DIAGRAMAÇÃO E LAYOUT
AULA 3
Prof. Alexsandro Teixeira Ribeiro
CONVERSA INICIAL
Até agora, você já viu uma série de elementos prévios à produção gráfica
que auxiliam na compreensão dos papeis e processos de produção, além de
questões fundamentais para aprofundar seu conhecimento sobre estética e
estilos do design.
Partimos, então, para o momento de começarmos a ver como funciona o
processo de idealização e produção de um projeto gráfico, da diagramação e da
impressão dos jornais e revistas. Ao passar por uma banca de revistas, vemos
inúmeras publicações, dos mais variados formatos, dimensões, cores e
assuntos.
Mas o que não percebemos é que, por trás de cada exemplar impresso,
há todo um trabalho longo e árduo que vai desde a escolha das cores até pensar
como falar com um determinado público. Nesta rota, trabalharemos com os
seguintes temas:
As fases: do projeto gráfico ao sistema de impressão: vamos passar
pelas etapas de idealização do projeto até a consolidação.
O projeto gráfico: critérios, tipologia, tipos de papel, formato e
público-alvo: vamos nos aprofundar nos elementos básicos do projeto
gráfico de periódicos.
Sistema de impressão I e II: veremos um pouco sobre como esse
sistema pode interferir na diagramação e nos projetos.
Bitmap versus vetor, resolução de imagem para impressos e vídeos:
aqui olharemos as características da imagem e seu uso.
CONTEXTUALIZANDO
Todo e qualquer produto impresso, seja uma revista ou um jornal, é fruto
de um planejamento extenso. E cabe ao profissional que atua na idealização
desse projeto o dever de conhecer todas as etapas. Ao criar um projeto, o
jornalista responsável pelo design e pela ideia do produto tem que ter em mente
o percurso que irá enfrentar ao longo do processo, para evitar ao máximo os
conflitos e erros, garantindo assim ações assertivas na comunicação.
Sobretudo no mercado de assessoria de comunicação em ascendência,
com a abertura de novas frentes e criação cada vez maior de veículos e mídia
da fonte, é fundamental que o jornalista saiba atender seus clientes com uma
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visão ampla. Em divisão macro, podemos dizer que todo o processo passa
por três fases: concepção, produção e reprodução.
A concepção do projeto é a fase em que as decisões serão tomadas. É
aqui que tem que ser definido o público, o formato do veículo, as cores, o tipo de
conteúdo e uma série de questões que darão a essência e o norte do projeto.
Na etapa da produção, com o projeto gráfico pronto, é o momento de
produção dos textos, das imagens e da adequação do conteúdo aos planos e
diretrizes definidos no momento da concepção. Aqui temos um dos momentos
de ver se na prática os debates e ideias prévias vão dar certo.
Por fim, na reprodução, cabe o acompanhamento da impressão do
produto, do acabamento, aquela última conferida na prova de impressão e a
aprovação dos materiais na gráfica.
TEMA 1 – AS FASES: DO PROJETO GRÁFICO AO SISTEMA DE IMPRESSÃO
Desde o momento em que temos uma ideia até a transformação em algo
real e prático, há todo um processo de materialização. Na produção de revistas
e jornais não é diferente. Quando vemos nas prateleiras de livrarias ou nas
bancas os produtos midiáticos, quase sempre não nos damos conta de que há
uma gama ampla de profissionais de várias formações, além de todo um
mercado por trás das páginas de informações. E é esse caminho que veremos
aqui nesta aula. Uma trilha que percorreremos em três fases: concepção,
produção e reprodução.
Como fase da Concepção, incluiremos todas as etapas que são anteriores
à produção do conteúdo propriamente dito do jornal ou da revista. Aqui estão
aqueles processos de reuniões para lançamento e debate de ideias, o
brainstorming, as discussões da formação do público-alvo, as definições das
cores e uma série de escolhas que vão definir o produto que você terá, para
quem você entregará, como esse produto se comunicará e por meio de qual
linguagem.
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Saiba mais
Podemos destacar uma série de etapas para um bom brainstorm. No
processo criativo, não basta apenas pegar uma caderneta e sair por aí jogando
tudo para fora. É importante manter o foco, não criticar as ideias, anotar tudo o
que aparecer, disparar ideias em sequência e não insistir em ideias,
aproveitando ao máximo. Acesse o site Design Culture e confira mais sobre o
processo criativo. <https://designculture.com.br/brainstorming-o-guia-completo-
que-voce-sempre-quis>. Acesso em: 29 jan. 2020.
O ponto de partida é a ideia do projeto, e isso vem com o desejo do cliente
ou com uma necessidade nossa, tanto para realização própria quanto para
lançar comercialmente. Com isso em mãos, devemos dar corpo ao projeto. Na
fase da concepção, vamos pensar no objetivo da revista. Com o objetivo traçado,
parte-se para a definição do público-alvo e do perfil do seu cliente e a definição
das características do produto. O próximo passo é a produção. Nessa etapa, é
cada um da equipe “no seu quadrado”: jornalistas, ilustradores, designers,
especialistas etc. vão produzir os textos, tanto os da redação quanto dos
articulistas nos parâmetros definidos, as imagens serão produzidas pelos
fotógrafos, as infografias e ilustrações serão produzidas pelo departamento
especializado, e por aí vai.
Figura 1 – Etapas de criação e diagramação de uma revista
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Fonte: A cara.
Na etapa da diagramação, o conteúdo é adequado ao projeto gráfico
do veículo. Tudo nos conformes, como um conjunto de regras e leis que
ditam como cada elemento na revista deve se comportar e ser utilizado.
Com a diagramação pronta, é hora de mandar para a gráfica. Na
reprodução, que seria a fase final do trabalho na produção do exemplar, fica o
acompanhamento da impressão. Nessa etapa, estão os acertos finais, o
recebimento da prova de impressão, a última checagem na diagramação e nas
cores para ver se não houve conflito dos arquivos com a leitura e impressão na
gráfica.
Tudo certo, segue-se para a aprovação para a gráfica executar a
impressão. A etapa é variada e depende muito do tipo de impressão definida, se
será a laser, offset etc., e principalmente pela quantidade de exemplares que
você pediu e o tipo de acabamento, se é lombada quadrada e colada, se é só
dobra tipo canoa e grampo, enfim, uma série de elementos que conheceremos
adiante. Recebeu da gráfica, pegue com calma e compare os exemplares com
o seu projeto. Tudo conferido? Agora é só entregar para seu cliente ou cuidar da
etapa logística.
TEMA 2 – O PROJETO GRÁFICO
O projeto gráfico são as orientações e definições dos elementos
visuais e das composições que darão o norte para todas as produções e
exemplares do seu produto. Nele está incorporado os ícones e linguagens de
seu público, as orientações de fontes e formas de utilização de gráficos, além de
uma série de norteamentos que definem o escopo estético e de estilo da revista
ou jornal.
O projeto gráfico se concentra na definição conceitual, no
estabelecimento do padrão gráfico geral da publicação, que deverá ser
replicado pela diagramação e no monitoramento desta. Então, dentre
a ampla gama de elementos que envolvem o projeto gráfico um dos
principais aspectos a ser definido é personalidade da publicação, ou
seja, o padrão gráfico que deverá repetir-se a cada edição.
(Damasceno, 2013)
Vamos ver como funciona as etapas para formar um projeto gráfico? Para
idealizar nosso projeto gráfico, vamos passar por alguns procedimentos, que são
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fundamentais para o sucesso da empreitada. Antes de mais nada, é fundamental
definir o objetivo. Qual será a função do produto e o que ele busca representar?
Figura 2 – Etapas de um projeto gráfico
Fonte: Davi Denardi, 2019.
Isso nos ajuda a perceber se é jornalístico, empresarial ou institucional ou
se é de outro cunho. Depois disso, dentre os primeiros elementos a serem
desenvolvidos, está a marca do produto, que é o logotipo que dará cara às
publicações e carregará a identidade marcante do jornal ou revista. Muitas vezes
a marca vem com acompanhamento de criação de uma fonte específica, que
terá contornos característicos do design do produto.
Figura 3 – Idealizar a marca como forma de dar identidade ao jornal ou revista
Créditos: ESTUDIOMAI/Shutterstock.
Com isso, um passo seguinte é ver quem será o público-alvo, ou
seja, quem o cliente e você quer atingir com a sua revista. Conforme destaca
Peruyera (2018), o público é o fator de maior importância na produção editorial.
Assim, sabemos que os produtos não podem ser direcionados para qualquer
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pessoa, mas sim para um determinado público. “De maneira geral, podemos
selecionar o público por faixa etária, classe econômica, gênero e local de
moradia, entre outros fatores similares” (Peruyera, 2018, p. 29).
Figura 4 – Projeto gráfico com previsões, imagens e publicidade
Créditos: ESTUDIOMAI/Shutterstock.
Outra coisa é pensar no custo do veículo, pois todas as escolhas relativas
ao tipo de papel, impressão e acabamento podem impactar no orçamento e
tornar seu projeto viável ou não. E isso também interfere no seu projeto gráfico,
uma vez que não adianta planejar acabamento específico e no fim das contas
usar outro. Portanto, saber o quanto pode gastar em cada edição é fundamental
para planejar o estilo gráfico da revista.
Figura 5 – Principais formatos de jornal
Fonte: Press Alternativa, 2015.
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Peruyera (2018), ao falar sobre os formatos, um dos elementos essenciais
do projeto, destaca este como um dos primeiros pontos a guiar as demais
decisões do projeto. “Conforme podemos perceber, salvo exceções, o formato
pode e deve ser negociado. A sugestão quanto ao formato é pôr na balança a
praticidade de soluções standard – como formatos tradicionais de jornais e
revistas- e outras possíveis soluções” (Peruyera, 2018, p. 28).
Dos jornais, os formatos mais utilizados são o standard, berliner e
tabloide. O standard é o mais convencional para aqueles jornais mais
tradicionais no Brasil. O formato berliner é o intermediário. Um formato muito
utilizado por jornais populares e por jornais de bairro e de cidade com
pouco habitantes é o tabloide, que é na prática a metade do standard. É
possível encontrar variações do tamanho.
Saiba mais
Tabloides sensacionalistas! Você já deve ter escutado a expressão. Mas
agora que já sabe que tabloide é um formato, o que tem uma coisa com outra?
Dá uma olhada neste artigo no Observatório da Imprensa e confira a relação
entre formato e credibilidade da imprensa.
<http://observatoriodaimprensa.com.br/voz-dos-ouvidores/tabloides-
sensacionalistas-vs-jornais-respeitaveis/>. Acesso em: 29 jan. 2020.
Nas revistas não há uma regra determinada sobre os formatos utilizados,
sendo o mercado livre para adaptações e orientações de tamanhos de papéis e
formatos dos produtos. No entanto, existem formatos que são corriqueiramente
utilizados ou em medidas próximas, destacando entre eles o formato magazine
(20cmX26,5cm), o formato americano (17cmX26cm), o formato francês
(12cmX12cm) e o formatinho, muito usado em revistas de novelas e público teen
(13cmX21cm).
Definido isso, partimos então para as colunas e tipologia. As colunas são
as distribuições do texto em recortes de página verticalmente, e podem variam
nas larguras. Em jornais, dependendo do formato, pode variar muito, geralmente
entre três e seis colunas. Nas revistas, por conta da dimensão mais reduzida da
página, as colunas não são muito numerosas. Na escolha de fontes para a
composição gráfica do produto, é fundamental que o idealizador do projeto
gráfico tenha em mente quatro princípios básicos de design, que são o contraste,
a repetição, o alinhamento e a legibilidade.
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Saiba mais
Tipografia ou Tipologia? De acordo com o dicionário Caldas Aulete,
tipografia é a “técnica de impressão a partir de matrizes de madeira ou de metal
fundido em alto relevo, cujos caracteres e imagens são compostos um a um
manualmente ou em linhas, por linotipia; imprensa”. Já tipologia seria a “coleção
dos caracteres de impressão mobilizados para um projeto gráfico”. Então, aqui
para nós, é tipologia, pois se trata da gama de fontes/tipos que vamos escolher
nos projetos gráficos.
Por meio do contraste, temos o que diferencia de outros elementos e o
que dá características ao ícone utilizado. A repetição no design, além de reforçar
a informação, dá a identidade visual.
Figura 6 – Elementos cromáticos e outros aspectos do design podem ser usados
como forma de reforçar a identidade
Créditos: ESTUDIO MAIA/Shutterstock.
Um elemento importantíssimo a se destacar é a legibilidade. Temos que
ter em vista que a fonte tem que ficar agradável, mas, acima de tudo, legível. Por
fim, chegamos aos papéis. Sim, temos que conhecer os elementos relacionados
aos tipos de plataformas de impressão para definirmos o projeto gráfico da
Revista ou Jornal.
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TEMA 3 – BITMAP VERSUS VETOR: RESOLUÇÃO DE IMAGENS PARA MEIOS
IMPRESSOS E VÍDEO
As imagens são fundamentais nos produtos gráficos. Sem elas, teríamos
apenas produções tipográficas. São elementos que, além de conferir mais
dinamicidade aos produtos, apresentam formas diferentes de narrativas e de
carregar informações. Assim, conforme aponta Peruyera (2018, p. 118), “nem
só de texto vive o jornal. Ou seja, os recursos de imagem “deixam a página
mais atraente”. Dessa forma, complementa o autor, o jornalismo em imagem
“deve estar presente também na hora da diagramação […] a imagem conta
história de uma maneira que o texto, muitas vezes, não consegue”.
Porém, para que as imagens atinjam seus objetivos nos impressos,
temos que trabalhar com qualidades e formatos adequados para cada arquivo.
Basicamente, existem duas formas de formação de imagens no meio digital, o
que determina sua qualidade, peso e algumas características de uso para cada
uma delas: bitmap e vetor.
O bitmap ou raster é o mais utilizamos quando temos uma gama grande
informações, como diferenciação de cores. Imagine um quadro de uma
paisagem, e que tudo é formado por micropontos. De perto, veríamos esses
pontos, mas de longe vemos uma paisagem. Os pontos aqui são os pixels,
que é a unidade básica da imagem.
Um elemento determinante na qualidade da imagem em bitmap é a
resolução. O cálculo dessa “qualidade” da imagem se dá na medida de pixels
ou pontos por polegada. Uma foto para ter boa qualidade de impressão deve
apresentar uma quantidade elevada de DPI, que é a abreviação de dots per
inch, traduzindo, “pontos por polegada”, que seriam pontos para impressão.
Figura 7 – Imagem bitmap com diferentes resoluções
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Figura 8 – Imagem bitmap com diferentes resoluções
Além do DPI há também o PPI (pixels per inch, traduzindo, “pixels por
polegada”), que é a qualidade para o monitor. Nessa lógica, quanto maior o
DPI, maior é o número de informações por polegadas, e assim teríamos uma
imagem de melhor qualidade. Uma forma de identificarmos a pouca qualidade
de resolução de uma imagem é analisando as bordas dos elementos.
Geralmente, são mais serrilhadas.
Figura 9 – Impacto da variação de pontos em uma imagem
Fonte: Tecmundo, 2014.
Apesar de vermos a diferenciação entre as formas de produção de uma
imagem, não temos fotos ou logos com extensão que apontam se são bitmap
ou vetor, mas sim outras extensões que denotem isso.
Saiba mais
PPI e DPI, quais as diferenças? Quando estamos nos referindo ao
ambiente digital e ao meio impresso, temos variações de linguagens e de
formatos. Oras, como pensar em pixel em uma foto que será impressa? A
mesma lógica deve ser usada para o inverso, como pensar em centímetros ao
pensar em imagem digital. Pois bem, confira mais sobre o assunto em
<https://www.tecmundo.com.br/pixel/60711-entenda-diferencas-entre-ppi-o-
dpi.htm>. Acesso em: 20 jan.2020.
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No bitmap, as extensões mais comuns são o JPEG (usual em imagens
de câmeras fotográficas, também nas variações JPE e JPG), PNG (utilizado em
imagens com fundo transparente, pelo uso do canal alpha) e TIFF (usado em
imagens pesadas). Já as imagens em vetor apresentam outra forma de
composição. O vetor é construído por meio de cálculos matemáticos e formas
geométricas, usando coordenadas cartesianas.
Figura 10 – Efeito do zoom em imagens vetoriais e bitmap
Fonte: Saga Art, 2016.
Com isso, uma imagem criada dentre de uma dimensão maior, mesmo
quando aumentada, não perde a qualidade, como no bitmap. Essa vantagem,
no entanto, tem limite. O vetor não apresenta uma gama de preenchimento que
dê conta de uma foto de alta resolução.
Com a questão do preenchimento, há outro ponto em relação ao bitmap,
que é quanto ao peso do arquivo. Os vetores são mais leves,
independentemente do tamanho físico que representa, ao contrário do bitmap,
que ocupa espaço por dimensão e resolução, devido à necessidade de
armazenamento de informação do preenchimento de cada pixel.
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Saiba mais
Bitmap ou vetor, qual usar? Tudo depende do grau de profundidade, do
espaço e do objetivo. Sim, há diferenças não apenas na sua formação e
características, mas em como deve ser usado. Via de regra, não se usa bitmap
para o desenvolvimento de marcas e logos, pois ele nem sempre garante boa
visibilidade, perdendo-se qualidade ao ampliar e reduzir. Confira no vídeo a
seguir mais informações sobre qual tipo se deve usar em quais situações
<https://www.youtube.com/watch?v=janJBH_vLQQ>. Acesso em: 29 jan. 2020.
Além disso, o vetor é excelente para as fontes e para ilustrações e
logotipos, pois além de manter uma sobriedade na quantidade de cores,
garante uma qualidade excelente nas linhas e contornos. Definidas as formas
de imagem, retomamos então para a resolução delas na hora de definir a
plataforma de uso. Quando pensamos em uma imagem para ser vista nas telas
do computador – a resolução dos monitores é de 72 PPI – não precisamos nos
preocupar tanto com a resolução dela, mas quando queremos imprimir a
imagem, aí sim é fundamental termos bastante informação por polegada.
Figura 11 – Imagem com DPIs diferentes, qualidades diferentes
Fonte: Mastercolor, 2018.
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Figura 12 – Imagem com DPIs diferentes, qualidades diferentes
Créditos: Belander/Shutterstock.
Na impressão, geralmente é recomendado a exportação de artes com
300 DPI, o que garante uma excelente qualidade nas gráficas.
TEMA 4 – SISTEMA DE IMPRESSÃO
Via de regra, jornais e revistas usam em larga escala dois tipos de
impressão, que é o Offset e o Digital. Só para registro, existem outros sistemas
de impressão, como tipografia, rotogravura, serigrafia, tampografia, dentre
outros. Estes, contudo, não estão adequados aos nossos produtos.
Um dos modos mais adotados no mercado editorial de massa é o offset,
que apresenta maior rendimento em grandes quantidades, reduzindo o custo
unitário. O sistema offset é baseado em litografia, ou seja, uma técnica de
gravura por meio de materiais gordurosos aplicados em uma pedra de calcário.
A impressão no sistema offset não é direto no papel com a tinta, mas pela
intervenção das chapas. Primeiro tem que criar então a chapa, depois pender
a chapa com as informações em um cilindro, que entrará em contato com outro
cilindro com a tinta, em que prenderá a tinta apenas nas partes predefinidas.
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Figura 13 – Impressora offset
Créditos: Zefart/Shutterstock.
Este cilindro, com a tinta nas partes específicas, será passado para uma
blanqueta de borracha, que recebe a tinta, e isso é passado no papel, como um
carimbo, só que de melhor qualidade, claro. É um sistema de impressão indireta,
portanto, a imagem está na placa, mas ela não entra em contato com o papel.
Em um sistema de impressão de uma cor, ou seja, preto e branco, em que
em uma plataforma serão impressas as informações – letras e imagens – na cor
preta, há uma simplificação do processo, uma vez que é passado apenas uma
vez o rolo com a tinha no papel. Agora, quando a produção é colorida, cada
cor é incorporada ao papel de forma separada. Assim, nas impressões em
policromia, usa-se quatros fotolitos, ou chapas, cada um para uma das
cores da CMYK.
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Figura 14 – Processo da impressão offset
Fonte: Design Conceitual, 2017.
Duas questões são fundamentais para uma excelente qualidade de
impressão e simetria das cores: a lineatura e a angulatura. Em alguns casos,
não é tão visível a olho nu, mas ao escanear uma página de revista, é possível
ver os pontos que formam as imagens.
A composição das cores na impressão atua de forma a proporcionar uma
ilusão de mistura das cores para representar outras. Se cada cor é impressa em
separado, não há, portanto, a mistura das cores previamente à aplicação do
papel, não é mesmo?
Saiba mais
Como é impressa cada uma das quatro cores da CMYK? Mistura-se as
tintas na máquina? Não! É tudo separadamente aplicado em cada uma das
torres da impressora. Clique no link a seguir e confira na prática como isso
acontece em uma gráfica <https://www.youtube.com/watch?v=t0JTSdThBKI>.
Acesso em: 29 jan. 2020.
Por isso é que na impressão há um deslocamento de grau das cores para
proporcionar essa ilusão de que elas compõem uma terceira cor. Isso é previsto
na angulação, para que não haja uma sobreposição das cores, mas sim uma
formação de meio tons. O deslocamento, no entanto, deve ser corretamente
calculado, para que não seja perceptível como um erro de desfoque na imagem.
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Já a lineatura está diretamente vinculada à qualidade em quantidade de
pontos, basicamente como os DPIs. São as retículas impressas no papel que
dão mais detalhes à impressão. Isso varia muito de papel e forma de impressão.
Em jornais, por exemplo, geralmente a lineatura utilizada na impressão é
baixa, uma vez que, ao absorver os pontos, há uma distribuição maior da tinta
no papel. É o que chamam de ganho de ponto mais elevado. Se aumentar o
número de retículas, há um escurecimento das imagens.
Saiba mais
Veja no livro base da disciplina, Diagramação e Layout, de autoria do
professor Matias Peruyera, um pouco mais sobre tipos de impressão. Leia o
subtítulo a partir da página 189 do livro, disponível na biblioteca digital. Acesso
em: 29 jan. 2020.
TEMA 5 – SISTEMAS DE IMPRESSÃO II
Já conhecemos algumas características do sistema de impressão offset,
agora daremos continuidade indicando duas máquinas que utilizam formas
diferentes de conduzir a impressão offset: as máquinas planas e rotativas. O
sistema continua sendo o mesmo, de formação de fotolitos por cores e a
aplicação não sendo direta no papel etc.
A principal diferença nos dois tipos de máquinas é a forma de
alimentação e o uso do papel. Enquanto que na máquina plana o papel já
entra cortado e solto, na rotativa são utilizadas bobinas.
Impressões em máquinas planas são mais utilizadas em médias e
pequenas tiragens, para impressão de cartões de visitas, folders, pequenas
cartilhas etc. Já as máquinas rotativas são empregadas em impressos com
tiragens maiores, como jornais e revistas, pois possuem maior agilidade no
processo. Apesar disso, cabe ressaltar que não há uma regra quanto ao uso. O
Jornal do Senado, por exemplo, é impresso atualmente em máquina offset plana.
Além do offset, um sistema de impressão que vem ganhando espaço no
mercado é o digital, que elimina a necessidade de produção de fotolito, utiliza
máquinas mais compactas e apresenta impressões com custos mais reduzidos.
A impressão digital também é muito utilizada para confecção em plotters,
ou seja, em impressão de grandes formatos, como plantas construtivas e
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mapas, além de produção de provas de impressão utilizadas pelos
designers para conferir as cores e a diagramação final do produto.
Figura 15 – Impressora digital – todas as cores ao mesmo tempo
Créditos: Andreas Poertner/Shutterstock.
Apesar dessas vantagens, é economicamente viável com pequenas
tiragens, uma vez que, no sistema offset, para preparar a máquina, produzir o
fotolito etc., há um custo mínimo envolvido, o que faz com que aquele sistema
seja viável no custo com grandes tiragens. Quando falamos em poucos
exemplares, o custo unitário sai mais barato. A agilidade na impressão também
se dá não apenas pela eliminação de processo de produção de fotolitos e de
outras mecânicas complexas que existem no offset, mas também porque, em
algumas impressoras digitais, as cores são impressas concomitantemente.
Com isso, há a necessidade de menos reparações de cores e menor
ocorrência de erros advindos de cálculos mal feitos do ângulo das cores. Há
também a eliminação de variações de cores de tom em um mesmo lote.
Outra vantagem, para quem precisa imprimir produtos que necessitem de
dados variáveis e mala direta, é que a impressão digital permite tal adaptação
por impressão, devido aos avanços tecnológicos e a não necessidade de
fotolitos. Assim, enquanto lá no offset há a replicação de apenas uma imagem
por completo em toda mancha gráfica do jornal ou revista, aqui, podemos elencar
um espaço físico para alterar conforme banco de dados enviado ao
equipamento.
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As impressoras digitais também apresentam diferenças quanto à
mecânica do seu processo, sendo as mais comuns as de jatos de tintas,
semelhantes às que temos em casa e às impressoras de impressão em laser.
Nas de jato de tinta, temos reservatórios para as quatro cores básicas, que são
aplicadas diretamente no papel. Enquanto, nas de laser são pós-coloridos,
também relativos às quatro cores básicas (CMYK), armazenados em toners.
TROCANDO IDEIAS
Nem parece que tem todo um trabalho para pensar sobre a forma gráfica
de uma revista ou jornal quando estamos folhando o material, não é? Agora que
você viu como funciona a base da formação de um projeto gráfico, consegue
identificar a importância do mapeamento do público-alvo? E quanto aos objetivos
do produto (jornal ou revista), você acha estes influenciam na forma como
devemos idealizar o projeto gráfico? Aproveite para entrar no fórum, disponível
no Ambiente Virtual de Aprendizagem, para compartilhar a sua resposta e
opinião com seus colegas de curso!
NA PRÁTICA
Vamos ver como um projeto gráfico pode dar unidade visual para um
veículo de comunicação? Pegue alguns exemplares de uma mesma revista
impressos em tempos diferentes e compare os principais elementos. Veja se os
títulos são de cores, fontes e tamanhos similares. Veja as legendas e os olhos
dos textos. Mapeie as imagens e veja como elas são distribuídas, se recebem
algum tipo de tratamento específico etc. Mapeie tudo isso e observe como as
características de um projeto gráfico ultrapassa de uma edição para a outra da
revista.
FINALIZANDO
Nesta aula, observamos as fases principais para a produção do projeto
gráfico, que são as linhas que nortearão as diagramações e o comportamento
estético dos jornais, revistas e demais produtos editoriais que idealizarmos.
Aprendemos que, ao pensar em como deve comportar os elementos visuais e
textuais no produto final, o tamanho e formato de fonte etc., devemos ter em
mente como isso ficará no produto final. Para isso, não podemos perder de vista
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os processos de impressão e as escolhas de materiais mais adequados para
atingir nossos objetivos e principalmente aos nossos públicos.
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REFERÊNCIAS
DAMASCENO, P. L. Design de Jornais: projeto gráfico, diagramação e seus
elementos. BOCC. Biblioteca Online de Ciências da Comunicação, v. 1, p. 1-
40, 2013.
PERUYERA, M. Diagramação e layout. Curitiba: InterSaberes, 2018.
SANTOS, M. A. L. dos; NEVES, A. F.; NASCIMENTO, R. A. do. Simetrias na
impressão offset. Revista Graphica: Curitiba, 2007.
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