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Mundos e Almas

É simples a aplicação da Árvore da Vida ao exame de qualquer entidade completa.
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1.

0 - Texto para reflexão no Oásis

4. OS QUATRO MUNDOS

É simples a aplicação da Árvore da Vida ao exame de qualquer entidade completa.


Primeiro a essência da criatura é identificada e colocada sobre o diapositivo de Tiferet em nossa
visão micro ou macrocósmica. Este ponto central é reconhecível pelo fato de ser o foco nuclear do
Ser e desempenhar o que Tiferet faz para a Árvore, como eixo de junção da maioria das circulações
que entram ou saem, sendo ao mesmo tempo criado por, e reconhecido como o centro de equilíbrio
de todo o organismo. Assim, por exemplo, o parlamento é o centro governante de uma nação, mas
ele apenas existe em virtude do consentimento desta nação.
Este ponto do Tiferet está situado no meio do caminho no eixo da consciência, enquanto
que de ambos os lados as funções ativas ou passivas desempenham suas tarefas vitais. A
familiaridade com os princípios dos sefirot nos leva logo a reconhecer as várias atividades de
qualquer organização. Assim, outra vez na Árvore parlamentar, o sefirah Hokhmah descreve o gênio
de uma nação, enquanto que no alto da outra coluna funcional, o passivo Binah define a lei tribal ou
constituição deste país. Hesed representa os poderosos membros mais velhos da tribo, com os
guerreiros de Gevurah debatendo com ardor novas formulações da lei. Abaixo, Hod faz a
comunicação entre povo e governo, enquanto Nezah se encarrega do eterno movimento
administrativo, independendo de qual partido esteja no poder. No eixo central da consciência, das
massas neste caso, o povo é Yesod, as fundações da nação; e, em teoria, o chefe de estado senta-se
em Daat, onde, no exemplo da Inglaterra, o trono protege em nome de Keter — a Coroa — o povo
que habita este território definido por Malkhut — o Reino.
No caso do corpo físico, o Tiferet de sua Arvore é o sistema nervoso central. Isto inclui o
cérebro, a medula espinhal e as miríades de células nervosas através do corpo. Aqui está o Trono de
Salomão (em linguagem kabbalística), do organismo físico. Com a identificação do Tiferet do corpo
estamos capacitados para começar a definir os princípios gerais que governam o organismo nos
termos da Árvore, mas primeiro é melhor ver o todo sob o ponto de vista dos Quatro Mundos, na
sub-Árvore de Asiyyah. Isto nos dará um quadro claro dos diferentes níveis de operação.
No mundo asiyyático da Árvore asiyyática temos o sistema físico do corpo, isto é, a
Grande Trfade formada por Malkhut-Hod-Nezah. Estas são as estruturas reais, compostas pelo
elemento terra, com o elemento água escorrendo através da tríade Hod-Nezah-Yesod, lubrificando e
circulando através do sólido, porém permeável, tecido do como.
A fundação arquitetural do corpo é dividida em três cavidades maiores. Estas são o crânio,
o tórax e o abdômen, cada qual contendo as massas moles e estruturais do cérebro, coração,
pulmões e vísceras. Tais órgãos contêm muitos processos pertencentes aos mundos superiores. Eles
são veículos para delicadas e complexas operações. Tudo isto está suspenso e amparado pela
estrutura do esqueleto.
Examinados em detalhe, todos os bio-sistemas possuem uma estrutura física, sejam eles
musculares, vasculares, linfáticos, pulmonares ou digestivos, mesmo que apenas como um tubo
contínuo da boca ao ânus. Essas configurações formam grandes vasos, dutos glandulares ou
diminutas perfurações nas paredes do tecido. Sendo todas permeáveis, facilitam as funções de fluxo,
retenção e drenagem dentro do corpo, sem as quais não atuariam no plano físico. No estômago
acontecem ações químicas, mas a comida tratada deve seguir adiante, além dos diversos músculos
esfíncteres de mão única do canal alimentar. O mesmo é válido para o sistema sanguíneo, no qual a
falha de uma válvula mecânica unidirecional é fatal. Tal é a natureza física do corpo que um
coágulo ou uma bolha de ar desequilibra a circulação e o balanço de muitos processos. Isto nos dá
idéia das interconexões da anatomia concreta do corpo. Na morte, cessam todas as atividades
elétricas, químicas e físicas associadas a um singular processo vivo. Fica a casca elemental, que
rápido se decompõe. E Malkhut, levando o corpo de volta a seu estado elemental.
Embora Malkhut seja a presente materialidade física do corpo Hod e Nezah, que compõem
a Tríade asiyyática, também desempenham sua parte como princípios funcionais. Mais tarde nos
ocupa remos destes sefirot, sendo agora nossa ocupação principal o Mundo de Asiyyah. Este, será
lembrado, é o mundo dos elementos e da ação e esta interação é o que acontece no triângulo
asiyyático. Sólidos, líquidos, gases e radiações fluem e refluem nos confins da anatomia. O calor, a
pressão e todas as dinâmicas da lei física, inclusive a gravidade, impedem que a situação se torne
estática. Estagnação é morte. A energia e a configuração material do corpo, embora aparentem
permanecer as mesmas, estão em um estado de mudança constante.
Em Asiyyah isto significa que os ossos mais densos estão sendo substituídos, bem como os
mais finos traços de substâncias raras que o como necessita para seu equilíbrio. Apenas algumas
células cerebrais duram a vida toda; o resto é todo substituído em um ciclo infinito de substância e
atividade, que se forma nos primeiros trinta anos até um apogeu auto-regulador. Depois disto, os
processos de manutenção não regeneram o organismo de maneira tão eficiente e cai a proporção de
uso e substituição, enquanto a vitalidade geral do organismo começa a falhar. Primeiro, a
propriedade física da elasticidade da pele desaparece, depois as juntas se endurecem, os ossos se
enrijecem e as artérias se tornam cobertas de gordura. Todas essas e muitas outras deficiências
acumulativas provocam uma deterioração gradual no mecanismo asiyyático. Este é o
desaceleramento da máquina física, que é bem separado da atividade química e elétrica do corpo.
Pulmões cobertos de manchas de fuligem ou de nicotina geram mutações celulares, moleculares e
atômicas que resultam em câncer, mas os pulmões ainda reagem de modo físico, tossindo quando os
sacos alveolares de ar se congestionam.
A grande Tríade asiyyática é cercada por caminhos que formam as membranas através do
corpo. Embora sua manifestação mais grosseira seja a pele, e a capa de Malkhut a sua camada
morta elemental, as membranas também incluem as mais finas e rarefeitas peles das paredes
capilares. Na pequena Tríade formada por Hod-Nezah-Yesod, o Mundo yezirático penetra Asiyyah
e será fácil observar que embora os órgãos sejam o “hardware” do corpo asiyyático, também
funcionam como “interface” com a Tríade do tecido, que pertence ao plano do princípio Aquoso e
da Formação. Como será visto, os órgãos participam tanto do Mundo yezirático quanto do
Asiyyático.
Isto estabelece, de modo muito claro, um importante fato da Árvore, isto é, que as Tríades
laterais são funcionais enquanto que os triângulos horizontais baseados no pilar do meio
relacionam-se aos diferentes níveis de operação. Assim, enquanto as do lado esquerdo da Arvore
são em princípio passivas e as da direita ativas, as configurações centrais denotam inteligência.
Admitir isto, requer a aceitação do conceito de uma hierarquia de consciência até mesmo na
materialidade inanimada. Para o físico rigoroso é difícil acreditar, mas na experiência da vida
comum é bem sabido, em especial nas artes, que certos materiais possuem uma qualidade própria.
Os joalheiros usam este conhecimento em seu ofício, e qualquer um com certo grau de sensibilidade
aponta a diferença entre pedras e metais vivos ou opacos. O ouro é para o químico um simples
elemento, porém é mais do que apenas o fino brilho de sua colorida superfície que o torna
universalmente cobiçado por primitivos e civilizados através da história. Possui uma qualidade viva
que nenhum instrumento de laboratório define, como também certas pedras, que para a ciência pura
não passam de minerais.
Presumindo que aceitamos o conceito de diferentes níveis de vitalidade ou inteligência,
vemos que as tríades centrais da Arvore descrevem tal fenômeno e onde se localizam, em um
esquema completo. No caso dos órgãos, eles elevam o nível dos elementos comuns à bioquímica e
os conduzem ao Mundo yezirático do corpo.
O plano yezirático demarcado por Gevurah-Hesed-Hod-Yesod-Nezah, é o mundo de
atividade dos fluidos e das moléculas. Eis aqui, em termos kabbalísticos, o Mundo das Formações.
Manifesta-se de muitas maneiras no corpo. Aqui no plano da bioquímica, as combinações
elementais ingeridas pelos sistemas asiyyáticos dos pulmões e do estômago são decompostas e
reformuladas em materiais úteis. No nível das células isto é vital, porque a maioria das substâncias
que entram são inaceitáveis pelo corpo neste nível de arranjo asiyyático. Assim, por exemplo, no
processo da digestão, alimentos complexos têm de ser separados em seus componentes simples e
divididos em carboidratos, gorduras e proteínas absorvíveis, sendo as substâncias incompatíveis
eliminadas e as supérfluas descartadas. Todos estes processos acontecem no plano Aquoso e mais da
metade do corpo é composta por este líquido. Dentro da pele exterior do corpo, morta e seca, a
maioria das ações químicas se passa na água, e o tecido, que forma a subestrutura da anatomia
asiyyática, é mantido em virtude da natureza aquosa da célula. Esta é a Tríade Hod-Tiferet-Nezah.
Em outro nível, mas ainda dentro do mundo yezirático, a Tríade Gevurah-Hesed-Tiferet lida de
forma direta com o metabolismo do corpo o qual, sendo do plano molecular e também participando
do Mundo beriático, relaciona-se à troca de forma e energia; mas trataremos disto em maiores
detalhes no capítulo sobre os sefirot do corpo.
O Mundo yezirático forma o corpo, no sentido literal. O que significa é que toma os
elementos que entram e os transforma em energia e matéria vivas de modo que, desde a primeira
respiração do bebê até o último suspiro da morte, a forma e a individualidade do corpo são
determinadas pela atividade yezirática desta pessoa. Assim, um homem durante seu período de vida
converte várias toneladas de alimento em carne. Cada pessoa não apenas substitui as células e
regenera seus órgãos, também engorda, ou permanece magra, ou se mantém no melhor equilíbrio
para seu tipo físico. Isto é determinado parcialmente pelos genes hereditários nos núcleos de suas
células que, através da construção molecular de seu ADN, a inclina a ser alta ou baixa, gorda ou
magra, mais uns poucos milhares de outras características familiares e raciais. Contudo, é de igual
importância o tipo de alimento ingerido e como seu corpo colabora com super ou subnutrição. Este
equilíbrio metabólico tem grande efeito na sua aparência ou forma física.
Todo homem tem o mesmo desenho asiyyático básico, mas as variantes devidas a sexo,
raça, tribo, dieta e temperamento pessoal são enormes. O homem ocidental tem a possibilidade de
manter hábitos alimentares equilibrados. Seu consumo de alimento inclui todos os ingredientes
vitais à sua saúde física, por causa do conhecimento e da riqueza de sua civilização. Mas, como
registra a observação, embora viva mais tempo que a maioria das outras comunidades, não é
necessariamente mais saudável. Isto é atribuído a outra qualidade do Mundo yezirático, que se
relaciona ao plano emocional de sua vida na Árvore superior de sua psicologia. Nas marés cheia e
vazante da água, as Árvores superior e inferior interagem mais do que em geral se pensa, de modo
que o metabolismo do corpo é afetado pelas respostas emotivas. Na verdade, a presente forma
corporal de um homem descreve seu estado emocional a longo prazo. Uma mulher engorda em
excesso porque carece de amor e deve comer paia compensar a falta; um homem emagrece de
preocupação, seu corpo consumindo enormes quantidades de energia metabólica em um cuidado
compensatório. Explicações simples para as delicadas operações que ocorrem bem fundo dentro dos
órgãos e células e que, ao contrário de uma máquina pura, estão de modo íntimo ligadas à psique do
homem. Aqui está o Mundo yezirático permeando e modelando os elementos que passam de
maneira contínua através do corpo, transformando-o através do período de vida, do bebê de três
quilos ao homem completamente desenvolvido de setenta quilos, até uma velha carcaça de trinta
quilos de um corpo sem alma.
No processo de gestação, o Mundo yezirático do corpo é observado com clareza. Depois
que a concepção é efetuada — o que é visto em termos da Árvore da Vida como o encontro dos
pilares da Mãe e do Pai no sefirah invisível de Daat — o Mundo de Beriah — ou Criações —
começa a se manifestar no sefirah Hesed, o princípio dinâmico expansivo. No útero da mulher
grávida o desenvolvimento do embrião acontece na água, no sentido literal. Eis Yezirah. Temos a
formação real do organismo, com a multiplicação das células em Hesed, e suas diferenciações em
tecidos e órgãos específicos em Gevurah. Completando o Mundo yezirático estão os sefirot de
Nezah, que opera todos os processos involuntários; Hod, os sistemas voluntários e de
comunicações; e Yesod — que no nascimento será a mente fabricante de imagens na coluna central
da consciência. Isto está centrado no plano asiyyático para que o corpo tenha uma imagem de si
mesmo — uma tela leitora, em linguagem de computador —onde a inteligência-eixo de Tiferet-
sistema nervoso central opera no Mundo asiyyático.
Em nosso esquema kabbalfstico, o Tiferet asiyyático é ao mesmo tempo o Malkhut da
Árvore superior, ou yezirático-psicológica. Para a criança em gestação, é o ponto de junção ligando
o princípio da vida ao corpo. Todas essas conexões são formadas nos processos yeziráticos do
organismo que evolui no útero. Os processos yeziráticos alimentam e constroem o veículo físico do
bebê, através da nutrição recebida da mãe, até que seus próprios órgãos estejam formados por
completo e prontos para assumir as funções asiyyáticas independentemente. Toda mãe olha, por
instinto, o seu recém-nascido para ver se é mal-formado. A Mãe Natureza, que opera através de toda
a Árvore física, sabe de maneira exata como o corpo deve ser. Nas sociedades menos sofisticadas e
nas selvagens, uma criatura deformada é logo rejeitada e de novo devolvida aos elementos para
reforma. Embora isto possa parecer monstruoso à prática médica ocidental, indica existir um
reconhecimento inerente de que nem todas as crianças obedecem às normas aceitáveis. Enquanto
lesões menores são aceitáveis, bebês portadores de discrepâncias físicas maiores não são
encorajados a viver. Este é o poder do Mundo yezirático que existe por direito, modelando nas
instruções do Mundo beriático da Criação, o barro do Mundo asiyyático no esquema do corpo que é
comum a toda a humanidade por mais de dezenas de milhares de gerações.
O Mundo beriático é o plano da Criação. Em termos do corpo, manifesta o impulso do
Relâmpago que desce de Hokhmah para o mundo físico. Este contexto é atômico e subatômico por
natureza e ocupa-se da fabricação de chaves elétricas que fazem a conexão com os mundos
inferiores. Como tal, são núcleos de sementes que crescerão para serem vistas, através de Yezirah,
em Asiyyah. Aqui é onde a criação acontece. No ponto de Daat, a Oitava recebe uma ajuda crucial
que permite aos pilares divinos ativo e passivo continuar um impulso iniciado em Keter. Isto se
manifesta no Mundo beriático, de modo que de um nada aparente, surgem energia e substância.
Além deste acontecimento miraculoso, testemunhado pelo macrocosmo e também pelo
microcosmo quando do nascimento da substância as possibilidades do tipo de criação são
determinadas. Assim, através da formulação de Binah, com a dinâmica de Hokmah, é criada a base
eletromagnética peculiar à vida orgânica antes que uma única célula seja formada. Este plano, ao
mesmo tempo grande e pequeno, está refletido nas galáxias tanto quanto nos átomos, cada qual
sendo um aspecto de níveis cósmicos idênticos. Os átomos e seus componentes de carga positiva e
negativa criam no corpo o campo para a materialidade e energia do corpo mineral, vegetal ou
animal encontrada no Mundo yezirático. Em Beriah, o Ser desejado pelo Absoluto através de Keter
é definido em princípios criativos para que a Tríade azilútica possa criar, desenvolver e
eventualmente manifestar em Malkhut. Em termos bíblicos o Senhor chamou, criou, formou e fez o
Universo (Isa. 43:7).
Um mundo como Beriah preocupa-se com a operação de leis objetivas. Nem Divino nem
Mundano, o trabalho é cósmico por natureza, criando uma matriz universal da qual emergem todas
as coisas que nos são familiares. A Ciência examina o aspecto elemental na física nuclear e brinca
com suas mecânicas e mutações. Na verdade, um distúrbio no nível atômico durante a gestação
produzirá um corpo yezirático e asiyyático deformado, como demonstra Hiroshima. O câncer
pertence a este plano e ocorre quando as instruções presentes no foco genético da célula se
degeneram, criando desarmonia dentro da totalidade do organismo. Muitos pioneiros dos raios X
contraíram esta doença pois a radiação, quando absorvida, perturba o padrão básico estrutural das
células. Substâncias cancerígenas, como a fuligem, atuam no plano químico; é provável que isto
desligue profundas chaves dentro do banco de informações da célula. Para se ter uma idéia de
escala, considere um ponto, que é dez por cento do tamanho de uma vírgula, e dentro deste existe
um núcleo que contém quarenta e seis cromossomos, e que cada par de cromossomos é composto
por delicados filamentos chamados genes. Existem cerca de 25000 genes, cada qual composto de
ácido dioxirribonucléico (ADN para encurtar), relacionado às proteínas. Estas cadeias de ADN
consistem de uma dupla espiral de moléculas que guardam dados codificados. Estes dados são vitais
ao bem-estar de todo o organismo, e são repetidos de modo fiel através de todos os milhares de
milhões de células de um homem.
A criação ocorre no momento cósmico da concepção, quando os singulares masculino e
feminino, esperma e óvulo, se encontram. Além da dança dos cromossomos, bem fundo no mundo
molecular e atômico, o gabarito genético é fundido. Aqui todas as possibilidades se focalizam e a
geração e manutenção contínua do futuro corpo é ajustada para o Mundo da Formação. De um
conjunto de princípios, inúmeras características são acionadas para serem repetidas em todas as
células, tecidos, órgãos, membros e corpo, ainda não-formados. A precisão neste nível é complexa,
embora os princípios envolvidos sejam simples. No plano de Beriah, o miraculoso é possível, e
ocorre todos os dias e em toda parte. No corpo do homem, é o organismo eletromagnético. Poderia
também ser convocado na sua posição da face asiyyática superior, que é ao mesmo tempo a face
inferior da Árvore yezirática. Isto nos dá uma outra indicação de sua possível natureza, pois o plano
da psicologia está incluído em sua influência. Aqui, talvez, resida uma compreensão da raiz do
câncer. Ainda mais importante, mostra como a psique de um homem desenvolve seu corpo, usando-
o como um veículo para andar do mundo físico até o terreno emocional da alma.
A maioria das pessoas paira no corpo, com as dinâmicas da energia e forma orgânicas mal
as sustentando como vegetais. Se isto é um problema político ou filosófico, o leitor decidirá.
Depende se você vê o Universo de dentro ou de fora. Do ponto de vista de nosso estudo, é dito que
o homem desce à terra vindo do Mundo yezirático e, embora só esteja consciente de seu corpo
asiyyático, possui, não obstante, todos os outros mundos dentro de si. Realizá-los depende de sua
escolha, e é possível sob as condições asiyyáticas em virtude do fato de que seu Daat, ou
conhecimento, está centrado no Mundo beriático de sua Árvore corporal. Esta consciência orgânica
dá a ele um ego individual focalizado na, e sobre a, existência física. Aqui ele olha para cima, para a
Arvore yezirática de sua alma, ou para baixo, para conhecer e controlar seu corpo. Neste ponto, é
possível uma nova concepção e subseqüente nascimento, porém em um movimento ascendente.
Beriah é o Mundo das dinâmicas. Aqui residem muitas configurações possíveis até se
formarem em Yezirah. Do conhecimento total contido em Daat, várias combinações são criadas para
serem formuladas e implementadas onde forem necessárias no plano físico. Esta seqüência é
observada na vida comum, onde uma idéia é mantida na mente durante anos, antes de emergir como
um determinado trabalho de arte ou invenção. No exemplo do nosso estudo do corpo, são as
permutações possíveis no ovo não fertilizado. Estas, por sua vez, se originam de um grande
arquétipo, no caso do homem — o Adão azilútico.
No mundo azilútico estão os aspectos mais puros do Criador. Aqui os Elohim existem
eternamente, embora arcanjos e anjos trabalhem nos mundos abaixo para produzir a manifestação
no Mundo asiyyático. Em Azilut estão os gabaritos da Criação, a perfeita, e para nós eterna,
realização de todas as coisas. Os homens mais completos residem neste plano, imagem original da
humanidade através de todo o Universo. Deste Mundo das Emanações segue adiante o modelo sem
mácula sobre o qual estamos fundamentados. Embora seja Beriah a implementação do princípio,
Azilut é a essência das essências, imutável, eterno em seu desenho arquetípico. Se fosse menos, não
seria o Ser que é. Todas as criaturas são subréplicas deste grande arquétipo, sendo cada espécie
subvariações da criação, por exemplo, do Grande Alce ou da Grande Abelha. Ninguém nunca viu
estes animais míticos, mas sem dúvida eles existem. Poderíamos chamá-los de “gênios” de tais
criaturas, espíritos vivos em estado beriático, antes e depois do animal existir sob várias formas em
Yezitah, para não mencionar sua breve estada física de milhões de anos no Mundo asiyyático, como
fez o dinossauro.
Para o nosso estudo do corpo reduzimos a escala, mas conservamos os princípios de Azilut.
Na tríade asiyyática divina composta de Keter-Hokhmah-Bínah reside a inteligência arquetípica da
Natureza. Aqui é mantido o gabarito clássico do corpo humano, entre os pilares gêmeos de força da
vida e sua organização, na coluna da forma. Dai emerge, durante a concepção, o arquétipo
imanifesto, mas eternamente repetido, no mundo eletromagnético da criação da Árvore asiyyática,
trazendo os primeiros sinais tangíveis de um Ser humano. Referindo-se sempre ao protótipo de
Adão, o bebê é formado e nasce no mundo físico para crescer e amadurecer em um homem terreno
completo. O que ele faz após a Natureza tê-lo preparado é de sua própria conta. Ele é capaz de
servir em qualquer nível. Recebe o equipamento que necessita de Azilut, embora escolher como
usá-lo seja sua própria decisão. Talvez ele contenha perfeição, apesar de não estar consciente,
porque Azilut, como todos os outros mundos, o permeia, embora ele seja um vagabundo desleixado
que durma debaixo de uma cerca, com a mente e o corpo encharcados de álcool. O Universo está
sempre presente, e para citar o Poeta Burns: “um homem é homem por causa de um ‘quê’ “.
Azilut é toda a vida orgânica no corpo humano. O homem contém todos os níveis vegetal e
animal da existência natural. Como Adão abrange todas as criaturas vivas da Criação e, como diz o
Gênesis, tem domínio sobre elas, do mesmo modo o homem é responsável por elas. Na vida física,
a humanidade experimenta estes sub-planos. Todos os homens conhecem fome e acasalamento, a
luta e a socialização. Os homens sabem também em seus corações que não são animais nem
vegetais, mas alguma coisa diferente, e embora procurando a origem de seu corpo, a maioria dos
homens vê apenas o domínio da Natureza. Mas o homem que busca mais além, deve ver a vida
acima da visão de seu corpo. Na verdade deve se separar de seu ego Yesódico e reconhecer um
observador dentro de si mesmo, que parece observar como que de um outro mundo. Este guardião é
o Keter de Asiyyah e o Tiferet do Mundo yezirático ao mesmo tempo. Como tal, é o caminho de
escape, a saída da roda da existência na lei da selva.
Entre o Tiferet de seu corpo, com puas miríades de motivações inteligentes porém do tipo
“lutar ou fugir”, está a consciência Daat — ou o Conhecimento de seu mundo físico — residindo
em um caminho que ascende através do nível azilútico de Asiyyah e levanta questões sobre a
natureza do homem. Estas não são considerações apenas sobre os homens ou sobre si mesmo, mas
sobre o Homem, seu destino e significado. O corpo morre e até o mais primitivo dos homens tribais
suspeita que alguma coisa continua vivendo, mesmo sob forma não-pessoal. Aqui está um fraco
reconhecimento não apenas do Mundo yezirático da alma e de toda a humanidade (Beriah), mas do
Homem como um Ser único. Esta Imagem azilútica ocorre em muitas histórias antigas que ainda
hoje têm seu poder. A História está repleta da imagem ideal do Homem, embora cada idade a tenha
moldado em uma vaga imitação de como deva ser um homem.
Em nossa psicologia pessoal, sonhamos com nosso homem ou mulher perfeito, o Homem e
Mulher idealizados, descendo do andrógino Mundo azilútico. Tal é a potência deste plano que em
nossa existência física, com nossos corpos asiyyáticos, procuramos todo o tempo encontrar a outra
metade de nós mesmos, para que a união resultante seja como as perfeitas relações de amor escritas
e cantadas no folclore através dos séculos. O reconhecimento universal deste tema, não importando
época ou lugar, indica e reflete uma vaga apreciação do Mundo Arquetípico. Contudo, antes de
sermos capazes de reconquistar o Paraíso, entrar no Reino dos Céus e concretizar esta união mais
do que perfeita, devemos começar pelo começo, isto é, de Malkhut, do nosso nível — o corpo
físico.

Adão e a Arvore Kabbalística – Z’ev bem Shimon Halevi – Editora Imago -1990
Reflexão

2.0 - Texto para reflexão no Oásis


CAPITULO VI
COMUNICAÇÃO FEITA À SOCIEDADE DE PSICOLOGIA DE MUNIQUE, NA SESSÃO DE 5 DE MARÇO DE
1887, POR C. DE LEININGEN.
A ALMA SEGUNDO A QABALAH

1 — A alma durante a vida

Entre as questões de que se ocupa a filosofia enquanto ciência exata, existe uma que nunca
deixou de preocupar a humanidade; refere-se à nossa própria essência, à imortalidade e à
espiritualidade de nosso ser interior. Em toda parte e em todos os tempos, os sistemas e as doutrinas
sobre esse tema têm-se sucedido rapidamente. São variáveis e contraditórios. A palavra alma serviu
para designar formas de existência ou nuances de seres as mais variadas. De todas as doutrinas
antagônicas, sem dúvida a mais antiga é a filosofia transcendental dos Judeus ou Cabala , que é
também a que talvez mais se aproximou da verdade. Transmitida oralmente, como seu nome indica,
ela remonta ao berço da espécie humana. É em parte o produto dessa inteligência ainda não turvada,
desse espírito penetrado pela verdade que, segundo a antiga tradição, o homem possuía em seu
estado original.
Se admitimos a natureza humana como um todo complexo, achamos nela, de acordo com a
Qabalah, três partes bem distintas: o corpo, a alma e o espírito. Elas se diferenciam como o
concreto, o particular e o geral, sendo então uma o reflexo da outra, e cada uma delas também
apresenta em si própria essa tríplice distinção. Em seguida, uma nova análise destas três partes
fundamentais distingue outras nuances que se elevam sucessivamente umas sobre as outras, desde
as partes mais profundas, mais concretas, mais materiais, o corpo externo, até as mais elevadas,
mais gerais, mais espirituais.
A primeira parte fundamental, o corpo, com o princípio vital, que compreende as três
primeiras subdivisões, leva na Qabalah o nome de Nephesch; a segunda, a alma, sede da vontade,
que constitui propriamente a personalidade humana, e contém as três subdivisões seguintes, chama-
se Ruach; a terceira, o espírito com suas três potências, recebe na Qabalah o nome de Neschamah.
Como já tínhamos destacado, essas três partes fundamentais do homem não são
completamente distintas e separadas; é preciso, ao contrário, representá-las como passando de uma
à outra pouco a pouco, como as cores do espectro que, ainda que sucessivas, não podem ser
completamente distinguidas, estando como que misturadas umas as outras. Do corpo, isto é, da
parte mais ínfima de Nephesch, elevando-se através da alma — Ruach — ao mais alto degrau do
espírito— Neschamah —, encontram-se todas as gradações, como se passa da sombra à luz pela
penumbra; e reciprocamente, das partes mais sublimes do espírito às mais materiais, percorrem-se
todas as gradações da radiação, como se passa da luz à obscuridade pelo crepúsculo. E, acima de
tudo, graças a esta união interior, a esta fusão das partes umas com as outras, o número nove se
perde na Unidade para produzir o homem, espírito corpóreo, que une em si os dois mundos.
Se agora tentarmos representar esta doutrina por um esquema, obteremos a figura inclusa
(ver figura na próxima pagina).
O círculo a, a, a, designa Nephesch, e 1, 2, 3 são suas subdivisões; entre estas, 1
corresponde ao corpo, à parte mais baixa, mais material do homem; b, b, b, é Ruach (a alma) e 4, 5,
6, são suas potências. Enfim c, c, c, é Neschamah (o espírito) com os graus de sua essência, 7, 8, 9.
Quanto ao círculo exterior 10, representa o conjunto do ser humana vivo.
Consideremos, agora, mais de perto, as diferentes partes fundamentais, começando pela de
grau inferior, Nephesch, o princípio da vida, ou forma de existência concreta; constitui a parte
externa do homem vivo, O que ali domina é, principalmente, a sensibilidade passiva para o mundo
exterior: pelo contrário, a atividade ideal é diminuta. Nephesch está diretamente em relação com os
seres concretos que lhe são exteriores, e é pela sua influência que ele produz uma manifestação
vital. Mas ao mesmo tempo ele também age no mundo exterior, graças ao seu próprio poder criador,
emergindo de sua existência concreta novas forças vitais, restituindo assim sem cessar o que
recebeu. Esse grau concreto constitui um todo perfeito, completo em si mesmo e no qual o ser
humano encontra sua exata representação exterior.

Vista como um todo perfeito, em si mesma, essa vida concreta compreende igualmente três
graus, que estão relacionados como o concreto, o particular e o geral ou como a matéria executada,
a força executante e o princípio, e que ao mesmo tempo são os órgãos nos quais e pelos quais o
interno, o espiritual opera e se manifesta exteriormente. Os três graus são, portanto, cada vez mais
elevados e interiores, e cada um deles contém em si matizes diferentes. As três potências de
Nephesch em questão estão dispostas e agem absolutamente da maneira que será agora exposta
pelas três subdivisões de Ruach.
Este segundo elemento do ser humano RUACH (a alma) não é tão sensível como
Nephesch às influências do mundo exterior; a passividade e a atividade ali se encontram em
proporções iguais; consiste antes num ser interno, ideal, no qual tudo o que a vida corpórea,
concreta, manifesta exteriormente como quantitativo e material encontra-se interiormente no estado
virtual. Esse segundo elemento humano flutua, pois, entre a atividade e a passividade, ou a
interioridade e a exterioridade; em sua multiplicidade objetiva, ele não aparece claramente nem
como algo real, passivo e exterior, nem como algo interior, intelectual e ativo mas como algo
mutável, que de dentro para fora se manifesta como ativo, embora passivo — ou como algo que dá,
embora seja de natureza receptiva. Assim, a intuição e a concepção não coincidem exatamente na
alma, embora não estejam claramente separadas a ponto de não haver facilmente fusão de uma na
outra.
O modo de existência de cada ser dcpende do grau maior o menor de sua coesão com a
natureza, e da maior ou menor atividade ou passividade conseqüente; a percepção do ser é
proporcional a sua atividade. Quanto mais um ser for ativo, mais será elevado, e mais lhe será
possível examinar as profundezas íntimas do ser.
Ruach, composto de forças que formam a base do ser material objetivo, goza ainda da
propriedade dc se distinguir de todas as outras partes como um indivíduo especial, de dispor de si
próprio e de se manifestar no exterior por uma ação livre e voluntária. Essa “alma” que representa
igualmente o trono e o órgão do espírito é ainda a imagem do homem todo, como dissemos; tal
como Nephesch, ela se compõe de três graus dinâmicos que estão um em relação ao outro, como o
Concreto, o Particular e o Geral, ou como a matéria acionada, a força ativa e o princípio; assim,
existe não somente uma afinidade entre o concreto, em Ruach, que é seu grau mais baixo e o mais
exterior (o círculo 4 do esquema) , e o geral em Nephesch, que forma sua esfera mais alta (círculo
3) , mas também entre o geral em Ruach (círculo 6) e o concreto no espírito (círculo 7) . Ao mesmo
tempo que Ruach, assim como Nephesch, contêm três graus dinâmicos, estes têm seus
correspondentes no mundo exterior, como aparece mais claramente pela comparação do
macrocosmo com o microcosmo. Cada forma de existência particular no homem vive de sua vida
própria dentro da esfera do mundo que lhe corresponde, com a qual se relaciona por contínuas
trocas, dando e recebendo, através de seus sentidos e de seus órgãos internos especiais.
Por outro lado, Ruach, em razão de sua parte concreta, tem necessidade de se comunicar
com o concreto que lhe é inferior, da mesma forma que sua parte geral confere-lhe uma tendência a
dirigir-se às partes gerais que lhe são superiores. Nephesch não poderia se ligar a Ruach se não
houvesse também alguma afinidade entre eles, assim como Ruach não se ligaria a Nephesch e a
Neschamah se não houvesse entre eles algum parentesco.
Assim, a alma exaure, por um lado, no concreto que a precede a plenitude de sua própria
realidade objetiva, e, por outro lado, no geral que a domina a interioridade pura. a Idealidade que se
constitui em si própria dentro de sua atividade independente. Ruach é, pois, o vínculo entre o Geral
ou Espiritual e o Concreto ou Material, unindo no homem o mundo interno inteligível com o mundo
externo real; é, por sua vez, o suporte e a sede da personalidade humana.
A alma deste modo se encontra em dupla relação com seus três objetos, a saber: 1º com o
concreto que está abaixo dela; 2º com o particular que corresponde a sua natureza e está fora dela;
3º com o geral que está acima dela. Faz-se nela, em dois sentidos contrários. uma circulação de três
correntes entrelaçadas, porque: 1º ela é excitada por Nephesch que está abaixo dela e a seu redor
agindo sobre ela pela inspiração; 2º ela se comporta ativa e passivamente com o exterior,
correspondendo a sua natureza, isto é, o Particular; 3º e essa influência que ela transforma em seu
centro após ter recebido de baixo ou de fora, ela dá-lhe a virtude de elevar-se o suficiente para ir
estimular Neschamah nas regiões superiores. Por esta operação ativa, as faculdades superiores
excitadas produzem unia influência vital mais elevada, mais espiritual, que a alma, retomando seu
papel passivo, recebe para transmitir para fora ou para baixo dela.
Assim, embora Ruach tenha uma forma de existência particular, seja um ser de uma
consistência própria, não é menos verdade que o primeiro impulso de sua atividade vital vem-lhe da
excitação do corpo concreto que lhe é inferior. E como o corpo, por uma troca de ações e de reações
com a alma, é, graças a sua impressionabilidade, penetrado por ela, enquanto que ela própria
desvia-se como participante do corpo, também a alma, por sua união com o espírito, é completada e
inspirada.
A terceira parte fundamental do ser humano, NESCHAMAH, pode ser designada pela
palavra Espírito, no sentido em que é empregada no Novo Testamento. Nela, a sensibilidade passiva
em relação à natureza exterior não se encontra mais; a atividade domina a receptividade. O espírito
vive sua vida própria, e somente para o Geral ou para o mundo espiritual com o qual se acha em
constante relação. Entretanto, como Ruach, Neschamah não tem só necessidade, em razão de sua
natureza ideal, do Geral absoluto ou Infinito divino; precisa também, por causa de sua natureza real,
de alguma relação com o particular e o concreto que estão abaixo de si, e pelos quais se sente
atraído.
O Espírito também está em dupla relação com seu tríplice objeto; para baixo, para o
exterior e para o alto, faz ainda nele, em dois sentidos contrários, uma tríplice corrente entrelaçada,
semelhante àquela descrita acima para Ruach. Neschamah é um ser puramente interior, mas também
passivo e ativo, do qual Nephesch, com seu princípio vital e seu corpo, Ruach com suas forças,
representam uma imagem exterior. O que há de quantitativo em Nephesch e qualitativo em Ruach
vem do espírito — Neschamah — puramente interior e ideal.
Do mesmo modo que Nephesch, Ruach contém três graus diferentes de existência, ou
potencialidade de espiritualização, de modo que cada um é uma imagem menor do ser humano
inteiro (ver o esquema) . A Cabala distingue, ainda, três graus em Neschamah.
É particularmente a este elemento superior que se aplica o que foi dito de início, isto é, que
as diferentes formas de existência da constituição humana não são seres distintos, isolados,
separados, mas que estão, ao contrário, misturados uns nos outros; porque aqui tudo se espiritualiza
cada vez mais, tendendo cada vez mais à Unidade.
Das três formas superiores de existência do homem, que estão reunidas na mais ampla
acepção do vocábulo Neschamah, a mais inferior pode ser designada por Neschamah propriamente
dita. Esta tem pelo menos algum parentesco com os elementos superiores de Ruach; consiste em um
conhecimento interior e ativo do qualificativo e do quantitativo que estão abaixo dela. A segunda
potência de Neschamah, que é o oitavo elemento no homem, é denominada pela Cabala ChaiIah.
Sua essência consiste no conhecimento da força interna superior, inteligível, que serve de base ao
ser objetivo manifestado e que, em conseqüência, não pode ser percebida nem por Ruach nem por
Nephesch e não poderia ser reconhecida por Neschamah propriamente dita. A terceira potência de
Neschamah, o nono elemento e o mais elevado no homem, é Jechidad (a Unidade em si) ; sua
essência própria consiste no conhecimento da Unidade fundamental absoluta de todas as variedades,
do Um absoluto originário.
Agora a relação assinalada desde o início, do Concreto do Particular e do Geral, que liga
Nephesch, Ruach e Neschamah, de modo que cada um ofereça a imagem do todo, vai se reencontrar
resumindo tudo que foi exposto: primeiro grau de Nephesch, o corpo — o concreto no concreto;
segundo grau, o particular no concreto; terceiro, o geral no concreto.
Da mesma forma Ruach: primeira potência, o concreto no particular; segunda, o particular
no particular; terceira, o geral no particular. Enfim, em Neschamah, primeiro grau, o concreto no
geral; segundo grau (Chaijah) , o particular no geral; terceiro (Jechidad) , o geral no geral.
É assim que se manifestam as diversas atividades e as virtudes de cada um desses
elementos do ser.
A alma (Ruach) tem sem dúvida uma existência própria; entretanto, ela é incapaz de um
desenvolvimento independente sem a participação da vida corporal (Nephesch) , assim como do
espírito (Neschamah). Por outro lado, Ruach tem com Nephesch uma dupla relação; influenciada
por ele, está ao mesmo tempo voltada para fora, para exercer uma livre reação de modo que a vida
corpórea concreta participe do desenvolvimento da alma; a mesma relação existe entre o espírito e a
alma; através da própria Ruach tem dupla relação com Nephesch. Contudo, Neschamah tem, ainda,
em sua própria constituição, a fonte de seu movimento, ao passo que os movimentos de Ruach e de
Nephesch não são mais do que emanações livres e vivas de Neschamah.
Da mesma forma, Neschamah encontra-se, em certa medida, em dupla relação com a
Divindade, pois a atividade vital de Neschamah é já em si uma atração pela divindade de conservá-
lo, de obter a influência necessária a sua subsistência. Assim, o espírito ou Neschamah. e por seu
intermédio Ruach e Ncphesch, vão involuntariamente servir-se da divina fonte eterna, fazendo
irradiar perpetuamente a obra de sua vida em direção ao alto; enquanto que a Divindade penetra
constantemente Neschamah e sua esfera para dar-lhe a vida e a duração, ao mesmo tempo que a
Ruach e a Nephesch.
Entretanto, segundo a doutrina da Cabala, o homem, em vez de viver na Divindade e de
receber dela constantemente a espiritualidade de que tem necessidade, mergulhou cada vez mais em
seu amor próprio e no mundo do pecado; após “sua queda” (ver Gênese, III, 6-20), abandonou seu
centro eterno pela periferia. Esta queda e afastamento ininterrupto e cada vez maior da Divindade,
que foi o resultado, teve como conseqüência a decadência dos poderes na natureza humana, e em
toda a humanidade. A centelha divina retirou-se cada vez mais do homem, e Neschamah perdeu a
íntima união com Deus. Da mesma forma Ruach afastou-se de Neschamah e Nephesch perdeu sua
íntima união com Ruach. Por esta perda geral, o relaxamento parcial dos laços entre os elementos, a
parte inferior de Nepheseh, que formava originariamente no homem um corpo etéreo luminoso.
tornou-se nosso corpo material; por isso o homem sujeitou-se à dissolução das três partes principais
de sua constituição.

A Cabala, Papus, Editora Martins Fontes, 1988


Reflexão

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