Curso de Técnico Superior de Segurança no
Trabalho [E-learning]
Módulo: Segurança do trabalho
Formador: Susana Gonçalves
Agenda aula 2:
• Causas e consequências dos acidentes de
trabalho (continuação):
Consequências do acidente de trabalho.
• Acidente de trabalho.
• Avaliação de riscos, generalidades.
• Controlo de riscos, generalidades.
Causas e consequências dos acidentes de
trabalho (continuação)
Consequências do acidente de trabalho
Qualquer acidente de trabalho tem consequências que podem atingem toda a
sociedade, uma vez que sendo o sinistrado o principal afetado, existem associado a
este t0da uma série de outras pessoas e impactos económicos e sociais que teremos
que considerar.
As consequências de um acidente são imensas e difíceis de esquematizar, pois cada
acidente é um acidente e as consequência variam de individuo para individuo.
Podemos, no entanto, salientar algumas delas como, custos, quer para o
empregador como para o funcionário, diminuição de produtividade, perdas
humanas e deficiências físicas e/ou psicólogas.
Os custos associados a um acidente ou baixa médica são de tal forma altos que
deixa-nos a pensar que o melhor será reunir todos os meios necessários para que os
acidentes não aconteçam e os funcionários trabalhem de forma segura, pois a
segurança deles é a segurança do empregador, uma vez que o funcionário trabalha
com mais prazer e consequentemente produz mais, o que faz aumentar os lucros
numa empresa e passar a imagem de uma empresa credível.
Possíveis consequências
Afetados
Danos humanos Danos materiais
• Dano físico e/ou moral • Perda no salário
Trabalhador
• Diminuição do potencial humano • Diminuição do potencial profissional
• Dano moral
Familiares • Dificuldades financeiras
• Stress
• Medo coletivo • Perdas de prémios de produção
Colegas • Perda de qualidade de ambiente de trabalho • Baixa produtividade
• Preocupação/desconfiança • Acumulação de tarefas
• Perdas de produtividade
• Incumprimento de prazos
• Imagem corporativa afetada
Empresa • Formação de substituto
• Consternação
• Aumento de custos de produção
• Aumento de prémios de seguros
• Diminuição da produção
País • Baixa no potencial humano • Aumento dos encargos sociais
• Diminuição do poder de compra
Acidentes de trabalho
Acidentes de Trabalho em Portugal
Anos
Total Mortais
2000 234.192 368
2001 244.936 365
2002 248.097 357
2003 237.222 312
2004 234.109 306
2005 228.884 300
2006 237.392 253
2007 237.409 276
2008 240.018 231
2009 217.393 217
2010 215.632 208
2011 209.183 196
2012 193.611 175
2013 195.578 160
2014 203.548 160
2015 208.457 161
2016 207.567 138
2017 209.390 140
2018 195.761 103
2019 196.202 104
2020 156.048 131
Fontes/Entidades: GEP/MSSS (até 2009); GEE/MEE (a partir de 2010), PORDATA
Fontes/Entidades: GEP/MSSS (até 2009); GEE/MEE (a partir de 2010), PORDATA
Avaliação de riscos, generalidades
A avaliação de riscos permite a valoração do risco, ou seja, permite aferir se o risco é
aceitável.
A análise de risco inclui a identificação dos perigos, bem como a estimativa dos riscos.
A gestão do risco adiciona a dimensão do controlo sobre o mesmo (medidas a adotar para a
eliminação ou minimização do mesmo
A gestão do risco envolve várias etapas, tendo por objetivo a análise, valoração e controlo
dos riscos.
A avaliação de riscos tem um papel fulcral na gestão da segurança e saúde no
trabalho, pois sem uma eficaz avaliação de riscos dificilmente serão tomadas as
medidas preventivas adequadas, pois se um perigo não for identificado não
teremos oportunidade de o tentar controlar.
No processo de avaliação de riscos a análise da organização é elaborado no sentido de:
• Identificar processos e situações que possam causar danos, principalmente às pessoas.
• Determinar a probabilidade de cada perigo e também a gravidade das consequências.
• Definir quais passos a organização pode dar para impedir que esses riscos ocorram, ou
para controlá-los.
É importante falar da diferença entre risco e perigo. Um perigo é qualquer coisa que
possa causar um dano, como acidentes de trabalho, situações de emergência,
produtos químicos tóxicos, conflitos entre funcionários, stress, entre outros. Um
risco, por seu lado, é a hipótese/possibilidade de um perigo causar danos.
Como parte do plano de avaliação de riscos, o técnico identificará os perigos e
calculará o risco ou a probabilidade do risco ocorrer.
O objetivo de um plano de avaliação de riscos depende de cada setor, mas, no geral,
o que procura é ajudar as organizações a anteciparem e combaterem riscos.
Salientam-se alguns objetivos genéricos:
• Fornecer uma análise de possíveis ameaças;
• Prevenir lesões ou doenças;
• Atender requisitos legais;
• Informar todos sobre perigos e riscos;
• Criar um inventário preciso dos ativos disponíveis;
• Justificar os custos da gestão de riscos;
• Determinar o orçamento para solucionar os riscos;
• Entender o retorno sobre o investimento.
As empresas devem fazer uma avaliação de riscos antes de incorporar novos
processos ou atividades, antes de fazer alterações em processos ou atividades
existentes, como por exemplo, a troca de máquinas ou quando a empresa
identificar um novo perigo.
A valoração do risco é a finalização da avaliação do risco e pretende comparar a
magnitude do risco com padrões de referência, atribuindo o grau de aceitabilidade.
Aqui também se avaliam as medidas de controlo já instituídas e quais deverão ter
destaque, bem como ações de prevenção/correção que serão desejáveis
desenvolver.
A maior ou menor valoração do risco depende do número e tipo de trabalhadores
expostos, nos quais são analisados fatores como o nível de formação, a
sensibilização, a experiência, bem como a frequência da exposição ao risco. Como
nota, devemos ainda considerar, se aplicável, clientes ou visitantes, trabalhadores
subcontratados ou temporários, funcionários inexperientes, grávidas, pessoas com
mobilidade condicionada ou outras situações equivalentes.
Existem diversos métodos de avaliação de risco, desenvolvidos ao longo dos anos
para aplicação de acordo com as necessidades das organizações e adequados às
mais diversas atividades.
A escolha da abordagem para a avaliação dependerá:
• Da natureza do local de trabalho (por exemplo, se se trata de um
estabelecimento fixo ou temporário);
• Do tipo de processo (por exemplo, operações repetitivas, processos de
desenvolvimento/transformação, trabalho em função das necessidades);
• Da tarefa executada (repetitiva, ocasional ou de elevado risco);
• Da complexidade técnica.
Um exemplo é o guia para a Avaliação de Riscos no Local de Trabalho, que propõe
uma abordagem baseada em 5 etapas:
• Etapa 1. Identificação dos perigos e das pessoas em risco: Análise dos aspetos do
trabalho que podem causar danos, e identificação dos trabalhadores que podem
estar expostos ao perigo.
• Etapa 2. Avaliação e priorização dos riscos: Apreciação dos riscos existentes
(gravidade e probabilidade dos potenciais danos…) e classificação desses riscos
por ordem de importância.
• Etapa3. Decisão sobre medidas preventivas: Identificação das medidas
adequadas para eliminar ou controlar os riscos.
• Etapa 4. Adoção de medidas: Aplicação das medidas de prevenção e de proteção
através da elaboração de um plano de prioridades.
• Etapa 5. Acompanhamento e revisão: A avaliação deve ser revista regularmente
para assegurar que se mantenha atualizada.
Outro exemplo são os métodos qualitativos, quantitativos ou semi-quantitativos :
• Métodos qualitativos: baseiam-se em dados estatísticos prévios associados aos
riscos profissionais, como por exemplo, informação da sinistralidade da
instituição, dados de sinistralidade do setor de atividade ou pareceres de
especialistas, trabalhadores e/ou seus representantes). São adequados para
avaliações simples ou podem ser complementados com outros métodos.
Descrevem ou esquematizam os fatores de risco e as medidas
preventivas/corretivas, mas não quantificam.
• Métodos quantitativos: têm o objetivo de obter uma exposição numérica da
magnitude do risco, através de técnicas elaboradas de cálculo, que assimilam
dados sobre as variáveis consideradas. Contudo, estas técnicas podem ser
complexas, trabalhosas e dispendiosas, para além de exigirem dados prévios
fiáveis e representativos. Quantificam o risco através da probabilidade de
ocorrência e respetiva valoração, por vezes também estimando os danos
espectáveis. Neste grupo podem ser citados as “árvores lógicas”, método de
Gretener e método simplificado de avaliação de risco de incêndio.
• Métodos semi-quantitativos: através de índices para situações de risco
salientadas e elaboração de planos de atuação para hierarquizar. Devem ser
escolhidos quando os métodos qualitativos são insuficientes e quando os
quantitativos não são adequados, por exemplo pela complexidade e/ou custo.
Estima-se a magnitude do risco (R) pela multiplicação da frequência (F) pela
gravidade (G) esperada das lesões. Este poderá ainda ser multiplicado pelo
número de trabalhadores expostos, se for pertinente. Realçando que o nível de
probabilidade é obtido pelo produto dos níveis de exposição e deficiência.
Vantagens e desvantagens das metodologias qualitativas, quantitativas e semi-
quantitativas
Métodos Vantagens Desvantagens
• São subjetivos
• Simples, não requerem quantificações • Dependem da experiência dos
Qualitativos (QL) • Permitem o envolvimento de diferentes avaliadores.
elementos da organização • Não permitem efetuar análise custo-
benefício
• Proporcionam resultados objetivos/mensuráveis
• Os cálculos são complexos,
• Permitem a análise de medidas de controlo de
dispendiosos e morosos
Quantitativos (QT) risco
• Necessitam de metodologias
• São objetivos e facilitam a sensibilização do
estruturadas e bases de dados fiáveis
empregador
• Relativamente simples
• Identificam as prioridades de intervenção
Semi-quantitativos • Dependem dos descritores inseridos e
através da identificação dos riscos
(SQT) da experiência dos avaliadores
• Também facilitam a sensibilização do
empregador
Comparação entre os principais Métodos usados para Avaliação de Riscos Laborais
Tipo
Aplicação Vantagens Desvantagens
Métodos QL SQT QT
Análise de Mais adequada a indústrias de processo; Pode falhar se o
Analisa de que forma um equipamento ou sistema pode
modo de falhas X Muito eficiente em sistemas simples. sistema não for conhecido ao pormenor; Se o sistema for
falhar e as consequências que daí podem resultar.
e efeitos complexo são necessárias outras técnicas
Como se desenvolve numa fase inicial pode faltar alguma
Análise Aplicável na fase de projeto; Possibilita determinar os riscos informação sobre alguns detalhes; Necessita de ser
preliminar de X X e medidas preventivas antes da fase operacional; Permite a Fácil de executar e razoavelmente rápido. complementada por técnicas mais exigentes; Em sistemas
riscos análise de sistemas. bastante conhecidos deve utilizar-se outra técnica mais
específica.
Análise por Identifica quais os eventos que podem suceder a um evento Identifica uma sequência de dados possível; É
Se o processo não for bem conhecido, poderá se perder
árvore de X X iniciador; Estuda sistemas de controlo de emergência; possível introduzir valores numéricos e proceder a
informação relevante.
eventos Inicia-se com a falha de um componente do sistema. uma avaliação quantitativa.
Permite revelar falhas críticas e um conhecimento
Inicia-se com o dano e prossegue-se com as causas que lhe mais completo do sistema; Determina a sequência
Análise por Exige conhecimentos de álgebra de Boole e uma equipa
possam ter originado, calcula a probabilidade de ocorrência mais crítica; encontra a(s) combinação(ões) que
árvore de X experiente; Pode ser necessário realizar um estudo
de acontecimentos básicos ou intermédios; Permite a precisam de ser prevenidas; Pode ser usado para
falhas preliminar.
análise de sistemas. avaliar muitas falhas; Não necessita de chegar a
uma análise quantitativa.
Observação Permite a identificação dos atos inseguros cometidos pelos
Carateriza os riscos associados ao comportamento É facilmente influenciado pelas convicções prévias do
direta dos atos X trabalhadores; Usa listas de verificação e faz análise aos
dos trabalhadores; Identifica necessidades. avaliador.
inseguros postos.
Analisa as condições de segurança de todos os
Análise da
Tem como alvo principal o ato inseguro; Identifica os postos de trabalho; Estabelece hierarquia na
segurança das X X Podem escapar tarefas menos frequentes.
perigos através da análise das tarefas. intervenção; Engloba segurança, qualidade,
tarefas
ambiente e eficiência das tarefas.
Identifica as causas possíveis, desvios, Demorado; Em projetos novos deve ser completado com
Hazop X Estudo das falhas, erros ou desvios possíveis. consequências e ações necessárias para garantir a outras técnicas; Necessita que o processo esteja já bem
segurança do sistema. descrito; Mais adequado a processos industriais.
Método Quantifica a amplitude dos riscos e dá hierarquia na
X Fácil e rápido. O ponto de partida é a deteção de não conformidades.
simplificado intervenção.
Método Estima probabilidade, exposição e consequências; Há subjetividade no cálculo da perigosidade e depende da
X
William T. Fine Justifica economicamente as ações. experiência de quem executa.
Identifica os perigos e hierarquiza e controla os riscos.
Método Estima probabilidade, exposição e consequências; Há subjetividade das variáveis inseridas no cálculo do risco
X
Integrado Justifica economicamente e calcula o risco residual. intrínseco e depende da experiência do investigador.
Controlo de riscos, generalidades
Controlar os riscos significa intervir sobre eles, para desta forma minimizar os seus
efeitos até um nível considerado aceitável.
A eficácia do controlo depende muito do facto da ou das ações tomadas incidirem
na origem do risco e de serem direcionadas para a melhor adaptação do trabalho ao
homem e não ao contrário.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• Referência 1) [Link]
• Referência 2) Guia para a Avaliação de Riscos no Local de Trabalho, publicado pelo Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias.
• Referência 3) Guia para a Avaliação de Riscos no Local de Trabalho, publicado pelo Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias