HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO
AULA 3
Profª Ana Heck
CONVERSA INICIAL
Olá! Como você tem visto em nosso estudo, a sociedade foi
profundamente influenciada por uma série de avanços na área da comunicação
ao longo da história. Nesta etapa, você vai entender a trajetória dos meios
audiovisuais, compreendendo seus contextos históricos e examinando como
essas formas de mídia se entrelaçaram com os eventos e as dinâmicas sociais
que as cercavam.
CONTEXTUALIZANDO
As invenções revolucionárias da fotografia, do rádio, do cinema e da
televisão surgiram em um mundo assolado por conflitos políticos, guerras
devastadoras, flutuações econômicas e uma sociedade em constante
transformação. Elas testemunharam os horrores das guerras, tornaram-se
instrumentos de propaganda política, refletiram as mudanças sociais e culturais,
além de moldarem indústrias poderosas que impulsionaram o comércio e a
economia.
TEMA 1 – FOTOGRAFIA: A REVOLUÇÃO DA IMAGEM FIXA
O nascimento da fotografia é como o despertar de um novo sentido, capaz
de registrar e eternizar momentos de forma única. A câmera permitiu capturar
momentos em retratos pintados com luz e sombra.
A fotografia é resultado de uma série de descobertas ao longo dos anos,
não foi um simples clique. Surge em um momento em que o mundo estava
passando por muitas transformações: a industrialização estava em pleno vapor,
provocando mudanças na economia, nas relações de trabalho e no estilo de vida
das pessoas. Além do crescimento urbano, essa época foi marcada pela
descoberta da eletricidade , o desenvolvimento de novas formas de transporte
e comunicação, e a busca pela compreensão do mundo através das ciências.
Uma das criações que surgiram antes da fotografia foi a câmara escura.
Conhecida desde a antiguidade na China e na Grécia, é um dispositivo ótico
simples que consiste em uma caixa escura ou uma sala com um pequeno orifício
em uma das paredes. Essa abertura permite a entrada de luz refletida por um
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objeto externo, formando uma imagem invertida do lado oposto da caixa ou sala.
Era usada como ferramenta para observar eclipses solares e projetar imagens.
Durante o século XVI, artistas e cientistas começaram a utilizá-la para auxiliar no
desenho e na pintura.
Já no século XVII, a câmara escura foi aprimorada com o uso de lentes
para melhorar a qualidade da imagem. Isso contribuiu para a popularização e a
ferramenta teve papel importante no desenvolvimento da fotografia. No final do
século XVIII, o químico alemão Johann Heinrich Schulze descobriu compostos
químicos sensíveis à luz que mudavam de cor quando expostos a ela.
Os primeiros experimentos fotográficos foram feitos por Robert Boyle,
Johann Heinrich Schulze e Thomas Wedgwood, que criaram imagens
temporárias, mas não encontraram um meio de torná-las permanentes, fixá-las
no papel.
Mas Joseph Nicéphore Niépce é conhecido como um dos principais
responsáveis pelo desenvolvimento dos primeiros processos fotográficos. Ele
ficou curioso e interessado em capturar imagens permanentes já na década de
1790. O inventor buscou uma forma de fixar uma imagem. Em 1826, conseguiu
criar a primeira foto permanente conhecida, chamada View from the Window at
Le Gras, um marco na história da fotografia. No entanto, o processo de Niépce
era lento e exigia longos tempos de exposição, o que dificultava o uso
generalizado.
Niépce continuou a aprimorar seu processo e colaborou com Louis
Daguerre, que posteriormente desenvolveu o daguerreótipo, em 1839. Foi um
dos primeiros métodos fotográficos amplamente utilizados. O francês
aperfeiçoou uma técnica que permitia a fixação de imagens e o aparelho
produzia fotos detalhadas, mas ainda exigia longos tempos de exposição e não
era reprodutível.
Quase ao mesmo tempo em que surgiu o daguerreótipo, o inglês William
Henry Fox Talbot desenvolveu o processo do negativo-positivo, conhecido como
calotipia ou talbotipia, que permitia fazer cópias. Você já deve ter visto rolos de
filme fotográfico, os negativos, são a evolução dessa criação.
Ao longo do século XIX, houve uma série de avanços tecnológicos na
fotografia: o tempo de exposição foi reduzido, as câmeras foram aprimoradas e
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novos materiais sensíveis à luz foram desenvolvidos, tornando-a mais acessível
e prática.
À época, George Eastman fundou a Eastman Kodak Company e lançou a
primeira câmera Kodak em 1888. Essa foi projetada para ser fácil de usar, com
o lema “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”. A câmera era pré-carregada
com um rolo de filme e, depois de tirar as fotos, o filme era enviado de volta à
empresa para processamento e impressão. Assim, qualquer pessoa poderia
fazer fotos.
Os cientistas escocês James Clerk Maxwell e o britânico Thomas Sutton
trabalharam juntos para criar a primeira fotografia colorida utilizando a técnica de
filtros tricromáticos. No final do século XIX, o processo mais notável para o
desenvolvimento da fotografia colorida foi o autocromo, inventado pelos irmãos
Lumière em 1903. Eles utilizavam grãos de amido de batata que funcionavam
como filtros, eram tingidos em vermelho, verde e azul para registrar as cores da
cena.
Desde então, a fotografia continuou a evoluir com o avanço da tecnologia:
com novas câmeras e tipos de filtros. A partir de 1960, cientistas começaram a
desenvolver dispositivos eletrônicos capazes de converter a luz em sinais
elétricos, o início da fotografia digital. A princípio, era usado na astronomia, mas
seu desenvolvimento fez com que chegasse às mãos das pessoas.
Durante a década de 1980, houve avanços na diminuição dos sensores
de captura e no aumento da resolução das imagens digitais, medido em
megapixels (minha primeira câmera digital tinha 4 megapixels). No início dos
anos 1990, a introdução dos cartões de memória e outros formatos similares
tornou possível armazenar e transferir imagens digitais de maneira mais
conveniente. O desenvolvimento de algoritmos de compressão de imagem,
como o formato JPEG, permitiu a redução do tamanho dos arquivos de imagem
sem perda de qualidade.
As câmeras digitais substituíram em grande parte o uso de filmes e
surgiram novas formas de captura de imagem, como câmeras de telefone
celular. Isso levou ao surgimento de câmeras digitais avançadas, smartphones
com câmeras de alta resolução e o compartilhamento instantâneo de fotos pela
internet. A fotografia se tornou uma parte essencial da vida das pessoas,
registrando momentos importantes, documentando o mundo ao redor e
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permitindo a expressão criativa compartilhada em tempo real nas mídias sociais.
Muita coisa aconteceu antes da “era dos filtros do Instagram”, percebe?!
1.1 Fotografia no Brasil
A fotografia chegou no Brasil no século XIX, pouco tempo após a sua
invenção, com a técnica da daguerreotipia por volta de 1840. Nos primeiros anos,
a fotografia no país era dominada por retratos, que eram populares entre a elite
e a nobreza.
No final do século XIX, a fotografia começou a ser usada para documentar
paisagens, cidades e pessoas com uma perspectiva mais ampla. Fotógrafos
como Marc Ferrez e Flavio de Barros registraram o desenvolvimento urbano, a
arquitetura, o cotidiano e a diversidade cultural do país.
Durante o movimento modernista do século XX, a fotografia ganhou
destaque como uma forma de expressão artística. Artistas como José Oiticica
Filho, Geraldo de Barros e Thomaz Farkas exploraram novas técnicas e estilos,
incorporando a fotografia em suas práticas artísticas.
A partir da década de 1940, a fotografia ganhou relevância no campo do
fotojornalismo e documentário social. Profissionais como Jean Manzon e Henri
Ballot registraram eventos históricos, movimentos sociais e a vida cotidiana do
povo brasileiro, documentando a cultura e as transformações sociais do país.
Nas décadas mais recentes, a fotografia brasileira continuou a evoluir e
se diversificar. Fotógrafos contemporâneos exploram diferentes abordagens e
técnicas, utilizando a fotografia como meio de questionar questões sociais,
políticas, culturais e pessoais, mas também para consumo, como a fotografia de
moda e publicitária.
Leitura obrigatória
Leia as páginas 8 a 24 do livro Educomunicação e fotografia, de Roberto
Svolenski, disponível na biblioteca virtual Pearson.
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TEMA 2 – RÁDIO: O ADVENTO DA TRANSMISSÃO SONORA EM LARGA
ESCALA
A invenção do rádio é a evolução do telégrafo (que você conheceu em
etapa anterior), e esse marco pode ser comparado a uma ponte que conecta
pessoas distantes, mas pelo som. O rádio surgiu em um momento de
urbanização acelerada e crescimento das cidades.
Economicamente, o período era marcado pelo avanço da industrialização
e pelo crescimento das cidades. O rádio surgiu como uma nova tecnologia de
comunicação em massa, oferecendo oportunidades comerciais lucrativas.
Empresários e investidores viram no rádio uma forma de alcançar um público
amplo e diversificado, promovendo produtos e serviços com anúncios e
patrocínios.
Politicamente, o rádio também desempenhou um papel importante.
Governos e líderes políticos perceberam o potencial do rádio como uma
ferramenta de propaganda e controle de informações.
A ideia da transmissão de sinais sem fio já existia no século XIX, com
contribuições de cientistas como Michael Faraday e James Clerk Maxwell. Mas
o engenheiro italiano Guglielmo Marconi é frequentemente creditado como o
inventor do rádio. Em 1895, ele realizou experimentos bem-sucedidos de
transmissão de ondas de rádio e, no ano seguinte, obteve sua primeira patente
para o sistema de telegrafia sem fio. A partir daí, continuou a aperfeiçoar sua
invenção e estabeleceu comunicações transatlânticas de longa distância. Isso
trouxe um avanço significativo nas comunicações, especialmente para uso
marítimo.
No início do século XX, as transmissões de rádio começaram a se tornar
mais populares. Em 1906, Reginald Fessenden realizou a primeira transmissão
de rádio de entretenimento, que incluía música e a leitura de passagens bíblicas.
Nas décadas de 1910 e 1920, as estações de rádio começaram a se multiplicar
em todo o mundo. A radiodifusão se tornou um fenômeno popular, ideias e
notícias eram comunicadas para várias pessoas, no entanto, a maioria era
analfabeta. Contudo, é importante falar que contribuiu para o desenvolvimento
de processos políticos e militares em larga escala.
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As estações de rádio começaram a transmitir programação regular,
incluindo notícias, música, dramas e programas de variedades — como as rádios
que você ouve hoje em dia. Na década de 1930, Edwin Armstrong desenvolveu
a transmissão em frequência modulada (FM), que oferecia uma qualidade de
som superior à modulação em amplitude (AM).
Como você viu, o meio revolucionou a disseminação de informações,
entretenimento e cultura, aproximando as pessoas de diferentes regiões e
tornando possível uma experiência compartilhada em larga escala. E também se
adaptou à era digital com a disseminação de rádios on-line para além das ondas
FM, navegando pela internet sem limites geográficos.
2.1 Rádio no Brasil
As primeiras transmissões de rádio no Brasil foram experimentais e
ocorreram por volta de 1919. O país passava por um intenso processo de
urbanização e industrialização, com o crescimento das cidades. Essa época foi
marcada pela emergência de uma nova classe média urbana, que buscava
acesso à informação, cultura e entretenimento. Através do rádio, a população
tinha acesso a notícias em tempo real, novelas, músicas, programas de
variedades e transmissões esportivas.
O médico e cientista brasileiro Edgar Roquette-Pinto foi um dos pioneiros
do rádio no Brasil. Em 1922, ele estabeleceu a primeira estação de rádio
experimental do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Roquette-Pinto foi
um defensor do potencial educativo e cultural do rádio.
A partir da década de 1920, o número de estações de rádio cresceu
rapidamente. As transmissões se concentravam principalmente nas principais
cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, mas gradualmente se expandiram
para outras regiões do país.
Em 1923, o governo brasileiro emitiu o Decreto n. 4.815, que estabeleceu
as bases legais para o funcionamento das estações de rádio no país. Esse
decreto criou o serviço de radiotelegrafia e radiotelefonia e definiu as regras e
regulamentos para a operação das estações.
Entre 1930 e 1940, o rádio no Brasil viveu sua era de ouro. As estações
de rádio tornaram-se uma importante fonte de entretenimento, música, notícias,
dramatizações e programas variados. O rádio cresceu e se tornou um meio de
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comunicação influente e acessível para a população brasileira. A expansão das
rádios para além das metrópoles garantia o acesso à informação da população
– lembre-se de que as ondas de rádio têm alcance geográfico limitado .
O meio desempenhou um papel fundamental na integração nacional,
levando informações e entretenimento a regiões distantes e promovendo um
senso de identidade nacional. Ele também foi utilizado como uma ferramenta de
propaganda durante a era Vargas, que utilizou o rádio como uma forma de
controle e difusão ideológica. Nessa época (1935), por exemplo, foi criado o
programa Voz do Brasil, no ar até hoje, com o objetivo de informar a população
sobre as atividades do governo e promover a unificação das comunicações no
país.
Ao longo dos anos, o rádio no Brasil passou por diversas transformações
tecnológicas e mudanças na programação. A chegada da televisão na década
de 1950 trouxe uma concorrência significativa, mas o rádio continuou a
desempenhar um papel importante na mídia brasileira. Atualmente, o rádio ainda
é um meio de comunicação relevante no país, oferecendo uma ampla variedade
de programação e alcance em todo o território nacional.
Leitura obrigatória
Leia o capítulo “O rádio” (p. 114-139) do livro História social dos meios de
comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa, disponível na biblioteca
virtual Pearson.
TEMA 3 – CINEMA: A MAGIA DA IMAGEM EM MOVIMENTO
O cinema combina elementos como câmeras, lentes, projetores e telas
para criar um ambiente imersivo em que histórias podem ser contadas de
maneira visualmente cativante. Assim como um palco oferece um espaço para
o teatro, o cinema se tornou uma tela para pintar o storytelling visual.
Os primeiros passos na história do cinema começaram no final do século
XIX. Antes do seu desenvolvimento, várias invenções e experimentos
prepararam o terreno para a criação da projeção de imagens em movimento,
principalmente as descobertas sobre a fotografia que você acabou de ver.
Como já falei, no final do século XIX o mundo passava por um período de
transformações e crescimento econômico acelerado. O cinema emergiu como
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uma indústria lucrativa, impulsionada pela demanda crescente por
entretenimento e pela capacidade de atrair grandes audiências. Foi também uma
época de crescimento do consumismo, as pessoas buscavam escapismo e
diversão.
Tudo começou em 1895, quando os irmãos Lumière, Louis e Auguste,
inventaram e patentearam o cinematógrafo, uma câmera que podia projetar
imagens em movimento. Eles realizaram a primeira exibição pública de filmes
em 28 de dezembro de 1895, em Paris.
No início, os filmes eram silenciosos e acompanhados por música ao vivo,
sons ambientes e narração em tempo real. Com o tempo, os cineastas
exploraram a narrativa visual e desenvolveram técnicas como o uso de legendas
para diálogos e intertítulos para contextualização.
Georges Méliès, outro pioneiro do cinema e ilusionista, introduziu técnicas
de edição, efeitos especiais e truques de câmera. Em 1909, a Pathé Frères
desenvolveu a primeira câmera portátil, permitindo que os cineastas filmassem
em locais externos.
Em 1927, o filme O cantor de jazz foi lançado, introduzindo o cinema
sonoro com a sincronização de som e imagem. Isso levou ao desenvolvimento
de sistemas de som que permitiam a gravação e reprodução de som diretamente
no filme.
Durante as décadas de 1920 a 1950, Hollywood, nos Estados Unidos, se
tornou um centro mundial da produção cinematográfica. Grandes estúdios como
Paramount, MGM, Warner Bros., Universal e RKO produziram filmes que se
tornaram clássicos atemporais. Surgiram estrelas de cinema icônicas, como
Charlie Chaplin, Mary Pickford, Clark Gable, Marilyn Monroe e Humphrey Bogart.
Durante o século XX, diversos gêneros cinematográficos se
desenvolveram, incluindo comédia, drama, ação, terror, romance e filmes
musicais. Paralelamente, cineastas experimentaram novas técnicas, como o uso
do movimento de câmera, iluminação expressiva e montagem não linear.
Nas décadas de 1950 e 1960, ocorreram avanços tecnológicos no
cinema, como a introdução do cinemascope (formato de tela larga), o
desenvolvimento de cores vibrantes com o Technicolor e o uso de efeitos
especiais mais avançados.
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A partir da década de 1990, o cinema entrou na era digital. Os filmes
começaram a ser produzidos e projetados em formato digital, permitindo maior
flexibilidade na edição, efeitos visuais aprimorados e distribuição mais ampla
através de meios eletrônicos.
Através do cinema, as pessoas tiveram acesso a novas ideias, tendências
culturais e diferentes perspectivas sobre o mundo. O meio se tornou uma forma
poderosa de influenciar e moldar a opinião pública, além de desempenhar um
papel importante na construção da identidade e da cultura coletiva.
Além disso, o cinema gerou um mercado de consumo relacionado, como
a venda de ingressos, pipocas e outros produtos nas salas de cinema, e fora
delas, ditando moda. Hoje, o cinema continua a evoluir com novas tecnologias,
como a realidade virtual, e abraça uma ampla variedade de histórias, estilos e
vozes culturais. É uma forma de arte e entretenimento que continua a cativar e
influenciar o público globalmente. O meio evolui constantemente, é como uma
caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar – entendeu a
referência? É de um dos meus filmes preferidos lançado em 1994.
3.1 Cinema no Brasil
Em 8 de julho de 1896, o Rio de Janeiro testemunhou a primeira projeção
cinematográfica do país. O evento ocorreu no Salão de Novidades Paris. A
popularidade do cinema cresceu rapidamente no país. As primeiras salas de
cinema foram estabelecidas, e as exibições eram acompanhadas por músicos
ao vivo.
O meio logo se tornou uma forma de expressão artística e um veículo de
comunicação poderoso. Com o passar dos anos, diretores(as) brasileiros(as)
começaram a produzir filmes nacionais, explorando a cultura, a história e as
paisagens do país.
Alguns dos títulos de maior alcance foram O pagador de promessas,
Central do Brasil, O que é isso companheiro? e Cidade de Deus, todos indicados
ao Oscar. Bacurau é outra obra que se destacou em grandes premiações e
colocou o cinema brasileiro em destaque globalmente. Você já assistiu a esses
filmes? Sugiro que veja também Estômago.
O cinema no Brasil foi além do entretenimento, também servindo como
uma ferramenta de reflexão social e política. Em diferentes épocas, filmes
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brasileiros abordaram questões importantes, como desigualdade, identidade
nacional, ditadura militar e direitos humanos. Essas obras cinematográficas
serviram para conscientizar, engajar e despertar debates em todo o país.
Hoje, o Brasil possui uma indústria cinematográfica diversa, que produz
filmes aclamados tanto nacionalmente quanto internacionalmente. Festivais de
cinema, como o Festival de Cinema de Gramado e o Festival do Rio, entre
outros, celebram e promovem a riqueza e a criatividade do cinema brasileiro.
TEMA 4 – TELEVISÃO: A ERA DA TRANSMISSÃO AUDIOVISUAL
A televisão era como um “minicinema” particular em cada sala, em que
histórias e imagens ganhavam vida através da tela luminosa. A TV se tornou um
portal para novos mundos, um meio de conectar pessoas e culturas, assim como
uma janela aberta para explorar o vasto universo da informação e
entretenimento.
As transformações sociais, econômicas e políticas do final do século XIX
e início do século XX abriram caminho para o surgimento da televisão. No
aspecto social, as mudanças na estrutura familiar, como o aumento da
urbanização e a diminuição do tempo livre das pessoas, criaram uma demanda
por formas de entretenimento acessíveis dentro de casa.
Do ponto de vista econômico, o desenvolvimento de tecnologias de
transmissão e recepção de imagens em movimento permitiu a comercialização
da televisão. Já no campo político, o meio desempenhou um papel significativo
na disseminação de ideias e na formação da opinião pública, sendo o meio mais
consumido no país até hoje.
O surgimento da televisão também teve implicações na esfera cultural. A
programação televisiva refletiu e influenciou os valores, gostos e tendências da
época, bem como o consumo – aposto que você já quis algum produto que viu
em alguma novela ou programa de TV. O meio proporcionou a disseminação da
cultura popular, o compartilhamento de experiências coletivas e o acesso a uma
diversidade de conteúdos audiovisuais.
A TV possui características que estabeleceram à época uma afinidade
com o público analfabeto e semialfabetizado, devido à predominância da
oralidade em detrimento da escrita e ao uso de uma linguagem popular
(Rezende, 2000).
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E, para falar da invenção da TV, vou te levar de volta para o final do século
XIX. Nessa época, inventores como Paul Nipkow, na Alemanha, e Boris Rosing,
na Rússia, desenvolveram sistemas de transmissão mecânica. Na década de
1920, o escocês John Logie Baird e o americano Philo Farnsworth foram
pioneiros na transmissão eletrônica de imagens. Baird demonstrou a primeira
transmissão de televisão pública em 1926, enquanto Farnsworth apresentou um
sistema eletrônico totalmente funcional em 1927.
Em 1928, a primeira emissora comercial de televisão regular começou a
operar nos Estados Unidos e transmitia apenas algumas horas de programação
experimental por semana. Três anos depois, a British Broadcasting Corporation
(BBC) iniciou suas transmissões regulares de televisão no Reino Unido e
rapidamente se tornou uma das principais emissoras de televisão do mundo.
É importante mencionar que, inicialmente, a televisão era transmitida para
salas públicas antes de chegar às casas. A partir de seu surgimento, nos anos
1920 e 1930, as primeiras emissões televisivas eram exibidas em locais
específicos, como teatros, centros comunitários ou salas de exposição. Nessas
salas públicas, as pessoas podiam assistir a programas de televisão em telas
maiores, compartilhando a experiência com outras pessoas. Bem parecido com
o cinema, não acha? Mas com o diferencial de ser ao vivo.
O avanço tecnológico e o interesse crescente pelo meio levaram à
evolução das transmissões diretamente às residências. Esse processo
aconteceu gradualmente, com a instalação de antenas e a popularização dos
aparelhos de televisão nos lares.
Nas décadas de 1930 e 1940, ocorreram avanços significativos na
tecnologia da televisão, incluindo o desenvolvimento de tubos de raios catódicos
mais avançados e sistemas de transmissão em cores. Um marco na história da
TV na época foi a realização dos primeiros Jogos Olímpicos transmitidos pela
televisão, em 1936 na Alemanha.
A partir desses primeiros avanços, as emissoras de televisão foram se
expandindo e se desenvolvendo em diferentes países ao longo das décadas
seguintes, levando à popularização da televisão como um meio de comunicação
de massa. Mas foi somente a partir da década de 1950, com o desenvolvimento
de tecnologias mais acessíveis e a expansão das redes de transmissão, que a
televisão se tornou um elemento comum nas casas das pessoas. A programação
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televisiva passou a ser amplamente disponível para os telespectadores,
oferecendo entretenimento, informação e conexão com o mundo.
É importante falar que guerras interferiram no surgimento da TV, tanto
freando seu desenvolvimento, quanto impulsionando, mas também sendo
instrumento de embate político. Embora a televisão ainda estivesse em seus
estágios iniciais de desenvolvimento durante a Primeira Guerra Mundial (1914-
1918), houve tentativas de utilizá-la para fins militares.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a televisão
desempenhou um papel mais proeminente. Países como Alemanha, Reino
Unido, Estados Unidos e Japão utilizaram a televisão para veicular propaganda,
transmitir notícias, mobilizar a opinião pública e levantar fundos para esforços de
guerra. Os governos estabeleceram suas próprias emissoras de televisão e
controlaram rigidamente a programação para garantir que suas mensagens
fossem difundidas.
Após a Segunda Guerra Mundial, a rivalidade entre Estados Unidos e
União Soviética durante a Guerra Fria trouxe uma nova dimensão para o uso da
televisão em conflitos. Ambos os lados buscaram influenciar a opinião pública
global por meio de transmissões televisivas. A televisão se tornou um meio eficaz
para divulgar informações, retratar a superioridade tecnológica e promover
ideologias.
Nas décadas seguintes, a televisão continuou a desempenhar um papel
significativo nos conflitos armados, como nas Guerras do Golfo (1990-1991 e
2003-2011) e na Guerra do Afeganistão (2001-presente). A cobertura em tempo
real dos combates, entrevistas com soldados e relatos de jornalistas em campo
transmitidos pela televisão tiveram um impacto profundo na percepção pública
desses conflitos.
No final da década de 1990 até atualmente, desenvolveram-se sistemas
de televisão a cabo, via satélite, digital, streamings e programação on demand.
No entanto, você já está familiarizado(a) com tudo isso, não é verdade?!
4.1 TV no Brasil
A televisão chegou ao Brasil em 18 de setembro de 1950, com a
inauguração da TV Tupi, em São Paulo. Essa foi a primeira emissora de televisão
do país e marcou o início da era televisiva no Brasil. Inicialmente, as
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transmissões eram restritas a poucas horas por dia e limitadas à cidade de São
Paulo.
Assis Chateaubriand, fundador da Tupi, desempenhou um papel
fundamental no início da televisão no Brasil. Ele foi um empresário e
comunicador brasileiro que teve um papel visionário na introdução e expansão
desse meio no país.
A televisão brasileira ganhou popularidade rapidamente, tornando-se um
dos principais meios de comunicação e entretenimento do país. O governo
brasileiro criou até um Fundo de Financiamento de Aparelhos de Rádio e
Televisão (FINARTE) para promover a compra dos aparelhos. Mas é importante
ressaltar que, mesmo com essas medidas, a aquisição de uma televisão ainda
era um privilégio para uma parte da população, especialmente nas áreas
urbanas.
A partir dos anos 1960, as telenovelas se tornaram um dos principais
destaques da programação, conquistando uma audiência fiel e marcando a
cultura brasileira. As telenovelas brasileiras conquistaram grande popularidade
e têm sido exportadas para diversos países ao redor do mundo desde a década
de 1970, com produções como O bem-amado (1973) e Gabriela (1975). Outros
títulos de destaque exportados posteriormente são Avenida Brasil (2012) e O
clone (2001).
Ao longo das décadas, a televisão brasileira passou por diversas
transformações, como a transição do sinal analógico para o digital, a expansão
dos canais pagos, o surgimento de novas emissoras e o avanço da TV por
streaming. Hoje, o país possui uma vasta oferta de canais de televisão abertos
e por assinatura, oferecendo uma ampla gama de programação para atender
aos diferentes interesses e preferências do público brasileiro — com destaque
para o grande conglomerado de mídia de Roberto Marinho. A televisão continua
desempenhando um papel importante na sociedade brasileira, sendo fonte de
informação, entretenimento e conexão com o mundo.
Leitura obrigatória
Leia o capítulo “A televisão” (p. 142-171) do livro História social dos meios
de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa, disponível na biblioteca
virtual Pearson.
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TEMA 5 – O PAPEL DA COMUNICAÇÃO AUDIOVISUAL NA SOCIEDADE
Assim como uma câmera captura e edita momentos da vida, o audiovisual
molda percepções, influencia emoções e ajuda a compreender melhor a
complexidade do mundo. A comunicação audiovisual mantém as pessoas
informadas sobre eventos globais, questões sociais, científicas e políticas,
ampliando a compreensão do mundo. Filmes, programas de televisão, vídeos
on-line e conteúdos audiovisuais em geral proporcionam entretenimento e lazer
às pessoas. As produções podem abordar questões sociais, desafiar
estereótipos, promover a diversidade e inspirar mudanças. Elas têm o poder de
moldar atitudes, comportamentos e opiniões.
Atualmente, o audiovisual também permite que as pessoas compartilhem
experiências e se conectem em diferentes partes do mundo. Através da
televisão, cinema, streaming e mídias sociais, é possível assistir e discutir
conteúdos com amigos(as), familiares e comunidades on-line. Isso ajuda a criar
um senso de conexão e pertencimento. O audiovisual também é usado
comercialmente como uma ferramenta eficaz para publicidade e propaganda –
e não só nos comerciais, mas com outras estratégias como o product placement
e branded content.
Em termos sociais, a comunicação audiovisual proporciona uma forma de
entretenimento e expressão cultural. Reúne as pessoas em torno de
experiências compartilhadas, permitindo que os indivíduos se conectem
emocionalmente com histórias, personagens e eventos. Promove a diversidade
cultural, ampliando o acesso a diferentes culturas e perspectivas, e é acessível
à população de maneira geral, indiferente da classe ou nível escolar.
No campo político, desempenha um papel crucial na disseminação de
informações e no debate público. Através do rádio e televisão, indivíduos podem
acessar notícias, discursos políticos, debates e análises críticas. Isso fortalece a
participação cidadã, permitindo que as pessoas formem opiniões informadas e
influenciem o cenário político.
No aspecto educacional, o audiovisual é uma ferramenta poderosa. Ele
permite a transmissão de conhecimento de forma visual e envolvente, facilitando
a compreensão e retenção de informações. Programas educativos,
documentários e recursos audiovisuais nas salas de aula são exemplos do uso
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da comunicação audiovisual na educação, estimulando a aprendizagem e
despertando o interesse dos alunos.
É importante lembrar também que, economicamente, a comunicação
audiovisual é uma indústria em si. Ela gera empregos, impulsiona a economia
criativa e contribui para o crescimento do setor de mídia e entretenimento.
Em resumo, a comunicação audiovisual é uma poderosa forma de
expressão e influência na sociedade moderna. Informa, entretém, educa,
conecta e molda perspectivas.
TROCANDO IDEIAS
Levando em conta o conteúdo visto nesta etapa, responda: De que forma
a invenção dos meios audiovisuais moldou a cultura, valores e visão de mundo
dos(as) brasileiros(as)?
NA PRÁTICA
Prepare uma apresentação para falar do impacto da criação da fotografia,
do rádio, da TV e do cinema na Publicidade. Você deve apresentar brevemente
os três meios de comunicação, destacar a importância desses meios na
sociedade e seu papel na transmissão de informações mercadológicas. Busque
exemplos para enriquecer seus slides. Você pode usar ferramentas para te
auxiliar no processo, mas o texto deve ser seu.
FINALIZANDO
No decorrer desta etapa, você conheceu a evolução da comunicação
audiovisual. Desde o surgimento do rádio, que aproximou pessoas com sua
transmissão de vozes e músicas, até a revolução da fotografia, que permitiu
congelar momentos preciosos e eternizar memórias. Em seguida, aprendeu
sobre a televisão, que trouxe o mundo para as salas de estar, e conheceu a
história do cinema, uma arte que envolve histórias cativantes e leva a lugares
além da nossa imaginação. À medida que as tecnologias continuam a avançar,
é essencial valorizar e refletir sobre esses meios fundamentais, lembrando de
sua importância na construção do mundo em que você vive hoje. Até a próxima
etapa.
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REFERÊNCIAS
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InterSaberes, 2020.
GIOVANNINI, G. Evolução na comunicação: do sílex ao silício. Rio de Janeiro:
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MCLUHAN, M. A galáxia de Gutenberg: a formação do homem tipográfico. São
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_____. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo:
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