978 65 5360 184 0
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científica digital
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S255 Saúde do trabalhador: ações interdisciplinares para o cuidado integral / Dennis Soares Leite (Organizador). – Guarujá-SP:
Científica Digital, 2022.
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Inclui bibliografia
ISBN 978-65-5360-184-0
DOI 10.37885/978-65-5360-184-0
1. Ergonomia. I. Leite, Dennis Soares (Organizador). II. Título.
2022
CDD 620.82
Índice para catálogo sistemático: I. Ergonomia
Elaborado por Janaina Ramos – CRB-8/9166
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Esta obra constituiu-se a partir de um processo colaborativo entre professores,
estudantes e pesquisadores que se destacaram e qualificaram as discussões neste
APRESENTAÇÃO
Dennis Soares
SUMÁRIO
CAPÍTULO 01
A PSICOLOGIA POSITIVA E O TRABALHO
Fernando Denis Assunção Leite; Rita Eliana Masaro; Alessandro Vinicius de Paula; Giovana Rodrigues Dall’Apria Scarsi
' 10.37885/220709599......................................................................................................................................................................... 11
CAPÍTULO 02
APLICAÇÃO DA MODELAGEM CANVAS NO PLANEJAMENTO DE ATIVIDADES VISANDO ASSEGURAR A SAÚDE E A
SEGURANÇA DOS TRABALHADORES
Matheus Silva Proença; Amarildo Tabone Paschoalini; Carlos Augusto Serra da Costa
' 10.37885/220809877......................................................................................................................................................................... 21
CAPÍTULO 03
ASBESTO E MESOTELIOMA: LEVANTAMENTO SOBRE MORTALIDADE E DISCUSSÃO DE GÊNERO – REVISÃO DA
LITERATURA
Dennis Soares Leite; Daniel José Fontel da Silva; Raquel Aparecida Casarotto; Andrés Trottá
' 10.37885/220709536......................................................................................................................................................................... 39
CAPÍTULO 04
AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO VACINAL E A PERCEPÇÃO DE ACADÊMICOS DOS CURSOS DA ÁREA DA SAÚDE DE UM
CENTRO UNIVERSITÁRIO PARTICULAR DE UMA CIDADE DO ESTADO DO PARÁ
Elem Cristina Rodrigues Chaves; Kleber das Neves Trindade Júnior; Adrielle Barbosa Palmeira; Brendol Phelipe Silva dos Santos;
Débora de Jesus Sizo Oliveira; Beatriz dos Santos Costa; Beatriz Fernanda Fernandes de Oliveira; Ismari Perini Furlaneto; Tinara
Leila de Souza Aarão; Maria Helena Rodrigues de Mendonça
' 10.37885/220809823......................................................................................................................................................................... 52
CAPÍTULO 05
CARACTERIZAÇÃO DOS INDICADORES DE ABSENTEÍSMO DAS EQUIPES DE FISIOTERAPIA DE UM HOSPITAL DE
ALTA COMPLEXIDADE
David do Nascimento Pereira; Dennis Soares Leite; Raquel Aparecida Casarotto
' 10.37885/220709539......................................................................................................................................................................... 67
CAPÍTULO 06
COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL DOS SERVIDORES TÉCNICOS-ADMINISTRATIVOS EM EDUCAÇÃO (TAES)
DO ENSINO SUPERIOR FEDERAL
Emerson José da Silva; Alessandro Vinicius de Paula
' 10.37885/220809790......................................................................................................................................................................... 82
SUMÁRIO
CAPÍTULO 07
A CRISE DO TRABALHO E OS IMPACTOS PARA A CLASSE TRABALHADORA BRASILEIRA
Marita Pereira Penariol; Eduardo Moura da Costa
' 10.37885/220709556......................................................................................................................................................................... 99
CAPÍTULO 08
DESPERTANDO EMOÇÕES POSITIVAS NO AMBIENTE HOSPITALAR
Josi Mara Saraiva de oliveira; Adaiane Amélia Baccin; Luciana da Silva Barberena; Taiane Klein dos Santos
'10.37885/220709599
RESUMO
A Psicologia Positiva é uma vertente teórica que estuda fundamentos psicológicos do bem-
-estar e da felicidade, assim como virtudes humanas, caracterizando-se como um campo de
pesquisas em expansão no Brasil. Realizou-se uma pesquisa bibliográfica, a fim de explorar
as articulações entre a Psicologia Positiva e o trabalho. Considera-se que a perspectiva
trazida pela Psicologia Positiva propõe alcançar uma melhora na qualidade de vida do ser
humano por meio da experimentação da positividade no ambiente de trabalho, nas relações
do dia a dia e na vida em geral. Sugere-se que traços e instituições positivas podem aumentar
a sensação de segurança e incentivar o cuidado com a saúde mental e com o bem-estar
de seus trabalhadores.
Saúde do Trabalhador: ações interdisciplinares para o cuidado integral - ISBN 978-65-5360-184-0 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - [Link]
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Para Christopher, Richardson e Slife (2008), a Psicologia Positiva teria surgido com
Martin E. P. Seligman, quando este foi presidente da American Psychological Association,
e desafiou vários psicólogos a embarcar em um projeto transformador que criasse uma
psicologia diferente, uma psicologia das forças e virtudes. Anota-se o fato de que antes da
Segunda Guerra Mundial a psicologia teria como foco a cura de doenças mentais, a forma de
como tornar a vida das pessoas mais produtiva e a identificação de nutrição do alto talento
(SELIGMAN; CSIKSZENTMIHALYI, 2000).
Seligman e Csikszentmihalyi (2014) apontam que várias pessoas perderam sua digni-
dade durante a Guerra, uma vez que se tratava de uma situação emergencial e caótica que
ocasionara a perda de empregos, casas e meio social. Mesmo em meio a tal circunstância,
observaram que uma certa parcela da sociedade teria mantido sua serenidade – parcela essa
que não se referia aos mais afortunados economicamente; o que instigou pesquisadores a
se ocuparem mais dessa forma diferente de enxergar a saúde mental e seus determinantes.
Um maior foco sobre os possíveis meios de reparar os danos provocados pela situação
de Guerra também passaram a fazer parte do novo escopo. A partir da década de 1960 ques-
tionamentos acerca da existência de uma real felicidade duradoura e as formas de encontrá-la
passaram a ser encontrados mais amplamente. No início dos anos de 1990 verificou-se a
publicação de pelo menos 100 intervenções sobre como encontrar a felicidade duradoura
(SELIGMAN; STEEN; PARK; PETERSON, 2005; SELIGMAN; CSIKSZENTMIHALYI, 2000).
Duas são as histórias que teriam levado Seligman e Csikszentmihalyi (2014) a acreditar
que o movimento da Psicologia Positiva seria necessária ao desenvolvimento positivo do ser
humano. A primeira, conforme apresentado por Seligman e Csikszentmihalyi (2014), teria se
passado com Seligman, quando ele e sua filha de cinco anos, Nikki, estariam arrancando
ervas daninhas de um jardim, e Nikki as jogava para cima e cantava. Não gostando disso,
Seligman refere ter gritado com a filha que, após ir embora, retornou ao local e disse:
[…] Papai, quero falar com você. – Sim, Nikki? – Papai, você se lembra de
antes do meu quinto aniversário? Desde que eu tinha três anos até cinco,
eu era uma chorona. Eu choraminguei todos os dias. Quando fiz cinco anos,
decidi não reclamar mais. Essa foi a coisa mais difícil que eu já tinha feito. E
se eu posso parar de choramingar, você pode parar de ser tão resmungão […]
(SELIGMAN; CSIKSZENTMIHALYI, 2014, p. 281).
Seligman refere ter compreendido com essa vivência que criar filhos não era sinônimo
de corrigir falhas ou de os fazer choramingar, mas nutri-los daquilo que havia de melhor e
enaltecer suas qualidades e virtudes. De acordo com Seligman, Nikki já possuía em sua
alma sentimentos puros, bastando que fossem ampliados por meio da alimentação de uma
força calçada em sentimentos positivos e colaborativos que apareceriam quando as tem-
pestades da vida surgissem (SELIGMAN; CSIKSZENTMIHALYI, 2014). Seligman atribuía
Saúde do Trabalhador: ações interdisciplinares para o cuidado integral - ISBN 978-65-5360-184-0 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - [Link]
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à Nikki essa mudança de vida que o levara a enxergar no outro aquilo que há de melhor; o
que promove a felicidade.
A segunda história teria se passado com Csikszentmihalyi, que teria vivenciado desacor-
dos com a psicologia tradicional da Europa; na forma como tratava seus pacientes; e viu-se
diante da necessidade de buscar por uma psicologia diferente. Assim teria ido aos Estados
Unidos da América em busca de uma abordagem do comportamento humano que a auxiliasse
a lidar com questões fundamentais da vida. No entanto, teria se deparado com um ceticismo
atrelado à noção do fazer científico que ainda relacionava muito fortemente a questão do
cuidado psicológico ao tratamento medicamentoso (SELIGMAN; CSIKSZENTMIHALYI, 2000).
A ideia de que a Psicologia Positiva é um construto com resultados suficientes para
validar pesquisas é defendida por autores que apresentaram resultados de estudos que
demonstram sua efetiva contribuição à compreensão dos aspectos positivos do ser humano.
Entretanto, a falta de um rigor científico quanto às experimentações realizadas e a carência
de aprofundamento nas potencialidades das forças internas do ser humano foram alguns
dos elementos questionados quando de sua aplicação (PACICO; BASTIANELLO, 2014).
Como reflexos do novo paradigma epistemológico instaurado pela Psicologia Positiva,
estudos sobre a força humana, a resiliência, o otimismo, as habilidades interpessoais, a
ética de trabalho, a esperança, a coragem, a honestidade e a perseverança entraram em
expansão (SELIGMAN, 2019; SELIGMAN; CSIKSZENTMIHALYI, 2014).
Em suma, a Psicologia Positiva entende que o ser humano pode ter recursos psicológi-
cos para o enfrentamento de adversidades encontradas ao longo da vida, e que os atributos
como a esperança, a sabedoria, a criatividade, o otimismo e coragem podem nutrir sua vida
com mais autenticidade e alegria.
A década de 1990 pode ser considerada um marco histórico no interesse das ciências
humanas e sociais pelo estado positivo da vida organizacional, refletindo em estudos sobre
bem-estar laboral, satisfação no trabalho, experiências positivas e afetivas no mundo do
trabalho (RIBEIRO; SILVA, 2018).
A Psicologia Positiva, ao apresentar uma nova forma de observar o mundo descentra-
lizando a doença do ser humano, enfrenta a tarefa de encarar o cenário mundial globalizado
em que a economia e os empregos incertos fomentam a competitividade entre as pessoas e
tolhem-lhes, constantemente, a possibilidade de aprofundarem-se em suas próprias subjeti-
vidades (GOMES; TOLENTINO; MAIA; FORMIGA; MELO, 2016; PACICO; BASTIANELLO,
2014; BARROS; MARTÍN; CABRAL PINTO, 2010; SNYDER; LOPEZ, 2009).
Saúde do Trabalhador: ações interdisciplinares para o cuidado integral - ISBN 978-65-5360-184-0 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - [Link]
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“Este novo milênio” caracterizado pelo desespero que o capitalismo provoca, levou
o ser humano ao sentimento de caos, de perda de princípios éticos e de secundariza-
ção de valores positivos e otimistas. Como consequência, uma projeção do egoísmo e da
indiferença passou a ser encontrada entre as pessoas e nas comunidades (SELIGMAN;
CSIKSZENTMIHALYI, 2014).
A perspectiva trazida pela Psicologia Positiva propõe alcançar uma melhora na quali-
dade de vida do ser humano por meio da experimentação da positividade no ambiente de
trabalho, nas relações do dia a dia e na vida em geral; sugerindo que traços e instituições
positivas podem aumentar a sensação de segurança e incentivar o cuidado com a saúde
mental e com o bem-estar (PÉREZ-NEBRA; QUEIROGA; OLIVEIRA, 2020; SELIGMAN;
CSIKSZENTMIHALYI, 2014).
Ao dirigir seus estudos aos fatores positivos relacionados ao desenvolvimento huma-
no de forma saudável e feliz, a Psicologia Positiva apresenta contribuições às análises dos
ambientes organizacionais e às formas como as relações psicológicas, cognitivas e emocio-
nais dos profissionais se estruturam nessas instituições (MENDONÇA; FERREIRA, 2018;
MARTINS; COSTA; SIQUEIRA, 2014).
Por meio da investigação sobre o que é felicidade, a Psicologia Positiva acena que
as pessoas esperam ser reconhecidas pelas funções que exercem no trabalho, gerando
sentimentos de pertença e de fatores efetivos que levam ao seu reconhecimento no âmbito
social (TOULABI; RAOUFI; ALLAHPOURASHRAF, 2013).
As emoções positivas vivenciadas no âmbito do trabalho referem-se a afetos positivos,
à energia que se emprega no trabalho, ao engajamento e ao entusiasmo que se tem nas
relações. Por outro lado, os negativos dizem respeito à presença de fatores negativistas que
envolvem emoções negativas, situações entediantes, falta de interesse, estresse e hosti-
lidade. Por essa razão, a Psicologia Positiva frisa a importância de o trabalhador sentir-se
engajado, motivado e desafiado positivamente nas circunstâncias cotidianas (OLIVEIRA;
NUNES; LEGAL; NORONHA, 2016).
O engajamento seria um recurso da Psicologia Positiva para incluir nesse contexto de
competitividades uma perspectiva em que o ser humano se sentiria mais ativo em relação a
suas conquistas, vigorando com energia e buscando superar as adversidades. Por meio de
constructos como o engajamento, o sujeito tenderia a sentir-se mais motivado e dedicado
ao trabalho, ao invés de vivenciar uma sensação de desgaste (VAZQUEZ; HUTZ, 2021;
WARR; INCEOGLU, 2012).
Na esfera organizacional, Pérez-Nebra, Queiroga e Oliveira (2020) destacam que a
prevenção e a potencialização das habilidades positivas do trabalhador, assim como as
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intervenções no ambiente de trabalho, podem contribuir para melhoras da saúde no siste-
ma organizacional.
A autopercepção do trabalhador quanto aos desacordos vivenciados entre sua di-
nâmica laboral e vida subjetiva pode contribuir com a decisão de refletir, (re) estabelecer
e (re) planejar sua carreira profissional durante o processo de trabalho. Para a Psicologia
Positiva, o trabalhador é capaz de desenvolver habilidades que influenciam positivamente
na ascensão profissional e na nutrição de experiências pessoais que o levam a altos níveis
positivos (PÉREZ-NEBRA; QUEIROGA; OLIVEIRA, 2020).
Destaca-se que as abordagens científicas do bem-estar humano definem dois aspec-
tos: o estado subjetivo/de percepção subjetiva de prazer ou felicidade e as potencialidades
sustentadas na dinâmica de confronto às adversidades da vida. Ao primeiro aspecto, interno,
dá-se o nome de bem-estar hedônico; e ao segundo, externo, eudaimônico (PÉREZ-NEBRA;
QUEIROGA; OLIVEIRA, 2020).
O bem-estar hedônico é acometido por dimensões afetivas e cognitivas, nas quais
o ser humano julga sua satisfação com a vida, em que três elementos primários são en-
contrados: a satisfação com a vida global, os afetos positivos e os baixos níveis de afetos
negativos. O bem-estar eudaimônico diz respeito ao desenvolvimento humano e a sua ca-
pacidade de enfrentamento aos desafios da vida (CORDEIRO; GAMBOA; PAIXÃO, 2018;
SIQUEIRA; PADOVAM, 2008).
A tais conceitos atrela-se um viés multidimensional com aplicação significativa ao cam-
po do trabalho, uma vez que emoções positivas no trabalho podem desencadear fatores
positivos acerca da compreensão do próprio indivíduo diante das habilidades que considera
primordiais no trabalho; e consequentemente ao alcance das metas de vida (SILVA; ROAZZI;
SOUSA; SILVA; FRADE, 2020; SIQUEIRA; PADOVAM, 2008).
Na perspectiva em que a positividade é encarada como pressuposto para se levar a
uma vida com mais entusiasmo, vigor e motivação, estudos destacam a importância da li-
derança em contextos organizacionais, focalizando sua execução bem-sucedida, bem como
sua influência sobre a motivação da equipe e nas tomadas de decisão (BENDASSOLLI;
MAGALHÃES; MALVEZZI, 2014).
De forma geral, a Psicologia Positiva preconiza que um trabalhador satisfeito gera
sentimentos de pertencimento, exercendo com positividade sua função. A qualidade de vida
no trabalho e a satisfação laboral podem gerar felicidade e disposição acentuada, colabo-
rando para que os indivíduos coloquem seus recursos internos de enfrentamento à frente
das demandas no trabalho.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Psicologia Positiva é uma teoria que busca estudar os aspectos ótimos do ser huma-
no; uma forma enriquecedora de ver a vida pelos olhos da gratidão e resiliência; já o enga-
jamento traz consigo a motivação, o envolvimento com o trabalho, o sentimento de pertença
que são emergidos pelos aspectos positivos que o colaborador apresenta neste ambiente.
As experiências que o ser humano vivencia durante a vida são de extrema importância
para o crescimento emocional e profissional, uma vez que enfrenta diversos fatores situacio-
nais na sociedade, sejam eles positivos e/ou negativos. Nessas diferentes situações, sob a
perspectiva positiva, os recursos de enfrentamento que são utilizados é que capacitam os
seres humanos a superarem as adversidades que surgirem no caminho, ou seja, a resiliência.
Os aspectos positivos essenciais ao funcionamento ótimo dos sentimentos humanos,
como: emoção positiva, engajamento, sentimento de pertença, realização positiva, felici-
dade, resiliência e otimismo, fazem parte do arsenal de sensações que contribuem para o
desenvolvimento que o ser humano tem de melhor, das forças que desempenha para que
a felicidade, ainda que subjetiva, seja sentida por quem a pratica.
A Psicologia Positiva é uma ciência que busca revolucionar a Psicologia tradicional.
Ela não caminha por dirimir o sentimento de luto, por exemplo, do ser humano, nem as suas
fragilidades de encarar os desafios. Busca o bem-estar e o fortalecimento emocional das
pessoas por meio das habilidades e características que apresentam, ou seja, do que elas
têm de melhor. As virtudes, os valores e os sentimentos positivos das pessoas são fatores
de amplificação do sentimento de bem-estar.
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02
Aplicação da modelagem Canvas no
planejamento de atividades visando
assegurar a saúde e a segurança dos
trabalhadores
'10.37885/220809877
RESUMO
Uma das vertentes para se reduzir os alarmantes índices de incidentes em ambientes la-
borais é compreender como se desenvolve o processo de decisão dos colaboradores e
atuar, estrategicamente, nos parâmetros que o influencia. Ao promover ferramentas que
estimulem o estado de consciência e a percepção ativa das próprias equipes de trabalho, as
organizações estarão favorecendo um ambiente com menos incertezas, no qual as decisões
são, predominantemente, frutos do domínio cognitivo e comportamental, e não do estado
psico-sócio-emocional da equipe. Assim, neste trabalho, pretende-se aplicar a metodolo-
gia Canvas no planejamento de atividades industriais, a fim de gerar pensamento visual,
comunicação eficiente e integração total da equipe envolvida, desencadeando um melhor
gerenciamento das atividades e o reconhecimento dos riscos envolvidos. Este método de
planejamento robusto e, ao mesmo tempo, simples, auxilia o processo de delineamento das
mais diversas atividades do ramo. Em um estudo de caso, foi possível observar os efeitos
benéficos em se aplicar tal metodologia.
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Por consequência, desenvolverão um maior domínio cognitivo da atividade que será
executada, ou seja, um estado de consciência, bem como terão uma melhor percepção dos
riscos envolvidos, um pensamento sintetizado e visual e uma integração total da equipe, que
repercutirá, também, nas tomadas de decisões antes e durante a execução da atividade.
METODOLOGIA
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Figura 1. The Business Model Canvas – Ferramenta para planejamento de modelos de negócios.
Figura 2. The Project Model Canvas – Ferramenta para planejamento de modelos projetuais.
A ferramenta Canvas, desde sua criação, foi desenvolvido para ser realizado em pe-
quenas equipes de trabalho, a fim de fomentar a análise e a discussão do grupo envolvido.
Observar uma tarefa e meditar nela por diferentes perspectivas é importante, pois permite
notar premissas e riscos que, em uma investigação rápida e individual, não seriam percep-
tíveis. O momento de pausa e observação é fundamental para uma execução consciente,
com tomadas de decisões premeditadas (HART, 2018).
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Sugere-se, também, que, para a apresentação, a ferramenta Canvas seja impressa
em uma grande superfície, um único plano-visual, como em folhas para flipchart, em for-
mato A1 e, em seguida, preenchida com notas coloridas ou marcadores de quadros, para
melhor envolver os participantes. As seções pré-existentes no mapa visual são componentes
lógicos que organizarão o fluxo de ideias e que ajudarão a verificar a existência de compa-
tibilidade nelas.
O método que será aqui proposto mantém a essência do modelo original, no entanto,
faz adaptações quanto aos blocos de execução. Na seção seguinte, será mostrado o arranjo
sugerido para a melhor aplicação deste método no contexto da segurança do trabalho.
A aplicação da ferramenta, em campo, deverá contar com a liderança de um engenhei-
ro de segurança responsável pela equipe de trabalho. Mas, para o seu desenvolvimento,
como já observado, será necessária a participação de todos os colaboradores envolvidos
na atividade que será executada.
O desenvolvimento do modelo em equipe é requisito fundamental para esta aplicação,
pois, como bem discutido por Hart (2017), se uma pessoa influente em um certo grupo expõe
sua visão sobre um risco existente, em uma determinada atividade, o número de pessoas
adeptas a esta visão, naquele grupo, tenderá a aumentar significativamente. Este efeito re-
cebe o nome de “bandwagon effect” (HART, 2017). Com este exercício, os colaboradores
se tornarão mais conscientes de suas reais influências.
Para o sucesso do planejamento, o engenheiro de segurança usará de suas habilidades
para projetar a atividade e promover a interatividade daquela equipe, devendo, obviamente,
conhecer as diretrizes das normas regulamentadoras vigentes, pertinentes àquele trabalho
e as técnicas envolvidas no processo.
Quanto maior a complexidade da atividade em questão, maior será o benefício do
planejamento colaborativo, pois, ao se sentirem conectados ao sistema, os colaboradores
tenderão a apresentar menor resistência aos requisitos da atividade (FINOCCHIO JR., 2016)
e estarão praticando uma segurança de alta qualidade, com características, de acordo com
a curva de Bradley, ao estágio comportamental de interdependência, no qual a equipe de
colaboradores assume responsabilidades e se tornam protagonistas de sua própria segu-
rança e da segurança dos demais.
Em síntese, a curva de Bradley é uma ferramenta que correlaciona diretamente a ma-
turidade da cultura de segurança de uma organização à sua taxa de acidentes. Como pode
ser visto na Figura 3, a curva é dividida em quatro espectros de comportamento. Do primeiro
para o último estágio comportamental, os índices de lesões se reduzem massivamente.
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Figura 3. Curva de Bradley – Nível de maturidade da cultura de segurança de uma empresa.
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e desenvolver um planejamento colaborativo, um pensamento visual amplo e uma cultura
de segurança entre os próprios colaboradores.
Para a eficiência real desta ferramenta, assim como de qualquer outra tecnologia,
antes de sua aplicação, é necessário que os colaboradores compreendam a sua utilidade
(VASSALLO e METZLER, 2017) e as melhoras que ela trará nos resultados em seguran-
ça. O uso adequado deste modelo também permitirá que as empresas tomem, de forma
mais ágil, as melhores decisões e desenvolvam soluções para eventuais problemas encon-
trados pelo caminho.
Uma maneira eficiente para se resolver uma tarefa longa e complexa é dividi-la em
vários blocos de planejamento e produção sequenciais, pois, assim, o cérebro responde di-
ferente àquela atividade (ALELO, 2019). Então, para a concepção do modelo da ferramenta
proposta, será necessário o preenchimento de 10 blocos lógicos. Estes blocos, assim como
no método do PM-Canvas, ajudarão a equipe a responder perguntas básicas e essenciais em
uma atividade, como: Por quê? O que? Quem? Como? Quando? (FINOCCHIO JR., 2020).
A dimensão destes blocos no mapa visual, de forma intencional, limita o espaço de
planejamento, para que os envolvidos sintetizem as informações da atividade, destacando
somente os pontos essenciais e não causando um desvio de foco. O modelo proposto, neste
trabalho, encontra-se representado na Figura 4, a seguir.
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O primeiro passo é entender o motivo para realização daquela atividade, saber qual
o real problema que está, naquele instante, movendo aquela equipe. Estas informações
estarão no primeiro bloco, nomeado como “PROBLEMA”.
Após pontuar o problema em questão, cabe a equipe projetar seus objetivos a favor do
qual seus esforços estarão mobilizados. No bloco “OBJETIVOS” será feita, de forma indireta,
uma descrição sintética da atividade a ser realizada. Assim como no modelo PM-Canvas, os
objetivos devem seguir o formato SMART, sigla esta originada de cinco palavras da língua
inglesa: Specific (específico), Measurable (mensurável), Reachable (alcançável), Realist
(realista) e Time-bound (delimitado no tempo) (FINOCCHIO JR., 2020).
O bloco seguinte, “EQUIPE”, determina quem serão os envolvidos internos e exter-
nos naquela atividade. Deve-se, nesta seção, listar o nome de cada integrante do grupo
de trabalho e sua respectiva atribuição, como exemplo: operador de máquinas, soldador,
engenheiro de segurança, técnico em mecânica.
Em grande parte das atividades, há envolvidos externos a ela, que, indiretamente,
afetam sua execução. Um exemplo bem comum é quando se tem uma empresa terceirizada
executando uma atividade dentro da obra de uma empresa contratante. Neste caso, para a
empresa contratada, a empresa contratante é uma envolvida externa, que estará afetando
as premissas da atividade e lhe dando certas restrições, muitas vezes.
O quarto bloco, “REQUISITOS”, como o próprio nome sugere, será, neste modelo,
formado pelas diretrizes normativas envolvidas na atividade, ou seja, os recursos e as
exigências presentes em sua execução. Os treinamentos e capacitações, equipamentos e
maquinários apropriados são exemplos genéricos de requisitos.
Ao elencar os requisitos no modelo, a equipe terá, de forma sintetizada, uma lista de
elementos que devem ser verificados antes da realização daquela atividade. Está seção
contará, sobretudo, com o conhecimento das normas regulamentadoras vigentes e das
instruções técnicas por parte do engenheiro de segurança responsável.
A próxima etapa no modelo é avaliar e relacionar os riscos presentes na atividade e no
ambiente em que ela será realizada. Vale reforçar que, segundo a BSI-ISO-45001 (2018),
os riscos estão associados à exposição do colaborador a perigos, ou seja, fontes, situações
ou atos, potencialmente, danosos à saúde e/ou aos bens materiais.
Os riscos relacionam a probabilidade de ocorrência com o grau de impacto, desta
forma, devem ser elencados na ferramenta Canvas em ordem decrescente – do maior
risco existente para o menor. Neste bloco, deve ser identificado todos os agentes nocivos
no ambiente de trabalho, como os agentes físicos, químicos e biológicos, abordados, ex-
plicitamente, na NR-09, assim como os riscos ergonômicos e de acidentes apreciados em
demais normas vigentes.
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Esta avaliação que será realizada, pela equipe de trabalho, antes de executar a ati-
vidade, tem caráter puramente qualitativo, ou seja, é demarcada pelo ato de antecipação,
que é investigar os potenciais agentes nocivos que possam, futuramente, existir na execu-
ção da atividade; e ao ato de reconhecimento, que é, por sua vez, identificar as situações
ali já evidentes.
O próximo bloco, “MEDIDAS DE CONTROLE”, tem total ligação com o bloco de riscos,
pois não basta a equipe só conhecer os riscos existentes, ela precisa, também, conhecer
as medidas que serão aplicadas para mitigá-los. Como expresso na NR-09, as medidas
de controle são providências tomadas a fim de eliminar, minimizar ou controlar os riscos
ambientais. Os colaboradores envolvidos devem ter um estado de consciência dos agentes
nocivos presentes na atividade que estão executando, assim como da necessidade de cada
medida de controle que será ali aplicada.
Os blocos “RISCOS” e “MEDIDAS DE CONTROLE” encontram-se um ao lado do
outro, propositalmente, para que a equipe que está construindo o modelo relacione, para
cada risco, a respectiva providência tomada para o seu controle. O engenheiro de segurança
responsável pela equipe pode utilizar o documento-base do Programa de Gerenciamento
de Riscos (PGR) para conduzir a equipe na construção destes blocos. Caso a atividade em
questão seja nova, e ainda não haja um PGR para ela, a execução da ferramenta Canvas
poderá auxiliar o profissional a dar início à sua elaboração.
O sétimo bloco, “PREMISSAS”, são suposições dadas como certas no planejamento
da atividade. Estas suposições estão relacionadas a fatores externos a ela, e que, de certa
maneira, viabilizam algumas de suas etapas. É importante elencar as premissas, para que
a equipe se atente ao que deve ser checado no início de uma determinada etapa, antes
de sua execução.
O bloco das restrições, por sua vez, indicará, para aquele trabalho, as limitações e dire-
trizes de contenção impostas pelas Normas Regulamentadoras brasileiras e pelos relatórios
de Instruções Técnicas internos da própria empresa. Para um desenvolvimento seguro e
padronizado da atividade, é essencial que a equipe seja lembrada das restrições ali presentes.
Os dois últimos blocos, “PLANO DE AÇÃO” e “LINHA DO TEMPO” também estão
interligados. No plano de ação, a equipe irá, se possível, seccionar a atividade em eta-
pas. Na parte inferior de cada nota autoadesiva do plano de ação, poderá ser escrito o nome
dos colaboradores responsáveis por aquela fase. As etapas devem seguir uma ordem cro-
nológica na ferramenta Canvas e estarem relacionadas a um prazo de execução no bloco
“LINHA DO TEMPO”.
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Verificações de compatibilidade entre os blocos
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Figura 5. Ferramenta Canvas aplicada à atividade de manutenção elétrica.
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O bloco das premissas irá, antes e durante a execução da atividade, alertar a equipe
de trabalho sobre os itens que devem ser verificados antes de uma etapa específica, e o
bloco das restrições advertirá certos procedimentos da execução. Na seção das premissas
foi inserido fatores externos e internos. O primeiro está relacionado à empresa contratante,
que precisa estar ciente e de acordo com a hora, local e data da atividade, para que tam-
bém se planeje para receber aquela intervenção em sua rede elétrica. Outras importantes
premissas destacadas foram quanto à sinalização e ao isolamento da área, à constatação
da ausência de tensão no poste, e quanto ao freio do caminhão que irá movimentar a carga.
No protocolo de integração, deve ser verificado se os recursos requisitados, direta e
indiretamente, pelas premissas e medidas de controle, estão presentes no bloco de requi-
sitos. Como exemplo, para constatar a ausência de tensão (que foi uma das premissas) é
necessário um equipamento de detecção apropriado, desta forma, este equipamento deve
estar listado no bloco “REQUISITOS”. Este exercício de verificação, após a concepção do
modelo, é essencial para o seu bom funcionamento. Durante este planejamento, se a equi-
pe achar necessário, poderá fazer um melhor detalhamento de todo os equipamentos que
serão utilizados em um espaço fora da ferramenta Canvas.
O bloco “PLANO DE AÇÃO” não só secciona a atividade em tarefas menores e men-
suráveis, como define o colaborador responsável por ela, deixando-o ciente de sua impor-
tância naquela atividade e das etapas que lhe antecede e as seguintes. No caso ilustrativo
abordado, o plano de ação deixa claro que a etapa de desconexão e a retirada do poste
defeituoso só podem ser realizadas após a constatação da ausência de tensão e a aplicação
dos procedimentos que impedem a reenergização do local.
O compartilhamento de informações e a integração colaborativa, promovidos pela fer-
ramenta Canvas, proporciona para a equipe, de forma sintetizada e simples, a compreensão
dos procedimentos, requisitos, restrições e riscos da atividade que irão desenvolver. A fer-
ramenta, como foi mostrado com o exemplo, agiliza o gerenciamento do trabalho e propor-
ciona pensamento visual e foco, tornando cada colaborador ciente de suas influências e
responsabilidades na segurança do grupo. Um ambiente laboral seguro é fruto de um estado
de consciência e comprometimento de todos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Por fim, para se apreciar os efeitos práticos que o método pode proporcionar a uma
equipe real com multi-características – diferentes faixas de idade, profissão e nível de es-
colaridade –, realizou-se um estudo de campo em uma empresa que atua no segmento
de produtos e serviços para detecção, alarme e combate a incêndios. A abordagem foi
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aplicada em uma equipe com 6 colaboradores, com a supervisão e participação do técnico
de segurança responsável.
A metodologia Canvas foi aplicada em uma atividade de preparação e instalação da
tubulação hidráulica de proteção contra incêndios em uma área de risco de uma empresa
contratante. Na Figura 7, encontra-se, digitalizado, o preenchimento do modelo feito pela
equipe, em campo, como mostra a Figura 6. Após a atividade, foi realizada uma breve en-
trevista com a equipe.
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Figura 7. Ferramenta Canvas aplicada à atividade de preparação e instalação de um sistema de proteção de combate a incêndio.
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Neste grupo de trabalho, havia três encanadores experientes e outros três sem muita
experiência. Na entrevista realizada, os entrevistados relataram que planejar, de forma
simples, a atividade com a ferramenta Canvas, e, concomitantemente, compartilhar suas
diferentes percepções do caso, suas experiências adquiridas com os anos de trabalho, e,
ao final, edificar, em uma rede efetiva de comunicação e conhecimento, todos os presentes.
Como esperado, os relatos dos colaboradores, pós-atividade, foram positivos. Os en-
volvidos disseram obter, com a ferramenta, uma visão mais clara do trabalho em questão
e dos riscos nele presentes, assim como a relação de cada respectiva medida de controle
aplicada. Outro ponto levantado, pela equipe, é a facilidade que a ferramenta tem de síntese,
diferentemente de outros documentos formais comumente utilizados por eles.
CONCLUSÃO
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11. FINOCCHIO JÚNIOR, José. Project Model Canvas. 2. ed. São Paulo: Saraiva Educa-
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12. HABER, G. D. The Impact of the Subconscious on Risk-Based Decision Making, 2016.
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ponível em: <[Link] Acesso em: 17 jul. 2020.
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15. KAHNEMAN, D.; ROSENFIELD, A. M.; GANDHI, L.; BLASER, T. Noise: How to Over-
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17. OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y.; CLARK, T. Business Model Generation: a handbook
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18. RAMABHADRAN, S.; JACOBS, M. New Strategies for Managing Risk are Mandatory
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03
Asbesto e mesotelioma: levantamento
sobre mortalidade e discussão de gênero
– revisão da literatura
'10.37885/220709536
RESUMO
A inalação de poeira nos ambientes de trabalho e sua associação como agente causa-
dor de sintomas respiratórios e doenças pulmonares foi identificada por Hipócrates. Milhares
de novos casos são identificados a cada ano em todo o mundo, principalmente em países
desenvolvidos que possuem programas de vigilância em saúde ocupacional que registram
e totalizam os casos1.
No advento da medicina científica foi realizada a descrição da asbestose, doença res-
ponsável pela morte de trabalhadores expostos ao asbesto em atividades de fiação. A as-
bestose é uma doença caracterizada por produzir fibrose pulmonar nos trabalhadores. A ex-
posição por asbesto pode ser ocupacional, ambiental ou doméstica e é classificado como
cancerígeno tipo I pela International Agency for Research on Cancer (IARC/2012)1,2.
O asbesto é uma fibra mineral sedosa, largamente utilizada na indústria para a fabri-
cação de telhas, caixas de água, guarnições de freios, lonas, pastilhas e revestimentos de
discos de embreagem, vestimentas especiais, materiais plásticos, termoplásticos, tintas,
massas e pisos vinílicos3.
Outra doença conhecida devido a exposição ao asbesto é o mesotelioma que é um tipo
de câncer raro, com alto grau de malignidade, disseminação e tempo de latência que pode
chegar a mais de quarenta anos. Ocorre uma mutação de células mesoteliais que revestem
a superfície da pleura, peritônio, pericárdio e túnica vaginal, sendo o seu diagnóstico difícil
e com baixa precisão3,4,5.
O asbesto provoca a morte celular necrótica em células mesoteliais primárias, o que
leva a liberação de uma substância chamada High Mobility Group Box 1 (HMGB1) no espa-
ço extracelular. A liberação de HMGB1 gera uma resposta inflamatória crônica, produzindo
acúmulo de macrófagos, especialmente a secreção de Fator de Necrose Tumoral Alfa (TNF-
alfa), que ativa a via Fator Nuclear Kappa B (NF-KB), aumentando a sobrevivência de células
mesoteliais primárias após a exposição ao asbesto. Isso permite que células mesoteliais
primárias com danos ao Ácido Desoxirribonucléico (DNA) induzidos pelo asbesto se divida, o
que ocasiona o acúmulo de células com alterações genéticas o que provoca o mesotelioma6.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) relatam que 125 milhões de
pessoas são expostas ao asbesto no âmbito ocupacional, sendo que mais de 180.000 pes-
soas morrem anualmente de mesotelioma, asbestose e câncer de pulmão, pois existe uma
associação direta sobre o fator ocupacional, que é responsável por cerca de 85% dos casos
de mortalidade. É mais frequente no sexo masculino com uma proporção de 3:1, sendo que
cerca de 60 a 80% dos homens e 5 a 60% das mulheres com mesotelioma possuem história
de exposição ao asbesto7,8,9.
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As mulheres foram inseridas no mercado de trabalho de forma tardia e isso reflete nos
estudos sobre mesotelioma, uma vez que ainda existem poucos dados sobre a mortalidade
de mulheres por mesotelioma e fatores de exposição ao asbesto10,11. Dessa forma, o traba-
lho tem o objetivo de fazer um levantamento sobre mortalidade por exposição ao asbesto/
mesotelioma em mulheres e associar com a discussão de gênero.
METODOLOGIA
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram encontrados 2.874 artigos. Depois da leitura dos títulos e resumos ficaram 262
artigos. Foram excluídos 70 artigos por duplicação. Ficaram 192 artigos, sendo 31 artigos
excluídos, porque não estavam disponíveis e mais 30 artigos excluídos pelos critérios de
inclusão e exclusão, totalizando 131 artigos para revisão da literatura.
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Figura 1. Etapas da revisão da literatura.
A pesquisa fez um levantamento dos países que os artigos foram publicados e a Itália
e os Estados Unidos lideram a quantidade de artigos publicados sobre a mortalidade por
mesotelioma com 33 (25,19%) e 29 (22,13%) respectivamente (Tabela 1).
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Tabela 1. Relação de países onde aconteceram os estudos.
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a taxa continua a aumentar na maioria dos países europeus e Japão, todavia atingiu o pico
nos Estados Unidos e Suécia, o que correlaciona com o que foi encontrado na pesquisa,
pois a maioria dos estudos estão na Itália e Estados Unidos. Assim como, a produção e o
consumo nos últimos anos estão sendo deslocados para países em desenvolvimento, cuja
a exposição geralmente é elevada, produz poucos estudos na área, uma subnotificação e
uma proporção elevada de mortalidade13,14.
O primeiro estudo sobre asbesto e mesotelioma na Itália e Estados Unidos datam de
1979 e 1977 respectivamente. Os dados sobre mortalidade em sua maioria são retirados
da Italian National Inst itute of Statistics (ISTAT) e National Institute for Occupational Safety
and Health (NIOSH)13,14.
O grande número de estudos realizados na Itália e Estados Unidos ocorrem porque
estes países possuem um sistema de controle de doenças ocupacional mais estruturado
permitindo a identificação da incidência e prevalência do mesotelioma em trabalhadores
e adoção de ações para protegê-los. A mineração do asbesto em território americano foi
proibida em 2002, porém foi permitido o seu uso com restrições, sendo o limite de tolerân-
cia para a exposição ocupacional estabelecido em 0,1 f/cm3. Enquanto na Itália, em 1992,
foi proibida a mineração, importação, comercialização e produção de produtos feitos com
asbesto, assim como a lei é direcionada para diminuir a concentração da fibra no ar13,14.
Destaca-se a necessidade de se considerar simultaneamente as esferas da produção
e reprodução, no que se refere tanto aos homens quanto às mulheres, sendo que apenas
três abordavam exclusivamente a mortalidade em mulheres (Tabela 2).
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Existe um avanço na produção de conhecimento e na visibilidade do debate frente às
relações sociais de gênero e da divisão sexual do trabalho, porém ele ainda não se encon-
tra suficientemente presente, como questão transversal nos estudos do mundo do trabalho
como pode identificar na pesquisa1.
De acordo com alguns estudos a incidência global da doença é maior em homens do
que em mulheres, pois existem maiores proporções de trabalhos relacionadas ao asbesto
para homens. A diferente tendência e as taxas de mortalidade mais baixas registradas por
mulheres estão relacionadas que a exposição ocupacional é um fator com maior influência
nesta incidência11,15,16,17,18,19.
É importante compreender que a associação de poucos estudos referentes a morta-
lidade de mulheres por exposição ao asbesto, deve-se ao fator histórico de exclusão das
mulheres no mercado de trabalho. O primeiro marco foi a transição da produção artesanal
doméstica à produção artesanal capitalista no espaço doméstico, onde foi observado uma
discrepância de salários entre homens e mulheres15.
Segundo Marinaccio et al. (2018) que verificou a mortalidade por mesotelioma de mu-
lheres e sua associação com os fatores de exposição. Identificou-se que mais de 30% das
mortes foram causadas por fatores não ocupacionais, mas também foram identificadas expo-
sições em casa, ocupacional, lazer, ambiental e fatores não identificados. O fator ocupacional
estava relacionado a indústria têxtil, que é predominantemente de mão de obra feminino11.
Segundo Reid et al. (2008) encontrou distintas causas de mortes em mulheres devido
ao mesotelioma, através de um estudo realizado na Austrália e o fator não ocupacional es-
teve predominante. O fator ambiental estava relacionado a área que as mulheres moravam,
que era ao redor de indústrias que utilizavam asbesto e o fator doméstico foi ocasionado
devido ao contato com a roupa dos maridos que trabalhavam nas indústrias ou quando eram
contratadas para lavagem das roupas dos mineradores16.
Um estudo realizado por Amin (2019) sugere que as mulheres apresentam maior sobre-
vida em comparação com os homens, porque apresentam distintas exposições ambientais
e identifica o fator não ocupacional como principal risco para o mesotelioma em mulheres17.
Segundo um estudo realizado na África do Sul em 2019, que fez um levantamento sobre
mesotelioma em mulheres, através de estudos de casos, constatou que elas foram expostas
ao asbesto pela forma não ocupacional. Todas tiveram histórias misturadas da exposição
relativas a contaminação secundária, ou seja, ambiental e doméstica. Além disso, o estudo
estima que haverá um número significativo de casos de mesotelioma com exposição ao
asbesto não ocupacional18,19.
Os primeiros estudos na literatura não abordavam a incidência de mortalidade em
mulheres, porque por um longo período associavam o trabalho de homens a exposição de
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asbesto e consequentemente a evolução para o mesotelioma. Mas, Germani et al. (1999)
publicou um artigo na Itália que estudava a mortalidade exclusivamente em mulheres e
constataram uma heterogeneidade de exposição ao asbesto, como: indústrias que utilizam
produtos com asbesto, trabalho têxtil e exposição a diferentes tipos de fibras do asbesto19.
Foram realizadas no estudo o levantamento das causas de mortalidade, sua associa-
ção com outros tipos de câncer nos estudos. Onde 71 (54,19%) dos artigos obtiveram como
causa de mortalidade o mesotelioma (Tabela 2).
Tabela 2. Causas de mortalidade encontradas nos artigos da pesquisa por exposição ao asbesto.
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A maioria dos pacientes apresenta derrame pleural, o crescimento local do tumor pode
empurrar o diafragma e deslocar o fígado e baço, que pode ser confundido com hepatomega-
lia ou esplenomegalia, aumento evidente do hemitórax, deslocamento da traqueia, aumento
dos linfonodos, baqueteamento digital, paralisia das cordas vocais ou síndrome de horner
e compressão da cava inferior ou superior2,20,21.
Em um estudo realizado em 2001 no Japão foi investigado a incidência de mesotelioma
e suas características, o que corrobora com o nosso estudo e com a literatura sobre o tema,
que retrata o maior número de casos de mesotelioma pleural e em último a túnica vaginal22.
Na literatura é discutido as diferentes formas de exposição e sua causa de mortalidade.
Dessa forma, o trabalho fez um levantamento sobre os 3 tipos de exposição e identificou-se
que 69,46% dos estudos é devido ao fator ocupacional. (Tabela 3). As principais ocupações
que possuem risco para os trabalhadores, são: mineração de asbesto, construção civil, tra-
balhadores expostos na produção, instalação, remoção de materiais isolantes, estaleiros,
fabricação de tecidos com asbesto, soldadores, encanadores e eletricistas2.
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CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
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Avaliação da situação vacinal e a percepção
de acadêmicos dos cursos da área da saúde
de um centro universitário particular de
uma cidade do estado do Pará
'10.37885/220809823
RESUMO
Objetivo: Avaliar o perfil e a percepção dos discentes dos cursos da área de saúde em uma
instituição privada de ensino superior de uma cidade do estado Pará acerca do calendário
vacinal. Métodos: Trata-se de estudo descritivo, analítico e quantitativo da situação vacinal,
realizado em uma instituição privada de ensino superior localizada em uma cidade do Pará.
Resultados: Após análise dos dados, foi observado associação significativa no status vacinal
desatualizado dos discentes da saúde e a faixa etária de 18 a 22 anos (p=0,0381), a menor
exigência do cartão vacinal no estágio extracurricular (p=0,0035) e a menor percepção sobre
PNI e consequências da não imunização (p=0,0001 e 0,0141). Ademais, a menor adesão as
vacinas pelo curso de Biomedicina (p=0,0389) e maior em Enfermagem (p=0,0389), menor
frequência de cartão atualizado em Nutrição e Biomedicina (p<0,0001) e maiores orientações
acerca da vacinação nos dois anos iniciais ao curso (<0,0001). Conclusão: Observa-se
negligencias quanto ao perfil vacinal a partir da baixa frequência de vacinação e o elevado
risco aos graduandos da saúde, dispõem às instituições a necessidade de medidas de in-
tensificação à nível da biossegurança e verificação precoce e constante do cartão vacinal.
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(HIV). Nesse contexto, as instituições de saúde e educação têm um papel significativo na
manutenção da situação vacinal atualizada de profissionais e acadêmicos, além de estabe-
lecer propostas com fins profiláticos visando controle/eliminação dos riscos ocupacionais.
De acordo com Art. 1° do projeto de Lei n°1.429/2019, permanece obrigatória apre-
sentação do cartão de vacinação apenas a crianças e adolescentes para realização de
matrícula em instituições nas redes públicas e privadas de educação, excluindo matriculas
a serem realizadas em instituições de nível superior, contrapondo, o projeto de Lei n°3530
inclui comprovação de vacinação em universidades públicas, no entanto, apenas aos dis-
centes menor de dezoito anos (BRASIL, 2004; 2019). Independente dos projetos, é notório
a isenção da comprovação do cartão vacinal aos discentes de nível superior, corroborando
uma maior exposição à essas doenças.
A permanência de determinado agente patogênico em uma população depende da
presença de pessoas suscetíveis, portanto, o estado de imunização dos discentes e pro-
fissionais de saúde é de extrema importância devido ao contato constante com doentes e
materiais biológicos. Com isso a importância de estudos que visem conhecer a imunidade
individual dos discentes e o conhecimento dos mesmos para desenvolver estratégias que
visem ampliar o conhecimento e minimizar os riscos de doenças imunopreviníveis.
O presente estudo tem por objetivo avaliar o perfil e a percepção dos discentes dos
cursos da área de saúde em uma instituição privada de ensino superior de uma cidade do
estado Pará acerca do calendário vacinal.
MÉTODOS
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A obtenção dos dados foi realizada por meio de um questionário auto aplicado adap-
tado de Chehuen N, et al. (2010), composto por 21 perguntas referente ao curso, status
vacinal, conhecimento relacionado ao calendário vacinal e importância da vacina, além de
informações sobre obstáculos para imunização. O recrutamento dos discentes foi realizado
nas dependências da IES e contou com uma abordagem baseada na breve apresentação do
projeto, seguido do encaminhamento dos discentes interessados em participar da pesquisa a
uma sala reservada, da apresentação do projeto e da aplicação do TCLE e do questionário.
Os dados foram tratados segundo a sua natureza, sendo expressos sob a forma de
frequências absoluta e relativa e as associações foram testadas com o auxílio do teste Exato
de Fisher ou teste G de independência, seguido da Análise de Resíduos do Qui-Quadrado
para em caso de significância estatística. Todos os testes foram executados com o auxílio
do programa BioEstat 5.0 e foi adotado o nível de significância igual a 5%.
O estudo atendeu os princípios éticos da Resolução do Conselho Nacional de
Saúde (CNS) n° 466/12 e recebeu aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa (CAAE:
11065119.9.0000.8187; Parecer nº: 3.296.203).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Participaram do estudo 363 discentes, com média de idade igual a 21,6 anos (IC95%
21,1 – 22,1), variando entre 18 e 52 anos; maioria era do sexo feminino (280/363, 77,1%,
IC95% 72,5 – 81,2; p<0,0001). Considerando a situação do cartão vacinal, 50,0% (179/358)
declararam tê-lo atualizado, não sendo observada associação entre sexo e situação do car-
tão vacinal (p=0,8023). No entanto, notou-se associação entre os mais jovens e a ausência
de atualização do cartão e da faixa etária entre 23 e 27 anos e a manutenção do cartão
atualizado (p=0,0381) (Tabela 1).
Tabela 1. Perfil dos participantes do estudo de acordo com sexo e faixa etária, segundo a situação do cartão vacinal.
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Segundo Araújo TM, et al. (2019) e, Cardin VSG e Nery LMG (2019), a hesitação vaci-
nal é categorizada por inúmeros fatores como grau de confiança, baixa percepção de risco,
acessibilidade, questões religiosas e políticas, sendo uma tendência progressiva e preocu-
pante, sobretudo, no âmbito desenvolvimento profissional. Diversos estudos relatam o perfil
da situação vacinal descrito e relaciona-o à baixa percepção de risco e a falsa visão da saúde
integra presente no público jovem, o qual interfere a lógica de profilaxia, molda sua adesão
a programas de prevenção e, considerando o alto risco de exposição a material biológico,
esses alunos destacam-se como grupo de risco para diversas infecções imunopreveníveis
(SILVA RGM e NASCIMENTO VF, 2017; ARAUJO TM, et al., 2019).
Um dos imunobiológicos presentes no Calendário Vacinal Ocupacional é a tríplice viral,
altamente imunogênica para sarampo, rubéola e caxumba, considerada a única medida de
prevenção. Todavia, no presente estudo foi possível observar uma baixa cobertura vacinal no
Brasil desde 2016, como resultado, relata a reemergência do sarampo no período de fevereiro
de 2018 a junho de 2019, com maior percentual de casos na faixa de 15 a 29 anos, corrobo-
rando a maior susceptibilidade desse público diante o status vacinal e, quando tratando de
estudantes e profissionais da saúde, a exposição e os risco de transmissão no meio intra e
extra ocupacional são preocupantes (BRASIL, 2019; CHAVES ECR, et al., 2020). De acordo
com Ministério da Saúde (2020), 21 estados permanecem com circulação ativa do vírus do
sarampo e, como consequência da infecção, Mina MJ, et al. (2019) destaca a alta capacidade
do vírus em provocar uma “amnésia imunológica”, o qual diminui os anticorpos preexistentes
que fornecem proteção a outros patógenos, tais efeitos proporcionam a vulnerabilidade à
doenças secundárias e aumentam a morbimortalidade por anos após a infecção do sarampo,
contudo, tais consequências não foram observadas em indivíduos vacinados.
Além do sarampo, atualmente a pandemia do Covid-19 constitui uma Emergência de
Saúde pública de Importância Internacional ocasionando mais de 559.998 óbitos a nível
mundial, nesse sentido, reconhecendo o impacto dos imunobiológicos, diversas instituições
atuam com objetivo de desenvolver uma vacina (BRASIL, 2020). A vista disso, pesquisadores
apontam a hipótese da ação da vacina Bacille Calmette-Guérin (BCG) na atenuação dos
efeitos da Covid-19, alegando que países onde a BCG é mantida de forma rotineira exibem
menor incidência de casos, entretanto, embora as agências e entidades especializada em
saúde relatem não haver evidências de tal relação, apontam efeitos inespecíficos da BCG
sob o sistema imunológico e, dessa forma, incentivam ensaios clínicos para avaliar os
efeitos da vacina (OMS; SMIm, 2020). Tais dados corroboram os benefícios da imunização
de forma direta e indireta a determinadas patologias e, com graduandos e profissionais da
saúde atuando como linha de frente aos desafios de saúde, a manutenção do cartão vaci-
nal é fundamental.
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Referente ao perfil acadêmico dos participantes, considerando a situação vacinal em
função do curso, apenas Enfermagem apresentou maior percentual de indivíduos com cartão
vacinal atualizado enquanto nos cursos de Nutrição e Biomedicina prevaleceu a situação de
cartão desatualizado (p<0,0001). Quanto à prática de estágio extracurricular, fazê-lo esteve
associado ao cartão atualizado (p=0,0008), assim como sua exigência (p=0,0035). Ademais,
a declaração de conhecimento do PNI (p=0,0001) e a ciência das consequências trazidas ao
profissional sem imunização adequada (p=0,0141) também estiveram associadas a possuir
cartão atualizado (Tabela 2).
Tabela 2. Perfil acadêmico dos participantes do estudo de acordo com as variáveis da pesquisa, segundo a situação do
cartão vacinal.
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2015; SOARES WKR, et al., 2018). Notadamente, os fatores de exposição ocupacional
influenciam a profilaxia pré-exposição, todavia, Soares WKR, et al. (2018) relata também a
prevalência de acidentes em profissionais atuantes em laboratório de análises clinicas, no
entanto, de acordo com os dados da pesquisa, esse fator não apresentou influencia quanto
a sensibilização dos discentes à imunização.
O ambiente laboratorial de análises clínicas é caracterizado pela ampla manipulação
de materiais potencialmente infecciosos, especialmente perfurocortante, o qual apresenta
alta incidência em acidentes com profissionais e graduandos da saúde e, dentre esses, des-
tacam-se biomédicos e farmacêuticos com ampla atuação, sobretudo, na coleta e exames
laboratoriais, sendo praticas recorrentes nas atividades acadêmicas (JUNIOR EPS, et al.,
2015; ANAHP, 2017). A explicita exposição aos riscos adjuntos ao status vacinal inadequado,
exibe o grau de negligencia dessa população, expondo o mesmo perfil aos acadêmicos de
Nutrição, inferindo-se à falsa percepção de segurança.
Outro fator observado na população em estudo é a manutenção do cartão vacinal
aos que praticam estágio extracurricular, pode-se corroborar essa relação ao percentual
significativo de exigência por parte das empresas e instituições à comprovação do cartão
vacinal atualizado para realização das atividades. Sendo práticas voluntárias e/ou remune-
rada, muitos estudantes iniciam precocemente sem o conhecimento prévio das normas de
biosseguranças, gerando uma maior probabilidade de infecções por doenças imunopreve-
níves, nesse sentido, essas instituições detêm forte influência sob avaliação e a manuten-
ção do cartão vacinal, além de auxiliar indiretamente na detecção de falhas na imunização
(SORGATTO SV, et al., 2018). Além disso, alunos que declaram conhecimento acerca
do PNI e das consequências a não imunização possuem maior cobertura vacinal, sendo
consistente com a dados de Araújo TM, et al. (2019). Sorgatto SV, et al. (2018), remete as
falhas das coberturas à ausência de campanhas informacionais e educativas, sobretudo,
nas fases iniciais da graduação.
Allcott H e Gentzkow M (2017) definem as Fake News como “artigos noticiosos que
são intencionalmente falsos e aptos a serem verificados como tal, e que podem enganar
os leitores”. Atualmente, estudos apontam a influência dessas informações sob a recusa
vacinal e à desinformação (ARROYO LH, et al., 2020; CHAVES ECR, et al., 2020). Tais
dados instigaram a investigação da existência de associação desse fator com a possível
desatualização do cartão vacinal, no entanto, não foi observada associação significativa entre
a situação do cartão vacinal e os aspectos relacionados às fakenews (Tabela 3).
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Tabela 3. Distribuição dos participantes da pesquisa de acordo com os aspectos relacionados aos obstáculos da imunização
e aveiculação de notícias falsas, segundo a situação do cartão vacinal.
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Tabela 4. Perfil dos participantes do estudo de acordo com as variáveis, segundo o número de vacinas administradas.
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cartão de vacinação dos discentes. Nesse contexto, além de campanhas de nível educacio-
nal aos discentes, é essencial estabelecer o comprometimento das instituições superiores
nas avaliações do status vacinal ainda na graduação (MPH SBD, et al., 2018; KARLSSON
LC, et al., 2019).
Considerando o curso de graduação a declaração relacionada ao ano em que o alu-
no recebeu orientações sobre a importância da imunização, notou-se maior frequência de
alunos de Farmácia e Nutrição que declararam tê-las recebido no 1º ano do curso, enquan-
to os alunos de Enfermagem declararam, em sua maioria, que esses fatos ocorreram no
2º ano (p<0,0001).
Quanto ao conhecimento do PNI, observou-se associação entre a declaração de conhe-
cê-lo e o curso de Enfermagem e entre os cursos de Nutrição e Biomedicina e o autorrelato
de desconhecimento desse Programa (p<0,0001) (Tabela 5).
Tabela 5. Perfil dos participantes do estudo de acordo com as variáveis, segundo o curso de graduação.
Curso
Variável Enfermagem Farmácia Nutrição Biomedicina p-valor*
n; % n; % n; % n; %
Orientações sobre a importância da imunização
Sim 115; 82,1 40; 74,1 55; 73,3 75; 84,3
0,2177
Não 25; 17,9 14; 25,9 20; 26,7 14; 15,7
Orientações recebidas
1º ano 39; 32,5a 27; 71b 47; 79,7b 39; 41,9
2º ano 75; 62,5b 07; 18,4a 05; 8,5a 43; 46,3
<0,0001†
3º ano 06; 5 02; 5,3 07; 11,8 11; 11,8
4º ano 0 02; 5,3b 0 0
Conhece o PNI
Sim 79; 57,2b 28; 51,9 20; 26,3a 30; 34,1a
<0,0001†
Não 59; 42,8a 26; 48,1 56; 73,7b 58; 65,9b
Legenda: Teste G de independência/Análise de Resíduos do Qui-Quadrado. †Estatisticamente significativo. aFrequência menor que a esperada ao acaso.
bFrequência maior que a esperada ao acaso.
Fonte: Chaves ECR, et al., 2022.
Ao analisar a Matriz Curricular dos cursos, foi observado a inserção do assunto rela-
cionado a imunização a partir do 1° ano da graduação através da disciplina Biossegurança,
inferindo a maior frequência de orientações relatadas pelos graduandos de Farmácia e
Nutrição, todavia, a menor adesão vacinal por eles, assim como menor relato de orientações
dos demais cursos podem ter origem da imaturidade educacional nos primeiros semestres e,
portanto, o descaso às disciplinas. Oliveira VA, et al. (2011) expõe que 60,4% dos servidores
da saúde não participaram das disciplinas de Biossegurança e, contrapondo-o, Nunes AO,
et al. (2015) relata 60,2% de participação, contudo, menor frequência de vacinação entre
os que não participaram. Tal realidade aponta a biossegurança como norteador às práticas
de autoproteção no contexto da graduação e ocupação profissional. Quanto ao curso de
Enfermagem, compreende-se os maiores relatos no 2° ano devido a disponibilidade de três
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disciplinas contribuintes: Epidemiologia, Semiotécnica em enfermagem e Saúde da Criança
e do Adolescente, temas que trazem a inserção dos conceitos de imunização, prevenção
de agravos e indicadores de saúde (BRASIL, 2018).
Referente ao conhecimento do PNI, o menor relato de conhecimentos adjunto a baixa
vacinação presente no curso de Nutrição e Biomedicina, ressalta a necessidade da ade-
quação das matrizes curriculares aos padrões exigidos à prática, com vista na atualização
contínua de informações que fortaleçam questões preventivas, principalmente vacinação,
devido aos riscos constantes com material biológico, além de adaptá-las ao contexto atual
das necessidades sociais e às alterações no cenário de saúde (BRASIL, 2018; FERREIRA
MJM, et al., 2019).
Considerando o curso de graduação, observou-se que o curso de Enfermagem esteve
associado à exigência do cartão de vacinação no Estágio extracurricular enquanto os de-
mais cursos estiveram associados à sua não exigência (<0,0001). Além disso, observou-se
associação entre a declaração de ciência de que os profissionais de saúde devem seguir
um calendário vacinal e o curso de Enfermagem e o curso de Nutrição e o autorrelato de
desconhecimento desse aspecto (p=0,0381) (Tabela 6).
Tabela 6. Perfil dos participantes do estudo de acordo com as variáveis, segundo o curso de graduação.
Curso
Variável Enfermagem Farmácia Nutrição Biomedicina p-valor*
n; % n; % n; % n; %
Exigência do cartão de vacinação no ato da matrícula
Sim 0; 0 0; 0 0; 0 0; 0
1,0000
Não 140; 100 55; 100 77; 100 91; 100
Exigência do cartão de vacinação no Estágio extracurricular
Sim 32; 22,9b 02; 3,7a 04; 5,2a 05; 5,5a
<0,0001†
Não 108; 77,1a 52; 96,3b 73; 94,8b 86; 94,5b
Ciência de que os profissionais de saúde devem seguir um calendário vacinal
Sim 134; 96,4b 49; 90,7 65; 85,5a 85; 94,4
0,0381†
Não 05; 3,6a 05; 9,3 11; 14,5b 05; 5,6
Legenda: *Teste G de independência/Análise de Resíduos do Qui-Quadrado. †Estatisticamente significativo. aFrequência menor que a esperada ao
acaso. bFrequência maior que a esperada ao acaso.
Fonte: Chaves ECR, et al., 2022.
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CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
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9. BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei n°3530 de 2019 Dispõe sobre a obri-
gatoriedade da apresentação da caderneta de vacinação ou equivalente nos casos
em que especifica, 2019.
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10. BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei n°1.429 de 2019. Estabelece a obri-
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Educação, 2019.
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material biológico em profissionais de saúde no Brasil, 2010–2016. RevBrasMed Trab.
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enfermagem. Rev Fund Care Online, Bahia, 2017; 9(1):137-143.
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miol. 2015;36 (2):186–191
27. NEGRINHO NBS, et al. Fatores associados à exposição ocupacional com material bio-
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nicípio da Bahia. Rev. Saúde Col. UEFS, Feira de Santana, 2015;5(1): 9-16.
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topografia na construtora Milão LTDA. UNI - anhanguera – Centro Universitário De
Goiás Curso De Engenharia Civil. Goiânia, 2018.
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J Health Sci 2017;19(4):268-73.
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05
Caracterização dos indicadores de
absenteísmo das equipes de fisioterapia
de um hospital de alta complexidade
'10.37885/220709539
RESUMO
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fisioterapia, estudos sobre absenteísmo em fisioterapeutas ainda são limitados, especial-
mente no nível de atenção terciário. Identificar os indicadores de absenteísmo auxilia os
gestores dos serviços de saúde a formular políticas de gerenciamento de recursos humanos
e promover ações de saúde do trabalhador para minimizar os impactos que a ausência no
trabalho acarreta na equipe de saúde. Portanto, o objetivo desse estudo é caracterizar o perfil
e identificar os indicadores de absenteísmo de fisioterapeutas de 5 unidades hospitalares
de um hospital público de alta complexidade.
MÉTODO
∑ Números de ocorrências
ÍNDICE DE FREQUÊNCIA:
Números de trabalhadores
∑ Dias perdidas
DURAÇÃO MÉDIA DAS AUSÊNCIAS:
Números de ocorrências
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Após a coleta, os dados dos cinco institutos foram compilados para a determinação
do perfil da equipe e do absenteísmo dos fisioterapeutas do hospital. Para a análise esta-
tística foi utilizado o programa SPSS 20.0. Para efeito de comparação das médias entre os
anos, foi realizado o teste t de Student pareado e o teste de Wilcoxon quando a variável
não apresentava uma distribuição normal. Para se determinar a correlação entre o número
de fisioterapeutas das equipes dos institutos e a ocorrência do fenômeno do absenteísmo,
foi utilizado o coeficiente de correlação de Spearman. Para a classificação do grau de cor-
relação, foi adotado o parâmetro de: fraco quando 0 < r < 0,4; moderado quando 0,4 < r <
0,7 e forte quando 0,7 < r < 1,07. O critério de determinação de significância utilizado foi o
nível de 5% (p≤0,05).
A pesquisa contou com a aprovação do Comitê de Ética do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo sob o número de parecer 2.942.744.
RESULTADOS
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Tabela 1. Distribuição total e percentual do perfil demográfico da população.
2016 2017
%
N % N
Total 174 100 171 100
Sexo
Feminino 142 81,61 140 81,87
Masculino 32 18,39 31 18,13
Faixa Etária
Até 29 anos 39 22,41 42 24,56
30-39 anos 75 43,11 72 42,11
40-49 anos 39 22,41 38 22,22
≥50 anos 21 12,07 19 11,11
Setor
UTI 106 60,92 101 59,06
Enfermaria 39 22,41 41 23,98
Ambulatório 19 10,92 18 10,53
Outros 10 5,75 11 6,43
Contratação
Até 1 ano 14 8,05 19 11,11
1 a 2 anos 24 13,79 20 11,70
2 a 5 anos 38 21,84 36 21,05
5 a 10 anos 36 20,69 36 21,05
> 10 anos 62 35,63 60 35,09
Vínculo empregatício
Estatutário 68 39,08 69 40,35
Estatuário + CLT 46 26,44 44 25,73
CLT 60 34,48 58 33,92
Foi registrado no ano de 2016 em todo o complexo hospitalar um total de 712 dias
de afastamento entre os profissionais fisioterapeutas alvo do estudo, o que equivale a 23
meses e 22 dias de afastamento. O número total de dias de ausência no ano de 2017 foi
menor do que no ano anterior, totalizando 709 dias de afastamento ou o equivalente a um
ano, onze meses e 14 dias de ausência. Na tabela 2 estão apresentados os motivos das
ausências no período analisado. As doenças musculoesqueléticas prevaleceram entre os
principais motivos de afastamento do trabalho, com 172 dias no ano de 2016 e 189 no ano
de 2017. Um expressivo número de afastamentos por licenças médicas cujo motivo (CID-
10) não foi especificado, foi observado em ambos os anos, assim como uma grande parcela
dos afastamentos não tiveram o motivo registrado em qualquer tipo de controle na diretoria
do serviço do instituto.
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Tabela 2. Motivos dos afastamentos de acordo com a categoria de licença.
2016 2017
N % N %
Total 712 100 709 100
Doenças musculoesqueléticas 172 24,16 189 26,66
Doenças respiratórias 105 14,75 57 8,04
Doenças Gastrointestinais 69 9,69 70 9,87
Doenças mentais 17 2,39 11 1,56
Doenças não especificadas 102 14,33 140 19,75
Afastamento por filhos 35 4,92 23 3,24
Outros motivos 83 11,65 52 7,33
Motivo do afastamento não registrado 129 18,11 167 23,55
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de gravidade apresentou crescimento constante no biênio 2016-2017 variando de 0,29 nos
primeiros seis meses de 2016 para 0,40 no segundo semestre de 2017.
A frequência do absenteísmo apresentou tendência de redução nos primeiros semes-
tres analisados, porém obteve crescimento (0,13) no último semestre de 2017. Já a duração
média dos afastamentos inicialmente comportou-se de maneira estável nos três primeiros
semestres do período analisado (2,61 dias no primeiro semestre de 2016, 2,41 no segundo
semestre de 2016 e 2,69 no primeiro semestre de 2017), porém apresentou um salto cres-
cimento para 3,65 dias em média no segundo semestre do ano de 2017.
Figura 1. Gráficos de representação do comportamento dos indicadores de absenteísmo no primeiro e segundo semestre
de 2016 e 2017.
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Tabela 3. Número efetivo de profissionais e média de idade no período 2016 - 2017.
Instituto
2016 A B C D E
Número de Profissionais 29 37 80 6 22
Média de idade 38,07 34,91 35,98 48,71 43,00
(Desvio padrão) (7,69) (6,87) (9,16) (10,32) (10,17)
2017
Número de Profissionais 29 33 77 8 24
Média de idade 39,07 34,68 37,00 45,40 44,13
(Desvio padrão) (7,69) (7,32) (9,41) (8,76) (10,01)
Figura 2. Representação gráfica dos indicadores de absenteísmo nos cinco diferentes institutos no período entre 2016
e 2017.
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Tabela 4. Médias anuais dos indicadores de absenteísmo no biênio 2016-2017.
Instituto
A B C D E
Absenteísmo
2016 (dp) 2,52 (1,07) 1,34 (1,27) 1,83 (0,88) 0,58 (0,43) 1,37 (1,23)
2017 (dp) 2,29 (1,52) 1,95 (1,09) 2,10 (1,36) 2,08 (1,99) 0,88 (1,00)
p valor S = 0,754 T = 0,288 S = 0,875 S = 0,013* S = 0,308
Gravidade
2016 (dp) 0,47 (0,20) 0,29 (0,26) 0,36 (0,23) 0,17 (0,12) 0,26 (0,23)
2017 (dp) 0,50 (0,37) 0,41 (0,27) 0,31 (0,15) 0,49 (0,48) 0,16 (0,18)
p valor S = 0,875 S = 0,583 T = 0,555 S = 0,062 S = 0,327
Frequência
2016 (dp) 0,24 (0,07) 0,05 (0,04) 0,10 (0,05) 0,17 (0,12) 0,11 (0,08)
2017 (dp) 0,12 (0,05) 0,09 (0,03) 0,08 (0,03) 0,24 (0,18) 0,05 (0,03)
p valor T = 0,004* S = 0,059 T = 0,281 S = 0,182 T = 0,045*
Duração
2016 (dp) 2,05 (0,61) 3,99 (3,07) 3,39 (1,43) 0,83 (0,39) 1,97 (1,95)
2017 (dp) 3,65 (2,57) 4,11 (1,99) 3,69 (1,99) 1,43 (1,35) 2,83 (2,86)
p valor S = 0,015* T = 0,917 S = 1,00 S = 0,093 T = 0,683
dp= desvio padrão, T= Teste T de student pareado S= Teste de Wilcoxon para duas amostras dependentes
Tabela 5. Análise da correlação entre o número médio de profissionais no ano e o percentual de absenteísmo.
2016 2017
p valor p valor
Complexo Hospitalar 0,322 0,307 0,003 0,991
Instituto A -0,131 0,684 -0,306 0,334
Instituto B 0,202 0,528 0,286 0,368
Instituto C -0,111 0,731 -0,135 0,675
Instituto D 0,438 0,154 0,103 0,751
Instituto E 0,394 0,204 0,629 0,029*
DISCUSSÃO
De acordo com os dados demográficos apresentados, nota-se que a maioria dos fisio-
terapeutas nesse estudo, em ambos os anos, era do sexo feminino, estava na faixa etária
entre 30 e 39 anos, trabalhava em unidades de terapia intensiva, possuía vínculo empre-
gatício estatutário e trabalhava no complexo hospitalar há mais de dez anos. Em geral, não
houve mudanças expressivas no perfil da população desse estudo entre os anos de 2016 e
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2017. O perfil dos profissionais dessa pesquisa é além de tudo, semelhante aos de outros
estudos que levantaram características sóciodemográficas de outros profissionais. Uma
pesquisa realizada com 2.323 fisioterapeutas do estado de São Paulo identificou que 79,7%
dos profissionais eram do sexo feminino e 42% estava na faixa etária até 40 anos8.
O número efetivo de profissionais sofreu redução de 1,72% no ano de 2017 em com-
paração com o ano anterior, além disso, esse mesmo ano contou com um número maior
de profissionais contratados há menos de 1 ano. Ao mesmo tempo observou-se uma leve
diminuição na proporção de profissionais que trabalham no complexo hospitalar há mais
de 5 e 10 anos. Esse fenômeno, pode indicar precarização do trabalho, relacionada à con-
dições como baixa remuneração e estresse9, ambientes estressores4 e precarização das
condições de trabalho5. Semelhanças no número de dias de afastamento e nos motivos
dos mesmos, foram encontrados em ambos os anos. O ano de 2017 registrou um número
0,42% menor no total de dias de afastamento do trabalho quando comparado ao ano anterior.
Quando são analisados os motivos que levaram os fisioterapeutas a faltarem no trabalho,
percebe-se uma disparidade no absenteísmo-doenças em relação às demais categorias de
afastamento. Em ambos os anos, aproximadamente dois terços do total de dias de ausência
no trabalho foram causados por doenças.
As doenças musculoesqueléticas representaram aproximadamente um quarto dos
motivos de afastamentos do trabalho em ambos os anos, seguida das doenças respiratórias
no ano de 2016 e das doenças gastrointestinais no ano de 2017. Essas três categorias de
absenteísmo-doença são compatíveis com as mais frequentes entre outras categorias de
profissionais da saúde em estudos semelhantes. Um estudo conduzido em um hospital escola
no biênio 2014-2015 analisou a ocorrência de absenteísmo-doença em 180 trabalhadores.
Foram encontradas relações significativas entre o absenteísmo-doença e a ocorrência de
infecções respiratórias, gastrointestinais e, desordens musculoesqueléticas no grupo de
trabalhadores de enfermagem10, corroborando com os nossos achados.
Um número elevado das licenças médicas registradas não teve classificado a indicação
diagnóstica que levou ao afastamento. Isso pode acontecer pelo fato da não obrigatoriedade
de se incluir o código internacional de doenças (CID-10) no atestado médico entregue no
trabalho11. Outra possibilidade é o fato de alguns institutos do hospital realizarem o registro
as licenças médicas dos afastamentos de maneira genérica, não registrando especificamen-
te o tipo de agravo ou doença que resultou a ausência do trabalhador. O não registro dos
motivos dos afastamentos dos trabalhadores nas diretorias técnicas de alguns dos institu-
tos analisados também foi outro aspecto de destaque tendo em vista a grande proporção
desse fato em ambos os anos. A falta de controle nos registros dos motivos que levaram
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a faltas no trabalho dificulta o gerenciamento do absenteísmo e a criação de propostas
para o seu controle.
O percentual de absenteísmo foi maior no ano de 2017 nos institutos cujo número de
profissionais sofreu redução, assim como no complexo hospitalar como um todo. No institu-
to A, que manteve os mesmos profissionais durante todo o biênio, esse percentual também
sofreu elevação, ainda que não significativa. Os institutos D e E tiveram o número efetivo de
profissionais no ano de 2017 maior do que no ano de 2016, no entanto, o instituto E apresen-
tou redução do índice de abstenção com um número maior de profissionais, em contrapartida
o instituto D com um número maior de trabalhadores, apresentou crescimento significativo
nesse mesmo percentual.
Um número insuficiente de recursos humanos pode contribuir potencialmente para a
elevação dos percentuais de absenteísmo, devido a possíveis sobrecargas e insatisfação
dos trabalhadores12. No entanto, no caso da população desse estudo, o absenteísmo não
parece ter relação com a redução ou aumento no número de profissionais em 4 dos 5 ins-
titutos avaliados. O instituto E no ano de 2017 foi o único local que apresentou correlação
significativa positiva entre o número de profissionais e o percentual de absenteísmo, isto é,
nos meses em que houve um maior número de profissionais, as taxas de absenteísmo tam-
bém foram maiores. Entretanto, nesse mesmo instituto, o absenteísmo sofreu redução em
comparação ao ano de 2016, ainda que esta não tenha sido significativa. Levanta-se então
a possibilidade de que as causas do aumento ou redução dos percentuais de absenteísmo
estão ligadas a outros fatores que não foram abordados nesse estudo.
Apesar destes dados, nenhuma unidade avaliada apresentou índices maiores do que
o recomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que é de 2,5%13.
Os índices de gravidade apresentaram em geral, tendências de evolução ao longo do
período analisado na maioria dos institutos. Os índices registrados no ano de 2016 (0,31)
e em 2017 (0,37) mostram-se elevados quando comparados a outros estudos na literatu-
ra. Uma pesquisa realizada em 2012 com 377 profissionais da saúde em um hospital de
grande porte, encontrou um índice de gravidade de 0,2114. Já o estudo de Ribeiro15 que foi
conduzido em um hospital público, verificou a incidência de absenteísmo causado por dor
lombar em 482 servidores. Na ocasião, foram encontrados índices de gravidade de 0,15 e
0,27 nos anos analisados.
O índice de frequência foi o único indicador que apresentou redução de 2016 para
2017 no complexo hospitalar. Três dos cinco institutos analisados individualmente também
apresentaram redução nesse mesmo indicador, sendo que nos institutos A e E essa redução
foi estatisticamente significativa e igual ou maior que 50%. Na prática, isso significa que um
número menor de ocorrências de abstenção acometeu os trabalhadores. Contudo, não se
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pode dizer que um número menor de ocorrências reflete em índices de absenteísmo meno-
res, uma vez que, afastamentos de longa duração ainda que em menor frequência, podem
favorecer a manutenção dos índices de abstenção em níveis elevados.
O índice de frequência apresentado por todo complexo hospitalar em ambos os
anos, é menor quando comparado aos achados em outros estudos disponíveis na literatu-
ra. Um estudo conduzido com trabalhadores de serviços públicos e privados no município
de Araçatuba - São Paulo, apontou índices de frequência de 0,38 e 0,50 entre a população
analisada16. No presente estudo, o índice de absenteísmo no hospital e em seus institutos
individualmente, variou entre 0,05 e 0,24. Especialmente no Instituto D em que o número
de profissionais é muito pequeno, mesmo um pequeno número de ocorrências de absten-
ção no trabalho pode fazer o índice de frequência permanecer em níveis elevados. Não por
acaso, essa unidade registrou no ano de 2016 e 2017, índices de frequência de 0,17 e 0,24
respectivamente. Couto6 considera que valores de índice de frequência maiores que 0,10
já são considerados elevados.
Em todos os institutos analisados do hospital em que a pesquisa foi conduzida, foi
observado crescimento na duração média dos afastamentos no período analisado. No ins-
tituto A as licenças de afastamento no ano de 2017 foram com duração de um dia e meio a
mais do que no ano anterior. Tal fato levanta a possibilidade de que os motivos que estão
levando os trabalhadores ao afastamento do trabalho, estão apresentando proporções maio-
res ou mais graves, fazendo com que os funcionários permaneçam afastados por maiores
períodos. Não existe um consenso padrão na literatura sobre a classificação das licenças
quanto a sua duração. Alguns autores consideram que licenças curtas variam de 1 a 2 dias
e as licenças médias de 3 a 15 dias17. Outros estudos estabelecem o critério de até 5 dias
para definição de licenças de curta duração e valores maiores do que 5 dias como licenças
de longa duração18. O aumento de 28,45% do valor médio de duração das licenças no com-
plexo hospitalar, ainda que não seja estatisticamente significativo, sugere a necessidade
de investigação criteriosa para se identificar os fatores que tem levado os trabalhadores a
se afastarem por mais tempo.
O monitoramento dos indicadores de abstenção representa uma importante ferramenta
no gerenciamento das questões relacionadas ao trabalho de profissionais da saúde como os
da fisioterapia. A ausência do registro de uma parcela dos motivos que levaram os trabalha-
dores a faltarem no trabalho por parte de alguns dos institutos analisados, representou uma
limitação importante na compreensão da ocorrência de absenteísmo no complexo hospita-
lar. Recomenda-se portando a adoção de uma padronização no controle e gerenciamento
dos índices de ausentíssimo nas diretorias responsáveis pelos serviços de fisioterapia nos
institutos analisados.
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Sugere-se, portanto que estudos que abordem os fatores de causa de ausentísmo
de maneira mais detalhada e em um período de comparação maior, sejam realizados a
fim de se obterem maiores subsídios para a formulação de políticas de controle e geren-
ciamento de recursos humanos, bem como a adoção de ações de saúde que tenham o
trabalhador como foco.
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
1. Organizacíon Internacional del Trabajo. Absentismo: causa y control. Enciclopedia de
Salud y Seguridad en el Trabajo. Madrid: OIT; 1989; 1: 5-12.
6. Couto H. Temas de saúde ocupacional: coletânea dos cadernos Belo Horizonte: ERGO.
1987. 432.
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10. Mollazadeh M, Saraei M, Mehrdad E, Izadi N. Sickness absenteeism of Healthcare
Workers in a Teaching Hospital. Hosp Pract Res. 2018 Feb; 3(1):6-10.
15. Ribeiro C, Moreira D. Absenteeism for low back pain in the municipal administration of
Goiânia in the years 2008 and 2009. Fisioter. Mov. 2014 Jul; 27(3): 349-359.
17. Couto H. Guia prático de tenossinovites e outras lesões. Belo Horizonte. Ergo. 1991.
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Comprometimento Organizacional dos
Servidores Técnicos-Administrativos em
Educação (TAES) do Ensino Superior Federal
'10.37885/220809790
RESUMO
O bem-estar físico e psicológico do servidor público devem ser garantidos diante da neces-
sidade de adaptação às novas tecnologias e distintas relações de trabalho. O objetivo deste
estudo foi identificar os níveis do Comprometimento Organizacional dos servidores Técnicos
Administrativos em Educação (TAEs) de uma Instituição de Ensino Superior (IES) pública
federal do estado de Mato Grosso. É uma pesquisa de natureza quantitativa, que utilizou
como instrumento a Escala de Bases do Comprometimento Organizacional (EBACO) e contou
com 318 servidores técnicos administrativos participantes. A análise dos resultados indicou
servidores TAEs comprometidos com o desempenho organizacional, que se identificam
com a filosofia da empresa; no entanto, sem vínculo afetivo consolidado, sem sentimento
de pertencimento à um grupo ou à instituição, indicando que buscam uma carreira sólida,
mas preferem construí-la sem vínculos emocionais. Esta pesquisa amplia os estudos sobre
Qualidade de Vida no Trabalho no serviço público federal e pode contribuir para o desen-
volvimento de políticas de gestão de pessoas, que alinhem o bem-estar dos servidores e
melhorias na prestação do serviço público.
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REFERENCIAL TEÓRICO
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na qualificação profissional. Essa autorresponsabilização ou autogestão do trabalho para o
desenvolvimento profissional, é um processo de aperfeiçoamento e aquisição de conheci-
mentos/habilidades por parte do trabalhador, que pode acontecer num caminho único entre
os objetivos pessoais e organizacionais (Borges-Andrade & Sampaio, 2019).
Neste cenário, ações de QVT de caráter mais assistencialista e menos preventivas, ten-
dem a transferir para os trabalhadores do setor público, as responsabilidades pelo aumento da
produtividade e melhorias na prestação dos serviços, o que de certa maneira desonera a ad-
ministração pública da responsabilidade que lhe cabe (Ferreira, Alves & Tostes, 2009). O foco
em resultados traz um novo direcionamento a gestão pública, que precisa garantir ao seu
trabalhador condições físicas e emocionais para atender essa entrega de demanda.
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pode contribuir com experiências positivas e consequentemente ampliar o desejo deste de
permanecer comprometido com a organização (Lima, 2018).
A relevância que o comprometimento organizacional vem tomando nas organizações
sugere a importância de estudos realizados na área pública, principalmente pelas peculia-
ridades desse universo. O início dos estudos sobre comprometimento organizacional no
setor público ocorreu a partir de 1993 e até o ano de 2011 foram poucas as publicações,
alcançando seus melhores índices nos anos de 2017 e 2019, neste período foram identifica-
dos 42 trabalhos na esfera pública federal e 17 na estadual (Pinho, Oliveira & Silva, 2020).
As pesquisas sobre o Comprometimento Organizacional a nível internacional ganharam
maior destaque ainda na década de 1970 e foram marcadas pela diversidade de conceitos
em relação ao seu constructo como: aceitação dos valores, normas e objetivos da orga-
nização; disposição de investir esforços em favor da organização; desejo e vontade de se
manter membro da organização (Mowday, Steers & Porter, 1979, p. 226).
Para Bastos, Siqueira, Medeiros e Menezes (2008), a construção das bases do com-
prometimento organizacional possui o seguinte caminho evolutivo: a) comprometimento
afetivo ou atitudinal (identificação com os objetivos da organização); b) comprometimento
de continuação, baseado na troca indivíduo/instituição e nos custos que teria ao sair deste
emprego; c) comprometimento normativo fundado no sentimento de lealdade e obrigação
com a organização e; d) comprometimento comportamental, vinculado às ações das pes-
soas trabalhadoras.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Universo e participantes
A pesquisa foi realizada em uma Instituição de Ensino Superior (IES) pública federal
do estado de Mato Grosso que possuía 3.662 pessoas, no ano de 2018, em seu quadro de
servidores ativos. Desse total de trabalhadores, 2.077 eram servidores docentes do ensino
superior; 1.585 eram servidores técnicos-administrativos [TAEs] (UFMT, 2018), este último
grupo de servidores foi o foco da presente pesquisa. Participaram desta pesquisa 318 TAEs,
cerca de 20% do total de servidores TAEs da instituição no momento de execução do estudo.
Instrumentos
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itens divididos entre as sete bases do comprometimento organizacional (Bastos, Siqueira,
Medeiros & Menezes, 2008, p. 62). Para a construção da EBACO, Medeiros (2003) se utili-
zou de indicadores do comprometimento organizacional retirados do instrumento de Meyer,
Allen e Smith (1993).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
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Tabela 1. Perfil dos servidores TAEs participantes da pesquisa.
Variáveis n %
Feminino 192 60,40
Sexo
Masculino 126 39,60
Menos de 25 anos 24 7,50
de 26 a 35 anos 152 47,80
Idade de 36 a 45 anos 77 24,20
de 46 a 50 anos 26 8,20
acima de 51 anos 39 12,30
Solteiro 125 39,30
Casado 163 51,30
Estado civil
Separado/divorciado/desquitado 22 6,90
União estável 8 2,50
Ensino Médio Completo 25 7.50
Ensino Superior Completo 67 21,00
Escolaridade Especialização 152 48,00
Mestrado 62 19,50
Doutorado 12 4,00
Menos de 2 anos 39 12,30
de 2 a 10 anos 198 62,20
Tempo de serviço na
de 11 a 20 anos 43 13,50
instituição
de 21 a 25 anos 13 4,10
acima de 26 anos 25 7,90
TOTAL 318 100
Fonte: dados da pesquisa.
A maioria dos servidores respondentes declararam ser do sexo feminino (60% do total
de participantes); a maior faixa de participantes tinha idade entre 26 e 35 anos (47,80%);
e 163 servidores (51,30%) se denominaram casados. Considerando o nível de escolarida-
de, 152 pessoas (48,00%) declararam possuir Especialização como pós-graduação e 67
(21% do total geral) possuir apenas o nível superior. Quanto a pós-graduação stricto sen-
su, 62 (19,50%) e 12 (4,00%) afirmaram possuir mestrado e doutorado respectivamente.
Identificamos que 198 TAEs (62,20% dos respondentes) têm de 2 a 10 anos de trabalho no
órgão e 25 (7,90%) mais de 26 anos de serviço na instituição.
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dos resultados identificados com a aplicação da EBACO nos servidores TAEs da IFES
pesquisada pode ser visto na Quadro 1.
A base afetiva pode indicar o quanto a pessoa se identifica com a filosofia e valores
institucionais (Medeiros, 2003). Conforme os resultados encontrados, os servidores TAEs
indicaram um comprometimento acima da média na base afetiva (escore de 12,90), carac-
terizando a “internalização de valores e objetivos da organização” (Medeiros, Albuquerque,
Marques & Siqueira, 2005, p. 13). O comprometimento afetivo é um vínculo ativo e proativo
com a organização, numa postura que é favorável tanto para o trabalhador quanto para a
empresa (CARVALHO et al., 2011).
A internalização de valores organizacionais congruentes com metas e valores pessoais,
potencializa no trabalhador o seu desempenho e envolvimento na realização das tarefas
cotidianas (Meyer & Allen, 1991). O comprometimento afetivo positivo com a organização
melhora a qualidade dos serviços prestados (Lima, 2018), se relaciona diretamente com o
desempenho organizacional (Bastos et al., 2008) e ao mesmo tempo reflete valores que
estes servidores consideram desejáveis.
Base que corresponde a crença de que o trabalhador possui uma obrigação moral
de ficar em uma organização e que não seria correto deixá-la (Bastos et al. 2008). Para os
servidores pesquisados, identificamos um baixo comprometimento quanto à obrigação de
permanecer na instituição (resultado de 9,05). Meyer e Allen (1991) apontam nessa base
a possibilidade de benefícios ou “recompensas” antecipadas que uma organização pode
oferecer, como a promessa de estabilidade no cargo, consoante com o serviço público.
Segundo Wiener (1982), existe uma a pressão familiar ou cultural sentida pelo traba-
lhador mesmo antes de ingressar na instituição e o indivíduo sente-se na obrigação de dar
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uma resposta a estas categorias. Contudo, o alto comprometimento em permanecer não
significa necessariamente um ponto positivo, já que alguns funcionários permanecerão na
empresa contribuindo eficientemente para os objetivos organizacionais e outros que apenas
permanecerão sem um desempenho tão bom e que pouco contribuirão (Allen e Meyer, 1990).
Em um estudo onde analisaram possíveis padrões de comprometimento organizacional,
Medeiros e Enders (1997) perceberam que o baixo comprometimento de permanecer indica
pessoas que não atribuem alto valor ao trabalho, possuem uma vida voltada para a família
e com alguma parte dela dedicada aos estudos com foco na sua própria carreira.
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de trabalhadores (Lima, 2018). Tal resultado pode incorrer em prejuízos para a instituição
com esforços acontecendo de forma individual e não com perspectiva para o todo, o que
pode limitar o desempenho coletivo (Barbosa, Gomes & Almeida, 2017).
O sentir-se parte de um grupo, ser reconhecido e valorizado, influencia no desenvol-
vimento pessoal e na construção da identidade profissional do trabalhador. Moura, Silva e
Carvalho (2019, p. 55) coadunam ao afirmarem que “(...) essa proximidade entre os indivíduos
e o ambiente de trabalho gera um crescimento pessoal.” Apesar do alto comprometimento
em desempenho, os servidores TAEs traçam uma trajetória profissional solitária de não iden-
tificação e de frágeis relações interpessoais com o grupo, com tendência ao individualismo.
De acordo com as definições dessa base, o trabalhador tem a crença de que todo
esforço extra que realizar em benefício da organização deve ser recompensado e que a
instituição tem que lhe proporcionar oportunidades. O valor obtido de 6,28 corresponde a
um comprometimento abaixo da média e indica um resultado positivo por ser inversamente
proporcional ao desempenho na organização (Bastos et al., 2008).
A crença sobre as recompensas e oportunidades é identificada quando o envolvimento
com a organização é baseado nas trocas que se desenvolvem na relação entre a pessoa
e a empresa; quando o trabalhador percebe equidade entre recompensas e contribuições,
ou quando as organizações oferecem oportunidades que correspondem as expectativas do
trabalhador (Medeiros, Albuquerque, Marques & Siqueira, 2005).
A função pública oferece algumas vantagens previstas na legislação, as mesmas que
impedem que possam ser ofertadas outros tipos de recompensas além das previstas pelo
cargo. Esta percepção de equilíbrio pode estar também no reconhecimento de que inde-
pendentemente do nível de desempenho que se tenha, os benefícios e recompensas serão
os mesmos, sugerindo que o bom desempenho pode estar relacionado neste caso, com as
próprias escolhas dos trabalhadores.
Nesta base a pessoa acredita que deve trabalhar de forma correta para permanecer
na organização, mantendo determinadas atitudes e cumprindo as regras como garantia
de preservação do emprego (Bastos et al., 2008). Analisando os resultados, os servidores
TAEs possuem um comprometimento abaixo da média, o que indica ponto positivo para a
organização porque sugere que o trabalhador para se preservar empregado se coloca sob
o controle da organização (Medeiros et al., 2005).
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De acordo com Becker (1960), o comprometimento é construído numa linha consistente
de atividades, escolhidas pelo trabalhador e que melhor atende os seus objetivos pessoais
e profissionais. Entendido como as trocas laterais entre a pessoa e a organização, o indiví-
duo fica na empresa devido aos custos ou benefícios que envolvem a sua saída (Medeiros,
Albuquerque, Siqueira & Marques, 2005; Becker, 1960).
Mais de 87% dos servidores que participaram do estudo, têm mais de três anos de
tempo de serviço na instituição, seguem normas e regras institucionais mesmo depois de
terem passado pelo período do estágio probatório de três anos, expresso na Lei nº 8.112
(Brasil, 1990), e que lhes confere estabilidade no cargo público. O alto comprometimento
em desempenho, reforça que os TAEs se preocupam em desenvolver suas atividades com
eficiência para a organização, sem necessariamente se sentirem pressionados para isso.
Base que traz a crença de que o trabalhador não teria outras ou mesmo poucas
oportunidades de emprego fora do local atual de trabalho (Bastos, Siqueira, Medeiros &
Menezes, 2008). Com resultado de 10,41 indicando um baixo comprometimento, mostra que
os servidores TAEs percebem alternativas de trabalho fora da instituição, e que seu vínculo
empregatício não está condicionado a falta de opções fora de seu ambiente organizacional.
O fato de terem sido admitidos através de concurso público, de terem realizado uma
prova eliminando uma concorrência comumente alta em certames, indica que esse cargo
e essa função que desempenham foram alcançados através de escolha e esforço pessoal.
Retomando Wiener (1982), a pressão normativa sobre sua escolha para o cargo pode
reforçar a sua permanência na organização, considerando inclusive todo o empenho que
normalmente se dedica, para se conseguir passar em um concurso público.
Um nível alto de comprometimento nesta base implicaria na possibilidade de se consi-
derar um emprego fora da universidade, o que poderia representar um indivíduo que trabalha
mais por necessidade e por precisar do emprego, do que disposto a se esforçar em benefí-
cio dos objetivos da organização. Poucas alternativas e custos associados em se deixar a
organização também mostram que as pessoas permanecem no trabalho porque precisam.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) pode ser definida como um conjunto de ações
que podem incentivar um ambiente laboral mais saudável e contribuir na prevenção de
adoecimentos (Paula, 2015), além de direcionar as políticas de gestão de pessoas para
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atuações de caráter contra hegemônico e menos assistencialistas (apesar de reconhecermos
a importância de todos os cuidados com a saúde do trabalhador).
Com o reconhecimento da importância do indivíduo como agente das transformações
dentro do ambiente de trabalho e da necessidade de manutenção da sua saúde física e
mental e do seu bem-estar, é necessário ampliar pesquisas que objetivam a compreensão
dos comportamentos humanos nas organizações, bem como das várias técnicas e maneiras
de mensurá-los.
De maneira geral detectamos nos resultados da EBACO um bom nível de compro-
metimento organizacional dos servidores TAEs com a instituição. Entretanto, identificamos
também um perfil individualista nestes trabalhadores além de um baixo compromisso em
permanecer na instituição. Após a comparação entre os resultados das bases de compro-
metimento organizacional, considerando o cruzamento das variáveis como idade, campus
de lotação, área/característica do ambiente de trabalho, não foram encontradas diferenças
nos resultados.
A escala de base afetiva com resultado acima da média, indica identificação dos ser-
vidores com a filosofia e objetivos da organização. Para tanto, é preciso que as lideranças
busquem garantir experiências positivas no trabalho e com isso fortaleçam a relação entre
o servidor e a instituição (Meyer & Allen, 1991).
Expectativas consistentes de atendimento das necessidades pessoais ajudam a desen-
volver nos trabalhadores, um comprometimento afetivo mais fortalecido com a organização.
Até porque o baixo comprometimento na escala obrigação em permanecer, indica que estes
servidores não possuem um vínculo afetivo tão potente com a universidade. Esta escala
apesar de possuir caráter normativo, tem influência na afetividade do servidor TAE.
A escala falta de recompensas e oportunidades abaixo da média, indica resultado
positivo dos servidores TAEs quanto as compensações e oportunidades ofertadas pela
universidade, fato que precisaria ser melhor investigado. Sabemos que a falta de reconhe-
cimento e prêmios podem afetar o desempenho dos trabalhadores, o que não ocorre neste
caso. Uma hipótese seria a consciência de que não há recompensas explícitas para bons
desempenhos, e não há expectativas de prêmios ou reconhecimento além dos descritos
nos direitos e deveres daquele cargo público.
A escala afiliativa que traduz o sentimento de pertencimento e valorização diante dos
colegas servidores e da própria universidade, apontou um caráter negativo para o desem-
penho institucional com um resultado de baixo comprometimento, o que indica fragilidade
nas relações interpessoais entre os servidores TAEs e destes com a instituição.
O resultado negativo na base afiliativa sugere a falta de envolvimento afetivo dos ser-
vidores com a organização e com as pessoas do trabalho. Os servidores pesquisados ao
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mesmo tempo que buscam uma carreira sólida, preferem construí-la solitariamente e sem vín-
culos emocionais, o que reforça a necessidade de ações de integração para estes servidores.
De certa forma se obteve respostas positivas nesta pesquisa, apesar da desvaloriza-
ção do serviço público fortalecida nestes últimos anos pelo governo atual. No último triênio,
as instituições e os servidores públicos têm vivenciado um período incerto nas garantias e
manutenção dos direitos e conquistas alcançados pela categoria no decorrer de sua história.
Ações e políticas do atual governo federal fomentam insegurança no emprego com reitera-
das campanhas de desvalorização do servidor público, congelamentos salariais e ameaças
referentes ao direito à estabilidade conquistada no cargo público.
A intensificação e a precarização do trabalho afetam a saúde do trabalhador e de acordo
com a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (2018), a saúde pode ser
agravada em ambientes que não possuem condições psicossociais positivas e que trazem
cargas de trabalho excessivas, insegurança laboral, falta de apoio por parte de chefias e
colegas, assédio psicológico, afetando o sentimento de pertencimento.
Um dos papéis da liderança e das supervisões no trabalho é criar uma força agrega-
dora, que aproxime as pessoas recuperando a cooperação, os vínculos, a regularidade e
o bem-estar prejudicados pela digitalização e virtualização. Considerando a realidade do
trabalhador TAE, foco desta pesquisa, como sugestão reforça-se a necessidade de políticas
de gestão de pessoas que objetivem ações de cuidado com a saúde deste servidor públi-
co, através da conscientização do seu papel como pessoa no seu ambiente de trabalho.
Dando-lhes a possibilidade de reconhecer e expor seu mal-estar, reivindicar o seu bem-estar
e superar problemas. Cabe aos supervisores diretos desses ambientes de trabalho, essa
conscientização e desenvolvimento destes trabalhadores, amparados pelo apoio total da
gestão superior.
Este estudo oferece subsídio para o entendimento de fatores que podem influenciar
positiva ou negativamente o comprometimento institucional, além de oferecer insights e re-
flexões sobre como a gestão atual tem pensado a integração e a valorização dos seus servi-
dores. Níveis de comprometimento organizacional positivos unem as pessoas, proporcionam
saúde física, mental e emocional aos trabalhadores além de potencializar nas organizações
as chances de resultados positivos diante dos momentos de mudança.
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07
A crise do trabalho e os impactos para a
classe trabalhadora brasileira
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RESUMO
Na perspectiva de Marx (1993), o trabalho pode ser entendido como uma capacidade
de transformar a natureza para atender às necessidades do ser humano. Portanto, o ato de
produzir e reproduzir a vida humana dá-se pela realização do trabalho e é a partir do trabalho
que o ser humano torna-se ser social, diferindo-se de todos os demais seres.
Freud (2010) aponta para a importância do trabalho na vida das pessoas: apresenta
como um elemento relevante de fonte de satisfação. Assim, o trabalho é visto como um ele-
mento que permite a canalização das energias e o estabelecimento do equilíbrio psíquico do
indivíduo, corroborando para uma organização interna e externa. Nesse sentido, o labor é
considerado um espaço de produção material, de construção de identidade e historicização
do sujeito (ENRIQUEZ, 1999). No entanto, se por um lado o trabalho é uma atividade que
transforma o ser humano em um ser social, por outro, é uma prática produtora de sofrimento
(DEJOURS, 1996). O labor compreende o “espaço de luta entre o “bem-estar” e a doença
mental ou loucura” (DEJOURS, 1996, p. 153).
No que tange à saúde e os processos de sofrimento e adoecimento no contexto de
trabalho, desde o período de industrialização temos relatos sobre as extensas jornadas, as
precárias condições em que homens, mulheres e crianças eram forçados a trabalhar, evi-
denciando desde então as consequências do processo de desumanização do trabalhador.
Todavia, nos tempos atuais, presenciamos práticas recorrentes de trabalho escravo e
infantil em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil, homens e mulheres expostos às
condições insalubres de trabalho, como o caso dos frigoríficos1 e até mesmo, para acelerar a
linha de produção, multinacionais de diferentes ramos adotam práticas abusivas, obrigando
os trabalhadores a usarem fraldas geriátricas como forma de coibir o uso do banheiro.
O ano de 2016 foi marcado por crises em diversos domínios da sociedade brasileira,
efeitos esses que assolam drasticamente a situação do país no presente momento. A des-
moralização na política, a desorganização na economia, políticas que levam à precarização
do trabalho e a desumanização dos trabalhadores caracterizam os acentuados retrocessos
no cenário brasileiro.
A lei número 13.429/2017 (BRASIL, 2017a), que dispõe sobre o trabalho temporário nas
empresas e sobre as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros,
1 Para conhecer a realidade do trabalho nos frigoríficos no Brasil, caracterizado por um desrespeito às legislações trabalhistas, um
ambiente de intenso sofrimento e riscos, indicamos o documentário “Carne, Osso” (2011).
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é mais uma afronta aos direitos dos trabalhadores brasileiros. Dessa forma, as empresas
poderão contratar trabalhadores por um período determinado e depois dispensarem sem
garantia de direito alguma. Outra consequência diz respeito à possível redução na realização
de concursos públicos visto que a lei possibilita a contratação de mão-de-obra terceirizada
para a execução de atividade-meio e fim.
Segundo o balanço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (IBGE,
2018), o número de desempregados no país atingiu 13 milhões de pessoas no trimestre
de maio a julho de 2018, ou seja, 12,3% da população brasileira. E, mais de 20 milhões de
pessoas em situação de subemprego. Houve uma queda de 1,1% no número de empregados
com carteira assinada e um aumento na taxa de informalidade do trabalho representada,
por exemplo, pelos setores de comércio, sobretudo os vendedores ambulantes, área da
informação, comunicação, serviços domésticos, operários da construção civil, auxiliares
de produção na indústria, principalmente de confecção, profissionais autônomos e liberais,
incluindo os motoristas de aplicativo, etc. (IBGE, 2018).
Ainda de acordo com o IBGE (IBGE, 2018), o número de brasileiros que não trabalham
nem procuram emprego atingiu 65,6 milhões, o maior já registrado desde 2012, ano em que
iniciou as análises estatísticas nesse âmbito. Um dos principais fatores que corroboram para
esse elevado índice é o desalento, a falta de expectativa frente a um contexto de profunda
crise em diversos setores da sociedade e de intensa precarização do trabalho.
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em condições insalubres, de desrespeito às necessidades fisiológicas, intensa pressão e
estresse, ritmo de trabalho acelerado como o caso das linhas de produção, dentre outras
circunstâncias paupérrimas. Essa lei ainda estabelece uma redução do horário de almoço
do trabalhador para no mínimo 30 minutos, reduzindo ainda mais o tempo de descanso.
Conforme já mencionamos, essas decisões devem ser estabelecidas entre empregado e
empregador em comum acordo. No entanto, em ambas as classes há uma relação de poder
bastante explícita: ou o empregado acata a ordem do patrão ou sua demissão está em jogo.
Nesse processo, o trabalhador torna-se um ser mais vulnerável e passível de ser descartado
a qualquer momento.
Mais degradante do que se submeter às condições de uma jornada de 12 horas diárias,
é tornar-se um trabalhador denominado intermitente, isto é, cujo contrato de trabalho dá-se
por prestação de serviços, com subordinação, não contínua, ocorrendo com alternância de
períodos de trabalho e inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independente-
mente do tipo de atividade (BRASIL, 2017b). Nessa modalidade de trabalho, o trabalhador
só receberá pelas horas de serviços prestados, sem que haja a inclusão de finais de semana
e feriados no cálculo de seu salário uma vez que ele será convocado apenas quando houver
algum serviço, do contrário, é dispensado. O discurso defendido é que, por meio desse traba-
lho, o sujeito tem mais liberdade e tempo para a dedicação em outras atividades desejadas.
Contudo, o que observamos é uma ausência de garantia de direitos a esse trabalhador e uma
perda de controle sob sua vida já que ele estará subordinado à boa vontade do empregador
para saber quando e se será chamado novamente. Portanto, o trabalho intermitente prevê
uma redução dos custos com a admissão, manutenção e demissão do trabalhador e também
da insegurança com os processos trabalhistas. A consequência disso é o enfraquecimento
dos sindicatos e a individualização dos trabalhadores uma vez que cada um deverá negociar
com seu próprio patrão seu contrato de trabalho.
Outro ponto que merece destaque é o artigo 394-A da Lei número 13,467/2017 (BRASIL,
2017b), o qual determina o afastamento de gestantes em atividades consideradas insalu-
bres, desde que haja a apresentação de um “atestado de saúde, emitido por um médico de
confiança da mulher, que recomende o afastamento” (Brasil, 2017b). Tal artigo representa
mais um retrocesso à classe trabalhadora e uma prática desumanizadora com relação às
mulheres grávidas no país uma vez que desresponsabiliza o empregador sob as condições
oferecidas e atribui ao médico o poder de decisão. Além de desconsiderar as necessidades
das gestantes, permite que as mesmas se submetam às condições de temperaturas extre-
mas (tanto frio quanto calor em excessos), barulho e radiação, prejudicando não só a sua
saúde, mas também a do bebê.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
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3 de janeiro de 1974, que dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas
e dá outras providências; e dispõe sobre as relações de trabalho na empresa de pres-
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Despertando emoções positivas no
ambiente hospitalar
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RESUMO
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vivências nos ambientes físicos, sociais e de relações interpessoais. Aqui se considera a
grande importância do componente afetivo que o ambiente pode despertar, principalmente
provocando uma sensação de acolhimento, favorecendo, dessa forma, o florescimento das
emoções positivas (MINISTÉRIO SA SAÚDE, 2021).
Assim, diante da possibilidade e da necessidade de se trabalhar a PNH em um am-
biente hospitalar, bem como desenvolver ações que possam transformar o dia a dia dos
trabalhadores e usuários em experiências positivas é deveras importante. A experiência
que aqui relataremos foi idealizada por trabalhadoras do hospital, integrantes do Grupo de
Trabalho de Humanização (GTH) da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes (CIPA) e
da Unidade de Desenvolvimento de Pessoal (UDP) com apoio da Gestão do hospital, em
seguida transformada no projeto denominado “Despertando Emoções Positivas no Ambiente
Hospitalar” que visa o desenvolvimento de ações promotoras da saúde e a atenuação da
carga emocional vivenciada por trabalhadores e usuários, bem como promover estados
emocionais positivos para a melhoria da saúde, do bem-estar e da qualidade das relações
interpessoais no cotidiano do ambiente hospitalar.
DETALHAMENTO DA EXPERIÊNCIA
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como referência em saúde para a região central do estado, o HUSM abrange uma população
de 1,2 milhões de habitantes oriundos de 45 municípios e entre colaboradores e usuários,
circulam no local, em média, de 7 mil pessoas por dia.
Dinâmicas e eventos
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para os usuários. Na ocasião, foi realizada uma visita divertida para debate e reflexões nos
setores, com tema de festa junina e distribuição de guloseimas típicas. Foram momentos
descontraídos que também contribuíram para despertar emoções positivas em todos os envol-
vidos, os quais demonstraram ótima receptividade. Essa ação também promoveu a equidade,
conceito tão importante dentro dos sistemas de saúde, e defendido pela PNH. Ou seja, para
que emoções positivas e humanização sejam fortalecidas, é necessário que os ambientes
favoreçam o alcance da igualdade na vivência dos sujeitos dentro das instituições de saúde,
abarcando trabalhadores, gestores e usuários, para que todos tenham acesso à informação,
experiências e oportunidades que lhes permitam fazer escolhas por uma vida mais saudável.
Entre as mobilizações referentes ao setembro amarelo, foram desenvolvidas caixas
contendo mensagens diversas e distribuídas nos principais locais do HUSM. Nela, traba-
lhadores e usuários poderiam retirar uma mensagem ou apenas acrescentá-las dentro das
caixas, ou seja, com opção de receber e retribuir.
DISCUSSÃO
Sob a ótica da Promoção da saúde, o trabalho configura-se como sendo um dos fatores
determinantes da saúde, podendo contribuir para seu fortalecimento ou sua deterioração (Dal
Pai, Daiane, 2008). Em hospitais públicos brasileiros a realidade mostra que os profissionais,
muitas vezes, precisam lidar com precárias condições de trabalho, como: insuficiência de
profissionais, materiais, equipamentos, estrutura física inadequadas, falta de leitos hospi-
talares, superlotação e outros (O’DWYER et al., 2013). Desse modo, estimular e fortalecer
o desenvolvimento de emoções positivas como: empatia, resiliência, relacionamento inter-
pessoal, motivação, alegria e o autocuidado em um ambiente hospitalar, sobretudo sobre
as dificuldades causadas pelo COVID-19, torna-se fundamental.
Pesquisas têm evidenciado que as emoções positivas estão conectadas com a boa
saúde e a qualidade de vida (FREDRICKSON; LOSADA, 2005). Neste sentido, à medida que
é estimulada no ambiente de trabalho, pode melhorar os resultados da saúde física e mental
dos trabalhadores. A valorização dos aspectos positivos fortalece a resiliência, aumenta a
produtividade e o bem-estar. Ao despertar as emoções positivas, as pessoas apresentam
melhor cooperação em equipe e maior capacidade de resolução de problemas. Pessoas em
estados positivos se sentem mais felizes, seguras e mais abertas ao aprendizado e a novas
experiências (TENÓRIO; MASSUDA; VIDOTTI, 2020).
Zanon et al. (2013), mostraram que pessoas que vivenciam impactos positivos com
mais frequência também estão mais satisfeitas com suas vidas, possuem expectativas mais
positivas para o futuro e maior autoestima. Por sua vez, correlações com escores de emoções
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negativas, mostraram que estas pessoas tendiam a estar menos satisfeitas com suas vidas,
possuem expectativas negativas para o futuro e tinham níveis mais baixos de autoestima.
De acordo com Oliveira et al. (2022), fomentar o acolhimento e a ambiência hospitalar,
na perspectiva da humanização implica em considerar a escuta qualificada, as demandas
dos usuários e possibilitar tecnologias leves que transcendem as paredes físicas e os víncu-
los utilitaristas e funcionais. Implica em criar ambientes agregadores e geradores de saúde,
estimuladores de esperança e de solidariedade e possibilitar dinâmica de trabalho menos
inóspita, indiferente e anônima.
Para o projeto do GTH, a partir dos relatos recebidos, subentende-se que a valorização
dos aspectos positivos tem fortalecido também a sensação de bem-estar, despertando bons
sentimentos entre os atingidos. Subjetivamente, verificam-se essas afirmações diante do
rápido crescimento do projeto, atribuído em parte aos pedidos dos trabalhadores para que
mais locais e/ou setores fossem contemplados. As discussões oriundas das ações realiza-
das pelo GTH também permitem a reflexão sobre a importância do cuidado humanizado no
trabalho e a promoção de maior engajamento entre trabalhadores de saúde.
O GTH contempla as ações para a Política Nacional de Humanização. com o fito de
apreender o ser humano como sujeito-cidadão-político e a Clínica, em sua versão ampliada,
como sistema integrado e articulado. O Humaniza SUS, nesse processo evolutivo, teve/tem
como propósito produzir movimentos afirmativos e prospectivos para a consolidação do SUS
(SALVATI et al. 2021).
De acordo com Salvati et al. (2021) participam desse movimento horizontalizado e
transformador tanto os gestores e profissionais quanto os usuários de saúde. Reconhece-
se, nessa relação dialógica e participativa, a dimensão subjetiva do cuidado em saúde, que
compreende, em última análise, a singularidade e multidimensionalidade humana e o cuida-
do como fenômeno complexo. A implementação de um cuidado hospitalar humanizado, no
entanto, mais do que o cumprimento de uma política de saúde, necessita fundamentar-se na
ética e na ambiência acolhedora. Neste sentido, as ações desenvolvidas pelo projeto podem
proporcionar aos trabalhadores e usuários um ambiente mais leve e agradável.
A experiência descrita neste estudo constata que as ações desenvolvidas têm provoca-
do a reflexão dos processos de trabalho por meio da criação de espaços de discussão inter-
disciplinares e influenciado a despertar emoções positivas no ambiente hospitalar. Percebe-se
que várias esferas institucionais se envolveram para que o projeto tivesse resolubilidade:
GTH, CIPA e UDP executando diretamente as tarefas diárias; Gerência Administrativa via-
bilizando a utilização das placas acrílicas; Colegiado Executivo, composto pelas gerências
da instituição, autorizando e apoiando os membros do projeto. Além disso, uma equipe mul-
tiprofissional composta de psicóloga assistencial, psicóloga organizacional, profissional de
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educação física, fonoaudióloga, enfermeira, técnica de enfermagem, fisioterapeuta, assistente
administrativo, entre outros, envolveram-se, demonstrando a conexão e a integralidade na
construção de processos cogeridos, alinhados com a PNH.
No que se refere aos desafios encontrados, é importante salientar que, apesar do custo
viável e facilidade de implementação, fragilidades foram observadas, como a disponibilidade
na obtenção de acrílicos para fixação das imagens/mensagens e a frequência semanal para
a trocas de cartazes em todos os locais distribuídos, considerando a grande abrangência de
um hospital de grande porte e a disponibilidade dos integrantes do GTH para organização
de horários, visto outras atividades exercidas pelos mesmos, especialmente as prioridades
em relação à assistência aos pacientes, preceptorias em estágios e residências, bem como
outras tantas atividades que os trabalhadores se dispõem durante a carga horária semanal,
além de períodos de férias e feriados, sendo necessário rodízio entre os participantes para
manutenção do projeto, entre tantas outras ações que o GTH realiza.
Quanto ao crescimento do projeto, cabe ressaltar que cada vez mais membros do GTH
têm manifestado interesse na participação e atuação, ampliando a equipe e assim, reduzindo
os desafios, buscando garantir que semanalmente os cartazes sejam trocados e que não
ocorram lacunas relacionadas à periodicidade das trocas. Esse aspecto é essencial, pois
frequentemente os trabalhadores circulam pelos mesmos locais e expressam a expectativa
pela troca de cartazes, a fim de apreciar novas mensagens.
Resultados de estudos demostram que investir no acolhimento e na ambiência hos-
pitalar não implica em grandes investimentos estruturais por parte da gestão. (OLIVEIRA
et al., 2022). Mais do que isto, importam as relações e interações profissionais saudáveis, a
valorização, o respeito e o atendimento às necessidades humanas básicas. Nesse contex-
to, destaca-se a importância do projeto como influenciador da formação dos trabalhadores.
Proença, Vaz e Pais (2021) referem a necessidade de a formação do hospital se aproxi-
mar mais do seu referencial de humanização e assumir-se como geradora de práticas so-
ciais. A própria organização do trabalho hospitalar tem de construir uma visão global sobre a
relação entre a formação e o trabalho, uma vez que a humanização ultrapassa as fronteiras
de cada uma destas dimensões.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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A idealização e concretização do projeto trouxe experiência gratificante aos integrantes
do GTH, visto o alcance e impacto nos trabalhadores e usuários do hospital, com imensa
contribuição para a ambiência, de forma simples e com baixos custos. Inspirar e fornecer
apoio emocional em rápido alcance por meio de imagens e mensagens, principalmente
àqueles que estejam enfrentando momentos difíceis, seja por questões da própria saúde,
de seus pacientes ou dos familiares, proporcionou sucesso à manutenção e ampliação do
projeto. Pretende-se não somente manter as ações, como também ampliar e divulgar a outros
ambientes e assim contribuir ainda mais para a saúde “Despertando Emoções Positivas”.
Quanto às perspectivas futuras, pretende-se avançar desenvolvendo um projeto de
pesquisa, registrado e autorizado na Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP) do hospital,
incluindo os trâmites orientados pelo Gabinete de Ensino e Pesquisa (GAP) e do Comitê de
Ética em Pesquisa (CEP). Os devidos registros e autorizações proporcionarão a implemen-
tação de constatações científicas a fim de aprimorar a avaliação do real impacto das ações
para aqueles que circulam em nosso hospital.
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09
Estresse em serviço hospitalar de urgência
e emergência e suas repercussões no
dimensionamento da equipe de enfermagem
'10.37885/220809860
RESUMO
O estresse é uma resposta aos efeitos gerados sobre o corpo e mente de uma pes-
soa, que somados a fatores ambientais e psicológicos provocam uma gama de reações
negativas. Pode se dar em decorrência da natureza física ou mesmo mental e/ou emocional
(MURASSAKI et al. 2011).
Há relatos de situações de estresse desde o período industrial, época marcada pelo
êxodo rural, e que estiveram associadas às péssimas condições de trabalho e moradia
(BIANCHI, 2011). Trata-se de uma reação natural do organismo, que se surge em decorrên-
cia de situações de perigo ou de ameaça vivenciada, que faz com que a pessoa se coloque
em estado de alerta ou alarme (ZANELLI, 2010).
Segundo Souza et al. (2021), os primeiros relatos acerca do estresse estiveram asso-
ciados à pressão ou acúmulo de pressões, responsáveis por provocar inúmeras alterações
físicas e emocionais em uma pessoa. O primeiro estudioso a querer entender melhor sobre
esse assunto foi o médico Dr. Hans Selye, em 1936 que, após longas pesquisas, passou a
afirmar que o estresse possui tanto características positivas quanto negativas.
O dicionário Houaiss (2001) considera o termo estresse como uma reação decorrente
do aumento da produção do hormônio adrenalina, que se dá a partir de situações diárias que
influenciam no sistema fisiológico e psicológico. No contexto ocupacional, trata-se de um
motivo, dentre diversos, que levam as pessoas a se afastarem do seu exercício profissional
e ambiente de trabalho.
Em linhas gerais, essa não é uma problemática recente, uma vez que há relatos da
sua existência na pré-história, devido às condições ambientais e sociais que envolviam o
espaço de trabalho das pessoas à época (BIANCHI, 2011). Segundo Souza et al. (2021) os
profissionais de saúde representam a classe trabalhadora mais suscetível ao estresse, isso
porque o ambiente onde trabalham possui, quase sempre, condições insalubres e inseguras,
que podem influenciar diretamente na sua qualidade de vida e no serviço dos profissionais.
Dentre os motivos mais comuns para o seu aparecimento destacam-se: a falta de
recursos desses profissionais de saúde para se locomover ao trabalho; não ter com quem
deixar os filhos; as extensas horas de trabalho, que geram esgotamento físico e ansiedade;
a remuneração insuficiente; a falta de controle emocional; a ausência de empatia dos co-
legas; e ter que trabalhar longos períodos em ambientes quase sempre conflitantes como,
por exemplo, os hospitais públicos (ZANELLI, 2010).
Para Félix et al. (2017), os hospitais públicos são serviços estressantes, pois dispõem
de uma realidade alarmante: encontram-se voltado para situações de perdas e sofrimento,
limitações de insumos, pacientes pouco colaborativos, horas de trabalhos exaustivas, en-
tre outros, que aumentam as chances do aparecimento de doenças psicológicas como o
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estresse. A Enfermagem é apontada pela Health Education Authority como a quarta profissão
mais estressante do mundo, devido a responsabilidade que tem com a vida das pessoas e,
também, pela proximidade com o sofrimento (SOUZA et al., 2021)
Tal fato pode ser confirmado em um estudo desenvolvido por Assis et al. (2013), que
utilizaram o Inventário de Sintomas de Stress para adultos de Lipp (ISSL). Nesse estudo,
participaram 37 profissionais, dentre eles: médicos, nutricionistas, enfermeiros, técnicos de
enfermagem, maqueiros e farmacêuticos. Desse universo, 100% dos enfermeiros apresenta-
vam sintomas sugestivos de estresse. Além disso, 64,9% queixavam-se de sintomas físicos
e 59,5% de sintomas psicológicos.
Outro estudo, que aplicou a Escala de Estresse no Trabalho (EET) no setor de emergên-
cia com 38 enfermeiros demonstrou que 68,4% desses profissionais de saúde apresentaram
sintomas médios de estresse como mudança de humor, tristeza, raiva e instabilidade emo-
cional (AVELINO et al.; 2013). Para Murassaki et al. (2011), cotidianamente os enfermeiros
podem se sentir mais propensos ao estresse por questões como: vivenciar constantemente
situações de tensão como, por exemplo, em um atendimento que demanda o domínio de
técnicas rápidas e precisas; e as jornadas longas de trabalho.
Considerando tais alegações, foram propostos para esse estudo o seguinte objetivo:
identificar fatores relacionados ao estresse em ambiente hospitalar de urgência e emergência
que repercutem no dimensionamento de pessoal de enfermagem.
MÉTODOS
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Subsequente, para esta revisão integrativa foram definidos os seguintes critérios de
inclusão: estudos disponíveis no formato de artigo completo, relacionados à temática, pu-
blicados entre 2012 e 2022, no idioma português. Quanto aos critérios de exclusão ficaram
definidos: estudos com duplicidade nas bases de dados, disponíveis apenas como resumos,
dissertações ou teses, cartas ou editoriais.
Ressalta-se ainda que, para essa etapa, foram estabelecidas as bases de dados.
Priorizou-se pelo acesso à LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da
Saúde), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), e pelo Banco
de Dados da Enfermagem (BDENF). Destaca-se que todas elas se encontram disponíveis
na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), e que sua acessibilidade é gratuita a partir do link:
periódicos-CAPES, do portal Intranet.
A busca se deu, respectivamente, a partir da combinação dos descritores: “Enfermagem”;
“Emergência”; “Gestão de Recursos humanos”. Para tanto, foi necessário fazer uso do ope-
rador booleano “and”. Optou-se por essa estratégia porque através dela pode-se encontrar
um número expressivo de artigos sobre o assunto explorado.
Na etapa avaliação dos estudos incluídos na revisão integrativa, foram percorridos
quatro momentos de produção de dados, a saber: No primeiro momento, os artigos encontra-
dos foram revisados para identificação de duplicadas. No segundo momento, dois revisores
responsabilizaram-se por analisar os títulos e resumo dos artigos e remover aqueles que não
estavam disponíveis para acesso, na íntegra. No terceiro momento, os revisores realizaram
a leitura dos artigos na íntegra, excluindo-se aqueles que não respondiam à questão de
pesquisa. No quarto momento, os artigos foram lidos integralmente, elegendo-se aqueles
que apresentaram relação com o objeto a ser estudado.
Os artigos incluídos foram lidos na sua íntegra e analisados, considerando-se sua
abrangência de conteúdo. Dessa etapa, foram extraídos dos textos informações sobre os
fatores relacionados ao estresse em ambiente hospitalar de urgência e emergência que
repercutem no dimensionamento de pessoal de enfermagem (BARDIN, 2016).
Subsequente, optou-se por fazer uma breve apresentação dos artigos disponíveis nas
bases de dados nacionais, ao se considerar a combinação entre os descritores.
RESULTADOS
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Quadro 1. Artigos disponíveis, ao se considerar a combinação entre os descritores. 2022.
Enfermagem and
emergência and
30 9 37 9 5 00
gestão de recursos
humanos
Subsequente essa etapa, deu-se a caracterização dos artigos encontrados nas bases de
dados, seguindo-se da descrição das informações extraídas em cada um deles. Para tanto,
foram considerados: o título, os objetivos, fatores relacionados ao estresse, repercussões
no dimensionamento de pessoal e o NE, conforme apresentado a seguir:
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Autor/ano Objetivo Fatores relacionados Repercussões no dimensionamento NE
Desvelar o conhecimento de risco
no trabalho; identificar as medidas
● Equipamentos insuficientes.
MARTINS et al. de autoproteção utilizadas por uma
● Exposição às agressões físicas e ● Inadequação de recursos humanos. 3
(2014) equipe de enfermagem de pronto
verbais.
socorro de um hospital universitário
de Londrina, Paraná.
DISCUSSÃO
Nesta categoria, ficou claro que o dimensionamento de pessoal exerce influência sig-
nificativa sobre o processo trabalho. Até porque, dispor de pessoal insuficiente para prestar
uma assistência de qualidade em serviços hospitalares de urgência e emergência pode,
além de favorecer o surgimento de eventos adversos como quedas e lesões por pressão,
gerar erros na administração de medicamentos, aumentar o tempo de internação e infecções
hospitalares (OLIVEIRA et al., 2014)
E, embora os erros no ambiente hospitalar de urgência e emergência tragam consigo
danos graves e muitas das vezes irreparáveis aos doentes, para as organizações tendem
a representar uma forma de informação acerca do impacto da assistência à população, um
fenômeno que pode ser quantificável, mensurado. Segundo Oliveira et al. (2014), os erros
estão frequentemente associados a sentimentos de vergonha, culpa e medo de castigo.
Na atualidade, devido à forte cultura disciplinar que a sociedade carrega consigo há
longos anos, a maioria das ocorrências de erros em ambientes de trabalho, inclusive em
serviços hospitalares de urgência e emergência tendem a ser subnotificadas, ou seja, os
problemas são identificados, mas não são considerados com precisão. Significa dizer que não
são tomadas medidas adequadas, e isso, de certo modo contribui para episódios rotineiros.
As organizações, por sua vez, tendem a exigir que os enfermeiros melhorem suas fer-
ramentas de gestão do erro, bem como a atualizações de casos de doenças, e práticas de
gestão de recursos. No entanto, as formas de capacitações oferecidas são limitadas, o que
reduz a normalização da gestão de informação, deixando o profissional exposto às necessi-
dades solicitadas, cabendo-lhe buscar atualizações muitas vezes fora da unidade hospitalar.
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Garantir a segurança deve ser visto como um aspecto importante para a qualidade da
assistência, um direito das pessoas, sobretudo para reduzir o risco de danos associados aos
cuidados. Nesse contexto, a comunicação deve ser aceita como uma importante ferramenta
de gestão, pois através dela, os profissionais de saúde tendem a partilhar suas preocupa-
ções, bem como a procurar soluções para e resolver problemas no seu ambiente de trabalho.
Para Azevedo (2017), a valorização da comunicação verbal e a não verbal é muito
importante para os serviços de saúde e organizações, isso porque a partir delas é pos-
sível reconhecer as dificuldades, competências, capacidades e potencialidades de cada
membro da equipe.
Além disso, segundo Pedrosa et al. (2011), há necessidade de atenção pela gestão
dos serviços de saúde para a estrutura física hospitalar de urgência e emergência que, se
inadequada, pode desencadear situações estressoras à vida dos profissionais, além de
alterar a continuidade do cuidado e gerar insatisfação com a prática, ambiente, desgaste
físico, psíquico, e conflitos com usuários, pela precarização do trabalho.
Dentre os fatores que tendem a favorecer o desgaste comumente evidenciados em
ambientes hospitalares de urgência e emergência, bem como o aparecimento de doenças
mentais, pela precarização do trabalho pode-se destacar: obrigatoriedade no estabelecimento
de novas rotinas, de protocolos de biossegurança, falta de insumos hospitalares, aumento
expressivo no número de pacientes atendidos diariamente, principalmente com dificuldades
respiratórias. Tal fato pode ser percebido com maior frequência durante a pandemia da
Covid-19 (BRANCO et al. 2020).
Dispor de um ambiente desorganizado, cujos equipamentos quase sempre se encon-
tram danificados ou em falta, também pode representar um fator gerador de estresse, pela
insatisfação que o profissional de saúde encontra em ter que conviver com o descompromisso
e descaso das organizações, com as ausências de outros trabalhadores que, sobremaneira,
afetam a qualidade da assistência e sua saúde mental.
Significa dizer que um olhar maior deve ser dado pelos gestores de serviços hospita-
lares de urgência e emergência para o absenteísmo, isso porque essa é uma problemática
de saúde que traz em seu bojo repercussões negativas para toda a equipe, como: queixas
frequentes de sobrecarga de trabalho, exaustão física, psicológica, social e emocional.
Urge que os gestores estejam atentos para as consequências geradas pelo absenteísmo
à saúde dos trabalhadores, isso porque esse não é apenas uma resposta gerada pela falta
de profissionais ao trabalho, mas também uma cadeia de respostas ao sofrimento vivido
pelos profissionais de enfermagem, que tende a surgir pelo mal desempenho de outros pro-
fissionais. Além disso, outro fator capaz de favorecer o absenteísmo entre trabalhadores de
saúde, bem como no dimensionamento de pessoal de enfermagem e processo trabalho, é
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a remuneração salarial. O salário dos enfermeiros, nos últimos 15 anos, manteve-se estag-
nado, aproximando-se da remuneração de um técnico de enfermagem (VIEIRA et al, 2021).
E, frente a essa desvalorização, muitos dos profissionais de enfermagem se veem obri-
gados a ter mais de um emprego para complementar sua renda mensal, a trabalhar em con-
dições de saúde precárias, e a apresentar uma gama de sintomas negativos geradores, por
vezes de sequelas que afetam sua saúde física, psíquica e emocional (PIMENTA et al. 2022).
Nesse contexto, uma atenção maior deve ser dada pela gestão dos serviços de saúde,
sobretudo no que diz respeito aos fatores relacionados à sobrecarga de trabalho, dentre os
quais: número de empregados insuficientes, carga de trabalho excessiva, elevada taxa de
licenciamento médico, cobrança frequente por produtividade, escala de pessoal incompatível
com a realidade do ambiente e resoluções do conselho de enfermagem.
E, visto que a escala de pessoal, cujo objetivo é a organização dos dias de trabalho
de cada funcionário, no hospital, tende a não beneficiar o trabalhador de enfermagem, uma
estratégia possível para evitar sobrecargas é assegurar que os horários de trabalho sejam
fragmentados, de modo a promover saúde, cuidado e qualidade de vida (SOUZA et al. 2011).
Há, nesse sentido, necessidade de os gestores de serviços de saúde atentarem-se
à falta de recursos humanos, sobretudo para garantir a oferta suficiente de profissionais
de enfermagem à população, uma assistência adequada, e promover saúde e qualida-
de de vida no ambiente de trabalho, e evitar o aumento da carga horária de trabalho, o
quantitativo insuficiente de profissionais de saúde, baixa remuneração salarial, entre outros
(SANTOS et al. 2021).
Além desses fatores, destaca-se a superlotação dos serviços de saúde que, em linhas
gerais, exerce forte influência sobre a gestão clínica e qualidade dos cuidados de saúde.
Trabalhar em ambientes superlotados pode interferir diretamente na realização de cuidados
aos pacientes, além de aumentar o seu risco de morte, e gerar cargas excessivas de trabalho
para os profissionais de enfermagem (BUGS et al. 2017).
E, como reflexo da superlotação em serviços de saúde, é comum, ainda na atualidade,
encontrar nas salas de emergência pessoas em macas, cadeiras e/ou mesmo de pé, espe-
rando nos corredores por uma vaga (RIBEIRO et al. 2018). Em linhas gerais, essa é uma
questão que precisa ser urgente considerada pelos gestores, por se tratar de uma ameaça
aos direitos humanos.
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Para Deak et al. (2015), um vasto leque de estados de doença pode surgir, incluindo
doenças psiquiátricas como a Depressão Maior e a Perturbação Pós-Stress Traumático;
doenças neurodegenerativas como a Doença de Parkinson e Alzheimer; doenças sistémicas
variadas como as Cardiovasculares, Diabetes Mellitus, doenças metabólicas, e ainda muitas
outras de natureza inflamatória.
Algumas dessas doenças, em especial aquelas psicológicas, podem afetar negati-
vamente o ambiente, tornando-o desmotivador, e o profissional improdutivo. Além disso,
podem alterar as relações interpessoais, fazendo com que aqueles que ali estão presentes
desenvolvam inadequadamente suas atividades técnicas, administrativas e burocráticas.
Ter contato frequente com o estresse alheio, sofrimento, dor e morte de pacientes
decorrente da atividade hospitalar, pode resultar para o profissional de saúde em tensão
emocional, implicando no surgimento de doenças psicossomáticas. É importante que esses
profissionais participem ativamente na identificação das adversidades e de agentes estresso-
res, sobretudo para atenuar o cansaço físico ao qual já enfrentam diariamente (KOLHS, 2017).
Condições de trabalhos em que os profissionais da assistência são sobrecarregados
como a carga de trabalho extensa, número insuficiente de enfermeiros e técnicos para uma
série de pacientes, falta de material e entre outras adversidades são encarados como os
principais fatores causadores de estafa nesses profissionais, que relatam dores de cabeça
frequentes, na coluna e membros inferiores (TEIXEIRA et al. 2016).
Para Oliveira et al. (2017), o estresse, quando presente, tende a ocasionar tensão e a
desestabilização na homeostase do organismo, isso porque se manifesta através de sinto-
mas como gastrite, insônia, taquicardia, alterações cardiovasculares e outros. E, na busca
por equilíbrio, o organismo realiza um esforço adaptativo, exigindo considerável utilização
de reservas de energia física e mental. Além disso, pode produzir consequências como
indiferença, alienação, irritação e desmotivação, podendo variar em suas manifestações.
O contato de enfermeiros e técnicos em enfermagem ao estresse exacerbam as cargas
física, psíquica e emocional. As cargas físicas são manifestadas na forma de cansaço, dores
e indisposição. Já a manifestação psíquico e do emocional se verifica através de sentimentos
de ansiedade, impotência, desgaste, estresse, sofrimento, entre outros (SCHOLZE et al.
2017). Existe ainda a possibilidade de os sentimentos estressores experenciados serem
demonstrados aos pacientes, e isso, por sua vez, gera insatisfação e sofrimento, fazendo-o
com que experimentem sentimentos de vazio, sensação de incapacidade e desgosto pelo
trabalho (ARAÚJO, 2020).
Para Azevedo (2017), condições inadequadas de trabalho tendem a comprometer, ain-
da, a capacidade de gerenciar conflitos e assistir ao usuário. Significa dizer que a exposição
a fatores potencialmente estressores, bem como o acúmulo de funções e especificidades
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próprias do próprio setor podem desencadear estado de estresse e, por conseguinte, in-
fluenciar no trabalho, na saúde e na qualidade de vida do profissional.
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Subcategoria 2: Falhas no processo de comunicação.
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E, dentre as barreiras para garantir a melhoria da comunicação nos serviços hospitalares
de urgência e emergência, destacam-se: ofertar um serviço organizado e com infraestrutura
adequada; elaboração e efetivação de protocolos; uma liderança mais próxima da equipe;
oferta suficiente de recursos humanos e materiais; fornecer incentivos; desenvolver ações
periódicas e motivacionais (BRANCO et al. 2022).
CONCLUSÃO
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Medidas de prevenção a doenças e acidentes
de trabalho em um Centro Especializado de
Tratamento Médico e Odontológico: relato
de experiência
'10.37885/220910070
RESUMO
O trabalho, por representar uma parcela considerável na linha de tempo da vida das
pessoas, influencia diretamente, e de forma significativa, na qualidade de vida do trabalha-
dor (POMMEREHN, 2016). O trabalho moderno pode ser conceituado como “toda energia
física ou intelectual empregada pelo homem com finalidade produtiva”; pressupondo assim,
um esforço físico ou mental com a finalidade de alcançar um resultado (CASSAR, 2018).
Os Acidentes de Trabalho (AT) são considerados graves problemas socioeconômicos
e de saúde pública (MEDINA & MAIA, 2016). De acordo com a Organização Internacional
do Trabalho, aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial é revertido em
custos diretos e indiretos decorrentes de acidentes e doenças do trabalho. Além disso,
cerca de 2,3 milhões de pessoas no mundo morrem a cada ano em decorrência desses
agravos (ILO, 2016). No Brasil, os AT acometem grande parcela da população trabalhadora
(CAVALCANTE et al., 2015).
Segundo a OMS, às doenças relacionadas com o trabalho são patologias de natureza
multifatorial nas quais os ambientes de trabalho e as atividades profissionais contribuem
significativamente para a etiologia da doença (FONTE et al., 2017).
As doenças e acidentes do trabalho tem um impacto direto na vida dos trabalhadores
brasileiros. Para o trabalhador significa prejuízo na saúde, perda da vida, de convívio social
e familiar e de renda. Para o empregador, compreende perda de produtividade, aumento de
absenteísmo (faltas), ações judiciais, perdas financeiras e perda de imagem. Para o País
resulta em um grande aumento de gastos públicos, que tem impacto a todos além da e
perda de competitividade internacional (BRASIL, 2018).
Sendo assim, a OMS passou a tratar as lesões relacionadas ao trabalho como um pro-
blema de saúde pública, à medida que a implantação de novas tecnologias e equipamentos
como a automatização e informatização, e novas formas de organização do trabalho levando
a repetitividade, monotonia, rapidez de execução, ritmos impostos pela máquina, tempos de
recuperação insuficientes e posturas forçadas, fez crescer a frequência e impacto na quali-
dade de vida e nos custos globais com as doenças e as incapacidades (Fonte et al., 2017).
Define-se risco como possibilidade ou a probabilidade em um dado momento ou cir-
cunstância para que um evento ocorra sendo este aleatório a vontade humana, ou seja,
os riscos ocupacionais são inerentes às profissões, porém cabe às organizações re-
duzir tais riscos por meio da biossegurança (ALBUQUERQUE et al., 2015; MARINHO;
ALMEIDA; ANDRADE, 2015).
Dessa forma os ambientes de trabalho, em especial na área da saúde, oferecem riscos
para seus trabalhadores, uma vez que frequentemente os expõem a condições que possam
resultar em acidentes e processos patológicos quando medidas de proteção individual e
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coletiva não são adotadas. Todavia alguns fatores podem interferir na ocorrência de aci-
dentes e adoecimentos no trabalho dos profissionais de saúde, a saber: riscos ocupacionais
relacionados à dinâmica de funcionamento e organização do ambiente de trabalho; atributos
individuais dos trabalhadores, disponibilidade de materiais de trabalho, bem como, conheci-
mento das medidas de segurança e importância atribuída (PORTO, 2016).
A vivência duradoura do sentimento de bem-estar no ambiente de trabalho constitui
um fator de promoção da saúde nas situações de trabalho e indica a presença de uma boa
qualidade de vida do trabalhador (QVT) (Ferreira, 2015).
Por conseguinte, a política em saúde do trabalhador caracteriza-se como um aspecto
importante para a prevenção de acidentes, a qual tem como principal objetivo promover
melhores condições de trabalho, para a melhoria da assistência prestada, qualidade de
vida e saúde do trabalhador, visto que o conhecimento de situações de riscos ocupacionais
e dos determinantes em saúde permite agregar valores ao profissional, realizando assim,
uma atenção integral à saúde do trabalhador (RIBEIRO & PIRES, 2015).
Nesse sentido o enfermeiro do trabalho é o profissional que além da graduação em
enfermagem, possui a Especialização em Saúde Ocupacional, na qual visa à evolução de
sua atividade atuando no contato direto ao trabalhador e na administração do ambulatório,
ampliando suas ações através de pesquisas e métodos de trabalho, permitindo uma mão
de obra produtiva, sadia e rentável às empresas, através dos processos de avaliação da
saúde, determinando o bem-estar do trabalhador (CARVALHO, 2014).
Dessa forma é de extrema importância a implementação de medidas de prevenção a
doenças e acidentes de trabalho com profissionais da área da saúde.
Sendo assim, o objetivo deste estudo é descrever a vivência de discentes da área
da saúde durante a elaboração de uma cartilha sobre medidas de prevenção a doenças e
acidentes de trabalho, voltada para os profissionais de um Centro Médico e Odontológico.
DETALHAMENTO DA EXPERIÊNCIA
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Levantamento dos Pontos-Chave, Teorização, Propostas de solução e Retorno a realida-
de (BERBEL, 1995).
Na primeira etapa do “Arco de Maguerez”, os discentes observaram a realidade viven-
ciada profissionais do Centro Médico e Odontológico (CEMO), em seguida deu-se a segunda
etapa do arco com o levantamento dos pontos-chave, ou seja, os pontos mais relevantes e
críticos encontrados na instituição, à qual deveriam ser destacados e trabalhados posterior-
mente. Sendo assim, definiram-se que problemática mais relevante a ser trabalhada seria
as medidas de prevenção de doenças e acidentes de trabalho, tendo como público-alvo
técnicos de enfermagem e auxiliares de saúde bucal.
Após definida a temática a ser trabalhada, deu-se início à terceira e a quarta etapas do
arco de Maguerez, respectivamente, teorização e a proposta de solução, sendo a reflexão
dos pontos-chave e a ênfase na temática da prevenção de doenças e acidentes de traba-
lho. Pesquisou-se na literatura formas de resolução para a problemática, e definiu-se que a
melhor forma de abordar a temática seria através de elaboração de uma cartilha, elaborada
com a colaboração da direção e profissionais de saúde do CEMO.
A devolutiva do trabalho realizado no CEMO fez-se através de uma palestra, onde foi
apresentada a cartilha sobre medidas de prevenção de doenças e acidentes de trabalho aos
profissionais, e esplanada os conteúdos abordados na mesma. A palestra contou com a par-
ticipação de 20 profissionais, sendo a maior parte de técnicos de enfermagem e auxiliares de
saúde bucal, houve também a participação de profissionais da administração da instituição.
Normas de Biossegurança
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Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs). A não utilização desses equipamentos pode
causar danos graves aos colaboradores, e um alto custo para a empresa (BRITO et al., 2020).
Muitos são os fatores que levam a não adesão dos equipamentos de proteção indivi-
dual, como o fato deles serem desconfortais, esteticamente desagradável, somado a isso
a demasia confiança no campo de prática do profissional. Segundo Fernandes MA, et al.
(2017), os fatores associados a resistência por parte dos trabalhadores ao uso do EPI está
relacionado a sobrecarga de trabalho, negligência e ã precariedade das condições para o
exercício da profissão.
Notou-se também que alguns profissionais não usavam os EPI,s adequado a cada risco
exposto em seu local de trabalho (como gorros, máscaras descaráveis, luvas de procedimen-
to e capote descartável), ou não o trocavam após atender cada paciente ou ao manipular
maçanetas ou mobiliário. Essas desconformidades tornam os profissionais suscetíveis ao
adoecimento e acidentes no local de trabalho. De acordo com Porto, 2016, os ambientes de
trabalho, em especial na área da saúde, oferecem riscos para seus trabalhadores, uma vez
que frequentemente os expõem a condições que possam resultar em acidentes e processos
patológicos quando medidas de proteção individual e coletiva não são adotadas.
A inadequação do mobiliário, também foi outra problemática observada e relatada
pelos profissionais, como cadeiras sem encosto para os braços ou para costa, móveis
desconfortáveis, sem ajuste de altura. Essas inadequações do mobiliário foram referidas
pelos profissionais como uma das causas da má postura e dores musculares, assim como,
atividades que utiliza movimentos repetitivos, ou que precisa ficar por um longo período na
mesma posição, como é o caso dos técnicos de enfermagem que exercem atividades. Para
Lopes et al. (2021) os riscos ergonômicos interferem na produtividade visto que causam
danos físicos e mentais à equipe de enfermagem, pois sobrecarrega o aparelho músculo
esquelético e ao cognitivo do trabalhador, este fica condicionado a funções como levantar
peso ou de equipamentos, postura inadequada, flexão de coluna, ritmo excessivo de trabalho
e jornada longa de trabalho.
A sobrecarga de trabalho, a falta de tempo reservado para as refeições, e o acumulo
de funções são as reclamações mais frequentes entre os funcionário, e uma das causas
dessa problemática é o fato do quadro de funcionários da instituição possuir um contingente
limitado, pois quando um funcionário falta, há sobrecarga de trabalho e de funções por outros
profissionais. Os profissionais da enfermagem encontram-se com sobrecarga de trabalho
devido ao número insuficiente de funcionários aliado ao crescente número de pacientes nas
instituições (LOPES et al., 2014).
Levando em consideração todas as problemáticas encontradas na instituição e rela-
tadas pelos funcionários, pôde-se com a colaboração desses funcionários, elaborar uma
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cartilha que aborda e contemplar pautas relevantes para a saúde do trabalhador, dando
ênfase as medidas de prevenção as doenças e acidentes de trabalho, mas também abor-
dando práticas que favoreçam a qualidade de vida do trabalhador (QVT), e estimule um
estilo de vida saudável.
Após a elaboração cartilha, organizou-se uma palestra com a finalidade de expor aos
funcionários as temáticas abordadas na cartilha, destacando ao final da palestra a prática da
ginástica laboral, como forma de minimizar os danos causados pelos movimentos repetitivos,
melhorar a postura, prevenir dores e doenças laborais. Com a prática da Ginástica Laboral,
busca-se tornar a vida do trabalhador mais ativa, diminuindo a incidência de doenças rela-
cionadas ao sedentarismo e a monotonia decorrente a atividade do trabalho, passar horas
sentado digitando em um computador, ou em uma única posição, a prática dessa atividade
acaba por melhorar o desempenho no trabalho, pois a literatura tem mostrado que funcioná-
rios com melhor qualidade de vida são extremamente mais produtivos (LAUX et al., 2016).
Durante a realização da palestra, percebeu-se que os participantes revelaram-se par-
ticipativos e interessados, principalmente no momento da demonstração dos exercícios da
ginástica laboral, que contou com a colaboração de todos os presentes, e também quando
os discentes propuseram sugestões para melhorar a qualidade de vida no ambiente de tra-
balho e fora dele, esse momento gerou reflexões a respeito qualidade de vida e bem-estar.
A exposição da palestra suscitou discursões importantes e propostas de melhorias em
relação à emissão do Comunicado de Acidente de trabalho (CAT), que até o momento é
emitido pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos (IPMB), mas poderia ser emitido
pelo próprio CEMO, diminuindo a burocracia e a espera na fila do IPMB, o que causa ônus aos
funcionários acidentados em ter que se deslocar até o IPMB, somente para emissão da CAT.
Após correções para atender sugestões dos funcionários da instituição, a cartilha será
disponibilizada a vários setores do CEMO, e também cedida para que posteriormente, pos-
sa ser expandida e sofra melhorias, a fim de atender as necessidades dos profissionais da
instituição, e possa trazer benefícios concretos para os mesmos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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11
Saúde e qualidade de vida de caminhoneiros
'10.37885/220308367
RESUMO
Com o passar dos séculos, inúmeras descobertas foram feitas não somente sobre a
vida, como também sobre a qualidade da saúde do ser humano. Entretanto, a figura mas-
culina era vista na sociedade como o mantenedor, deixando a própria saúde de lado para
que pudesse prover o sustento da família. O século XXI foi um período de transformação no
que tange ao imaginário masculino, agora, que se preocupa com a própria saúde e busca
novos hábitos que aumentem sua qualidade de vida (SOLANO et al., 2017). Isso, também
se soma a novas perspectivas de construção do conceito de gênero que se instala e passa
a ser discutido na sociedade. Uma das definições dada é que, “o conceito de gênero – a
construção social do que se entende por ser homem e por ser mulher – é uma ferramenta
interessante para compreender o processo de socialização masculina” (LIMA, 2019).
Para alguns tipos de profissões predominantemente masculinas, o cuidado com a saúde
pode ser ainda agravado pela rotina de trabalho e hábitos adotados, além da incompatibilida-
de com o atendimento das Unidades Básicas de Saúde. Os caminhoneiros são responsáveis
por transportar as riquezas produtivas do país, através do transporte rodoviário, contribuindo
para o desenvolvimento econômico, político e social do país (ROCHA, et al., 2015).
Aproximadamente 1,8 milhões de caminhões compõem a frota brasileira e uma popu-
lação de mais de 700 mil motoristas, quase que exclusivamente composta por homens, que
trafegam em média 175 mil quilômetros anualmente (GUEDES et al., 2010). Araújo e Oliveira
(2020) complementa dizendo que o Brasil possui uma grande quantidade de veículos, e
cada vez mais se observa um crescente aumento de sua frota automobilística, englobando
caminhões, ônibus e carros.
O abastecimento das comunidades é de quase que total responsabilidade dos caminho-
neiros, estes movimentam todo o território nacional a fim de manter os estoques das cidades
de suprimentos necessários para a vida. O exercício da profissão e as metas levam os ca-
minhoneiros a adotarem uma longa jornada de trabalho, percorrendo longas distancias, se
alimentando de forma inadequada e tendo uma baixa qualidade de sono. A profissão requer
muita responsabilidade, tomar contar da carga e de prazos de entrega; tem que se manter
atento e paciente para as armadilhas das estradas, a fim de evitar acidentes (RESENDE;
SOUSA; CERQUEIRA, 2010).
Alessi e Alves (2016) corroboram dizendo que este trabalho pode levar a prejuízos à
saúde e pode também interferir no convívio social e familiar. Paris et al., (2013), completa
falando que a profissão interfere, nos hábitos alimentares, uso de álcool e anfetaminas
para redução do sono e do cansaço, causam sedentarismo devido à extensa jornada de
trabalho, pois ao dirigir demandam um gasto energético baixo, e não praticam atividades
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físicas regularmente, o que aumenta os danos à saúde, com o aparecimento de diversas
patologias, inclusive a obesidade.
A escolha entre ficar com a família e ir trabalhar para garantir o sustento do lar é diá-
ria. Os caminhoneiros têm que lidar com a distância e a saudade da família, pois a maioria
deles opta pelo sustento do lar e um sentimento que dá forças para aguentar a saudade da
família é o amor pela profissão e a liberdade conquistada. A fé e a religião são fatores que
fazem parte da rotina dos caminhoneiros do Brasil, a fé é característica presente na vida
desses profissionais que enfrentam todos os dias os desafios e as surpresas do trabalho
autônomo (SILVA, 2015).
Em sua maioria, os motoristas não presenciam o nascimento dos filhos, tampouco
acompanham o seu crescimento, visto que não possuem uma rotina diária de trabalho, não
havendo ainda horário previsto para refeições e descanso, ou datas previstas para estar
com a família. Na profissão eles convivem com a solidão nas estradas, buscando contato
social de forma a suavizar o isolamento familiar e social (PEREIRA, et al., 2014).
Os estudos apontam que os caminhoneiros possuem hábitos de vida nocivos à saúde,
tais como alimentação não saudável, falta de atividade física, tempo insuficiente de descanso,
vícios (cigarro e álcool), além do uso de drogas, exposição a doenças transmissíveis e da
ausência de controle periódico em saúde (ALESSI; ALVES, 2016).
Estudos apontam que o trabalho dos motoristas de caminhão, no Brasil e em vários
outros países, trazem problemas relacionados às condições de saúde, trabalho e estilo de
vida, além de grande vulnerabilidade as práticas de risco, pelo uso de drogas. Tais problemas
decorrentes das condições de trabalho e do estilo de vida afetam a saúde destes trabalha-
dores, tendo como referência à promoção à saúde (SILVA, 2015).
Silva (2015) ainda, complementa dizendo que a vulnerabilidade dos caminhoneiros
ultrapassa o conhecimento científico, sendo um reflexo de onde eles vieram e de como é ana-
lisada a situação em se encerem, bem como analfabetos, ignorantes, ousados e abusados.
A partir do contexto de vulnerabilidade dos motoristas de caminhão, ainda em processo
de entendimento, levando em conta a todos os fatores que são acometidos que colocam em
risco a sua vida e saúde, surge a necessidade de aprofundar a discussão sobre a saúde do
caminhoneiro e conhecer os aspectos peculiares da categoria para entender melhor esse
contexto (PEREIRA, et. al., 2014).
A necessidade de desenvolvimento de ações de educativas para a promoção e pre-
venção à saúde desses trabalhadores é evidente. É importante que estes sejam orientados
com uma perceptiva ampla e abrangente da saúde, relacionando às condições e organiza-
ção do trabalho a qualidade de vida. Esta promoção deve abranger trabalhadores, equipe
multidisciplinar e a comunidade envolvida (HINO, et al., 2017).
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Contando com educação, visando sensibilizá-los sobre: a prevenção de acidentes, a
redução do adoecimento por doenças crônicas não transmissíveis, a proteção contra infec-
ções sexualmente transmissíveis e outras doenças infecciosas que podem ser prevenidas
por vacinas (PEREIRA, et al., 2014).
Devido às situações de riscos e a vulnerabilidade dos motoristas de caminhões, dá-se
a importância do melhor conhecimento desta população, como forma de melhoria de quali-
dade de vida e saúde dos mesmos. Deste modo objetiva-se verificar a saúde e a qualidade
de vida dos caminhoneiros que trafegam a BR- 070, mais especificamente, analisar a saúde,
verificar o reflexo da profissão no estilo de vida dos caminhoneiros e analisar a percepção
sobre saúde e qualidade de vida para poder compreender se, ser caminhoneiro é um fator
de risco para o desenvolvimento de hábitos e estilo de vida não saudáveis interferindo assim
na saúde e qualidade de vida dos mesmos.
Trata-se de um estudo descritivo, transversal com abordagem quantitativa que inves-
tigou, e analisou a saúde e a qualidade de vida dos caminhoneiros. O estudo foi realizado
com 128 caminhoneiros em 2019, no pátio de um posto de combustível, na cidade de Barra
do Garças – MT, as margens da BR 0-70, local que apresenta um grande fluxo de caminho-
neiros, que trabalham principalmente no transporte de grãos, pois esta região é riquíssima
na produtividade de soja, milho, entre outros. A pesquisa foi realizada em um conjunto de
ações desenvolvidas pelo projeto de extensão “Viva Bem Caminhoneiro”, da Universidade
Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Universitário do Araguaia (CUA).
A BR-070 é uma rodovia federal radial brasileira, também conhecida como Brasília/
Cuiabá. A via se inicia em Brasília e termina no distrito de Corixá, município de Cáceres (MT),
na fronteira com a Bolívia, passando pelo Distrito Federal e pelos estados de Goiás e Mato
Grosso, perfazendo uma extensão de 1.317,7 km.
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propostos. Os caminhoneiros responderam ao questionário no início da atividade de exten-
são, após a leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, com tempo
médio de 15 minutos para preenchimento.
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da
Universidade Federal de Mato Grosso, sob número CAAE: 65604317.2.0000.5587 e protocolo
nº 2.062.048, respeitando a Resolução nº466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).
Após a entrevista com o instrumento de coleta de dados, os mesmos foram analisa-
dos e tabulados pelo programa Epi Info versão 3.5.1, software criado pelo CDC (Centers
dor Disease Control and Prevention, em português Centro para o Controle e Prevenção de
Doenças), para a assim ter uma visão mais clara e organizada dos dados coletados.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como: “um estado de completo
bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”.
A saúde possui mais um valor da comunidade, que do indivíduo. É um direito que deve
ser assegurado sem distinção de raça, de religião, ideologia política ou condição socioeco-
nômica, sendo fundamental para a pessoa humana (ALVES e FONSECA, 2021).
Quando questionado sobre como consideram a sua saúde; 23,44% consideram ótima,
50 % consideram boa, 25,78% regular e 0,78% não respondeu. No senso comum, a definição
de saúde ainda é algo que antecede as pesquisas da medicina, pois afirmam que a saúde
é apenas a ausência de doença (ALVES e FONSECA, 2021).
A qualidade de vida dos trabalhadores está intimamente relacionada ao estilo de tra-
balho realizado, uma vez que este interfere diretamente nas condições de saúde do indiví-
duo. Fatores ambientais como sistema de turnos, privação de sono, horários irregulares e
extensas jornadas de trabalho podem contribuir para danos físicos e mentais e gerar ainda
acidentes de trabalho (LIMA, 2012).
Segundo Pinto Junior (2016), a falta de regulamentação da carga horária de trabalho dos
caminhoneiros provocou abusos e desrespeito no que se refere à jornada de trabalho. Á pri-
mórdio os empregadores tinham que recorrer à exceção do art. 62 I da CLT para recusar o
pagamento de horas extras. No dia 30 de abril de 2012 foi aprovada a lei nº 12.619/2012,
conhecida como a lei do descanso.
A precarização percebida nas primeiras impressões deixadas pela nova regulamentação
da atividade do motorista profissional, veiculada por meio da Lei (nº 13.103/2015), deixa certo
que o movimento social ainda não se estabilizou em situação de equilíbrio e razoabilidade.
Concluída a movimentação legislativa, competirá ao Poder Judiciário comandar os próximos
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movimentos, pois é na interpretação da regra legal e sua conformação com as diretrizes
constitucionais que se conhecerá o “direito vivo” e seu efetivo alcance.
Entretanto, após movimentos sociais devido ao extremismo da Lei, foi estabelecida
a lei nº 13.103/2015, para tentar manter um equilíbrio. Além da extensão da carga horária,
menos rigorosa do que a lei anterior, outra inovação trazida pela Lei nº 13.103/2015 diz res-
peito à possibilidade de fracionamento do intervalo entre jornadas (PINTO JUNIOR, 2016).
Nesta pesquisa observou-se que 89,06% trabalham entre 8 e 15h diárias e 5,47%
trabalham mais de 15h diárias. De acordo com o Art. 235-C. da Lei nº 13.103/2015 e consi-
derando apenas 2h extraordinárias, foi constatado que 48,44% dos caminhoneiros excedem
a jornada de trabalho diária permitida.
Em 2015 foi constituído a Lei nº 13.103, estabelecendo que os caminhoneiros devem
possuir 8h/dia de jornada de trabalho, respeitando um período de 11h/dia de descanso. Esta
Lei como objetivo evitar acidentes nas rodovias e estradas do Brasil. O motorista não deve
dirigir por mais de cinco horas interruptas. Esse tempo deve ser fracionado, pois a falta de
atenção, cansaço e o sono, são um dos principais fatores de acidentes no transito. Estima-
se que mais de 32% dos acidentes são ocasionados pela falta do descanso apropriado e
cerca de 6% desses acidentes são fatais (GRACINDO; VICTORINO; CARVALHO, 2019).
Silva e Paz (2021), destacam que infelizmente grande parte dos motoristas de transporte
de cargas enfrentam uma longa jornada de trabalho irregular, onde permanece acordado
muitas das vezes mais que 18h/dia. Estudos demonstram que esse tempo de irregular reduz
o desempenho psicomotor. Esses trabalhadores de turno irregular são geralmente motoristas
de caminhão autônomo ou não assalariado que perfaz jornadas superiores a 12/14 horas
em horários irregulares e em turnos diversificados para atender a demanda e o também e os
prazo de entrega da carga, obtendo 4/6 horas de sono por dia (TAUBE; CARLOTTO, 2018).
Em relação à intensa carga horária, autores de uma pesquisa realizada em cinco mu-
nicípios do Estado do Rio Grande do Sul notaram a junção de fatores como a ausência de
oferta de serviços de saúde, de educação e poucas opções de lazer nos locais de parada,
propiciam o consumo das anfetaminas (SINAGAWA et al., 2015). A carga horária eleva-
da produz desgaste físico e emocional buscando a solução no consumo de anfetaminas
(KNAUTH et al., 2012).
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Gráfico 1. Distribuição dos caminhoneiros quanto ao tempo de profissão. Região Centro-Oeste, do estado de Mato
Grosso, Brasil 2022. (n=128).
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massa corporal (IMC) dos entrevistados, cuja fórmula é peso (kg) /altura (m²). De acordo
com a OMS 48,44% apresentam IMC entre 25 a 29,9 (sobrepeso), 33,59 % > 30 (obeso).
Gráfico 2. Distribuição do Índice de Massa Corporal comparativo. Região Centro-Oeste, do estado de Mato Grosso, Brasil
2022. (n=128).
Gráfico 3. Consumo de bebidas alcoólicas. Região Centro-Oeste, do estado de Mato Grosso, Brasil 2022. (n=128).
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ser alertados quanto aos riscos que causam o consumo dessas substancias e sobre a depen-
dência, visando melhorar a qualidade de vida desses profissionais (ALESSI; ALVES, 2016).
Apesar de uma estatística positiva em relação à quantidade de fumantes, é imprescin-
dível relatar sobre o assunto devido aos malefícios do hábito em longo prazo. Várias são as
estratégias de saúde pública para se chegar aos baixos índices de tabagistas, sendo essas
estratégias modelos para os demais agravos à saúde.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O tema escolhido, apesar de não ser desconhecido é um tema pouco abordado. A pro-
moção da saúde e prevenção de doenças no universo masculino ainda são pouco difundidas
no meio cientifico quando comparado ao tamanho da problemática. É preciso conhecer o
público alvo para atender as necessidades coletivas e individuais. Difundir o conhecimen-
to através de educação em saúde é uma das maneiras de garantir esta estratégia dire-
cionada na PNAISH.
A realização do estudo possibilitou entender um pouco mais sobre masculinidades e do
exercício da profissão dos caminhoneiros, e demonstrou características peculiares destes
trabalhadores. O longo tempo de profissão, as jornadas intensas de trabalho e os hábitos
de vida pouco saudáveis são comuns entre eles.
Ademais, a entrada destes trabalhadores aos serviços da atenção básica ainda é bai-
xa, visto que estes apresentam longas jornadas de trabalho que são incompatíveis com os
horários de atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, o que implica diretamente no seu
processo de saúde e doença.
Vale ressaltar a importância do estabelecimento de estratégias em saúde da família,
para a adesão dos serviços da atenção primária pelos caminhoneiros. É preciso conhecer
mais as rotinas destes trabalhadores, e explorar pontos estratégicos, como os postos de
combustíveis, postos fiscais e demais pontos de parada, principalmente no período noturno.
A enfermagem possui uma grande importância na disseminação do conhecimento e
na busca por essas estratégias. É necessário que se trabalhe o acolhimento, e que seja
criado vínculo com essa clientela, necessitando assim extrapolar a área hospitalar, centros
de saúde e adentrar aos locais de trabalho dos caminhoneiros.
Espera-se que este estudo vá além de avaliar a saúde e a qualidade de vida dos
caminhoneiros. Contribuindo também para que o desconhecimento dos fatores de risco, a
falta de sensibilização, orientação e prevenção, os hábitos ruins, a baixa adesão na atenção
básica, sejam um empecilho na saúde do homem.
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Saúde mental do trabalhador no ambiente
hospitalar
'10.37885/220910014
RESUMO
A presente pesquisa teve como objetivo investigar acerca da saúde mental do trabalhador
no ambiente hospitalar. Trata-se um estudo de revisão narrativa. As fontes escolhidas para a
realização da coleta de dados foram PubMed, SciELO e Web of Science. Foram incluídos no
estudo artigos que abordavam sobre a temática proposta, publicados em português, inglês
e espanhol, no período de 2018 a 2022. Os profissionais de saúde que atuam no ambiente
hospitalar convivem diariamente com situações de estresse, pressão, falta de materiais e
equipamentos, sobrecarga de trabalho e exaustão. A implementação de ações de cuidado,
educação e promoção da saúde tendem a minimizar os danos provocados pelo adoecimento
físico e mental dos trabalhadores.
DESENVOLVIMENTO
Metodologia
Este artigo apresenta uma revisão narrativa sobre o tema “saúde mental do trabalhador
no ambiente hospitalar”. Segundo UNESP (2015, p. 02), a revisão narrativa:
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A busca dos artigos foi realizada nas bases de dados: PubMed, SciELO e Web of
Science, através dos Descritores em Ciências da Saúde (DesCS): “Saúde Mental”, “Trabalho”
e “Ambiente Hospitalar”, utilizando o operador booleano AND em todas as bases. Os critérios
de inclusão foram: artigo disponível de maneira livre e completo; idiomas - inglês, português
e espanhol; ano - 2018 a 2022 nas bases definidas; tendo como assunto principal: saúde
mental do trabalhador no ambiente hospitalar. Foram excluídos os artigos não disponíveis
na íntegra e cujo foco não correspondiam com a temática proposta.
A princípio, foram encontrados 472 artigos, sendo 393 na Web of Science, 75 na
PubMed e 4 na SciELO. Após a leitura dos títulos e resumos, como também, da aplicação
dos critérios de inclusão e exclusão, 58 artigos foram pré-selecionados. Por fim, depois de
ser efetuada a leitura na íntegra dos artigos pré-selecionados, 18 estudos foram selecionados
para formar a amostra final.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após uma intensa exploração das bases de dados mediante o percurso metodológico
descrito anteriormente, originaram para discussão duas categorias temáticas que, em con-
junto, contribuem para o objetivo do estudo: saúde mental e trabalho no ambiente hospitalar;
atenção e prevenção da saúde mental no ambiente hospitalar.
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exaustão mental, associados ao elevado número de pacientes, más condições de trabalho,
pouca cooperação entre os membros da equipe, longas jornadas de trabalho (ANDERSON;
MARTINS; GELBCKE, 2019; HOFFMANN; GLANZNER, 2019; RIBEIRO; SCORSOLINI-
COMIN; SOUZA, 2021; GALON; NAVARRO; GONÇALVES, 2022), falta de autonomia, o
que pode levá-los ao consumo de substâncias psicoativas (SCHOLZE et al., 2020).
Ressalta-se, que as questões pessoais, de trabalho e estilo de vida se relacionam com
a qualidade do sono. Desta forma, a baixa qualidade do sono pode resultar em doenças físi-
cas e mentais, na redução da produtividade e no aumento do risco de acidente de trabalho
(SOUSA et al., 2019; CAVALHEIRI et al., 2021; SILVA et al., 2022).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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Almeja-se que esta revisão narrativa possa contribuir com estudos posteriores, bem
como incentivar pesquisadores, profissionais de saúde e gestores no desenvolvimento de
estratégias de cuidado, educação e promoção da saúde mental.
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SOBRE O ORGANIZADOR
Dennis Soares
Possui graduação em Fisioterapia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Acadêmico de
Engenharia de Produção na Universidade Estadual Paulista. Formação em Saúde Pública pela
Faculdade do Método de São Paulo (FAMEESP). Formação em Fisioterapia em dor orofacial pela
Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP). Formação em Ambientes
do Trabalho e suas repercussões para a saúde do trabalhador pela Fundacentro/São Paulo.
Aperfeiçoamento em Salud del Trabajador pela Universidad Nacional de Lanús (UNLa/Argentina).
Aperfeiçoamento em Cuidado Paliativo em Atenção Domiciliar pela Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG). Especialização (Modalidade Residência) em Saúde Coletiva com ênfase em
Saúde do Trabalhador pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) com
estágio eletivo em Gestão em Saúde pela Residência Multiprofissional em Saúde da Família da
Universidade do Estado do Pará (UEPA) e vivência na Divisão de Vigilância Sanitária do Trabalho
de São Paulo. Especialização em Higiene Ocupacional pelo Centro Universitário Venda Nova
do Imigrante. Pós-graduando em Educação e Tecnologias com ênfase em Docência do Ensino
Superior na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Membro da Associação Brasileira de
Saúde Coletiva (ABRASCO). Membro da Associação Brasileira de Professores (Curitiba/Paraná).
Foi representante dos residentes multiprofissionais da Faculdade de Fonoaudiologia, Fisioterapia
e Terapia Ocupacional (FOFITO-FMUSP/2018 até 2020). Experiência em docência para o curso
de Fisioterapia da Universidade de São Paulo (Eletrotermofototerapia e Fisioterapia Preventiva).
Atualmente, Pesquisador responsável pela Profilaxia Pré-exposição (PrEP) sob demanda do Centro
de Referência e Treinamento de DST/Aids da Prefeitura de São Paulo - Hospital das Clínicas da
USP. Fisioterapeuta coordenador de Saúde do Trabalhador e Ergonomia da Libbs Farmacêutica.
Professor de Ergonomia e Segurança do Trabalho na INAESP. Ergonomista do Banco BTG -
Pactual e Fisioterapeuta plantonista na área de cuidados paliativos e gerontologia do Hospital
Sainte Marie. Tem interesse e experiência em sexualidade, saúde da população LGBTQIA+,
educação em saúde, saúde coletiva, saúde pública, saúde do trabalhador, educação à distância,
vulnerabilidade em saúde e saúde de comunidades quilombolas. Escritor e organizador dos livros:
Fisioterapia & Saúde coletiva, Educação em Saúde: avanços e desafios do século XXI e Saúde
Coletiva: avanços e desafios para integralidade do cuidado. Revisor da Revista Ocupación Humana
(Colômbia). Exerceu o cargo de responsável pela PrEP de uso contínuo de mulheres transexuais
e profissionais do sexo na Prefeitura de São Paulo/Serviço de Assistência Especializada (SAE)
Campos Elíseos (02/2020 até 12/2020).
Lattes: [Link]
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ÍNDICE REMISSIVO
A M
Absenteísmo: 68, 70, 76, 81, 120, 128 Medidas de Prevenção: 131, 132
B Mortalidade: 49, 50
C P
Canvas: 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, Perda de Direitos: 100
32, 33, 34, 35, 36, 37
Perfil de Saúde: 68
Comprometimento no Trabalho: 83
Planejamento Colaborativo: 22
Crise do Trabalho: 100
Precarização do Trabalho: 100
D
Promoção à Saúde: 132
Doenças e Acidentes do Trabalho: 132
Promoção da Saúde: 106, 151
E
Psicologia Positiva: 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18,
EBACO: 83, 87, 88, 89, 90, 94 19, 20, 107, 108
Enfermagem: 53, 55, 58, 60, 61, 62, 63, 64, 66, R
80, 81, 113, 114, 116, 118, 119, 120, 129, 132, 134,
138, 139, 150, 157, 158, 159, 160 Recusa de Vacinação: 53
F Risco Ocupacional: 53
Fisioterapeutas: 68, 71 S
G Saúde do Homem: 141
Hospital: 71, 81, 105, 106, 108, 109, 158 Servidores Públicos Federais: 83
Saúde do Trabalhador: ações interdisciplinares para o cuidado integral - ISBN 978-65-5360-184-0 - Vol. 1 - Ano 2022 - Editora Científica Digital - [Link]
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