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Apelação Criminal: Defesa de Júlio em SC

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APELAÇÃO CRIMINAL

AO JUÍZO DA 2ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE FLORIANÓPOLIS/SC


Autos nº XXX
Júlio, nacionalidade XXX, estado civil XXX, profissão XXX, portador do CIRG n.º XXX e inscrito no Cadastro de
Pessoas Físicas nº XXX, filho de XXX e XXX, residente e domiciliado na Rua XXX, n.º XXX, Bairro XXX, Cidade XXX,
Estado XXX e endereço eletrônico XXX, por intermédio de seu (sua) advogado (a) e bastante procurador (a)
(procuração em anexo), vem respeitosamente, nos autos em epígrafe, à presença de Vossa Excelência, com
fundamento no Art. 593, inciso I, do Código de Processo Penal, interpor:
APELAÇÃO CRIMINAL
contra a r. Sentença de fls XXX, nos termos que a seguir passa a aduzir, requerendo, para tanto, que o recurso seja
recebido, determinando-se a sua remessa ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, para que dela
conheça e profira nova decisão.
Nesses Termos,
Pede Deferimento.
Florianópolis/SC, 18 de julho de 2022.
Advogado: XXX
OAB: XXX
-----------------------------
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
COLENDA CÂMARA,
EXCELENTÍSSIMOS DESEMBARGADORES.
PROCESSO Nº XXX
APELANTE: JÚLIO
APELADO: JUSTIÇA PÚBLICA
ORIGEM: 2ª VARA CRIMINAL NA COMARCA DE FLORIANÓPOLIS/SC
RAZÕES DA APELAÇÃO
1) ADMISSIBILIDADE
O presente recurso é cabível vez que investe contra sentença condenatória prolatada pelo respeitável Juízo a quo
nestes autos de ação criminal. Além disso, o presente recurso é tempestivo, vez que o prazo para Apelação,
conforme artigo 593, inciso I, do Código de Processo Penal, é de 5 (cinco) dias, contados a partir da data da
intimação da sentença, que se deu somente no dia 11 de julho de 2022, tendo o prazo fatal no dia 18 de julho de
2022.
2) PRELIMINARMENTE
Preliminarmente destaca-se a nulidade na oitiva das vítimas, haja vista que o mero decurso de tempo não é
fundamento idôneo para produção antecipada de provas.
O Código de Processo Penal, assim como a doutrina e a jurisprudência, admitem que seja determinada a produção
antecipada de provas quando houver risco de perecimento, em especial na situação de suspensão do processo com
base no Art. 366 do CPP.
Ocorre que a jurisprudência entende que o mero decurso natural do tempo não é fundamento idôneo para
justificar a medida. No caso, o magistrado determinou a produção antecipada da prova simplesmente porque a
data da audiência de instrução e julgamento estava longe, sem qualquer fato concreto a indicar o risco de
perecimento da prova.
Tal pedido de nulidade encontra respaldo noss Art. 225 do CPP e Art. 564, inciso IV, do CPP, bem como a Súmula
455 do STJ.
3) DA SENTENÇA
O Juízo a quo proferiu sentença condenando o réu nos termos da denúncia, sendo que no momento de aplicar a
pena base, reconheceu a existência de maus antecedentes, aumentando a pena em 03 meses, tendo em vista que,
na Folha de Antecedentes Criminais, acostada ao procedimento, constava uma condenação do apelante pela
prática do crime de tráfico, por fato ocorrido em 20 de abril de 2019, cujo trânsito em julgado ocorreu em 10 de
março de 2020.
Na segunda fase, o magistrado de primeiro grau reconheceu a presença da agravante do Art. 61, inciso II, alínea b,
do Código Penal, aumentando a pena em 05 meses, já que o meio empregado por Júlio poderia resultar perigo
comum. Não foram reconhecidas atenuantes da pena.
Na terceira fase, não foram aplicadas causas de aumento ou de diminuição de pena, sendo mantida a pena de 03
anos e 8 meses de reclusão e multa de 15 dias, a ser cumprida em regime semiaberto, não sendo substituída a
privativa de liberdade por restritiva de direitos com base no Art. 44, III, do CP. Intimado da sentença, o Ministério
Público se manteve inerte, sendo a defesa intimada em 11 de julho de 2022, segunda-feira.
Em que pese o conhecimento jurídico do Juízo prolator da sentença, vê-se que não decidiu com acerto, fazendo-se
necessária a reforma da decisão de 1º Grau. É o que se passa a demonstrar.
4) MÉRITO
Inicialmente, requerer que seja reconhecida a atipicidade da conduta do apelante, haja vista que o incêndio é crime
de perigo comum, sendo indispensável que a conduta do agente exponha a perigo a vida, integridade física ou
patrimônio de outrem, causando risco para número indeterminado de pessoas. Noutras palavras, o tipo exige
perigo concreto.

APELAÇÃO CRIMINAL
No presente caso, o apelante colocou fogo em um imóvel isolado, sendo constatado na perícia que não havia
pessoas ou bens de terceiro nas proximidades para serem atingidos, dessa forma, a conduta poderia configurar, no
máximo, o crime de dano, previsto no artigo 163 do CP.
Ademais, ainda que reconhecida a tipicidade, cabe destacar a inimputabilidade do apelante, tendo em vista que no
momento da conduta ele estava em estado de embriaguez completa decorrente de caso fortuito, somente ficou
embriagado em razão de erro daquele que lhe serviu bebida, que colocou álcool apesar do pedido apenas de água,
sendo certo que foi a mistura da bebida não solicitada com um remédio que causou a embriaguez do agente, que
não pode ser considerada culposa ou voluntária.
Dessa forma, o agente estava em total incapacidade de entendimento do caráter ilícito do fato ou de determinação
de acordo com esse entendimento, dessa forma, o agente é isento de pena, com fulcro no Art. 28, § 1º, do Código
Penal, sendo desnecessário inclusive a aplicação de medida de segurança, já que a inimputabilidade foi apenas
momentânea.
Pelos fundamento apresentado, se manifesta e requer a absolvição do apelante, na forma do Art. 386, incisos III ou
VI, do CPP.
VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena, ou mesmo se houver fundada dúvida
sobre sua existência;
4.1) Subsidiariamente
Subsidiariamente, cabe destacar que ao aplicar a pena base, o magistrado se equivocou, tendo em vista que o fato
que justificou a condenação definitiva do apelante por tráfico ocorreu antes da suposta prática do crime de
incêndio, logo não pode ser considerado maus antecedentes.
Em relação à segunda fase, requerer o afastamento da agravante do Art. 61, inciso II, alínea d (ou b), do CP, tendo
em vista que a utilização do instrumento que causou perigo comum é uma elementar do tipo, uma vez que o crime
de incêndio é classificado como crime de perigo comum. Alternativamente, aceita-se o pedido de afastamento da
agravante por não haver a ocultação ou vantagem de outro ilícito. Ademais, deveria ter sido reconhecida a
atenuante da confissão espontânea, nos termos do Art. 65, III, d, do CP.
Aplicada a pena no mínimo legal, deveria ter sido fixado o regime inicial aberto para cumprimento da pena,
conforme Art. 33, § 2º, alínea c, do CP, bem como seria possível a substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos, nos termos do Art. 44 do CP.
5) DOS PEDIDOS
Em razão do exposto, requer que seja conhecido e provido o presente recurso com os seguintes fundamentos:
a) Reconhecimento de nulidade na oitiva das vítimas;
b) Absolvição do crime de incêndio em razão da atipicidade da conduta;
c) Absolvição do crime de incêndio em razão da ausência de culpablidade;
d) Aplicação da pena base no mínimo legal, tendo em vista que não há fundamento para reconhecimento de maus
antecedentes;
e) Afastamento da agravante reconhecida na sentença;
f) Reconhecimento da atenuante da confissão espontânea;
g) Aplicação do regime inicial aberto para cumprimento da pena;
h) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
Nesses Termos,
Pede Deferimento.
Florianópolis/SC, 18 de julho de 2022 .
ADVOGADO: XXX
OAB: XXX

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