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1

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB


DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS - DCH - CAMPUS VI
COLEGIADO DO CURSO DE LETRAS EM LÍNGUA INGLESA E LITERATURAS

ALESSANDRA SILVA LOPES

A APRENDIZAGEM AUTÔNOMA DA LI ATRAVÉS DE


APLICATIVOS PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS

Caetité/BA
2024
2

ALESSANDRA SILVA LOPES

A APRENDIZAGEM AUTÔNOMA DA LI ATRAVÉS DE


APLICATIVOS PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como


requisito parcial para avaliação do componente
curricular TCC II do curso de Licenciatura em Letras,
Língua Inglesa e Literaturas da Universidade do
Estado da Bahia – UNEB Campus VI.

Orientadora: Profa. Ma. Zelinda A. Souza Caires

Área do conhecimento: Linguística Aplicada

Caetité/BA
2024
3

ALESSANDRA SILVA LOPES

A APRENDIZAGEM AUTÔNOMA DA LI ATRAVÉS DE


APLICATIVOS PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS

Data da defesa: 19 de julho de 2024.

BANCA EXAMINADORA

___________________________________________________
Orientadora: Prof.ª Ma. Zelinda Almeida Souza Caires
Universidade do Estado da Bahia - UNEB-VI/ Caetité

___________________________________________________
Examinadora interna: Prof.ª Drª. Keila Mendes dos Santos
Universidade do Estado da Bahia - UNEB-VI/ Caetité

___________________________________________________
Examinadora interna: Prof.ª Ma. Maria Amélia Sousa Lima Silva
Universidade do Estado da Bahia - UNEB-VI/ Caetité
4

Esta pesquisa é dedicada à todas e todos os estudantes que de


uma maneira ou de outra não se percebem no processo de
ensino e aprendizagem, para que eles saibam que existem
educadores e educadoras que visualizam e buscam por uma
educação que tenha os e as estudantes como o centro desse
processo. Dedico também à minha família, como um resultado
de honra e gratidão à toda confiança e apoio que a mim foi
dedicada.
5

AGRADECIMENTOS

Formar-me em um curso de graduação nem sempre foi uma opção para mim.
Desde criança, empenhada a estudar e cumprir com as obrigações de infância, por
assim dizer, via-me diante da responsabilidade em manter presente e dedicada a
aprender e ter boas notas. Sempre ouvi de minha família que essa a era forma mais
possível de me tornar alguém. Queria, porém, estabelecer aqui, que antes mesmo
dessa formação - eu já era alguém.
Uma menina nascida e crescida em um lar cheio de amor e que, mesmo diante
das dificuldades, sentia o afeto em forma de cuidado e compromisso com um futuro
melhor, sobretudo, de meus pais. Diante disso, apresentar esse trabalho de conclusão
de curso é bem mais de que um mero requisito de formação, é a concretização de
uma etapa em que significa o meu crescimento pessoal e profissional, algo com o qual
minha família sonhou comigo e acreditou em mim.
Sendo assim, inicialmente, agradeço a Deus que me fortaleceu e me conduziu
com saúde e quase sempre, em ânimo, rumo à esta realização. Em seguida, agradeço
aos meus pais, irmão e meu namorando que estiveram ao meu lado, que me deram
suporte quando precisei e que me fizeram acreditar em mim quando as dificuldades
batiam e eu me sentia fraca diante de tudo.
Agradeço aos meus, professores e especialmente à minha orientadora, a Profª.
Ma. Zelinda A. Souza Caires. Pessoas estas que me deram apoio e estiveram por
perto conforme as necessidades que eu tinha.
Aos meus colegas, pelas risadas, conversas e o suporte de sempre, são
lembranças em que levarei comigo; creio que posso chamá-los de amigos.
Por fim, agradeço a todos que, de alguma forma, me ajudaram a concluir esta
etapa. Obrigada!
6

“A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas


irrigar desertos”.

(C. S. Lewis).
7

RESUMO

A tecnologia e a língua inglesa na atualidade representam uma nova forma de viver e atuar no
mundo, sendo elas cada vez mais requerida nos ínterins sociais. Com base nisso, ao se pensar
a aprendizagem da língua inglesa de uma forma atrativa e que coloca o aprendiz como centro
do processo de ensino e aprendizagem, o presente estudo tem por objetivo analisar como os
graduandos do curso de Licenciatura em Letras, Língua Inglesa e Literaturas da Universidade
do Estado da Bahia/UNEB/Campus VI utilizam aplicativos móveis para aprender a língua
inglesa e como estes meios contribuem para a autonomia dessa aprendizagem. Para tanto,
foi realizada uma pesquisa de campo com abordagem qualitativa, onde se aplicou um
questionário numa turma de graduandos em fase de conclusão do curso de Letras em Inglês
e Literaturas, afim de que fosse possível acessar as percepções dos estudantes em relação
ao uso de aplicativos móveis para a aprendizagem da LI. A análise dos dados foi realizada a
partir da Análise de Conteúdo proposta por Bardin (1977), sob as observações e adaptações
apresentadas por Minayo (2007), alinhada a duas categorias de análise e apoiada no
referencial teórico desenvolvido a partir da pesquisa bibliográfica. Em face disso, com base nas
falas dos respondentes, bem como diante dos estudos teóricos sobre o tema, evidenciou-se
que os apps são ferramentas potentes que contribuem para a aprendizagem do inglês e para
a construção da autonomia dos alunos, uma vez que favorece a aprendizagem de forma mais
prática, divertida e de fácil acesso.
Palavras-chave: Tecnologia. Aplicativos Móveis. Autonomia. Língua Inglesa.
8

ABSTRACT

Technology and the English language today represent a new way of living and
behaving in the world, once they have been more and more required in social
interactions. Thinking about English learning process as an attractive way and that
places the student as the core in the teaching and learning process, the present study
aims to analyze how undergraduates of a language teacher education course in
English and Literatures, at the University of the State of Bahia/UNEB/Campus VI, use
mobile applications to learn English and how those tools contributes to the autonomy
of that learning. In order to achieve those objectives, a qualitative field research was
carried out where a questionnaire was applied with a group of undergraduate students,
at the final stage of the language teacher education course in English and Literatures,
which made possible the access of the students’ perceptions regarding the usage of
mobile applications to English learning. Data analyses were conducted based on the
Content Analysis (BARDIN, 1977), under the notes and adaptations of Minayo (200),
organized on two categories and supported by the theoretical reference developed on
the bibliographic research. Thus, based on the speech of the informants and before
the theoretical studies on the issue as well, it was highlighted that the apps are
powerful tools that can contribute both to English learning improvement and to the
construction of students’ autonomy, as they favor the learning in a more practical, fun
and easily accessible way.
Key words: Technology. Mobile Applications. Autonomy. English language.
9

Sumário

1.CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................................ 10


2. CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS .......................................... Erro! Indicador não definido.17
2.1. As tecnologias digitais: potencialidades e perigos .................................................. 17
2.2. Tecnologias digitais na aprendizagem da Língua Inglesa ....................................... 18
2.3. Autonomia na aprendizagem de LI ............................................................................ 22
2.3.1Tecnologias digitais e a aprendizagem da LI ...............................................25
2.4 Tecnologias digitais e ludicidade.....................................................................27
3. METODOLOGIA .....................................................................................................36
3.1 Escolha da metodologia .......................................................................................................36
3.2 Contexto da pesquisa ...........................................................................................................37
3.3 Caracterização dos participantes da pesquisa.................................................................38
3.4 Plano de coleta de dados da pesquisa...............................................................................39
3.4.1 Instrumento da coleta de dados.......................................................................................40
3.4.2 Procedimentos da coleta de dados.................................................................................40
3.5. Procedimento de análise de dados ............................................................................ 41
4.ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ....................................................................44
4.1 Utilização de aplicativos móveis na aprendizagem do inglês.......................................44
4.2 Os aplicativos móveis e a contribuição para a aprendizagem autônoma ...47

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 51


REFERÊNCIAS ............................................................................Erro! Indicador não definido.
ANEXOS ................................................................................................................................58
10

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A língua inglesa (LI) está em toda a parte do mundo. Aonde quer que você vá é possível
que o inglês esteja presente – em aeroportos, por exemplo, muitas das orientações em placas
e painéis eletrônicos, são bilíngues e, certamente, uma destas línguas é a inglesa. Ao entrar
em hotéis, restaurantes, lojas e museus (principalmente em países estrangeiros), sempre
haverá alguém que possa se comunicar com você em inglês. E, por estar presente em
diferentes situações e diferentes “espaços” é que podemos dizer que o inglês alcançou o status
de língua global. A respeito deste aspecto de globalidade, Crystal (2003, p. 20) enfatiza que
“uma língua atinge um status genuinamente global quando desenvolve um papel especial que
é reconhecido em cada país”1.
Diante deste contexto, podemos indagar – seria esta característica de globalidade que
levaria um indivíduo a investir esforços para aprender a língua inglesa? É óbvio que a temática
em questão permite uma extensa discussão, o que levantaria questões para o
desenvolvimento de outra pesquisa. Portanto, voltando à questão da aprendizagem do inglês,
podemos dizer que, quando a língua em questão não é a sua língua materna, o processo pode
ser árduo, mas, mesmo assim,

[...] você ainda pode estar motivado a aprendê-la, porque você sabe que ela o
colocará em contato com mais pessoas do que qualquer outra língua; mas
que, ao mesmo tempo, você sabe que isso vai exigir um grande esforço para
domina-la [...]2 (CRYSTAL, 2003, p. 20).

No intuito de tentarmos compreender o motivo pelo qual uma pessoa deseja aprender o
inglês e ter a sensação de pertencimento ao global é que nos atemos às palavras de Leffa
(2001, p. 342) quando ele acrescenta que,

há uma série de fatos que contribuem para isso, entre os quais podemos
destacar os seguintes: (1) o inglês é falado por mais de um bilhão e meio de
pessoas; (2) o inglês é a língua usada em mais de 70% das publicações
científicas; (3) o inglês é a língua das organizações internacionais. A razão
mais forte, no entanto, é o fato que o inglês não tem fronteiras geográficas. O
inglês, por outro lado, é não só declaradamente a língua oficial de 62 países,

1
“A language achieves a genuinely global status when it develops a special role that is recognized in
every country” (Tradução Nossa).
2
“You may be strongly motivated to learn it, because you know it will put you in touch with more people
than any other language; but at the same time you know it will take a great deal of effort to master it”
(Tradução Nossa).
11

mas é também a língua estrangeira mais falada no mundo: para cada falante
nativo há dois faltantes não-nativos que a usam para comunicação.

Como podemos notar, há inúmeras razões que levam um indivíduo a trilhar o caminho
para aprender um novo idioma, aqui, especialmente nos referindo, o inglês. Mas vimos,
também, que não é tão simples aprender um novo idioma. Para isso, é necessária muita
dedicação e empenho para o cumprimento das etapas de aprendizagem, compreensão dos
fonemas, grafemas, utilização da língua e, dessa forma, a aprendizagem desejada.

Motivação para a Pesquisa

Antes que avancemos nestas discussões, recorro-me a apresentar as motivações que


me trouxeram a construir este estudo.
Quando pequena, ainda na infância, a língua inglesa nunca fizera parte da minha vida
como tem feito agora. Antes, mediada por um mundo em que se mostrava mais simples e fácil,
assistia à televisão (TV) com menos frequência e os aparelhos eletrônicos os quais conhecia
além da TV - o rádio. De vez em quando eu via, numa casa ou outra, aparelhos telefônicos
que crianças nem se quer podiam passar por perto.
Além disso, a linguagem também era mais simples, brincávamos muito pelas ruas; na
escola, o foco da aprendizagem era o ler e escrever. Portanto, o que quero dizer é que naquela
época, eu acreditava que o mundo se resumia a minha cidade, meu bairro e minha rua. Nem
se quer passava pela minha cabeça que existia outra população que não fosse a brasileira ou
que falasse uma língua diferente da minha, a língua portuguesa. Para mim, todas as pessoas
do mundo se comunicavam em português.
Quando, finalmente, tive a oportunidade de conhecer e ter acesso ao ensino da língua
inglesa, o que só ocorreu na quinta série, do Ensino Fundamental II, da educação Básica (atual
sexto ano), a ideia da existência de uma língua estrangeira me deixou bastante confusa e me
fez reconstruir conceitos de língua e espaço geográfico.
Por isso, talvez, diante das aulas que me foram apresentadas, senti tamanha dificuldade
em me adaptar à língua, que ainda parecia estranha aos meus ouvidos; afinal tudo o que eu
tinha aprendido sobre letras e fonemas, no contexto da língua portuguesa, era a única
referência visual e auditiva que tinha até então. Foi muito difícil compreender que aquelas
mesmas letras, já tão familiares, poderiam empregar sons diferentes em outra língua.
12

Definitivamente, isso não foi necessariamente algo fácil para incorporar ao meu processo de
aprendizagem.
Além disso, naquela época, as aulas possuíam uma abordagem tradicional e nada me
motivava a aprender essa “nova” língua – leitura de textos, exercícios de tradução e gramática.
Posso dizer que tudo aquilo não passava de uma grande perda de tempo. Pois, além de não
aprender o idioma, as aulas de inglês eram, em minha perspectiva, as menos interessantes e
que eu as assistia sem ânimo, apenas pela obrigação.
Porém, após concluir o Ensino Médio, na oportunidade de cursar uma graduação gratuita
- já que financiar um curso era uma realidade distante para mim - fui contemplada no vestibular
justamente para a opção de fazer o curso de Letras em Língua Inglesa e Literaturas, na
Universidade do Estado da Bahia, na cidade de Caetité.
Foi a partir daí que pude, finalmente, para a minha felicidade, me descobrir “dentro” do
curso, pois a ementa, as metodologias aplicadas e, principalmente, a associação da tecnologia
ao processo de ensino e aprendizagem do inglês, me trouxeram a motivação para estudar a
língua estrangeira, como também, a ter uma aprendizagem mais significativa ao longo da
formação.
Durante meus estudos, fiz uso de ferramentas tecnológicas diversas, não só as que os
professores apresentavam ou indicavam, mas também, aquelas em que eu mesma tomava a
iniciativa de buscar para que desta forma, pudesse me desenvolver mais ainda dentro da
graduação. Foi aí que descobri e tive acesso a aplicativos móveis voltados à educação, no que
se refere à aprendizagem da língua inglesa, como por exemplo - Duolingo, Babbel, Cake,
dentre outros; todos são aplicativos específicos para a aprender línguas, dentre elas, o inglês.
Dito isso, posso enfatizar que, ao ensinar uma nova língua, antes de tudo, é necessário
que os responsáveis envolvidos no processo de ensino da língua-alvo levem em conta, a
sensibilidade de eleger metodologias e a utilizar recursos que prezem pela aproximação do
aluno ao novo conhecimento, possibilitando a ele, uma imersão à nova língua de uma forma
prazerosa e motivadora, fazendo uso, por exemplo, de ferramentas que já fazem parte do seu
dia a dia e que possam instiga-lo a querer aprender.
As últimas conclusões expostas acima, podem ser respaldadas por Vilson J. Leffa
quando ele discute que,

O ensino de uma língua estrangeira exige do professor determinadas


qualidades, umas mais óbvias do que outras. A mais óbvia de todas é que o
professor deve conhecer o conteúdo daquilo que ensina; deve também
possuir uma metodologia adequada para transpor esse conteúdo para o aluno
13

e, finalmente, deve ter determinados traços de personalidade para facilitar todo


esse processo de aprendizagem (2016, p. 72)

Quanto às tecnologias, sabemos que os avanços disponíveis nas plataformas digitais


têm impulsionado a autonomia dos sujeitos interessados nessa busca pela aprendizagem da
LI. Segundo Miccolli (2010), a utilização de aplicativos (apps), pode favorecer o
desenvolvimento da autonomia e sucesso no alcance de objetivos dos usuários na
aprendizagem desta língua, visto que, o sucesso desta aprendizagem dependerá da atitude
dos próprios indivíduos que pretendem aprender.
Ademais, as inovações tecnológicas têm, cada vez mais, atuado de forma significativa
na área da educação. Elas vêm sendo bastante utilizadas para a aquisição do conhecimento,
tornando prática e dinâmica a interatividade do usuário juntamente com a participação da
mobilidade oferecida pelos dispositivos móveis, tais como, smartphones e tablets.
De acordo com Woodill (2010 apud BRUM et al., 2017), os principais benefícios do uso
de dispositivos móveis para a aprendizagem incluem: a portabilidade, a mobilidade - estar
disponível a qualquer hora e em qualquer lugar, acesso de forma flexível a diversos recursos
e em tempo real, economia de tempo e rapidez da comunicação. Dessa forma, as
possibilidades tecnológicas podem ser vistas tais quais como uma alternativa da era moderna,
que usadas de forma sábia e responsável, podem atuar na qualidade e facilidade da
aprendizagem de diversas áreas, inclusive, da LI.
Foi em meio a esse cenário que decidi fazer uso de aplicativos móveis como uma forma
de me auxiliar nos estudos da língua-alvo – o inglês. Atesto que, ainda, é tudo muito novo para
mim; tenho muito a explorar, porém, já posso afirmar que a ideia da existência de inúmeros
aplicativos disponíveis e que podem ser “meus” aliados ao aprendizado e motivação é
instigante.
Assim, as potencialidades dos recursos digitais e a possibilidade de ser “protagonista” da
minha aprendizagem; assumir responsabilidades, monitorar e avaliar meu próprio aprendizado
me inspiraram e motivaram, de certa forma, a empreender esta pesquisa.

Questões de investigação e objetivos da pesquisa

Este estudo, que se trata de uma pesquisa de campo com abordagem qualitativa,
apresenta dois questionamentos:
14

a) De que forma os estudantes do curso em Letras, Língua Inglesa e Literaturas da


Universidade do Estado da Bahia/UNEB/campus VI utilizam aplicativos móveis para
aprender inglês? e
b) Como esses meios tecnológicos contribuem para a aprendizagem autônoma?

Assim sendo, a partir das questões apresentadas, ficou definido enquanto objetivo geral,
analisar como os graduandos do curso de Letras Língua Inglesa e Literaturas da Universidade
do Estado da Bahia/UNEB/campus VI utilizam aplicativos móveis para aprender a língua
inglesa e como estes meios contribuem para a autonomia dessa aprendizagem.
Depois de estabelecidos os questionamentos e traçado o objetivo maior a ser alcançado
com a investigação, foram traçados os objetivos específicos, sendo eles:

a) Refletir sobre as potencialidades e malefícios do uso dos apps em sala de aula e fora
dela;
b) Enquanto elemento da tecnologia, identificar quais os apps mais utilizados pelos alunos
para aprender inglês; e
c) Compreender quais contribuições estes apps agregam na aprendizagem deste idioma.

Relevância e justificativa

Consideramos que este estudo se faz relevante por diversos motivos. Ao discutirmos
acerca da autonomia na aprendizagem de LI, é possível compreender como ela pode afetar
as práticas pedagógicas e a qualidade do ensino do idioma. Essa compreensão vai além da
concepção de que a autonomia se refere ao aprendiz apenas quando esse assume a
responsabilidade pelas decisões concernentes à escolha dos objetivos, métodos e técnicas de
ensino a serem usados, ajudando a definir conteúdos, a monitorar e avaliar seu próprio
aprendizado. Neste contexto, o aprendiz autônomo tende a se sentir motivado por meio das
suas próprias ações; e essas ações “traduzem” sua autonomia.
Essa compreensão pode levar a um aprimoramento das estratégias de ensino e
aprendizagem, contribuindo para um ensino de inglês mais eficaz e engajador.
Além disso, ao abordar essas questões, os educadores podem se tornar mais
conscientes de como suas escolhas pedagógicas afetam suas práticas de ensino e podem
auxilia-los a perceber e permitir que seus alunos construam um ambiente mais reflexivo.
15

Ademais, o estudo pode servir também como base para futuras investigações sobre a
relação entre professores e alunos, motivação e autonomia no ensino-aprendizagem de inglês.
Acreditamos, também, que o exercício da autonomia na aprendizagem de línguas pode
ser potencializado se aliada às tecnologias digitais.
Podemos destacar o uso de aplicativos móveis que se utilizam dos recursos dos
aparelhos como a capacidade de se gravar a fala para ouvir posteriormente por meio dos
microfones incorporados nos telefones celulares; anteriormente, este tipo de prática exigia a
presença de um professor.

Estrutura do trabalho

Isto posto, evidenciamos que este estudo está organizado em 5 (cinco) seções. A
primeira representa as Considerações Iniciais, na qual contextualizamos este trabalho
descrevendo a motivação para este estudo e discriminando o tema da pesquisa.
Apresentamos o problema e os objetivos gerais e específicos e, finalmente, a relevância e
justificativa para a pesquisa.
Na segunda seção, apresentamos as Considerações Teóricas deste estudo, a qual está
dividida em 5 (cinco) subseções.
Na primeira subseção, intitulada “A Tecnologia, conceito e breve contexto histórico” são
discutidos os aspectos relacionados aos conceitos da palavra “tecnologia”;
Na segunda, intitulada “As tecnologias digitais: potencialidades e perigos”, trazemos uma
reflexão acerca do rápido desenvolvimento tecnológico – por um lado, o surgimento de
aplicativos voltados para a aprendizagem, principalmente, no que diz respeito ao processo de
aprendizagem de idiomas, colocando o acesso ao conhecimento e à informação em um
espaço sem fronteiras; em contrapartida, os inúmeros perigos que todo esse desenvolvimento
tecnológico, inclusive, com a questão mesmo da aprendizagem, uma vez que o uso elevado
de aplicativos, por exemplo, pode fazer com que muitos usuários passem a refletir menos e
reproduzir discursos sem pensar.
Na terceira – “Tecnologias digitais na aprendizagem” e “Tecnologias digitais e a
aprendizagem de LI”, destacamos a relevância significativa que as tecnologias digitais podem
exercer no meio educacional e a possibilidade desses recursos tornar o processo de aquisição
de um novo idioma mais atrativo.
Na quarta – “Tecnologias digitais e ludicidade”, discutimos acerca das tecnologias digitais
e diferentes maneiras como os usuários se apropriam desses recursos para acessarem a
16

informação e o conhecimento em espaços permeados pelo desafio, pelo prazer e


entretenimento.
E, finalmente, na quinta subseção, intitulada “Autonomia na aprendizagem de LI”,
abordamos conceitos de autonomia e mostramos que, apesar de se tratar de um processo
sócio cognitivo complexo, a autonomia pode ser vista como um ganho de grande importância
para o aprendizado da língua inglesa, pois quando o sujeito interage consigo mesmo, se
conhece e estabelece sua própria maneira de adquirir o conhecimento.
A terceira seção deste trabalho é dedicada aos aportes metodológicos que embasam
este estudo. Descreve a escolha metodológica, o contexto da pesquisa, a caracterização dos
participantes da pesquisa, assim como os instrumentos e procedimentos da coleta de dados.
Para além disso, na quarta seção apresentamos, ainda, a análise e discussão dos dados
adquiridos com o questionário aplicado aos participantes da pesquisa.
Por fim, na quinta seção, tecemos as considerações finais, com a intenção de oportunizar
novos estudos e contribuir, de alguma forma, para o aprofundamento das discussões acerca
da aprendizagem autônoma de línguas, sobretudo da LI, por meio de aplicativos móveis.
17

2. CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS

2.1. A Tecnologia, conceito e breve contexto histórico

Na perspectiva de Kenski (2007, p. 17), “o homem iniciou seu processo de humanização,


distinguindo-se dos demais seres vivos, a partir do momento em que se utilizou dos recursos
existentes na natureza, dando-lhes outras finalidades que trouxessem algum novo benefício à
sua vida” – seja para auxilia-los na caça, manuseio dos alimentos, para se defenderem de
outros animais ou ainda, mais tarde, para guerrearem, a saber, ossos, pedaços de madeira e
pedras.
Karasinski (2013, Online) define o termo “tecnologia” como uma palavra vinda do grego
- tekhne, que significa “técnica, arte, ofício” e juntamente com a palavra logos, também grega,
que se refere ao “estudo de algo”; “conjunto dos saberes”. Nesse sentido, o composto da
palavra pode ser compreendido como uma técnica/forma para o saber.
Porém, como podemos observar, esta breve definição do termo “tecnologia” não
consegue nos dar a real dimensão do potencial que ela tem nos proporcionado, principalmente
nos tempos modernos.
A utilização da palavra “tecnologia”, assim como seu conceito, vem sendo ampliada para
muitas áreas do conhecimento (Ciências Exatas, Biológicas, da Saúde, Agrárias, Sociais,
Humanas, Engenharia, etc., alterando muitas vezes seu significado e distanciando-se da
conceituação tradicional, como apresentada anteriormente.
Em seu artigo intitulado: “Tecnologia: novas abordagens, conceitos, dimensões e
gestão”, Silva (2003, p. 52) apresenta algumas definições do termo. No entanto, o autor deixa
claro que os conceitos da palavra tecnologia discutidos podem significar tecnologias - da forma
como já conhecemos, pelo menos da maneira como a vivenciamos - ou novas tecnologias,
uma vez que um novo produto poderá ou não incorporar novas tecnologias.
Segundo Longo (1984 apud SILVA, 2003, passim), “tecnologia é o conjunto de
conhecimentos científicos ou empíricos empregados na produção e comercialização de bens
e serviços”. A conceituação de Blaumer (1964 apud SILVA, 2003, passim) “se refere ao
conjunto de objetos físicos e operações técnicas (mecanizadas ou manuais) empregadas na
transformação de produtos em uma indústria”. Já a conceituação utilizada por Kruglianskas
(1996 apud SILVA, 2003, passim), “tecnologia é o conjunto de conhecimentos necessários
para se conceber, produzir e distribuir bens e serviços de forma competitiva”.
18

Diante do exposto, devemos reconhecer que a utilização da palavra “tecnologia” vem


sendo ampliada para muitas áreas do conhecimento, alterando muitas vezes seu significado e
distanciando-se da conceituação tradicional.
De acordo com essa percepção e com base nos estudos realizados a respeito da
potencialidade da tecnologia, vê-se que ela está ligada a algo novo, - aos instrumentos ou
apetrechos que são desenvolvidos para facilitar a vida das pessoas e torna-la mais prática.
Neste mesmo contexto, Mesquita (2018, p. 36) acrescenta que “entende-se como tecnologia
o produto da ciência e da engenharia que envolve um conjunto de instrumentos, métodos e
técnicas que visam à resolução de problemas”.
Portanto, a tecnologia se estende a um conjunto de elementos novos, sob os quais se
estabelecem diferentes formas de tornar o mundo mais ágil, mais habilitado e mais
potencializado quanto às necessidades da população, uma vez que sua função é basicamente
tornar o mundo cada vez mais moderno e popular.
Assim sendo, é fácil compreender porque o conceito sempre se direciona ao novo, ao
moderno, dado que, enquanto arte do saber, a tecnologia sempre se direciona à novas
descobertas, novas formas de ver o mundo, bem como, para as novas ferramentas que visem
facilitar e tornar a vida cotidiana mais prática.
Assim, no que se refere aos avanços tecnológicos de acordo com a perspectiva histórica,
podemos destacar que houve um aumento desses avanços no final do século XX e início do
século XXI, desde a primeira guerra mundial, com o florescimento do comércio, dos fluxos do
capital e da imigração que ascenderam a globalização (WEINSTEN, 2005).
Parece nítido como a tecnologia, em si, tem reconfigurado a vida das pessoas, tornando-
a mais fácil, seja em pagar uma conta, em realizar uma busca e encontrar um endereço, em
se comunicar com pessoas e até mesmo quando se trata de questões maiores, como, por
exemplo, das máquinas – para a realização de determinados trabalhos, como na área da
saúde, da ciência e da educação.

2.2. Tecnologias e tecnologias digitais: potencialidades e perigos

Percebemos, nos parágrafos anteriores, como as tecnologias estão presentes em


nossas vidas. Não se trata de uma realidade na vida de uma minoria, mas uma grade parte
dos indivíduos – direta ou indiretamente - tem contato com os benefícios proporcionados pela
tecnologia. Basta observarmos o nosso dia-a-dia; hoje, muitas das nossas ações são
realizadas com facilidade, rapidez e conforto graças a evolução tecnológica.
19

Antes, em um passado não muito distante, o homem contava simplesmente com as


capacidades naturais do seu corpo na realização de algumas tarefas: pernas, braços,
músculos, cérebro, por exemplo. E o mais interessante é que, com esse mesmo “corpo”, o
homem foi capaz de inventar e produzir ferramentas e processos para sua sobrevivência e
conforto.
O mundo foi evoluindo e as necessidades humanas, também, foram crescendo;
“construíram grandes obras públicas e meios de transporte coletivos por terra e por mar.
Fundaram cidades e criaram fábricas e máquinas. Desenvolveram formas diferentes de
obtenção de energia” (KENSKI, 2007, p. 20); todas essas invenções e inovações são
tecnologias.
Vivemos num mundo em que a tecnologia representa o modo de vida de muitas
pessoas, porque não dizermos da sociedade atual, na qual a cibernética, a automação, a
engenharia genética, a computação eletrônica são alguns dos atributos presentes na
sociedade tecnológica e que nos envolve diariamente. Bem, não é nosso interesse discutirmos
a história da evolução da tecnologia, até porque este não é o objetivo deste estudo. Portanto,
daremos um salto na discussão acerca da evolução tecnologia e vamos compreender melhor
o que são as tecnologias digitais.
Segundo Ribeiro (2014, Online), “Tecnologia digital é um conjunto de tecnologias que
permite, principalmente, a transformação de qualquer linguagem ou dado em números, isto é,
em zeros e uns (0 e 1)”. Para tornar esta definição mais clara, a autora acrescenta ainda que

uma imagem, um som, um texto, ou a convergência de todos eles, que


aparecem para nós na forma final da tela de um dispositivo digital na
linguagem que conhecemos (imagem fixa ou em movimento, som, texto
verbal), são traduzidos em números, que são lidos por dispositivos variados,
que podemos chamar, genericamente, de computadores. Assim, a estrutura
que está dando suporte a esta linguagem está no interior dos aparelhos e é
resultado de programações que não vemos. Nesse sentido, tablets e celulares
são microcomputadores.

Se observarmos a sociedade na qual vivemos hoje, é possível percebermos o quanto o


comportamento dos indivíduos mudou. O advento das tecnologias digitais trouxe mais
mudanças para o cenário informacional e comunicativo. Com a popularização dos
computadores e o estabelecimento da Internet, principalmente, a partir dos anos 80, uma nova
conjuntura cultural começava a se configurar, provocando mudanças profundas no perfil e
comportamento dos indivíduos. “Com as novas possibilidades tecnológicas, os espectadores
começavam a se transformar em usuários, ou seja, tornavam-se produtores, criadores,
20

compositores, difusores dos seus produtos. O consumismo automático começou a dar lugar à
autonomia.” (ALMEIDA, 2017, p. 29)
Diante do exposto, torna-se perceptível como a tecnologia tem se tornado cada vez mais
parte da vida das pessoas, desde às suas realizações cotidianas como também na forma de
entretenimento. E quando se fala em aplicativos móveis (apps), ou seja, nas ferramentas
disponíveis para aparelhos móveis, como celulares e tablets, os apps de redes sociais, jogos
e, inclusive, aqueles com amparo didático/pedagógico, são de grande referência, sobretudo,
para o público jovem, que diante da oportunidade de acesso, mantém-se conectados a estas
ferramentas tecnológicas.
Ressaltando esta crescente presença da tecnologia na vida das pessoas, Mayrink e
Baptista destacam que

“esses seres, conectados com vontade de aprender, aprendem. As ofertas


são abertas, amplas, livres, transnacionais e, na maioria das vezes, gratuitas.
Interligadas nas redes, as conexões entre mentes [...] e entre estas e a
infinidade de dados disponíveis e acessáveis – libertam as pessoas da
dependência do acesso à informação e ao conhecimento apenas pelos
caminhos formais e legais do ensino regular.” (2017, p. 225).

Porém, temos que estar atentos ao acesso a essas “ofertas abertas, amplas e livres”;
termos que reconhecermos que tais ações resultem em aprendizagem.
Pozo e Adalma (2014, p. 12-13) explanam que

[...] boa parte dos adolescentes nativos digitais tem uma alfabetização digital
(sabe usar as TICs), mas não tem uma alfabetização digital que os habilite
com as estratégias necessárias para transformar essa informação a que
conseguem ter acesso [...] em conhecimento autêntico. Essa é uma demanda
imprescindível para construir uma verdadeira sociedade do conhecimento,
que requer uma nova cultura da aprendizagem [...] – uma cultura que implica
o uso das TICs não para reproduzir velhos hábitos de ensino e aprendizagem
transmissivos, e sim para fomentar novas formas de aprender e ensinar.

Desta maneira, podemos observar dois pontos principais na citação acima.


Primeiro, quando se refere à imersão digital dos jovens e a facilidade como eles
demonstram ao utilizar as ferramentas digitais; sendo que eles, muitas vezes, sabem utilizar
tais ferramentas, mais até que os adultos com mais idade. Isso, como citam os autores, é uma
verdade explícita e se dá em decorrência do fato de que estes jovens já nasceram nessa época
21

em que a tecnologia está em toda a parte. Estes indivíduos, uma vez inseridos na cibercultura3,
caminham pelas interfaces digitais, muitas vezes, movidos pelo desejo da experimentação,
auto-aprendizagem e pela partilha de conhecimentos. Constantemente, são atraídos pelas
características inovadoras das redes virtuais que permitem a participação na construção do
ciberespaço4, a multiplicidade de acesso ao conhecimento e a formas de aprendizagem não
lineares, correspondem a parte das vivências desses jovens “ciberculturalmente” incluídos.
Enquanto que aos adultos - principalmente os que apresentam uma idade mais
avançada - que viveram em uma época em que as brincadeiras eram na rua, as pesquisas
eram somente em livros e enciclopédias, as notícias eram no rádio e a comunicação com o
que estava distante era por meio de cartas, integrar-se a este meio digital em que se pode
simplesmente falar com uma pessoa de outro país, por chamada de vídeo, por exemplo, ainda
não parece tão normal assim.
O segundo ponto a ser destacado na fala acima é com relação à nova cultura de
aprendizagem; a questão da mediação entre as ferramentas de aprendizagem e o aprendiz.
Se observarmos bem, percebemos que há certa complexidade nesta relação - por um lado,
percebemos que os jovens têm uma facilidade em aprender a utilizar as ferramentas, por outro
lado, porém, frequentemente, as utilizam de maneira “errônea”, sobretudo, quando se trata de
apps que eles acessam e fazem uso do seu próprio ponto de vista, sem interpretar o que veem
ali.
O espaço virtual apresenta um enorme atrativo de possibilidades e, algumas vezes, os
usuários se perdem neste cenário; é preciso regras para um convívio digital saudável. A
questão é que algumas dessas regras já existem, pois, nossa legislação é perfeitamente
aplicável, pois não se trata de um mundo paralelo, mas sim uma extensão de nossos atos e
condutas que podem sim ser punidos. O mundo virtual reflete o real, e vice-versa.
Diante do exposto, observa-se que os meios tecnológicos, podem ser utilizados, sim,
como aliados no processo de aprendizagem, porém, é de suma importância que o jovem
usuário, no comando dos direcionamentos do seu conhecimento, deva ser capaz de fazê-lo
de maneira consciente e significativa, fazendo com que a tecnologia digital contribua,
positivamente, para o processo que envolve o acesso ao conhecimento.

3
“[...] conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento
e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (LÉVY, 1999, p. 17).
4
“[...] é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo
especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo
oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam
esse universo” (LÉVY, 1999, p. 17).
22

Dessa forma, resguarda-se a importância de entender as contribuições que estas


tecnologias trazem para o usuário e que ele possa enxergar o aparelho móvel/os apps e outras
ferramentas que venham a utilizar, como algo positivo para a sua aprendizagem, mas sem
desconsiderar os possíveis perigos que estes recursos podem trazer.
Perigos estes, que vão além da questão, por exemplo, dos crimes cibernéticos, violação
de identidade e apropriação de dados que podem vir a acontecer por pessoas criminosas que
se utilizam até mesmo da vulnerabilidade dos jovens para penetrar em suas mentes, os
induzindo a fazer coisas ditas erradas e prejudiciais.
Estes perigos se relacionam, inclusive, com a questão mesmo da aprendizagem, pois,
por meio deste uso elevado, estes estudantes podem cair numa estagnação do achar sempre
pronto, do não refletir, do copiar, do reproduzir sem pensar.
A esta discussão, Conte e Martini (2015, p. 1198) acrescentam que, “quanto mais a
ciência e a tecnologia obtêm sucesso, mais as pessoas se tornam reféns desses meios,
tornando opacas e obscuras as relações entre as tecnologias e o pensar”. Assim, assinalamos
que a tecnologia deve ser posta como um apoio; algo que resinifique o processo de ensinar e
aprender, tornando-o mais fácil e efetivo e não como uma propensão em declinar a capacidade
de reflexão.
Diante disso, entende-se que é importante ter a tecnologia associada ao processo de
aprendizagem, mas, no entanto, que sejam considerados também, os pontos negativos que
ela pode abarcar.

2.3. Tecnologias digitais na aprendizagem

Pesquisas recentes (MASSOLA, 2020; ALMEIDA, 2017; POZO e ALDAMA,


2014) nos permitem concluir que a sociedade na qual vivemos tem sofrido inúmeras
mudanças, principalmente no que se refere às formas e meios de interagirmos com o
outro, de acessarmos informações e conhecimento. E as reflexões trazidas por essas
pesquisas nos permitem, também, afirmarmos que o surgimento do computador e, em
seguida, o advento da Internet - em meio à guerra fria na segunda metade do século
XX, mais precisamente em 19695 - trouxeram significativas mudanças para esta
sociedade.
Entre essas mudanças, segundo Massola (2020, p. 2),

5
(OLIVEIRA JUNIOR, 2020, p. 244)
23

algumas são destacadas como fundamentais, por envolverem,


particularmente, possibilidades de expressões e socializações através das
ferramentas de comunicação mediadas por tecnologias digitais e móveis
dentre elas: nootbooks, tablets, smartphones, iPod touch, computadores, etc.

Assim, frente a essas transformações, percebemos que estamos diante de uma


sociedade que recorre, cada vez mais, à tecnologia como forma de utilizar os meios de
comunicação e temos testemunhado, cada vez mais, que estes meios já fazem parte do
contexto social das pessoas. No que tange o âmbito da aprendizagem, faz-se necessária, a
todo o momento, uma adaptação aos suportes tecnológicos digitais e móveis para usufruir, ao
máximo, tudo o que eles podem nos oferecer.
As tecnologias da informação e comunicação (TIC) propiciam um trabalho eficiente,
estratégico e adequado a uma realidade, destacando que, tais podem e devem ser utilizadas
como facilitador da aprendizagem.
Antes que avancemos nas discussões acerca da presença das TICs na aprendizagem,
dedicaremos, a seguir, algumas palavras sobre o termo aprendizagem.
No artigo intitulado “Aprendizagem ergódica: a busca do hipertexto responsivo no ensino
de línguas” (2019), Leffa e Beviláqua nos conduzem a refletirmos sobre o termo
“aprendizagem”. Primeiro, os autores nos apresentam a ideia de que temos a falsa impressão
da existência de inúmeras maneiras de aprender, que vai desde a exposição ao conteúdo, em
que o “aluno” é instruído pelas informações transmitidas de um livro, por exemplo, ou de um
professor, até o comprometimento do “estudante”, que constrói seu conhecimento com as
ferramentas disponíveis em seu entorno.
Os destaques que atribuímos aos vocábulos “aluno” e “estudante”, acima, fizeram-se
necessários para entendermos a linha de raciocínio dos pesquisadores. Pois bem, Leffa e
Beviláqua fazem uma importante distinção entre as duas palavras, conferindo à primeira como
“objeto” do verbo ensinar, o que nos leva à ideia de que o aluno deseja apenas receber um
saber já construído; enquanto que à segunda palavra, os autores definem como “sujeito” do
verbo aprender, trazendo a ideia de que estudante é alguém que aprecia o que faz, que estima
aprender (REIS, 2016 apud LEFFA e BEVILÁQUA, 2019).
Os autores continuam nesta mesma linha de raciocínio, associando a palavra aluno ao
“ensino expositivo” – como a ideia de que conhecimento é informação depositada em objetos
ou um saber confiado a pessoas e é nesse sentido que surge a concepção de aprendizagem,
24

isto é, “[...] um processo receptivo que envolve ler o que os outros escrevem e ouvir o que os
outros disseram [...]” (LEFFA e BEVILÁQUA, 2019, p. 100).
Em contrapartida, a palavra estudante, ainda segundo os estudiosos, está associada à
ideia de um agente transformador; “[...] alguém que é capaz não apenas de descobrir o
conhecimento, mas até de construí-lo pelo seu engajamento em atividades de aprendizagem”
(LEFFA e BEVILÁQUA, 2019, passim); neste sentido, surge, então, a concepção de
aprendizagem ativa.
A discussão acerca dos conceitos apresentados nos parágrafos anteriores fez-se
necessária, porque pretendemos deixar claro que, todas as vezes que a palavra
“aprendizagem” for mencionada, sua concepção será associada ao termo “aprendizagem
ativa”.
Voltemos, então, às questões referentes ao tema central desta sessão.
A respeito das novas demandas do processo de aprendizagem, pode-se destacar que
as tecnologias apresentam relevância significativa. A utilização das novas TICs inclui o uso da
Internet, por exemplo. Rodrigues (2012, p. 1682) explica que a Internet, entre inúmeras
vantagens, “[...] facilita o acesso a fontes; contribui para o desenvolvimento do espírito crítico;
permite experimentar formas de trabalho; ajuda à construção de conceitos; incentiva a
transdisciplinaridade; desenvolve o sentido de cooperação e autonomia dos alunos”.
Assim, falar do uso de aparelhos digitais como celulares e computadores, por exemplo,
ou mais precisamente, falar dos apps e outras formas de acesso à informação, à comunicação
e ao lazer, disponíveis por meio desses aparelhos tecnológicos, é válido, pois trata-se de uma
prática e vivência da atualidade, bem como, incorpora o moderno e, dessa forma, cria-se maior
eficiência na aprendizagem e motivação para aprender.
Além disso, devemos destacar que quanto aos impactos do acesso à tecnologia,
independentemente de serem benéficos ou maléficos (como brevemente discutido na sessão
anterior), deve-se se levar em conta que se este uso possibilita qualquer tipo de transformação
no desenvolvimento e aquisição do conhecimento, então, é necessário que se pense sobre o
uso desses aparelhos e, dentro da educação, que se pense em estratégias de incorpora-los
no processo de aprendizagem, de tal maneira que, se potencialize os saberes e, inclusive, de
maneira tal que se possa desempenhar uma ação crítica e reflexiva sobre o que a tecnologia
pode propagar.
Quando se trata das TICs, aqui se referem especificamente às novas tecnologias, ou
seja, as que imperam aparelhos como celular, tablet, notebook, smartphone e qualquer outro
aparelho sob o qual se possa utilizar internet e que, portanto, onde a pessoa/aprendiz possa
25

se conectar com esse mundo digital afim de que ele venha a utiliza-lo como fonte para obter
informações e aprender (COSTA et al., 2015).
Corroborando com esta discussão, Paiva (2017) destaca que os aplicativos móveis já
são muito populares entre crianças, adolescentes e adultos para a aprendizagem.
O telefone móvel (Smartphones) tem vários recursos indispensáveis para a vida
moderna; através de aplicativos, garantem que os usuários possam atingir o objetivo de
aprender. A esse respeito, Nonnenmacher (2012 apud BIZ et al, 2016, p.8) informa que os “[...]
aplicativos são pequenos softwares instalados em sistemas operacionais de smartphones e
tablets, com possibilidade de acessar conteúdo online e offline”. Nesse sentido, os aplicativos
móveis são instrumentos revolucionários da era globalizada, vieram para facilitar a vida nas
mais diversas tarefas no nosso cotidiano; por isso, a sua procura é tão crescente e a suas
funcionalidades são tão eficientes.
Dessa forma, nota-se que os meios tecnológicos estão cada vez mais presentes no meio
educacional, sendo utilizado como uma importante ferramenta para a efetivação da
aprendizagem, tornando esse processo mais prático, rápido e dinâmico. E, assim, quanto à
potencialidade da aprendizagem para as pessoas é que se coloca a possibilidade e a reflexão
de como a era digital pode favorecer o desenvolvimento e aprendizagem de línguas e como
se pode fazer uso dessas tecnologias para a concretização da aprendizagem destas línguas.

2.3.1. Tecnologias digitais e a aprendizagem da LI

Segundo Caires (2017) aprender um novo idioma era restrito a uma pequena parcela da
população brasileira, pois, anos atrás, a grande maioria não tinha acesso à aprendizagem de
uma segunda língua com tanta facilidade como vemos nos dias atuais. Nesse sentido, apenas
as pessoas com melhor poder aquisitivo tinham condições de custear escolas de idiomas
particulares. Atualmente, além do que se trabalha na escola, existem os meios digitais
disponíveis pelos quais um indivíduo pode ter acesso à aprendizagem de um idioma
estrangeiro.
Dentro desse universo no qual o acesso ao conhecimento está cada vez mais facilitado,
pode-se destacar o surgimento dos aplicativos móveis. Com esses poderosos softwares
instalados em smartphones e tablets, por exemplo, aprender uma língua estrangeira tornou-
se mais fácil devido a acessibilidade na palma da mão. Assim, aplicativos presentes nestes
dispositivos possibilitam aos seus usuários ler livros, jogar, consultar dicionário, fazer
26

transações financeiras, inclusive estudar um idioma, que antes era algo distante da realidade
(Paiva, 2017).
Nesse sentido, são evidentes os benefícios acerca da utilização da tecnologia na
aprendizagem da língua inglesa, dentre estes benefícios podemos destacar a questão da
personalização do aprendizado, levando em consideração que cada aprendiz tem seu próprio
ritmo no que se refere ao desenvolvimento das atividades.
Além disso, por meio do uso das tecnologias é possível tornar o processo de aquisição
de uma segunda língua mais atrativo, fazendo uso do aparelho móvel e principalmente através
de aplicativos que possibilitem resolver atividades que exijam certo conhecimento sobre a
língua inglesa.
E ainda, tem-se os aplicativos que, por meio da repetição de palavras e enunciados,
podem facilitar o processo de memorização da pronúncia e tradução, proporcionado melhor
adaptação à nova língua, para que os aprendizes se comuniquem com falantes da língua, pois
é de suma importância que haja um contato diário com o novo idioma, para que esse seja
assimilado.
Por isso o celular contribui de forma ímpar, pois para se ter contato cotidiano com a
língua-alvo, o usuário pode alterar o idioma no dispositivo android®, iPhone ou iPad®, podendo
então aprender o nome dos aplicativos e outras palavras em inglês que são recorrentes do
próprio sistema operacional do aparelho.
Tendo em vista que estas tecnologias comportam a capacidade de contribuir com o
aprendizado dos sujeitos que a utiliza, é preciso que se leve em consideração este potencial
para a aprendizagem da língua inglesa, sobretudo, porque se entende que, sendo ela, uma
segunda língua (já que estamos falando de falantes da língua portuguesa que irão aprender o
inglês), é natural que o aprendiz tenha algumas dificuldades referentes aos aspectos fonéticos
(produção de sons, ritmo, entonação, etc.), gramática, vocabulário, produção e compreensão
oral.
Portanto, pensando nas tecnologias digitais, algo que já faz parte do dia a dia na vida de
muitos usuários, tal qual o uso de aplicativos de comunicação, filmes, jogos, músicas, por
exemplo, é possível que se compreenda que a utilização de aparelhos eletrônicos enquanto
estratégia para a aprendizagem da língua inglesa venha a ser de grande interesse para o
próprio aprendiz que verá os estudos da língua-alvo acontecerem de maneira mais dinâmica
e moderna.
Nota-se que a imersão ao mundo da língua inglesa, por meio da tecnologia, favorece
aos aprendizes, uma vez que eles não só podem aprender sobre a constituição da estrutura
27

do inglês, a sintática e morfologia da língua, por exemplo, mas também, ao ouvir e reproduzir
irão ter maiores possibilidades de apropriar-se desse novo idioma.
O referido argumento se explica pelo fato que a aprendizagem da LI pode ser
contemplada tanto de forma indireta, como em apreciação de vídeos ou audição de músicas
e podcasts ou jogos, por exemplo, como de forma direta, em casos de aplicativos e plataformas
de ensino da língua inglesa, como já citados, em que o aluno se contempla com a visualização,
transmissão e reprodução do inglês, indo além da questão gramatical e compreensão dos
fatores constitutivos da língua, do lugar de origem, da cultura linguística entre outras questões.
Assim sendo, podemos concluir que a utilização destas tecnologias digitais para o ensino
e aprendizagem da língua inglesa, bem como o uso de aplicativos móveis em aparelhos como
celulares, tablets, computadores são de grande importância, pois indivíduos inseridos neste
processo se tornam mais engajados e se sentem mais motivados, pois estão utilizando uma
tecnologia atual que faz parte do seu dia a dia e pode ser personalizada de acordo com as
suas necessidades.

2.4. Tecnologias digitais e ludicidade

Estamos experienciando a grandiosa “era digital”, como afirmam Ramos e Furuta (2008
apud RODRIGUES e BOGUSZ, 2016), pois as tecnologias disponíveis na atualidade
promovem novas formas de apropriação de informação e auxiliam na comunicação,
possibilitando novas maneiras de interação entre as pessoas. E muitas destas “apropriações”
e “interações” acontecem em espaços de aprendizagem permeados pelo desafio, pelo prazer
e entretenimento
De acordo com Silva e Pinheiro (2017) o lúdico, de uma forma geral, está relacionado
com o prazer e a liberdade, por isso, os jogos utilizados como recursos pedagógicos podem
ser úteis para uma aprendizagem diferenciada e significativa da língua inglesa. Pois, oportuniza
aos estudantes outras posições em relação ao processo de aprendizagem, como a
participação ativa e de liderança.
Diante disso, as ferramentas da era digital se comprometem com a aprendizagem do
aprendiz, por se tratar de uma questão que compõe a cultura atual, moderna e, portanto, já é
parte da vida desses sujeitos e, dessa forma, atuam como mediadores, influenciando o
desenvolvimento do saber. Mais especificamente, em se tratando dos jovens e demais
pessoas conectadas com esta era digital,
28

espera-se que o uso das novas tecnologias contribua ou provoque mudanças


na forma de socializar e interagir com outras pessoas, bem como no modo de
colaborar e compartilhar informações, influenciando nos processos de
aprendizagem (COSTA, et al, 2015, p. 605).

Diante disso, vê-se que os estudiosos da área da tecnologia entendem as tecnologias


digitais, tal qual fortes elementos para a construção da aprendizagem. Portanto, é necessário
refletir sobre o potencial do uso dos recursos digitais, uma vez que eles podem proporcionar
mudanças significativas ao processo de aquisição de novos conhecimentos, não só pela forma
de aprender, mas, também, pelos impactos que podem provocar no interesse do aluno em
aprender e como deseja apreender as novas informações.

2.5. Autonomia na aprendizagem de LI

Bem, compreende-se que ao construir um estudo acerca da aprendizagem da língua


inglesa de forma autônoma e com o auxílio de aparelhos móveis, faz-se necessário, a princípio,
entendermos do que se trata o conceito de autonomia, uma vez que, ela está atrelada a um
elemento que constitui a capacidade de a pessoa conseguir desenvolver-se sozinha, ter
aptidão para guiar-se nas resoluções de problemas e tarefas do dia a dia; e, vale ressaltar, o
conceito de autonomia, no que concerne ao processo de ensino e aprendizagem, não é tão
simples.
Devido ao reconhecimento da importância que a autonomia exerce na construção do
conhecimento e do papel do aprendiz, no processo de ensino e aprendizagem, suas
concepções têm sido amplamente pesquisadas e discutidas no âmbito de aquisição de línguas
entre professores, pesquisadores e linguistas aplicados.
Em seu artigo intitulado “Autonomia e Complexidade”, Paiva (2006) ressalta que o
conceito de autonomia na aprendizagem de línguas, sobretudo de língua estrangeira (LE)
surgiu com o advento da abordagem comunicativa. Antes disso, segundo a autora, não havia
espaço para o reconhecimento da autonomia.
Diante disso, Paiva (2006, p. 82 - 83) conduz a reflexão em torno dos diferentes conceitos
de autonomia a partir da “voz” de outros estudiosos. Vejamos algumas definições coletadas e
comentadas pela autora, a seguir:
Definição 1 – (HOLEC, 1981) - autonomia é “a habilidade de se responsabilizar pela
própria aprendizagem”;
29

Definição 2 – (LITTLE, 1991) - autonomia é “a capacidade de planejar, monitorar e


avaliar as atividades de aprendizagem, e, necessariamente, abrange tanto o conteúdo quanto
o processo de aprendizagem”;
Definição 3 – (DICKINSON, 1987) - “um aprendiz autônomo é aquele que é totalmente
responsável para tomar decisões que dizem respeito à sua aprendizagem e para implementá-
las”;
Definição 4 – (CRABBE, 1993) - “o indivíduo tem o direito de ser livre para exercer suas
escolhas como em outras áreas, e não tornar-se vítima (mesmo involuntariamente) das
escolhas feitas pelas instituições sociais”;

Paiva considera as definições de Holec e Little um tanto ou quanto ingênua porque,


segundo ela, é difícil imaginarmos que alguém seja responsável pela própria aprendizagem
sem levarmos em conta outros fatores que interferem no processo de aprendizagem. Ainda,
segundo a pesquisadora, ao definir o termo “autonomia”, os autores centram os aprendizes
autônomos como seres humanos livres de interferências externas.
Quanto às definições de Dickinson e Crabbe, a autora acredita que se trata de opiniões
bastante utópicas, uma vez que serão raras as vezes que um aprendiz, em se tratando de uma
língua estrangeira, seja capaz de tomar as decisões sobre sua aprendizagem e de
implementá-las.
Paiva continua suas reflexões a partir de outras definições. Dentre os vários argumentos
e opiniões apresentados por diferentes pesquisadores, destacamos as ideias de Littlewood
(1996), também comentada pela autora:

podemos definir uma pessoa autônoma como aquela que tem a


capacidade de fazer escolhas e conduzir suas próprias ações. Esta
capacidade depende de dois componentes: habilidade e desejo.
Assim, uma pessoa pode ter a habilidade de fazer escolhas
independentes, mas não sentir nenhuma vontade de implementá-las
(porque tal comportamento não é, por exemplo, percebido como
apropriado ao seu papel em uma determinada situação). Por outro
lado, uma pessoa pode ter o desejo de exercitar escolhas
independentes, mas não ter a habilidade para fazê-lo (p. 84. Grifo
Nosso).

Paiva entende e destaca, a partir da definição acima, que “habilidade” é a mistura


de conhecimento e habilidades; “desejo” é constituído por motivação e confiança.
Percebemos que o aprendiz, nesta concepção possa ser capaz de produzir ou
construir seu próprio conhecimento.
30

Encerramos esta subseção de conceitos e definições acerca da autonomia, com


uma proposta de acepção apresentada pela própria autora,

[autonomia] é um sistema sócio-cognitivo complexo, que se manifesta em


diferentes graus de independência e controle sobre o próprio processo de
aprendizagem, envolvendo capacidades, habilidades, atitudes, desejos,
tomadas de decisão, escolhas, e avaliação tanto como aprendiz de língua ou
como seu usuário, dentro ou fora da sala de aula (PAIVA, 2006, p. 88-89).

Assim, pode-se dizer que possibilitar um ensino/aprendizagem de forma autônoma é


extremamente necessário, não somente no contexto escolar, mas também na busca por
formar o educando de maneira ampla e significativa.
Além disso, outro ponto que também chama bastante atenção é o de que a autonomia
se trata de um processo que está conectado com a própria pessoa, ou seja, como posto pela
própria etimologia da palavra conforme artigo da lexicógrafa Ribeiro (2024, s/p) portal
Dicionário online de Português, “[...] autonomia deriva do grego "autonomía", pelo francês
"autonomie", com o sentido de ter o direito de se guiar seguindo as suas próprias leis.
Portanto, a autonomia não é um fenômeno que se faz necessariamente movida por
métodos secundários ou exteriores, ninguém faz a autonomia do outro. Como “auto”, ela é do
sujeito. E quem é autônomo, é assim, porque desenvolveu a capacidade de tomar as rédeas
de si mesmo.
No entanto, cabe enfatizar que o que foi dito no parágrafo anterior não se trata de uma
afirmação de que esse sistema sociocognitivo não sofre influências a partir do meio, já que,
por exemplo, os excessos de bloqueios, supercontrole de outras pessoas e limitações podem
sim sufocar o desenvolvimento desta autonomia, já que ela precisa justamente do sentir-se
livre, capaz e segura.
Nem tampouco, se pode dizer que não exista possibilidade de influenciar o outro para
que a autonomia nele se desenvolva. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando se dispõe de
recursos ou mesmo de momentos que propiciem ao determinado sujeito a necessidade e
segurança em buscar sua própria forma de fazer algo ou tomar uma decisão.
A exemplo disso, pode-se citar quando, na escola, o professor permite e cria estratégias
para que um aluno faça sua atividade sozinho, mesmo que ele tenha uma insegurança ou
apresente dificuldade para esta realização, fortalecendo neste aluno a sensação de ser capaz
e permitindo que ele tenha disposição para criar seu próprio método de conduzir-se para a
solução daquela atividade.
31

Propomos, neste momento, inserirmos as discussões que envolvem as tecnologias


digitais no contexto da autonomia. Como já discutimos anteriormente, pesquisas apontam que
os aplicativos móveis são recursos que podem ser positivos para a apreensão da LI, e que,
tais ferramentas condicionam maior autonomia para os aprendizes.
Como propõe o tema deste trabalho - A aprendizagem autônoma da LI e o uso de
aplicativos para dispositivos móveis - o foco, aqui, não é levantarmos questões que envolvem
o uso das tecnologias por aprendizes de LI no contexto sala de aula. Porém, é inevitável que
o ambiente sala de aula não seja inserido na discussão. Pois, estamos nos referindo a um
aprendiz que está descobrindo na tecnologia digital um caminho para desenvolver a sua
autonomia, que demonstra disposição para assumir responsabilidades e confiança em suas
habilidades, certamente, mesmo com a mediação de um professor, ele mesmo se tornará um
elemento importante para o seu processo de aprendizagem, logo, sua atitude, sua habilidade
e motivação estarão contribuindo para as atividades desenvolvidas em sala de aula.
A respeito desses aprendizes que já veem a tecnologia como recursos auxiliadores para
sua aprendizagem, Blikstein (2016 apud CASSIANO, GOÉS e NEVES, 2019) destaca que

[...] Os alunos se apropriam da tecnologia [...] como meio autêntico


para se libertar da pedagogia tradicional e podem, então, sacudir a
poeira e se engajar em um aprendizado libertador, profundo e
emancipatório (p. 11).

Dessa forma, vê-se a importância da utilização da tecnologia – dentro ou fora da sala de


aula – para a contribuição, de forma significativa, na aquisição de novos saberes, de maneira
autônoma e crítica, sabendo que por meio da aprendizagem de forma autônoma o aluno torna-
se capaz de solucionar problemas do cotidiano.
A autonomia, aliada aos aplicativos móveis, deve se construir de modo consciente e
cuidadoso. Afinal, não é sobre fazer o que quer e como quer, autonomia no processo de
aprendizagem deve ser compreendida em o aprendiz saber o que deseja, e a melhor forma
de alcançar isso com responsabilidade.
Pois, por meio da utilização de aplicativos presentes no aparelho móvel, os educandos
podem vir a desenvolver autonomia para aprender, inclusive, uma língua nova, de forma mais
fácil trazendo a eles muitos benefícios, já que se leva em conta que, diante da oportunidade de
acesso, os jovens encontram-se conectados ao celular quase sempre.
32

Além disso, os estudantes que estão em constante contato com o celular; têm a
possibilidade de poder estudar sempre que houver disponibilidade e necessidade de qualquer
lugar onde estiverem.
Ademais, sabe-se que atualmente muitos educandos procuram métodos alternativos
para aprender o inglês de forma autônoma, dentre os métodos mais utilizados, pode-se
destacar o celular como um ótimo recurso obter a aprendizagem dessa língua.
Assim, o estudo por meio do aparelho móvel permite uma flexibilidade podendo ser feito
a qualquer hora do dia, porém para isso é necessário que haja dedicação e disciplina para que
ocorra a aprendizagem. Deve haver ainda, uma rotina de estudos, aumentando a carga horária
de forma gradativa. Sendo assim, a melhor forma de aprender, envolve esforço, dedicação e
principalmente força de vontade.
Com relação a esta discussão, vale ressaltar, ainda, um aspecto interessante é que
muitos dos aplicativos móveis estão disponíveis de forma gratuita, podendo assim ser
utilizados para ampliar e melhorar as habilidades acerca da escrita, leitura, bem como, a
compreensão oral, visando um melhor discernimento sobre a tomada de decisão,
possibilitando aos alunos a responsabilidade pelo seu próprio processo de aprendizagem.
Diante dessas possibilidades, a autonomia se inscreve como uma ação individual, que
aliada à facilidade de acesso aos aplicativos móveis, permite que o indivíduo construa relação
de si mesmo com o que aprende e assim, percebe como o que aprende é interessante ou não.
É uma demanda interna que leva o agente a sentir-se dono de si mesmo e, portanto, não
se sente forçado, porque entende que faz porque quer e porque escolhe fazer, ainda que haja
uma imposição indireta na ação.
Por entre estas nuances, Leffa (2003, p. 15), coloca que “a aprendizagem que realmente
interessa, aquela que não é apenas reprodução do que já existe, mas criação de algo novo,
de progresso e avanço, só é possível com autonomia”. Dessa maneira, o professor precisa ser
o mediador/facilitador nesse processo importante do ensino aprendizagem de forma que a
autonomia se construa pelo aluno, no modo pelo qual este último se veja no processo e se
entenda enquanto protagonista de seu aprendizado.
Segundo Fenerick (2017 apud MESQUITA, 2018), o uso de tecnologia móvel, como o
smartphone, pode ampliar, e potencializar a aprendizagem da língua inglesa, auxiliar também
na construção do capital cultural dos aprendizes, além disto, têm um papel motivador para o
ensino das demais línguas.
A interatividade das atividades disponíveis nestes aplicativos é benéfica e contribui para
aprendizagem do idioma. Franco (2013 apud WEISHEIMER e LEANDRO, 2016) afirma que
33

a aprendizagem autônoma na internet pode ocorrer de forma individual, ou seja, ou a pessoa


controla a sua própria aprendizagem ou ela ocorre de forma colaborativa, por meio de
influências externas.
Enquanto Santos afirma que,

O ensino de línguas nunca teve tantas possibilidades de suporte em termos


de materialidade tecnológica como na atualidade, dadas as tecnologias
acompanhadas das diversas formas e ambientes de aprendizagem agora
possíveis (SANTOS 2009a, p.14).

E, ainda, frente a isso, Figueiredo (2006) vem concluir que, a aprendizagem colaborativa
favorece o desenvolvimento do aprendiz. O autor aponta que, em situações de atividades
colaborativas os alunos têm oportunidade de se tornarem mais reflexivos e mais autônomos.
Os aprendizes se engajam em situações de interação, ajudando uns aos outros não só para a
simples execução de uma determinada tarefa, mas reconhecendo suas dificuldades perante
o que está executando.
Ademais, considera-se, que os recursos tecnológicos, como sendo parte do cotidiano
dos alunos, bem como, pela sua estrutura lúdica e pela facilidade para utilizar suas funções,
são como uma porta que poderá estimular a aprendizagem do inglês além de contribuir na
construção dessa autonomia, pois ela vem justamente de o aluno sentir-se livre e
independente no processo da aprendizagem.
Reafirmando o que já foi discutido em parágrafos anteriores, a autonomia se faz pela
construção da independência do sujeito em saber identificar problemas, encontrando meios
para solucioná-los e “construir” seu dia a dia com norteamento próprio. Dessa forma, falar da
aprendizagem da língua inglesa com autonomia, refere-se à compreensão de que é
necessário que o aprendiz tenha à sua disposição estratégias e recursos que possibilitem que
ele consiga até mesmo enxergar o inglês como algo legal, divertido e prazeroso de se
aprender.
Nesse sentido, é de suma importância que se coloque a autonomia enquanto um
elemento fundamental que deva ser constituído pela pessoa desde tenra idade e,
principalmente, quando, se inicia os processos de aprendizagem escolar, uma vez que ela
poderá definir como e quando o aluno irá aprender, bem como, definindo também aquilo que
é de seu desejo ou não de aprender e dar continuidade a este aprendizado.
Assim sendo, ainda que a autonomia não seja algo do outro, pois é parte do próprio
sujeito, ela pode e deve ser instigada a fim de que se possa construir-se sujeitos mais
34

autônomos, sabidos de seus desejos e motivados pela própria compreensão de sua


identidade, tempo e gosto pelas coisas.
Nestes aspectos, compreende-se que a autonomia é um ganho de grande importância
para o aprendizado da língua inglesa, pois quando o sujeito interage consigo mesmo, se
conhece e estabelece sua própria maneira de adquirir o conhecimento.
Como aponta Luz (2019, p. 46), a autonomia para o aprendizado,

[...] é caracterizada como uma versão construtivista em que o aprendiz, ao


interagir socialmente, constrói significados pessoais da realidade que o cerca.
O conhecimento não é ensinado, mas construído juntamente com o aprendiz.
Cada aprendiz constrói a linguagem da maneira como enxerga sua realidade
particular, tornando-se assim responsável pelo seu aprendizado.

Dessa maneira, observa-se que a aquisição do conhecimento pode sim, partir da


mediação seja pelo meio, por plataformas e pelo outro, mas a autonomia é importante nesse
processo, pois atribui um elemento excepcional, que é a capacidade de o indivíduo caminhar
por entre as estratégias e acessar informação agregando e internalizando apenas aquilo que
ele concebe importante e necessário. E mais ainda, com esta autonomia, o sujeito se sentirá
mais parte do que aprende e prazer pelo que aprende, tornando mais fácil esse aprendizado.
Portanto, as tecnologias digitais poderão atuar como instigantes no processo da
construção da autonomia, bem como, enquanto consequência, no desenvolvimento da
aprendizagem da língua inglesa, uma vez que, conforme discute Ribeiro (2019, p. 105),

alunos que têm controle sobre as tecnologias digitais podem ser influenciados
positivamente em sua aprendizagem, pois permite o desenvolvimento da
autonomia e conhecimento suficiente para realização de inúmeras tarefas,
como organização, planejamento, divisão e escolha de atividades. Essas
atividades podem ser inúmeras e o próprio aluno pode ser instigado a decidir
quais os melhores programas e/ou aplicativos que irão auxiliá-lo na aquisição
de uma segunda língua.

Por tudo isso, compreende-se que o uso de tecnologias digitais, compreendidos como
uma parte da cultura dos jovens e alunos em geral, mediante aparelhos eletrônicos como
celulares, por exemplo, em que podem ser instalados aplicativos, agrega grande contribuição
ao processo de ensino e aprendizagem da língua inglesa, que é considerada de tamanha
relevância social na atualidade.
Ademais, compreendendo o grau de importância da autonomia e como ela se faz
grandiosa no processo de aprendizagem para o aluno, é fundamental para que professores e
35

demais profissionais da educação, sobretudo, aos que estão a par do ensino do inglês, se
debrucem e se entreguem ao modernizar de sua prática pedagógica tornando o exercício de
ensinar e aprender mais prazeroso e mais significativo para todos os sujeitos envolvidos nesse
processo.
E, finalmente, conclui-se que, as maneiras de se aprender a língua inglesa são diversas,
como por exemplo, músicas, leituras, filmes em inglês, vídeos, além de aplicativos pelos quais
é possível se comunicar com falantes da língua-alvo, podendo assim, dialogar e aprender
ainda mais acerca deste idioma, além de poder variar os métodos de estudos e aprender de
forma mais prática, com menos dificuldade.
36

3. METODOLOGIA

“Metodologia é a aplicação de procedimentos e


técnicas que devem ser observados para construção
do conhecimento, com o propósito de comprovar sua
validade e utilidade nos diversos âmbitos da
sociedade”.

Prodanov e Freitas (2013, p.14)

3.1. Escolha da metodologia

Quando nos dispomos a empreender uma pesquisa científica, é necessário que


estejamos atentos às escolhas metodológicas que irão balizar o andamento do trabalho,
entendendo por metodologia “o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem
da realidade” (MINAYO et al., 2007, p. 14).
Assim como acontece com a definição do tema de pesquisa, podemos dizer que a
escolha metodológica constitui um processo importante para o pesquisador. Portanto, faz-se
necessário apresentarmos as escolhas feitas com relação ao tipo de investigação elegida.
Do ponto de vista dos procedimentos metodológicos, o presente trabalho se define como
uma pesquisa bibliográfica e de campo.
Esse estudo envolveu um levantamento bibliográfico que perpassou toda a elaboração
deste trabalho, com o propósito de compreender para explicar a realidade estudada. Portanto,
se trata de uma pesquisa bibliográfica porque foi vinculada a materiais já elaborados, à leitura,
análise e interpretação de livros, periódicos, teses, dissertações, monografias e artigos
científicos (Gil, 2008; ZAMBELLO, 2018). Nesse sentido, “a pesquisa bibliográfica lida com o
caminho teórico e documental já trilhado por outros pesquisadores e, portanto, trata-se de
técnica definida com os propósitos da atividade de pesquisa, de modo geral” (MELLO e SILVA,
2006 apud ZAMBELLO, 2018, p. 66).
Configura-se como uma pesquisa de campo do tipo exploratória. A investigação acerca
do uso e das potencialidades de aplicativos móveis na aprendizagem de LI se deu na
Universidade do Estado da Bahia - UNEB, Campus VI, Caetité, junto a um pequeno grupo de
graduandos do curso de Letras Língua Inglesa e Literaturas, no intuito de compreender de que
forma os estudantes do já mencionado curso utilizam aplicativos móveis para aprender inglês
37

e como esses meios tecnológicos contribuem para a aprendizagem autônoma dessa


aprendizagem.
Quanto à pesquisa de campo, Zambello et al. (2018, p. 65) explicam que se trata de um
“processo no qual o pesquisador está diretamente articulado com o espaço (fonte) do qual
decorrem as suas informações. Nesse sentido, há uma relação direta entre aquilo que se
deseja conhecer e o espaço (delimitado pelo pesquisador) de suas manifestações”.
O estudo se caracteriza como uma pesquisa de campo do tipo exploratória desde o
momento que foram estabelecidas as questões de investigação e traçados os objetivos (Ver
Sessão 1). Quanto a este tipo de pesquisa, Marconi e Lakatos (2003, p. 188) afirmam que se
tratam de

“investigações de pesquisa empírica cujo objetivo é a formulação de questões


ou de um problema, com tripla finalidade: desenvolver hipóteses, aumentar a
familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para a
realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar
conceitos”.

Como já discutido, o presente trabalho apresenta as principais características (não todas,


mas as principais) de uma pesquisa de campo exploratória. Posteriormente, de acordo com a
natureza deste tipo de pesquisa, determinaremos as técnicas que serão empregadas na coleta
de dados, que deverá ser representativa e suficiente para apoiar a análise dos dados e as
conclusões apresentadas nas sessões posteriores.
Esta pesquisa guia-se, fundamentalmente, pela abordagem da pesquisa qualitativa. Este
tipo de pesquisa envolve uma abordagem interpretativa do mundo, o que significa que seus
pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender os
fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem. Além disso, os
depoimentos, os discursos e os significados transmitidos pelos sujeitos informantes envolvidos
na investigação são tratados com fundamental importância. Neste sentido, esse tipo de
pesquisa preza pela descrição detalhada dos fenômenos e dos elementos que o envolvem.

3.2. Contexto da pesquisa

O contexto no qual foi realizada a coleta de dados a Universidade do Estado da Bahia –


(UNEB), Campus VI; Departamento de Ciências Humanas (DCH). Essa escolha desse Locus
para a realização da pesquisa se justifica pelo vínculo existente entre a pesquisadora e o
Departamento, isto é, como graduanda no curso de Licenciatura em Letras, Língua Inglesa e
38

Literaturas. Reservamos esta subseção para fazermos uma breve descrição da instituição.
Lembramos, no entanto, que as informações aqui apresentadas estão baseadas do site Portal
UNEB6 e da página (link) Multicampia e Departamentos7.
A Universidade do Estado da Bahia (UNEB), maior instituição pública de ensino superior
da Bahia, fundada em 1983 e mantida pelo governo estadual por intermédio da Secretaria da
Educação (SEC), está presente geograficamente em todas as regiões baianas, estruturada no
sistema multicampi, contando, no momento, com 27 Campi.
O Departamento de Ciências Humanas (DCH) do Campus VI da UNEB está situado na
cidade de Caetité, que faz parte do Território de Identidade Sertão Produtivo do Estado da
Bahia. O DCH originou-se da Escola de Nível Superior de Caetité, criada em 1962. Em 1983,
a escola foi incorporada pela Universidade do Estado da Bahia, passando a se chamar
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caetité (FFCLC). Com a reestruturação das
Universidades Estaduais da Bahia, em 1997, a FFCLC passou então a ser denominada como
Departamento Ciências Humanas.
Atualmente, o DCH do Campus VI oferta os cursos de licenciatura em Ciências
Biológicas, Geografia, Matemática, História, Música, Letras com Língua Portuguesa e
Literaturas, Letras com Língua Inglesa e Literaturas e os cursos de bacharelado em
Engenharia de Minas e Administração (EaD).

3.3. Instrumento da coleta de dados

Com vistas a atingir os objetivos metodológicos, no que tange à coleta de dados, 15


(quinze) alunos foram convidados a compor o grupo de informantes desta pesquisa.
Os participantes foram alunos graduandos do VIII (oitavo) semestre do curso de
Licenciatura em Letras, Língua Inglesa e Literaturas, da Universidade do Estado da Bahia-
UNEB, Campus VI.
A escolha dos participantes não foi aleatória, pois já havia sido decidido, preliminarmente,
que os sujeitos participantes seriam graduandos do oitavo semestre; turma na qual, a
pesquisadora também faz parte desde o ano 2022.2.
Foi estabelecido, como critério utilizado para a referida escolha, que os informantes
fossem alunos do oitavo semestre por já terem o nível avançado nos estudos LI e já

6
UNEB. Disponível em: < https://portal.uneb.br/>. Acesso em: 14 maio, 2024;
7
DCH - Campus VI. Disponível em: <https://dch6.uneb.br/>. Acesso em: 14 maio, 2024.
39

demonstrarem bastante familiaridade com o uso das tecnologias digitais como suporte para a
realização de atividades referentes à aprendizagem do inglês.
Como já mencionado no início desta subseção, quine participantes foram convidados a
responder o questionário elaborado para esta pesquisa, porém, apenas 4 (quatro) concluíram
esta etapa com a entrega do instrumento da coleta de dados.
Para proteger a identidade dos participantes, ao longo da análise dos dados, a cada
graduando foi atribuído um pseudônimo. Estes nomes fictícios foram representados por nomes
de aplicativos móveis de aprendizagem de línguas, a saber: Babbel, Busuu, Falou e Memrise.

3.4. Plano de coleta de dados da pesquisa

A proposta de coleta de dados se deu a partir de um questionário com questões abertas


e fechadas, conforme será descrito a seguir.

3.4.1. Instrumento da coleta de dados

“Os instrumentos de coleta de dados de pesquisa são as ferramentas que farão parte do
processo de coleta, levantamento e, por fim, tratamento das informações e divulgação dos
resultados” (Mundo Acadêmico, 2024, Online).
Para obtenção dos dados foi utilizado, como instrumento de coleta, 1 (um) questionário
de autoria da pesquisadora (Ver Apêndice B). Conforme Gil (2008), o questionário é a
estruturação de questões cujo objetivo é de alcançar respostas significativas sobre os dados
de uma pesquisa. Ao corroborar com esta definição, Vieira (2009, p. 15) acrescenta que, em
uma pesquisa, este instrumento é

constituído por uma série de questões sobre determinado tema. [...] é


apresentado aos participantes da pesquisa, chamados respondentes, para
que respondam às questões e entreguem o questionário preenchido ao
entrevistador, que pode ser ou não o pesquisador principal.

O questionário aplicado junto aos sujeitos participantes desta pesquisa foi elaborado com
questões abertas e fechadas; de maneira que atendesse aos objetivos deste estudo e que
serviu como um guia facilitador no momento da descrição e análise dos dados.
Consiste de 10 (dez) questões, dividida em duas sessões. As 3 (três) primeiras questões
constituem a primeira sessão - “Sobre o ensino e aprendizagem de inglês” e as 7 (sete)
40

restantes relacionadas à segunda sessão - “Sobre o uso da tecnologia digital e uso de


aplicativos móveis”. Dentre as três primeiras, da primeira sessão, uma questão é aberta e as
duas últimas de múltipla escolha. Dentre as sete questões que compõem a segunda sessão,
4 (quatro) são semiabertas, nas quais os informantes puderam escolher dentre as opções “sim”
e “não”, podendo, ainda, justificar em caso de opção positiva (sim), expressando assim, às
suas opiniões e as 3 (três) últimas são abertas, permitindo que os respondentes expressassem
suas opiniões.
Assim sendo, a partir das informações prestadas, demos continuidade a este trabalho,
onde foi acrescentada uma sessão com a análise destes dados adquiridos.

3.4.2. Procedimentos da coleta de dados

Após a descrição da “Escolha da metodologia”, “Contexto da pesquisa”, “Instrumentos


da coleta de dados”, “Caracterização dos participantes da pesquisa e do Instrumento da coleta
de dados”, dedicaremos à descrição do processo realizado para a coleta de dados.
A realização desta etapa se deu na primeira quinzena do mês de junho de 2024, quando
foi aplicado o questionário para a turma do oitavo semestre do curso de Licenciatura em Letras,
Língua Inglesa e Literaturas.
Em virtude de a pesquisadora já fazer parte da turma, o contato com os graduandos,
para apresentação da pesquisa e o convite para participação da mesma ocorreu de maneira
bastante informal. No momento em que todos já estavam reunidos na sala de aula, a
pesquisadora solicitou um tempo para que a apresentação do estudo, em desenvolvimento,
acontecesse.
Houve uma aceitação imediata da turma diante do exposto. Alguns, inclusive, já
demonstraram muito interesse no tema, por já se sentiram familiarizados com o uso de
aplicativos móveis nos estudos de LI.
Ressaltamos que, ao final da apresentação do estudo, solicitamos a concessão dos
envolvidos através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Ver
Apêndice A), em que foram esclarecidos o propósito, os procedimentos, os riscos e as
implicações desta pesquisa; informando, ainda, que a participação seria voluntária, as
respostas seriam tratadas de forma anônima e confidencial, ou seja, em nenhum momento
seria divulgado o nome em qualquer fase do estudo.
No entanto, como a turma está em período de finalização do curso, nem todos os dias
os graduandos estavam presentes. Sendo assim, no dia em que os questionários foram
41

entregues, dos 15 (quinze) alunos matriculados na turma, apenas 11 (onze), participaram da


aula.
Mesmo assim, os quatro alunos ausentes foram notificados via Whatsapp (aplicativo
multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz para smartphones). O
mesmo procedimento realizado em sala de aula foi repetido pelo aplicativo, ou seja, deixar os
alunos cientes da pesquisa que estava sendo desenvolvida. A esses alunos a solicitação para
colaborarem com a presente pesquisa foi feita. Todavia, eles informaram estar atarefados e
que, por isso, não poderiam colaborar com o estudo.
No dia combinado para a entrega dos questionários, já respondidos, apenas 4 (quatro)
foram recebidos. A justificativa dos estudantes que não entregaram-no foi que, por estarem
finalizando a graduação, concluindo os TCCs e realizando outras atividades, não havia sido
possível atender à solicitação feita pela pesquisadora.
Entende-se que o número de respondentes que devolveram questionários foi
significativo – que corresponde à amostragem para o presente estudo. Para Gil (2008, p. 89-
90), uma amostragem

“é um conjunto definido de elementos que possuem determinadas


características [...]. Subconjunto do universo ou da população, por meio do
qual se estabelecem ou se estimam as características desse universo ou
população”

Diante desta definição, concluímos que tínhamos um número pequeno de respondentes,


mas que representava um público maior que era a turma do oitavo semestre e, certamente,
contribuíram para que o universo pesquisado se tornasse significativo e validado.

3.5. Procedimentos de análise dos dados

Wolcott (1994 apud MINAYO, 2007) revela três momentos fundamentais durante a fase
de análise de dados: descrição, análise e interpretação.
Conforme é destacado por Minayo (2007, p. 80) na descrição “as opiniões dos
informantes são apresentadas da maneira mais fiel possível, como se os dados falassem por
si próprios”. Esta fase corresponde à escrita de textos resultantes dos dados originais
registrados pelo pesquisador.
No entanto, é na análise que ocorre o processo de organização de dados; é nessa fase
que se devem salientar os aspectos essenciais e identificar fatores chave e “[...] o propósito é
42

ir além do descrito, fazendo uma decomposição dos dados e buscando as relações entre as
partes que foram decompostas” (p. 80).
Por último, a interpretação diz respeito ao processo de obtenção de significados e
inferências a partir dos dados obtidos. Esta fase pode ser realizada após a análise ou após a
descrição. E é neste momento que “buscam-se sentidos das falas e das ações para se chegar
a uma compreensão ou explicação que vão além do descrito e analisado” (p. 80).
Tomando como referência os três momentos referidos por Wolcott e, adequando-os ao
presente estudo de investigação, podemos dizer que a descrição corresponde à transcrição
das respostas dos informantes no questionário; a análise e interpretação dos resultados serão
obtidas concomitantemente. Minayo (2007, passem) ressalta que isso é perfeitamente
possível porque “em relação a essas três formas de tratamento de dados qualitativos, é
importante observarmos que elas não se excluem mutuamente, uma vez que nem sempre
possuem demarcações distintas entre si”. Isso quer dizer que, ao descrevermos dados de uma
determinada pesquisa, podemos fazê-lo dentro de uma perspectiva de análise que, por sua
vez, já representa uma interpretação.
Além disso, ainda segundo a autora, quando falamos de análise e interpretação de
informações geradas no campo da pesquisa qualitativa, estamos falando de um momento em
que o pesquisador procura finalizar o seu trabalho, ancorando-se em todo o material coletado
e articulando esse material aos propósitos da pesquisa e a sua fundamentação teórica.
Os três momentos realizados durante a fase de análise de dados de uma pesquisa
apresentados por Minayo estão inseridos no método de Análise de Conteúdo. Ainda, segundo
a própria autora, trata-se de uma adaptação que baseia-se, de um lado, na obra de Bardin
(1979) que traz uma nova sistematização para o assunto e, de outro, em sua experiência como
pesquisadora.
Diante do exposto, adiantamos que, para a realização da análise dos dados obtidos por
meio do questionário, reunimos as observações apresentadas por Minayo (2007) e as
adaptamos a este estudo. Foram realizadas as descrições (transcrições) das opiniões dos
informantes presentes no questionário e, em seguida, analisadas / interpretadas, mantendo
sempre as devidas considerações com o aporte teórico apresentado na segunda sessão deste
trabalho.
Por conseguinte, apresentamos as categorias analíticas (Ver Quadro 1)
identificadas para análise dos dados.
43

Quadro 1: Categorias analíticas


CATEGORIAS ANALÍTICAS

a) Utilização de aplicativos móveis na aprendizagem do inglês

b) Os aplicativos móveis e a contribuição para a aprendizagem autônoma

Fonte: Elaborado pela pesquisadora


44

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

Nesta sessão, apresentaremos a análise dos dados baseada nas categorias


estabelecidas. Ressaltamos, porém, que a escolha das categorias de análise deu-se porque
as mesmas vêm ao encontro dos objetivos propostos inicialmente em nossa pesquisa.

4.1. Utilização de aplicativos móveis na aprendizagem do inglês

As diferentes maneiras como as pessoas vêm se interagindo, buscando


informações e tendo acesso ao conhecimento em cenários atuais, nos mostram e nos
permitem afirmar que o advento da Internet trouxe significativas mudanças para a
sociedade. Entre todas essas mudanças, podemos assegurar que muitas delas são
importantíssimas, porque não dizer, fundamentais por terem uma forte influência na
maneira como nos expressamos e socializamos. E essas “novas maneiras” de nos
comportarmos vêm acontecendo por meio das ferramentas de comunicação mediadas
pelas TDICs, a saber: nootbooks, tablets, smartphones, iPod touch, computadores, e-
readers (leitores eletrônicos), entre outros.
Diante de todo esse avanço, nota-se um modelo de sociedade que se vale cada
vez mais (e com mais recorrência e intensidade) da tecnologia digital para utilização
de meios de comunicação.
Em se tratando da presença das TDICs no campo da educação, temos notado
grandes modificações envolvendo a informação e a comunicação, principalmente no
que tange ao processo de ensino e aprendizagem, o que nos permite perceber
mudanças, também, tanto para os docentes quanto para os estudantes. Quanto a
essa observação, Massola (2020, p. 2) destaca que,

para os docentes, faz-se necessário ter uma visão mais ampla e


contextualizada do que significa e envolve o processo do indivíduo em
seu empenho por adaptar o meio às suas necessidades e todo o
“saber fazer” elaborado e conduzido neste empenho. Já para os
estudantes, vislumbra-se e estimula-se outros espaços de exploração
para interação, auto expressão e manuseio dos recursos ofertados
estimulando processos criativos e colaborativos de construção do
conhecimento.
45

Portanto, não podemos ignorar que a tecnologia digital e tudo que vem surgindo
dentro deste universo nos oferece, a cada instante, inúmeras possibilidades de
acessos de forma mais dinâmica, interativa e significativa.
Quando questionado aos respondentes se eles consideram relevante o uso de
aplicativos móveis, associados à aprendizagem do inglês, destacamos os seguintes
resultados:

Babbel: Sim. Pode ser muito útil para desenvolver algumas habilidades.

Busuu: Sim. Os usos fazem que aprendizagem seja mais leve e divertido,
tornando facilitador o processo de aprendizagem.

Falou: Sim. Mesmo que eu estude sem o uso desses aplicativos, acho
importante introduzi-los aos alunos pois isso pode dinamizar seu aprendizado.

Memrise: Sim. É importante porque são fonte de informação.

Nesse sentido, todos não só apresentaram um posicionamento positivo diante


da relevância do uso de aplicativos móveis na aprendizagem da LI, como registraram
suas justificativas.
Babbel, Busuu e Memrise reconhecem a importância e utilidade quanto ao uso
de aplicativos móveis como recurso no aprendizado da língua-alvo por diferentes
razões. Babbel acredita que esses recursos podem auxiliar no desenvolvimento de
algumas habilidades, no entanto, não deixa claro que habilidades acredita que podem
ser desenvolvidas; Busuu observa que fazem com que a aprendizagem se torne mais
leve, divertida, até mesmo, que sejam capazes de facilitar o processo de
aprendizagem da língua e Memrise apenas destaca a relevância dos aplicativos
móveis como fonte de informação.
As justificativas dos respondentes dialogam com a observação de Oliveira et al.
(2018, p. 8):

os dispositivos móveis se tornam indispensáveis na vida do aluno [...],


utilizar aplicativos que facilitem o acesso à educação ou até mesmo,
fazer uso das redes sociais que atraem os alunos, torna-se uma
metodologia inovadora e motivadora, por proporcionar formas de
aprender diferenciadas.
46

Destacamos a fala do participante Falou para fazermos uma análise a parte.


Apesar de ter se posicionado, positivamente, como os demais, sua “leitura” e
“interpretação” diante da pergunta estão mais voltadas para o “fazer” do docente;
trazendo-nos, assim, seu posicionamento como professor em formação. Mesmo
concordando com a relevância do uso de aplicativos móveis para o processo de
aprendizagem de línguas, demonstra não se perceber no grupo de pessoas que
utilizam tais recursos tecnológicos, acreditando, no entanto, que seja importante
introduzi-los aos alunos, como uma maneira de dinamizar o aprendizado. A esse
respeito, Yelland e Tsembas (2008, p.96), ressaltam que “professores atuam como
facilitadores ao invés de transmissores de conhecimento, e a TICs são consideradas
como recursos que promovem a experiência de aprendizagem dos alunos”8.
A próxima pergunta que destacamos averiguou se os alunos consideram mais
fácil aprender por meio de aplicativos ou por meio de livros didáticos. Vejamos, pois,
os seguintes resultados:

Babbel: Por meio de aplicativos. É mais lúdico e mais dinâmico.

Busuu: Os dois são importantes.

Falou: Aplicativos, pois são mais fáceis de assimilar e móveis, podem ir e


estão em todo lugar, no alcance da mão.

Memrise: Aplicativos, porque usamos muitos aplicativos.

Os aplicativos móveis (apps) são programas desenvolvidos com uma linguagem


específica (códigos) para serem instalados em equipamentos eletrônicos portáteis
como smartphones, notebooks, tablets entre outros, a fim de realizar um objetivo
específico.
Diante das falas, foi possível percebermos que três respondentes demonstram
uma maior preferência pelos aplicativos quando se trata de utilizá-los como auxílio na
aprendizagem da LI. Destacamos os relatos de Babbel e Falou. Para Babbel,
diferentemente dos livros didáticos, a ludicidade está mais presente nos aplicativos,

8
“Teachers act as facilitators rather than transmitters of content knowledge, and ICT are regarded as
resources that enhance the learning experience of students” (Tradução Nossa).
47

sem contar que o ato de aprender seja mais dinâmico. O pensamento de Babbel, ao
associar os aplicativos móveis ao lúdico na aprendizagem do inglês, pode ser
amparado pelas palavras de Andrade (2011 apud SILVA e PINHEIRO, 2017, p. 106)
quando ele concorda que “[...] buscamos na ludicidade o brincar e o aprender, pois
ela de forma prazerosa ajuda no aprendizado [...].
Falou acredita que os aplicativos facilitam a aprendizagem e por estes estarem
inseridos em smartphones permitem que sejam acessados quando e onde o usuário
desejar; como ele mesmo ressaltou: “estão em todo lugar, no alcance da mão”. A esse
respeito, Leffa (2017) comenta que, pelo rompimento das barreiras espaciais e mesmo
temporais, os dispositivos móveis podem propiciar a aprendizagem do que se deseja,
tanto dentro como fora da escola.

4.2. Os aplicativos móveis e a contribuição para a aprendizagem autônoma

Quanto aos aplicativos móveis como auxílio nos estudos do inglês, perguntamos
aos informantes se algum professor já havia indicado algum. Todas as respostas
foram afirmativas. E, dentre as sugestões de seu(s) professor(es), o aplicativo mais
citado foi o Duolingo. Como extensão desta questão, perguntamos se eles já haviam
buscado, por conta própria o recurso sugerido ou outros. Novamente, todas as
respostas foram positivas. Como exemplo de outros aplicativos, foram mencionados
– Cake, Youtube, Chatbot e Falou.
Essas respostas fazem surgir reflexões em relação a postura do professor e dos
estudantes. Percebemos que o docente tem consciência da influência das
Tecnologias digitais no acesso à informação e ao conhecimento. E, no que tange ao
processo de aprendizagem, ele percebe que estes podem potencializar o acesso ao
conhecimento da língua-alvo. Portanto, quando os respondentes revelam que o
professor já havia indicado algum aplicativo móvel para auxiliá-los nos estudos do
inglês, tal fato denota que o docente, diante dos novos processos de aprendizagem
está sendo desafiado a atualizar seus conhecimentos iniciais e avaliar, no contexto
atual, as mudanças necessárias para inovar suas práticas educativas; indicando a
seus alunos caminhos para que eles próprios desenvolvam a autonomia, por exemplo.
O professor também tem um grande papel nesta estimulação da autonomia, já que
48

“quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (FREIRE,


1996 apud RIBEIRO et al., 2021, p. 107).
Quanto aos estudantes, quando estes declaram que já tiveram iniciativas de
buscar outros aplicativos, estão demonstrando uma capacidade em avaliar sua
aprendizagem e de escolher o que melhor se adequa ao seu modo de aprender. Uma
vez que os alunos têm controle sobre as tecnologias digitais e já se sentem
familiarizados com o universo dos aplicativos móveis, podem sim ser influenciados
positivamente por esses recursos. Ribeiro et al. (2021, p. 107) nos lembram que “cada
aluno possui um estilo de aprendizagem diferente e é exatamente isso que vai
diversificar a forma com que se aprende, buscando ferramentas distintas”.
Os informantes foram questionados se eles consideravam que o uso de
aplicativos móveis associados à língua inglesa, poderia contribuir para a
aprendizagem de forma autônoma. Vejamos as respostas dos participantes mediante
transcrições abaixo:

Babbel: Sim. O uso de apps ajuda na autonomia dos alunos.

Busuu: Sim. Quando você pode estudar em um ambiente que você possa
escolher, torna-se mais fácil.

Falou: Sim. Os aplicativos em sua maioria apresentam uma língua inglesa


atualizada e contextualizada, o que pode ser útil para uma aprendizagem
fluida.

Memrise: Sim. Facilita estudar pelo celular e de casa.

Podemos observar que os respondentes consideram que o uso dos aplicativos


móveis pode realmente auxiliar na aprendizagem autônoma. A justificativa de Babbel
apenas reforçou sua afirmação quanto à questão. Busuu, no entanto, associa a
possibilidade de escolha do lugar onde sua aprendizagem possa ocorrer aos
aplicativos móveis, segundo ele mesmo, o que facilita bastante todo o processo. Esta
flexibilidade expressa pelos respondentes é destacada por Geddes (2004 apud
MESQUITA et al., 2018) quando ele assevera que há muito conhecimento disponível
para o aprendiz que pode acessá-lo a qualquer hora e lugar.
Essa facilidade de acesso, proposta pelos aplicativos instalados nos telefones
móveis inteligentes, também é destacada por Memrise e Falou; tal facilidade está
49

relacionada ao poder de escolha do ambiente onde eles possam estudar e ter acesso
ao conhecimento da língua.
Neste momento, acreditamos que seja de suma importância ressaltarmos que,
ao longo das explicações e “tira-dúvidas” das questões presentes no questionário,
diante da turma, os graduandos apresentaram algumas dúvidas a respeito da palavra
“autonomia”. Houve, então, a necessidade de trazermos alguns conceitos e
definições, com base nas considerações teóricas apresentadas neste trabalho. Mas o
que mais nos chamou a atenção foi o fato de que alguns desses alunos já se
encontram em fase de desenvolvimento de sua autonomia no processo de
aprendizagem da língua-alvo; e os aplicativos móveis, sejam os indicados por seus
instrutores ou “garimpados” por eles mesmos, já estão guiando-os no caminho para
chegar a esta autonomia; “a atitude passiva do aprendiz tem que dar lugar para uma
aprendizagem autônoma a fim de que haja a apreensão do conhecimento através das
tecnologias móveis” (GEDDES, 2004 apud MESQUITA et al., 2018, p. 183).
Enfim, perguntamos aos respondentes se eles se sentiam autônomos quando
estudavam a língua por meio dos aplicativos. Todos responderam “sim” a esta
questão. A seguir, apresentamos os seguintes comentários:

Babbel: Sim, desenvolvo melhor minhas habilidades sozinho.

Busuu: Sim, procuro materiais para mim.

Falou: Sim. Quando eu começar a usar algum, no caso eu me sentiria sim


autônomo pois estaria buscando minhas próprias ferramentas para avançar
no idioma.

Memrise: Sim, é uma ferramenta que me ajuda a praticar a língua e corrigir


meus erros.

Babbel, Busuu e Memrise demonstram estar dando os primeiros passos para


assumirem responsabilidades nos estudos do inglês – sozinhos, já desenvolvem suas
habilidades (compreensão e produção orais, escrita e leitura), buscam materiais que
melhor se adequam as suas necessidades e escolhem aplicativos que possam ajuda-
los a corrigir erros cometidos na língua-alvo.
Porém, o respondente Falou, mesmo revelando, anteriormente, que utiliza
alguns aplicativos móveis na aprendizagem do inglês, não se vê como um aprendiz
50

autônomo, tampouco, enxerga esses recursos digitais como auxiliadores na


aprendizagem de forma autônoma.
A análise do questionário, bem como das observações colocadas pelos
respondentes nos ajudou a entender a relação dos sujeitos da pesquisa com o uso
dos aplicativos móveis e sua contribuição para uma aprendizagem autônoma nos
estudos do inglês.
Entendemos, com base nas narrações, que os informantes reconhecem a
importância e utilidade quanto ao uso de aplicativos móveis como recurso no
aprendizado da língua-alvo, buscam, por conta própria, os recursos tecnológicos
digitais que melhor se adequam às suas necessidades de aprendizagem e
consideram que o uso desses recursos, associados à língua inglesa, podem contribuir
para o desenvolvimento da aprendizagem de forma autônoma.
51

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como foi discutido ao longo do trabalho, entende-se que, na atualidade, tratar


da tecnologia dentro da proposta de ensino e, dela no ensino da língua inglesa, idioma
este que tem cada vez mais, se fortalecido dada a sua importância para a formação
dos sujeitos, no âmbito social, cultural, profissional e econômico, leva-nos a
compreender que os recursos tecnológicos, inclusive os aplicativos móveis, que
enreda o tema desta pesquisa, configuram-se dispositivos que contribuem com a
aprendizagem dos estudantes e, também, com a autonomia deles, uma vez que torna
mais fácil o acesso a este conhecimento, além de poder ser mais leve e atraente.
Assim sendo, conforme os teóricos estudados para a construção desta pesquisa,
bem como, diante da investigação à campo, onde foi possível coletar dados que
refletem a percepção de estudantes de um curso de graduação em LI, acerca do uso
de aplicativos móveis para a aprendizagem deste idioma, pode-se de dizer com
veemência, que o presente trabalho se configura como um importante documento
para a cadeia acadêmica e para a sociedade. Isso porque, é possível que outros
estudantes/pesquisadores se sintam motivados a realizarem pesquisas englobando
este tema, numa perspectiva de evolução do mesmo.
Além disso, partindo da motivação pessoal, em que me senti instigada a realizar
uma investigação que pudesse apontar um resultado em que fosse possível
demonstrar minha preocupação e possibilidades para uma educação que coloca o
aluno no centro do seu processo de estudo, em que se preocupa com o estudante de
fato, acredito que esta pesquisa poderá servir como uma forma de acrescentar-se à
luta por uma educação emancipadora e transformadora dos cidadãos.
Diante do exposto, cabe ainda enfatizar que a realização deste estudo conseguiu
alcançar os objetivos propostos, bem como responder à questão inicial tal qual foi
definida. Diante da preocupação e responder sobre como os estudantes utilizavam os
apps para aprender inglês e se esse uso contribui com a autonomia deles, ficou certo
de que os referidos recursos tecnológicos enquadram-se como importantes
ferramentas, tais quais possibilitam o aprimoramento das habilidades, tornando o
ensino mais leve e atrativo, além de ser facilitador, uma vez que, como apontam os
participantes pela pesquisa de campo, são artefatos que permitem o acesso às
informações de forma mais prática e mesmo sem a inteira mediação do professor.
52

Posto isso, é possível concluir que a utilização de aplicativos móveis como


recursos para aprender a LI, pode contribuir com a aprendizagem dos estudantes e
com a construção da autonomia deles, entretanto, fica válido pensar que a mediação
do professor é relevante para que possam apresentar para os alunos os melhores e
mais seguros caminhos, tendo em vista que a amplitude da tecnologia também pode
oferecer riscos aos alunos.
53

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científico. Penápolis: FUNEPE, 2018.
57

APÊNDICES
58

APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB


DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS - DCH - CAMPUS VI
COLEGIADO DO CURSO DE LETRAS EM LÍNGUA INGLESA E LITERATURAS

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO - TCLE

Por este instrumento particular declaro para efeitos éticos e legais, que eu, ALESSANDRA
SILVA LOPES, portadora de RG ______________, CPF _______________, telefone (77)
_________________, e-mail: _________________, residente e domiciliada a Rua
___________, Número _____, Bairro ________, __________, BA, estarei realizando uma
pesquisa como Trabalho de Conclusão do curso de Letras Língua Inglesa e Literaturas da
Universidade do Estado da Bahia – UNEB - Campus VI, sob a orientação da Profa. Ma.
Zelinda Almeida Souza Caires, telefone (77) 999828349, e-mail: [email protected].

Convite e Objetivo: Você é convidado a participar da pesquisa “A aprendizagem autônoma


da LI através de aplicativos para dispositivos móveis” cujo objetivo principal é analisar como
os graduandos do curso de Letras Língua Inglesa e Literaturas da Universidade do Estado da
Bahia/UNEB/campus VI utilizam aplicativos móveis para aprender a língua inglesa e como
estes meios contribuem para a autonomia dessa aprendizagem.

Ao concordar em participar, está ciente de que sua participação é voluntária, isto é, a qualquer
momento pode desistir de participar e retirar seu consentimento. A sua recusa não trará
nenhum prejuízo na sua relação com o pesquisador ou com a instituição que forneceu os
dados. A pesquisadora e a orientadora envolvidas com o referido estudo garantem todas as
informações que queira saber antes, durante e depois do estudo.

A coleta de dados será por meio de um questionário semiestruturado; suas respostas serão
tratadas de forma anônima e confidencial, ou seja, em nenhum momento será divulgado seu
nome em qualquer fase do estudo. Quando for necessário exemplificar determinada situação,
sua privacidade será assegurada e o tratamento final dos dados será feito de maneira
codificada, respeitando o imperativo ético da confidencialidade. Os dados coletados poderão
ter seus resultados divulgados em eventos, revistas e/ou trabalhos científicos.

Ao ler este termo, se sente orientado (a) quanto ao teor da pesquisa acima mencionada e que
compreendeu a natureza e o objetivo do estudo do qual foi convidado (a) a participar. Está
ciente de que participará voluntariamente desta pesquisa e para tal não receberá nem pagará
nenhum valor econômico por esta participação.

Ao participar declara que entendeu os objetivos, riscos e benefícios de participação na referida


pesquisa e concorda em participar.

( ) Sim, aceito participar do estudo.


( ) Não, não aceito participar do estudo.
59

Endereço para contato:


Pesquisador Responsável: Alessandra Silva Lopes
Endereço: _____________________________________
Contato telefônico: (77) ________, e-mail: ________________

Caetité, ___/ ___/ 2024.

___________________________________________
Assinatura do Pesquisador

___________________________________________
Assinatura do Participante
60

APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO DE PESQUISA DE CAMPO

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB


DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS - DCH - CAMPUS VI
COLEGIADO DO CURSO DE LETRAS EM LÍNGUA INGLESA E LITERATURAS

QUESTIONÁRIO DE PESQUISA DE CAMPO

Prezado (a) participante, com imensa honra, convido-o a participar da pesquisa “A


APRENDIZAGEM AUTÔNOMA DA LI ATRAVÉS DE APLICATIVOS PARA DISPOSITIVOS
MÓVEIS”. Solicitamos sua colaboração para responder a este questionário, que visa levantar
informações que serão utilizadas como dados de uma pesquisa em nível de graduação. Não
é necessária sua identificação, porém todas as informações serão tratadas estatisticamente,
assegurando-se o completo sigilo sobre os respondentes. Desde já agradecemos sua
disponibilidade, pois suas respostas serão essenciais para o processo de nossa pesquisa.
Portanto, como forma de afirmar sua consciência disso, peço que assine ao final deste
questionário. Vamos lá!!

Nome Completo: _________________________________________________________

Número Whatsapp: _________________________

Caro aluno (a) do VIII (oitavo) Semestre do curso de Letras em Língua Inglesa e
Literaturas da UNEB/Campus VI, responda:

Sobre o ensino e aprendizagem de inglês:

Questão 01 – Você considera que existem dificuldades/desafios em relação à


aprendizagem da língua inglesa no seu curso?
( ) Sim, quais?

( ) Não
 Se você já teve alguma (s) dificuldade (s) no curso, de que forma tentou
soluciona-la(as):
61

Questão 02 – Quais são suas maiores dificuldades em relação ao inglês?


( ) Ler
( ) Escrever
( ) Falar
( ) Ouvir
Outros:
_________________________________________________________________________

Questão 03 – Fora da escola, você estuda inglês:


( ) Em curso de idiomas.
( ) Em cursos oferecidos pelo governo.
( ) Em cursos online.
( ) Sozinho
( ) Com amigos
( ) Não estudo inglês fora da escola.
( ) Outros:
______________________________________________________________________

Sobre o uso da tecnologia digital e uso de aplicativos móveis:

Questão 04 – Responda:

a) Algum professor já indicou para você algum aplicativo móvel com o intuito de
auxilia-lo nos estudos do inglês?
( ) Sim, Qual (ais)?

( ) Não

b) Você já buscou por si mesmo algum destes recursos ou outros?


( ) Sim, Qual (ais)?

( ) Não

Questão 05 – Você considera relevante o uso de aplicativos móveis associados à


aprendizagem da língua inglesa?
( ) Sim. Justifique

( ) Não

Questão 06 – Você acha que seria mais fácil aprender por meio de aplicativos ou por
meio de livros didáticos? Por quê?
62

Questão 07 – Você considera que o uso de aplicativos móveis associados à língua


inglesa, contribui com a aprendizagem de forma autônoma?
( ) Sim. Justifique

( ) Não

Questão 08 – Você acha melhor estudar por longas horas ou por alguns minutos, por
meio dos aplicativos móveis desenvolvidos para a aprendizagem de idiomas? Explique.

Questão 09 – Você se sente um aprendiz autônomo quando estuda a língua por meio
dos aplicativos? De que forma?

Tenho consciência de que meus dados pessoais não serão publicados,


_______________________________________________________________

Data:_____/___/___.

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