GLICÓLISE
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS
DIGESTÃO
● Mastigação - fracionamento do alimento e mistura com a saliva
- ação da amilase salivar: quebra do amido em maltose (glicose + galactose) e dextrinas
● Estômago - a digestão de carboidratos cessa temporariamente no estômago devido a inativação da amilase
salivar (pH)
● Intestino - a amilase pancreática continua o processo digestivo no intestino
● A digestão final ocorre pela ação de enzimas da mucosa intestinal
● ocorre a absorção de monossacarídeos (glicose, frutose e galactose) no intestino
GLICOSE
● Combustível (catabolismo)
- alta energia liberada de sua oxidação
- todas as células conseguem utilizá-la como fonte de
energia
- pode ser estocada (glicogênio, amido)
● Precursor bioquímico (anabolismo)
- pode ser convertida em vários compostos
- bactérias podem sintetizar todos os compostos de C
a partir de glicose (usando fontes inorgânicas de
P,S,N)
GLICÓLISE
● ocorre no citosol
● sequência de reações que converte a glicose em piruvato, havendo
a produção de energia sob a forma de ATP
● Importância:
- principal meio de degradação da glicose
- obtenção de energia em condições anaeróbias
- permite a degradação da frutose e galactose
- fundamental para a produção de Acetil-CoA
- os tecidos têm necessidade de transformar a energia contida
na glicose em ATP
● A glicólise pode ser dividida em etapas correspondentes a seus
eventos fundamentais:
I. Dupla fosforilação da glicose, à custa de 2 ATP, originando
uma outra hexose, a frutose, com dois grupos fosfato
II. Clivagem da frutose, produzindo duas trioses fosforiladas, que
são interconversíveis
III. Oxidação e nova fosforilação das trioses fosfato, desta vez por
fosfato inorgânico (Pi), formando duas moléculas de um intermediário bifosforilado
IV. Transferência dos grupos fosfato deste intermediário para 4 ADP, formando 4 ATP e 2 piruvato
ETAPA I
● a glicose é uma molécula quimicamente inerte, assim, para se iniciar a sua degradação é necessário que
seja ativada
● depois de entrar na célula a glicose é fosforilada pela Hexoquinase produzindo Glicose-6-P pela
transferência do fosfato terminal do ATP para o grupo Hidroxila da glicose - reação exergônica e
irreversível
● a glicose-6-fosfato é incapaz de atravessar a membrana plasmática, o que garante sua permanência dentro
das células
● utilização de 2 moléculas de ATP
● há a isomerização da glicose-6-fosfato a frutose-6-fosfato por ação da fosfoglicoisomerase
● nova fosforilação, também utilizando ATP e também irreversível, catalisada pela fosfofrutoquinase 1.
Forma-se, então, uma hexose com dois grupos fosfato: a frutose-1,6-bisfosfato
ETAPA II
● A frutose 1,6-bisfosfato é dividida em duas trioses fosfatadas isômeras, ficando cada uma com um fosfato,
a di-hidroxiacetona fosfato e gliceraldeído 3-fosfato, por ação da aldolase
● as duas trioses são interconversíveis por uma reação reversível catalisada pela Isomerase dos fosfatos de
trioses ou fosfotrioses isomerase (TIM)
● A conversão de di-hidroxiacetona fosfato em gliceraldeído 3-fosfato possibilita que uma molécula de
glicose (C6) seja convertida em duas moléculas de gliceraldeído 3-fosfato (2 × C3)
● Da reação da triose fosfato isomerase em diante, a via tem todos os seus intermediários duplicados e
todos os carbonos da glicose são convertidos em piruvato
● A clivagem de frutose 1,6-bisfosfato e a isomerização de dihidroxiacetona fosfato em gliceraldeído 3-
fosfato são reações com ΔG°′ positivo. Isto significa que, nos respectivos equilíbrios, predominam frutose
1,6-bisfosfato e di-hidroxiacetona fosfato, respectivamente
● só o gliceraldeído 3-fosfato é substrato das reações seguintes, por isso o isômero assegura que todos os 6
carbonos derivados da glicose podem prosseguir na via glicolítica
ETAPA III
● As duas moléculas de gliceraldeído-3-fosfato obtidas por fosforilação à custa de 2 ATP são oxidadas e
novamente fosforiladas, agora por fosfato inorgânico, formando duas moléculas de 1,3-bisfosfoglicerato
● Este composto é um anidrido misto de um ácido carboxílico e o ácido fosfórico, um anidrido carboxílico-
fosfórico, que é um composto rico em energia
● reação de oxidação-redução/fosforilação complexa, catalisada pela gliceraldeído 3-fosfato desidrogenase
● o gliceraldeído-3-fosfato é convertido num composto intermédio potencialmente energético
● grupo aldeído oxidado em grupo carboxílico
● o grupo carboxílico formado, forma uma ligação anídrica com o fosfato
● o grupo fosfato deriva de um fosfato inorgânico
● o NADH intervirá na formação de ATP
ETAPA IV
● formação de ATP
● a reação da etapa 7, é uma reação exergônica que permite a transferência do grupo fosfato ao ADP,
formando ATP, com a enzima interveniente fosfoglicerato quinase - fosforilação ao nível do substrato
● o 3-fosfoglicerato é isomerado a 2-fosfoglicerato pela fosfoglicerato mutase
mutase, pois muda o grupo fosfato de posição dentro da molécula
● na etapa 9, ocorre uma desidratação e forma fosfoenolpiruvato - a enzima responsável é a enolase
● na última etapa, há a formação do piruvato, sendo catalisada pela piruvato quinase, que transfere o grupo
fosfato do fosfoenolpiruvato para o ADP, formando ATP - reação irreversível e exergônica
- produto intermédio enol-piruvato que é convertido à forma ceto piruvato
● A Glicólise é composta por 10 reações, sendo 3 irreversíveis e produz, para cada molécula de glicose, 2
piruvatos, 2 NADH e 4 ATP (porém, como no início ocorre gasto de dois ATP o rendimento líquido da
Glicólise é de 2 ATP)
RESUMO
1 - Inicialmente, a glicose é fosforilada através do gasto de um ATP, uma reação irreversível que forma
glicose 6-fosfato. Essa transformação impede que a glicose deixe a célula através da membrana plasmática,
tendo em vista que a membrana é permeável a glicose mas não a glicose 6-fosfato.
2 - Depois, a glicose 6-fosfato é isomerizada em frutose 6-fosfato (altera sua estrutura de piranose para
furanose).
3 - A frutose 6-fosfato é fosforilada com ATP, outra reação irreversível que forma a frutose 1,6-bisfosfato.
4 - A frutose 1,6-bisfosfato é clivada e formam-se dois compostos, a Diidroxiacetona fosfato e o
Gliceraldeído 3-fosfato. Como a próxima reação é catalisada por uma enzima que utiliza como substrato
apenas o Gliceraldeído 3-fosfato, a Diidroxiacetona fosfato é transformada em Gliceraldeído 3-fosfato, ou
seja, duas moléculas de Gliceraldeído 3-fosfato continuarão na Glicólise, o que duplica os produtos finais,
sendo assim, cada reação da Glicólise citada desse ponto em diante, ocorre duas vezes.
5 - O gliceraldeído 3-fosfato é fosforilado, mas dessa vez por um fosfato inorgânico (P i), formando o 1,3-
bisfosfoglicerato. Nessa mesma reação, a coenzima NAD + adquire dois prótons (H+) e dois elétrons (e-),
dando origem ao NADH, um dos produtos finais.
6 - O 1,3-bisfosfoglicerato é desfosforilado, cedendo o grupo fosfato (P i) para o ADP, o que forma ATP e 3-
fosfoglicerato.
7 - O 3-fosfoglicerato é isomerizado em 2-fosfoglicerato.
8 - O 2-fosfoglicerato é desidratado e forma-se o Fosfoenolpiruvato.
9 – Finalmente, o Fosfoenolpiruvato é desfosforilado, cedendo o grupo fosfato (P i) para um ADP, formando
ATP e o Piruvato. Essa reação é irreversível.
REGULAÇÃO DA GLICÓLISE
● Apresenta duplo papel no metabolismo:
- degradar glicose para gerar ATP
- fornecer blocos de construção para nucleotídeos e ácidos graxos
● Controle a longo prazo - particularmente no fígado, é efetuado a partir de alterações na quantidade de
enzimas glicolíticas, este controle tem reflexos nas taxas de síntese e degradação
● Controle a curto prazo - feito por alteração alostérica (concentração de produtos) reversível das enzimas e
também pela sua fosforilação
● as enzimas mais propensas a serem locais de controle são as que catalisam as reações irreversíveis
HEXOQUINASE E GLICOQUINASE
● são isoenzimas (enzimas diferentes que catalisam as mesmas reações
enzimáticas)
● É controlada alostericamente de maneira negativa pelo próprio produto
da reação (Glicose 6-fosfato), ou seja, quanto maior a concentração do
produto, menor será a atividade da enzima.
● a hexoquinase adiciona o primeiro fosfato na glicose, produzindo a
glicose-6-fosfato
● humanos tem 4, hexoquinase I, II, e III
● IV é mais conhecida como glicoquinase, expressa no fígado
● a hexoquinase ocorre em todos os tecidos
● As hexoquinases tem alta afinidade por glicose, apresentam Km muito
baixo (0,1 mM)
- como a concentração de glicose sanguínea é de 5 a 8mM, funcionam
sempre em Vmáx
- catalisam glicose de forma independente da glicemia
- importante para órgãos que dependem estritamente desse açúcar
● A glicoquinase tem um Km elevado (5mM), portanto a velocidade da reação é regulada pela glicemia
FOSFOFRUTOQUINASE 1 (PFK-1)
● essa enzima catalisa a terceira reação da Glicólise (frutose-6-fosfato para frutose-1,6-fosfato)
● é controlada alostericamente de maneira positiva pela concentração de frutose-2,6-bifosfato (quanto
maior a concentração de frutose 2,6-bisfosfato, maior a atividade da PFK1)
● Além disso, ocorre a regulação negativa exercida pelo Citrato, um dos compostos do ciclo de Krebs, logo,
quanto maior a concentração de citrato, menor a atividade da PFK1, ou seja, a Gliconeogênese é favorecida
PIRUVATO QUINASE
● essa enzima é regulada por efetores alostéricos e por modificação covalente
GLICÓLISE ANAERÓBIA: FERMENTAÇÕES
● Em anaerobiose, o próprio piruvato produzido pela glicólise (ou um composto dele derivado) serve como
aceptor dos elétrons do NADH, assegurando o provimento de NAD+ para a continuidade da via glicolítica. O
piruvato é, portanto, o composto a partir do qual a oxidação aeróbia e a anaeróbia da glicose divergem
● As fermentações diferem pelas reações que efetuam a regeneração do NAD+
● o piruvato pode ser convertido a compostos diferentes, como lactato, etanol, propionato, butirato etc
● As fermentações são processos autossuficientes, porque independem de outras vias para regenerar a
coenzima NAD+ que utilizam
FERMENTAÇÃO LÁCTICA
● o piruvato recebe dois elétrons e um próton do NADH e um próton do meio, reduzindo-se a lactato:
● Este é o processo utilizado por diversos microrganismos e por determinadas células e tecidos de
mamíferos: hemácias, espermatozoides, medula renal, músculos esqueléticos etc
● a última reação é redução do piruvato a lactato, este pode ser convertido a glicose via gliconeogênese
● redução de piruvato a lactato pela enzima lactato-desidrogenase
CASO DAS HEMÁCIAS
● os glóbulos vermelhos não tem mitocôndria
● eles têm uma enzima - bifosfoglicerato mutase - que vai permitir a
isomerização do 1,3-bifosfoglicerato a 2,3-bifosfoglicerato
● por ação da 2,3-bifosfoglicerato fosfatase perde um grupo fosfato
e transforma-se em 3-fosfoglicerato
● isso não é acompanhado pela formação de ATP, mas traz duas
importantes vantagens:
- processo mais econômico, pois tem uma necessidade mínima
de ATP
- o 2,3-bifosfoglicerato liga-se a hemoglobina desalojando o oxigênio, fazendo assim que o O2 passe
para os tecidos
FERMENTAÇÃO ALCÓOLICA
● Em certos organismos, como as leveduras e alguns tipos de bactérias, a regeneração do NAD+ é feita pela
fermentação alcoólica
● o piruvato é descarboxilado, originando acetaldeído, que, servindo como aceptor dos elétrons do NADH,
reduz-se a etanol
● A coenzima da piruvato descarboxilase é a tiamina pirofosfato (TPP), que
participa também da descarboxilação oxidativa do piruvato
PIRUVATO EM ACETIL-CoA
● Em condições aeróbias, o primeiro passo para a oxidação total do piruvato é a sua conversão a acetil-CoA
● o piruvato é transportado do citosol para a mitocôndria, onde é transformado em acetil-CoA, conectando a
glicólise e o ciclo de Krebs
● O piruvato deixa de ser o aceptor dos elétrons do NADH produzido pela glicólise e esta coenzima é oxidada
pelo oxigênio, o aceptor final de elétrons no metabolismo aeróbio, por um processo indireto
● O piruvato origina acetil-CoA, por descarboxilação oxidativa
● O processo é irreversível e consiste na transferência do grupo acetila, proveniente da descarboxilação do
piruvato, para a coenzima A
INFORMAÇÕES DE EXERCÍCIOS
● A reação de gliceraldeído-3-fosfato para 1,3-bifosfoglicerato é de óxido-redução, sendo NAD como
molécula reduzida e G-3P como molécula oxidada
● Fosforilação a nível de substrato é a transferência direta de um grupo fosfato de uma molécula de alta
energia para um receptor que formará um ATP (ADP) ou um GTP (GDP)