragem é que suas decisões têm aptidão
para fazer coisa julgada como se jurisdição fosse. O compromisso arbitral
privilegia a autonomia da vontade das partes a luz da regra de que o
pactuado faz lei entre as partes. Que fique claro que árbitro não é juiz, pois o
primeiro não está revestido de jurisdição, nem alcançou o posto profissional
através de concurso público.
 Princípios da Jurisdição
a) Princípio da Investidura: caracteriza-se como o poder concedido ao juiz de
direito pelo Estado, que obtêm esta função através de concurso público,
sendo nomeado posteriormente para determinada comarca ou seção
judiciária.
b) Princípio da Territorialidade/ Aderência ao território: Os magistrados só têm
autoridade nos limites territoriais do seu Estado; ou seja, nos limites do
território da sua jurisdição. A jurisdição, como manifestação da soberania,
exerce-se sempre em um dado território.
EXCEÇÃO: Os oficiais de justiça podem excepcionalmente extrapolar os
limites territoriais definidos pelo tribunal de justiça do respectivo Estado
quando se tratarem de comarcas fronteiriças ou contíguas, como acontece
com o oficial de justiça em atos de comunicação.
EXCEÇÃO 2: Quando o domicílio se situa bem na fronteira entre duas
comarcas, sendo as duas originariamente competentes para julgar caso
envolvendo a determinada situação, sendo decidido o juiz competente
aquele que primeiro proceder o ato de comunicação ou distribuir o processo.
OBS: A decisão do juiz possui repercussão nacional e até internacional a
depender dos tratados internacionais que o Brasil é signatário.
c) Princípio da Indelegabilidade: O exercício da função jurisdicional não pode
ser delegado. Não pode o órgão jurisdicional delegar funções a outro sujeito
ou a outros poderes. Essa vedação se aplica integralmente no caso de poder
decisório: não é possível delegar o poder decisório a outro órgão, o que
implicaria derrogação de regra de competência, em violação à garantia do
juiz natural. Há, porém, hipóteses em que se autoriza a delegação de outros
poderes judiciais, como o poder instrutório, o poder diretivo do processo e o
poder de execução das decisões.
d) Princípio da Inevitabilidade: Caracteriza-se pelo fato de que todo
jurisdicionado está submetido as decisões judiciais proferidas pelo Estado,
sendo passível de execução forçada, em caso de resistência injustificada.
e) Princípio da Inafastabilidade: Consagra a garantia constitucional do direito de
ação ou de acesso ao judiciário e esculpido no art.5° XXXV, CF,
caracterizando-se através do direito que todo jurisdicionado tem de buscar o
judiciário, sendo obrigação do Estado facilidade o seu contato.
f) Princípio da Jurisdição Condicionada: Caracteriza-se pela obrigatoriedade de
fornecimento de documento essencial, ou seja, de protocolo ou guia de
pedido administrativo requerendo a expedição de documento
extrajudicialmente.
A ausência deste documento enseja despacho saneador direcionado a
emenda inicial para que se apresente o respectivo documento, sob pena de
extinção do processo sem julgamento do mérito.
 Jurisdição Voluntária
A jurisdição voluntária, também conhecida como jurisdição graciosa ou
administrativa, é comumente definida como a administração pública de interesses
privados; nela não se cuida da lide, mas de questões de interesse privado que por
força da lei devem ter a chancela do Poder Público, tais como: nomeação de tutor
ou curador, alienação de bens de incapazes, separação consensual, arrecadação
de bens de ausentes etc. Há muitas divergências quanto a sua natureza.
I) Corrente jurisdicional: há certa dependência de iniciativa das partes interessadas,
sendo feita mediante ajuizamento da ação. Se existe ação e processo, então existe
jurisdição. Dessa maneira, a Justiça não somente existe quando há LIDE. Mas, todas as
vezes que o Judiciário se manifesta acerca do que lhe é levado a apreciar, está fazendo
Justiça no caso concreto e àqueles que submetem o problema, que seja litigioso ou
não.
Também é considerada jurisdicional por conta de a necessidade da decisão ter aptidão
para coisa julgada e assim evitar insegurança jurídica, ou seja, a rediscussão do
processo. Em relação ao réu, não existe, mas pode vir a existir, ou seja, a LIDE pode
acontecer no percurso do processo. Exemplo: Alteração do nome pode um credor
deste autor entender que este pretende mudar de nome para se livrar de dívidas
deixadas na praça. É a corrente majoritária.
II) Corrente procedimental: Porque não há lide, não há partes, só interessados; porque
não há jurisdição, não seria correto falar de ação nem de processo, institutos
correlatos à jurisdição: só haveria requerimento e procedimento. Porque não há
jurisdição, não há coisa julgada, mas mera preclusão. Em relação a isso há uma
possibilidade do autor poder repropor a ação, pois procedimento não faz coisa julgada,
entende-se que a perempção é o remédio adequado para resolver este problema.

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