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Disputa Judicial: Maria vs. Banco PAN

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ

6ª Vara Cível e Empresarial de Belém

Processo nº: 0843136-17.2023.8.14.0301


Autor: MARIA BERNADETE FARIA ALVAREZ
Réu: BANCO PAN S/A

SENTENÇA

I. Relatório

Vistos etc.

MARIA BERNADETE FARIA ALVAREZ, qualificada nos autos, ajuizou AÇÃO


DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS com pedido de tutela de urgência em face de BANCO PAN S/A e CETELEM -
BANCO BNP PARIBAS BRASIL S.A, igualmente qualificados.

Narra a petição inicial que, na data de 18/10/2021, a autora recebeu contato,


através de uma ligação, com identificação de correspondente do Banco Pan, o qual
ofereceu proposta para reduzir as parcelas de um empréstimo consignado que a
autora já possuía com a Caixa Econômica Federal, mediante realização de
portabilidade, o que fora aceito pela autora, diante da aparente regularidade da
proposta.

Sustenta que, no dia 19/10/2021, a assistida constatou que havia em sua conta a
quantia de R$30.291,26 (trinta mil, duzentos e noventa e um reais e vinte e seis
centavos) que teria sido depositada quando a relatora entrou em contato com a
correspondente do banco PAN, apresentada como Amanda, em ato contínuo, esta lhe
repassou um boleto em nome de P.A.N. AMÉRICA GESTÃO E CONSULTORIA,
CNPJ: 42.520.906/0001-87, cujo valor seria de R$ 30.291,26 que a assistida pagou
para devolver tal quantia depositada em sua conta.

Afirma que, em fevereiro de 2022, foi informada pelo Banco PAN que este iria
descontar R$ 801,00 (oitocentos e um reais) dos seus proventos previdenciários, a
relatora passou a questionar tal fato e passou a não querer mais conversar com os
atendentes do referido banco.

Salienta que em março de 2022 iniciaram-se os descontos no valor de R$


801,00, porém depositavam a quantia de R$ 881,00 em sua conta da Caixa
Econômica Federal, de forma que a autora acreditava que esses valores seriam
referentes apenas ao empréstimo que ela efetuou e mais os R$ 80,00 de desconto que
eles alegaram que conseguiriam diminuir nas parcelas do empréstimo.

Informa que em agosto de 2022 pararam de depositar os R$ 881,00, mas


continuaram descontando os R$801,00 e a parcela normal do empréstimo da Caixa no
valor de R$ 376,75 (trezentos e setenta e seis reais e setenta e cinco centavos).

Relata que a autora tomou conhecimento de que o Banco Pan transferiu ao


Banco CETELEM os direitos sobre esse crédito, sendo que este último vem
descontando indevidamente do seu benefício a quantia de R$ 801,00 (oitocentos e um
reais).

Assevera que a autora obteve a informação pelo INSS de que os descontos


eram referentes a um contrato de empréstimo consignado de nº 350968148-6, no valor
de R$ 67.284,00 (sessenta e sete mil duzentos e oitenta e quatro reais), com valor de
liberação de R$30.291,26 (trinta mil duzentos e noventa e um reais e vinte e seis
centavos), a ser quitado em 84 parcelas de R$ 801,00 (oitocentos e um reais), agora
ao Banco CETELEM.
Aduz que a autora tomou conhecimento de que foi vítima do denominado “golpe
da falsa portabilidade de débito”, pois não fora realizada a portabilidade da dívida e
sim a celebração de novo empréstimo consignado em valor elevado e não autorizado,
junto ao banco PAN que repassou os dados da autora para o banco Cetelem que
passou a deter a dívida de R$30.291,26 (trinta mil duzentos e noventa e um reais e
vinte e seis centavos), que destoa totalmente do padrão de consumo da autora e de
sua capacidade financeira.

Ao final, requer o benefício da justiça gratuita; a antecipação dos efeitos da tutela


a fim de que seja determinada a suspensão imediata dos descontos dos empréstimos
que são debitados diretamente dos proventos da autora; que se abstenha de inscrever
o nome do Requerente em bancos de dados e cadastros de inadimplentes.

No mérito, requer que seja declarada a inexistência do contrato de empréstimo


consignado junto ao Réu e confirmação do pedido de tutela antecipada; a repetição do
indébito em dobro; indenização por danos morais no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil
reais).

Foi concedido o benefício da justiça gratuita, e deferida a tutela de urgência (ID


92815040).

A parte ré BANCO PAN S/A apresentou contestação (ID 94217839), arguindo a


preliminar de ilegitimidade passiva, uma vez que não participou da negociação e não
anuiu com a transação entre a empresa P.A.N. AMÉRICA GESTÃO E CONSULTORIA
e o autor; ausência de interesse de agir; impugnação à justiça gratuita.

No mérito, sustenta que o Banco PAN não compactua com o negócio jurídico
firmado unicamente entre o autor e a P.A.N. AMÉRICA GESTÃO E CONSULTORIA,
nem com nenhum outro que indique a transferência dos valores dos empréstimos para
terceiros.

Salienta que o único contrato do autor com PAN é o de nº 350968148-6,


formalizado de maneira digital e se trata de um empréstimo novo.

Afirma que não há qualquer indício de anuência pelo PAN: nenhuma assinatura,
carimbo, endereço de e-mail, telefone de SAC, endereço, logomarca, sequer há o
número de CNPJ ou qualquer comprovação de vínculo (eis que inexistente) do PAN
com a empresa P.A.N. AMÉRICA GESTÃO E CONSULTORIA.

Sustenta que após a assinatura do contrato com a empresa P.A.N. AMÉRICA


GESTÃO E CONSULTORIA, o autor por liberalidade, realizou o repasse de
R$30.291,26 em transferência feita de sua própria conta bancária.

Ao final, requer sejam julgados improcedentes os pedidos formulados na inicial.

Por sua vez, o réu BANCO CETELEM S.A apresentou contestação (ID
94738935), aduzindo que a operação nº 350968148-6 foi realizada originalmente junto
ao Banco Pan no dia 19/10/2021 com previsão para pagamento em 84 parcelas de R$
801,00 (cada uma) e houve a liberação do crédito ao consumidor no valor de R$
30.291,26 por meio de ordem de pagamento. O contrato foi cedido ao Cetelem em
03/03/2022.

Afirma que o crédito foi liberado ao consumidor por parte do Banco Pan e não
pelo Cetelem.

Sustenta que não há fundamentos para a declaração de inexistência de relação


jurídica com o Banco requerido, nem para a rescisão do contrato, nem para a repetição
do indébito dos valores descontados. Além disso, não há indícios de qualquer conduta
ilícita ou negligente por parte do Banco Cetelem, o que afasta qualquer possibilidade
de indenização por danos morais.

Ao final, requer sejam julgados improcedentes os pedidos formulados na inicial.

As partes informaram que não possuem provas a produzir.

Era o que tinha a relatar. Passo a decidir.

II. Fundamentação

Cumpre destacar que por se tratar de matéria meramente de direito e em função


das questões fáticas estarem suficientemente provadas através de documentos, além
de ser improvável a conciliação e totalmente desnecessária a produção de prova em
audiência, passo ao julgamento antecipado da lide, tal permite o art. 355, inc. I do
Código de Processo Civil.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o julgamento antecipado


da lide e o princípio da livre convicção motivada:
PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE.
OMISSÃO INEXISTENTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO
OCORRÊNCIA. SÚMULA N. 83/STJ. 1. Não há violação do 535 do
CPC quando o Tribunal de origem adota fundamentação suficiente
para decidir a controvérsia, apenas não acolhendo a tese de
interesse da parte recorrente. 2. O juiz tem o poder-dever de
julgar a lide antecipadamente, quando constatar que o acervo
documental é suficiente para nortear e instruir seu
entendimento. 3. "Não se conhece do recurso especial pela
divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo
sentido da decisão recorrida" (Súmula n. 83/STJ). 4. Agravo
regimental desprovido. (AgRg no AREsp 177.142/SP, Rel. Ministro
JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em
12/08/2014, DJe 20/08/2014) (grifo nosso).

(STJ-1118596) PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO


ESPECIAL. INTERDITO PROIBITÓRIO. RECURSO ESPECIAL.
INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO NCPC. JULGAMENTO
ANTECIPADO DA LIDE. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO DE
PROVAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. REEXAME DE PROVAS.
SÚMULA Nº 7, DO STJ. CONHECIDO PARA NÃO CONHECER
DO RECURSO ESPECIAL (Agravo em Recurso Especial nº
1.391.959/DF (2018/0290629-0), STJ, Rel. Moura Ribeiro. DJe
27.11.2018) (grifo nosso).

(STJ-1078790) AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.


PROCESSUAL CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. AÇÃO DE
INDENIZAÇÃO. SEGURADORA. JULGAMENTO ANTECIPADO
DA LIDE. PRODUÇÃO DE PROVAS. CERCEAMENTO DE
DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO DO
MAGISTRADO. REVISÃO. ÓBICE DA SÚMULA 07/STJ. AGRAVO
CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL.
(Agravo em Recurso Especial nº 1.176.239/SP (2017/0239174-8),
STJ, Rel. Paulo de Tarso Sanseverino. DJe 17.09.2018) (grifo
nosso).

(STJ-1105292) AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO


MONITÓRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO
CONFIGURADO. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. LIVRE
CONVENCIMENTO DO MAGISTRADO. PRECEDENTES.
SÚMULA 83/STJ. CONCLUSÃO DO ACÓRDÃO PELA
DEMONSTRAÇÃO DA DÍVIDA ATRELADA À EMISSÃO DOS
DOCUMENTOS. REVER O JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
SÚMULA 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR
PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. (Agravo em Recurso
Especial nº 1.367.048/SP (2018/0243903-1), STJ, Rel. Marco
Aurélio Bellizze. DJe 07.11.2018) (grifo nosso).
(STJ-1090555) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. PRINCÍPIO
DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. SÚMULA 7/STJ.
GRAU DE INSALUBRIDADE. ANÁLISE. INVIABILIDADE.
NECESSIDADE DE REEXAME DAS PROVAS DOS AUTOS.
SÚMULA 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR
SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. (Agravo em Recurso
Especial nº 1.339.448/SP (2018/0195053-3), STJ, Rel. Benedito
Gonçalves. DJe 08.10.2018) (grifo nosso).

Portanto, o presente feito está pronto para julgamento.

II.1 Da preliminar de ilegitimidade passiva

A parte ré BANCO PAN S/A arguiu a preliminar de ilegitimidade passiva, uma vez
que não participou da negociação e não anuiu com a transação entre a empresa
P.A.N. AMÉRICA GESTÃO E CONSULTORIA e o autor.

Saliente-se que o objeto dos autos é a nulidade do negócio jurídico (contrato n.


350968148-6), que teria sido firmado com o réu BANCO PAN S/A.

Portanto, como atinge o contrato firmado entre as partes, a referida ré deve


permanecer no polo passivo, sendo legítima.

Diante disso, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva.

II.2 Da preliminar de ausência de interesse de agir

É cediço que com o advento do Novo Código de Processo Civil, as condições da


ação passaram a ser apenas a legitimidade das partes e o interesse de agir, de modo
que a impossibilidade jurídica não é mais condição da ação.

Acerca do tema, dispõe o Código de Processo Civil:


“Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e
legitimidade”.

A parte ré aduziu que não houve tentativa de solução administrativa, pois não
houve uma pretensão resistida, o que caracterizaria ausência de interesse de agir.

Importante destacar que a Constituição Federal de 1988 estabelece como


direitos e garantias fundamentais:

“Art. 5º, XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário


lesão ou ameaça a direito”;

Portanto, o acesso à justiça é direito constitucional, de modo que Judiciário


apreciará lesão ou ameaça a direito, não podendo haver limitação desse direito.

Saliente-se que não há nenhum impedimento legal para o ajuizamento da


presente ação sem a tentativa de solução pelo meio administrativo, possuindo a parte
autora plena faculdade de acessar à justiça.

É cediço que o acesso à justiça é a regra, sendo exceção os casos em que


devem ser esgotados os meios administrativos para que o direito possa ser pleiteado
em juízo.

No caso dos autos, caso fosse exigido que a parte autora se valesse dos meios
administrativos para a solução da lide, haveria manifesta violação ao acesso à justiça,
o que é vedado no nosso ordenamento jurídico.

A parte autora, a partir do momento em que se sentiu lesada em seu direito,


possui direito constitucional ao ajuizamento da ação para que o Poder Judiciário possa
apreciar o seu direito.

Importante destacar que a causa de pedir não envolve a exibição de


documentos, apenas a inexigibilidade de débito e indenização por danos morais.

Com relação à ausência da juntada do extrato bancário pela parte autora não é
documento imprescindível para acompanhar a petição inicial, uma vez que durante a
instrução probatória será comprovada ou não a pretensão da parte autora, além do
ônus probatório.

Diante disso, rejeito a preliminar de ausência de interesse de agir.

II.3 Da impugnação à justiça gratuita

A parte ré impugnou a justiça gratuita concedida para a parte autora.

Importante destacar que a parte autora é assistida pela Defensoria Pública,


motivo pelo qual se presume a sua hipossuficiência.

Diante disso, rejeito a impugnação à justiça gratuita.

II.4 Do mérito

II.4.1 Da inexigibilidade do débito

Cuida-se de ação de inexigibilidade de débito através da qual a parte autora


pretende que que seja declarada a inexigibilidade do débito oriundo do contrato de
empréstimo consignado.

É importante destacar que a relação jurídica objeto destes autos é regida pelo
Código de Defesa do Consumidor, como lei de ordem pública econômica e de caráter
imperativo, a todas as relações, nas quais o consumidor, por se encontrar em situação
de vulnerabilidade diante do fornecedor ou do prestador do serviço, carece de
proteção jurídica especial, nos termos dos artigos 1º e 3º do referido diploma legal, e
em consonância com teor do enunciado do STJ nº 297: “O Código de Defesa do
Consumidor é aplicável às instituições financeiras”.

Conforme relatado, a parte autora afirma que caiu no “golpe da falsa


portabilidade de débito”.

Analisando-se os autos, verifica-se a parte autora firmou o Contrato nº


350968148-6 em 19/10/2021, com 84 parcelas no valor de R$ 801,00 cada, todavia, a
parte autora acreditava que se tratava de portabilidade, motivo pelo qual efetuou um
pagamento de um boleto no valor de R$30.291,26 (ID 92178324 - Pág. 2) para um
terceiro intitulado PAN AMERICAN GESTÃO E CONSULTORIA.

Importante destacar que a parte autora, de boa fé, efetuou o pagamento do


boleto, sendo que tinha convicção de que havia efetuado o pagamento correto do
boleto, motivo pelo qual estranhou as cobranças realizadas pelo Banco réu.

Importante destacar que a parte autora é pessoa idosa, sendo hipervulnerável


nas relações de consumo, requerendo uma atenção maior das instituições financeiras.

Verifica-se que a parte autora entrou em contato, via Whatsapp, com um terceiro
que se apresentou como representante da parte ré, tendo enviado um boleto para
pagamento (ID 21417396).

É cediço que há diversos estelionatários se aproveitando da hipervulnerabilidade


de pessoas idosas, e realizam empréstimos fraudulentos utilizando tanto fotos e dados
pessoais.

Diante das provas apresentadas nos autos, verificam-se indícios de que a parte
autora foi vítima de fraude perpetrada por terceiro.

Saliente-se que o “golpe do boleto falso” é considerado como fortuito interno,


sendo responsabilidade da parte ré arcar com os prejuízos causados.

É esse o entendimento da jurisprudência pátria acerca do tema:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO INDENIZATÓRIA - P


AGAMENTO DE BOLETO FRAUDADO - FORTUITO INTERNO -
RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA
- DANO MATERIAL E MORAL - CONFIGURAÇÃO. I - As
instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos
gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados
por terceiros no âmbito de operações bancárias. II - Compete às
instituições financeiras adotar medidas de segurança em seus
sistemas, a fim de se evitar a ocorrência de fraudes, como a
geração de boletos falsos. III - A culpa exclusiva de terceiros capaz
de elidir a responsabilidade do fornecedor de serviços ou produtos
pelos danos causados é somente aquela que se enquadra no
gênero de fortuito externo, ou seja, aquele evento que não guarda
relação de causalidade com a atividade do fornecedor,
absolutamente estranho ao produto ou serviço. IV - Comprovado o
dano material correspondente ao valor do boleto falso quitado pelo
consumidor, deve ser objeto de ressarcimento pela instituição
financeira. V - Os sentimentos de angústia e sofrimento causados
em razão de pagamento de boleto fraudado ensejam reparação
pelos danos morais sofridos. (TJ-MG - AC: 10000220019962001
MG, Relator: João Cancio, Data de Julgamento: 10/05/2022,
Câmaras Cíveis / 18ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação:
10/05/2022) (grifos acrescidos)

Indenizatória por danos materiais e materiais – Golpe do boleto


falso – Emissão de boleto fraudado para pagamento de prestações
de financiamento de veículo - Valor depositado em conta corrente
aberta por fraudador no banco réu apelante – - Ilegitimidade
passiva - Inocorrência – O banco é parte passiva legítima, por ser a
instituição financeira intermediadora do pagamento do boleto falso
pela autora – Inexistência de culpa exclusiva da autora por não se
tratar de fraude perceptível - Banco réu não demonstrou a
regularidade da abertura da conta corrente utilizada pelo fraudador
para aplicação do golpe do boleto falso - Falha na prestação dos
serviços evidenciada – Responsabilidade objetiva da instituição
financeira – Fortuito interno – Súmula 479 STJ – Culpa concorrente
da autora - Dever do banco indenizar a metade dos danos materiais
– Sentença mantida - Recurso negado. Danos morais – Ocorrência
- Falha no sistema do banco réu propiciou a utilização da conta
corrente para a prática do golpe do boleto falso em face da autora -
Situação a acarretar dano moral - Danos morais que se comprovam
com o próprio fato (damnum in re ipsa) – Indenização arbitrada em
consonância com os critérios da razoabilidade e proporcionalidade
– Sentença mantida - Recurso negado. Recurso negado. (TJ-SP -
AC: 10068437520218260309 SP 1006843-75.2021.8.26.0309,
Relator: Francisco Giaquinto, Data de Julgamento: 04/10/2022, 13ª
Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 04/10/2022) (grifos
acrescidos)

Assim, incide na hipótese versada a denominada Teoria do Risco Profissional,


segundo a qual, a fraude realizada por terceiro fraudador não elide a responsabilidade,
pois tal circunstância constitui risco inerente à atividade econômica por ela levada a
cabo. Tem-se, no caso em apreço, o que se passou a chamar de fortuito interno.

É esse o entendimento sumulado do Superior Tribunal de Justiça:

“Súmula 479 - As instituições financeiras respondem objetivamente


pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos
praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias”.
O fato de o evento lesivo decorrer de fraude praticada por terceiro não elide a
responsabilidade da ré, uma vez que compete às instituições financeiras adotar
medidas de segurança em seus sistemas, a fim de se evitar a ocorrência de fraudes,
como a geração de boletos falsos.

Desse modo, deve ser declarada inexigível, em relação à parte autora, o


contrato nº 350968148-6.

II.4.2 Repetição do indébito

Acerca da repetição de indébito, dispõe o Código de Defesa do Consumidor:

“Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não


será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de
constrangimento ou ameaça.
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem
direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que
pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais,
salvo hipótese de engano justificável. ”.

No caso dos autos, a reparação material em dobro é indevida, pois não restou
comprovada a má-fé da parte ré, haja vista que ocorreu fortuito interno, a qual não
pode ser presumida.

Os precedentes dos Tribunais exigem o efetivo pagamento indevido e má-fé do


Promovido:

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL.


EMBARGOS À EXECUÇÃO DE TÍTULO EXECUTIVO
EXTRAJUDICIAL. DÉBITO LOCATÍCIO. SUSPENSÃO DO
PROCESSO. MATÉRIA DECIDIDA EM AGRAVO DE
INSTRUMENTO. COBRANÇA INDEVIDA. EXCESSO DE
EXECUÇÃO RECONHECIDO. PAGAMENTO EM DOBRO. ART.
940 DO CÓDIGO CIVIL. MÁ-FÉ NÃO COMPROVADA. SENTENÇA
MANTIDA. 1. Devolvida e resolvida a matéria relativa à suspensão
do processo em sede de agravo de instrumento, impossível a
pretendida rediscussão em sede de apelação, uma vez que o
indeferimento do pedido por meio de decisão interlocutória, mantida
por acórdão proferido em sede de agravo, implica preclusão da
insurgência, que deverá ser resolvida naqueles autos. Além disto,
matéria que não foi reapreciada em sentença, do que também
decorre inviabilidade de conhecimento do recurso neste ponto. 2.
De acordo com o art. 940 do Código Civil, aquele que demandar por
dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias
recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar
ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no
segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver
prescrição. Conforme reiterada jurisprudência, a aplicação do art.
940 do Código Civil, que determina a repetição em dobro de
eventuais indébitos, exige, além da cobrança de quantia indevida,
manifesta e inequívoca configuração de má-fé do credor.
Precedentes. São, portanto, requisitos para a aplicação da regra
prevista no art. 940 do Código Civil: a) a existência de demanda
judicial; b) a cobrança de dívida já paga ou em excesso; e c) efetiva
demonstração da má-fé do credor. 3. Má-fé não pode ser presumid
a; exige comprovação do desvio qualificado de conduta do litigante
com indiscutível propósito malicioso. Não é o que se tem da mera
cobrança de valores que se apresentavam como regulares e
necessários dentro da perspectiva da parte, do que se depreende a
própria postura adotada na defesa do direito alegado, cuja
valoração final cabe ao órgão julgador. Embora posteriormente
reconhecida como indevida, a cobrança de valores foi realizada
com amparo na posição defendida, inexistindo prova de conduta
premeditada ou deliberada contrária à boa-fé objetiva. E conforme
consignado em sentença, mero excesso de execução não é
suficiente, por si só, para impor a sanção de repetição em dobro. 4.
Recurso parcialmente conhecido e desprovido.
(TJ-DF 07222386520218070001 1426039, Relator: MARIA
IVATÔNIA, Data de Julgamento: 25/05/2022, 5ª Turma Cível, Data
de Publicação: 06/06/2022) (grifos acrescidos)

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO DE COMPRA E


VENDA. BENS MÓVEIS. EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO
CUMPRIDO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ART. 940 DO CÓDIGO
CIVIL. MÁ-FÉ. NÃO DEMONSTRADA. SENTENÇA MANTIDA. 1.
Trata-se de apelação interposta em face de sentença que acolheu
em parte os embargos monitórios, ao passo em que julgou
parcialmente procedente o pedido inaugural para condenar o
requerido ao pagamento de R$ 179.100,01, acrescido de juros de
mora e correção monetária. Em razão da sucumbência recíproca,
condenou ambas as partes, na proporção de 50%, ao pagamento
das despesas processuais. 2. Conforme a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, firmada sob a sistemática dos
recursos repetitivos, é imprescindível a demonstração de má-fé por
parte do credor para fins de aplicação da sanção civil de repetição
do indébito, prevista no art. 940 do Código Civil ( REsp n.
1.111.270/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção,
julgado em 25/11/2015, DJe de 16/2/2016). 3. Embora tenha o
demandante ajuizado a ação pleiteando valor superior ao devido,
não é o mero excesso de execução, por si só, capaz de demonstrar
a ocorrência de dolo ou malícia. Nota-se que o apelante se
encontrava inadimplente, de modo que o ajuizamento da ação pelo
credor foi necessário para o recebimento do crédito, ainda que em
valor inferior ao inicialmente postulado. 4. Recurso conhecido e
desprovido.
(TJ-DF 07444542020218070001 1642542, Relator: SANDOVAL
OLIVEIRA, Data de Julgamento: 16/11/2022, 2ª Turma Cível, Data
de Publicação: 01/12/2022) (grifos acrescidos)

Portanto, a fraude realizada por fortuito interno, por si só, não constitui má-fé da
parte ré, de modo que não é possível o pagamento em dobro.

Todavia, também é possível a restituição na forma simples de todos os


descontos ocorridos em conta corrente da parte autora referente ao empréstimo
consignado objeto dos autos.

II.4.3 Da indenização por danos morais

Quanto ao pedido de indenização por danos morais, sabe-se que nas relações
de consumo, a responsabilidade do fornecedor/prestador de serviços é objetiva, nos
termos do art. 14 e §§ do CDC, em que responde independentemente da existência de
culpa pela reparação dos danos causados aos consumidores em virtude dos defeitos
relativos à prestação de serviços.

Sob esse prisma, a responsabilidade do réu prescinde de culpa, satisfazendo-se


apenas com o dano e o nexo de causalidade, tratando-se de responsabilidade
objetiva.

Na hipótese de responsabilidade civil apta a ensejar indenização por danos


morais, a Constituição Federal de 1988 no seu art. 5º, incisos V e X, admite a
reparação do dano moral, tornando-se indiscutível a indenização por danos dessa
natureza. Neste sentido, pode-se dizer que o dano moral se caracteriza quando ocorre
a perda de algum bem em decorrência de ato ilícito que viole um interesse legítimo, de
natureza imaterial e que acarrete, em sua origem, um profundo sofrimento,
constrangimento, dor, aflição, angústia, desânimo, desespero, perda da satisfação de
viver, para citar alguns exemplos.

Em regra, para que fique caracterizada lesão ao patrimônio moral passível de


reparação, necessária se faz a comprovação de fato tido como ilícito, advindo de
conduta praticada por alguém, a ocorrência de dano suportado por um terceiro, e a
relação de causalidade entre o dano e o fato delituoso.

Como fundamentado anteriormente, restou demonstrado que o negócio jurídico


objeto dos autos é fraudulento, decorrente de um negócio jurídico que nunca foi
firmado entre as partes.

O fato de o evento lesivo decorrer de fraude praticada por terceiro não elide a
responsabilidade da ré, uma vez que deixou de verificar a idoneidade da transação,
não tomando as medidas necessárias, a fim de evitar dano ao consumidor.

É esse o entendimento da jurisprudência pátria acerca do tema:

TRF3-0507905) CONSUMIDOR. USO INDEVIDO DE CARTÃO DE


CRÉDITO POR TERCEIROS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INSCRIÇÃO INDEVIDA EM
CADASTROS DE INADIMPLENTES. DANO MORAL IN RE IPSA.
QUANTUM INDENIZATÓRIO. ARBITRAMENTO. CRITÉRIOS DE
RAZOABILIDADE E NÃO ENRIQUECIMENTO INDEVIDO. JUROS
E CORREÇÃO DE MORA A PARTIR DA DATA DO
ARBITRAMENTO. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA.
1. Em se tratando de relação consumerista, a responsabilidade
civil do prestador de serviços é objetiva e sedimenta-se na
teoria do risco do empreendimento, que atribui o dever de
responder por eventuais vícios ou defeitos dos bens ou
serviços fornecidos no mercado de consumo a todo aquele
que se dispõe a exercer alguma atividade neste mercado,
independente de culpa, sendo irrelevante, portanto, a ausência
de má-fé ou culpa da instituição financeira no evento danoso
para fins de responsabilidade civil, bem como o argumento de
que seria igualmente vítima da fraude perpetrada por terceiro.
Súmula nº 479 do Superior Tribunal de Justiça. Não fossem tais
razões suficientes, verifica-se que o apelado comprovou ter
notificado o banco apelante acerca da mudança de seu endereço,
não se justificando o envio de cartão de crédito e documentos de
cobrança para a antiga residência do cliente.
2. A Jurisprudência tem fixado o entendimento de que a inscrição
ou manutenção indevida de pessoa em cadastro de inadimplentes
implica no dano moral in re ipsa e que a indenização por dano
moral, nesses casos, deve ser determinada segundo o critério da
razoabilidade e do não enriquecimento despropositado.
Considerando as circunstâncias específicas do caso concreto, em
especial o valor da dívida indevidamente cobrada, de R$ 6.671,05,
o significativo grau de culpa da instituição financeira, que enviou o
cartão de crédito para endereço desatualizado do cliente e, de
modo inexplicável, permitiu que fosse desbloqueado e utilizado por
terceiros, e a vedação ao enriquecimento indevido, tenho que o
valor de R$ 10.000,00 é mais razoável e ainda suficiente à
reparação do dano no caso dos autos, sem importar em
enriquecimento indevido da parte.
3. Sobre o montante arbitrado a título de indenização por danos
morais deve incidir correção monetária e juros de mora desde a
data da sentença, exclusivamente pela Taxa SELIC.
4. Apelação parcialmente provida. (Apelação Cível nº 0018924-
24.2010.4.03.6100, 1ª Turma do TRF da 3ª Região, Rel. Wilson
Zauhy. j. 08.08.2017, unânime, e-DJF3 18.08.2017). (grifos
acrescidos)

TJDFT-0431650) APELAÇÃO CIVIL. CONSUMIDOR. CONTRATO


DE CARTÃO DE CRÉDITO - COMPRAS COM CARTÃO NÃO
RECONHECIDAS PELO TITULAR. POSSIBILIDADE DE FRAUDE
POR MEIO DE CLONAGEM DO CARTÃO DE CRÉDITO -
HIPÓTESE DE FORTUITO INTERNO. SÚMULA 479 DO STJ.
ANOTAÇÃO NEGATIVA EM ROL DE INADIMPLENTES. DANO
MORAL CONFIGURADO. RECURSO CONHECIDO E
DESPROVIDO.
1. O Código de Defesa do Consumidor adota a teoria do risco
do empreendimento, da qual deriva a responsabilidade objetiva
do fornecedor de produtos e serviços, independentemente de
culpa, pelos riscos decorrentes de sua atividade lucrativa,
bastando ao consumidor demonstrar o ato lesivo perpetrado, o
dano sofrido e o liame causal entre ambos, somente eximindo-
se da responsabilidade o prestador, por vícios ou defeitos dos
produtos ou serviços postos à disposição dos consumidores,
provando a inexistência de defeito no serviço, a culpa
exclusiva da vítima ou fato de terceiro (art. 14, § 3º, I e II, do
CDC).
2. Neste caso, o autor negou haver contraído com cartão de
crédito o débito pelo qual teve seu nome anotado em rol de
inadimplentes, sustentando a ocorrência de fraude. Assim, nos
termos da 479 do STJ as instituições financeiras respondem
objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo
a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de
operações bancárias.
3. Destaco que a anotação negativa do nome do consumidor,
embasada em débito não comprovadamente por ele contraído,
enseja a responsabilização civil da parte requerida, pois presentes
os requisitos para essa finalidade (ato danoso, dano e liame causal
entre ambos).
4. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. (Processo nº
20160910101370 (1057052), 5ª Turma Cível do TJDFT, Rel.
Robson Barbosa de Azevedo. j. 25.10.2017, DJe 13.11.2017).
(grifos acrescidos)

E, por fim, caracterizado está o nexo de causalidade entre a conduta da


requerida e o dano moral levado a efeito.

Portanto, dúvidas não restam acerca da responsabilidade da ré, devendo ser


condenada à indenização reparatória.

Caracterizado o dano moral, passo a fazer a quantificação da indenização


respectiva.

A indenização por danos morais representa uma compensação financeira pelo


sofrimento ocasionado pelo dano, não significando um acréscimo patrimonial para a
vítima.

Atualmente, para ser quantificada a compensação pela ofensa moral, adota-se a


teoria do valor do desestímulo, levando-se em conta, para ser fixada a indenização, a
extensão do dano, a necessidade de satisfazer a dor da vítima, tomando-se como
referência o seu padrão sócio-econômico, inclusive se a mesma contribuiu para o
evento, e, em contrapartida, inibir que o ofensor pratique novas condutas lesivas.

No entanto, cabe ao Poder Judiciário buscar uma solução justa para que o valor
da condenação não se converta em enriquecimento sem causa em prejuízo da
Requerida.

Quanto ao grau de culpa e à gravidade da ofensa, foi reconhecida as cobranças


indevidas decorrentes de negócio jurídico fraudulento, havendo claro defeito na
prestação do serviço do réu.

Quanto à extensão dos danos, a conduta da ré ofendeu moralmente a parte


autora, haja vista que ocorreram descontos indevidos na pensão que a idosa recebe
do INSS.

Assim, atentando para os elementos de quantificação, bem como para o


princípio da razoabilidade, entendo como suficiente e justa a indenização na quantia
de R$ 6.000,00 (seis mil reais), considerando: a extensão do dano; a necessidade de
satisfazer a dor da vítima; o padrão sócio-econômico das partes; a necessidade de
inibir que o ofensor pratique novas condutas lesivas.

III. Dispositivo

Diante do exposto, julgo procedentes os pedidos formulados na inicial, com


fundamento no art. 487, inciso I, do Código de Processo Civil/2015, a fim de que seja
declarada a inexigibilidade do contrato nº 350968148-6. objeto dos autos, com a
imediata suspensão de quaisquer cobranças referente ao contrato. Confirmo a tutela
de urgência anteriormente deferida.

Ademais, condeno a parte ré, solidariamente, à repetição do indébito, na forma


simples, referentes aos valores descontados indevidamente referente ao contrato
objeto dos autos, a partir da contratação até o último desconto indevido, cujo valor
será liquidado por simples cálculo no cumprimento de sentença, a ser acrescido de
correção monetária pelo INPC a partir da data do pagamento, e, de juros de mora, na
forma simples, de 1% ao mês, contados da data da citação.

Condeno a parte ré, solidariamente, ao pagamento de indenização por danos


morais em favor da parte autora no montante de R$ 6.000,00 (seis mil reais), corrigido
monetariamente pelo INPC desde a data da presente sentença (Sumula nº 362 do
STJ), e acrescido de juros de mora de 1% ao mês, estes contados a partir da data da
citação por se tratar de responsabilidade contratual.

Condeno, ainda, a parte ré ao pagamento das custas processuais e honorários


advocatícios de sucumbência, estes que fixo em 10% (dez por cento) do valor da
condenação, o que faço com fundamento no art. 85, §2º, do CPC.

Havendo apelação, intime-se o apelado para apresentar contrarrazões, no prazo


legal, caso queira. Decorrido o prazo, encaminhem-se os autos ao Egrégio Tribunal de
Justiça do Estado do para Pará, para os devidos fins.

Após o trânsito em julgado, cumpridas as diligências necessárias, arquivem-se


os autos, dando-se baixa no registro e na distribuição.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Cumpra-se.

Belém-PA, data registrada no sistema.

Augusto César da Luz Cavalcante

Juiz de Direito da 6ª Vara Cível e Empresarial de Belém

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: AUGUSTO CESAR DA LUZ CAVALCANTE - 27/11/2024 13:36:50
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Número do documento: 24112713365089900000116814557

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