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Teorias da Pena no Direito Penal

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NIDAL AHMAD

LU A N A P O R TO
A L E X A N D R O W E R L A N G R AYO

PREPARAÇÃO

Tribunais – Analista Judiciário

2024
DIREITO PENAL
Carolina Carvalhal,
Nidal Ahmad e
Arnaldo Quaresma

Sumário
Carolina Carvalhal
1. Das Penas
2. Aplicação da Pena
3. Reabilitação
Referências
Prof. Nidal Ahmad
1. Dos crimes contra a vida
2. Crimes contra a administração pública
Prof. Arnaldo Quaresma
1. Crimes contra o Patrimônio
2. Crimes contra a Organização do Trabalho
3. Crimes Contra a Paz Pública
4. Crimes contra a fé pública
5. Crimes contra a dignidade sexual
PREPARAÇÃO TURBO | TRIBUNAIS – ANALISTA JUDICIÁRIO 709

1. DAS PENAS revista e estruturada de uma maneira diferente.


Para tanto, adverte-se que a reintegração social
Carolina Carvalhal daquele que delinquiu não deve ser perseguida
através da pena e sim apesar dela, vez que para
1.1. Conceitos e Fundamentos efeitos de ressocialização o melhor criminoso é
o que não existe;
Pena – é uma sanção penal, uma resposta que o Es-
• Teoria dialética da pena: o discurso crítico da

DIREITO PENAL
tado dá para quem não observou uma norma penal.
teoria dialética da pena demonstra a natureza
A pena é a restrição ou privação de determinado real da retribuição penal nas sociedades mo-
bem jurídico do agente, para que seja responsável pe- dernas. Essa realidade não constitui um fenô-
lo que praticou. meno de sobrevivência histórica da vingança,
nem resquício metafísico de expiação ou de
1.2. Finalidade (Ou Funções) da Pena compensação de culpabilidade como as teo-
rias preventivas apresentam. A teoria dialética
Para os absolutistas, pena é uma decorrência da mostra a emergência histórica da retribuição
delinquência. Há o mal do crime, há o mal da pena. Pe- equivalente como fenômeno específico das
na é a retribuição para o mal causado. sociedades capitalistas, pois a função de retri-
Para os utilitaristas, a pena é um instrumento de buição equivalente da pena corresponde aos
prevenção: fundamentos das sociedades fundadas na rela-
ção entre capital e trabalho assalariado. A partir
• Prevenção geral: a finalidade consiste em inti- daí se inicia uma tradição de pensamento críti-
midar a sociedade; co em teoria jurídica e criminológica, na qual se
− Prevenção geral negativa: a pena é uma inserem contribuições fundamentais da teoria
ameaça legal dirigida aos cidadãos para que se marxista sobre crime e controle social. Nessa
abstenham de cometer delitos. É uma coação tradição crítica, todo sistema de produção ten-
psicológica; de a descobrir a punição que corresponde às
suas relações produtivas, ou seja, se a força de
− Prevenção geral positiva: demonstração de trabalho é insuficiente para as necessidades do
que a lei ainda está vigente, criando uma sensa- mercado, o sistema penal adota métodos pu-
ção de confiança na sociedade; nitivos de preservação da força de trabalho, e
• Prevenção especial: dirige-se ao criminoso: se a força de trabalho excede as necessidades
do mercado, o sistema penal adota métodos
− Prevenção especial negativa: visa à carceri- punitivos de destruição da força de trabalho. O
zação ou à inocuização do condenado quando sistema punitivo é um fenômeno social ligado
outros meios menos lesivos não se mostrarem ao processo de produção. Se a pena constitui
eficazes para sua ressocialização; retribuição equivalente do crime, medida pelo
− Prevenção especial positiva: a importância da tempo de liberdade suprimida segundo a gra-
pena está na ressocialização do condenado. vidade do crime realizado, determinada pela
conjunção de desvalor da ação e de desvalor de
Há ainda a teoria eclética, em que a finalidade da resultado, então essa pena representa a forma
pena assume estas duas finalidades: retribuição e pre- de punição específica da sociedade capitalista e
venção geral e especial. que deve perdurar enquanto existir a sociedade
a) Teorias da pena. São várias as teorias da pena soli- de produtores de mercadorias;
citadas em prova. Dentre elas, destacam-se: • Teoria retributiva (absoluta): para a teoria re-
tributiva, a finalidade da pena é punir o autor
• Teoria agnóstica: essa teoria tem como funda- de uma infração penal. A retribuição se dá atra-
mento modelos ideais de estado de polícia e de vés de um mal justo previsto no ordenamento
estado de direito. Para a teoria agnóstica da pe- jurídico em retribuição a um mal injusto prati-
na existe uma grande dificuldade em acreditar cado pelo criminoso. A pena não é apenas um
que a pena possa cumprir, na grande maioria mal que se deve aplicar só porque antes houve
dos casos, as funções manifestas atribuídas a outro mal, porque seria irracional querer um
ela, expressas no discurso oficial. Para os segui- prejuízo simplesmente porque já existia um
dores dessa linha de pensamento, a pena está prejuízo anterior. A imposição da pena implica
apenas cumprindo o papel degenerador da no restabelecimento da ordem jurídica violada
neutralização, já que empiricamente compro- pelo delinquente;
vada a impossibilidade de ressocialização do • Teoria preventiva geral intimidatória (nega-
apenado. Não quer dizer que essa finalidade de tiva): direcionada à generalidade dos cidadãos.
ressocializar, reintegrar o condenado ao conví- A pena pode ser concebida como forma acolhi-
vio social deva ser abandonada, mas deve ser da de intimidação das outras pessoas através do
710 Carolina Carvalhal, Nidal Ahmad e Arnaldo Quaresma

sofrimento que com ela se inflige ao delinquen- • Princípio da personalidade ou da intransmissi-


te e que, ao fim, as conduzirá a não cometerem bilidade: a pena não passará da pessoa do conde-
fatos criminais; nado. É o princípio da intranscendência da pena,
• Teoria preventiva geral integradora (positi- conforme art. 5º, XLV;
va): direcionada à generalidade dos cidadãos. • Princípio da individualização da pena: a lei re-
Fortalece a consciência jurídica dos cidadãos e sua gulará a individualização da pena. Há uma preo-
confiança e fé no Direito. O Estado se serve da pena cupação de que a pena seja individualizada. Isto
para manter e reforçar a confiança da comunidade na significa que a pena deve ser observada em vários
validade e na força de vigência das suas normas de tu- momentos: 1º para o legislador; 2º para o juiz na
tela de bens jurídicos e, assim, no ordenamento jurídi- dosimetria da pena; 3º para o juiz da execução da
co-penal; pena;
• Teoria preventiva especial ressocializadora • Princípio da proporcionalidade: é um princípio
(positiva): direcionada ao delinquente concreto. implícito, decorrendo do devido processo legal. A
Busca a ressocialização do delinquente, através, da ideia é de que esta noção penal deve ter razoabi-
sua correção. Uma pena dirigida ao tratamento do lidade na aplicação da pena. Deve-se considerar a
próprio delinquente, com o propósito de incidir em personalidade do agente e os danos causados por
sua personalidade, com efeito de evitar sua reinci- ele, além de verificar as condições da vítima. Es-
dência. A finalidade da pena-tratamento é a resso- se princípio da proporcionalidade se orienta pela
cialização; proibição do excesso, bem como pela proibição da
proteção deficiente. A proporcionalidade deve ser
• Teoria preventiva especial inocuizadora (nega-
tiva): direcionada ao delinquente concreto. tem verificada pelo legislador e pelo magistrado;
como fim neutralizar a possível nova ação deliti- • Princípio da inevitabilidade ou da inderrogabi-
va, daquele que delinquiu em momento anterior, lidade da pena: significa que se o sujeito cometer
através de sua “inocuização” ou “intimidação”. Busca o crime, deverá obrigatoriamente cumprir a pena.
evitar a reincidência através de técnicas, ao mesmo A depender do caso, é possível aplicação do perdão
tempo, eficazes e discutíveis, tais como, a pena de judicial, hipótese em que não haverá interesse esta-
morte, o isolamento etc. tal;
• Princípio da dignidade da pessoa humana: a
1.3. Finalidade da Pena no Brasil dignidade da pessoa humano seria um postulado
anterior ao princípio, sobre a qual os princípios
No Brasil, a pena tem tríplice finalidade:
são consagrados. A dignidade da pessoa humana
• retributiva; não comporta ponderação, razão pela qual não é
• preventiva; um direito fundamental, e sim um núcleo duro. Por
• reeducativa (ressocializadora).. conta disso, não haverá pena de morte, salvo guer-
ra declarada, não haverá de trabalhos forçados, de
caráter perpétuo, de banimento, cruéis etc.;
1.4. Justiça Restaurativa
• Princípio da vedação do bis in idem: ninguém
A justiça restaurativa tem como ideia restaurar a pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato.
situação anterior ao crime, recompondo os danos so- Não há previsão na CF, mas tem no Estatuto de Ro-
fridos pela vítima. Devemos colocar os olhos sobre a ma. Não tem caráter absoluto, pois é possível que
vítima. o sujeito seja condenado e processado duas vezes
Há um procedimento de consenso entre o autor pelo mesmo fato no caso de extraterritorialidade
do crime e a vítima, podendo envolver outros sujeitos incondicionada. O STF já enfrentou um caso em
da comunicada, a depender do caso. Não é apenas a que havia duas sentenças. No caso, o Supremo re-
retribuição do crime que é importante, tampouco a conheceu a nulidade da segunda sentença, ainda
prevenção e a ressocialização, mas sim a restauração que fosse mais benéfica, visto que o indivíduo não
do resultado anterior ao crime. Esta seria uma nova poderia ser processado e condenado duas vezes
função da pena. pelo mesmo fato.
Exemplo disso é a Lei n. 9.099/1995, quando permi-
te a composição civil dos danos. 1.6. Penas Proibidas no Brasil
a) Pena de morte. Segundo o art. 5, XLVII, não haverá
1.5. Princípios Informadores da Pena penas de morte, salvo em caso de guerra declara-
São princípios informadores da pena: da, em que haverá pena de fuzilamento para cri-
mes militares.
• Princípio da legalidade: não há crime sem lei an-
terior que o defina, nem pena sem prévia comina- Apesar da CF que é vedada a pena de morte, a dou-
ção legal; trina traz duas outras exceções:
PREPARAÇÃO TURBO | TRIBUNAIS – ANALISTA JUDICIÁRIO 711

• Abate de aeronave: a lei permite que uma aerona- a) Privação da liberdade. Poderá ser de reclusão, de-
ve hostil, que esteja sobrevoando o espaço aéreo tenção ou prisão simples:
brasileiro, e que não obedeça à ordem, hipótese em
• reclusão: deve ser superior a 8 anos. Deve ter re-
que poderá ser admitido os disparos contra ela, le- gime inicial fechado, semiaberto ou aberto;
vando o piloto à morte. Não há previsão na CF esta
ressalva, mas jamais foi julgado inconstitucional; • detenção: deve ter regime inicial semiaberto ou
aberto. O regime fechado só em caráter de re-

DIREITO PENAL
• Pessoa jurídica com atividades encerradas por gressão por falta grave.
violações ambientais: Alguns ainda se referem à
• Prisão simples: regime inicial semiaberto ou
Lei de Crimes Ambientais, quando admite que a
aberto. Não admite regime fechado mesmo em
pessoa jurídica constituída ou utilizada, prepon-
caráter de regressão.
derantemente, com o fim de permitir, facilitar ou
ocultar a prática de crime ambiental terá decretada b) Restritivas de direito. Essas penas podem ser:
sua liquidação forçada, seu patrimônio será consi-
• prestação pecuniária;
derado instrumento do crime e como tal perdido
em favor do Fundo Penitenciário Nacional. • perda de bens e valores;
b) Pena de caráter perpétuo. A vedação à pena de • limitação de fim de semana;
caráter perpétuo também pode ser vista pelo art. • prestação de serviço à comunidade ou a entida-
75 o CP, o qual estabelece que o tempo de cumpri- des públicas;
mento das penas privativas de liberdade não pode • interdição temporária de direitos;
ser superior a 40 anos (a partir da Lei n. 13. . • limitação de fim de semana.
Atente-se que os 40 anos é de cumprimento da pe- c) Pena de multa. A pena de multa passou a ser con-
na, podendo ser condenado a 120 anos. Cabe ressal- siderada uma dívida de valor.
tar que o cumprimento de 16% da pena de 120 anos
permite a progressão de regime, isto é, após o cumpri-
mento de mais de 20 anos, poderá o indivíduo progre- 2. APLICAÇÃO DA PENA
dir de regime.
a) Conceito. Fixação da pena é imputar ou fixar a pe-
c) Pena de trabalhos forçados. É vedado a pena de na ao condenado.
trabalhos que violam a dignidade da pessoa huma-
b) Sistema trifásico (ou Nelson Hungria). Segundo
na. Não é o trabalho do preso, pois isto favorece a
o art. 68 do CP, a pena-base será fixada atendendo-
dignidade humana.
-se ao critério do art. 59 desse Código; em seguida
d) Pena de banimento. Banimento é a expulsão do serão consideradas as circunstâncias atenuantes e
nacional, a qual não é admitida. agravantes; por último, as causas de diminuição e
e) Penas cruéis. Nesse caso, a pena cruel viola da de aumento.
dignidade da pessoa humana. Isto é uma ordem
Este dispositivo consagra o sistema trifásico, tam-
ao Estado. Por essa razão, não pode haver pena de
bém denominado de sistema Nélson Hungria:
castração, pois seria cruel.
• 1ª fase: circunstâncias judiciais do art. 59 do CP;
Esta ordem é enviada ao legislador e ao Estado, o
• 2ª fase: agravantes e atenuantes;
qual deverá assegurar condições mínimas para cum-
primento da pena. • 3ª fase: causas de diminuição e aumento.
A pena, na maioria dos presídios do Brasil, viola a As qualificadoras não são consideradas, pois é a
vedação à pena de caráter cruel. partir dela que se faz a dosimetria da pena.
Primeiro, o juiz calcula a pena privativa de liberda-
1.7. Penas Permitidas no Brasil de. Em seguida, com base no art. 33, § 2º do CP, juiz
fixa o regime inicial da pena. Verifica a possibilidade de
A CF estabelece no art. 5º, XLVI, que são penas per- substituição da pena pelo art. 44. Se não for o caso, há
mitidas no Brasil: possibilidade de suspensão da pena, com base no art.
• privação ou restrição da liberdade; 77.
• perda de bens;
• multa; I. Primeira Fase: Circunstâncias Judiciais
• prestação social alternativa; O art. 59 do CP traz 8 requisitos, em que o juiz de-
• suspensão ou interdição de direitos. verá analisar:
• culpabilidade;
Trata-se de um rol exemplificativo. A pena de ad-
vertência do art. 28 da Lei n. 11.343-2006 não está pre- • antecedentes;
vista na CF. • personalidade do agente;
712 Carolina Carvalhal, Nidal Ahmad e Arnaldo Quaresma

• conduta social; • Antecedentes


• motivos; Antecedente é aquilo que o indivíduo fez antes do
• circunstâncias; crime, não sendo aquilo que ele fez depois do crime.
• consequências do crime; Por exemplo, no dia 1º de abril, João cometeu um
• comportamento da vítima. furto. Após, João foi processado. Durante o processo,
João cometeu mais de 300 furtos. Não poderão esses
O CP não diz qual é o critério de aumento que deve- 300 furtos serem valorados negativamente.
rá haver para cada uma dessas circunstância. Cabe ao
juiz dizer. O juiz está atrelado ao mínimo e ao máximo O STJ editou uma súmula de que inquérito policiais
fixado no preceito secundário do crime. O magistrado em aberto e ações penais em curso não podem agra-
parte da pena mínima e vai valorando. var a pena-base, não servindo como antecedentes (S.
400-STJ).
A lei também não diz como deve ser feita a com-
pensação entre as circunstâncias judiciais, razão pela Da mesma forma, atos infracionais não podem ser-
qual a doutrina afirma que deve ser feita uma aplicação vir como maus antecedentes.
analógica do art. 67, que fala que nos casos de circuns- Segundo o STJ (Info. 576), atos infracionais não
tâncias atenuante e agravantes, algumas prevalecerão. configuram crimes e, por isso, não é possível conside-
Rogério Sanches sustenta que esta aplicação analó- rá-los como maus antecedentes nem como reincidên-
gica não pode servir de prejuízo para o réu. cia, até porque fatos ocorridos ainda na adolescência
estão acobertados por sigilo e estão sujeitos a medi-
Em hipótese alguma pode o magistrado majorar a das judiciais exclusivamente voltadas à proteção do
pena-base sem que haja fundamentação objetiva para jovem.
justificar a exasperação.
Condenações definitivas por fatos praticados antes
Segundo o STJ, os elementos inerentes ao próprio do fato que está sendo julgado podem servir como
tipo penal não podem ser considerados para a exaspe- maus antecedentes. Isto é, se o indivíduo não for re-
ração da pena-base. A primeira fase da dosimetria é o incidente, poderá ser considerado como circunstância
momento em que o julgador efetivamente individuali- judicial desfavorável. Por outro lado, se o indivíduo for
za a pena pelas circunstâncias ali analisadas reincidente, somente poderá considerá-la uma única
Por essa razão também o STF disse que no tráfico vez, ou nas circunstâncias judiciais ou na agravante,
de drogas, o juiz não pode aumentar a pena-base sob sob pena de bis in idem.
o argumento de que a venda da droga ocorria dentro Sendo o agente duplamente reincidente, uma re-
da própria casa do condenado, pois não enseja maior incidência é possível utilizar para fins de agravante e a
reprovabilidade da conduta. outra para circunstâncias judiciais.
• Culpabilidade Segundo o STJ, a condenação por fato anterior ao
Culpabilidade do agente significa a menor ou maior delito que se julga, mas com trânsito em julgado pos-
grau de censurabilidade do comportamento. Segundo terior, pode ser utilizada como circunstância judicial
o STF, para fins de dosimetria da pena, culpabilidade negativa, a título de antecedente criminal.
consiste na reprovação social que o crime e o autor do Após 5 anos do cumprimento de extinção da pe-
fato merecem. Essa culpabilidade de que trata o art. 59 na, não poderá mais se considerar como reincidência,
do CP não tem nada a ver com a culpabilidade como mas poderia ser considerado como maus anteceden-
requisito do crime (imputabilidade, potencial cons- tes. Este é o entendimento de Sanches e do STJ. No en-
ciência da ilicitude do fato e inexigibilidade de condu- tanto, o STF não admite sequer considerar como maus
ta diversa). antecedentes, pois haveria uma condenação perpétua
(Min. Dias Toffoli).
O excesso de velocidade não deve ser considera-
do na aferição da culpabilidade do agente que pratica • Conduta social
o delito de homicídio e de lesões corporais culposos Conduta social é o modo como o agente se com-
na direção de veículo automotor, visto que se mostra porta em sociedade, no ambiente familiar, no trabalho,
inerente ao próprio delito, caracterizando a impru- igreja etc.
dência, modalidade de violação ao dever objetivo de
cuidado, necessário à configuração dos delitos culpo- Com base nessa ideia, é possível falar em testemu-
sos. nhas de beatificação, as quais afirmam a boa conduta
do agente.
Segundo o STJ, o fato de o crime de corrupção
passiva ter sido praticado por promotor de justiça no Segundo o STF, os antecedentes sociais do réu não
exercício da função poderá servir como circunstância se confundem com os seus antecedentes criminais.
desfavorável, pois há maior reprovabilidade da condu- Não se admite a “conduta social desfavorável”.
ta. Da mesma forma ocorre com relação a essas espé- O fato de o réu ser usuário de drogas não pode ser
cies de crimes cometidos por policiais. considerado, por si só, como má-conduta social.
PREPARAÇÃO TURBO | TRIBUNAIS – ANALISTA JUDICIÁRIO 713

• Personalidade do agente • da personalidade do agente; e,


É o retrato psíquico do delinquente. • da reincidência.
Por essa razão, segundo o STJ, isto deve ser aferido Entre as circunstâncias preponderantes, a própria
objetivamente, ou seja, a simples menção à personali- jurisprudência fixou critérios de prevalência.
dade do infrator, desprovida de elementos concretos, • Atenuante que mais prepondera: menoridade (me-
não se presta à negativação dessa circunstância. nor de 21 anos) ou a senilidade (maior de 70 anos);

DIREITO PENAL
• Motivos do crime • Segunda que mais prepondera: reincidência;
É aquilo que levou o indivíduo a praticar o crime. • Após: agravantes e atenuantes subjetivas;
Não pode valorar negativamente um motivo ine- • Por último: agravantes e atenuantes objetivas;
rente ao crime, ou quando funcione como qualificado- Na reincidência, o STJ tem feito a compensação en-
ra. Ex.: no furto, a ideia de lucro fácil já é inerente ao tre a agravante da reincidência e a atenuante da con-
crime. fissão espontânea.
A simples falta de motivos não constitui fundamen- Em relação às agravantes, é possível perceber que
to idôneo para o incremento da pena-base. há um rol taxativo, eis que o direito penal não admite
• Circunstâncias do crime analogia in malam partem.
É a forma como o crime foi cometido nas circuns- As agravantes, geralmente, só vão incidir em cri-
tâncias de tempo, local, instrumentos etc. mes dolosos, mas há exceção da reincidência. Ou seja,
o indivíduo que fica cometendo crimes culposos rein-
• Consequências do crime cidentemente deverá sofrer essa agravante.
É o resultado do delito decorrente daquela infração O art. 385 do CPP estabelece que não é necessá-
penal. rio que a denúncia venha descrevendo qual é a agra-
• Comportamento da vítima vante ou atenuante. Ainda que não haja essa previsão
na denúncia, é possível o magistrado reconhecê-la na
É a análise se a vítima provocou ou não o crime. sentença.
Não há compensação de culpas, mas se há uma b) Agravantes. Segundo o art. 61, as circunstâncias
culpa concorrente, deverá ser valorada em favor do que sempre agravam a pena, quando não consti-
agente. tuem ou qualificam o crime. São agravantes:
Se o comportamento da vítima em nada contribuiu • reincidência;
para o crime, isso significa que essa circunstância é
neutra, de forma que não pode ser utilizada para au- • cometido o crime por motivo fútil ou torpe;
mentar a pena imposta ao réu. • cometido o crime para facilitar ou assegurar a
execução, a ocultação, a impunidade ou vanta-
II. Segunda Fase: Agravantes e Atenuantes gem de outro crime;
• cometido o crime à traição, de emboscada, ou
Na segunda fase, haverá as agravantes e atenuan- mediante dissimulação, ou outro recurso que
tes. dificultou ou tornou impossível a defesa do
São circunstâncias que não integram o tipo penal, ofendido;
mas estão ligadas ao crime. • cometido o crime com emprego de veneno, fo-
O CP trata de agravantes e atenuantes, havendo go, explosivo, tortura ou outro meio insidioso
uma preponderância entre algumas, ou cruel, ou de que podia resultar perigo co-
mum;
mas não há fixação de quanto de exasperação vai
agravar ou atenuar, ficando a critério do magistrado. • cometido o crime contra ascendente, descen-
dente, irmão ou cônjuge;
A doutrina e jurisprudência caminha no sentido de
• cometido o crime com abuso de autoridade ou
que o magistrado deveria valorar em 1/6, mas a juris-
prevalecendo-se de relações domésticas, de
prudência majoritária entende que o juiz deverá ob-
coabitação ou de hospitalidade, ou com violên-
servar o mínimo e o máximo do preceito secundário.
cia contra a mulher na forma da lei específica;
a) Preponderância. De acordo com o art. 67, no con- • cometido o crime com abuso de poder ou viola-
curso de agravantes e atenuantes, a pena deve se ção de dever inerente a cargo, ofício, ministério
aproximar do limite indicado pelas circunstâncias ou profissão;
preponderantes.
• cometido o crime contra criança, maior de 60
As circunstâncias preponderantes são aquelas que (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida;
resultam: • cometido o crime quando o ofendido estava
• dos motivos do crime; sob a imediata proteção da autoridade;
714 Carolina Carvalhal, Nidal Ahmad e Arnaldo Quaresma

• cometido o crime em ocasião de incêndio, nau- depurado de 5 anos do cumprimento da pena, o sujei-
frágio, inundação ou qualquer calamidade pú- to não será mais reincidente.
blica, ou de desgraça particular do ofendido; Se o indivíduo teve a pena suspensa ou teve livra-
• cometido o crime em estado de embriaguez mento condicional, com a posterior declaração de ex-
preordenada. tinção da pena, este período será considerado para fins
• Reincidência. de período depurador.
Ou seja, se o indivíduo ficou 2 anos em livramento
Com relação à reincidência, o art. 63 do CP esta-
condicional, tendo posteriormente a pena sido extinta,
belece que se verifica a reincidência quando o agente
passados mais 3 anos, o sujeito já vai ter completado
comete novo crime, depois de transitar em julgado a
o período depurador de 5 anos, situação em que se
sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha con-
houver uma nova infração penal, o indivíduo não será
denado por crime anterior.
considerado reincidente.
Para ser reincidente, o indivíduo, após ter sofrido
A reincidência pode ser:
uma sentença condenatória transitada em julgado, de-
verá ter cometido um novo crime. • Reincidência genérica: é aquela que o sujeito co-
mete um crime e depois comete um crime de outra
Essa leitura deve ser analisada com base no art. 7 da
espécie;
LCP (Dec.-Lei 3.688-1941), que diz que há reincidência
quando o agente pratica uma contravenção depois de • Reincidência específica: o agente comete um cri-
passar em julgado a sentença que o tenha condenado, me da mesma espécie, após de ter tido uma sen-
no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no tença penal condenatória por um delito daquela
Brasil, por motivo de contravenção. espécie.
Observe-se que será considerado reincidente: Há algumas consequências para o reincidente es-
pecífico, visto que obsta a concessão de livramento
• se o indivíduo tiver uma sentença transitada em
condicional. Ademais, o art. 83, V, diz que fica obstado
julgada por um crime cometido no Brasil ou no es-
a concessão de livramento condicional nos crimes he-
trangeiro, e ele comete uma contravenção ou cri-
diondos, quando o sujeito é reincidente específico em
me, será ele reincidente;
crimes desta natureza.
• se o indivíduo tiver uma sentença transitada em jul-
gada por uma contravenção cometida no Brasil, e É bom explicar que a jurisprudência faz um tem-
ele comete uma contravenção, será ele reincidente. peramento em relação à reincidência geral e específi-
ca. No caso de crimes hediondos, haverá reincidência
Por outro lado, não será considerado reincidente: específica quando o indivíduo cometeu um crime he-
• se o indivíduo tiver uma sentença transitada em jul- diondo seja qual for e após cometeu outro crime he-
gada por uma contravenção cometida no Brasil, e diondo de diferente espécie. Portanto, se o indivíduo
ele comete um crime, não será ele reincidente; cometeu um crime homicídio qualificado e, após o
trânsito em julgado da sentença penal condenatória, o
• se o indivíduo tiver uma sentença transitada em jul-
sujeito comete um estupro de vulnerável, ainda assim
gada por uma contravenção cometida no exterior,
será considerado reincidente específico.
e depois ele comete um crime, não será ele reinci-
dente; A prova da reincidência se dá através de certidão
• se o indivíduo tiver uma sentença transitada em cartorária, sendo certo que o STJ admite que se possa
julgada anterior for por crime político, ou por crime comprovar com a folha de antecedentes criminais.
militar próprio, e depois comete um crime comum Por fim, a reincidência não pode ser considerada
ou um crime militar impróprio, também não será como agravante e maus antecedentes, conforme a
considerado reincidente; súmula 241 do STJ. Todavia, caso o sujeito seja dupla-
mente reincidente, poderá uma delas servir como cir-
Atente-se que, no caso de crime militar próprio, ele
cunstância judicial e a outra como agravante.
só será considerado reincidente se ele cometer outro
crime militar próprio. • Motivo fútil ou torpe.
Ademais, não há necessidade de homologação da O motivo fútil é o motivo insignificante. Há uma
sentença penal estrangeira para que produza efeitos desproporção entre a causa do crime e o crime come-
da reincidência no Brasil. tido.
Se houver abolitio criminis ou anistia no delito an- Vingança e ciúmes não serão sempre motivos fú-
terior, o sujeito não é considerado reincidente, pois teis, dependendo do caso concreto. Não necessaria-
estas apagam os efeitos penais principais e acessórios, mente são motivos fúteis, pois quem vinga a morte da
mantendo os efeitos extrapenais. filha poderá não ser considerado fútil.
O Brasil adota o sistema da temporariedade da Segundo o STJ, o dolo eventual não é compatível
reincidência, razão pela qual ultrapassado o período com a agravante do motivo fútil.
PREPARAÇÃO TURBO | TRIBUNAIS – ANALISTA JUDICIÁRIO 715

A qualificadora do motivo fútil não pode ser aplica- relação ao cargo, ofício, ministério ou profissão, há um
da ao agente que participa de racha e causa a morte de excesso na relação privada.
terceiro não participante ao colidir com o carro deste, Nesse caso, há um abuso no exercício da função.
em virtude de direção imprudente (Inf. 583).
• Crime contra criança, maior de 60 anos, enfermo
• Crime para facilitar ou assegurar a execução, a
ou mulher grávida.
ocultação, a impunidade ou vantagem de outro

DIREITO PENAL
crime. Criança, segundo o ECA, é a pessoa com até 12
anos incompletos. A partir dessa idade, torna-se ado-
Temos aqui um crime conexo a outro delito.
lescente.
Há aqui duas hipóteses de conexão:
O Estatuto da Pessoa Idosa estabelece que idosa
• Conexão teleológica: crime é cometido para asse- é aquele que tem 60 anos ou mais. No entanto, o CP
gurar a execução de outro delito; diz que há agravante incide sobre o maior de 60 anos.
• Conexão consequencial: o crime é cometido para Isso significa dizer que se o crime é cometido no dia
assegurar a ocultação, a impunidade ou vantagem em que a pessoa completa 60 anos, não poderá incidir
de outro crime cometido no passado. essa agravante, pois ela teria 60 anos.
• Crime à traição, de emboscada, ou mediante Nesses casos, para incidir a agravante é necessários
dissimulação, ou outro recurso que dificultou dois requisitos:
ou tornou impossível a defesa do ofendido.
• nexo entre a condição da vítima e o crime pratica-
Aqui, a lei traz hipóteses, finalizando com uma in- do: a ideia é que a agravante incida em razão da
terpretação analógica. maior vulnerabilidade da vítima;
Segundo o STF o dolo eventual é incompatível com • consciência desta situação da vítima: é necessário
a agravante da traição, emboscada ou outro motivo que o agente saiba dessa condição, sob pena de
que impossibilite a defesa da vítima. responsabilidade penal objetiva.
• Crime com Emprego de Veneno, Fogo, Explosi- • Crime quando o ofendido estava sob a imediata
vo, Tortura ou outro Meio Insidioso ou Cruel, ou proteção da autoridade.
de que Podia Resultar Perigo Comum.
A vítima deve estar sob a imediata proteção da au-
Mais uma vez, a norma traz uma série, terminando toridade.
com um encerramento genérico. A consequência é a
possibilidade de interpretação analógica. Exemplo claro é o caso em que há resgate de preso
na delegacia. No entanto, neste caso, só incidiria caso
Meio cruel é um crime que causa um sofrimento o preso fosse de uma facção e o resgate fosse por uma
desnecessário à vítima. facção rival, hipótese em que o ofendido estará sob a
• Crime contra ascendente, descendente, irmão imediata proteção da autoridade.
ou cônjuge. Nos resgates de preso na delegacia pela própria
O direito penal naquilo que agrava a pena, ou pre- facção do preso, não haverá essa agravante, pois a víti-
judica a agravação do réu, não se admite a analogia. ma no caso seria o Estado.
Isso significa que não se pode incluir o companheiro, • Crime em ocasião de incêndio, naufrágio, inun-
assim como o parentesco por afinidade. Este parentes- dação ou qualquer calamidade pública, ou de
co se prova por meio documental. desgraça particular do ofendido.
• Crime com abuso de autoridade ou prevalecen-
Aqui, há um maior grau de reprovabilidade de
do-se de relações domésticas, de coabitação ou
quem se vale de uma situação gramática
de hospitalidade, ou com violência contra a mu-
lher na forma da lei específica. para cometer crimes.
Quando a lei se refere ao abuso de autoridade, não • Crime em estado de embriaguez preordenada.
significa que se trata de relações públicas, mas de rela- É a embriaguez feita para cometer o crime. Neste
ções privadas. caso, deverá aplicar a teoria da actio
É um excesso que ocorre quando se vislumbra
libera in causa.
quando há uma posição de superioridade no relacio-
namento com o ofendido. Ex.: tutor e tutelado, em que • Agravantes cometidas por duas ou mais pes-
há um abuso nesta relação. soas.
• Cometido o crime com abuso de poder ou viola- Segundo o art. 62, a pena será ainda agravada em
ção de dever inerente a cargo, ofício, ministério relação ao agente que:
ou profissão.
• é o líder da organização, pois promove, ou organi-
Aqui sim, há relação pública. Nesses casos, há um za a cooperação no crime ou dirige a atividade dos
excesso do exercício de uma relação pública. Com demais agentes;
716 Carolina Carvalhal, Nidal Ahmad e Arnaldo Quaresma

• é o caso do autor mediato, pois ele coage ou induz • ter o agente confessado espontaneamente, peran-
outrem à execução material do crime; te a autoridade, a autoria do crime;
• também é o caso em que o autor mediato instiga • ter o agente cometido o crime sob a influência de
ou determina a cometer o crime alguém sujeito à multidão em tumulto, se não o provocou.
sua autoridade ou não-punível em virtude de con- • Menoridade.
dição ou qualidade pessoal;
Haverá atenuante se o agente menor for 21 anos na
• é o caso do delinquente mercenário em que exe-
época do fato. A lei diz que o agente é imaturo, deven-
cuta o crime, ou nele participa, mediante paga ou
do ser considerada uma circunstância preponderante.
promessa de recompensa.
• Senilidade.
Segundo o STJ, é possível que a pena daquele con-
denado por homicídio, na condição de mandante, seja Haverá atenuante se o agente for maior de 70 anos,
agravada em razão de promover ou organizar a coope- na data da sentença.
ração no crime ou dirigir a atividade dos demais agen- A data da sentença é a data de sentença de primei-
tes, sem que haja bis in idem (Inf. 580, STJ). ro grau, salvo se esta for absolutória, hipótese em que,
Também é possível compensar a atenuante da con- caso haja recurso, o acórdão condenatório será consi-
fissão espontânea com a agravante da promessa de derado como marco
recompensa, segundo o STJ (Inf. 577). para se aferir a idade do sujeito.
c) Atenuantes. A regra é que as atenuantes sempre • Desconhecimento da lei.
atenuam a pena. Rogério Sanches sustenta que
não pode haver exceção. O desconhecimento da lei é inescusável, motivo
pelo qual o sujeito responde, mas há uma atenuante.
Há algumas exceções em que as atenuantes não
atenuam, e uma delas é o caso em que não incide a Não se confunde com o erro de proibição, em que
atenuante quando a circunstância já constitui ou pri- o sujeito desconhece a ilicitude de sua conduta. Pode
vilegia o crime, como é o caso do homicídio privile- o sujeito desconhecer a lei, mas saber que sua conduta
giado em que a pessoa comete o crime por motivo de é ilícita.
relevante valor moral ou social. Nesse caso, o privilégio • Ter o agente cometido o crime por motivo de re-
abrangeria a atenuante, hipótese em que a atenuante levante valor social ou moral.
já haveria minorar a pena, não devendo ser aplicado.
Como dito, incidirá a atenuante, desde que não
Nesse sentido, é a posição da jurisprudência dos Tribu-
configure o privilégio.
nais Superiores.
Relevante valor moral é aquele presente na situa-
Corolário desse entendimento é a faceta do prin-
ção em que se manifesta o interesse individual no ca-
cípio da proporcionalidade em razão do princípio da
so. O indivíduo que tem ideia de compaixão, como é o
proibição deficiente.
caso em que do agente que mata o estuprador da filha.
A outra ideia é de que a incidência de uma circuns-
No relevante valor social, o indivíduo age impelido
tância atenuante não pode ficar abaixo do mínimo le-
de motivos sociais, como é o caso do indivíduo que
gal.
mata o estuprador das meninas do bairro.
A atenuante incide em todos os crimes: doloso, cul-
• Ter o agente procurado, por sua espontânea
poso ou preterdoloso.
vontade e com eficiência, logo após o crime, evi-
Portanto, são circunstâncias atenuantes: tar-lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter,
• ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do antes do julgamento, reparado o dano.
fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na data da sen- Aqui, há o instituto do arrependimento posterior.
tença;
Esta atenuante só vai incidir quando não se mos-
• desconhecimento da lei;
trar mais benéfica ao réu em outras hipóteses, como
• ter o agente cometido o crime por motivo de rele- é o caso do arrependimento posterior, pois nesse caso
vante valor social ou moral; reduzirá a pena de 1/3 a 2/3.
• ter o agente procurado, por sua espontânea von- Outra hipótese em que não se aplica essa atenuan-
tade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe te é para o caso de pagamento de cheque sem fundos
ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do antes do recebimento da inicial, situação em que obsta
julgamento, reparado o dano; o prosseguimento ou instauração da ação penal, em
• ter o agente cometido o crime sob coação a que acordo com a súmula 554 do STJ.
podia resistir, ou em cumprimento de
No caso do peculato culposo, se houver a repara-
ordem de autoridade superior, ou sob a influência ção do dano antes do trânsito em julgado da sentença
de violenta emoção, provocada por ato injusto da ví- penal condenatória, extinguirá a punibilidade. Se for
tima; após, a pena será reduzida pela metade.
PREPARAÇÃO TURBO | TRIBUNAIS – ANALISTA JUDICIÁRIO 717

No caso de pagamento de tributos, haverá a extin- entende que se aplica a atenuante. Porém, deve con-
ção da punibilidade. fessar o fato típico!
Nos crimes de menor potencial ofensivo, a compo- Por outro lado, caso o indivíduo esteja sendo acu-
sição civil gera a extinção da punibilidade. sado pelo crime de roubo, mas o indivíduo afirma que
• Ter o agente cometido o crime sob coação a que não cometeu o roubo, e sim um furto, estará o acusado
descaracterizando o fato típico, razão pela qual não ha-
podia resistir, ou em cumprimento de ordem

DIREITO PENAL
veria a incidência da atenuante.
de autoridade superior, ou sob a influência de
violenta emoção, provocada por ato injusto da O STJ, na 3ª Sessão, decidiu que a confissão revela a
vítima. personalidade do indivíduo, razão
No caso de coação a que podia resistir ou em cum- pela qual a Corte Cidadã possui um caráter prepon-
primento de ordem de autoridade superior gerará uma derante, motivo pelo qual é plenamente
agravante para quem deu a ordem e uma atenuante possível a compensação com a reincidência, de-
para quem obedeceu. vendo ser compensadas.
No caso da influência de violenta emoção, provo- Contrariamente, o STF, em 2014, decidiu que a re-
cada por ato injusto da vítima, não incidirá quando es- incidência prepondera sobre a confissão espontânea.
tivermos num caso de homicídio privilegiado por essa Segundo o STJ a agravante da violência contra a
causa, eis que no homicídio privilegiado, o indivíduo mulher se compensa com a atenuante da confissão
estaria sob o domínio de violenta emoção. espontânea.
• Ter o agente confessado espontaneamente, pe- • Ter o agente cometido o crime sob a influência
rante a autoridade, a autoria do crime. de multidão em tumulto, se não o provocou
Trata-se da atenuante da confissão espontânea, Se o sujeito provocou, haverá incidência da agra-
sendo aquela não instigada ou induzida por ninguém. vante, mas se não o provocou incidirá essa atenuante.
Se a confissão for voluntária, mas não tendo sido Trata-se do crime multitudinário.
espontânea, pois alguém o influenciou, caberá a ate- • Circunstância inominada
nuante inominada pelo art. 66 do CP.
Segundo o art. 66, a pena poderá ser ainda atenua-
A confissão pode ser: da em razão de circunstância relevante, anterior ou
• Confissão simples: o indivíduo apenas admite a posterior ao crime, embora não prevista expressamen-
prática do crime. Poderá ser: te em lei.
− Total: sujeito afirma que todo o fato. A doutrina traz o exemplo da coculpabilidade, em
que a sociedade teria contribuído pela prática de um
− Parcial: sujeito confessa parte do fato. Por exem-
crime, razão pela qual deveria incidir essa circunstân-
plo, o furto foi mediante rompimento de obstá-
cia inominada.
culo, mas o indivíduo disse que a porta estava
aberta. Confessa o fato, mas não confessa a qua- O professor LFG e Antônio Molina discordam da
lificadora. coculpabilidade, devendo aplicar a teoria da vulne-
rabilidade. Para os professores, atenuar a situação ou
• Confissão qualificada: o indivíduo admite a prática agravar a situação do indivíduo dependerá de sua
do crime, mas levanta a seu favor maior ou menor vulnerabilidade. Quem conta com
uma excludente de culpabilidade ou ilicitude. uma alta vulnerabilidade, que são aqueles que estão
sujeitos ao direito penal por falta de instrução intelec-
Para o STF, é plenamente possível aplicar a con-
tual ou econômica, estão mais suscetíveis ao crime.
fissão qualificada quando se valora a confissão como Nesses casos, a culpabilidade do indivíduo estaria re-
meio de prova. Ex.: na vara de violência doméstica, o duzida, por conta dessa hiper vulnerabilidade, motivo
homem afirma que bateu na mulher, mas alega que pelo qual a pena deveria ser atenuada pela circunstân-
agiu em exercício regular do direito. Se o juiz se vale da cia inominada. Por outro lado, LFG afirma que o sujeito
confissão do autor como meio de prova, deverá incidir que tem baixa vulnerabilidade, pois tem condição de
a atenuante, ainda que tenha havido retratação. pagar advogado, tem família, instrução, educação etc.,
Ou seja, se o agente confessa o crime no curso do deverá ter uma culpabilidade maior. Por conta disso,
inquérito, mas se retrata durante a ação penal, a confis- quem tem maior vulnerabilidade deverá ter menor
são poderá ser usada como atenuante. culpabilidade, enquanto o que tem menor vulnerabi-
lidade terá uma maior culpabilidade.
Segundo o STJ, a confissão, ainda que parcial, po-
derá ser considerada para atenuar a pena também.
III. Terceira Fase: Causas de Aumento e de
Todavia, neste caso, trata-se da confissão do fato tí-
pico. Ex.: o sujeito cometeu um furto qualificado, mas o
Diminuição da Pena
indivíduo afirma que cometeu um furto simples, o STJ O ponto de partida é a pena intermediária.
718 Carolina Carvalhal, Nidal Ahmad e Arnaldo Quaresma

As causas de diminuição e de aumento são deno- cumulativa. Ou seja, se aplicar uma causa de diminui-
minadas minorantes e majorantes. ção de pena, deverá incidir a outra causa de diminui-
Estabelecem o quantum de aumento ou diminui- ção sobre o resultado da aplicação anterior.
ção, podendo levar a pena acima do máximo e abaixo É a pena já diminuída que passa a ser paradigma
do mínimo previsto em lei. para o cálculo da próxima causa de diminuição da pe-
Não podem ser confundidas com as qualificadoras, na.
pois estas alteram o intervalo da pena. Exemplo: João foi condenado a 4 anos de reclusão,
a) Concurso (homogêneo) entre causas de aumen- presentes duas causas de diminuição. Cada uma delas
to. O concurso entre causas de aumento pode es- reduz a pena da metade: uma na parte geral e outra
tar previstos na parte geral e causas de aumento na na especial. Se for utilizado do princípio da incidência
parte especial. cumulativa, a causa de diminuição reduzirá a pena de
João a 2 anos. Posteriormente, esta pena deverá ser
i. Concurso entre causas de aumento previsto reduzida por metade, por conta da outra minorante.
na parte geral. Sendo causas de aumento pre- Sendo assim, João será condenado a 1 ano.
vista na parte geral, por exemplo duas causas,
i. Concurso entre causas de diminuição previs-
haverá a aplicação das duas causas de aumento.
to na parte geral. Isso porque se houver duas
Aqui, deverá ser aplicado o princípio da incidên-
causas de diminuição previstas na parte geral,
cia isolada. Ou seja, no concurso de causas de
aplica-se os dois.
aumento da parte geral aplica-se as duas, ado-
tando este princípio. ii. Concurso entre causas de diminuição previs-
to na parte especial. Havendo concurso entre
Segundo o princípio da incidência isolada, o au- duas causas de diminuição previsto na parte es-
mento recai sobre a pena precedente (intermediária), pecial, deverá aplicar apenas uma causa de di-
e não sobre a pena já aumentada. minuição, desde que seja a que mais diminuía.
Por exemplo, João teve sua pena fixada em 4 anos iii. Concurso entre causas de diminuição previs-
de reclusão. Estão presentes duas causas de aumento, to na parte geral e na parte especial. Havendo
que determinam que a pena seja aumentada de meta- concurso entre causas de diminuição previsto
de. Neste caso, a primeira causa de aumento incide so- na parte geral e na parte especial, aplica-se as
bre 4 anos, devendo somar mais 2, totalizando 6 anos. duas.
Para aplicar a outra causa de aumento, deverá incidir
sobre os 4 também, de modo que haverá a soma de c) Concurso entre causas de aumento e de dimi-
mais 2 anos sobre os 4 anos iniciais, somando-se ainda nuição. No caso de concurso entre causas de au-
os 2 anos da primeira causa, totalizando 8 anos. mento e de diminuição, deverá ser aplicado as
duas, formando um concurso heterogêneo.
Não se aplica o princípio da incidência cumulativa,
a qual permite que as causas de aumento de pena in- Nesse caso, haverá a aplicação das duas causas com
cidem sobre as causas já aumentadas, sendo isto des- base no princípio da incidência cumulativa.
favorável ao réu. Ao chegar na pena definitiva, o juiz vai desconside-
ii. Concurso entre causas de aumento previsto rar as frações de dias.
na parte especial. No caso de concurso previs-
to na parte especial, o CP, no art. 68, parágrafo IV. Regime Inicial de Cumprimento da Pena
único, estabelece que no concurso de causas de Privativa de Liberdade
aumento ou de diminuição previstas na parte
O juiz, ao prolatar a sentença condenatória, deverá
especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento
fixar o regime no qual o condenado iniciará o cumpri-
ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia,
mento da pena privativa de liberdade. A isso se dá o
a causa que mais aumente ou diminua.
nome de fixação do regime inicial. Os critérios para es-
Portanto, não há necessidade de o juiz considerar sa fixação estão previstos no art. 33 do Código Penal.
as duas causas de aumento, podendo considerar ape- O juiz, quando vai fixar o regime inicial do cumpri-
nas uma delas, desde que seja a que mais aumente. mento da pena privativa de liberdade, deve observar
Havendo concurso entre as causas de aumento da quatro fatores:
parte geral com a da parte especial, • o tipo de pena aplicada: se reclusão ou detenção;
haverá a incidência das duas, aplicando o princípio
− o quantum da pena definitiva;
da incidência isolada.
− se o condenado é reincidente ou não;
b) Concurso (homogêneo) entre causas de diminui-
ção. A regra é a mesma, mas o princípio é diferente. − as circunstâncias judiciais (art. 59 do CP).

Todavia, no caso de concurso entre causas de dimi- São regimes iniciais de cumprimento da pena:
nuição, deverá ser aplicado o princípio da incidência • regime fechado;
PREPARAÇÃO TURBO | TRIBUNAIS – ANALISTA JUDICIÁRIO 719

• regime semiaberto; semiaberto) e no livramento condicional se o sujeito


• regime aberto. está estudando. A cada 12 horas de frequência no cur-
so, dividido em pelo menos 3 dias, dá direito à remição
a) Regime fechado. No regime fechado, a pena deve
de 1 dia de pena.
ser cumprida em penitenciária, devendo ser aloja-
do em uma cela individual, com tamanho mínimo O tempo a remir em função das horas de estudo
de 6m², com sanitário, salubre, aerada, com dormi- será acrescido de 1/3 caso o condenado consiga con-

DIREITO PENAL
tório, aparelho sanitário e lavatório (arts. 87 e 88 da cluir o ensino fundamental, médio ou superior durante
LEP). o cumprimento da pena.
O condenado será submetido, no início do cumpri- A remição pelo estudo pressupõe a frequência a
mento da pena em regime fechado, a exame crimino- curso de ensino regular ou de educação profissional,
lógico. independentemente da sua conclusão ou do aprovei-
tamento satisfatório.
Este exame é importante para individualização da
pena, passando a considerar as características daquele É ainda possível que seja cumulado o estudo com o
sujeito. Trata-se da aplicação desse princípio na fase de trabalho. O curso pode se dar de forma presencial ou à
execução. distância, desde que haja certificado.
O preso fica sujeito a trabalho durante o dia e a Segundo o STJ, não há remição da pena na hipóte-
isolamento durante o repouso noturno. O trabalho se em que o condenado deixa de trabalhar ou estudar
dentro do estabelecimento prisional é um direito e um em virtude da omissão do Estado em fornecer tais ati-
dever ao mesmo tempo. Trata-se de um direito, pois a vidades.
cada 3 dias de trabalho abate 1 dia de pena, denomi- O STJ admite a remição da pena por meio da leitura.
nado remição da pena. A dúvida é como avaliar esta remição.
O período de atividade laboral do apenado que ex- A decisão que reconhece a remição da pena, em
ceder o limite máximo da jornada de trabalho (8 horas) virtude de dias trabalhados, não faz coisa julgada nem
deve ser contado para fins de remição, computando-se constitui direito adquirido.
1 dia de trabalho a cada 6 horas extras realizadas. O ECA garante a convivência da criança ou do ado-
O trabalho em regime fechado em regra ocorre lescente com o pai ou a mãe com a sua liberdade priva-
dentro do estabelecimento prisional. Todavia, o traba- da. Este acesso se dá por meio de visitas, as quais não
lho externo é admissível, no regime fechado, em servi- dependem de autorização judicial.
ços ou obras públicas, desde que haja autorização do b) Regime semiaberto. A pena será cumprida, no re-
juiz ou do diretor do estabelecimento. gime semiaberto, em colônia agrícola, industrial ou
O condenado, para ter direito a trabalho externo, estabelecimento similar, podendo o apenado ser
além de ser autorizada pela direção do estabelecimen- alojado em compartimento coletivo.
to, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilida-
Lembre-se que no regime fechado o indivíduo fica
de, e do cumprimento mínimo de 1/6 da pena. Este
em cela individual, enquanto no regime semiaberto é
trabalho externo é quase inócuo nesta fase, pois, via
possível alojamento coletivo. Isso porque é o início da
de regra, o sujeito progride com o cumprimento de
preparação do indivíduo ao seu retorno à vida em so-
1/6 da pena, de modo que não haveria como trabalhar
ciedade.
externamente no regime fechado nesses casos, salvo
se cometeu crime hediondo, eis que o cumprimento O trabalho é admissível dentro do presídio durante
exige uma fração maior. o período diurno. O trabalho externo também é ad-
missível, bem como a frequência a cursos supletivos
Sobre o trabalho de reeducando, o preso não está profissionalizantes, de instrução de segundo grau ou
submetido às regras da CLT, mas deverá ser remunera- superior. Este trabalho poderá ser em obras e serviços
do. Apesar de não estar regulado pela CLT, tem a ga- públicos, mas também para a iniciativa privada.
rantia da previdência social.
No caso da iniciativa privada, a jurisprudência exige
Admite-se a remição pelo estudo. A jurisprudência prévia autorização judicial.
admite a remição inclusive pela leitura.
Admite-se a frequência a cursos fora do estabeleci-
A súmula 241 do STJ diz que a frequência a curso de mento, podendo ser profissionalizantes, de instrução
ensino formal é causa de remição de parte do tempo de segundo grau ou superior, valendo como remição
de execução de pena sob regime fechado ou semia- da pena.
berto.
Recentemente, o STF decidiu que, se a pena-base
Esta é a previsão da súmula, mas em 2010 a Lei n. foi fixada no mínimo legal (circunstâncias judiciais fa-
12.245/10 alterou a redação do art. 83 da LEP, a fim de voráveis), o juiz deverá estabelecer o regime inicial se-
autorizar a instalação de salas de aulas nos presídios. miaberto para o condenado a pena superior a 4 e que
A Lei n. 12.443 é expressa em dizer que é possível não exceda a 8 anos. Aplica-se ao caso a Súmula 440 do
a remição inclusive nos 3 regimes (fechado, aberto e STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o
720 Carolina Carvalhal, Nidal Ahmad e Arnaldo Quaresma

estabelecimento de regime prisional mais gravoso do A prisão domiciliar é cabível quando:


que o cabível em razão da sanção imposta, com base • não há estabelecimento adequado ou casa de al-
apenas na gravidade abstrata do delito. bergado;
c) Regime aberto. No caso do regime aberto, a ideia • o reeducando é maior de 70 anos;
é começar a trabalhar com o sujeito, considerando
• o reeducando é portador de doença grave;
a sua aptidão ao retorno da vida social.
• o reeducando tem filho deficiente que precisa efe-
Cabe ressaltar que não há remição pelo trabalho tivamente de sua atenção;
no regime aberto, pois trabalhar é condição necessária
• a reeducanda ser gestante.
para que o apenado possa estar nesse regime.
O condenado vai sair do estabelecimento durante
o dia, frequentando cursos ou exercer algum trabalho.
V. Espécies de Pena Privativa de Liberdade
Durante a noite, o indivíduo volta para se recolher na a) Pena de reclusão. Basicamente, a pena de reclusão
casa de albergado. permite que ela seja cumprida em regime fechado,
Tanto no período noturno como nos dias de folga o semiaberto ou aberto.
indivíduo fica na casa de albergado. Essa casa de alber- Em relação a esta pena, o CP diz que:
gado é um imóvel sem grades, não existindo obstácu-
• Pena – superior a 8 anos, o regime inicial será o fe-
los físicos à fuga.
chado, independente se o sujeito for primário ou
A casa de albergado normalmente não há vagas ou reincidente.
não há o próprio local. Nesses casos, a lei permite que • Pena – superior a 4 anos e não superior a 8 anos, o
o sujeito cumpra pena em estabelecimento adequado,
regime inicial será semiaberto, desde que o sujeito
conforme as condições pessoais do reeducando.
seja primário.
Também é possível que, na falta da casa de alberga- • Pena – não é superior a 4 anos de reclusão, o regi-
do, o sujeito cumpra pena em prisão domiciliar. me inicial será aberto, desde que seja primário.
Este é inclusive o teor da súmula vinculante 56, que • sendo reincidente, se a pena for maior que 4 anos e
diz que a falta de estabelecimento penal adequado até 8 anos, o regime inicial será fechado.
não autoriza a manutenção do condenado em regime
• sendo reincidente, se a pena for de até 4 anos, não
prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hi-
há previsão legal, e sim a Súmula 269.
pótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS.
Nos termos deste RE 641.320/RS: Todavia, o STJ editou a súmula 269, estabelecendo
que é admissível a adoção do regime semiaberto para
• A falta de estabelecimento penal adequado não o condenado a pena igual ou inferior a 4 anos, desde
autoriza a manutenção do condenado em regime que sejam favoráveis as circunstâncias judiciais.
prisional mais gravoso;
A opinião do julgador sobre a gravidade abstrata do
• Os juízes da execução penal poderão avaliar os es- crime não é motivação idônea para fixação de regime
tabelecimentos destinados aos regimes semiaber- de cumprimento mais gravoso do que aquele previsto
to e aberto, para qualificação como adequados a em lei. O regime de cumprimento de pena mais severo
tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos que exige motivação idônea, que é a gravidade em concreto
não se qualifiquem como “colônia agrícola, indus- do delito. É o teor das súmulas 718 e 719 do STF.
trial” (regime semiaberto) ou “casa de albergado ou
estabelecimento adequado” (regime aberto) (art. A incidência da circunstância atenuante não pode
33, §1º, alíneas “b” e “c”, do CP); conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal,
conforme a súmula 231 do STJ.
• Havendo déficit de vagas, deverá determinar-se:
O art. 59, que trata das circunstâncias judiciais, é
− a saída antecipada de sentenciado no regime um critério que orienta a fixação de regime, razão pela
com falta de vagas;
qual é possível fixar um regime mais gravoso do que o
− a liberdade eletronicamente monitorada ao previsto em lei. Isto é, se a pena-base é fixada acima do
sentenciado que sai antecipadamente ou é pos- mínimo legal em virtude de as circunstâncias judiciais
to em prisão domiciliar por falta de vagas; da primeira fase de dosimetria da pena serem desfavo-
− o cumprimento de penas restritivas de direito e/ ráveis, é possível que o juiz fixe regime inicial mais gra-
ou estudo ao sentenciado que progride ao regi- voso do que o abstratamente previsto de acordo com a
me aberto; quantidade de pena aplicada (Inf. 775, STF).
Segundo a súmula 493 do STJ, é inadmissível a fixa- b) Pena de detenção. A pena de detenção é o regime
ção de pena substitutiva (artigo 44 do CP) como condi- semiaberto ou aberto. Não exige regime incialmen-
ção especial ao regime aberto. te fechado, ainda que o sujeito seja reincidente.
A prisão domiciliar é uma espécie do gênero de re- Mas é possível a aplicação de regime fechado
gime aberto. ao condenado a pena de detenção, desde que haja
PREPARAÇÃO TURBO | TRIBUNAIS – ANALISTA JUDICIÁRIO 721

regressão de regime, por descumprimento das regras cabível seria o semiaberto.


da execução. Com base nisso, seria possível, ao fixar o regime
c) Pena de prisão simples. São penas cominadas às aberto, descontar o período já cumprido proviso-
contravenções penais. Pode ser em regime aberto riamente para fixar regime menos gravoso, profes-
ou semiaberto, mas não se admite o regime fecha- sora?
do, ainda que se trate de regressão. NÃO. Isso porque quem foi condenado a 9 anos,

DIREITO PENAL
d) Regime especial para cumprimento de pena de deverá cumprir 1/6 para progredir. Ou seja, o indivíduo
prisão pela mulher. É necessário fazer deverá cumprir ao menos 1 ano e 6 meses por não ter
cumprido esse tempo de 16% da pena, somente após
uma leitura do art. 37 do CP com o art. 5º da CF.
esse prazo é que poderá progredir. Por conta disso, o
Segundo o dispositivo penal, as mulheres cum- regime de João continuará sendo o regime fechado.
prem pena em estabelecimento próprio, observan-
Por outro lado, caso João tivesse cumprido 1 ano e
do-se os deveres e direitos inerentes à sua condição
7 meses, por exemplo, o juiz deverá fixar a pena, ao in-
pessoal, bem como, no que couber, o disposto neste
vés de 9 anos, em 7 anos e 5 meses, hipótese em que o
Capítulo. O art. 5º, LXVIII, diz que a pena será cumprida
regime inicial será o semiaberto, desde que presentes
em estabelecimentos distintos, de acordo com o sexo
as condições necessárias para tanto.
do apenado.
O inciso L do art. 5º diz que às presidiárias serão VII. Penas e medidas Alternativas À Prisão
asseguradas condições para que possam permanecer
com seus filhos durante o período de amamentação. a) Penas restritivas de direito. A finalidade é impe-
dir que alguém tenha sido submetida a pena priva-
A ideia é, mais do que proteger a mulher, proteger tiva de liberdade seja realmente por ela submetida,
a criança. visto que a pena restritiva é mais eficaz e menos
gravosa.
VI. Fixação do Regime Inicial de Cumpri-
Essa pena alternativa é um direito público subjeti-
mento de Pena e Detração
vo do réu, isto é, se ele cumprir as exigências legais, o
Detração é o cômputo do tempo de prisão provi- magistrado é obrigado a promover a substituição da
sória cumprida antes do trânsito em julgado no tempo pena privativa.
definitivamente fixado na sentença. i. Espécies de penas restritivas de direito. São es-
Poderá ser computado não só a prisão provisória, pécies de penas restritivas de direito:
como também a prisão administrativa, a internação, • prestação pecuniária
no Brasil ou no estrangeiro.
• perda de bens e valores;
A Lei n. 12.736/12 alterou o art. 387, §2º, do CPP
• limitação de fim de semana;
que passou a ter a seguinte redação: O tempo de pri-
são provisória, de prisão administrativa ou de interna- • prestação de serviço à comunidade ou a entida-
ção, no Brasil ou no estrangeiro, será computado para des públicas;
fins de determinação do regime inicial de pena priva- • interdição temporária de direitos;
tiva de liberdade. • limitação de fim de semana.
O juiz sentenciante é quem fixa o regime inicial, de- • Prestação pecuniária
vendo considerar o tempo da prisão provisória.
Prestação pecuniária é a prestação em dinheiro
Só é capaz de permitir um regime prisional menos para a vítima, seus dependentes ou entidade pública.
gravoso do que aquele que caberia de acordo com a É importante ser fixada pelo juiz, com valor mínimo
pena antes cômputo da detração, se: de 1 salário-mínimo e máximo de 360 salários-míni-
• coincidir o requisito temporal para a progressão mos.
(cumprimento de 1/6) Se em uma ação de reparação na esfera cível a
• é necessário considerar outros requisitos subjeti- vítima já tiver recebido algo a título de prestação pe-
vos, como é o caso em que crimes contra a admi- cuniária, esta indenização será compensada. Caso os
nistração pública exige a reparação do dano para a beneficiários não sejam
progressão de regime. coincidentes, não haverá dedução.
Exemplo: João, primário, foi condenado a 9 anos de O art. 45, §2, diz que se o beneficiário concordar,
reclusão. João tem o seu regime fechado fixado. Toda- a prestação pecuniária poderia consistir em prestação
via, ele já está preso há 1 ano e 1 mês. Quando é feita a de outra natureza.
detração, João terá de Sanches faz uma crítica, pois dá uma abertura de
cumprir ainda 7 anos e 11 meses. Se pegarmos ape- segurança jurídica e legalidade, eis que a outra par-
nas 7 anos e 11 meses, o regime inicial te estaria dizendo qual seria a pena.

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