Copyright©2023 por Marcelo Aguiar
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Revisão: Rita Leite
Capa: Felipe Silva
Diagramação de epub: Manoel Menezes
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Aguiar, Marcelo.
Deus de promessas / Marcelo Aguiar – Curitiba: Editora Betânia, 2023.
1. Palavra de Deus. 2. Promessas
CDD: 234.2
1ª edição de epub: novembro de 2023
É proibida a reprodução total ou parcial deste livro, sejam quais forem os
meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou
quaisquer outros, sem autorização por escrito dos editores.
Sumário
Capa
Página de créditos
Prefácio
Introdução
1
O Deus da Bíblia é um Deus de promessas
2
Promessas: Precisamos conhecê-las e confiar nelas
3
A grande promessa da salvação
4
A promessa do livramento
5
A promessa da companhia
6
A promessa da cura
7
A promessa do sustento
8
A promessa da prosperidade
9
Deus nos honrará
10
Deus nos guiará
11
Deus nos ajudará
12
Deus nos recompensará
13
Deus ouvirá a nossa oração
14
Deus alegrará o nosso coração
15
Deus prometeu perdoar os nossos pecados
16
Deus prometeu renovar as nossas forças
17
Deus prometeu nos dar vitória sobre Satanás
18
Deus prometeu nos dar vitória sobre a carne
19
Deus prometeu nos dar vitória sobre o mundo
20
Jesus nos salva
21
Jesus nos mantém salvos
22
Jesus nos conserva em paz
23
Jesus nos levará para o céu
24
Promessas de encorajamento
25
Promessas de consolo
26
As promessas das bem-aventuranças
27
As bem-aventuranças do Apocalipse
28
Promessas aos que vencerem
29
Promessas para a hora da morte
30
A promessa da ressurreição
31
O Espírito Santo – uma promessa
32
A igreja – uma promessa
33
Um novo coração – uma promessa
34
Promessas para a família
35
Promessas de disciplina
36
Promessas de avivamento
37
Promessas de restauração
38
Promessas de libertação
39
As promessas do Natal
40
Jesus prometeu voltar
Onde estão as promessas
Prefácio
Sempre que vou ler um livro, procuro folhear algumas páginas e
descobrir algo a respeito de quem o escreveu. No caso de Deus de Promessas
me senti imediatamente interessado – e isso não se deu apenas porque eu
conhecia o seu autor. A verdade é que eu estava passando por um momento
muito delicado. Minha família e igreja estavam bem. Mas, em meio à
pandemia que assolava a nossa nação, havia dentro de mim uma tristeza que
eu não conseguia explicar.
Talvez por isso o título do livro tenha chamado a minha atenção. Afinal,
se existe algo de que precisamos são as promessas de Deus. Na sua Palavra, o
Senhor apresenta respostas para os nossos medos e anseios. Nas Escrituras,
encontramos direção para os instantes em que nos sentimos perdidos. Somos
confortados pela Bíblia mesmo quando identificamos vazios inexplicáveis
dentro de nós.
É claro que saber que Deus tem promessas para mim não é o suficiente.
Eu preciso crer nelas. E, para que isso aconteça, tenho que conhecê-las. É por
isso que esta obra pode ser de grande utilidade. Nela, encontramos a Palavra
de Deus apontada, e, além disso, explicada. Há ocasiões em que nos achamos
tão fragilizados que perdemos até as forças para ler. Por isso é tão abençoador
quando alguém nos toma pela mão e esclarece o que o texto bíblico nos diz.
Foi essa a sensação que tive ao folhear Deus de Promessas. Era como se o
Pastor Marcelo me pegasse pela mão e, usado pelo Espírito Santo, me
ajudasse a entender as promessas do Senhor nas quais eu precisava confiar no
momento que estava vivendo.
Outro aspecto de que gostei bastante no livro é que ele sempre aponta
para Deus. Em nosso mundo de hoje, somos bombardeados com textos de
autoajuda, os quais tentam extrair de nós mesmos a solução para as situações
desafiadoras. Entretanto, nenhum material de autoajuda tem o poder de nos
reconstruir por dentro ou de gerar recursos eficazes para superarmos os
dramas da vida. Essa é uma capacitação que precisa vir do alto.
Portanto, Deus de Promessas não é um livro de autoajuda. É uma obra
que aponta tanto para o Deus de promessas quanto para o fato de que ele
cumpre a sua Palavra da forma como a enunciou. As promessas não se
tornam realidade pela força humana, e sim pelo poder do Senhor. Por isso
este livro nos conforta e nos instrui. Ele nos convida a olhar para Deus, e não
para o homem.
Um livro que se concentra no Criador e nas suas promessas poderia
oferecer uma leitura meramente acadêmica, mas esse não é o caso aqui. O
autor é enfático quando nos desafia com relação a algo que é essencial no
estudo das promessas divinas: recebê-las com fé. Ao fazer isso nos sentimos
mais leves, porque ter fé não é algo abstrato ou subjetivo. Podemos confiar
nas promessas da Escritura, porque aquele que as fez tem um caráter perfeito,
amoroso e imutável. É assim que somos desafiados a crer no que ele falou. O
Senhor não mente. Ele tem compromisso com a sua Palavra. O que Deus
promete, ele cumpre.
Para finalizar, gostaria de dizer que parte da satisfação que encontrei ao
ler este livro veio do fato de conhecer o seu autor. Quando temos
proximidade com o escritor e percebemos coerência entre o que ele diz e o
que ele vive, nos sentimos motivados a ler aquilo que ele escreve. O Pastor
Marcelo é uma das pessoas mais acolhedoras que eu conheço. Já em nosso
primeiro contato fui tocado por sua maneira pastoral de lidar com as pessoas,
comunicando amor e encorajamento. Nas suas mensagens, vídeos e livros, o
foco é sempre colocado em Deus e na sua Palavra. Isso me motivou a ler
Deus de Promessas com a certeza de que seria abençoado. E, assim, pude
descansar no Senhor, naquilo que ele promete e nas obras que ele realiza.
Estou certo de que ao ler este livro você também será edificado. E será
igualmente encorajado a crer nas promessas de Deus, as quais sempre se
cumprem.
— Lisânias Moura
Pastor Sênior da Igreja Batista do Morumbi, São Paulo
Introdução
Inteirar-se a respeito das grandes promessas da Bíblia é dar um
verdadeiro mergulho no oceano do amor de Deus. Ficamos extasiados com
tudo o que o Senhor declarou e com aquilo que ele realiza em cumprimento à
sua Palavra. Conhecer as promessas divinas é algo da maior importância para
todas as pessoas. Ao estudá-las, enxergamos mais claramente a bondade do
nosso Pai celestial.
As promessas da Bíblia são grandes porque foram feitas pelo Deus que é
maior do que todas as coisas. Quando nós as lemos, descobrimos a vontade
do Criador para as nossas vidas. Passamos a conhecê-lo melhor. E, quanto
mais o conhecemos, tanto mais o amamos. “Errais, não conhecendo as
Escrituras nem o poder de Deus”, disse Cristo às pessoas da sua época (Mt
22.29). Não podemos cometer o mesmo erro. Precisamos conhecer o Senhor.
Precisamos atentar para a sua Palavra e o seu poder.
Nos próximos capítulos, você encontrará as grandes promessas das
Escrituras divididas em quarenta temas abrangentes. Os capítulos são
independentes uns dos outros, e você poderá começar pelo assunto que mais
lhe interessar. Acredito, porém, que se realizar a leitura na ordem em que os
temas aparecem terá uma visão ampla e progressiva das promessas feitas por
Deus. Vislumbrá-las e deixar-se guiar por elas será algo que abençoará
grandemente a sua vida.
Procurei transcrever no próprio texto cada um dos versos bíblicos
mencionados. A versão utilizada foi a “Edição Revisada e Atualizada na
Nova Ortografia, de Acordo com os Melhores Textos em Hebraico e Grego”,
da Geográfica Editora. No final do livro, você encontrará um apêndice
indicando “Onde Estão as Promessas”, com a referência dos versículos na
ordem em que eles são citados. Nenhuma passagem bíblica foi transcrita mais
de uma vez. Por isso, se você sentir falta de algum versículo no estudo de
determinada promessa, provavelmente irá encontrá-lo em outro capítulo.
Gostaria de agradecer a algumas pessoas que contribuíram para que esta
obra fosse publicada. A ideia surgiu a partir de uma conversa com o Antônio
Carlos, e creio que o Senhor o usou para nos apontar a sua vontade. O Rui fez
um belo trabalho anotando e repassando os textos para aqueles que primeiro
ouviram sobre as promessas. O Fabrício e o Eglesson, da Editora Betânia,
mostraram a dedicação de sempre. E a Amanda e a Beatriz ajudaram a
conferir as referências do final.
Este livro foi escrito durante a pandemia causada pelo coronavírus. A
possibilidade de estudar as promessas divinas em um tempo de tantas
provações trouxe conforto à minha alma. Espero que, ao ler as páginas que se
seguem, você desfrute a mesma paz. Deus é bom. Ele nos assegurou grandes
coisas. Se crermos naquilo que o Senhor disse, acharemos o caminho para
uma vida feliz. “Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a
observam”, garantiu-nos Jesus (Lc 11.28). Podemos acreditar no que ele
falou. O Senhor jamais deixou de cumprir uma promessa.
1
O Deus da Bíblia é um Deus de
promessas
Ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas
(2 Pe 1.4).
Existem mais de 8.500 promessas registradas na Bíblia. E destas, mais
de 7.500 são promessas feitas por Deus. Trata-se de uma grande riqueza, um
verdadeiro tesouro. O Deus da Bíblia – que é o único Deus verdadeiro, o
Criador do céu e da terra – é um Deus de promessas. E isso tem grandes
implicações.
Imagine que você fosse contratar os serviços de um profissional. Talvez
uma costureira para fazer o seu vestido de casamento, um mecânico para
efetuar a revisão do seu carro, ou um pedreiro para construir a sua casa. E
então, suponha por um momento que esse profissional lhe dissesse: “Eu não
prometo nada”. Você confiaria nessa pessoa? Continuaria solicitando os
serviços dela? Provavelmente, não!
Portanto, como seriam as coisas se Deus se comportasse dessa maneira?
Se o Senhor nos dissesse que não nos prometeria nada, de que maneira
poderíamos confiar nele? Entretanto, o Deus revelado pelas Escrituras é
aquele que nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas. Ele não
tem medo de se comprometer. O Deus da Bíblia se apalavra, estabelece
alianças, faz juramentos. Ele chega a nos dizer que podemos fazer prova dele.
Ele afirma: “Eu anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as
coisas que ainda não sucederam” (Is 46.10).
O Senhor é maravilhoso, incomparável! Algo ainda nem começou, e ele
já diz de que jeito vai acabar! Não é extraordinário? Ele declarou: “Assim
será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes,
fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.11). E
acrescentou: “Eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1.12). O que
Deus fala, ele faz. O que Deus promete, ele cumpre.
“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão”, disse
Jesus (Lc 21.33).
Existem cinco coisas que nós precisamos saber a respeito das promessas
do Senhor:
TODAS AS PROMESSAS DE DEUS SÃO
CONFIÁVEIS
As afirmativas divinas são sólidas. Nem sempre posso confiar nos meus
sentidos, porque eles são capazes de me iludir. Nem sempre posso confiar na
minha mente, porque ela está sujeita a se equivocar. Nem sempre posso
confiar no meu coração, porque ele é enganoso. Nem sempre posso confiar
nas pessoas, porque elas se mostram falhas e imperfeitas. Mas sempre posso
confiar em Deus e naquilo que ele diz.
“Deus não é homem, para que minta, nem filho de homem, para que se
arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? Ou, havendo falado, não o
cumprirá?”, declara a Bíblia (Nm 23.19).
Nosso Pai celestial não volta atrás, não pensa melhor, não refuga, não
retrocede, não reconsidera. Pelo contrário; “a palavra do Senhor permanece
para sempre” (1 Pe 1.25). E ele leva isso tão a sério que, de acordo com o
Novo Testamento, “querendo Deus mostrar mais abundantemente aos
herdeiros da promessa a imutabilidade do seu conselho, se interpôs com
juramento” (Hb 6.17). Sendo assim, “retenhamos inabalável a confissão da
nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa” (Hb 10.23).
“É impossível que Deus minta.” (Hb 6.18.) Aleluia!
Josué, o grande general que liderou o povo de Israel na conquista da
terra prometida, comprovou tudo isso em primeira mão. Após travar muitas
batalhas e contemplar vários milagres, afirmou, já no fim da sua vida:
“Palavra alguma falhou de todas as boas coisas que o SENHOR prometera à
casa de Israel; tudo se cumpriu” (Js 21.45). Que testemunho impactante!
ALGUMAS PROMESSAS DE DEUS SÃO
CONDICIONAIS
Conquanto todas as promessas do Senhor sejam confiáveis, a maioria
delas é de caráter condicional. Em Isaías 1.19, por exemplo, nos deparamos
com a seguinte declaração: “Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o bem
desta terra”. Esse é um caso típico de promessa condicional. Promessas
condicionais envolvem uma oferta de Deus relacionada à resposta dos
homens. Normalmente, a palavra “se” aparece associada a essas promessas
quando são registradas na Bíblia.
Voltemos a Josué, e relembremos um episódio conectado à conquista de
Canaã. Antes de atravessar o rio Jordão, aquele servo de Deus disse a todo o
povo: “Santificai-vos, porque amanhã o SENHOR fará maravilhas no meio de
vós” (Js 3.5). Agora, pense nisso por um momento. Se Deus prometesse a
você que iria fazer maravilhas em sua vida, quando você preferiria que tal
promessa se cumprisse: no mesmo dia ou no dia seguinte? Hoje ou amanhã?
A sua resposta será: “Hoje, é claro!” Mas, se é assim, por que Josué disse aos
israelitas que os milagres aconteceriam no futuro? Foi porque no presente o
povo ainda não havia se santificado! E a santificação era a condição para que
a palavra de Deus se cumprisse.
Muitas vezes, o Senhor não faz maravilhas no meio de nós hoje porque
não estamos vivendo em santidade, correção e integridade. E, assim, as
vitórias vão ficando para amanhã.
Lembre-se disto: sempre que encontrar uma promessa nas Escrituras,
busque examinar o seu contexto, e verificar se existe alguma exigência da
parte de Deus para que aquilo que ele anunciou se transforme em realidade.
Infelizmente, é possível que nossas bênçãos sejam adiadas ou até mesmo
perdidas por causa da nossa relutância em fazer aquilo que o Senhor ordenou.
AS PROMESSAS DE DEUS TÊM DATA CERTA
A terceira verdade que pode ser dita a respeito das promessas divinas é
que elas se cumprem no momento certo, não antes nem depois. Aquilo que o
Criador fala tem dia e hora para acontecer. O relógio do céu nunca atrasa nem
adianta. Deus é pontual. Você pode até achar que algo está demorando muito
a ocorrer, mas essa é apenas a avaliação humana da situação. Quem conhece
a plenitude dos tempos é o Senhor.
Eis a razão pela qual, em Habacuque 2.3, lemos: “Porque a visão é ainda
para o tempo determinado e se apressa para o fim. Ainda que se demore,
espera-o, porque, certamente, virá, não tardará”. Que linda declaração do
Senhor para as nossas vidas! Quando ficamos ansiosos e somos tentados a
duvidar da realização daquilo que nos foi prometido, nosso Pai amoroso nos
recorda de que suas visões são para tempos determinados. Podemos esperar
na certeza de que o cumprimento virá.
“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por
tardia.” (2 Pe 3.9.) O Criador conhece o tempo certo de todas as coisas. É por
isso que podemos confiar na sua Palavra. As promessas divinas são a base
firme, mais sólida que o granito, sobre a qual podemos edificar a nossa vida.
O hino Firme nas Promessas, de autoria de Russel Carter, diz em sua
primeira estrofe: “Firme nas promessas do meu Salvador, cantarei louvores
ao meu Criador. Fico, pelos séculos do seu amor, firme nas promessas de
Jesus”. Essa é uma bendita segurança. Ela nos faz enfrentar todos os desafios
com a certeza inabalável do triunfo.
DEUS FAZ PROMESSAS... E ADVERTÊNCIAS
Em quarto lugar, podemos afirmar que o mesmo Deus que faz
promessas faz, também, advertências. Por vezes, não nos damos conta disso.
Quando eu era criança e minha mãe dizia que ia me dar um presente, eu
aguardava com confiança, porque tinha certeza de que ela iria fazer aquilo
que havia falado. Porém, lembro-me claramente de uma coisa: quando ela
dizia que iria me dar uma surra, não ficava só na conversa! O mesmo ocorre
com relação a Deus. Quando lemos a Escritura, nos deparamos com
promessas maravilhosas e, ao mesmo tempo, com avisos muito sérios.
O Senhor diz que vela pela sua palavra. Ele nos assegura que tanto as
suas promessas quanto as suas advertências haverão de se cumprir.
Após ressuscitar dentre os mortos, Jesus afirmou aos seus discípulos:
“Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”
(Mc 16.16). Ora, se acreditamos na sua promessa (que aquele que crer e for
batizado será salvo), precisamos acreditar, igualmente, na sua advertência
(que quem não crer será condenado). Algumas pessoas leem a Bíblia como
quem cata feijão. Elas dizem: “Isso vale, isso, não; nessa passagem Cristo
estava falando sério, mas naquela ele estava só usando uma figura de
linguagem”. Bem, isso é apenas uma forma de os homens enganarem a si
mesmos.
A verdade é que o nosso Deus é um Deus de palavra. O que ele diz, ele
faz. O que ele promete, ele cumpre. Se Deus não mantivesse as suas
advertências, que garantia nós teríamos de que ele cumpriria as suas
promessas? Devemos estar cientes de que as coisas que agradam os ouvidos
são tão reais quanto as que incomodam o coração.
No encerramento da parábola sobre os cabritos e as ovelhas, a qual
ilustra a separação final entre os justos e os injustos, Jesus afirmou que “irão
estes para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna” (Mt 25.46). Vida
eterna – que promessa maravilhosa! Como é bom saber que há uma
eternidade de alegrias após a morte! Contudo, se cremos que existe vida
eterna, temos que crer, igualmente, que existe castigo eterno. Há muita gente
que pensa poder apagar as afirmações de Cristo que lhe desagradam segundo
a sua conveniência. Mas não podemos cometer esse erro.
Deus não tem duas palavras, não tem duas caras. Ele é sempre o mesmo,
seja para prometer, seja para advertir. Ele é fiel e justo. Ele sempre diz a
verdade.
TODAS AS PROMESSAS SE CUMPREM EM
CRISTO
De tudo o que podemos afirmar a respeito das grandes promessas da
Bíblia, talvez o mais maravilhoso seja isto: cada uma das belas asseverações
divinas se cumpre na pessoa e na obra de Cristo. Jesus é o centro das
Escrituras. Ele é também o cumprimento de todas as promessas, de todas as
alianças, de todas as profecias, de todos os concertos, de todos os pactos e de
todos os juramentos.
Em 2 Coríntios 1.20, encontramos esta tremenda declaração a respeito
do Salvador: “Pois tantas quantas forem as promessas de Deus, nele está o
sim; porquanto é por ele o amém, para glória de Deus por nosso intermédio”.
O cumprimento de todas as promessas acontece em Cristo, por Cristo e para
Cristo.
Quando uma promessa divina se cumpre na sua vida, isso ocorre através
de Jesus, por causa de Jesus e para a glória de Jesus. Cada uma das profecias,
desde Gênesis até Apocalipse, aponta para Cristo e se cumpre nele. Daí a
extrema importância de que tenhamos um relacionamento íntimo e pessoal
com Jesus.
Certa vez, ouvi uma história que ilustra bem esse fato. Segundo ela,
existia um homem muito rico que era um grande colecionador de obras de
arte. Ele morava em uma mansão cujas paredes estavam cobertas de quadros
de pintores famosos. Esse homem também tinha um filho de quem gostava
muito. Por isso, ele havia mandado que um retrato do jovem fosse pintado e
colocado em lugar de destaque. Não era um quadro tão famoso quanto os
demais, mas possuía, para ele, um grande valor sentimental.
Um dia, aquele rapaz morreu, deixando o seu pai muito triste. Passados
alguns anos, o próprio colecionador de arte faleceu. E, como ele não tinha
herdeiros, foi determinado que seu precioso acervo fosse levado a leilão.
Quando os colecionadores do mundo inteiro ficaram sabendo disso,
acorreram, em peso, para a mansão. No dia e na hora do leilão, cada um deles
estava eufórico, animado com a possibilidade de levar para casa uma obra-
prima de valor inestimável.
O leiloeiro pediu a palavra e falou:
– Vamos começar o leilão. Que seja apresentada a primeira peça!
Foi trazido, então, o retrato do jovem falecido.
– O nome dessa obra é “O Filho”, informou o leiloeiro. Quanto me dão
por ela?
Mas nenhum comprador estava interessado na pintura, porque todos
haviam acorrido até ali por causa das obras famosas. Sendo assim, nenhum
lance foi dado.
– Tire isso daí e traga logo os clássicos, gritavam, impacientes, os
homens e as mulheres na sala.
Estava naquele lugar um antigo empregado da família. Ele não havia ido
até lá para comprar nada, apenas trabalhava no local. E lamentou ver o que
estava acontecendo. Ele sabia do amor que pai e filho haviam nutrido um
pelo outro. Lembrava-se do quanto a pintura significara para o seu patrão.
Por isso, examinou mentalmente o saldo da sua conta no banco, e resolveu
dar tudo o que tinha pelo quadro. Fez a oferta um tanto timidamente, porque
o valor era inexpressivo. Mas, como o seu lance foi o único, acabou ficando
com o retrato.
– Quadro “O Filho” vendido para o cavalheiro, anunciou o leiloeiro
batendo o martelo sobre a mesa. E, em seguida, acrescentou: O leilão está
encerrado! Todos podem ir embora!
Nesse instante, os colecionadores presentes fizeram um alvoroço.
– E quanto ao restante dos quadros?, perguntaram eles. E quanto a todos
esses tesouros pendurados nas paredes? Foi por causa deles que viemos!
O leiloeiro, então, explicou:
– O dono das pinturas deixou um testamento. E nesse testamento ele
estabeleceu que quem ficasse com o quadro “O Filho” ficaria com toda a
coleção, porque era a obra que ele mais amava. Sendo assim, o leilão acabou.
Toda a riqueza que vocês estão vendo pertence, agora, ao antigo funcionário.
Porque o dono da coleção determinou que quem ficasse com “O Filho”
ficaria com tudo.
Assim é Jesus!
O Filho de Deus é o que de melhor o Pai celestial tem para nós. E
quando o aceitamos, recebemos tudo o que Deus tem de mais precioso para
nos dar. Cristo é o nosso tesouro. É a nossa riqueza. É o nosso bom amigo. É
o nosso Salvador querido. Lembre-se: todas as promessas se cumprem em
Cristo, por Cristo e para Cristo. Glória, pois, a Cristo, eternamente. Amém!
Você já tem Cristo em sua vida? A sua alma já pertence ao Senhor
Jesus? Eu espero que sim. No entanto, se não for esse o caso, agora é o
melhor momento para você tomar essa decisão. Como no caso do funcionário
da história, ela lhe custará tudo o que você tem, o seu próprio coração.
Entretanto, tenha em mente que Jesus já entregou, por você, tudo o que ele
tinha: a sua própria vida. “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por
nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho
poupou, antes, o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele
todas as coisas?” (Rm 8.31,32.)
Não há nada que se compare a ter Jesus na vida e pela eternidade!
Grandes e preciosas são as promessas do Senhor para nós. Em 2
Coríntios 7.1, lemos: “Ora, amados, visto que temos tais promessas,
purifiquemo-nos de toda imundícia”. Diante de tantas coisas belas que Deus
nos tem prometido, colocaríamos tudo a perder virando-lhe as costas e
optando por uma vida de pecados? Isso seria a pior coisa que poderia nos
acontecer! Pelo que trocaríamos uma vida na presença do Senhor? As glórias
deste mundo não passam de migalhas perto do que Deus tem para nós!
Todas as palavras do Senhor se cumprirão, porque o Deus da Bíblia é
um Deus de promessas. Ele não tem medo de se comprometer. Ele não deixa
de honrar a sua palavra. Nada pega o Criador de surpresa, nem impõe limites
à sua atuação. Portanto, façamos a escolha certa. Todas as promessas se
cumprem em Cristo. Vale a pena andar com Jesus, e ver os projetos divinos
se cumprirem em nossa vida!
2
Promessas: Precisamos conhecê-las
e confiar nelas
Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede
nos seus profetas, e sereis bem-sucedidos (2 Cr 20.20).
Na Bíblia, estão registradas milhares de promessas de Deus para nós.
Todas elas são belas e maravilhosas. Contudo, de que forma essas promessas
podem se tornar uma realidade em nossas vidas? Isso se dá automaticamente?
Ou será necessária determinada atitude da nossa parte para que os projetos de
Deus se cumpram?
A verdade é que precisamos conhecer as promessas e acreditar nelas. Do
contrário, acabaremos perdendo muitas bênçãos.
Vou tentar explicar esse ponto usando como exemplo um filme que
muita gente já assistiu, chamado Ratatouille. Um dos personagens dessa
animação é um órfão cujo nome é Linguini. Ele trabalha em um grande
restaurante de Paris. Ali ele faz os serviços mais humildes e é destratado pela
maioria dos que o cercam. O rapaz vive de cabeça baixa, com o corpo
vergado e o rosto triste, porque a sua vida não é boa. Contudo, ele acredita
que a situação é inevitável. Por isso, aceita ser tratado daquela maneira e
viver daquele jeito.
A certa altura do filme, um documento é descoberto. Nele, para surpresa
de todos, é revelado que Linguini é na verdade filho do falecido dono do
restaurante, e herdeiro de todos os seus bens. A partir desse instante, tudo
muda de figura. O rapaz, que antes era desprezado, passa a ter nas mãos um
verdadeiro império gastronômico. Ele começa a andar de cabeça erguida,
acreditando mais em si mesmo. Demite o antigo gerente do restaurante, que
vinha maltratando a ele e a seus companheiros. Muda a filosofia de
funcionamento da casa. E cria um ambiente muito melhor para o lugar.
A questão que desejo ilustrar com essa história é a seguinte: o jovem
Linguini não se tornou dono do restaurante no momento em que descobriu os
papéis que revelavam a sua identidade. Ele sempre havia sido filho do
famoso cozinheiro e seu único herdeiro. Era rico desde o nascimento.
Entretanto, foi apenas quando tomou conhecimento dessas coisas que elas, de
fato, fizeram qualquer diferença. Só então ele passou a viver de acordo com
os seus direitos e com a sua condição.
O mesmo se dá com relação às promessas bíblicas. O Senhor as
endereçou a mim e a você. Contudo, enquanto não tomamos conhecimento da
existência delas, colocamo-nos em uma situação muito inferior àquela que o
Pai celestial intentou para nós. Não nos tornamos herdeiros de Deus no
instante em que descobrimos as suas promessas. Essa já é a nossa condição
desde que nos entregamos a Cristo. No entanto, é a partir do momento em
que sabemos que somos herdeiros que passamos a conhecer os nossos
direitos e a viver de acordo com eles.
Ou – dizendo a mesma coisa de outra forma – de nada me adianta ter
uma fortuna no banco se eu não sei que ela está lá.
VOCÊ PRECISA CONHECER AS PROMESSAS
DE DEUS
Tudo o que foi dito até aqui converge para a seguinte verdade: nós
precisamos tomar conhecimento daquilo que o Senhor nos tem garantido.
Aliás, essa é a razão por que o diabo fará todo o possível para tentar evitar
que leiamos a Bíblia. Quando um ser humano lê as Escrituras e descobre o
que Deus deseja conceder-lhe, o trabalho do reino das trevas se torna muito
mais difícil. A partir do momento em que eu conheço as promessas divinas,
posso começar a viver de acordo com elas.
O Senhor deseja que conheçamos as suas promessas. Ele não concebeu
maravilhas incomparáveis para depois escondê-las em algum lugar obscuro,
como se fossem as letrinhas miúdas de um contrato. Não, nada disso! Ocultar
as suas generosas ofertas seria algo incompatível com a natureza justa e santa
de Deus. Ele colocou as suas promessas no papel, registrou-as na sua Palavra,
e ordenou a todas as pessoas que a lessem. As promessas do Senhor não
precisam ser procuradas nas entrelinhas da Bíblia. Elas aparecem lá de forma
clara e transparente.
“Porque a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que
estão longe; a quantos o Senhor nosso Deus chamar”, lemos em Atos 2.39.
As promessas divinas não são para outras pessoas que poderíamos julgar
selecionadas e afortunadas. Elas são para nós! O nosso Pai celeste já
providenciou tudo “para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada
aos que creem” (Gl 3.22). Ele quer que conheçamos e desfrutemos sua
promessa.
O Criador faz questão de revelar os seus intentos. Ele declara: “Eis que
as primeiras coisas já se realizaram, e novas coisas eu vos anuncio; antes que
venham à luz, vo-las faço ouvir” (Is 42.9). Ele não esconde as suas bênçãos,
como se não fizesse questão de entregá-las. É por isso que é tão importante
tomarmos conhecimento das promessas divinas. Dirigindo-se aos crentes de
Tessalônica, o apóstolo Paulo escreveu: “Não queremos, porém, irmãos, que
sejais ignorantes” (1 Ts 4.13).
VOCÊ PRECISA CONFIAR NAS PROMESSAS DE
DEUS
A segunda verdade que eu gostaria de destacar é esta: tão importante
quanto tomar conhecimento das promessas do Senhor é acreditar nelas.
Voltando ao exemplo do filme Ratatouille, imaginemos que o personagem
encontrasse aquele papel, se deparasse com aquele documento, e então
dissesse: “Ah! Como seria bom se o que está escrito aqui fosse verdade! Mas
acho que isso não é para valer”. A vida dele teria mudado? Não, de forma
alguma! Igualmente, é necessário que confiemos naquilo que lemos na
Palavra de Deus e ajamos segundo o que ela nos afirma para que as coisas
mudem.
Se eu não confiar nas garantias divinas, como poderei me apropriar
delas? A verdade é que somos abençoados quando acreditamos nas
promessas, e honramos ao Senhor quando cremos nas promessas.
A Bíblia diz o seguinte:
“Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor.
Porque é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes
para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde;
e, no ano da sequidão, não se afadiga, nem deixa de dar fruto.” (Jr 17.7,8.)
Que declaração maravilhosa!
“Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca”,
acrescenta a Escritura (Lm 3.25). Ela também diz que “o justo viverá da fé”
(Gl 3.11). A incredulidade não agrada a Deus. Ele declara: “O meu justo
viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele” (Hb 10.38).
Quais são as consequências da falta de confiança nas promessas de
Deus?
SE EU NÃO CONFIAR, ESTAREI PERDENDO
MUITAS BÊNÇÃOS
A ausência de fé tem feito com que muita gente deixe de ver se
concretizar na sua vida aquilo que o Senhor prometeu. Alguns reclamam:
“Deus não gosta de mim!” Mas isso não é verdade. O Senhor não faz acepção
de pessoas. Não é questão de preferência, nem de sorte, nem de destino. É
questão de fé.
Em Hebreus 4.2, nos deparamos com a seguinte afirmação: “Porque
também a nós foram pregadas as boas novas, assim como a eles; mas a
palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não chegou a ser unida
com a fé naqueles que a ouviram”. Nenhum proveito terá a Palavra do Senhor
para alguém que não acredite nela. Quando a pregação não é recebida com fé,
não ocorrem conversões, transformação ou milagres.
Sendo assim, o que o Senhor espera de nós? “Necessitais de
perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis
a promessa”, nos declara a Bíblia Sagrada (Hb 10.36). Não são todos os que
alcançam as promessas. São apenas os que perseveram, os que acreditam, os
que confiam, os que creem!
SE EU NÃO CONFIAR, ESTAREI
DESAGRADANDO A DEUS
A segunda consequência da falta de confiança nos decretos de Deus é a
ofensa ao Criador. Isso é algo muito grave. Se eu ceder à incredulidade, não
apenas estarei roubando muitas bênçãos de mim mesmo. Estarei roubando do
Senhor a glória que lhe é devida. Não, é claro, a glória que ele possui por si
mesmo, e sim a glória que ele merece que eu lhe atribua. Deus não precisa da
minha honra para ser honrado. Porém, quando não honro a Deus, estou
negando-lhe algo a que ele tem direito.
Veja que declaração séria encontramos na Bíblia: “Quem a Deus não
crê, mentiroso o faz” (1 Jo 5.10). Poucos se atreveriam a chamar Deus
diretamente de mentiroso. Contudo, é isso o que fazemos na prática quando
não cremos nas suas promessas. Será que o Todo-Poderoso aceita isso? De
modo algum! Ele afirma no Novo Testamento: “Ora, sem fé é impossível
agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus
creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). A falta
de fé é uma ofensa ao Criador. A incredulidade é a mãe do pecado, e,
consequentemente, a avó do sofrimento. Nada de bom pode advir dela.
Dentre todos os pecados, a incredulidade é o mais perigoso, porque é o
pecado contra o único remédio que existe (Erroll Hulse).
Enquanto caminhou entre os homens, Jesus Cristo sempre se mostrou
indignado diante da falta de fé. Por outro lado, elogiou, em todas as ocasiões,
as pessoas que criam em Deus. A confiança agrada ao Senhor e exalta o seu
nome.
SIGA O EXEMPLO DAQUELES QUE
CONFIARAM NAS PROMESSAS
Depois de termos considerado todos esses fatos, qual deve ser, então, a
nossa atitude? Precisamos crer incondicionalmente no Senhor e na sua
Palavra. Devemos seguir bons exemplos, e nos inspirar na vida daqueles que
levaram a sério as grandes promessas da Bíblia. E a lista, felizmente, é
grande. Poderíamos falar de Moisés, de Davi, de Maria, de João... Na
verdade, a história dos heróis da fé é a história de homens e mulheres que
acreditaram nas promessas do Senhor.
“Desejamos que cada um de vós mostre o mesmo zelo até o fim, para
completa certeza de esperança, para que não vos torneis indolentes, mas
sejais imitadores dos que pela fé herdam as promessas”, diz a Escritura (Hb
6.11,12). Aqueles que herdaram as promessas fizeram isso pela fé.
Precisamos imitá-los.
Nas páginas da Bíblia, lemos narrativas sobre homens e mulheres de
Deus, “os quais, por meio da fé, venceram reinos, praticaram a justiça,
alcançaram promessas” (Hb 11.33). Aqueles que alcançaram promessas o
fizeram por meio da fé. E algumas promessas deixaram de ser alcançadas,
não porque fossem inalcançáveis, mas porque as pessoas não creram. Basta
lembrar o que aconteceu com os israelitas que saíram do Egito. A grande
maioria não entrou na terra prometida. Eles foram contaminados pelo vírus da
incredulidade, o qual se mostra fatal quando se trata de alcançar promessas.
Inspiremo-nos, portanto, em bons modelos. Em Hebreus 6.15, lemos: “E
assim, tendo Abraão esperado com paciência, alcançou a promessa”. Que
maravilhoso exemplo nos deixou aquele que é tido como “o Pai da Fé”! Ele
deu origem a uma grande nação porque confiou no Senhor e na palavra que
recebeu. Isso exigiu do patriarca muita perseverança e determinação. Foram
anos e anos de espera. Mas tudo valeu a pena, porque Deus não deixou de
cumprir o prometido.
“Se creres, verás a glória de Deus”, afirmou Jesus Cristo certa vez (Jo
11.40). Lembre-se: você precisa conhecer as promessas. Entretanto, isso não
é suficiente. É essencial que você confie nelas. Só assim os planos gloriosos
do Senhor se tornarão uma realidade na sua vida.
Certo homem estava voltando para casa, depois de mais um dia de
trabalho, quando percebeu uma movimentação incomum na rua em que
morava. Muitas pessoas corriam de uma parte para a outra. Logo ele se deu
conta de que, em meio a toda aquela agitação, havia um caminhão dos
bombeiros. Foi então que notou que uma das casas estava pegando fogo. E
não era uma casa qualquer. Era a sua casa.
Ele correu, assustado, abrindo caminho por entre a multidão. Acabou
encontrando a sua esposa, que estava na calçada em frente ao incêndio.
Desesperada, ela lhe disse que estava bem, mas que o filho deles, que tinha
cerca de dez anos, havia subido para o segundo andar e agora estava preso no
meio das chamas.
O homem começou a gritar a plenos pulmões, chamando pelo garoto.
Orientado pela voz do pai, o menino conseguiu chegar até a uma das janelas,
apesar da densa fumaça que enchia a casa.
– Agora estou vendo você!, gritou ele para o menino. Pode pular! Eu
estou aqui embaixo, e ampararei a sua queda! Salte para os meus braços,
filho!
Mas o garoto não conseguia enxergar nada, porque estava
completamente envolto pela fumaça. Ele sentia muito medo e não sabia o que
fazer. Desse modo, gritou de volta:
– Pai, eu não posso pular, eu não estou vendo nada, eu não estou vendo
você!
Enquanto isso as chamas e a fumaça iam se intensificando cada vez
mais. A situação era de grande perigo. Finalmente, o pai gritou para o
menino:
– Filho, pode pular! Não tenha medo! Vai dar tudo certo! Você pode não
estar me vendo, mas eu estou vendo você!
O menino pulou, e o pai o salvou.
É assim que acontece conosco. Não pulamos para os braços de Deus
porque o estejamos vendo, e sim porque sabemos que ele nos vê. O nome
disso é fé. Talvez você não esteja enxergando nada, e se pergunte: “Como
Deus vai resolver esse problema? Onde isso tudo vai parar? Eu não vejo saída
alguma!” Mas a verdade é que você não precisa ver, você precisa crer. Deus
prometeu que lhe estenderia os seus braços. Ele falou que salvaria você e que
iria ficar tudo bem. E você pode acreditar naquilo que o Senhor diz e atirar-se
em direção a ele.
Peça ao Pai celestial o mesmo que os discípulos suplicaram a Jesus:
“Aumenta-nos a fé” (Lc 17.5). Em tempos de crise, insegurança e temor,
você desfrutará paz e manterá viva a esperança. Suas escolhas honrarão o
nome do Senhor. E as maravilhosas promessas das Escrituras se tornarão
realidade em sua vida.
3
A grande promessa da salvação
E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna (1 Jo 2.25).
A vida eterna é uma promessa tão maravilhosa que o apóstolo João se
refere a ela, em sua primeira carta, como a promessa. A promessa da salvação
é a promessa das promessas, é a rainha das promessas, é a grande promessa
de Deus. Há um fio dourado percorrendo toda a Bíblia Sagrada, de Gênesis a
Apocalipse. Esse fio luminoso é o plano da salvação. O Senhor idealizou e
colocou em prática um projeto de resgate, a fim de redimir a humanidade
decaída. Esse projeto nos é apresentado nas Escrituras. A grande promessa
que Deus nos fez é a vida eterna.
Muitas pessoas se preocupam apenas com o aqui e agora, e não se
lembram de que existe uma eternidade à sua frente. Essa não é uma atitude
sábia. O ser humano perdido pode até desfrutar algumas experiências
agradáveis em sua existência fugaz neste planeta. Contudo, nada disso
contará muito quando ele tiver que enfrentar o tribunal divino. De nada
adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma.
Existem apenas duas categorias de indivíduos sobre a face da terra:
aqueles que estão salvos e aqueles que precisam ser salvos. A qual desses
dois grupos você pertence? Felizmente, é possível ter salvação e certeza de
salvação. E isso graças à grande promessa de Deus.
TUDO COMEÇA NO INÍCIO...
Vamos falar sobre o começo dessa história da qual todos nós fazemos
parte. Trata-se de um começo muito especial! Mas nós o consideraremos,
mais detalhadamente, apenas no fim deste capítulo. Por enquanto, vamos nos
dirigir ao livro dos inícios – o livro de Gênesis. No capítulo 3, ele nos conta
de que maneira o pecado entrou no mundo, através da desobediência dos
nossos primeiros pais. O sofrimento e a morte passaram a fazer parte da
nossa jornada. E a humanidade tornou-se necessitada de salvação.
É então que nos deparamos com a primeira promessa registrada nas
Escrituras. Referindo-se à serpente (que havia sido usada pelo diabo para
tentar o primeiro casal), o Senhor falou: “Porei inimizade entre ti e a mulher,
e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu
lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15).
Alguns teólogos se referem a essa passagem bíblica como “o
protoevangelho”. O ser humano havia se distanciado de Deus. Tinha se
colocado debaixo de condenação. E o Criador, naquele momento tão triste, já
fazia vibrar uma nota de esperança. O Senhor fez uma promessa. Ele afirmou
que alguém seria enviado para ferir a cabeça da serpente, a cabeça de
Satanás. Um descendente da mulher viria ao mundo para resgatar a
humanidade caída e frustrar os intentos do Maligno.
Dessa maneira, nos é feita nesse versículo uma revelação muito
importante: a promessa da salvação é, na verdade, a promessa de um
Salvador! Ninguém chegará ao céu por si mesmo. Pessoa alguma jamais se
salvará por seus esforços, obras ou rituais. Se eu adentrar as moradas
celestiais, será porque alguém me levou para lá. Será porque alguém veio ao
mundo e esmagou a cabeça da serpente. A promessa da salvação é a
promessa de um Salvador. Esse fato fica em evidência na primeira promessa
feita por Deus, e é confirmado em todas as demais.
A minha salvação está nas mãos de Deus, não nas minhas. Ele será fiel à
sua promessa de salvar-me, não com base no que eu faço, mas em
conformidade com a sua grande misericórdia (Martinho Lutero).
A PROMESSA ATRAVESSA O ANTIGO
TESTAMENTO
A primeira vez que o Senhor lançou luzes sobre a questão da redenção
da humanidade foi no próprio dia em que Adão e Eva pecaram. Contudo,
certamente, aquela não foi a última ocasião. À profecia inicial se seguiram
muitas outras. Na medida em que os séculos passavam, Deus ia oferecendo
novas informações sobre aquele que viria para ser o Redentor da
humanidade.
Em Gênesis 12.3, nos deparamos com a seguinte promessa feita a
Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”. O Senhor chamou
Abraão não apenas para abençoá-lo. Através dele seriam abençoadas todas as
nações. Da descendência daquele patriarca viria o Messias, o Salvador do
mundo. Recebemos, dessa maneira, um novo dado: aquele que viria para
esmagar a cabeça de Satanás seria um descendente de Abraão.
Logo depois, o Senhor se mostra ainda mais específico. Pelos lábios de
Jacó, neto de Abraão, ele declara: “O cetro não se arredará de Judá, nem o
bastão de autoridade dentre seus pés, até que venha aquele a quem pertence; a
ele obedecerão os povos” (Gn 49.10). Ficamos sabendo, então, que o Messias
não só seria um descendente de Abraão. De maneira mais detalhada, é
revelado que ele pertenceria à tribo de Judá.
E a grande promessa da salvação continua atravessando, como um fio
luminoso, o Antigo Testamento. Em Números 24.17, lemos: “De Jacó
procederá uma estrela, de Israel se levantará um cetro”. Temos assim mais
uma referência ao Salvador – aquele que, na linguagem do livro do
Apocalipse, seria conhecido como a brilhante estrela da manhã, e regeria as
nações com um cetro de ferro.
Mais alguns séculos se passam, e, por meio do profeta Isaías, o Senhor
declara: “Então, brotará um rebento do toco de Jessé, e das suas raízes um
renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de
sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito
de conhecimento e de temor do SENHOR” (Is 11.1,2). E é assim que ficamos
sabendo que o Salvador seria um descendente de Jessé. O Leão de Judá seria,
também, a Raiz de Davi.
“Porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro”, acrescenta a
Escritura mais adiante; “ele abrirá, e ninguém fechará; fechará, e ninguém
abrirá” (Is 22.22). O Senhor anuncia, dessa forma, que o acesso às mansões
eternas estará nas mãos do Salvador.
Ainda no livro de Isaías, lemos: “Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Eis
que ponho em Sião como alicerce uma pedra, uma pedra provada, pedra
preciosa de esquina, de firme fundamento” (Is 28.16). Desse modo, podemos
ver como as profecias vão se multiplicando e complementando, apontando
sempre na mesma direção.
E muitas outras são as passagens do Antigo Testamento confirmando a
promessa da vinda do Salvador. No livro de Jeremias, por exemplo, lemos:
“Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo;
e, sendo rei, reinará e procederá sabiamente, executando o juízo e a justiça na
terra” (Jr 23.5).
Tais promessas de Deus serviam para apontar o caminho certo, para
manter acesa a chama da fé, e para confirmar a esperança dos homens. Elas
acenavam em direção à plenitude dos tempos, quando o Redentor, por fim,
viria.
E então...
A PROMESSA CONTINUA NO NOVO
TESTAMENTO
“Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de
mulher, nascido debaixo da lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei, a
fim de recebermos a adoção de filhos.” (Gl 4.4,5.) O tempo determinado para
o cumprimento da promessa chegou! Na hora exata, o Salvador desceu ao
mundo. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. O Filho de Deus se fez
homem e veio resgatar a humanidade.
Jesus nasceu, e nele se cumpriram todas as profecias do Antigo
Testamento. Ele “veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas a
todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de
se tornaram filhos de Deus” (Jo 1.11,12). Que declaração extraordinária!
Todos aqueles que recebem Cristo como seu Salvador e Senhor são feitos
filhos e filhas de Deus! Nele temos a redenção!
O próprio Jesus afirmou: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira
que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça,
mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Essa é uma grandiosa promessa. Muitos
se referem a esse versículo como “o texto áureo da Bíblia”, ou como “a
Bíblia em miniatura”. Nele é exposto tudo o que precisamos saber para
sermos salvos. Nele é resumido todo o plano da salvação.
“E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim”, acrescentou
o Mestre (Jo 12.32). Ele estava se referindo à sua crucificação. Para nos
resgatar, o Filho de Deus morreu em nosso lugar. Só assim, com as nossas
culpas expiadas, poderíamos nos reaproximar de Deus.
Os demais livros do Novo Testamento seguem no mesmo tom,
confirmando que na pessoa e obra de Jesus Cristo se cumpriram as profecias.
“E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”,
lemos em Atos dos Apóstolos (2.21). “Em nenhum outro há salvação; porque
debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que
devamos ser salvos” (At 4.12); “A ele todos os profetas dão testemunho de
que todo o que nele crê receberá a remissão dos pecados pelo seu nome” (At
10.43).
Jesus Cristo pagou, com o seu sacrifício, o preço do nosso resgate.
“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida
eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6.23.) Quando recebemos Jesus
como nosso único e suficiente Salvador, nossa dívida é riscada. Nossos
pecados são lavados. Nossa alma é salva. Nosso nome é escrito no livro da
vida. “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo
Jesus.” (Rm 8.1.)
Dessa maneira, o Todo-Poderoso cumpriu a grande promessa da
salvação, feita no jardim do Éden. Deus Filho veio ao mundo, esmagou a
cabeça da serpente e efetuou a nossa redenção. “Pois como em Adão todos
morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados.” (1 Co 15.22.)
Essa é a garantia que temos da parte do Senhor.
A obra de Jesus foi eficaz. “Porque pela graça sois salvos, por meio da
fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que
ninguém se glorie.” (Ef 2.8,9.) Somos salvos pela graça divina, e não pelos
nossos méritos. A promessa da salvação é a promessa de um Salvador. A
glória pertence somente a Deus.
A obra de Jesus foi definitiva. “Portanto, pode também salvar
perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive sempre para
interceder por eles.” (Hb 7.25.) Cristo morreu por nós. Ele intercede em
nosso favor. Não há mais nada que precisemos fazer. Não há nada que
devamos acrescentar. Jesus salva perfeitamente.
Aleluia! Louvado seja o Senhor por uma tão grandiosa salvação! Nada
se compara ao amor de Deus e à obra realizada por Cristo!
Embora minhas memórias desvaneçam, lembro-me de duas coisas muito
claramente: eu sou um grande pecador, e Cristo é um grande Salvador (John
Newton)
ESTA É A GRANDE PROMESSA DA
ETERNIDADE!
Lembra-se de que eu falei que consideraríamos o começo de tudo no
final deste capítulo? Bem, chegou o momento de fazermos isso. E a razão é a
seguinte: na verdade, a promessa da salvação é anterior à própria existência
do universo. A história do amor de Deus por nós não começou no jardim do
Éden. Pelo contrário: ela teve início muito antes disso.
Em Tito 1.2, a Bíblia diz que a vida cristã se firma “na esperança da vida
eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos
eternos”. Deus, que é onisciente – que anuncia o fim desde o princípio –,
sabia o que iria acontecer se criasse o ser humano concedendo-lhe o livre-
arbítrio. Ele sabia que o homem faria um mau uso dessa liberdade, e que,
para resgatá-lo, um sacrifício teria que ser realizado. Mesmo sabendo disso, o
Senhor nos amou, e seguiu em frente com o seu propósito. E foi assim que o
Criador, que não pode mentir, prometeu a vida eterna aos crentes em Cristo.
Ele fez isso antes dos tempos eternos.
Tão grande amor e soberania nos deixam, simplesmente, extasiados!
Eles nos levam a exaltar o “Cordeiro que foi morto desde a fundação do
mundo” (Ap 13.8)! Antes mesmo de os nossos primeiros pais terem pisado na
terra, Jesus já havia se disposto a vir ao mundo e morrer em favor dos
pecadores. O Pai, o Filho e o Espírito Santo acordaram isso na eternidade. A
maior de todas as promessas é, também, a mais antiga delas. É a prova
inequívoca do amor que Deus tem por nós.
Isso me faz lembrar de uma história que escutei há muito tempo. Ela
dizia que, no interior da África, havia um hospital dirigido por missionários.
Um dia, foi levada até aquele hospital de selva uma menina em estado grave.
Ela havia perdido bastante sangue, e, para sobreviver, iria precisar de uma
transfusão. Os missionários sabiam que o tipo sanguíneo de seu irmão menor
era compatível com o da garota, e perguntaram ao menino se ele aceitaria
fazer a doação. Assustado, o garoto respondeu que sim.
Os irmãos foram deitados em macas colocadas uma ao lado da outra, e o
procedimento teve início. Passado algum tempo, o estado da menina
começou a melhorar. Satisfeito, o médico se voltou para o pequenino e disse:
– Veja, a sua irmã já está fora de perigo!
O garoto deixou escorrer uma lágrima pela face, e perguntou:
– E é agora que eu vou morrer, doutor?
Na sua inocência, ele havia entendido que todo o seu sangue seria
transferido para a irmã! E, de um modo corajoso, havia concordado em se
submeter ao procedimento. Tinha se disposto a morrer a fim de salvá-la.
Aquilo que o menino da história não precisou fazer, Jesus Cristo fez por
cada um de nós. O Salvador derramou até a sua última gota de sangue para
nos redimir. Ele morreu em uma cruz a fim de nos salvar. Ele entregou a sua
vida em nosso favor. Ele se sacrificou por mim e por você. O fio dourado que
percorre as Escrituras é também um fio carmesim, um fio tinto de sangue.
“Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que
nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Co 5.21.)
Aleluia! Que maravilhosa salvação! Que bendito Salvador!
Jesus entregou sua vida para nos resgatar da condenação eterna. Ele
cumpriu as promessas. Ele realizou as profecias. Ele pagou o preço da nossa
redenção. “E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a
morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto,
os chamados recebam a promessa da herança eterna.” (Hb 9.15.) A promessa
da herança eterna nos é oferecida por meio do sacrifício realizado no
Calvário. O Salvador nos chama. Atenderemos ao seu chamado?
Você precisa saber que existem dois grupos de indivíduos sobre a face
do planeta. Há aqueles que podem dizer: “Estou salvo”. E há aqueles que
devem dizer: “Preciso ser salvo”. Em qual desses grupos você se encontra? Já
rendeu a sua vida a Cristo? Gostaria de fazê-lo neste momento?
Jesus Cristo salva aqueles que, com fé, se entregam a ele. Essa é a
promessa da vida eterna, a grande promessa de Deus. Se você ainda não
recebeu a Cristo, precisa fazê-lo. E se você já fez isso, terá toda a eternidade
para agradecer a Deus por uma tão grande salvação, e por um tão admirável
Salvador.
4
A promessa do livramento
Quanto a Deus, o seu caminho é perfeito; a promessa do
SENHOR é provada; ele é um escudo para todos os que nele
confiam (Sl 18.30).
A garantia de que Deus é um escudo a nos proteger é uma promessa
provada, certa, afiançada, firme. É uma promessa oportuna e necessária. Às
vezes, olhamos para o mundo à nossa volta e chegamos à conclusão de que os
dias em que vivemos são muito difíceis. Afinal, convivemos com tantos
riscos à nossa segurança e à nossa felicidade! Contudo, se pararmos para
refletir, chegaremos à conclusão de que os dias nunca foram fáceis. Desde
que o pecado entrou no mundo, os perigos acompanham a humanidade.
Nos tempos bíblicos, não era diferente. Já naquela época as pessoas
conviviam com muitas incertezas. Vez por outra, elas se deparavam com
guerras, epidemias, fomes, traições, assaltos, cercos, perseguições, saques,
agressões e ataques. É por essa razão que muitas promessas da Bíblia são
promessas de livramento. O grupo de versículos nos quais o Senhor oferece
garantias de proteção aos que confiam nele é um dos mais numerosos da
Escritura. Esses versos formam um conjunto precioso e abençoador para as
nossas vidas, especialmente nos instantes em que nos sentimos receosos.
Veja, abaixo, que maravilhosa é essa relação de promessas de
livramento:
“Perante o Senhor, vosso Deus, sereis tidos em memória, e sereis salvos
dos vossos inimigos.” (Nm 10.9.)
“O Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo, não te
deixará, nem te desamparará. Não temas, nem te espantes.” (Dt 31.8.)
“O Senhor é também um alto refúgio para o oprimido, um alto refúgio
em tempos de angústia.” (Sl 9.9.)
“O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra.
Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se
refugia.” (Sl 34.7,8.)
“Pois o Senhor ama a justiça, e não desampara os seus santos. Eles
serão preservados para sempre.” (Sl 37.28.)
“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.”
(Sl 46.1.)
“Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.” (Sl
50.15.)
“Deus é para nós um Deus de libertação; a Jeová, o Senhor, pertence o
livramento da morte.” (Sl 68.20.)
“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo-
Poderoso descansará.” (Sl 91.1.)
“O Senhor ama os que odeiam o mal; ele preserva a alma dos seus
santos, ele os livra das mãos dos ímpios.” (Sl 97.10.)
“O Senhor te guardará de todo mal; ele guardará a tua vida.” (Sl
121.7.)
“Torre forte é o nome do Senhor; para ela corre o justo, e está seguro.”
(Pv 18.10.)
“O receio do homem lhe arma laços, mas o que confia no Senhor está
seguro” (Pv 29.25).
“Toda palavra de Deus é pura; ele é um escudo para os que nele
confiam.” (Pv 30.5.)
“Não prosperará nenhuma arma forjada contra ti; e toda língua que se
levantar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do
Senhor e a sua justificação que de mim procede, diz o Senhor.” (Is 54.17.)
“Arrebatar-te-ei da mão dos iníquos e livrar-te-ei da mão dos cruéis.”
(Jr 15.21.)
“O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia; e conhece os que
nele confiam.” (Na 1.7.)
“O Senhor afastou os juízos que havia contra ti, lançou fora o teu
inimigo; o Rei de Israel, o Senhor, está no meio de ti; não temerás daqui em
diante mal algum.” (Sf 3.15.)
“O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para te salvar; ele se
deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti
com júbilo.” (Sf 3.17.)
“Pois eu, diz o Senhor, lhe serei um muro de fogo em redor.” (Zc 2.5.)
“Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que
nos amou.” (Rm 8.37.)
“Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo.”
(2 Co 2.14.)
“Vencerão também os que estão com ele, os chamados, e eleitos, e
fiéis.” (Ap 17.14.)
Essa é uma lista formidável! E, ainda assim, ela não está completa. A
relação de versículos apresentada acima é longa, mas não é exaustiva. Ainda
há muitas outras promessas de livramento registradas na Palavra de Deus.
Elas constituem um tesouro maravilhoso, do qual podemos lançar mão em
todas as horas, e, especialmente, nos instantes de aflição. São munição para
enfrentarmos os ataques do Inimigo, tônico para renovarmos as forças da
nossa alma, lâmpada para nos orientarmos em momentos sombrios.
Há quatro verdades que devemos enfatizar a respeito dos livramentos
prometidos pelo Senhor:
DEUS NOS DÁ LIVRAMENTO LUTANDO POR
NÓS
“Pois o SENHOR, vosso Deus, é o que vai convosco, a pelejar por vós
contra os vossos inimigos, para vos salvar”, diz a Bíblia (Dt 20.4). Que
promessa incomparável! Fazemos parte de um exército, o exército do reino
dos céus. E quando estamos no meio do combate e olhamos para o lado,
quem nós encontramos? O próprio Rei lutando em nosso favor! Que outro
soldado, nos batalhões deste mundo, tem um privilégio semelhante ao nosso?
Que guerreiros empunham as suas armas tendo ao seu lado o grande
Soberano, senão os filhos e filhas de Deus?
Todos conhecemos a história da luta travada entre Davi e Golias. E
todos sabemos que, nela, o gigante filisteu perdeu a sua vida. Por que o
combate teve tal desfecho? O grande erro de Golias foi ter acreditado que
Davi estava sozinho. O gigante chegou ao campo de batalha, aproximou-se
daquele adolescente franzino, mediu-o de cima a baixo, e pensou: “Essa vai
ser fácil, ele é muito menor do que eu”. Mas o que ele não viu foi o tamanho
do Deus que estava ao lado de Davi! Por isso, Golias foi derrotado. E por
isso, igualmente, serão vencidos aqueles que se levantam para tentar nos
fazer mal. Não estamos sozinhos. O Senhor vai conosco. Ele peleja por nós.
DEUS NOS DÁ LIVRAMENTO CERCANDO-NOS
DE ANJOS
Essa é a segunda verdade que precisamos guardar em nossos corações.
Além de nos garantir a sua companhia, o Senhor envia anjos para nos
proteger. Em Êxodo 23.20, encontramos a seguinte promessa: “Eis que eu
envio um anjo adiante de ti, para guardar-te pelo caminho e conduzir-te ao
lugar que te tenho preparado”. Louvado seja Deus por seu cuidado para
conosco! Ele faz com que sejamos acompanhados por uma escolta celestial!
No Salmo 91.11, nos é assegurado: “Porque aos seus anjos dará ordem a teu
respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos”. E ainda falando
sobre os anjos, o texto de Hebreus 1.14 diz: “Não são todos eles espíritos
ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a
salvação?”
O nosso Pai envia mensageiros celestiais para nos servir. Eles recebem
ordens divinas para nos proteger. Eu costumo dizer que os anjos estão
envolvidos no ministério do “quase”. Lembra-se daquela vez em que você
quase foi assaltado, quase sofreu um acidente, quase foi atropelado, quase
caiu em uma cilada? Lembra-se de ter percebido uma intervenção
sobrenatural naquela ocasião? Provavelmente, anjos se fizeram presentes. Na
maior parte do tempo, eles são invisíveis. No entanto, são reais e atuam em
nosso favor. Nós não oramos aos anjos, nem prestamos culto a eles, mas
cremos que o Senhor os destaca para importantes missões de livramento.
DEUS NOS DÁ LIVRAMENTO AJUDANDO-NOS
NA TENTAÇÃO
Devemos orar, a todo o momento, pedindo forças a Deus – não apenas
para sermos guardados dos perigos, mas especialmente para sermos
preservados do maior dos perigos, que é pecar contra Deus. Sabemos que a
carne é fraca, e que as tentações são fortes. Entretanto, nosso Pai celestial nos
socorre quando o mal busca nos seduzir.
“Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana”, diz a Bíblia;
“mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis
resistir; antes, com a tentação dará também o meio de saída, para que a
possais suportar” (1 Co 10.13). Não temos desculpas para pecar, porque o
Senhor sempre nos oferece auxílio nos instantes em que nossos pés vacilam.
Se perdermos batalhas para o mal não será porque Deus deixou de nos dar
força, e sim porque não levamos o combate a sério.
Nada é mais necessário do que vencer a luta contra o pecado. Conta-se
que numa fazenda viviam uma ovelhinha e sua mãe. Todos os dias, enquanto
seguiam para o pasto, passavam em frente a uma poça enlameada na qual os
porcos chafurdavam. A ovelhinha perguntou:
– Mamãe, por que não podemos fazer como os porcos e nos refrescar
um pouco?
A mãe respondeu simplesmente:
– Ovelhas não brincam na lama!
Mas a ovelhinha não se deixou convencer. E então, num dia em que a
sua mãe não estava por perto, entrou na poça e foi se espojar como os porcos.
Por algum tempo, ela achou tudo muito divertido. Contudo, na hora em que
tentou sair, percebeu que sua lã estava pesada e encharcada. Havia ficado
presa na lama! E quando já estava quase se afogando, o fazendeiro, que por
ali passava, viu o que estava acontecendo, e a salvou. Depois do susto – e de
receber um bom banho – a ovelhinha voltou para junto da sua mãe. E ela lhe
disse:
– Eu não lhe falei? Ovelhas não brincam na lama!
Aqueles que fazem parte do rebanho do bom Pastor não podem brincar
na lama! Não fomos criados para isso. Não fomos salvos para isso.
Precisamos levar uma vida santa, ou, como aquela ovelhinha, nos veremos
em dificuldades. Peçamos sempre ajuda ao Senhor para não pecar, e façamos
uso do auxílio que ele nos oferece.
DEUS NOS DÁ LIVRAMENTO AJUDANDO-NOS
NA PROVAÇÃO
Essa é a quarta e última verdade a respeito das promessas de livramento.
Cristo sabe das nossas lutas. Que maravilha! Jesus vê quando somos
provados, e nos socorre nas horas de aflição. O Senhor deu aos seus servos a
promessa de ampará-los nas adversidades, e disse: “Na qual exultais, ainda
que agora, por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados
por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o
ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e
honra na revelação de Jesus Cristo” (1 Pe 1.6,7).
Deus não apenas nos ajudará em nossos instantes de tribulações. Ele
também fará com que elas redundem em louvor, glória e honra para Jesus
Cristo. Isso é o que afirma o texto bíblico. Trata-se de algo muito profundo. É
uma coisa a respeito da qual precisamos refletir.
Costumamos associar o louvor à musica, aos cultos públicos e às
celebrações. Mas a Palavra do Senhor nos diz que quando passamos pelo
sofrimento com uma atitude de confiança estamos louvando a Deus. O
Criador é exaltado em meio às nossas aflições. É possível que as ações de
graças rendidas nas horas de dor sejam os hinos mais bonitos que o Senhor
escute. Isso traz grande consolo ao nosso coração.
Perseverança não é simplesmente a habilidade de suportar uma coisa
difícil, mas de transformá-la em glória (William Barclay).
Deus nos dá livramento lutando por nós, cercando-nos de anjos,
ajudando-nos na tentação e socorrendo-nos nas provas. Jamais nos
esqueçamos dessas quatro verdades. O Deus da Bíblia é um Deus de
promessas. Ele é, também, um Deus de livramento. Podemos confiar na sua
palavra e descansar nas declarações que ele nos faz.
Como o salmista, você e eu estamos em condições de dizer: “Elevo os
meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro? O meu socorro vem
do SENHOR, que fez os céus e a terra” (Sl 121.1,2). Esses versos fazem parte
de uma série de salmos conhecidos como “Cânticos dos Degraus”. Trata-se
de uma coleção de hinos que os antigos israelitas iam cantando enquanto
viajavam em direção a Jerusalém. Ao longo do caminho, eles tinham que
subir várias montanhas. Às vezes, atravessando gargantas apertadas, olhavam
para as escarpas ao seu redor e se davam conta de que, lá do alto, estavam
sendo espreitados por feras e salteadores. E então, naquelas ocasiões de
perigo, eles erguiam ainda mais o olhar, e lembravam que acima dos montes
estava o próprio Deus, que criara as montanhas e o universo inteiro.
À semelhança daqueles peregrinos, nós também estamos seguindo para
a Jerusalém celestial. A nossa estrada é pontilhada de riscos. Atrás de cada
moita e de cada pedra, os nossos adversários nos espreitam. Muitos são os
ataques desferidos contra a nossa alma. Contudo, avançamos
destemidamente, porque o nosso socorro vem do Senhor, que fez os céus e a
terra. Ele nos dá a sua proteção.
5
A promessa da companhia
Não to mandei eu? Esforça-te e tem bom ânimo; não te
atemorizes, nem te espantes; porque o SENHOR, teu Deus,
está contigo por onde quer que andares (Js 1.9).
Josué tinha diante de si um grande desafio. Ele precisaria atravessar o
rio Jordão e comandar os israelitas na conquista da terra prometida. À sua
espera estavam cidades muradas, exércitos treinados e gigantes terríveis. Isso
seria o bastante para deixar qualquer um apreensivo. No entanto, como se não
fosse o bastante, Josué ainda teria a tarefa de substituir Moisés como líder do
povo. Era uma enorme responsabilidade.
O que Deus fez para tranquilizar Josué e capacitá-lo para o serviço? Ele
não lhe concedeu armas, reforços ou estratégias. O Senhor, simplesmente, lhe
deu uma promessa: a promessa da sua companhia. “Eu estarei com você”,
disse ele ao seu servo. E isso foi o bastante? Certamente que sim! A presença
do Criador ao nosso lado sempre será suficiente!
Quem tem Deus junto a si tem tudo de que precisa. Por outro lado,
aquele que não desfruta a companhia do Senhor jamais terá aquilo que é
necessário. Antes mesmo de Josué, Moisés já reconhecera essa verdade. Ele
havia dito a Deus: “Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir
daqui” (Êx 33.15). A presença do Senhor em nossa vida é algo fundamental.
É o que faz toda a diferença.
Deixe-me tentar explicar isso um pouco melhor usando uma ilustração
que escutei certa vez. Imagine um garotinho que esteja sendo perseguido por
meninos da vizinhança. Os valentões estão sempre implicando com ele,
fazendo bullying e deixando-o amedrontado. Por causa disso, ele mal sai de
casa. Quando vai à rua, costuma caminhar olhando ao redor, receando que os
garotos apareçam.
Um dia, esse menino recebe uma visita. Um primo mais velho, que mora
em outra cidade, vem passar uma semana na sua casa. Acontece que esse
primo é campeão mundial de luta livre. Ele tem dois metros de altura, pesa
cento e vinte quilos, jamais perdeu um combate e é famoso no mundo todo.
Pela manhã, o lutador diz ao garoto:
“Primo, eu preciso ir à padaria. Você pode me acompanhar?”
Eu lhe pergunto: com que atitude você acha que esse menino sairá de
casa? Ele continuará andando cheio de pressa e de medo? É claro que não!
Ele vai caminhar de cabeça erguida, com toda a calma do mundo!
Provavelmente, vai até desejar ter um encontro com os seus perseguidores!
De uma hora para outra, tudo fica diferente. Qual o motivo? Ele, agora, tem
um amigo poderoso ao seu lado. Está na companhia de alguém que é capaz
de protegê-lo.
É por isso que a promessa da companhia divina é tão importante para
nós. “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a
perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?”, perguntou o
apóstolo Paulo. “Estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem anjos,
nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a
altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar
do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8.35,38,39.)
Nessa passagem bíblica, Paulo “chama para a briga” tudo aquilo que costuma
amedrontar os seres humanos. O apóstolo demonstra a mais absoluta
coragem! E a razão é clara: ele sabia que nada seria capaz de separá-lo de seu
protetor, o Senhor Jesus Cristo.
A promessa da companhia divina marcou a vida de Paulo, de Moisés e
de Josué. Ela precisa marcar a nossa vida também. Há numerosos versos
bíblicos nos quais o Pai celestial assegura sua presença ao nosso lado. Vamos
recordar alguns deles e aprender importantes verdades sobre isso.
DEUS PROMETE A SUA COMPANHIA AOS
HUMILDES
A primeira coisa que precisamos saber é que não é a qualquer pessoa
que o Senhor promete a sua companhia. Ele diz que estará ao lado de um
grupo específico de indivíduos. Um dos requisitos para fazer parte desse
grupo é a humildade. Alguns homens têm um ego tão grande que não sobra
espaço para Deus! O Criador declara, entretanto, que acompanha e abençoa
aqueles que se humilham.
No livro de Salmos, encontramos a seguinte promessa: “Perto está o
SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito”
(Sl 34.18). Deus está perto dos que têm um coração quebrantado! A mesma
promessa é reafirmada um pouco adiante: “Ainda que o SENHOR é excelso,
contudo, atenta para o humilde” (Sl 138.6).
A palavra “humildade” vem da língua grega, e significa “ficar perto do
chão” (húmus, em grego). Para os seres humanos, criaturas normalmente
orgulhosas e sedentas de reconhecimento, isso pode representar um sério
desafio. Mas trata-se de algo fundamental. “Deus resiste aos soberbos; dá,
porém, graça aos humildes.” (Tg 4.6.)
Lembre-se: se você quiser usufruir as promessas do Senhor, terá que se
quebrantar. “Porque assim diz o Alto e o Excelso, que habita na eternidade, e
cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito, e, também, com o contrito
e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes e para vivificar o
coração dos contritos.” (Is 57.15.) Aqueles que se quebrantam têm Deus ao
seu lado.
DEUS PROMETE A SUA COMPANHIA AOS QUE
O BUSCAM
A segunda coisa que devemos ter em mente é que Deus é um perfeito
cavalheiro. Ele não impõe a sua companhia a ninguém. Por isso, a presença
do Senhor é prometida apenas àqueles que o recebem. “Perto está o SENHOR
de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade”, diz a
Escritura (Sl 145.18). O Senhor está à distância de uma simples oração! Ele
garante: “Eu amo aos que me amam, e os que diligentemente me buscam me
acharão” (Pv 8.17).
Que boa notícia: Deus não brinca de esconde-esconde com as pessoas!
“Chegai-vos para Deus, e ele se chegará para vós”, nos garante a sua Palavra
(Tg 4.8). Portanto, abra a porta do seu coração! Busque, clame, invoque ao
Senhor! O que ele fala, ele faz! O que ele promete, ele cumpre! “Eis que
estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em
sua casa e com ele cearei, e ele comigo”, disse o Salvador (Ap 3.20).
DEUS PROMETE A SUA COMPANHIA ATRAVÉS
DE JESUS CRISTO
Um terceiro ensino bíblico a respeito da companhia de Deus é que ela
está relacionada à presença de Jesus Cristo. Jesus é o Emanuel, o “Deus
Conosco”. Isso significa que a presença divina se efetua na nossa vida por
meio de Cristo, o qual é o único mediador entre Deus e os homens.
Quem tem Jesus, tem a companhia de Deus Filho. “Pois onde se acham
dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”, prometeu o
Redentor (Mt 18.20).
Quem tem Jesus, tem a companhia de Deus Pai. Cristo afirmou: “Se
alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a
ele, e faremos nele morada” (Jo 14.23).
Quem tem Jesus, tem a companhia de Deus Espírito Santo. O Mestre
falou aos seus discípulos: “Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai
enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de
tudo quanto eu vos tenho mandado” (Jo 14.26).
Você já se perguntou de que modo evangelistas como Mateus e João
conseguiram lembrar tão detalhadamente as falas do Salvador que
registraram em seus livros? Isso foi obra do Espírito Santo! E o Espírito nos é
enviado pelo Pai, em nome do Filho. Temos comunhão com a Trindade
porque Jesus veio ao mundo a fim de nos redimir. “Deus estava em Cristo
reconciliando consigo o mundo.” (2 Co 5.19.)
Que efeitos tem, em nossa existência, a bendita companhia de Deus?
A COMPANHIA DE DEUS NOS ABENÇOA
Uma clara consequência da presença do Senhor em nossa vida é esta:
somos abençoados. Existe gente que, quando está ao nosso lado, não soma:
subtrai. Deus, porém, não é assim! Ele acrescenta, enriquece, favorece,
multiplica! Muitas são as bênçãos que o Senhor nos traz quando se aproxima
de nós. Ele prometeu: “Em todo lugar em que eu fizer recordar o meu nome,
virei a ti e te abençoarei” (Êx 20.24).
Quando nos entregamos a Cristo e passamos a andar na companhia de
Deus, tudo fica diferente. Como somos agraciados! Foi por isso que o
apóstolo Paulo registrou a seguinte expressão de gratidão: “Bendito seja o
Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as
bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo” (Ef 1.3). Amém! Andar
com Deus é ser grandemente abençoado.
A COMPANHIA DE DEUS NOS CONFORTA
A certeza da presença do Criador ao nosso lado também acalenta a nossa
alma. Em momentos de dúvida e de perigo, o servo de Deus se sente seguro.
Ele sabe que não está sozinho. Ele comprova que o Senhor o sustenta. Ele
recorda que recebeu do Todo-Poderoso a seguinte garantia: “Eu mesmo irei
contigo e eu te darei descanso” (Êx 33.14). Que promessa maravilhosa!
Há algum tempo, um grupo de cientistas realizou uma série de
experimentos. Eles queriam saber se os nossos temores eram inatos ou
aprendidos. Depois de várias experiências, chegaram à conclusão de que o
único medo que já nasce com os seres humanos é o medo da solidão. O
receio de ficar só parece assombrar a humanidade desde o berço até ao
túmulo. Nós, todavia, não temos por que padecer desse mal. Desfrutamos a
segurança que é encontrada em promessas como a registrada em Jeremias
30.11: “Porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te salvar”. Isso traz grande
paz aos nossos corações.
A COMPANHIA DE DEUS NOS ENCORAJA
Amparados pela presença do Senhor ao nosso lado, podemos nos encher
de ousadia, intrepidez e determinação. Sabemos que Deus está conosco; logo,
temos condições de encarar os desafios com altivez. Foi isso o que levou
Davi a exclamar: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não
temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me
consolam” (Sl 23.4).
Davi fez, também, a seguinte afirmação: “No dia em que eu te invocar
retrocederão os meus inimigos; isto eu sei, que Deus está comigo” (Sl 56.9).
Gosto muito da última frase desse verso. Realmente, há muitas coisas das
quais não sabemos. Mas existe algo de que temos certeza: Deus está conosco!
O que mais precisamos saber? Que outra garantia é necessária? Podemos
descansar a nossa alma e nos revestir de coragem porque o Senhor está
conosco.
A COMPANHIA DE DEUS NOS BASTA
Incomodado por um grave problema que chamou de “espinho na carne”,
Paulo orou ao Senhor. Por três vezes, o missionário clamou aos céus, pedindo
que aquilo que o perturbava fosse removido. Mas a resposta que recebeu foi:
“A minha graça te basta” (2 Co 12.9). Isso demonstra a importância da
presença de Deus na nossa vida. Charis, a palavra grega traduzida para o
português como “graça”, quer dizer “favor imerecido”. Ela designa a
disposição amorosa do Senhor para conosco. Significa Deus mesmo dando-se
a nós e ficando ao nosso lado, de maneira bondosa e compassiva.
A paráfrase intitulada A Bíblia Viva parece ter captado bem esse ponto.
Ela traduziu a frase “a minha graça te basta” com as seguintes palavras: “Eu
estou com você; isso é tudo que você precisa”. Então, o que Jesus estava
dizendo a Paulo é que estaria sempre ao seu lado, concedendo-lhe o seu
imerecido favor. É assim que ficamos sabendo que a companhia do Senhor,
além de nos trazer bênçãos, conforto e encorajamento, mostra-se suficiente
para sustentar-nos em todas as circunstâncias. A graça do Senhor nos basta:
que magnífica promessa! Jesus está conosco! Menos do que isso não resolve,
e mais do que isso não é preciso.
A música Razão da Minha Fé, gravada pelo Grupo Hagios, diz em sua
letra: “Me falte água ou alimento, ou suprimento para o amanhã que vem. Se
nos meus olhos me faltar toda a luz, só não me falte a presença de Jesus. Sua
presença é a razão da minha fé, sua presença me conduz onde estiver”. A
presença de Cristo foi o bastante para Paulo. Ela será, também, suficiente
para nós. Tomemos posse dessa verdade.
A promessa da presença do Senhor é uma base concreta sobre a qual
podemos edificar a nossa vida. É uma garantia solene à qual podemos nos
agarrar nos dias de adversidade. O Deus Todo-Poderoso, que criou o
universo, está perto de nós. Sendo assim, retenhamos firme a nossa
esperança. O Senhor falou: “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb
13.5). E ele sempre cumpre o que nos diz.
De fato, as últimas palavras pronunciadas pelo Salvador antes de
retornar aos céus visaram assegurar-nos de sua companhia. “Eis que estou
convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”, disse Jesus (Mt
28.20).
Essa promessa desempenhou um papel muito importante na jornada de
um missionário chamado David Livingstone. Nascido na Escócia, esse
médico dedicou sua vida à evangelização do continente africano. Por causa
do seu trabalho, foi reconhecido como um dos maiores exploradores de todos
os tempos. E se tornou o primeiro indivíduo a receber o título de “Benfeitor
da Humanidade”.
Apesar da fé e bravura que marcaram sua vida, houve um momento em
que Livingstone pensou em desistir de tudo. Isso aconteceu quando, certa
noite, sua barraca foi cercada em plena selva por um grupo de nativos hostis.
Ele podia ouvir o som dos tambores e dos gritos de guerra à sua volta. E seus
guias o aconselharam a fugir antes que o sol raiasse para não ser assassinado.
Naquela noite angustiante de 14 de janeiro de 1856, Livingstone
escreveu em seu diário:
“Senti muita perturbação de espírito, ao saber da possibilidade de ter
todos os meus planos para o bem dessa grande região desfeitos pelos
selvagens amanhã. Porém, li que Jesus disse: ‘Eis que estou convosco todos
os dias, até a consumação dos séculos’. Essa é a palavra de um Cavalheiro da
mais estrita e sagrada honra. E, assim, está o assunto encerrado. Eu não me
retirarei furtivamente esta noite, como planejava fazer. Deveria, um homem
como eu, fugir?”
O missionário abandonou os planos de fuga e decidiu permanecer onde
estava. Na manhã seguinte, sua vida foi poupada de uma forma milagrosa.
Com determinação renovada, ele prosseguiu em sua obra. O Senhor honrou a
fé do seu servo. E ele viajou pelas florestas da África ainda por muitos anos,
tratando os doentes, combatendo a escravidão e anunciando a Palavra de
Deus.
O texto de Mateus 28.20 (“a palavra de um Cavalheiro da mais estrita e
sagrada honra”, como disse David Livingstone) passou a acompanhar o
explorador pelo resto de seus dias. Por que não atribuirmos a essa passagem a
mesma importância? Jesus Cristo é um Homem de palavra. E, sendo assim,
não há o que temer. A promessa da companhia do Senhor nos abençoará se
acreditarmos nela e nos comportamos de acordo com a sua verdade. Ela nos
sustentará e fortalecerá.
6
A promessa da cura
Eu sou o SENHOR, que te sara (Êx 15.26).
Tempos atrás, vivia numa fazenda um menino chamado Dwight. Certo
dia, ele cortou a perna em uma lata enferrujada, e o ferimento infeccionou.
Enquanto estava de cama no seu quarto, com muita febre e dor, ele ouviu o
médico dizer aos seus pais:
“Sinto muito, mas a situação é grave, e teremos que amputar a perna do
garoto.”
O pequeno Dwight tinha muita fé em Deus, e orou para que aquilo não
acontecesse. Seus pais, que também eram cristãos, fizeram o mesmo. E a
igreja à qual a família pertencia se mobilizou em intercessão. Todos se
uniram orando e pedindo ao Senhor que a perna do menino fosse poupada.
Deus ouviu aquelas preces. Contrariando as expectativas da medicina, o
ferimento de Dwight cicatrizou completamente. Logo ele estava novamente
correndo pelos campos, nadando nos rios e fazendo tudo aquilo de que tanto
gostava.
Com uma saúde perfeita, Dwight cresceu e entrou para o exército. Ali,
ele seguiu uma carreira notável, chegando a se tornar general. Nesse posto,
veio a comandar as tropas aliadas na libertação da Europa das forças nazistas
durante a Segunda Guerra Mundial. E, logo depois, foi eleito o trigésimo
quarto presidente dos Estados Unidos.
A história de Dwight Eisenhower se soma à de muitas outras pessoas
que experimentaram a cura de uma enfermidade em resposta à sua fé e às
orações da igreja. O Senhor prometeu que isso aconteceria. Em Êxodo 15.26,
ele se apresentou como Jeová-Rafá – “o SENHOR que Cura” – e afirmou: “Eu
sou o SENHOR, que te sara”. As páginas da Bíblia e dos compêndios de
História estão repletas de casos de homens e mulheres que foram curados por
Deus. E talvez você, que lê este livro, também já tenha vivido essa abençoada
experiência.
A questão da cura divina parece ser um assunto tão importante quanto
controverso. Afinal, sempre que uma enfermidade atravessa o nosso caminho
ou atinge alguém a quem amamos, costumamos perguntar a nós mesmos:
“Deus pode curar? Deus tem que curar?” A resposta à primeira pergunta é um
inequívoco sim, porque todas as coisas são possíveis para Deus. A segunda
questão, todavia, parece ser mais complexa. Ela costuma dividir as opiniões
dos cristãos.
Vamos ver o que a Palavra do Senhor tem a dizer sobre esse tema tão
relevante.
O QUE SABEMOS SOBRE A DOENÇA?
As pessoas não adoecem sempre da mesma forma ou pelo mesmo
motivo. As enfermidades podem ter diferentes causas. Saber disso nos ajuda
a entender por que, às vezes, algumas pessoas são curadas rapidamente,
enquanto outras enfrentam anos de tratamento. A Bíblia nos apresenta seis
verdades com relação às origens das doenças:
1. Pessoas adoecem por causa da queda da humanidade. Enfermidades
não constavam do plano original de Deus. Juntamente com a morte, elas
entraram no mundo através do pecado de Adão e Eva. Com a expulsão de
nossos primeiros pais do paraíso, a enfermidade passou a fazer parte da
experiência humana (Rm 5.12).
2. Pessoas adoecem por causa da fragilidade humana. Fomos criados
do pó da terra, estamos contaminados pelo pecado e habitamos um mundo
cheio de micróbios. Isso nos torna criaturas frágeis e suscetíveis a uma série
de enfermidades. Pessoas adoecem, sejam elas boas ou más, justas ou ímpias,
crentes ou incrédulas (Sl 103.14).
3. Pessoas adoecem por causa dos seus hábitos. Várias doenças da
modernidade são o resultado de comermos o que não devemos, de nos
submetermos ao estresse, de levarmos uma vida sedentária e de nos
expormos a substâncias tóxicas. Infelizmente, alguns servos de Deus não
cuidam da sua saúde como deveriam. Várias passagens da Bíblia falam da
importância dos bons hábitos para uma vida saudável (Is 55.2).
4. Pessoas adoecem por causa dos seus pecados. Depois de curar um
paralítico junto ao tanque de Betesda, Jesus lhe disse que não pecasse mais,
para que não lhe acontecesse algo pior (Jo 5.14). É claro que nem toda
enfermidade é consequência de pecados pessoais. Mas algumas pessoas
adoecem por estar em rebeldia contra Deus.
5. Pessoas adoecem por causa da perseguição do diabo. Dentro de
limites estabelecidos pelo Senhor, alguns males podem ser causados por
Satanás. Ele cobriu Jó de úlceras e fez com que uma mulher andasse
encurvada por dezoito anos. A Bíblia diz que Jesus andou fazendo o bem e
curando todos os oprimidos do diabo (At 10.38).
6. Pessoas adoecem por causa da vontade de Deus. Pode parecer
estranho dizer isso, mas às vezes o Senhor permite doenças com uma
finalidade terapêutica. As moléstias podem ter os seus propósitos, levando
uma pessoa à conversão, à reconciliação, ao livramento ou ao
aprofundamento de sua fé. Uma doença pode concorrer para o benefício do
homem e para a glória de Deus (Is 38.17).
É por causa de tudo isso – de todas essas diferentes origens dos males
físicos – que encontramos dois grupos de indivíduos distintos nas Escrituras:
o dos enfermos que foram sarados e o daqueles que não foram.
A BÍBLIA CONTA A HISTÓRIA DE MUITAS
CURAS
Ao folhearmos as páginas do Antigo Testamento, nos deparamos com
numerosos casos de curas operadas por Deus. Lembramo-nos de Rebeca, que
não podia ter filhos e deu à luz gêmeos após a oração de Isaque em seu favor.
Também nos recordamos do filho da viúva que foi ressuscitado pelo profeta
Elias. O rei Nabucodonosor foi curado de uma doença mental, e o general
Naamã ficou livre da lepra. E o rei Ezequias ganhou mais quinze anos de vida
depois de clamar ao Senhor.
Quando lemos o Novo Testamento, a situação se repete. O ministério de
Jesus foi marcado pela cura de muitos enfermos. Entre eles podemos citar a
filha de Jairo, a mulher que tinha um fluxo de sangue, o paralítico que foi
descido pelo telhado e o cego Bartimeu. Depois que Cristo voltou aos céus,
outros milagres foram operados pelos apóstolos em seu nome. Eneias, Dorcas
e Êutico foram alguns dos que tiveram suas vidas preservadas pela graça do
Senhor.
A BÍBLIA CONTA A HISTÓRIA DE PESSOAS
QUE NÃO FORAM CURADAS
Assim como relata muitos episódios de cura, a Escritura também registra
casos de pessoas que não foram saradas. Davi intercedeu pelo filho que teve
com Bate-Seba, mas, mesmo assim, o bebê faleceu. O filho de Jeroboão
também morreu, e Deus disse que tomaria o menino para si porque havia
encontrado coisas boas nele. O profeta Eliseu veio, igualmente, a falecer por
causa de uma enfermidade. Trófimo e Timóteo, companheiros de Paulo nas
viagens missionárias, não foram curados de suas doenças. E é possível que o
próprio apóstolo dos gentios (no caso de ter sido esse o seu “espinho na
carne”) tenha convivido com algum tipo de enfermidade.
Diante desses fatos bíblicos, a que conclusão chegamos?
A conclusão é a seguinte: ao longo de nossas vidas, o Senhor nos curará
muitas e muitas vezes. Ele ouvirá nossas orações e fará milagres,
manifestando seu poder e restituindo-nos a saúde. Entretanto, haverá
situações nas quais, em sua soberania, ele decidirá não fazer isso. E, a menos
que Jesus volte antes, a nossa missão aqui na terra um dia estará concluída.
Nosso corpo, então, chegará ao seu limite, nosso coração parará de bater, e
nós partiremos para a eternidade.
É por essa razão que as promessas de cura encontradas na Bíblia podem
ser divididas em dois grupos. Existem versículos nos quais Deus assegura a
cura das moléstias. E há versos nos quais o Senhor garante o amparo nas
doenças. Tanto uma coisa quanto outra são manifestações do amor de Deus.
E é preciso que tenhamos fé em ambas as situações.
DEUS TEM PROMETIDO A CURA DAS
ENFERMIDADES
Veja que lindas promessas Deus nos faz em sua Palavra:
“É ele quem perdoa todas as tuas iniquidades, quem sara todas as tuas
enfermidades.” (Sl 103.3.)
“Enviou a sua palavra, e os sarou, e os livrou da destruição.” (Sl
107.20.)
“Sara os quebrantados de coração e cura-lhes as feridas.” (Sl 147.3.)
“Cura-me, ó Senhor, e serei curado; salva-me, e serei salvo; pois tu és
o meu louvor.” (Jr 17.14.)
“Pois te restaurarei a saúde e te sararei as feridas, diz o Senhor.” (Jr
30.17.)
“Eis que lhe trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei
abundância de paz e de segurança.” (Jr 33.6.)
“Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça,
trazendo curas nas suas asas.” (Ml 4.2.)
“Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas
doenças.” (Mt 8.17.)
“Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem
sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará
o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão
perdoados. Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros e orai uns
pelos outros, para serdes curados.” (Tg 5.14-16.)
“Pelas suas feridas fostes sarados.” (1 Pe 2.24.)
Creia nessas promessas! Agarre-se a elas! Confie no poder de Deus! Ore
ao Senhor pela cura das suas enfermidades, e peça a outros que intercedam
por você. Junte-se ao povo de Deus com ousadia, e levante um clamor em
favor daqueles que estão doentes. Mantenha uma expectativa elevada.
Acredite sempre no milagre, por mais séria que seja a situação. O Senhor não
é o Deus do difícil: ele é o Deus do impossível!
Crer é fundamental. Perderíamos a bênção da cura simplesmente por não
termos fé? Ah! Que isso não aconteça! Confiemos sempre no amor de Deus.
E oremos, com fervor e perseverança, pela completa restauração.
DEUS TEM PROMETIDO AMPARO NAS
ENFERMIDADES
Sabemos que Deus é Todo-Poderoso, e, também, que ele é amor.
Cremos que ele deseja o bem dos seus servos, e que atende às orações feitas
em nome de Jesus. Todavia, acreditamos igualmente que os planos divinos
podem ser diferentes dos nossos. Com humildade, reconhecemos tanto a
força quanto a sabedoria de Deus.
Mesmo nos casos em que as pessoas não são curadas, o Senhor faz belas
promessas. Deus assegura que estará ao lado dos enfermos. Ele garante que
renovará as suas forças, amainará as suas dores, dissipará os seus medos e
fará tudo concorrer para o seu bem.
Eis algumas dessas preciosas promessas:
“O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu lhe amaciarás a
cama na sua doença.” (Sl 41.3.)
“Porque este Deus é o nosso Deus para todo o sempre; ele será nosso
guia até à morte.” (Sl 48.14.)
“Pois o justo é arrebatado da calamidade, entra em paz; descansam na
sua cama todos os que andam na retidão.” (Is 57.1,2.)
“Por isso, não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se
esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” (2 Co
4.16.)
“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós, cada
vez mais abundantemente, um eterno peso de glória.” (2 Co 4.17.)
“Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se
desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos
céus.” (2 Co 5.1.)
Assim, podemos ver que Deus tem prometido a cura das doenças, e,
também, o amparo nas enfermidades. Como seus servos, cremos em suas
promessas e somos sustentados por elas. Oramos pela cura e aguardamos a
recuperação, lutando sempre pela vida. Entendemos que em alguns casos a
saúde pode demorar a nos ser restituída, e que, nessas ocasiões, precisamos
ser pacientes e persistentes. E naquelas situações em que os planos divinos se
mostram diferentes dos nossos, como o Salvador dizemos ao Pai: “Não se
faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22.42).
Temos provado e visto que o Senhor é bom. Quantas experiências
maravilhosas ele proporciona aos seus servos! Quantas vitórias colecionam
aqueles que confiam nas suas promessas! Quantos testemunhos têm para dar
os que se entregam em suas mãos!
O apóstolo Paulo tinha um grande amigo, chamado Epafrodito. Certa
vez, a igreja de Filipos o enviou até Roma a fim de atender às necessidades
do missionário, o qual se achava preso. Epafrodito, contudo, adoeceu nessa
viagem. Acometido de uma severa enfermidade, passou vários dias acamado,
entre a vida e a morte.
Paulo intercedeu fervorosamente pela restauração de seu amigo. A
notícia chegou até Filipos, e os irmãos, contristados, também oraram em seu
favor. Passado algum tempo, Epafrodito começou a melhorar. A doença o
deixou, e ele acabou ficando totalmente restabelecido. O apóstolo, então,
escreveu uma carta aos filipenses, e pediu a Epafrodito que a levasse. E deu o
seguinte testemunho a seu respeito: “Pois de fato esteve doente e quase à
morte, mas Deus se compadeceu dele” (Fp 2.27).
Aquilo que Paulo disse sobre Epafrodito poderia ser dito a respeito de
muitos filhos e filhas de Deus. Vários de nós, de fato, já estivemos doentes e
quase à morte. Contudo, Deus se compadeceu de nós.
Louvado seja o nome do Senhor! Sejamos gratos ao nosso Pai celestial
pelas muitas experiências de restauração e livramento que nos proporcionou.
Conservemos viva a certeza de que o nosso Deus está ao nosso lado e cuida
de nós.
Nada é impossível para o Senhor. É dele, e somente dele, a última
palavra. Ele é capaz de lançar por terra todas as previsões da medicina e de
frustrar a lógica de todas as ciências. Jesus Cristo, o Médico dos médicos,
tem nossas vidas em suas mãos. Pela fé em seu nome, inúmeras pessoas têm
testemunhado prodígios ao longo dos séculos. E, pela mesma fé, estamos
convictos de que ainda veremos muitos milagres acontecerem.
7
A promessa do sustento
Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as
suas riquezas na glória em Cristo Jesus (Fp 4.19).
Um dos maiores receios do ser humano é o de não ter as suas
necessidades supridas. Muitas vezes, as pessoas se perguntam se terão
condições de ganhar o pão de cada dia, de assegurar o sustento de sua
família, de pagar as suas contas, de honrar os seus compromissos. O fato é
que vivemos em um mundo onde nada parece ser garantido. De vez em
quando, a economia enfrenta solavancos, as empresas quebram e os
empregos somem. Isso faz com que muitos vivam ansiosos e sobressaltados.
Entretanto, a Palavra de Deus nos assegura que o Senhor está conosco
tanto em épocas de fartura quanto em tempos de escassez. O Pai celestial
promete suprir todas as necessidades de seus filhos e filhas. Ele não permite
que nada nos falte.
Deus se apresentou a Moisés como Jeová-Rafá, “o SENHOR que Cura”. E
Abraão o conheceu como Jeová-Jiré, “o Deus que Provê”. Quando o
patriarca se dirigia para o monte Moriá, Isaque lhe perguntou: “Onde está o
cordeiro para o sacrifício?” E Abraão respondeu: “Deus o proverá para si”.
Foi exatamente o que aconteceu. Abraão não apenas viu a vida de seu filho
ser poupada, como também encontrou um carneiro para ser imolado em seu
lugar. “Pelo que chamou Abraão àquele lugar Jeová-Jiré; de onde se diz até o
dia de hoje: No monte do SENHOR se proverá.” (Gn 22.14.)
Deus tem amor e poder suficientes para sustentar-nos. Nos depósitos
celestes, há toda sorte de provisões, e os celeiros da glória nunca ficam
vazios. É por isso que podemos desfrutar paz, independentemente das
circunstâncias.
NA BÍBLIA HÁ MUITAS HISTÓRIAS DE
PESSOAS QUE FORAM SUSTENTADAS POR
DEUS
Abraão não foi o único personagem bíblico a constatar a fidelidade do
Senhor. São tantas as histórias de homens e mulheres que foram socorridos
por Deus que não encontraríamos, neste capítulo, espaço suficiente para
relatá-las. Mesmo assim, podemos recordar alguns desses casos, e com isso
renovar as nossas convicções.
Deus sustentou o povo no deserto. Durante quarenta anos, nada faltou à
multidão que viajava em direção a Canaã. O Senhor, numa incomparável
manifestação de cuidado, supriu as necessidades de milhões de pessoas que
se moviam por uma terra árida. Ao longo de todo aquele tempo, o pão e a
carne caíram do céu, e a água brotou da rocha. As vestes dos israelitas não se
rasgaram, e os seus calçados não envelheceram. Que grande demonstração do
poder de Deus foi o sustento de toda aquela gente!
Elias foi alimentado por corvos. Enquanto se escondia do ímpio rei
Acabe (o qual procurava matá-lo), o profeta teve as suas necessidades
supridas por esses incomuns mensageiros alados. A Bíblia conta que todas as
manhãs e todas as tardes os corvos levavam pão e carne para Elias. Nada
faltou ao servo do Senhor. Uma antiga tradição dos judeus diz que os corvos
arrebatavam as iguarias da própria mesa de Acabe e as deixavam cair no
lugar onde Elias estava! Naturalmente, não é possível averiguar a veracidade
dessa tradição. Mas o fato é que Deus supriu as necessidades do seu servo.
O azeite da viúva foi multiplicado. O profeta Eliseu foi procurado por
uma mulher que havia perdido o marido. Ela estava aflita porque os seus
filhos seriam vendidos como escravos a fim de que as dívidas da família
fossem pagas. Eliseu lhe disse que apanhasse a pequena quantidade de azeite
que tinha em casa e que, com ele, enchesse vários recipientes que pegaria
emprestados. Deus operou o milagre e multiplicou o azeite. Tantas vasilhas
foram cheias que a viúva e seus filhos puderam pagar a dívida e ainda
guardar o restante para sua subsistência.
Jesus foi servido por anjos. Depois de jejuar por quarenta dias e
quarenta noites no deserto, o Salvador teve fome. Satanás lhe disse que
transformasse pedras em pães, mas Jesus resistiu aos ataques do Tentador.
Então, o diabo o deixou, e vieram anjos para servi-lo. Havendo se submetido
à vontade do Pai, Cristo recebeu aquilo que havia de melhor. Nos dias de
hoje, quantos estão cedendo à tentação, e comendo pedras como se fossem
pães! Nós, porém, devemos seguir o exemplo do nosso Senhor.
Estes são apenas alguns dos episódios bíblicos nos quais homens e
mulheres foram sustentados por Deus. Eles nos ajudam a recordar que o
Senhor zela por nós.
NA BÍBLIA HÁ MUITAS HISTÓRIAS DE
PESSOAS QUE MOSTRARAM CONFIANÇA EM
DEUS
Assim como fala de milagres, a Palavra do Senhor também conta muitas
histórias de gente que mostrou ter fé em momentos de escassez. Aqueles que
creem em Deus também se deparam com crises. E vários personagens da
Escritura tiveram a sua confiança no Senhor provada quando se viram diante
da aflição.
Rute precisou rabiscar espigas. Ela chegou a Belém acompanhando a
sua sogra, depois de haverem ambas perdido seus maridos. Naquela época,
havia pouca coisa que uma viúva pudesse fazer para se sustentar. Rute
seguiu, então, para os campos de cevada, a fim de apanhar as espigas que
caíam no chão durante a colheita. O Senhor honrou a sua fé. Ela veio a se
casar com o proprietário daquela plantação, tornando-se, mais tarde, uma
ancestral do Salvador.
A viúva fez, primeiro, um bolo para Elias. Chegando a Sarepta, o servo
do Senhor encontrou uma mulher e um menino que só tinham o suficiente
para uma última refeição. Elias lhe disse que havia um jeito de escapar da
morte: ela deveria fazer antes um bolo para ele, e assim o Senhor
multiplicaria a farinha e o azeite restantes. A mulher seguiu a orientação do
profeta, e desse modo sua casa foi sustentada por muitos dias.
A viúva pobre ofertou tudo o que tinha. O Novo Testamento diz que
Jesus estava no templo, observando enquanto as pessoas depositavam seus
bens no cofre das ofertas. Vendo uma viúva colocar ali duas moedas que
valiam cerca de um centavo, o Salvador disse aos discípulos: “Essa pobre
viúva deu a maior oferta, porque entregou tudo o que possuía”. O Senhor não
deixa de observar e de honrar a fé dos seus servos!
Jesus não tinha onde reclinar a cabeça. O próprio Filho de Deus viveu
cada dia na dependência do Senhor enquanto andou aqui na Terra. Ele
afirmou que as aves do céu possuíam ninhos e as raposas covis, mas o Filho
do homem não tinha onde repousar a fronte. Jesus sempre viveu pela fé. Seu
ministério era sustentado por um grupo de mulheres que o serviam com seus
bens. Sua entrada triunfal se deu sobre um jumento que ele pediu emprestado.
E seu sepultamento aconteceu num túmulo cedido por um homem rico. Foi
dessa maneira que o Criador de todas as coisas viveu entre nós e cumpriu a
sua missão.
Concluímos, portanto, que a mesma Bíblia que diz que Deus nos
sustenta também nos ensina que precisamos ter fé. Os milagres acompanham
os que creem, e não o contrário (Mc 16.17). A fé precede os sinais. A
confiança antecede o sustento. O problema é que nos acostumamos a
descansar em nossas fontes de recurso e em nossas reservas bancárias,
passando a perder a paz quando elas se veem ameaçadas. Lembre-se, porém,
de que as reservas de Deus são inesgotáveis, e de que os recursos celestiais
jamais se exaurem. O Senhor suprirá as suas necessidades. Contudo, você
precisa crer.
Muitas vezes, encontramos dificuldades para crer. Dúvida e confiança
parecem se alternar em nosso coração. De que forma podemos vencer essa
batalha que acontece em nosso interior? Para nos ajudar a confiar, o Senhor
nos deixou as suas promessas. Elas foram dadas exatamente para que
mantivéssemos a fé e vencêssemos a guerra.
NA BÍBLIA HÁ MUITAS PROMESSAS QUE NOS
ASSEGURAM O SUSTENTO DE DEUS
O Deus da Bíblia é um Deus de promessas. Ele assume compromissos,
estabelece alianças, empenha a palavra, faz juramentos. O Senhor age assim
para que possamos vencer a luta contra a incredulidade. Os versos da
Escritura são declarações ousadas que nos ajudam a confiar e a perseverar,
acreditando sempre no Senhor.
Eis alguns dos versos que registram promessas divinas de sustento:
“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” (Sl 23.1.)
“Temei ao Senhor, vós, seus santos, porque nada falta aos que o
temem.” (Sl 34.9.)
“Os leõezinhos necessitam e sofrem fome; mas àqueles que buscam ao
Senhor, bem algum lhes faltará.” (Sl 34.10.)
“Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem
a sua descendência a mendigar o pão.” (Sl 37.25.)
“Eu, na verdade, sou pobre e necessitado, mas o Senhor cuida de mim.”
(Sl 40.17.)
“Lança o teu fardo sobre o Senhor, e ele te susterá; nunca permitirá
que o justo seja abalado.” (Sl 55.22.)
“Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus na sua santa morada.” (Sl 68.5.)
“Porque o Senhor ouve os necessitados e não despreza os seus.” (Sl
69.33.)
“Compadece-se do pobre e do necessitado; e a vida dos necessitados,
ele salva.” (Sl 72.13.)
“Pois ele satisfaz a alma sedenta e enche de bens a alma faminta.” (Sl
107.9.)
“Pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que
não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse,
eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu
te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim.” (Is 49.15,16.)
“O Senhor te guiará continuamente, te fartará até em lugares áridos e
fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado e como um manancial
cujas águas nunca falham.” (Is 58.11.)
“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se
percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que opera em favor
daquele que por ele espera.” (Is 64.4.)
“Pois saciarei a alma cansada e fartarei toda alma desfalecida.” (Jr
31.25.)
“E farei descer a chuva a seu tempo; chuvas de bênçãos serão.” (Ez
34.26.)
“Comereis abundantemente e vos fartareis, e louvareis o nome do
Senhor, vosso Deus.” (Jl 2.26.)
“Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas
vos serão acrescentadas.” (Mt 6.33.)
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos
aliviarei.” (Mt 11.28.)
“Declarou-lhes Jesus: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de
modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.” (Jo 6.35.)
“Como está escrito: Ao que muito colheu, não sobrou; e ao que pouco
colheu, não faltou.” (2 Co 8.15.)
“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de
vós.” (1 Pe 5.7.)
As mesmas preocupações que parecem nos esmagar se tornam leves
quando são colocadas sobre as mãos de Deus. Sendo assim, depositemos aos
pés do Senhor as nossas necessidades. Ele repetidamente nos assegurou o seu
cuidado. As suas promessas lembram que o trono do universo não está vazio.
O Senhor reina. Ele está no controle de tudo. Ele cuida de nós.
NA BÍBLIA HÁ SÁBIOS CONSELHOS PARA
LIDARMOS COM A QUESTÃO DO SUSTENTO
Finalmente, é importante sabermos que, quando o assunto é sustento, a
Palavra do Senhor oferece tanto promessas quanto orientações. A nossa vida
material está relacionada, em grande parte, à maneira como ganhamos e
administramos nosso dinheiro. E o Pai celestial, em sua sabedoria, aconselha
seus filhos amados a fim de que eles possam enfrentar com segurança os
desafios e exigências do dia a dia.
Alguns desses valiosos conselhos de Deus são:
1. Faça a sua parte. O Senhor sustenta, mas não recompensa o
descuido. O Pai celestial provê aos seus filhos, mas não se alegra em vê-los
de braços cruzados. O Criador alimenta as aves do céu, mas não joga a
comida dentro dos ninhos. Escrevendo sob inspiração divina, Salomão
afirmou: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e
sê sábio” (Pv 6.6). Não há necessidade de desespero; porém, assim como as
formigas, devemos ser operosos e previdentes.
2. Disponha-se a ajudar e ser ajudado. “Acudi aos santos nas suas
necessidades”, diz a Bíblia (Rm 12.13). Parte do plano de Deus para o
sustento dos seus queridos é que os cristãos auxiliem uns aos outros. Isso é
algo valioso, pois estimula a interdependência e desencoraja a
autossuficiência. No Novo Testamento, encontramos vários casos em que a
igreja primitiva exercitou essa forma de cuidado. Então, sejamos solidários.
Ninguém pode passar fome na família do Senhor!
3. Entregue a Deus as suas preocupações. Em Filipenses 4.6, lemos:
“Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes, em tudo sejam os vossos
pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de
graças”. De que maneira empregamos melhor o nosso tempo: orando ou nos
preocupando? Deveríamos nos afligir menos, murmurar menos, lamentar
menos, e orar mais. Essa mudança de postura desencadearia uma verdadeira
revolução em nossas vidas!
4. Confie no cuidado do Senhor. Davi escreveu: “Eu me deito e durmo;
acordo, pois o SENHOR me sustenta” (Sl 3.5). Essa é uma declaração
maravilhosa. E o que há de mais extraordinário a respeito dela é que Davi a
redigiu quando estava fugindo dos exércitos de Absalão. Seu filho rebelde
queria matá-lo, e, por causa disso, ele teve que deixar Jerusalém a fim de
salvar sua vida. Ao compor o Salmo 3, o rei não se encontrava em seu
palácio, reclinado confortavelmente na sua cama. Ele estava estendido sobre
o chão, correndo risco de vida e encarando um futuro incerto. Mesmo assim,
ele disse que iria deitar e dormir, pois cria que Deus haveria de sustentá-lo.
Que exemplo inspirador! Nós também poderemos conciliar o sono quando
descansarmos nos cuidados do Senhor.
Podemos conservar a calma nos dias incertos quando confiamos em
Deus e nas promessas de sustento. O Senhor honrou a fé dos seus servos no
passado. Ele não nos tratará de maneira diferente. Ele diz a cada um dos seus
filhos e filhas: “Eu cuidarei de você”.
Gosto da história que fala sobre um homem que atravessava um
momento difícil na sua vida. A situação financeira dele não era das melhores,
e, por isso, ao acordar certo dia em sua casa humilde, ele descobriu que tudo
o que tinha para o café da manhã eram uma batata e uma sardinha. Aquilo,
certamente, não parecia ser grande coisa. Mesmo assim, o homem se
assentou à mesa, entrelaçou as mãos diante do prato, e orou, dizendo:
“Deus, eu te agradeço porque revolvestes a terra e revirastes o mar
apenas para alimentar um dos teus pequenos servos.”
De uma coisa podemos estar certos: o Senhor revolverá a terra e revirará
o mar a fim de colocar à nossa frente aquilo de que necessitamos. Não
precisamos temer o amanhã. Não precisamos recear o futuro. Há um Deus
assentado sobre o trono do universo, governando todas as coisas. O nome
dele é Jeová-Jiré, “o Deus que Provê”. Ele cuidará de nós.
8
A promessa da prosperidade
Pois será como a árvore plantada junto às correntes de
águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha
não cai; e tudo quanto fizer prosperará (Sl 1.3).
Deus tem prometido conceder prosperidade àqueles que evitam o
caminho dos maus e honram a sua Palavra. Contudo, esse é um assunto que
desperta bastante discussão. Quando se trata de prosperidade, aparentemente
as opiniões dos cristãos oscilam entre dois extremos. E assim eles acabam
perdendo de vista aquilo que a Bíblia realmente tem a dizer.
Em um extremo, está a exaltação da pobreza. Há quem acredite que a
posse de recursos esparsos seja algo bom, uma coisa desejável para todos os
filhos e filhas de Deus. Algumas pessoas chegam até a fazer voto de pobreza,
enquanto outras ensinam que somente os pobres irão para o céu.
No extremo oposto, encontra-se o endeusamento da riqueza. Certos
indivíduos defendem a ideia de que todo crente precisa ser rico. Para eles, a
prosperidade material é a evidência de que alguém está agradando a Deus. De
acordo com o seu ensino, a menos que andemos de carro importado e
moremos em uma cobertura de frente para o mar, estaremos mostrando falta
de fé ou vivendo em pecado.
Esses pensamentos errados costumam confundir as pessoas. Eles se
tornam obstáculos para aqueles que desejam entender corretamente a doutrina
bíblica da prosperidade. Portanto, antes de lançarmos a boa semente sobre o
assunto, teremos que arrancar essas ervas daninhas. Tratemos, então, de
limpar o terreno.
MUITOS SERVOS DE DEUS FORAM PESSOAS
RICAS
A Bíblia conta a história de homens e mulheres de Deus que tiveram
muitos bens. Sua riqueza não foi impedimento para que consagrassem suas
vidas ao Senhor ou seguissem para o céu depois da morte. Abraão, “o Pai da
Fé”, foi um homem abastado. Jó, aquele que foi considerado o homem mais
justo de sua geração, também possuía riquezas. Salomão, rei de Israel, tinha
muitos tesouros. E José de Arimateia, em cujo túmulo Jesus foi sepultado
após a crucificação, também foi um homem rico.
Partindo desses exemplos bíblicos, podemos assegurar que não há base
para afirmar que os ricos não entram no céu. Pensar que santidade e
prosperidade sejam incompatíveis é um erro. Alguém pode ter muitas posses
e, ainda assim, amar ao Senhor de todo o coração.
MUITOS SERVOS DE DEUS FORAM PESSOAS
POBRES
Agora, temos o outro lado da moeda. A Escritura registra o caso de
várias pessoas que andaram com Deus e, entretanto, não possuíram muitos
bens. João Batista, o precursor do Messias, alimentava-se de gafanhotos e
mel silvestre, pois era tudo de que dispunha no deserto. Também foi de uma
viúva pobre a oferta elogiada pelo Salvador. Na parábola do rico e de Lázaro,
o mendigo foi levado pelos anjos para o seio de Abraão, porque era um
homem de Deus. E o próprio Jesus disse que não tinha onde reclinar a
cabeça.
Afirmar que alguém é pobre porque está debaixo de maldição é uma
crueldade. E é, também, uma heresia. É uma afirmação tão falsa quanto uma
nota de três reais. Devemos ter em mente que as posições extremas são
erradas. Precisaremos nos desfazer delas se quisermos saber o que a Bíblia de
fato ensina sobre a prosperidade.
O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A
PROSPERIDADE?
Certa vez, Deus afirmou: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe
falta conhecimento” (Os 4.6). Conhecimento, portanto, é algo muito
importante. Apenas ao diabo interessaria manter-nos ignorantes a respeito
dos ensinos do Senhor sobre a vida financeira. O que a Bíblia nos fala com
relação aos bens materiais?
1. A prosperidade pode ser uma bênção. “Deus faz que o solitário viva
em família; liberta os presos e os faz prosperar”, diz a Escritura (Sl 68.6). A
maioria das pessoas que têm um encontro com Jesus passa a viver com mais
conforto. Da mesma forma, os países que são alcançados pelo evangelho
veem melhorar a condição social de seus habitantes. A miséria não é de Deus.
2. A prosperidade pode ser uma maldição. “Porque o desvio dos néscios
os matará, e a prosperidade dos loucos os destruirá”, lemos em Provérbios
1.32. Perceba: os loucos também prosperam! Mas essas pessoas não devem
ser invejadas, porque terão um final muito triste. Na mão daqueles que amam
as riquezas, o dinheiro é laço, é ídolo, é tropeço, é maldição. Nem toda
prosperidade vem de Deus.
3. A prosperidade não é selo da aprovação divina. Não podemos medir
o amor de Deus por uma pessoa usando a conta bancária dela como régua.
Afinal, “não escolheu Deus os que são pobres quanto ao mundo para fazê-los
ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?” (Tg 2.5).
Podemos ser pobres na opinião dos homens e ricos aos olhos de Deus. Os
tesouros mais valiosos são aqueles acumulados nos céus.
4. Deus é a nossa verdadeira riqueza. O rei Davi escreveu: “Digo ao
SENHOR: Tu és o meu Senhor; além de ti não tenho outro bem” (Sl 16.2). Se
você é um servo de Deus e não se acha rico, ainda não entendeu nada. Um
relacionamento íntimo com o Senhor é a maior das fortunas. Muitas pessoas
estão correndo para os templos em busca de dinheiro e sucesso, ignorando o
fato de que Jesus é o nosso bem maior.
5. A prosperidade mais importante é a espiritual. Cristo encerrou a
parábola do rico insensato com as seguintes palavras: “Assim é aquele que
para si ajunta tesouros e não é rico para com Deus” (Lc 12.21). Os bens
materiais nunca devem ser colocados em primeiro lugar. O dinheiro pode ser
um servo maravilhoso, mas sempre será um senhor terrível. Se as nossas
riquezas aumentam, não podemos colocar nelas o nosso coração. É bom
lembrarmos o que Jesus falou a respeito de agulhas e camelos.
Se entendermos e praticarmos os cinco princípios bíblicos expostos
acima, estaremos colocando a nossa vida financeira dentro do escopo que o
Senhor preparou para ela. Poderemos, desse modo, avançar na busca pela
prosperidade material. No entanto, tome cuidado: não dê nem mesmo um
passo adiante sem ter se certificado de que compreendeu os ensinos do
Senhor e de que se acha dentro da sua vontade! A prosperidade à maneira de
Deus é muito diferente daquela que o mundo persegue.
COMO PODEMOS ALCANÇAR A
PROSPERIDADE?
Tendo feito o trabalho de arrancar as ervas daninhas e de preparar o
terreno, estamos em condições, agora, de lançar a boa semente. Como
podemos melhorar a nossa situação financeira, oferecer mais segurança à
nossa família e estar em melhores condições para investir na obra do Senhor?
A Bíblia Sagrada tem a resposta:
1. A prosperidade está relacionada ao trabalho. Há quem deseje ficar
rico sem trabalhar, mas Deus não está nesse negócio. Ele determinou que
haveríamos de ganhar o nosso sustento com o suor do nosso rosto. Sendo
assim, “o preguiçoso deseja e coisa nenhuma alcança, mas o desejo do
diligente será satisfeito” (Pv 13.4). Algumas pessoas têm uma situação
financeira melhor do que a nossa porque se esforçam mais do que nós. Não
há mágica nenhuma nisso.
2. A prosperidade está relacionada à santidade. “O que encobre as suas
transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa alcançará
misericórdia”, ensina a Bíblia (Pv 28.13). Se eu levar uma vida errada,
esconder os meus pecados e fizer aquilo que Deus condena, verei o reflexo
disso na área material. Pare agora por um momento e reflita: existe algum
pecado que você precisa confessar e deixar? A desobediência a Deus
prejudica todos os aspectos da nossa vida, inclusive o financeiro.
3. A prosperidade está relacionada à sabedoria. “A sabedoria é
proveitosa para dar prosperidade”, diz a Palavra de Deus (Ec 10.10). A
verdade é que é mais difícil saber gastar do que saber ganhar. Precisamos ter
mais inteligência para administrar os nossos recursos do que para consegui-
los. Algumas pessoas se veem em dificuldade não porque ganhem pouco,
mas porque gastam muito. Há um ditado popular que diz que o tolo e seu
dinheiro nunca ficam muito tempo juntos. Administre, poupe e invista com
prudência. Seja sábio. Busque bons conselhos. Coloque-os em prática.
4. A prosperidade está relacionada à obediência. Falando a respeito do
rei Uzias, a Bíblia declara: “E enquanto buscou ao SENHOR, Deus o fez
prosperar” (2 Cr 26.5). Infelizmente, há indivíduos que não prosperam
porque não buscam ao Senhor. E existem pessoas que, após terem
enriquecido, se afastam do Criador. Em ambos os casos, o resultado é
desastroso. Enquanto buscarmos a Deus, ele nos fará prosperar.
5. A prosperidade está relacionada à generosidade. “Um dá
liberalmente e se torna mais rico; outro retém mais do que é justo e se
empobrece.” (Pv 11.24.) O princípio contido nesse versículo percorre toda a
Palavra de Deus. A premissa bíblica é que o Senhor nos abençoará para que
venhamos, assim, a abençoar outros. A maior parte das promessas de
prosperidade está relacionada à beneficência, solidariedade e altruísmo. Pode-
se dizer que a generosidade é a mãe da prosperidade.
Ganhe o máximo que puder, guarde o máximo que puder, doe o máximo
que puder (John Wesley).
Trabalho, santidade, sabedoria, obediência e generosidade são as
sementes abençoadas que, no devido tempo, produzem uma colheita de
fartura. A abundância concedida pelo Senhor está associada a esses cinco
fatores. E ele, na sua Palavra, deixou-nos muitas promessas a esse respeito.
Elas nos ajudam a acertar o rumo e a experimentar a prosperidade ao modo
de Deus.
PROMESSAS BÍBLICAS DE PROSPERIDADE
Existem muitas promessas de prosperidade, tanto no Antigo quanto no
Novo Testamento. Cada uma delas é verdadeira e confiável. Mas há uma
peculiaridade a respeito das promessas bíblicas de prosperidade: todas elas
são condicionais. De acordo com a Escritura, fartura e abastança são a
colheita de uma semeadura correta.
Confira algumas dessas preciosas promessas:
“Não se aparte da sua boca o livro desta lei; antes, medita nele dia e
noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está
escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-
sucedido.” (Js 1.8.)
“Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua
renda; assim, se encherão de fartura os teus celeiros, e transbordarão de
mosto os teus lagares.” (Pv 3.9,10.)
“A bênção do Senhor é que enriquece, e ele não a faz seguir de dor
alguma.” (Pv 10.22.)
“A alma generosa prosperará, e o que regar também será regado.” (Pv
11.25.)
“Entrega ao Senhor as tuas obras, e teus desígnios serão
estabelecidos.” (Pv 16.3.)
“O que atenta prudentemente para a palavra prosperará, e feliz é
aquele que confia no Senhor.” (Pv 16.20.)
“O que adquire a sabedoria é amigo de si mesmo; o que guarda o
entendimento prosperará.” (Pv 19.8.)
“O que se compadece do pobre empresta ao Senhor, que lhe retribuirá
o seu benefício.” (Pv 19.17.)
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento
na minha casa, e, depois, fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se
eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós tal bênção, que
dela vos advenha a maior abastança.” (Ml 3.10.)
“Fazei bem e emprestai, nunca desanimando; e grande será a vossa
recompensa.” (Lc 6.35)
“Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e
aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará.” (2 Co
9.6.)
“Ora, aquele que dá a semente ao que semeia e pão para comer
também dará e multiplicará a vossa sementeira e aumentará os frutos da
vossa justiça, enquanto em tudo enriqueceis para toda a liberalidade.” (2 Co
9.10,11.)
Como são belos os planos de Deus para a nossa vida! Como são
perfeitos e justos os seus caminhos! A doutrina bíblica da prosperidade
exalta, como as demais, o amor e a sabedoria do nosso Criador. Coloquemos
os nossos pés nas veredas do Senhor, e vejamos as suas maravilhosas
promessas se cumprirem em nossas vidas!
Conta-se que certo homem chegou ao céu e foi levado por um anjo para
dar um passeio pelo lugar. A certa altura, eles chegaram a um grande
depósito, no qual estavam estocadas muitas e variadas riquezas.
– O que é isso?, ele perguntou.
– Aqui estão guardadas as bênçãos que o Senhor reservou para a sua
vida, respondeu o anjo.
– Estou vendo que muitas delas não foram entregues, tornou o homem.
Por que não me foram concedidas enquanto eu estava na Terra? Teriam me
sido de grande proveito lá!
– Bem, a verdade é que você nunca orou pedindo a Deus por elas,
concluiu o anjo.
No Salmo 118.25, encontramos uma bela petição. Ela diz: “Ó SENHOR,
salva, nós te pedimos; ó SENHOR, nós te pedimos, envia-nos a prosperidade”.
Desse modo, constatamos que nenhum erro há em orarmos pedindo a Deus
que abençoe a nossa vida financeira. Mas há um detalhe importante a respeito
dessa oração: ela é feita utilizando a primeira pessoa do plural. O salmista
não está pedindo ao Senhor que agracie, apenas, a sua vida. Ele está
suplicando ao Pai que abençoe a todos.
Acredito que essa deva ser a oração da igreja. Oremos pela prosperidade
das nações, pela erradicação da miséria, pelo fim da gritante desigualdade
social. Peçamos ao Senhor que conceda, tanto a nós quanto aos nossos
semelhantes, uma vida digna. Supliquemos aos céus que sejam repreendidos
todos os males da exploração, ganância, indiferença, egoísmo, abuso,
corrupção e injustiça. Clamemos ao Pai pelo bem do nosso próximo.
Roguemos ao Senhor que abra as janelas do céu e derrame sobre nós a sua
bênção. Peçamos a Deus que nos envie a prosperidade.
9
Deus nos honrará
Honrarei aos que me honram (1 Sm 2.30).
Eric Liddell foi um atleta escocês que viveu no começo do século
passado. Seus pais serviram como missionários na China, e ele entregou sua
vida a Cristo ainda em tenra idade. Ele gostava muito de correr. Dizia que o
Senhor o havia feito veloz, e que, quando corria, experimentava o prazer de
Deus.
Eric se destacou no atletismo e chegou aos Jogos Olímpicos de 1924
como um dos favoritos a conquistar a medalha de ouro nos cem metros rasos.
Mas, então, algo aconteceu. Ele ficou sabendo que uma das eliminatórias
daquela prova havia sido marcada para o domingo.
“No domingo eu não corro, é o dia do Senhor. É dia de ir à igreja, não
de ir ao estádio”, ele disse.
A decisão de Eric provocou um rebuliço. Seus conterrâneos o atacaram
e criticaram. As pessoas disseram que ele havia ficado louco. O Comitê
Olímpico tentou ameaçá-lo. O rei buscou demovê-lo. Mas o jovem manteve,
firmemente, a sua posição. Por fim, restou para ele a prova dos quatrocentos
metros, cujas eliminatórias aconteceriam em outros dias da semana.
Os quatrocentos metros não eram a especialidade de Eric. Outros
corredores haviam batido o recorde olímpico daquela prova durante as
eliminatórias, e eram considerados os grandes favoritos na competição.
Mesmo assim, o rapaz se classificou para a final. Chegou o dia da corrida, e
ninguém acreditava que ele conseguiria ganhar uma medalha. Achavam que
seria derrotado e esquecido.
Quando Eric Liddell estava na pista, segundos antes de ser dado o tiro
de largada, um homem que ele não conhecia saiu das arquibancadas e
caminhou na sua direção. Ele colocou um pedaço de papel dobrado em suas
mãos e se retirou logo em seguida. O jovem abriu o papel e leu o que estava
escrito. Era um trecho da Bíblia. Dizia: “Honrarei aos que me honram” (1 Sm
2.30).
A prova teve início, e Eric correu como o vento. Nenhum dos
competidores conseguiu acompanhá-lo. Parecia que aquela era a sua
especialidade, e que ele havia treinado para os quatrocentos metros a sua vida
inteira. A multidão mal podia acreditar no que estava vendo! Ele chegou em
primeiro lugar, bateu o recorde mundial e foi longamente aplaudido. Acabou
consagrado como o grande nome daquelas olimpíadas.
A história de Eric Liddell foi contada no filme Carruagens de Fogo,
vencedor do Oscar de melhor filme em 1981. Na vida daquele jovem
cumpriu-se a promessa de que os que honram ao Senhor serão honrados. Essa
promessa foi feita, também, a mim e a você. Mas talvez a questão que se
coloque diante de nós seja esta: estamos procurando ser honrados por Deus
ou pelos homens?
DEUS HONRA OS QUE CONFIAM NELE
Eric Liddell era um jovem que buscava a honra de Deus. Não queria o
aplauso das multidões, e sim a aprovação do Pai. Ele confiava no Senhor e
desejava fazer a sua vontade. É isso, exatamente, o que Deus espera de nós.
Quando acreditamos na sua bondade, sabedoria e poder – sem que ele precise
nos dar explicações ou compensações – estamos honrando o seu nome.
É do agrado do Senhor que creiamos nele. Por outro lado, duvidar da sua
Palavra, é tê-lo na conta de mentiroso. Mesmo sabendo que somos limitados
e imperfeitos, Deus não compactua com a incredulidade. Ele afirma que os
que confiam nele o honram, e que serão, por ele, honrados.
“E saberás que eu sou o Senhor e que os que por mim esperam não
serão confundidos.” (Is 49.23.)
“Também serás uma coroa de adorno na mão do Senhor e um diadema
real na mão do teu Deus.” (Is 62.3.)
“Porque a Escritura diz: Ninguém que nele crê será confundido.” (Rm
10.11.)
“Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e
Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes.” (1 Co
1.27.)
Essas são promessas inestimáveis de Deus. Ele se agrada de que
acreditemos nele. Ele honra a nossa confiança. Ele não decepciona os que
têm fé.
DEUS HONRA OS QUE VIVEM
CORRETAMENTE
Cem anos atrás, Rui Barbosa andava muito desapontado com a situação
política e moral do Brasil. Ele afirmou:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de
tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos
maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, e a ter
vergonha de ser honesto.”
Entretanto, quem segue a Cristo jamais dirá tais coisas. O cristão nunca
sentirá vergonha de ser honesto, porque a correção de seus atos não busca o
reconhecimento dos homens ou qualquer forma de retribuição, e sim a
aprovação de Deus. Como o Senhor poderá nos honrar se não vivemos de
uma maneira honrada? Nosso Pai celestial promete distinguir os que falam a
verdade, agem da maneira certa e se importam com os seus semelhantes.
“Os meus olhos estão sobre os fiéis da terra, para que habitem comigo;
o que anda no caminho perfeito, esse me servirá.” (Sl 101.6.)
“Espalhou, deu aos necessitados; a sua justiça subsiste para sempre; o
seu poder será exaltado em honra.” (Sl 112.9.)
“Esta honra será para todos os santos.” (Sl 149.9.)
“Os sábios herdarão honra, mas a exaltação dos loucos se converte em
ignomínia.” (Pv 3.35.)
A honra de Deus está reservada para aqueles que vivem de forma
íntegra. Esse deve ser o nosso objetivo. Um filho não se orgulha do pai
porque ele é famoso, poderoso ou rico, e sim porque ele é um homem de
bem. E o Senhor exalta aqueles que se conduzem de uma maneira correta.
DEUS HONRA OS QUE SE HUMILHAM
Humilhação e humildade não são problemas. São, na verdade, condições
para que alguém seja honrado pelo Senhor. Às vezes, temos que nos
humilhar, e, em outras ocasiões, somos humilhados. Isso é algo que faz parte
da jornada dos filhos e filhas de Deus. O quebrantamento é um pré-requisito
para a exaltação.
Você precisa entender que a vida é como uma cama elástica: quanto
mais fundo você for ou alguém puser você, mais alto o Senhor o colocará.
Por isso, não desanime! Não tenha inveja de quem quer que seja, nem duvide
do amor de Deus! O trajeto para o cume dos montes passa, sempre, pelo
fundo dos vales.
“Antes da ruína, eleva-se o coração do homem; e adiante da honra vai
a humildade.” (Pv 18.12.)
“Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer
que a si mesmo se humilhar, será exaltado.” (Mt 23.12.)
“Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.” (Tg 4.10.)
Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu
tempo vos exalte.” (1 Pe 5.6.)
Devemos lembrar que ninguém se humilhou tanto quanto Jesus, e que
nenhuma outra pessoa foi tão humilhada quanto ele. Entretanto, Deus o
exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome (Fp 2.9).
Sigamos o exemplo do nosso Salvador.
DEUS HONRA OS QUE PERSEVERAM
Poucas coisas agradam tanto ao Senhor quanto a perseverança. Quem
desiste da luta não conquista a vitória. Nenhum sucesso é alcançado sem
persistência. Normalmente, a honra é precedida de espera e de esforço. Jesus
nos alertou. Ele disse que seríamos perseguidos e que enfrentaríamos dias
difíceis. Mas felizes são aqueles que não fogem da batalha, que lançam mão
ao arado e não olham para trás, que não desistem dos seus sonhos nem
retrocedem diante das adversidades.
Veja o que Deus tem prometido aos que perseveram:
“Eis que o Senhor Deus virá com poder, e o seu braço dominará por
ele; eis que o seu galardão está com ele, e a sua recompensa, diante dele.”
(Is 40.10.)
“Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.” (Mt
20.16.)
“Se alguém me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará
também o meu servo; se alguém me servir, o Pai o honrará.” (Jo 12.26.)
“Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de
aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o
amam.” (Tg 1.12.)
Diante de semelhantes promessas, o que é necessário fazer? Ergamos
nossas cabeças, enfrentemos as tribulações, e sigamos com perseverança a
carreira que nos está proposta. Tomemos a nossa cruz e sigamos a Cristo. Se
com ele padecermos, também com ele seremos glorificados (Rm 8.17). Não
poderá haver honra maior.
A nossa grande honra está precisamente em ser o que Cristo foi e é. Ser
aceitos pelos que o aceitam, rejeitados pelos que o rejeitam, amados pelos
que o amam e odiados pelos que o odeiam (A. W. Tozer).
Deus nos honrará – que linda promessa!
Uma das mais belas frases proferidas por Jesus está registrada em
Mateus 10.32. Ali, o Salvador diz: “Portanto, todo aquele que me confessar
diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos
céus”. Aleluia! Honre a Deus, e ele honrará você. E ele fará isso não apenas
aqui, mas também na eternidade.
Talvez você tenha o sentimento de que a vida o envergonhou. Quem
sabe você se compare com outras pessoas e tenha a impressão de que elas
tiveram mais sorte. Talvez as pessoas deste mundo olhem para você e lhe
digam que não é grande coisa. No entanto, lembre-se de que desejamos ser
aprovados pelo Senhor, e não pelos homens. Deus nos honrará, como ele
prometeu. E parte disso acontecerá quando formos confessados por Cristo
diante do nosso Pai que está nos céus.
Conta-se que um casal de missionários estava retornando para a sua
terra, após passar cinquenta anos nos campos distantes. No avião em que eles
viajavam, estava, também, um cantor de rock. Quando desembarcaram, havia
uma multidão no saguão do aeroporto a fim de saudar o artista famoso.
Contudo, não havia ninguém para receber os obreiros aposentados.
O marido ficou muito triste com aquela situação, e disse:
– Querida, isso não é justo! Nós chegamos em casa e há uma festa para
uma celebridade, mas não há reconhecimento para nós. Nós chegamos em
casa e o mundo se lembra de um astro popular, mas se esquece de nós. Nós
chegamos em casa e luzes são colocadas sobre um homem que não teme a
Deus, enquanto só há sombras sobre nós.
Aquela mulher abraçou ternamente o esposo. Ela sorriu para ele, olhou
no fundo dos seus olhos, e respondeu:
– Querido, você está totalmente errado! Está se esquecendo de algo
importante! Nós ainda não chegamos em casa!
Boa parte da nossa honra nos será dada aqui neste mundo. A maior
parte, contudo, só receberemos quando chegarmos ao céu. Aqui neste mundo,
o Senhor Jesus nos protegerá e guiará, defenderá a nossa causa e fortalecerá a
nossa alma. No entanto, quando adentrarmos os portões celestiais, ele fará
mais do que isso. Ele nos confessará diante do Pai. Nossa maior honra está
reservada para quando chegarmos em casa.
Que abençoada certeza! Que maravilhosa promessa!
10
Deus nos guiará
Instruir-te-ei e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir;
aconselhar-te-ei, tendo-te sob a minha vista (Sl 32.8).
Um dia desses, eu estava dirigindo, e vi que no carro à minha frente
havia um adesivo que dizia: “Não me siga, estou perdido”. O que mais
chamou a minha atenção foi que ao lado daquele adesivo havia outro, com o
símbolo de uma religião. Eu fiquei pensando: “Será que o dono desse
automóvel tem consciência da mensagem que ele está passando ao colocar
esses dois adesivos lado a lado? Ele está confessando para todo mundo que
tem uma crença religiosa e que, ainda assim, continua perdido!”
Há muitas pessoas que estão perdidas. Existe muita gente que não sabe
para onde vai, que não sabe o que fazer, que não sabe que caminho seguir.
Que coisa terrível é estar perdido! Se você já viu uma criança pequena que se
perdeu dos pais em uma praia ou supermercado, deve se lembrar da
expressão de desespero estampada em seu rosto. É uma sensação angustiante!
Deus, porém, não quer que nos sintamos assim. Ele nos promete, em sua
Palavra, que irá nos tomar pela mão. Ele assegura que irá nos guardar sob a
sua vista. Ele garante que irá nos instruir e ensinar.
Moisés, servo do Senhor, deu o seguinte testemunho: “Na tua
beneficência guiaste o povo que remiste; na tua força o conduziste à tua santa
habitação” (Êx 15.13). O líder do povo escolhido constatou a fidelidade de
Deus. Ele afirmou que Deus fez o que havia dito que iria fazer. O Senhor
guiou os israelitas. Ele também nos guiará.
Eis algumas coisas das quais podemos estar certos:
DEUS NOS ENSINA O QUE DIZER
Com muita frequência nos preocupamos com aquilo que iremos falar.
Seja na apresentação de uma tese, em uma entrevista de emprego, na sessão
de um tribunal ou numa conversa com o cônjuge, surge a pergunta: “O que eu
vou dizer?” Nessas horas, o Senhor nos promete o mesmo que prometeu a
Moisés: “Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás
de falar” (Êx 4.12).
É natural nos inquietarmos com relação às nossas palavras. Sabemos
que, de acordo com o que dissermos, poderemos resolver um grande
problema ou nos meter em uma baita confusão. É nessa hora que a ansiedade
se instala e ficamos apreensivos. Entretanto, “o SENHOR dá a sabedoria; da sua
boca procedem o conhecimento e o entendimento” (Pv 2.6). Como é bom
pedir a orientação divina, saber que Deus nos atende, e assim acalmar o nosso
coração!
Deus concede palavras de sabedoria até às crianças. Nos tempos do
comunismo soviético, o cosmonauta Yuri Gagarin proferiu a frase: “Fui ao
céu e não vi Deus”. Certa professora russa tentou usar essa declaração para
provar aos seus alunos que Deus não existia. Mas uma menina de nove anos
lhe respondeu:
“Professora, na Bíblia está escrito que felizes são os limpos de coração,
porque eles verão a Deus. Então, se o nosso cosmonauta não conseguiu ver
Deus, é sinal de que o coração dele ainda não foi purificado por Jesus!”
O Senhor é fiel. Ele assegurou a cada um de nós: “Pus as minhas
palavras na tua boca e te cubro com a sombra da minha mão” (Is 51.16).
Você pode pedir ao Pai celestial que direcione a sua fala, e descansar na
certeza de que ele lhe dará o seu auxílio. O Senhor Jesus disse: “Eu vos darei
boca e sabedoria, a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir nem
contradizer” (Lc 21.15). Aleluia! Tome posse dessa promessa!
DEUS NOS MOSTRA POR ONDE ANDAR
O Senhor nos guia em nossas palavras e, também, em nossas ações.
Diante de um problema que precisamos resolver, de uma decisão que
devemos tomar ou de um caminho que temos que percorrer, frequentemente
o nosso coração fica dividido, e nos perguntamos: “O que fazer?” Em
momentos assim, é necessário pedir orientação a Deus. Ele nos apontará a
direção certa.
Falando sobre o cuidado do Senhor, Davi escreveu: “Deitar-me faz em
pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a
minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome” (Sl
23.2,3). Davi tinha pastoreado ovelhas na sua juventude, e sabia como
aqueles animais precisavam de alguém que os conduzisse. Ovelhas são o
oposto exato dos pombos-correios. Elas não possuem nenhum senso de
direção. Perdem-se com facilidade, e não conseguem achar, sozinhas, o
caminho de volta ao aprisco. Por isso, no Salmo 23, Davi se referiu a Deus
como o seu Pastor. Ele registrou a sua convicção de que o Senhor iria sempre
guiá-lo.
Cada um de nós pode ter a mesma certeza. Para tanto, basta que
permaneçamos atentos. O Senhor nos guiará pelas veredas da justiça,
conforme prometeu. Deus falará conosco e nos corrigirá quando errarmos. O
problema de algumas pessoas é que elas tapam os ouvidos à voz do Senhor,
porque o que Deus diz não é o que querem escutar. No entanto, se estivermos
dispostos a obedecer, Deus dirigirá os nossos passos e nos manterá seguros.
“Assim diz o SENHOR, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o
SENHOR, o teu Deus, que te ensina o que é útil e te guia pelo caminho em que
deves andar.” (Is 48.17.) Que bela promessa! Ela encontra eco nas palavras
do Senhor Jesus, que disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue de
modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12). Segundo a
Bíblia, os que creem no Salvador possuem uma luz que clareia o seu
caminho. “Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os
mortos, e Cristo te iluminará.” (Ef 5.14.) Avançamos seguros porque temos a
luz da vida.
DEUS NOS DIZ NO QUE CRER
Vivemos em uma época na qual muitos falam: “A verdade não existe,
cada um decide o que é certo e o que é errado por si mesmo, não há absolutos
aos quais nos apegarmos”. Esse relativismo ético e intelectual é o responsável
por todo o sofrimento, decadência e desespero em que a humanidade se acha
mergulhada. Se quisermos ser felizes, precisaremos manter os pés longe
desse pantanal de incertezas.
Quando se trata da verdade, costumam surgir questionamentos. “Como
podemos saber no que devemos acreditar?”, perguntam as pessoas. “Como
podemos distinguir entre o bem e o mal? Se a verdade existe, de que maneira
podemos conhecê-la?”
Conhecer a verdade não somente é possível: é absolutamente necessário!
Apenas desmascarando os enganos do pai da mentira, que é Satanás, teremos
vida abundante e eterna. Quando nossos olhos são abertos, podemos nos
libertar dos fardos que nos oprimiam, renunciar às práticas que nos
degradavam e desfrutar todo o bem que o Senhor planejou para nós.
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, declarou o Mestre (Jo
8.32).
É possível conhecer a verdade, saber a diferença entre o certo e o errado,
e fazer separação entre o verdadeiro e o falso. O mesmo Deus que nos orienta
em nossas palavras e ações também nos guia em nossas convicções. “O
conselho do SENHOR é para aqueles que o temem, e ele lhes faz saber o seu
pacto”, diz a Escritura (Sl 25.14). “O temor do SENHOR é o princípio da
sabedoria; têm bom entendimento todos os que cumprem os seus preceitos.”
(Sl 111.10.)
O homem que serve ao Senhor jamais cairá nas garras do relativismo,
“pois o seu Deus o instrui devidamente e o ensina” (Is 28.26). Podemos
contar com a orientação do nosso Pai celestial para ter entendimento. Ele nos
revela as verdades mais profundas. A sua promessa é: “Clama a mim, e
responder-te-ei; e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes” (Jr
33.3).
Louvado seja Deus pela sua abençoada direção!
De que forma o Senhor nos orienta em nossas palavras, atos e
pensamentos?
DEUS NOS GUIA ATRAVÉS DA SUA PALAVRA
“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho”,
diz um versículo muito conhecido (Sl 119.105). Se você acha que Deus não
fala com você, comece a ler a Bíblia! Ela é a Palavra de Deus. Nas páginas
das Escrituras você encontrará luz. “A lei do SENHOR é perfeita e refrigera a
alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos simples.” (Sl 19.7.)
Abraham Lincoln disse: “Creio que a Bíblia é o melhor presente que
Deus deu ao homem”. George Washington escreveu: “É impossível governar
bem o mundo sem Deus e sem a Bíblia”. Immanuel Kant declarou: “A
existência da Bíblia como livro para o povo é o maior benefício que a raça
humana já experimentou”.
Não há como exagerar a importância do estudo bíblico na vida de um
cristão. Leia a Bíblia de capa a capa. Depois que tiver feito isso, comece tudo
outra vez. E, então, repita o processo ao longo de toda a sua vida. Se agir
dessa maneira, nunca lhe faltará a orientação do alto. A Escritura é a nossa
lâmpada, o nosso mapa, a nossa bússola. Ela é o nosso GPS – o “Guia da
Palavra do Senhor”. Ela nos mostra onde estamos e para onde devemos ir.
DEUS NOS GUIA ATRAVÉS DO SEU ESPÍRITO
O Espírito Santo é o Autor da Bíblia, e ele também escreve as suas leis
nas tábuas do nosso coração. O Senhor nos deixou a seguinte promessa:
“Convertei-vos pela minha repreensão; eis que derramarei sobre vós o meu
Espírito e vos farei saber as minhas palavras” (Pv 1.23). O Espírito de Deus é
o grande ensinador.
Aos que ainda não se converteram, o Espírito Santo fala do lado de fora,
convencendo-os da justiça, do pecado e do juízo (Jo 16.8). E quando
entregamos nossa vida a Cristo, ele passa a falar no nosso interior,
direcionando-nos, corrigindo-nos e consolando-nos. Nosso corpo se torna o
templo do Espírito Santo, e passamos a ser orientados pela sua voz em nosso
interior (1 Co 6.19).
Charles Spurgeon – que foi considerado “o Príncipe dos Pregadores” –
sabia que era uma grande responsabilidade falar às pessoas em nome de
Deus. Tinha consciência de que a eloquência e a sabedoria humanas jamais
poderiam levar almas a Cristo. Por isso, sempre que subia os quinze degraus
que davam acesso ao púlpito da sua igreja, repetia a cada passo: “Creio no
Espírito Santo”. Só assim se sentia encorajado a pregar às multidões. E
quando fazia isso, na unção do Espírito, incontáveis vidas se rendiam ao
Salvador.
Creia no Espírito Santo. Aquiete a sua alma, procure um lugar tranquilo,
leia a Bíblia e ore. E, então, espere. O Espírito falará com você e lhe dará
direção. Talvez você acabe fazendo algo bem diferente daquilo que havia
planejado a princípio. Você receberá ousadia e entendimento para seguir em
frente. Deus guiará e abençoará você.
DEUS NOS GUIA ATRAVÉS DE BONS
CONSELHEIROS
Nos tempos bíblicos, o Senhor empregava os profetas para transmitir os
seus preceitos ao povo. E ainda hoje ele se serve de homens e mulheres
inspirados a fim de apontar-nos o rumo certo. Pastores, mestres, cristãos
experientes e os nossos próprios pais estão entre aqueles que Deus pode usar
para orientar-nos.
Isaac Newton foi um homem temente a Deus e um grande cientista. Ele
é considerado o pai da física moderna. Por causa das suas descobertas,
Newton se tornou famoso, e recebeu elogios de estudiosos do mundo inteiro.
Ele, entretanto, jamais reivindicou todos os méritos para si. Admitiu que
devia muito aos seus mentores, professores e conselheiros. E declarou: “Se
enxerguei mais longe, foi porque me apoiei sobre os ombros de gigantes”.
Nunca foi intenção do Criador que fôssemos indivíduos autossuficientes.
Por isso, ele nos colocou ao lado de outras pessoas, a fim de ajudarmos e
sermos ajudados. Sendo assim, se eu posso lhe dar um conselho, é o seguinte:
escute mais conselhos! Admita que não sabe tudo, disponha-se a ouvir outras
opiniões, e leve em consideração as palavras daqueles que desejam o seu
bem. Coloque o orgulho de lado, e receba a direção do alto através de
indivíduos sensatos.
“Quando não há sábia direção, o povo cai”, disse o Senhor, “mas na
multidão de conselheiros há segurança” (Pv 11.14). Essa é mais uma
promessa da qual devemos nos lembrar. Na multidão de conselheiros há
segurança. Disponha-se a ser instruído. Você terá direção segura e jamais
cairá em armadilhas ao longo do caminho.
Eu e você vivemos em uma época muito confusa. Existe uma sobrecarga
de informação. A quantidade de opções aumenta, os caminhos se
multiplicam, e somos pressionados a tomar cada vez mais decisões em menos
tempo. Simultaneamente, as questões vão se tornando mais complexas, e as
escolhas, mais difíceis. Não é de admirar que tanta gente viva ansiosa e
insegura, cheia de sobressaltos.
Diante desse cenário, o que devemos fazer?
Quando uma criança está aprendendo a andar, os seus passos são
vacilantes. Ela oscila, hesita, bamboleia, vai e volta, ergue os braços e tenta
se equilibrar, ao mesmo tempo assustada e fascinada com a experiência. E
sua mãe, que a tudo assiste, coloca as mãos ao seu lado, pronta para ampará-
la caso haja necessidade. Sua voz a orienta, e seus olhos a seguem. E, assim,
a criança se sente encorajada a prosseguir em suas primeiras explorações. Ela
sabe que está segura e que tudo dará certo. Afinal, a sua mãe está ali.
Deus faz a mesma coisa conosco. O nosso Pai celestial acompanha
nossos passos hesitantes, cercando-nos com suas mãos e apontando-nos o
rumo certo. Ele nos guia ao longo de todo o aprendizado, e se alegra com
cada pequeno progresso que fazemos. O importante é que olhemos para ele e
que demos ouvidos à sua voz. Assim, certificando-nos de que estamos dentro
da vontade de Deus, poderemos prosseguir confiadamente. Não importa que
sejamos limitados, que nosso coração dispare, e que nossos pés oscilem. “Por
baixo estão os braços eternos.” (Dt 33.27.)
11
Deus nos ajudará
Eis que Deus é o meu ajudador; o SENHOR é quem sustenta
a minha vida (Sl 54.4).
Deus jamais nos deixa sem auxílio. Ele é um Pai amoroso que não
permite que nada falte aos seus amados. Sempre podemos contar com a sua
ajuda. A promessa bíblica é: “Como um pai se compadece de seus filhos,
assim o SENHOR se compadece daqueles que o temem” (Sl 103.13).
Há uma história sobre um homem que distribuiu algumas tarefas entre
os seus filhos. Um dos meninos recebeu a incumbência de remover uma
grande pedra que precisava ser tirada do quintal. O garoto ficou animado e
logo se lançou ao serviço. A pedra, no entanto, era muito pesada, e não saía
do lugar por mais que ele empurrasse. O pai, que supervisionava as ações, lhe
disse:
– Meu filho, use todos os seus recursos.
O menino refletiu sobre aquela frase, e começou a pensar no que poderia
fazer para remover a pedra. Apanhou uma corrente, tentou com uma corda,
trouxe uma barra de ferro, fez uma alavanca... porém, nada aconteceu.
Finalmente, exausto e frustrado, sentou-se ao lado da pedra. Sentia-se
vencido. Lágrimas escorriam pelo seu rosto. O pai se aproximou dele e
repetiu o que havia dito:
– Meu filho, use todos os seus recursos.
– Eu já fiz isso, respondeu o menino, desconsolado. Já tentei de tudo, e
nada adiantou!
E o pai, então, lhe disse:
– Não é verdade. Tem uma coisa que você ainda não fez. Você ainda
não pediu a minha ajuda.
Muitas vezes, nós agimos como o garoto da história. Não usamos todos
os nossos recursos. Esquecemo-nos de que temos um Pai que jamais vira o
rosto e nunca nos abandona. Deus está atento àquilo que nos acontece. Ele
nos estende a sua mão e nos dá o seu auxílio cada vez que pedimos. É um
socorro sempre presente.
Aquele que conta as estrelas e as chama pelos seus nomes não corre o
risco de esquecer-se dos seus próprios filhos (Charles Spurgeon).
De que maneiras o Senhor quer nos ajudar?
DEUS NOS FARÁ PERMANECER FIRMES!
Às vezes, o simples fato de ficar em pé já parece ser uma tarefa grande
demais. Deparamo-nos com terríveis adversidades, somos tomados por uma
fraqueza irresistível, sofremos enormes tentações. Tudo parece conspirar para
nos atirar ao chão. Em momentos assim, Deus promete que será o nosso
esteio.
“Aqueles que confiam no SENHOR são como o monte Sião, que não pode
ser abalado, mas permanece para sempre”, cantavam os peregrinos que
subiam para Jerusalém (Sl 125.1). Após um longo caminho, eles viravam
uma curva, subiam uma encosta, e se deparavam com aquela bela cidade
erguida sobre a montanha. E, então, diziam: “Nós somos como este monte, o
monte Sião! Nós enfrentamos muitos perigos, passamos pelo calor do dia e
pelo frio da noite, mas chegamos ao nosso destino. Nós somos como este
monte! Somos inabaláveis, porque confiamos no Senhor!”
É Deus quem nos dá condições para que possamos ficar em pé. Ele
afirmou: “Eu, o SENHOR, teu Deus, te seguro pela tua mão direita e te digo:
Não temas, eu te ajudarei” (Is 41.13). Como um farol que permanece firme
em meio ao temporal, ainda que atingido pela fúria das ondas e pela força dos
ventos, assim nós continuaremos firmes em todas as circunstâncias, e nada
conseguirá apagar a nossa luz. Nós não vamos desabar. Não vamos
desmoronar. O Senhor firmará os nossos pés.
DEUS NOS DARÁ CONDIÇÕES DE FAZER O
QUE FOR PRECISO!
Além de nos manter em pé, o Senhor nos ajudará a seguir em frente.
Todos os dias, nós nos deparamos com tarefas que precisamos cumprir, com
problemas que necessitamos resolver, com dificuldades que temos que
superar. E algumas vezes, diante de uma grande responsabilidade,
perguntamos a nós próprios: “Será que eu vou dar conta?” Em horas assim, o
Senhor nos promete a sua assistência. Ele diz que estará ao nosso lado, e
garante que nos ajudará a fazer o que for necessário.
O profeta escreveu: “SENHOR, tu hás de estabelecer para nós a paz, pois
tu fizeste para nós todas as nossas obras” (Is 26.12). Perceba: o versículo não
diz que Deus fez as suas obras para nós, e sim que ele fez as nossas obras
para nós! Em outras palavras, Isaías estava dizendo: “Tudo aquilo que a gente
empreendeu, conquistou, resolveu e alcançou, na verdade foi o Senhor que
fez para a gente”. Que coisa fantástica!
Outra pessoa que enxergou no agir de Deus o segredo de todas as suas
realizações foi o apóstolo Paulo. Ele falou: “Não que sejamos capazes, por
nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade
vem de Deus” (2 Co 3.5). É do Senhor que vem a nossa capacidade. Dele
procedem a nossa desenvoltura, a nossa aptidão, a nossa suficiência.
Portanto, não precisamos nos preocupar, nem devemos pensar em desistir.
Um dos maiores pregadores da história foi Dwight Moody, que viveu
nos Estados Unidos no século XIX. Ele ficou conhecido como “o
Despovoador do Inferno”, porque se estima que tenha levado mais de um
milhão de pessoas aos pés de Cristo. Acontece que Moody era um homem
sem instrução. Ele não havia tido acesso à formação acadêmica e teológica.
Era um simples vendedor de sapatos. Contudo, apesar de suas aparentes
deficiências, decidiu se entregar por inteiro nas mãos do Senhor. E Deus usou
a sua vida.
Certa vez, Moody afirmou: “Sou apenas um, mas sou um. Não posso
fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. O que posso fazer, devo fazer. E o
que devo fazer, pela graça de Deus, farei”. Com esse raciocínio – tão lógico,
tão linear, tão direto –, ele se propôs a realizar grandes coisas, e o Senhor lhe
deu sucesso. Acredite: se você adotar a mesma linha de pensamento,
alcançará o mesmo resultado.
Encha-se de coragem. Respire fundo. Peça ajuda. Vá em frente. Deus
estará com você. Ele o auxiliará, como prometeu na sua Palavra. E, assim,
você conseguirá fazer aquilo que precisa ser feito.
DEUS ABRIRÁ PORTAS E ENDIREITARÁ
CAMINHOS!
“Eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém poderá
fechar”, diz o Senhor (Ap 3.8). Que linda promessa! Deus firma os nossos
pés e capacita-nos para o serviço. E, depois disso, ele vai à nossa frente,
abrindo as portas. Assim podemos dar o passo de fé, cumprir a missão e
arrebatar o prêmio.
Deus garante que abrirá as portas que precisaremos atravessar e
endireitará os caminhos que teremos que percorrer. “Eu irei adiante de ti”, diz
ele, “e tornarei planos os lugares escabrosos, quebrarei as portas de bronze e
despedaçarei os ferrolhos de ferro” (Is 45.2).
É admirável o trabalho de uma equipe que abre uma estrada. Ali está
uma floresta intransponível, uma montanha escarpada, um rio caudaloso. E
então chegam os homens com suas máquinas e começam o serviço. Os vales
vão sendo nivelados, as pistas vão sendo asfaltadas, as pontes vão sendo
construídas. E depois de algum tempo, por aquele território inóspito no qual
antes ninguém passava, muitos veículos começam a ir e vir, porque um
caminho foi aberto.
O que o Senhor está nos dizendo na sua Palavra é que ele irá adiante de
nós abrindo os nossos caminhos, aplanando o que é alto, aterrando o que é
baixo, deitando pontes sobre os abismos, quebrando os ferrolhos de ferro e
descerrando todas as portas. Quando temos perante nós um desafio que faz o
nosso coração bater mais forte, devemos nos lembrar da promessa do Senhor.
Ele estará conosco e seguirá à nossa frente. Ele nos ajudará.
DEUS NOS ENCORAJARÁ A PROSSEGUIR!
Tão logo atravessamos a porta e colocamos o nosso pé na estrada,
descobrimos que as adversidades se fazem presentes. As coisas se
complicam, os inimigos se apresentam, os exércitos do inferno se assanham.
Deparamo-nos com críticas e incompreensões. Somos assaltados por temores
e incertezas. Nessa hora de provação, nosso Pai celestial nos ajuda com mais
uma promessa.
“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu
Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça”,
diz o Senhor (Is 41.10). Quando temos companhia ao longo do caminho, o
medo e o cansaço tendem a diminuir. E quando essa companhia é a de Deus...
bem, isso faz toda a diferença!
Alguns dentre nós já pensaram em desistir, em jogar tudo para o alto.
Alguns já foram tentados a abrir mão de um sonho, a abandonar um
casamento, a renunciar a um ministério. Alguns já pensaram, até mesmo, em
desistir da vida! Isso aconteceu porque o fardo era muito pesado, e a vontade
de voltar atrás parecia irresistível. E, então, o nosso Companheiro de viagem
nos animou e incentivou. Jesus falou ao nosso coração e renovou as nossas
esperanças. Como resultado, seguimos adiante e vencemos. Alcançamos o
nosso objetivo porque fomos encorajados pelo Senhor.
Em Hebreus 4.16, está escrito: “Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao
trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de
sermos socorridos no momento oportuno”. Veja: se você for ao trono da
graça – se você tiver ousadia, se entregar ao Senhor as suas preocupações e
os seus problemas, se tiver fé –, a Bíblia diz que você vai receber
misericórdia, achar graça e ser socorrido. E ela diz também que isso vai
acontecer no momento oportuno, na hora exata. Portanto, fique firme!
DEUS NOS CONCEDERÁ A VITÓRIA!
Coragem é algo necessário àqueles que desejam vencer as lutas. Como
servos do Senhor, encontramo-nos às voltas com dificuldades e desafios.
“Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.” (1
Co 15.57.) Assim sendo, podemos ter a certeza de que iremos chegar ao fim
da jornada. Por causa da graça do Senhor, alcançaremos o nosso objetivo.
O Senhor está conosco do princípio ao fim. A sua ajuda é constante. Ele
começa tudo nos fazendo permanecer firmes. Em seguida, dá-nos condições
de fazer aquilo que é preciso. A seguir, abre portas e endireita caminhos.
Depois, encoraja-nos a seguir em frente. E, após ter feito tudo isso, ele
encerra com chave de ouro, concedendo-nos a vitória. Aleluia! Podemos
vencer o mundo inteiro se tivermos fé.
A nossa certeza de vitória está firmada nos méritos de Cristo. O nosso
Salvador sempre foi e será vitorioso. Jesus venceu todas as batalhas que
travou em sua vida, e elas não foram poucas. Ele venceu a batalha do deserto,
na qual o Inimigo tentou levá-lo a pecar. Ele venceu a batalha do jardim,
decidindo tomar o cálice que o Pai lhe estendia. Ele venceu a batalha do
Calvário, onde triunfou sobre os principados e potestades. Ele venceu a
batalha do sepulcro, ressuscitando ao terceiro dia e derrotando a morte.
Marchamos na companhia de um General que jamais foi ou será
vencido. Ele assegura o mesmo triunfo aos seus servos e servas. A nossa
vitória será certa se seguirmos a Jesus Cristo. Sendo assim, confiemos e
prossigamos. Na hora certa o mar vai se abrir, as muralhas vão cair, e nós
vamos vencer!
Deus sempre nos auxiliará.
Ele é o nosso ajudador.
O Senhor é quem sustenta a nossa vida.
Quando Davi estava fugindo de Saul, escondendo-se nos desertos e nas
cavernas, passou por muitas provações. Ele estava longe das pessoas que
amava, enfrentava toda sorte de perigos, e sofria várias privações. Entretanto,
havia sobre ele uma promessa: o Senhor lhe tinha dito que seria rei do seu
povo. Alguns, talvez, perguntassem: “Como aquilo que Deus falou a respeito
de Davi irá se cumprir? Tudo parece estar contra ele! De que maneira poderá
reinar sobre Israel?”
Certo dia, um grupo de trinta soldados foi ao encontro de Davi no
deserto, oferecendo-se para batalhar ao seu lado. Eles enxergaram que havia
algo diferente na vida daquele homem. De acordo com a Bíblia, “veio o
Espírito sobre Amasai, chefe dos trinta, que disse: Nós somos teus, ó Davi, e
contigo estamos, ó filho de Jessé! Paz, paz contigo, e paz com quem te ajuda!
Pois que teu Deus te ajuda!” (1 Cr 12.18).
“Pois que teu Deus te ajuda.” Apesar das circunstâncias adversas,
Amasai e seus companheiros perceberam que Deus estava auxiliando Davi. E
o próprio Davi acreditou nisso. Assim, pela fé, ele continuou perseguindo seu
sonho. O final da história é bem conhecido: Davi se assentou sobre o trono
em Jerusalém e se tornou o maior dos reis de Israel. Isso aconteceu porque o
Senhor jamais deixou de cumprir uma promessa.
“Pois que teu Deus te ajuda.” Essas palavras também se aplicam a você.
Tome posse delas! Não importa que a situação seja difícil e que nada pareça
estar a seu favor. Se Deus estiver ao seu lado, a solução aparecerá. Pessoas
boas enxergarão a ação do Senhor na sua vida e desejarão lutar ao seu lado.
Suas forças serão renovadas. Seus inimigos serão vencidos. E a promessa do
Pai se cumprirá.
Todas as coisas são possíveis, porque o nosso Deus nos ajuda!
12
Deus nos recompensará
Vós, porém, esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos,
porque a vossa obra terá uma recompensa (2 Cr 15.7).
Alguma vez você já se perguntou se compensa ser um cristão? Houve
um homem que fez essa pergunta. Na verdade, ele a endereçou ao próprio
Cristo. Certa vez, o apóstolo Pedro, com a sua habitual franqueza, questionou
o Salvador. Ele disse ao Mestre: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos;
que recompensa, pois, teremos nós?” (Mt 19.27).
É possível que, se estivéssemos no lugar de Pedro, não mostrássemos a
mesma ousadia. Contudo, também é possível que, como ele, já tenhamos
pensado no assunto. Afinal, abrimos mão de muita coisa quando tomamos a
decisão de seguir o Mestre. A nossa decisão valeu a pena?
A resposta a essa pergunta é um enfático “sim”! Um belo hino composto
por Frank Huston, intitulado Compensa Servi-lo, diz em sua letra: “A obra de
Cristo prazer certo traz. Nele há gozo eterno, suave e eficaz. É céu aceitá-lo,
na fé repousar, em sua vontade ficar. Compensa servi-lo, compensa, eu sei!
Compensa seguir com o Rei! Quando a senda da vida me for desigual, com
Jesus há de ser natural”.
Sim, compensa servir a Jesus!
Muitas histórias bíblicas falam sobre pessoas que foram recompensadas
por confiar em Deus. Poderíamos, por exemplo, citar o caso de Rute. Ela
deixou a terra de Moabe para acompanhar sua sogra até Belém depois que as
duas ficaram viúvas. Quando soube o que ela havia feito, Boaz lhe disse: “O
SENHOR recompense o que fizeste” (Rt 2.12). É engraçado que Boaz tenha
dito isso... porque a recompensa era ele mesmo! Boaz era rico, desimpedido,
gentil e consagrado. Ele era o melhor partido da região! Todas as moças
solteiras de Belém sonhavam em se casar com Boaz! Entretanto, foi a Rute
que ele entregou o seu coração. Isso é o que eu chamo de um final feliz. As
coisas que Deus faz são, realmente, maravilhosas.
Sim, compensa servir a Jesus. E há muitas promessas registradas nas
Escrituras que afirmam isso. O Senhor diz que não deixará de nos premiar
por aquilo que fizermos neste mundo.
DEUS RECOMPENSARÁ AS NOSSAS OBRAS
Confira alguns versículos da Bíblia que falam sobre as retribuições de
Deus:
“Aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com
cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus molhos.” (Sl 126.6.)
“Pois comerás do trabalho das tuas mãos, feliz serás, e te irá bem.” (Sl
128.2.)
“O que semeia justiça recebe galardão seguro.” (Pv 11.18.)
“Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o
acharás.” (Ec 11.1.)
“Reprime a tua voz do choro e das lágrimas os teus olhos, porque há
galardão para o teu trabalho, diz o Senhor.” (Jr 31.16.)
“E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um destes
pequeninos, na qualidade de discípulo, em verdade vos digo que de modo
algum perderá a sua recompensa.” (Mt 10.42.)
“E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe,
ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e
herdará a vida eterna.” (Mt 19.29.)
“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e
transbordando vos deitarão no regaço; porque com a mesma medida com
que medis, vos medirão a vós.” (Lc 6.38.)
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre
abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no
Senhor.” (1 Co 15.58.)
“E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se
não houvermos desfalecido.” (Gl 6.9.)
“Sabendo que cada um, seja escravo, seja livre, receberá do Senhor
todo bem que fizer.” (Ef 6.8.)
“Sabendo que do Senhor recebereis como recompensa a herança; servi
a Cristo, o Senhor.” (Cl 3.24.)
São muitas passagens enfatizando a mesma verdade. Elas nos dão
condições de afirmar, acima de qualquer dúvida, que Deus recompensará as
nossas obras. Se ficássemos sem um prêmio pelos nossos esforços, o Senhor
estaria quebrando a sua promessa, faltando com a sua palavra, anulando o seu
concerto. E sabemos que isso jamais acontecerá, porque é impossível que
Deus minta. O que Deus fala, ele faz. O que Deus promete, ele cumpre.
Louvado seja Deus!
DEUS NOS RECOMPENSARÁ PORQUE ELE É
JUSTO
Naturalmente, ninguém jamais poderá se colocar no lugar de credor de
Deus, ou exigir dele coisa alguma. Por que, então, o Senhor diz que irá nos
recompensar? Porque ele é justo! A justiça é um dos atributos mais
admiráveis do Criador. A própria graça não elimina a justiça, apenas vai além
dela. Para que pudéssemos ser salvos pela graça, Jesus morreu em uma cruz,
satisfazendo, assim, a justiça.
Esse apego do Senhor à justiça faz com que ele retribua, a cada um,
segundo as suas obras. Podemos até olhar à nossa volta e dizer: “Não há
justiça neste mundo!” Em Deus, porém, sempre encontraremos justiça. O
Senhor é santo e fiel. Não podemos cobrar nada de Deus por conta do que
fazemos. Mas o Senhor garante que nos recompensará por causa do que ele é.
Veja o que dizem estes versos da Escritura:
“Ele é a Rocha; suas obras são perfeitas, porque todos os seus
caminhos são justos; Deus é fiel e sem iniquidade; justo e reto ele é.” (Dt
32.4.)
“O homem de bem alcançará o favor do Senhor, mas ao homem de
perversos desígnios, ele o condenará.” (Pv 12.2.)
Entendeu o recado? Deus é justo! É por isso que não desanimamos. É
por isso que não murmuramos. É por isso que não nos deixamos abater.
Sabemos que, na hora certa, a nossa compensação chegará.
DEUS NOS RECOMPENSARÁ QUANDO JESUS
VOLTAR
Há um ditado que diz: “Aqui se faz, aqui se paga”. Bem, isso não é
totalmente verdadeiro. De fato, uma porção da retribuição divina é efetuada
aqui, no curso de nossa vida terrena. No entanto, as contas só serão
totalmente acertadas na eternidade. É por isso que a Bíblia diz que boa parte
da nossa recompensa nos será entregue quando Cristo regressar.
É Jesus quem declara:
“Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus
anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.” (Mt 16.27.)
“Pois retribuído te será na ressurreição dos justos.” (Lc 14.14.)
De acordo com o ensino bíblico, quando Jesus voltar, os mortos
ressuscitarão. Que dia glorioso será aquele! De um lado, teremos Cristo
regressando sobre as nuvens do céu, ao som da trombeta, cercado de anjos,
trazendo em suas mãos a recompensa dos salvos. E do outro, veremos os
justos ressuscitando, glorificados e jubilosos, subindo para encontrar-se com
o Salvador nas nuvens, a fim de receber a recompensa que lhes foi prometida.
Que cena incomparável! Mal podemos esperar para que se torne realidade...
DEUS NOS RECOMPENSARÁ NA ETERNIDADE
Quer Jesus venha ao nosso encontro (por meio da sua volta), quer
partamos ao encontro dele (por meio da nossa morte), o certo é que, um dia,
estaremos com o Senhor. E, então, receberemos o nosso galardão. Segundo o
ensino bíblico, a salvação nos é dada pela graça, por meio da fé, ao passo que
o galardão nos é concedido pela justiça, por meio das obras. Assim, o Senhor
tanto agracia quanto recompensa os seus filhos. Ele é misericordioso e justo.
Veja o que a Bíblia diz a esse respeito:
“Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se
podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Rm 8.18.)
“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2.10.)
O Senhor nos recompensará na eternidade. Se seguirmos a Cristo,
iremos para o céu, e então receberemos o prêmio. E ali, na Canaã celestial,
desfrutaremos para todo sempre o galardão que o Pai nos concederá. Não
sabemos, exatamente, em que consistirá esse galardão. Porém, é certo que ele
nos será dado, porque “cada um receberá o seu galardão segundo o seu
trabalho” (1 Co 3.8). Deus nunca deixa de cumprir uma promessa!
O cristão – ao oferecer a outra face, ao virar as costas para os prazeres
do mundo, ao pagar o preço do discipulado – pode parecer tolo aos olhos dos
homens. Entretanto, tolo é quem dá ouvidos à voz de Satanás. Os que
entregam suas vidas a Cristo são os verdadeiros sábios. Gozam as bênçãos de
Deus nesta vida e desfrutarão as venturas do Senhor no porvir.
Compensa servir a Jesus? É claro que sim!
Não é tolo aquele que abre mão do que não pode reter para ganhar o que
não pode perder (Jim Elliot).
Deus sempre nos recompensará. Ele fará isso aqui e no além. E tanto no
presente quanto na eternidade Jesus estará conosco. Que galardão maior nós
poderíamos desejar?
Gosto muito da história de um pregador chamado Billy Bray. Ele viveu
na Inglaterra, no século XIX. Tornou-se conhecido como “o Homem Feliz de
Deus”, pois costumava anunciar o evangelho de um modo alegre e
extrovertido. Antes da sua conversão aos vinte e nove anos, Bray levou uma
vida de embriaguez, destratando sua mulher e envergonhando seus filhos.
Mas, após encontrar-se com Cristo, tornou-se uma pessoa extremamente
afável. Ele estava sempre sorrindo e louvando ao Senhor, independentemente
das circunstâncias.
Billy Bray passou por muitas lutas em sua vida, e houve momentos em
que ele e sua família quase não tinham o que comer. Certa manhã, o pregador
estava no seu quintal, cavando algumas batatas que seriam preparadas para o
almoço, quando sentiu que o diabo o estava oprimindo. Pareceu-lhe que
Satanás falava aos seus ouvidos:
– Billy, Deus não ama você de verdade. Se ele o amasse, não lhe daria
apenas essas míseras batatas.
Billy Bray, então, respondeu em voz alta:
– Diabo, eu servi a você por um longo tempo. Nenhum mestre poderia
ter tido um servo mais dedicado do que aquele que eu fui para você. Mas,
durante todo o tempo em que eu o servi, você não me deu batatas. Durante
todo o tempo em que eu o servi, você não me deu nada de bom.
Que excelente resposta! Que tapa na cara de Satanás! Afinal, quem
recompensa melhor os seus servos: Deus ou o Maligno?
É por isso que eu gosto de Billy Bray. Ele reconhecia o privilégio que
era servir a Jesus. Ele amava o Salvador de verdade. Os que conviviam com
ele muitas vezes o ouviam dizer:
“Eu preferiria estar no inferno com Jesus a estar no céu sem ele. Pois o
inferno com Jesus pareceria o céu para mim, e o céu sem Jesus pareceria o
inferno.”
Vale a pena seguir a Jesus? Sim, com certeza! E a amizade do Salvador
será, sempre, a nossa maior recompensa. Por mais esplêndidos que sejam os
prêmios que venhamos a receber, a alegria maior já nos pertence. Não existe
nada melhor do que desfrutar a doce comunhão com o nosso Mestre. É céu
aceitá-lo, na fé repousar, em sua vontade ficar. Como são felizes aqueles que
conhecem a Cristo!
13
Deus ouvirá a nossa oração
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abir-se-vos-á.
Pois todo o que pede recebe; e quem busca acha; e ao que
bate, abrir-se-lhe-á (Mt 7.7,8).
Em 1 Reis 18, lemos a história do confronto entre Elias e os profetas
de Baal. O desafio havia sido lançado: quem enviasse fogo do céu provaria
ser o verdadeiro Deus. Durante muito tempo, os adoradores daquela
divindade pagã gritaram, pularam e se cortaram, dizendo: “Ó, Baal, responde-
nos!” Entretanto, nada aconteceu. A Bíblia diz que, a certa altura, o homem
de Deus começou a zombar deles, dizendo: “Gritem mais alto, gritem mais
alto! Talvez esse deus de vocês esteja em uma reunião! Pode ser que esteja
viajando! É possível que esteja dormindo, e precise ser despertado!” E
quando os profetas de Baal finalmente desistiram, Elias fez uma oração
simples e rápida ao Senhor. Então, o fogo desceu do céu. E o povo,
maravilhado, se prostrou em adoração, dizendo: “O Senhor é Deus! O Senhor
é Deus!”
Clamar a um deus falso é uma coisa. Orar ao Deus verdadeiro é algo
totalmente diferente. O Senhor nos escuta quando falamos. Ele se inclina em
nossa direção e nos mostra o seu favor. Ele não está dormindo. Seus ouvidos
não estão tapados. O Senhor escuta as nossas preces. E isso é uma promessa!
DEUS ESTÁ À DISTÂNCIA DE UMA ORAÇÃO
Algumas pessoas acreditam que o Senhor esteja longe, ou que ele se
esquive de nós. Castro Alves, em um de seus poemas, escreveu: “Deus, ó
Deus, onde estás que não respondes? Em que mundo, em que estrela tu te
escondes?” Mas a verdade é que o Senhor não está distante nem escondido.
Ao contrário do que imaginava o poeta, ele está bem perto, ao alcance de uma
oração.
Deus vê, Deus ouve, Deus cuida. Nós nunca saímos da tela do radar de
Deus!
“Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que
esperam na sua benignidade.” (Sl 33.18.)
“Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua
presença? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que
tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades
do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.” (Sl 139.7-
10.)
“Os olhos do Senhor estão em todo lugar, vigiando os maus e os bons.”
(Pv 15.3.)
“Buscar-me-eis e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso
coração.” (Jr 29.13.)
“Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos
atentos à sua súplica.” (1 Pe 3.12.)
Deus está à distância de uma prece. De vez em quando, um foguete é
lançado ao espaço, e, quando isso acontece, os olhos do mundo inteiro
costumam se voltar para o grande evento. Quanto preparo! Quanta tecnologia
envolvida! Quanto combustível utilizado! Quanta energia produzida! E todas
essas coisas são necessárias apenas para enviar alguém um pouco além da
atmosfera. Contudo, para chegarmos até Deus, que está infinitamente mais
alto, só precisamos de uma oração.
Quando oramos ao Senhor, sabemos que estamos falando com um Deus
acessível, o qual está muito perto de nós, ao alcance de um sussurro ou de um
simples pensamento. Sabemos, igualmente, que estamos falando com um
Deus generoso. Os depósitos do Senhor são inesgotáveis, seus celeiros nunca
ficam vazios. “A benignidade do SENHOR jamais acaba, as suas misericórdias
não têm fim”, garante a Bíblia (Lm 3.22). Portanto, oremos! “Entra no teu
quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê
em secreto, te recompensará”, disse Jesus (Mt 6.6).
DEUS TEM PROMETIDO OUVIR AS NOSSAS
ORAÇÕES
O Senhor está nos ouvindo. “Agora, estarão abertos os meus olhos e
atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar”, ele prometeu (2
Cr 7.15). O salmista deu o seguinte testemunho: “Porque não desprezou nem
abominou a aflição do aflito, nem dele escondeu o seu rosto; antes, quando
ele clamou, o ouviu” (Sl 22.24). E por essa razão, o profeta declarou: “Eu,
porém, confiarei no SENHOR; esperarei no Deus da minha salvação. O meu
Deus me ouvirá” (Mq 7.7).
Deus não tem problemas de audição. Ele escutou o choro de Ismael
debaixo do arbusto. Ele ouviu a oração de Ana quando estava no templo. Ele
escutou o clamor de Davi quando se achava na caverna. Ele ouviu a oração
de Jonas na barriga do grande peixe. Ele escutará você, se você clamar.
No ano de 2010, um grupo de 33 mineiros chilenos ficou preso em uma
mina após um desabamento. Por 17 dias o mundo ficou sem saber se eles
estavam vivos ou mortos. Quando finalmente se soube que todos estavam
com vida, começou a difícil operação de resgatá-los das entranhas da terra.
Por fim, 69 dias depois do desmoronamento, os homens começaram a
ser trazidos de volta à superfície. Os olhos de todo o planeta estavam
voltados para o Chile. Com muita expectativa, as pessoas acompanhavam, ao
vivo, aquele momento histórico. E então, para alegria geral, o primeiro
mineiro saiu da cápsula de resgate. Naquele momento, algo chamou a atenção
de todos. O homem estava com uma camiseta na qual se podia ler o Salmo
95.4. O texto dizia: “Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas
dos montes são suas”.
Que belo testemunho! Aqueles homens descobriram que o Senhor podia
escutá-los, ainda que estivessem mergulhados na mais absoluta escuridão e se
achassem centenas de metros abaixo da superfície. Ele ouviu as suas preces,
guardou as suas vidas, providenciou o seu livramento. Como é maravilhoso o
poder de Deus! Ele sempre nos ouve, por mais fundo que seja o poço em que
nos achemos, por mais escura que seja a situação em que nos encontremos!
Ele prometeu estar atento às nossas orações!
DEUS TEM PROMETIDO RESPONDER AS
NOSSAS ORAÇÕES
O nosso Deus é um Deus que escuta, e é, também, um Deus que fala. Na
Bíblia Sagrada, encontramos várias promessas de que o Senhor não apenas
escutará as nossas preces, mas, igualmente, responderá a elas.
“No dia da minha angústia, clamo a ti, porque tu me respondes”,
escreveu o salmista (Sl 86.7). Essa é a bendita certeza do cristão! Deus
assegurou aos seus filhos: “Antes de clamarem eles, eu responderei; e,
estando eles ainda falando, eu os ouvirei” (Is 65.24). Que bela promessa!
“Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos,
quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhas
pedirem?”, falou Jesus (Mt 7.11).
Você pode, realmente, confiar em Deus! “Porque ele livra ao
necessitado quando clama, como também ao aflito e ao que não tem quem o
ajude.” (Sl 72.12.)
Não se apavore. Sempre existe uma esperança. Deus não criou o mundo
e saiu de férias. Jesus disse que o Pai trabalha até agora. O Senhor está
conduzindo os grandes acontecimentos da história. E ele prometeu ouvir e
responder as nossas preces.
Na Inglaterra do século XIX, viveu um evangelista e missionário
chamado George Müller. Ele ficou conhecido como “o Príncipe da Oração”.
Müller era um homem que vivia na dependência de Deus. Construiu cinco
orfanatos e sustentou mais de 10.000 órfãos sem jamais pedir ajuda a
ninguém além do Senhor. Leu a Bíblia inteira mais de 200 vezes. Orava tanto
que tinha calos em seus joelhos.
George Müller possuía um hábito interessante. Ele costumava anotar em
um diário tanto os pedidos que fazia a Deus quanto as respostas às suas
orações, assim como as pessoas fazem em um livro de contabilidade. A partir
desse diário, ele escreveu um livro chamado 50 Mil Orações Respondidas. O
título fala por si mesmo. Müller era um homem de fé, que confiava nas
promessas do Senhor. “Se Deus falhar comigo hoje, será a primeira vez”,
costumava dizer.
Devemos orar na certeza de que o Senhor nos ouve e responde. Certa
vez, George Müller afirmou: “A incredulidade não dá um passo sem
explicações prévias. A fé, pelo contrário, não interroga nem calcula,
simplesmente confia”. É essa a confiança que o Senhor deseja que tenhamos.
Quando cremos em Deus, honramos o seu nome e somos abençoados. A
nossa vida de oração se torna rica e fascinante.
QUAIS SÃO OS SINAIS DA ORAÇÃO QUE DEUS
ATENDE?
O Senhor sempre responde as nossas orações. Mas, de que maneiras ele
responde? A resposta divina pode ser sim, não ou espere.
Deus sempre ouve. Deus sempre responde. Mas Deus nem sempre
atende. Algumas orações recebem o sim do Senhor, e, outras, o seu não.
Naturalmente, cada um de nós, quando ora, tem a expectativa de que a
resposta seja sim. Será que existe algum requisito para que isso aconteça?
Devemos lembrar que várias promessas bíblicas são condicionais. Da
mesma forma, uma resposta positiva do Senhor às nossas preces depende de
alguns fatores.
Quais são as marcas de uma oração à qual o Senhor atende?
1. A oração que Deus atende é feita em nome de Jesus. Nós não oramos
aos anjos. Não oramos aos santos. Nós oramos a Deus em nome de Jesus
Cristo. Foi o Mestre quem disse: “Se me pedirdes alguma coisa em meu
nome, eu a farei” (Jo 14.14). Ele falou aos seus discípulos: “Até agora nada
pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo seja
completo” (Jo 16.24). Jesus é o único Salvador, o único Mediador, o único
Intercessor. Em seu nome devemos fazer as nossas orações.
2. A oração que Deus atende é feita com fé. “E tudo o que pedirdes na
oração, crendo, recebereis”, prometeu Cristo (Mt 21.22). Todos podem pedir,
mas aqueles que desejam receber precisam ter fé. Quando almejar uma
bênção, “peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-
á dada. Peça-a, porém, não duvidando; pois, aquele que duvida é semelhante
à onda do mar, que é agitada e sublevada pelo vento. Não pense tal homem
que receberá do Senhor alguma coisa” (Tg 1.5-7).
3. A oração que Deus atende é feita por um justo. “A súplica de um
justo pode muito na sua atuação”, escreveu Tiago (Tg 5.16). É claro que
nenhum de nós é perfeito. Daniel disse que nós não lançamos as nossas
súplicas perante o Senhor confiados em nossas justiças, e sim nas suas
misericórdias (Dn 9.18). Mas o fato é que os pecados podem prejudicar as
nossas preces. De acordo com Pedro, um marido que trata mal a mulher tem
as suas orações impedidas (1 Pe 3.7). Por isso, é importante buscarmos uma
vida de santidade. “Se eu tivesse guardado iniquidade no meu coração, o
Senhor não me teria ouvido”, falou o salmista (Sl 66.18). Por outro lado, “os
justos clamam, e o SENHOR os ouve; e os livra de todas as suas angústias” (Sl
34.17).
4. A oração que Deus atende é feita segundo a vontade de Deus. É
possível que uma oração seja feita por um justo, com fé, em nome de Jesus, e
ainda assim a resposta seja negativa? Sim, é possível, porque o Senhor pode
ter outros planos para nós. A sua vontade é sempre perfeita (Rm 12.2), e os
seus pensamentos são mais elevados que os nossos (Is 55.9). A Bíblia diz que
o cálice não foi passado de Jesus, e que o espinho não foi retirado de Paulo.
A promessa de Deus é: “Se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade,
ele nos ouve” (1 Jo 5.14). Nosso Pai sempre sabe o que é melhor para nós.
Quando a nossa oração traz em si essas quatro marcas, o sim de Deus é
certo. Procuremos, portanto, esses sinais, e dediquemo-nos à oração. As
experiências serão inesquecíveis, e os resultados, tremendos!
O Senhor ouve, o Senhor responde, o Senhor atende. Louvado seja o
nome do Senhor! Os céus estão abertos para os filhos e filhas de Deus! Sendo
assim, precisamos orar. Nenhuma pessoa é maior do que a sua vida de
oração. Acho muito bonita a declaração do salmista, que disse: “Bendito seja
Deus, que não rejeitou a minha oração, nem retirou de mim a sua
benignidade” (Sl 66.20). Penso que eu mesmo poderia ter escrito essas
palavras. E quanto a você? Essa tem sido a sua experiência? Você também
poderia dar esse testemunho? Louvado seja o nome do Senhor!
A nossa vida de oração abre as portas para as mais arrebatadoras
aventuras espirituais. Nutre o nosso relacionamento com o Pai, edifica o
nosso caráter e nos dá condições de superar os desafios. O que não podemos
fazer é deixar de orar.
Conta-se que, em um país marcado pela perseguição religiosa, um grupo
de cristãos decidiu manter sua fé ativa. Para isso, eles estabeleceram um lugar
de oração no meio da floresta. Embora todos fossem ao mesmo local, cada
um conservava o seu próprio caminho e horário, a fim de não levantar as
suspeitas das autoridades. E a persistência deles era tão grande que, na
medida em que iam e voltavam do lugar secreto, iam se formando trilhas
sulcadas no meio da vegetação pela qual passavam.
De acordo com a história, isso se prolongou por muitos anos. E a única
maneira que os fiéis tinham de saber se seus companheiros permaneciam
firmes na fé era observando as marcas deixadas no chão. O solo batido
indicava um movimento constante; porém, quando a trilha começava a ser
coberta pelo mato, isso era um sinal de que a pessoa não estava
comparecendo ao lugar de oração. Nesse caso, um recado logo era dado ao
crente faltoso. Quando outro irmão se encontrava com ele em algum lugar,
dizia-lhe: “Olhe, está crescendo mato no seu caminho”.
Hoje, eu gostaria de lhe fazer uma pergunta. E ela é a seguinte: “Está
crescendo mato no seu caminho?” O seu lugar particular de oração tem que
ser frequentado assiduamente. O caminho até ele deve ser percorrido todos os
dias. Você não pode descuidar da sua intimidade com o Pai. Cultive uma vida
intensa e saudável de oração. Os resultados acompanharão você ao longo de
toda a vida e se estenderão por toda a eternidade. Você pode acreditar, porque
aquele que prometeu é fiel!
14
Deus alegrará o nosso coração
Alegre-se o coração dos que buscam ao SENHOR (1 Cr
16.10).
A alegria é uma coisa que todos querem. Porém, quantos chegam
realmente a desfrutá-la? Arthur Schopenhauer, um filósofo ateu do século
XIX, afirmou que “a infelicidade é a regra geral da existência humana”. E
essa parece ser, de fato, a experiência daqueles que não creem em Deus.
Entretanto, como é diferente a condição do salvo por Jesus!
O Deus da Bíblia é um Deus de alegria. É um Deus que proporciona real
felicidade aos seus filhos. Nas páginas da Escritura Sagrada, podemos
encontrar numerosas promessas a esse respeito. Eis algumas delas:
“Há para o homem de paz um porvir feliz.” (Sl 37.37.)
“A luz é semeada para o justo, e a alegria, para os retos de coração.”
(Sl 97.11.)
“Bem-aventurado o povo cujo Deus é o Senhor!” (Sl 144.15.)
“E tu te alegrarás no Senhor e te gloriarás no Santo de Israel.” (Is
41.16.)
“Então, a virgem se alegrará na dança, como também os mancebos e os
velhos juntamente; porque tornarei o seu pranto em gozo e os consolarei; e
lhes darei alegria em lugar de tristeza.” (Jr 31.13.)
“A vossa tristeza se converterá em alegria.” (Jo 16.20.)
“E alegrar-se-á o vosso coração, e a vossa alegria ninguém vo-la
tirará.” (Jo 16.22.)
“Mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para
que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis.” (1 Pe
4.13.)
“Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem cairá sobre eles o
sol nem calor algum; porque o Cordeiro que está no meio, diante do trono,
os apascentará e os conduzirá às fontes das águas da vida; e Deus lhes
enxugará dos olhos toda lágrima.” (Ap 7.16,17.)
Deus, portanto, nos tem prometido a alegria. Mas... como é que essa
promessa se cumpre? De que maneira um ser humano pode alcançar a
felicidade? Na declaração de independência dos Estados Unidos, está escrito
que todos os homens têm direito “à vida, à liberdade e à busca da felicidade”.
Buscar a felicidade, entretanto, pode não ser algo tão bom quanto parece. A
felicidade é como a sombra: quanto mais corremos atrás dela, mais ela foge
de nós. Quem busca a felicidade acabará por não encontrá-la.
Há muita gente que pensa que será feliz quando tiver certas coisas: um
namorado, um cônjuge, um filho, uma casa na praia, uma fortuna no banco.
Contudo, não é assim que a vida é. Não é assim que as coisas funcionam. Na
verdade, a alegria é um produto. É uma espécie de efeito colateral. É o
resultado de buscarmos e fazermos certas coisas. Quando estabelecemos as
prioridades corretas, a alegria vem até nós sem que precisemos correr atrás
dela.
Veja o que a Bíblia diz a respeito da alegria:
A ALEGRIA É O RESULTADO DE UMA
RELAÇÃO
Esse é o ponto de partida. Para sermos felizes de fato, precisamos
estabelecer um relacionamento de intimidade com o Senhor. A comunhão
com o Pai celestial nos proporciona real alegria. Só Deus é suficientemente
grande para preencher o vazio do nosso coração.
Deus, tu nos criaste para ti, e nossos corações não encontrarão repouso
enquanto não repousarem em ti (Agostinho de Hipona).
Quando nos relacionamos adequadamente com Deus, ele se mostra a
fonte do genuíno contentamento. Por isso, precisamos ter em mente que o
cristianismo é mais do que uma religião: é uma relação. A verdadeira alegria
é resultado da paz com o Criador, a qual nós encontramos por meio de Jesus
Cristo.
As obras sacras do compositor alemão Franz Joseph Haydn eram
músicas muito alegres. Quando as pessoas perguntavam a ele por que isso
acontecia, Haydn costumava responder: “Não posso compor essas músicas de
outro modo. Quando penso em Deus e no seu amor, meu espírito fica cheio
de contentamento. As notas parecem saltar de satisfação da pena com que
escrevo. Deus me deu um coração alegre. E, sendo assim, é natural que eu o
sirva com alegria”.
As promessas bíblicas de felicidade estão relacionadas à nossa
comunhão com Deus. Quanto mais perto estivermos do nosso Pai celestial,
mais alegres seremos.
“A alegria do Senhor é a vossa força.” (Ne 8.10.)
“O justo se alegrará no Senhor e confiará nele, e todos os de coração
reto cantarão louvores.” (Sl 64.10.)
A ALEGRIA É RESULTADO DE UMA
TRANSFORMAÇÃO
Folheando as páginas da Bíblia, descobrimos que a felicidade nos
alcança depois de grandes tristezas, ou, até mesmo, através delas. Há muitas
passagens que falam sobre a transformação das lágrimas em sorrisos, como
se o desgosto fosse a matéria-prima utilizada pelo Senhor para fabricar o
contentamento.
Existe uma fábula que conta que Deus deu a certo homem duas caixas,
dizendo: “Na primeira você guardará todas as suas tristezas, e na outra, as
suas alegrias”. O homem fez como o Senhor havia falado. Guardou as
experiências boas e ruins nas respectivas caixas. Depois de muitos anos, ele
parou para comparar as duas, e descobriu que a caixa das alegrias estava mais
pesada. E ele achou aquilo muito estranho, pois, embora tivesse passado por
bons momentos, havia também enfrentado dissabores.
– Deus, por que a caixa das alegrias está mais pesada?, perguntou ele.
– Abra as duas e você verá, respondeu o Criador.
Então, o homem abriu a caixa das tristezas. Ele descobriu que muito do
que ele havia colocado lá dentro havia, simplesmente, desaparecido.
– Como pode ser isso?, questionou ele.
Mas, em seguida, abriu a caixa das alegrias. Naquele momento,
descobriu que as suas antigas mágoas estavam lá. Só que, agora,
transformadas em contentamentos.
Lembre-se: a tristeza é muitas vezes o material áspero e espinhoso que
Deus usa para construir as alegrias mais suaves. Uma pessoa feliz não é
alguém que não enfrenta dificuldades. É alguém que tem as suas lutas
transformadas em vitórias.
Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria (Khalil
Gibran).
“O choro pode durar uma noite; pela manhã, porém, vem o cântico de
júbilo.” (Sl 30.5.)
“Os que semeiam em lágrimas, com cânticos de júbilo ceifarão.” (Sl
126.5.)
A ALEGRIA É RESULTADO DE UMA
DEDICAÇÃO
O caminho mais curto para que eu me torne uma pessoa infeliz é pensar
demais em mim mesmo. Boa parte da insatisfação verificada nos dias atuais
decorre do fato de que homens e mulheres estão buscando a satisfação dos
seus próprios desejos. Individualismo e egoísmo são as marcas do nosso
tempo. Eles nos contagiam e acabam nos empurrando em direção à
infelicidade.
“Quem tem um ‘porquê’ supera qualquer ‘como’”, escreveu o psiquiatra
Viktor Frankl. Uma vida abençoada é uma vida com propósito. Quando nos
dedicamos ao serviço de Deus e do próximo, descobrimos que a alegria
invade o nosso coração.
Os únicos dentre vocês que serão realmente felizes são os que
procurarem e encontrarem um meio de servir (Albert Schweitzer).
Há grande alegria em promover a satisfação alheia. Veja, por exemplo, a
empolgação de uma avó quando entrega um presente a um neto. A criança,
naturalmente, fica feliz; porém, se você olhar para o rosto da avó, perceberá
que o contentamento dela é ainda maior. Mais feliz é aquele que dá do que
aquele que recebe. Quando buscamos o bem dos nossos semelhantes,
fazemos bem a nós mesmos, ainda que não fosse essa a intenção original.
“Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber.” (At 20.35.)
“Pois, quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua do
mal, e os seus lábios não falem engano; aparte-se do mal e faça o bem;
busque a paz e siga-a.” (1 Pe 3.10,11.)
A ALEGRIA É RESULTADO DE UMA DECISÃO
Algumas pessoas lutam com a melancolia, com a introspecção, com a
nostalgia, com uma tendência à depressão. A inclinação delas é enxergar
sempre a metade vazia do copo. Isso parece ser uma questão de constituição e
de temperamento. E parece que essas pessoas têm que se esforçar mais do
que as outras a fim de serem felizes. Para alguns seres humanos, a alegria é
como uma fonte que borbulha espontaneamente. Para outros, contudo, ela se
assemelha a um poço cuja água tem que ser bombeada.
Alguns de nós precisaremos lutar contra a nossa inclinação emocional e
assumir um compromisso com a felicidade. Teremos de cultivar uma
disciplina, de impor a nós mesmos um exercício. Precisaremos aprender a,
em tudo, dar graças. Veja: a vida é como um self-service. Se quisermos
encontrar motivos para tristeza, não teremos que procurar muito longe. Mas
as razões para alegria também estão à nossa volta. E somos nós que
escolhemos, no buffet da vida, o que iremos colocar no nosso prato.
A alegria é o resultado de uma decisão. Alguns dos maiores homens e
mulheres da história foram indivíduos que travaram grandes lutas, sofreram
perdas ou padeceram de depressão. Através de um esforço consciente, porém,
eles se propuseram a ser felizes. Como resultado, superaram as suas
dificuldades, e deram contribuições significativas a toda a humanidade.
Quase sempre a maior ou menor felicidade depende do grau de decisão
de ser feliz (Abraham Lincoln).
As adversidades vêm para todos. Contudo, não podemos permitir que
elas nos abatam. Em certa medida, a alegria também é uma conquista.
Quando decidimos ser felizes com a ajuda de Deus, não há nada no mundo
que possa impedir que isso se torne realidade. É por essa razão que
encontramos na Bíblia versículos nos exortando a nos alegrarmos.
“Alegrai-vos no Senhor e regozijai-vos, vós justos; e cantai de júbilo,
todos vós que sois retos de coração.” (Sl 32.11.)
“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.” (Fp
4.4.)
Deus alegrará o nosso coração. Aleluia! Vamos fazer da relação com o
Senhor o motivo da nossa felicidade. Vamos servir ao nosso Pai e aos nossos
irmãos com alegria. Vamos entender que as tristezas de uma caixa poderão
amanhã ser as alegrias de outra. Vamos aprender a ver as coisas boas e a ser
agradecidos. Assim o Senhor nos abençoará, e cumprirá a sua promessa de
alegrar o nosso coração.
Alguém pode encarar o contentamento como algo associado à realização
de desejos e ao desfrute de situações favoráveis. Mas, nesse caso, a felicidade
dessa pessoa oscilará ao sabor das circunstâncias. Precisamos enxergar a
alegria como aquilo que ela realmente é: o resultado de determinadas
escolhas.
Certa ocasião, dezoito mil soldados das forças napoleônicas
apresentaram-se às portas de uma cidade austríaca. Os moradores não tinham
como se defender, e o conselho municipal estava prestes a anunciar a
rendição. Contudo, um dos presentes à reunião lembrou aos demais que
aquele dia era Domingo de Páscoa.
“Vamos adorar a Deus como sempre fizemos e deixar o problema nas
mãos dele”, sugeriu.
Os moradores fizeram isso. E os franceses, ouvindo os sinos das igrejas
tocarem alegremente, concluíram que soldados da Áustria haviam chegado
para defender o local. Assustados, suspenderam o ataque. Assim, antes
mesmo que os sinos parassem de tocar, todos os invasores haviam
desaparecido.
Algo parecido costuma acontecer em nossa vida. Quando fazemos tocar
os sinos da alegria nos momentos escuros da existência, os inimigos da nossa
felicidade são vencidos. Quando tomamos as decisões acertadas e nos
guiamos pela fé, as tristezas acabam batendo em retirada. Você pode esperar
as circunstâncias mudarem para tentar se alegrar. Ou, então, pode tomar
posse da alegria do Senhor, e ver as situações se alterarem. A verdade é que,
se quisermos que as coisas mudem do lado de fora, algo precisa mudar dentro
de nós. Experimente e verá.
15
Deus prometeu perdoar os nossos
pecados
Quem é Deus semelhante a ti que perdoas a iniquidade, e que
te esqueces da transgressão do resto da tua herança? O
SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque ele se
deleita na benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; pisarás
aos pés as nossas iniquidades. Tu lançarás todos os nossos
pecados nas profundezas do mar (Mq 7.18,19).
Desde que o pecado entrou no mundo, os seres humanos têm se visto
diante de um dilema: como lidar com a culpa? Trata-se de algo muito sério.
Podemos falar sobre culpa objetiva (que está relacionada ao fato de sermos
culpados) e culpa subjetiva (que diz respeito à questão de nos sentirmos
culpados). E tanto a primeira quanto a segunda colocam um grande peso
sobre as pessoas.
Não é difícil pecar. Difícil é lidar com a culpa que acompanha o pecado.
Ao longo da história, homens e mulheres têm buscado – de formas nem
sempre corretas – resolver esse problema. Na Bíblia, por exemplo, nos
deparamos com o caso de vários personagens que se esforçaram para, de
diferentes maneiras, lidar com as suas culpas.
Adão tentou se esconder. Embrenhou-se por entre as árvores do jardim,
numa tentativa patética de ocultar a si mesmo e ao seu pecado do Deus
Onisciente.
Caim endureceu o seu coração. Ao ser questionado sobre o paradeiro do
irmão a quem havia assassinado, respondeu de um jeito malcriado ao próprio
Criador.
Saul ficou louco. Consciente de que o Senhor o havia rejeitado, começou
a perseguir todo mundo, e a tentar matar os que ele achava que poderiam ser
uma ameaça.
Davi ficou doente. Ele sentiu seu humor se tornar em sequidão de estio.
Ele percebeu seus ossos envelhecerem. Ele reconheceu que a mão de Deus
pesava sobre ele.
Jonas tentou fugir. Embarcou em um navio que ia para longe e desceu
até o porão do barco. Achou que poderia escapar das consequências da sua
desobediência.
Pilatos lavou as mãos. Levando sobre si uma culpa terrível – a de um
juiz que, conscientemente, havia condenado um inocente –, tentou dizer que
não tinha nada a ver com o caso.
Pedro chorou amargamente. Após ter negado Jesus três vezes e
escutado o canto do galo, o seu coração se partiu, esmagado pela tristeza.
Judas se matou. No mais trágico episódio bíblico relacionado à culpa,
aquele que beijou a face do Mestre se enforcou, consumido pelo remorso de
haver traído o Salvador.
Percebemos, então, que há várias maneiras através das quais as pessoas
tentam lidar com as suas culpas. Nessas tentativas, elas acabam, muitas
vezes, piorando a situação. Na verdade, só existe um remédio para a culpa.
Ele se chama perdão. E Deus, na sua Palavra, o tem prometido a nós.
JESUS MORREU PELOS NOSSOS PECADOS
A Bíblia diz que Deus “nos tirou do poder das trevas, e nos transportou
para o reino do seu Filho amado; em quem temos a redenção, a saber, a
remissão dos pecados” (Cl 1.13,14). A morte de Jesus foi sacrificial e
substitutiva. Ele pagou o preço em nosso lugar. “Porque também Cristo
morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a
Deus.” (1 Pe 3.18.) Nossa certeza de perdão repousa nos méritos do Salvador,
“em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos nossos delitos,
segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1.7).
Às vezes, encontramos alguém que está passando por um momento
difícil e escutamos a seguinte frase: “Estou pagando os meus pecados”. Bem,
isso não é verdade. Em primeiro lugar, porque não podemos pagar pelos
nossos pecados. O salário é, simplesmente, a morte. E em segundo lugar,
porque não precisamos pagar por eles. Cristo já morreu na cruz em nosso
lugar para fazer isso.
EM CRISTO TEMOS O PERDÃO DOS PECADOS
Jesus ofereceu-se no Calvário para alcançar-nos o perdão, e o seu
sacrifício foi eficaz. A morte do Filho de Deus não foi em vão. A missão foi
cumprida, o alvo foi alcançado, o plano deu certo. Tudo se baseia na
promessa de que “o SENHOR resgata a alma dos seus servos, e nenhum dos
que nele se refugiam será condenado” (Sl 34.22).
Nossas falhas podem ser grandes, mas o amor de Deus é maior. O
Senhor garantiu aos remidos: “Ainda que os vossos pecados são como a
escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos
como o carmesim, tornar-se-ão como a lã” (Is 1.18). De fato, “se andarmos
na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue
de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1.7).
A tendência de muita gente é tratar pecado como se fosse roupa –
classificando-o em tamanhos P, M e G. Aos olhos do Senhor, entretanto, todo
pecado é ofensivo. Toda desobediência é grave. Todo desvio é mortal. Ainda
que o pecado do nosso irmão, muitas vezes, nos incomode mais do que o
nosso próprio, ambos são igualmente repulsivos diante do Criador. O sangue
de Jesus, todavia, nos purifica de todo pecado.
TENDO SIDO PERDOADOS, NÃO PRECISAMOS
TEMER CONDENAÇÕES
Imagine que você estivesse com uma dívida muito alta no banco e sem
condições de pagá-la. E que um amigo seu, sabendo disso, fosse até a agência
e efetuasse o pagamento em seu lugar. Será que o banco ainda poderia cobrar
algo de você? Será que o juiz poderia ordenar a sua prisão? Não, de forma
alguma! Pois, ainda que você mesmo não houvesse realizado o pagamento, a
dívida não existiria mais.
Essa é a situação do crente em Jesus Cristo. Ele não pode ser condenado,
porque seu débito já foi pago através do sangue derramado na cruz. O
Salvador afirmou: “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a
minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entra em
juízo, mas já passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Entende agora por que
“evangelho” significa “boas novas”?
Se já recebemos Jesus como nosso único e suficiente Salvador, não
precisamos temer condenações. “Quem intentará acusação contra os
escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; quem os condenará? Cristo
Jesus é quem morreu, ou antes, quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está
à direita de Deus, e também intercede por nós.” (Rm 8.33,34.) Como é
maravilhoso o perdão do Senhor! Ele, “havendo riscado o escrito de dívida
que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-
o do meio de nós, cravando-o na cruz” (Cl 2.14). Glória a Deus!
Diante dessa maravilhosa verdade, precisamos fazer quatro perguntas:
O QUE DEVO FAZER PARA SER PERDOADO?
Qual é o requisito? Que condição Deus estabelece? O que uma pessoa
tem que fazer para ser perdoada? De acordo com a Bíblia, o arrependimento
verdadeiro e a confissão sincera são passos suficientes para se alcançar o
perdão do Senhor. Porque “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e
justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9).
O pecado pode entrar na sua vida por muitas portas, mas só sairá dela
pela porta da confissão arrependida. Você precisa se quebrantar. Você precisa
admitir. Você precisa se dispor a mudar. Você precisa acreditar que o sangue
de Jesus é suficientemente poderoso para lavar seu coração. Você não precisa
pagar penitência. Você não precisa arrastar corrente. Você não precisa ser
infeliz. Você não precisa viver debaixo da vergonha e do remorso.
O QUE DEVO FAZER SE NÃO ME SINTO
PERDOADO?
Pode acontecer que nos arrependamos de algo que tenhamos feito e que,
por mais que leiamos na Bíblia que Deus perdoa aquele que se arrepende, não
consigamos nos sentir perdoados. Às vezes, achamos que o nosso erro é tão
grande que não tem conserto; que o nosso pecado é tão grave que não tem
perdão. É então que a nossa consciência continua a nos acusar e o nosso
coração insiste em nos condenar.
Como devemos proceder em uma situação assim? A Bíblia afirma que
precisamos colocar aquilo que o Senhor fala acima daquilo que o nosso
coração diz. “Porque, se o coração nos condena, maior é Deus do que o nosso
coração, e conhece todas as coisas.” (1 Jo 3.20.) A consciência é um dom
maravilhoso, mas ela não é infalível. Há dois tipos de consciência
problemática. Alguns possuem uma consciência hipersensível, sentindo-se
culpados sem que o sejam de fato. E outros têm uma consciência
cauterizada, o que significa que não se sentem culpados por piores que sejam
as suas ações.
Sozinha, a nossa consciência não é suficiente para dizer o que é certo ou
errado, para estabelecer o que é verdade ou mentira, ou para determinar se
fomos perdoados ou não. Ela tem que ser orientada e corrigida. Ela precisa
ser calibrada pela objetividade da Palavra do Senhor. O coração humano é
enganoso. Deus, pelo contrário, jamais engana ninguém. Não podemos nos
guiar pelo que sentimos. Temos que nos orientar por aquilo que o Senhor diz.
Decida-se a acreditar na promessa divina do perdão. Se você fizer isso, estará
no caminho certo. E os seus sentimentos, com o tempo, acompanharão a sua
decisão.
AGORA QUE FUI PERDOADO, O QUE DEVO
FAZER?
Homens e mulheres que experimentaram a alegria do perdão devem
proporcioná-la a seus semelhantes. Se fomos perdoados, devemos, então,
perdoar. Quando perdoamos, estamos agradando ao nosso Deus, abençoando
o nosso próximo, envergonhando Satanás e livrando a nossa própria alma de
um parasita chamado ressentimento.
Tem gente que quer ser perdoada, e, no entanto, se recusa a perdoar. Na
verdade, esse costuma ser um dos maiores obstáculos para que as pessoas se
apropriem das bênçãos do perdão. Se o Senhor perdoou a você, perdoe a seu
irmão. É assim que a Bíblia diz que os filhos e filhas de Deus devem viver:
“Suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa
contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também” (Cl
3.13).
AGORA QUE FUI PERDOADO, COMO DEVO
VIVER?
Se recebemos o perdão de Deus, devemos expressar a nossa gratidão
levando uma vida correta. Aqueles que foram salvos por Cristo precisam
viver em santidade. Seria uma ingratidão monstruosa continuarmos fazendo o
que desagrada ao Senhor, depois de ele haver pago um preço tão alto por
nossa redenção. Embora não sejamos perfeitos, temos que assumir um
compromisso com o amor, com a bondade, com a correção e com a
integridade. Precisamos firmar o propósito de ir e não pecar mais.
Buscar uma vida de santidade é a melhor maneira de mostrar nosso
reconhecimento por aquilo que Jesus fez por nós. “Fomos, pois, sepultados
com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre
os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de
vida”, diz a Palavra de Deus (Rm 6.4). Devemos morrer para o pecado e
viver para Jesus.
Deus tem nos dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, e todas
elas são belas. A promessa do perdão, entretanto, é uma das minhas
preferidas. Primeiramente, por causa da sua importância. Como eu poderia
seguir em frente sem que os meus pecados fossem perdoados? E, em segundo
lugar, por causa da sua acessibilidade. Não preciso me arrepender e ficar
torcendo para que, em algum dia num futuro distante, Deus me perdoe. O
tempo do arrependimento é o tempo do perdão.
Algumas promessas só se cumprirão no futuro, mas a promessa do
perdão está sempre ao nosso alcance. “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas
transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro”, diz o
Senhor (Is 43.25). “Apaguei as tuas transgressões como a névoa e os teus
pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi” (Is 44.22).
Certa vez, quando eu era criança, contei uma mentira para a minha mãe.
Ela acreditou na minha história, e jamais teria como descobrir a verdade. Eu
sabia disso porque havia planejado tudo com muito cuidado. Era,
praticamente, um crime perfeito! Contudo, a minha vida ficou muito ruim
depois daquilo. O diabo me acusava, a minha consciência me condenava, e o
Espírito Santo me incomodava. Passei a me sentir extremamente infeliz.
Vários meses depois, sem poder resistir por mais tempo, procurei a
minha mãe e lhe contei o que tinha acontecido. Ela sorriu, agradeceu-me por
haver dito a verdade a ela, e disse que me perdoava. Saí daquela conversa me
sentindo aliviado. Passei a me sentir muito mais leve. E disse para mim
mesmo: “Como eu sou tolo! Se soubesse que as coisas se resolveriam assim,
teria feito isso antes! Assim não ficaria sofrendo todo esse tempo!”
Lembre-se: você não precisa sofrer por mais tempo. O Inimigo tentará
manter você afastado do Senhor. Ele buscará conservá-lo paralisado pela
vergonha e sem coragem de buscar a face de Deus após haver errado. Mas o
nosso Pai celestial nos garante que, se nos voltarmos arrependidos para ele, o
acharemos de braços abertos. Sendo assim, o que estamos esperando?
Voltemo-nos, agora mesmo, para o Senhor!
16
Deus prometeu renovar as nossas
forças
O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará
proezas (Dn 11.32).
O Senhor é maravilhoso. Inesgotáveis são os predicados do Criador. O
nosso Deus é justo e fiel. Ele é um Deus que assume compromissos. Ele é um
Deus que empenha a palavra. Ele é um Deus de promessas. Tudo o que o
Senhor fala, ele faz. Tudo o que ele promete, ele cumpre. E Deus tem
prometido renovar as nossas forças.
Existem coisas que jamais poderemos fazer sozinhos. Há sonhos que
nunca conseguiremos realizar se contarmos apenas com os nossos recursos.
Mas aqueles que conhecem ao seu Deus se tornam fortes e fazem proezas.
Com o auxílio do Senhor, nos erguemos depois das quedas. Com a sua
ajuda, levantamos as nossas cargas. É graças ao socorro que vem do céu que
cumprimos as nossas tarefas, alcançamos os nossos alvos e derrotamos os
nossos inimigos. “O Deus de Israel, ele dá força e poder ao seu povo. Bendito
seja Deus!” (Sl 68.35.)
PRECISAMOS DA FORÇA QUE VEM DO
SENHOR!
Deus não ignora a nossa fragilidade e sabe que precisamos do seu
auxílio. Na Bíblia, está escrito que “ele conhece a nossa estrutura; lembra-se
de que somos pó” (Sl 103.14). Se o Senhor colocasse um peso muito grande
sobre nós, seríamos esmagados. Mas ele não faz isso. Ele conhece a nossa
estrutura, e se lembra de que viemos do pó da terra. Os seus mandamentos
não são pesados. O seu jugo é suave. O seu fardo é leve. Ele tem misericórdia
de nós.
O problema é que ainda que o Senhor enxergue a nossa fragilidade, nós
nem sempre nos damos conta dela. Às vezes colocamos sobre os nossos
ombros fardos que são pesados demais. Ou, então, cedemos à arrogância e
nos julgamos autossuficientes. Acreditamos que somos invencíveis e que não
precisamos da ajuda de Deus.
Quando penso nisso, o exemplo que me vem à mente é o do Titanic.
Aquele grande navio foi construído com a tecnologia mais avançada da sua
época. Os seus proprietários e engenheiros disseram: “Nem Deus afunda esse
navio!” E, assim, ele partiu em sua viagem inaugural, deixando a Inglaterra e
rumando para os Estados Unidos. Quando a embarcação se achava no meio
do oceano, recebeu uma mensagem através do rádio, alertando quanto à
presença de blocos de gelo na área. Mas o capitão confiava na sua
experiência e na segurança do transatlântico, e ordenou que prosseguissem a
todo o vapor. O final da história é bem conhecido. Na noite de 14 de abril de
1912, o Titanic se chocou com um iceberg. Poucas horas depois, ele afundou,
levando consigo mais de mil e quinhentas vidas.
O orgulho coloca os nossos pés em terreno escorregadio e nos predispõe
à queda. Por isso, é tão importante reconhecermos que precisamos da ajuda
de Deus. O salmista escreveu: “Em Deus faremos proezas, porque é ele quem
calcará aos pés os nossos inimigos” (Sl 60.12). E Jesus afirmou: “Eu sou a
videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá
muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).
No que você tem se apoiado? Em quem tem depositado a sua confiança?
Na letra do conhecido hino Castelo Forte, da autoria de Martinho Lutero,
encontramos a seguinte frase: “A nossa força nada faz, estamos sim perdidos;
mas nosso Deus socorro traz, e somos protegidos”. Aleluia! A nossa salvação
vem do Senhor!
O SENHOR ABENÇOA OS NOSSOS ESFORÇOS!
Se por um lado é verdade que sem a ajuda de Deus não podemos fazer
nada, por outro lado, também precisamos ter em mente que ele espera que
façamos algo. O Senhor não quer nos ver de braços cruzados. Ele honrará a
nossa iniciativa honesta, justa, corajosa e sábia. Deus abençoará os nossos
esforços.
Trabalhar sem dependermos de Deus e trabalhar porque dependemos de
Deus são duas coisas totalmente diferentes.
O mar Vermelho só se abriu depois que Moisés ergueu sua vara. As
águas do Jordão só pararam de correr quando os sacerdotes molharam nelas
os seus pés. Os muros de Jericó caíram apenas depois que os exércitos de
Israel os rodearam sete vezes. Golias só foi derrotado após Davi se apresentar
no campo de batalha. Por esses e outros exemplos, verificamos que o Senhor
nos acompanha quando nos movemos pela fé.
Deus fortalece aquele que se esforça.
Deus dá força a quem faz força.
“Esforçai-vos, e fortaleça-se o vosso coração; vós todos os que esperais
no SENHOR”, diz a Escritura (Sl 31.24). Não podemos nos acomodar. Não
podemos nos omitir. Não podemos fugir das nossas responsabilidades. A fé
verdadeira não paralisa – ela nos mobiliza! Quando a gente se dispõe, o
auxílio aparece!
A pessoa exigente encontra resistência. A pessoa derrotada encontra
indiferença. A pessoa dedicada encontra ajuda (Robert Schuller).
Deus abre as portas, aplaina os caminhos, derruba as muralhas. Ele nos
encoraja. Ele nos reanima. Ele nos capacita. “O SENHOR Deus é minha força,
ele fará os meus pés como os da corça e me fará andar sobre os meus lugares
altos”, disse o profeta (Hc 3.19). “Posso todas as coisas naquele que me
fortalece”, escreveu o apóstolo (Fp 4.13).
Eu e você somos pessoas limitadas. Deus, pelo contrário, não conhece
limitações. Sendo assim, busquemos a sua vontade, coloquemos nele a nossa
confiança, e avancemos pela fé. Sem Jesus, não podemos fazer nada. Com
Jesus, entretanto, não há nada que não possamos fazer.
O SENHOR RESTAURA AS NOSSAS FORÇAS!
Veja como é linda esta promessa bíblica:
“Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos
confins da terra, não se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu
entendimento. Ele dá força ao cansado e aumenta as forças ao que não tem
nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos cairão,
mas os que esperam no SENHOR renovarão as suas forças, subirão com asas
como águias; correrão e não se cansarão, andarão e não se fatigarão.” (Is
40.28-31.)
Louvado seja Deus!
Muitas vezes, ao longo da estrada da vida, nos deparamos com trechos
extremamente difíceis. Os anos podem cobrar o seu preço, e a luta
prolongada é capaz de abalar até a pessoa mais determinada. Em momentos
assim, somos tomados pelo cansaço. Nosso vigor se esvai, e podemos até
mesmo ser tentados a desistir. Contudo, o nosso Pai Celestial tem prometido
renovar as nossas forças.
Ainda que nos momentos de provação sintamos que nos falte a energia
física e emocional, o Senhor nos sustentará. “Os justos florescerão como a
palmeira, crescerão como o cedro no Líbano”, assegura-nos a sua Palavra.
“Estão plantados na casa do SENHOR, florescerão nos átrios do nosso Deus. Na
velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes.” (Sl 92.12-14.) Deus
fortalecerá as nossas mãos.
Dentre as histórias envolvendo o rei Davi, há um episódio que chama a
minha atenção. No capítulo 30 de 1 Samuel, lemos que, depois de uma
viagem exaustiva, ele e seus soldados voltaram para casa e acharam tudo
destruído. Exércitos amalequitas tinham incendiado o acampamento de
Ziclague, incendiado as tendas e roubado os rebanhos. Eles também haviam
levado cativas todas as mulheres e crianças, a fim de transformá-las em
escravas. Aqueles homens eram guerreiros experientes, mas o golpe foi duro
demais até para eles. Segundo o texto, “Davi e o povo que se achava com ele
alçaram a sua voz e choraram, até que não houve neles mais forças para
chorar” (1 Sm 30.4).
Aqueles homens estavam profundamente abatidos. O que poderiam
fazer? Eles haviam chegado ao seu limite! Não tinham mais forças sequer
para chorar! A situação parecia irreversível! De fato, “também Davi se
angustiou; pois o povo falava em apedrejá-lo, porquanto a alma de todo o
povo estava amargurada por causa de seus filhos e de suas filhas. Mas Davi
se fortaleceu no SENHOR, seu Deus” (1 Sm 30.6).
Davi se fortaleceu no Senhor, seu Deus. Que atitude admirável! Na hora
mais sombria, aquele servo do Senhor voltou-se para Deus, agarrou-se ao
Todo-Poderoso para não cair. E foi então que as coisas começaram a mudar.
A história que parecia caminhar para um final infeliz sofreu uma reviravolta
espetacular. Os israelitas cobraram ânimo, perseguiram os inimigos,
derrotaram-nos no campo de batalha, libertaram suas famílias, recuperaram
os seus bens e conquistaram ricos despojos. O Senhor transformou uma
situação calamitosa em uma vitória memorável! E tudo aconteceu porque
Davi se fortaleceu no Senhor, seu Deus.
Alguns anos mais tarde, aquele mesmo homem escreveria: “O SENHOR
dará força ao seu povo; o SENHOR abençoará o seu povo com paz” (Sl 29.11).
Davi, pela direção do Espírito Santo, estava registrando uma promessa divina
na Bíblia Sagrada, algo que o Senhor desejava assegurar aos seus filhos. Mas
não apenas isso. Ele estava, também, compartilhando a sua experiência. Davi
estava dando o seu testemunho. Ele não estava expondo uma teoria. Ele
estava falando sobre algo que já havia experimentado na prática. Deus havia
fortalecido Davi. Deus havia abençoado o seu povo com paz. E ele fará o
mesmo a cada um de nós, renovando as nossas forças sempre que confiarmos
nas suas promessas. Você pode acreditar nisso!
Quando você não tiver forças sequer para chorar, faça do Senhor a sua
força. Ele renova o vigor do cansado. Ele traz de volta para a luta o guerreiro
ferido. Deus nos faz andar sobre os nossos lugares altos. Ele nos faz subir
com asas como águias.
Você se fortalecerá no Senhor, seu Deus? Você agarrará a mão que
Jesus lhe estende? Você contará com o auxílio divino para vencer suas
guerras? Você permitirá que o Espírito Santo seja o seu consolador? Você
dirá ao Altíssimo: “Senhor, enxuga minhas lágrimas, renova minhas
esperanças, reconduz-me ao campo de batalha, realiza meus sonhos”?
Você não pode desistir. Não pode jogar a toalha. Você não pode
entregar os pontos. Você precisa confiar no Senhor. Você precisa erguer a
cabeça. Você precisa pedir a Deus que renove as suas forças.
“Porque, quando estou fraco, então é que sou forte”, escreveu Paulo
depois de enfrentar lutas com um espinho na sua carne (2 Co 12.10).
Aparentemente, há momentos tão difíceis na vida de um filho de Deus que o
diabo chega a acreditar que já venceu, que só falta dar o tiro de misericórdia,
que está tudo definido. E é exatamente nessas horas que o Senhor mostra que
quem manda é ele, que quem está no controle é ele, que quem tem todo o
poder é ele.
Um homem sentou-se ao lado de um garoto a bordo de um avião. No
meio da viagem, ele percebeu que o menino estava lendo a Bíblia. Acontece
que se tratava de um sujeito terrivelmente incrédulo. E, ao presenciar a fé do
garoto, pensou em alguma forma de ridicularizá-lo. Voltou-se em sua direção
e disse:
– Eu lhe darei uma bela maçã se você me disser alguma coisa que Deus
é capaz de fazer.
O menino fitou-o nos olhos e respondeu:
– Moço, eu lhe darei um barril inteiro de maçãs se o senhor me disser
alguma coisa que Deus não é capaz de fazer!
E assim terminou a conversa. O homem não encontrou mais palavras, o
garoto voltou à sua leitura, e os passageiros que estavam ao redor se
divertiram um bocado com a cena. E a verdade é que, alguns minutos depois,
quando a aeronave enfrentou uma severa turbulência, o sujeito parecia estar
bem mais preocupado do que o menino...
Realmente, não há nada que Deus não seja capaz de fazer. E muitas
vezes quem percebe isso são as pessoas mais simples, ou aquelas que
enfrentam as maiores provações. Nos instantes em que nos sentimos mais
fracos, enxergamos a força de Deus com maior nitidez, assim como o brilho
das estrelas se revela plenamente na escuridão da noite. Portanto, não se
apavore. Deus está no controle. Ele tem todo o poder. E ele prometeu renovar
as suas forças.
17
Deus prometeu nos dar vitória
sobre Satanás
E o Deus de paz em breve esmagará a Satanás debaixo dos
vossos pés (Rm 16.20).
A nossa luta não é contra carne e sangue. Estamos envolvidos em uma
batalha espiritual. Enfrentamos principados e potestades, hostes espirituais da
maldade, ataques sobrenaturais e legiões de demônios. Contudo, Jesus já
venceu a Satanás. Ele triunfou sobre o reino das trevas. Ele esmagou a cabeça
da serpente.
A mesma vitória conquistada por Cristo é assegurada àqueles que o
seguem. A Bíblia diz que Deus esmagará a Satanás debaixo dos nossos pés.
Essa promessa se cumprirá em sua plenitude quando Jesus voltar. Naquele
dia, o diabo será lançado no lago de fogo eterno, e a última coisa que ele verá
enquanto estiver afundando nas chamas será a face do Cordeiro e dos seus
remidos. Mas a promessa se cumpre também, de forma profética, no tempo
presente. Ela se concretiza cada vez que conquistamos uma vitória sobre o
inimigo das nossas almas e frustramos os seus intentos.
Saber como podemos alcançar vitória sobre Satanás é uma das questões
mais sérias da vida cristã. Vamos examinar, juntos, a Palavra de Deus, a fim
de nos informarmos melhor sobre esse assunto.
CRISTO DERROTOU SATANÁS E SEU REINO
A vinda do Filho de Deus representou um duro golpe para Satanás e
seus exércitos. O ministério terreno de Jesus destroçou as hostes demoníacas
e espalhou terror entre as suas fileiras. O Salvador veio ao mundo e
conquistou uma vitória retumbante, completa, definitiva e irreversível sobre o
diabo e seus anjos.
Os Evangelhos nos contam os fatos “concernentes a Jesus de Nazaré,
como Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda
parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus
era com ele” (At 10. 38). Certa vez, Cristo disse: “Se é pelo Espírito de Deus
que eu expulso os demônios, logo é chegado a vós o reino de Deus. Ou, como
pode alguém entrar na casa do valente, e roubar-lhe os bens, se primeiro não
amarrar o valente? E então lhe saqueará a casa” (Mt 12.28,29). Jesus amarrou
Satanás, limitou seus movimentos, invadiu seus territórios, frustrou seus
planos, demoliu suas fortalezas e libertou seus cativos.
Quando o Mestre enviou os discípulos às aldeias, eles voltaram alegres,
dizendo que em seu nome até os demônios se lhes sujeitavam. E Jesus
respondeu: “Eu via Satanás, como raio, cair do céu” (Lc 10.18). Com tal
declaração, o Salvador estava afirmando que a derrota do inimigo ia se
tornando cada vez maior, agravada pelos avanços conquistados pelos crentes
por meio do seu nome. O trabalho dos discípulos foi um tremendo golpe para
o Maligno, que, então, caiu como um raio. Satanás foi à lona. Espatifou-se no
chão. Nocaute.
Tempos depois, quando se aproximava o momento da sua morte, Jesus
afirmou: “Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste
mundo” (Jo 12.31). Ele antevia, com tais palavras, a grande vitória sobre o
reino das trevas, que seria conquistada na cruz. E de fato Jesus, no Calvário,
“tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles
triunfou na mesma cruz” (Cl 2.15).
O diabo sofreu sua maior derrota quando Jesus morreu, cumprindo,
assim, a missão de sacrificar-se pelos pecadores. Na cruz, o Salvador
esmagou a cabeça de Satanás. Ali, ele nos resgatou do poder das trevas. Ali,
Jesus nos comprou para o Pai com o seu sangue. Ali, ele despojou os
principados e potestades. Ali, tudo foi consumado. O demônio agora é, por
causa disso, um inimigo derrotado.
Talvez você me pergunte: “Pastor Marcelo, se o diabo foi amarrado e
vencido, e se ele teve a sua cabeça esmagada, como é possível que ainda
promova tanto mal no mundo?” Bem, o fato é que a atuação do Maligno é
hoje muito menor do que a verificada antes da vinda de Cristo, e que a aflição
causada por ele nos países que já tiveram contato com o evangelho é inferior
àquela que se observa nas terras que permanecem imersas no paganismo. O
diabo teve seus poderes grandemente limitados.
Quando penso nessa questão, o que me vem à mente é uma história que
me foi contada pelo meu pai, dos tempos em que ele ainda era criança e
morava na roça. Ele me disse que havia um gambá comendo as galinhas do
meu avô. Depois de algum tempo, meu avô conseguiu apanhar o animal
usando uma armadilha. Bem, acontece que naquela época, infelizmente, as
pessoas não tinham muita consciência ecológica. Então, ele tomou um pesado
cano de ferro e, com sucessivos golpes, despedaçou a cabeça do bicho.
Julgando-o morto, atirou-o num canto da mata, acreditando que nunca mais o
veria.
Uma semana depois, meu pai e meu avô acordaram no meio da noite,
ouvindo uma grande agitação no galinheiro. Eles pegaram as lanternas e
saíram para o terreiro a fim de ver o que estava acontecendo. Quando
chegaram até onde as galinhas estavam, os dois encontraram, para sua
surpresa, o gambá da cabeça quebrada. Ele havia sobrevivido aos ferimentos,
e tentava, agora, voltar à rotina de ataques. Porém, não conseguia devorar as
galinhas ou os pintinhos, porque seu crânio estava terrivelmente deformado.
Ele já não era capaz de matar. Mas ainda conseguia perturbar.
O diabo é um gambá de cabeça quebrada. Ele foi vencido. Ele teve a sua
área de ação limitada. O diabo sabe que não pode tocar nos servos de Deus.
Ele reconhece que seu destino está selado. Mas ele ainda é capaz de criar
muito barulho e confusão, especialmente quando a gente deixa. Não
precisamos ter medo do diabo. Mas, por outro lado, não devemos ignorar os
seus ardis.
CRISTO NOS CONCEDE VITÓRIA SOBRE
SATANÁS
Assim como Jesus derrotou Satanás e todo o seu reino na cruz do
Calvário, ele nos oferece, hoje, vitória sobre o diabo. Cristo disse aos seus
discípulos: “Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e
sobre todo o poder do inimigo; e nada vos fará dano algum” (Lc 10.19). Ele
prometeu a cada um de nós: “Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos
que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e
adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo” (Ap 3.9). Os filhos
de Deus têm vitória sobre o Maligno, pois “eles o venceram pelo sangue do
Cordeiro, e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à
morte” (Ap 12.11).
Somos guardados pelo sangue do nosso bendito Salvador. Somos
fortalecidos pela sua Palavra. Somos amparados pelo poder que vem dos
céus. “Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus
permanece em vós, e já vencestes o Maligno”, disse João aos seus leitores (1
Jo 2.14). E, depois, acrescentou: “Sabemos que todo aquele que é nascido de
Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o
Maligno não lhe toca” (1 Jo 5.18).
O Maligno não toca nos escolhidos de Deus! Que promessa magnífica!
Estamos seguros nas mãos do nosso Salvador! Existe uma história a respeito
de um cristão que, certa noite, acordou com uma sensação muito estranha.
Dava para perceber que algo no quarto estava errado. Ele abriu os olhos,
levantou a cabeça e se deparou com um vulto assentado aos pés da cama.
– Quem é você?, perguntou ele.
– Sou o diabo, respondeu o vulto com uma voz cavernosa.
O crente, então, falou:
– Ah! Se é só você, eu vou voltar a dormir, porque não há nada que você
possa fazer contra mim.
E em seguida se virou de lado e retomou o sono. Como é maravilhosa a
segurança dos salvos em Cristo!
O QUE PRECISAMOS FAZER PARA DERROTAR
SATANÁS?
Jesus venceu o diabo e concedeu o mesmo triunfo aos seus servos.
Então, por que frequentemente vemos cristãos tropeçando diante do
Tentador? Você deve se lembrar de que muitas promessas de Deus são
condicionais. Às vezes, nos vemos em dificuldade porque cometemos
determinados erros. Há pessoas que colecionam derrotas ao invés de vitórias
na guerra espiritual. Isso é algo muito triste. Você não pode deixar uma coisa
dessas acontecer na sua vida. Veja quais são os passos que precisamos dar a
fim de vencer Satanás:
1. Precisamos fechar as portas. “Nem deis lugar ao diabo”, ensina a
Bíblia (Ef 4.27). Se houver apenas um furo na roupa de um mergulhador, no
traje de um astronauta ou na armadura de um guerreiro, ele estará em sérios
apuros. De igual modo, qualquer brecha que deixarmos em nossa vida será
explorada pelo Maligno contra nós. Jesus é educado. Ele bate à porta do
coração e só entra se o dono abrir. Mas Satanás não é assim. Ele se esgueira
como um assaltante através de qualquer janela entreaberta que encontrar. É
por isso que precisamos vigiar e viver em santidade.
2. Precisamos nos revestir. Em Efésios 6.11, lemos: “Revesti-vos de
toda a armadura de Deus, para poderdes permanecer firmes contra as ciladas
do diabo”. Em seguida, Paulo passa a discorrer sobre o cinto da verdade, a
couraça da justiça, os calçados da paz, o escudo da fé, o capacete da salvação
e a espada da Palavra de Deus. Esse equipamento, indispensável para todos
os soldados espirituais, é colocado pelo Senhor à nossa disposição. Tudo o
que precisamos fazer é apanhá-lo e usá-lo.
3. Precisamos ter fé. Um dos itens da armadura espiritual é o escudo da
fé, “com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno” (Ef
6.16). O diabo nos ataca com flechas incendiárias, na forma de dúvidas,
inquietações e desconfianças. Mas essas flechas caem ao chão e se apagam
quando se chocam contra o escudo da fé. Lembre-se disto: o inimigo derrotou
Adão e Eva no jardim porque eles duvidaram do que o Senhor havia dito.
Entretanto, Satanás foi derrotado por Jesus no deserto porque o Filho de Deus
acreditou nas promessas do Pai. O Tentador sempre busca introduzir a
desconfiança no nosso coração. Mas ele é vencido quando respondemos aos
seus ataques com uma atitude de fé.
4. Precisamos nos sujeitar a Deus. “Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas
resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”, diz a Bíblia (Tg 4.7). Como poderemos
colocar Satanás em fuga se Deus não estiver no controle da nossa vida? Se,
porém, o Senhor tiver o comando de nossos atos, pensamentos e palavras, os
demônios baterão em retirada. Para podermos resistir ao diabo precisamos,
antes, nos sujeitar a Deus.
5. Precisamos liberar o perdão. Paulo escreveu aos crentes de Corinto:
“E a quem perdoardes alguma coisa, também eu; pois, o que eu também
perdoei, se é que alguma coisa tenho perdoado, por causa de vós o fiz na
presença de Cristo, para que Satanás não leve vantagem sobre nós; porque
não ignoramos as suas maquinações” (2 Co 2.10,11). O apóstolo sabia que
qualquer raiz de amargura conservada em sua alma daria ao diabo uma
vantagem que ele não hesitaria em utilizar. Há muitas pessoas que se acham
enlaçadas por cordas de mágoa e ressentimento. Portanto, libere o perdão.
Quando você perdoa a alguém, o primeiro cativo a ser liberto é você mesmo!
Se tomarmos essas cinco medidas, certamente obteremos vitórias na
guerra espiritual. As promessas do Senhor se tornarão uma realidade em
nossas vidas. Os planos do inferno fracassarão. Satanás e todos os demônios
serão envergonhados. E os nossos olhos verão as maravilhas divinas
multiplicar-se à nossa volta.
“Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do
diabo”, afirma a Escritura (1 Jo 3.8). Foi isso o que Cristo fez, e é isso o que
Cristo faz. Ele desfaz as armadilhas, derruba as fortalezas e frustra as
investidas. Ele destrói todas as obras do diabo. E como isso é necessário!
Afinal, estamos em uma luta sem tréguas contra as terríveis forças do mal.
Há uma fábula que diz que, num certo dia, um caçador e um urso se
encontraram na floresta. O homem apontou a arma e já ia disparar quando o
urso disse:
– Ei, espere um pouco! Por que toda essa agressividade? Talvez
possamos resolver isso de outra forma! Por que você está fazendo isso?
– Porque eu quero um casaco de pele de urso, respondeu o caçador.
– Está vendo só?, tornou o urso. Você é um homem razoável, e esse é
um desejo razoável. Eu, por outro lado, sou um urso. E como todo urso, tudo
o que eu quero é uma barriga cheia. Por que não nos sentamos e tentamos
chegar a um acordo que seja bom para ambos?
O caçador se deixou convencer pelo urso e abaixou a arma. O urso
colocou a pata sobre o seu ombro e falou:
– Isso mesmo! Vejo que você é uma pessoa civilizada! Venha, vamos
nos sentar sobre aquele tronco e conversar melhor sobre a questão!
E, assim, os dois se assentaram e começaram a conversar. Uma hora
depois, apenas o urso se levantou e continuou o seu caminho. É que o
caçador, agora, estava envolvido por uma pele de urso. E o urso estava com a
sua barriga cheia.
A moral da história é a seguinte: não podemos fazer acordos com o
nosso inimigo. Satanás jamais desejará o nosso bem. Se tiver oportunidade,
ele nos aniquilará. Se lhe dermos chance, ele acabará com tudo aquilo que
amamos. Não é possível haver qualquer concerto entre a luz e as trevas. Se
fizermos concessões ao Maligno, ele nos destruirá. Temos que nos posicionar
com firmeza. Temos que empunhar nossas armas. Temos que encarar a
batalha espiritual com seriedade.
Jesus já fez tudo o que era preciso a fim de que tivéssemos vitória sobre
Satanás. Ao lado dele, somos mais do que vencedores. Sendo assim,
prossigamos com ousadia. Uma ovelha não precisa ter medo do lobo quando
está próxima do seu pastor. Portanto, permaneçamos ao lado de Cristo.
Ouçamos a sua voz. Sujeitemo-nos ao Senhor, resistamos ao diabo, e ele
fugirá de nós.
18
Deus prometeu nos dar vitória
sobre a carne
Digo-vos, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de
cumprir a cobiça da carne (Gl 5.16).
Existe um inimigo invisível morando dentro de nós. Ele é insidioso e
sutil. A Bíblia o chama de “carne”. E Deus, na sua bondade, prometeu nos
dar vitória sobre esse terrível adversário. A Escritura diz que se andarmos
pelo Espírito não haveremos de cumprir a cobiça da carne. Ela não terá
domínio sobre nós. Não roubará as nossas vitórias, não comprometerá o
nosso testemunho e não prejudicará a nossa vida.
Às vezes, fazemos coisas que nós mesmos condenamos. Entristecemos a
Deus e decepcionamos a nós próprios com nossos pensamentos, palavras e
ações. Tudo isso é serviço da carne. O Senhor Jesus declarou: “O espírito é o
que vivifica, a carne para nada aproveita” (Jo 6.63). E o apóstolo Paulo
reconheceu: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem
algum” (Rm 7.18). A carne é imprestável. Ela não pode ser usada, melhorada,
consertada, reformada ou domesticada. Ela precisa ser vencida.
O QUE É A CARNE?
Às vezes, a palavra “carne” é utilizada na Bíblia para designar a nossa
natureza decaída. Eu digo “às vezes” porque há versos em que a palavra tem
outra conotação, significando, apenas, humanidade (como no texto de João
1.14, onde se diz que “o Verbo se fez carne”). Nas passagens em que o termo
“carne” é usado para se referir à nossa natureza pecaminosa, ele descreve
uma predisposição que possuímos para a perversidade, uma orientação que
temos para o mal. Trata-se de uma inclinação que frequentemente ignoramos,
ou que tentamos esconder, minimizar ou justificar.
Você já reparou que ninguém precisa nos ensinar a fazer o que é errado?
Já nascemos sabendo pecar! Davi escreveu: “Eis que eu nasci em iniquidade,
e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5). Desde que o pecado entrou
no mundo, nós, seres humanos, somos afetados por essa inclinação perversa.
Não somos pecadores porque pecamos – pecamos porque somos pecadores!
A carne nos empurra na direção de tudo o que é mau. E, quanto mais perto
estamos de Deus, melhor enxergamos esse fato.
Existe, nas profundezas do ser humano, uma perversidade tão
característica como é da natureza do gato perseguir o rato, ou do galo cantar
de madrugada (Russell Shedd).
Sim, a carne é uma triste realidade. O filósofo francês Jean-Jacques
Rousseau afirmou que “o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”.
Bem, faltou Rousseau explicar quem corrompe a sociedade! A verdade é que
não nascemos bons. Nascemos pecadores. E a menos que encontremos uma
cura para essa enfermidade da alma, não faremos o bem que queremos, e sim
o mal que desprezamos.
CRISTÃOS: CARNAIS OU ESPIRITUAIS?
Lamentavelmente, as obras da carne muitas vezes encontram lugar no
nosso coração, na nossa conduta e na nossa vida. Isso pode acontecer até
mesmo entre pessoas que professam a fé em Jesus Cristo.
Paulo, escrevendo aos membros da problemática igreja de Corinto,
disse: “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a
carnais, como a criancinhas em Cristo... Porquanto ainda sois carnais; pois,
havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não
estais andando segundo os homens?” (1 Co 3.1,3).
O apóstolo não negou a realidade da conversão dos coríntios.
Respeitosamente, ele os chamou de “irmãos”. No entanto, afirmou, com
todas as letras, que eles eram carnais. Eles podiam ter nascido de novo, mas
não haviam crescido na fé. O tempo havia passado e eles continuavam sendo
criancinhas espirituais. Viviam brigando entre si, invejando uns aos outros e
promovendo divisões. Eles eram crentes carnais.
Tem gente que passa cinquenta anos dentro de uma igreja e não cresce.
Não podemos dizer que essas pessoas não são convertidas, porque a tarefa de
separar o joio do trigo não cabe a nós, e sim aos anjos (Mt 13.36-43). Mas
que há muito trigo parecido com joio... bom, isso é algo que não se pode
negar.
Cristãos carnais causam muitos problemas. Eles dão mau testemunho,
ferem pessoas, perdem bênçãos e atraem sofrimentos. Da boca deles saem
bênção e maldição, louvor e murmuração, afagos e ataques. Não podemos
deixar isso acontecer conosco. Devemos crescer na fé. Precisamos ser crentes
espirituais. Temos que vencer a carne.
De que maneira isso é possível?
PARA VENCER A CARNE, TEMOS QUE SER
CONVERTIDOS
Esse é o primeiro passo. Crescimento vem depois de nascimento.
Santificação vem depois de conversão. Não podemos esperar uma vida nova
de quem não nasceu de novo. Não podemos ser espirituais sem antes
nascermos do Espírito. Só podemos vencer a carne depois de nos rendermos a
Cristo.
“Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas
já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Co 5.17.)
“E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões
e concupiscências.” (Gl 5.24.)
Quando alguém nasce de novo, vê brotar, em seu interior, uma nova
natureza. Essa natureza espiritual se opõe à carnal, e está habilitada a fazer a
vontade de Deus. A carne, que tantos prejuízos causava, foi pregada na cruz
quando nos convertemos. Ela perdeu a sua força, a sua pujança, o seu
domínio. Sofreu um golpe mortal.
O problema é que, muitas vezes, a carne que foi pregada na cruz parece
escorregar de lá. Não é verdade? Ouvimos uma voz falando ao nosso lado:
“Não leve desaforo para casa! Saboreie o gosto desse pecado! Volte aos
antigos hábitos!” E, quando olhamos para o lado para ver quem está falando
conosco, com quem nos deparamos? Sim, com ela: a carne! E é nessa hora
que precisamos dizer: “Ei, o que você está fazendo aqui? Não deveria estar na
cruz? Volte para lá agora mesmo!”
Se já crucificamos a carne, não devemos mais dar ouvidos a ela.
Pertencemos, agora, ao Salvador. Somos novas criaturas. Não somos mais
controlados pelas paixões. Temos tudo o que é preciso para obter vitória
sobre a nossa natureza pecaminosa.
PARA VENCER A CARNE, TEMOS QUE SER
CAPACITADOS
No ato da conversão, o Espírito Santo passa a habitar em nós. E ele nos
habilita a fazer a vontade de Deus. Antes que o Espírito seja derramado em
nossos corações, somos como um automóvel sem gasolina: não conseguimos
sair do lugar. Entretanto, capacitados pelo Espírito, nos tornamos capazes de
progredir na jornada da fé.
“Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é
vida e paz.” (Rm 8.6.)
“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito
de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal
não é dele.” (Rm 8.9.)
A carne tenta nos empurrar na direção do erro, mas o Espírito Santo nos
inclina para a vida e para a paz. Sua influência sobrenatural nos transforma
em pessoas mais generosas, gentis, perdoadoras e íntegras. Ele nos lapida
como se fôssemos diamantes, a fim de que nos tornemos joias depositadas
aos pés do Rei dos reis. Ele produz em nós o fruto do Espírito (Gl 5.22,23). O
Espírito nos torna semelhantes a Jesus (Ef 4.13).
Nenhum ser humano é capaz de produzir santidade. É Deus quem nos
santifica. Quando um servo de Deus luta contra a sua natureza pecaminosa,
sabe que não está combatendo sozinho. O Espírito do Senhor o capacita e
batalha por ele. Aleluia! Quando andamos pelo Espírito, não cumprimos a
cobiça da carne!
PARA VENCER A CARNE, TEMOS QUE NOS
RENDER
Todos os salvos têm o Espírito Santo, mas nem todos os salvos são
cheios dele. Esse é o problema dos crentes carnais. Eles não estão mais na
carne, mas ainda dão lugar a ela. Eles não estão cheios do Espírito.
Precisamos nos render completamente. Devemos submeter todas as áreas da
nossa vida. Temos que fugir da aparência do mal. Precisamos evitar aquilo
que fortalece a carne. Devemos buscar o que agrada ao Criador.
“Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não tenhais cuidado da
carne em suas concupiscências.” (Rm 13.14.)
“Amados, exorto-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos
abstenhais das concupiscências da carne, as quais combatem contra a
alma.” (1 Pe 2.11.)
Revista-se do Senhor Jesus Cristo! Cubra-se dele dos pés à cabeça,
como se fosse a sua segunda pele! Mas, no que diz respeito à carne, deixe-a
em farrapos. Não a agasalhe. Não a aqueça. Não a alimente. Não cuide dela.
Não dê a ela nada que ela possa usar contra você. A carne combate contra a
alma, e é por isso que você precisa deixá-la morrer de fome.
Um mestre declarou ao seu discípulo:
– Dentro de mim existem dois cachorros; um bom e outro mau. Eles
estão sempre brigando.
– E quem vai ganhar a briga?, perguntou o discípulo.
– Aquele que eu alimentar mais, respondeu o mestre.
Se a nossa dieta for de coisas que alimentam a carne – novelas, filmes
violentos, conversas indecentes, músicas imorais –, é certo que nos
tornaremos pessoas carnais. Se, por outro lado, cultivarmos o hábito de orar,
jejuar, ler a Bíblia, participar dos cultos e servir a Deus, obteremos melhores
resultados em nossa luta contra o pecado. Não alimente o inimigo que habita
dentro de você. Seja sóbrio. Vigie. Persevere.
PARA VENCER A CARNE, TEMOS QUE SER
PROVADOS
As dificuldades pelas quais passamos são o quarto e último recurso de
que dispomos para derrotar a carne. Elas talvez sejam um tônico amargo, mas
sua eficácia é comprovada. Por meio das provações somos fortalecidos e
mantidos em segurança.
Veja o que dizem estes versículos:
“E, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações,
foi-me dado um espinho na carne.” (2 Co 12.7.)
“Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias
provações, sabendo que a provação da vossa fé produz a perseverança.” (Tg
1.2,3.)
Tiago nos diz que podemos nos alegrar em meio às tribulações, não por
causa das adversidades em si, mas devido ao fortalecimento espiritual que
elas produzem. E Paulo dá testemunho de que um espinho colocado em sua
carne foi fundamental para que ele obtivesse vitória sobre a tentação e
permanecesse fiel a Deus.
A expressão utilizada por Paulo no texto original grego, skólops té sarki,
pode ser traduzida como “espinho na carne”, e, também, como “espinho para
a carne”. Isso esclarece muita coisa. O problema de Paulo era um espinho na
carne porque era uma dificuldade que o afligia, talvez uma doença. Mas
também era um espinho para a carne porque, através dele, a sua inclinação
para o mal era mantida sob controle. Por isso, o apóstolo chegou a se alegrar
nas suas fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições e angústias. Não
sabemos o que era aquele espinho; entretanto, sabemos muito bem para que
ele servia. A adversidade ajudava Paulo a obter vitória sobre a carne.
Se quisermos derrotar a nossa natureza pecaminosa, teremos que passar
por provações. Talvez essa verdade seja mais bem compreendida através de
uma ilustração. Conta-se que havia um fazendeiro que tinha, nas suas terras,
uma laranjeira que produzia frutas azedas. Ele, então, cortou um galho de
outra árvore, a qual produzia laranjas grandes e doces, e enxertou-o no tronco
da primeira. O procedimento deu certo. A laranjeira passou a produzir frutas
doces e suculentas. Todos ficaram satisfeitos. Porém, havia um detalhe. O
fazendeiro precisou continuar cortando, de tempos em tempos, os galhos que
nasciam do enxerto para baixo. Porque se não fizesse isso, continuariam a
nascer, daqueles galhos, frutas azedas.
Da mesma forma, Deus está sempre cortando os nossos galhos e
podando a nossa vida. Ele nos submete a provas e permite que enfrentemos
tribulações. Ele faz isso porque, embora não estejamos mais na carne, a carne
ainda está em nós. Fomos capacitados a produzir aquilo que é doce, mas o
azedo e o amargo ainda nos habitam. Só ficaremos totalmente livres da
presença do pecado quando chegarmos ao céu. Até lá, toda disciplina a que
formos submetidos será sempre um ato de amor.
Por meio da conversão, capacitação, rendição e provação, podemos
alcançar vitória sobre a carne. Nosso Pai celestial nos deu a promessa e
também os recursos. Tal vitória evitará que desperdicemos os nossos dias e
que sejamos envergonhados. Por esse motivo devemos almejá-la com todo o
nosso coração.
Alguém já disse que “Deus forma, o pecado deforma, o homem reforma,
mas Jesus transforma”. Cristo nos dá uma nova natureza e opera em nós a fim
de tornar-nos pessoas melhores. Por causa da sua obra em nossa vida,
podemos honrar ao Senhor e abençoar os homens, apesar das nossas
imperfeições.
John Newton foi um homem ímpio – um traficante de escravos e
marinheiro blasfemador – antes de se entregar a Cristo e de compor o famoso
hino Amazing Grace (Maravilhosa Graça). Transformado por Deus, ele se
tornou um pregador do evangelho, e dedicou sua vida a combater a
escravidão. Tornou-se um homem nobre, íntegro e gentil. Falando sobre
aquilo que Jesus havia feito em sua vida, Newton costumava afirmar: “Ainda
não sou o que gostaria de ser, e nem mesmo o que deveria ser; mas, pela
graça de Deus, já não sou o que eu fui”.
Pela graça de Deus, eu e você também podemos viver essa experiência.
Podemos ser transformados em melhores seres humanos, deixar para trás os
vícios e erros, e alcançar triunfo sobre a carne. Estabeleçamos firmemente
esse alvo. Levemos a sério essa luta. Pela graça do Senhor, podemos ser mais
do que vencedores. Podemos derrotar a carne antes que ela nos derrote.
19
Deus prometeu nos dar vitória
sobre o mundo
Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz.
No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci
o mundo (Jo 16.33).
Uma das cenas mais marcantes do filme Matrix acontece já perto do
final da história. Neo, o personagem principal, está em um corredor estreito.
À sua frente, encontram-se três agentes inimigos, os quais se acham armados
e desejam matá-lo. Neo não tem para onde fugir nem como se esconder.
Então, os agentes disparam suas armas, e as balas viajam pelo espaço. Mas,
antes que seja atingido, o protagonista diz: “Não!” E as balas ficam paradas,
suspensas no ar. Nessa hora, Neo olha para as paredes do corredor. O que ele
vê não são tijolos e cimento, e sim uma porção de números “zero” e “um”
descendo como uma cascata (afinal, ele está dentro de um programa de
computador). Essa cena marca um momento muito importante no
desenvolvimento da trama, uma espécie de despertar. Pela primeira vez, os
olhos do herói estão abertos. Ele enxerga o seu mundo como ele realmente é,
e não como imaginava que fosse.
De certo modo, precisamos de um despertar semelhante com relação ao
ambiente no qual a nossa vida se desenrola. A Bíblia apresenta o mundo, a
carne e o diabo como os três grandes adversários que precisamos vencer.
Juntos, eles formam uma espécie de tríade do mal. Seu objetivo é prejudicar-
nos, tentando nos afastar de Deus e roubar as bênçãos que ele tem para nós.
Nos capítulos anteriores, vimos que o Senhor prometeu nos dar vitória sobre
Satanás e sobre a carne. Dele temos, igualmente, a promessa de alcançarmos
vitória sobre o mundo. E o mundo pode ser um inimigo mais complexo do
que poderíamos imaginar a princípio.
O QUE É O MUNDO?
Às vezes, uma mesma palavra pode ser usada para denotar coisas
diferentes. É o que acontece, por exemplo, com o termo “carne” na Bíblia. E
o mesmo ocorre, nas Escrituras, com o vocábulo “mundo”. Ele é empregado
frequentemente para se referir ao nosso planeta e aos seus habitantes (Sl
24.1). Nesse sentido, o termo não designa nada de errado ou perigoso. Mas há
ocasiões em que a mesma palavra é usada em um sentido diferente,
designando o presente século em seu estado de rebeldia contra Deus (1 Jo
2.16). Nesse segundo sentido, o mundo é um “caldo” espiritual, físico,
psicológico, cultural, político, econômico e filosófico no qual estamos
mergulhados.
Nem sempre é fácil explicar do que se trata o mundo ou enxergar o que
ele é. A razão disso é que estamos no mundo desde que nascemos. Isso
dificulta um distanciamento objetivo. Para nós, o mundo pode se constituir
em uma espécie de Matrix. Se perguntássemos a um peixe o que é a água,
talvez ele tivesse dificuldade em nos dar a resposta, pois, vivendo na água
desde sempre, não conseguiria percebê-la. Algo semelhante acontece conosco
com relação ao mundo. O mundo é um caldeirão de forças diversas, no qual
estamos mergulhados desde que nascemos. No entanto, não podemos deixar
que ele nos cozinhe!
Já no Antigo Testamento, Davi exclamava: “Livra-me pela tua mão,
SENHOR, dos homens do mundo, cujo quinhão está nesta vida” (Sl 17.14). No
Novo Testamento, encontramos Paulo lamentando a perda de um de seus
colaboradores, dizendo: “Demas me abandonou, tendo amado o mundo
presente” (2 Tm 4.10). Tiago, o irmão do Senhor, afirmou: “Qualquer que
quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4). E João
escreveu em sua carta: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se
alguém ama o mundo o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2.15).
O cristão está no mundo, mas não é do mundo (Jo 17.11,16). Ele não é
amigo do mundo. Não compactua com as forças que regem a sociedade e não
se conforma a elas. O servo de Deus não pensa como as pessoas do mundo
pensam, não age do jeito que as pessoas do mundo agem, e não busca as
coisas que as pessoas do mundo buscam. Ele não partilha seus conceitos. Não
adota seu estilo de vida. Não ambiciona suas recompensas. Não há acordo
possível entre o cristão e o mundo.
No dia em que o cristianismo e o mundo se tornarem amigos, o
cristianismo deixará de existir (Soren Kierkegaard).
O mundo é nosso inimigo. E para vencermos qualquer inimigo,
precisamos conhecê-lo bem. Sendo assim, vamos examinar algumas
afirmações da Bíblia a respeito do mundo e suas obras, a fim de vê-lo como
realmente é. Só assim entenderemos melhor contra o que estamos lutando.
QUEM É O PRÍNCIPE DO MUNDO?
De acordo com a Escritura, o diabo está por trás da maneira como o
mundo funciona, manipulando seus pensamentos e instigando suas ações.
Pouco antes da sua crucificação, Jesus afirmou: “Vem o príncipe deste
mundo, e ele nada tem em mim” (Jo 14.30). Satanás é o príncipe deste
mundo. O mundo tem inspiração demoníaca porque as pessoas se deixam
levar pelas mentiras do diabo e se dispõem a fazer a sua vontade. É por isso
que, segundo a Bíblia, “o mundo inteiro jaz no Maligno” (1 Jo 5.19).
Quando vemos as pessoas do mundo se mobilizando em torno de causas
como a legalização do aborto e do consumo de drogas, logo percebemos
quem está cochichando tais ideias aos seus ouvidos. Quando ouvimos
declarações em favor de práticas sexuais contrárias à vontade de Deus,
identificamos, de imediato, o dedo de Satanás. O mesmo ocorre com relação
às guerras, à desigualdade social, ao individualismo e ao materialismo. O
mundo está cheio de violência, exploração e engano. Isso acontece porque
tais coisas agradam ao príncipe das trevas. O mundo jaz no Maligno.
O MUNDO TENTA NOS INFLUENCIAR!
Como o mundo trata as pessoas que são comprometidas com Deus?
Principalmente, de duas formas. A primeira delas é bastante sutil. A
sociedade organizada busca nos influenciar e nos seduzir. Ela tenta nos
conquistar e nos neutralizar. Ela busca nos levar a aceitar suas escolhas e a
tomar parte delas. Ela procura nos convencer de que tudo é normal. Se
obtiver sucesso nesse intento, passaremos a pensar como as pessoas à nossa
volta pensam, e a viver como as pessoas ao nosso redor vivem. E nos
tornaremos, assim, guerreiros fora de combate.
Tudo isso acontece porque, nas palavras de Paulo, “o deus deste século
cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz
do evangelho da glória de Cristo” (2 Co 4.4). Escrevendo aos cristãos da sua
época, Pedro fez a seguinte observação a respeito dos indivíduos do mundo:
“Acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de
dissolução, blasfemando de vós” (1 Pe 4.4). Ofuscados pelo diabo, aqueles
que ainda não foram salvos são incapazes de enxergar os erros de seus atos.
E, dando um passo adiante, eles passam a censurar aqueles que não aceitam
esses erros. A pressão para que nos tornemos mundanos é muito forte.
O MUNDO TENTA NOS INTIMIDAR!
“Se eles não se juntarem a nós, então os destruiremos”, raciocinam os
indivíduos do mundo. E é por isso que, quando as tentativas de influenciar os
filhos da luz não surtem efeito, os filhos das trevas passam a persegui-los.
Jesus nos avisou que isso aconteceria. Ele afirmou: “Se o mundo vos odeia,
sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o
mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos
escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra
que eu vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me
perseguiram, também vos perseguirão a vós” (Jo 15.18-20).
Os incrédulos sempre perseguirão os crentes. Não é preciso muita coisa
para irritar a sociedade decaída: basta ser diferente dela. É por isso que, no
mundo, temos aflições. Os cristãos são odiados porque o mundo odeia Cristo.
As perseguições poderão ser abertas ou veladas, mas jamais deixarão de
acontecer. O Reino de Deus e os reinos deste mundo sempre estarão em
conflito.
VENCEMOS O MUNDO PORQUE JESUS JÁ NOS
SALVOU!
Apesar dos ataques e das perseguições, Jesus nos garantiu que teríamos
vitória sobre o mundo. E a primeira razão pela qual vencemos o mundo é que
já não fazemos parte dele. Cristo assim se referiu aos seus discípulos: “Eles
não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (Jo 17.16). Aleluia!
Jesus nos salvou! Ele nos resgatou do mundo! Tal verdade maravilhosa levou
o apóstolo Paulo a declarar: “Longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na
cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para
mim e eu para o mundo” (Gl 6.14).
Os que pertencem a Cristo ainda estão no mundo, mas não fazem mais
parte dele. Foram alcançados pelo Filho de Deus. Foram libertos das
transgressões desta geração perversa. Seus olhos foram abertos. Receberam
um novo coração. Através da obra de Cristo, o mundo foi crucificado para
eles, e eles, para o mundo. Eles podem dizer: “Mundo, para mim você
morreu! E pode considerar que, para você, eu morri também! Mundo, me
esqueça!”
VENCEMOS O MUNDO PORQUE NÃO NOS
CONFORMAMOS A ELE!
“Não vos conformeis a este mundo”, ensina a Bíblia, “mas transformai-
vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa,
agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Há uma promessa
magnífica aqui. Deus está afirmando que a sua vontade para nós é boa,
agradável e perfeita. Todavia, trata-se de uma promessa condicional. Se
quisermos experimentar a vontade do Senhor para a nossa vida, não podemos
nos conformar ao mundo. Temos que ser transformados pela renovação da
nossa mente. Precisamos assumir uma posição firme ao lado do Senhor.
Como poderemos vencer o mundo se pensarmos, falarmos e agirmos
como ele? A Escritura diz: “Não seguirás a multidão para fazeres o mal” (Êx
23.2). Alguém poderá dizer: “Só estou fazendo o que todo mundo faz, não
tem nada de mais, hoje em dia qualquer um faz isso”. Deus, porém, não se
deixa levar por esse tipo de conversa. As multidões se unem para fazer o mal
porque o mundo jaz no Maligno. Nós, porém, não somos do mundo. E é por
isso que não podemos seguir a multidão. O que temos que fazer é nadar
contra a correnteza. Afinal, até um peixe morto pode seguir o fluxo da água...
mas apenas os peixes vivos e saudáveis nadam rio acima!
VENCEMOS O MUNDO PORQUE O MUNDO
PASSA!
O que ganhamos nos opondo ao mundo? Muita coisa. Os servos de Deus
permanecerão para sempre. Eles vencerão as tribulações e estarão com Jesus
por toda a eternidade. O mundo e a sua glória, pelo contrário, são efêmeros.
Eles logo passarão. Os poderes, que hoje tentam nos assimilar ou aniquilar,
amanhã deixarão de existir. Não devemos nos apegar às coisas do mundo,
“porque a aparência deste mundo passa” (1 Co 7.31). As celebridades que
hoje são exaltadas serão esquecidas amanhã. Dos ricos e famosos de nossos
dias não haverá lembrança nos dias que virão. O mundo parece ter muita
força, mas ele é feito de ilusão, de aparência. E aparência é uma coisa que,
cedo ou tarde, passa.
“O mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade
de Deus permanece para sempre.” (1 Jo 2.17.) Não devemos nos intimidar
diante das bravatas da humanidade decaída. Voltaire sacudiu a França
dizendo que dentro de cinquenta anos ninguém leria a Bíblia, e hoje quase
ninguém lê os escritos de Voltaire. Hitler tomou o poder na Alemanha,
dizendo que iria inaugurar um reino de mil anos, mas os nazistas foram
derrotados em menos de uma década. Sim, o mundo passa! Passam os
tiranos, os ditadores, os blasfemos, os perseguidores! Mas aqueles que fazem
a vontade do Senhor permanecem para sempre.
VENCEMOS O MUNDO PORQUE DEUS ESTÁ
CONOSCO!
Por fim, podemos estar certos da vitória sobre o mundo porque o Senhor
está ao nosso lado. “Maior é aquele que está em vós do que aquele que está
no mundo”, afirma a Palavra de Deus (1 Jo 4.4). Não lutamos sozinhos. É a
presença do Salvador que nos assegura a vitória sobre o mundo, a carne e o
diabo. Podemos nos sentir pequenos diante das forças do mal, mas Deus é
maior do que elas. Todos os opositores do mundo, todos os demônios do
inferno e todas as tentações da carne são como nada perante a grandeza do
Criador. É graças ao seu cuidado que nos tornamos mais do que vencedores.
É por causa da sua presença que temos certeza de vencer.
Aleluia! “Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus
é o Filho de Deus?” (1 Jo 5.5.) Nosso poderoso Salvador derrotou os poderes
das trevas, e prometeu conceder a mesma vitória àqueles que se colocassem
ao seu lado. Maior é o que está em nós do que o que está no mundo. Se
estivermos sempre com Cristo, seremos sempre vencedores. Os que creem
em Jesus vencem o mundo.
Como somos abençoados por termos essa convicção!
Aqueles que se deixam intimidar ou influenciar pelo mundo acabarão
sendo derrotados por ele e partilharão do seu destino. Deus, contudo, traçou
planos melhores para nós. Ele nos prometeu a vitória e nos capacitou a
alcançá-la. Através da presença de Cristo em nosso interior, obtemos triunfo
sobre o mundo.
Quando um mergulhador se aventura no oceano, está cercado de água
por todos os lados. Entretanto, ele não respira água, e sim, ar. Por que ele não
se afoga? Porque leva com ele um tanque de oxigênio. É isso o que torna
possível a sua sobrevivência. Em outras palavras, o mergulhador leva consigo
o seu ambiente enquanto nada.
Faça o mesmo, e você derrotará o mundo. Ainda que esteja rodeado por
coisas que poderiam matá-lo, você terá vida abundante e fará diferença. Que
Deus seja o ar que você respira e a força que lhe dá sustento! “Porque todo o
que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo:
a nossa fé.” (1 Jo 5.4.)
20
Jesus nos salva
Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor
e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os
mortos, serás salvo (Rm 10.9).
Uma das mais lindas promessas da Bíblia é a de que Jesus nos salva. O
Filho de Deus veio ao mundo para nos resgatar do pecado e suas terríveis
consequências. Ele morreu e ressuscitou para nos dar a vida eterna. Ele
retornou ao céu a fim de preparar-nos lugar. Ele disse que voltaria para
buscar a sua igreja. Ele nos assegurou que, se crêssemos em seu nome e o
confessássemos como Senhor, seríamos salvos.
Um cristão já idoso costumava dizer aos seus irmãos: “Dentro em breve,
partirei para o céu. Mal posso esperar pelo momento em que estarei face a
face com o meu Redentor. Estou certo de que quando fechar os meus olhos
aqui na terra eu os abrirei na presença de Jesus. E quando chegar a hora de
vocês, e vocês subirem também para o céu, podem me procurar assim que
chegarem, porque eu estarei lá. Talvez não me encontrem logo, porque o céu
é um lugar muito grande, mas eu estarei lá. Talvez leve um pouco de tempo
para me localizarem, porque haverá muita gente no céu, mas eu estarei lá.
Continuem me procurando e eu sei que irão me achar. Porque eu tenho
certeza de que estarei lá”.
Que maravilha é ter essa certeza de salvação! Infelizmente, a maioria
das pessoas não a possui. E, no entanto, todas podem tê-la. A Bíblia Sagrada
diz que podemos ser salvos, e, também, que podemos estar certos da nossa
salvação. Há numerosas promessas a esse respeito.
DEUS QUER QUE SEJAMOS SALVOS
Alguns talvez se perguntem: “Como posso saber se serei salvo? E se não
for essa a vontade de Deus para mim?” A resposta a essa pergunta é: “Deus
quer que todos sejam salvos”. O Senhor não faz acepção de pessoas. Ele não
quer que ninguém se perca. Ele não retém a sua graça. A Escritura declara
que a oferta da salvação é estendida a todos. E que todos, pela ação do
Espírito Santo, têm condição de aceitá-la.
Veja algumas dessas promessas bíblicas:
“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus;
convertei-vos, pois, e vivei.” (Ez 18.32.)
“Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas que
lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é
justo.” (At 10.34,35.)
“Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda
agora que todos os homens em todo lugar se arrependam.” (At 17.30.)
“E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si,
mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” (2 Co 5.15.)
“O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno
conhecimento da verdade.” (1 Tm 2.4.)
“É longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca,
senão que todos venham a arrepender-se.” (2 Pe 3.9.)
“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de
graça lhe darei a beber da fonte da água da vida.” (Ap 21.6.)
“E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E quem ouve diga: Vem. E quem
tem sede venha; e quem quiser receba de graça a água da vida.” (Ap 22.17.)
O Senhor deseja que todos sejam salvos, e estende sua oferta a cada
homem e mulher deste planeta. Pelo sangue que foi derramado na cruz,
podemos ter o perdão dos pecados. Pela graça que é oferecida sem distinção,
podemos ter a vida eterna. Se alguém ficar fora do céu, não será por causa da
vontade de Deus. Será por sua própria escolha.
Uma música que as crianças costumavam cantar nas brincadeiras de
roda dizia assim: “O anel que tu me deste era vidro e se quebrou; o amor que
tu me tinhas era pouco e se acabou”. Mas Deus não nos ama com um amor de
ciranda. O amor do Senhor não é frágil como o vidro. Não corremos o risco
de que esse amor seja pouco e se acabe. Não precisamos temer que no
coração de Deus só haja lugar para um número limitados de pessoas. Ele ama
o mundo inteiro e quer salvar a todos.
Lamentavelmente, são poucos os que se salvam. Mas esse não é o desejo
do Criador. Jesus disse: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e
espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por
ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e
poucos são os que a encontram” (Mt 7.13,14). As pessoas precisam se
arrepender dos seus pecados e entregar a vida a Cristo, recebendo-o como
Salvador e Senhor. Se fizerem isso, serão salvas. É a promessa de Deus.
JESUS PROMETEU SALVAR OS QUE NELE
CRESSEM
Quando lemos os Evangelhos, nos deparamos com várias promessas
feitas pelo próprio Cristo. Ele assegurou repetidas vezes que aqueles que se
entregassem a ele seriam perdoados e iriam para o céu. Jesus empenhou a sua
palavra. Ele deu a sua garantia. Nossa certeza de salvação não repousa em
nossas próprias qualidades, e sim na fidelidade do Salvador. O Senhor
sempre cumpre o que promete. E ele prometeu salvar os que nele cressem.
Vamos relembrar algumas destas preciosas promessas:
“Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor
de mim achá-la-á.” (Mt 10.39.)
“Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a
sua vida por amor de mim, esse a salvará.” (Lc 9.24.)
“E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens,
também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus.” (Lc
12.8.)
“Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o
Filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo
6.40.)
“Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê em mim tem a vida
eterna.” (Jo 6.47.)
“Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha
palavra, nunca verá a morte.” (Jo 8.51.)
“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo: entrará, e sairá,
e achará pastagens.” (Jo 10.9.)
“E todo aquele que vive e crê em mim jamais morrerá.” (Jo 11.26.)
Jesus prometeu nos dar salvação, e repetiu essa promessa várias vezes.
As palavras que saíram dos seus lábios asseguraram a vida eterna aos seus
servos. A grande questão é: creremos no que ele falou? A maior tragédia de
todos os tempos aconteceu porque Adão e Eva não acreditaram no que Deus
havia dito e preferiram dar ouvidos ao diabo. Não podemos cometer o mesmo
erro. Aquele que prometeu é fiel. Devemos confiar nele.
Se não confiarmos em Cristo, estaremos fazendo a escolha de confiar
em nós mesmos. Estaremos apostando o destino da nossa alma em nossos
próprios méritos. Acontece que somos todos imperfeitos, limitados, falhos e
pecadores. A Palavra de Deus afirma que nossas justiças são como trapos de
imundícia (Is 64.6). Confiar em nossa própria bondade não é bom negócio.
Precisamos depositar nossa confiança no Salvador e crer na sua palavra. É
pela graça, por meio da fé, que somos salvos (Ef 2.8).
OS APÓSTOLOS CONFIRMARAM AS
PROMESSAS DE JESUS
Depois que Jesus voltou para junto do Pai, os apóstolos deram
continuidade à sua obra. Eles saíram por toda parte anunciando o plano de
salvação. Eles foram cheios do Espírito Santo e se puseram a proclamar a
mensagem com ousadia. Uma parte muito importante da pregação apostólica
consistiu na reafirmação das promessas que haviam sido feitas pelo Salvador.
Aquilo que tinha sido dito nos Evangelhos foi, assim, repetido no restante do
Novo Testamento.
Veja o que os apóstolos falaram e escreveram sob a direção do Espírito
Santo:
“E de todas as coisas de que não pudestes ser justificados pela lei de
Moisés, por ele é justificado todo o que crê.” (At 13.39.)
“Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus.” (At
15.11.)
“Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos
por ele salvos da ira.” (Rm 5.9.)
“Por que: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Rm
10.13.)
“Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.” (1 Pe
1.9.)
“Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem
a vida.” (1 Jo 5.12.)
“Sabemos também que já veio o Filho de Deus e nos deu entendimento
para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é
verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a
vida eterna.” (1 Jo 5.20.)
Deus afirmou que deseja salvar a todos. Jesus garantiu que os que nele
cressem seriam salvos. E os apóstolos reafirmaram, em seus discursos e
escritos, as promessas de salvação. Percebemos, então, que o Senhor não quis
que tivéssemos dúvidas. Se ele houvesse falado uma única vez, teria sido
suficiente, porque a sua palavra permanece para sempre. Mas ele fez questão
de deixar promessas espalhadas por toda a Bíblia. Ele não quis que
esquecêssemos. Ele não quis que tivéssemos dúvidas.
Tragicamente, há pessoas que preferem não crer. Algumas são
declaradamente rebeldes, e outras têm dificuldades para dar um passo de fé.
Certos indivíduos acham que são bons demais para precisar de salvação,
enquanto outros acreditam que são tão maus que não podem ser salvos.
Porém, seja qual for o obstáculo que se levante entre nós e o Salvador, ele
precisa ser transposto. Os braços do Senhor estão abertos. Jesus abriu o
caminho para o céu. Devemos seguir por ele.
Aqueles que se entregam a Cristo podem desfrutar salvação e certeza de
salvação. A sua dívida foi quitada, o seu resgate foi pago. “Não foi com
coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã
maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais”, diz a Bíblia,
“mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha,
o sangue de Cristo” (1 Pe 1.18,19). A nossa salvação é possível porque Jesus
pagou por ela. A certeza da nossa salvação é possível porque o sangue de
Jesus tem poder.
Dizem que havia um juiz que era conhecido pela forma imparcial como
assegurava o cumprimento da lei. Certa vez, foi levada ao seu tribunal uma
pobre mulher que havia sido presa por roubar comida para os seus filhos.
Uma multidão de curiosos acorreu ao julgamento para saber como o juiz
lidaria com a situação. Ele se compadeceria da mulher e abriria mão da
justiça? Ou seguiria o rigor da lei e se revelaria um homem sem coração?
Ao fim do julgamento, o juiz disse à mulher:
– Declaro que a senhora é culpada.
Um burburinho se espalhou pelo tribunal. O magistrado seguiu adiante,
e falou:
– Eu a sentencio a cinco anos de prisão.
A agitação se tornou ainda maior. Alguns censuravam o juiz por sua
insensibilidade, ao passo que outros o elogiavam por estar cumprindo o que a
lei determinava. E o vozerio se espalhou ainda mais quando ele disse:
– A alternativa à pena de prisão é o pagamento de uma multa de dez mil
libras.
A essa altura, muitos já protestavam em voz alta. Se aquela pobre
mulher havia chegado ao ponto de roubar para comer, como poderia dispor
de uma quantia tão alta?
– Ordem no tribunal!, exclamou o juiz, exigindo silêncio.
Em seguida, ele bateu o martelo sobre a mesa, e declarou:
– Caso encerrado!
Todos estavam admirados. Mas o que deixou a multidão realmente
perplexa foi o que o juiz fez logo depois. Ele deixou a bancada e se dirigiu
até o lugar onde a ré estava. Aproximou-se dela com um olhar compassivo.
Enfiou a mão no próprio bolso. E, retirando dali um cheque de dez mil libras,
passou-o às mãos dela, dizendo:
– Fique tranquila, filha, a sua dívida está paga.
O nosso Deus é um Juiz justo. Ele não chama o certo de errado, nem o
errado de certo. Ele se assegura de que a justiça seja feita. Entretanto, ele é
também um Juiz misericordioso. Ele não quer que ninguém se perca. Ele
deseja que todos sejam salvos. Para que fôssemos perdoados, ele pagou a
nossa dívida. Fez isso enviando o seu Filho para morrer em nosso lugar.
“A benignidade e a fidelidade se encontraram; a justiça e a paz se
beijaram”, ensina-nos a Bíblia Sagrada (Sl 85.10). Isso aconteceu na cruz do
Calvário. Ali a integridade de Deus foi satisfeita, ao mesmo tempo em que a
sua benignidade foi expressa. O Senhor preservou a justiça e foi além dela,
manifestando misericórdia, compaixão e graça. Se houve, em algum
momento, qualquer dúvida de que Deus nos ama, ela foi completamente
dissipada na cruz. O Senhor quer o nosso bem e deseja que estejamos ao seu
lado. Ele é um Deus justo e bom. Seguremos a mão que ele nos estende.
Aproximemo-nos dele mediante a fé em Jesus.
21
Jesus nos mantém salvos
Todo o que o Pai me dá virá a mim; e aquele que vem a mim
de maneira nenhuma o lançarei fora (Jo 6.37).
Dizem que certa vez Albert Einstein viajava de trem quando um
condutor entrou no vagão e solicitou aos passageiros que mostrassem os seus
tíquetes. O famoso cientista enfiou a mão no bolso do colete, certo de que
encontraria ali a sua passagem. Mas o bolso estava vazio. Então, procurou
nos bolsos do paletó, da calça e da camisa. Não achou nada. Já preocupado,
abriu a sua pasta, e esvaziou todo o conteúdo sobre o assento ao seu lado.
Mas o bilhete também não estava lá.
Ao ver o que estava acontecendo, o funcionário, gentilmente, lhe disse:
– Doutor Einstein, não se preocupe. Eu sei quem o senhor é. Todos neste
vagão sabem quem o senhor é. Tenho certeza de que o senhor pagou pela
passagem. Pode ficar tranquilo.
O homem prosseguiu conferindo os tíquetes dos demais passageiros, a
fim de verificar para que cidade estavam indo e se haviam pagado a
passagem até aquele destino. Enquanto isso, o cientista continuava
procurando, aflito, o seu próprio bilhete. Antes de passar para o vagão
seguinte, o condutor olhou para trás, e se espantou com o que viu. Einstein,
agora, estava de quatro, engatinhando pelo corredor do trem, procurando sob
as poltronas o tíquete que havia perdido.
– Doutor Einstein, por favor!, exclamou o funcionário, consternado. Isso
não é necessário! Está tudo bem! O senhor não precisa de um tíquete! Eu sei
quem o senhor é! Todos aqui sabem quem o senhor é!
Albert Einstein ergueu a cabeça, olhou para o condutor, e disse:
– Meu jovem, eu também sei quem eu sou! O que eu não sei é para onde
eu estou indo!
Essa parece ser a situação de muitas pessoas. Assim como aquele
cientista distraído, elas não sabem para onde estão indo. Viajam no trem da
vida sem saber qual será a estação em que irão desembarcar. Isso é algo triste.
E é, também, uma coisa perigosa. Não deveríamos prosseguir rumo à
eternidade sem saber o que ela nos reserva. Céu e inferno são dois destinos
muito diferentes, e o lugar onde estaremos depois da morte é definido por
coisas que acontecem antes dela. A certeza de salvação é algo que deveria ser
buscado por todos os seres humanos. Felizmente, em Cristo nós podemos
encontrá-la.
Jesus nos salva, e ele também nos mantém salvos. Entramos na família
de Deus pela graça, e é pela graça que permanecemos nela. Nossos acertos
não contam para que sejamos aceitos, e tampouco nossos erros contribuem
para que sejamos rejeitados. Tudo é dom de Deus, é obra de Deus, é favor de
Deus. Nossa certeza de vida eterna não se baseia nos nossos méritos, e sim
nos merecimentos do nosso Redentor. Quem pagou a nossa passagem foi ele,
e não nós.
Muitas doutrinas da Bíblia – tais como as da regeneração, da adoção, do
perdão, da remissão, da eleição e da justificação – asseguram aos salvos a
permanência na graça do Senhor. Uma vez que Deus tenha nos adquirido
através do sangue do seu Filho, nos tornamos dele para sempre.
Eis algumas passagens bíblicas que nos ensinam essa verdade:
“Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias
da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias.” (Sl 23.6.)
“O Senhor aperfeiçoará o que me diz respeito.” (Sl 138.8.)
“E farei com eles um pacto eterno de não me desviar de fazer-lhes o
bem, e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de
mim.” (Jr 32.40.)
“E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de
todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.” (Jo 6.39.)
“Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as
arrebatará da minha mão.” (Jo 10.28.)
“Porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado.” (Rm
3.20.)
“Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor
Jesus Cristo.” (Rm 5.1.)
“Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será
salvo, todavia como que pelo fogo.” (1 Co 3.15.)
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive
em mim.” (Gl 2.20.)
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós.”
(Gl 3.13.)
“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar,
segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13.)
“Porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.”
(Cl 3.3.)
“E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso
espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para
a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, e ele também
o fará.” (1 Ts 5.23,24.)
“Porque eu sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso
para guardar o meu depósito até aquele dia.” (2 Tm 1.12.)
“Fiel é esta palavra: Se, pois, já morremos com ele, também com ele
viveremos.” (2 Tm 2.11.)
“Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus,
para que saibais que tendes a vida eterna.” (1 Jo 5.13.)
“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e
apresentar-vos ante a sua glória imaculados e jubilosos.” (Jd 24.)
“Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os
mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” (Ap 14.12.)
Cada um desses versículos fala profundamente ao nosso coração. Eles
nos revelam a grandeza do amor de Deus e a perfeição dos seus planos. Eles
nos acenam com uma eternidade de venturas e nos transmitem segurança
quanto ao futuro de nossas almas. Somos gratos ao nosso Pai celestial por
essas promessas.
Por que Jesus Cristo nos mantém salvos? A Bíblia Sagrada apresenta
pelo menos quatro razões para que isso aconteça:
JESUS NOS MANTÉM SALVOS PORQUE NOS
FEZ FILHOS DE DEUS
A Escritura nos ensina que todos os homens e mulheres são criaturas de
Deus, feitas pelo Senhor à sua imagem e semelhança. Mas aqueles que
entregam suas vidas a Cristo são elevados a outra posição: são feitos filhos e
filhas de Deus. “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra
vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual
clamamos: Aba, Pai”, escreveu o apóstolo Paulo aos cristãos de Roma (Rm
8.15). Ele também afirmou aos cristãos da Galácia: “Pois todos sois filhos de
Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gl 3.26). Isso é uma coisa maravilhosa. É algo
que nos permite descansar no amor incondicional de Deus e ter certeza de
que estaremos com ele para sempre. Afinal, não existem “ex-filhos”!
“O escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre”,
declarou Jesus (Jo 8.35). Nossa certeza de permanência no Reino de Deus
não se baseia no nosso desempenho (como se daria no caso de um escravo), e
sim na nossa condição (como se dá no caso de um filho). É uma coisa que
não pode ser revertida ou cancelada. Se Jesus Cristo se tornou o nosso Senhor
e Salvador, não estamos salvos: somos salvos!
JESUS NOS MANTÉM SALVOS PORQUE PAGOU
PELOS NOSSOS PECADOS
A segunda razão pela qual sabemos que Jesus nos mantém salvos é a
certeza de que todos os nossos pecados foram pagos. Escrevendo aos cristãos
de Corinto, Paulo falou: “Porque primeiramente vos entreguei o que também
recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Co
15.3). Se você é um servo ou uma serva de Deus, certamente deseja evitar
aquilo que o Senhor condena. Não quer entristecer o seu amado Redentor. No
entanto, o fato é que não alcançamos a perfeição do lado de cá do túmulo.
Para nossa felicidade, contudo, todas as nossas falhas foram expiadas na cruz.
“Minha esperança de ser preservado até o fim se baseia no fato de que Jesus
Cristo pagou caro demais por mim para me deixar escapar”, escreveu Charles
Spurgeon.
No texto de 1 João 2.1,2 encontramos as seguintes palavras: “Meus
filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém
pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a
propiciação pelos nossos pecados”. Louvado seja Deus por essa linda
promessa! Em favor da nossa redenção foi oferecido um preço alto e um
sacrifício eficaz! “Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e
de seus pecados não me lembrarei mais”, garante-nos o Senhor (Hb 8.12).
Como é maravilhoso o seu perdão!
JESUS NOS MANTÉM SALVOS PORQUE NOS
REDIMIU PELA GRAÇA
Nossa crença na perseverança baseia-se, também, no fato de que somos
salvos pela graça do Senhor. Paulo, escrevendo aos cristãos de Éfeso,
declarou: “Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que
nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou
juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Ef 2.4,5). A salvação é um
dom gratuito. Ninguém poderá exigir um lugar no céu ou se tornar credor de
Deus. A vida eterna não é uma recompensa por bom comportamento. É um
presente concedido àqueles que o recebem pela fé.
Se não é por nossos méritos que entramos no caminho que leva à glória,
não é tampouco por nossos merecimentos que permanecemos nele. Fomos
salvos pela graça, e é também pela graça que somos preservados. “Mas se é
pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.”
(Rm 11.6.) A justificação não pode se dar pela graça e pelas obras ao mesmo
tempo. Não somos redimidos pelo que fazemos, e sim por aquilo que Cristo
fez. Nada temos a acrescentar à obra redentora do nosso Salvador. “Os que
recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um
só, Jesus Cristo.” (Rm 5.17.) Louvado seja Deus por isso!
Talvez venham dias em que perderei uma batalha, mas a graça diz que
isso não é tudo, porque a cruz já venceu a guerra (Mercy Me).
JESUS NOS MANTÉM SALVOS PORQUE NOS
GUARDARÁ PARA SEMPRE
A todas as razões apresentadas até aqui podemos acrescentar mais uma:
Deus assegurou aos seus filhos e filhas que terminará aquilo que iniciou em
suas vidas. “Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia
de Cristo Jesus”, escreveu o apóstolo Paulo aos cristãos de Filipos (Fp 1.6).
Podemos descansar nessa garantia dada pelo nosso Deus. O Senhor nos
tomou para si quando nos convertemos, e ele nos conservará ao seu lado até o
final.
Aleluia! Fiel é Deus, “o qual também vos confirmará até o fim, para
serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 1.8).
Podemos exaltá-lo também por isso! “Pelo poder de Deus sois guardados,
mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último
tempo”, escreveu o apóstolo Pedro (1 Pe 1.5). É o Senhor quem nos salva, e é
ele quem nos mantém salvos. Só a ele pertencem toda a glória e exaltação.
A promessa de que Jesus nos mantém salvos é uma das mais belas das
Escrituras. Entretanto, alguns se sentem desconfortáveis com relação a ela.
“Se não podemos perder a salvação, o que nos impede de sair por aí fazendo
o que desagrada a Deus?”, alguém poderá perguntar. Paulo costumava
responder a esse questionamento com as seguintes palavras:
“Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum.
Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm
6.1,2). Se uma pessoa se sente confortável com relação ao erro, está dando
provas de que jamais foi convertida. Quem já morreu para o pecado não quer
mais viver nele.
Outro escritor bíblico que lançou luz sobre esse assunto foi o apóstolo
João. Falando a respeito de indivíduos que haviam abandonado a
congregação cristã, ele escreveu: “Saíram dentre nós, mas não eram dos
nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas
todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos” (1 Jo
2.19). Não podemos nos esquecer de que as aparências podem enganar
durante certo tempo. Jesus disse que há lobos disfarçados de ovelhas, que
existe joio misturado com o trigo, e que uma mesma rede apanha peixes bons
e ruins. Da mesma forma, há pessoas que frequentam a igreja, mas não
passaram pela experiência do novo nascimento.
Nem todos os que dizem: “Senhor, Senhor!” entrarão no Reino dos céus
(Mt 7.21). Isso é uma triste realidade. No entanto, se uma pessoa vier a se
perder, será porque jamais foi salva. É por isso que as coisas de Deus devem
ser levadas muito a sério. Alguém poderá iludir aos homens e até a si próprio,
mas jamais enganará ao Senhor. Ele sonda e prova todos os corações. Ele
conhece os que são seus (2 Tm 2.19). E quanto a você? Tem certeza de que já
pertence a Jesus?
Quando Noé e sua família entraram na arca, passaram a estar protegidos
do grande dilúvio que se abatia sobre o planeta. Não era uma questão de se
sentirem seguros: eles estavam seguros! Por que motivo? Haviam acreditado
na palavra de Deus, e, em obediência a ela, tinham entrado na embarcação
que os guardaria e os levaria a um bom lugar. Do mesmo modo, aqueles que
estão em Cristo podem estar certos da sua salvação, pois colocaram suas
vidas nas mãos daquele que foi designado para salvá-los. Aos que
sinceramente se entregam a Cristo foi prometida a vida eterna. Para os
crentes em Jesus foram reservadas moradas celestes. Essa é mais uma razão
para que nos apresentemos diante de Deus com louvor e gratidão. Podemos
desfrutar essa maravilhosa segurança e, com alegria, declarar:
“O Senhor me livrará de toda má obra e me levará salvo para o seu
reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém.” (2 Tm 4.18.)
22
Jesus nos conserva em paz
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou
como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se
atemorize (Jo 14.27).
Muitas pessoas falam de paz, entretanto, poucos são os que a
desfrutam. Um renomado grupo de historiadores, após realizar ampla
pesquisa, chegou à conclusão de que nos últimos cinco milênios o mundo
conheceu apenas 292 anos de paz. Durante esse período, aconteceram 14.351
guerras, nas quais três bilhões de seres humanos morreram. Nos últimos dois
mil e quinhentos anos, ocorreram, também, 1.656 corridas armamentistas.
Elas resultaram em conflitos armados ou no colapso econômico dos países
envolvidos, causando a perda de um número igualmente grande de vidas.
Sim, as nações vivem em guerra, e a sociedade está em constante
turbulência. As famílias se debatem em meio a crises, a violência corre solta
pelas ruas, e homens e mulheres perdem o sono. O dinheiro, a fama e o poder
seduzem muitos com suas ofertas, mas se mostram incapazes de proporcionar
a verdadeira tranquilidade. Só em Deus podemos achar aquilo que a nossa
alma tanto deseja.
O profeta Isaías disse ao Senhor: “Tu conservarás em paz aquele cuja
mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Is 26.3). Onde está firmada
a nossa mente? Em quem repousa a nossa confiança? Se desejarmos
realmente ter paz, precisaremos voltar os nossos olhos para o Príncipe da Paz
– Jesus Cristo.
O que podemos dizer a respeito da verdadeira paz?
A PAZ NÃO VEM DA AUSÊNCIA DE CONFLITOS
A paz real – aquela que Cristo dá – não resulta da ausência de
problemas. Isso, simplesmente, não existe. Alguns pensam que viverão
tranquilos e felizes no dia em que todas as dificuldades acabarem. Mas a vida
é dinâmica, está sempre em movimento, e novos desafios se apresentam
diante de nós todos os dias.
O único lugar do mundo onde ninguém tem problemas é o cemitério!
Aliás, você já reparou como as pessoas gostam de usar a palavra “paz”
quando dão nome aos cemitérios? Existe o Jardim da Paz, o Campo da Paz, o
Parque da Paz, o Vale da Paz..., mas a paz dos cemitérios é a paz da
inatividade, da calmaria total. Lá ninguém tem problemas porque todos estão
mortos. Contudo, nenhum de nós gostaria de estar ali. Não ansiamos pela paz
dos túmulos. O que desejamos é usufruir paz em meio ao dinamismo da vida.
Se tivermos fé em nosso Salvador, lidaremos sem desespero com os
problemas e adversidades. “E a paz de Deus, que excede todo o
entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em
Cristo Jesus”, garante-nos a Bíblia (Fp 4.7). A paz que o Senhor Jesus nos
oferece não é uma paz de cemitério. É uma paz vibrante, ousada, pulsante e
vívida, que acompanha os altos e baixos da nossa existência.
A paz não é a ausência de problemas, é a confiança no meio da
tempestade, é o triunfo da fé sobre a ansiedade (Hernandes Dias Lopes).
A paz de Deus excede todo o entendimento porque, aos olhos humanos,
ela não tem lógica. As pessoas olham para nós, veem que estamos
enfrentando problemas de saúde, que estamos passando por dificuldades
financeiras, que estamos lidando com conflitos em nossos relacionamentos, e
dizem: “Como você consegue ficar tão calmo?” Mas a paz do Senhor não
reside em nossas circunstâncias. Ela está firmada em nossos corações e nos
acompanha em todos os momentos.
“Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os
montes se projetem para o meio dos mares; ainda que as águas rujam e
espumem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza.” (Sl 46.2,3.)
“Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios,
eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem
a chama arderá em ti. Porque eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel,
teu Salvador.” (Is 43.2,3.)
A PAZ VEM DE UM RELACIONAMENTO COM
DEUS
Uma coisa que precisa ficar muito clara é que não podemos desfrutar
paz enquanto não tivermos um relacionamento íntimo com o Senhor. A
origem de toda a aflição e desassossego do mundo é o afastamento de Deus,
que se abateu sobre a humanidade por causa do pecado. Essa é a razão pela
qual Jesus é conhecido como o Príncipe da Paz. Ele veio à terra para nos
reconciliar com o nosso Criador.
Quando um índio no meio da floresta vê um raio ou escuta uma
trovoada, joga-se ao chão e diz: “Deus está zangado comigo!” No íntimo de
todos os seres humanos, está este sentimento: a intuição de que a ligação com
o Criador foi rompida e precisa ser restaurada. Só Jesus é capaz de refazer o
laço que se partiu. “Porque aprouve a Deus que nele habitasse toda a
plenitude, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por
meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na
terra como as que estão nos céus.” (Cl 1.19,20.)
Jesus Cristo morreu em uma cruz para que a humanidade pudesse fazer
as pazes com o seu Criador. Ele é ao mesmo tempo o sacerdote que oferece o
sacrifício, o Deus que recebe o sacrifício, e o próprio sacrifício. Naquele
madeiro ensanguentado, o preço da reconciliação foi pago. Ao recebermos
Cristo como nosso único e suficiente Salvador, passamos a gozar de um
relacionamento íntimo com o Senhor. Apenas a paz com Deus traz a paz de
Deus.
“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e,
derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a
inimizade.” (Ef 2.14)
“E, vindo, ele evangelizou paz a vós que estáveis longe e paz aos que
estavam perto.” (Ef 2.17.)
A PAZ VEM DE UMA CONSCIÊNCIA
TRANQUILA
Por que existem cristãos que não têm paz? Uma razão pode ser a falta de
santidade. Se o servo de Deus não vive de uma forma que agrada ao Senhor,
passa a conviver com dramas em sua consciência. Além disso, se
desobedecermos aos preceitos divinos, acabaremos nos metendo em
confusão, e atrairemos sofrimentos desnecessários. Esta é uma grande
verdade: quando o pecado entra pela porta, a paz sai pela janela.
A paz interior é uma bênção e conduz a uma vida sossegada. A culpa,
por outro lado, pode levar um indivíduo a viver sobressaltado. Há muitos
anos, um jornalista de Chicago, nos Estados Unidos, resolveu fazer uma
brincadeira. Ele colocou uma nota anônima em um dos jornais de maior
circulação da cidade. O aviso dizia simplesmente: “Descobriram tudo,
pessoal!” Sabe o que aconteceu? No dia seguinte, dezenas de pessoas
deixaram a cidade! Entre os que fugiram estavam políticos, funcionários
públicos, policiais, empresários e até juízes. Todos tinham “culpa no
cartório”, e foram acusados por suas próprias consciências.
O Senhor nos deixou a seguinte promessa: “O que me der ouvidos
habitará em segurança e estará tranquilo, sem receio do mal” (Pv 1.33). Se
estivermos dentro da vontade de Deus, não precisaremos ter medo de nada.
Colocaremos a cabeça no travesseiro e dormiremos o sono dos justos. Sendo
assim, esforcemo-nos por viver sempre de forma correta, lembrando que a
paz vem de uma consciência tranquila.
O pecado jamais compensa. Quando fazemos o que o Senhor desaprova,
a vida se enche de percalços. Quando a nossa consciência está pesada, os
banquetes perdem o gosto e as festas ficam sem brilho. Em todas as
circunstâncias, a melhor coisa a fazer é obedecer. E se perdemos a paz, é
preciso que nos arrependamos dos nossos pecados, recebamos o perdão dos
céus, e retomemos uma vida de comunhão como Senhor.
“Muita paz têm os que amam a tua lei, e não há nada que os faça
tropeçar.” (Sl 119.165.)
“Filho meu, não te esqueças da minha instrução, e o teu coração
guarde os meus mandamentos; porque eles te darão longura de dias e anos
de vida e paz.” (Pv 3.1,2.)
A PAZ VEM DA CERTEZA DE QUE DEUS NOS
GUARDA
Nem sempre a falta de paz decorre de uma consciência pesada. Muitas
vezes, o que acontece é que somos, simplesmente, vítimas de nossa
ansiedade. Tentamos manter o controle de tudo, esquecendo-nos de que todo
o poder pertence a Deus. Qual é o resultado disso? Tornamo-nos irrequietos e
inseguros, e a nossa serenidade se esvai.
Você acredita, de fato, que Deus cuida de você? Se ele já é o seu
Salvador, então ele será, sempre, o seu Protetor! Como poderíamos confiar a
Deus a redenção da nossa alma e não colocar em suas mãos todas as outras
questões? No entanto, parece que frequentemente fazemos isso. E quando
cometemos tal erro, perdemos a paz.
Há uma história engraçada sobre uma mulher idosa que andava por uma
estrada carregando um saco muito pesado. Um homem passou dirigindo o seu
caminhão, compadeceu-se dela, e falou:
– Minha senhora, pode subir na carroceria, eu lhe darei uma carona.
A mulher agradeceu a oferta e foi para a carroceria do caminhão. Mas,
alguns quilômetros adiante, quando o motorista olhou pelo espelho retrovisor,
viu que ela continuava sustentando o saco sobre os ombros. O caminhoneiro
parou o veículo, foi até ela e disse:
– Minha senhora, por que não coloca o saco sobre a carroceria?
E a mulher respondeu:
– Ah! Meu filho! Você já está me fazendo um favor tão grande me
carregando! Imagine se eu iria abusar da sua bondade pedindo que
carregasse, também, o meu saco!
Às vezes, nos comportamos como a mulher da história. Mas se já
confiamos a Deus a salvação da nossa alma, por que não entregar a ele
também as nossas preocupações? Se o Senhor é poderoso para guardar a
nossa vida, ele será capaz igualmente de prover as nossas necessidades, de
nos proteger de todos os perigos, de sustentar os nossos fardos e de cuidar das
pessoas a quem amamos. Em Isaías 43.1, está escrito: “Mas agora, assim diz
o SENHOR que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque
eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu”. Deus conhece os que são
seus! Ele nos chama pelo nome e cuida de nós. Podemos entregar a ele as
nossas apreensões, descansar na sua bondade e ter paz. Deixemos, portanto,
nossas cargas aos pés do Senhor.
“O meu povo habitará em moradas de paz, em moradas bem seguras e
em lugares quietos de descanso.” (Is 32.18.)
“Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor;
planos de paz e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.” (Jr
29.11.)
Como é doce a paz do Senhor! Ela se ergue acima das circunstâncias,
resulta de um relacionamento refeito com Deus, reflete a serenidade de uma
vida santa, e expressa a certeza de que o Criador cuida de nós. Jesus Cristo é
o Príncipe da Paz. Ele enche o nosso coração de confiança, serenidade e
esperança. Ele aquieta a nossa alma. Ele tranquiliza o nosso espírito. Ele nos
conserva em paz.
Aqueles que visitam o Parque Nacional de Foz do Iguaçu, na fronteira
entre o Brasil e a Argentina, se impressionam com a imponência das
cataratas. A força das águas que despencam de uma altura de oitenta metros e
a beleza da floresta ao seu redor levaram o lugar a ser eleito uma das sete
maravilhas naturais do mundo. O local é, também, a residência de milhares
de andorinhões. Essas aves de apenas vinte centímetros voam corajosamente
através das águas furiosas, a fim de fazer os seus ninhos no paredão de pedra
atrás das cataratas. Ali estão seguras, fora do alcance dos predadores. Apesar
de toda a turbulência à sua volta, desfrutam paz.
Do mesmo modo, Jesus Cristo é a rocha à qual nos apegamos. Ele nos
oferece total segurança. Quando estamos firmados no seu amor, todo o
barulho e tumulto ao nosso redor perdem a força. Quando confiamos no seu
poder, experimentamos perfeita tranquilidade. Sendo assim, irmãos,
deixemos que a paz do Senhor domine cada aspecto de nossas vidas.
Apropriemo-nos, com gratidão e fé, das promessas do Redentor.
Fiel é a Palavra de Deus, a qual nos diz:
“E a paz de Cristo, para a qual também fostes chamados em um corpo,
domine em vossos corações, e sede agradecidos.” (Cl 3.15.)
Amém!
23
Jesus nos levará para o céu
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim,
eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos
preparar lugar, virei outra vez e vos tomarei para mim
mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também (Jo
14.2,3).
Cristo disse que iria preparar um lugar para seus discípulos na casa de
seu Pai. Essa é, ao mesmo tempo, uma promessa extraordinária e
maravilhosa. Primeiramente, é uma promessa extraordinária, porque aquilo
que Jesus falou que iria fazer não era o que os reis e os senhores faziam. Na
antiguidade, quando um rei partia em uma viagem, ordenava aos seus súditos
que seguissem na frente e providenciassem um local para seu descanso; e a
mesma ordem era dada, pelos senhores, aos seus servos. Mas o nosso
Salvador, numa clara demonstração de amor, afirmou que faria o contrário,
indo adiante de nós e preparando-nos um lugar. Isso não é algo tremendo? E
essa promessa extraordinária é, em segundo lugar, uma promessa
maravilhosa. Afinal, o local que Jesus foi preparar para nós é nada menos do
que o céu.
Ah! O céu! Quantas associações positivas nos traz essa palavra! Quantas
esperanças cabem em apenas três letras! Que belezas há no céu! Que alegrias
esperam ali por nós! O céu não é um sonho. O céu não é uma obra de ficção
ou um fruto da nossa imaginação. O céu é uma realidade. O céu é uma
promessa. Cristo assegurou que aqueles que fossem comprados com o seu
sangue estariam com ele, para sempre, nas moradas celestiais.
O ANTIGO TESTAMENTO FALA SOBRE O CÉU
A linda promessa de uma eternidade com Deus já aparece nos primeiros
livros da Bíblia. De fato, o Antigo Testamento nos fala sobre o céu. No
Salmo 15, por exemplo, Davi descreve o verdadeiro cidadão dos céus, e diz:
“Quem, SENHOR, habitará na tua tenda? Quem morará no teu santo monte?
Aquele que anda irrepreensivelmente e pratica a justiça, e do coração fala a
verdade” (Sl 15.1,2). E, mais adiante, o profeta Isaías escreve algo parecido,
dizendo: “Quem dentre nós pode habitar com o fogo consumidor? Quem
dentre nós pode habitar com as labaredas eternas? Aquele que anda em
justiça e fala com retidão; aquele que rejeita o ganho da opressão; que sacode
as mãos, para não receber peitas; o que tapa os ouvidos, para não ouvir falar
do derramamento de sangue, e fecha os olhos, para não ver o mal; este
habitará nas alturas” (Is 33.14-16).
As Escrituras falam sobre a vida após a morte, sobre um lar preparado
por Deus para nós nas alturas. Portanto, não podemos, de forma alguma,
concordar com aqueles que dizem: “Morreu, acabou”. Se não houvesse vida
além do túmulo, o Senhor estaria quebrando uma promessa. Não é pelo fato
de não conseguirmos enxergar o que há além que iremos pensar que a matéria
é tudo o que existe. Essa seria uma atitude infantil. Uma criança pequena
acredita que só aquilo que ela vê é real. É por isso que, quando uma
criancinha faz algo errado, tapa os seus olhos numa tentativa de escapar do
castigo. Ela pensa que, assim como não está vendo ninguém, nenhuma pessoa
será capaz de vê-la. Ela acredita que tudo o que existe é aquilo que ela pode
ver. Nós, porém, não somos criancinhas. Não nos guiamos pela vista, e sim
pela fé.
Se tivermos fé, teremos certeza da vida eterna. Através do profeta
Daniel, o Senhor prometeu: “Os santos do Altíssimo receberão o reino e o
possuirão para todo o sempre, sim, para todo o sempre” (Dn 7.18). Por meio
do profeta Oseias, ele garantiu também que resgataria a alma dos seus servos,
dizendo: “Eu os remirei do poder do Seol, e os resgatarei da morte. Onde
estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó Seol, a tua destruição?” (Os
13.14). A morte não é invencível. A morte não é maior do que Deus. A morte
não é o fim de tudo. A morte é somente o começo da eternidade.
O NOVO TESTAMENTO FALA SOBRE O CÉU
As promessas que brilham no Antigo Testamento refulgem, com maior
intensidade ainda, na segunda parte da Bíblia. No Novo Testamento, tanto
Jesus quanto os apóstolos reafirmam aquilo que havia sido dito pelos
salmistas e profetas, e vão além. Desse modo, o Senhor confirma o que tinha
falado anteriormente, e acrescenta novas informações a respeito do céu.
“Os justos resplandecerão como o sol, no reino de meu Pai”, prometeu
Jesus (Mt 13.43). Ele declarou também: “Eu sou a ressurreição e a vida;
quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11.25). Para aqueles que
creem, morrer é fechar os olhos na terra para abri-los na eternidade, na
presença do Salvador.
Existem passagens nos Evangelhos que nos ajudam a entender mais
claramente essa verdade. Em uma das histórias contadas por Cristo,
conhecida como “a Parábola do Rico e de Lázaro”, nos é dito que “veio a
morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão” (Lc
16.22). Através dessas palavras do Mestre, ficamos sabendo o que acontece a
um crente quando ele morre. Ele é levado, pelos anjos, até a presença de
Deus. Outro texto revelador é o de Lucas 23.43. Ali, encontramos o Salvador
na cruz prometendo ao malfeitor arrependido: “Hoje estarás comigo no
paraíso”. Jesus predisse o que iria acontecer àquele homem dentro de poucas
horas. Ele compareceria, salvo, à presença do Criador.
Tal convicção sobre o futuro e a eternidade precisa refletir-se no nosso
presente. A melhor maneira de vivermos no tempo atual é pensando no tempo
que virá. Os que só se preocupam com as satisfações do aqui e do agora
desperdiçam as suas existências, priorizando os prazeres e as coisas terrenas.
Por outro lado, os que sabem que o céu existe buscam viver cada dia da
melhor maneira possível. Longe de nos transformar em pessoas alienadas, a
convicção a respeito da eternidade nos converte em melhores cidadãos,
familiares e irmãos. Aqueles que deram contribuições mais significativas à
história da humanidade foram os que acreditavam que havia uma realidade
por vir.
Mire o céu e você terá a terra por acréscimo; mire a terra e não terá
nenhuma das duas coisas (C. S. Lewis).
Viver pensando na eternidade nos ajuda a extrair o melhor dos nossos
dias. “A piedade para tudo aproveita, visto que tem a promessa da vida
presente e da que há de vir”, escreveu o apóstolo Paulo (1 Tm 4.8).
Semelhantemente, o apóstolo Pedro afirmou em uma de suas cartas: “Bendito
seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande
misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de
Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível,
incontaminável e inacessível, reservada nos céus para vós” (1 Pe 1.3,4). Essas
são palavras sábias e verdadeiras. Elas nos protegem do medo e do erro. Elas
nos ajudam a manter nosso foco na direção certa.
DEUS FARÁ UM NOVO CÉU E UMA NOVA
TERRA
O céu existe, e é um lindo lugar. Mas a Bíblia menciona, também, o
novo céu e a nova terra. Ela fala sobre um local ainda mais belo, o qual
haverá de ser criado por Deus.
Em Isaías 65.17, encontramos a seguinte afirmação do Senhor: “Pois eis
que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas
passadas, nem mais se recordarão”. Referindo-se a essa declaração gloriosa,
Pedro escreveu séculos mais tarde: “Nós, porém, segundo a sua promessa,
aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça” (2 Pe
3.13).
Essa é uma afirmativa que nos remete ao futuro, ao fim dos tempos. A
Bíblia diz que, quando Jesus voltar, os mortos serão ressuscitados. Aqueles
que hoje estão em sua companhia aparecerão à vista de todos, com seus
corpos glorificados. E então, após o juízo final, os salvos acompanharão o
Redentor até o novo céu e a nova terra. Ali se depararão com um cenário
ainda mais belo do que o paraíso que existe hoje. Na verdade, esse lugar será
tão admirável que a Bíblia reserva seus dois últimos capítulos só para falar do
novo céu e nova terra que serão criados por Deus. Se você ler Apocalipse 21
e 22, terá um vislumbre dessa esplendorosa realidade.
Que local formidável será aquele! Está escrito que “as coisas que olhos
não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são
as que Deus preparou para os que o amam” (1 Co 2.9). Isso chega até mesmo
a criar um problema para o entendimento humano. Pensamos: “Como tal
coisa será possível? Como tornar ainda mais bonito aquilo que já representa a
própria expressão da beleza? Como melhorar o que já é perfeito?” Parece que
nossa cabeça é pequena demais para administrar revelações tão grandes.
Entretanto, para Deus, todas as coisas são possíveis. E ele deixou um
auxílio para a nossa compreensão. O Senhor disse a João que escrevesse no
livro de Apocalipse: “Vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o
primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe. E vi a santa cidade, a
nova Jerusalém, que descia da parte de Deus, adereçada como uma noiva
ataviada para o seu noivo” (Ap 21.1,2).
O uso que João faz da imagem da noiva para se referir à nova Jerusalém
é bastante sugestivo. Um homem chega ao dia do seu casamento certo de que
a mulher que ama é a mais linda de todas. Ele está feliz e emocionado,
porque o seu sonho irá se realizar. Ele encontrou a pessoa mais incrível do
mundo. A voz dela é música aos seus ouvidos, o rosto dela é uma verdadeira
pintura, e ele acredita que tudo nela é perfeito. E, então, a marcha nupcial
começa a tocar. Todos se colocam em pé, as portas do santuário se abrem, e a
noiva surge radiante. Ela está esplendorosa em seu vestido branco, adornada
com o véu, a grinalda e o buquê. Nessa hora, o noivo fica simplesmente
atordoado. Ele mal pode crer no que está diante dos seus olhos. Havia
pensado conhecer a mulher mais linda do mundo. Mas a mulher mais linda
do mundo está, agora, ainda mais linda.
Será mais ou menos isso o que os remidos experimentarão quando
chegarem ao novo céu e à nova terra. A Escritura diz que “ali não haverá
jamais maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos
o servirão, e verão a sua face; e nas suas frontes estará o seu nome. E ali não
haverá mais noite, e não necessitarão de luz de lâmpada nem de luz do sol,
porque o Senhor Deus os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap
22.3-5). Aquilo que já é extremamente bom ficará ainda melhor. E naquele
lindo lugar viveremos, para sempre, com o nosso Deus.
O céu é um lindo lugar. É a casa de Deus e a morada dos salvos. Jesus
pagou um alto preço a fim de levar para lá os seus remidos. Ali, eles
desfrutarão uma eternidade de venturas. Contemplarão a face do Salvador,
caminharão por ruas de ouro, terão a companhia dos justos e ouvirão o canto
dos anjos. O Senhor será para sempre a sua alegria e a sua luz. “Ele enxugará
de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais
pranto, nem lamento, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas.”
(Ap 21.4.) Aleluia! Que admirável lugar é o céu!
Havia uma menina que morava na cidade e que tinha ido, no período de
férias, passar alguns dias na fazendo de seu avô. À noite, os dois se afastaram
um pouco de casa, deitaram-se sobre a grama e puseram-se a observar o
firmamento. Como uma garota da cidade grande, a netinha nunca havia
contemplado um céu tão cheio de estrelas. Mas agora, longe da iluminação
artificial das ruas e residências, os astros cintilavam na amplidão em todo o
seu esplendor.
À medida que sua visão ia se acostumando, a menina ia enxergando um
número cada vez maior de estrelas. Logo a Via Láctea estava se
esparramando diante dos seus olhos, ladeada por inúmeras galáxias distantes
nas mais diferentes cores e formatos. Ela se encantou com a beleza das
constelações, o brilho dos planetas e o faiscar das estrelas cadentes que
riscavam o céu. Seu avô, que tinha algum conhecimento de astronomia,
apontava para os diferentes astros informando os seus nomes e citando
curiosidades a seu respeito. A menina estava fascinada. Ela mal podia
acreditar que tudo aquilo havia estado lá, desde sempre, rebrilhando acima da
sua cabeça.
Em um determinado momento, encantada com o tamanho e a beleza que
o universo exibia perante os seus olhos, a garota exclamou:
“Vovô! Como isso é incrível! Se a parte de baixo do céu é assim tão
bonita, imagine a parte de cima!”
Realmente, “os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento
anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1). E, ainda assim, tudo isso é apenas a
parte de baixo do céu. É o avesso da tapeçaria, o verso da gravura, o lado
inferior da coberta. E se a parte de baixo do céu é assim tão bonita, imagine a
parte de cima! É lá que estão as moradas que Jesus foi preparar para os seus
servos. É lá o lugar onde passaremos a eternidade. Que gloriosa confiança!
Que incomparável promessa! Vivamos todos os dias à luz dessa certeza, e
sejamos sempre agradecidos a Deus por tão grandiosa salvação!
24
Promessas de encorajamento
Deleita-te também no SENHOR, e ele te concederá o que
deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao SENHOR;
confia nele, e ele tudo fará (Sl 37.4,5).
Todos necessitam de encorajamento. Espero que haja, na sua vida,
pessoas que encorajem você, torçam por seu sucesso e incentivem as suas
realizações. Porque é muito difícil nos levantarmos após as quedas,
superarmos os obstáculos e concretizarmos os nossos sonhos sem termos
alguém que nos estimule. Precisamos de encorajamento. E devemos, nós
mesmos, ser encorajadores.
É muito importante que os pais encorajem os seus filhos, que os mais
velhos encorajem os mais jovens, que os líderes encorajem os seus liderados,
e que os irmãos encorajem uns aos outros. Frases como “você vai conseguir”,
“eu acredito em você” e “vai dar tudo certo” são poderosas. Afugentam o
medo do nosso coração. Devolvem as nossas esperanças e renovam as nossas
forças. Possuem um valor inestimável.
Elogie-me, e talvez eu não acredite em você. Critique-me, e talvez eu
não goste de você. Ignore-me, e talvez eu não aprove você. Encoraje-me, e eu
nunca me esquecerei de você (William Arthur Ward).
Deus também nos dirige palavras de encorajamento. E essas palavras
são muito mais do que declarações bem-intencionadas. Não são como tantas
frases feitas que costumamos ouvir, as quais, frequentemente, estão cheias de
otimismo, mas vazias de poder. Não, nada disso! Elas são verdadeiras
profecias! O Senhor nos deixou, nas Escrituras Sagradas, centenas de
promessas de incentivo. Elas falam sobre coisas que certamente irão
acontecer. Elas nos reanimam de uma maneira que a palavra humana jamais
seria capaz de fazer.
Na Bíblia, encontramos repetidamente frases de encorajamento dirigidas
pelo Senhor aos seus servos. Os grandes homens de Deus foram pessoas tão
limitadas e inseguras quanto nós. Em várias ocasiões eles cometeram erros,
encontraram dificuldades, sofreram reveses e hesitaram em seguir adiante.
Nessas horas, uma palavra de ânimo enviada dos céus ergueu suas cabeças e
lhes deu forças para que pudessem vencer.
Deus encorajou Abraão. Aquele que viria a ser conhecido como “o Pai
da Fé” passou por instantes de abatimento. Ele achava que a promessa que
havia recebido estava demorando demais a se cumprir. Mas a Bíblia diz que o
Senhor lhe apareceu numa visão, dizendo: “Não temas, Abrão; eu sou o teu
escudo, o teu galardão será grandíssimo” (Gn 15.1).
Deus encorajou Jacó. Quando ele saiu de casa a caminho de Harã,
temendo o que pudesse lhe acontecer, o Senhor lhe apareceu em um sonho, e
disse: “Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te
farei tornar a esta terra; pois não te deixarei, até que haja cumprido aquilo de
que te tenho falado” (Gn 28.15).
Deus encorajou Moisés. Aquele que seria usado para libertar os
israelitas do cativeiro hesitou diante da responsabilidade. Ele disse a Deus:
“Quem sou eu, para que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” Mas o
Senhor lhe respondeu: “Certamente eu serei contigo” (Êx 3.11,12). Moisés
fez o que Deus lhe havia ordenado, e os hebreus foram libertos.
Deus encorajou Josué. Após a morte de Moisés, coube a ele a missão de
liderar os israelitas e conquistar a terra prometida. Josué poderia ter
considerado que o seu trabalho era difícil demais. Mas Deus prometeu a ele:
“Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida. Como fui com Moisés,
assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei” (Js 1.5).
Deus encorajou Davi. Quando ele se perguntava se teria condições de
perseguir a tropa que havia destruído seu acampamento e sequestrado sua
família, o Senhor lhe falou: “Persegue-a; porque decerto a alcançarás e tudo
recobrarás” (1 Sm 30.8). Davi confiou na promessa recebida. Cobrou ânimo,
reuniu seus soldados e partiu em perseguição aos inimigos. Após uma grande
vitória, todos foram resgatados, e o povo voltou com muitos despojos.
Deus encorajou Jeremias. Ele se considerava jovem e inexperiente
demais para ser um profeta. “Mas o SENHOR me respondeu: Não digas: Eu sou
um menino; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto te mandar
dirás.” (Jr 1.7.) Desse modo, Jeremias se tornou o porta-voz do Altíssimo
para toda uma geração.
Deus encorajou Daniel. O profeta se achava sem forças por causa das
visões que lhe sobrevieram. E, então, ouviu as seguintes palavras: “Não
temas, homem muito amado; paz seja contigo; sê forte e tem bom ânimo”. Ao
escutar aquilo, Daniel sentiu-se refeito, e relatou: “Quando ele falou comigo,
fiquei fortalecido e disse: Fala, meu senhor, pois me fortaleceste” (Dn 10.19).
Jesus encorajou Pedro. Ele estava assustado depois de testemunhar uma
pesca milagrosa. Sentia-se indigno de estar na presença do Filho de Deus,
pois reconhecia que era um homem pecador. Mas o Salvador lhe disse: “Não
temas; de agora em diante serás pescador de homens” (Lc 5.10).
Jesus encorajou Jairo. O chefe da sinagoga seguia para casa,
acompanhado do Mestre, quando seus servos lhe deram a notícia de que sua
filha havia morrido. “Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe: Não temas; crê
somente, e será salva.” (Lc 8.50.) Pouco depois, a filha de Jairo foi
ressuscitada, para a alegria de toda a família e para a glória de Deus.
Jesus encorajou Paulo. O apóstolo encontrava-se no meio de uma
grande tempestade em alto-mar. As pessoas à sua volta já haviam perdido a
esperança de sobreviver. Então, o Senhor lhe enviou um anjo, o qual disse:
“Não temas, Paulo, importa que compareças perante César, e eis que Deus te
deu todos os que navegam contigo” (At 27.24).
Jesus encorajou a igreja de Filadélfia. Àquele grupo de crentes fiéis, o
Salvador falou: “Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança,
também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo
inteiro” (Ap 3.10). A igreja de Filadélfia permaneceu firme, triunfou sobre as
perseguições e resistiu aos séculos.
Assim como aquelas pessoas do passado foram fortalecidas pelas
palavras que receberam do Senhor, nós também, hoje, podemos nos reanimar
quando cremos nas promessas divinas. O nosso Deus não muda. Ele continua
dizendo aos seus filhos “Não tema! Tenha coragem! Vai dar tudo certo! Eu
estou com você!” E quando confiamos nessas palavras, os inimigos são
vencidos, os obstáculos são derrubados, e grandes vitórias são conquistadas.
TENHA CORAGEM: DEUS ESTÁ COM VOCÊ!
O Senhor nos garante que não estamos sós. Ele nos vê e se importa
conosco. Ele promete nos acompanhar todos os dias. Somos encorajados
quando nos lembramos de que não estamos sozinhos, de que Deus jamais nos
desampara, de que a mão do Todo-Poderoso nos sustenta. Tome posse dessa
promessa! Não olhe para o tamanho dos seus problemas ou para as suas
próprias limitações! Olhe para o seu Deus!
“Olhai para ele e sede iluminados; e o vosso rosto jamais será
confundido.” (Sl 34.5.)
“Quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as
vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima.” (Lc 21.28.)
“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para
que tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo 10.10.)
“Não temas, mas fala e não te cales; porque eu estou contigo, e
ninguém te acometerá para te fazer mal.” (At 18.9,10.)
“E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que
amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm
8.28.)
TENHA CORAGEM: DEUS GUARDA VOCÊ!
O Deus que está ao seu lado disse que iria proteger a sua vida. Às vezes,
sentimos medo de ir a um lugar ou de falar com uma pessoa. E, então,
pedimos a um amigo: “Pode ir até ali comigo?” Nessas horas, acompanhados
de alguém em quem confiamos, nos sentimos mais seguros. Pois bem: da
próxima vez que estiver atemorizado, erga os seus pensamentos ao céu, e
diga: “Senhor, pode ir até ali comigo?” A certeza de ter o Criador ao seu lado
acalmará o seu coração. Os seus temores serão dissipados. Você lidará com
as situações da maneira certa, e tudo correrá bem.
“Ele cumpre o desejo dos que o temem; ouve o seu clamor e os salva. O
Senhor preserva todos os que o amam.” (Sl 145.19,20.)
“Então, andarás seguro pelo teu caminho, e não tropeçará o teu pé.
Quando te deitares, não temerás; sim, tu te deitarás e o teu sono será suave.”
(Pv 3.23,24.)
“Porque o Senhor será a tua confiança e guardará os teus pés de serem
presos.” (Pv 3.26.)
“O temor do Senhor encaminha para a vida; aquele que o tem ficará
satisfeito, e mal nenhum o visitará.” (Pv 19.23.)
“Porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho.” (Zc
2.8.)
TENHA CORAGEM: DEUS AJUDA VOCÊ!
Todas as pessoas se deparam com problemas que parecem grandes
demais e com sonhos que parecem muito distantes. “Como eu vou dar conta
disso?”, costumamos perguntar a nós mesmos em tais ocasiões. Mas o Senhor
prometeu que nos daria o seu auxílio. Ele nos toma pela mão, nos guia e
fortalece. Porque contamos com a ajuda de Deus, podemos prosseguir
confiadamente.
“Os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz.”
(Sl 37.11.)
“Confirma a tua promessa ao teu servo, que se inclina ao teu temor.”
(Sl 119.38.)
“Aos justos se lhes concederá o seu desejo.” (Pv 10.24.)
“Amplia o lugar da tua tenda, e estendam-se as cortinas das tuas
habitações, não impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas.
Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; e a tua posteridade
possuirá as nações e fará que sejam habitadas as cidades assoladas.” (Is
54.2,3.)
“De modo que, com plena confiança, digamos: O Senhor é quem me
ajuda, não temerei; que me fará o homem?” (Hb 13.6.)
TENHA CORAGEM: DEUS CAPACITA VOCÊ!
A consciência da própria fragilidade costuma assombrar os seres
humanos. Mas o reconhecimento de nossas limitações deveria nos conduzir à
humildade e a uma atitude de dependência de Deus – e não à incredulidade
ou a um complexo de inferioridade. Precisamos acreditar que somos capazes.
Precisamos crer nisso, porque o Senhor está conosco, porque ele nos ajuda,
porque ele nos capacita. Foi assim que Davi, Paulo e tantos outros realizaram
obras notáveis. Podemos ter ousadia quando lembramos que temos um
grande Deus.
Espere grandes coisas de Deus, faça grandes coisas para Deus (William
Carey).
“Fortalecei as mãos fracas e firmai os joelhos trementes. Dizei aos
turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis o vosso Deus!” (Is 35.3,4.)
“Forjai espadas das relhas dos vossos arados e lanças, das vossas
podadeiras; diga o fraco: Eu sou forte.” (Jl 3.10.)
“Aquele que crê em mim, esse também fará as obras que eu faço, e as
fará maiores do que estas.” (Jo 14.12.)
“Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.” (Ef 6.10.)
Como são maravilhosas e oportunas as promessas de Deus! Aquele que
nos criou nos conhece melhor do que ninguém. Ele sabe das nossas
inquietações, das nossas inseguranças, das nossas dúvidas, dos nossos
anseios. É por isso que a ordem divina mais repetida na Bíblia é: “Não
temas!” A fim de nos ajudar a superar nossos próprios medos, Deus nos
concedeu suas promessas de encorajamento. Quando acreditamos nelas,
conseguimos prosseguir e vencer.
Sim, o Senhor nos conhece. Mas só confiaremos nas suas palavras se o
conhecermos também. Talvez o nosso maior problema seja a ignorância a
respeito de Deus. Quando duvidamos do cumprimento das suas promessas,
nos entregamos ao desespero. Nessas horas, é possível que o Criador diga lá
do céu: “Parece que você não me conhece. Porque se me conhecesse saberia
que eu faço o que digo e cumpro o que prometo. Saberia que jamais
desamparo aqueles que confiam em mim”.
Que coisas trágicas são a falta de fé e o desconhecimento de Deus! De
quantas preocupações elas nos cobrem! De quantas conquistas elas nos
privam! Sendo assim, tenhamos coragem! Renovemos nosso ânimo e
esperança, porque aquele que prometeu é fiel. Peçamos ao Senhor que nos
ajude a descansar no seu poder. Se fizermos isso, seremos mais que
vencedores. E assim, quando enfrentarmos obstáculos e adversários, não
seremos intimidados. Estaremos seguros na promessa que diz:
“Sede fortes e corajosos; não temais, nem vos atemorizeis diante deles;
porque o Senhor, vosso Deus, é quem vai convosco. Não vos deixará, nem
vos desamparará.” (Dt 31.6.)
Aleluia!
25
Promessas de consolo
Isto é a minha consolação na minha angústia, que a tua
promessa me vivifica (Sl 119.50).
Às vezes, uma criança pequena se machuca ao brincar e vai, chorando,
em direção à sua mãe. Então, a mãe a acolhe com um sorriso e lhe dá um
abraço. Em seguida, ela lhe dirige palavras carinhosas, as quais produzem um
grande efeito em seu coração. Confortada por essas palavras, a criança para
de chorar. É como se a sua alma se acalmasse. Até a ferida parece doer
menos. A criança enxuga as lágrimas, deixa o colo da mãe e retoma a
brincadeira. Foi consolada pelas palavras que saíram da boca de alguém de
sua total confiança.
Da mesma forma, os filhos e filhas de Deus são consolados pelas
promessas do Todo-Poderoso. As palavras que recebemos do Senhor são
como curativos colocados sobre o nosso espírito nos momentos em que nos
sentimos feridos. Não são frases ditas por um estranho. São declarações feitas
por alguém em quem confiamos, por aquele que nos criou e cuida de nós, por
aquele que tem todo o poder no céu e na terra, por alguém que nos amou e
que por nós tudo entregou. Não são palavras vazias: são as incomparáveis
promessas de Deus!
Pessoas que perderam seus entes queridos, maridos e esposas que
enfrentam problemas no casamento, pais que sofrem com o comportamento
dos filhos, enfermos que sentem dores, indivíduos que foram vítimas de
injustiças, homens e mulheres lutando contra a depressão: todos precisam de
promessas que lhes proporcionem alento e esperança. Na Bíblia Sagrada,
encontramos um grande número de promessas assim. Elas descem, como um
bálsamo suave, sobre o nosso espírito.
Veja alguns exemplos:
“Busquei ao Senhor, e ele me respondeu; e de todos os meus temores
me livrou.” (Sl 34.4.)
“Confirmados pelo Senhor são os passos do homem em cujo caminho
ele se deleita; ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor lhe segura
a mão.” (Sl 37.23,24.)
“Tu, que me fizeste ver muitas e penosas tribulações, de novo me
restituirás a vida e de novo me tirarás dos abismos da terra. Aumentarás a
minha grandeza e de novo me consolarás.” (Sl 71.20,21.)
“Sirva, pois, a tua benignidade para me consolar, segundo a palavra
que deste ao teu servo.” (Sl 119.76.)
“Embora eu ande no meio da angústia, tu me revivificas; contra a ira
dos meus inimigos estendes a tua mão, e a tua destra me salva.” (Sl 138.7.)
“Eis que Deus é a minha salvação; eu confiarei e não temerei, porque o
Senhor, sim, o Senhor é a minha força e o meu cântico; e se tornou a minha
salvação.” (Is 12.2.)
“Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.” (Is 40.1.)
“Porque o Senhor consolará a Sião; consolará a todos os seus lugares
assolados, e fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão, como o jardim
do Senhor; gozo e alegria se acharão nela, ações de graças e voz de
cântico.” (Is 51.3.)
“Eu, eu sou aquele que vos consola.” (Is 51.12.)
“Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos.
Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.” (Lc 6.21.)
“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em
mim.” (Jo 14.1.)
“Porque, como as aflições de Cristo transbordam para conosco, assim
também por meio de Cristo transborda a nossa consolação.” (2 Co 1.5.)
“Portanto, levantai as mãos cansadas e os joelhos vacilantes.” (Hb
12.12.)
“Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois,
porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito de Deus.” (1 Pe
4.14.)
Essas palavras têm o poder de tranquilizar a nossa alma. Tomemos
posse dessas promessas, acreditemos totalmente nelas, enchamos delas a
nossa mente, escrevamo-las em locais visíveis, abracemo-las em nosso peito,
aninhemo-nos junto a elas. Aquele que acalmou as ondas do mar pode,
igualmente, sossegar a tempestade que se agita em nosso interior. Temos
bons motivos para conservar a esperança, porque a boca do Altíssimo
pronunciou coisas boas a nosso respeito. As promessas do Senhor podem, de
maneira inigualável, confortar o nosso coração.
O CUIDADO DO SENHOR NOS CONSOLA
“Muitas são as aflições do justo, mas de todas elas o SENHOR o livra”,
lemos no Salmo 34.19. O que nos consola é o fato de sabermos que temos um
Deus que cuida de nós com sabedoria e poder. O Senhor está sempre perto, e
tem prometido nos livrar em todas as situações. O nosso Deus se importa
conosco e zela por nossas necessidades. Podemos nos firmar sobre a garantia
de que o Rei dos reis nos dará a vitória sobre as aflições. Essa é uma
fundação sólida sobre a qual temos condição de edificar nossa vida.
Conta-se que, em certa ocasião, o grande violinista Paganini entrou em
uma sala de concertos e preparou-se para tocar. Ele mal havia começado a
música quando uma das cordas de seu violino arrebentou. Um sorriso
nervoso percorreu a grande multidão que havia se reunido no teatro. O
músico, porém, não se deixou abalar, e continuou tocando com as três cordas
restantes. Passado algum tempo, a segunda corda arrebentou também. Dessa
vez, um murmúrio audível se espalhou pela plateia. Impassível, Paganini
seguiu em frente, demonstrando toda a sua habilidade ao executar a melodia
utilizando apenas duas cordas. E então, logo em seguida, o impensável
aconteceu: a terceira corda se rompeu. Agora, o auditório estava realmente
agitado. Muitos riam da difícil situação na qual o violinista se encontrava.
Mas quando Paganini tocou a música até o final usando somente a corda
restante, todos se levantaram e aplaudiram entusiasticamente, admirados com
o virtuosismo do mestre.
Assim também é o nosso Deus. A sua capacidade e o seu poder estão
acima de qualquer comparação. O Mestre dos mestres pode extrair melodias
das situações mais difíceis. Ele é capaz de nos cercar de alegria e de beleza
mesmo que as cordas da nossa vida estejam arrebentadas. Enquanto
conservarmos uma última corda – a corda da esperança –, o Senhor poderá
usá-la para executar lindas canções. Ele fará milagres a partir das nossas
circunstâncias, alegrando as nossas almas e extraindo exclamações de louvor
dos que testemunharem as nossas conquistas. Tudo o que é preciso é que
coloquemos nossas vidas em suas mãos.
A MISERICÓRDIA DO SENHOR NOS CONSOLA
No Salmo 51.17, está escrito: “Ao coração quebrantado e contrito não
desprezarás, ó Deus”. Aleluia! Servimos a um Deus que se compadece de nós
e que se importa conosco! O Senhor não é indiferente ao que sentimos. Ele
sente conosco, ele sente por nós. Nosso Pai celeste não despreza a alma
contrita. Ele não faz pouco caso, ele não vira as costas, ele não olha em outra
direção. O Senhor se aproxima de nós, cheio de misericórdia e de bondade.
Um coração quebrantado move o coração de Deus.
Certa vez, a rainha Vitória soube que a esposa de um humilde
trabalhador havia perdido o seu filho. Ela ficou muito triste com aquilo, e
desejou expressar a sua solidariedade. Então, foi até a casa da mulher
enlutada e passou a tarde com ela. Depois que a soberana da Inglaterra voltou
ao seu palácio, os vizinhos, curiosos, perguntaram àquela mulher:
– O que foi que a rainha lhe disse?
E a mulher respondeu:
– Ela simplesmente colocou a mão sobre o meu ombro e chorou junto
comigo.
Da mesma forma, o Soberano do universo vem ao nosso encontro
quando nos achamos tristes. Ele adentra a nossa humilde residência, coloca-
se ao nosso lado, partilha da nossa dor, fala ao nosso coração, conforta a
nossa alma. Como é amoroso o nosso Deus! Pelas misericórdias do Senhor
somos grandemente consolados!
O PROPÓSITO DO SENHOR NOS CONSOLA
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das
misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa
tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma
tribulação, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por
Deus”, lemos em 2 Coríntios 1.3,4. Sentimo-nos confortados quando
entendemos que o Senhor usa tudo o que nos acontece para o nosso bem e
para o bem de outras pessoas. Na vida de um filho ou filha de Deus, nada é
desperdiçado. O Criador se serve das nossas lutas para nos abençoar, e,
também, para conceder bênçãos através de nós. Ele nos consola a fim de que
nós possamos consolar outros por meio da nossa experiência.
Um rapaz de quinze anos, chamado Douglas, descobriu que estava com
leucemia. Ele foi internado, passou por várias sessões de quimioterapia e
sofreu com os efeitos colaterais. Percebendo que o moço estava deprimido,
sua tia quis consolá-lo. Ela ligou para uma floricultura, contou o que estava
acontecendo e pediu que enviassem um arranjo. Quando as flores chegaram
ao hospital, o rapaz percebeu que junto com elas havia um cartão. Estava
escrito: “Douglas, eu trabalho na floricultura, e atendi à ligação da sua tia.
Tive leucemia quando estava com sete anos, e agora estou com vinte e dois.
Estou torcendo por você. Atenciosamente, Laura”. Ao ler as palavras daquela
atendente, o rosto do jovem se iluminou. Elas o reanimaram e fortaleceram.
Confortaram-no de um modo único, porque tinham vindo de alguém que
sabia como ele se sentia.
O psiquiatra Viktor Frankl escreveu que “o desespero é o sofrimento
sem sentido”. Se uma pessoa não conseguir enxergar qualquer objetivo em
seus padecimentos, acabará se desesperando. Mas isso não acontece conosco,
porque sabemos que os nossos sofrimentos servem a um propósito. Cremos
que Deus nos acompanha em nossas aflições. E acreditamos também que,
depois de passarmos pelas provas, estaremos em condições de ajudar outras
pessoas que venham a atravessar dificuldades semelhantes. Tal certeza nos
conforta e revigora.
A FIDELIDADE DO SENHOR NOS CONSOLA
Em 1 Pedro 5.10, está escrito: “E o Deus de toda a graça, que em Cristo
vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele
mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer”. Essa é uma esplêndida
promessa. Deus jamais abandona os seus servos. Ele nos diz que o nosso
sofrimento é passageiro. Quanto ânimo nós extraímos dessa afirmação!
Como é bom saber que a nossa tribulação tem prazo de validade, que a nossa
aflição tem dia e hora certos para acabar! Nosso espírito ganha novo alento
quando somos assegurados de que a luta dará lugar à vitória e de que as
lágrimas serão substituídas por sorrisos. Aquele que nos deu tais garantias é
fiel. Ele jamais deixou de cumprir uma promessa.
O hino Estou Seguro, da autoria de Elisha Hoffman, diz em sua primeira
frase: “Que consolação tem meu coração, descansando no poder de Deus”.
Essa afirmação expressa o que tem sido a experiência de muitas pessoas. O
profeta Isaías escreveu: “Cantai, ó céus, e exulta, ó terra, e vós, montes,
estalai de júbilo, porque o SENHOR consolou o seu povo e se compadeceu dos
seus aflitos” (Is 49.13). Se depositarmos em Deus a nossa confiança, chegará
a hora em que daremos, nós também, testemunhos semelhantes a esses. O
Senhor é aquele que nos consola, que nos ajuda, que nos ampara. Nas suas
palavras, o coração abatido encontra repouso. Podemos confiar no seu amor e
descansar nos eternos braços do nosso Deus. Ele é fiel e poderoso para
cumprir tudo aquilo que disse a nosso respeito.
“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão”,
afirmou Jesus (Mt 24.35). Podemos estar certos de que aquilo que o Senhor
falou sobre nós haverá de se cumprir. Nossos olhos irão testemunhar seus
livramentos. Nossas mãos irão recolher suas bênçãos. Nossos ouvidos irão
escutar suas boas notícias. Nosso coração irá desfrutar sua paz. A tempestade
passará, o vento cessará, e o sol brilhará novamente sobre nossa cabeça.
Podemos estar certos disso porque aquele que prometeu é fiel.
Todos nós precisamos, vez por outra, de promessas que nos amparem. O
apóstolo Paulo se referiu ao Senhor como “Deus, que consola os abatidos” (2
Co 7.6). As promessas do Senhor nos proporcionam conforto real. O Pai
celestial concede força e paz aos seus amados. Ele renova as nossas
esperanças, enxuga as nossas lágrimas, trata as nossas feridas e ergue as
nossas frontes. Ele conhece as nossas dores, entende os nossos medos,
testemunha as nossas crises, e diz: “Vai ficar tudo bem!” Como são belas as
promessas de consolo! Agradecemos ao Senhor por ter deixado tantas dessas
promessas registradas nas páginas das Escrituras.
Tempos atrás, um repórter da Associated Press foi capturado por
fundamentalistas islâmicos. Eles o mantiveram cativo durante sete anos,
fazendo com que vivesse momentos muito difíceis. Os sequestradores,
entretanto, permitiram que aquele homem conservasse consigo uma Bíblia.
Isso fez toda a diferença. “Eu li a Bíblia inteira, de capa a capa, mais de
cinquenta vezes naquele período”, contou o repórter depois de ter sido
libertado. “Encontrei nos seus versos o conforto de que eu necessitava para
vencer as aflições.”
Não importa qual seja o cativeiro no qual uma pessoa se encontre: na
Palavra de Deus, ela achará a força necessária para prosseguir e triunfar.
Promessas divinas são como chuva caindo sobre terra seca, como farol
brilhando no meio da noite, como vozes queridas pronunciando nosso nome
quando precisamos de companhia.
Edmund Calamy escreveu:
“Grande, excelente e sublime é o conforto que encontramos nas
promessas de Deus. Elas são a Carta Magna que o cristão carrega consigo, a
única garantia que ele se sente no direito de reivindicar. Não há conforto
verdadeiro – nenhum conforto seguro, real, eficaz – além daquele que é
fundado sobre uma promessa da Escritura. Fora dali, qualquer palavra de
encorajamento é presunçosa, e não pode apropriadamente ser chamada de
conforto.”
Há grande verdade nessas declarações. Portanto, confiemos sempre em
Deus e na sua Palavra. A nossa consolação na nossa angústia é isto: que a
promessa do Senhor nos vivifica.
26
As promessas das bem-
aventuranças
O Sermão do Monte foi a mais linda pregação já escutada
por seres humanos. Jesus introduziu o seu inesquecível
discurso com uma série de declarações extraordinárias, as
quais se tornaram conhecidas como beatitudes ou bem-
aventuranças. Essas declarações se acham registradas
entre os versículos 3 e 12 do capítulo 5 de Mateus. Ali,
Cristo apresenta uma lista de oito razões de felicidade,
distribuindo-as em quatro pares de atitudes e promessas.
Nas bem-aventuranças, cada promessa é precedida de uma condição
que leva ao seu cumprimento. Poderíamos resumi-las todas na seguinte frase:
“Bem-aventurados os salvos”. Porque cada uma das bem-aventuranças fala
sobre a alegria proporcionada pelo Salvador àqueles que lhe entregam suas
vidas e se tornam seus discípulos.
As bem-aventuranças não decorrem de situações em que nos
encontramos, e sim de escolhas que fazemos. As primeiras quatro
declarações se referem a iniciativas que levam um indivíduo até a presença
do Salvador, e as quatro últimas falam sobre marcas que evidenciam o fato de
que ele esteve lá. Em todos os casos, a felicidade resulta de sermos
resgatados pelo Rei e de fazermos parte do seu reino.
Você já é uma pessoa bem-aventurada? Considera-se uma pessoa feliz?
Todos buscam a felicidade, mas poucos parecem encontrá-la nesta vida, e
talvez menos ainda sejam os que irão desfrutá-la na eternidade. Jesus, por
outro lado, prometeu alegrar o coração dos seus servos tanto no presente
quanto no futuro. Não há nada que se compare à satisfação de conhecer
Cristo e de andar ao seu lado.
Estas são as promessas de bem-aventurança feitas pelo Filho de Deus:
“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos
céus” (Mt 5.3)
Os humildes de espírito (ou, os pobres de espírito, como traduzem
algumas versões) são aqueles que herdam a vida eterna. Não podemos entrar
no reino dos céus sem humildade, porque o Evangelho afirma que não temos
como salvar a nós mesmos, que a salvação é pela graça, que precisamos de
um Salvador. Ninguém pode se tornar credor de Deus. Ninguém pode ir para
o céu por seus próprios méritos. Ninguém pode chegar à porta do paraíso e
gritar: “Deixem-me entrar, porque eu mereço estar aí!” As entradas da glória
não são apenas estreitas: são baixas, também. Você tem que se inclinar.
Jesus disse que se não nos tornássemos como crianças não poderíamos
entrar no reino de Deus (Mt 18.3). As crianças nos servem de exemplo
porque são humildes. Elas sabem que são limitadas, e, por essa razão, não se
envergonham de pedir ajuda aos mais velhos, ou de manifestar a sua
dependência deles. De igual forma, para termos a vida eterna temos que
reconhecer a nossa impotência e confiar nos cuidados de Deus. Bem-
aventurados são os que admitem a sua necessidade de salvação e a sua
incapacidade de salvar-se. Esses seguram a mão estendida pelo Salvador.
Nada em minhas mãos eu trago, simplesmente à tua cruz me apego;
despido, espero que me vistas; desamparado, aguardo a tua graça; mau, à tua
fonte corro; lava-me, Salvador, ou morro (John Stott).
“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados” (Mt
5.4)
A segunda bem-aventurança fala sobre o choro, e está relacionada à
primeira. As pessoas choram por vários motivos. Derramamos lágrimas por
muitas razões. Mas é provável que Jesus tivesse em mente, aqui, as lágrimas
do arrependimento. Quem é humilde de espírito se arrepende, se comove, se
quebranta. Quem é humilde de espírito reconhece o grande amor que foi
demonstrado na cruz, e, com o coração compungido, se volta para aquele que
ali entregou sua vida para resgatá-lo.
A Escritura diz que algumas pessoas têm o coração tão duro quanto o
diamante (Zc 7.12). Tem gente que não se arrepende, que não reconhece suas
falhas diante de Deus, que não se entristece por suas ações, que não enxerga
sua necessidade de remissão. Durante o ministério de Cristo, muitos
recusaram sua oferta de resgate, mas aqueles que se quebrantaram perante o
Mestre o escutaram dizer: “Vai em paz, a tua fé te salvou”. É por isso que os
que choram são consolados. O conforto os alcança na forma de perdão e
redenção.
“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (Mt 5.5)
Agora, Jesus está parabenizando os mansos, e dizendo que eles também
são felizes. Mas o que caracteriza uma pessoa mansa? Acredito que podemos
estabelecer a seguinte definição: “Mansidão é a qualidade daqueles que se
deixam amansar”.
Quando penso em uma pessoa mansa, o primeiro nome que me vem à
mente é o de Moisés. A Bíblia diz que ele era o homem mais manso da face
da terra (Nm 12.3). Porém, isso pode nos soar um pouco estranho a princípio,
porque o Moisés descrito pelas Escrituras não se parece com o que
imaginamos ser um exemplo de mansidão. Ele matou um homem durante
uma briga, quebrou as tábuas da lei em um acesso de ira e bateu na rocha
quando deveria só falar com ela. Até a sua esposa o chamou de marido
sanguinário. Como poderia semelhante homem ser manso?
Creio que Moisés era manso porque, apesar do seu temperamento
impulsivo, estava sempre permitindo ao Senhor que o amansasse. Ele se
submetia à ação do Espírito no desejo de se tornar uma pessoa melhor. Assim
ele foi moldado pela mão do Senhor e desenvolveu o domínio próprio. E
parece que, tal qual Moisés, cada um de nós precisa ser amansado. Trazemos
um “burro xucro” ou um “touro bravo” dentro de nós! E seremos bem-
aventurados se, humildemente, pedirmos a Deus que nos controle.
De acordo com Jesus, os mansos são bem-aventurados porque herdarão
a terra. Isso também pode nos soar um pouco estranho a princípio. Afinal, a
impressão que temos é de que a terra é herdada pelos bravos – pelos
violentos, pelos soberbos, pelos aguerridos – e não pelos mansos. Mas Cristo
estava dizendo a verdade. Os mansos herdarão a terra porque Jesus reina, e
eles reinarão com ele. Os poderosos deste mundo se levantam apenas para
cair. Mas os servos de Deus se erguem e permanecem em pé.
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles
serão fartos” (Mt 5.6)
Na quarta bem-aventurança, Jesus fala sobre a vontade que temos de ser
justos. Os que têm tal fome e sede podem satisfazê-las no Salvador. Todos
querem que a justiça prevaleça na terra, mas precisamos compreender que
isso começa dentro de nós, através de uma transformação da nossa natureza e
do nosso caráter. Os que anseiam por correção e santidade serão saciados se
forem a Cristo. Ele é o Senhor que nos santifica.
De acordo com a Bíblia, somos justificados pela fé, e assim alcançamos
a paz com Deus (Rm 5.1). Tornamo-nos fartos de justiça não por causa dos
nossos méritos, mas devido à justificação que recebemos de Cristo. Jesus é o
nosso justificador. Ele é o nosso Melquisedeque, o nosso “Rei de Justiça”.
Ele substitui nossas vestes de pecado por trajes de santidade. Ele muda o
nosso estado e transforma o nosso coração.
“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão
misericórdia” (Mt 5.7)
As quatro bem-aventuranças comentadas até aqui falaram sobre passos
que precisamos dar para ir até Cristo. As quatro seguintes falam sobre sinais
que mostram que estivemos com ele. Isso nos leva à quinta beatitude – aquela
que afirma que os misericordiosos são felizes. Ninguém pode ir até Jesus e
não se tornar uma pessoa misericordiosa. Afinal, se recebemos o perdão,
como poderíamos negá-lo a outros? Se Deus refreou a sua mão, por que
levantaríamos a nossa contra alguém? Se fomos tratados de forma
compassiva, de que outro modo poderíamos tratar uma pessoa?
O clássico Os Miseráveis, escrito por Victor Hugo no século XIX, conta
a história de um ex-presidiário que tem sua vida transformada por causa de
um ato de misericórdia. Jean Valjean, o personagem principal, vive como um
homem duro e violento, até que, certo dia, é alvo de um gesto extremamente
bondoso da parte de um religioso. Tal acontecimento deixa uma profunda
impressão na alma dele. Faz com que se torne não apenas uma pessoa
honesta, mas também um indivíduo generoso. Tendo sido tratado com um
amor e compaixão que sabia não merecer, ele passa a estender, a todos, o
mesmo tratamento.
A misericórdia demonstrada por Cristo deve causar o mesmo efeito em
nós. Se alguém não é misericordioso, é pouco provável que tenha se
convertido, e é igualmente improvável que seja uma pessoa bem-aventurada.
Como são infelizes os que não mostram compaixão! Como será triste o
destino dos que não têm piedade! Jesus falou que com a medida com que
medirmos seremos medidos (Mt 7.2). Tiago escreveu que o juízo será sem
misericórdia para aqueles que não usaram dela (Tg 2.13). Portanto,
procuremos em nós mesmos esse sinal de que estivemos com o Mestre.
“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”
(Mt 5.8)
Durante alguns anos, visitei regularmente a ala de queimados de um
hospital infantil, a fim de levar uma palavra de conforto às crianças, orar por
elas e falar-lhes de Jesus. Sempre que entrava naquele local, eu precisava
observar rígidas normas de segurança, tais como usar luvas, gorro, máscara e
capote. Eu também tinha que passar álcool nas mãos e manter certa distância
dos pacientes. Tudo isso era necessário para que a minha presença não
contaminasse aquele lugar e aquelas crianças. Se algo assim acontecesse,
infecções poderiam se espalhar, e a saúde de todos seria comprometida.
Pela mesma razão, a impureza não pode entrar no céu. Se o Senhor
afrouxasse as regras e liberasse a entrada do pecado no paraíso, ele não
continuaria sendo um lugar perfeito por muito tempo! É por isso que a Bíblia
diz que só os limpos de coração verão a Deus. Para entrarmos no céu,
precisamos ter as nossas almas lavadas, os nossos pecados perdoados, os
nossos corações purificados. E isso suscita uma pergunta: como pode ser
purificado um coração?
A Bíblia diz que Jesus é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do
mundo (Jo 1.29). O sangue de Jesus tem poder para lavar as nossas almas,
para perdoar as nossas faltas, para limpar o nosso coração e para escrever o
nosso nome no Livro da Vida. Ditosos são aqueles que se entregam a Cristo!
Felizes são aqueles que, tendo sido alcançados pela graça de Jesus, se tornam
limpos de coração! Nossa esperança de contemplarmos a face do Pai
descansa nos méritos daquele que na cruz se entregou por nós. Aleluia!
Digno é o Cordeiro de Deus!
“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados
filhos de Deus” (Mt 5.9)
A sétima bem-aventurança explora a questão da semelhança familiar.
Todos os filhos herdam características de seus pais. São, em grande medida,
parecidos com eles. Portanto, se Deus ama a paz e promove a paz, aqueles
que são seus filhos devem ser pacificadores também. Os seguidores de Jesus
Cristo não semeiam contendas, não aprovam a violência, não geram
discórdias, não encorajam brigas. Pelo contrário, eles promovem encontros,
estimulam reconciliações, mostram amor e preservam a união.
A Palavra de Deus diz que, tanto quanto for possível, devemos ter paz
com todos os homens (Rm 12.18). Ser um pacificador não é tarefa fácil.
Talvez exija que tenhamos muita coragem e paguemos um preço elevado.
Entretanto, não temos opção. Cristãos verdadeiros são promotores da paz. Os
autênticos filhos de Deus exibem essa semelhança com o seu Pai celestial.
“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça,
porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.10)
Jesus chega à última bem-aventurança fazendo a mesma promessa que
associou à primeira. Os perseguidos por causa da justiça herdarão, assim
como os humildes de espírito, o reino dos céus. Qual o motivo dessa
repetição? Esgotaram-se as promessas do Senhor? Não, nada disso! Cristo
estava fechando um ciclo. Estava deixando claro que todas as beatitudes se
referiam ao mesmo grupo de pessoas. E estava, também, nos avisando sobre
as perseguições que se levantariam por causa da nossa fé.
“Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e,
mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa”, acrescentou o
Mestre. “Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus;
porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós”, concluiu (Mt
5.11,12).
Naturalmente, ninguém gosta de ser perseguido. A bem-aventurança não
está na perseguição em si, mas naquilo que ela revela: o fato de que estamos
no caminho certo. Ao longo da história, todos os que desejaram fazer a
vontade do Senhor foram vítimas de injustiças. Quando sofremos por causa
do nosso compromisso com Jesus, constatamos que exibimos uma das
evidências que caracterizam os verdadeiros servos de Deus. Somos
colocados, assim, na companhia de pessoas muito especiais.
Vamos, então, rever quais são as promessas feitas nas bem-aventuranças
para aqueles que seguem a Cristo?
Eles receberão o reino dos céus.
Eles serão consolados.
Eles herdarão a terra.
Eles serão fartos.
Eles alcançarão misericórdia.
Eles verão a Deus.
Eles serão chamados filhos de Deus.
Eles receberão o reino dos céus e terão um grande galardão.
Essa relação de promessas maravilhosas nos mostra como é abençoador
ser um crente em Jesus Cristo. Não há nada que se compare ao privilégio de
conhecer ao Salvador e de caminhar com ele. Realmente, compensa servir a
Jesus!
Relata-se uma história que se passou nos tempos do Império Romano,
quando os cristãos eram mortos por causa da sua fé. Alguns fiéis estavam
enfileirados à porta do Coliseu, em vias de serem atirados aos leões. Um
soldado com a espada desembainhada perguntava a todos:
“Como você se chama? Você é um cristão?”
E outro soldado, assentado à mesa, anotava o nome e a resposta de cada
um.
A certa altura, o segundo soldado teve uma visão. Ele viu que um anjo
descia do céu sobre cada crente que estava para se tornar um mártir, e
colocava, sobre a sua cabeça, uma coroa brilhante. Ele esfregou os olhos, mal
conseguindo acreditar no que estava vendo. Mesmo assim, a cena se repetia,
e só ele parecia ser capaz de enxergá-la.
Então, um dos homens que estava sendo levado para a morte foi vencido
pelo medo. Tremendo, ele negou a Cristo, e pediu que sua vida fosse
poupada. Não podendo se conter, o soldado assentado à mesa exclamou:
“Ah! Seu tolo! Se você tivesse visto o que eu vi, jamais tomaria tal
decisão! Há um anjo coroando os que se dirigem para a glória! E por sua
causa uma coroa agora flutua no espaço! Mas não por muito tempo!”
Assim falando, o soldado romano se levantou, colocou a sua capa sobre
os ombros do desertor, e disse-lhe:
“Tome o meu lugar, que eu tomarei o seu!”
E, em seguida, entrou na fila junto com os demais, unindo-se a eles num
cântico de louvor a caminho da arena.
Aconteça o que acontecer, os que seguem a Cristo são bem-aventurados.
Seja na vida presente ou na eternidade, compensa caminhar com o Rei dos
reis. Ele nos abre as portas do seu reino, enxuga as lágrimas do nosso rosto,
nos farta de justiça e de misericórdia, e limpa o nosso coração. Ele faz de nós
filhos e herdeiros de Deus. Ele nos coroa de graça e de benignidade. Aleluia!
Felizes são os que seguem a Jesus!
27
As bem-aventuranças do
Apocalipse
No livro do Apocalipse, muitas vezes, encontramos o
número sete – que simboliza a completude ou perfeição.
Fala-se de sete igrejas, de sete estrelas, de sete castiçais, de
sete selos, de sete anjos, de sete trombetas... e há, também,
sete bem-aventuranças. Elas são promessas do Senhor
feitas aos seus servos fieis. Falam sobre a felicidade que
está assegurada àqueles que abraçam a fé em Jesus Cristo.
Algumas pessoas têm medo do livro do Apocalipse e, também, do
futuro. Entretanto, ambos estão repletos das promessas do Senhor. O Pai
celestial não deseja que seus filhos tenham receio quanto ao dia de amanhã.
Por isso, ele nos deixou as suas grandes e preciosas promessas. As bem-
aventuranças do Apocalipse são garantias de que o Senhor está no controle e
de que tudo ficará bem.
Vamos conhecer melhor estas sete maravilhosas promessas de Deus?
“Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as
palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas;
porque o tempo está próximo” (Ap 1.3)
Os que leem, ouvem e guardam a Palavra de Deus são felizes. É o que
nos garante o próprio Senhor. Há real alegria em conhecer e praticar os
ensinos das Escrituras. Aquele que medita na lei do Senhor de dia e de noite
será como uma árvore plantada junto a ribeiros de águas. Aquele que coloca
em prática os preceitos bíblicos será como uma casa firmada sobre a rocha.
“Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para
repreender, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus
seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra”, escreveu Paulo
(2 Tm 3.16,17). Deus tem prometido abençoar os que amam a sua Palavra.
Nela, encontramos consolo para os dias maus, correção para os nossos erros e
direção para os nossos passos.
A Escritura Sagrada sempre será merecedora da nossa consideração. E
na medida em que os atribulados e enganosos dias do fim se avizinham,
estudá-la se torna ainda mais necessário. O tempo está próximo, as profecias
estão se cumprindo, e Jesus está voltando. É cada vez mais urgente que
leiamos, ouçamos e guardemos a Palavra do Senhor. Por tudo e em tudo
devemos ser seus conhecedores e praticantes.
Leia a Bíblia para ser sábio, creia na Bíblia para ser salvo, siga a Bíblia
para ser santo (Billy Graham).
“Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor.
Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas
obras os acompanham” (Ap 14.13)
A segunda bem-aventurança do Apocalipse fala sobre a partida dos
filhos de Deus para a eternidade. Ela parece ir contra o senso comum, porque,
na maior parte do tempo, consideramos bem-aventurados os vivos, e não os
mortos. Mas a Palavra do Senhor coloca as coisas na sua real perspectiva.
Aqueles que morrem em Cristo são felizes porque descansam de suas fadigas
e recebem o galardão por suas obras.
A hora de nossa partida da terra é o momento de nossa chegada no céu.
“Para o crente, o morrer é cessar do trabalho, é cessar de gemer; é com Cristo
Jesus repousar, sim, é principiar a viver”, diz a letra do hino Morte do Crente,
de autoria anônima. Nosso instinto de preservação nos leva a temer a morte.
Contudo, não há motivos para receá-la. Para quem se entregou a Jesus, a
morte não passa de um breve adormecer.
Uma mulher iria passar por uma cirurgia, e o seu maior medo era estar
consciente na hora em que os médicos iniciassem o procedimento. Por isso,
quando já estava na mesa de operações e viu todas as providências sendo
tomadas, falou:
– Doutor, ainda estou acordada.
O médico tranquilizou-a e disse:
– Fique calma, isso é normal.
Passaram-se alguns minutos, e a mulher, percebendo que a anestesia
ainda não fizera efeito, repetiu:
– Doutor, ainda estou acordada.
O médico respondeu:
– Não se preocupe, está tudo correndo como planejado.
Mais algum tempo se passou, e a mulher tornou a falar:
– Doutor, ainda estou acordada.
No entanto, dessa vez, o médico disse:
– Fique tranquila, a operação foi um sucesso, a senhora está na sala de
recuperação, e correu tudo bem.
No momento da nossa partida, as coisas acontecerão de forma
semelhante! Fecharemos os olhos na terra para abri-los na presença do
Senhor. Tudo se dará num piscar de olhos. Atravessaremos o rio, e já nos
acharemos do outro lado do vale. Para os que renderam sua vida a Jesus, a
morte é uma bem-aventurança.
“Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e
guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua nudez”
(Ap 16.15)
Muitas pessoas têm o sono perturbado pelo sonho de que estão nuas em
um local público ou de que estão descalças em um ambiente formal. Se você
já teve esse tipo de pesadelo, deve se recordar do desconforto que
experimentou, mesmo enquanto estava dormindo. E deve também se lembrar
de que, ao despertar, sentiu-se aliviado, porque se viu livre de toda aquela
sensação de embaraço e constrangimento.
Jesus comparou o despreparo com relação à sua segunda vinda com a
situação de uma pessoa que é apanhada em sua nudez, e que, por isso, passa
vergonha. Ele vai voltar como um ladrão de noite, ou seja, sem mandar aviso.
O dia e a hora são desconhecidos para nós. Sendo assim, precisamos vigiar e
ficar atentos.
Uma das histórias contadas por Cristo fala sobre a importância de
estarmos prontos para o seu regresso. Na parábola das dez virgens, registrada
no capítulo 25 de Mateus, as imprudentes são impedidas de entrar nas bodas
porque deixaram que o seu azeite acabasse e a sua lâmpada perdesse o brilho.
“Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora”, concluiu o Salvador
(Mt 25.13). Felizes são os que estão prontos.
“E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à
ceia das bodas do Cordeiro. Disse-me ainda: Estas são as verdadeiras
palavras de Deus” (Ap 19.9).
O momento em que Cristo e a igreja se encontrarão no céu é chamado
de “a ceia das bodas do Cordeiro”. Naturalmente, aqueles que estarão lá serão
bem-aventurados. Mas o versículo chama a nossa atenção para um detalhe
importante: ele afirma que bem-aventurados são os chamados para estar lá. A
razão para isso é dupla. Primeiramente, os que recebem o convite são bem-
aventurados porque estarão na festa, porque não ficarão de fora em hipótese
alguma, porque lhes foi feita uma promessa. Em segundo lugar, os chamados
são bem-aventurados porque não há maneira de alguém estar nessa festa sem
ter recebido o convite.
Não haverá “penetras” no céu! O acesso é exclusivo para aqueles que
foram lavados no sangue do Cordeiro. Jesus vai voltar, a igreja vai subir, e a
festa vai começar. Que comemoração maravilhosa será aquela! Você tomará
parte dela? O convite indispensável é o sangue de Jesus! A alegria terrena de
nada vale se não for acompanhada da felicidade celestial. De nada adianta
ganhar o mundo e perder a alma. Por isso, bem-aventurados são aqueles que
já receberam o convite, que já estão de posse do ingresso, que já têm o seu
nome escrito na lista de convidados!
“Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira
ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte” (Ap 20.6)
A quinta bem-aventurança do Apocalipse fala sobre a primeira
ressurreição e a segunda morte. O contexto do versículo nos leva a concluir
que a expressão “primeira ressurreição” é usada como sinônimo de
conversão. Quando nascemos de novo, nós, que estávamos mortos em nossos
pecados, passamos a viver espiritualmente. Fomos transportados da morte
para a vida. Como resultado, já não podemos sofrer os danos da condenação
eterna, ou seja, daquilo que o texto chama de “segunda morte”.
Essa diferenciação entre os significados físico e espiritual da vida e da
morte já havia sido utilizada por Jesus em sua conversa com Marta, antes da
ressurreição de Lázaro. O Salvador afirmou ser a ressurreição e a vida. Quem
crê nele poderá passar pela morte física (a “primeira morte”), mas,
espiritualmente, estará vivo. E quem vive e crê nele jamais sofrerá a morte
eterna (a “segunda morte”) (Jo 11.25,26).
Como são maravilhosos os desígnios de Deus! Quem nasce duas vezes
morre apenas uma vez! Por outro lado, quem passa apenas pelo nascimento
físico acaba por morrer duas vezes. Sendo assim, bem-aventurados são
aqueles que se converteram, que nasceram de novo, que creram em Jesus!
“Eis que cedo venho; bem-aventurado aquele que guarda as palavras
da profecia deste livro” (Ap 22.7)
Chegamos à sexta bem-aventurança do Apocalipse. Ela é semelhante à
primeira, e reforça a promessa de que os que guardam a Palavra do Senhor
serão felizes. Se formos praticantes dos preceitos da Escritura Sagrada,
estaremos preparados para nos encontrarmos com Jesus, que em breve virá. E
isso será motivo de incomparável alegria.
John Wesley, o renomado evangelista do século XVIII, foi um grande
estudioso da Palavra de Deus. Pregou por dezenas de anos, visitou centenas
de cidades, e falou a milhares de pessoas. Um dia, alguém lhe perguntou:
– Pastor Wesley, o que o senhor gostaria que Cristo o encontrasse
fazendo no dia da sua volta?
Wesley respondeu:
– O mesmo que eu faço todos os dias.
Assim como John Wesley, devemos ser praticantes da Palavra, e viver
de uma maneira que agrade ao Senhor. O mundo não será impactado por
leitores, por ouvintes ou mesmo por pregadores da Bíblia. Ele será
transformado por homens e mulheres que sigam os preceitos da Escritura.
Mudanças verdadeiras só acontecem quando passamos da teoria à prática.
Portanto, vivamos cada dia como se fosse o último, demonstrando amor e
fidelidade. Venturosos são aqueles que obedecem ao Senhor.
“Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes no sangue do
Cordeiro, para que tenham direito à arvore da vida e possam entrar na
cidade pelas portas” (Ap 22.14)
Na última bem-aventurança, somos lembrados de que apenas os que
foram lavados no sangue de Jesus terão acesso à Jerusalém celestial. Os
remidos entrarão na cidade santa pelas suas portas. Terão acesso à árvore da
vida, caminharão por ruas de ouro, e se assentarão em praças de cristal.
Ouvirão o canto dos anjos, cearão na presença de patriarcas, desfrutarão a
companhia dos salvos, e contemplarão a face de Deus. Tudo isso só será
possível por causa do sacrifício realizado na cruz.
Quando você chegar à porta do céu, Deus não verificará se você foi rico
ou pobre, chinês ou brasileiro, batista ou assembleiano. Ele não levará em
conta as suas medalhas e diplomas, não pesará na balança os seus acertos e
erros, e não examinará certificados e documentos. Deus procurará,
simplesmente, pelo sangue de seu Filho. Se as suas vestes tiverem sido
lavadas no sangue de Jesus, você terá entrada franqueada às mansões
celestiais.
Da mesma forma como o anjo da morte se desviou das casas que haviam
sido marcadas pelo sangue quando os israelitas saíram do Egito, toda
condenação será desviada daqueles que tiverem sido marcados com o sangue
de Cristo. Eles gozarão uma eterna bem-aventurança, e estarão para sempre
com o Senhor. Tal promessa enche de esperança os nossos corações. Ela nos
ajuda a olhar acima das nossas lutas e dificuldades, vislumbrando o destino
glorioso que está reservado para nós.
As bem-aventuranças do Apocalipse formam um conjunto de admiráveis
e ricas promessas. Elas contribuem para fazer do derradeiro livro da Bíblia
uma notável mensagem de encorajamento para os servos de Deus. É
confortador poder ler a última página da história e saber que seremos
vitoriosos! Essa certeza nos ajuda a lidar com os desafios cotidianos sem
ceder ao desespero. Ela nos recorda do fato de que dias melhores virão.
Assim como no milagre realizado nas bodas de Caná, o nosso Salvador
deixou o melhor para o final.
O Apocalipse é um livro sobre o futuro e é, também, um livro sobre
bem-aventuranças. Muitas pessoas têm medo do futuro, porque não sabem o
que ele lhes reserva. Entretanto, se pertencemos a Cristo, não há necessidade
de temor. À nossa frente está o cumprimento das mais estimadas promessas
de Deus. O que nos aguarda é a consumação dos sublimes planos do Senhor.
No século XVI, um cartógrafo produziu um dos mais completos mapas
do mundo, que, até então já haviam sido feitos. Embora constituísse um
notável avanço para a época, o mapa ainda continha muitas falhas. Vários
pontos estavam em branco, simplesmente porque ninguém tinha, ainda,
chegado àquelas regiões. O cartógrafo, então, preencheu aqueles espaços
vazios com imagens de monstros assustadores. Ele escreveu naqueles
lugares: “Aqui está o dragão que cospe fogo”; “Aqui está a fera devoradora
de navios”; “Aqui está a serpente gigante”; e assim por diante.
Mas um corajoso navegador se apossou daquele mapa e não se deixou
assustar. Ele queria viajar pelo mundo, viver grandes aventuras, navegar por
águas desconhecidas, encontrar novas terras e contribuir para o progresso da
humanidade. Ele acreditava que conseguiria encarar o desafio e se sagrar
vencedor. Então, ele riscou todas aquelas imagens e frases assustadoras que
estavam no mapa. E, no lugar de cada uma delas, escreveu: “Aqui está Deus”.
A razão de temermos o futuro é a insegurança que sentimos diante do
desconhecido. É comum hesitarmos frente àquilo que não controlamos, que
não distinguimos, que não podemos ver. Costumamos preencher esses vazios
do conhecimento com os monstros fabricados pela nossa imaginação. É isso
o que nos enche de ansiedade e de temor. Mas a verdade é que o futuro não é
inteiramente desconhecido para nós. Sabemos que, quando chegarmos lá,
encontraremos Deus à nossa espera. Ele nos fez grandes promessas no ponto
de partida, nos acompanha durante todo o trajeto, e estará aguardando por nós
na linha de chegada. Portanto, quando refletir sobre o dia de amanhã, lembre-
se de dizer para si mesmo: “Ali está Deus”. As suas forças serão renovadas, e
você será bem-aventurado.
28
Promessas aos que vencerem
Vamos navegar um pouco mais pelas águas profundas do Apocalipse.
No início do livro, encontramos cartas enviadas por Cristo às sete igrejas da
Ásia, cada uma delas terminando com uma promessa. Como sete é um
número que simboliza perfeição ou plenitude, podemos entender que as sete
igrejas representam, na verdade, a totalidade das igrejas. Nesse caso, também
podemos acreditar que os avisos e as promessas das cartas valem para todos
os crentes.
Cada uma das promessas feitas nas cartas do Apocalipse é endereçada
“aos que vencerem”. Isso traz à nossa memória o fato de que a vida cristã é
marcada por provações. Não haveria vitórias se não houvesse batalhas. Mas
as lutas da nossa vida são coroadas de triunfos, porque seguimos um General
que não pode ser derrotado. É isso o que nos promete o último livro da
Bíblia. E essas promessas nos são feitas por meio da utilização de símbolos, o
que é uma característica da literatura apocalíptica.
Vamos conferir que promessas são essas?
“Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no
paraíso de Deus” (Ap 2.7)
Essa foi a declaração com a qual o Salvador concluiu a carta endereçada
à igreja de Éfeso. A árvore da vida é originalmente mencionada no livro de
Gênesis. Ali, somos informados de que os que comem dela vivem para
sempre, e de que a humanidade, por causa do pecado, foi banida do paraíso
para não ter acesso a ela (Gn 3.22-24). Agora, a mesma árvore reaparece no
último livro da Bíblia. Mas, dessa vez, já não existe interdição. Já não há
querubins guardiões. Já não há espada flamejante. Podemos ter a vida eterna
porque Jesus, o nosso Redentor, pagou o preço pelos nossos pecados.
Ao cristão é franqueado o pleno acesso a Deus, o qual é a fonte de toda a
vida. Jesus nos concede vida abundante e eterna. Aos que seguirem a Cristo –
aos que vencerem – será concedida uma felicidade real e duradoura.
Descrevendo a Jerusalém celestial, o apóstolo João diz que “no meio da sua
praça, e de ambos os lados do rio, estava a árvore da vida, que produz doze
frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a cura
das nações” (Ap 22.2). Esse é o lugar em que passaremos a eternidade. Esse é
o futuro glorioso que aguarda os filhos de Deus.
“O que vencer, de modo algum sofrerá o dano da segunda morte”
(Ap 2.11)
De certa forma, a segunda promessa reafirma e complementa a primeira.
Deus nos garante tanto conceder-nos a vida quanto livrar-nos da morte. Os
crentes de Esmirna, aos quais foi dirigida a segunda carta, estavam sendo
perseguidos. Talvez alguns deles viessem a ser expulsos da cidade, ou até
mesmo a se tornar mártires por causa da sua fé. Entretanto, eles nunca
experimentariam o gosto amargo de serem banidos da presença do Senhor.
Sobre eles a segunda morte não teria qualquer poder.
Aqueles que se rebelam contra Deus morrem e, assim que adentram a
eternidade, encontram outra morte à sua espera. Mas os servos do Senhor,
depois de andarem com Cristo na terra, caminharão com ele no céu. Foi por
isso que Jesus falou: “Não temais os que matam o corpo, e não podem matar
a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma
quanto o corpo” (Mt 10.28). A vida é feita de escolhas, e a melhor de todas as
escolhas é crer no Salvador.
“Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra
branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece,
senão aquele que o recebe” (Ap 2.17)
Na terceira carta, nos são prometidas duas coisas: sustento e intimidade.
O sustento é simbolizado pelo oferecimento do maná, o qual nos faz lembrar
dos tempos em que Israel peregrinava pelo deserto. Assim como alimentou
diariamente o seu povo, o Senhor tem prometido alimentar, vestir e guardar
os seus filhos. De certa maneira, esse maná é “escondido”, porque as pessoas
à nossa volta não conseguem enxergar de onde vem a nossa provisão. Elas
não entendem como conseguimos pagar as contas, garantir a educação dos
filhos, e assim por diante. Mas o fato é que nada nos falta.
Na promessa aos cristãos de Pérgamo é assegurada, também, a entrega
de uma pedra branca. O que isso significa? Naquela região havia extração e
comercialização de pedras brancas, que acabavam por se tornar uma riqueza
local. Mas o mais interessante é que pedras brancas eram dadas aos cidadãos
em quatro situações especiais: quando um réu era absolvido pelo juiz, quando
um escravo era libertado por seu senhor, quando um gladiador vencia uma
luta e quando um soldado regressava da guerra. Por associação, Jesus estava
dizendo que, aos que vencessem através do seu nome, ele concederia
absolvição, liberdade, distinção e honra.
Por fim, recebemos a promessa de que nessas pedras estará escrito um
novo nome. Mais uma vez, somos desafiados a compreender o sentido dessas
palavras. A concessão de um novo nome era um símbolo de intimidade.
Conhecer o nome de uma pessoa significava, na cultura oriental, conhecer a
própria pessoa. E novos nomes eram dados pelos indivíduos quando se
tornavam íntimos uns dos outros, assim como, hoje, casais de namorados ou
de esposos costumam utilizar apelidos e expressões carinhosas para se referir
um ao outro. Ao prometer nos dar um nome exclusivo, o Salvador está nos
dizendo que teremos, com ele, uma relação de intimidade.
“Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe
darei autoridade sobre as nações, e com vara de ferro as regerá,
quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim
como eu recebi autoridade de meu Pai; também lhe darei a estrela da
manhã” (Ap 2.26-28)
Com Cristo, somos vitoriosos, e em Cristo recebemos autoridade. Jesus
disse aos seus discípulos que eles se assentariam sobre tronos para julgar as
doze tribos de Israel (Mt 19.28), e Paulo escreveu que havemos de julgar os
anjos (1 Co 6.3). Então, ao concluir a carta à igreja de Tiatira, o Salvador
reforça esse compromisso assumido com o seu povo. Ele diz que os salvos
terão autoridade sobre todas as nações. Essa é uma promessa que confere
elevadíssima honra a todos os cristãos.
Aquele que hoje é humilhado aos olhos dos homens haverá de ser
exaltado pelo Senhor. Porém, isso não é tudo. Jesus promete nos conceder,
igualmente, a estrela da manhã. Agora, o Salvador está nos falando de
direção e de luz. Na antiguidade, a estrela da manhã ajudava os viajantes a se
orientarem. Ela também oferecia esperança, porque aparecia no céu trazendo
a boa notícia de que a noite se aproximava do fim. De modo semelhante,
Jesus é a nossa resplandecente estrela da manhã. Ele nos guia pelas horas
mais escuras da nossa existência. Ele derrama luz nas nossas trevas (2 Sm
22.29).
“O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira
nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes, confessarei o seu
nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos” (Ap 3.5).
Assim como outros cristãos do primeiro século, os crentes que
originalmente receberam essa promessa estavam sendo perseguidos por causa
do evangelho. Eles eram instados a negar o nome de Cristo. Em Sardes, os
que não negavam o Salvador tinham os seus nomes riscados do livro dos
cidadãos locais. Mas o Senhor tinha uma promessa reservada para os seus
servos fiéis. Ele disse que aqueles que o confessassem perante os homens
seriam, por sua vez, confessados por ele próprio diante de Deus e dos anjos.
Além disso, os seus nomes jamais seriam riscados do livro da vida.
Cristo lava as nossas almas e nos veste de roupas brancas, apagando as
nossas transgressões e nos tornando alvos como a neve (Is 1.18). Ele escreve
o nosso nome no livro da vida e nos mantém fiéis até o fim, fazendo com que
os seus escolhidos sejam mais que vencedores. Aleluia! Que segurança nos
dá a certeza de que o Salvador estará conosco até a consumação dos séculos!
“O Novo Testamento nos ensina que o fato de alguém permanecer fiel até o
fim é a prova de que era redimido desde o começo”, escreveu Ray Summers.
Somos grandemente abençoados por essa certeza. Tudo é dele, por ele e para
ele. Glória, pois, a ele, eternamente! Amém!
“A quem vencer, eu o farei coluna do templo do meu Deus, de onde
jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da
cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do
meu Deus, e também o meu novo nome” (Ap 3.12)
A sexta carta foi envida à igreja de Filadélfia, para a qual o Salvador só
tinha elogios. Nela, Jesus oferece garantias de comunhão e proximidade. A
figura da coluna remete à ideia de solidez e permanência. A concessão de
novos nomes reforça o ensino de companheirismo e familiaridade. Mais do
que uma religião, o cristianismo é uma relação. Seguir Jesus é estar em
comunhão com ele. E, no céu, isso será perfeito.
Na terceira carta, Cristo já havia feito a promessa de que os vencedores
receberiam um novo nome. Agora, ele diz também que serão revelados, a
eles, nomes exclusivos: o nome de Deus, o nome da nova Jerusalém, e o seu
próprio nome. Desse modo, a mensagem de uma carta reforça a da outra. Em
nosso relacionamento com o Senhor, conheceremos e seremos conhecidos de
uma maneira incomparável.
Receber novos nomes significa alcançar um relacionamento mais
profundo. Na mentalidade grega, o conhecimento era uma coisa que se
obtinha por meio da razão. Para os hebreus, pelo contrário, o conhecimento
era algo adquirido por meio da relação. Seguindo a maneira hebraica de
pensar, quanto mais íntimos formos de Cristo, mais conhecimento teremos.
“Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face
a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como
também sou plenamente conhecido”, afirmou Paulo (1 Co 13.12).
É maravilhoso que Jesus deseje nos dar um nome especial, e que ele
queira, também, nos confidenciar o seu novo nome. O Senhor se relaciona
com cada um dos seus servos de uma maneira única. Perceba: o Filho de
Deus está afirmando que almeja estabelecer, com você, um relacionamento
pessoal. Você e Jesus irão viver uma história que será só de vocês dois.
Embora faça parte da família de Deus e do corpo de Cristo, existem aspectos
da fé que só você e o Amado da sua alma poderão desfrutar.
“Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu
trono; assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap
3.21).
Chegamos à última carta, e agora o Senhor nos fala sobre dignidade. O
menor dos servos de Deus certamente se sentirá exaltado – e até mesmo
aturdido – por essa gloriosa promessa. Assentarmo-nos no trono com o Rei
dos reis? Ficarmos ao lado do Soberano do universo? Que perspectiva
espantosa! Todavia, é isso o que a Bíblia assegura. “Se perseveramos, com
ele também reinaremos”, ela nos diz (2 Tm 2.12).
Os cristãos de Laodiceia precisavam atentar para a solenidade da
promessa recebida. Aquela era uma igreja problemática, marcada pela
mornidão e pela necessidade de arrependimento. Era uma igreja a cuja porta
Jesus estava a bater. Mesmo assim, o Redentor garantiu que aqueles que
vencessem se assentariam com ele no seu trono. Definitivamente, não somos
merecedores das sublimes promessas do Senhor. Que Deus nos conceda um
profundo espírito de arrependimento. Que ele nos reconduza ao pó e à cruz.
Que ele nos ajude para que, quebrantados, vivamos de uma forma que honre
o sacrifício de Cristo e as promessas que ele nos fez.
Dizem que a culpa é o medo do passado, e que a ansiedade é o medo do
futuro. Na Palavra de Deus, porém, encontramos promessas que podem nos
livrar de ambos. Para os erros do passado, o Senhor nos tem garantido o seu
perdão, o qual flui até nós desde as alturas do Calvário. Para as incertezas do
futuro, ele nos tem assegurado o seu cuidado, lembrando-nos de que pagou
um preço alto demais por nós para abandonar-nos à própria sorte.
O Apocalipse é um livro que fala sobre o futuro, e a mensagem que ele
nos traz é a de que não precisamos temer. O Criador está no controle de todas
as coisas, encaminhando os acontecimentos para o fim que determinou. Suas
promessas feitas aos que vencerem apontam para um desfecho admirável.
Aquilo que o Senhor nos tem prometido tranquiliza a nossa alma, diminui a
nossa ansiedade e renova as nossas esperanças. Isso se acreditarmos no que
ele prometeu.
Se você acredita nas promessas de Deus, deve viver como um vencedor,
e não como um derrotado. Ainda que o fardo se mostre pesado e que lágrimas
aflorem ao seu rosto, não permita que a dor tenha a última palavra. O Todo-
Poderoso espalhou grandes bênçãos no caminho à sua frente, e você precisa
seguir de cabeça erguida a fim de vê-las e desfrutá-las. As promessas feitas às
sete igrejas são endereçadas àqueles que vencerem. Disponha-se, portanto, a
ser um vencedor com Jesus.
Certa vez, quando a rainha Elizabeth era criança, teve um acesso de
raiva porque algo não saíra do jeito que ela queria. A sua babá, vendo o choro
e a frustração da menina, lhe perguntou:
– Você sabe quem você é?
– Claro!, ela respondeu suspirando. Eu sou Elizabeth.
– Não!, tornou a babá. Você é a herdeira do trono do Império Britânico e
a futura rainha da Inglaterra.
Ao ouvir isso, a garota respondeu:
– Nesse caso, é melhor eu enxugar essas lágrimas e começar a agir como
uma rainha, não é?
Nem sempre conseguimos aquilo que queremos. Mas há algo muito
mais grave, que é o fato de que nem sempre somos capazes de nos ver como
somos ou como as promessas do Senhor dizem que seremos. Para esse mal, o
único remédio é a fé. Creia no que Deus lhe tem assegurado! Comece a agir
de acordo com essa crença! Diante de você estão as magníficas promessas
feitas por seu Pai celestial. Não precisamos ter medo daquilo que o dia de
amanhã nos reserva. À nossa frente está o Senhor, e é seu prazer cumprir o
que nos diz.
O futuro é tão brilhante quanto as promessas de Deus (Adoniram
Judson).
29
Promessas para a hora da morte
Pois eu sei que o meu Redentor vive e que por fim se
levantará sobre a terra. E, depois de consumida esta minha
pele, então, fora da minha carne verei a Deus; vê-lo-ei ao
meu lado, e os meus olhos o contemplarão (Jó 19.25-27).
À exceção daqueles que estiverem vivos quando Jesus regressar, todos
passarão pela experiência da morte. E essa é uma perspectiva que coloca
medo em muita gente. Nosso instinto de sobrevivência faz com que nos
apeguemos à presente existência, ao mesmo tempo em que nosso impulso de
autopreservação nos faz recear o que é desconhecido. A morte paira sobre a
vida como uma sombra, parecendo ofuscar a alegria dos nossos melhores
momentos. Ela se apresenta ameaçadora, e busca roubar a nossa paz. No
entanto, Deus, que conhece as nossas fragilidades, não nos deixou sem
auxílio no tocante a esse assunto. Ele nos deu preciosas promessas para a
hora da morte.
O fim da vida terrena é algo certo, comprovado e inevitável. A grande
pergunta a ser respondida é: “O que existe depois?” Os ateus respondem a
essa indagação dizendo: “Depois não existe nada, a matéria é só o que há, e
quando ela se decompõe, tudo acaba”. Naturalmente, eles se veem em
dificuldade ao formular tal resposta, pois não são capazes de explicar de onde
a matéria veio e por que ela surgiu. A verdade, diz-nos a Escritura, é que “o
visível não foi feito daquilo que se vê” (Hb 11.3).
Não, a morte não é o fim! É apenas uma mudança de fase! Assim como
Jó – que acreditava que iria ver grandes coisas tão logo transpusesse os
umbrais da glória –, os cristãos alimentam grandes expectativas quanto ao
que vivenciarão no futuro. E eles possuem boas razões para isso. Temos sido
grandemente encorajados através daquilo que a Bíblia nos fala sobre a hora
da morte.
A MORTE NÃO ESTAVA NOS PLANOS DE DEUS
PARA O HOMEM
A primeira coisa que as Escrituras Sagradas nos dizem a respeito da
morte é que ela não estava nos projetos de Deus. A morte não é natural. Ela
não foi criada juntamente com o restante do universo. A morte entrou no
mundo por causa da desobediência dos seres humanos. Ela é a consequência
do pecado, o salário do pecado, a pena do pecado. “Por um homem veio a
morte”, afirma a Bíblia. Mas ela declara, igualmente, que “também por um
homem veio a ressurreição dos mortos” (1 Co 15.21).
O que ocorre, então, no instante da morte? O corpo e o espírito de uma
pessoa, os quais estiveram juntos desde o ventre materno, passam por uma
separação. Nós respiraremos e andaremos por este mundo até que, um dia, “o
pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec
12.7). Temos, assim, a promessa divina de que a morte não é o fim. Na hora
da nossa morte deixaremos o corpo para trás, mas nosso espírito estará diante
do Senhor.
Essa abençoada convicção leva o crente a não recear o que está por vir.
O apóstolo Paulo escreveu: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó
morte, o teu aguilhão?” (1 Co 15.55). Tal coragem brota da certeza de
salvação. Sabemos que por meio de Cristo veio a ressurreição dos mortos.
Ele pagou o salário do pecado, reconciliou-nos com Deus, escreveu nossos
nomes no livro da vida. Jesus quebrou o aguilhão da morte.
Conta-se que, certo dia, pai e filho viajavam de carro. De repente, uma
abelha entrou pela janela do veículo. Os dois reconheceram, imediatamente, o
perigo. O garoto era alérgico a picadas de abelhas. Uma única ferroada
poderia ser fatal. Então, o pai, em um gesto rápido, apanhou a abelha com
uma das mãos. Os olhos do menino estavam arregalados. E eles se abriram
ainda mais quando, segundos depois, o pai abriu a mão, e o inseto voltou a
voar pelo carro. Vendo o medo do filho, aquele homem lhe disse que ficasse
tranquilo, e mostrou-lhe a palma da sua mão. Ali, encravada na sua carne,
estava o perigoso ferrão. O pai havia sofrido a picada a fim de proteger o
garoto. E agora a abelha não podia mais causar nenhum mal, porque tinha
perdido o ferrão.
Quando olhamos para Jesus Cristo e nos lembramos dos pregos
cravados em suas mãos, nos damos conta de que, naquela cruz, ele também
sorveu o veneno da morte e extraiu dela o seu ferrão. Ele foi ferido em nosso
lugar. Não corremos mais qualquer perigo, não precisamos mais ter receio de
nada. A morte perdeu o seu aguilhão. “Não temas”, diz-nos o Salvador; “eu
sou o primeiro e o último, e o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo
pelos séculos dos séculos; e tenho as chaves da morte e do hades” (Ap
1.17,18).
VIVEMOS PELA VONTADE DE DEUS E PELAS
NOSSAS ESCOLHAS
A segunda coisa que a Bíblia nos ensina sobre a morte é que a duração
de nossa vida terrena depende dos propósitos do Senhor e das decisões que
tomamos. Sim, é verdade que Deus traçou planos para nós, e isso inclui a
duração da nossa vida. O rei Davi escreveu: “Os teus olhos viram a minha
substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os
dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles”
(Sl 139.16). Portanto, não é preciso ter medo: você não vai morrer antes da
hora! Todos os seus dias foram ordenados para você antes mesmo do seu
nascimento, e você estará por aqui até que seja cumprida a sua missão. “Há
tempo de nascer e tempo de morrer”, escreveu Salomão (Ec 3.2). E todos os
tempos estão nas mãos soberanas do Senhor.
Anos atrás, estive em dois cultos fúnebres no mesmo dia. Na primeira
igreja, o corpo de um irmão de setenta anos estava sendo velado. Filhos e
netos estavam ao redor do caixão, e todos agradeciam pelo amor, fidelidade e
exemplo daquele servo de Deus. Então, saí dali e fui para a segunda igreja.
Lá, familiares e amigos se despediam de um garoto de três anos. Pais e avós
ladeavam o pequeno esquife, e todos agradeciam pelo privilégio de terem
convivido, ainda que por pouco tempo, com aquela preciosa vida.
Naquela segunda igreja, pediram-me que desse uma palavra. Então,
caminhei até a frente, e disse à família enlutada:
“Estou vindo, agora, de outro culto. Ali as pessoas estavam agradecendo
a Deus pela vida de um homem que abençoou muita gente. Ele, realmente,
foi um cristão exemplar. Todos naquele lugar reconheciam que ele tinha
cumprido bem a sua missão. Mas, para cumpri-la, ele precisou de setenta
anos. E então, eu cheguei aqui, e me dei conta de algo muito importante.
Parece que algumas pessoas são tão especiais que, para realizar a sua tarefa,
não precisam de tanto tempo. O que outros necessitam de setenta anos para
fazer, elas fazem em apenas três. Esse querido menino, cujo corpo está diante
de nós, partiu para a eternidade porque cumpriu sua missão. Ele deixou
marcas profundas, ensinou lições valiosas, e alegrou muitos corações. Jamais
nos esqueceremos dele, nem de tudo de bom que, através dele, o Senhor
operou em nós.”
“Nós somos imortais até que cumpramos a tarefa que nos foi confiada”,
afirmou o missionário James Frazer. Isso é grande verdade! Há um serviço a
ser feito, e o tempo para realizá-lo varia segundo os desígnios de Deus. Mas,
se por um lado o Senhor traça os seus projetos para nós, por outro lado ele
respeita as escolhas que fazemos. O Criador deu, a todos os seres humanos, o
livre-arbítrio. Isso significa que podemos ou não viver do modo que ele
planejou. Algumas pessoas encurtam o tempo da sua vida por causa de sua
rebeldia. Elas sofrem as consequências da falta de obediência e sabedoria.
Após escavarem o túmulo de um egípcio falecido há mais de cinco mil
anos, alguns arqueólogos se depararam com o seguinte epitáfio: “Sua estada
terrestre foi devastada pelo vinho e pela cerveja, e o espírito lhe escapou
antes que fosse chamado”. Tem gente que morre antes da hora. Tem gente
que se acaba na bebida. Tem gente que se acaba na folia. Tem gente que se
acaba no pecado. A maneira como vivemos pode contribuir para a duração da
nossa vida.
A Bíblia Sagrada tem muito a dizer sobre isso. O Senhor falou ao seu
povo que o abençoaria se ele andasse nos seus caminhos, e prometeu: “O
número dos teus dias completarei” (Êx 23.26). No livro de Provérbios, lemos
que “o temor do SENHOR aumenta os dias, mas os anos dos ímpios serão
abreviados” (Pv 10.27). E o Novo Testamento relembra um dos Dez
Mandamentos, dizendo: “Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro
mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre
a terra” (Ef 6.2,3). Se quisermos viver mais, precisaremos viver bem.
DEUS USA A HORA DA MORTE PARA O NOSSO
BEM
Jesus venceu a morte ao passar por ela e ressuscitar ao terceiro dia.
Então, por que as pessoas continuam morrendo? Na verdade, o evangelho
deve ser pregado ao mundo inteiro, e todas as pessoas precisam ter a chance
de aceitá-lo antes de Cristo voltar. Por essa razão, as gerações continuam se
sucedendo. Mas isso não significa que a morte reine soberana. Na
antiguidade, quando um guerreiro derrotava o seu adversário, ele tinha duas
opções: executá-lo ou transformá-lo em seu escravo. Cristo não eliminou a
morte da face da terra, mas fez dela a sua serva. Aquilo que antes poderia ser
motivo de pavor foi transformado no meio pelo qual os remidos chegam ao
céu e recebem a coroa da vida.
“Preciosa é à vista do SENHOR a morte dos seus santos”, assegura-nos a
Escritura (Sl 116.15). A palavra “preciosa” também pode ser traduzida como
“custosa”. Isso nos lembra que, aos olhos do Pai celestial, a morte de um
filho jamais será coisa de pouca importância. Foi por isso que, perante o
túmulo de Lázaro, “Jesus chorou” (Jo 11.35). O Senhor compreende a dor
dos enlutados, e, até mesmo, a ansiedade daqueles que encaram a morte. Mas
ele nos assegura que se servirá dela para o nosso benefício.
“Tu, porém, vai-te, até que chegue o fim; pois descansarás, e estarás no
teu quinhão ao fim dos dias”, prometeu o Senhor a Daniel, e promete também
a nós (Dn 12.13). Podemos nos apegar à verdade dessas palavras, porque
aquele que prometeu é fiel. Para o crente, a morte é uma promoção. Somos
transferidos do serviço de Deus aqui na terra para o serviço de Deus lá no
céu. Que confiança maravilhosa! “Porque nenhum de nós vive para si, e
nenhum morre para si. Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se
morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer
morramos, somos do Senhor.” (Rm 14.7,8.)
PASSADA A HORA DA MORTE, ESTAREMOS
COM O SENHOR
Há uma quarta lição que a Bíblia nos ensina sobre a hora da morte. Ela
afirma que, imediatamente após morrermos, nós estaremos com Deus. Para o
cristão, morrer é fechar os olhos na terra para abri-los, em seguida, diante do
Salvador. Jesus prometeu ao malfeitor arrependido que estariam juntos,
naquele mesmo dia, no paraíso. A mesma promessa vale para todos os que,
como aquele homem, se arrependem e colocam a sua fé no Filho de Deus.
Os mortos não estão dormindo. Quando usa a expressão “dormir no
Senhor” para se referir à morte, a Bíblia está lançando mão de um
eufemismo. Os mortos também não estão vagando como almas penadas,
assombrando casas ou arrastando correntes. Eles não se comunicam com os
vivos, não tomam conhecimento dos acontecimentos da terra, e nem
reencarnam. Segundo a Bíblia, “aos homens está ordenado morrerem uma só
vez, vindo depois disso o juízo” (Hb 9.27). E de acordo com o resultado
desse juízo – de haverem ou não se rendido a Cristo –, eles seguem para o
céu ou para o inferno. Tudo isso fica muito claro na parábola do rico e de
Lázaro, registrada no capítulo 16 de Lucas.
“Temos bom ânimo, mas desejamos antes estar ausentes deste corpo,
para estarmos presentes com o Senhor”, escreveu Paulo (2 Co 5.8). Tão logo
estejamos ausentes do corpo, estaremos presentes com o Senhor. Essa é a
promessa de Deus. Essa é a certeza do cristão. Diante de tão numerosas e
esplêndidas revelações das Escrituras, podemos caminhar seguros em direção
ao futuro e à eternidade. O Senhor está conosco, e nós estaremos com ele.
Não precisamos ter medo da morte.
Morte, não te orgulhes, embora alguns te achem poderosa, temível, pois
não és assim. Pobre morte: não poderás matar-me a mim. E os que presumes
que derrubaste, não morrem. Se tuas imagens, sono e repouso, nos podem dar
prazer, quem sabe, mais nos darás? Enfim, descansar corpos, liberar almas, é
ruim? Após curto sono, acorda eterno o que jaz, e a morte já não é – morte, tu
morrerás! (John Donne).
Como é preciosa a convicção do cristão, a qual pode levá-lo a encarar a
face da morte e dizer: “Eu não tenho medo!” Glória a Deus! O Senhor
garantiu que estaria conosco em nossos momentos finais, e a sua companhia é
suficiente para dissipar os maiores receios. E isso não é tudo. Nosso Pai
celestial também nos prometeu uma calorosa recepção assim que chegarmos
do outro lado. Ele dirá: “Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste
fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25.21). Deus
caminha conosco pelas estradas empoeiradas da terra, e, quando chegar o
momento, caminharemos com ele pelas ruas douradas do céu. Podemos
seguir sem receio, sabendo que, haja o que houver, estaremos caminhando
com o Senhor.
Ao chegar ao fim do seu ministério, o apóstolo Paulo se achava em uma
prisão romana, aguardando o instante da sua execução. Ele sabia que, a
qualquer momento, um soldado entraria na sua cela, o levaria até o pátio, e,
então, ele seria decapitado. Sob tais circunstâncias, Paulo tomou da pena e da
tinta, e escreveu a Timóteo: “Combati o bom combate, acabei a carreira,
guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o
Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a
todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm 4.7,8).
A mesma certeza que residia no coração de Paulo pode, também, habitar
na nossa alma. Afinal, as extraordinárias promessas de Deus foram dadas
tanto a ele quanto a nós. Isso é algo que faz toda a diferença. Querido leitor, o
Salvador diz a você neste momento: “Não tenha medo! A coroa da justiça
está reservada para todos os que me amam! A morte não é o fim! Sempre
estaremos juntos!”
30
A promessa da ressurreição
Ora, Deus não somente ressuscitou ao Senhor, mas também
nos ressuscitará a nós pelo seu poder (1 Co 6.14).
O Credo dos Apóstolos – uma das mais antigas confissões da
cristandade – traz a seguinte afirmação: “Creio na ressurreição da carne”.
Essa é uma declaração fundamental da fé cristã. Quando se trata da vida após
a morte, os seguidores de Cristo têm convicções muito específicas. Os
cristãos não creem em reencarnação. Os cristãos não creem em
transmigração. Os cristãos creem na ressurreição.
A ressurreição pode ser entendida como a restauração da vida a uma
pessoa que estava morta, pelo poder de Deus. A ressurreição segue-se à
morte, que é sempre a sua condição prévia. O apóstolo Paulo, quando passava
por um de seus julgamentos, disse que enfrentava a oposição dos judeus
“tendo esperança em Deus, como estes também esperam, de que há de haver
ressurreição tanto dos justos quanto dos injustos” (At 24.15). Em outra
ocasião, ele afirmou aos líderes do seu povo: “É por causa da esperança da
ressurreição dos mortos que estou sendo julgado” (At 23.6).
Sendo essa uma crença tão importante, será produtivo examinarmos
atentamente alguns versículos bíblicos que falam sobre a ressurreição da
carne.
A BÍBLIA CONTÉM VÁRIAS PROMESSAS DE
RESSURREIÇÃO
Começando pelo Antigo Testamento e seguindo até o livro do
Apocalipse, encontramos na Escritura numerosas promessas de ressurreição.
Hoje, as almas daqueles que morreram com Cristo estão ao seu lado no céu.
Entretanto, chegará o dia em que receberão um corpo glorificado, semelhante
ao que o próprio Jesus tinha quando ressuscitou dentre os mortos.
Veja o que a Palavra de Deus nos diz sobre isso:
“Quanto a mim, em retidão contemplarei a tua face; eu me satisfarei
com a tua semelhança quando acordar.” (Sl 17.15.)
“Os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão.” (Is 26.19.)
“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a
vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” (Dn 12.2.)
“Pois, assim como o Pai levanta os mortos e lhes dá vida, assim
também o Filho dá vida a quem ele quer.” (Jo 5.21.)
“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o
ressuscitarei no último dia.” (Jo 6.44.)
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e
eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6.54.)
“Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte,
certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição.” (Rm
6.5.)
“E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em
vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também
os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.” (Rm 8.11.)
“Ora, se se prega que Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, como
dizem alguns entre vós que não há ressurreição de mortos?” (1 Co 15.12.)
“Para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os
mortos.” (2 Co 1.9.)
“Sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará a
nós com Jesus e nos apresentará convosco.” (2 Co 4.14.)
“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que
havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos
semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos.” (1 Jo 3.2.)
“O mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o hades
entregaram os mortos que neles havia.” (Ap 20.13.)
Com tantas promessas bíblicas a respeito da ressurreição, temos
condições de estabelecer uma sólida doutrina. O Senhor não quis que
houvesse qualquer dúvida em nosso coração. A ressurreição é uma abençoada
realidade. Podemos olhar para o futuro com alegre expectativa. Deus não
apenas ressuscitou a Cristo, mas também nos ressuscitará pelo seu poder.
ELES RESSUSCITARAM... MAS TORNARAM A
MORRER
Quando folheamos as páginas da Bíblia, nos deparamos com casos de
pessoas que foram ressuscitadas. Esses casos explicitam o poder do Senhor
sobre a morte, e servem como evidência da ressurreição final. Eles são como
profecias vivas, como “amostras grátis” espalhadas pela Escritura. Eles foram
registrados a fim de que não tivéssemos dúvida de que o Senhor é capaz de
cumprir o que prometeu.
Na Bíblia, aqueles que ressuscitaram foram: o filho da viúva de Sarepta
(1 Rs 17.22), o filho da sunamita (2 Rs 4.35), o homem que tocou nos ossos
de Eliseu (2 Rs 13.21), a filha de Jairo (Mc 5.42), o filho da viúva de Naim
(Lc 7.15), Lázaro (Jo 11.44), os santos de Jerusalém, que reviveram quando
Jesus morreu e ressuscitou (Mt 27.53), Dorcas (At 9.40) e Êutico (At 20.10).
Ao trazê-los de volta à vida, o Senhor estava sinalizando sobre a ressurreição
que acontecerá no final dos tempos.
Há, porém, um detalhe significativo relacionado a esses casos. Todos os
que foram trazidos de volta à vida tornaram a morrer algum tempo depois.
Eles ressuscitaram com o mesmo corpo que tinham antes de falecer, e,
portanto, não puderam manter sua existência física indefinidamente. A
ressurreição de Cristo, por outro lado, pertence a uma categoria distinta.
A RESSURREIÇÃO DE JESUS FOI DIFERENTE
Quando o Filho de Deus ressurgiu ao terceiro dia, tinha um corpo
glorificado, semelhante àquele com o qual seremos revestidos na ressurreição
final. O corpo com o qual Jesus ressuscitou era, realmente, um corpo: exibia
marcas da crucificação, tinha a capacidade de se alimentar, podia ser
apalpado, podia ser reconhecido, e não era um mero espírito. Mas, ao mesmo
tempo, era um corpo diferente: possuía a capacidade de aparecer e
desaparecer, conseguia entrar em lugares fechados, e por fim subiu ao céu.
Havendo ressuscitado dessa maneira, Jesus não estava mais sujeito a
limitações físicas. Como nos ensina a Bíblia, “tendo Cristo ressurgido dentre
os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre ele” (Rm
6.9).
Jesus foi o primeiro a ressuscitar com um corpo glorificado. Entretanto,
ele não será o último. No fim dos tempos, os mortos também ressuscitarão
incorruptíveis. A experiência deles será semelhante à de Cristo, e não à dos
outros casos relatados na Escritura. Ressuscitaremos com um corpo que não
envelhece, que não sente dores, que não se desgasta com o tempo. Tudo isso
acontecerá porque “na realidade Cristo foi ressuscitado dentre os mortos,
sendo ele as primícias dos que dormem” (1 Co 15.20).
Konrad Adenauer, chanceler da República Federal da Alemanha entre
1949 e 1963, fez a seguinte declaração: “A coisa mais importante do mundo é
a ressurreição de Jesus Cristo. Se Jesus Cristo está vivo, então há esperança
para o mundo. Se Jesus Cristo está na sepultura, eu não vejo o menor raio de
esperança no horizonte. Felizmente, acredito que a ressurreição de Jesus
Cristo seja um dos eventos mais bem documentados da história”. De fato, só
é possível ter esperança porque o túmulo está vazio. Esse acontecimento
histórico é a base da nossa fé.
OS MORTOS RESSUSCITARÃO QUANDO JESUS
VOLTAR
O dia da volta de Jesus será, também, o dia no qual os mortos
ressuscitarão incorruptíveis. De acordo com a Escritura, a ressurreição é algo
certo; “cada um, porém, na sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são
de Cristo, na sua vinda. Então virá o fim, quando ele entregar o reino a Deus
o Pai, quando houver destruído todo domínio, e toda autoridade, e todo
poder” (1 Co 15.23,24). Essa é uma expectativa que nos traz alegria. “Porque,
se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, assim também aos que dormem,
Deus, mediante Jesus, os tornará a trazer juntamente com ele.” (1 Ts 4.14.)
Quando o Senhor voltar, ressuscitarão tanto salvos quanto perdidos.
“Não vos admireis disso”, ensinou o Mestre; “porque vem a hora em que
todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão; os que tiverem
feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal,
para a ressurreição do juízo” (Jo 5.28,29). Após o juízo final, os salvos
seguirão para o novo céu e a nova terra, e os perdidos, para o lago de fogo.
Esses lugares serão os destinos eternos de justos e ímpios, e serão ocupados
após a ressurreição. É o que lemos nos capítulos 20 a 22 de Apocalipse.
Essa é uma grande razão para que nos dediquemos à obra da
evangelização. É urgente compartilharmos o plano de salvação com o maior
número possível de homens e mulheres. Afinal, o dia da volta de Cristo
representará o fim das oportunidades. Aquela será uma ocasião de lamento
para muita gente. Para os que entregaram suas vidas a Jesus, contudo, o dia
do encontro com o Salvador será de pura satisfação. Eles se acharão livres de
todas as dores, reencontrarão os irmãos dos quais haviam estado separados, e
estarão para sempre com o Senhor.
AOS SALVOS RESSUSCITADOS SE UNIRÃO OS
SALVOS TRANSFORMADOS
Os mortos ressuscitarão com corpos transformados. Esses corpos serão
de uma natureza diferente de nossos corpos mortais, mas guardarão alguma
relação com eles, assim como uma planta conserva relação com a semente
que lhe deu origem. Segundo a Bíblia, “assim também é a ressurreição dos
mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, é ressuscitado em incorrupção.
Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é
ressuscitado em poder. Semeia-se corpo animal, é ressuscitado corpo
espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual” (1 Co 15.42-44).
Tão melhor será esse novo corpo, que “neste tabernáculo nós gememos,
desejando muito ser revestidos da nossa habitação que é do céu” (2 Co 5.2).
Não podemos nos esquecer, porém, de que haverá pessoas vivendo
sobre a terra quando Jesus retornar. Naturalmente, essas pessoas não passarão
pela experiência da morte física. Entretanto, também receberão novos corpos.
Como lemos em 1 Coríntios 15.51,52, “nem todos dormiremos mas todos
seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som
da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados
incorruptíveis, e nós seremos transformados”. Tanto os mortos ressuscitados
quanto os vivos transformados terão corpos incorruptíveis, próprios para a
existência na eternidade.
O missionário John Paton, ao seguir para as ilhas Novas Hébridas,
encontrou muitos que tentaram dissuadi-lo. “Aquelas ilhas são habitadas por
canibais, e eles vão devorá-lo”, diziam. A isso, o missionário costumava
responder: “Creio que um dia receberei um corpo celestial. Portanto, se o
meu corpo terrestre será comido por vermes ou por canibais, não faz
diferença. O importante é que eu obedeça ao chamado de Deus”. Graças ao
ministério de Paton, os moradores das ilhas Novas Hébridas se converteram e
abandonaram os costumes violentos. A sua vida é um exemplo de como a
certeza da ressurreição pode encher de coragem o espírito de um servo de
Deus.
OS SALVOS RESSUSCITADOS E OS SALVOS
TRANSFORMADOS ESTARÃO PARA SEMPRE
COM O SENHOR
O que acontecerá depois que os mortos houverem ressuscitado e os
vivos tiverem sido transformados? O povo de Deus partirá ao encontro do
Salvador. “Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz
do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo
ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos
arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos
ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.” (1 Ts 4.16,17.)
Finalmente, a família de Deus estará completamente reunida! Jesus nos
tomará para si, e cumprirá a promessa de nos levar para casa. “Ele enviará os
seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os
escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.”
(Mt 24.31.) Que dia inigualável será aquele! Onde estiver um filho de Deus,
ali chegará um anjo, e o conduzirá pelas mãos ao encontro do Salvador! Que
santa expectativa! Que gloriosa promessa!
Jesus assegurou que, no último dia, ressuscitará aqueles que são seus.
Nada poderá impedi-lo de manter a sua palavra. A ressurreição é uma bendita
esperança enraizada firmemente no poder do Senhor. Ela é um capítulo
esplendoroso na história da salvação. Ela é o que o futuro reserva para os
escolhidos de Deus.
Na cidade de Hanover, na Alemanha, existe um cemitério antigo
localizado nos fundos de um pequeno templo. Nele, podem ser vistos túmulos
de todos os tipos e tamanhos. Há um, porém, que se destaca dos demais. Ele
data do ano de 1782, e contém os restos mortais da condessa Carolina de
Rueling. A razão pela qual esse túmulo se diferencia dos outros é que ele está
totalmente despedaçado.
A condessa foi uma mulher muito rica, porém descrente. Dizia a todos
que a Bíblia era uma farsa e que não acreditava na vida futura. Antes de
morrer, ela deu orientações detalhadas sobre como deveria ser a sua
sepultura. Para deixar claro que não cria na ressurreição, ordenou que o
túmulo fosse tão sólido que nem mesmo Deus pudesse abri-lo. Tudo foi feito
como ela queria: seu corpo foi depositado sob uma pesada laje de granito e
ladeada por pedras enormes, tudo unido por grossas placas de ferro, correntes
e ferrolhos. No bloco principal, foi gravada a seguinte inscrição: “Este
túmulo foi adquirido por toda a eternidade e jamais poderá ser aberto”.
Mesmo assim, a sepultura de Carolina de Rueling é a única do cemitério
que se acha aberta. O que aconteceu foi o seguinte: anos depois da morte da
condessa, uma pequena semente, levada pelo vento, caiu em uma fresta da
estrutura. Com o tempo, a semente germinou e uma planta cresceu no lugar.
Ela arrebentou o tampo de granito, quebrou os blocos de pedra, rompeu as
correntes e despedaçou os cadeados. Hoje, o que as pessoas que vão àquele
local encontram é uma árvore gigantesca saindo de um túmulo aberto.
Uma simples semente foi suficiente para reafirmar uma verdade da qual
alguns, como aquela condessa, tentam fugir. Cristo vai voltar, as sepulturas
vão se abrir, e os mortos vão ressuscitar. Cremos na ressurreição da carne! E
essa convicção se acha apoiada sobre evidências concretas e declarações
irrefutáveis. Podemos olhar para o futuro na certeza de que a promessa divina
se cumprirá. Jesus virá buscar-nos, e nós, pela sua graça, estaremos para
sempre com o Senhor.
31
O Espírito Santo – uma promessa
Porque derramarei água sobre o sedento e correntes, sobre a
terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade
e a minha bênção, sobre a tua descendência (Is 44.3).
Quem é o Espírito Santo?
É a terceira Pessoa da Trindade. É o autor da Bíblia. É aquele que nos
leva à conversão. É quem que nos capacita para a vida cristã. É aquele que
nos consola. É o selo da nossa salvação. É o penhor da nossa herança. É o
Deus que habita em nós.
O Espírito Santo é tudo isso e muito mais. “O propósito de Deus é nos
fazer como Cristo, e a forma como ele faz isso é nos enchendo com o seu
Espírito Santo”, escreveu John Stott. “Sem o Espírito de Deus não podemos
fazer nada, a não ser acrescentar pecado sobre pecado”, afirmou John
Wesley. “O Espírito Santo pode rejuvenescer um cristão cansado, sacudir um
crente indiferente e despertar uma igreja adormecida”, declarou Billy
Graham. Sendo assim, é fundamental para a nossa fé que conheçamos o
Espírito, que tenhamos comunhão com ele, que evitemos entristecê-lo, que
escutemos a sua voz, que sejamos cheios do seu poder, que contemos com a
sua direção, que sejamos usados por ele.
O que a Escritura Sagrada nos ensina sobre o Espírito de Deus?
O ESPÍRITO SANTO AGIA DE UMA MANEIRA
NO ANTIGO TESTAMENTO
Antes de Jesus vir ao mundo, a terceira Pessoa da Trindade agia de uma
forma peculiar. Ele vinha sobre alguns indivíduos, e ficava com aqueles
indivíduos por algum tempo. Reis, profetas, sacerdotes, juízes e até artífices
eram capacitados sobrenaturalmente para realizar a obra do Senhor. Isso fazia
com que a totalidade do povo fosse muito dependente daqueles indivíduos em
seu relacionamento com Deus.
Além de capacitar somente algumas pessoas, o Espírito podia, também,
ficar com elas apenas por algum tempo. Depois de concluído o trabalho, ele
poderia retirar-se. Ou, o que era mais comum, ele poderia ausentar-se caso o
obreiro escolhido incorresse em pecados. Foi o que aconteceu, por exemplo,
com Sansão (que perdeu a sua força) e com Saul (que passou a ser afligido
por um espírito mau). Isso levou Davi a clamar ao Senhor: “Não me lances
fora da tua presença e não retires de mim o teu Santo Espírito” (Sl 51.11). Ele
tinha consciência de haver cometido pecados, e não queria que lhe
acontecesse o mesmo que ocorrera àqueles que haviam se afastado do
Senhor.
FOI PROMETIDO QUE O ESPÍRITO SANTO
PASSARIA A AGIR DE OUTRA MANEIRA
Ainda nos tempos do Antigo Testamento, foi concedida uma promessa.
Deus falou que, um dia, o Espírito Santo viria sobre todos os seus servos, e
ficaria com eles todo o tempo. Isso representaria um momento totalmente
novo na história da relação dos homens com o Criador. A capacitação divina
não acompanharia somente alguns escolhidos. Ela estaria sobre todos os
crentes e transformaria os seus corações. E isso faria com que a mensagem do
Senhor fosse levada até os confins da terra.
“Porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus
estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis.” (Ez 36.27.)
“Acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a
carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão
sonhos, os vossos mancebos terão visões; e também sobre os servos e sobre
as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.” (Jl 2.28,29.)
As pessoas, então, passaram a aguardar pelo cumprimento daquela
promessa. Elas sabiam que o Espírito Santo se movia entre elas, mas, agora,
ansiavam pelo momento em que ele agiria dentro delas. Isso as capacitaria a
realizar a vontade de Deus de uma forma que, apenas pelos seus esforços,
alguém jamais poderia fazer.
A principal distinção entre a atuação do Espírito Santo sob a velha e a
nova alianças é que sob a primeira o Espírito atua no meio do povo, e sob a
segunda, dentro do povo (Byron Harbin).
A PROMESSA FOI REAFIRMADA NO
MINISTÉRIO DE JESUS
Chegando ao Novo Testamento, encontramos declarações reforçando
aquilo que havia sido dito séculos antes. Tanto João Batista como Jesus
Cristo endossaram as palavras dos profetas, e foram além. Eles disseram que
a promessa estava prestes a se cumprir. Desse modo, o Senhor confirmou
aquilo que havia dito aos seus servos, e lhes deu a boa notícia de que a espera
se achava perto do fim.
“Eu, na verdade, vos batizo em água, na base do arrependimento; mas
aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de
levar-lhe as alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo.” (Mt
3.11.)
“Ora, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e
clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em
mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva. Ora,
isto ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele
cressem; pois o Espírito ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha
sido glorificado.” (Jo 7.37-39.)
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Ajudador, para que fique
convosco para sempre, a saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não
pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque
ele habita convosco e estará em vós.” (Jo 14.16,17.)
“Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não
for, o Ajudador não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele
vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo.” (Jo 16.7,8.)
“Eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na
cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lc 24.49.)
“Estando com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém,
mas que esperassem a promessa do Pai, a qual (disse ele) de mim ouvistes.
Porque, na verdade, João batizou em água, mas vós sereis batizados no
Espírito Santo, dentro de poucos dias.” (At 1.4,5.)
“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-
eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até
os confins da terra.” (At 1.8.)
Cada uma dessas declarações contribuiu para manter os servos de Deus
atentos. Eles creram na palavra recebida, confiaram na promessa do Senhor, e
aguardaram pelo derramamento do Espírito. E depois que Cristo subiu aos
céus, não tiveram que esperar por mais muito tempo.
A PROMESSA SE CUMPRIU NO DIA DE
PENTECOSTES
Anunciada pelos profetas e reafirmada por João e Jesus, a promessa do
derramamento do Espírito se cumpriu durante a festa de Pentecostes. Os
discípulos estavam reunidos no cenáculo quando testemunharam sinais
extraordinários e ficaram cheios do Espírito Santo. A seguir, em um discurso
memorável, Pedro disse aos judeus que eles estavam assistindo ao
cumprimento da promessa feita no Antigo Testamento. A partir daquela data,
todos os que cressem em Cristo teriam o Espírito Santo, e o teriam por todo o
tempo.
“Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E acontecerá nos últimos
dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; e os
vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão
visões, os vossos anciãos terão sonhos; e sobre os meus servos e sobre as
minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles
profetizarão.” (At 2.16-18.)
“Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja
batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e
recebereis o dom do Espírito Santo.” (At 2.38.)
“Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos
de Deus.” (Rm 8.14.)
“Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo,
quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado
beber de um só Espírito.” (1 Co 12.13.)
“No qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho
da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito
Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança.” (Ef 1.13,14.)
Deus, que é fiel, cumpriu a sua promessa. O Espírito Santo desceu, fez
morada no coração dos salvos, regenerou-os, batizou-os, encheu-os e guiou
as suas ações. Como resultado, o cristianismo experimentou um rápido
crescimento. Segundo a Bíblia, “a igreja em toda a Judeia, Galileia e Samaria
tinha paz, sendo edificada, e andando no temor do Senhor, e, pelo auxílio do
Espírito Santo, se multiplicava” (At 9.31).
CONTAMOS COM A PRESENÇA E A
CAPACITAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
Nós, que vivemos depois dos eventos de Pentecostes, também contamos
com a nova forma de o Espírito agir, a qual é característica da nova aliança.
Isso é, realmente, um privilégio. Nascemos de novo, nascemos do Espírito.
Somos transformados pela ação divina e temos uma relação direta com o
Senhor. O Consolador habita em nós. Ele nos santifica, nos capacita e
intercede por nossas vidas.
“Quando, pois, vos conduzirem para vos entregar, não vos preocupeis
com o que haveis de dizer; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai;
porque não sois vós que falais, mas sim o Espírito Santo.” (Mc 13.11.)
“O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é
espírito.” (Jo 3.6.)
“O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de
Deus.” (Rm 8.16.)
“Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque
não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo
intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” (Rm 8.26.)
“Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que
habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós
mesmos?” (1 Co 6.19.)
“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.” (1 Co 12.4.)
“A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito
comum.” (1 Co 12.7.)
“Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, distribuindo
particularmente a cada um como quer.” (1 Co 12.11.)
“E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de
seu Filho, que clama: Aba, Pai.” (Gl 4.6.)
“Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a
benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio; contra
estas coisas não há lei.” (Gl 5.22,23.)
Por tudo isso, precisamos buscar, sempre, a comunhão com o Espírito
do Senhor. Devemos orar a ele, suplicar a sua direção, solicitar-lhe que nos
sonde, pedir-lhe que nos santifique, contar que nos desperte. Sem a ação do
Espírito, somos como um carro sem combustível, como um avião sem asas e
como um corpo sem alma. Sem ele, nada podemos fazer. O Espírito Santo é o
agente viabilizador da vida cristã. Temos que valorizar a sua presença e
depender do seu poder.
Uma luva tem cinco dedos, mas não é capaz de segurar nada. Sozinha,
ela não possui a capacidade de agarrar, puxar, empurrar, sinalizar, desenhar,
escrever, construir, consertar ou fazer coisa alguma. Ela é totalmente inútil.
Contudo, depois que a luva é calçada, pode fazer todas essas coisas. Agora,
ela não está mais vazia. Todo o espaço em seu interior foi preenchido. E
porque a mão está dentro da luva, os seus dedos são capazes de executar
todos os movimentos. Na verdade, quem faz tudo não é a luva, e sim a mão
dentro dela.
O mesmo acontece comigo. Sozinho, sou desprovido de habilidade e de
poder. É o Espírito Santo que, agindo dentro de mim, me coloca em
movimento e me capacita a fazer a vontade do Senhor. Sou totalmente
dependente dele para seguir a jornada da fé. “O Espírito de Deus me fez, e o
sopro do Todo-Poderoso me dá vida.” (Jó 33.4.)
Sendo assim, o que preciso fazer? Tenho que permitir que o Espírito
ocupe todas as partes do meu ser. Devo pedir a ele que ilumine cada cômodo
e cada fresta da minha alma. Devo submeter a ele cada aspecto e cada área da
minha vida. “Enchei-vos do Espírito”, diz a Palavra de Deus (Ef 5.18). O
Consolador habita em mim; mas, se eu não estiver cheio dele, serei como os
dedos flácidos de uma luva. Felizmente, não estou esperando por uma
promessa que ainda há de se cumprir. O Espírito Santo já foi derramado. Ele
unge o povo de Deus, ele se move dentro de mim. Portanto, posso contar com
o seu auxílio. Posso humildemente me dirigir a ele e, quebrantado, suplicar-
lhe: “Enche-me, Senhor!”
32
A igreja – uma promessa
Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do hades não
prevalecerão contra ela (Mt 16.18).
Havia uma serva de Deus que vinha enfrentando alguns problemas de
saúde. Ela foi até um consultório médico. E o doutor, depois de examiná-la,
falou:
– A senhora precisa de repouso absoluto. Deve ficar três meses sem sair
de casa.
A mulher não gostou da recomendação, e disse ao médico:
– Doutor, eu não posso permanecer três meses trancada! E a minha
igreja, como é que fica?
O médico não era um homem religioso, e respondeu um tanto
rudemente:
– Ora essa! A sua igreja pode muito bem passar sem a senhora!
E a irmã concluiu:
– Eu sei que a minha igreja pode passar sem mim! Eu é que não posso
passar sem a minha igreja!
Todo cristão consagrado tem esse sentimento. Ele ama a sua igreja,
sente falta dela, é grato a Deus pela sua igreja. A igreja é algo da maior
importância na vida dos servos de Deus. Assim como uma brasa se esfria
quando é afastada das outras, também a nossa fé enfraquece quando nos
distanciamos dos irmãos. Um crente sem a sua igreja é como um soldado sem
exército, uma criança sem família, uma abelha sem colmeia, um marinheiro
sem barco, uma flor sem jardim.
No Novo Testamento, encontramos imagens muito bonitas usadas para
descrever a igreja. Ela é apresentada como o sal da terra e a luz do mundo
(Mt 5.13,14), a lavoura e o edifício de Deus (1 Co 3.9), o corpo de Cristo (1
Co 12.27), o Israel de Deus (Gl 6.16), a família de Deus (Ef 2.19), a casa de
Deus (1 Tm 3.15), a coluna e esteio da verdade (1 Tm 3.15), o povo de Deus
(1 Pe 2.10), o rebanho de Deus (1 Pe 5.2) e a noiva do Cordeiro (Ap 19.7). A
igreja é uma bênção dos céus. É provisão de Deus para a vida do crente. É
uma dádiva do Senhor para as necessidades do mundo. É o cumprimento de
uma promessa.
DEUS PROMETEU CRIAR A IGREJA
A igreja não foi concebida por seres humanos, e sim pelo próprio
Criador. A igreja e a família são as duas únicas instituições de origem divina.
A igreja não surgiu por acaso. A igreja é criação de Deus, é expressão do
amor de Deus, é projeto de Deus, é cumprimento das promessas de Deus.
No primeiro livro da Bíblia, lemos que o Senhor falou a Abraão: “Em
tua descendência serão benditas todas as nações da terra, porquanto
obedeceste à minha voz” (Gn 22.18). Mais adiante, ele acrescentou: “Os
príncipes dos povos se reúnem como povo do Deus de Abraão, porque a
Deus pertencem os escudos da terra” (Sl 47.9). A Bíblia diz também: “Para
que se conheça na terra o seu caminho e, entre todas as nações, a sua
salvação” (Sl 67.2). Deus prometia, desse modo, que iria formar uma
comunidade de pessoas redimidas, a qual seria composta por indivíduos de
todas as nações.
Quando chegamos ao Novo Testamento, nos deparamos com Jesus
reafirmando essa promessa. Foi dos lábios do Salvador que a palavra “igreja”
saiu pela primeira vez, na passagem de Mateus 16.18. A segunda menção à
igreja também foi feita por Cristo. Ao orientar os discípulos sobre a forma de
disciplinar um indivíduo faltoso, ele declarou: “Se recusar ouvi-los, dize-o à
igreja: e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e
publicano” (Mt 18.17).
Vemos, assim, que a igreja nasceu no coração do próprio Deus. Ela se
tornou uma realidade física no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo
foi derramado e a comunidade de fé se pôs a testemunhar. Mas sempre
existiu, espiritualmente, como um projeto do Senhor.
DEUS PROMETEU PASTOREAR A SUA IGREJA
Assim como falou que edificaria a sua igreja, o Senhor afirmou que a
conduziria. Afinal, toda igreja precisa de um pastor. O Criador assegurou que
iria, pessoalmente, pastorear-nos. “Somos o seu povo, e ovelhas do seu
pasto”, disse o salmista (Sl 100.3).
Em Ezequiel 34.15, está escrito: “Eu mesmo apascentarei as minhas
ovelhas e eu as farei repousar, diz o SENHOR Deus”. E em Ezequiel 34.23,
encontramos a seguinte referência profética a Jesus Cristo: “E suscitarei sobre
elas um só pastor para as apascentar, o meu servo Davi. Ele as apascentará e
lhes servirá de Pastor”. O Salvador confirmou essa verdade. Ele disse: “Eu
sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas... Eu sou o bom
pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai
me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas... As
minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem” (Jo
10.11,14,15,27).
Fazer parte da igreja de Cristo é ter o privilégio de ser pastoreado pelo
próprio Redentor. É estar em seu aprisco, é pertencer ao seu rebanho. É ter a
certeza de que nada nos faltará, de que seremos levados a pastos verdejantes e
a águas tranquilas, de que não precisaremos temer mal algum. Isso nos leva a,
com fé, declarar a Deus: “Preparas uma mesa perante mim na presença dos
meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda” (Sl
23.5).
DEUS PROMETEU DAR PASTORES À SUA
IGREJA
O mesmo Deus que falou que iria pastorear a sua igreja prometeu,
também, conceder a ela pastores humanos. “Eu terei alguns ajudantes”, disse
o Senhor. “O trabalho deles entre vocês também será uma manifestação do
meu cuidado”. Essa é uma grande responsabilidade. Paulo disse aos anciãos
de Éfeso: “Cuidai, pois, de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o
Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que
ele adquiriu com o seu próprio sangue” (At 20.28).
Deus prometeu que daria pastores às suas igrejas. “E vos darei pastores
segundo o meu coração”, disse ele, “os quais vos apascentarão com ciência e
com inteligência” (Jr 3.15). Os pastores seriam uma bênção na vida das suas
ovelhas, guiando-as pelo caminho. “E levantarei sobre elas pastores que as
apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, e nem uma delas
faltará, diz o SENHOR.” (Jr 23.4.) Essa promessa de Deus se cumpre em nossos
dias, porque “ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros
como evangelistas, e outros como pastores e mestres” (Ef 4.11).
Quando os pastores e os membros das igrejas enxergam o ministério
pastoral como o cumprimento de uma promessa e uma manifestação do
cuidado divino, dão a ele solene importância. É uma enorme responsabilidade
ser pastor, e é, também, um imenso privilégio ter pastores. Esta é mais uma
bênção associada à igreja a qual podemos desfrutar.
DEUS PROMETEU DAR AUTORIDADE À SUA
IGREJA
Mesmo sendo formada por seres humanos imperfeitos, a igreja recebeu
do Senhor um grande poder. Ela é uma agência de proclamação do
evangelho, uma comunicadora da vontade divina, uma despenseira de
bênçãos ao mundo, uma manifestação do reino dos céus. É por isso que
precisamos honrar e valorizar a igreja. Não podemos desprezá-la nem
difamá-la. A igreja é digna de todo o respeito, porque ela pertence ao Senhor.
Veja como, nas páginas do Novo Testamento, Deus confere autoridade à
igreja por meio de belas promessas:
“Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra
será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.”
(Mt 16.19.)
“Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no
céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu.” (Mt 18.18.)
“Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de
qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos
céus.” (Mt 18.19.)
“Àqueles a quem perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; e àqueles
a quem os retiverdes, são-lhes retidos.” (Jo 20.23.)
“Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada, por
meio da igreja, aos principados e potestades nas regiões celestes.” (Ef 3.10.)
É formidável o fato de que um grupo de pessoas tão falhas tenha
recebido, da parte do Senhor, promessas tão belas. Mas o que acontece é que
não se trata um grupo comum. Estamos falando de filhos e filhas de Deus.
Como é maravilhoso que ele nos queira tão bem e nos tenha em tão alta
conta! Sejamos, sempre, gratos ao Pai celestial por seu amor!
DEUS PROMETEU ABENÇOAR A SUA IGREJA
O Senhor guarda, honra, sustenta e santifica a igreja. Ela é alvo da sua
atenção, misericórdia, favor e graça. Ela recebe a sua capacitação, orientação,
unção e poder. Ela tem um Deus a adorar, uma missão a cumprir, um mundo
a impactar e um céu a herdar.
Como é bom fazer parte da igreja de Cristo!
Eis algumas das preciosas promessas que o Senhor fez à sua igreja:
“Não temas, ó pequeno rebanho! Porque a vosso Pai agradou dar-vos o
reino.” (Lc 12.32.)
“A esse seja glória na igreja em Cristo Jesus, por todas as gerações,
para todo o sempre. Amém.” (Ef 3.21.)
“Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, a fim de a
santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, para
apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem
qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5.25-27.)
“Que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade e
purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras.” (Tt 2.14.)
“Vós, também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual
para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais,
aceitáveis a Deus por Jesus Cristo.” (1 Pe 2.5.)
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o
povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou
das trevas para a sua maravilhosa luz.” (1 Pe 2.9.)
“Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória; porque são
chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se preparou, e foi-lhe
permitido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro; pois o linho fino são
as obras justas dos santos.” (Ap 19.7,8.)
Em cada uma dessas promessas, podemos ver o grande amor que o
Senhor tem pela sua igreja. Precisamos amá-la também, e fazer a nossa parte
a fim de que ela cumpra a sua missão. A letra do hino O Estandarte,
composto por Robert Neighbur, diz em sua primeira estrofe: “O estandarte
desta igreja levantemos sem temor; ela é a muito amada Esposa do bendito
Salvador. É Jesus o comandante verdadeiro que a conduz; somos nós os seus
soldados nesta igreja de Jesus”. Que assim seja! Que ergamos bem alto a
bandeira do evangelho, e avancemos com ousadia como exército do Senhor!
É uma bênção poder fazer parte do povo de Deus, do corpo de Cristo, da
família do Senhor. A igreja não salva; entretanto, os salvos devem fazer parte
de uma igreja. O escritor bíblico nos recomendou que permanecêssemos
firmes, “não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns,
antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai
aproximando aquele dia” (Hb 10.25). Não descuidemos da comunhão! Não
abandonemos o nosso posto! Como crentes em Cristo, precisamos fazer tudo
o que estiver ao nosso alcance para que a igreja cumpra o seu papel e
corresponda aos planos que o Senhor estabeleceu para ela.
Um servo de Deus estava comemorando o seu centésimo aniversário.
Ele pediu que a ocasião fosse marcada por um culto em ação de graças na
igreja da qual havia sido membro desde a mocidade. Seu pedido foi atendido,
e, na noite da homenagem, o templo ficou cheio. Em determinado momento,
o ancião foi convidado a se dirigir até a frente do santuário. Um de seus
bisnetos, então, lhe perguntou:
– Bisavô, o senhor chegou aos cem anos de idade. Por que continua
comparecendo à igreja todos os domingos? Sabemos que já não pode se
locomover facilmente, que enxerga mal e que escuta com dificuldade. Então,
diga-nos, por que continua vindo aos cultos?
O cristão centenário respondeu:
– Faço isso porque amo Jesus de todo o coração. Ele me ordenou que
estivesse aqui, e pretendo obedecer à sua voz. Quero mostrar a todos de que
lado eu estou.
Quando nos integramos a uma igreja, estamos obedecendo a um
mandamento do Mestre, expressando o nosso amor pelo Salvador,
abençoando a vida dos irmãos, e mostrando a todos de que lado nós estamos.
Não há como exagerar a importância da igreja na vida dos servos de Deus.
Felizes são aqueles que têm consciência disso.
A igreja não é perfeita, mas é um instrumento usado pelo Senhor para o
nosso aperfeiçoamento. A igreja não é uma lâmpada colocada sob o alqueire,
é uma cidade edificada sobre o monte. A igreja não é um clube onde os
sócios se divertem, é um hospital onde os feridos são tratados. A igreja não é
uma loja onde bênçãos são vendidas, é uma oficina onde vidas são
restauradas. A igreja não é uma sala de estar onde as pessoas se distraem, é
uma cozinha onde os famintos são alimentados. A igreja não é um muro atrás
do qual os crentes se escondem, é uma ponte que se estende até os
necessitados para levar-lhes o amor de Cristo. A igreja é uma bênção.
Louvado seja Deus pela sua igreja!
33
Um novo coração – uma promessa
E dar-lhes-ei coração para que me conheçam que eu sou o
SENHOR; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus;
pois se voltarão para mim de todo o coração (Jr 24.7).
Conta uma lenda grega que certa gata se apaixonou pelo seu dono.
Sendo ela um animal e ele um ser humano, tratava-se de um amor impossível.
A gata, então, pediu a Afrodite que a transformasse em uma linda moça, a
fim de que a sua paixão pudesse ser correspondida. A deusa do amor atendeu
ao seu pedido. A gata virou gente e se casou com o seu dono. Na noite de
núpcias, Afrodite resolveu submeter a sua protegida a um teste, com o
objetivo de saber se ela era merecedora do favor que tinha recebido. Para
isso, a deusa soltou um camundongo no chão do quarto. Quando a jovem que
havia sido gata viu o ratinho correndo pelo chão, pulou da cama, ficou de
quatro e começou a correr atrás dele, tentando devorá-lo. O marido ficou
simplesmente apavorado! E Afrodite, desgostosa, desfez o encanto,
retornando a gata à sua forma original. Ela havia conseguido transformar a
sua aparência, mas não o seu coração.
Aquilo que a deusa da mitologia grega não foi capaz de fazer, o Senhor
realiza em nossas vidas. Ele nos concede um novo coração. Muda a nossa
essência, o nosso caráter, a nossa natureza, o nosso ser. Isso acontece quando,
dele, recebemos a salvação.
A palavra “salvação” traz muitas graças em sua esteira. É como se ela
fosse uma constelação formada por muitas e belas estrelas, todas
maravilhosas e reluzentes. À salvação estão associadas a persuasão (ação do
Espírito Santo para nos convencer do pecado, da justiça e do juízo), a
conversão (resposta positiva ao chamado divino, composta de
arrependimento e fé), a vivificação (passamos da morte para a vida), a
remissão (temos os nossos pecados perdoados), a redenção (somos
resgatados do poder e do castigo do pecado), a reconciliação (nos tornamos
amigos de Deus), a adoção (somos feitos filhos e filhas de Deus), a
regeneração (nascemos de novo, recebemos um novo coração e nos tornamos
novas criaturas), a justificação (somos declarados justos em Cristo), a
santificação (nos tornamos separados para Deus e iniciamos um processo de
crescimento espiritual), a preservação (somos guardados pelo Senhor até o
fim) e a glorificação (chegamos ao céu e contemplamos a glória de Deus).
Quando falamos sobre a dádiva de um novo coração, estamos nos
referindo a uma dessas bênçãos da salvação: a regeneração. Há uma bela
canção, da autoria de Marcos Góes, que diz em sua letra: “Recebi um novo
coração do Pai, coração regenerado, coração transformado, coração que é
inspirado por Jesus”. Esse é o testemunho daqueles que foram alcançados por
Cristo. A graça da regeneração é derramada sobre nós pelo Senhor e nos
transforma em novas criaturas.
A regeneração é uma mudança radical, operada pelo Espírito Santo na
alma humana por meio do Evangelho, na qual a disposição moral do homem
se torna semelhante à de Deus, unindo-o com Jesus Cristo (A. B. Langston).
PRECISÁVAMOS DE UM NOVO CORAÇÃO
O recebimento de um novo coração é uma necessidade do ser humano.
“Buscarás ao SENHOR, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu
coração e de toda a tua alma”, diz a Bíblia Sagrada (Dt 4.29). Essa é uma
promessa condicional. O Senhor será achado se o buscarmos de todo o nosso
coração. O problema é que estamos naturalmente impossibilitados de fazer
isso. Desde que o pecado entrou no mundo, o coração humano é dividido. Ele
é perverso, inconstante e enganoso.
Salomão, o sábio, escreveu que “o que confia no seu próprio coração é
insensato” (Pv 28.26). Isso acontece porque “o coração dos filhos dos
homens está cheio de maldade; há desvarios no seu coração durante a sua
vida” (Ec 9.3). Jeremias, o profeta, acrescentou: “Enganoso é o coração, mais
do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?” (Jr 17.9). O rei
Davi detectou essa triste realidade em sua própria experiência, e disse: “Cria
em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito estável” (Sl
51.10). E Jesus, na sua conversa com o fariseu Nicodemos, afirmou: “Em
verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver
o reino de Deus” (Jo 3.3).
Portanto, todo ser humano traz consigo a necessidade de nascer
novamente, de se tornar uma nova criatura, de receber um novo coração. Essa
foi a razão pela qual o Senhor fez a promessa de regenerar aqueles que viriam
a crer em Cristo.
DEUS PROMETEU UM NOVO CORAÇÃO
Embora os mandamentos da antiga aliança estivessem corretos, as
pessoas não se achavam em condições de cumpri-los. A lei dizia aos homens
o que precisavam fazer, mas não lhes dava forças para fazer o que era
preciso. Por causa disso, Deus fez o anúncio do estabelecimento de uma nova
aliança. Nesse novo pacto, ele daria aos seus servos um coração para que o
conhecessem. Eles seriam o seu povo, e ele seria o seu Deus. E os remidos se
voltariam para ele de todo o seu coração.
Ainda no Antigo Testamento, encontramos a promessa: “Este é o pacto
que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a
minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus,
e eles serão o meu povo” (Jr 31.33); “E lhes darei um só coração e um só
caminho, para que me temam para sempre, para seu bem e o bem de seus
filhos, depois deles” (Jr 32.39). O Senhor disse ainda: “E lhes darei um só
coração, e porei dentro deles um novo espírito: e tirarei da sua carne o
coração de pedra, e lhes darei um coração de carne” (Ez 11.19). “Também
vos darei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei
da vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne.” (Ez
36.26.)
Assim, o cumprimento dessa promessa passou a ser esperado,
ansiosamente, por aqueles que tinham conhecimento das Escrituras. E o
Senhor, na sua fidelidade, não permitiu que a sua palavra caísse por terra. Os
séculos se passaram, e, no tempo determinado, chegou o Novo Testamento.
Cumpriu-se a promessa da vinda do Messias, e, com ela, a promessa da
concessão de um novo coração aos que cressem nele.
DEUS CUMPRIU A SUA PROMESSA
Quando somos salvos por Jesus, recebemos dele uma nova vida, uma
nova natureza, um novo coração. Passamos a viver “sendo manifestos como
carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o
Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do
coração” (2 Co 3.3). Agora, os mandamentos de Deus não estão mais
registrados em tábuas de pedra, como aconteceu na velha aliança. Eles estão
escritos em nosso interior! E nós não apenas sabemos o que devemos fazer,
mas temos condições, também, de fazer aquilo que é devido.
Quando a Bíblia se refere a Jesus, diz que “alcançou ele ministério tanto
mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto, o qual está firmado
sobre melhores promessas... Porque repreendendo-os, diz: Eis que virão dias,
diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá
um novo pacto... Este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois
daqueles dias, diz o Senhor: porei as minhas leis no seu entendimento, e em
seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Hb
8.6,8,10).
A Escritura afirma igualmente que Jesus “com uma só oferta tem
aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados. E o Espírito Santo
também no-lo testifica, porque depois de haver dito: Este é o pacto que farei
com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus
corações e as escreverei em seu entendimento, acrescenta: E não me
lembrarei mais de seus pecados e de suas iniquidades” (Hb 10.14-17).
O Senhor é fiel. O que ele diz, ele faz. O que ele promete, ele cumpre.
Ele honrou a sua palavra. Estabeleceu conosco uma nova aliança, e nos deu
um novo coração. Quando erramos, logo nos arrependemos, porque
recebemos um novo coração do Pai. Quando alguém erra conosco, logo
perdoamos, porque recebemos um novo coração do Pai. Fomos
transformados em pessoas diferentes. Fomos convertidos em novas criaturas.
Fomos regenerados pelo poder de Deus.
TEMOS UM NOVO CORAÇÃO!
Quem tem Jesus tem um novo coração. “Porque somos feitura sua,
criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para
que andássemos nelas.” (Ef 2.10.) Eis o que a Bíblia diz a cada um de nós:
“Fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus, a despojar-vos, quanto ao
procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas
concupiscências do engano, a vos renovar no espírito da vossa mente; e a vos
revestir do novo homem que, segundo Deus, foi criado em verdadeira justiça
e santidade” (Ef 4.21-24); “Pois que já vos despistes do homem velho com os
seus feitos e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento,
segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.9,10).
Quem tem Jesus é uma nova criatura. Porque “quando apareceu a
bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, não em
virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua
misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo
Espírito Santo, que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo,
nosso Salvador; para que, sendo justificados pela sua graça, fôssemos feitos
herdeiros segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.4-7). Tudo é obra de
Deus, porque, “segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da
verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (Tg 1.18).
Apenas por termos um novo coração é que podemos, de fato, andar nos
caminhos de Deus. Jesus disse aos seus discípulos: “Tomai sobre vós o meu
jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis
descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é
leve” (Mt 11.29,30). Como isso é possível? A princípio, as exigências de
Cristo parecem ser muito mais rigorosas do que as da própria lei. A lei dizia
que eu não podia adulterar, mas Jesus diz que se eu olhar para alguém com
uma intenção impura já estarei adulterando. A lei me proibia de matar, mas
Cristo fala que se eu guardar ódio de alguém já estarei matando. Como
entender, então, que o jugo do Salvador seja suave, e que o seu fardo seja
leve?
O que torna o caminhar cristão uma jornada suave é o fato de que nada
fazemos por medo ou obrigação. Tudo fazemos por gratidão e amor. E aquilo
que brota de um coração agradecido e amoroso é feito de um modo leve. O
que Jesus requer de nós não é pesado. “Os seus mandamentos não são
penosos.” (1 Jo 5.3.)
Existe uma história que nos ajuda a compreender melhor essa verdade
bíblica. Diz-se que certa mulher se casou com um homem muito exigente. No
dia do casamento, o marido lhe deu uma folha de papel com uma lista das
tarefas que ela precisaria cumprir, tais como lavar, passar, cozinhar, e assim
por diante. A mulher tinha muito medo do marido, e, por isso, se esforçava
para fazer tudo o que estava na lista. Passado algum tempo, o homem morreu.
A esposa se sentiu aliviada. Ela amassou a folha de papel e jogou-a em cima
do guarda-roupa, decidida a nunca mais pensar a respeito.
Depois de alguns anos, aquela mulher tornou a se casar. Seu segundo
marido era um homem totalmente diferente do primeiro. Ele a amava,
valorizava, elogiava e encorajava. Era um verdadeiro companheiro. Os dois
passaram a viver uma vida de extrema felicidade. Certa manhã, enquanto
arrumava a casa, a mulher se deparou com o papel amassado que tinha ficado
em cima do guarda-roupa. Ela releu toda a lista de tarefas. Para a sua
surpresa, descobriu que estava cumprindo cada um dos itens da relação, de
maneira natural e espontânea. E que, agora, nada daquilo lhe era pesado. A
razão é que já não estava agindo por medo, e sim por amor.
Assim também acontece na vida cristã. Esforçamo-nos para agradar a
Deus, não para sermos salvos, e sim porque fomos salvos. O que nos move é
o reconhecimento e a lealdade. Bate, no nosso peito, um novo coração.
No Novo Testamento, religião é graça, e ética é gratidão (Thomas
Erskine).
Não há nada que se compare ao amor de Deus, à beleza do evangelho, à
perfeição dos planos do Senhor e à profundidade dos seus ensinos. Aqueles
que se entregam a Cristo nascem de novo, são transformados em novas
criaturas, recebem um novo coração. Isso aconteceu com João. Isso
aconteceu com Madalena. Isso aconteceu com Paulo. Isso aconteceu com
milhões de homens e mulheres, os quais se tornaram pessoas totalmente
diferentes depois de terem sido alcançados pela graça divina. E se você já
recebeu Jesus como seu único e suficiente Salvador, isso também aconteceu
com você.
Você precisa, agora, viver de acordo com a nova natureza que recebeu
do Senhor. Não deve confiar em seus próprios esforços, mas se firmar no
poder de Deus. O Redentor lhe deu condições para que vença o pecado, para
que ame as pessoas à sua volta, para que testemunhe da sua fé, para que viva
de uma maneira que glorifique o seu nome. Ele capacitou você para agradar
ao Pai em tudo aquilo que fizer, pensar e disser. Certamente, você ainda não é
uma pessoa perfeita. Contudo, já não está mais sob o domínio do pecado.
Você recebeu um novo coração.
Creia que essa promessa divina se cumpriu na sua vida. Agradeça ao
Senhor pela transformação que ele operou em você. Tome posse dos recursos
sobrenaturais que Cristo lhe concedeu. Disponha-se a andar no caminho da
santidade. O Senhor não alterou apenas a nossa aparência. Ele mudou o nosso
interior, a nossa natureza, a nossa essência. Vivamos, portanto, de modo que
todos possam ver que bate em nosso peito um novo coração.
34
Promessas para a família
Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa (At 16.31).
Conta-se a história de um artista que buscava inspiração para pintar a
sua obra-prima. Ele saiu de casa e começou a andar pelos caminhos a fim de
encontrar o tema para a sua grande pintura. Deparou-se com um religioso que
seguia para o templo, e lhe perguntou:
– Na sua opinião, qual é a coisa mais bela do mundo?
– A fé, respondeu o homem.
O artista seguiu em frente, e encontrou uma noiva rumo ao seu
casamento.
– Qual é a coisa mais bela do mundo?, ele perguntou.
– O amor, disse a jovem.
O artista prosseguiu, e deparou-se com um soldado voltando da guerra.
– Qual é a coisa mais bela do mundo?, ele perguntou.
– A paz, respondeu o soldado.
O pintor, então, voltou para casa. Ao abrir a porta, seus filhos correram
para recebê-lo, e ele enxergou a fé nos olhos deles. Em seguida, sua mulher
aproximou-se dele sorrindo, e ele viu o amor no seu rosto. O artista, então,
atentou para o próprio coração, e percebeu que estava em paz. “Já sei qual
será o tema da minha obra-prima”, ele exclamou. Dirigindo-se ao seu ateliê,
fez um retrato da sua própria casa. E disse: “A coisa mais bela do mundo é a
família. É nela que encontramos a fé, o amor e a paz”.
De fato, a família é uma das maiores dádivas concedidas pelo Senhor à
humanidade. Assim como a igreja, o lar é uma instituição criada por Deus. E
o Criador ama os lares e almeja abençoá-los. Seu desejo não é apenas salvar
indivíduos, mas casas inteiras (At 16.31). Ele quer que sejam benditas todas
as famílias da terra (Gn 12.3).
É por isso que encontramos na Bíblia muitas promessas para as famílias.
É por prezar o lar que o Senhor se propõe a orientá-lo e lhe dá garantias de
proteção e cuidado. Podemos contar com o Pai celestial para abençoar a
nossa casa. E se seguirmos as suas orientações, veremos as suas promessas se
cumprindo na nossa família.
PROMESSAS PARA OS MARIDOS
Em diversos versículos, encontramos promessas endereçadas aos
homens tementes a Deus. Na maior parte das vezes, elas estão relacionadas à
felicidade familiar. Todo homem, na qualidade de líder e de sacerdote do seu
lar, tem uma grande responsabilidade. E a ele foram dadas, também,
maravilhosas promessas:
“Sê, pois, agora servido abençoar a casa do teu servo, para que
subsista para sempre diante de ti, pois tu, ó Senhor Jeová, o disseste; e, com
a tua bênção, a casa do teu servo será abençoada para sempre.” (2 Sm
7.29.)
“Pois não é assim a minha casa para com Deus? Porque estabeleceu
comigo um pacto eterno, em tudo bem ordenado e seguro; pois não fará ele
prosperar toda a minha salvação e todo o meu desejo?” (2 Sm 23.5.)
“Qual é o homem que teme ao Senhor? Este lhe ensinará o caminho que
deve escolher. Ele permanecerá em prosperidade, e a sua descendência
herdará a terra.” (Sl 25.12,13.)
“Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor, que em seus
mandamentos tem grande prazer! A sua descendência será poderosa na
terra; a geração dos retos será abençoada. Bens e riquezas há na sua casa; e
a sua justiça permanece para sempre.” (Sl 112.1-3.)
“Eis que os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre, o
seu galardão. Como flechas na mão de um homem valente, assim são os
filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava;
não serão confundidos, quando falarem com os seus inimigos à porta.” (Sl
127.3-5.)
“Bem-aventurado todo aquele que teme ao Senhor e anda nos seus
caminhos... A tua mulher será como a videira frutífera, no interior da tua
casa; os teus filhos, como plantas de oliveira, ao redor da tua mesa. Eis que
assim será abençoado o homem que teme ao Senhor.” (Sl 128.1,3,4.)
“O justo anda na sua integridade; bem-aventurados serão os seus filhos
depois dele.” (Pv 20.7.)
PROMESSAS PARA AS ESPOSAS
Assim como os homens consagrados a Deus herdarão promessas,
também as mulheres de fé serão honradas pelo Senhor. Na Escritura,
encontramos o exemplo de mulheres que abençoaram e foram abençoadas,
tais como Joquebede, Rute, Maria e Lídia. Por sua fidelidade, elas
desfrutaram alegria em seu lar, e influenciaram várias gerações. Há
promessas registradas na Bíblia para as mulheres de Deus:
“Irmã nossa, sê tu a mãe de milhares de miríades, e possua a tua
descendência a porta de seus aborrecedores.” (Gn 24.60.)
“Ele faz com que a mulher estéril habite em família e seja alegre mãe
de filhos.” (Sl 113.9.)
“A mulher aprazível obtém honra.” (Pv 11.16.)
“A mulher sábia edifica a sua casa.” (Pv 14.1.)
“Mulher virtuosa, quem a pode achar? Pois o seu valor muito excede ao
de joias preciosas.” (Pv 31.10.)
“Enganosa é a graça, e vã é a formosura, mas a mulher que teme ao
Senhor, essa será louvada.” (Pv 31.30.)
PROMESSAS PARA OS PAIS
Esposos e esposas fiéis recebem, em conjunto, diversas promessas do
Senhor. A maioria delas está relacionada à felicidade de seus filhos e netos. É
uma grande alegria podermos ver os nossos descendentes prosperando,
vivendo as suas próprias experiências com Deus e andando na sua luz. Eis
algumas dessas promessas:
“Eis que eu estabeleço o meu pacto convosco, e com a vossa
descendência depois de vós.” (Gn 9.9.)
“Estabelecerei o meu pacto contigo e com a tua descendência depois de
ti em suas gerações, como pacto perpétuo, para te ser por Deus a ti e à tua
descendência depois de ti.” (Gn 17.7.)
“E uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os
meus mandamentos.” (Êx 20.6.)
“Os filhos dos teus servos habitarão seguros, e a sua descendência
ficará firmada diante de ti.” (Sl 102.28.)
“Mas é de eternidade a eternidade a benignidade do Senhor sobre
aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos.” (Sl 103.17.)
“E verás os filhos de teus filhos. A paz seja sobre Israel.” (Sl 128.6.)
“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando
envelhecer, não se desviará dele.” (Pv 22.6.)
“Com a sabedoria se edifica a casa, e com o entendimento ela se
estabelece.” (Pv 24.3.)
“Mas assim diz o Senhor: Certamente os cativos serão tirados ao
valente, e a presa do tirano será libertada; porque eu contenderei com os
que contendem contigo e os teus filhos eu salvarei.” (Is 49.25.)
“E todos os teus filhos serão ensinados do Senhor; e a paz de teus filhos
será abundante.” (Is 54.13.)
“E os que de ti procederem edificarão as ruínas antigas, e tu levantarás
os fundamentos de muitas gerações; e serás chamado reparador de brecha, e
restaurador de veredas para morar.” (Is 58.12.)
“E a sua posteridade será conhecida entre as nações, e os seus
descendentes, no meio dos povos; todos quantos os virem os reconhecerão
como descendência bendita do Senhor.” (Is 61.9.)
“Porque toda casa é edificada por alguém, mas quem edificou todas as
coisas é Deus.” (Hb 3.4.)
“Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que é desde o
princípio.” (1 Jo 2.13.)
PROMESSAS PARA OS FILHOS
E o que dizer dos filhos? Existem, na Bíblia, promessas para eles
também? Com certeza! O Senhor não se esqueceria das crianças, dos
adolescentes e dos jovens. E mesmo para os filhos já crescidos há garantias
de paz e vida longa se honrarem os seus pais e seguirem os seus conselhos.
Confira o que a Escritura diz:
“As bênçãos de teu pai excedem as bênçãos dos montes eternos, as
coisas desejadas dos eternos outeiros.” (Gn 49.26.)
“Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na
terra que o Senhor, teu Deus, te dá.” (Êx 20.1.2)
“Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo
com a tua palavra.” (Sl 119.9.)
“Filho meu, ouve a instrução de teu pai e não deixes o ensino de tua
mãe. Porque eles serão uma grinalda de graça para a tua cabeça e colares,
para o teu pescoço.” (Pv 1.8,9.)
“Um filho sábio alegra a seu pai.” (Pv 10.1.)
“Coroa dos velhos são os filhos dos filhos, e a glória dos filhos são seus
pais.” (Pv 17.6.)
“E ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a
seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição.” (Ml 4.6.)
PRINCÍPIOS PARA UMA FAMÍLIA ABENÇOADA
Sendo o lar algo tão precioso, torna-se necessário que cuidemos bem
dele. Contribuir para a edificação de uma família abençoada é tarefa
complexa, que demanda uma série de boas iniciativas. Seria necessário muito
tempo para listar cada uma delas. Mas eu gostaria de compartilhar
rapidamente com você quatro conselhos que, acredito, concorrerão para a
harmonia da sua casa:
1. Encare a sua família como uma grande bênção de Deus. Contando a
história de Sifrá e Puá – as quais se recusaram a obedecer à ordem do Faraó e
pouparam os meninos hebreus recém-nascidos – a Bíblia diz que “como as
parteiras temeram a Deus, ele lhes estabeleceu as casas” (Êx 1.21). Vemos,
então, que a casa é a grande recompensa de Deus. É a sua fortuna, a sua
riqueza, a sua dádiva. Às vezes, priorizamos outras coisas, e não damos o
valor devido à nossa família. Esse é um erro que precisa ser evitado.
Enxerguemos o nosso lar como o nosso tesouro... e cuidemos bem dele!
“A maldição do Senhor habita na casa do ímpio, mas ele abençoa a
habitação dos justos.” (Pv 3.33.)
2. Encare a fé em Deus como a prioridade da sua família. Nosso lar
deve ser o nosso tesouro, e Deus deve ser o tesouro do nosso lar. Lembre-se
do exemplo de Josué, que disse: “Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”
(Js 24.15). O mais importante não é que nossos filhos sejam médicos ou
empresários, mas que eles sejam homens e mulheres de Deus. A fé em Cristo
é a maior herança que podemos deixar para os nossos descendentes.
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.”
(Sl 127.1.)
3. Proteja a sua família de tudo o que puder ameaçá-la. Cuidado com
aquilo que você leva para dentro da sua casa. Cuidado com o que leva para a
sua geladeira, para a sua despensa, para o seu armário. Cuidado com os
filmes que são vistos, as músicas que são ouvidas, os sites que são acessados.
Não podemos introduzir, no recôndito dos nossos lares, coisas que poderão
influenciá-los negativamente. “Lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e
pelejai por vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossas mulheres e
vossas casas”, disse Neemias (Ne 4.14). A família tem adversários insidiosos.
Precisamos estar atentos e lutar contra eles.
“Decerto o homem mau não ficará sem castigo, porém a descendência
dos justos será livre.” (Pv 11.21.)
4. Cubra a sua família com tudo o que agrada a Deus. Não basta
esvaziar a nossa casa de coisas que poderão prejudicá-la: é preciso enchê-la
de tudo o que puder lhe proporcionar benefício. Foi o que aconteceu, por
exemplo, na família de Timóteo. Paulo o elogiou, dizendo: “Desejo muito
ver-te, para me encher de gozo; trazendo à memória a fé não fingida que há
em ti, a qual habitou primeiro em tua avó Loide e em tua mãe Eunice, e estou
certo de que também habita em ti” (2 Tm 1.4,5). Como aqueles santos do
passado, enchamos a nossa casa de uma fé não fingida, e é certo que as
bênçãos do Senhor estarão sobre ela.
“No temor do Senhor há firme confiança, e os seus filhos terão um
lugar de refúgio.” (Pv 14.26.)
Louvado seja Deus pelas suas promessas! Louvado seja Deus pela
família! O Senhor é bom, e ele concebeu o lar como uma expressão da sua
bondade. Há ocasiões em que as coisas saem dos trilhos e a família se torna
causa de desgosto ao invés de alegria. Isso acontece por causa da dureza do
coração humano. Nesses momentos, o que precisamos fazer é nos arrepender,
pedir perdão e perdoar, e clamar a Deus por auxílio. No entanto, em hipótese
alguma, podemos desistir do nosso lar.
Dizem que numa fazenda morava, muitos anos atrás, um homem feliz.
“Se alguém tem família e tem Deus é uma pessoa rica”, ele costumava
afirmar. Certa manhã, ele recebeu a visita de um viajante. Depois de muita
conversa, o estranho lhe contou sobre algo de que ele jamais ouvira falar:
diamantes.
“São a coisa mais valiosa do mundo”, ele disse. “Faíscam ao sol, são
incrivelmente resistentes, e ornamentam as coroas dos reis.”
O fazendeiro ficou encantado com a descrição daquelas pedras
preciosas. De repente, já não se sentia tão rico. “Preciso encontrar uma mina
de diamantes”, ele pensou.
O homem vendeu a fazenda, deixou a família sob os cuidados de alguns
parentes, e partiu pelo mundo. Viajou muitos anos e procurou em muitos
lugares, sempre em busca das joias que, segundo acreditava, haveriam de
torná-lo rico. Porém, jamais encontrou um único diamante. Finalmente – já
velho, doente, pobre e solitário – entregou-se ao desespero. Atirou-se às
ondas do mar e assim se afogou.
Enquanto isso, a pessoa que havia comprado a fazenda tinha achado
uma pedra negra no riacho que corria nos fundos da propriedade. Achando-a
bonita, levara-a para casa e a colocara sobre uma prateleira. Os anos se
passaram, e certa manhã o mesmo viajante retornou àquela casa.
Conversando com o novo proprietário, reparou na pedra colocada sobre a
estante.
– Onde você a encontrou?, perguntou ele.
– Em um riacho aqui perto, respondeu o homem.
O viajante examinou a pedra e percebeu que algo brilhava em seu
interior. Ele exclamou:
– Há um diamante aqui!
Os dois, então, correram para o rio e começaram a garimpar. E assim foi
descoberta a maior mina de diamantes do mundo.
A moral da história é clara. Às vezes, dirigimos nossos pensamentos e
ações para longe, na busca de algo que venha a nos trazer realização e alegria.
Nossa família é a nossa verdadeira fortuna. É a coisa mais bela do mundo.
Lembremo-nos disso, sejamos gratos a Deus, e confiemos nas suas
promessas. Felizes são aqueles que amam e valorizam suas famílias, e que
zelam por elas como as verdadeiras riquezas que são!
35
Promessas de disciplina
Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim
como o pai, ao filho a quem quer bem (Pv 3.12).
A disciplina é uma dádiva da qual todos precisam. Muitos, porém, não
se apercebem disso. Talvez as promessas de prosperidade, saúde, paz e
segurança sejam mais valorizadas e procuradas. Contudo, cada um de nós
necessita da correção do Senhor. A disciplina pode revelar-se um remédio de
gosto amargo, mas os seus efeitos são benéficos, e a sua eficácia é garantida.
Dentre tantas outras coisas, Deus prometeu nos disciplinar.
Eu morei em Brasília quando era criança, e fiz muitas viagens pelas
estradas do Planalto Central naquela época. Eram dias em que o cerrado
dominava toda a paisagem. Não se via plantações em parte alguma, porque o
solo era considerado impróprio para a agricultura, e ninguém lhe dava muito
valor. Hoje, porém, grandes safras de milho, trigo, cana, feijão, algodão e
soja são colhidas ali. A região se tornou um paraíso do agronegócio. Essa
mudança aconteceu graças ao emprego de técnicas de correção de solo. A
terra que parecia ser estéril começou, então, a produzir com abundância. Isso
nos serve de claro exemplo. A correção, definitivamente, é algo muito
importante.
Precisamos ser gratos a Deus pela correção, e, também, compreender
algumas verdades a seu respeito. Isso nos ajudará a consertar aquilo que
estiver errado, evitará que medidas drásticas se tornem necessárias, e nos
proporcionará uma colheita abundante de bênçãos.
A DISCIPLINA É NECESSÁRIA
Ainda que as repreensões não sejam agradáveis por si mesmas, são
desejáveis por causa do resultado que produzem. O autor de Hebreus nos
lembra que “nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo,
porém de tristeza; mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos que
por ela têm sido exercitados” (Hb 12.11).
A Bíblia enxerga a disciplina como algo indispensável. O salmista
declarou: “Bem-aventurado é o homem a quem tu repreendes, ó SENHOR, e a
quem ensinas a tua lei” (Sl 94.12). O sábio escreveu: “Porque o mandamento
é uma lâmpada, e a instrução, uma luz; e as repreensões da disciplina são o
caminho da vida” (Pv 6.23). E o apóstolo ensinou: “Quando, porém, somos
julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos condenados com o
mundo” (1 Co 11.32).
Vários personagens bíblicos testemunharam sobre a importância da
disciplina. O autor do Salmo 119, no versículo 67, falou: “Antes de ser
afligido, eu me extraviava; mas agora guardo a tua palavra”. De modo
semelhante, o profeta Isaías fez a seguinte declaração a respeito dos filhos de
Israel: “SENHOR, na angústia te buscaram; quando lhes sobreveio a tua
correção, derramaram-se em oração” (Is 26.16). E o rei Ezequias, depois de
passar por momentos difíceis, disse a Deus: “Eis que foi para minha paz que
estive em grande amargura; tu, porém, amando a minha alma, a livraste da
cova da corrupção, porque lançaste para trás das tuas costas todos os meus
pecados” (Is 38.17).
Sem correção, estaríamos perdidos. “Dou meu testemunho de que devo
mais ao fogo, ao martelo e à lima do que a qualquer outra coisa da oficina do
Senhor”, escreveu Charles Spurgeon. “Às vezes me pergunto se já aprendi
alguma coisa a não ser pela vara. É quando minha sala de aula está escura que
eu enxergo melhor.”
Pelo fato de sermos pecadores, estamos sempre sujeitos a seguir por
caminhos errados. É graças à repreensão do Senhor que somos poupados de
terríveis dissabores. Devemos reconhecer a necessidade da admoestação
divina, e jamais nos rebelarmos contra ela.
A DISCIPLINA É UM GESTO DE AMOR
O Senhor não nos corrige com ira, e sim com bondade. Ele deixou
registradas na Bíblia as seguintes palavras: “Saberás, pois, no teu coração,
que, como um homem corrige a seu filho, assim te corrige o SENHOR, teu
Deus” (Dt. 8.5). A mão do nosso Pai celeste nos acaricia, ampara e sustenta.
Porém, também há momentos em que ela pesa sobre nós. Isso não deveria
nos causar estranheza. “Pois o Senhor corrige aos que ama e açoita a todo o
que recebe por filho. É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a
filhos; pois, qual é o filho a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem
disciplina, da qual todos se têm tornado participantes, sois, então, bastardos e
não filhos” (Hb 12.7,8).
Bons pais educam, repreendem e impõem limites. E quando fazem isso,
dão evidência de amor, inteligência e responsabilidade. Precisamos ter em
mente que Deus nos ama com um amor perfeito, e que, de igual modo, ele
nos corrige de maneira perfeita. Tudo o que o Senhor faz é visando o nosso
bem. “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê, pois, zeloso e
arrepende-te”, nos diz ele (Ap 3.19).
Certa família recebeu uma adolescente de outro país na sua residência
através de um programa de intercâmbio. Logo no primeiro dia, o casal
informou à moça quais eram as regras da casa, incluindo o horário em que ela
deveria chegar da rua. Mas, passadas algumas semanas, a moça se envolveu
com más companhias, foi a uma festa e voltou de madrugada. Abrindo a
porta, ela se deparou com o casal que havia ficado acordado à sua espera.
Eles lhe pediram que se sentasse, e tiveram uma conversa séria com ela.
Disseram-lhe que tinha quebrado as regras, que os havia deixado
preocupados, e que aquilo não poderia se repetir. A adolescente, então,
começou a chorar. E, depois, falou:
“Vocês não querem ser meus pais? Lá na minha casa ninguém liga para
a hora em que eu saio ou chego. Ninguém me corrige, ninguém chama a
minha atenção. Acho que os meus pais não se importam comigo.”
Sim, disciplinar é um ato de amor!
É muito bom termos alguém que se importe conosco a ponto de se
dispor a chamar a nossa atenção. Ainda que isso, a princípio, nos cause
algum desconforto, acabará concorrendo para o nosso bem. É por nos amar
que o Senhor nos corrige. É por querer a nossa felicidade que ele utiliza a sua
vara. Jamais deveríamos confundir rigor com falta de amor. Deus só quer o
melhor para nós.
Billy Graham afirmou: “Deus não nos disciplina para subjugar-nos, mas
a fim de nos condicionar para uma vida de utilidade e bem-aventurança”.
Esta é uma grande verdade. Permitamos que o Altíssimo modele o barro de
nossas almas segundo o seu querer. Deixemos que faça de nós um vaso de
bênçãos.
PRECISAMOS ACEITAR A DISCIPLINA
O que é necessário para que a correção proporcione benefícios?
Certamente, ela precisa ser administrada da forma correta. No entanto, isso
não é tudo. A admoestação também tem que ser recebida com humildade. O
resultado da repreensão não depende só de quem disciplina, mas também de
quem é disciplinado.
“Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus corrige; não
desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso”, diz a Bíblia (Jó 5.17).
Quando o Senhor chama a sua atenção, você se quebranta ou se revolta?
Salomão nos deixou os seguintes conselhos: “Filho meu, não rejeites a
disciplina do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão” (Pv 3.11); “O que
atende à instrução está na vereda da vida, mas o que rejeita a repreensão anda
errado” (Pv 10.17); “O que ama a correção ama o conhecimento, mas o que
aborrece a repreensão é insensato” (Pv 12.1); “Pobreza e afronta virão ao que
rejeita a correção, mas o que guarda a repreensão será honrado” (Pv 13.18).
Algumas pessoas são humildes e se deixam corrigir, ao passo que outras
ficam irritadas e pagam o preço da desobediência. Lembre-se: nós podemos
aceitar a repreensão que vem dos céus – permitir que ela nos molde, nos
modele, nos conserte – ou podemos nos rebelar contra ela e privar-nos de
seus benefícios. O Senhor não nos oferece a sua disciplina com raiva. Nós,
tampouco, deveríamos recebê-la com ira.
Um menino estava treinando no time de futebol da escola, e acabou
ficando irritado com as repreensões do seu técnico.
– Eu queria que aquele sujeito me deixasse em paz!, gritou ele, zangado,
ao entrar no vestiário após o treino.
Mas outro garoto que estava ali disse a ele:
– Você não sabe o que está falando! O treinador briga com você porque
vê o seu potencial e quer que se torne um grande atleta!
E, prosseguindo, falou:
– Você já reparou que o técnico nunca chama a minha atenção? É
porque ele não acha que eu tenha talento. Porém, quando olha para você,
enxerga alguém que pode se destacar. Na verdade, eu queria que ele agisse
comigo do modo como faz com você!
Deus nos disciplina porque deseja nos transformar em melhores seres
humanos. Deveríamos, sempre, ser-lhe gratos por isso. Ainda que ele nos
ame da maneira que somos, não quer nos deixar do jeito que estamos. O
Senhor nos corrige porque se importa conosco e almeja o nosso crescimento.
Mas o resultado final dependerá, em grande parte, da nossa própria vontade
de crescer.
É correto nos contentarmos com o que temos, mas nunca com o que
somos (James Mackintosh).
COMO DEUS NOS DISCIPLINA?
O Senhor pode usar diferentes recursos a fim de corrigir os nossos
passos e promover o nosso crescimento. As repreensões poderão ser mais
leves ou mais severas, dependendo da gravidade dos nossos erros e da nossa
disposição para abandoná-los. “Deus fala de um modo e ainda de outro, se o
homem não lhe atende”, afirma o Antigo Testamento (Jó 33.14). Mas há
quatro meios principais através dos quais o Pai celestial disciplina os seus
filhos:
1. O Senhor nos disciplina através da sua Palavra. É como lemos em 2
Timóteo 3.16: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para
ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”. Se você tem
o hábito de meditar nas Escrituras, certamente já levou muitos “puxões de
orelha”! A Bíblia Sagrada tem o poder de apontar os nossos erros e mostrar a
direção em que devemos seguir. Uma excelente maneira de conservarmos a
saúde espiritual é nos submeter, diariamente, ao tratamento da Palavra de
Deus.
2. O Senhor nos disciplina através do Espírito Santo. Gosto da
passagem de Isaías 30.21, a qual declara: “E os teus ouvidos ouvirão a
palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele;
quando vos desviardes para a direita ou para a esquerda”. Em nossa jornada
rumo aos céus, corremos o risco de nos desviar, aproximando-nos do abismo
e da queda. Felizmente, contamos com a voz do Espírito Santo, que fala à
nossa alma. Jamais tapemos os nossos ouvidos a essa voz. Sejamos, sempre,
submissos à orientação daquele nos mostra o caminho seguro.
3. O Senhor nos disciplina através de pessoas leais. Deus tem os seus
mensageiros. Homens e mulheres de fé serão usados, ao longo da nossa vida,
como instrumentos para apontar os nossos erros e nos mostrar o rumo certo.
Como está escrito em Provérbios 27.6, “fiéis são as feridas de um amigo, mas
os beijos de um inimigo são enganosos”. Não se deixe enganar pelos
bajuladores! Tome cuidado com os pregadores que falam apenas o que as
multidões querem ouvir! Lembre-se de que Judas traiu o Filho de Deus com
um beijo. Felizes são aqueles que têm, ao seu lado, pessoas com amor e
coragem suficientes para apontar os seus erros.
4. O Senhor nos disciplina através dos acontecimentos. Quando tudo o
mais falha, o Criador pode lançar mão das circunstâncias adversas a fim de
preservar nossas vidas. Em Neemias 9.33, é feita a seguinte declaração: “Tu,
porém, és justo em tudo quanto tem vindo sobre nós; pois tu fielmente
procedeste, mas nós, perversamente”. Os judeus haviam sido levados para o
cativeiro, a cidade de Jerusalém tinha sido destruída, e o templo de Salomão
fora incendiado. E Neemias enxergava, em cada um daqueles infortúnios, a
ação corretiva de um Deus justo, purificando o seu povo da idolatria.
Também em nossas vidas, coisas desagradáveis podem acontecer a fim de
que sejamos guardados de perigos maiores. Deus sempre agirá visando o
nosso bem.
Seja qual for a ação corretiva levada a termo por Deus, podemos estar
certos de que ela será motivada pelo seu amor e zelo. “Porque não aflige nem
entristece de bom grado os filhos dos homens.” (Lm 3.33.) Evitemos ser
precipitados! Não sejamos como aqueles que enxergam castigos de Deus em
tudo o que acontece! Mas, ao mesmo tempo, peçamos ao Senhor que nos dê
um coração humilde, a fim de que terapias de choque não sejam necessárias
no tratamento da nossa alma.
Deus tem nos garantido a sua disciplina. E esse compromisso não é, de
forma alguma, inferior aos demais. A correção não é uma ameaça, e sim uma
promessa. Ela nos é assegurada para a nossa felicidade. Portanto, sejamos
gratos. Façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para que o Senhor não
precise nos repreender. E se, mesmo assim, a repreensão for necessária,
estejamos abertos para receber a instrução dos céus.
Certo homem entrou na oficina de um ferreiro e ficou observando-o
trabalhar. O ferreiro tinha diante de si o fogo, a água, a tenaz, a bigorna e o
martelo. Por meio deles, ia dando as mais diferentes formas ao metal, de
acordo o seu propósito. A certa altura, o homem percebeu que havia, no canto
da oficina, uma pilha de pedaços de ferro. Ele ficou curioso e perguntou ao
ferreiro por que aquelas peças estavam lá.
“Aquela é a pilha dos inúteis”, respondeu o ferreiro. “São pedaços de
metal muito duros, os quais não se deixam moldar.”
O homem refletiu sobre aquilo, e deixou a oficina orando da seguinte
maneira: “Deus, faça de mim o que quiser, mas jamais me atire na pilha dos
inúteis!”
“O mesmo sol que amolece a cera endurece o barro”, afirma um velho
ditado. A correção divina pode ser recebida com flexibilidade ou rigidez, com
humildade ou com indignação, com gratidão ou com revolta. Mas, lembre-se:
os resultados não serão os mesmos. Como você receberá a disciplina do
Senhor? Que ela encontre em seu peito um coração sensível, a fim de que o
Todo-Poderoso modele o seu viver segundo a sua perfeita vontade!
36
Promessas de avivamento
E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar,
e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus
caminhos, então, eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus
pecados, e sararei a sua terra (2 Cr 7.14).
Aqueles haviam sido dias felizes para Salomão e o povo de Israel. O
templo tinha sido inaugurado, Deus havia manifestado a sua aprovação
enviando fogo do céu, e a glória divina enchera o santuário. A nação inteira
respirava uma atmosfera de espiritualidade e alegria. E, mesmo assim, Deus
apareceu ao rei em sonhos, e lhe disse: “Se o meu povo, que se chama pelo
meu nome, se humilhar...”
Por que motivo o Senhor estava falando sobre humilhação e restauração
em um momento tão festivo? Porque ele sabia que pessoas e nações
abençoadas podem se afastar dos seus caminhos, fazendo com que a chama
da fé se apague. E o tempo se encarregou de comprovar tal verdade. Anos
depois, os israelitas se voltaram para os ídolos, o rei Salomão se envolveu em
pecados, e Deus teve que discipliná-los.
Há duas coisas inerentes à natureza do fogo que podem ser observadas
também na vida espiritual. Uma delas é a tendência a se apagar. Se
deixarmos de colocar lenha no altar da nossa alma ou permitirmos que cinzas
se acumulem sobre ele, em pouco tempo teremos carvão no lugar de
labaredas. A outra delas é a tendência a se alastrar. Se mantivermos aceso o
fogo da santidade em nosso interior, as chamas tomarão conta de nós e
incendiarão os que estiverem ao nosso redor.
Às vezes, um povo, nação ou indivíduo precisam retornar àquilo que a
Bíblia chama de primeiro amor (Ap 2.4). Nessas horas, o avivamento se torna
necessário. A boa notícia é que Deus, graciosamente, está disposto a
concedê-lo. Ele nos atenderá se clamarmos. Ele ouvirá do céu, perdoará os
nossos pecados e sarará a nossa terra.
ELES CLAMARAM POR AVIVAMENTO
Ainda nos tempos bíblicos foram registrados episódios de esfriamento
espiritual. Por deixarem de cuidar da sua comunhão com Deus, os israelitas
fraquejaram, se envolveram em ações pecaminosas, e atraíram sofrimento
sobre si. É por essa razão que encontramos, nas páginas da Escritura, diversas
orações pedindo a Deus que avive a fé dos seus filhos.
Podemos citar, por exemplo, os versículos abaixo:
“Não tornará a vivificar-nos, para que o teu povo se regozije em ti?”
(Sl 85.6.)
“Estou aflitíssimo; vivifica-me, ó Senhor, segundo a tua palavra.” (Sl
119.107.)
“Ouve a minha voz, segundo a tua benignidade; vivifica-me, ó Senhor,
segundo a tua justiça.” (Sl 119.149.)
“Vivifica-me, ó Senhor, por amor do teu nome; por amor da tua justiça,
tira-me da tribulação.” (Sl 143.11.)
“Oh! Se fendesses os céus e descesses, e os montes tremessem à tua
presença, como quando o fogo pega em acendalhas!” (Is 64.1,2.)
“Eu ouvi, Senhor, a tua fama e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no
meio dos anos; faze que ela seja conhecida no meio dos anos; na ira, lembra-
te da misericórdia.” (Hc 3.2)
Todos os que escreveram esses versos foram homens de Deus. Eles
formularam tais pedidos por avivamento porque enxergaram, em si mesmos
ou em seu povo, um esfriamento espiritual. E quanto a você? Não estaria
precisando acrescentar, às orações feitas por aqueles crentes do passado, o
seu próprio clamor?
Um clamor por reavivamento se faz necessário quando não temos mais
prazer em participar dos cultos. Quando Jesus deixa de ser nossa fonte de
alegria. Quando pouco oramos e jejuamos. Quando negligenciamos o estudo
da Bíblia. Quando nos acomodamos a uma fé superficial. Quando toleramos
o pecado em nossa vida e em nosso meio. Quando nos entregamos à
murmuração. Quando perdemos o entusiasmo pela obra missionária. Quando
deixamos de ofertar e dizimar. Quando se estabelece uma distância entre o
que falamos e o que fazemos. Quando nossos lábios se abrem para a
maledicência. Quando passamos a nos sentir estéreis e insatisfeitos.
No momento em que uma situação assim se instala, precisamos clamar.
E Deus, na sua misericórdia, promete que irá ouvir a nossa oração,
reavivando-nos.
DUAS VISÕES DE AVIVAMENTO
No Antigo Testamento, encontramos duas belas visões a respeito do
avivamento espiritual. Ambas estão registradas no livro de Ezequiel. Elas
ilustram o estado no qual se encontram aqueles que esfriaram na fé. Também
profetizam sobre a obra restauradora do Espírito Santo na vida dos que,
arrependidos, buscam a Deus.
No capítulo 37 do livro de Ezequiel, nos deparamos com a visão do vale
dos ossos secos. O Senhor conduz o profeta até um lugar onde incontáveis
ossos humanos se espalham pelo chão. Esses ossos – ressequidos e
desconjuntados – são a própria imagem da morte. A cena representa a
situação espiritual da nação no cativeiro. Aos seus próprios olhos, os judeus
se enxergavam como um povo sem esperança. Mas, então, obedecendo a uma
ordem divina, Ezequiel profetiza. E, nessa hora, os ossos se movem e se
unem. Eles são revestidos de nervos, carne e pele. Ganham vida, colocam-se
em pé e formam um exército. Na sequência, o Senhor encerra a profecia com
a seguinte promessa: “Porei em vós o meu Espírito, e vivereis” (Ez 37.14).
Já em Ezequiel 47, encontramos a visão das águas purificadoras. Agora,
a aridez espiritual não é simbolizada por ossos secos, e sim por uma terra
seca: o deserto salgado da região do mar Morto. O profeta vê um rio brotar
do limiar do templo e correr em direção àquele cenário desolado. Ele passa
pelo rio várias vezes, e o percebe tornar-se cada vez mais fundo. Quando
finalmente se vê incapaz de atravessá-lo, o milagre acontece. O descampado
se transforma em jardim, as águas amargas do mar Morto se tornam doces, e
um paraíso exuberante se descortina perante os olhos de Ezequiel. A morte dá
lugar à vida, a escassez é substituída pela abundância, e a esterilidade é
vencida pela fertilidade. “E viverá tudo por onde quer que entrar este rio”,
conclui o Senhor (Ez 47.9).
As duas visões começam falando de morte e terminam com uma
promessa de vida. Elas proclamam que Deus pode reerguer o caído, trazer de
volta aquele que se afastou, e despertar os que se acham espiritualmente
adormecidos.
O avivamento é isso. É uma volta ao primeiro amor, que resulta na
consagração dos salvos e na conversão dos perdidos. É uma reversão do
esfriamento espiritual. Cheios do Espírito Santo, passamos a odiar o pecado,
a amar a santidade, a ajudar ao próximo e a servir a Deus. O avivamento pode
ser comparado ao fluxo caudaloso de um rio cristalino. Perto dele, a mera
religiosidade mais se parece com uma poça de água parada, infestada de
mosquitos.
DEUS NOS AVIVARÁ SE CLAMARMOS!
A vida cristã sendo o que ela deveria ser: isso é avivamento! Essa é a
vida que Jesus morreu para conceder a você e a mim. Neste exato momento,
Deus nos chama de volta ao primeiro amor. Ele fala ao nosso coração,
incomoda o nosso espírito e atrai a nossa alma para que regressemos ao pé da
cruz. Ele deseja soprar as brasas da nossa fé de modo que labaredas
espirituais incendeiem o nosso interior.
Na sua Palavra, o Senhor afirma que enviará o avivamento se pedirmos.
E ele diz que fará isso da seguinte maneira:
1. Deus despertará as pessoas para que o busquem. Em Amós 8.11,
encontramos esta profecia: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR Deus, em que
enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir
as palavras do SENHOR”. O avivamento começa com descontentamento.
Principia com quebrantamento. Tem início com fome e com sede. A
insatisfação com a própria vida espiritual prepara as almas de homens e
mulheres para receberem mais do Senhor.
2. Deus abençoará as pessoas que o buscarem. “Semeai para vós em
justiça, colhei segundo a misericórdia, lavrai o campo alqueivado; porque é
tempo de buscar ao SENHOR, até que venha e chova a justiça sobre nós”,
lemos em Oseias 10.12. O Senhor não despertaria em nossa alma a fome por
sua presença para, depois, esconder-se de nós. Não, de forma alguma! Ele se
deixará achar por aqueles que o buscam. Ele derramará chuvas de bênçãos
quando lavrarmos o solo alqueivado do nosso coração.
3. Deus saciará as pessoas que o buscarem. Em João 4.14, encontramos
as seguintes palavras de Jesus Cristo: “Aquele que beber da água que eu lhe
der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma
fonte que jorre para a vida eterna”. A sede da alma humana só pode ser
satisfeita pelo próprio Redentor. Cristo é a fonte de água viva que sacia o
nosso ser. Nele encontramos aquilo que o nosso espírito jamais encontrará
em outra parte.
4. Deus fará com que muitos se convertam. É em Habacuque 2.14 que
encontramos a promessa de que “a terra se encherá do conhecimento da
glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar”. Se buscarmos ao Senhor
verdadeiramente, testemunharemos milagres à nossa volta. O fogo do
Espírito se espalhará pelos templos, praças, ruas e casas. Muitos se renderão a
Cristo. Haverá alegria no céu, e a terra se encherá do conhecimento da glória
do Senhor.
5. Deus fará com que multidões o adorem. “Porque, como a terra produz
os seus renovos, e como o horto faz brotar o que nele se semeia, assim o
SENHOR Deus fará brotar a justiça e o louvor perante todas as nações”, lemos
em Isaías 61.11. Que linda cena nos apresenta, agora, a Escritura! Crentes
reavivados e cristãos recém-convertidos, juntos, glorificando ao Senhor! É à
adoração que o avivamento nos leva.
6. Deus fará a luz da nossa fé brilhar mais forte. “Levanta-te,
resplandece, porque é chegada a tua luz, e é nascida sobre ti a glória do
SENHOR”, promete o Criador em Isaías 60.1. Uma vez que as chamas da nossa
fé tenham sido reavivadas, o brilho do nosso testemunho se tornará,
igualmente, mais intenso. Seremos realmente o sal da terra e a luz do mundo.
Irradiaremos a santidade e a bondade do Senhor.
7. Deus nos abençoará quando nos reunirmos. No Salmo 65.4, está
escrito: “Bem-aventurado é aquele a quem tu escolhes e fazes chegar a ti,
para habitar em teus átrios! Nós seremos satisfeitos com a bondade da tua
casa, do teu santo templo”. Que bela promessa! Quando o avivamento
espiritual chega, os cultos e celebrações do povo de Deus são elevados a
novas alturas. As multidões congregadas nos átrios do Senhor são impactadas
em sua presença e satisfeitas com sua benignidade.
8. Deus nos tornará crentes alegres e produtivos. Essa promessa está em
Oseias 14.7: “Voltarão os que habitam à sua sombra; reverdecerão como o
trigo e florescerão como a vide”. Não há falta de fruto em tempos de
avivamento! Tocados pelo Espírito do Senhor, os cristãos se tornam
dedicados e operosos. Não se assemelham mais a galhos secos, e sim a ramos
carregados de frutos. Produzem com abundância e alegria na lavoura do
Senhor.
9. Deus nos tornará crentes cheios do Espírito Santo. Em Ezequiel
39.29, encontramos a promessa: “Nem lhes esconderei mais o meu rosto, pois
derramarei o meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o SENHOR Deus”. O
Espírito Santo encherá o nosso coração e a nossa vida quando nos
consagrarmos, por inteiro, ao Senhor. Seremos totalmente controlados e
movidos pelo Espírito. Seremos revestidos com a sua unção e capacitados
com o seu poder.
10. Deus nos cobrirá com as suas bênçãos. “Abrirei rios nos altos
desnudados e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto num lago de água e
a terra seca, em mananciais”, assegura-nos o Todo-Poderoso em Isaías 41.18.
O Senhor fala de desertos se transformando em jardins, de escassez se
tornado fartura, de vidas se enchendo de vida. Ele fala de tudo isso porque é
tudo isso o que Cristo faz.
Diante de promessas tão maravilhosas, qual deve ser a nossa reação?
Temos que orar por um avivamento em nossa vida! Precisamos suplicar por
um despertamento em nossa igreja! Necessitamos clamar por um mover de
Deus em nosso país! As palavras do hino Avivamento, da autoria de Albert
Midlane, devem estar nos nossos lábios e no nosso coração. Quebrantados,
precisamos dizer: “Aviva-nos, Senhor! Eis nossa petição! Ateia o fogo do
alto céu em cada coração!”
Que Deus reavive a nossa fé, a nossa alma, a nossa vida!
Há uma história curiosa a respeito de um templo de madeira que pegou
fogo. Isso aconteceu muitos anos atrás, em um pequeno povoado do interior.
As pessoas acordaram no meio da noite com os gritos daqueles que haviam
descoberto o incêndio. Alarmadas, elas pularam de suas camas e correram
para o lugar. Naquela pequena vila, não havia corpo de bombeiros, e por isso
todos levavam, em suas mãos, baldes cheios de água. Assim, cada um
procurava fazer a sua parte. Juntos, eles buscavam extinguir as chamas e
salvar o templo.
Como era de se esperar, o pastor da igreja era um dos que estavam mais
aflitos com a situação. Ele corria de um lado para o outro, recebendo os
baldes que os vizinhos traziam e passando-os para as mãos dos que
combatiam o incêndio. A certa altura, ele se virou para apanhar mais um
balde, e descobriu, surpreso, que quem estava ao seu lado era o maior
incrédulo da cidade. O pastor não foi capaz de esconder a sua admiração. Ele
falou:
– Puxa, eu não esperava encontrar você aqui! É a primeira vez que você
vem à minha igreja!
E o homem, de pronto, respondeu:
– Mas é claro! É a primeira vez que a sua igreja pega fogo!
Quando a igreja de Cristo pegar fogo – quando ela for inflamada pela
veemência e pelo ardor do Espírito –, as multidões correrão para ela. Que o
Senhor, portanto, incendeie o seu povo! Que ele coloque em chamas cada
filho e filha de Deus! Que o fogo do alto céu queime em nossos corações, e
que a chama do despertamento espiritual abrase as nossas vidas! Oh! Aviva-
nos, Senhor!
37
Promessas de restauração
Em lugar da vossa vergonha, haveis de ter dupla honra; e em
lugar de opróbrio exultareis na vossa porção; por isso, na
sua terra possuirão o dobro e terão perpétua alegria (Is 61.7).
Desde que o pecado entrou no mundo, Deus está trabalhando em
restaurações. O Senhor está consertando, reerguendo e restituindo. Ele é o
Deus dos recomeços. Deus restaura vidas, casamentos e famílias. Ele tem
poder para restabelecer a saúde de um enfermo, o ministério de um obreiro, a
fé de um desviado e a esperança de um aflito. Ele declarou que, um dia,
tornará novas todas as coisas (Ap 21.5).
Algumas pessoas não têm perseverança e desistem facilmente. Quando
um objeto se quebra, elas o descartam, e quando enfrentam alguma
dificuldade, mudam de direção. Porém, há indivíduos que são persistentes.
Eles são capazes de olhar para um carro, um vestido, um empreendimento ou
uma amizade, e dizer: “Isso pode ser recuperado”. Eles conseguem lançar
mãos à obra e fazer com que qualquer coisa fique como nova.
A Bíblia nos apresenta a um Deus perseverante. Ele tem determinação,
habilidade, poder e amor para restaurar todas as coisas. Uma das
características maravilhosas que podemos observar nas ações do Criador é
que ele não é um Deus de desistir. Ele é um Deus que restaura. Ao longo da
história, foi isso o que ele fez. E até a consumação dos séculos, será isso o
que ele fará.
ELES FORAM RESTAURADOS!
Volte-se, agora, para a Bíblia. Leia as suas histórias e considere os seus
personagens. Os heróis e heroínas das Escrituras sempre foram homens e
mulheres restaurados. Alguns deles foram resgatados da obscuridade para
viverem grandes aventuras. E outros foram reerguidos após quedas para
serem usados poderosamente.
Deus restaurou Raabe. Aquela que durante algum tempo viveu como
uma prostituta em Jericó teve a sua vida poupada quando a cidade foi
destruída. Integrada ao povo de Israel, ela se casou com Salmom. Os dois
foram pais de Boaz, que foi pai de Obede, que foi pai de Jessé, que foi pai de
Davi. Assim, aquela que havia sido uma meretriz se tornou uma das
ancestrais do Messias. Seu nome foi incluído de maneira honrosa no Novo
Testamento, tanto na genealogia de Jesus (em Mateus 1) quanto na galeria
dos heróis da fé (em Hebreus 11).
Deus restaurou Davi. Aquele que passaria à posteridade como “o
homem segundo o coração de Deus” cometeu um adultério e, na tentativa de
escondê-lo, arquitetou um assassinato. Por vários meses, tentou esconder os
seus pecados, e foi consumido pela culpa. Porém, confrontado pelo profeta
Natã, o rei admitiu as suas falhas e se arrependeu sinceramente. E o Senhor
restaurou a vida de Davi, dando-lhe inspiração para compor salmos, firmando
o seu trono e ampliando os seus domínios.
Deus restaurou Jó. O homem mais justo da face da terra passou por
grandes sofrimentos. Ele perdeu tudo o que tinha: as riquezas, os filhos, a
saúde e até a reputação. Contudo, não abriu mão de sua fé em Deus. Não, isso
ninguém poderia arrancar dele! Jó não perdeu a sua fé. E, como resultado, o
Senhor reverteu a situação em que o patriarca se achava, dando-lhe o dobro
daquilo que havia perdido. Ele recebeu terras, rebanhos, riquezas e honras.
Viu seus filhos e os filhos de seus filhos até à quarta geração. E, então,
morreu Jó, velho e cheio de dias.
Deus restaurou Pedro. Aquele que em várias ocasiões havia
demonstrado lealdade e coragem fraquejou horas antes da morte do Salvador.
Pedro negou Jesus três vezes, e ao ouvir o canto do galo, chorou
amargamente. No entanto, o Mestre reconduziu o apóstolo ao seu posto.
Disse-lhe que, uma vez que o amava, deveria apascentar seus cordeiros. E foi
dessa maneira que um Pedro totalmente transformado se ergueu no dia de
Pentecostes para pregar a Palavra de Deus. Ele testemunhou com ousadia e
levou milhares de pessoas aos pés de Cristo.
Sim, todos eles foram restaurados por Deus! E poderíamos citar vários
outros casos. Passaríamos horas a fio considerando os exemplos bíblicos de
homens e mulheres que foram reerguidos pelo Senhor. A biografia de cada
um deles nos serve de lição e encorajamento. Afinal, o mesmo Deus que
transformou a vida daquelas pessoas pode fazer uma grande obra em cada um
de nós.
HÁ PROMESSAS DE RESTAURAÇÃO PARA
VOCÊ!
Assim como restabeleceu vidas no passado, o Senhor continua sarando
os enfermos, consolando os aflitos e libertando os cativos. Ele restaura os que
foram vítimas de ataques e os conduz a lugares de honra. Ele coloca em pé
aqueles que tropeçaram e lhes concede novas oportunidades.
Todos os que visitam o Rio de Janeiro se encantam com a exuberância
do Parque Nacional da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do mundo.
O que poucos sabem é que aquelas árvores não estavam ali duzentos anos
atrás. De fato, a área que hoje é ocupada pela mata havia sido degradada por
muito tempo, reduzida a pastos e roçados. Consequentemente, a terra se
exauriu, e as nascentes de águas secaram. Por isso, em 1861, o imperador
Dom Pedro II iniciou um ambicioso projeto de recuperação, replantando
milhares de árvores nativas no lugar. O resultado é o verdadeiro cartão postal
que, hoje, faz a alegria tanto dos cariocas quanto dos turistas.
Alguém que não conheça os fatos pode olhar para a Floresta da Tijuca e
dizer: “Ora, esse é um lugar privilegiado ele sempre foi assim”. E, de igual
modo, poderíamos olhar para uma pessoa feliz e pensar: “Puxa, como ela deu
sorte, a vida dela sempre foi boa”. Contudo, se soubéssemos das coisas pelas
quais essa pessoa passou, saberíamos que precisou superar muitos obstáculos.
Existem homens e mulheres que são verdadeiros “projetos de reflorestamento
divino”. Deus os reergueu e renovou.
Veja as promessas de restauração que estão registradas na Bíblia
Sagrada:
“Tenho visto os seus caminhos, mas eu o sararei; também o guiarei e
tornarei a dar-lhe consolação, a ele e aos que o pranteiam.” (Is 57.18.)
“Isso vereis, e alegrar-se-á o vosso coração, e os vossos ossos
reverdecerão como a erva tenra; então, a mão do Senhor será notória aos
seus servos, e ele se indignará contra os seus inimigos.” (Is 66.14.)
“De longe o Senhor me apareceu, dizendo: Pois que com amor eterno te
amei, também com benignidade te atraí. De novo te edificarei, e serás
edificada.” (Jr 31.3,4.)
“Assim vos restituirei os anos que foram consumidos.” (Jl 2.25.)
“Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também hoje anuncio que te
recompensarei em dobro.” (Zc 9.12.)
Conhecer essas promessas bíblicas e crer no seu cumprimento ajudará
você a enfrentar seus desafios com a atitude certa. Use essas promessas para
acreditar que hoje Deus está plantando sementes de vitória na sua vida.
Amanhã, o cenário de desolação terá se transformado em uma paisagem de
beleza e exuberância.
JESUS CRISTO É O GRANDE RESTAURADOR!
Como já dissemos em capítulos anteriores, cada uma das promessas
divinas se cumpre em Cristo (2 Co 1.20). É por meio dele que o Senhor nos
dá todas as coisas (Rm 8.32). Sendo assim, Jesus é apresentado nas Escrituras
como o supremo Restaurador. As profecias que falavam da sua vinda já
apontavam para esse aspecto do seu ministério.
Veja, por exemplo, as lindas declarações a respeito do “Servo do
Senhor” que estão registradas no livro de Isaías. Elas falam sobre aquele que
viria para resgatar o mundo. Declaram que ele traria regeneração e vitória
para os que viessem a crer:
“Eis aqui o meu Servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem se
compraz a minha alma; pus o meu Espírito sobre ele; ele trará justiça às
nações. Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na rua. A
cana trilhada, não a quebrará, nem apagará o pavio que fumega; em
verdade, trará a justiça; não faltará, nem será quebrantado, até que ponha
na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a sua lei.” (Is 42.1-4.)
“Ele verá o fruto do trabalho da sua alma e ficará satisfeito; com o seu
conhecimento, o meu Servo justo justificará a muitos e as iniquidades deles
levará sobre si. Pelo que lhe darei o seu quinhão com os grandes, e com os
poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma até a
morte e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado
de muitos e pelos transgressores intercedeu.” (Is 53.11,12.)
“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu
para pregar boas novas aos mansos, enviou-me a restaurar os contritos de
coração, a proclamar liberdade aos cativos e abertura de prisão aos presos;
a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a
consolar todos os tristes; e a ordenar acerca dos que choram em Sião que se
lhes dê uma grinalda em vez de cinzas, óleo de gozo em vez de pranto,
vestidos de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem
árvores de justiça, plantação do Senhor, para que ele seja glorificado.” (Is
61.1-3.)
Aleluia! Jesus Cristo é o grande Restaurador! Suas mãos habilidosas
apanham os pedaços da nossa vida e os recolocam no lugar. O Senhor faz
isso usando a cola do seu amor e o cimento do seu poder.
Não sei se você já ouviu falar em kintsukuroi. Trata-se de uma arte
milenar japonesa, praticada há muitas gerações. Um kintsukuroi é um objeto
de porcelana que foi quebrado, e que, no processo de restauração, teve os
seus pedaços colados com uma película de ouro. Desse modo, ele passa de
um simples utensílio doméstico a uma verdadeira obra de arte. Os pratos,
vasos e potes transformados em kintsukuroi chegam a ser vendidos por
milhares de dólares. Eles se tornam objetos desejados e valorizados. E o seu
valor reside, exatamente, no fato de terem sido quebrados e restaurados.
Jesus, como o maior dos artistas, faz de cada um de nós o seu próprio
kintsukuroi. Com o ouro da sua graça ele refaz os vasos que se partiram (Jr
18.6). Ele nos confere valor e dignidade. Ele faz novas todas as coisas.
COMO PODEMOS SER RESTAURADOS?
É possível que, neste momento, você esteja se indagando: “Como posso
receber a restauração?” Se essa pergunta passou pela sua mente, anime-se!
Isso é sinal de que o Espírito Santo está falando com você. O Senhor está
despertando a sua vontade e a sua esperança, a fim de que os planos dele se
cumpram no seu viver.
Há muitas iniciativas que podem concorrer para a recuperação da alegria
e da paz de uma pessoa. No entanto, à luz da Palavra de Deus, gostaria de
apontar-lhe apenas três passos. Eles constituem, agora, a sua maior
necessidade. Se você empreender essas ações com sinceridade, é certo que o
Senhor atentará para a sua fé e lhe dará auxílio.
Eis o que precisa ser feito:
1. Para ser restaurado, volte-se para Deus. “Portanto, assim diz o
SENHOR: Se tu voltares, então, te restaurarei, para estares diante de mim; e, se
apartares o precioso do vil, serás como a minha boca.” (Jr 15.19.) Essa é uma
notável promessa. É possível que você tenha se distanciado do Senhor por
causa de algum pecado ou de alguma desilusão. Ele, porém, não se afastou de
você. O Pai celestial está de braços abertos aguardando o seu retorno. E diz
que, se você voltar para ele, irá restaurar sua vida.
2. Para ser restaurado, obedeça a Deus. Uma vez que tenhamos nos
voltado para o Senhor, o próximo passo será seguir na direção que ele nos
apontar. Ter fé é confiar a ponto de obedecer. Por isso, a Bíblia diz: “Confia
no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio
entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as
tuas veredas” (Pv 3.5,6). Deus pode endireitar aquilo que está torto na nossa
vida. Só temos que confiar e obedecer.
3. Para ser restaurado, espere em Deus. Você se voltou para o Senhor e
se dispôs a obedecer? Então, agora, espere com paciência! A Escritura diz:
“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a
alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a
terra” (Os 6.3). Em Canaã, a chuva serôdia costumava cair no fim da estação.
Por isso, também era conhecida como “últimas chuvas”. Era uma chuva
muito bem-vinda, mas pela qual era preciso esperar. Da mesma forma, a
palavra de Deus para aquele que crê é: “Espere em mim, porque a minha
saída é certa. As bênçãos aguardadas descerão como chuva sobre você”.
Quando nos voltamos para Deus, obedecemos à sua voz e nos dispomos
a esperar, criamos a situação propícia para que a restauração aconteça. E,
como vasos colados com ouro, nossas vidas se tornarão ainda mais radiantes
do haviam sido antes das dificuldades. Persevere e verá, porque aquele que
prometeu é fiel!
Como são belas as promessas de restauração! Elas servem de lenço para
enxugar as lágrimas dos nossos olhos, e de mapa para ajudar-nos no caminho
da superação. Elas nos lembram de que nada é impossível para o Deus Todo-
Poderoso.
Nas montanhas da Suíça, existe um templo muito bonito conhecido
como Mountain Valley Cathedral. Os que o visitam se encantam com a
imponência de suas colunas e a riqueza de seus vitrais. Mas a maior atração
do templo é, sem sombra de dúvidas, o enorme órgão de tubos instalado em
sua nave. Do instrumento saem sons incríveis que atraem viajantes de todas
as partes do mundo.
Alguns anos atrás, o majestoso órgão apresentou um defeito, e parou de
funcionar. Especialistas de toda a Europa foram chamados para consertá-lo,
mas não obtiveram êxito. O mecanismo era complexo e refinado demais até
para as mentes mais brilhantes. Com tristeza, os moradores da cidade tiveram
que se acostumar ao silêncio e à ausência dos acordes vibrantes que, antes,
faziam as vidraças tremerem.
Certo dia, um homem idoso chegou àquele lugar.
– Por que o órgão não está tocando?, perguntou ele ao entrar na catedral.
– O instrumento está quebrado e ninguém é capaz de consertá-lo,
disseram os responsáveis pelo local.
– Posso examiná-lo?, perguntou o ancião.
Os administradores se entreolharam, e, concluindo que não tinham nada
a perder, concederam a permissão.
O ancião trabalhou no antigo instrumento por quatro dias seguidos. Por
fim, dando o conserto por concluído, assentou-se ao teclado e começou a
tocar um hino. A música se espalhou pelo santuário e ganhou as ruas da
cidade.
– O órgão voltou a funcionar!, gritaram os moradores, acorrendo ao
templo.
Todos ficaram muito felizes. Eles começaram a acompanhar o hino que
estava sendo tocado e a louvar a Deus.
Admirados, os administradores da catedral perguntaram ao homem
idoso:
– Como foi que você fez isso? Nem os maiores especialistas foram
capazes de desvendar os segredos deste instrumento! Como você conseguiu
restaurar o órgão?
– A razão é muito simples, respondeu o ancião. Quem fez esse órgão fui
eu.
Lembre-se: o Deus que fez todas as coisas é capaz de refazer todas as
coisas. Foi ele quem criou você, e, certamente, pode consertar o que está
quebrado. Ele é capaz de restaurar a sua história e a sua alma. Portanto,
anime-se! Permita que o Senhor opere em seu caráter, e dê-lhe tempo para
trabalhar em suas circunstâncias. De um coração emudecido ainda se
erguerão alegres e vibrantes salmos de louvor. Deus fará novas todas as
coisas, se você tão somente confiar.
38
Promessas de libertação
Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres
(Jo 8.36).
“Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na
tempestade, dá que ouçamos tua voz!”
As palavras acima compõem o estribilho do Hino à Proclamação da
República do Brasil (letra de Medeiros e Albuquerque). Sem dúvida, a
liberdade é o anseio dos povos e indivíduos. Cantada em verso e em prosa,
ela é o ideal e o sonho de todos. Contudo, quantos chegam, realmente, a
desfrutá-la?
O Senhor tem prometido libertar, pelo seu poder, aqueles que se
entregam a Cristo. Ele pode cortar as amarras espirituais que mantêm as
pessoas cativas e resgatá-las da opressão. Uma vez que nossos grilhões
tenham sido quebrados pelo Filho de Deus, passamos a gozar uma verdadeira
liberdade.
Como prova disso, na Bíblia Sagrada encontramos as seguintes
afirmações:
“O Senhor é o meu rochedo, a minha fortaleza e o meu libertador.” (2
Sm 22.2.)
“Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há
liberdade.” (2 Co 3.17.)
“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade.” (Gl 5.13.)
Essas declarações são fiéis. Aqueles que fizeram prova têm atestado que
o Senhor é bom. Eles testemunham a respeito da libertação que Deus
proporciona. Como o salmista, eles se acham em condições de dizer:
“Trouxe-me para um lugar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em
mim” (Sl 18.19).
De que liberdade essas pessoas estavam falando? De quais cadeias nos
livra o Salvador das nossas almas?
JESUS NOS LIBERTA DOS LAÇOS DO DIABO
Devemos acreditar sempre na transformação dos indivíduos, “corrigindo
com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o
arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, e que se desprendam
dos laços do diabo (por quem haviam sido presos) para cumprirem a vontade
de Deus” (2 Tm 2.25,26).
Alguns homens e mulheres se acham enredados nas teias de Satanás. O
demônio é astuto. Ele coloca diante de nós os seus laços de amargura,
infidelidade, vício e mentira. Seu objetivo é capturar as nossas almas, roubar
a nossa alegria e destruir a nossa paz. Cristo, porém, tem poder para
despedaçar as cadeias. Ele abre as celas e desfaz as armadilhas. Ele frustra os
intentos do Inimigo.
Jesus nos dá uma nova vida ao desprender-nos dos laços do diabo. Davi
comparou essa ação libertadora do Senhor ao livramento experimentado por
uma ave capturada por um caçador. Ele escreveu: “Escapamos, como um
pássaro do laço dos passarinheiros; o laço quebrou-se, e nós escapamos” (Sl
124.7). Como um passarinho desfrutando a liberdade dos céus, recebemos
uma nova vida. Louvado seja Deus!
Hoje, muitos se encontram escravizados por Satanás. Estão aprisionados
ao álcool, a relacionamentos pecaminosos, à lascívia, ao ressentimento e a
outros ardis do príncipe das trevas. É uma situação muito triste. Contudo,
existe esperança. Há uma promessa endereçada àqueles que se acham cativos
e oprimidos. Se o Filho os libertar, verdadeiramente serão livres. Não há
poder maior do que o poder do Salvador.
JESUS NOS LIBERTA DOS ATAQUES DE
SATANÁS
Quando percebe que não pode mais nos escravizar, o que o diabo faz?
Ele começa a perseguir-nos! Satanás é homicida desde o princípio. Ele nos
mataria se tivesse oportunidade. Entretanto, desde que tenhamos clamado
pelo nome de Jesus, nos colocamos sob a proteção do Redentor. A promessa
do Senhor para os crentes em Cristo é: “Fiel é o Senhor, o qual vos
confirmará e guardará do Maligno” (2 Ts 3.3).
Deus não apenas nos liberta dos laços do mal: ele nos coloca sob sua
proteção pessoal. Satã pode andar à nossa volta bramando como um leão,
babando e espumando, mas não será capaz de nos tocar. Aquele que se acha
debaixo dos cuidados de Cristo está seguro. Aleluia! Por isso é tão importante
que uma pessoa se arrependa e passe a viver em santidade. Ela estará segura e
poderá andar confiadamente. Nenhum cordeiro tem que se preocupar com o
lobo quando está junto do seu pastor.
Existe uma fábula judaica que fala sobre uma ovelha que, correndo de
um lobo esfomeado, refugiou-se no templo de Jerusalém. O lobo não podia
entrar no lugar; então, ficou do lado de fora, uivando e rosnando. Depois de
algum tempo, com um ar malicioso, ele gritou:
– Ei, ovelha! Você não pode ficar aí para sempre! O sacerdote vai
sacrificá-la!
Mas a ovelha respondeu:
– Eu prefiro ser sacrificada para Deus a ser devorada por você!
Foi uma excelente resposta, você não acha? E, no entanto, tantas pessoas
– recusando-se a entregar suas vidas como um sacrifício vivo a Deus –
acabam sendo devoradas por Satanás!
Estaremos sempre debaixo de alguma forma de governo. Ou seremos
servos de Deus, ou seremos escravos do diabo. A melhor escolha, sem
dúvida, é entregar nosso coração ao Senhor. Sejamos um sacrifício vivo,
santo e agradável sobre o seu altar!
JESUS NOS LIBERTA DAS MALDIÇÕES
Além de não precisar se preocupar com o diabo, o crente fiel em Cristo
também pode ficar descansado no que diz respeito às maldições. Tem gente
que vive sobressaltada com a possibilidade de que possa ter herdado alguma
maldição dos seus antepassados, ou de que tenha sido vítima de algum ritual
maligno. Mas, pelo sangue de Jesus, somos libertos das maldições.
O povo do Senhor é um povo protegido. “Contra Jacó, pois, não há
encantamento, nem adivinhação contra Israel”, diz a Bíblia (Nm 23.23). Não
precisamos ter medo de pragas, maleficências, quebrantos, macumba,
bruxedos, sortilégios, trabalhos, mandingas, despachos, feitiços ou coisas
semelhantes. “Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu
voar, assim a maldição sem causa não encontra pouso”, diz a Escritura (Pv
26.2). Estamos guardados pelo nome de Jesus.
A quebra de maldições existe, e se chama conversão. Jesus nos libertou
do poder das trevas (Cl 1.13). Ele nos resgatou da maldição (Gl 3.13). Nele,
temos verdadeira liberdade. Portanto, vivamos com a segurança que o Senhor
conquistou para nós. Desfrutemos a paz perfeita que o Salvador nos oferece.
JESUS NOS LIBERTA DOS RIGORES DA LEI
Antes da vinda de Cristo ao mundo, as pessoas viviam sob o peso da lei.
Os judeus tentavam alcançar a sua salvação através da obediência aos
mandamentos. Eles acreditavam que precisavam cumprir 613 preceitos,
divididos em 365 proibições e 248 determinações. Mas, na verdade, a
quantidade de normas era ainda maior, porque os líderes religiosos estavam
sempre acrescentando novas regras através das suas próprias tradições. Era,
realmente, um fardo muito pesado.
Apesar de todo o esforço, nenhuma pessoa conseguia cumprir a lei
integralmente. Por esse mesmo motivo, ninguém era salvo por ela. Os
mandamentos mostravam aos homens o quanto eles eram pecadores, mas não
lhes davam forças para que vencessem o pecado. Por isso, alguns se
tornavam hipócritas e legalistas, ao mesmo tempo em que outros se sentiam
esmagados pela culpa e pelo fracasso.
“Mas agora”, diz-nos o Novo Testamento, “fomos libertos da lei,
havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em
novidade de espírito e não na velhice da letra” (Rm 7.6). Nosso Redentor
cumpriu toda a lei e trouxe-nos salvação através do seu sangue. “A lei foi
dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” (Jo
1.17.) Os mandamentos cumpriram sua missão e nos conduziram ao território
da nova aliança. Desse modo, “a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a
Cristo, a fim de que pela fé nele fôssemos justificados. Mas, depois que veio
a fé, não estamos debaixo do aio” (Gl 3.24,25).
Como é bom não termos que buscar a nossa própria justificação por
meio da observância de regulamentos! A lei é boa para apontar nossas
obrigações, mas impotente para nos capacitar a cumpri-las. Se alguém tentar
se salvar pela lei acabará preso nas malhas do orgulho ou do desespero. Nas
palavras de Martinho Lutero, “a lei diz: ‘Faça isso’, e isso nunca é feito. A
graça diz: ‘Crê nisso’, e tudo já está feito”.
A mudança é da água para o vinho!
Somos bem-aventurados por estarmos sob a graça, e não debaixo da lei!
JESUS NOS LIBERTA DA ESCRAVIDÃO DO
PECADO
Não somos legalistas, mas tampouco somos antinomianos. Não usamos
da nossa liberdade para dar ocasião à carne (Gl 5.13). Algumas pessoas
confundem liberdade com libertinagem. Elas pensam que ser livres significa
fazer tudo o que querem. Mas a verdade é que se fizermos escolhas erradas
acabaremos perdendo a independência que tanto prezamos. “Todo aquele que
comete pecado é escravo do pecado”, ensinou-nos o Mestre (Jo 8.34).
O pecado é, de fato, escravizante. Trata-se de algo inerente à sua própria
natureza. Ele acorrenta, vicia, domina e degrada. Nenhum pecado é pequeno,
inocente, indiferente ou inofensivo. Entretanto, Cristo veio ao mundo para
despedaçar os grilhões do pecado. “Agora, libertos do pecado e feito servos
de Deus, tendes o vosso fruto para santificação e, por fim, a vida eterna”,
declara-nos a Escritura (Rm 6.22).
Os crentes em Cristo ainda pecam ocasionalmente, é verdade. Contudo,
eles não são mais escravos do pecado. Receberam um novo coração. Foram
feitos novas criaturas. Os servos de Deus não se tornam impecáveis antes de
chegar ao céu, mas já obtêm vitórias sobre o pecado aqui na terra. “O pecado
não mais terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas
debaixo da graça”, assegura-nos a Bíblia (Rm 6.14). Que gloriosa promessa!
Transformados pelo poder do Senhor, podemos finalmente fazer aquilo
que é certo. Jesus nos ajuda, a Bíblia nos orienta, os irmãos nos encorajam, o
Espírito nos capacita, e o Pai nos aceita. Temos paz com Deus e com a nossa
consciência. Não tememos o passado nem receamos o futuro. Tudo isso,
evidentemente, é muito libertador. A felicidade de agradar a Deus supera
qualquer satisfação que os prazeres ilusórios do mundo possam proporcionar.
A liberdade do cristão não é o direito de fazer o que ele quer, mas a
alegria de fazer o que Deus quer (Agostinho de Hipona).
Jesus liberta: que verdade arrebatadora! Deus é maravilhoso!
Incomparável é a sua graça! Por causa do sacrifício levado a termo na cruz,
não precisamos viver aprisionados aos laços do diabo, aos ataques do inferno,
às ameaças das maldições, aos rigores da lei ou à escravidão do pecado.
Somos verdadeiramente livres.
Sendo assim, pelo que trocaríamos essa liberdade? Por que motivo
renunciaríamos a ela? Por qual razão deixaríamos de desfrutá-la? A nossa
liberdade em Cristo é algo extraordinário. Para concedê-la a nós, o Salvador
pagou um preço elevadíssimo. Tornaríamos, então, aos rudimentos da lei?
Cederíamos às ofertas do Tentador? Viveríamos debaixo do medo?
Permaneceríamos no pecado?
A poucos quilômetros de Manaus, no Amazonas, estão as ruínas da
cadeia de Paricatuba. O cenário é bastante curioso. Com o passar do tempo, a
maior parte do edifício ruiu, e a selva tomou de volta o espaço que um dia lhe
pertencera. O telhado, as grades, as portas e as janelas da prisão há muito
desapareceram. Agora, árvores gigantescas lançam raízes que se estendem de
cima a baixo pelas paredes, envolvendo-as em seu abraço. O chão de pedras
frias é coberto por um tapete de folhas. E a luz radiante do sol se derrama por
cada centímetro do espaço aberto.
Uma pessoa que visite as ruínas de Paricatuba poderá formular a
seguinte pergunta: “Existe um modo de alguém ser mantido prisioneiro nessa
cadeia? Não há portas, grades, algemas, e nem mesmo um telhado. Poderia
alguma pessoa ficar detida nessa prisão?” E a resposta seria: “Sim..., mas
apenas se essa pessoa quisesse!”
Essa é, exatamente, a situação na qual muitos cristãos se encontram.
Infelizmente, há crentes que não estão gozando real liberdade. Eles deram
lugar ao pecado em suas vidas, retrocederam ao legalismo, alimentaram a
mágoa, entregaram-se ao temor e perderam a esperança. Contudo, eles não
precisam viver assim. A cadeia foi derrubada. A prisão foi destruída. Só
permanece nela quem quer.
“Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos
dobreis novamente a um jugo de escravidão”, alerta-nos a Palavra de Deus
(Gl 5.1). Se você percebe que existe algo aprisionando a sua alma, volte-se
para Cristo neste instante! Ele é o nosso Salvador, e, também, o nosso
Libertador. Ele ouvirá a sua confissão, atenderá ao seu pedido e quebrará as
suas correntes. Dê, agora mesmo, esse passo de fé!
39
As promessas do Natal
Portanto, o SENHOR mesmo vos dará um sinal: eis que uma
virgem conceberá e dará à luz um filho, e será o seu nome
Emanuel (Is 7.14).
Quando os astronautas chegaram à lua, o mundo inteiro foi tomado
pela comoção. O presidente Richard Nixon, num acesso de ufanismo, chegou
a dizer que aquele era o maior acontecimento da história. O evangelista Billy
Graham, porém, se apressou a corrigi-lo. Ele disse:
“O maior acontecimento da história não foi o homem subir e pisar na
lua, foi Deus descer e pisar na terra.”
Verdadeiramente, o nascimento de Jesus assinalou a data mais
importante do calendário mundial. O Verbo se fez carne! Deus virou gente! O
Criador do universo se tornou como uma de suas criaturas a fim de salvar os
que se haviam perdido! Tão fantástico foi o primeiro Natal que uma estrela
apareceu no céu, anjos cantaram nos montes, e magos viajaram desde o
Oriente para adorar o Salvador.
O nascimento de Jesus trouxe um alvorecer de esperança para toda a
humanidade. Ele também representou o cumprimento de muitas promessas.
Desde as páginas do Antigo Testamento, os profetas haviam anunciado a
vinda do Filho de Deus. Centenas de profecias se cumpriram literalmente na
vida de Jesus de Nazaré. Não há maneira de isso ter acontecido por mera
coincidência. Os matemáticos afirmam que a chance de todas as profecias
messiânicas se cumprirem por acaso na vida de uma pessoa seria de uma em
um trilhão elevado à décima quinta potência. Isso equivaleria ao número de
átomos existentes no universo multiplicado por um trilhão elevado à quinta
potência. Em outras palavras: seria algo totalmente impossível.
Não, não foi por acaso. Nada aconteceu por coincidência. As profecias
se cumpriram na vida de Cristo porque ele foi o prometido de Deus. As
promessas do Natal são belas porque falam do nascimento da criança de
Belém. Elas são preciosas porque não deixam dúvidas a respeito da sua
identidade.
As promessas do Natal tocam o nosso coração de uma forma singular.
Desde a infância, os versos bíblicos que falam sobre a vinda de Jesus figuram
entre os nossos favoritos. Depois de nos tornarmos adultos, nada muda em
nosso apreço por eles. As profecias que se cumpriram no nascimento do Filho
de Deus nos fascinam por sua exatidão e nos emocionam por sua beleza.
AS PROMESSAS DO NATAL SE CUMPRIRAM
Deus prometeu que o ministério do Salvador seria exercido
principalmente na desprezada região da Galileia, derramando, assim, luz
sobre um povo em trevas:
“Mas para a que estava aflita não haverá escuridão. Nos primeiros
tempos, ele envileceu a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas nos
últimos tempos, fará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, a Galileia
dos gentios. O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que
habitavam na terra de profunda escuridão resplandeceu a luz.” (Is 9.1,2.)
O Senhor afirmou também que o irromper dessa luz se daria pelo
nascimento de um menino, dando-lhe títulos indicadores da sua divindade:
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo estará
sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus
Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e da paz não
haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o estabelecer e o
fortificar em retidão e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do
Senhor dos Exércitos fará isso.” (Is 9.6,7.)
O bebê que haveria de nascer seria um descendente de Jessé, viria da
raiz de Davi, e se tornaria um homem que reinaria sobre todos os povos:
“Naquele dia, a raiz de Jessé será posta por estandarte dos povos, à
qual recorrerão as nações; gloriosas lhe serão as suas moradas.” (Is 11.10.)
Ao cumprir a sua missão, o enviado do Senhor abençoaria todas as
famílias da terra, e também obteria o reconhecimento dos grandes e
poderosos do mundo:
“Sim, pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó
e tornares a trazer os preservados de Israel; também te porei por luz das
nações, para seres a minha salvação até a extremidade da terra. Assim diz o
Senhor, o Redentor de Israel, e o seu Santo, ao que é desprezado dos
homens, ao que é aborrecido das nações, ao servo dos tiranos: Os reis o
verão e se levantarão, como também os príncipes, e eles te adorarão, por
amor do Senhor, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu. Assim diz o
Senhor: No tempo aceitável, te ouvi e no dia da salvação te ajudei; e te
guardarei, e te darei por pacto do povo, para restaurares a terra e lhe dares
em herança as herdades assoladas; para dizeres aos presos: Saí; e aos que
estão em trevas: Aparecei. Eles pastarão nos caminhos e em todos os altos
desnudados haverá o seu pasto. Nunca terão fome nem sede: não os afligirá
nem a calma nem o sol; porque o que se compadece deles os guiará e os
conduzirá mansamente aos mananciais das águas.” (Is 49.6-10.)
Esse enviado do Senhor, embora realizasse grande parte de seu
ministério na Galileia, haveria de nascer na Judeia, na cidade de Davi,
conhecida como Belém:
“Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares
de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas
saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto, os
entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então, o
resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá e
apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor,
seu Deus; e eles permanecerão, porque, agora, ele será grande até aos fins
da terra. E este será a nossa paz.” (Mq 5.2-5.)
Quando chegou a plenitude dos tempos, um anjo apareceu a uma virgem
de Nazaré, e lhe deu a boa notícia de que as promessas se cumpririam:
“Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante
de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de
Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; o Senhor Deus
lhe dará o trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de
Jacó, e o seu reino não terá fim. Então Maria perguntou ao anjo: Como se
fará isso, uma vez que não conheço varão? Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre
ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por
isso, o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus”. (Lc 1.30-35.)
A situação sem precedentes fez com que o noivo de Maria pensasse em
abandoná-la, mas novamente um anjo foi enviado com orientações divinas:
“E, projetando ele isso, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do
Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher,
pois o que nela se gerou é do Espírito Santo; ela dará à luz um filho, a quem
chamarás Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Ora, tudo
isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo
profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será
chamado Emanuel, que traduzido é: Deus conosco.” (Mt 1.21-23.)
Maria e José, então, viajaram para Belém da Judeia, e lá o menino
nasceu. Por causa das ameaças de Herodes, José foi avisado de que deveria
fugir para o Egito. E isso concorreu para que outra profecia se cumprisse:
“Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o
Egito, e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora
dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho.” (Mt
2.14,15.)
Após a morte do rei, José retornou com a família para Nazaré, o que
levou ao cumprimento de mais uma promessa:
“Mas avisado em sonho por divina revelação, retirou-se para as regiões
da Galileia, e foi habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se
cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado nazareno.” (Mt
2.22,23.)
E, assim, o Filho de Deus veio ao mundo, tal qual os antigos profetas
haviam previsto, e os anjos do Senhor haviam anunciado:
“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de
verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (Jo 1.14.)
Jesus nasceu! Aleluia! Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos
homens de boa vontade! Não estamos esperando pela vinda de um libertador
– o Salvador já veio! Não estamos nos referindo ao nascimento de um
simples líder religioso – o bebê na manjedoura era o Deus encarnado! O
cumprimento das promessas do Natal significa que há esperança para todos.
“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus
enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos. Nisto
está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos
amou a nós e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1
Jo 4.9,10.)
ENTENDAMOS O VERDADEIRO SIGNIFICADO
DO NATAL
Lembramo-nos das promessas que se cumpriram no Natal, e deveríamos
nos lembrar, também, do seu significado. Ao longo de dois mil anos, muitas
tradições foram associadas a essa data. O Natal se transformou em uma
celebração mundial que mobiliza bilhões de pessoas e movimenta trilhões de
dólares. Foi, porém, esvaziado do seu sentido.
Certo homem passava em frente à vitrine de uma loja com decoração
natalina. Entre outros enfeites, ele viu um presépio. Ali estavam figuras
representando Jesus, Maria, José, os pastores e os magos. Indignado, ele se
voltou para a esposa, que estava ao seu lado, e disse:
“Que absurdo! Estão misturando o Natal com religião!”
Isso mostra bem o ponto a que chegamos...
Às vezes, parece que para alcançarmos o significado do Natal
precisamos fazer uma espécie de escavação arqueológica. Mais
superficialmente, temos o Natal do comércio. É a face mais visível da data. O
costume de trocar presentes tornou-se tão popular que este Natal é
comemorado até em países que não são cristãos. Com um pouco mais de
profundidade, encontramos o Natal da tradição. Reuniões de família,
comidas típicas, músicas e bebidas próprias da época remetem a este nível,
assim como as luzes coloridas e as árvores enfeitadas. Escavando uma
camada abaixo, encontramos o Natal da emoção. Ele se caracteriza pela
associação que é feita entre os festejos natalinos e determinados valores, tais
como amizade, fraternidade, comunhão e solidariedade. Chegando ao Natal
da história, começamos a nos aproximar do real sentido da data. Recordamos
que há dois milênios uma criança nasceu em Belém e dividiu ao meio a
história da humanidade. Mas ainda é preciso ir um pouco mais fundo. A
lembrança do fato histórico deve remeter-nos à mais importante camada da
nossa escavação: o Natal da salvação. Desde o nascimento de Cristo, temos
um Salvador, e a vida eterna é concedida a todo aquele que, pela fé, lhe
entrega o coração.
Seria tão bom que a popularidade do Natal conduzisse o olhar das
pessoas para o seu significado mais profundo! Quanto a nós, precisamos ter
em mente que mais importante do que festejar o Natal de Cristo é conhecer o
Cristo do Natal!
REVIVAMOS A RIQUEZA DO PRIMEIRO
NATAL
Somos convidados a relembrar o verdadeiro significado do Natal e,
também, a recuperar a beleza da data original. Se fizermos isso,
descobriremos que muito daquilo que a sociedade valoriza em suas
comemorações de fim de ano não tem, na verdade, qualquer importância.
Perceberemos igualmente que o primeiro Natal, embora tenha sido mais
singelo, foi infinitamente mais rico e significativo.
No primeiro Natal, não houve neve, árvores enfeitadas, luzes piscando,
cartões coloridos, tampouco meias penduradas na lareira à espera de Papai
Noel. No primeiro Natal, não houve troca de presentes, brincadeira de
“Amigo X”, sorteio de brindes, festa de fim de ano, e nem mesmo uma
confraternização familiar. No primeiro Natal, não houve peru, tender, chester,
rabanada, pernil, torta, nozes, castanhas, avelãs, panetone nem chocolate.
No primeiro Natal, houve disposição de obedecer. Maria e José,
divinamente avisados de que em seu lar nasceria o Salvador, consagraram
suas vidas a fim de que os planos de Deus se cumprissem.
No primeiro Natal, houve vontade de ajudar. Um morador anônimo de
Belém, vendo a situação difícil daquele casal de viajantes, cedeu sua humilde
estrebaria. E ali, naquele lugar tão simples, nasceu o Rei dos reis.
No primeiro Natal, houve proclamação do evangelho. Um coro de anjos
disse aos pastores que o Salvador havia nascido, e estes, depois de haverem
verificado o que lhes fora anunciado, saíram por toda parte testemunhando da
graça de Deus.
No primeiro Natal, houve consagração a Cristo. Os magos vieram do
Oriente, desafiando a distância e o perigo, para adorar o Filho de Deus.
Chegando a Belém, ofereceram não apenas seus tesouros, mas suas próprias
vidas em devoção a Jesus.
Pensando em todas essas verdades, respondamos à pergunta: terá sido o
primeiro Natal mais pobre do que aquele que temos em nossos dias? Não, de
forma alguma! Na verdade, é o Natal moderno, com seu consumismo e
superficialidade, que empalidece quando comparado aos milagres e à beleza
do primeiro Natal! Portanto, resgatemos o real significado dessa ocasião!
Recuperemos sua riqueza! Revistamo-nos de obediência, compaixão,
dedicação e testemunho! Adoremos ao Redentor!
Quando olhamos tempo demais para alguma coisa, corremos o risco de
deixar de enxergá-la. Parece que é isso o que acontece com muitas pessoas
com relação ao Natal. A festa vem e vai, mas nada muda em suas vidas. Elas
comemoram a vinda do Salvador, e, no entanto, continuam sem salvação.
As promessas do Natal nos ajudam a entender seu significado e a
resgatar sua riqueza. Elas alegram os nossos corações e mantêm nosso olhar
voltado para a direção correta. Deus nos amou e enviou seu Filho. Não
podemos transformar o mundo. Não podemos sequer transformar a nós
próprios. Mas existe Alguém que pode.
O mundo não pode salvar a si mesmo. Essa é a mensagem no Natal
(Timothy Keller).
Lembre-se disso na próxima vez que refletir nos fatos que envolveram o
nascimento do Filho de Deus. Renove as suas esperanças. Coloque-as no
lugar certo. E então, com a alma repleta de alegria e gratidão, adore ao
Senhor!
40
Jesus prometeu voltar
Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós (Jo 14.18).
Uma das mais maravilhosas promessas da Bíblia é a de que Jesus irá
voltar. Todos os filhos de Deus esperam ansiosamente por esse
acontecimento. O retorno de Jesus será um evento magnífico. Ele veio
discretamente, e voltará gloriosamente. Veio com humildade, e voltará com
majestade. Veio como Cordeiro, e voltará como Leão.
O Senhor não quis que tivéssemos qualquer dúvida sobre esse advento.
Há mais de 300 referências sobre o regresso de Jesus no Novo Testamento.
Podemos estar absolutamente certos com relação a essa verdade. Breve Jesus
voltará!
JESUS PROMETEU QUE IRIA VOLTAR
Tanto nos Evangelhos quanto no livro do Apocalipse, encontramos
palavras do Redentor anunciando a sua vinda. Mesmo antes de morrer na
cruz, Jesus já previa o seu regresso nas nuvens. Ele fez a promessa, e não
deixará de cumpri-la:
“Porque, assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra até o
Ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.” (Mt 24.27.)
“Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não
dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão
abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem, e todas as
tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do Homem sobre as nuvens
do céu, com poder e grande glória.” (Mt 24.29,30.)
“Quando, pois, vier o Filho do Homem na sua glória, e todos os anjos
com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão
reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor
separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os
cabritos à esquerda.” (Mt 25.31-33.)
“Venho sem demora.” (Ap 3.11.)
“Eis que cedo venho, e está comigo a minha recompensa, para retribuir
a cada um segundo a sua obra.” (Ap 22.12.)
“Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho.” (Ap
22.20.)
Jesus nos deixou essas promessas a fim de que conservássemos a
esperança, e também para que não fôssemos pegos de surpresa. Dizem que
certa rainha passava alguns dias no campo e decidiu visitar uma pequena
escola na região rural. Ao abrir a porta, porém, ela se deparou com uma cena
lamentável. A professora, desleixada, se ocupava dos seus próprios assuntos,
enquanto as crianças promoviam uma grande desordem. Ao verem a
soberana, todos ficaram envergonhados. A rainha disse simplesmente: “Eu
voltarei”. E, em seguida, fechou a porta e deixou o lugar. Como você acha
que aquela professora e seus alunos passaram a se comportar desde então? É
desse modo que Jesus espera que nos comportemos: preparados para a sua
volta!
A PROMESSA DE JESUS FOI REAFIRMADA
Depois que Jesus ressuscitou e subiu aos céus, muitos outros
confirmaram a sua palavra, reafirmando a promessa de que o Salvador iria
regressar. As profecias sobre o retorno de Cristo estão entre as mais
numerosas de toda a Escritura:
“Estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que
junto deles apareceram dois varões vestidos de branco, os quais lhes
disseram: Varões galileus, por que ficais aí olhando para o céu? Esse Jesus,
que dentre vós foi elevado para o céu, há de vir assim como para o céu o
vistes ir.” (At 1.10,11.)
“Porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o
mundo, por meio do varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a
todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” (At 17.31.)
“De maneira que nenhum dom vos falta, enquanto aguardais a
manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Co 1.7.)
“Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o
qual não só trará luz às coisas ocultas das trevas, mas também manifestará
os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o seu louvor.”
(1 Co 4.5.)
“Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice
estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.” (1 Co 11.26.)
“Mas a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos um
Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa
humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz
poder de até sujeitar a si todas as coisas.” (Fp 3.20,21.)
“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós
vos manifestareis com ele em glória.” (Cl 3.4.)
“E esperardes dos céus a seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os
mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira vindoura.” (1 Ts 1.10.)
“Para vos confirmar os corações, de sorte que sejam irrepreensíveis em
santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda do nosso Senhor Jesus com
todos os seus santos.” (1 Ts 3.13.)
“Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que
ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que
já dormem.” (1 Ts 4.15.)
“Porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá
como vem o ladrão de noite; pois, quando estiverem dizendo: Paz e
segurança! Então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de
parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão. Mas vós,
irmãos, não estais em trevas, para que aquele dia, como ladrão, vos
surpreenda; porque todos vós sois filhos da luz.” (1 Ts 5.2-5.)
“É justo diante de Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos
atribulam, e a vós, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando
do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder em chama de
fogo.” (2 Ts 1.6,7.)
“Quando naquele dia ele vier para ser glorificado nos seus santos e
para ser admirado em todos os que tiverem crido.” (2 Ts 1.10.)
“E então será revelado esse iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com
o sopro da sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda.” (2 Ts
2.8.)
“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória
do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.” (Tt 2.13.)
“Assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados
de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para
salvação.” (Hb 9.28.)
“Sede vós também pacientes; fortalecei os vossos corações, porque a
vinda do Senhor está próxima.” (Tg 5.8.)
“Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e
esperai inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus
Cristo.” (1 Pe 1.13.)
“E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível
coroa da glória.” (1 Pe 5.4.)
“Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão
com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as
obras que nela há, serão descobertas.” (2 Pe 3.10.)
“Aguardando, e desejando ardentemente a vinda do dia de Deus, em
que os céus, em fogo, se dissolverão, e os elementos, ardendo, se fundirão.”
(2 Pe 3.12.)
“E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se
manifestar, tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na
sua vinda.” (1 Jo 2.28.)
“Eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos, para executar
juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as obras de
impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que
ímpios pecadores contra ele proferiram.” (Jd 14,15.)
“Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que
o transpassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim.
Amém”. (Ap 1.7.)
“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava montado nele
chama-se Fiel e Verdadeiro, e julga e peleja com justiça.” (Ap 19.11.)
Como são belas essas promessas! Elas ocupam um lugar central na fé
cristã e no coração dos crentes. O retorno de Cristo não é um assunto sobre o
qual alguém tenha falado rapidamente. Não é uma coisa que algum autor
tenha mencionado de passagem. Pelo contrário: é uma doutrina enfatizada
repetidamente nas Escrituras. É algo em que devemos crer. É algo que
devemos anunciar. É algo por que devemos esperar.
No cerne da verdade redentora bíblica está a esperança abençoada do
glorioso segundo advento pessoal de Jesus Cristo (George Eldon Ladd).
A VOLTA DE JESUS SERÁ PRECEDIDA DE
SINAIS
O que podemos afirmar sobre a volta do Redentor? A Bíblia diz que ela
será inesperada. Ninguém poderá prever o dia e a hora exatos (Mt 24.36).
Não por acaso, todos os que tentaram fixar datas para o retorno de Cristo e o
fim do mundo falharam. Ainda assim, o Senhor nos deixou informações
sobre o que aconteceria antes desse grande evento. Dentre os sinais da volta
de Jesus, podemos citar os seguintes:
1. Haverá um esfriamento do amor (Mt 24.12);
2. Ocorrerão guerras, terremotos, epidemias e fomes (Lc 21.10,11);
3. Surgirá o anticristo, o líder da perseguição mundial (2 Ts 2.1-3);
4. Haverá uma grande perseguição aos cristãos (Mt 24.9);
5. O evangelho será pregado em todo o planeta (Mt 24.14).
Temos visto esses sinais se cumprirem, o que indica que a nossa
redenção está próxima (Lc 21.28). O cumprimento das profecias deve
alimentar a nossa confiança, e, também, motivar-nos a uma vida de santidade.
Os soldados que são colocados como sentinelas não podem abandonar o seu
posto. Eles precisam ser responsáveis e vigilantes. É com essa atitude que eu
e você devemos aguardar a vinda do Senhor.
A VOLTA DE JESUS SERÁ SUCEDIDA DE
ACONTECIMENTOS
No dia em que Jesus regressar sobre as nuvens, muitos outros
acontecimentos se seguirão. O cumprimento da promessa da volta de Cristo
levará ao cumprimento de várias outras promessas. Que dia glorioso será
aquele! Quantos eventos inesquecíveis nós iremos testemunhar! De acordo
com a Escritura, tão logo o Redentor se manifeste, terão lugar as seguintes
ocorrências:
1. Os mortos ressuscitarão com um corpo incorruptível (1 Ts 4.16);
2. Os vivos receberão corpos incorruptíveis (1 Co 15.52);
3. Os salvos serão arrebatados ao encontro do Senhor nos ares (1 Ts
4.17);
4. Será realizado o juízo final (Ap 20.11,12);
5. Os ímpios seguirão para o lago de fogo, e os justos, para o novo céu e
nova terra (Ap 20.15; 21.1).
A volta de Cristo desencadeará uma sequência de fatos extraordinários
que levarão a história ao seu fim. A que poderemos comparar esse momento?
Costumo compará-lo à fervura do leite. Muitos de nós, quando éramos
crianças, tivemos que vigiar, a pedido de nossas mães, o leite que era
colocado em uma vasilha para ferver. Passávamos vários minutos em frente
ao fogão, e nada acontecia. E então, de repente, o leite atingia o ponto de
fervura, e se expandia rapidamente. Se nos distraíssemos por um segundo, o
leite transbordava da vasilha, e um verdadeiro desastre acontecia! O mesmo
ocorrerá quando Cristo retornar. Muitas pessoas pensarão que nada está
acontecendo e ficarão distraídas. Contudo, quando um evento tiver lugar,
vários outros se seguirão. Tudo acontecerá muito rapidamente. Portanto,
devemos estar atentos. Temos que vigiar.
A VOLTA DE JESUS CUMPRIRÁ TODAS AS
PROMESSAS
Com o retorno de Cristo e os acontecimentos que o acompanharão, as
derradeiras promessas haverão de se cumprir. Nenhuma de todas as palavras
do Senhor cairá por terra. Nada ficará por acontecer. Tudo se realizará.
Adentraremos uma eternidade de paz, alegria, vitória e adoração. Eis o que
Deus tem preparado para nós:
1. Viveremos em um novo céu e uma nova terra (Ap 21.1);
2. Estaremos para sempre com o Senhor (1 Ts 4.17);
3. Receberemos a nossa recompensa (Cl 3.24);
4. Desfrutaremos alegria eterna (Ap 21.4);
5. Tudo estará feito (Ap 21.6).
O Senhor não deixará nada inacabado. Tudo haverá de se cumprir. Não
haverá mais temor, sofrimento, engano ou decepção. Estaremos com Jesus
para sempre. Diante de tão maravilhosa expectativa, o que podemos dizer?
Como o apóstolo João, exclamemos: “Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap
22.20) A letra da música Autor da Minha Fé, composta por Paulo Cezar, diz
em suas últimas linhas: “Eis o consolo que envolve a minha vida: o meu
Senhor Jesus – que foi morto, sim, naquela cruz – voltará, voltará, enfim. Por
isso eu canto glória. Glória, glória, ao Autor da minha fé!”
E diante dessas palavras, só nos resta dizer: “Amém!”
Jesus voltará! Contemplar a face de Cristo é a grande esperança do
cristão. Quando os escritores do Novo Testamento falavam sobre o futuro,
não diziam: “Eu vou para o céu”. Eles falavam: “Eu vou estar com Jesus”.
Jesus é o melhor do céu! Ele é o melhor do universo, o melhor da eternidade,
o melhor de tudo! Todas as promessas se cumprem em Jesus (2 Co 1.20). E,
quando Jesus voltar, terão se cumprido todas as promessas.
Uma menina foi ao culto no domingo pela manhã, e ouviu o pastor
pregar sobre a volta de Cristo. A mensagem deixou-a muito impressionada.
Na volta para casa, enquanto caminhava de mãos dadas com sua mãe, ela lhe
perguntou:
– Mãe, quer dizer então que Jesus vai voltar?
– Sim, minha filha, respondeu a mãe.
– E ele pode voltar a qualquer momento?
– Sim, querida, tornou sua mãe.
E a garota, então, pediu:
– Mãe, você poderia me fazer um favor? Poderia pentear o meu cabelo?
Deveríamos aguardar a volta de Cristo com a mesma expectativa alegre
daquela menina. Deveríamos esperar por ele de cabelo penteado, de alma
lavada, de coração livre de mágoas, de vida isenta de pecados. Dessa
maneira, aproveitaríamos bem cada minuto da nossa existência, cada batida
do nosso coração.
Jesus voltará! Que gloriosa promessa!
Amém! Aleluia! Vem, Senhor Jesus!
Conclusão
O Deus da Bíblia é um Deus de promessas, e nós precisamos conhecer
as promessas do Senhor e confiar nelas. A beleza das revelações da Escritura
não está somente nas coisas que nos foram garantidas, mas, principalmente,
no caráter daquele que nos deu tais garantias. Podemos crer em tudo o que
nos foi dito. Podemos enfrentar as lutas acreditando na vitória. Podemos
confiar acima de qualquer dúvida, porque aquele que prometeu é fiel.
As promessas divinas são a base sólida sobre a qual podemos edificar
nossas vidas. Jó acreditava que nenhum plano do Senhor poderia ser
frustrado (Jó 42.2). E Jesus assegurou que os que ouvissem e praticassem os
seus ensinos seriam como uma casa construída sobre a rocha (Mt 7.24). Não
existe fundação mais segura do que as declarações do Senhor. “Seca-se a
erva, e murcha a flor, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente”,
disse o profeta (Is 40.8).
Ao encerrarmos este livro, devemos ter em mente que tão importante
quanto conhecermos as grandes promessas da Bíblia é nos lembrarmos de
quem as fez. Às vezes, quando examinamos a Escritura, nos deparamos com
uma afirmação tão maravilhosa que podemos ser tentados a pensar: “Isso é
bom demais para ser verdade!” Mas, então, recordamos que tal declaração
partiu do Senhor, e concluímos: “Isso tem que ser verdade!”
Deus sempre faz o que fala, e sempre cumpre o que promete. Nesse fato
reside a nossa segurança. “Além de meditar nas promessas, busque sempre
recebê-las em sua alma como as próprias palavras de Deus”, aconselhou o
pregador inglês Charles Spurgeon. “Se meditarmos nas promessas e
considerarmos aquele que as fez, experimentaremos a doçura delas e
receberemos o seu cumprimento.” Que convicção abençoadora! Você se
dispõe a abraçá-la de todo o coração?
Muitos anos atrás, um senhor bastante idoso chegou a um acampamento
da cavalaria dos Estados Unidos pedindo ajuda. Ele estava em um estado
lamentável, quase morto de fome e de frio. Os soldados, compadecidos,
envolveram-no em um cobertor, conduziram-no para perto da fogueira, e lhe
deram um pedaço de pão. Tudo indicava tratar-se de alguém que vivera na
pobreza por muito tempo.
Enquanto o ancião comia, os soldados perceberam que uma pequena
bolsa pendia de um cordão amarrado ao seu pescoço.
– O que você guarda aí dentro?, perguntou alguém.
– Um documento que recebi quando ainda era jovem, respondeu o
homem, retirando da sacola um pedaço de papel desbotado e passando-o à
mão de um soldado.
Após examiná-lo, o militar indagou:
– O senhor sabe o que está escrito aqui?
– Não; eu não sei ler, tornou o ancião.
O soldado, então, falou:
– Esta é uma dispensa do Exército Federal, com direito a uma pensão
financeira vitalícia, assinada pelo próprio general George Washington!
Assim como no caso daquele homem, muitas pessoas hoje estão vivendo
em aflição por ignorarem promessas que já lhes foram feitas. Não permita
que isso aconteça com você. Aposse-se das verdades bíblicas. Confie na
fidelidade do Senhor. Lance fora toda a incerteza. Persevere na fé. Desse
modo, você desfrutará a vida abundante e eterna que Cristo concede, e
experimentará a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. “Porque para isso
fostes chamados: para herdardes uma bênção.” (1 Pe 3.9.)
Onde estão as promessas
1. O DEUS DA BÍBLIA É UM DEUS DE PROMESSAS
2 Pe 1.4
Is 46.10
Is 55.11
Jr 1.12
Lc 21.33
Nm 23.19
1 Pe 1.25
Hb 6.17
Hb 10.23
Hb 6.18
Js 21.45
Is 1.19
Js 3.5
Ha 2.3
2 Pe 3.9
Mc 16.16
Mt 25.46
2 Co 1.20
Rm 8.31,32
2 Co 7.1
2. PROMESSAS: PRECISAMOS CONHECÊ-LAS E CONFIAR
NELAS
2 Cr 20.20
At 2.39
Gl 3.22
Is 42.9
1 Ts 4.13
Jr 17.7,8
Lm 3.25
Gl 3.11
Hb 10.38
Hb 4.2
Hb 10.36
1 Jo 5.10
Hb 11.6
Hb 6.11,12
Hb 11.33
Hb 6.15
Jo 11.40
Lc 17.5
3. A GRANDE PROMESSA DA SALVAÇÃO
1 Jo 2.25
Gn 3.15
Gn 12.3
Gn 49.10
Nm 24.17
Is 11.1,2
Is 22.22
Is 28.16
Jr 23.5
Gl 4.4,5
Jo 1.11,12
Jo 3.16
Jo 12.32
At 2.21
At 4.12
At 10.43
Rm 6.23
Rm 8.1
1 Co 15.22
Ef 2.8,9
Hb 7.25
Tt 1.2
Ap 13.8
2 Co 5.21
Hb 9.15
4. A PROMESSA DO LIVRAMENTO
Sl 18.30
Nm 10.9
Dt 31.8
Sl 9.9
Sl 34.7,8
Sl 37.28
Sl 46.1
Sl 50.15
Sl 68.20
Sl 91.1
Sl 97.10
Sl 121.7
Pv 18.10
Pv 29.25
Pv 30.5
Is 54.17
Jr 15.21
Na 1.7
Sf 3.15
Sf 3.17
Zc 2.5
Rm 8.37
2 Co 2.14
Ap 17.14
Dt 20.4
Êx 23.20
Sl 91.11
Hb 1.14
1 Co 10.13
1 Pe 1.6,7
Sl 121.1,2
5. A PROMESSA DA COMPANHIA
Js 1.9
Êx 33.15
Rm 8.35,38,39
Sl 34.18
Sl 138.6
Tg 4.6
Is 57.15
Sl 145.18
Pv 8.17
Tg 4.8
Ap 3.20
Mt 18.20
Jo 14.23
Jo 14.26
2 Co 5.19
Êx 20.24
Ef 1.3
Ex 33.14
Jr 30.11
Sl 23.4
Sl 56.9
2 Co 12.9
Hb 13.5
Mt 28.20
6. A PROMESSA DA CURA
Êx 15.26
Sl 103.3
Sl 107.20
Sl 147.3
Jr 17.14
Jr 30.17
Jr 33.6
Ml 4.2
Mt 8.17
Tg 5.14-16
1 Pe 2.24
Sl 41.3
Sl 48.14
Is 57.1,2
2 Co 4.16
2 Co 4.17
2 Co 5.1
Lc 22.42
Fp 2.27
7. A PROMESSA DO SUSTENTO
Fp 4.19
Gn 22.14
Sl 23.1
Sl 34.9
Sl 34.10
Sl 37.25
Sl 40.17
Sl 55.22
Sl 68.5
Sl 69.33
Sl 72.13
Sl 107.9
Is 49.15,16
Is 58.11
Is 64.4
Jr 31.25
Ez 34.26
Jl 2.26
Mt 6.33
Mt 11.28
Jo 6.35
2 Co 8.15
1 Pe 5.7
Pv 6.6
Rm 12.13
Fp 4.6
Sl 3.5
8. A PROMESSA DA PROSPERIDADE
Sl 1.3
Os 4.6
Sl 68.6
Pv 1.32
Tg 2.5
Sl 16.2
Lc 12.21
Pv 13.4
Pv 28.13
Ec 10.10
2 Cr 26.5
Pv 11.24
Js 1.8
Pv 3.9,10
Pv 10.22
Pv 11.25
Pv 16.3
Pv 16.20
Pv 19.8
Pv 19.17
Ml 3.10
Lc 6.35
2 Co 9.6
2 Co 9.10,11
Sl 118.25
9. DEUS NOS HONRARÁ
1 Sm 2.30
Is 49.23
Is 62.3
Rm 10.11
1 Co 1.27
Sl 101.6
Sl 112.9
Sl 149.9
Pv 3.35
Pv 18.12
Mt 23.12
Tg 4.10
1 Pe 5.6
Fp 2.9
Is 40.10
Mt 20.16
Jo 12.26
Tg 1.12
Mt 10.32
10. DEUS NOS GUIARÁ
Sl 32.8
Êx 15.13
Êx 4.12
Pv 2.6
Is 51.16
Lc 21.15
Sl 23.2,3
Is 48.17
Jo 8.12
Ef 5.14
Jo 8.32
Sl 25.14
Sl 111.10
Is 28.26
Jr 33.3
Sl 119.105
Sl 19.7
Pv 1.23
Pv 11.14
Dt 33.27
11. DEUS NOS AJUDARÁ
Sl 54.4
Sl 103.13
Sl 125.1
Is 41.13
Is 26.12
2 Co 3.5
Ap 3.8
Is 45.2
Is 41.10
Hb 4.16
1 Co 15.57
1 Cr 12.18
12. DEUS NOS RECOMPENSARÁ
2 Cr 15.7
Mt 19.27
Rt 2.12
Sl 126.6
Sl 128.2
Pv 11.18
Ec 11.1
Jr 31.16
Mt 10.42
Mt 19.29
Lc 6.38
1 Co 15.58
Gl 6.9
Ef 6.8
Cl 3.24
Dt 32.4
Pv 12.2
Mt 16.27
Lc 14.14
Rm 8.18
Ap 2.10
1 Co 3.8
13. DEUS OUVIRÁ A NOSSA ORAÇÃO
Mt 7.7,8
Sl 33.18
Sl 139.7-10
Pv 15.3
Jr 29.13
1 Pe 3.12
Lm 3.22
Mt 6.6
2 Cr 7.15
Sl 22.24
Mq 7.7
Sl 95.4
Sl 86.7
Is 65.24
Mt 7.11
Sl 72.12
Jo 14.14
Jo 16.24
Mt 21.22
Tg 1.5-7
Tg 5.16
Sl 66.18
Sl 34.17
1 Jo 5.14
Sl 66.20
14. DEUS ALEGRARÁ O NOSSO CORAÇÃO
1 Cr 16.10
Sl 37.37
Sl 97.11
Sl 144.15
Is 41.16
Jr 31.13
Jo 16.20
Jo 16.22
1 Pe 4.13
Ap 7.16,17
Ne 8.10
Sl 64.10
Sl 30.5
Sl 126.5
At 20.35
1 Pe 3.10,11
Sl 32.11
Fp 4.4
15. DEUS PROMETEU PERDOAR OS NOSSOS PECADOS
Mq 7.18,19
Cl 1.13,14
1 Pe 3.18
Ef 1.7
Sl 34.22
Is 1.18
1 Jo 1.7
Jo 5.24
Rm 8.33,34
Cl 2.14
1 Jo 1.9
1 Jo 3.20
Cl 3.13
Rm 6.4
Is 43.25
Is 44.22
16. DEUS PROMETEU RENOVAR AS NOSSAS FORÇAS
Dn 11.32
Sl 68.35
Sl 103.14
Sl 60.12
Jo 15.5
Sl 31.24
Ha 3.19
Fp 4.13
Is 40.28-31
Sl 92.12-14
Sl 29.11
2 Co 12.10
17. DEUS PROMETEU NOS DAR VITÓRIA SOBRE SATANÁS
Rm 16.20
At 10.38
Mt 12.28,29
Lc 10.18
Jo 12.31
Cl 2.15
Lc 10.19
Ap 3.9
Ap 12.11
1 Jo 2.14
1 Jo 5.18
Ef 4.27
Ef 6.11
Ef 6.16
Tg 4.7
2 Co 2.10,11
1 Jo 3.8
18. DEUS PROMETEU NOS DAR VITÓRIA SOBRE A CARNE
Gl 5.16
Jo 6.63
Rm 7.18
Sl 51.5
1 Co 3.1,3
2 Co 5.17
Gl 5.24
Rm 8.6
Rm 8.9
Rm 13.14
1 Pe 2.11
2 Co 12.7
Tg 1.2,3
19. DEUS PROMETEU NOS DAR VITÓRIA SOBRE O MUNDO
Jo 6.33
Sl 17.14
2 Tm 4.10
Tg 4.4
1 Jo 2.15
Jo 14.30
1 Jo 5.19
2 Co 4.4
1 Pe 4.4
Jo 15.18-20
Jo 17.16
Gl 6.14
Rm 12.2
Êx 23.2
1 Co 7.31
1 Jo 2.17
1 Jo 4.4
1 Jo 5.5
1 Jo 5.4
20. JESUS NOS SALVA
Rm 10.9
Ez 18.32
At 10.34,35
At 17.30
2 Co 5.15
1 Tm 2.4
2 Pe 3.9
Ap 21.6
Ap 22.17
Mt 7.13,14
Mt 10.39
Lc 9.24
Lc 12.8
Jo 6.40
Jo 6.47
Jo 8.51
Jo 10.9
Jo 11.26
At 13.39
At 15.11
Rm 5.9
Rm 10.13
1 Pe 1.9
1 Jo 5.12
1 Jo 5.20
1 Pe 1.18,19
Sl 85.10
21. JESUS NOS MANTÉM SALVOS
Jo 6.37
Sl 23.6
Sl 138.8
Jr 32.40
Jo 6.39
Jo 10.28
Rm 3.20
Rm 5.1
1 Co 3.15
Gl 2.20
Gl 3.13
Fp 2.23
Cl 3.3
1 Ts 5.23,24
2 Tm 1.12
2 Tm 2.11
1 Jo 5.13
Jd 24
Ap 14.12
Rm 8.15
Gl 3.26
Jo 8.35
1 Co 15.3
1 Jo 2.1,2
Hb 8.12
Ef 2.4,5
Rm 11.6
Rm 5.17
Fp 1.6
1 Co 1.8
1 Pe 1.5
Rm 6.1,2
1 Jo 2.19
Mt 7.21
2 Tm 4.18
22. JESUS NOS CONSERVA EM PAZ
Jo 14.27
Is 26.3
Fp 4.7
Sl 46.2,3
Is 43.2,3
Cl 1.19,20
Ef 2.14
Ef 2.17
Pv 1.33
Sl 119.165
Pv 3.1,2
Is 43.1
Is 32.18
Jr 29.11
Cl 3.15
23. JESUS NOS LEVARÁ PARA O CÉU
Jo 14.2,3
Sl 15.1,2
Is 33.14-16
Dn 7.18
Os 13.14
Mt 13.43
Jo 11.25
Lc 16.22
Lc 23.43
1 Tm 4.8
1 Pe 1.3,4
Is 65.17
2 Pe 3.13
1 Co 2.9
Ap 21.1,2
Ap 22.3-5
Ap 21.4
Sl 19.1
24. PROMESSAS DE ENCORAJAMENTO
Sl 37.4,5
Gn 15.1
Gn 28.15
Êx 3.11,12
Js 1.5
1 Sm 30.8
Jr 1.7
Dn 10.19
Lc 5.10
Lc 8.50
At 27.24
Ap 3.10
Sl 34.5
Lc 21.28
Jo 10.10
At 18.9,10
Rm 8.28
Sl 145.19,20
Pv 3.23,24
Pv 3.26
Pv 19.23
Zc 2.8
Sl 37.11
Sl 119.38
Pv 10.24
Is 54.2,3
Hb 13.6
Is 35.3,4
Jl 3.10
Jo 14.12
Ef 6.10
Dt 31.6
25. PROMESSAS DE CONSOLO
Sl 119.50
Sl 34.4
Sl 37.23,24
Sl 71.20,21
Sl 119.76
Sl 138.7
Is 12.2
Is 40.1
Is 51.3
Is 51.12
Lc 6.21
Jo 14.1
2 Co 1.5
Hb 12.12
1 Pe 4.14
Sl 34.19
Sl 51.17
2 Co 1.3,4
1 Pe 5.10
Is 49.13
Mt 24.35
2 Co 7.6
26. AS PROMESSAS DAS BEM-AVENTURANÇAS
Mt 5.3
Mt 5.4
Mt 5.5
Mt 5.6
Mt 5.7
Mt 5.8
Mt 5.9
Mt 5.10-12
27. AS BEM-AVENTURANÇAS DO APOCALIPSE
Ap 1.3
Ap 14.13
Ap 16.15
Ap 19.9
Ap 20.6
Ap 22.7
Ap 22.14
28. PROMESSAS AOS QUE VENCEREM
Ap 2.7
Ap 2.11
Ap 2.17
Ap 2.26-28
Ap 3.5
Ap 3.12
Ap 3.21
29. PROMESSAS PARA A HORA DA MORTE
Jó 19.25-27
Hb 11.3
1 Co 15.21
Ec 12.7
1 Co 15.55
Ap 1.17,18
Sl 139.16
Ec 3.2
Êx 23.26
Pv 10.27
Ef 6.2,3
Sl 116.15
Jo 11.35
Dn 12.13
Rm 14.7,8
Hb 9.27
2 Co 5.8
Mt 25.21
2 Tm 4.7,8
30. A PROMESSA DA RESSURREIÇÃO
1 Co 6.14
At 24.15
At 23.6
Sl 17.15
Is 26.19
Dn 12.2
Jo 5.21
Jo 6.44
Jo 6.54
Rm 6.5
Rm 8.11
1 Co 15.12
2 Co 1.9
2 Co 4.14
1 Jo 3.2
Ap 20.13
Rm 6.9
1 Co 15.20
1 Co 15.23,24
1 Ts 4.14
Jo 5.28,29
1 Co 15.42-44
2 Co 5.2
1 Co 15.51,52
1 Ts 4.16,17
Mt 24.31
31. O ESPÍRITO SANTO – UMA PROMESSA
Is 44.3
Ez 36.27
Jl 2.28,29
Mt 3.1
Jo 7.37-39
Jo 14.16,17
Jo 16.7,8
Lc 24.49
At 1.4,5
At 1.8
At 2.16-18
At 2.38
Rm 8.14
1 Co 12.13
Ef 1.13,14
At 9.31
Mc 13.1
Jo 3.6
Rm 8.16
Rm 8.26
1 Co 6.19
1 Co 12.4
1 Co 12.7
1 Co 12.1
Gl 4.6
Gl 5.22,23
Jó 33.4
Ef 5.18
32. A IGREJA – UMA PROMESSA
Mt 16.18
Gn 22.18
Sl 47.9
Sl 67.2
Mt 18.17
Sl 100.2
Ez 34.15
Ez 34.23
Jo 10.11,14,15, 27
Sl 23.5
At 20.28
Jr 3.15
Jr 23.4
Ef 4.11
Mt 16.19
Mt 18.18
Mt 18.19
Jo 20.23
Ef 3.10
Lc 12.32
Ef 3.21
Ef 5.25-27
Tt 2.14
1 Pe 2.5
1 Pe 2.9
Ap 19.7,8
Hb 10.25
33. UM NOVO CORAÇÃO – UMA PROMESSA
Jr 24.7
Dt 4.29
Pv 28.26
Ec 9.3
Jr 17.9
Sl 51.10
Jo 3.3
Jr 31.33
Jr 32.39
Ez 12.19
Ez 36.26
2 Co 3.3
Hb 8.6,8,10
Hb 10.15-17
Ef 2.10
Ef 4.21-24
Cl 3.9,10
Tt 3.4-7
Tg 1.18
Mt 11.29,30
1 Jo 3.5
34. PROMESSAS PARA A FAMÍLIA
At 16.31
2 Sm 7.29
2 Sm 23.5
Sl 25.12,13
Sl 112.1-3
Sl 127.3-5
Sl 128.1,3,4
Pv 20.7
Gn 24.60
Sl 113.9
Pv 11.16
Pv 14.1
Pv 31.10
Pv 31.30
Gn 9.9
Gn 17.7
Êx 20.6
Sl 102.28
Sl 103.17
Sl 128.6
Pv 22.6
Pv 24.3
Is 49.25
Is 54.13
Is 58.12
Is 61.9
Hb 3.4
1 Jo 2.13
Gn 49.26
Êx 20.12
Sl 119.9
Pv 1.8,9
Pv 10.1
Pv 17.6
Ml 4.6
Pv 3.33
Sl 127.1
Pv 11.21
Pv 14.26
35. PROMESSAS DE DISCIPLINA
Pv 3.12
Hb 12.11
Sl 94.12
Pv 6.23
1 Co 11.32
Sl 119.67
Is 26.16
Is 38.17
Dt 8.5
Hb 12.7,8
Ap 3.19
Jó 5.17
Pv 3.11
Pv 10.17
Pv 12.1
Pv 13.18
Jó 33.14
2 Tm 3.16
Is 30.21
Pv 27.6
Lm 3.33
36. PROMESSAS DE AVIVAMENTO
2 Cr 7.14
Sl 85.6
Sl 119.107
Sl 119.149
Sl 143.11
Is 64.1,2
Hc 3.2
Ez 37.14
Ez 47.9
Am 8.11
Os 10.12
Jo 4.14
Hc 2.14
Is 61.11
Is 60.1
Sl 65.4
Os 14.7
Ez 39.29
Is 41.18
37. PROMESSAS DE RESTAURAÇÃO
Is 61.7
Is 57.18
Is 66.14
Jr 31.3,4
Jl 2.25
Zc 9.12
Is 42.1-4
Is 53.11,12
Is 61.1-3
Jr 15.19
Pv 3.5,6
Os 6.3
38. PROMESSAS DE LIBERTAÇÃO
Jo 8.36
2 Sm 22.2
2 Co 3.17
Gl 5.13
Sl 18.17
2 Tm 2.25,26
Sl 124.7
2 Ts 3.3
Nm 23.23
Pv 26.2
Rm 7.6
Jo 1.17
Gl 3.24,25
Jo 8.34
Rm 6.22
Rm 6.14
Gl 5.1
39. AS PROMESSAS DO NATAL
Is 7.14
Is 9.1,2
Is 9.6,7
Is 11.10
Is 49.6-10
Mq 5.2-5
Lc 1.30-35
Mt 1.21-23
Mt 2.14,15
Mt 2.22,23
Jo 1.14
1 Jo 4.9,10
40. JESUS PROMETEU VOLTAR
Jo 14.18
Mt 24.27
Mt 24.29,30
Mt 25.31-33
Ap 3.11
Ap 22.12
Ap 22.20
At 1.10,11
At 17.31
1 Co 1.7
1 Co 4.5
1 Co 11.26
Fp 3.20,21
Cl 3.4
1 Ts 1.10
1 Ts 3.13
1 Ts 4.15
1 Ts 5.2-5
2 Ts 1.6,7
2 Ts 1.10
2 Ts 2.8
Tt 2.13
Hb 9.28
Tg 5.8
1 Pe 1.13
1 Pe 5.4
2 Pe 3.10
2 Pe 3.12
1 Jo 2.28
Jd 14,15
Ap 1.7
Ap 19.11