Apostila
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Apresentação
A Teontologia, palavra formada por “Théos” (Deus) + “Onto” (ser) + “logia” (Estudo ou Doutrina) é o estudo sobre a doutrina de Deus.
Nesta parte da Teologia Sistemática estuda-se a respeito do ser de Deus, sua espiritualidade e natureza trina, onde fica claro, por
exemplo, a sua imanência e transcendência. É onde estuda-se os atributos de Deus, como a eternidade, sua imutabilidade, onisciência,
onipotência, onipresença, santidade, justiça, fidelidade, misericórdia, amor, bondade, entre outros.
TEONTOLOGIA I
INTRODUÇÃO
A Bíblia é um sistema teológico não mais que a natureza é um sistema químico ou mecânico.
Encontramos na natureza os fatos que o químico ou o filosofo mecânico tem a examinar, e à luz deles pode
verificar as leis pelas quais são determinados. E assim a Bíblia contém as verdades que o teólogo precisa
coligir, autenticar, organizar e demonstrar em sua relação natural umas com as outras. Isso constitui a
diferença entre a teologia bíblica e a teologia sistemática. A função da primeira é asseverar e declarar os
fatos da Escritura. A função da segunda é tomar esses fatos, determinar a sua relação entre si e com as
outras verdades cognatas, bem como vindicá-las e mostrar sua harmonia e consistência. Essa não é uma
tarefa fácil, nem de somenos importância. (Charles Hodge)
Por causa do grande número de tópicos cobertos num estudo de teologia sistemática e devido ao
detalhamento minucioso com que esses tópicos são analisados, é inevitável que alguém, ao estudar um
texto ou fazer um curso de teologia sistemática pela primeira vez, tenha muitas de suas crenças pessoais
desafiadas ou modificadas, refinadas ou enriquecidas. Por isso, é de extrema importância que qualquer
pessoa ao iniciar tal curso tenha em mente a firme resolução de abandonar como falsa qualquer ideia que
seja contestada pelo ensino das Escrituras. (Wayne Grudem)
Teologia é o conhecimento sistematizado de Deus de quem, por meio de quem, e para quem são
todas as coisas. (Louis Berkhof ).
Teologia é a ciência de Deus e das relações entre Deus e o universo. (Augustus Hopkins Strong).
Teologia é a exibição dos fatos da Escritura em sua própria ordem e relação, com os princípios ou
verdades gerais envolvidas nos próprios fatos, os quais se completam e se harmonizam como um todo.
(Charles Hodge).
A. ALVO DA TEOLOGIA
É a certificação dos fatos que dizem respeito a Deus e às relações entre Deus e o universo, e a
apresentação de tais fatos em sua unidade racional como partes conexas de um formulado e orgânico
sistema de verdade.
Ao definirmos a teologia como ciência, indicamos o seu alvo. A ciência não cria; descobre. A teologia
responde a esta descrição da ciência. Descobre fatos e relações, mas não os cria.
B. POSSIBILIDADE DA TEOLOGIA
A possibilidade da Teologia tem uma tríplice base:
1º. Na existência de um Deus que se relaciona com o universo.
2º. Na capacidade da mente humana de conhecer Deus e algumas de tais relações. 3º. Na provisão de
meios pelos quais Deus se põe em real contato com a mente ou, em outras palavras, na provisão de uma
revelação.
C. NECESSIDADE DA TEOLOGIA
3º. Na importância dos pontos de vista definidos e justos da doutrina cristã para o pregador.
A sua principal qualificação intelectual deve ser o poder de conceber clara e compreensivamente e
expressar precisa e poderosamente a verdade.
Ele pode ser o agente do Espírito Santo na conversão e santificação dos homens só quando pode
brandir “a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6:17), ou, em outra linguagem, só quando pode
imprimir a verdade nas mentes e consciências de seus ouvintes.
4º. Na íntima conexão entre a doutrina correta e o firme e agressivo poder da igreja.
A segurança e o progresso da igreja dependem do “padrão das sãs palavras”
(2 Tm 1:13), e de ser “coluna e esteio da verdade” (1 Tm 3:15).
O entendimento defeituoso da verdade, mais cedo ou mais tarde, resulta em falhas de organização,
de operação e de vida.
"Se existe ou não uma suprema inteligência pessoal, infinita e eterna, onipotente, onisciente e
onipresente, Criador, Sustentador e Governante do universo, imanente em tudo, ainda que transcendendo
a tudo, gracioso e misericordioso, Pai e Remidor da humanidade, é, sem dúvida, o mais profundo problema
que possa agitar a mente humana. Jazendo à base de todas as crenças religiosas do homem, está ligado
não apenas à felicidade temporal e eterna do homem, mas também ao bem-estar e progresso da raça." -
Whitelaw.
A existência de Deus é uma premissa fundamental das Escrituras, que não tecem argumentos para
afirmá-la ou comprová-la. Por conseguinte, nossa principal base para a crença na realidade de Deus se
encontra nas páginas da Bíblia. A Bíblia, portanto, não se destina ao ateu, que nega a existência de Deus,
nem ao agnóstico declarado, que nega a possibilidade de saber se existe Deus ou não. Também não tem
valor para o incrédulo que rejeita a revelação de Deus e, por isso mesmo, o Deus da revelação. O ateu
rejeita o conceito de Deus por não ser capaz de descobri-lO no universo material. Deus, porém, sendo
Espírito, não pertence à categoria da matéria e, portanto, não pode ser descoberto por investigações
meramente naturais ou materiais.
O vocábulo "agnosticismo" se deriva da partícula negativa grega "a" (não) e do termo grego "ginosko"
(conhecer), tendo assim o sentido de "não conhecer". Foi criado pelo professor HuxIey para expressar sua
própria atitude. Provavelmente foi sugerido pelo nome dado a uma antiga seita (os gnósticos), que
pretendiam possuir um conhecimento especial.
A incredulidade rejeita, irracionalmente, qualquer possibilidade de haver uma revelação divina, pois
é evidente à mente sem preconceitos que o Deus da natureza é também o Deus da revelação, visto que
muitas provas a respeito de um, podem ser oferecidas a respeito do outro. O incrédulo, todavia, rejeita a
Bíblia como revelação divina e, por conseguinte, rejeita aquilo que ela revela e assim se recusa a crer no
Deus da Bíblia.
Há certo número de argumentos que, embora não sejam aceitos como provas concludentes da
existência de Deus, podem, apesar disso, ser considerados como provas corroborativas.
Rm 1.19-21,28 – “Porque o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes
manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria
divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas
que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis. Porquanto, tendo conhecimento de Deus não
o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios,
obscurecendo-se-Ihes o coração insensato. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio
Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem cousas inconvenientes.”
"O homem em toda parte acredita na existência de um Ser Supremo ou Seres a quem é moralmente
responsável e a quem necessita oferecer propiciação. Tal crença pode, ser crua e mesmo grotescamente
representada e manifestada, mas, a realidade do fato não é mais invalidada por tal crueza do que a
existência de um pai é invalidada pelas cruas tentativas de uma criança para desenhar o retrato de seu pai."
- Evans.
É um princípio aceito que todo efeito deve ter uma causa adequada. Por conseguinte, todos os
elementos que são possuídos de qualquer efeito devem residir, ainda que seja apenas potencialmente,
dentro da causa. Há certos elementos que são característicos no universo material e que indicam a
existência de Deus conforme o conhecemos por meio da Revelação Divina.
"Galeno, célebre médico de inclinações ateísticas, depois de ter feito a anatomia do corpo humano,
examinado cuidadosamente seu arcabouço, visto quão adequada e útil é cada parte, percebido as diversas
intenções de cada pequenino vaso, músculo e osso, e a beleza do todo, viu-se tomado pelo espírito de
devoção e escreveu um hino a seu Criador. Deve ser realmente insensato o homem que, após estudar
plenamente o Seu próprio, corpo, possa conservar-se ainda, ateu." - Arvine.
A ordem e a harmonia são sinais de inteligência. Com isso queremos dizer que a ordem e a harmonia
estão invariavelmente associadas à inteligência. Se isso é verdade, e ordem e harmonia são encontradas
na natureza, então a existência da inteligência na natureza fica provada além de qualquer dúvida. Como
ilustração disso, podemos citar um exemplo na química. Toda molécula de matéria, de toda variedade
possível, é uma massa definida de elétrons reunidos com a mais exata relação aritmética e geométrica. Há
muito mais ordem na construção de uma molécula do que na construção de um edifício.
O homem, que possui existência pessoal, manifesta a existência de Deus como Ser pessoal.
"Sabemos que existimos. Não podemos duvidar racionalmente desse fato, pois o conhecimento é
imediato e traz consigo seu próprio certificado de certeza. Partindo disso, o passo seguinte é inescapável.
O fato de que não demos origem a nós mesmos quase que é forçado sobre nós. Sabemos que não
produzimos nossa própria alma. Isso traz consigo, imediatamente, a verdade correlata de que devemos ter
sido originados por alguém fora de nós mesmos, que deve possuir poder suficiente para ter produzido nossa
alma, que é o efeito observado. Ou fomos originados por um agente pessoal ou por um agente que não era
pessoal. Não há outra alternativa. Neste ponto apelamos para a verdade axiomática da razão, que a causa
deve ser adequada para produzir o efeito observado." - Hamilton.
Os céus e a terra, e o próprio homem, são os resultados testificadores de um poder que é, ao mesmo
tempo, sobre-humano e sobrenatural. Isso é evidente na sua origem e preservação. A natureza inteira dá
testemunho impressionante de uma criação universal, maravilhosa, e da sua preservação.
O homem possui mentalidade e moralidade. Portanto, essas qualidades devem estar incluídas na
causa que o produziu.
"O homem possui natureza intelectual e moral, pelo que seu Criador deve ter sido um Ser, intelectual e
moral, Juiz e. Legislador. O homem tem natureza emotiva; somente um Ser dotado de bondade, poder,
amor, sabedoria e santidade poderia satisfazer essa natureza, o que indica a existência de um Deus pessoal.
A consciência dentro do homem diz: 'Farás', ou 'Não farás', 'Devo', ou 'Não,devo'. Ora, esses mandados não
são auto-impostos. Implicam a existência de um governador Moral a quem somos responsáveis. A
consciência, ei-la aí no peito humano qual Moisés ideal trovejando, de um Sinai invisível, Lei de um Juiz
santo. Disse o Cardeal Newman: 'Não fora a voz que fala com clareza em minha consciência e meu coração,
e eu seria ateu, ou panteísta, ao examinar o mundo'. Algumas cousas são erradas, outras certas: amor é
certo, ódio é errado. Nem tampouco a cousa é certa porque agrada, errada porque desagrada. Donde nos
veio esse padrão de certo e errado? A moralidade é obrigatória e não facultativa. Quem a tomou obrigatória?
Precisamos crer que existe Deus, ou teremos que acreditar que a própria origem de nossa natureza é uma
mentira." - Evans.
5 Prof. Marcos Silva, pastor-mestre
Curso Básico de Teologia TEONTOLOGIA I
1.1.4. O Argumento Decorrente da Harmonia Evidente da Crença em Deus com os Fatos Existentes
Quando passamos a considerar a Terra em si, isto é, separada dos demais componentes do sistema
solar, não podemos escapar da convicção de que uma mão criadora a modelou. De que outra maneira pode
ser explicadas as coisas, que somente os voluntariamente cegos podem deixar de observar?
Alguém já disse acertadamente que, se Deus não existisse, seria necessário criar um. De modo
quanto se pode aprender pelas investigações astronômicas, aquilo que é evidentemente verdade no que
tange à Terra, no que concerne à tendência dotada de propósito, é também verdade no tocante aos outros
planetas e sistemas que caem sob a observação telescópica. A crença em um Deus autoexistente e pessoal
está em harmonia com a existência dos fenômenos do mundo natural.
"Se Deus existe, a crença universal em sua existência é bastante natural; o impulso irresistível de procurar
uma causa primária é assim explicado; nossa natureza religiosa tem um objeto; a uniformidade das leis
naturais encontra uma explicação adequada, e a história humana é vindicada da acusação de ser uma vasta
impostura." - Pendleton.
"Desde os primórdios da ciência moderna vêm emergindo constantemente aparentes discrepâncias entre
a natureza e a revelação, o que, por algum tempo, tem ocasionado grande escândalo a crentes zelosos; em
cada exemplo, porém, sem a menor exceção, tem sido descoberto que o erro se encontra ou na
generalização apressada da ciência, devido ao conhecimento imperfeito dos fatos, ou na interpretação
tendenciosa das Escrituras; e invariavelmente, a ciência mais amadurecida, conforme se tem descoberto
posteriormente, não apenas se harmoniza perfeitamente com a letra da Palavra de Deus apropriadamente
interpretada, mas, além disso, ilustra gloriosamente os grandes princípios morais e as doutrinas ali
reveladas." - Hodge.
"Grande proporção de nosso conhecimento depende do testemunho dado por outros. Ora, a Bíblia é uma
testemunha competente. Se o testemunho de viajantes é suficiente para satisfazer-nos quanto aos hábitos,
costumes e maneiras dos povos dos países que visitaram e que nós nunca vimos, por que é que a Bíblia,
uma vez que se trata de história autêntica, não é suficiente para satisfazer-nos com sua evidência referente
à existência de Deus?" - Evans.
Desde que o tempo teve início, o homem tem procurado descrever ou retratar Deus por meio de
figuras, da pintura e da palavra descritiva, mas sempre tem falhado, ficando muito aquém de seu alvo. Pois
como pode aquilo que é finito ter a esperança de compreender e expressar aquilo que é Infinito? O próprio
povo escolhido procurou apresentar medidas e descrições de Deus a seus semelhantes, e assim fizeram
ídolos de metal e disseram: "São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito" (Ex 32.4).
Falharam totalmente, porém, na tentativa de proporcionar a mais desmaiada concepção de Deus às suas
imagens fundidas, o que se percebe pela profundeza de depravação em que se atolaram, levados pela
substituição do verdadeiro culto de Jeová pelos ídolos. Tampouco as modernas tentativas mediante a ciência
e a filosofia têm sido mais felizes, pois nosso Deus não pede ser medido, retratado nem "descoberto
perfeitamente".
A natureza de Deus melhor se revela pelos Seus atributos. Precisamos ter o cuidado de não imaginá-
los como sendo abstratos, mas como meios vitais que revelam a natureza de Deus.
"O termo 'atributo', em sua aplicação às pessoas e às coisas, significa algo pertencente às pessoas ou
coisas. Pode ser definido como qualidade ou característica essencial, permanente, distintiva e que pode ser
afirmada, como por exemplo, a cor ou o perfume de uma rosa. Os atributos de uma coisa lhe são tão
essenciais que, sem eles, ela não poderia ser o que é; e isso é igualmente verdade dos atributos de uma
pessoa. Se um homem se visse privado dos atributos que lhe pertencem, deixaria de ser homem, pois tais
atributos lhe são inerentes, na sua qualidade de ser humano. Se transferirmos essas idéias a Deus,
descobriremos que Seus atributos Lhe pertencem inalienavelmente, e, portanto, o que Ele é agora, há de
ser sempre." - Pendleton.
Os teólogos têm feito muitas tentativas para ordenar ou classificar os atributos de Deus. Têm-nos
dividido em atributos naturais e morais, comunicáveis e incomunicáveis, positivos e negativos, absolutos e
relativos. A todas essas divisões e epítetos designativos, sem dúvida, podem ser feitas objeções.
Provavelmente a classificação de atributos naturais e morais, existentes em Deus, é tão boa como qualquer
outra classificação. Esses têm sido assim definidos:
"Os atributos naturais de Deus são todos aqueles que pertencem à Sua existência como Espírito infinito
e racional; os morais são aqueles atributos adicionais que Lhe pertencem como Espírito infinito e justo." -
Pendleton.
"Vida" pode ser considerada como aquela forma de existência, animada em distinção da inanimada,
que inclui uma força e uma condição, cuja força é o fato determinante de todas as relações originadas e
sustentadas, tanto internas como externas, cuja condição é aquela constituída por essas relações, assim
originadas e sustentadas.
Perde-se de vista às vezes essa diferença no uso ou na aplicação da palavra "vida", resultando daí
muita confusão de pensamento. Precisamos entender bem que esse vocábulo "vida" é empregado de duas
maneiras importantes. Quanto à primeira, comenta o Dr. Drummond: "Dizer-se que a vida é uma
correspondência é expressar apenas parte da verdade. Há mais alguma coisa por detrás. A vida se
manifesta em correspondências, não há dúvida, mas que é que as determina? O organismo manifesta uma
variedade de correspondências. Que é que as organiza? Como no natural, assim no espiritual: há um
Princípio de Vida! Por mais desajeitada que seja essa expressão, e mais provisória, por mais que pareça
não passar de capa da nossa ignorância, não nos podemos livrar dela. A ciência, por enquanto, não é capaz
de dispensar a noção do princípio de vida.”.
O Dr. Drummond diz mais, a respeito desse Princípio de Vida: "É um oleiro que trabalha no
protoplasma de todas as coisas animadas ou seres deste mundo: planta, árvore, pássaro, animal e homem,
cada qual possuindo seu próprio oleiro ou forma de vida, trabalhando precisamente com a mesma matéria
plasmática, composta de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio; e cada qual, seguindo seu próprio
plano, forma uma planta, um réptil, uma águia, um elefante ou um homem. Essa vida é a causa imediata de
todos os organismos. A vida vegetal faz a planta, a vida aviária faz a ave, a vida humana faz o homem"; e,
levando adiante seu tema da lei natural no mundo espiritual, Drummond argumenta com grande clareza e
vigor que a vida de Cristo faz o cristão.
Nosso segundo uso da palavra "vida" faz referência a uma condição de existência, assim chamada.
Esse é o uso mais comum. De fato, acredita-se que não são muitos os que conhecem outra acepção do
termo. É nesse sentido que Paulo o emprega em 1Co 15.19: "Se a nossa esperança em Cristo se limita
apenas a esta vida (condição de existência), somos os mais infelizes de todos os homens."
Webster diz que a vida é aquele estado de estar vivo; aquela condição na qual existem plantas e
animais, em distinção das substâncias inorgânicas e dos organismos mortos. As três principais distinções
são: (1) poder de crescimento, (2) reprodução, (3) adaptação espontânea às mudanças de ambiente.
Assim é que Munger define a vida: "A vida, conforme a vemos, é uma execução funcional de algo
- não sabemos o que - dentro de uma relação favorável para com um ambiente e que termina quando as
relações se tomam desfavoráveis."
A Standard Encyclopédia afirma: "A vida pode ser definida: como a atividade interna e externa de um
organismo em relação a seu ambiente"
Herbert Spencer, o cientista, forneceu a seguinte definição da vida: "É a combinação definitiva de
mutações heterogêneas, tanto simultâneas como sucessivas em correspondência com coexistências e
seqüências externas"; ou, de modo mais sucinto: "Os contínuos ajustamentos das relações internas às
relações externas."
Essa definição é, sem duvida, certa, dentro de seus limites, mas, à semelhança de muitas outras
definições, trata da vida apenas como condição de existência; enquanto que o sutil ator, que nenhum homem
jamais viu nem poderá ver, permanece desconhecido, a não ser por suas obras, e é ainda indefinido.
"Vida é um termo que não pode ser plenamente definido. A ciência define-a como correspondência entre
órgão e ambiente. Aplicadas, porém, a Deus, há de significar muito mais que isso, visto que Deus não tem
ambiente. A vida de Deus é Sua atividade de pensamento, sentimento e vontade. É o movimento total e
íntimo de Seu Ser que O capacita a formar propósitos sábios, santos e amorosos, e a executá-los." - Mullins.
Os dois fatores da vida em geral: força e condição, quando se trata de Deus devem ser considerados
como sendo por Ele possuídos em grau infinito.
João 5:26 - Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si
mesmo.
D.D. - Deus tem vida; Ele ouve, vê, sente, age e, portanto, é um Ser Vivo.
I Ts 1.9 -... como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes a um Deus vivo e verdadeiro (trad.
literal).
D.D. - Mediante as claras distinções que as Escrituras fazem entre os deuses dos pagãos e o
verdadeiro Deus, fica nitidamente demonstrado que a realidade da vida é um atributo divino.
Essa verdade se opõe ao falso ensino do materialismo, que afirma que os fatos da experiência devem
ser todos explicados atribuindo-os às realidades, atividades e leis da substância física ou material. O
materialismo despreza a distinção entre mente e matéria, e atribui todos os fenômenos do mundo (aqueles
que são evidentes) às funções da matéria.
O professor Tyndall, em seu famoso discurso em Belfast, fez a declaração frequentemente citada:
"Por necessidade intelectual, atravesso a fronteira da evidência experimental e discirno, na matéria, a
promessa e a potência de toda a vida terrestre."
"A verdade da espiritualidade de Deus é revelada em nosso ser espiritual. Deus não é apenas o nosso
Criador, mas é o Pai de nossos espíritos. Somos Sua geração (Jo 4.24; At 17.28,29). Todas as
características essenciais de nossos espíritos podem ser atribuídas a Ele em grau infinito, pois Ele é um ser
racional que distingue, com infinita precisão, entre o que é verdadeiro e o que é falso; é um ser moral que
distingue entre o certo e o errado, e é um livre agente cuja ação é autodeterminada por Sua própria vontade."
- A. A. Hodge.
O termo "espírito" pode ser considerado em contraste geral com "matéria". As duas substâncias
incluem todos os objetos que podem ser encontrados no terreno do conhecimento. Não existe substância
da qual se possa dizer que não é nem matéria nem espírito. O mundo material está ao nosso redor. Vemo-
lo na terra e em suas produções, no mar e em seus tesouros, no sol e nos planetas que revolvem ao seu
redor. Nossos sentidos nos fazem entrar em contato com o universo de natureza material, e ouvimos, vemos,
cheiramos, tocamos e provamos. É manifesto, igualmente, que a matéria é capaz de grandes
transformações. Pode ser moldada em muitas formas e sujeitada a muitos processos de refinamento. O ouro
pode ser purificado sete vezes - isto é, purificado até chegar à perfeição - até que toda partícula de refugo
é tirada dele, e o diamante pode, mediante esforços laboriosos e perseverantes, ser adaptado para brilhar
na coroa de um monarca; não existe, porém, operação que se realize com a matéria e que lhe proporcione
pensamento, vontade ou reflexão. Essas são peculiaridades da mente e do espírito.
Deus, sendo Espírito, é incorpóreo, invisível, sem substância material, sem partes ou paixões físicas
e, portanto, é livre de todas as limitações temporais.
Pelo que foi dito acima, verifica-se que Deus, na qualidade de Espírito, deve ser apreendido não
pelos sentidos do corpo, mas antes, pelas faculdades da alma, vivificadas e iluminadas pelo Espírito Santo
(1 Co 2.14; Cl 1.15-17).
João 4.24 - Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
"Deus é Espírito": note-se a ausência do artigo, o que está de acordo com o original; NÃO seria exata a
tradução: "Deus é um espírito."
D.D. - Deus é espiritual em Sua natureza, ou seja: em Seu Ser essencial, Deus é Espírito.
Dt 4.15-20,23 - Guardai, pois, cuidadosamente as vossas almas, pois aparência nenhuma vistes no dia em que
o Senhor vosso Deus vos falou em Horebe no meio do fogo; para que não vos corrompais, e vos façais
alguma imagem esculpida na forma de ídolo, semelhança de homem ou de mulher; semelhança de algum
animal que há na terra; semelhança de algum volátil que voa pelos céus; semelhança de algum animal que
rasteja sobre a terra; semelhança de algum peixe que há nas águas debaixo da terra. Guarda-te, não
levantes os olhos para os céus, e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo o exército dos céus, não
sejas seduzido a inclinar-te perante eles, e dês culto àquelas coisas que o Senhor teu Deus repartiu a todos
os povos debaixo de todos os céus. Mas o Senhor vos tomou, e vos tirou da fornalha de ferro do Egito, para
que lhe sejais povo de herança, como hoje se vê (...) Guardai-vos, não vos esqueçais da aliança do Senhor
vosso Deus, feita convosco, e vos façais alguma imagem esculpida, semelhança de alguma coisa que o
Senhor vosso Deus vos proibiu.
V. A. - Is 40.25.
O culto a Deus por meio de imagens e coisas temporais foi proibido porque ninguém jamais tinha
visto a Deus e, portanto, não podia saber qual a Sua aparência; nem há entre as coisas materiais desta
terra, alguma que tenha semelhança com Deus, que é Espírito (Ex 20.4).
D.D. - O ensino do Antigo Testamento torna claro que Deus, em Seu Ser essencial, é espírito e,
nessa qualidade, é imaterial e, portanto, não pode ser visto pelo olho material nem pode ser
representado por coisas materiais.
Lc 24.39 - Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um
espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.
Os olhos físicos só podem ver objetos pertencentes ao mundo material, mas Deus não pertence ao
mundo material; portanto, não pode ser visto com os olhos físicos.
D.D. - Pelo ensino do Novo Testamento é evidente que Deus é espírito, sem carne e sem ossos, e,
portanto, não cai dentro do alcance da visão física, nem é capaz de correta representação material,
por causa de Sua natureza essencialmente espiritual.
Resposta: Há certo número de coisas que podem ser incluídas na imagem e semelhança de Deus
em Sua relação com o homem.
(a) isso refere-se à sua personalidade. O homem foi criado com vontade, inteligente e com sentimento.
A criação, mesmo tendo sentimento e vontade, não é inteligente no sentido de criar. As demais criações de
Deus funcionam sistematicamente ou por instinto, mas o homem é dotado de capacidades que o faz ser
diferente e capaz de criar, inovar etc. Gn.11.1-9.
(b) Pode referir-se também aos atributos. Deus comunicou ao homem atributos que somente ao homem
fora compartilhado. Nenhum animal tem atributo de justiça, de amor, bondade etc., o grande exemplo disso
são os inúmeros casos de animais selvagens criados com amor e cuidado pleo homem e esse em um dado
momento do seu extinto animal ataca o seu próprio cuidador.
Portanto, imagem e semelhança de Deus no homem refere-se a questão da sua constituição diferenciada
como coroa da criação de Deus para ser o seu representante na terra.
B. Que significam os termos físicos que são aplicados a Deus como se Ele fosse homem?
"Ainda que Deus não queira que o homem O tenha na conta de corpóreo, contudo julgou conveniente
dar alguns avisos antecipados daquela encarnação divina que Ele prometera." - Chamock.
C. Como se conciliam as passagens que afirmam que homens viram a Deus, com outras que
declaram que Deus jamais foi nem pode ser visto?
Resposta: Não há contradição real entre essas passagens. O primeiro grupo se refere às
manifestações de Deus, enquanto que o segundo se refere à essência invisível de Seu Ser, que é espírito.
"Um homem vê o reflexo de seu rosto no espelho. Seria igualmente verdade se esse homem dissesse:
'Vi meu rosto', e: 'Nunca vi meu rosto'. Assim os homens têm visto uma manifestação de Deus, e é
perfeitamente verídico dizer que viram a Deus. Nenhum homem, porém, jamais viu a Deus conforme Ele é
em Sua essência invisível, pelo que é perfeitamente certo dizer: Ninguém jamais viu a Deus." - Torrey.
João 1.32 - E João testemunhou dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele.
V. A. - Jz 6.34; At 2.1-4.
(b) O registro bíblico mostra que Deus se tem manifestado em forma visível. O "Anjo do Senhor", no
Antigo Testamento, é uma manifestação da Divindade. Clara distinção é traçada na Bíblia entre "um anjo do
Senhor" e "o Anjo do Senhor". Essa distinção, contudo, só é preservada em certas versões.
Notemos alguns exemplos nos quais o "Anjo do Senhor" é declarado manifestação da Divindade.
Gn 16.7-10,13 - O "Anjo do Senhor", no versículo, 10, é claramente identificado, no versículo 13, como
"Senhor" (Jeová).
Gn 22.11,12 - Aqui o "Anjo de Jeová", no versículo 11, é identificado, no versículo 12, com Deus.
Gn 18.1-24 - Nesta passagem, um dos três se identificou claramente com o Senhor Jeová. Em Gn 19.1
apenas dois se dirigiram a Sodoma, tendo ficado um com Abraão; nos versículos 17, 18, 22 e 23 do capítulo
18, ficamos sabendo quem era esse que ficou.
Jz 2.1,2 - Aqui o "Anjo do Senhor" diz distintamente "Fiz" o que Jeová fez.
D. Quais das três pessoas da Trindade se manifestou como "o Anjo do Senhor''?
Resposta: "O Anjo do Senhor" é, claramente, no Antigo Testamento, uma manifestação da Divindade,
e é identificado com a Segunda Pessoa da Trindade, o Senhor Jesus Cristo. "O Anjo do Senhor" era Deus
Filho antes de Sua encarnação definitiva (Jz 13.18 em confronto com Is 9.6).
"O Anjo do Senhor" não aparece mais depois do nascimento de Cristo. No Novo Testamento aparece
"um Anjo do Senhor" - Mt 1.20; 28.2; Lc 2.9; At 8.26; 12.7,23.
Essa é a verdade contrária ao panteísmo, que ensina que Deus é tudo e tudo é Deus; que Deus é o
universo e o universo é Deus; que Ele não tem existência separada e distinta. O conceito do panteísmo é
de que o conjunto das coisas individuais é Deus. Nessa mesma base podia se dizer que o conteúdo da
consciência de um homem, em dado momento, é o próprio homem; ou que as ondas do oceano são o
próprio oceano. O panteísmo nega a distinção entre a matéria e a mente, entre o Infinito e o finito. Segundo
essa teoria há apenas uma substância, apenas um Ser real; por isso a doutrina é chamada de monismo, ou
seja, "tudo é uma coisa só". Torna, portanto, o mundo material não apenas co-substancial com Deus, mas
também co-eterno com Ele. Isso, naturalmente, elimina o conceito da criação, a não ser como processo
eterno e necessário. Nega que o Ser Infinito e Absoluto tenha, em si mesmo, inteligência, consciência ou
vontade. O Infinito vem a existir no finito. A vida toda - consciência, inteligência e conhecimento - de Deus,
é a vida - consciência, inteligência e conhecimento - da matéria. O panteísmo, portanto, nega a
personalidade de Deus, pois tanto a personalidade como a consciência implicam uma distinção entre o "eu"
e o "não-eu"; e essa distinção, segundo o panteísmo, é uma limitação incoerente com a natureza do Deus
infinito, o qual, por conseguinte, não é uma pessoa que possa dizer "Eu" e que possa ser chamada de "Tu".
Qualquer conceito da personalidade divina que não leva em consideração nossa própria
personalidade é, para nós, impossível. Não é possível que nossa própria personalidade deva ser a medida
da personalidade divina. "A grande objeção", nas palavras do Dr. Peake, "levantada contra a doutrina de um
Deus pessoal, é que personalidade implica limitação". A essa objeção, Lotze parece ter dado a resposta
14 Prof. Marcos Silva, pastor-mestre
Curso Básico de Teologia TEONTOLOGIA I
certa: "Argumentamos que personalidade implica limitação, porque partimos da personalidade segundo a
possuímos. Na realidade, porém, a limitação de que temos consciência não se deve ao fato de possuirmos
personalidade, mas antes, de a possuirmos de modo tão imperfeito. É só o Absoluto que possui perfeita
personalidade." Não obstante, pode haver certa semelhança entre a primeira, com seus poderes finitos, e a
última, com Suas perfeições infinitas, o que nos ajuda a melhor compreender a Divindade. Há uma grande
verdade na declaração de nossa criação à imagem e semelhança de Deus, e a personalidade é a verdade
mais profunda dessa imagem e semelhança. As provas que estabelecem a existência de Deus podem ser
aduzidas para estabelecer Sua personalidade. Assim, a crença universal que apóia a existência de Deus é
a crença em um Deus pessoal. O argumento de causa e efeito produz o mesmo resultado. O homem, na
qualidade de efeito pessoal, requer um Deus pessoal como causa adequada de si mesmo. Outro tanto se
pode dizer do argumento da inteligência que transparece na natureza. Tanto quanto sabemos, a inteligência
não existe fora da personalidade; portanto, aquilo que exige uma causa universal para o universo exige
também que essa causa seja pessoal.
Não se deve confundir personalidade com corporalidade ou existência em corpo material, mas antes,
corretamente definida, a personalidade abrange as propriedades e qualidades coletivas que caracterizam a
existência pessoal e a distinguem da existência impessoal e da vida animal, pois encaramos os animais
irracionais como possuidores de natureza e não de personalidade. A personalidade, portanto, representa a
soma total das características necessárias para descrever o que é ser uma pessoa.
No que tange a essas características pessoais, há de haver não só consciência - pois o irracional a
possui - mas também autoconsciência; e deve haver não só determinação - pois o irracional também a
possui - mas também autodeterminação, ou seja, o poder pelo qual o homem, por ato de sua vontade livre,
determina suas ações.
Um dos nomes mais importantes pelos quais Deus se tem feito conhecer é o de "Jeová". Foi por esse
nome e suas várias combinações que Ele se revelou nas diversas relações que sustenta com os homens.
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Jeová foi revelado a Israel na ocasião em que este foi chamado a confiar em Deus numa nova relação de
aliança.
Tudo que significa para nós o nome de Jesus, significava "Jeová" para o antigo Israel. Significava
para eles tudo que está envolvido na salvação e na bênção. "Eloim'" era 'Deus como Criador de todas as
coisas, enquanto que "Jeová" era o mesmo Deus em relação de aliança com aqueles que por Ele haviam
sido criados. Jeová, pois, significa o Único Ser eterno e imutável, que era, que é e que há de vir. É o Deus
de Israel e o Deus daqueles que são remidos, pelo que agora, "em Cristo", podemos dizer: "Jeová é nosso
Deus".
O nome de "Jeová" é combinado com outras palavras, sendo assim formados os chamados "títulos
jeovísticos".
Ex 3.14- Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU
me enviou a vós outros.
"EU SOU O QUE SOU" é o pensamento que fica por detrás do nome "Jeová”. Três coisas estão ali
envolvidas: a auto-suficiência de Deus, Sua absoluta soberania e Sua imutabilidade.
Toda a história dos filhos de Israel gira em torno do pacto que Deus estabeleceu com eles no Sinai.
Esse pacto consistia de duas cláusulas: Primeira, "Serei vosso Deus"; segunda, "sereis meu povo". A história
subsequente de Israel é simplesmente o registro de como eles vieram saber quem era Jeová, o que Ele
estava disposto a ser para eles e o que deveriam ser na qualidade de povo Seu. Todas as necessidades de
Israel eram satisfeitas em Jeová, seu Deus.
Gn 22.13-14 - Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os
arbustos; [Link] Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto;em lugar de seu filho. E pôs Abraão por
nome àquele lugar o Senhor proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá.
Foi o nome dado por Abraão ao lugar onde ele sacrificara o carneiro fornecido por Deus em lugar de
seu filho Isaque. O Senhor vê e cuida das necessidades de Seus servos.
Foi dado por Moisés ao altar que ele erigiu em memória da derrota imposta aos amalequitas por
Israel, sob Josué, em Refidim. Deus é aqui revelado como o Senhor que nos conduz contra o inimigo e em
cujo nome somos mais que vencedores. A sugestão é que o povo deveria concentrar-se ao redor de Deus,
como o exército se concentra em tomo de sua bandeira.
Ex 15.26 - E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos,
e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá
sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o Senhor que te sara.
O termo "raphá" significa cerzir como se cerze uma roupa, reparar como se reconstrói um edifício,
curar como se restaura a saúde de uma pessoa enferma. Toda cura, direta ou indireta, vem da parte de
Deus. Ele é nossa saúde salvadora.
Jz 6.24 - Então Gideão edificou ali um altar ao Senhor, e lhe chamou, o Senhor é paz. Ainda até ao dia de
hoje está o altar em Ofra, que pertence aos abiezritas.
Esse nome revela Deus como Aquele que concede paz pessoal.
Foi o nome dado por Gideão ao altar que ele erigiu em Ofra, fazendo assim alusão à palavra que o
Senhor lhe tinha dirigido: "Paz seja contigo!"
Esse título também poderia ser traduzido: "O Senhor, que é a paz de seu povo." Combinando a fé
na providência divina, com a confiança em "Jeová" para alcançar a vitória em todas as circunstâncias,
encontramos o segredo da paz.
V.A. - SI 95.7.
Tudo quanto os pastores eram para seus rebanhos, e mais ainda, Deus está pronto a ser para os
que Lhe pertencem.
Jr 23.6 - Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será
chamado: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA.
V.T. - I Co 1.30.
Esse nome revela Deus como justiça pessoal imputada, assim satisfazendo nossas
obrigações e necessidades pessoais para com Ele.
Israel não tinha justiça própria; era uma nação de gente desviada e rebelde; por isso Deus revelou
sê-lhe não apenas como Jeová, mas também como Jeová Tisidequenu - "o Senhor Justiça Nossa". Essa
relação tinha de existir antes que Jeová pudesse ser conhecido nas demais qualidades.
I Sm 1.3 - Este homem subia da sua cidade de ano em ano a adorar e a sacrificar ao Senhor dos Exércitos
em Silo. Estavam ali os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, como sacerdotes do Senhor.
Ez 48.35 - Dezoito mil côvados ao redor; e o nome da cidade desde aquele dia será: O Senhor está
(presente).
Esse será o nome dado à Nova Jerusalém restaurada e glorificada, conforme vista na visão de
Ezequiel. Jeová volta ao templo que Ele havia abandonado, e desse tempo em diante o fato de suprema
importância é que Ele está ali", habitando entre Seu povo.
Sl 97.9 - Pois tu, Senhor, és o Altíssimo sobre toda a terra; tu és sobremodo elevado acima de todos os
deuses.
Deus é referido como o Deus dos deuses, e apresentado como Quem se assenta em um trono,
exaltado e elevado. Tais expressões, juntamente com esse nome, são simples afirmativas da supremacia e
da soberania absoluta de Deus. Ele é o Deus Transcendental.
Ex 31. 13 - Tu, pois, falarás aos filhos de Israel, e lhes dirás: Certamente guardareis os meus sábados; pois
é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica.
Apresenta Deus no aspecto subjetivo de Sua obra salvadora e remidora. Ele é o Deus que separa
do pecado e para si mesmo aqueles a quem Ele salva.
D.D. - Os nomes que são atribuídos a Deus, nas Escrituras, subentendem relações e ações
pessoais, e estas, por sua vez, indicam personalidade.
(a) Tu e Te.
Jo 17.3 - E a vida eterna é esta; que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem
enviaste.
Sl 116.1,2 - Amo o Senhor, porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas. Porque inclinou para mim os
seus ouvidos, invocá-lo-ei enquanto eu viver.
Se Deus fosse mera força ou princípio, então os pronomes que O representam seriam,
necessariamente, neutros. Mas não é o que acontece. Os pronomes pessoais usados a respeito de Deus
apresentam-nO como pessoa, sempre no gênero masculino.
D.D. - Os pronomes pessoais que são usados a respeito de Deus subentendem sua personalidade.
(a) Tristeza.
Gn 6.6 - Então se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.
A tristeza é uma emoção pessoal que aqui é atribuída a Deus, devido à atitude pessoal e às ações dos
homens. A tristeza subentende personalidade.
(b) Ira.
I Rs 11.9 - Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão, pois desviara o seu coração do Senhor de Israel,
que duas vezes lhe aparecera.
A ira, aqui, é um ressentimento pessoal de Deus, ainda que santo, e que Ele sentiu contra Salomão
por causa de sua perfídia e infidelidade, depois de ter sido tão altamente favorecido e honrado. Somente
uma pessoa seria capaz de tal ressentimento.
(c) Zelo.
Dt 6.15 - Porque o Senhor teu Deus é Deus zeloso no meio de ti, para que a ira do Senhor teu Deus se não
acenda contra ti e te destrua de sobre a face da terra.
(d) Amor.
Deus, portanto, há de ser pessoal, pois o amor é pessoal. O amor subentende três elementos
essenciais da personalidade, a saber: intelecto, sensibilidade e vontade.
(e) Ódio.
Aquilo que é impessoal é incapaz de odiar qualquer pessoa ou cousa. Somente uma personalidade
é capaz de odiar.
O Deus da Bíblia não apenas deve ser distinguido do deus do panteísmo, o qual não tem existência
separada de sua criação, mas também deve ser distinguido do deus do deísmo, o qual criou o mundo e pôs
nele todos os poderes necessários de ação própria e desenvolvimento, pô-lo em movimento e o abandonou.
Diz Wallace, colaborador de Darwin: "Acredito que o universo é constituído de modo que se regula a si
mesmo. Por que haveríamos de supor que a máquina é complicada demais, visto que foi planejada pelo
Criador para funcionar com resultados harmoniosos? A teoria da interferência contínua é uma limitação do
poder do Criador."
Se admitirmos que Deus estava bastante interessado no mundo para criá-lo, não podemos de
maneira alguma explicar um suposto súbito desinteresse de Sua parte. Qualquer teoria que honestamente
admita Deus como Criador não pode negar Sua agência contínua. Deus está pessoal e ativamente presente
no que sucede no universo.
Alguns escritores vêem uma grosseira discrepância entre o relato da criação, conforme a
encontramos no livro de Gênesis, e as indicações sugeridas pelas camadas geológicas da crosta terrestre.
De conformidade com estas indicações, o universo material é de grande antiguidade, ainda que tal
antiguidade não possa ser estabelecida com exatidão por ninguém. Há diversidade de opiniões, conforme
fica demonstrado pelo que dizemos abaixo:
O professor Ramsay é da opinião que essa antiguidade é de 10.000 milhões de anos. Engene Dubois
calcula-a em cerca de 1.000 milhões de anos. Goodchild acha que é de cerca de 700 milhões de anos.
Darwin sustenta que é de mais de 300 milhões de anos. Sir. Oliver Lodge pensa que seja mais de 100
milhões de anos. O professor Sollas estabelece-a em cerca de 55 milhões de anos. O Dr. Croll julga-a em
quase 20 milhões de anos. O professor Tait calcula que a antiguidade da terra é de quase 10 milhões de
anos.
A verdade nesta questão, como em outras também, é que não existe conflito entre a Bíblia, quando
corretamente interpretada, e os fatos confirmados da ciência. Os seis dias de Gênesis 1, comumente
conhecidos como dias de criação, provavelmente não foram tais, porém dias de reconstrução. Encontramos
o registro da criação original em Gn 1.1, enquanto que Gn 1.2 descreve a condição caótica a que foi reduzida
subsequentemente à criação do universo material. Quanto tempo após a criação original, não há meio de
sabê-lo. Pode ter sido um período tão grande ou maior do que o mais longo das estimativas transcritas
acima. A versão que usamos diz: "A terra, porém, era sem forma e vazia." Com igual autoridade poderia ser
traduzido esse versículo: "A terra, porém, se tornou sem forma e vazia." Rotheram o traduz: "Ora, a terra
havia ficado desolada."
"Em Is 45.18, lemos: 'Porque assim diz o Senhor que criou os céus, o único Deus, que formou a terra,
que a fez e a estabeleceu; que não a fez para ser um caos...' A palavra traduzida aqui como 'caos' é a
mesma que em Gn 1.2 é traduzida como 'sem forma'. Talvez 'desolação' fosse a tradução mais acertada.
Seja como for, aqui temos a declaração do próprio Deus de que Gn 1.2 não descreve a condição original da
terra, pois, quando a criou, 'não a fez para ser um caos' (isto é, não a fez para ser uma desolação). Por outro
lado, lemos em Jó 38.4-7 que, quando Deus 'lançava os fundamentos da terra', o que parece corresponder
a Gn 1.1, as condições eram tais que 'as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e rejubilavam todos
os filhos de Deus', o que indica aquele perfeito estado de bem-aventurança que devemos naturalmente
esperar encontrar, visto que a criação acabara de sair das mãos de Deus. De fato, o Dr. Bullinger salienta
que a palavra hebraica traduzida como criação 'implica que a criação era uma obra perfeita, em perfeita e
bela ordem'. Como e por que essa terra, anteriormente tão linda, veio a tornar-se 'sem forma e vazia', não
podemos dizer com certeza. Não obstante, é fato notável que só há dois outros lugares na Bíblia onde as
palavras traduzidas em Gn 1.1, 'sem forma' e 'vazia' ocorrem juntas - isto é, Is 34.11, onde são traduzidas
respectivamente por 'destruição' e 'ruína', e em Jr 4.23, onde são traduzidas como em Gn 1.2. Em ambos
os casos, as expressões são usadas em conexão com a destruição causada pelo julgamento de Deus por
causa do pecado." - Sidney Collett.
Portanto, podemos inferir legitimamente que um juízo cataclismático caiu sobre a terra e seus
habitantes, deixando-a na condição de desolação descrita acima. Quanto à identidade desses habitantes,
não podemos ter certeza. Alguns têm pensado que os demônios são os representantes dessa raça e que o
terem perdido seus corpos foi parte do castigo que receberam por causa de algum pecado que
desconhecemos.
Hb 1.3 - Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu Ser, sustentando todas as coisas pela
palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas
alturas.
V. A. – Cl 1.15-17.
Assim como a criação diz respeito à origem das coisas, a preservação diz respeito à sua continuação.
Deus mantém uma contínua relação pessoal com Sua criação. Os deístas negam isso ao dizer que Deus se
retirou após Sua obra criadora, e abandonou o universo a um processo de auto-desenvolvimento e ação
própria. A objeção mais forte contra essa idéia é que ela nega a Deus a Sua interferência, segundo Sua
sabedoria divina, conforme se tem verificado na encarnação e na redenção e se verifica nas intervenções
providenciais e em resposta às orações. O poder divino opera por intermédio da ordem das leis naturais que
Deus tem estabelecido; contudo, Ele efetua uma atividade especial contínua na sustentação do universo.
Essa é a atividade de Cristo, o Deus imanente por meio de Quem todas as coisas subsistem ou são
sustentadas juntamente, pois Ele sustenta "todas as coisas pela palavra do seu poder".
D.D. - A preservação do universo e de todas as suas partes em relações bem ordenadas, exige e
comprova a personalidade de Deus.
Mt 10.29,30 - Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o
consentimento de vosso Pai. E quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados.
A vida, em todos os seus aspectos, é o dom de Deus às Suas criaturas. Daquilo de que Ele é o Autor,
é também o Sustentador. A Bíblia atribui a Deus a sustentação de todas as criaturas vivas. Quanto à
sustentação dos homens, diz Paulo: "Pois nele vivemos, e nos movemos e existimos..." E Tiago declara.
"Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes..." Davi atribui a Deus a
provisão do alimento para os seres viventes: "Todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se
lhes dás, eles o recolhem..." Jesus pintou a amorosa provisão do Pai, a favor dos pássaros e dos homens,
dizendo: "...vosso Pai celeste as sustenta..."
Rm 8.28 - Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que
são chamados segundo o seu propósito.
Vitor Hugo, reconhecendo o controle exercido pela mão divina, disse: "Waterloo foi obra de Deus."
Deus, no exercício de Sua infinita sabedoria e poder, dirige e controla pessoalmente as ações livres dos
homens, de modo a determinar tudo de conformidade com Seu propósito eterno e tendo em vista o bem
estar daqueles.
Disse Wordsworth: "Deus prevê as ações más, mas nunca as força." As Escrituras ensinam que esse
governo providencial de Deu é de âmbito universal, incluindo todas as ações de todas as criaturas; que é
poderoso, sendo o governo da onipotência; que é sábio, visto que é resultado da infinita sabedoria de Deus;
e que é santo, conforme é exigido por Sua excelência moral.
D.D. - Deus interfere e participa na história humana; sustenta uma relação pessoal com as
atividades dos homens e das nações e, por conseguinte, Ele é uma Pessoa.
Gl 3.26 - Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus.
A Paternidade de Deus, portanto, é a relação infinita e eterna que Deus mantém com Jesus Cristo,
Seu Filho eterno, e é igualmente aplicada à relação redentora e filial que Deus mantém com o pecador
arrependido e crente, através dos méritos da morte expiatória de Cristo. E assim como é verdade que a
Paternidade de Deus não pode ser conhecida senão como é revelada na filiação de Jesus Cristo (Mt 11.27),
também é verdade que essa Paternidade não pode ser possuída ou experimentada pelo homem a não ser
pela mediação de Jesus Cristo. Doutro modo é absolutamente inacessível. "Ninguém", estipulou Jesus
Cristo, "vem ao Pai senão por mim". Ora, um Deus que é Pai necessariamente é um Deus Pessoal. Admitir
a Paternidade de Deus, portanto, é reconhecer inevitavelmente Sua Personalidade.
D.D. - Somos filhos de Deus por meio da fé em Cristo Jesus. A personalidade de Deus é vista em
Sua Paternidade.
Essa palavra deriva de dois vocábulos latinos: "tres" e "unitas", isto é, "três" e "unidade", que afirma
a doutrina de três em um, ou seja, a Trindade.
Sabelianismo, ou seja, uma trindade modal, que mantém que há apenas três aspectos ou manifes-
tações de uma só pessoa.
Swedenborgianismo, que sustenta que "o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três elementos essen-
ciais de um Deus", que compõem um, tal como corpo, alma e espírito compõem um homem.
Triteísmo sustenta que há três Deuses, e não três distinções pessoais no Deus uno. As pessoas na
Divindade, que são consideradas como três, como se fossem três seres endeusados, não compõem uma
trindade, mas apenas um trio.
A trindade de Deus é bem estabelecida no credo atanasiano, que afirma: "Adoramos um só Deus em
trindade e uma trindade em unidade, não confundindo as pessoas nem dividindo a substância.”.
"A Trindade, portanto, são três Pessoas eternamente inter-constituídas, inter-relacionadas, inter-
existentes e, por conseguinte, inseparáveis dentro de Um único Ser e de Uma única Substância ou
Essência." - Champion
Essa verdade se opõe ao erro do politeísmo - a doutrina da existência de muitos deuses. "Nenhuma
outra verdade das Escrituras, particularmente no Antigo Testamento, recebe mais proeminência que a da
Unidade de Deus", diz o Dr. Evans. O conceito dominante sobre Deus, no período patriarcal, era de que Ele
era o Todo-Poderoso, ou, melhor ainda, Todo-Suficiente. "Apareci a vossos pais como El Shaddai - Deus
Todo-poderoso." Isso serviu para intensificar a potência da simples idéia de poder, que parece trazer consigo
a exclusão de outros poderes e divindades e conduzir diretamente ao conceito da unidade de Deus.
A. Seu significado.
Por unidade de Deus se entende, não que Ele possui uma única personalidade, mas uma unidade
de essência e ser na qualidade de Divindade una e única.
Deve-se notar que apesar de ser a Unidade de Deus uma unidade real e autêntica é, não obstante,
composta, e não uma unidade simples ou isolada. Assim sendo, enquanto que por um lado as Escrituras
compelem à crença na unidade da existência de Deus, por outro lado admitem a tri-unidade da
personalidade dentro dessa existência, pelo que também a Unidade de Deus se torna a verdade básica da
doutrina da Trindade.
B. A realidade bíblica.
Como prova da Unidade Divina podemos apelar para o sistema da natureza, que é indivisível,
trazendo o sinal de um só Agente Todo-Poderoso em todo o seu vasto âmbito, desde as revelações
conseguidas pelo telescópio até as maravilhas descobertas pelo microscópio, com todas as exibições
intermediárias de unidade de desígnio. Entre todos os planetas, constelações, sistemas e galáxias de
sistemas, que ocupam os vastos espaços que circulam nossa terra, há uma maravilhosa coordenação e
cooperação, o que demonstra que todas as suas partes compõem um todo completo; e que é Deus quem
os une e os faz o que são. É a Unidade de Deus que evita que todos esses corpos celestes sejam um "multi-
universo" e faz com que seja um universo.
"A aplicação desse termo a Deus tem o objetivo de ensinar que existe um e apenas um Deus. A doutrina
da Unidade de Deus está envolvida em Sua auto-existência e na eternidade de Seu Ser. É evidente que há
necessidade de um único ser auto-existente no universo, pois a auto-suficiência e a soberania são aliadas
da auto-existência. Em outras palavras, um ser auto-existente há de ser auto-suficiente, capaz de fazer tudo
aquilo que queira fazer. Um ser auto-existente elimina para sempre a necessidade de outro ser igual; e não
só isso, mas torna impossível a existência de outro ser igual. Não pode haver dois seres auto-existentes
pela própria razão irretorquível de que a auto-existência implica na possessão de toda a perfeição. Se,
portanto, pudessem existir dois seres auto-existentes, cada um deles possuiria todas as perfeições e assim
seriam essencialmente um e o mesmo ser. Preencheriam uma única esfera - algo impossível se fossem dois
e não um. A existência de mais de um Deus não cabe dentro dos limites do possível. O atributo da auto-
existência estabelece essa posição, e o atributo da eternidade a confirma. Pois, se um Deus existe desde a
eternidade, não houve lugar para outro. A eternidade de Deus é uma prova conclusiva de Sua unidade." -
Pendleton.
D.D. - Tanto a razão como a revelação estabelecem claramente a verdade da essência una de Deus.
Apesar de que a Bíblia ensina a unidade de Deus, a saber, que existe um e apenas um Deus, ensina
também que na Divindade única há uma distinção tríplice de pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Isso não
significa que as três Pessoas divinas sejam três no mesmo sentido em que são uma, ou que rejam uma no
mesmo sentido em que são três.
"A essência divina, única e indivisível, como um todo, existe eternamente como Pai e como Filho e como
Espírito Santo, pelo que cada uma dessas Pessoas possui a mesma essência, constituindo-se Pessoa
distinta devido a certas propriedades incomunicáveis, que não são possuídas em comum com as demais."-
A. A. Hodge.
As distinções pessoais entre essas três Pessoas podem ser percebidas no uso dos pronomes
pessoais "Eu", "Tu" e "Ele"; há consultas entre elas, bem como uma ordem distinta de operações.
"A palavra Pessoa, em seu sentido trinitário, não está inteiramente livre de objeções, mas os escritores
ortodoxos parecem compreender que não existe termo, melhor para expressar a idéia. A objeção é que não
pode ser usada em sua aceitação comum, quando aplicada a seres humanos. Necessita ser modificada.
Por exemplo, "pessoa", no uso ordinário do termo, significa um ser distinto e independente, pelo que numa
pessoa é um ser e cem pessoas são cem seres. Na Divindade, entretanto, há três pessoas e um único Ser.
A diferença em seu uso, nesses dois exemplos, é manifesta." - Pendleton.
"Originalmente, esse termo "pessoa" significa máscara; eis por que a frase "três pessoas" originalmente
tinha o significado de que Pai, Filho e Espírito eram termos que expressavam três aspectos diferentes de
um único Ser. Mas o sentido desse vocábulo se alterou, pelo que agora, na linguagem comum, o vocábulo
subentende, não o mesmo indivíduo em três aspectos diferentes, mas três indivíduos distintos; porém, não
podemos aplicar isso à doutrina da Trindade, pois doutro modo cairíamos imediatamente no triteísmo.
Podemos afirmar que a verdade jaz entre o sentido de pessoa como aspecto, e o sentido de indivíduo;
todavia, como poderemos combinar essa distinção com a unidade é um problema que foge inteiramente da
habilidade do homem, visto que não possuímos analogia, em nossa experiência, que nos capacite a
entendê-la. Para nós, pessoas são indivíduos que se excluem mutuamente; as Pessoas da Divindade são
mutuamente inclusivas; uma habita .mutuamente nas demais." - Peake.
A. Seu significado.
Por Triunidade de Deus se entende que Ele é um só em Seu ser e substância, dotado de três
distinções pessoais, que nos sãos revelados como Pai, Filho e Espírito Santo.
B. A realidade bíblica.
Algumas vezes é levantada a objeção de que nem a palavra "trindade" nem qualquer afirmação
explícita concernente à mesma pode ser encontrada na Bíblia; mas essa objeção é igualmente verdadeira
a respeito de outras verdades e termos teológicos, como a personalidade de Deus, a livre agência do
homem, a substituição; porém, as realidades que elas denotam estão bem presentes. Diz o Dr. Harris: "O
fato de que uma verdade de Deus é revelada em Suas relações práticas, e não em uma fórmula, não a toma
menos autêntica. Não se toma uma invenção humana, como também a lei da gravidade não é uma invenção
humana somente porque ela formula o resultado do pensamento científico. A lei da gravidade não é
formulada na natureza, como também a doutrina da Trindade não é formulada na Bíblia".
27 Prof. Marcos Silva, pastor-mestre
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Diz Pendleton: "Aceito o fato de que a Trindade existe, simplesmente porque acredito que as
Escrituras a revelam. E, se as Escrituras revelam o fato de que há três Pessoas na Divindade; que há uma
distinção que fornece base para as chamarmos respectivamente de Pai, Filho e Espírito Santo; que
estabelece a base para a aplicação dos pronomes pessoais Eu, Tu e Ele; que torna certo dizermos que elas
enviam ou são enviadas; que Cristo está com Deus, está em Seu seio, além de outras cousas da mesma
natureza, ao mesmo tempo que se pode dizer que a natureza divina pertence igualmente a cada Uma delas
- então essa verdade, como todas as demais verdades reveladas, deve ser aceita com simplicidade, dando-
se crédito à revelação divina."
No Antigo Testamento a Trindade é ensinada antes por implicação e insinuação, do que por
afirmação direta.
O conceito teológico sobre a Trindade não põe em perigo a verdade da unidade de Deus. A
preocupação da mensagem do Antigo Testamento parece ser a unidade divina. Não obstante, a Trindade é
claramente insinuada de modo sêxtuplo:
1. Pelo nome hebraico dado a Deus que mui frequentemente é encontrado na forma plural, "Eloim".
Ver, por exemplo, Gên. 1:1. Essa palavra expressa a natureza divina em sua totalidade completa,
incluindo uma pluralidade de personalidades.
"O plural, Eloim, não é sobrevivência de um estágio politeísta, mas expressa a natureza divina na
multiplicidade de Suas plenitudes e perfeições, e não na unidade abstrata de Seu ser." - MacClaren.
A palavra hebraica que significa "um" no sentido absoluto, conforme se emprega em expressões
como "o único", é "yacheed". Essa palavra não é usada nunca no hebraico para expressar a unidade da
Divindade. Ao contrário, emprega-se "achad", que indica unidade composta. Ver exemplos em 1Tm 2.5; Mc
12.29.
"A palavra plural era empregada para designar o Deus único, a despeito do intenso monoteísmo dos judeus,
porque existe pluralidade de pessoas na Divindade única." - Torrey.
Alguns afirmam que "nós" (oculto), em Gn 1.26, que diz: "Façamos o homem à nossa imagem...",
refere-se à consulta de Deus com os anjos, com quem Ele toma conselho sempre que faz algo importante;
mas Is 40.14, que diz: "Com quem tomou Ele conselho...?" mostra que tal suposição é sem base; e, além
disso, Gn 1.27 contradiz essa idéia, pois repete a afirmação "...à nossa imagem..." (mostrando Que isso não
se refere à imagem de Deus e dos anjos): "... Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus
o criou..." Acresce, ainda, que a tradução mais correta desse versículo não seria "façamos", e, sim,
"faremos", indicando antes a linguagem da resolução do que da consulta.
Sl 2.6-9 - Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do Senhor:
Ele me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as
extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás, e as despedaçarás como um vaso
de oleiro.
Na passagem do livro de Zacarias, alguém é enviado pelo Senhor dos Exércitos para habitar no meio
de Israel, e esse Alguém é chamado de Senhor.
Gn 1.2 - A terra, porém, era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus
pairava sobre as águas.
6. Pelas teofanias, isto é, aparições da Divindade, especialmente as do "Anjo do Senhor", que se dis-
tingue de Deus ao mesmo tempo que é identificado com Ele.
Gn 22.11,12 - Mas do céu lhe bradou o Anjo do Senhor: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui. Então
lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz, e nada lhe faças, pois agora sei que temes a Deus, porquanto
não me negaste o filho, o teu único filho.
D.D. - Mediante o nome hebraico para Deus, o termo hebraico para um, o uso de pronomes
pessoais no plural, as teofanias, as alusões ao Espírito Santo e às sugestões de Pai e Filho
consideradas como Pessoas divinas, é insinuada e subentendida, no Antigo Testamento, a doutrina
da Trindade.
No Novo Testamento a doutrina da Trindade não é ensinada por insinuação ou algo subentendido,
mas por declarações ou demonstrações claras, como segue:
1. Na Comissão Apostólica.
Mt 28.19,20 - Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e
do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado. E eis que estou
convosco todos os dias até à consumação do século.
Nessas instruções de despedida que Jesus deu a Seus discípulos, encontramo-la a dar testemunho
definido sobre a verdade da Trindade. Ele nos apresenta aqui a fórmula batismal, assim providenciando para
que a Igreja esteja constantemente lembrada da doutrina da Trindade. Todo crente é batizado em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo. Assim fica demonstrado que entrou em relação de aliança com cada uma
das Pessoas da Divindade. A linguagem dá a entender que cada nome representa uma Pessoa e que as
Pessoas são iguais.
2. Na Bênção Apostólica.
2 Co 13.13 - A graça do Senhor Jesus Cristo,e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com
todos vós.
A personalidade e a divindade de cada uma das Pessoas da Trindade são reconhecidas cada vez
que essa bênção é pronunciada. A graça do Senhor Jesus Cristo e a comunhão do Espírito Santo são
invocadas em conexão imediata com o amor de Deus Pai, o que demonstra que as três Pessoas são da
mesma substância, a saber, a Divindade, e são iguais em poder e glória.
3. No batismo de Jesus.
Mt 3.16,17 – Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus
descendo como pomba, vindo sobre Ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em
quem me comprazo.
O Pai falou do Céu, o Filho estava sendo batizado no Jordão, e o Espírito desceu em forma de
pomba.
4. No ensino de Jesus.
Jo 14.16 - E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco.
V.T. - Jo 16.7-10.
A Trindade foi ensinada por Jesus, pois Ele, tendo sido enviado pelo Seu Pai, agora prometia enviar
o Espírito, na qualidade de Consolador (Paracleto, advogado), para tomar o Seu lugar; e para consolar,
instruir e fortalecer àqueles que Jesus estava deixando.
I Co 12.4-6 - Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços,
mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em
todos.
V.T. - At 20.28.
A doutrina da Trindade tem sido mantida através dos séculos da era cristã, conforme é evidenciado
em seus credos e hinos: como, por exemplo, o Credo dos Apóstolos, o Gloria Patri, e a Doxologia.
D.D. - Pela tríplice manifestação divina, por ocasião do batismo de Jesus, pela tríplice referência
na bênção apostólica, pela menção de três Pessoas divinas nos ensinos de Cristo e de Paulo, é
ensinada, no Novo Testamento, clara e positivamente, a doutrina da Trindade.
Rm 1.7 - A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos: Graça a vós
outros e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Hb 1.8 - Mas, acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre, e: Cetro de eqüidade é o cetro do
Seu reino.
At 5.3,4 - Então disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito
Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não
estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a
Deus.
Boardman escreve: "O Pai é toda a plenitude da Divindade invisível, o Filho o é da Divindade
manifestada, e o Espírito Santo o é da Divindade a agir diretamente sobre a criatura".
"Um cético pusera em dúvida a possibilidade da existência da Trindade. "Diga-me como queima uma
vela", perguntou um crente. "A estearina, o pavio e o ar atmosférico produzem a luz", respondeu o cético.
"Mas compõem uma só luz, não é assim"? - "É verdade", foi a resposta do homem, agora convencido." New
Testament Anecdotes.
A fonte, o filete de água e o rio; a nuvem, a chuva e o vapor de água que se eleva; a cor, a forma e
o tamanho; as três dimensões do espaço; o espírito, a alma e o corpo, no homem; as funções legislativa,
judicial e executiva do governo.
Apesar de que essas analogias mostram a possibilidade da Trindade na unidade são, não obstante,
analogias imperfeitas da Divindade. Em todas essas analogias as distinções são impessoais, enquanto que
na Divindade tais distinções são pessoais. Nessas analogias há uma trindade de partes, de aspectos ou de
funções, enquanto que no Ser divino há uma trindade de pessoas. Tais analogias têm valor como ilustrações
da possibilidade da Trindade; porém, não provam a doutrina da divina Trindade.
"A luz se compõe de três partes: uma visível e duas invisíveis. A primeira são os raios iluminadores, que
afetam nossa visão; a segunda são os raios químicos, que causam o crescimento e produzem os resultados
da fotografia; a terceira, o princípio chamado calor, e que é separado das duas outras partes.
Semelhantemente, há três Pessoas em um único Deus, uma Pessoa visível e duas invisíveis." – Bishop
Warren.
A Trindade de Deus não conhece analogias perfeitas, pois está muito acima da compreensão finita
e da razão humana para ser entendida. Muitas analogias têm sido exemplificadas que, embora falhem em
algum ponto particular, ajudam-nos a compreender a trindade na unidade.
1. Mostre, pela observação de Whitelaw, o que está envolvido na questão da existência de Deus.
2. Mencione as diversas classes a quem a Bíblia não se destina, e explique a posição tomada por cada
uma delas.
4. Mostre, de modo geral, como o argumento de causa e efeito sustenta a crença na existência de Deus,
dando as ilustrações que foram citadas.
5. Forneça as provas apresentadas pela aplicação do princípio de causa e efeito no universo material:
(a) Inteligência na natureza; (b) Personalidade do homem; (3) Natureza mental e moral do homem.
6. Mostre como a evidente harmonia entre a crença em Deus e os fatos conhecidos consubstancia essa
crença.
7. Discorra sobre o argumento a favor da existência de Deus baseado no conteúdo das Escrituras.
11. Dê a D. D. que mostra que a vida é atributo divino, e cite uma passagem comprobatória das Escrituras.
12. Dê a D. D. a respeito da demonstração do fato da vida como atributo divino, citando uma passagem
das Escrituras.
13. Discorra sobre o falso ensino refutado pela verdade da espiritualidade de Deus, mostrando o contraste
entre a matéria e o Espírito.
14. Defina a espiritualidade de Deus e mostre como Ele pode ser apreendido, citando uma passagem
das Escrituras.
15. Dê a D.D. mostrando a verdade bíblica da espiritualidade de Deus e cite uma passagem bíblica.
16. Mostre como a verdade bíblica da espiritualidade de Deus é iluminada pelo ensino tanto do Antigo
como do Novo Testamento, dando a D.D. correspondente a ambos.
17. Forneça a tríplice resposta à pergunta sobre a imagem e semelhança de Deus, citando as Escrituras
dadas.
18. Que significam os termos físicos aplicados a Deus, como se Ele fosse homem? Discuta a observação.
19. Como é que podem ser conciliadas as passagens que afirmam que o homem viu a Deus com aquelas
que declaram que Deus não foi nem pode ser visto? Dê a resposta geral com ilustração. Em aditamento: (a)
Cite uma passagem das escrituras que mostra que o espírito pode manifestar-se em forma visível; (b) Em
que forma Deus se manifestou no Antigo Testamento, e que clara distinção é feito a respeito? Dê uma
ilustração bíblica onde “o Anjo do Senhor” é claramente identificado com Deus.
21. Dê o nome do erro que é refutado pela verdade da personalidade de Deus e explique-o.
23. Dê o significado dos títulos jeovisticos, mostre os elementos pessoais respectivos por cada um deles,
e cite a DD.
24. Dê um pronome pessoal que ensina a personalidade de Deus, e cite uma passagem bíblica que o
contenha.
26. Dê cinco D.D. que mostram as relações que Deus mantém com o universo e com os homens, citando
passagens comprobatórias em cada caso.
27. Dê a discussão baseada nas observações sobre as diversas relações que Deus mantém com o
universo e com os homens, sob os seguintes pontos: (a) como Criador de tudo; (b) como Preservador de
tudo; (c) como Benfeitor de toda a vida; (d) como Governador e Controlador de todas as atividades humanas;
(e) como Pai de Seus filhos.
28. Dê a derivação e o significado do termo Trindade e discuta os pontos de vista errôneos que são
refutados pela verdade da Trindade de Deus.
29. Dê o nome e a definição do falso ensino que se opõe à verdade da unidade divina.
30. Defina a Unidade de Deus, fazendo a distinção concernente a essa Unidade, conforme se encontra
na observação.
31. Mostre como a Unidade Divina é estabelecida pela razão e pela revelação, citando uma passagem
da última.
32. Discuta, pela observação introdutória sobre a trindade de personalidade, o significado do termo
"pessoa", quando usado com referência às pessoas da Divindade.
34. Apresente os seis aspectos que são insinuados no Antigo Testamento sobre a doutrina da Trindade,
além da D.D.
35. Apresente os cinco aspectos ensinados sobre a doutrina da Trindade, no Novo Testamento, além da
D.D.
36. Dê a súmula do ensino do Novo Testamento e cite uma passagem referente a cada fase.