Direito do Ambiente em Moçambique
Pode-se dizer que o marco para o inicio da construção do ordenamento juridico-
ambiental foi a Constituição da República, de 1990, a qual consagrou o ambiente como
bem jurídico digno de tutela constitucional e legal.
Cinco anos mais tarde, foi aprovada a Politica Nacional do Ambiente, através da
Resolução n.° 5/95, de 3 de Agosto, que teve como objectivo principal assegurar uma
qualidade de vida apropriada aos cidadãos moçambicanos. A Politica visou ainda lançar
as bases para o desenvolvimento de uma consciência ambiental entre a população, para
possibilitar a sua participação pública na gestão ambiental e nos recursos naturais.
Com vista à materialização destes objectivos, a Assembleia da República aprovou a Lei
n."20/97, de 1 de Outubro (que passaremos a designar por Lei do Ambiente). Nesta, a
tutela jurídica é feita de uma forma global, isto através da fixação de um conjunto de
bases a partir das quais deverá ser erguido todo o sistema juridico-legal de protecção
ambiental1.
Nos termos da lei acima citada, o ambiente é entendido como: "o meio em que o homem
e outros seres vivem e integram entre si e com o próprio meio, incluindo o ar, a luz, a
terra e a água; os ecossistemas, a biodiversidade e as relações ecológicas, toda a matéria
orgânica e inorgânica, todas as condições socio-culturais e económicas que afectam a
vida das comunidades"!
2.1. Noção de resíduo
Importa, antes de mais, referir a noção que se tem de resíduo. Vulgarmente, pode-se
dizer que resíduo é tudo aquilo que à partida não interessa, mas descobrimos que dele
alguma coisa se aproveita. A noção juridica de residuos, encontramo-la com recurso ao
direito português, que entende como sendo "quaisquer substâncias ou objectos de que o
detentor se desfaz ou tem intenção ou a obrigação de se desfazer" 2. O âmbito do
presente trabalho será limitado aos residuos sólidos urbanos; as demais categorias de
resíduos serão apenas referidas em termos genéricos.
O que fazer com os residuos? É certamente uma questão que não tem uma resposta
fácil.Mas, relativamente ao assunto, a solução que propomos é de que os residuos sejam
tratados cada um de acordo com as suas características.
2.2. Categorias de resíduos
Os resíduos sólidos podem ser classificados de acordo com a sua origem em várias
categorias, designadamente: residuos hospitalares, industriais, tóxicos e sólidos urbanos.
No geral, todos exigem especiais cuidados de tratamento. Contudo, a maior
preocupação centra-se na gestão dos resíduos hospitalares e nos residuos tóxicos.
1
Cfr. Artigo 1./2, da Lei do Ambiente.
2
AFONSO, Armando da Silva e ARAGÃO, Maria Alexandra, Centro de Estudos de
Direito do Ordenamento, Urbanismo e do Ambiente, Lisboa, 1998/1999, p.27.
2.2.1. Resíduos hospitalares
A gestão dos resíduos hospitalares – o chamado lixo bio-médico, tem sido alvo de
grande preocupação das sociedades modernas
O Conselho de Ministros, consciente dos especiais cuidados por aqueles
suscitados,aprovou o Regulamento sobre a Gestão de Lixos Bio-Médicos, através do
Decreto n.° 8/2003, de 18 de Fevereiro, tendo como objecto o estabelecimento das
regras para a gestão dos lixos biomédicos, salvaguardar a saúde e segurança dos
trabalhadores das unidades sanitárias, dos trabalhadores auxiliares e do público em geral
e minimizar os impactos de tais lixos sobre o ambiente.
Até ao momento, grande parte do lixo médico-hospitalar é destruido sem a observância
de normas rígidas para o efeito, como a separação e recurso a outros tipos de destruição
que não sejam necessariamente a incineração.
2.2.2. Resíduos industriais
Os resíduos industriais são produto dos diversos tipos de actividade industrial, como
sejam o caso das indústrias transformadora, extractiva e produção de electricidade.
É um facto que nem todas as unidades industriais são igualmente poluidoras. A indústria
química, a indústria metalúrgica, a indústria cimenteira e as indústrias que consomem
produtos químicos no seu processo produtivo (curtumes, tinturaria, etc.) situam-se entre
as mais poluidoras, sucede o contrário, por exemplo, com a generalidade das empresas
de metalomecânica de transformação de madeira, etc. Os veículos essenciais da
poluição industrial são os resíduos e as emissões gasosas,devendo, secundariamente,
referir-se o ruido e os odores incómodos.
2.2.4. Resíduos sólidos urbanos
Atribui-se o nome de resíduos sólidos urbanos (vulgarmente conhecidos pelas iniciais
RSU) à classe de lixo que é produzida pelos utilizadores finais ou quase-finais dos bens
de consumo, aquilo que, nas notas explicatórias do Decreto n.°8/2003, de 18 de
Fevereiro, é designado lixo genérico.
Inserem-se, nesta categoria, os resíduos domésticos ou outros residuos semelhantes, em
razão da sua natureza ou composição, nomeadamente os provenientes do sector de
serviços ou de estabelecimentos comerciais ou industriais e de unidades que prestam
serviços de cuidados de saúde. Os residuos urbanos têm algumas especificidades
consoante a fonte produtora, os lixos domésticos, em geral são constituidos por residuos
da cozinha (desperdicios alimentares,embalagens vazias, etc.), objectos inúteis, residuos
provenientes da limpeza das habitações,Cinzas, etc. Grande parte destes residuos é
constituido por matérias orgânicas que sofrem uma rápida decomposição,
principalmente quando a temperatura ambiente é elevada. Contrariamente,os lixos
comerciais não normalmente formados por materiais não putresciveis, tais como papel e
cartão, plásticos, vidros ou metais.
No passado, o lixo doméstico não constituia praticamente um problema. A quase
totalidade dos objectos utilizados recorria a materiais de origem animal ou vegetal, que,
uma vez regressados à terra, se decompunham naturalmente nos seus constituintes
elementares, integrando de novo o ciclo de vida.
Hoje, com o aumento crescente dos padrões de consumo, não acompanhado por uma
correspondente capacidade de gestão dos resíduos produzidos, assiste-se à proliferação
de lixeiras um pouco por toda a cidade e, em consequência disso, reportam-se
ciclicamente epidemias provocadas, directa ou indirectamente, por este mesmo lixo, tais
como a malária, cólera, diarreias,etc.
Resíduos Sólidos
O termo resíduo sólido, comummente conhecido como lixo, define todo o material
sólido ou semi-sólido indesejável e que necessita ser removido por ter sido considerado
inútil por quem o descarta (Santos, 2005). Para o Decreto n° 13/2006 de 15 de Junho,
resíduos sólidos são substâncias ou objectos que se eliminam, que se tem a intenção de
eliminar ou que se é obrigado por lei a eliminarmos, também designados por lixos.
Ambos autores concordam que resíduo sólido pode ser designado por "lixo".No entanto,
de acordo com Querino e Pereira (2016), não podemos mais encarar todo o "lixo" como
"resto inútil"mas, sim como algo que pode ser transformado em nova matéria-prima
para retornar ao ciclo produtivo.
Modos de Gestão de Resíduos Sólidos
O Decreto 94/2014 de 31 de Dezembro acrescenta que qualquer operação de
valorização ou eliminação de resíduos, incluindo a preparação prévia a valorização ou
eliminação,compreendendo os processos mecânicos, fisicos, químicos ou biológicos,
que alteram as características dos resíduos de forma a reduzir o seu volume ou
periculosidade considerase mecanismo de gestão de resíduos sólidos.
Portanto, de acordo com Silva et al. (2012), a preocupação fundamental é reduzir a
quantidade, volume do resíduo bem como a significância do impacto nocivo a saúde
pública e meio ambiente. O tratamento dos resíduos sólidos é de extrema importância e
pode ocorrer de diferentes maneiras dependendo do tipo de resíduo (Klippel,
2015).Entretanto, de acordo com Oliveira e Bassetti (2015), a GRS não se restringe à
colecta, transporte, destinação e deposição final, pois essas são etapas que ocorrem após
a geração dos resíduos, sendo que a gestão também inclui etapas anteriores a geração.
Portanto, de acordo Bruni e Barbosa (2016), formas alternativas para combater a
geração excessiva de Resíduos devem ser buscadas, principalmente no ambiente
escolar, como aproveitar cascas de frutas na alimentação escolar; incentivar o uso de
garrafinhas ou canecas ao invés de copos plásticos no dia-a-dia; optar por alimentos
com pouca embalagem; entre outros.